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22/05/2020 Anais VI CONEDU

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Anais VI CONEDU
V. 1, 2019, ISSN 2358-8829

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SLASHERS, HORRORES DEMONÍACOS E CONSERVADORISMO: O
FEMININO COMO EROTIZAÇÃO, MERCADORIA E CONSUMO

Rafael Adelino Fortes 1

RESUMO

Busca-se discutir nesse trabalho a representação feminina em alguns filmes de terror, passando por
Psicose (1960), O bebê de Rosemary (1968), O Exorcista (1973) e alguns comentários sobre os
slashers films, em especial Sexta-Feira 13 – Parte III (1982). A reflexão aqui apontada é como
durante décadas as mulheres foram representadas na maioria dos filmes de terror como um
personagem frágil e dependente da figura masculina. Entende-se que graças às revoluções das décadas
de 60 e 70 como a segunda onda feminista e o movimento hippie foram fatores decisivos na produção
dos slashers films, os quais operam como mecanismo doutrinário de um modelo de vida a ser seguido.
Mulheres independentes, representadas como promiscuas eram sempre mortas, a exploração de seus
corpos nus era um meio de consumo entre o que não se poderia mostrar em público, mas ao fazê-lo era
punido. Para tanto, buscou-se refletir sobre como esses comportamentos foram construídos no decorrer
dos tempos, algo muito próximo das tensões políticas estadunidense e a formação e a reconstrução do
neoconservadorismo norte-americano. Para auxiliar esse trabalho foram utilizados estudos de: Friedan
(1971); Dika (1987) e Wood (2003).

Palavras-chave: Filmes de terror, Corpos femininos, Movimentos Sociais, Mercadoria.

INTRODUÇÃO

A presente pesquisa é parte de um projeto de pesquisa que visa estudar a representação


feminina em filmes de terror. No caso desse trabalho, busca-se fazer uma digressão sobre as
questões familiares e as ideologias predominantes nas épocas, como por exemplo a visão do
patriarcado, a família tradicional como unidade central de certas épocas e como essa
dissolução poderia acarretar o mal, como no caso de O bebê de Rosemary e O Exorcista.
Mulheres independentes como Marion Craine em Psicose.
Durante a segunda onda feminista, o movimento hippie contribuíram no abalo do
conservadorismo estadunidense, as mulheres reivindicando seus direitos igualitários aos dos
homens, amor livre, uso de drogas, dentre outros comportamentos auxiliaram nas produções
de filmes do subgênero do terror, os Slashers, nos quais corpos femininos são erotizados,
mostrado nas telas e punidos com a morte, muito retratado em Sexta-Feira 13. A fórmula é
basicamente a mesma, a moça que não tinha uma vida sexual ativa, não usasse drogas,
sobreviveria no final dos filmes, ao contrário do grupo promiscuo no qual ela estava inserida.

1
Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), docente do Instituto Federal de Mato Grosso
– campus Juína, prof.rafaelfortes@hotmail.com; rafael.fortes@jna.ifmt.edu.br.
Teve como objetivo analisar algumas passagens de alguns filmes, ainda que breve pois
há diversas produções que retratam o mesmo tema e basicamente com a mesma moral, por
isso alguns filmes foram priorizados.
As discussões centrais se baseiam também nas representações femininas enquanto
passivas em contraste com a figura masculina ativa, o gênero forte, aquele que vem para
salvar a pobre moça indefesa de um monstro ou entidades malignas.

CONSERVADORISMO E REVOLTA: DE PSICOSE À SEXTA-FEIRA 13

Com o crescimento do neoconservadorismo americano pós Segunda Guerra, os


comportamentos sociais foram se transformando. Durante a década de 50 surge nas televisões
americanas o seriado Father knows best, cujo enredo está centrado na figura paterna e que
resolve pequenas situações em sua família. O tema de um homem que trabalha fora para
prover o sustento de sua esposa e filhos, uma visão patriarcal do núcleo familiar. A série dura
até 1960, mesmo com grande audiência, o programa é finalizado.
Com a chegada da década de 60 muitos conflitos internos marcaram essa época. Era a
vez e a hora dos negros reivindicarem seus direitos. Martin Luther King Jr surgiu como um
ícone em defesa da causa afro-americana, consequentemente protestos tomaram conta dos
Estados Unidos.
Com movimentos pacíficos, como um boicote contra os ônibus que durou quase um
ano, a luta por direitos iguais atingiu todo o país e alcançou vitórias significativas
contra a segregação nos meios de transporte público e nas Universidades, mesmo
enfrentando uma oposição branca violenta que atacava os negros e as suas
propriedades (SANTOS, 2009, p. 38).

