INCERTEZA NA MEDIÇÃO DE VAZÃO: UMA TÉCNICA SIMPLES, MAS PODEROSA, PARA AUMENTAR A PRODUTIVIDADE, MINIMIZAR DESPERDÍCIOS E REDUZIR VAZAMENTOS

PARA O MEIO AMBIENTE UNCERTAINTY IN THE MEASUREMENT OF THE FLOWRATE: A SIMPLE TECHNIQUE, HOWEVER POWERFUL, TO INCREASE THE PRODUCTIVITY, MINIMIZE LOSSES AND REDUCE SPILLS TO THE ENVIRONMENT INCERTIDUMBRE EN LA MEDICIÓN DE FLUJO: UNA TÉCNICA SIMPLE, PERO PODEROSA, PARA AUMENTAR LA PRODUTIVIDAD, MINIMIZAR DESPERDICIOS Y SALIDEROS

Claudio Barreiros da Costa e Silva1

RESUMO
Se todas as inter-relações do universo com um sistema de medição fossem conhecidas, os seus resultados poderiam ser previstos. Toda causa produz efeitos, nem sempre identificáveis, atribuídos ao acaso. Por menor que seja uma causa, um efeito desastroso pode ser provocado por ela. Tornar-se fundamental identificarem-se as possíveis causas que contribuem para aumentar a variabilidade (efeito) de um sistema de medição.Uma boa estimativa de grandeza deve ser próxima do valor verdadeiro convencional (padrão) e significa que o valor médio (estimativa) das n vazões medidas deve ser próximo deste valor, chamando-se a isto de estimativa não-tendenciosa, ou seja, com erro sistemático mínimo. A estatística variância é usada para se medir a variabilidade de um mensurando aleatório em torno do seu valor esperado (média). Por isso, condicionar-se um medidor ao fornecimento de uma estimativa não-tendenciosa, com pequena variância, significa que os valores das vazões medidas tendem a estar próximos da média, no caso de uma estimativa não-tendenciosa, próximos do valor verdadeiro convencional. São mostrados os procedimentos para o cálculo de incertezas dos medidores de vazões de óleo, aprovado pela ANP, onde são considerados os valores do BS&W e o encolhimento de petróleo.

ABSTRACT
If all the inter-relations of the universe with a system of measurement were known, the results could be estimated. But as this is not the case, every cause that interacts with a measurement system, producing an effected that can be observed, even if this effect cannot be estimated a priori, this is attributed to a consequence of randomness. Even for a small cause, the effect caused may be disastrous, and therefore it is of capital importance to identify the possible causes that contribute to an increase in the variability (effect) of a measurement system. A good estimate of the flowrate is to be close to the conventional true value (standard) and means that the average value (estimate) of the n flowrates measured is to be close to this value, and this is called an estimate without a trend, that is, with a minimum systematic error. The statistical variance is used to measure the variability of a random variable around its expected value (average). Because of that, to condition a meter to supply an estimate that shows no trend, with a small variance, means that the values for the measured flowrates tend to be close to the average, which in the case of an estimate that shows no trend is close to the conventional true value. Here are shown the procedures for the calculation of the uncertainties of the oil flow meters, approved by the ANP, where the uncertainties are considered in the determination of the BS&W and in the shrinking of the petroleum. Tecnologia de Elevação, Escoamento e Processamento, P&D de Produção, Centro de Pesquisas (Cenpes) e-mail:costa@cenpes.petrobras.com.br
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Bol. téc. Petrobras, Rio de Janeiro, 47 (2/4): 202 - 232, abr./dez. 2004

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RESUMEN
Si todas las interrelaciones del universo con un sistema de medición fuesen conocidas, sus resultados podrían ser previstos. Pero como esto no sucede, toda la causa que interactúa con un sistema de medición, produciendo un efecto observable, incluso no pudiéndose prever a priori este efecto, este es atribuido al acaso. Por menor que sea una causa, un efecto desastroso puede ser provocado, de ahí que se torna fundamental el identificar las posibles causas que contribuyen a aumentar la variabilidad (efecto) de un sistema de medición. Una buena estimación de flujo debe ser próxima al valor verdadero convencional (estándar) y significa que el valor medio (estimación) de los n flujos medidos debe ser próximo a este valor, llamándose a esto estimativa no-tendenciosa, o sea, con error sistemático mínimo. La estadística varianza es usada para medir una variable aleatoria en torno de su valor esperado (media). Por eso, condicionar un medidor al suministro de una estimación no-tendenciosa, con pequeña varianza, significa que los valores de los flujos medidos tienden a estar próximos de la media, lo que, en el caso de una estimación notendenciosa, significa estar próximos del valor verdadero convencional. Son mostrados aquí, los procedimientos para el cálculo de incertidumbres de los medidores de flujos de petróleo, aprobado por la ANP, donde son consideradas las incertidumbres en la determinación del BS&W y en el encogimiento de petróleo.

1.

INTRODUÇÃO

Se todas as inter-relações do universo com um sistema de medição fossem conhecidas, os seus resultados poderiam ser previstos. Mas como tal processo não acontece, produz-se um efeito observável, que não é possível ser previsto a priori, e isso é atribuído ao acaso. Por menor que seja uma causa, ela pode provocar um efeito desastroso; sendo assim, é fundamental identificarem-se as possíveis causas que possam contribuir para o aumento da variabilidade (efeito) de um sistema de medição. Uma boa estimativa da vazão deve ser próxima do valor verdadeiro convencional (padrão) e significa que o valor médio (estimativa) das n vazões medidas seja próximo do valor verdadeiro convencional. O nome da estimativa é “não-tendenciosa”, o que denota um erro sistemático mínimo. É desejável que uma estimativa não seja tendenciosa, entretanto haverá situações em que se pode preferir que ela o seja. Por exemplo, um medidor do tipo turbina é feito por vários fabricantes, os quais possuem diversas tecnologias e arranjos na tubulação. Como as tecnologias são distintas, as respostas dos medidores, quando submetidos às mesmas condições operacionais, serão outras, já que as causas desconhecidas, impactarão de forma diferente as turbinas. No caso de n valores de vazões medidas por cada turbina, as mesmas terão variabilidades diferentes. A estatística variância é usada para medir a variabilidade de uma grandeza aleatória (vazão) em torno do seu valor esperado (média). Por isso, condicionar que um medidor forneça uma estimativa de vazão nãotendenciosa, com variância pequena, significa que os valores das vazões medidas tendem a estar próximos da média o que, no caso de uma estimativa não-tendenciosa, próximos do valor verdadeiro convencional. Assim, se Xa e Xb forem duas estimativas não-tendenciosas de Xp, cuja função de distribuição de probabilidade (fdp) está mostrada na figura 1, a pergunta que se faz é: qual dos dois medidores seria escolhido? A resposta será: o que apresenta a menor variabilidade, ou seja, o medidor A, porque os valores medidos por A estarão mais próximos do valor verdadeiro do que os medidos por B.

A

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FDP

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B

Xa = Xb = Xp
Fig. 1 - Exemplo de distribuição dos valores medidos, de dois medidores hipotéticos A e B. Fig 1 - Example of distribution of the values measured in two hypothetical meters A and B.

