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PUB Quinta-feira • 28 de maio de 2020 • •1

1064
28 maio 2020
Ano 20
quinta-feira
 0.75 iva incluído
Diretor: Luís Baptista-Martins
semanário

Álvaro Amaro, Júlio Sarmento e


Luís Tadeu acusados por causa
de PPP’s com a MRG
O cerco da justiça aperta-se em torno de Álvaro Amaro e Júlio Sarmento. Os históricos dirigentes do PSD e antigos
autarcas são dois dos nove acusados pelo Ministério Público (MP) de envolvimento num esquema fraudulento de
criação de parcerias público-privadas (PPP) com a construtora MRG-Engineering & Solutions, do empresário senense
Fernando Gouveia. Sobre o ex-edil de Trancoso incide também a suspeita de ter recebido «vantagens indevidas no
valor de cerca de 560 mil euros, dissimuladas através de familiares» Pág.5

«Cabe ao PSD dizer


Entrevista Suplemento
«Espero que na Especial 20 anos
Primavera de 2021 de O INTERIOR
possamos estar a

quem é o candidato
Num especial de 16 páginas, O
regressar a uma INTERIOR assinala os 20 anos da
sua publicação. Contamos com a
certa normalidade» opinião da ministra Ana Abrunho-
O neurocientista guardense Rui Cos- sa, do antigo secretário de Estado

na Guarda»
ta está a coordenar na Universidade da Comunicação Social Arons de
da Columbia, em Nova Iorque, as Carvalho, da secretária de Estado
equipas de investigadores que estão da Ação Social, Rita Mendes, e do
a trabalhar para debelar a Covid-19. presidente do Instituto Politécnico
«A vacinação massiva vai demorar. da Guarda, Joaquim Brigas, entre
Mesmo na melhor das hipóteses, só Em entrevista a O INTERIOR, Carlos Chaves outras personalidades.
daqui a 10 a 18 meses» _________ 3 Monteiro, presidente da Câmara da Guarda,
fala dos seus projetos para a cidade e do seu Quinta-feira, 28 de maio de 2020
1

futuro político. O autarca revela, nomeada-


mente, que já «não fala» com Álvaro Amaro
e desconhece os motivos desse «afastamen-
Guarda to». E lamenta ter já experimentado «de
tudo» no seu curto mandato como presi-
Plataforma “Beira
Opinião

dente: «Não sei o que mais poderá aconte- 20 anos podem não ser nada
Nossa” ajuda
No caso dos jornais, é a informação regional
regional acabam por não saber avaliar bem
que sofre, sem poder de atração, sobretudo para A fórmula do jornal que se folheia na esplanada

cer, mas já me aconteceu muito», desabafa


numa quem é que estão a falar. E na verdade têm que
região em que quem pode foge para os estar do café numa tarde após o almoço ou no
grandes sempre a falar para várias camadas de população, trabalho
centros ou para o litoral. Se se tende a fugir ao princípio do dia é ainda a que mais me
daqui, mantendo o interesse de todas elas. Há sempre agrada.
para quê procurar informação sobre o “aqui”? a Bem tenho tentado ler as crónicas que mais
A ideia escolha de um núcleo principal de leitores me
de que “aqui não se passa nada” é a predominante pelos agradam no smartphone mas a fórmula é cansativa
temas, géneros e formatos cultivados, mas os

comerciantes da
na região e já não bastava este fator e também outros e às vezes desesperante.
a subnúcleos não podem ser colocados de lado.

quem espera um dia ser lembrado como


Internet exibe uma oferta de tudo a preço Um Creio, no entanto, que esta crise pode ser
barato. público interclassista, mas não analfabeto, até
E como poderiam os media regionais ser melhores é o que uma razoável oportunidade para o incremento
deve o jornal procurar. da
do que a economia regional ou a cultura regional? leitura de jornais em suporte digital, embora
ela
É assim que a maioria pensa. nunca volte aos níveis que em certos tempos
3. não se passa sem jornais ela teve
nos jornais em papel. De repente, fruto do alarme
“Dar ao público aquilo de que ele gosta” é da
2. Como pode um jornal transformar-se um Covid-19, vemos toda a gente a ler “coisas sérias”,

«um presidente que criou as condições para


chavão que pode levar às maiores leviandades. o

região
Nada é possível modificar-se nos jornais se É que valoriza ainda mais a “bolsa de massa cinzenta”
não preferível oferecer-lhe aquilo que supomos
houver algo para dizer. Para além de uma que ele que os jornais possam cativar, nomeadamente
montra precisa, mesmo que não dê conta ao
mais atraente pela Internet (a loja, por assim disso. Em tempos nível da opinião. Será esse o grande trunfo
dizer), de desprezo pelo texto maior que dos
se o produto for pequenino, se a maçã for três linhas, é difícil jornais, já que de “noticiazinhas” está o Facebook
raquítica satisfazer os “leitores” que não
ou a castanha bichada, a banca não pode são leitores. É sempre cheio. E se não se aproveitar por essa via
Joaquim Martins igreja render. possível desenvolver mais os conteúdos a janela
Portanto, no que respeita ao conteúdo, acreditando online e é

que a juventude possa olhar para a Guarda


comercial da Internet, os jornais estarão condenados.
por aí que o negócio terá que evoluir. O jornal
na riqueza que há num meio de baixa densidade, tem Que é que eu quero dizer com estas notas?
que se convencer que o modo de funcionamento
é possível tornar em notícia apetecível aquilo das Que temos que jogar simultaneamente no
1. Para que serve um jornal regional que pessoas, mesmo as alfabetizadas atraente,
aparentemente parece não ter interesse. ou muito alfabe- no variado, no profundo, na aceitação da mudança
Quando o volume de informação disponível Quantas tizadas, é o do pequeno ecrã.
vezes nos admiramos de certo ramo de atividade O mundo da leitura dos nossos leitores, na confiança no que fazemos.
aumenta, como na atualidade, quando a atração ou atual é o da “leitura impaciente” porque

Canal de venda alternativo de pro-


da certa área não serem noticiados, mesmo quando sabemos Que, se permanecermos entrincheirados numa
informação pela imagem ofusca o valor das palavras, é que há mil textinhos/ imagens/ vídeos/ ideia,

como um futuro para as suas vidas» Págs.


possível fazer artigos interessantes sobre músicas que acabaremos por morrer sozinhos, apesar de
quando o nosso mundo vai até aos antípodas “aquilo”. nos esperam já a seguir no fim cheios
num Interessa mostrar também à própria sociedade do “minutinho” que de razão. Que também devemos acreditar
instante, temos tendência a desvalorizar o micro que gastamos com o primeiro. Só paramos (por uns
ea a sua atividade só pode subsistir se alguém com mais instantes que seja) na capacidade de reflexão
valorizar o macro. Por isso a cultura da globalização mostrar tempo num desses assuntos se dos
que existe e que a sua dinâmica pede a adesão ele estiver bem feito nossos leitores. Que, sendo o meio que faz a
destrói as raízes, valorizando os ramos que do ou se ganharmos uma rotina. mensa-

dutos e serviços das Beiras e Serra


vão para público. gem, é ele que a transforma e que assegura
qualquer sítio. o que ela
Muitas vezes acontece que o jornal ou rádio vai ser junto do público. Tudo é, portanto, possível.

