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Reações Químicas
Aspectos Qualitativos
Neilton Santana
Marcos Portnoi
Engenharia Elétrica - UNIFACS
10.Abril.1999

Objetivos

Estudar sistemas químicos, pesquisando dados qualitativos (alteração de temperatura,


cor, estado físico, emanação de gases) a fim de verificar a ocorrência de
transformações químicas nas substâncias utilizadas.

Introdução

A matéria encontra-se em transformação permanente na Natureza. Sob a ação de


agentes, a matéria pode sofrer alterações em seu estado físico ou químico. Uma
transformação física não altera a identidade da substância ou matéria, a exemplo das
mudanças de estado. Água gelada ou congelada, mesmo que sólida, ainda é água. Um
pedaço de ferro pode ser triturado e ainda fundido, mas continua sendo ferro. Uma
transformação química é mais fundamental, pois nela a substância ou matéria é
destruída e outra ou outras novas são formadas. O exemplo perfeito é a exposição de
um pedaço de ferro ao ar livre e chuva. Há uma combinação química do ferro com o
oxigênio e água, formando óxido de ferro, ou ferrugem. A transformação química é
denominada reação química. Assim, reação química é o processo pelo qual átomos ou
grupos de átomos são redistribuídos, resultando em mudança na composição molecular
das substâncias.

As substâncias que desaparecem durante essas reações recebem o nome de


reagentes, e as que são formadas, produtos. Esses produtos obtidos dependem das
condições sob as quais a reação química toma lugar.

Os experimentos a seguir serão analisados qualitativamente, ou seja, tentar-se-á


identificar as substâncias que são formadas no final do experimento. Esta análise é
comumente baseada em qualidades facilmente identificáveis, como cor, calor,
insolubilidade. Com base nessa análise, poder-se-á separar as reações segundo a
classificação científica de
 Reações de síntese ou adição
 Reações de análise ou decomposição
 Reações de deslocamento ou simples troca
 Reações de dupla troca

A definição de cada tipo será feita durante a discussão dos experimentos que a
exemplificarem.

Parte Experimental

Fusão e Combustão do Enxofre

Material Utilizado

Tubo de ensaio, enxofre, bico de Bunsen, espátula, pinça de madeira.

Procedimento e Observação

Colocou-se uma quantidade de enxofre em um tubo de ensaio. Levou-se este tubo com
auxílio da pinça à chama do bico de Bunsen. Ao se aquecer, o enxofre mudou de
coloração, ficando mais escuro, ao mesmo tempo em que se liqüefazia. Após pouco
tempo, houve desprendimento de vapor, certamente o gás de enxofre. O aquecimento
foi interrompido após a liquefação e desprendimento do gás.

Aquecendo uma quantidade de enxofre agora numa espátula, sob o ambiente da


capela, este também mudou de coloração, ficando mais escuro, e se liqüefez
rapidamente. Mantendo o aquecimento, finalmente o enxofre entrou em combustão,
mantendo uma coloração bem escura, "sumindo" da espátula após pouco tempo.

Discussão

O aquecimento do enxofre no tubo de ensaio mudou apenas seu estado físico, de


sólido para líquido e então para vapor. Já o aquecimento diretamente na chama
provocou a combustão desse enxofre, o que mudou sua composição química,
destruindo o reagente inicial. A combustão é o processo de oxidação rápida de uma
substância com a evolução simultânea de calor e freqüentemente, luz. Assim, é de se
concluir que na combustão do enxofre produziu-se dióxido de enxofre, segundo a
equação:
S + O2   SO2

Esta é uma reação de síntese, quando duas ou mais substâncias reagem, produzindo
uma única substância mais complexa. Aqui, o enxofre aquecido reagiu com o oxigênio
do ar, produzindo dióxido de enxofre, ou anidrido sulfuroso.

Ensaios por Via Seca

Material Utilizado

Pinça de metal e de madeira, tubo de ensaio, bico de Bunsen, béquer, pipeta e pêra,
almofariz e pistilo, fita de magnésio (Mg) e sulfato de cobre pentaidratado (CuSO4 .
5H2O).

Procedimento e Observação

Levou-se com auxílio da pinça um pedaço de fita de magnésio à chama. Rapidamente


e violentamente o magnésio entrou em combustão, produzindo brilho intenso e
deixando uma cinza residual.