A questão feminista também tomou conta desse cenário, mulheres buscando


equiparação salarial com os homens, o surgimento da pílula anticoncepcional, e
principalmente a desconstrução da mulher enquanto dona de casa. Betty Friedan em seu
icônico livro A mística feminina destaca que:
A figura de mulher que emerge dessas bonitas revistas é frívola, jovem, quase
infantil; fofa e feminina; passiva, satisfeita num universo constituído de quarto,
cozinha, sexo e bebês. A revista não deixaria, com certeza, de falar em sexo, a única
paixão, o único objetivo que se permite à mulher em busca do homem. Está atulhada
de receitas culinárias, modas, cosméticos, móveis e corpos de mulheres jovens, mas
onde estaria o mundo do pensamento e das ideias, a vida da mente e do espírito? Na
imagem da revista as mulheres só trabalham em casa e no sentido de manter o corpo
belo para conquistar e conservar o homem (FRIEDAN, 1971, p. 34).
Para romper com estereótipos como esse que a luta feminina estava engajada, porém,
paralelamente a isso, a luta dessas minorias enfrentou uma oposição conservadora,
principalmente no campo político.
Ao mesmo tempo, o movimento hippie alcançava as esferas sociais, o amor livre, o
uso de LSD, a busca pelo prazer carnal, dentre outros, tomaram conta não só dos Estados
Unidos, mas de boa parte do ocidente.
Mediante a isso, se por um lado findava a série Father knows best em 1960, por outro,
no mesmo ano estreia nos cinemas norte-americano Psicose com a sua memorável cena de
uma mulher nua sendo esfaqueada em um banheiro. O filme se inicia com o casal Marion
Crane e Sam Loomis em uma cama, supostamente após terem feito sexo. Há um diálogo sobre
casamento, ex-esposa de Sam e um possível casamento com Marion, algo pouco provável de
ser aceito em uma sociedade conservadora e patriarcal, isso porque a protagonista se
demonstra completamente dona de suas próprias atitudes é livre e vaidosa. Possui um perfil
que vai contra os “bons valores familiares”.
Oito anos mais tarde surge O bebê de Rosemary, trama que se centra na vinda do
anticristo, no filho do demônio. A possibilidade do caos na terra, porém a trama vai muito
mais além do que o próprio filho do demônio, mas a dissolução do núcleo familiar. Guy
Woodhouse permite que sua esposa, Rosemary dê à luz a um filho de outro pai.
Além disso, o filme apresenta uma ironia ao cristianismo equalizando Deus e o
Diabo em um mesmo plano, isso porque Rosemary dará à luz ao filho de Satã. Uma afronta
aos valores cristãos e também conservadores.
Cinco anos mais tarde, surge O Exorcista, o tema é uma menina que invoca um
espírito masculino por meio de uma tábua de ouija e que por meio desse feito será possuída.
Regan, a menina, é criada por sua mãe que é ateia.
Até então, o que se vê não são apenas filmes de terror, mas uma carga semântica moral
consolidada por uma sociedade conservadora. Tanto em Rosemary, quanto em O Exorcista,
pode-se perceber certa ironia com o padrão ideal de sociedade. Um homem que aceita um
suposto adultério e vai cuidar de uma criança que não é sua e no outro, quando a casa não tem
a figura paterna e também carece de religião, o lar pode ser abrigo de entidades malignas e
masculinas.
A produção desses filmes também pode ser compreendida como uma resposta à
revolução hippie nas décadas de 60 e 70, a segunda onda feminista, eventos que
proporcionavam o afastamento e ruptura das tradições morais estabelecidas.
Diante disso, na década de 70 a indústria cinematográfica começa a explorar
subgêneros do terror, como é o caso dos slashers films e/ou stalkers films, O massacre da
serra elétrica estreia em 1974, sendo proibido em alguns países. Halloween entra em cena no
final da mesma década. Já na década de 80 entra em cartaz as franquias de Sexta-Feira 13
(1980) e A hora do pesadelo (1986). Porém, a ascensão desses subgêneros do terror é oriunda
de uma construção sociopolítica na qual pode se inferir que:
A fórmula stalker alcançou seu maior sucesso em um período de transição na
história americana. Depois da humilhação, perda e culpa do Vietnã, a América se
viu em uma posição mundial enfraquecida, diante de uma economia vacilante. Além
disso, o governo Carter, muito atacado por causa de sua incompetência em manter
uma posição de força nos Estados Unidos, recebeu seu golpe mais esmagador com a
crise dos reféns iranianos. Em 1979, na época em paralelo com a ascensão dos
stalkers films. Funcionários do governo americano foram mantidos em cativeiro em
Teerã por mais de um ano. Enquanto os Estados Unidos agiam com moderação, o
clima nacional era de indignação e impotência. O desejo de ação frequentemente
encontrava expressão em botões, adesivos ou grafitti que diziam "Fuck Iran" ou
"Nuke Iran". Os reféns americanos foram finalmente libertados em 1980, no dia da
posse de Ronald Regan. Com a presidência de Regan, veio a finalização de um
processo já em andamento que tendia a reverter os ideais, aspirações e atitudes dos
anos 60. A América retornou aos valores tradicionais - família, lar e religião. "Do
your own thing" foi substituído por uma conduta pessoal conservadora [...] Além
disso, o estilo radical dos hippies foi substituído por um novo tipo de radicalismo. A
moda punk substituiu a atitude de paz e amor dos anos 60 por uma artificialidade
agressiva. Violência e sadismo foram destacados com destaque em um estilo de
música e performance punk (DIKA, 1987, p. 97-98).