2 e 3 do especial 20 anos de OINTERIOR


4. ler é mais preciso do que nunca
Longa(s) vida(s) a O INTERIOR! Vale a pena
ler!

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Ordem dos Médicos
elogia ULS na Bandeira Azul
resposta à Covid-19 regressa a
Valhelhas, Loriga e
Presidente da Secção Regional do
Centro da Ordem dos Médicos (SR- Lapa dos Dinheiros
COM) considera que os profissio- Valhelhas conquista o símbolo
nais de saúde fizeram um trabalho de qualidade desde 2009, Loriga
«absolutamente extraordinário» desde 2012 e a Lapa dos Dinheiros
nos últimos dois meses________ 7 desde 2017___________________ 6
2• • Quinta-feira • 28 de maio de 2020

Cara
Entrevista
no  fio  da  navalha

a P e r f i l
cara
Rui M. Costa
Finalistas de Ciências
«O INTERIOR
Professor catedrático da Universidade
de Columbia, diretor do Zuckerman
da Cultura da UBI Institute e colaborador da Fundação
Champalimaud
#ElasAoSomDaFábrica é o nome do projeto

fez-nos sentir
desenvolvido pelos alunos finalistas do curso Idade: 47 anos
de Ciências da Cultura da Universidade da Beira
Interior(UBI) que pretende «dar ênfase ao papel Naturalidade: Guarda
desempenhado pela mulher operária, na indús-
tria de lanifícios, essencialmente no período da Profissão: Investigador

acordados
diáspora». A iniciativa consiste num trabalho de
investigação com foco nas memórias de ope- Currículo: Frequentei a Afonso de Albu-
rárias fabris da «Covilhã e região que circunda querque, o resto é história… Licenciatura
a Serra da Estrela». O projeto - que agora será em Medicina Veterinária na Universidade
divulgado através de suportes digitais - mostra Técnica de Lisboa, Doutoramento em

no interior»
o reconhecimento da importância das memórias Ciências Biomédicas pela Universidade
pessoais da importante classe operária da região do Porto e Universidade da Califórnia e
e contribui para sua dinamização enquanto pós-doutoramento em Neurobiologia na
componente de memória coletiva. Universidade de Duke. Foi investigador
principal do Programa de Neurociência da
Fundação Champalimaud. Recebeu várias
distinções e bolsas de renome interna-
Valhelhas, Loriga e Lapa P – O INTERIOR nasceu há 20 voleibol no Atlético Clube da Guarda, cional no âmbito dos seus trabalhos de
investigação, entre os quais o European
a n o s , Ru i C o s t a f o i c o l a b o r a d o r com ballet e gospells. Quando cheguei
dos Dinheiros deste jornal durante cerca de dois a ver, já tinha visto com os meus amigos Research Council. Em 2019 foi eleito mem-
bro da Academia Nacional de Medicina dos
anos, que recordações guarda desse da Guarda, quando cheguei a conhecer
As três praias fluviais dos concelhos da tempo? já tinha imaginado nas palavras dos Estados Unidos
Guarda e de Seia voltam a cumprir os critérios R – Foi uma altura muito bonita, meus pais, das minhas irmãs, dos meus
de qualidade ambiental da exigente avaliação com muita gente a colaborar para que professores. Sinto-me um privilegiado. Livro preferido: Difícil, mas um dos que
da Associação Bandeira Azul da Europa. Não é se criasse algo novo, algo que nos fi- mais me marcou foi “O Estrangeiro”,
de agora, estes espaços de lazer integrados no zesse sentir acordados no interior, algo P – A Pessolta poderá ser o seu de Albert Camus. Outro foi “Um mundo
Parque Natural da Serra da Estrela têm merecido que mexesse com a região. refúgio na reforma? imaginado”, que retrata a vida de uma
a distinção ao longo dos últimos anos. A Bandei- R – A Pessolta já é o meu refúgio, já é investigadora, Ana Brito, em Nova Iorque
ra Azul será novamente hasteada este Verão e é P – Na altura vivia nos Estados um sítio onde penso e onde posso ser o – na realidade a querida Maria de Sousa
um bom cartão de visita ao território das Beiras Unidos. Estando tão distante, o que o menino do campo e o cientista ao mesmo que faleceu há um mês
e Serra da Estrela, que quer ser alternativa ao motivava a colaborar com um jornal tempo. Sem preconceitos, sem julgamen-
turismo das praias oceânicas. regional? tos. Temos um loureiro em frente à janela Filme preferido: Também difícil, mas
R – A verdadeira intervenção, que está lá desde que nasci e nos lembra talvez o “Big Lebowski”
a verdadeira mudança consegue-se de quão frágil tudo é, e de quão especial
localmente. Espero, por exemplo, ter é viver, estar vivo. A vida é o verdadeiro Hobbies: Cozinhar, escrever, cinema,
inspirado um pouco os jovens da região milagre. desporto, conversas com família e amigos
a acreditar, a quererem ser cientistas. com café e bolo, viver intensamente.
Eu nunca pensei que o poderia ser até
acontecer.
PSD Guarda
P – Como vê o jornal de que
De polémica em polémica o PSD já tem foi colaborador passados estes
eleições marcadas para a concelhia da Guar- anos?
da, a partir das quais deverá iniciar um novo R – Trouxe abertura, textu-
ciclo. Para além das divergências internas e ra, discussão, opinião. O de-
do diferendo entre Chaves Monteiro e Sérgio safio agora são os próximos
Costa - com o afastamento deste da Vice pre- 10 anos, como continuar a
sidência da Câmara da Guarda - o clima de ser fresco.
guerrilha teve mais um episódio: a divulgação
de uma carta supostamente subscrita por P – E c o m o vê a
30 presidentes de junta afetos ao PSD mas Guarda e região des-
que só foi assinada por dois (ou apenas dois de Nova Iorque?
nomes aparecem na carta divulgada). Esta R – Vejo uma cida-
carta de apoio a Sérgio Costa foi enviada ao de de que gosto muito,
secretário-geral do partido para «denunciar uma cidade de con-
a gravidade da situação política» que se vive trastes, do frio e da
no PSD Guarda. força, do isolamento e
ao mesmo tempo uma
cidade de cultura e cafés e
imaginação. Conheci muito
Álvaro Amaro, Júlio do mundo a partir da Guarda,
com os meus amigos que me
Sarmento e Luís Tadeu m o s t rava m m ú s i c a s n ova s ,
bandas novas, livros novos,
A justiça parece não largar Álvaro Amaro
com o “Zincos” e o TMG, com
e Júlio Sarmento, agora que ambos deixaram
os cursos com o Aquilo, com o
as suas funções autárquicas. O eurodepu-
tado foi acusado de prevaricação por causa
da criação de uma PPP com a MRG, crime
que também é imputado ao seu sucessor
no município de Gouveia, Luís Tadeu. No
mesmo processo está igualmente acusado o
histórico presidente da Câmara de Trancoso
pelos crimes de prevaricação, participação
económica em negócio, corrupção passiva
– terá recebido 560 mil euros através de fa-
miliares – e branqueamento de capitais. Se
forem condenados, o Ministério Público pede
a perda de mandatos de Álvaro Amaro e Luís
Tadeu e defende que os tês fiquem impedidos
de participar em atos eleitorais.