Após triturar o sulfato de cobre pentaidratado no almofariz, colocou-se o pó no tubo de


ensaio e aqueceu-se o conjunto na chama do bico. Com o aumento da temperatura, o
pó, que é inicialmente azulado, começa a ficar esbranquiçado, ao mesmo tempo em
que há desprendimento de vapor, que inclusive se condensa nas paredes do tubo de
ensaio. Após resfriamento, ao se adicionar algumas gotas de água com a pipeta no pó
esbranquiçado, este novamente retorna à sua coloração azul.

Discussão

O magnésio apresentou-se como sendo um metal extremamente reativo. Sua


combustão também pode ser definida como uma reação de síntese, pois o magnésio
reagiu com o oxigênio para gerar óxido de magnésio, segundo a equação:

Mg + O2   2MgO

Certamente este óxido é a cinza residual, observada no final do experimento.

Para o sulfato de cobre pentaidratado, temos que o aquecimento da substância levou a


água combinada com o sulfato de cobre a evaporar, desidratando assim o sal. Forma-
se assim o sulfato de cobre anidro. Ao se pingar algumas gotas de água no sal
desidratado, este novamente absorve a água e retoma sua coloração azul, formando o
hidrato. O hidrato é um cristal consistindo de uma substância sólida combinada
quimicamente com água numa proporção definida. Podemos ilustrar o processo de
desidratação e hidratação conforme as equações abaixo:

CuSO4 + 5H2O  CuSO4 . 5H2O

CuSO4 . 5H2O   CuSO4 + 5H2O(g)

Conclui-se que o processo de desidratação e hidratação do sulfato de cobre envolve


tanto um fenômeno físico (a evaporação da água) como químico (a descombinação
química do cristal de sulfato com as moléculas de água).

Ensaios por Via Úmida

Material Utilizado

Béquer, tubo de ensaio, pipeta e pêra, vidro de relógio, pinças, bico de Bunsen, bastão
de vidro, termômetro. As diversas substâncias serão relacionadas em cada
experimento. Estes experimentos e sua discussão serão separados em blocos
individuais.

Procedimento e Observação (a)

Colocou-se 1 ml de solução de nitrato de prata (AgNO3) em um tubo de ensaio.


Acresceu-se 1 ml de solução de cloreto de sódio (NaCl), usando a pipeta para medição.
O líquido contido no tubo de ensaio passou a ficar com coloração leitosa. Após algum
tempo de observação, notou-se a precipitação de algumas partículas no fundo do tubo
de ensaio. Não houve tempo para uma precipitação completa.

Adicionou-se logo após hidróxido de amônio concentrado, agitando-se o tubo de


ensaio. Rapidamente o líquido leitoso ficou com aspecto límpido, o que evidencia uma
reação com a(s) substância(s) ali contidas. O precipitado ficou solúvel.

Discussão (a)

Ao se juntar o AgNO3 e o NaCl, houve uma reação produzindo cloreto de prata e nitrato
de sódio. A equação abaixo ilustra isso:

AgNO3(aq) + NaCl(aq)  AgCl(s) + NaNO3(aq)

Os sais nitrato de prata e cloreto de sódio estão presentes no tubo de ensaio como íons
de seus elementos combinados, ou seja, Ag+, NO3-, Na+ e Cl-. Ao se juntarem os dois
sais, os íons Ag+ e Cl- se combinam, formando uma molécula do sal cloreto de prata,
que, sendo sólido, precipita-se para o fundo do tubo de ensaio. Isto é uma reação de
precipitação. Os íons Na+ e NO3- permanecem em suspensão aquosa no tubo,
combinados no sal nitrato de sódio.

Verifica-se que houve duas trocas de elementos nesta reação. O íon Ag+ foi deslocado
do nitrato de prata e combinou-se com o íon Cl-, que por sua vez foi deslocado do
cloreto de sódio. Os íons que sobraram formaram o nitrato de sódio. Assim, os dois
compostos reagentes permutaram entre si seus radicais, criando dois novos
compostos. Isso é uma reação de dupla troca.

Na adição do hidróxido de amônio, este provavelmente reagiu com o precipitado (AgCl),


formando um sal complexo de prata e amônio quaternário tipo Ag(NH3)2 + Cl-, além de
H2O. Senão vejamos:

AgCl + 2NH4OH  Ag(NH3)2Cl + 2H2O

Permanecendo ainda o NaNO3 na solução. Como todos esses compostos são solúveis,
não se observaria nenhum precipitado, o que de fato ocorreu.