Vazão

Para se ter um medidor que faça uma boa estimativa de vazão é fundamental a sua calibração. Esta é definida como um conjunto de operações que estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento de medição ou sistema de medição, ou valores representados por uma medida materializada ou material de referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões. O resultado de uma calibração permite verificar o erro sistemático apresentado pelo sistema de medição e, com isso, estabelecerem-se as correções a serem aplicadas. Uma calibração pode, também, determinar o efeito de uma grandeza de influência sobre o sistema de medição. Através desse processo podese estabelecer a variabilidade (desvio-padrão) do medidor em teste e estimar os erros sistemáticos. Feito isso, a próxima fase é ajustá-lo, através de soma ou subtração no valor medido. Para quantificar o intervalo no qual os valores medidos se dispersam (incerteza) em torno da média, sendo esta média não-tendenciosa, é necessário que se conheça tanto o desvio-padrão experimental quanto o nível de confiança. Este trabalho vai ao encontro do vazio existente na determinação da estimativa da incerteza na medição de vazão, que apresenta a definição de diferentes parâmetros para esta estimativa. O projeto estabelece procedimentos para a determinação de incerteza dos medidores de turbina, deslocamento positivo, ultra-som e Coriolis, medidores estes aprovados pela ANP. O estudo também apresenta os princípios de diferentes tipos de medidores de vazão de líquido e gás, além dos citados, bem como limitações, critérios de seleção e impacto de fontes de variações no desempenho do medidor. A computação da vazão e dos volumes dos líquidos medidos, particularmente do petróleo, são regulamentados pela ANP através de seu “Regulamento Técnico de Medição de Petróleo e Gás Natural” (Portaria Conjunta ANP / INMETRO nº. 1 de 19.06.2000). Tal resolução mudou compulsoriamente a postura da Petrobras em relação à medição dos fluidos produzidos. Antes da portaria, a medição de vazão na Petrobras não era considerada prioridade, talvez devido a ser a Companhia executora do monopólio estatal de petróleo. A partir do documento da ANP, várias frentes de trabalho foram criadas para adequação dos sistemas de medição de vazão, bem como novas diretrizes de medição de petróleo e gás natural na indústria de petróleo. Dentro deste contexto, todo o conceito de incerteza e a determinação de incerteza de medição de vazão tornou-se fundamental. A medição de vazão se dá através de um sistema de medição que envolve vários componentes tais como o medidor em si, outros instrumentos auxiliares, acessórios (como filtros, trechos retos, tomadas de teste etc), métodos de computação da vazão (computadores de vazão, normas seguidas, condições de referência, compensação de pressão e temperatura etc), facilidades para calibração, além dos procedimentos de operação e manutenção. De modo geral, as medições de vazão de óleo abrangem as seguintes áreas, dependendo dos seus níveis de incerteza requeridos: Gerenciamento de Reservatório: o processo de recuperação de óleo pode ser otimizado, a longo prazo, por meio da monitoração contínua das vazões de cada poço. Uma possível incerteza da monitoração, utilizando Bol. téc. Petrobras, Rio de Janeiro, 47 (2/4): 202 - 232, abr./dez. 2004
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A incerteza padrão tipo A é determinada pela análise estatística de uma série de observações e a do tipo B é um método de avaliação sem ser por análise estatística. Bol. As informações podem incluir especificações de fabricantes. uma vez que. para propósitos de controle. O processo compreende diversos componentes. Petrobras. Determinação da Incerteza Tipo B Para uma estimativa xi de uma grandeza de entrada X. b) triangular. ∑i=1i=n (xi – xm)2 Com o desvio-padrão. pode levar o nível de incerteza a 10% ou mais. posterior processamento dos dados etc). O multiplicador é função do tipo de distribuição usada para a determinação da incerteza. Os limites estabelecidos para as incertezas encontram-se na portaria conjunta ANP / INMETRO. téc. 47 (2/4): 202 . e se suas incertezas são dadas como um múltiplo do desvio-padrão. Controle de Processo: quando há gas-lift ou injeção de vapor no processo de produção. dados de calibrações e outros certificados. cada poço sendo testado uma vez por mês. Rio de Janeiro. Se o valor estimado xi é fornecido por certificados de calibrações.2. 2004 205 . como por exemplo especificação de catálogo. a incerteza-padrão pode ser determinada dividindo-se o valor especificado pelo multiplicador. A média de uma amostra é estimada a partir da equação (1): xm = (1/n) . Medição Fiscal: é onde os mais baixos níveis de incerteza são requeridos. As distribuições consideradas são: a) distribuição normal. a estimativa da variância u2(xi) ou da incerteza-padrão u(xi) é avaliada por vários tipos de julgamento. a incerteza tipo A é determinada da seguinte forma (equação 3): uA = s/n1/2 (3) (2) (1) 2. 2. certificados de calibrações etc.232.métodos convencionais (separador de teste. a tendência das variáveis é mais importante do que seus valores instantâneos.1. definição esta em função dos métodos usados para estimar os seus valores numéricos. é necessário que se conheça a eficiência do processo. Transferência de Custódia: a produção de um campo de óleo pode ser misturada à produção de outro envolvendo diferentes operadoras. que não é obtida de uma série de observações. e c) uniforme (retangular). handbooks ou por outras fontes quaisquer. a incerteza esperada na medição de vazão é acordada entre as partes envolvidas. Aqui a incerteza esperada na medição de vazão também é de 5% do valor medido. que podem ser agrupados nas incertezas dos tipos A e B. 2. handbooks. abr./dez. usandose todas as informações relevantes das fontes de variabilidades de Xi. incertezas de handbooks etc. DETERMINAÇÃO DA INCERTEZA EM MEDIÇÃO DE VAZÃO A incerteza de medição é um parâmetro associado com o resultado de uma medição. Determinação da Incerteza Tipo A A incerteza do tipo A é determinada através do desvio-padrão de uma amostra de tamanho n. que caracteriza a dispersão cujo valor poderia razoavelmente ser atribuído ao mensurando (valor verdadeiro convencional). ∑i=1i=n xi O desvio-padrão experimental é assim calculado (equação 2): s = (1/(n-1)) .

o fator multiplicador do desvio-padrão é função do nível de confiança ou da probabilidade adotada.2 0. 95. como demonstrado na figura 2. 1. Os níveis de confiança podem ser quaisquer um. 99. 95%. (2.96. O valor do nível de confiança normalmente usado é o 95%. A função densidade de probabilidade é sempre igual ou maior que zero e a área sob a curva é unitária. Fig. para x<a.05 0 92 94 96 98 100 102 104 106 108 Valores de Medição (x) Fig.00. 3) em que. A distribuição uniforme pode ser definida como: f(x) = 0. f(x) = (1/b-a). [(-1/2) .µ)/σ)2] (4) 0. abr. 47 (2/4): 202 .1 0. 99%. ((x .3. 2-– Shape of the normal probability density function. 2. Rio de Janeiro.74%. para x≥b. 2. exp. 2. qualquer valor tem a mesma probabilidade de ocorrer.15 0. Distribuição Normal A distribuição normal tem a forma de um sino. A distribuição normal é simétrica em relação à média (µ = 100) da população. que correspondam aos fatores de 1. téc.64.4. Quando a estimativa da incerteza de xi é determinada através de uma distribuição normal. Bol.π)1/2 . 2 . tais como de 90%. para a ≤x<b.3 Função Densidade de Probabilidade (%) 0./dez.58 e 3.25 0. A função tem um máximo no ponto x = µ e dois pontos de inflexões em x = µ ± σ. fora do intervalo a probalidade é zero. Distribuição Uniforme ou Retangular A distribuição uniforme tem uma função densidade de probabilidade (fig.Forma da função de densidade de probabilidade normal. Petrobras. f(x) = 0.232. 2004 206 . dentro de um intervalo a-b.46%.2. A função densidade de probabilidade é dada pela equação (4): f(x) = (1/(σ .

4). 31/2 (7) (6) (5) 2.a)2-4x / (b . f(x) 1/((b-a)/2) a xm b Fig.a)/(2 . 4 – Shape of the triangular probability density function. téc. Fig 3 – Shape of the rectangular probability density function. de ocorrer um fenômeno. A média ou valor esperado da distribuição retangular é dada pela equação (5): xm = (a + b)/2 E a incerteza padronizada por (6): u(xi) = (b . tal função é definida como: f(x) = 0.31/2) Com uma incerteza expandida de (7): U(xi) = (b .232. uma probabilidade mínima. 4 – Forma da função de densidade de probabilidade triangular.a)2. para (b .5. f(x) = 4(b . para x≥b. A média ou valor esperado da distribuição triangular é dada por (8): xm = (a + b)/2 Bol. dentro de um intervalo a-b (fig. 47 (2/4): 202 .a)/2. Distribuição Triangular É uma distribuição onde há.a)2.a)/2 = u(xi) . Rio de Janeiro.f(x) 1/(b-a) a b Fig. para a ≤x < (b ./dez. f(x) = 4x/(b . para x<a. 2004 (8) 207 . f(x) = 0. e no centro máxima.a) / (b . Fig. 3 – Forma da função de densidade de probabilidade retangular. Petrobras. abr.a)/2 ≤x <b. nos extremos.

6.u ( x . Essas derivadas são referidas como coeficientes de sensibilidades e descrevem como o mensurando varia quando as estimativas de entradas (x1. A incerteza combinada. ou seja. 2. a incerteza combinada pode ser determinada da seguinte forma (equação 11): uc2= ∑in (∂f/∂ xi)2 .. Uma pequena variação ∆x na estimativa de entrada (x) produzirá uma variação no mensurando dado pela equação (12): (∆y)i = (∂f/∂xi)(∆xi) (12) (11) Se a variação na estimativa de entrada xi é gerada pela incerteza padrão (A e / ou B). uc(m)..u ( xi . é obtida dispondo-se as incertezas de cada grandeza de entrada xi.8. as quais podem ser dos tipos A e B. Rio de Janeiro.E a incerteza padrão por (9): Com uma incerteza expandida de (10): u(xi) = (b . xj ) i j i i=n j =n i =1 j =1 n = ∑in (∂f/∂ xi)2 . 47 (2/4): 202 . . u(xi) = incerteza padrão. Grandezas Não-correlacionadas Quando as grandezas de entradas não são correlacionadas.. a sua estimativa é obtida através de outras grandezas de entrada. Grandezas Correlacionadas Quando as grandezas de entradas são correlacionadas. xj ) Bol. xn). abr. . téc./dez. a correspondente incerteza em y é (equação 13): u(y) = (∂f/∂xi)(u(xi)) (13) 2. 61/2) (9) U(xi) = (b . que pode ser dos tipos A e / ou B estimada da grandeza xi.a)/(2. a incerteza combinada pode ser determinada da seguinte forma (equação 14): u c2 = ( 2 ∑ ∑ (∂f / ∂x ).(∂ f / ∂ xj ).. u2(xi) + (14) i = n −1 ∑ ∑ (∂f i =1 j = i + 1 / ∂ xi ).(∂f / ∂x ). Petrobras.. 61/2 (10) 2.. xn) variam de um desvio-padrão.a)/2 = u(xi) . u2(xi) onde: ∂f/∂xi = coeficiente de sensibilidade do mensurando f em relação à grandeza de entrada xi. As quantidades ∂f/∂xj são as derivadas parciais de y = f(x1. x2.7. para o caso de incerteza-padrão do tipo B é igual a 1. Determinação da Incerteza Combinada Quando um mensurando não é medido diretamente. 2004 208 . dependentes entre si.232. x2. mas sim por n outras grandezas de entrada.

