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UNIDADE VI

Estatuto dos Militares


PADRÃO DE DESEMPENHO

• Analisar o Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/80) em


consonância com os preceitos constitucionais
vigentes, visando à integração do conhecimento
adquirido no seu estudo com as atividades que serão
desenvolvidas pelos futuros oficiais nos corpos de
tropa.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO
2. ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO
3. ESTATUTO DOS MILITARES
4. CONCLUSÃO

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ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO

Os entes estatais são livres para realizar a organização


do seu pessoal, devendo observar as seguintes regras:
1) realizada por lei - deve atender à CF (art. 37, I);
2) competência exclusiva da entidade;
3) regime jurídico não pode contrariar o disposto na CF.

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SERVIDOR PÚBLICO

CONCEITO
(SENTIDO AMPLO)

São todos os agentes públicos que se vinculam à


Administração Pública, sob regime jurídico estatutário,
administrativo especial ou celetista (regido pela CLT), de
natureza profissional e empregatícia.
(CF/88, arts. 39 a 41 e art. 142, § 3º - EC 18/1998 – c/c
art. 3º, Estatuto dos Militares)
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Art. 3° Os membros das Forças Armadas, em razão de sua destinação
constitucional, formam uma categoria especial de servidores da Pátria e
são denominados militares. (Estatuto dos Militares)

Art. 142 As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e


pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares,
organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade
suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria,
à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer
destes, da lei e da ordem. (Constituição Federal)
§ 1º - Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem
adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas.
§ 2º - Não caberá "habeas-corpus" em relação a punições disciplinares
militares.
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares,
aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes
disposições:
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CLASSIFICAÇÃO DOS
SERVIDORES PÚBLICOS
• Agentes políticos (membros de poder)

• Estatutários (servidores públicos em sentido estrito)

• Empregados públicos (vinculação contratual – CLT)

• Contratados por tempo determinado

REGIME JURÍDICO
• Estatutário
• Trabalhista ou Celetista – CLT
• Administrativo Especial ou Temporário (Lei nº 8.745/93)
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ESTATUTO DOS MILITARES
E1

Lei nº 6.880/80
ESTATUTO DOS MILITARES

• Militares das Forças Armadas: art. 142, X, CF.


• Militares dos Estados e DF: art 42, CF.
• Lei nº 6.880/80 (Estatuto dos Militares).
• Finalidade: regular a situação, obrigações, deveres,
direitos e prerrogativas dos membros das Forças
Armadas.
ESTATUTO DOS MILITARES
ÍNDICE ARTIGOS
TÍTULO I – GENERALIDADES
CAPÍTULO I – DISPOSIÇÕES PRELIMINARES............................................................................................1º ao 9º
CAPÍTULO II – DO INGRESSO NAS FORÇAS ARMADAS..........................................................................10 ao 13
CAPÍTULO III - DA HIERARQUIA E DA DISCIPLINA....................................................................................14 ao 19
CAPÍTULO IV – DO CARGO E DAS FUNÇÕES MILITARES.......................................................................20 ao 26

TÍTULO II – DAS OBRIGAÇÕES E DOS DEVERES MILITARES


CAPÍTULO I – DAS OBRIGAÇÕES MILITARES
SEÇÃO I – DO VALOR MILITAR.....................................................................................................................27
SEÇÃO II – DA ÉTICA MILITAR......................................................................................................................28 ao 30
CAPÍTULO II – DOS DEVERES MILITARES
SEÇÃO I – CONCEITUAÇÃO.........................................................................................................................31
SEÇÃO II – DO COMPROMISSO MILITAR....................................................................................................32 e 33
SEÇÃO III – DO COMANDO E DA SUBORDINAÇÃO...................................................................................34 ao 41
CAPÍTULO III – DA VIOLAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES E DOS DEVERES MILITARES
SEÇÃO I – CONCEITUAÇÃO.........................................................................................................................42 ao 45
SEÇÃO II – DOS CRIMES MILITARES..........................................................................................................46
SEÇÃO III – DAS CONTRAVENÇÕES OU TRANSGRESSÕES DISCIPLINARES.....................................47
SEÇÃO IV – DOS CONSELHOS DE JUSTIFICAÇÃO E DE DISCIPLINA....................................................48 e 49
ESTATUTO DOS MILITARES
TÍTULO III – DOS DIREITOS E DAS PRERROGATIVAS DOS MILITARES
CAPÍTULO I – DOS DIREITOS
SEÇÃO I – ENUMERAÇÃO............................................................................................................................51 ao 52
SEÇÃO II – DA REMUNERAÇÃO..................................................................................................................53 ao 58
SEÇÃO III – DA PROMOÇÃO.........................................................................................................................59 ao 62
SEÇÃO IV – DAS FÉRIAS E DE OUTROS AFASTAMENTOS TEMPORÁRIOS DO SERVIÇO..................63 ao 66
SEÇÃO V – DAS LICENÇAS...........................................................................................................................67 ao 70
SEÇÃO VI – DA PENSÃO MILITAR................................................................................................................71 ao 72
CAPÍTULO II – DAS PRERROGATIVAS
SEÇÃO I – CONSTITUIÇÃO E ENUMERAÇÃO.............................................................................................73 ao 75
SEÇÃO II – DO USO DOS UNIFORMES........................................................................................................76 ao 79
ESTATUTO DOS MILITARES
TÍTULO IV – DAS DISPOSIÇÕES DIVERSAS
CAPÍTULO I – DAS SITUAÇÕES ESPECIAIS
SEÇÃO I – DA AGREGAÇÃO............................................................................................................................80 ao 85
SEÇÃO II – DA REVERSÃO..............................................................................................................................86 e 87
SEÇÃO III – DO EXCEDENTE...........................................................................................................................88
SEÇÃO IV – DO AUSENTE E DO DESERTOR.................................................................................................89 e 90
SEÇÃO V – DO DESAPARECIDO E DO EXTRAVIADO...................................................................................91 e 92
SEÇÃO VI – DO COMISSIONADO....................................................................................................................93
CAPÍTULO II – DA EXCLUSÃO DO SERVIÇO ATIVO
SEÇÃO I – DA OCORRÊNCIA...........................................................................................................................94 e 95
SEÇÃO II – DA TRANSFERÊNCIA PARA A RESERVA REMUNERADA.........................................................96 ao 103
SEÇÃO III – DA REFORMA.............................................................................................................................104 ao 114
SEÇÃO IV – DA DEMISSÃO............................................................................................................................115 ao 117
SEÇÃO V – DA PERDA DO POSTO E DA PATENTE.....................................................................................118 ao 120
SEÇÃO VI – DO LICENCIAMENTO.................................................................................................................121 ao 123
SEÇÃO VII – DA ANULAÇÃO DE INCORPORAÇÃO E DA DESINCORPORAÇÃO DA PRAÇA....................124
SEÇÃO VIII – DA EXCLUSÃO DA PRAÇA A BEM DA DISCIPLINA................................................................125 ao 127
SEÇÃO IX – DA DESERÇÃO............................................................................................................................128
SEÇÃO X – DO FALECIMENTO E DO EXTRAVIO..........................................................................................129 a 131
CAPÍTULO III – DA REABILITAÇÃO...............................................................................................................132 e 133
CAPÍTULO IV – DO TEMPO DE SERVIÇO......................................................................................................134 ao 143
CAPÍTULO V – DO CASAMENTO....................................................................................................................144 e 145
CAPÍTULO VI – DAS RECOMPENSAS E DAS DISPENSAS DO SERVIÇO...................................................146 a 148
SITUAÇÃO DOS MILITARES (art. 3º)
• Militares na Ativa
✓ Os de carreira
✓ Os incorporados
✓ Os integrantes da reserva quando convocados
✓ Os alunos de órgãos de formação
✓ Os cidadãos mobilizados em tempo de guerra.
• Militares na Inatividade
✓ Os integrantes da reserva remunerada
✓ Os reformados, dispensados definitivamente do serviço ativo,
percebendo remuneração da União.
✓ Os da reserva ou reformados, prestadores de tarefa por
tempo certo (PTTC).
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INGRESSO NAS FORÇAS ARMADAS – art. 10