Quinta-feira • 28 de maio de 2020 • •3

Temos cientistas
de topo, mas
investimos mais
na bola do que
em educação,
conhecimento,
investigação,
criatividade.

Rui Costa,
Cientista

«Sou otimista e espero que na


Primavera de 2021 possamos
regressar a uma certa normalidade»
P – O neurocientista Rui Costa testes que permitam testagem massiva por onde passa gente de todo o lado e que um país da ciência e do conhecimento?
foi “mobilizado” para o combate à e frequente da população, essa será uma naturalmente sofre em situações como R – Isso foi o que sempre sonhei. Mas
Covid-19. O que está a fazer neste mo- estratégia importante. esta. Mais do que assustado, tenho um já estivemos mais perto. Nos últimos
mento? sentimento grande de preocupação. Mas, anos tem havido um desinvestimento na
R – Fui “mobilizado” mais como coor- P – Que lições se devem tirar desta ao mesmo tempo, tenho também um sen- ciência e a capacidade de atrair e manter
denador do que como cientista. Sou diretor pandemia? timento de dever, de servir e de motivar cientistas de topo mudou muito. Temos
do Instituto Zuckerman, na Universidade R – A principal lição, a meu ver, é que nesta altura. cientistas de topo, mas investimos mais
da Columbia, em Nova Iorque, e fui co- temos de estar preparados para situações na bola do que em educação, conheci-
locado numa posição de coordenação de diversas e inesperadas. E temos que inves- P – Disse recentemente que esta mento, investigação, criatividade. Eu
equipas que estruturam as atividades tir na ciência. Só conseguimos responder pandemia pode deixar um «trauma gosto de desporto, e de futebol, mas ter
de investigação da universidade e entre rapidamente porque já havia muita gente coletivo». Porquê? metade dos telejornais sobre futebol e
universidades nesta altura de pandemia. a estudar diferentes tipos de coronavírus R – É um acontecimento que afeta ter vários programas em todos os canais
e outros vírus, imunologistas a estudar a milhões de pessoas no mundo, que já ma- sobre futebol quase todos os dias não
P – Para quando uma vacina? fisiologia e resposta do organismo, epi- tou centenas de milhares, que obrigou as revela uma sociedade que esteja a evoluir
R – É difícil dizer. Há bons indicadores demiologistas que tinham modelos sobre pessoas a isolarem-se, que trouxe medo, de uma forma saudável. Temos ouvido
que vêm de investigação na China, e tam- estas pandemias. incerteza, ansiedade. É uma guerra global. mais sobre ciência agora, pode ser que
bém na Europa. Nos Estados Unidos está haja mais apoio no futuro.
bastante avançado o desenvolvimento de P – Quando poderá estar ultrapas- P – Portugal tem sido apontado
um tipo de vacina diferente, baseada na sada esta situação? como exemplo no combate à Covid-19. P – E o futuro do cientista Rui Costa?
injeção de RNA, que é muito interessante e R – Eu creio que demorará algum tem- Como tem acompanho a situação? Passa pelos Estados Unidos ou poderá
está a ter bons resultados. Terão de ser fei- po até a situação normalizar um pouco, R – Acompanho diariamente pelas regressar a Portugal?
tos mais ensaios clínicos e depois expandir e tudo depende de curas, de vacinas, de notícias e por conversas com os meus R – A ciência é universal e colabora-
a produção e começar a vacinação massiva. quão forte seja a imunidade das pessoas colegas, especialmente com os colegas da tiva. Neste momento tenho uma posição
Esta fase demorará, mesmo na melhor das que foram infetadas e recuperaram. Mas Fundação Champalimaud, de que ainda de muita responsabilidade nos Estados
hipóteses, 10 a 18 meses. sou otimista e espero que na Primavera sou um colaborador. Tento trocar ideias e Unidos, mas continuo a colaborar com
de 2021 possamos estar a regressar a uma dados o mais que posso. a Fundação Champalimaud e a fazer
P – O que recomendaria ao cidadão certa normalidade. investigação em Portugal. E a lutar pela
comum, para além do isolamento, para P – A ciência em Portugal deu um tal sociedade do conhecimento e por
fazer frente a este vírus? P – Está assustado com o que se está grande salto nos últimos anos – também fazer coisas diferentes e criativas em
R – Usar máscara em sítios públicos, a passar em Nova Iorque? com a sua aportação, nomeadamente Portugal. Mas nunca se sabe. Sou portu-
lavar as mãos. E principalmente proteger R – Nova Iorque é o epicentro, o sítio na Fundação Champalimaud. Como vê guês convicto, mas sem nacionalismos
as populações de risco. Quando houver com mais casos, uma cidade do mundo esta mudança? E poderá ser Portugal exagerados.
4• • Quinta-feira • 28 de maio de 2020

editorial Luís Baptista-Martins


baptista-martins@ointerior.pt

20 Anos de jornalismo
O Jornal O INTERIOR nasceu há 20 anos! Nasceu como uma pedrada no
charco nas águas paradas do imobilismo informativo, do marasmo social e
do atrofiamento político… A Guarda era então uma cidade clerical e secular e
a região estava parada no tempo. E os jornais eram reminiscências do século
XX – O INTERIOR foi o primeiro jornal da região a merecer o Prémio Gazeta de
Imprensa Regional (que nos foi entregue pelo então secretário de Estado da
Comunicação Social, Arons de Carvalho, que nos brinda com a sua colaboração
nesta edição) em cerimónia presidida pelo então Presidente da República Jorge
Sampaio. E foi o primeiro jornal em Portugal a nascer com dois suportes: em
papel e online (num tempo em que poucos conheciam a Internet e os jornais
digitais eram uma curiosidade distante).
Só hoje invocamos o nosso aniversário (tinhamos prevista a publicação
de “Especial Aniversário” em março) por causa de uma pandemia indesejável
que aniquilou sonhos e liberdades e nos confinou ao isolamento. Mas na
verdade, o Jornal O INTERIOR nasceu no primeiro mês do século XXI e
do terceiro milénio (a 14 de janeiro) – nasceu no ano em que as profecias