Se r > 0 existe correlação direta entre as grandezas de entrada.xj .Coeficiente de correlação para diferentes graus de correlação entre as grandezas de entrada xi e xj. Nela. e o segundo termo. Se xi e xj são independentes. 5 . do lado direito da equação (14) anula-se.xj) = u(xi. variações em uma das grandezas de entrada não implicarão variações na outra. e se r < 0 existe correlação inversa entre as grandezas de entrada. têm-se dois medidores de vazão A e B em paralelo medindo a vazão total de uma determinada tubulação. enquanto valores próximos de zero indicam falta de linearidade.xj) = E[(xi – E(xi)) . No caso de r = -1. téc. O medidor mestre C (padrão) é usado para calibrar os medidores A e B. existe perfeita correlação inversa. O grau de correlação entre xi e xj é caracterizado pelo coeficiente de correlação (equação15): r(xi.Coefficient of correlation for different degrees of correlation between the input magnitudes xi and xj. onde A e B são constantes. Fig. A função Y = AX + B.(xj – E(xj))] = n. Tem-se E(XY) = E(X(AX+B))= AE(X2) + BE(X) Substituindo na equação (15) tem-se: r2 = [E(XY) – E(X)E(Y)]2/(V(X)V(Y)) = { AE(X2) + BE(X) – E(X)[AE(X)] – B]2}2/(V(X)A2V(X)]2) = A2 {E(X2) – [E(X)]2}2/ (A2[V(X)]2) = 1 r = -1 r = +1 r>0 r=0 r=0 r<0 Fig. Bol. Na figura 5 são mostradas todas as situações do coeficiente de correlação. Petrobras. r = -1. abr.xj)= r(xj.xi)) e -1 ≤ r(xi.xj) ≤ +1./dez. Se A>0.xj) = 0. Quando r = +1 significa que existe uma perfeita correlação entre xi e xj. Este é uma medida do grau de linearidade entre as grandezas de entrada. u(xj))1/2 (15) onde: r(xi.∑ xj = é a covariância estimada de xi e xj. Rio de Janeiro. 47 (2/4): 202 . é linear.onde: u(xi. Valores do coeficiente de correlação próximos de +1 ou –1 indicam um alto grau de linearidade. tem-se E(Y) = E(AX+B) = AE(X) + B e V(Y) = V(AX+B) = A2 V(X).∑ xi. r(xi.∑xi. 5 . Um exemplo de grandezas correlacionadas é a situação mostrada na figura 6. se A< 0.xj)/( u(xi).232. r = +1. Visto que Y = AX + B. 2004 209 .

2. uc (19) o fator k é escolhido de acordo com um determinado nível de confiança e com o grau de liberdade da incerteza-padrão combinada. e ESB e ESA são os erros sistemáticos dos medidores A e B. os princípios dos medidores de vazões aprovados pela ANP. Deste modo. Na calibração do medidor A isola-se o medidor B.Exemplo de grandezas (vazão) correlacionadas. todo o escoamento da linha passa por B. Com isto. (FCB / FCA ) = QA + ESB – ESA (18) (17) onde FCB e FCA são os fatores de correção dos medidores A e B.232. O grau de liberdade efetivo de uc é determinado pela equação (20): νef = uc4 /( ∑ u(xi)4 / νi ) (20) 3. também. Para se Bol. todo o escoamento da linha passa por A e pelo medidor C. 47 (2/4): 202 . e com o medidor C. respectivamente. k está situado na faixa de 2 a 3. bem como limitações de suas aplicações. a vazão medida por A é (equação 16): QA = QC . Rio de Janeiro. quais sejam: a turbina.Example of correlated magnitudes (flowrate). FCB = QC + ESB As vazões medidas pelos medidores A e B serão (equação 18): QB = QA . Toda a receita de um campo e da Petrobras vêm do petróleo produzido.A C B Fig. Petrobras. téc. Desta maneira. 6 . o deslocamento positivo. gás e água de um campo. PRINCÍPIOS DE MEDIÇÃO DE VAZÃO Serão apresentados. abr. 2004 210 ./dez. FCA = QC + ESA (16) No caso do medidor B. e esta produção é quantificada por medidores de vazão mássico ou volumétrico e de suas qualidades metrológicas. isola-se o medidor A. Assim. A vazão é uma grandeza fundamental na indústria de petróleo. 6 .9. o ultra-som de cinco feixes e o Coriolis. Pode-se. Incerteza Expandida A incerteza expandida é obtida pela multiplicação da incerteza combinada pelo fator de cobertura (k). Em geral. aqui. identificar a parada de produção de um determinado poço e otimizar a produção de um campo através do balanço de massa do reservatório de petróleo. respectivamente. Fig. ou seja (equação 19): Ut = k . a vazão medida por B correlaciona-se com o mestre da seguinte forma (equação 17): QB = QC . Com a vazão pode-se quantificar toda a produção de petróleo. contudo em algumas aplicações especiais pode sair desta faixa.

e suas diferenças. em uma tubulação. 2004 211 .tAB = 2 d . bem como calibrações periódicas e conservação metrológica. em uma posição (x). e em sentido contrário ao escoamento.Basic arrangement of transducers of ultrasonic meters.V) ∆t = tBA . Será discutido somente o tempo de trânsito. no mesmo sentido e em sentido contrário a esse escoamento. V (C2 . sendo um transmissor / receptor e outro receptor / transmissor. e na figura 7b em sentido contrário. Não existe um medidor que cubra toda a faixa operacional de temperatura. Um é o efeito doppler. porque é o único tipo aprovado pela ANP. no mesmo sentido. vazão.garantir a qualidade da produção tem-se que garantir a qualidade da medição.232. podem ser dados pelas equações (21). Na figura 7a o feixe acústico está no mesmo sentido que o escoamento. a velocidade média de escoamento. TA RB C+V a) RA C-V d TB b) Fig. e isto é feito pelos cuidados despendidos com os medidores de vazão. pressão. que é caracterizado por uma mudança na freqüência quando uma onda acústica interage com um objeto em movimento. O princípio do tempo de trânsito é baseado na diferença de tempo de viagem que um feixe de ultra-som leva para ir de um ponto a outro em um duto. téc. ou seja.V2) (21) (22) (23) Aplicando-se a equação (23) para dois transdutores em uma tubulação (fig. 47 (2/4): 202 . fazendo um ângulo ϕ. perfil de velocidade.1. Rio de Janeiro. O outro método é a diferença no tempo de trânsito de um feixe sônico quando transmitido no seio de um fluido em escoamento. O tempo de trânsito de A para B e de B para A. e sim a determinadas janelas de aplicações. 7 ./dez. acidentes. Ultra-Som Dois métodos básicos são usados para medir a velocidade de fase com o ultra-som.Arranjo básico de transdutores de medidores de ultra-som. um tipo de medidor não é uma panacéia para todas as condições operacionais. (22) e (23): tAB = d / (C+V) tBA = d / (C . 8). cos (ϕ))] . Petrobras. 3. abr. é dada pela equação (24): Vm(x) = [d/(2 . [(1/tAB)– (1/tBA)] (24) Bol. 7 . Fig. ao longo de uma corda. Na figura 7 são mostrados dois pares de sondas acústicas inseridas em um escoamento uniforme com velocidade V.

2004 212 . assim. cos (ϕ))] . Tal regime é caracterizado pelo número de Reynolds. quando o líquido flui através do medidor.2. aprovado pela ANP). A velocidade medida por um medidor de ultra-som é a média ao longo de um caminho acústico. V4. através de uma manivela. (27) 3. Basicamente é um sistema de quatro cilindros arranjados em pares opostos onde os membros de cada par são conectados por uma haste que. V2. as velocidades são diferentes radialmente. Medidor de Deslocamento Positivo A descrição mais geral de um medidor de deslocamento positivo (PD/Positive Displacement) é aquele que mede a quantidade de um fluido que escoa pela separação do fluxo em pacotes ou volumes discretos seguido da contagem desses volumes. abr. Com um medidor de ultra-som multi-feixe (cinco feixes. 8 . Isto é necessário porque a incerteza do medidor de ultra-som de um feixe é maior do que a exigida para medições fiscal e de custódia. Dentro do duto. ela deve ser corrigida por um fator que leve em consideração a velocidade ou o regime de escoamento (laminar. transiente e turbulento). ou seja. Os pistões são montados nos cilindros de forma que. V5) . com ótimas incertezas de medição. as velocidades apresentam um perfil. melhorase a incerteza a um nível menor do que o requerido para medição fiscal. A . téc. porém o que interessa é a velocidade média em toda a seção transversal da tubulação. Fig.B (B’) C Vm tAB A (A’) tBA ϕ Vm d Fig. o cilindro oposto está posicionado para a saída do mesmo. A velocidade média na seção transversal. quando um cilindro está posicionado para a entrada do medidor. Petrobras. K . um movimento alternativo é gerado. K A vazão volumétrica é determinada pela equação (26): Q = V . Vn onde: f é um parâmetro de correção devido ao perfil de velocidade na tubulação. A = [d/(2 .232. É muito visto em bombas de gasolina nos postos de abastecimento. V3. Para se obter a velocidade média na seção transversal. há três tipos que são mais utilizados: Pistão (Reciprocating-Piston): utilizado para baixas vazões. daí. A equação da vazão volumétrica de um medidor de ultra-som de cinco feixes é apresentada na equação (27): Q = f(V1. movimenta o mecanismo contador. o valor do fator de correção vai depender deste número. Rio de Janeiro. ∑15 Wn . 8 . Bol. A . é dada pela equação (25): V = Vm(x) .Simplified arrangement of the transducers of a beam of an ultrasonic meter. dependendo do número de Reynolds. No mercado de líquidos. então. [(1/tAB)– (1/tBA)] (26) (25) Para a medição de transferência de custódia ou fiscal é requerido um medidor de ultra-som multi-feixe./dez.Arranjo simplificado dos transdutores de um feixe de um medidor de ultra-som. 47 (2/4): 202 .