• O ingresso nas Forças Armadas ocorre mediante:


✓ Incorporação – convocados para o serviço militar obrigatório.
✓ Matrícula – alunos de EE militar de formação de oficiais e de
graduados.
✓ Nomeação – brasileiros convocados para o serviço ativo por
serem possuidores de competência técnico-profissional ou de
notória cultura científica, em caráter transitório. (art 10, §1º)

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PRINCÍPIOS BASILARES DAS FORÇAS ARMADAS
• Os princípios que fundamentam as Forças Armadas são:
✓ Hierarquia – ordenação dos militares em postos e
graduações.
✓ Disciplina – obediência integral às leis, aos regulamentos, às
normas e aos fundamentos da instituição militar.

• Círculos hierárquicos são ambientes de convivência entre os


militares da mesma categoria.
• Posto é o grau hierárquico do oficial, conferido por ato do
Presidente da República e confirmado em Carta Patente.
• Graduação é o grau hierárquico da praça, conferido pela
autoridade militar competente.

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OBRIGAÇÕES MILITARES – art. 27
• Valor Militar: patriotismo, fé na missão das FA, espírito de
corpo, amor à profissão e aprimoramento técnico-profissional.
• Ética militar: conduta moral como consequência do senti-
mento do dever, honra pessoal, pundonor militar e decoro da
classe. Os preceitos são relacionados em rol exemplificativo.
• Considerações acerca das obrigações
✓ O art. 29 veda ao militar comerciar ou tomar parte na
administração ou gerência de sociedade.
✓ Aos oficiais do Sv de Saúde é permitido o exercício de sua
atividade no meio civil. (EC 77/2014 – altera o art. 142, CF/88)

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ÉTICA MILITAR – art. 28 (art. 6º, RDE)
• Honra Pessoal: sentimento de dignidade própria, como o
apreço e o respeito de que é objeto ou se torna merecedor o
militar, perante seus superiores, pares e subordinados;
• Pundonor Militar: dever de o militar pautar a sua conduta
como a de um profissional correto. Exige dele, em qualquer
ocasião, alto padrão de comportamento ético que refletirá no
seu desempenho perante a Instituição a que serve e no grau de
respeito que lhe é devido; e
• Decoro da Classe: valor moral e social da Instituição. Ele
representa o conceito social dos militares que a compõem e não
subsiste sem esse.

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DEVERES MILITARES – art. 31
• Enumeração
✓ Dedicação e fidelidade à Pátria, mesmo com o sacrifício da
própria vida.
✓ Culto aos símbolos militares.
✓ Probidade e lealdade.
✓ Disciplina e respeito à hierarquia.
✓ Rigoroso cumprimento das obrigações e ordens.
✓ Obrigação de tratar o subordinado dignamente e com
urbanidade.
• Compromisso Militar
✓ O cidadão ao ingressar nas FA fará compromisso solene
perante a Bandeira Nacional.
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VIOLAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES E DOS
DEVERES MILITARES – art. 42
• Crimes Militares
✓ O art. 46 faz alusão ao CPM, o qual relaciona os crimes militares
e suas penas relacionadas. (Dec Lei nº 1.001, de 21 OUT 69)
✓ É a matéria que versa a disciplina DPM.
• Contravenções ou transgressões disciplinares
✓ Cada FA possui um regulamento disciplinar por determinação do
art. 47 e seus parágrafos. (aqui está o fundamento legal do RDE).
“§ 2º À praça especial aplicam-se, também, as disposições disciplinares
previstas no regulamento do estabelecimento de ensino onde estiver
matriculada.” (aqui está o fundamento legal da NAPD)
• Conselho de Justificação e de Disciplina
✓ O art. 48 e 49 institui o CJ, regulado pela Lei 5.836/72, e o CD,
regulado pelo Dec 71.500/72. 19
DIREITOS E PRERROGATIVAS MILITARES – art. 50

• Direitos dos Militares


✓ Remuneração
✓ Promoção
✓ Férias e outros afastamentos temporários do serviço
✓ Licenças
✓ Pensão militar
• Prerrogativas dos Militares
✓ Constituição e enumeração das prerrogativas (art.73)
✓ Uso de uniformes

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RECURSOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA – art. 51

Recurso Administrativo – é o meio legal para requerer a


modificação ou o cancelamento de ato administrativo ou
disciplinar. É destinado à autoridade militar superior.
✓ a) Pedido de Reconsideração: é dirigido à própria
autoridade militar que realizou o ato administrativo.
✓ b) Queixa ou representação: é dirigida ao superior
imediato da autoridade militar que praticou o ato.
§ 1° - prazos prescricionais do direito de recorrer.
§ 2º - não podem ser feitos coletivamente.
§ 3º - não foi recepcionado pela CF/88 por contrariar o
art. 5º, XXXV.
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EXERCÍCIOS

1. O 1º Ten QCO SILVA OLIVEIRA concluiu com aproveitamento o


curso da Escola de Formação Complementar do Exército
(EsFCEx), na especialidade Informática, no ano de 2013, ocasião
em que foi classificado na Escola de Sargentos de Logística
(EsSLog), localizada na cidade do Rio de Janeiro - RJ.
Após ter completado o seu tempo de serviço previsto em lei, o TC
SILVA OLIVEIRA foi transferido para a reserva remunerada,
tendo retornado para a mesma OM como prestador de tarefa por
tempo certo (PTTC).