anunciavam o fim do mundo
O INTERIOR é o resultado da preocupação e da vontade genuína de
contrariar o marasmo e o atrofiamento social, cultural e político que se vivia
na região. Resultado de muita
discussão e reflexão entre mim
e José Luís Carrilho de Almeida,
o Jornal deu corpo à utopia, ao
sonho de mudar a região, à
vontade de promover a meta-
morfose das nossas cidades,
Entretanto, O vilas e aldeias. Com a colabora-
ção de muitas pessoas cheias
INTERIOR é um dos de energia e vontade de mudar
jornais que a nível o mundo, mudando apenas o
nosso território, mudámos as
mundial vai ser mentalidades e promovemos o
apoiado pela Google desenvolvimento, contribuímos
decisivamente para uma socie-
News Initiative ao dade mais moderna, mais exi-
abrigo do Journalism gente, mais democrática e com
maior civilidade e urbanidade.
Emergency Relief Porque, como escreveu Albert
Fund. Camus, «sem cultura, e a liber-
opinião
Resumo da situação
dade relativa que ela pressupõe,
a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva». Foi assim António Ferreira
antonio.ferreira.adv@netvisao.pt
que «demos vida ao interior». Lá longe, em 1999, promovemos a discussão do
projeto com muitas personalidades instituindo o Conselho Editorial, integrado O Verão chega e tudo parece regressar à normali- a sua capacidade de reação sofreu com o corte do seu
por Anabela Gradim, António Ferreira, António José Dias de Almeida, Carlos dade do calor, dos incêndios, das rotinas mais tristes da financiamento pelos EUA.
Baía, Cláudia Quelhas, João Canavilhas, José Manuel Mota da Romana, Maurício política. A tão temida segunda fase pode nem acontecer Reabrir é bom, mas não o fazer em segurança,
Vieira e Maria Antonieta Garcia. Mas ouvimos muitas mais pessoas, que viviam e o vírus pode não voltar no Outono com a agressivida- mesmo que relativa, é desafiar a sorte. Sem um mínimo
intensamente os problemas da região e mergulharam na utopia de O INTERIOR, de que se chegou a prever. A taxa de transmissão tem de imunidade de grupo, a reabertura geral implica de-
e que neste momento também não podemos esquecer, como Carlos Adaixo, diminuído, e por isso também o crescimento do número safiar a natureza, e a natureza tem sempre razão (como
Américo Rodrigues, António Fidalgo, Diogo Cabrita, José Carlos Alexandre ou de infetados. Falta saber os efeitos do desconfinamento escrevia há dias Thomas Friedman, no NYT, a natureza
Nuno A. Jerónimo. E reunimos um grupo de jovens jornalistas (a redação foi e do regresso às ruas, às praias, às fábricas ou aos não perde um duelo há 4.500 milhões de anos). En-
inicialmente integrada, Elisabete Gonçalves, Luís Fonseca, Luís Martins e Victor restaurantes. quanto o vírus circular entre nós temos pelo menos de
Amaral) com várias colaborações que, ao longo dos anos contribuíram para Entretanto todos aprendemos alguma coisa, como diminuir a taxa de transmissão (e só assim se evitará a
a afirmação plural e editorial do jornal: Albino Bárbara, César Prata, Eduardo por exemplo, que votar mal tem um preço a pagar em tal segunda vaga).
Lourenço, Francisco Pimentel, Godinho Gil, Joaquim Igreja, João de Almeida vidas, desemprego e sofrimento. Não é por acaso que o A quarentena teve aspetos positivos: sabe-se agora
Santos, João Casteleiro, José Domingos, Luís Veloso, Manuel Sabino Perestrelo país com mais casos e mais mortes tem como presidente que o teletrabalho funciona, que umas semanas com
Miguel Castelo Branco, Miguel Sousa Tavares, Odete Santos, Pedro Dias de Donald Trump e que logo a seguir venha o Brasil. Muitos menos carros na estrada e menos poluição chega para
Almeida, Rui Costa, e tantos outros, porque O INTERIOR abriu as suas portas perceberam finalmente a importância dos hábitos de limpar o ar e a água. Percebemos finalmente que temos
às mais diversas colaborações e às mais conspícuas opiniões. higiene. Muitas palavras entraram no léxico comum e urgência em compatibilizar a civilização com a natureza
Num tempo de enorme dificuldade para todos, em que a imprensa, além todos sabemos agora muito mais sobre vírus, vacinas, e que isso é possível. Vimos em Portugal que, afinal,
das dificuldades de contexto, vive a angústia da pandemia como todos os imunidade de grupo, taxas de transmissão de uma não somos, nem de perto, um país do terceiro mundo.
demais sectores; num país dependente das ajudas do Estado, em que não há doença, e o que aprendemos irá servir para travarmos O sexo está em crise, fruto do distanciamento social e
agricultor que plante uma oliveira ou crie uma vaca sem ajudas públicas; em futuras pandemias. Muitos perceberam também que do medo do corpo do outro. Mais uma forma que tem
que não há um industrial que fabrique pregos ou camisolas sem apoios; em se não resolvem nem explicam problemas destes com a natureza de nos dizer que somos demasiados e que
que não há um empreendedor que crie um emprego sem subsídios; em que rezas, teorias da conspiração ou remédios caseiros. o nosso número irá diminuir, a bem ou a mal. Menos
não há um promotor que não candidate um projeto a financiamento europeu A ciência apresentará o remédio possível e entretanto lugares disponíveis nos restaurantes, nas praias, nos
(e português)… tantos discutem os apoios do Estado à imprensa! Bastava resta-nos o bom-senso. Percebe-se também que num cinemas, nos aviões, não é também uma forma de
perceber que em nome da Democracia e da relevância da Comunicação Social planeta em que a progresso e o crescimento económico mostrar que o mundo seguinte não é para todos? Quem
na vigilância e escrutínio dos diferentes poderes e na defesa da liberdade para dependem da rápida circulação de pessoas e mercado- tem, agora, no seu perfeito juízo, coragem de usar uma
não se confundir a imprensa com uma fábrica de sapatos. Ainda assim, neste rias, faz falta uma estratégia sincronizada, global. A OMS casa-de-banho pública, de entrar numa sala cheia, de
momento, e enquanto todas as atividades económicas estão, e bem, a ser poderia encarregar-se disso, mas a sua credibilidade forçar à cotovelada a entrada no metro ou o acesso ao
ajudadas pelo Estado, as “ajudas” à Comunicação Social «não acontecem» e sofreu um abalo com alguma subserviência à China e balcão de um bar?
podem ser suspensas (no nosso caso seriam uns tostões…). Entretanto, O PUB
INTERIOR é um dos jornais que a nível mundial vai ser apoiado pela Google
News Initiative ao abrigo do Journalism Emergency Relief Fund.
Enquanto invocamos o nosso 20º Aniversário, e em nome da liberdade de
imprensa e da liberdade de expressão, a todos os que de alguma forma contri-
buíram para o nascimento e afirmação de O INTERIOR o nosso agradecimento.
Quinta-feira • 28 de maio de 2020 • •5