na qual o fluido deixa a câmara de medição./dez. téc. O próprio fluido provoca o movimento dos órgãos internos do aparelho para fazer a medição. Oval): são as engrenagens mais utilizadas. 9 . Petrobras. Na figura 10 são mostradas as fases de medição do tipo palhetas rotativas. 9): são utilizadas para médias / altas vazões. as fases de medição do tipo engrenagens ovais são evidenciadas. ou um contador de proximidade. Há um incontável número de projetos de desenhos de medidores.Um tipo de medidor (palheta rotativa) de deslocamento positivo.232. Quando o líquido flui através do medidor. Existem três fases que ocorrem no processo de medição: a) a fase de entrada. porém os mais aplicados são os do tipo helicoidal (helical) e de lóbulos rotativos ou oval. Seu funcionamento é semelhante ao de uma bomba rotativa tipo palheta. transferindo o líquido da entrada para a saída em sucessivos espaços entre as palhetas. geralmente em bases de carregamento de caminhões-tanques. Nas figuras 10a e 10b são apresentados os momentos de admissão do fluido na câmara. existe o problema de sensibilidade à presença de areia.Positive displacement meter (rotary blade).Palhetas Rotativas (fig. Como há a necessidade de uma selagem entre as palhetas e a carcaça do medidor. Engrenagens. Bol. Na figura 11. e c) a fase de escape. porém sua incerteza é considerada média / boa. Fig. o rotor é forçado a girar. para a realização da contagem do volume conhecido por unidade de tempo. Na figura 10c é exibida a fase de isolamento. Como vantagem apresentam a possibilidade de medir fluidos não perfeitamente limpos. fazendo-os medidores de materiais mais resistentes. e na figura 10d é exposta a fase de escape do fluido. embora alguns projetos de fabricantes tentem minimizar o efeito. o que os torna atraentes para aplicação em óleo cru. onde o rotor em si carrega as palhetas que. onde o fluido é admitido dentro da câmara de medição. 47 (2/4): 202 . Rio de Janeiro. 9 . 2004 213 . Oval (Gear. O movimento das partes internas faz girar algum mecanismo por meio de engrenagens. são livres para deslizar para dentro e para fora de seus encaixes. b) a fase de isolamento. dispostas em pares opostos. abr. Fig.

que é um disco girando em torno de um eixo com uma determinada velocidade angular. b) stage of escape. c) fase de isolamento.Fases de medição do medidor de deslocamento positivo (palhetas rotativas): a) e b) fase de admissão do fluido. 3. m . que uma massa m deslocando-se com uma velocidade relativa Vp. 2004 214 . Fig.Measurement stages of the positive displacement meter (rotary blades): a) and b) stage of fluid feeding. c) stage of isolation. d) stage of escape. 10 .232. c) fase de isolamento./dez. 47 (2/4): 202 . Bol. b) fase de escape. em busca do objetivo final. Fig. 11 . Coriolis O engenheiro e matemático francês Gaspard Coriolis verificou e estabeleceu. Como conseqüência.a) b) c) d) Fig. Petrobras. 12d).Fases de medição do medidor de deslocamento positivo: a) fase de isolamento. 11 . c) stage of isolation. e d) fase de escape. Na figura 12c é apresentada a manifestação da força de Coriolis atuando na bola. o objeto fará uma curva.3. ela não atinge o centro devido à manifestação da força de Coriolis (fig. téc. a massa é submetida a uma força Fc. de acordo com a equação (28): fc = 2 . com uma determinada velocidade linear. abr. (ω X Vp) (28) Para melhor entendimento da manifestação da força de Coriolis deverá ser usada a figura 12. Quando a bola é lançada da periferia para o centro do disco (fig. conhecida atualmente como força de Coriolis. Na figura 12a é mostrada a situação em que uma bola é lançada do centro do disco na direção radial. Rio de Janeiro. a) b) c) Fig. no início do século XIX. 10 . 12b). em relação a um corpo com velocidade angular ω.Measurement stages of the positive displacement meter: a) stage of isolation.

abr. quando do lançamento da bola do centro para a periferia Lançamento da bola do centro para a periferia Lançamento da bola da periferia para o centro a) ω b) ω Fc Vp Fc Vp c) d) Fig. 13 . where the linear velocity and the Coriolis force change direction. Petrobras.Posição final. Os tubos são ativados por forças magnéticas fazendo com que adquiram um movimento de rotação variável em torno do eixo oo’ (fig. Fig. b) bola sendo lançada da periferia para o centro. d) vetores velocidades angular e linear. Quando o fluido passa por dentro dos tubos. por exemplo. 13 . pode-se usar um ou dois tubos sensores em forma de U (fig.Forma do sensor de um medidor Coriolis: a) com um tubo. No caso de se medir a vazão pelo princípio de Coriolis.Shape of the sensor of a Coriolis meter: a) with one tube.232. d) angular and linear velocity vectors. Fig. b) ball being launched from the periphery to the center. c) vetores velocidades angular e linear e o sentido da força de Coriolis. 12 . A força gerada produz uma torção (fig 14) no tubo. 12 . quando a bola atinge a periferia Posição inicial. que é proporcional à vazão mássica em escoamento. c) angular and linear velocity vectors and the direction of the Coriolis force.a) Ball being launched from the center to the periphery of a disk. b) with two tubes. b) com dois tubos. Rio de Janeiro. 13). Fig. 2004 215 . onde a velocidade linear e a força de Coriolis mudaram de sentido. a combinação das velocidades angular e linear dá origem à aceleração de Coriolis. téc.a) Bola sendo lançada do centro para periferia de um disco./dez. Bol. 13). 47 (2/4): 202 .

ω .Deformações do tubo decorrentes das forças de Coriolis. 15). ω . Vo . integrando o momento angular ao longo de todo o tubo devido à aceleração de Coriolis pode ser dado pela equação (31): ι = 4 . o momento angular por unidade de comprimento em relação ao eixo oo’ pode ser dado pela equação (29): ∆ι = Fc1 . r1 + Fc2 ./dez. O momento angular resistente é dado pela equação (32): ιr = Km . dm/dt .232. Com a passagem de fluido através do tubo sensor. as duas tensões (fig. Bol. Quando não existe fluido passando pelo sensor.000001 rd). 2004 216 . usam-se dois tubos para aumentar a sensibilidade do medidor. r (30) (29) Lembrando que o produto (m. 14 . 14 . m . ω . e substituindo a equação (28) na (29) vem (equação 30): ∆ι = 4 . téc. 47 (2/4): 202 . Normalmente. r2 como r1=r2=r. chega-se à equação (33) para a vazão mássica: dm/dt = Km . já que o ângulo de torção é muito pequeno (da ordem de 0. Esta diferença de fase é o próprio ângulo θ. r) (33) (32) O ângulo θ é determinado por dois pick-ups colocados lateralmente ao tubo sensor.Fig.Strains in the tube as a consequence of the Coriolis forces. Vo . 15) induzidas nos dois pick-ups são senoidais e em fase no tempo.Vo) é igual à massa por unidade de tempo. De acordo com a figura 14. os sinais de tensão gerados ficam fora de fase (fig. Petrobras. θ Igualando-se as equações (31) e (32). abr. Rio de Janeiro. θ/(4 . Fig. r (31) O ângulo de deflexão (θ) devido ao momento é determinado pela constante de mola do tubo.

Rio de Janeiro.Determinação do ângulo θ. Na figura 16 tem-se um modelo do tubo. ou seja (equação 34): ∑Fi = ma onde: a = d2x/dt2 = é a aceleração adquirida pelo corpo. 16 . Bol.Sistema massa-mola com um grau de liberdade. Fig. uma mola com constante k. 15 . é necessário converter a vazão mássica medida pela volumétrica. que é considerado um sistema com um grau de liberdade. 47 (2/4): 202 . A mola e o amortecedor estão entre o corpo e fixo a uma parede. Fig. A constante da mola k é definida como a relação entre uma força atuando em uma mola e a variação de comprimento da mesma. 16 . A força de amortecimento atua sobre o corpo em sentido contrário ao seu movimento. e o seu valor é –c dx/dt. um amortecedor com coeficiente de amortecimento c e uma força F variável aplicada ao corpo. Para se obter a equação do movimento oscilatório. k F(t) m c Fig. Como é uma exigência da portaria conjunta ANP / INMETRO que as vazões sejam volumétricas.Fig. 2004 217 (34) . através da massa específica do fluido. constituído de um corpo com massa m. O medidor de Coriolis determina também a massa específica do fluido em escoamento.Determination of the angle θ by the measurement of the lag on the stresses induced in the pick-offs. pela medida do defasamento das tensões induzidas nos pick-off. aplica-se a segunda lei de Newton.Mass-spring system with one degree of freedom. que é proporcional à velocidade. Petrobras./dez. 15 . abr. téc.232. O medidor é um tubo vibrante e a massa específica é medida correlacionando-se a massa total (massa do tubo + fluido) com a freqüência natural de vibração deste tubo.