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EXERCÍCIOS
Com base no caso esquemático apresentado, responda às
seguintes perguntas:

a) Qual a forma de ingresso nas Forças Armadas foi utilizada pelo


1º Ten SILVA OLIVEIRA? Dê o amparo legal.
b) Caso o referido oficial tivesse servido como soldado, antes de ter
realizado o curso da EsFCEx, qual teria sido a forma de ingresso
na Instituição? Dê o amparo legal.
c) Qual a situação em que o 1º Ten SILVA OLIVEIRA se encontra
atualmente? Dê o amparo legal.
d) Qual a situação em que o TC SILVA OLIVEIRA se encontra
como prestador de tarefa por tempo certo? Dê o amparo legal.

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EXERCÍCIOS
1. RESPOSTAS
a) A forma de ingresso utilizada pelo oficial foi a MATRÍCULA.
Art. 10, caput da Lei 6.880/80.
b) A forma de ingresso utilizada foi a INCORPORAÇÃO,
conforme prescreve o art. 10, caput da Lei 6.880/80.
c) O referido oficial se encontra na situação de militar da ativa,
conforme prescreve o art. 3º, § 1º , alínea “a”, inciso I, da Lei
6.880/80 – sendo considerado um militar de carreira.
d) O referido oficial se encontra na situação de militar na
inatividade, conforme prescreve o art. 3º, § 1º, alínea “b”,
inciso III, da Lei 6.880/80.

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EXERCÍCIOS

2. O 1º Ten Med ATÍLIO, de carreira, servindo no 312º RCMec,


foi participado disciplinarmente pelo seu Cmt SU por estar
exercendo atividade remunerada fora do expediente. Ele
estava trabalhando em uma clínica particular, no horário de
18:00 às 21:00 horas. O Cmt SU procedeu
corretamente?Justifique sua resposta e dê o amparo legal.

25
EXERCÍCIOS
2. RESPOSTA

O Cmt SU não procedeu corretamente. No intuito de


desenvolver a prática profissional, é permitido aos oficiais
titulares dos Quadros ou Serviços de Saúde e de Veterinária o
exercício de atividade técnico-profissional no meio civil, desde
que tal prática não prejudique o serviço. Art 29, § 3º, Lei
6880/80.

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DEPENDENTES DO MILITAR (art. 50, § 2º)
• São considerados dependentes do militar:
✓ a esposa;
✓ o filho menor de 21 anos ou inválido ou interdito;
✓ a filha solteira, sem remuneração;
✓ o filho estudante, menor de 24 anos, sem remuneração;
✓ a mãe viúva, sem remuneração;
✓ o enteado, o filho adotivo e o tutelado, nas mesmas condições
dos filhos citados anteriormente;
✓ a viúva do militar, enquanto permanecer neste estado, e os
demais dependentes mencionados anteriormente, desde que
vivam sob a responsabilidade da viúva;
✓ a ex-esposa com direito à pensão alimentícia estabelecida por
sentença transitada em julgado, enquanto não contrair novo
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matrimônio.
DEPENDENTES DO MILITAR
• São, ainda, considerados dependentes do militar, desde que
vivam sob sua dependência econômica, sob o mesmo teto,
e quando expressamente declarados na OM competente:
✓ a filha, a enteada e a tutelada, nas condições de viúvas,
separadas judicialmente ou divorciadas, sem remuneração;
✓ a mãe solteira, a madrasta viúva, a sogra viúva ou solteira, bem
como separadas judicialmente ou divorciadas, desde que, em
qualquer dessas situações, sem remuneração;
✓ os avós e os pais, quando inválidos ou interditos, e respectivos
cônjuges, estes sem remuneração;
✓ o pai maior de 60 anos e seu respectivo cônjuge, ambos sem
remuneração;
(CONTINUA)
28
DEPENDENTES DO MILITAR
✓ o irmão, o cunhado e o sobrinho, quando menores ou inválidos
ou interditos, sem outro arrimo;
✓ a irmã, a cunhada e a sobrinha, solteiras, viúvas, separadas
judicialmente ou divorciadas, sem remuneração;
✓ o neto, órfão, menor inválido ou interdito;
✓ a companheira(o) comprovada(o) por União Estável; e
✓ o menor que esteja sob sua guarda, sustento e responsabilidade,
mediante autorização judicial.

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ELEGIBILIDADE – art. 52
• Os militares alistáveis são elegíveis, atendidas às seguintes
condições: art. 14, §8º, CF
✓ se contar menos de 10 anos de serviço, deverá afastar-se da
atividade. (demissão ou licenciamento ex officio) – INCISO I.
✓ se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no
ato da diplomação, para a inatividade. (reserva remunerada,
com proventos proporcionais ao tempo de serviço) –
INCISO II.
• Conscritos – art. 14, §2º, CF.
• Condições de elegibilidade: alistamento eleitoral e filiação
partidária – art.142, §3º, V.
30
Página 250 da APOSTILA

O parágrafo único do art. 52 do Estatuto dos Militares não se


aplica mais, embora não tenha sido expressamente revogado,
pois o art. 14, § 8º da CF tratou inteiramente sobre a matéria, ao
dispor que “o militar alistável é elegível, atendidas as seguintes
condições”:

É importante ressaltar que o militar interessado em concorrer a


um cargo eletivo será agregado, nos termos do art. 82, inciso
XIV, do Estatuto e não será considerado em licença para tratar
de interesse particular, como está previsto na letra “b” do § único
do art. 52 do E1.