Na maioria dos filmes citados, além de muitas mortes, sangue, há uma moral. Por
exemplo, em Sexta-Feira 13 o perfil dos assassinados são quase sempre os mesmos, hippies,
usuários de drogas e os que são sexualmente ativos. A exposição dos corpos, principalmente
os femininos dá uma ideia de erotização, principalmente a exposição dos seios das moças.
Em alguns desses filmes também há uma noção de déjà vu, pois muitos deles
remontam cenas que já foram construídas em outras obras, diante disso, entende-se que:
Como produto cultural do final dos anos 1970 e início dos anos 1980, o filme
perseguidor compartilha essa mudança dominante de atitude. Também usa material
de filmes anteriores, criando trabalhos quase inteiramente compostos de elementos
narrativos e cinematográficos vistos anteriormente. Além disso, como o grande
corpo de filmes de terror durante este período, ele apresenta um alto nível de
violência e o faz alegremente, invertendo, quase mexendo com a ultrapassada noção
de pacifismo (DIKA, 1987, p. 97-98).

Um exemplo a ser percebido acontece em Sexta-Feira 13 – Parte III de 1982.


Decorrido aproximadamente uma hora de filme, o casal Andy e Debbie vão para seu quarto,
fazem sexo e depois a moça vai tomar um banho. Essa sequência lembra muito Psicose, até a
forma que Debbie abre o chuveiro é semelhante à Marion Craine.
Cenas de Psicose Cenas de Sexta-Feira 13 - III

Um ponto comum entre as duas personagens é a transgressão das normas de conduta,


ambas têm uma vida sexual ativa, promiscua, o que diferencia em Sexta-Feira 13 é o
consumo de drogas pelos os jovens.
Os filmes se enquadram em duas categorias parcialmente distinguíveis, respondendo
a duas necessidades culturais parcialmente distinguíveis: o filme violência contra
mulheres [...], e o que tem sido sucintamente apelidado de "teenie-kill pic" (dos
quais os exemplos mais puros - se é que é a palavra - são os quatro filmes de Sexta-
Feira 13). A distinção nunca é clara: os dois ciclos têm fontes comuns em O
massacre da serra elétrica e Halloween (que por sua vez têm uma fonte comum em
Psicose); o último sobrevivente dos filmes que matam adolescentes, o endurecedor
das últimas provações, terrores e agonias, é invariavelmente feminino; as vítimas da
violência contra os filmes femininos são predominantemente jovens. Mas a
motivação para o massacre nos níveis dramático e ideológico é um pouco diferente:
em geral, os adolescentes são punidos por promiscuidade, enquanto as mulheres são
punidas por serem mulheres. Ambos os tipos representam uma inversão sinistra e
perturbadora do significado do filme de terror tradicional. Lá, o monstro é em geral
uma criatura do id, não meramente um produto da repressão, mas um protesto contra
ele, enquanto nos ciclos atuais o monstro, ainda produzido pela repressão, tornou-se
essencialmente uma figura do superego, vingando-se de liberado sexualidade
feminina ou a liberdade sexual dos jovens. O que não mudou, tornando as
implicações sociais ainda mais sinistras, é a premissa comercial básica do gênero -
que os clientes continuam a pagar, como sempre fizeram, para aproveitar as
erupções e depredações do monstro. Onde o tradicional filme de terror convidou, por
mais ambivalente que seja, uma identificação com o retorno do reprimido, o filme
de terror contemporâneo convida a uma identificação (sádica ou masoquista ou
ambas ao mesmo tempo) com punição (WOOD, 2003 p. 173).

Wood (2003) também concorda de que principalmente em Sexta-Feira 13 consiste em


apenas jovens que estão para aproveitar a vida a seu modo, drogando-se, cometendo atos de
promiscuidade, atributos que segundo o autor advêm do modo capitalista de consumo: o que
“permite” e desaprova moralmente. Em certos momentos chega até ser ridículo, porque se um
personagem insinua ou demonstra desejo sexual por outro, o expectador já pode prever que
será o próximo casal a ser morto.
Pode-se inferir também que esses atos de violência contra a mulher e exposição de
seus corpos é o resultado das lutas feministas. O patriarcado ainda estava bem presente,
mulheres buscando sua própria autonomia, recusando-se a encaixar nos antigos moldes da
família tradicional como era retratada em Father knows best.
Por outro lado, é possível também afirmar que parte do público masculino usufruíram
desses filmes como uma vingança sádica. Ao mesmo tempo que desfruta ao ver seios,
nádegas, também vê esses corpos sendo retalhados como castigo do que deveria ser privado
vir a público.
as mulheres sempre foram o foco principal de ameaça e agressão no filme de terror.
Várias explicações variavelmente plausíveis podem explicar isso: primeiro, que,
como as mulheres são consideradas fracas e indefesas, é simplesmente mais
assustador se o monstro as atacar; o espectador masculino pode presumivelmente
identificar-se com o herói que finalmente mata o monstro, o filme cedia assim sua
vaidade como protetor masculino da fêmea indefesa. O fato de ele poder também,
em outro nível, identificar-se com o monstro não contradiz isso: ele apenas sugere
sua inadequação como explicação total. Segundo que, enquanto os homens da
sociedade patriarcal colocam as mulheres em pedestais compensatórios,
construindo-as como figuras opressivas e restritivas, elas têm um forte desejo de
derrubá-las novamente. Como em todos os gêneros, a oposição arquetípica
construída pelo homem da esposa / prostituta opera aqui: no filme de terror
tradicional, as mulheres que são mortas geralmente são figuras prostitutas, punidas
por trazer a besta aos homens; a heroína que fica aterrorizada e / ou sequestrada, mas
que acaba sendo resgatada, é a esposa presente ou futura. As tensões ideológicas
envolvidas aqui ainda são centrais para nossa cultura (WOOD, 2003 p.174).