Álvaro Amaro, Júlio Sarmento e


Luís Tadeu acusados em esquema
de PPP com a MRG AR
MRG colocou
Gouveianova em
O cerco da justiça
aperta-se em torno tribunal
de Álvaro Amaro e Em 2012, a Câmara de Gou-
Júlio Sarmento. Os veia esclareceu que a PPP celebra-
históricos dirigentes da com a MRG destinava-se à con-
do PSD e antigos ceção, requalificação, conservação
autarcas são dois dos e comercialização do mercado
nove acusados pelo municipal e zona adjacente, zona
Ministério Público (MP) dos Bellinos, bem como à infra-
de envolvimento num estruturação da zona industrial
esquema fraudulento das Amarantes. Mas os projetos
de criação de parcerias não foram concretizados porque
público-privadas (PPP) a Gouveianova, criada na ocasião
com a construtora MRG- e então presidida por Luís Tadeu,
Engineering & Solutions, não obteve os 9 milhões de euros
do empresário senense necessários.
Fernando Gouveia. A parceria foi assim interrom-
Deste «conluio» terá pida e o caso está pendente no
resultado, no global, Tribunal Administrativo e Fiscal
em vantagens ilícitas de Castelo Branco com a MRG a
superiores a 4 milhões reclamar o pagamento de 900 mil
de euros, cuja perda a euros à Gouveianova por projetos e
favor do Estado já foi serviços prestados. Posteriormen-
requerida. te, o município decidiu recorrer a
fundos comunitários para infra-
estruturar a zona industrial das
A acusação elaborada pelo De- Amarantes. E o mesmo aconteceu
Centro Cultural Miguel Madeira, em Vila Franca das Naves, foi uma das três obras construídas pela PPP em Trancoso
partamento de Investigação e Ação com a requalificação dos Bellinos,
Penal (DIAP) de Coimbra foi co- quer ainda que fiquem impedidos para satisfazer interesses de natu- ficava a cargo do parceiro público que foi intervencionada com o
nhecida na passada quinta-feira e de participar em atos eleitorais, reza privada, em grave violação dos (município/ empresa municipal) apoio do Programa Operacional
imputa a Júlio Sarmento os crimes uma medida também requerida deveres inerentes às suas funções» que pagaria uma renda anual por do Centro. Sobre este caso, Álvaro
de corrupção passiva, branquea- para Júlio Sarmento, que presidiu de presidentes de Câmara. um período alargado de tempo, Amaro voltou a reiterar que não
mento de capitais, prevaricação e ao município de Trancoso durante Em causa está um alegado suficiente para a amortização» do usaria a imunidade parlamentar
participação económica em negó- mais de 25 anos. esquema delineado pela MRG empréstimo bancário entretanto de eurodeputado: «Jamais, em
cio. Sobre o ex-autarca de Tranco- Segundo uma nota publicada para que as autarquias pudessem solicitado, refere a acusação. Só circunstância alguma, me valerei
so incide ainda a suspeita de ter no site da Procuradoria-Geral realizar avultados investimentos depois da sua liquidação é que os de qualquer tipo de imunidade
recebido «vantagens indevidas no Regional de Coimbra, os factos re- públicos que não contariam para equipamentos passariam para o parlamentar. Sou um homem de
valor de cerca de 560 mil euros, montam ao período compreendido o seu endividamento. A solução património municipal. consciência tranquila, há 40 anos
dissimuladas através de familia- entre 2007 e 2011 e ocorreram passava pela criação de parcerias Além de Álvaro Amaro, Luís a servir o bem público», declarou
res». Já Álvaro Amaro é acusado de no âmbito do estabelecimento de público-privadas a concretizar Tadeu e Júlio Sarmento foi também o antigo autarca da Guarda.
prevaricação, tal como Luís Tadeu, Parcerias Público-Privadas entre através de uma sociedade veículo, acusado o empresário Fernando
atual presidente da Câmara de os municípios de Trancoso, Alco- em que a empresa de construção Gouveia por quatro crimes de
Gouveia. A investigação da Judici- baça, Sabugal e Gouveia e a MRG. civil passava a ser sócia dos mu- prevaricação, dois de participação Parceria cancelada
ária também envolveu o município A investigação começou em 2011 nicípios para realizar os investi- económica em negócio, um de
do Sabugal, na altura presidido por (ver edição de O INTERIOR, de 20 mentos pretendidos. Foi assim que corrupção ativa e um de branque- em 2011 no Sabugal
Manuel Rito, igualmente do PSD, e de janeiro 2012) e culminou em surgiu a PACETEG, em Trancoso, e amento). Hermínio Rodrigues,
falecido em 2016. António Robalo, No Sabugal, os investigado-
buscas nas Câmaras de Gouveia e a Gouveianova, na “cidade-jardim”. atual vice-presidente da Câmara de
seu vice-presidente e sucessor no res foram saber como surgiu o
do Sabugal, bem como na empresa Contudo, a única que teve efeitos Alcobaça, e Eduardo Nogueira, eco-
cargo, chegou a ser arguido, mas projeto do Côa Camping e por que
municipal Trancoso Eventos. Oito práticos foi a primeira e está a cus- nomista que assessorava o autarca
acabou por não ser acusado por não foi concretizado. A PPP com
anos depois, o DIAP de Coimbra tar ao erário municipal 900 mil eu- de então José Sapinho, falecido em
não terem sido apurados indícios a MRG chegou a ser criada para
concluiu que foram adjudicadas ros anuais até 2034. Para escapar 2011, estão indiciados por crimes de
de crimes. Caso sejam condenados, o efeito e a respetiva deliberação
«parcerias e subsequentes contra- aos limites de endividamento das prevaricação e participação econó-
o MP pede a perda de mandato da Câmara foi aprovada pela
tos em conluio entre os titulares de autarquias e ao visto do Tribunal mica. A MRG também está no rol, tal
do eurodeputado Álvaro Amaro e Assembleia Municipal em 2008.
cargos políticos, por um lado, e os de Contas, eram estas entidades como um colaborador da empresa
do seu sucessor no município de Foi a empresa municipal Sa-
representantes da pessoa coletiva, que pediam o financiamento ban- por prevaricação e participação eco-
Gouveia, também presidente da bugal+ que selecionou o parceiro
por outro». A acusação, com 332 pá- cário necessário às obras acorda- nómica. Já Josefina Teixeira Araújo,
Comunidade Intermunicipal das privado através de um concurso
ginas, defende que os então autarcas das. «Uma vez construída a obra, sogra de Júlio Sarmento, é suspeita
Beiras e Serra da Estrela. A justiça para construir um parque de
«valeram-se dos respetivos cargos a sua exploração e manutenção de branqueamento.
campismo num terreno junto à
estrada da Sra. da Graça. Em 2012,
PPP está a custar 900 mil euros por ano à Câmara de Trancoso António Robalo, já presidente do
município, disse a O INTERIOR
Em 2007, a empresa municipal Trancoso a autarquia, agora presidida pelo socialista da empresa Alto dos Frades, que é dona do Hotel que o procedimento teve dois
Eventos celebrou com a MRG uma PPP no âm- Amílcar Salvador, que levou o caso à justiça e Turismo de Trancoso e da qual são sócias a espo- candidatos, tendo o júri escolhido
bito da qual foi criada a sociedade PACETEG, promoveu a dissolução da PACETEG. De acordo sa e a sogra de Júlio Sarmento. A segunda, de 450 a MRG. O autarca social-democrata
onde a construtora detinha 51 por cento do com a acusação, a PPP terá rendido à MRG uma mil euros, terá acontecido por via da Torres & também esclareceu que o assunto é
capital social e a empresa municipal os res- margem de lucro de 92,5 por cento, cerca de Filhos II, que também tem como sócias a mulher da «inteira responsabilidade da Sa-
tantes 49 por cento. 3,6 milhões de euros, enquanto a Câmara tem e sogra do antigo edil trancosense, que nega ter bugal +», mas que o projeto «nunca
O procedimento visava a construção de desde 2010 um encargo anual com rendas de recebido os valores em causa e que os mesmos passou de intenção, uma vez que o
seis equipamentos, dos quais apenas a central 900 mil euros, a pagar até 2034. Sobre si recaiu resultaram de «negócios» destas sociedades contrato de acionistas da parceria
de camionagem da “cidade de Bandarra”, o também o empréstimo bancário contraído com a MRG. nunca foi assinado devido à falta
Centro Cultural de Vila Franca das Naves e a pela PACETEG após a dissolução da empresa A Câmara de Trancoso vai constituir-se de financiamento público para o
requalificação do campo da feira viram a luz do municipal Trancoso Eventos. assistente neste processo judicial e pedir uma empreendimento e aos custos do
dia. Na altura, a Trancoso Eventos, presidida Júlio Sarmento já veio dizer que não teve indemnização a Júlio Sarmento pelo prejuízo parque de campismo pretendido».
por Santos Costa, abriu um concurso público «intervenção direta» no caso porque a empresa que teve na construção de três obras. «O mu- Estes problemas terão levado a
internacional para escolher o parceiro, tendo municipal tinha «autonomia jurídica e financei- nicípio quer ser ressarcido da diferença entre MRG a desistir da parceria e, em
a opção recaído sobre a MRG. Na altura, o ra», além disso «houve um concurso público». o valor que resultou da auditoria às obras julho de 2011, o executivo acabou
município acabou por assumir as empreitadas O ex-autarca é ainda acusado de ter recebido construídas nesta PPP e aquele que foi pago por deliberou, por proposta do
do centro de interpretação judaica e parte contrapartidas da MRG no valor de 560 mil euros, ao construtor, no valor de 9 milhões de euros», presidente, cancelar «definitiva-
do futuro mercado municipal. O certo é que alegadamente pagos por duas vezes. A primeira, disse o advogado Paulo Matias, que presta mente» a parceria público-privada
esta PPP revelou-se um negócio ruinoso para um cheque de 110 mil euros, foi efetuada através assessoria jurídica à autarquia. pelas mesmas razões.
6• • Quinta-feira • 28 de maio de 2020