Procedimento e Observação (b)

Em um tubo de ensaio com solução de ácido clorídrico 1mol/litro (1/3 do tubo),


adiciona-se um pedaço de magnésio, previamente lixado para livrá-lo de impurezas e
de oxidação.

Numa reação moderada, a fita de magnésio começou a se decompor, e bolhas de um


gás surgiram, saindo do tubo para o ambiente. Houve também aquecimento do líquido
no tubo de ensaio.

Discussão (b)

Temos aqui a seguinte equação:

2HCl + Mg  MgCl2 + H2(g)

O magnésio reage com o ácido clorídrico, "cedendo" seus elétrons para o cloro. Forma-
se assim o cloreto de magnésio. O hidrogênio livre do ácido combina-se na molécula de
gás hidrogênio, saindo para fora do tubo. Tem-se então aqui o magnésio deslocando o
hidrogênio do ácido, formando dele uma outra substância simples, o gás hidrogênio.
Esta reação recebe o nome de reação de deslocamento ou simples troca, pois uma
substância simples reage com uma substância composta, "deslocando" desta uma nova
substância simples.
 

Procedimento e Observação (c)

Mistura-se agora, num tubo de ensaio, 2 ml de solução de nitrato de prata com duas
gotas de ácido clorídrico 0,1 mol/litro. Observa-se a formação de um líquido leitoso,
agitando-se o tubo. Ao se deixar o tubo de ensaio em repouso por algum tempo após a
agitação, notou-se a formação nas paredes do tubo de um precipitado branco, e algum
dele no fundo do tubo. Não houve a formação de uma mistura com duas fases bem
definidas, talvez devido a falta de tempo para que o sólido se precipitasse
completamente, mas sem dúvida notou-se a presença de um sólido após a reação.

Discussão (c)

Temos aqui novamente uma reação de dupla troca, conforme abaixo:

AgNO3 + HCl  AgCl + HNO3

O cloreto de prata, sendo sólido e insolúvel, precipita-se, ficando o ácido nítrico em


meio aquoso.

Procedimento e Observação (d)

Em uma solução de sulfato de cobre, coloca-se um pedaço de zinco metálico. Após um


tempo, percebe-se um escurecimento do pedaço de zinco metálico. A reação é lenta.
Ao se sacudir o recipiente, pedaços marrons se soltam do zinco metálico, que é
prateado. O líquido do recipiente também fica azulado.

Discussão (d)

Seja esta reação ilustrada pela equação abaixo:

Zn(s) + CuSO4 (aq)  ZnSO4 (aq) + Cu(s)

Em tese, estando o zinco à frente do cobre na fila de reatividade de metais, o zinco tem
maior tendência de ceder elétrons que o cobre, ou seja, o zinco reduz o cobre. O cobre
então é deslocado para fora do sal, ficando na forma de cobre metálico de nox zero
(tinha nox +2 quando no sal), enquanto o zinco liga-se ao ânion sulfato, formando o
sulfato de zinco. Esta é mais uma reação de deslocamento.

A crosta marrom que se formou em volta do pedaço de zinco metálico no experimento é


precisamente o cobre metálico, produto da reação. Cobre tem coloração marrom. É
interessante notar que nem todo o pedaço de zinco foi consumido na reação, durante o
tempo observado. A coloração azulada do líquido remanescente é provocada pelo
cobre em suspensão na água.

Procedimento e Observação (e)

Coloca-se 2ml de nitrato de prata em um tubo de ensaio. Introduz-se neste tubo um


pedaço de cobre metálico. Observa-se a reação durante 5 minutos, permanecendo o
tubo de ensaio em repouso.

Durante este período, o pedaço de cobre escureceu, e interessantes filamentos cinza-


prateados então formaram-se, impregnados às paredes do cobre.

Finalmente agitou-se o tubo de ensaio, fazendo com que esses filamentos se soltassem
do pedaço de cobre, tornando mais clara sua coloração prateada. O líquido também
tendeu a ficar levemente azulado.

Discussão (e)

A exemplo da reação anterior, o cobre, estando mais à frente da prata na fila de


reatividade de metais, tende a reduzi-la, substituindo-a ou deslocando-a para fora do
sal, formando assim o nitrato cúprico e prata metálica, segundo esta equação:

2AgNO3 + Cu  Cu(NO3)2 + Ag

Os filamentos cinza-prateados são exatamente a prata metálica formada nesta reação


de deslocamento. A coloração azul da água deve-se a partículas de cobre em
suspensão.