Logo, o horror expresso nesses filmes está muito mais atrelado a uma ética e moral
religiosa, uma vez que jovens que se distanciam dos valores tradicionais e buscam autonomia
de seus corpos, uso de outros tipos de prazeres como drogas e sexo antes do casamento não se
enquadra em um padrão estabelecido, por isso suas vidas são ceifadas.
O que se nota é que na maioria dos filmes de terror as mulheres que fogem a regra do
casamento ou que se distanciam da religião são penalizadas por algum ato. No caso de O
Exorcista, Regan é possuída por um espírito masculino por meio de uma brincadeira em uma
tábua de ouija, sua mãe, atriz de sucesso é ateia e isso permite a entrada do demônio que foi
encontrado em uma escavação no Iraque.
Nota-se ainda que como afirmação de masculinidade em O Exorcista, a estátua de
Pazuzu, o demônio que possui a garota, é destacado com um longo e ereto falo. A virilidade
frente a fraqueza de um lar constituído somente por mulheres. É muito comum ver ao longo
do filme um vocabulário forte, repleto de alusões sexuais e uma cena em que Regan se
masturba com um crucifixo. Todas as depravações possíveis corrompem o corpo da
protagonista, mas, falando-se de uma criança ainda há uma salvação, como é de se esperar, a
figura masculina do padre Karras pede para o demônio entrar em seu corpo e deixar a menina.

A lógica em O Exorcista consiste na dualidade entre o bem e o mal, um não vive sem o outro,
é necessário que creia em um para que a outra face se mostre.
Portanto, a maioria dos filmes de terror detem muito mais uma carga moral, geralmente
cristã e atrelada ao capitalismo pois ambas ideologias são difíceis de serem dissociadas. A
ética cristã é faz parte do capital na qual reside muitas vezes um falso moralismo, o prazer de
se ver o que é para ser escondido, mas a punição por mostrar o que deveria estar oculto,
quando se trata de corpos.
A satisfação masculina acontece ao ver esses corpos perfeitos que atendem aos padrões
de beleza de uma determinada época serem mostrado, mas sempre na composição o feminino
– passivo e o masculino – ativo. A mulher é usada como mercadoria, são raras as vezes que
corpos masculinos são retratados em filmes de terror, porém quando são, o homem está em
uma posição altiva em detrimento do corpo feminino.
Contudo, nos slashers filmes as mulheres que não fazem uso de drogas, que não têm
uma vida sexual ativa são as que sobrevivem no final, isso eu afirmo durante as produções das
décadas de 70,80 e começo de 90. Porém, ainda hoje é possível ver alguns filmes que
trabalham com a erotização do corpo feminino.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na digressão aqui apresentada buscou-se traçar por meio de breve análises filmes que
marcaram décadas e exprimiam a ideologia dominante das épocas. Os adventos políticos que
aconteceram nos Estados Unidos contribuíram muito para que se reafirmassem o pensamento
conservador em alguns filmes do gênero de terror.
A ruptura de pensamentos tradicionais consolidados causou certo abalo nas estruturas
sociais, negros exigindo os mesmos direitos, mulheres buscando equiparação com os homens,
liberdade do corpo, a dissolução do modelo tradicional da família, dentre outros, foram
decisivamente importantes para a consolidação de direitos.
No entanto, todas essas manifestações resultaram em um desconforto dos mais
conservadores e diante disso, produções cinematográficas do gênero do horror foram usadas
como subterfúgio para reafirmar a importância do regresso aos valores tradicionais, como
foram brevemente citados aqui.
Essa reflexão não se esgota, uma vez que as produções contemporâneas exploram
outros temas, já existem produções feitas para atender às necessidades do mercado e novos
problemas sociais têm surgido. Percebe-se que a partir do século XXI alguns filmes e séries já
trazem personagens femininas mais empoderadas e não tão passivas como marcaram as
décadas desde 1940 a 1990.
Exemplos disso podem se ver em produções como O chamado (2002); Doce Vingança
(2010); Babadook (2014); A Bruxa (2016); Hush- A morte ouve (2016), dentre outros. Filmes
que retratam a força feminina, mães solteiras que cuidam de seus filhos, dentre outros
conflitos que rondam o universo feminino.
REFERÊNCIAS

DIKA, Vera. The stalker film 1978-1981. In: WALLER, Gregory (org). American Horros.
Illinois, USA: Board of Trustees of the University of Illinois, 1987.