d2x/dt2 + kx = 0 (36) Resolvendo a equação (36). 17 . Fig. Sabendo-se que a massa (ml) de líquido é igual à sua densidade (ρl) multiplicada pelo volume interno do tubo sensor (Voll). sendo inclusive padrão de medição em áreas como o Mar do Norte. 47 (2/4): 202 . se desenvolve na ausência de forças externas.Exploded view of a typical turbine.r)]/{[km/(ω2. abr. téc. Quando a freqüência de excitação se iguala à freqüência natural. Na ressonância. Voll)] . Ele foi desenvolvido inicialmente para uso militar e depois utilizado em diâmetros muito pequenos (abaixo de 2”). tem-se a equação (35): m .ω.Vista explodida de uma turbina típica.232. chega-se assim à densidade da mistura (equação 39): ρl = [km / (ω2 .Aplicando-se a equação (34) ao sistema da figura 16. Rio de Janeiro. d2x/dt2 + c dx/dt + kx = F ejwt (35) Desprezando as forças viscosas (c dx/dt) e considerando-se que a vibração é livre. o sistema entrou em ressonância./dez.4. 17 . Para se medir a densidade de líquido. Fig. a freqüência angular natural de oscilação é dada pela equação (38): ω =(km/(mt + ml))1/2 (38) A densidade é determinada conhecendo-se os volumes da parede do tubo sensor e seu respectivo volume interno (volume ocupado pelo líquido). O uso de turbinas para óleo cru data de 1950 / 60 e hoje são considerados instrumentos de baixas incertezas. 2004 218 . Bol. em medição de vazão de combustíveis de foguetes e aviões. Medidor Tipo Turbina O medidor tipo turbina (fig. a freqüência angular natural do movimento livre e sem amortecimento é igual a (equação 37): ω =(k/m)1/2 (37) Para se determinar a densidade do corpo. o sensor de um medidor Coriolis é excitado com a mesma freqüência natural do sistema formado pela massa do tubo mais a massa de líquido que escoa no mesmo.Voll)]-mt/Voll} (40) (39) 3. Petrobras.θ/(4. ou seja.mt / Voll A vazão volumétrica é dada pela equação (40): Q = (dm/dt)/ρl=[Km. 17) é considerado um dos mais versáteis tipos de medidores de alta faixa de operação e com baixas incertezas de medição disponíveis no mercado. excita-se o conjunto massa-mola com a mesma freqüência natural de oscilação do sistema. a equação (35) do movimento transforma-se na equação (36): m .

2004 219 . O diferencial do torque é dado pela equação (41): dT = ρ . abr. O espaçamento entre as pás e a parede interna do tubo do medidor é mínimo. provocando uma variação na quantidade de movimento e produzindo forças tanto tangentes quanto axiais. Normalmente o medidor é dotado de um transdutor que sente a passagem de cada pá e gera um pulso de tensão ou corrente elétrica.v1 .dr. a pá não contribua para o torque resultante. o parâmetro de maior influência no perfil de velocidade é a viscosidade do fluido. Petrobras. Na figura 18 é apresentada uma turbina típica para líquido. e que. O sentido da velocidade do fluido ao se chocar com as pás da turbina é alterado. As pás podem ser retas ou num formato geralmente helicoidal. Em casos de líquidos com alta viscosidade. é proporcional à velocidade média axial do fluido. 3. O material da ponta de cada pá altera o campo magnético sentido pela bobina.O principio de medição se baseia num rotor dotado de múltiplas palhetas ou pás. Bol.∆u (41) onde: dr é o espaço anular. Com isso a palheta ou pá adquire uma determinada velocidade angular que. Outra abordagem é dada pela teoria do aerofólio onde cada pá é tratada como uma entidade independente. As forças tangentes vão gerar um torque que provocará a rotação da pá em torno de um eixo. Rio de Janeiro.232. pode acontecer do ângulo de incidência na pá ser negativo em direção à ponta da mesma.2πr. r o raio. montado em mancais e com livre movimento de rotação./dez. Assumindo-se que as condições de escoamento são boas na entrada do medidor. téc. Características (Medidor Turbina) Na figura 19 é apresentada a curva característica de uma turbina de medição. e o momento final é obtido pelas forças de atrito nas pás. v1 é a velocidade axial de entrada e ∆u é a variação na velocidade tangencial do fluido na saída do medidor.5. Fig. dentro da região linear do medidor. Em outras palavras. Fig. Ele é girado pela energia cinética do fluido que escoa através da turbina.Típico medidor do tipo turbina (vista expandida e montagem dos internos) (Fonte: Brooks e NEL). 47 (2/4): 202 . o perfil de velocidade ao longo da pá da turbina é tal que o ângulo de “ataque” ou de incidência pode variar de modo significativo entre a base e a ponta da pá. nesta região. 18 -Turbine type meter (exploded view and assembly of internal parts) (Source: Brooks and NEL).r. 18 .

que contêm várias unidades em paralelo. A faixa de operação das turbinas aumenta com o tamanho nominal das mesmas. que é o parâmetro de calibração da turbina. 19 . se for o caso. 20).5%. Também o efeito de vazamento para trás de fluido que ocorre nos medidores tipo PD está presente nas turbinas. 2004 220 . abr./dez.Characteristic curve of a turbine type meter. A vazão máxima é determinada pela limitação dos mancais ou. Freqüentemente. de forma a cobrir toda a faixa necessária. Nos menores tamanhos pode ser tão baixo como 5 ou 6:1. há Estações de Medições (EMEDs) baseadas em medidores do tipo turbina.Curva característica de um medidor do tipo turbina. Fig. Normalmente. expresso em ciclos por unidade de volume. Em baixas vazões. embora desapareça mais rapidamente assim que a vazão aumenta. daí o fator K (ou coeficiente de vazão) da turbina.25% ou ± 0.232. Nos maiores tamanhos pode chegar a 10 ou 15:1. 47 (2/4): 202 . Sob condições estáveis de escoamento. Cada EMED pode conter ainda um medidor extra para operar em procedimentos de calibração e um outro para reserva dos demais. e a curva característica da turbina se torna mais ou menos horizontal. Embora não haja resistência entre os componentes mecânicos e o transdutor eletrônico (gerador de pulsos). na indústria do petróleo. é necessário um separador de gás antes da turbina para evitar erros de medição provocados pela passagem de bolhas de gás carreados pelo fluido.Fig. pelo efeito de cavitação imediatamente após as pás do rotor (fig. Petrobras. a turbina experimenta o mesmo problema que os medidores de deslocamento positivo: a resistência à rotação do rotor é alta quando comparada com a força disponível que move o fluido. um pequeno movimento de resistência à força está presente devido ao efeito magnético associado à bobina sensora. O objetivo geralmente é a totalização de volume. a linearidade do medidor é da ordem de ± 0. 19 . téc. A colocação de filtros a montante da turbina é sempre recomendada de forma a evitar que partículas sólidas possam emperrar o movimento do rotor. a força motriz do fluido é balanceada pela soma das forças viscosas. Rio de Janeiro. Bol. Dentro do faixa de trabalho.

Example of head loss along a turbine type meter. método inadequado. 47 (2/4): 202 . polarização entre operadores na leitura de um instrumento analógico. Rio de Janeiro. não-conhecimento do processo para definição completa do mensurando. téc. Há um conjunto de razões para essas variações. dentre as quais podem-se incluir as seguintes: 1. Petrobras. incompleta definição do mensurando. são denominados de fontes de variações ou de incerteza. amostragem não-representativa do mensurando. 3. O desgaste de mancais. 20 . causam efeitos catastróficos no desempenho do medidor. 6. 2004 221 . Bol. mas não é possível determiná-las. Variabilidades que contribuem para a incerteza e o fato de que o resultado de uma medição não pode ser caracterizado por um único valor. 2. em condições padrão o volume é corrigido em função da temperatura e pressão. 4./dez. Calibração (Medidor Turbina) Os medidores do tipo turbina. O mensurando é sempre afetado por muitos acontecimentos que ocorrem no universo e fogem ao conhecimento. 20 . O objetivo da calibração da turbina é a obtenção do fator K. inadequado conhecimento das condições ambientais nos procedimentos de medição ou medidas imperfeitas das condições ambientais. DETERMINAÇÃO DE INCERTEZA DE MEDIDORES DE VAZÃO A incerteza de medição reflete a falta de conhecimento completo do valor de um mensurando. abr. requerem calibração periódica realizada através de provadores. Tais efeitos podem inclusive passar despercebidos se não há calibração periódica nos sistemas de medição. mesmo após se atender a todas as fontes de variabilidades. que é obtido pelo número de pulsos totalizados em um determinado intervalo de tempo dividido pelo volume de líquido que passou pelo medidor.Exemplo de perda de carga ao longo de um medidor do tipo turbina. que pode ser depositada nas pás.6. Fig.Fig. 5. principalmente quando utilizados em medição fiscal ou de transferência de custódia. 3.232. assim como a presença de parafina no óleo cru. ou seja: K = F/V (42) onde V é o volume em uma determinada condição operacional. 4. Constata-se que medições feitas aparentemente iguais mostram variações.