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REMUNERAÇÃO – art. 53
• A remuneração dos militares é estabelecida pela MP 2.215-10
de 2001 e regulada pelo Decreto 4.307 de 2002.
• Remuneração compreende: soldo, adicionais e gratificações.
• Na inatividade, é denominada de proventos e compreende:
soldo e gratificações incorporáveis.
• Soldo é a parcela básica, mensal e irredutível da remuneração
e dos proventos, inerente ao posto ou à graduação do militar.
• Adicionais – militar, de habilitação, de tempo de serviço (com
a ressalva do art. 30 da MP 2.215-10), de compensação
orgânica e de permanência.
• Gratificações - de localidade especial e de representação.
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• O art. 2º da MP elenca outros direitos remuneratórios.
PROMOÇÃO – art. 59
• Critérios de promoção – por antiguidade, por merecimento ou
escolha, por bravura e post mortem.
• Em casos extraordinários, poderá ocorrer promoção em
ressarcimento de preterição, que se dará por antiguidade ou
merecimento.
• Para ser promovido pelos critérios de antiguidade, de
merecimento ou de escolha, é imprescindível que o oficial esteja
incluído em Quadro de Acesso ou Lista de Escolha, que podem
ser: QAA, QAM e QAE.
• A promoção de oficiais é regulada pela Lei 5.821/72 e a de
graduados pelo R-196, instituído pelo Dec 4.853 de 2003, além
de outros dispositivos legais.
• São órgãos que processam as promoções: CPO, CPS e ACE. 33
FÉRIAS – art. 63
• As férias são concedidas a partir do último mês do ano a que se
referem e durante todo o ano seguinte.
• A concessão de férias não é prejudicada pelo gozo anterior de LTS,
nem por punição anterior decorrente de transgressão disciplinar, ou
pelo estado de guerra, ou para que sejam cumpridos atos em
serviço, bem como não anula o direito àquela licença.
• Somente em casos excepcionais, previstos na lei, os militares terão
interrompido ou deixarão de gozar na época prevista o período de
férias a que tiverem direito.
• A MP 2.215-10/01 revogou o texto do E1 que previa a contagem em
dobro para a inatividade dos dias não gozados de férias (art. 137, V).
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AFASTAMENTOS TEMPORÁRIOS DO Sv
• São afastamentos temporários do serviço: art. 64
✓ Núpcias - 8 (oito) dias.
✓ Luto - 8 (oito) dias; (art. 23, XV, d, RISG)
✓ Instalação - até 10 (dez) dias; e (art. 454, RISG)
✓ Trânsito - até 30 (trinta) dias. (art. 452, RISG)
• Existem outros afastamentos previstos no RISG, como as
dispensas.
• Tanto nas férias quanto nos afastamentos temporários do
serviço, o militar faz jus a remuneração prevista na lei e esse
tempo é computado como de efetivo serviço.

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LICENÇAS – art. 67
• São afastamentos totais do serviço, em caráter temporário,
obedecidas as disposições legais e regulamentares:
✓ Licença para tratar de interesse particular (LTIP) – art. 69;
✓ Licença para tratamento de saúde própria (LTSP);
✓ Licença para tratamento de saúde de pessoa da família (LTSPF);
✓ Licença para acompanhar cônjuge ou companheiro (LACC) – art.
69-A, incluída pela Lei 11.447/07;
• A IG 30–07 regula essas licenças previstas no E1, e mais:
✓ Licença à Gestante.
✓ Licença-Paternidade.
✓ Licença à Adotante.
Obs. LTIP e LACC – com prejuízo da remuneração e tempo de sv.
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PENSÃO MILITAR – art. 71
• Destina-se a amparar os beneficiários do militar falecido ou
extraviado e será paga conforme o disposto na Lei 3.765/60.
• Natureza jurídica: benefício previdenciário.
• Todos os militares são contribuintes obrigatórios da pensão
militar.
Exceções: cadete, alunos de escolas de formação, Cb e Sd com
menos de dois anos de efetivo serviço. (art. 1º,Lei 3.765/60)
• Todo militar é obrigado a fazer sua declaração de beneficiários
que, salvo prova em contrário, prevalecerá para a habilitação
dos mesmos à pensão militar.

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PRERROGATIVAS – art. 73
• O uso de títulos, uniformes, distintivos, insígnias e emblemas
militares das Forças Armadas, conforme o posto ou graduação.
• As honras, tratamento e sinais de respeito regulamentares.
• Cumprimento de pena de prisão ou detenção somente em OM
e julgamento em foro especial nos crimes militares.
• Somente em caso de flagrante delito o militar poderá ser preso
por autoridade policial, ficando esta obrigada a entregá-lo
imediatamente à autoridade militar.
• Os militares da ativa, no exercício de funções militares, são
dispensados do serviço na instituição do Júri e do serviço na
Justiça Eleitoral.
38
EXERCÍCIOS

1. O Cap JUSTINIANO, Comandante da 3ª Bateria de Obuses


Autopropulsada do 51º GAC, localizado na cidade de Novo
Horizonte-PR, estava de férias e adoeceu no seu 10º dia. Em
consequência, foi internado no Hospital-Geral daquela
Guarnição, lá permanecendo por 15 dias. Quantos dias de
férias restaram ao oficial? Justifique sua resposta e dê o amparo
legal.

39
EXERCÍCIOS
1. RESPOSTA
O Cap JUSTINIANO terá suas férias interrompidas e lhe
restarão 20 dias de férias após receber alta. Somente em casos
de interesse da segurança nacional, de manutenção da ordem,
de extrema necessidade do serviço, de transferência para a
inatividade, ou para cumprimento de punição decorrente de
contravenção ou de transgressão disciplinar de natureza grave e
em caso de baixa a hospital, os militares terão interrompido ou
deixarão de gozar na época prevista o período de férias a que
tiverem direito, registrando-se o fato em seus assentamentos.
Fundamento: art. 63, § 4º, Lei 6880/80.

40
EXERCÍCIOS
2. Em janeiro de 2014, o 2º Ten BONFIM, Comandante do 2º
Pelotão de Fuzileiros do 544º BI Mtz, envolveu-se em uma briga
numa boate em um sábado à noite. A Polícia Militar prendeu
todos os envolvidos em flagrante delito, conduzindo-os à
delegacia. O Ten começou a discutir com a autoridade policial,
afirmando que não poderia ser preso porque é oficial do
Exército. O oficial procedeu de forma correta? Justifique sua
resposta e dê o amparo legal.