S
Governo

Guia divulga incentivos fiscais


para quem vier para o interior
Um guia que sintetiza todos rante três anos. Entre os incentivos novos investimentos beneficiarão terão uma majoração dos gastos

Sociedade os benefícios fiscais atualmente


em vigor para atrair famílias e
às Pequenas e Médias Empresas
(PME) do interior é destacada uma
de condições fiscais mais favorá-
veis, nomeadamente deduções à
em educação, que passam a in-
cluir as rendas. O Guia Fiscal do
empresas para o interior do país taxa reduzida de IRC, de 12,5 por coleta de IRC mais elevadas. Interior, disponível em https://
foi recentemente publicado no site cento para os primeiros 25 mil O Governo destaca ainda isen- www.portugal.gov.pt/pt/gc22/
do Governo. euros de matéria coletável, bem ções de IMT e IMI para imóveis comunicacao/documento?i=guia-
O “Guia Fiscal do Interior” como um incentivo ao reinvesti- localizados em áreas florestais e fiscal-do-interior, é uma iniciativa
revela os apoios disponíveis para mento dos lucros através de uma a majoração dos gastos, em IRC da Secretaria de Estado da Valori-
quem mude a sua residência per- majoração de 20 por cento dos e IRS, com a manutenção e a de- zação do Interior e da Secretaria de
Covid-19 manente para os territórios de benefícios previstos no regime fesa da floresta. Já os estudantes Estado dos Assuntos Fiscais, com
baixa densidade, como o aumento de Dedução por Lucros Retidos e matriculados em instituições o apoio da Autoridade Tributária
9 mil testes do limite das deduções em IRS du- Reinvestidos (DLRR). Também os de ensino superior do interior e Aduaneira.
efetuados no

Plataforma “Beira Nossa”