FRIEDAN, Betty. Mística feminina. Petrópolis: Vozes, 1971.

SANTOS, Jaime César Pacheco Alves dos. Os filmes de terror como alegoria para os
horrores sociais. 2009. 67f. Trabalho apresentado à Faculdade de Tecnologia e Ciências
Aplicadas, Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. UNICEUB:
Brasília, 2009

WOOD, Robin. Hollywood from Vietnam to Reagan... and Beyond. Expanded and Revised
Edition. New York: Columbia University Press, 2003.

FILMES CONSULTADOS
A HORA do pesadelo. Direção: Wes Craven. Produção: Robert Shaye. Intérpretes: John
Saxon; Heather Langerkamp. Roteiro Wes Craven. Música Charles Bernstein. Los Angeles:
New Line Cinema, c1984. 1 DVD (92MIN), color. Produzido por Play Arte Home Video.
HALLOWEEN: a noite do terror. Direção: John Carpenter. Produção: Debra Hill. Intérpretes:
Donald Pleasence; Jamie Lee Curtis; P.J. Soles; Nancy Loomis; Kyle Richards. Roteiro: John
Carpenter e Debra Hill. Música: John Carpenter. Los Angeles, Compass International
Pictures, c1978. 1DVD (93min), widescreen, color. Produzido por Continental Home Video.
O Bebê de Rosemary. Direção: Roman Polanski. Produção: William Castle. Roteiro: Roman
Polanski. Música: Krzysztof Komeda. Estados Unidos: Paramount Pictures Corporation, c
1968. 1DVD (136MIN), colorido. Produzido por: Paramount Pictures Corporation
O EXORCISTA. Direção: William Friedkin. Produção: William Peter Blatty. Roteiro:
William Peter Blatty. Música: Michael Gordon Oldfield; Bernard Alfred Nitzsche. Estados
Unidos: Warner Bros Entertainment, c 1973. 1DVD (122MIN), colorido. Produzido por:
Warner Bros Entertainment.
PSICOSE (1960), Direção: Alfred Hitchcock. Produção: Paramount. Intérpretes: Anthony
Perkins, Janet Leigh e Vera Miles; Roteiro: Joseph Stefano; Edição: George Tomasini;
Música: Bernard Herrmann. Tempo:109 min; 2005, letterbox, preto e branco.
SEXTA-FEIRA 13 Parte III. Direção de Sean S. Cunningham. Produção: Sean S.
Cunningham. Califórnia: Paramount Pictures: Warner Bros., 1982. 1 filme (95 minutos),
sonoro, legenda, color., 35mm.
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Contexto - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras

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n. 27 (2015): Dossiê EDUCAÇÃO LITERÁRIA E ENSINO DE


LITERATURA

Publicado: 2015-07-17

Editorial

Editorial
Maria Amélia Dalvi, Delia Fajardo Salinas, Regina Zilberman

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Ficha Técnica

Ficha Técnica
Paulo Roberto Sodré

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Ficha Catalográfica

Ficha Catalográfica
Saulo de Jesus Perez

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Artigos (Dossiê)

A FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO NA E PELA UNIVERSIDADE HOJE: INSTANTÂNEOS DE UM


SUBPROJETO DO PIBID
Ana Crelia Penha, Maria Fernanda Alvito P. S. Oliveira

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SITUANDO O LEITOR E A EDUCAÇÃO LITERÁRIA NA ÁREA LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS


TECNOLOGIAS
Daniela Maria Segabinazi, Socorro Pacífico Barbosa

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USOS SUSPEITOS DO TEXTO LITERÁRIO


Diana Navas, Valéria Ignácio

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LEITURAS DE PROFESSORES: LIVROS, BIBLIOTECAS E ESCOLA


Eliane Aparecida Galvão Ribeiro Ferreira, Thiago Alves Valente

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AO REDOR DE UMA AUTORA


Elisa Maria Dalla-Bona, Érica Rodrigues

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ABORDAGENS DE LETRAMENTO: O TEXTO LITERÁRIO NA SALA DE AULA


Evely Vânia Libanori, Fabrício César de Aguiar

 PDF

LITERATURA, LEITURA E ENSINO: O ENEM E OS IMPACTOS DAS LEITURAS OBRIGATÓRIAS DOS


EXAMES VESTIBULARES PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES
Gabriela Fernanda Cé Luft, Luís Augusto Fischer

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A CRÔNICA E O ENSINO DE LITERATURA


Luiz Carlos Santos Simon

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LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO MÉDIO E A INSERÇÃO DA


LITERATURA AFRO-BRASILEIRA
Márcio Araújo de Melo, Nelzir Martins Costa

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PROJETO LIVRO DO MÊS: DIMENSÕES DE UM DIÁLOGO ENTRE LEITORES E ESCRITORES


Maria Augusta D'Arienzo, Tania Rösing, Tiane Reusch de Quadros

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A ARTE E O ENSINO DE LITERATURA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR


Mariana de Cássia Assumpção, Newton Duarte

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PENSANDO O CONTEXTO DO ALUNO A PARTIR DA LEITURA E DA LITERATURA: UMA ANÁLISE DO


TRABALHO COM O LIVRO “A MENINA QUE VEIO DE LONGE" DA AUTORA ANDRÉA ILHA
Marlise Buchweitz Klug, Rosimeire Simões de Lima, Tatiana Bolívar Lebedeff

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O ENSINO DE LITERATURA NO ENSINO MÉDIO E OS DOCUMENTOS OFICIAIS


Rafael Adelino Fortes, Vanderléia da Silva Oliveira

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EDUCAÇÃO EM PRESÍDIOS E LEITURA LITERÁRIA: UMA NOVA ARTICULAÇÃO SOCIODIALÓGICA


Robson Coelho Tinoco

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A IMPORTÂNCIA DA FICCIONALIDADE (PRÁTICA E TEORIA) NA MEDIAÇÃO DE LEITURA E


RECEPÇÃO DE TEXTOS LITERÁRIOS
Sonia Inez Gonçalves Fernandez

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A INTERPRETAÇÃO DO TEXTO POÉTICO NO ENSINO MÉDIO E O PONTO DE VISTA DOS


ESTUDANTES: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DA DISCIPLINA DE LITERATURA BRASILEIRA
Tiane Reusch de Quadros

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DADOS PARA O SUBSÍDIO A PRÁTICAS DA LEITURA DE LITERATURA NA ESCOLA: UM “CÍRCULO


DE LEITURA”
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Valéria Cristina Ribeiro Pereira

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Artigos (Clipe)

PENSAR O IMPESSOAL EM KAFKA À LUZ DA FILOSOFIA DE GILLES DELEUZE


Ana Paula Gurski Ferraz, Jorge Luiz Viesenteiner

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LIMA BARRETO NA ROTA DE COLISÃO: RUPTURAS E VIOLAÇÕES DO LITERÁRIO E SUAS


PROJEÇÕES NO CONTEMPORÂNEO
Cinthia Mara Cecato da Silva, Deneval Siqueira de Azevedo Filho

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O PENSAMENTO RIZOMÁTICO DA PERSONAGEM FABIANO DO ROMANCE VIDAS SECAS, DE


GRACILIANO RAMOS
Elizabete Gerlânia Caron Sandrini, Luis Eustáquio Soares

 PDF

IMAGENS DOS AUTÓCTONES AMERICANOS: ENTRE OS REGISTROS OFICIAIS E A FICÇÃO HÍBRIDA


Gilmei Francisco Fleck, Rodrigo Smaha Lopes

 PDF

O ANTIRREALISMO CERVANTINO EM MACHADO DE ASSIS


Vitor Bourguignon Vogas, Wilberth Claython Ferreira Salgueiro

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Open Journal Systems

Idioma

English

Português (Brasil)

Informações
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Para Leitores

Para Autores

Para Bibliotecários

www.periodicos.ufes.br/contexto/issue/view/569 5/5
Catalogação:
Saulo de Jesus Peres – CRB 12/676
Revisão:
Os autores
Tradução e revisão dos títulos em inglês:
Leni Puppin (Centro de Línguas para a Comunidade – Ufes)

Contexto – Revista Semestral do Programa de Pós-Graduação em Letras


Centro de Ciências Humanas e Naturais
Universidade Federal do Espírito Santo
Telefone: (27) 3335-2515
Site:<http://periodicos.ufes.br/contexto/index>
E-mail: revistacontexto.ppgl@gmail.com

Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)


Contexto [recurso eletrônico] / Universidade Federal do Espírito Santo, Programa
de Pós-Graduação em Letras. – n. 27 (2015)- . – Vitória : Ufes, PPGL, 1992- .
v.
Semestral 3
Modo de acesso: World Wide Web: <http://www.periodicos.ufes.br/contexto>

ISSN 2358-9566 (online)

1. Literatura – Periódicos. 2. Crítica – Periódicos. I. Universidade Federal do


Espírito Santo, Programa de Pós-Graduação em Letras.
CDU 82(05)

Contexto (ISSN 2358-9566) Vitória, n. 27, 2015/1


O ensino de literatura
no Ensino Médio
e os documentos oficiais

Literature Teaching in High School


and the Official Documents

Rafael Adelino Fortes*


Universidade Estadual de Londrina - UEL

Vanderléia da Silva Oliveira*


Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 281

RESUMO: Reflexão sobre o ensino de literatura a partir do PCNEM (1999), PCN+ (2002) e as
OCNs (2006), discutindo-se o que tais documentos trouxeram como arcabouço teórico e quais
as inovações propostas em cada um. Procurou-se, ainda, apontar os aspectos negativos e
positivos sobre cada um dos documentos, quando houve. Com relação aos subsídios teóricos,
foi relevante analisar os encaminhamentos de cada documento e o pensamento de alguns
estudiosos, tais como Cereja (2004), Delors (1996) e Duarte (2006, 2012). Como sugestão
metodológica, destaca-se a proposta de Rildo Cosson (2006) referente ao letramento literário.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura. Ensino médio. Documentos oficiais.