41
EXERCÍCIOS
2. RESPOSTA

O 2º Ten BONFIM está errado. Em caso de flagrante delito o


militar poderá ser preso, permanecendo em poder da autoridade
policial somente o tempo necessário para a lavratura do
flagrante. Após os procedimentos do APF ele deverá ser
entregue à autoridade militar mais próxima. Fundamento: art.
74, caput da Lei 6.880/80.

42
EXERCÍCIOS
3. A Cap FERNANDA, servindo em uma OM da Guarnição de
Porto Alegre, requereu, em março de 2015, licença para
acompanhar seu cônjuge (LACC), o qual foi designado para
missão no exterior, a fim de realizar o curso equivalente ao da
ECEME em Portugal. A data de praça da oficial é 1º FEV 2006.
Com base no Estatuto dos Militares a oficial terá seu
requerimento deferido? Justifique sua resposta e dê o amparo
legal.

43
EXERCÍCIOS
3. RESPOSTA

A Cap FERNANDA não poderá ter o seu requerimento deferido.


Um dos requisitos legais para o deferimento do pedido de LACC
é de que o militar tenha mais de 10 anos de efetivo serviço. Em
março de 2015 ela tinha apenas 9 anos e 1 mês de efetivo
serviço.
Fundamento: art. 69-A, Caput, Lei nº 6.880/80.

44
SITUAÇÕES ESPECIAIS

a. Agregação (art. 80) e. Desertor (art. 90)

b. Reversão (art. 86) f. Desaparecido (art. 91)

c. Excedente (art. 88) g. Extraviado (art. 92)

d. Ausente (art. 89) h. Comissionado (art. 93)

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AGREGAÇÃO – art. 80
• Situação na qual o militar da ativa deixa de ocupar vaga na
escala hierárquica de seu Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, nela
permanecendo sem número.
• São casos de agregação, quando o militar:
✓ for nomeado para cargo militar fora da Força ou no estrangeiro;
✓ for colocado à disposição do MD ou de outra Força Armada;
✓ aguardar transferência ex officio para a reserva, por ter sido
enquadrado em quaisquer dos requisitos que a motivaram;
✓ ultrapassar 6 meses convocado como Ministro do STM.

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AGREGAÇÃO
• O militar será agregado quando for afastado temporaria-
mente do serviço ativo pelos seguintes motivos:
✓ julgado incapaz temporariamente, após 1 ano de tratamento;
✓ haver ultrapassado 1 ano contínuo em LTSP;
✓ haver ultrapassado 6 meses contínuos em LTIP ou em LACC;
✓ haver ultrapassado 6 meses contínuos em LTSPF;
✓ julgado incapaz definitivamente, na tramitação da reforma;
✓ ter sido considerado oficialmente extraviado;
✓ esgotado o prazo que caracteriza o crime de deserção previsto
no CPM, se oficial ou praça com estabilidade assegurada;
✓ como desertor, ter-se apresentado voluntariamente, ou ter sido
capturado, e reincluído a fim de se ver processar;
47
AGREGAÇÃO
✓ se ver processar, após ficar exclusivamente à disposição da
Justiça Comum;
✓ ter sido condenado à pena restritiva de liberdade superior a 6
meses;
✓ ter sido condenado à pena de suspensão do exercício do posto,
graduação, cargo ou função prevista no Código Penal Militar;
✓ ter passado à disposição de Ministério Civil, de órgão do
Governo Federal, de Governo Estadual, de Território ou Distrito
Federal, para exercer função de natureza civil;
✓ ter sido nomeado para qualquer cargo público civil temporário,
não-eletivo, inclusive da administração indireta; e
✓ ter-se candidatado a cargo eletivo, desde que conte 10 ou mais
anos de serviço. 48
AGREGAÇÃO
• Art. 84. O militar agregado ficará adido, para efeito de
alterações e remuneração, à organização militar que
lhe for designada, continuando a figurar no respectivo
registro, sem número, no lugar que até então ocupava.

49
REVERSÃO – art. 86

• Ato pelo qual o militar agregado retorna ao respectivo


Corpo, Quadro, Arma ou Serviço tão logo cesse o
motivo que determinou sua agregação, voltando a
ocupar o lugar que lhe competir na respectiva escala
numérica, na primeira vaga que ocorrer.

50
EXCEDENTE – art. 88
• Situação transitória a que, automaticamente, passa o militar que:
✓ tendo cessado o motivo que determinou sua agregação, reverta
ao respectivo Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, estando
qualquer destes com seu efetivo completo;
✓ sendo o mais moderno da respectiva escala hierárquica,
ultrapasse o efetivo de seu Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, em
virtude de promoção de outro militar em ressarcimento de
preterição; e
✓ tendo cessado o motivo que determinou sua reforma por
incapacidade definitiva, retorne ao respectivo Corpo, Quadro,
Arma ou Serviço, estando qualquer destes com seu efetivo
completo.
• O militar excedente é considerado para todos os efeitos como
em efetivo serviço. 51
AUSENTE E DESERTOR – art. 89

• É considerado ausente o militar que, por mais de 24 horas


consecutivas:
✓ deixar de comparecer à sua OM sem comunicar qualquer motivo
de impedimento; e
✓ ausentar-se, sem licença, da OM onde serve ou local onde deve
permanecer.
• É considerado desertor o militar que se ausentar, sem licença, da
Unidade em que serve, ou do lugar em que deve permanecer, por
mais de 8 dias, conforme o art. 187 do CPM.

52
DESAPARECIDO E EXTRAVIADO - art 91
• É considerado desaparecido o militar na ativa que, no
desempenho de qualquer serviço, em viagem, em campanha ou
em caso de calamidade pública, tiver paradeiro ignorado por
mais de 8 dias.
• A situação de desaparecimento só será considerada quando não
houver indício de deserção.
• O militar que permanecer desaparecido por mais de 30 dias será
oficialmente considerado extraviado.