laboratório da ULS
da Guarda
O Laboratório de Patolo-

ajuda comerciantes da região


gia Clínica da Unidade Local de
Saúde (ULS) da Guarda reali-
zou cerca de nove mil testes de
diagnóstico à Covid-19 desde
o início da pandemia causada,
em meados de março. Utilização do site será «totalmente gratuita» para os estabelecimentos aderentes
Foram amostras de pesso- nos primeiros seis meses
as da área de abrangência da SC
ULS da Guarda e de centros O NERGA – Associação Em-
hospitalares da zona Centro presarial da Região da Guarda e a
(Castelo Branco, Covilhã, Viseu Agência de Desenvolvimento para
e Aveiro), adiantou a diretora a Sociedade de Informação e do
Fátima Vale, revelando que Conhecimento (ADSI) lançaram
a capacidade diária do labo- na terça-feira a plataforma “Beira
ratório é de 300 amostras. Nossa” (www.beiranossa.pt) para a
A responsável revelou que o venda de produtos de comerciantes
serviço também tem estado e produtores das Beiras e Serra da
a efetuar exames serológicos Estrela.
ao novo coronavírus desde o Trata-se de um canal de venda
passado dia 7. alternativo e cuja utilização será «to-
talmente gratuita para os estabele-
cimentos aderentes» nos primeiros
seis meses. Além de constituir um
ponto de comercialização adicional,
o site oferece apoio na logística de
Canal de vendas online foi apresentado na terça-feira, no NERGA
Turismo entregas. «Fizemos um protocolo
com os CTT a um preço excelente», envolvimento da CIM Beiras e Ser- Papelaria” e “Moda e Calçado”. Os Alexandre Fonseca, dono da loja de
CIMBSE promove-se garantiu Pedro Tavares, segundo o ras da Estrela, que já foi solicitado. pagamentos podem ser realiza- roupa interior “Secrets”, acredita que
para atrair turistas qual a recolha dos produtos pode «Temos de conseguir que todas as dos «provisoriamente» através de o site «vai ser uma boa ferramenta
também ser feita diretamente nas autarquias e instituições [a elas transferência bancária, estando de trabalho para os comerciantes
este Verão lojas pelos clientes. O presidente associadas] ponham um banner do previsto serem adicionadas novas da Guarda».
“Sentir e Viver a Serra da do NERGA adiantou que «o projeto “Beira Nossa” nos seus sites», disse. modalidades brevemente. João Embora seja atualmente um
Estrela - um destino em estado estava pensado antes da pandemia», Lançada com 20 empresas e Gonçalves, proprietário da loja de site exclusivo das Beiras e Serra da
puro” é lema da nova campa- mas a crise provocada pela Covid-19 produtores da região, este novo eletrodomésticos Oliva, na Guarda, Estrela, Pedro Tavares admitiu que,
nha de promoção turística da acabou por ser «um motor» que “marketplace” agrega os produtos faz parte do rol de empresários no futuro, poderá ser alargado tam-
Comunidade Intermunicipal acelerou a sua execução de forma pelas categorias “Alimentação e Be- que já está online e refere que «se a bém à CIM Beira Baixa, sendo esse
das Beiras e Serra da Estrela a dar um novo impulso à economia bidas”, “Beleza, Saúde e Bem-Estar”, plataforma já existisse [no início da o limite definido para a abrangência
(CIMBSE) para captar visitan- local. Em conferência de imprensa, “Produtos Regionais”, “Entreteni- Covid] iria permitir centralizar os da plataforma. «Não vamos aceitar
tes para a região este Verão. José Gomes, presidente da direção mento”, “Equipamento Tecnológico pedidos» que lhe chegaram através comerciantes de fora da região»,
«É um território seguro, da ADSI, referiu a importância do e Eletrodomésticos”, “Escritório e de telefone ou mensagem. Também garantiu o empresário.
tem uma riqueza ímpar para
poder ser apreciado por famí-
lias e grupos de amigos, que Projeto cultural Lazer
tradicionalmente iam para a
praia. E nós estamos a ofere- Alunos da UBI resgatam histórias Bandeira Azul regressa às praias de
cer um turismo de qualidade, de operárias dos Lanifícios Valhelhas, Loriga e Lapa dos Dinheiros
com segurança», afirmou Luís #ElasAoSomDaFábrica é o e 7 de junho, a partir das 18 horas.
Tadeu, presidente da CIMBSE. As praias fluviais de Valhe- praia fluvial da Lapa dos Dinheiros
nome do projeto desenvolvido «O espectador terá a oportunidade
O também autarca de Gouveia lhas (Guarda), Loriga e Lapa dos aproveita a ribeira da Caniça, um
pelos alunos finalistas do curso de de se envolver em vários momentos
acrescenta quem vier passar Dinheiros (ambas em Seia) vi- afluente do rio Alva, hasteando a
Ciências da Cultura da Universidade culturais que comportam música,
férias por cá «não corre o risco ram renovado o seu estatuto de Bandeira Azul desde 2017. Todas
da Beira Interior(UBI) que pretende pintura, dança e cinema. Além de
de encontrar massas de gen- Bandeira Azul, de acordo com a elas estão integradas no Parque
«dar ênfase ao papel desempenhado testemunhos reais das protagonis-
te», como no litoral. As Beiras lista divulgada na semana passada Natural da Serra da Estrela. A
pela mulher operária, na indústria tas, haverá um espaço para que o
e Serra da Estrela possuem pela Associação Bandeira Azul da época balnear nas praias fluviais
de lanifícios, essencialmente no pe- público possa dar o seu contributo
«praias fluviais fantásticas, Europa. da região começa a 1 de julho.
ríodo da diáspora». A iniciativa con- artístico através do concurso “A mu-
tem alojamento turístico exce- Os critérios que definem a «As zonas balneares do Centro
siste num trabalho de investigação lher e a fábrica”, a lançar em breve,
lente, gastronomia fantástica, atribuição deste símbolo de quali- de Portugal são um importante
realizado sob o mote de «resgatar terminando com uma performance
grandes vinhos e cultura», dade ambiental são a informação trunfo da região. Num Verão que
memórias materiais e imateriais das musical», informam ainda os alunos.
destacou o responsável. Numa e educação ambiental, a qualidade vai ser seguramente diferente,
mulheres operárias fabris na indús- O trabalho foi desenvolvido
nota enviada a O INTERIOR, a da água, a gestão ambiental e equi- devido às incidências da pan-
tria de lanifícios da Covilhã e região em articulação com a candidatura
CIMBSE considera que, «de- pamentos, e a segurança e serviços. demia da Covid-19, as praias do
que circunda a Serra da Estrela», de da Guarda a Capital Europeia da
pois dos meses conturbados» Na região Centro há 85 praias Centro de Portugal apresentam-se
acordo com comunicado divulgado Cultura, e envolve parcerias com
provocados pela pandemia da costeiras e fluviais que vão hastear como uma excelente opção para
pelos estudantes. o Museu dos Lanifícios da Covilhã
Covid-19, as férias precisam a Bandeira Azul, mais duas que no quem quer evitar aglomerações de
Sendo inicialmente projetado e a CooLabora. Mais informações e
de «ser perfeitas» e «esta é a ano anterior. Valhelhas, situada no pessoas», declarou Pedro Macha-
para exibição presencial a iniciativa programação completa na página de
altura de descobrir a melhor curso do rio Zêzere, conquista o do, presidente do Turismo Centro
será agora divulgada em formato facebook do projeto (www.facebook.
e mais bonita paisagem por- galardão desde 2009 e Loriga, na de Portugal, a propósito deste
digital, através do Facebook, «bem com/elasaosomdafabrica/) e no ins-
tuguesa». ribeira homónima, desde 2012. Já a reconhecimento.
como via rádio», durante os dias 5,6 tagram (@elasaosomdafabrica).
Quinta-feira • 28 de maio de 2020 • •7