Procedimento e Observação (f)


Junta-se um pequeno pedaço de alumínio a 3ml de ácido clorídrico 1 mol/litro em um
tubo de ensaio. Durante cerca de 15 a 20 minutos em que o tubo de ensaio ficou em
análise, não observou-se nenhuma alteração de cor, temperatura, formação de
precipitado ou alteração no alumínio.

Discussão (f)

Apesar de que a teoria indica que o alumínio reagiria com o ácido clorídrico, pois está o
alumínio à frente do hidrogênio na lista de reatividade de metais, isso não se confirmou
durante o tempo desse experimento. Dessa reação obter-se-ia cloreto de alumínio e
gás hidrogênio.

Uma ilustração interessante dessa reação, encontrada em


http://www.almaden.ibm.com/st/people/kasai/Ahclal.gif, indica tanto a possibilidade de
deslocamento do hidrogênio, com a formação de um composto ternário.

Procedimento e Observação (g)

Mediu-se a temperatura de 2 ml de hidróxido de sódio 0,1 mol/litro em um tubo de


ensaio, obtendo-se 25oC. Ainda com o termômetro, tomou-se a temperatura de 2 ml de
ácido clorídrico 0,1 mol/litro num outro tubo, obtendo-se novamente 25oC. Juntou-se
essas duas substâncias e mediu-se a temperatura final da reação. Esta foi de 25oC.

Repetiu-se todo o procedimento, desta vez substituindo-se os reagentes por


concentrações de 6 mol/litro. As temperaturas iniciais de cada composto foi de 25oC. A
temperatura final quando os dois compostos foram misturados foi de 45oC.

Discussão (g)

A tabela seguinte ilustra o resultado desse experimento.

Tabela 1: Temperatura de Reação

Temperatura
Concentração Temperatura
Reagente da Mistura
(mol/litro) Inicial (0C)
(oC)
NaOH 0,1 25
25
HCl 0,1 25
NaOH 6 25
45
HCl 6 25

Temos aqui que a primeira mistura não produziu nenhuma alteração de temperatura
observável, enquanto que a segunda mistura, com os reagentes em maior
concentração, produziu um aquecimento, ou seja, liberação de calor.

Esse comportamento ilustra uma reação exotérmica, que é uma reação onde há
liberação ou produção de calor. Isso ocorre porque a energia dos reagentes, ou seja, a
energia de ligação entre os átomos dos reagentes é maior que a energia de ligação
entre os átomos dos produtos formados. Essa "sobra" de energia é liberada para o meio
sob forma de calor.

O inverso é factível, ou seja, uma reação onde a energia interna dos reagentes é menor
que a dos produtos, resultando numa "falta" de energia, que tem de ser fornecida aos
reagentes de forma que se processe a reação. Assim, essa reação absorve calor,
levando o nome de reação endotérmica.

Fosse a reação acima uma reação endotérmica, e havendo calor suficiente para reagir
ao menos alguma quantidade dos reagentes, notar-se-ia uma diminuição da
temperatura da mistura. Ao toque dos dedos, o tubo de ensaio ficaria "frio".

Nota: Em tese, a primeira mistura deveria também haver produzido alguma alteração
de calor, menor que a segunda, tendo em vista a menor concentração dos reagentes.
Isso não se observou, porém.

Procedimento e Observação (h)

Tomou-se cinco tubos de ensaio, numerados de 1 a 5, e em cada um foi colocado o


seguinte:

 Tubo 1: 2ml de ácido clorídrico 6 mol/L


 Tubo 2: 2ml de ácido acético 6 mol/L
 Tubo 3: 2ml de ácido clorídrico 1 mol/L
 Tubo 4: 2ml de ácido clorídrico 0,1 mol/L
 Tubo 5: 2ml de ácido acético 1 mol/L
Em cada tubo colocou-se um fragmento de pó de carbonato de cálcio. As velocidades
de reação encontradas foram:

 Tubo 1: reação rápida, com formação de gás e desaparecimento do


carbonato de cálcio.
 Tubo 2: mais lenta, com formação de bolhas de gás mais pronunciadas.
 Tubo 3: pouco mais lenta que Tubo 2, com formação de bolhas ainda
mais pronunciadas.
 Tubo 4: extremamente lenta, sequer houve completa reação com o
carbonato de cálcio.
 Tubo 5: reação bastante similar em velocidade às reações 2 e 3.