em alguns casos. QTP = vazão total (óleo + água) medida em condições operacionais pelo medidor operacional. princípio de medição impróprio. gás livre e encolhimento do óleo. gás dissolvido. Como é uma exigência da ANP que as medições fiscais de óleo e gás estejam disponíveis em condições padronizadas. CPL = fator de correção do volume de óleo. NÃO-CALIBRADO REG. 21 – Possible source of variations to which a flow meter is subjected. Fontes de incertezas podem afetar. para um medidor volumétrico. 21 – Possíveis fontes de variações a que um medidor de vazão está submetido. turbulência etc. abr. devido ao efeito da pressão. téc. Rio de Janeiro. Tais fontes podem ser de causas conhecidas e/ou especiais. são impossíveis de compensar satisfatoriamente. influência externa da instalação. (1 . 1/Bo = fator de encolhimento do óleo. Petrobras. valores inexatos dos padrões de medição e dos materiais de referência (não-calibrado). A medição de vazão de líquido é problemática devido a diversas variabilidades. 2004 222 (43) (44) . u(BS&W) ]2 + [(∂(Qo)/∂(Bo)) . ELET. Na figura 21 são apresentadas as diferentes fontes de incertezas a que um medidor pode estar submetido. BS&W = conteúdo de sedimentos e de água no óleo. o volume de óleo produzido. No caso de um medidor de vazão mássico. em condições padrões. VAR. regime de escoamento. (1/Bo) . u(QTP) ]2 + [(∂(Qo)/∂(BS&W)) . os resultados de um medidor de vazão. Fig. interferência eletromagnética. (CTL) . sinergicamente ou não. (1/Bo) . DE PROPRIEDADE ACIDENTES MEDIDOR M.BS&W) . a sua compensação nunca é total. PULSANTE SÓLIDOS E GASES Fig. perfil assimétrico de velocidade. (CPL) onde: Qo = vazão de óleo corrigida para as condições padrões. ρTP) . (CPL) A incerteza combinada. 8.232. Para os erros conhecidos (suas fontes). é determinada pela equação (45): u (Qo) = {[(∂(Qo)/∂( QTP)) . sempre persistindo um resíduo de dúvida. DE ESC. é dado pela equação (44): Qo = (MTP /. tais como variações de propriedades. PERFIL DE VELOCIDADE INT. (CTL) .7. o volume de óleo produzido é dado pela equação(43): Qo = QTP . CTL = fator de correção do volume de óleo. ESC. 47 (2/4): 202 . parâmetros. u(Bo) ]2 + [(∂(Qo)/∂(CTP)) . citadas anteriormente. (1 . u(CTP) ]2 }1/2 (45) Bol. devido ao efeito da temperatura. medido em condições operacionais. As fontes de incertezas. vão gerar erros sistemáticos que. No caso de óleo têm-se também a água emulsionada.BS&W) ./dez.

1. 4. u(Bo) = incerteza padrão da curva de ajuste do fator de encolhimento do óleo. compensação de pressão e temperatura etc). que é constituído de vários componentes tais como o medidor em si. u(MTP) ]2 + [(∂(Qo)/∂(BS&W)) . que fazem parte do sistema de medição. trechos retos. Métodos de Calibrações Quanto aos métodos de calibrações. Com a calibração pode-se estabelecer a variabilidade (desvio-padrão) do medidor em teste e os erros sistemáticos. 4. os procedimentos são realizados normalmente com água. u(BS&W) ]2 + [(∂(Qo)/∂(Bo)) . Uma calibração pode também determinar outras propriedades metrológicas como. d) Coriolis. no caso dos medidores de líquido. Petrobras. temperatura e tempo.1. Calibração é um conjunto de operações que estabelece. a incerteza combinada é (equação 46): u (Qo) = {[∂(Qo)/∂( MTP) . a relação entre os valores indicados. É mandatário e uma exigência da ANP que uma curva de calibração tem que ser levantada com os medidores sujeitos aos fluidos reais. 2004 223 . acessórios (como filtros. A curva de ajuste (ou curva característica) é um gráfico no qual é mostrado como este erro varia com a vazão. u(CPT) = incerteza padrão da curva de ajuste do PVT do óleo. u(BS&W) = incerteza padrão do medidor de BS&W. ou com a velocidade ou número de Reynolds. u(MTP) ]2 + {[(∂(Qo)/∂(ρTP)) . Tal processo é feito somando-se o erro com o sinal trocado ao valor lido pelo medidor. sinal de saída analógico ou digital para um computador de vazão (computadores de vazão. b) deslocamento positivo. u(Bo) ]2 + [(∂(Qo)/∂(CTP)) . u(CTP) ]2 }1/2 (46) onde: u(Qm) = incerteza padrão do medidor operacional. O resultado de uma calibração pode ser registrado em um “relatório” ou “certificado de calibração”. com as mesmas condições operacionais ou próximas (definidas na portaria conjunta ANP/ INMETRO). 47 (2/4): 202 . do sistema transmissor de sinal e do computador de vazão. Esses medidores são: a) turbina. Com o desvio-padrão experimental estabelecido. Rio de Janeiro. Bol. condições de referência. Este resultado permite tanto o estabelecimento dos valores do mensurando para as indicações como a determinação das correções a serem aplicadas. esta incerteza vai depender do tipo de medidor usado.1. Com o erro sistemático estabelecido. Com todos esses componentes. no caso dos medidores de gás. os seguintes padrões são definidos: Padrão primário . e com ar. normas seguidas. sob condições especificadas (condições de repetitividade). Devido à impossibilidade dos laboratórios em recriar essas condições.232. Determinação da Incerteza dos Medidores de Vazões A materialização da medida de vazão é obtida através de um sistema de medição. a incerteza do sistema de medição é a combinação da incerteza do medidor.a vazão de referência é determinada por medições de dados básicos tais como massa. Para levantamento da incerteza de um medidor de vazão é necessária a sua calibração. c) ultra-som. abr. por exemplo. é designado ou amplamente reconhecido como tendo as mais altas qualidades metrológicas e cujo valor é aceito sem referência a outros padrões de mesma grandeza. No caso estudado será determinada somente a incerteza dos medidores de vazões aprovados pela ANP para medição fiscal. minimiza-se o mesmo através de curvas de ajustes de correções. Estes são indicados por um instrumento ou sistema de medição ou valores representados por uma medida de referência e os valores correspondentes das grandezas estabelecidas por padrões./dez.Para um medidor de vazão mássico. comprimento. outros instrumentos auxiliares. determina-se a incerteza do medidor em calibração. téc. o efeito de determinadas grandezas no erro sistemático. tomadas de teste etc). a incerteza também depende do medidor.

Os estados das válvulas mostram que a turbina do ramal A está simplesmente medindo a vazão. medidores mestres ou outro sistema. Petrobras. e quando a mesma passa pelo segundo ponto. a válvula de quatro vias do calibrador permite que a esfera se desloque nos dois sentidos do tubo de medição. Na calibração. Os instrumentos e os sistemas de medição. Dentro do tubo encontra-se uma esfera ou um êmbolo que é movido pelo escoamento do fluido a ser medido./dez. Ele é estabelecido por comparação a um padrão primário da mesma grandeza.9 e 6. é o fator K do medidor. quando houver.8. desde que se tenha disponível os dados de calibração. Rio de Janeiro.4 do regulamento) e para arqueação de tanques de medição e calibração de sistemas de medição de nível (item 6. Intervalos maiores podem ser aprovados pela ANP com base no registro histórico das calibrações. a totalização deles. um contador de pulsos é acionado. téc. 2004 224 . que é colocado em série com o medidor a ser calibrado. deslocamento positivo e ultra-som. alternadamente O Regulamento de Medição da ANP / Inmetro estabelece os procedimentos para calibração de medidores em linha (item 5. A turbina do ramal C está em reserva das demais. O volume deslocado entre os dois pontos é conhecido com uma incerteza rastreada. Na figura 22 é mostrado um sistema de calibração baseado em um provador onde três turbinas podem ser testadas no calibrador bidirecional de forma quase contínua. Fig. 22 – Sistema de calibração com Provador. medidor Coriolis. No caso de medidor que utilize pulsos de saída. Neste tubo há dois detectores de proximidade posicionados ao longo deste. A seguir serão mostrados os procedimentos para determinação da incerteza dos medidores dos tipos turbinas. 22 – Calibration system with test probe. Tanque de calibração . 47 (2/4): 202 .o fluxo que passa pelo medidor operacional é direcionado para um vaso de volume conhecido (com razoável incerteza). Para a calibração desses medidores podem ser utilizados calibradores em linha de deslocamento mecânico. Provador (Prover) ou Calibrador em linha de deslocamento mecânico – consiste em um tubo de medição de diâmetro interno calibrado. ou for comprovada rastreabilidade aos padrões do Inmetro. enquanto que a do ramal B está medindo e sendo testada ao mesmo tempo. 5. os usados na Petrobras.232. previamente aprovado pela ANP. devem ser submetidos ao controle metrológico do Inmetro. tanques de calibração. bem como as medidas materializadas utilizadas. dividida pelo volume de referência. Fig.a vazão de referência é determinada utilizando-se um outro medidor que foi calibrado por um método de padrão primário. a contagem é interrompida. Os medidores fiscais da produção de petróleo em linha devem ser calibrados com um intervalo de no máximo 60 dias entre calibrações sucessivas. o medidor operacional é comparado com um padrão secundário. e mais comuns. são: Medidor mestre ou Master – um medidor instalado em série e do mesmo tipo do medidor a ser calibrado (o medidor Master deve ser calibrado ou rastreado em um laboratório de metrologia). Cada usuário adota seu procedimento. Bol. Quando a esfera passa no primeiro ponto.Padrão secundário .2 do regulamento citado). abr.