ABSTRACT: Reflection on teaching literature from PCNEM (1999), PCN + (2002) and OCNS
(2006), is discussing what brought such documents as the theoretical framework and which
innovations proposed in each. We sought to further point out the negatives and positives
about each document, when there aspects. Regarding theoretical support was important to
analyze the referrals of each document and the thought of some scholars, such as Cereja
(2004), Delors (1996) and Duarte (2006, 2012). As a methodological suggestion, there is the
proposed Rildo Cosson (2006) concerning the literary literacy.

KEYWORDS: Literature. Secondary school. Official documents.

*
Mestrando em Letras pela Universidade Estadual de Londrina. Bolsista da Capes.
*
Doutora em Letras pela Universidade Estadual de Londrina.

Contexto (ISSN 2358-9566) Vitória, n. 27, 2015/1


15/05/2020 El culto a la "Santa Muerte" en México: un estudio socio-histórico y su reflejo en un relato de Homero Aridjis - Dialnet

El culto a la "Santa Muerte" en México: un estudio socio-


histórico y su reflejo en un relato de Homero Aridjis
Rafael Adelino Fortes [1]
[1] Instituto Federal de Mato Grosso (Brasil)

Localização: Romanica Olomucensia, ISSN-e 2571-0966, ISSN 1803-4136, Nº. 1, 2018, páginas 81-94
Idioma: espanhol
DOI: 10.5507/ro.2018.005
Títulos paralelos:
The cult of "la Santa Muerte" in Mexico: a socio-historical study and its reflection in a short story by Homero Aridjis
Enlaces
Texto completo (pdf)
Resumo
español

En la cultura de Mesoamérica los cultos a la Muerte eran ritos significativos dentro del contexto de esas civilizaciones, en especial en
los pueblos aztecas y mayas. Con la llegada de Hernán Cortes a América y posteriormente con la catequización de los nativos de
Mesoamérica, la Muerte también ocupó su lugar de importancia. De acuerdo a Olmos, después de la colonización cristiana, la Muerte
recibía muchos más pedidos de protección por parte de los fieles que la propia Virgen de Guadalupe; ante este hecho, el icono mórbido
fue expulsado de las iglesias con la alegación de que se trataba de una divinidad oriunda de los indígenas y vinculada a la brujería y
santería; en otras palabras, la respuesta fue más político-social que propiamente religiosa. Con el paso del tiempo, en los guetos
mexicanos el culto al que hoy se llama de la Santa Muerte viene creciendo de forma significativa; consecuentemente, la mayoría de
aquellos que rinden culto a esta divinidad son estigmatizados como narcotraficantes, prostitutas, la clase marginalizada en general. Se
toma como referencia el relato «La Santa Muerte» (2006), de Homero Aridjis, como medio de un breve análisis, con el propósito de
discutir las relaciones entre lo real y el imaginario. Por lo tanto, se esboza en este trabajo un análisis socio-histórico sobre las
dimensiones que el culto a la Muerte ha tomado en la contemporaneidad y la construcción de la identidad religiosa en México en un
contexto actual, del que se concluye que, a partir de las mezclas de culturas y sus fragmentaciones, hay cultos sincréticos donde, muchas
veces, no existen reglas.

English

In the culture of Meso-Latin America, the cults of Death were significant rites within the context of these civilizations, especially those
of the Aztecs and the Mayans. With the arrival of Hernán Cortez in America and later with the Catholic catechization to the natives of
Mesoamerica, Death continued to occupy a place of prominence. According to Olmos, after the Christian colonization, Death received
many more requests for protection from the faithful than the Virgin of Guadalupe herself; in the face of this, the morbid icon was
expelled from the churches on the allegation that it was a divinity originating from the natives and linked to witchcraft; in other words,
the contest was more political than religious. Over the years, in the Mexican ghettos, the cult of what is now called la Santa Muerte has
grown significantly, and consequently, most of those who worship this deity are stigmatized as drug traffickers, prostitutes, and the
marginalized class in general. In view of this, the short story "La Santa Muerte" (2006) by Homer Aridjis is used as a means of analysis
with the purpose of discussing the relations between the real and the imaginary. For this, a socio-historical analysis is presented of the
dimensions that "The Cult of Death" has taken on in the contemporary world and the construction of religious identity in Mexico in its
current context, which concludes that, from the mixtures of cultures and their fragmentations, often, where there are no rules, syncretic
cults emerge.

https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6736565 1/1
EL CULTO A LA «SANTA MUERTE» EN MÉXICO:
UN ESTUDIO SOCIO-HISTÓRICO Y SU REFLEJO
EN UN RELATO DE HOMERO ARIDJIS

Rafael Adelino Fortes

Instituto Federal de Mato Grosso, IFMT, Campus Juína, Caixa Postal 255,
Setor Chácara, CEP: 78320-000, Juína, Mato Grosso, Brasil
rafael.fortes@jna.ifmt.edu.br; prof.rafaelfortes@hotmail.com