Discussão (h)

As diferentes concentrações dos ácidos envolvidos demonstraram afetar a velocidade


da reação com o carbonato de cálcio, à exceção do ácido acético, que neste
experimento não demonstrou haver afetado a velocidade com 6 mol/L e 1 mol/L
(conforme observado). Vejamos esta tabela com o resumo dos resultados (abaixo).

Tabela 2: Velocidade de Reação

reação rápida, com formação de gás e


2ml de ácido clorídrico
Tubo 1 desaparecimento do carbonato de
6 mol/L
cálcio.

2ml de ácido acético 6 mais lenta, com formação de bolhas


Tubo 2
mol/L de gás mais pronunciadas.

pouco mais lenta que Tubo 2, com


2ml de ácido clorídrico
Tubo 3 formação de bolhas ainda mais
1 mol/L
pronunciadas
extremamente lenta, sequer houve
2ml de ácido clorídrico
Tubo 4 completa reação com o carbonato de
0,1 mol/L
cálcio

2ml de ácido acético 1 reação bastante similar em


Tubo 5
mol/L velocidade às reações 2 e 3.

Aumentando a concentração do ácido clorídrico, aumentou-se concomitantemente a


velocidade da reação. Então, a concentração de um reagente influi diretamente na
velocidade de uma reação. Isso pode ser entendido se considerarmos que numa
solução mais concentrada que outra, as moléculas da solução mais concentrada estão
mais próximas, o que permitirá aumentar a freqüência de choques ou contatos destas
moléculas com a do outro reagente. Assim, a reação será mais veloz. Se as moléculas
estão muito dispersas, ou pouco concentradas, o choque ou encontro entre elas e o
outro reagente será menos freqüente: reação mais lenta.

Procedimento e Observação (i)

Em um tubo de ensaio, colocou-se 2ml de sulfato ferroso (FeSO4) 1 mol/litro. Adicionou-


se 3 gotas de ácido sulfúrico (H2SO4) concentrado, tornando a solução mais ácida.
Após, adicionou-se gota a gota permanganato de potássio (KMnO4), agitando-se o tubo.

O sulfato ferroso tem uma coloração verde pálida. O permanganato de potássio tem cor
violeta-vermelha profunda. Ao se adicionar o permanganato ao sulfato, esta solução de
sulfato torna-se gradativamente marrom-alaranjada. A cada gota aplicada, o vermelho
do permanganato some, dando lugar ao marrom-laranja já existente no tubo. Após
aproximadamente 7 gotas, o permanganato não mais muda de cor ao cair no líquido, e
cada gota excedente começa a colorir a solução no tubo de vermelho-violeta.

Discussão (i)

A equação abaixo ilustra a reação experimentada:

2KMnO4 + 10FeSO4 + 8H2SO4  2MnSO4 + 5Fe2(SO4)3 + K2SO4 + 8H2O

Note-se acima a formação de três sais diferentes, e que o número de oxidação (nox) do
manganês e do ferro mudam.

Os íons ferrosos têm coloração verde pálida. Ao se adicionar o permanganato de


potássio, o átomo Mn+7 do íon permanganato, que tem cor vermelho-violeta, é reduzido
para o íon Mn+2, que é incolor. Ao mesmo tempo os íons ferrosos são substituídos por
íons férricos (Fe+3), que têm coloração marrom-alaranjados. A cada adição de uma gota
de permanganato de potássio, mais íons ferrosos são oxidados. Quando todos os íons
ferrosos são oxidados para íons férricos, os íons permanganato adicionados não são
mais reduzidos, somente emprestando sua coloração violeta à solução.

Aqui, os íons permanganato agiram como oxidantes (pois receberam elétrons) e os íons
ferrosos agiram como redutores (pois doaram elétrons, ou seja, reduziram os íons
permanganato). Este é um exemplo de reação de oxi-redução ou redox.

Observe-se que, em se conhecendo os volumes de ácido sulfúrico, quantidade da


solução e de posse da equação acima, é possível calcular a concentração de Ferro II
na amostra usada. Toma-se a quantidade de gotas usadas de permanganato até que
essas não mais mudem de cor ao cair na amostra, e faz-se os cálculos
estequiométricos necessários. Uma reação bastante parecida com esta é abundante na
literatura, usando ao invés de sulfato ferroso, o peróxido de hidrogênio (H2O2) como
redutor.