V3. Medidor do Tipo Deslocamento Positivo A equação para determinação da vazão volumétrica do medidor de deslocamento positivo é similar à da turbina./dez. ou seja (equação 52): QTP = F/K (52) Bol. K . a equação para se saber a vazão volumétrica é (equação 50): Q5 = f(V1. u(tAB)]2 + [(∂(Q1)/∂(cos (ϕ)) . u(K) ]2 + [(∂(Q1)/∂(d)) . O fator K é estabelecido através de calibração e a sua incerteza é função do padrão utilizado. u(d)]2 + [(∂(Q1)/∂(tAB)) . (48) 4. u(tAB)]2 + [(∂(Q1)/∂(cos (ϕ)) . A . A incerteza combinada do medidor de ultra-som de um e cinco feixes é determinada pelas equações (51a e 51b): uQ1 = ([(∂(Q1)/∂(K)) . V5) . 2004 225 . a vazão da turbina é determinada como (equação 47): QTP = F/K (47) Pela equação (47) a determinação da incerteza é feita combinando-se a incerteza do gerador de pulsos e do fator K da turbina. u(cos (ϕ))]2)1/2 (51b) 4. V4. cos (ϕ))] . u(tAB)]2 + [(∂(Q1)/∂(tBA)) . da dos tempos de trânsito. u(cos (ϕ))]2)1/2 (51a) uQ5 = ([(∂(Q1)/∂(K)) .232. Vn (50) (49) A incerteza do medidor de ultra-som de cinco feixes é a combinação das incertezas-padrão da função f.4. u(F) ]2 + [(∂(QTP)/∂(K)) . u(K) ]2 + [(∂(Q1)/∂(f)) . ∂(QTP)/∂( K) = F/K2. abr. V onde: V = [d/(2 . u(f) ]2 + [(∂(Q1)/∂(W)) . A incerteza combinada do medidor de turbina é dada pela equação 48: uQTP = ([(∂(QTP)/∂( F)) . [(1/tAB)– (1/tBA)] No caso de um medidor de cinco feixes. V2. u(d)]2 + [(∂(Q1)/∂(tAB)) . u(tAB)]2 + [(∂(Q1)/∂(tBA)) . u(K)]2)1/2 onde: ∂(QTP)/∂( F) = 1/K. Rio de Janeiro. 47 (2/4): 202 . Medidor do Tipo Turbina Como foi visto anteriormente.2. da distância entre transdutores e da dos pesos atribuídos a cada velocidade medida em cada corda da tubulação.3. u(W) ]2 + [(∂(Q1)/∂(d)) . Petrobras. ∑15 Wn . téc.4. Medidor do Tipo Ultra-som A vazão volumétrica de um medidor de ultra-som monofeixe é mostrada pela equação (49): Q1 = A .

A determinação do BS&W na Petrobras é feita de quatro formas: (a) em laboratório. O fluido retido entre as duas válvulas é drenado para o vaso e. da constante de mola do tubo sensor. é fundamental colher e testar várias amostras para se conseguir uma boa representatividade do produto. segue a mesma rotina de amostragem do caso anterior.θ/(4. já que o volume de água é mais representativo do que o de areia. A medida é feita indiretamente através de alguma propriedade do escoamento. da massa do tubo sensor e é determinada pela equação (55): uQTP = ([(∂(QTP)/∂(ω)) . do volume interno do tubo sensor. u(θ)]2 + [(∂(QTP)/∂(mt)) . A medição do BS&W. A medição do BS&W. como por exemplo a densidade. do ângulo de torção teta. u(K)]2)1/2 onde: ∂(QTP)/∂( F) = 1/K. Determinação da Incerteza dos Medidores de BS&W O petróleo produzido em uma instalação de produção normalmente está associado à água salgada e à areia. Uma alternativa a esse sistema é a medição do peso do vaso para se determinar o BS&W por meio de uma célula de carga. as duas válvulas são fechadas simultaneamente e uma terceira em bypass é aberta para dar continuidade ao escoamento. 47 (2/4): 202 .r)]/{[km/(ω2.5.6. u(F) ]2 + [(∂(QTP)/∂(K)) . (c) diferencial de pressão. separadas por uma determinada distância. Os métodos incluem separação centrífuga e método Karl-Fischer. chegando-se assim ao BS&W. Em operação.232. porém o fluido retido é drenado para um vaso em que é medida a coluna de líquido do mesmo por meio da pressão diferencial. abr. que é função da representatividade do fenômeno. (b) com amostragem e vaso reduzido com visor. Um aspecto a ser ressaltado é o longo tempo de resposta deste método. duas válvulas de fechamento rápido são colocadas no segmento de um duto. téc. Existem diferentes tipos de medidores que são classificados Bol. ∂(QTP)/∂( K) = F/K2. é feita com um medidor instalado em um determinado ponto de uma tubulação. u(Voll)]2 + [(∂(QTP)/∂(Km)) . Como o BS&W instantâneo é diferente do médio. após a decantação.A incerteza do medidor de deslocamento positivo é calculada combinando-se a incerteza do gerador de pulsos e o fator K (equação 53): uQTP = ([(∂(QTP)/∂( F)) . em tempo real.ω. A fração ou percentual de água é denominada Basic Sediment and Water ou BS&W (ou water cut). (53) 4. A medição do BS&W em laboratório é realizada colhendo-se uma pequena amostra do fluido produzido de um determinado poço diretamente na cabeça de produção ou após o separador de teste. d) medição em tempo real.Voll)]-mt/Voll} (54) A incerteza combinada é a relação da incerteza de freqüência angular de oscilação do tubo sensor. u(mt)]2)1/2 (55) 4. As medições das vazões de água e óleo produzidos são fundamentais para o controle da depleção do reservatório e otimização da produção de petróleo e dependem da determinação do BS&W. No método de medição do BS&W por vaso reduzido com visor. Medidor do Tipo Coriolis A equação da vazão volumétrica do medidor Coriolis é a equação 54: QTP = Q = (dm/dt)/ρ = [Km. observa-se a posição da interface de separação do óleo e da água em uma régua graduada./dez. Petrobras. onde escoa somente óleo e água. u(Km)]2 + [(∂(QTP)/∂(θ)) . por pressão diferencial. 2004 226 . Rio de Janeiro. u(ω) ]2 + [(∂(QTP)/∂( Voll)) .

uρo2+ BS&W2 . A homogeneização pode ser conseguida através de acidentes ou com um elemento misturador (mixer) (fig. PRINCÍPIOS DE AMOSTRAGEM EM ESCOAMENTO DE LÍQUIDO Inicialmente define-se a população no sentido estatístico. 24).Amostrador a jusante do misturador. É qualquer conjunto de informações que apresentam uma característica comum. é fundamental que o escoamento seja homogêneo (representatividade) e a amostragem seja isocinética (imparcial). 23) a montante do ponto de amostragem. Os capacitivos e os microondas medem a constante dielétrica do meio. Petrobras. Fig. 2004 227 . Rio de Janeiro. em uma comunidade. tudo o que a população estudada possui qualitativa e quantitativamente e ser imparcial: todos os elementos devem ter igual oportunidade de fazer parte da porção estudada. (57) (56) 5.ρo )/(ρa . uρa2]1/2 onde: uρo. Se uma população for muito grande.de acordo com os seus princípios: a) capacitivo.Sampler downstream the mixer. provavelmente o custo para se estudar uma característica desta população torna-se inviável. No caso de medidor do tipo tubo vibrante.ρo) A incerteza do BS&W é dada pela equação (57): u(BS&W) = [ (1/(( BS&W). c) tubo vibrante. respectivamente. o que se faz é recorrer a uma amostra que constitua uma redução da população a dimensões menores. Uma alternativa ao elemento misturador é a instalação de um “T” cego de tubulação a montante do medidor (fig. enquanto o tubo vibrante mede a densidade da mistura. téc. Bol. uρa = incertezas na determinação das massas específicas do óleo e água.232. No caso de uma amostra colhida de uma tubulação onde escoa uma mistura de óleo e água. b) microondas. 47 (2/4): 202 . Fig. para garantir a representatividade e a imparcialidade da mesma. Então./dez.( uρm2+(1 . uρm = incerteza na determinação da massa específica da mistura pelo tubo vibrante. uma amostra deve conter. abr.BS&W)2. em proporção. o conjunto de todos os pesos constitui uma população de pesos etc. 23 . Por exemplo.(ρo-ρa))). 23 . Para ser boa. sem perda das características essenciais. o conjunto de todas as estaturas constitui uma população de estaturas. o BS&W é calculado pela equação (56): BS&W = (ρ2m .