53
COMISSIONADO – art. 93

• Após a declaração de estado de guerra, os militares em


serviço ativo poderão ser comissionados, temporaria-
mente, em postos ou graduações superiores aos que
efetivamente possuírem.
• O comissionamento será regulado em legislação
específica. (Dec-Lei 5.430/43, art.1º - o qual foi
revogado pelo Dec-Lei 7.593/45)

54
EXERCÍCIOS
1. Durante um fim de semana o Cap HORÁCIO, servindo na 3ª
Região Militar, estava em sua residência quando sofreu um
acidente, causando-lhe um comprometimento da visão. Após
comparecer ao hospital para tratar do ferimento, foi submetido a
uma inspeção de saúde, a qual teve o seguinte parecer:
“Incapaz Temporariamente para o Serviço do Exército”. Diante
da situação, o Cmt U concedeu uma LTSP ao militar,
necessitando ser renovada por diversas vezes. Com base nessa
situação hipotética, responda aos questionamentos a seguir:

55
EXERCÍCIOS

a) Qual a situação especial em que ele se encontrava após 1


ano e seis meses de LTSP?

b) Em determinada inspeção de saúde o referido oficial recebeu


o parecer de “Apto para o serviço do Exército”. Com base no
caso esquemático apresentado, explique o que deverá ocorrer
com o Capitão, indicando o amparo legal. Qual a autoridade
competente para determinar essa nova situação?

56
EXERCÍCIOS
1. RESPOSTAS

a) O Capitão se encontrava por mais de 1 ano contínuo em LTSP


decorrente de incapacidade temporária, portanto ele estava
como agregado, conforme o art. 82, I e II da Lei 6.880/80.

b) Após o parecer de “apto para o serviço do Exército”, ocorrerá a


reversão do oficial, nos termos do art. 86 da Lei nº 6.880/80. A
autoridade competente para determinar essa nova situação
será o Comandante da 3ª Região Militar. (Port 727/07, Cmt Ex)

57
EXERCÍCIOS

2. O 1º Ten DEMETRIUS foi denunciado pelo Ministério Público


Militar por ter cometido um crime militar. Após quatro anos, o
referido oficial foi julgado e absolvido. Neste período ele deixou
de ser promovido ao posto de capitão. Após ser absolvido, como
ficará sua situação quanto à promoção perdida? Justifique sua
resposta. Dê o amparo legal.

58
EXERCÍCIOS
2. RESPOSTA:

A promoção do militar será efetuada em ressarcimento de


preterição e seguirá os critérios de antiguidade ou merecimento,
recebendo ele o número que lhe competir na escala hierárquica,
como se houvesse sido promovido, na época devida, pelo
critério em que ora é feita sua promoção. Fundamento: Art 60,
§ 2º, da Lei 6.880/80.

59
EXCLUSÃO DO SERVIÇO ATIVO – art 94

a. Transferência para a reserva remunerada (art. 96)


b. Reforma (art. 104)
c. Demissão (art. 115)
d. Perda do posto e patente (art. 118)
e. Licenciamento (art. 121)
f. Anulação de Incorporação e Desincorporação (art. 124)
g. Exclusão a bem da disciplina (art. 125)
h. Deserção (art. 128)
i. Falecimento e Extravio (art. 129)

60
TRANSFERÊNCIA PARA A RESERVA REMUNERADA
• A passagem do militar para a reserva remunerada se efetua:

✓ a pedido (mediante requerimento, com no mínimo 30 anos de sv).


✓ ex officio, quando o militar se enquadrar nos casos abaixo:
➢ atingir a idade-limite, prevista nas alíneas do inciso I do art. 98;
➢ completar o Oficial-General 4 anos no último posto da hierarquia,
em tempo de paz;
➢ completar o tempo de serviço máximo como Oficial-General (12 anos);

61
TRANSFERÊNCIA PARA A RESERVA REMUNERADA

➢ ultrapassar o oficial 5 anos de permanência no último posto da


hierarquia de paz de seu Corpo, Quadro, Arma ou Serviço; para
o Coronel esse prazo será acrescido de 4 anos se, ao completar
os primeiros 5 anos no posto, já possuir o curso exigido para a
promoção ao primeiro posto de Oficial-General, ou nele estiver
matriculado e vier a concluí-lo com aproveitamento;
➢ for o oficial abrangido pela quota compulsória; (art.99)
➢ for a praça abrangida pela quota compulsória, na forma regulada
em decreto, para cada Força Singular; (ainda não há para o EB)
➢ ultrapassar 2 anos, contínuos ou não, em LTIP;
➢ ultrapassar 2 anos contínuos em LTSPF;

62
REFORMA – art 104
• A passagem do militar para a inatividade mdt reforma se efetua:
✓ a pedido (exclusivo dos membros do Magistério Militar);
✓ ex officio, quando o militar se enquadrar nos casos abaixo:
➢ atingir as seguintes idades-limite de permanência na reserva:
o para Oficial-General - 68 anos;
o para Oficial Superior - 64 anos;
o para Capitão e oficial subalterno – 60 anos; e
o para Praças - 56 anos.
➢ estiver agregado por mais de 2 anos por ter sido julgado
incapaz, temporariamente, mediante homologação de Junta
Superior de Saúde, ainda que se trate de moléstia curável; (art
82, I) 63
REFORMA
➢ for condenado à pena de reforma prevista no CPM; (art. 55 e 65)
➢ oficial, condenado à reforma pelo STM, após julgamento de CJ;
➢ Asp-Of ou praça estabilizada, for reformado pelo Cmt da Força,
após julgamento de CD.
➢ for julgado incapaz definitivamente para o serviço ativo das
Forças Armadas, pelas seguintes causas: (art. 108)
I. ferimento recebido em campanha;
II. enfermidade contraída em campanha ou enfermidade cuja causa
eficiente decorra daquela situação;
III. acidente em serviço;
IV.doença, moléstia ou enfermidade adquirida em tempo de paz,
com relação de causa e efeito a condições inerentes ao serviço;
64
(CONTINUA)
REFORMA
V. tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna,
cegueira, lepra, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia
grave, mal de Parkinson, e outras moléstias que a lei indicar
com base nas conclusões da medicina; e
VI. acidente ou doença, moléstia ou enfermidade, sem relação de
causa e efeito com o serviço.
• Nos casos dos itens I e II, o militar será reformado com a remu-
neração baseada no soldo correspondente ao grau hierárquico
imediato (ver regra do §2º do art. 110).
• Nos casos dos itens III, IV e V, aplica-se a mesma regra anterior
quando o militar for considerado inválido, isto é, impossibilitado
total e permanentemente para qualquer trabalho.
65
DEMISSÃO – art. 115
• A demissão das FA, aplicada exclusivamente aos oficiais, se
efetua:
✓ a pedido (mediante requerimento do interessado);
✓ ex officio.
• A demissão a pedido será concedida:
✓ sem indenização, com mais de 5 anos de oficialato;
✓ com indenização, com menos de 5 anos de oficialato.
• A demissão ex officio ocorrerá:
✓ quando o oficial da ativa passar a exercer cargo ou emprego
público permanente, estranho à sua carreira;
✓ nos casos de perda de posto e patente. (art. 118 e 119)