Procedimento e Observação (j)

Colocou-se uma solução de KI a 0,25% (2ml) num tubo de ensaio. Igual volume de
solução de nitrato plumboso Pb(NO3)2 foi posteriormente misturado.

Com a mistura, formou-se uma solução de cor amarela. Ao aquecer o tubo na chama
do bico de Bunsen, a cor amarela foi gradativamente sumindo, até que próximo à
ebulição, esta sumiu quase que completamente, tornando a solução incolor. Uma
pequena parte de água evaporou. O aquecimento foi interrompido imediatamente após
a ebulição.

Discussão (j)

Vejamos a equação da reação:

2KI + Pb(NO3)2  PbI2 + 2KNO3

Uma reação de dupla troca, formando como produtos o iodeto de chumbo ou plumboso
e o nitrato de potássio. A coloração amarela é típica do chumbo no meio aquoso.
Assim, a cor amarela logo após a mistura indica uma baixa solubilidade do iodeto
plumboso na solução final, existindo assim mais partículas sólidas deste sal em
suspensão ou em precipitado.

Com o aquecimento, a solubilidade do PbI2 aumenta (um sal torna-se mais solúvel em
temperatura mais alta), então mais precipitado se solubiliza, diminuindo a cor amarela.
Chega-se a uma temperatura em que todo o iodeto se solubiliza, resultando no aspecto
incolor da solução no tubo de ensaio.

Conclusão

Os experimentos realizados puderam confirmar vários itens teóricos no aprendizado da


Química, como a formação de precipitados, a liberação de calor em uma reação, a
combustão e formação de óxidos, mudança de cor e formação de novos compostos. Ao
realizar o experimento e então estudar a teoria que explica os fatos observados,
mantém-se vívida na mente a imagem de tudo o que é previsto na teoria, acontecendo
na prática.
Uma reação clássica de formação de precipitado pode ser realizada e vislumbra-se o
sólido formando-se no fundo do recipiente. A reação exotérmica de um ácido com uma
base é provada experimentalmente, com auxílio do termômetro.

Adquiriu-se assim um treino valioso para análise qualitativa de uma reação, buscando
os indícios que ilustram as reações envolvidas, e fixou-se com a observação prática
vários conceitos sobre reações.

Bibliografia

Feltre, Ricardo. (1990). Fundamentos da Química; vol. Único, 1. Edição; Ed. Moderna
Ltda., São Paulo.

Russel, John Blair. (1994) Química Geral; vol. I, 2. Edição; Makron Books, São Paulo.

Brady, James E. - Humiston, Gerard E. (1996). Química Geral; vol. II, 2. Edição; Ed.
Moderna Ltda., São Paulo.

Microsoft Encarta 97 Encyclopedia, (1996)


Copyright 1993-1996, Microsoft Corporation (http://www.microsoft.com).

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kasai@almaden.ibm.com>
Copyright 1994-1999 IBM Corporation.

"Interactive Science"; http://www.intsci.com


Publicado por InterActive Science, 5420 Battee Road NW, Alexandria, OH 43001, USA.
Fax # 740-924-1941 <jdallen@intsci.com>
Uma reação de nitrato de prata (1 mol.L-1) com ácido clorídrico diluído gera a precipitação de
um sólido de cor branca, identificado como cloreto de prata (AgCl).
AgNO3 + HCl –> AgCl + HNO3

Se o precipitado de cloreto de prata for exposto à luz por um longo período, aos poucos o
material que antes era branco vai adquirindo coloração escura pela decomposição do AgCl, que
gera prata metálica (escura) e cloro. Este era um dos princípios utilizados em antigos processos
de revelação fotográfica (não digital).

A precipitação ocorre facilmente porque o AgCl tem uma solubilidade de apenas 1,9mg para cada
litro de água.