Vp Vs (a) Amostragem isocinética (Vs = Vp) Vs (b) Amostragem não. b) não-isocinética (Vs > Vp) . fazer a estatística. Este amostrador tem cinco pontos de amostragem ao longo do diâmetro da tubulação. com o objetivo de melhorar a representatividade. Na figura 26 é apresentado o amostrador desenvolvido no Cenpes. coletam-se amostras em diferentes pontos da tubulação. o BS&W médio pontual em um diâmetro da tubulação cresce do topo para a parte inferior da tubulação.isocinética (Vs > Vp) (entrada de óleo preferencial) Vs (c) Amostragem não. 47 (2/4): 202 . Petrobras. 25 – Amostragem de mistura óleo-água: a) isocinética. Isto acontece porque cada estado tem características diferentes. devido ao efeito gravitacional. pois não é homogênea: o BS&W é diferente em cada ponto da seção transversal da tubulação. parabólico etc. caso contrário haverá maior entrada de óleo. A amostragem isocinética ocorre quando as velocidades na linha de amostragem e na linha principal são iguais (fig. 24 – Outra forma de misturar o óleo e a água. téc. 2004 228 ./dez. se o pesquisador colher uma amostra em um determinado estado da federação. abr. Fig. Para que a amostra seja representativa. possivelmente os resultados determinados com esta amostra o levarão a cometer erros.Amostrador 5D FLUXO Fig. mesmo sendo isocinética. Se a velocidade na linha de amostragem for menor haverá maior entrada de água. Como no caso de pesquisa de eleição. os pontos de amostragens ficam na posição vertical. 24 – Another type of oil-water mixture. a partir daí. c) não-isocinética (Vs < Vp). Para minimizar este problema. Se a tubulação estiver na posição horizontal. ela deve levar em consideração todos os estados da federação e. social etc. e este crescimento pode ser linear. Em uma tubulação onde no ponto de amostragem não existe um misturador ou um acidente qualquer. 25). 25 – Sampling of a oil-water mixture: a) iso-kinetic. Rio de Janeiro. tais como cultural. c) non-iso-kinetic (Vs < Vp). Num escoamento de óleo-água em uma tubulação horizontal. Fig.isocinética (Vs < Vp) (entrada de água preferencial) Fig.232. b) non-iso-kinetic Vs > Vp). as amostras colhidas neste ponto possivelmente não serão representativas da população. Bol.

téc./dez.232. Petrobras. 47 (2/4): 202 . Fig. 26 – Manual sampler with five beams. 26 – Amostrador manual de cinco feixes desenvolvido no Cenpes. developed by Cenpes. abr.Fig. Rio de Janeiro. Bol. 2004 229 .

Erro Total (Total Error. Correção de um Resultado: Valor que adicionado a um resultado não-corrigido de uma medição compensa os erros sistemáticos assumidos. geralmente o erro sistemático não pode ser conhecido perfeitamente e a compensação pode não ser perfeita (eliminação do erro sistemático). A correção é igual ao valor negativo do erro sistemático assumido. 47 (2/4): 202 . É a metade da faixa dentro da qual o valor verdadeiro é esperado acontecer a determinada probabilidade ou nível de confiança. O erro normalmente é composto por duas parcelas: erro sistemático e erro aleatório.232.1). É a parcela de erro que está sempre presente nos sistemas de medições sem calibração. como por exemplo o especificado de catálogo. Fator de Correção: É o fator numérico pelo qual o resultado não corrigido de uma medição é multiplicado para compensação de erros sistemáticos assumidos.ANEXO I (TERMOS RELATIVOS A METROLOGIA) ATTACHMENT I (TERMS RELATIVE TO METROLOGY) As incertezas de medidores deverão ser especificadas por termos em conformidade com o The international vocabulary of basic and general terms in metrology editado pela ISO (International Standardisation Organization). 2004 230 . Fator de Cobertura (segurança): Fator numérico usado como multiplicador da incerteza padronizada combinada para obter a incerteza expandida. 1. é a soma dos erros sistemático e aleatório do instrumento. Alguns erros sistemáticos podem ser estimados e compensados aplicando-se uma correção apropriada. Erro Sistemático (Systematic Error): É a diferença entre o valor médio. contudo. handbooks. abr. resultante de um infinito número de medições do mesmo mensurando. Incerteza Tipo A: É o método de avaliação da incerteza-padrão pela análise estatística de uma série de observações. Petrobras. efetuada sob condições de repetitividade. e o valor verdadeiro ou convencional do mensurando (fig. Incerteza Tipo B: Trata-se do método de avaliação da incerteza-padrão por outros métodos. Overall Error): O erro total de um instrumento de medição. Bol. a compensação pode não ser completa. Caso este erro não possa ser perfeitamente conhecido. certificados de calibrações etc. O erro sistemático pode ser conhecido através de calibração e minimizado através de um ajuste no sistema de medição. sob condições específicas de uso./dez.1). Incerteza da Medição (Uncertainty of Measurement): Parâmetro associado ao resultado de uma medição que caracteriza a dispersão dos valores que podem ser fundamentalmente atribuídos a um mensurando. Rio de Janeiro. Erro (Error): O erro é a diferença entre o valor medido e o valor verdadeiro ou convencional do mensurando e é desconhecido – do contrário uma correção poderia ser feita. téc. Erro Aleatório (Randomic Error): Resultado de uma medição menos a média que resultaria em um infinito número de medições do mesmo mensurando efetuadas sob condições de repetitividade (fig. 1.

Exatidão de medição (Accuracy): Grau de concordância entre o resultado de uma medição e um valor verdadeiro do mensurando. normalmente de 95%./dez. Por exemplo. Variabilidade: Dispersão dos resultados que teoricamente deveriam ser iguais. em outra grandeza física mais facilmente mensurável.1 – Definition of systematic and random errors. o operador.1 – Definição de erros sistemático e aleatório. Rio de Janeiro. Transdutor: Um transdutor pode ser considerado como um dispositivo conversor de energia. sem desvio-padrão. Quanto maior a incerteza. O valor máximo é obtido quando é diferente o laboratório. por força de sua origem. os valores das incertezas tem de ser obrigatoriamente cotados com um determinado nível de confiança. Petrobras. 1. Valor Verdadeiro Convencional: Valor que substitui. maior é o nível de confiança no qual o valor verdadeiro se situará. alavancas etc.0018 m3/h com um nível de confiança de 50%. 47 (2/4): 202 . por exemplo. Em medição de vazão. Sua função é transformar uma grandeza física a ser medida. poderá ter a incerteza de ± 0. tem-se a variabilidade com valor mínimo quando apenas o operador é diferente. Deste modo. e que está necessariamente associado a uma incerteza. como por exemplo termopares. É a medida de qualidade que caracteriza a aptidão de um instrumento de medição em dar resposta próxima a um valor verdadeiro.0058 m3/h com um nível de confiança de 95%. Nível de Confiança (Confidence Level): Para um dado grupo de valores medidos (de uma mesma variável). existente numa forma de energia. ou então cujo desvio-padrão pode ser desprezado. téc. 1. é o percentual que estabelece que um determinado subgrupo dos valores acontecerá para uma certa probabilidade. sempre com a mesma amostra ou com o mesmo mensurando. strain gage etc. num sistema de medição a incerteza é de ± 0. como por exemplo termômetro de resistência. abr. Valor Verdadeiro: Idealização ou definição de valor de referência que. é perfeito. 2004 231 . o instrumento e a metodologia. o valor verdadeiro. A variabilidade depende de condições dos fatores do processo e seu valor é mínimo quando apenas um deles for afetado. O passivo tem duas formas de energia como entrada para produzir a saída do transdutor. O transdutor ativo é caracterizado por ter uma entrada e uma saída. Existem dois tipos de transdutores: um ativo e o outro passivo. Fig. cristais piezo-elétricos. Bol.232.Valor médio de uma série de medições Erro aleatório Erro sistemático Valor verdadeiro ou convencional T1 Tempo (t) T2 Fig. para todos os efeitos.

Petrobras. abr. que incluem mesmo método. efetuadas sob condições variadas de medição. após intervalos de tempo que são suficientemente longos quando comparados à duração de uma leitura pontual ou sob diferentes condições de aplicação. Sensibilidade: É a variação do sinal de saída correspondente a uma variação da grandeza ou propriedade a medir./dez. Estas condições são denominadas de condições de repetitividade. 47 (2/4): 202 . material de referência destinado a definir. Bol. por diferentes observadores. Rio de Janeiro. Por exemplo. realizar conservar ou reproduzir uma unidade ou um ou mais valores de uma grandeza para servir como referência. em que os valores medidos ficam dentro da faixa de incerteza estabelecida. Span: Diferença algébrica entre o limite superior e o limite inferior de operação de um instrumento de medição (ex: um termômetro especificado com range de –40 oC + 60 oC tem um span de 100 oC). no mesmo local e com intervalos de tempo entre medições o mais curto possível. com os mesmos instrumentos de medição. Padrão: Medida materializada. em locais diferentes.Variável de Influência (Influence Quantity): Não é objeto da medição mas influencia o valor do mensurando ou a indicação final do instrumento de medição. instrumento ou sistema de medição. 2004 232 . por diferentes métodos. mantendo constantes todas as condições entre medições. téc. pelo mesmo observador. Reprodutibilidade (Reproducibility): Grau de concordância entre os resultados de medições sucessivas de um mesmo mensurando.232. com diferentes instrumentos de medição. Resolução: É a menor variação entre duas leituras de uma grandeza que pode ser indicada / registrada pelo sistema de medição. Padrão Secundário: Padrão cujo valor é estabelecido por comparação a um padrão primário da mesma grandeza. Padrão Primário: Designado ou amplamente reconhecido como tendo as mais altas qualidades metrológicas e cujo valor é aceito sem referência a outros padrões de mesma grandeza. Repetitividade (Repeatability): Grau de concordância entre os resultados de medições sucessivas de um mesmo mensurando. Faixa de Medição: É o intervalo entre o limite inferior e o limite superior de operação de um instrumento de medição.

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