THE CULT OF “LA SANTA MUERTE” IN MEXICO: A SOCIO-HISTORICAL STUDY


AND ITS REFLECTION IN A SHORT STORY BY HOMERO ARIDJIS 
Abstract: In the culture of Meso-Latin America, the cults of Death were significant rites
within the context of these civilizations, especially those of the Aztecs and the Mayans.
With the arrival of Hernán Cortez in America and later with the Catholic catechization to
the natives of Mesoamerica, Death continued to occupy a place of prominence. According
to Olmos, after the Christian colonization, Death received many more requests for protec-
tion from the faithful than the Virgin of Guadalupe herself; in the face of this, the morbid
icon was expelled from the churches on the allegation that it was a divinity originating
from the natives and linked to witchcraft; in other words, the contest was more political
than religious. Over the years, in the Mexican ghettos, the cult of what is now called la San-
ta Muerte has grown significantly, and consequently, most of those who worship this deity
are stigmatized as drug traffickers, prostitutes, and the marginalized class in general. In
view of this, the short story “La Santa Muerte” (2006) by Homer Aridjis is used as a means
of analysis with the purpose of discussing the relations between the real and the imagi-
nary. For this, a socio-historical analysis is presented of the dimensions that “The Cult of
Death” has taken on in the contemporary world and the construction of religious identity
in Mexico in its current context, which concludes that, from the mixtures of cultures and
their fragmentations, often, where there are no rules, syncretic cults emerge.
Keywords: la Santa Muerte; religious cult; Homero Aridjis; religiosity; contemporaneity
Resumen: En la cultura de Mesoamérica los cultos a la Muerte eran ritos significativos
dentro del contexto de esas civilizaciones, en especial en los pueblos aztecas y mayas.
Con la llegada de Hernán Cortes a América y posteriormente con la catequización de los
nativos de Mesoamérica, la Muerte también ocupó su lugar de importancia. De acuerdo

Romanica Olomucensia 30/1 (2018): 81-93, doi: 10.5507/ro.2018.005 (CC BY-NC-ND 4.0)
Rafael Adelino Fortes

a Olmos, después de la colonización cristiana, la Muerte recibía muchos más pedidos de


protección por parte de los fieles que la propia Virgen de Guadalupe; ante este hecho,
el icono mórbido fue expulsado de las iglesias con la alegación de que se trataba de una
divinidad oriunda de los indígenas y vinculada a la brujería y santería; en otras palabras,
la respuesta fue más político-social que propiamente religiosa. Con el paso del tiempo,
en los guetos mexicanos el culto al que hoy se llama de la Santa Muerte viene creciendo
de forma significativa; consecuentemente, la mayoría de aquellos que rinden culto a esta
divinidad son estigmatizados como narcotraficantes, prostitutas, la clase marginalizada en
general. Se toma como referencia el relato «La Santa Muerte» (2006), de Homero Aridjis,
como medio de un breve análisis, con el propósito de discutir las relaciones entre lo real
y el imaginario. Por lo tanto, se esboza en este trabajo un análisis socio-histórico sobre las
dimensiones que el culto a la Muerte ha tomado en la contemporaneidad y la construcción
de la identidad religiosa en México en un contexto actual, del que se concluye que, a partir
de las mezclas de culturas y sus fragmentaciones, hay cultos sincréticos donde, muchas
veces, no existen reglas.
Palabras clave: Santa Muerte; culto; Homero Aridjis; religiosidad; contemporaneidad

Muchos tienen un corrido el bueno, el malo y el fuerte 


hay de narcos y de damas y de ilegales sin suerte 
hoy le canto a la patrona a la Santísima Muerte. 
La muerte está en todos lados de ella no quieren hablar
no hay que olvidar que nacimos y un día nos van a enterrar 
diosito nos dio la vida y ella nos la va a quitar. 
Yo adoro y quiero a la Muerte y hasta le tengo un altar 
ya hay millones que le rezan la iglesia empieza a temblar 
abiertamente ya hay curas que la empiezan adorar. 
Mafiosos y de la ley se la empiezan a tatuar 
políticos y altos jefes también le tienen su altar 
yo le prendo sus velitas no es un delito rezar. 
A la Santísima Muerte muchos la usan para el mal 
es bueno que te defiendas pero nunca hay que abusar 
la Muerte es muy vengativa si no le crees no hables mal.
Beto Quintanilla, «La Santísima Muerte»

1. Consideraciones iniciales
Durante la noche del 26 de septiembre y la madrugada del 27 de septiembre de 2014,
una serie de actos violentos tuvieron lugar en Ayotzinapa, región rural del estado
de Guerrero, en México, como consecuencia de los cuales murieron cuarenta y un
estudiantes. A día de hoy estos siguen desaparecidos y parece que nada se ha hecho
para encontrarlos.
En el contexto mexicano, hay una tradición política y de poder que abarca des-
de la época precolombina hasta la contemporaneidad, una tradición bañada en
sangre, a veces librada por la espada, a veces por la bala. La violencia y la muerte
van de la mano en las disputas ideológicas en aras de poder y progreso económico

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