66
DECLARAÇÃO DE INDIGNIDADE PARA O
OFICIALATO – art. 120
I - for condenado, por tribunal civil ou militar, em sentença
transitada em julgado, à pena restritiva de liberdade individual
superior a 2 (dois) anos; (art.142, §3º, VI, VII). Mdt
representação do PGJM.
II - for condenado, em sentença transitada em julgado, por
crimes para os quais o CPM comina essas penas acessórias
e por crimes previstos na legislação especial concernente à
segurança do Estado; (art. 98, 99, 100 e 101, CPM)
III - incidir nos casos, previstos em lei específica, que motivam o
julgamento por Conselho de Justificação e neste for
considerado culpado; (Lei 5.836/72)
IV - houver perdido a nacionalidade brasileira.
67
LICENCIAMENTO – art 121
• O licenciamento do serviço ativo se efetua:
✓ a pedido, e
✓ ex officio.
• O licenciamento a pedido poderá ser concedido, desde que não
haja prejuízo para o serviço:
✓ ao oficial da reserva convocado, após prestação do serviço ativo
durante 6 meses, e
✓ à praça engajada ou reengajada, desde que conte, no mínimo, a
metade do tempo de serviço a que se obrigou.

68
LICENCIAMENTO
• O licenciamento ex officio será feito:
✓ por conclusão de tempo de serviço ou de estágio;
✓ por conveniência do serviço, e
✓ a bem da disciplina.
• O Aspirante a Oficial e as demais praças empossados em
cargos ou emprego público permanente, estranhos à sua
carreira, serão imediatamente, mediante licenciamento "ex
officio", transferidos para a reserva não remunerada.
• O militar licenciado não tem direito a qualquer remuneração e,
exceto o licenciado ex officio a bem da disciplina, deve ser
incluído ou reincluído na reserva.

69
ANULAÇÃO DE INCORPORAÇÃO E
DESINCORPORAÇÃO DA PRAÇA – art. 124
• A anulação de incorporação e a desincorporação da praça resultam
na interrupção do serviço militar com a consequente exclusão do
serviço ativo, previstos na Lei do Serviço Militar (Lei 4.375/64).
• A anulação da incorporação ocorrerá em qualquer época, nos
casos em que tenham sido verificadas irregularidades no
recrutamento, inclusive relacionados com a seleção.
• A desincorporação ocorrerá: (art. 140, Decreto 57.654/66)
✓ por moléstia em consequência da qual o incorporado venha a faltar
ao serviço durante 90 dias, consecutivos ou não;
✓ por aquisição das condições de arrimo após a incorporação;
✓ por moléstia ou acidente que torne o incorporado definitivamente
incapaz para o Serviço Militar;
✓ por condenação irrecorrível, resultante de prática de crime comum
de caráter culposo. 70
EXCLUSÃO DA PRAÇA A BEM DA DISCIPLINA – art 125

• A exclusão a bem da disciplina será aplicada ex officio ao Aspirante


a Oficial ou às praças com estabilidade assegurada:
✓ quando assim se pronunciar o Conselho Permanente de Justiça,
em tempo de paz, ou Tribunal Especial, em tempo de guerra, ou
Tribunal Civil após terem sido essas praças condenadas, à pena
restritiva de liberdade individual superior a 2 anos ou, nos crimes
previstos na legislação especial concernente à segurança do
Estado, a pena de qualquer duração; (Lei 7.170/83)
✓ quando assim se pronunciar o Conselho Permanente de Justiça,
em tempo de paz, ou Tribunal Especial, em tempo de guerra, por
haverem perdido a nacionalidade brasileira; e
✓ que incidirem nos casos que motivarem o julgamento pelo Conselho
de Disciplina e nele forem considerados culpados.
• É da competência do Cmt Ex o ato de exclusão a bem da disciplina.
O excluído receberá o Certificado de Isenção do serviço militar.71
DESERÇÃO – art 128
• Acarreta interrupção do serviço militar, com a consequente
demissão ex officio para o oficial, ou a exclusão do serviço ativo,
para a praça.
• A demissão do oficial ou a exclusão da praça com estabilidade
assegurada processar-se-á após 1 ano de agregação, se não
houver captura ou apresentação voluntária antes desse prazo.
• A praça sem estabilidade assegurada será automaticamente
excluída após oficialmente declarada desertora.
• O militar desertor que for capturado ou que se apresentar
voluntariamente, depois de haver sido demitido ou excluído, será
reincluído no serviço ativo e, a seguir, agregado para se ver
processar. (agregação: delegada aos Cmt RM – Port 727/07)
• A reinclusão em definitivo do militar dependerá de sentença de
Conselho de Justiça. 72
FALECIMENTO E EXTRAVIO – art. 129,130
• O militar que falecer será excluído do serviço ativo e desligado
da OM vinculada.
• O extravio do militar acarreta interrupção do serviço militar, com
o afastamento temporário do serviço ativo, a partir da data em
que o mesmo for oficialmente considerado extraviado. (art. 92)
• A exclusão do serviço ativo será feita 6 meses após a agregação
por motivo de extravio.
• Em caso de naufrágio, sinistro aéreo, catástrofe, calamidade
pública ou outros acidentes oficialmente reconhecidos, o extravio
ou o desaparecimento de militar da ativa será considerado como
falecimento, tão logo sejam esgotados os prazos máximos de
possível sobrevivência ou quando se dêem por encerradas as
providências de salvamento.
73
REABILITAÇÃO – art. 132
• Implica em que sejam cancelados, mediante averbação, os
antecedentes criminais do militar e os registros constantes de
seus assentamentos militares ou alterações, ou substituídos
seus documentos comprobatórios de situação militar pelos
adequados à nova situação.
• A reabilitação do militar será efetuada:
✓ de acordo com o CPM (art. 134, 135) e o CPPM (art. 651 a 658),
se tiver sido condenado, por sentença definitiva, a quaisquer
penas previstas no CPM;
✓ de acordo com a LSM, se tiver sido excluído ou licenciado a bem
da disciplina.