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Relatório obtenção e caracterização do ácido clorídrico

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 Páginas: 11 (2597 palavras)
 Publicado: 10 de julho de 2014

3° RELATÓRIO DE QUÍMICA INORGÂNICA EXPERIMENTAL I: OBTENÇÃO E


CARACTERIZAÇÃO DO ÁCIDO CLORÍDRICO
1. INTRODUÇÃO
Denomina-se ácido clorídrico o produto obtido pela dissolução do gás cloreto de hidrogênio em
água. O cloreto de hidrogênio (HCl(g)) é um gás muito solúvel em água, incolor, fortemente
irritante para as
mucosas apresentando um odor pungente e desagradável. (1)
O gáscloreto de hidrogênio é industrialmente produzido pela reação entre o hidrogênio e o
cloro na presença de catalizador. Nesse processo os gases hidrogênio e cloro que dão origem ao
gás
cloreto de hidrogênio, são coprodutos da eletrólise de cloreto de sódio aquoso na obtenção do
hidróxido
de sódio.(1)
A preparação do cloreto do hidrogênio nos laboratórios é usualmente feita através da reação
deácido sulfúrico concentrado sobre cloreto de sódio, podendo essa reação ser acelerada pelo
aquecimento da mistura dos reagentes. A reação entre o ácido sulfúrico concentrado e o cloreto
de sódio
dão origem ao cloreto de hidrogênio e o hidrogenossulfato de sódio, sendo ambos produtos da
reação com
as fontes de aquecimento. Essa reação pode ser representada pela seguinte equação:
NaCl(s) + H2SO4(aq)→ HCl(g) + NaHSO4(aq)
Com a dissolução do cloreto de hidrogênio obtêm-se o ácido clorídrico (HCl(aq)), que é um
composto molecular formado por uma ligação covalente com apenas um compartilhamento de
elétrons
entre os átomos de cloro e hidrogênio.(1)
O ácido clorídrico é um ácido forte, muito utilizado em laboratórios e em processos industriais.
No comércio pode ser encontrada sua formaimpura, comumente chamada de ácido muriático,
que é muito
empregado na limpeza de pisos e paredes de pedras ou azulejos e também de superfícies
metálicas antes
do processo de soldagem. Além disso, o ácido clorídrico pode ser encontrado em nosso
estômago sendo
um dos principais componentes do suco gástrico, que é secretado para auxiliar na digestão da
comida.(1)
O ácido clorídrico foi descoberto porvolta de 800 a.C pelo alquimista persa Jabir Hayyan,
misturando o ácido sulfúrico com cloreto de sódio. Jabir criou uma mistura de ácido clorídrico com
ácido
nítrico, denominada “água régia”, com capacidade para dissolver ouro.(2)
Na idade média, o ácido era conhecido pelos alquimistas europeus como “espírito do sal” ou
“ácido do sal”, por derivar do cloreto de sódio. No estado gasoso eraconhecido como “ar ácido
marinho”.
O nome muriático significa pertencente ao sal ou salmoura.(2)
O inglês Priestley preparou cloreto de hidrogênio puro em 1772. Em 1818, Humphry Davy,
inglês, demonstrou que o cloreto de hidrogênio é composto por cloro e hidrogênio.(2)
2. OBJETIVOS
A prática realizada tem por objetivo, sintetizar um composto inorgânico no estado gasoso e sua
dissolução em água.Além disso, pretende-se estudar algumas das propriedades do ácido
clorídrico e
calcular o rendimento de uma reação química através da titulação.
3. MATERIAIS E REAGENTES UTILIZADOS
Os materiais utilizados na prática foram:
 Almofariz com pistilo;
 Balança analítica;
 Balão de destilação de 500ml;
 Balão volumétrico de 100ml;
 Balão volumétrico de 250ml;
 Bastão de vidro;
 Béquerde 250ml;
 Béquer de 400ml;
 Béquer de 50ml;
 Bureta de 50ml;
 Conjunto para aquecimento;
 Conta-gotas;
 Erlenmeyer de 250ml;
 Espátula;
 Filme plástico para embalagem;
 Frasco lavador de gás;
 Funil de vidro comum;
 Funil para pó;
 Garra;
 Mangueira de látex;
 Pipeta volumétrica de 25ml;
 Pisseta;
 Proveta de 100ml;
 Recipiente para guardar o ácido clorídricoproduzido;
 Suporte metálico para bureta;
 Suporte para tubos de ensaio;
 Tubos de ensaio;
 Vidro de relógio.
Os reagentes e indicadores utilizados na prática foram:
 H2SO4 concentrado (d = 1,84 g/ml; 98% em massa ou 18 mol.L-1);
 Amônia concentrada (d = 0,91 g/ml; 25 – 28% em massa ou 15 mol.L-1);
 Na2CO3 sólido;
 NaCl sólido;
 Papel indicador universal de pH;
 Papel de...