74
TEMPO DE SERVIÇO – art. 134
• Conta-se o tempo de serviço a partir da data de ingresso nas FA.
• Considera-se a data de ingresso:
✓ a do ato de incorporação em uma OM;
✓ a de matrícula como praça especial; e
✓ a do ato de nomeação.
• Na apuração do tempo de serviço militar, será feita distinção
entre:
✓ tempo de efetivo serviço; e
✓ anos de serviço.

75
TEMPO DE SERVIÇO
• Tempo de efetivo serviço é o espaço de tempo computado dia a
dia entre a data de ingresso e a data-limite estabelecida para a
contagem ou a data do desligamento em consequência da exclusão
do serviço ativo, mesmo que tal espaço de tempo seja parcelado.
• Anos de serviço é a expressão que designa o tempo de efetivo
serviço com os seguintes acréscimos:
✓ tempo de serviço público prestado pelo militar antes do seu ingresso nas
FA (considera-se também o tempo na iniciativa privada);
✓ tempo de serviço computável durante o período matriculado como
aluno de órgão de formação da reserva;
✓ 1/3 para cada período consecutivo ou não de 2 anos de efetivo
serviço passados pelo militar nas Gu Especiais de Categoria “A”.
• Os acréscimos dos anos de serviço serão computados somente no
momento da passagem do militar à situação de inatividade e para
esse fim. 76
CASAMENTO – art 144 (Lei nº 12.705/12)
• O militar da ativa pode contrair matrimônio, conforme o CC/2002.
• Os Aspirantes a Oficial não podem contrair matrimônio, salvo em
casos excepcionais, a critério do Cmt da Força.
• É vedado o casamento às praças especiais, com qualquer idade,
enquanto estiverem sujeitas aos regulamentos dos órgãos de
formação de oficiais e de graduados, cujos requisitos para
admissão exijam a condição de solteiro.
• O casamento com mulher estrangeira somente poderá ser
realizado após a autorização do Cmt da Força.
• As praças especiais que contraírem matrimônio serão excluídas
do serviço ativo, sem direito a qualquer remuneração ou
indenização.
77
RECOMPENSAS E DISPENSAS DO SERVIÇO – art.146
• São recompensas:
✓ os prêmios de Honra ao Mérito; (Ex: Portaria nº 3.048/99 – MD)
✓ as condecorações por serviços prestados na paz e na guerra;
✓ os elogios, louvores e referências elogiosas; e
✓ as dispensas de serviço.
• As dispensas de serviço podem ser concedidas aos militares:
✓ como recompensa;
✓ para desconto em férias; e
✓ em decorrência de prescrição médica.
• As dispensas de serviço serão concedidas com a remuneração
integral e computadas como tempo de efetivo serviço.
78
EXERCÍCIOS

1. No ano de 1988 o STen OTAVIO AUGUSTO foi aprovado no


concurso da EsSA, sendo matriculado naquele Estabelecimento
de Ensino em fevereiro do ano seguinte. Considerando que o
referido militar trabalhou por 3 anos na iniciativa privada,
contribuindo nesse período para o INSS, tempo de serviço já
averbados pela Administração Militar e a primeira Licença
Especial (LE) não foi gozada por ele, qual o mês e ano em que
o subtenente poderá ingressar na reserva remunerada a
pedido?

79
EXERCÍCIOS

1. RESPOSTA
O militar em questão somente poderá ingressar na reserva
remunerada ao completar 30 anos de serviço. Ele completa
esse tempo de efetivo serviço em 2019, pois são 30 anos a
partir da matrícula na EsSA (fevereiro de 1989, data de ingresso
nas FA), porém possui dois acréscimos: os 3 anos de iniciativa
privada e 1 ano referente aos 6 meses de LE que são
computados em dobro para a passagem para a inatividade.
Logo, se reduz 4 anos nos seus anos de serviço. Desta forma, o
militar poderá ingressar na reserva remunerada a pedido em
fevereiro de 2015.

80
EXERCÍCIOS

2. Em março de 2013, o 1º Sgt SILENTE, militar com 15


(quinze) anos de serviço, praticou um crime de roubo, tipificado
no art. 157 do Código Penal, tendo sido condenado a uma pena
de 4 (quatro) anos de reclusão. Com base nessa situação
hipotética responda às seguintes perguntas:
a) O que acontecerá com o militar, tendo em vista a sua
condenação na Justiça Comum? Dê o amparo legal.
b) Qual a autoridade competente para efetivar o ato da pergunta
anterior? Dê o amparo legal.

81
EXERCÍCIOS

2. RESPOSTAS

a) O 1º Sgt SILENTE será “excluído a bem da disciplina”,


segundo o prescrito no art. 125, I, Lei 6.880/80. A praça com
estabilidade assegurada será excluída a bem da disciplina
quando for condenada, em sentença transitada em julgado, à
pena restritiva de liberdade individual superior a 2 (dois) anos.

b) O Comandante do Exército, nos termos do art. 126, caput do


Estatuto dos Militares.

82
CONCLUSÃO
O estudo do Estatuto dos Militares é de suma importância na
formação do futuro oficial do Exército Brasileiro. A profissão militar
caracteriza-se por exigir do indivíduo inúmeros sacrifícios, inclusive o da
própria vida em benefício da Pátria, logo, essa peculiaridade nos conduz a
valorizar certos princípios imprescindíveis, tais como valores, deveres e ética
militares, conceitos indissociáveis, convergentes e que se complementam
para a obtenção de objetivos individuais e institucionais.

A carreira militar não é uma atividade inespecífica e descartável, um


simples emprego, uma ocupação, mas um ofício absorvente e exclusivista,
que nos condiciona e autolimita até o fim. Ela não nos exige as horas de
trabalho da lei, mas todas as horas da vida, nos impondo também nossos
destinos. Nesse sentido, a farda não é uma veste, que se despe com
facilidade e até com indiferença, mas uma outra pele, que adere à própria
alma, irreversivelmente para sempre.
83

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