Gouveia Guarda

Novos apoios Profissionais da ULS fizeram trabalho


para relançar a «absolutamente extraordinário» contra a Covid-19
economia local O presidente da Secção Regio-
LM
«A Ordem dos Médicos tem
A Câmara de Gouveia quer nal do Centro da Ordem dos Médicos aqui que reconhecer o papel que
relançar a economia do conce- (SRCOM) considera que a Unidade os médicos tiveram na liderança
lho com o programa “Gouveia Local de Saúde (ULS) da Guarda deste processo e que todos os
Investe”, que contempla medi- respondeu de forma «bastante sa- profissionais de saúde também
das para proteger o emprego tisfatória» à pandemia da Covid-19. tiveram», acrescentou. Carlos
e estimular a atividade das Carlos Cortes visitou o Hospital Cortes, que esteve acompanhado
empresas através da redução Sousa Martins na quinta-feira para por José Manuel Rodrigues, cirur-
dos custos de contexto. avaliar a abordagem, as respostas gião e presidente do Conselho da
Está prevista a isenção do e as medidas implementadas nos Sub-Região da Guarda da Ordem
pagamento de taxas de ocu- últimos meses e no final disse aos dos Médicos, adiantou que a ULS
pação da feira semanal em jornalistas que os profissionais da já está «a readaptar os serviços
maio e junho, do pagamento unidade guardense fizeram um ao pós-Covid» e foram retomadas
das taxas relativas ao mercado trabalho «absolutamente extraor- as consultas externas, tendo asse-
municipal até ao final do ano e dinário». Na sua opinião, o Hospital gurado que os utentes podem vir
do pagamento de renda, de abril Sousa Martins está «muito bem «em total segurança» ao hospital
a agosto, pelas empresas que estruturado, tem circuitos muito guardense para as suas cirurgias
laborarem em imóveis proprie- bem definidos e diferenciados, entre e consultas. «Pelo que ouvimos da
dade do município. Também aqueles que são os doentes Covid, administração, percebemos que a
os arrendatários de imóveis ou suspeitos de Covid-19, e aqueles ULS da Guarda está no bom cami-
destinados a comércio, serviços que não são suspeitos e não têm essa nho», sublinhou. Para o presidente
ou indústria beneficiam de um doença». O médico considerou que da SRCOM, é «aconselhável» que os
apoio de 50 por cento do valor estas áreas, conjuntamente com a profissionais contratados no âmbito
da renda mensal, com o limite área da Urgência, com a comunidade da luta contra a Covid-19 «se man-
de 200 euros, durante os meses e a Autoridade de Saúde Pública, tenham, não só pelo risco de haver
de maio, junho, julho e agosto. permitiram que a contenção da epi- uma segunda vaga, mas também
Já os mutuários de créditos re- demia no distrito da Guarda «tivesse porque eles são sempre necessários,
lativos a imóveis daqueles seto- bons resultados». como esta crise revelou».
res serão igualmente apoiados
durante o mesmo período com
o valor de 50 por cento da pres-
Vilar Formoso
tação, até ao limite de 200 euros.
Os interessados podem
Livre circulação de emigrantes no Verão negociada em Bruxelas
candidatar-se no site do muni- Portugal está a negociar a possibi- suas terras e promovendo também da União Europeia e, numa segunda as fronteiras estão sob controlo até
cípio ou diretamente no Balcão lidade dos seus emigrantes poderem a animação da economia local». Edu- fase, de fronteiras para fora da União 15 de junho, mas vamos começar a
Único. O apoio é limitado a um circular pela Europa sem restrições para ardo Cabrita acrescentou que essa Europeia. O governante visitou o Cen- ponderar a alteração deste quadro,
imóvel por beneficiário e os virem passar férias ao país natal. decisão será tomada de acordo com tro de Cooperação Policial e Aduaneira quer nas fronteiras aéreas, quer nas
beneficiários devem manter a Segundo o ministro da Admi- a estratégia definida pela Comissão (CCPA), onde classificou de «notável» fronteiras terrestres, estabelecendo,
atividade, sede fiscal e postos nistração Interna, que esteve em Europeia, esperando que a mesma a forma como o Serviço de Estran- designadamente, mecanismos de
de trabalho existentes na data Vilar Formoso na sexta-feira, «a possa permitir «um gradual alarga- geiros e Fronteiras (SEF) e a GNR circulação que permitam aos nossos
da atribuição do apoio, até ao prioridade é a circulação dos nossos mento das possibilidades de circu- asseguraram o controlo da fronteira emigrantes a circulação durante os
final do ano de 2020, esclarece cidadãos que possam vir passar o lação», em primeiro lugar nas fron- com Espanha por causa da pande- próximos meses de julho e agosto»,
a autarquia. seu verão a Portugal, voltando às teiras internas (aéreas e terrestres) mia da Covid-19. «Neste momento, afirmou Eduardo Cabrita.

Seia Fornos de Algodres

Agressor de Despiste violento mata dois jovens amigos


militar da GNR Dois amigos, de 19 e 20 anos,
morreram na sexta-feira no des-
bombeiros da vila, Armando Costa.
As vítimas, dois amigos residentes
no Distrital da Iª Divisão da AF
Guarda, e Cláudio Saraiva estudava
dente estão a ser investigadas pelo
Núcleo de Investigação de Acidentes
em prisão piste do veículo onde seguiam, na
Avenida 25 de Abril, a variante que
em Fornos de Algodres, faleceram
no local, apesar das manobras de
Biotecnologia na Universidade da
Beira Interior. Em sua memória,
de Viação (NICAV) do Comando
Territorial da GNR da Guarda. No
preventiva dá acesso a Fornos de Algodres.
«O carro despistou-se numa
reanimação por parte da equipa
da VMER da Guarda. Marco Ven-
a autarquia decretou três dias de
luto municipal, sinalizado com a
local estiveram 15 elementos e seis
viaturas dos voluntários de Fornos
Um homem de 56 anos, curva onde já houve outros aciden- tura era um promissor jogador bandeira a meia haste no edifício de Algodres, da VMER da Guarda, da
suspeito dos crimes de homicí- tes e chocou contra uma árvore», da equipa sénior da Desportiva dos Paços do Concelho na segunda, Ambulância de Suporte Imediato de
dio tentado e de dano agravado, referiu o segundo comandante dos de Fornos de Algodres, que milita terça e quarta-feira. As causas do aci- Vida (SIV) de Seia e da GNR.
pela agressão a um militar da
GNR de Seia vai aguardar jul- PUB
gamento em prisão preventiva.
De acordo com um comu-
nicado do Ministério Público,
divulgado no site da Procurado-
ria-Geral Regional de Coimbra,
os factos ocorreram a 13 de
maio e naquela cidade serrana.
O detido «tentou espetar uma
lança no abdómen de um militar
da GNR, que pretendia notificá-
lo de uma decisão judicial», in-
dicou o MP, acrescentando que
«durante o confronto, o arguido
que, além da lança, se encon-
trava munido de um machado,
provocou vários estragos na
viatura policial em que aquele
militar se fazia transportar».
Já o guarda sofreu «pequenas
escoriações, necessitou de tra-
tamento hospitalar, mas teve
alta e manteve-se ao serviço».
O alegado agressor acabou de-
tido e foi presente ao Tribunal
de Seia, que determinou a sua
prisão preventiva. Entretanto, a
investigação prossegue a cargo
da Polícia Judiciária da Guarda.
8• • Quinta-feira • 28 de maio de 2020 Publicidade
PUB Arbitragem
Árbitro do Fundão eleito secretário
da APAF
Sérgio Mendes, árbitro de futsal do Fundão, foi eleito
AVISO para o cargo de secretário da nova direção da Associa-
ção Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF). A eleição
Aditamento ao Alvará de Loteamento nº 12/1990 aconteceu na sexta-feira e a sufrágio concorreu uma lista
Processo interno nº. 02/1986/1001 única liderada por Luís Gonçalves, que foi reconduzido na
presidência.
Amílcar José Nunes Salvador, Presidente da Câmara Municipal do Concelho de Trancoso:
Torna público, que, nos termos e para os efeitos do disposto no nº. 2 do artigo 78º, do Decreto-
O árbitro do Conselho de Arbitragem da Associação
Lei 555/99 de 16 de dezembro (com ulteriores alterações), e de harmonia com a deliberação de Futebol de Castelo Branco vai assumir os pelouros do
tomada por esta Câmara Municipal em sua reunião realizada a 8 de abril de 2020, é emitido Contencioso, Candidaturas e Projetos e ainda da Inovação,
a Capelão & Gonçalves, Lda., contribuinte fiscal nº 515022314, com sede em Avenida Doutor
Álvaro de Carvalho, Lote 22, o aditamento ao Alvará de Loteamento nº. 12/1990 que incide Grupos de Trabalho e Estudos. Professor e vereador do PS

VIDENTE
sobre o Lote 93, sito em Quinta Dona Maria, Trancoso - União das freguesias de Trancoso na Câmara do Fundão, Sérgio Mendes já presidiu ao Núcleo
(São Pedro e Santa Maria) e Souto Maior, concelho de Trancoso, descrito na Conservatória de Árbitros de Futebol Albicastrenses e tem frequente
do Registo Predial sob o nº 468/19910304 e inscrito na matriz nº 1699.
As alterações incidem sobre o Lote 93, nomeadamente: intervenção pública no âmbito de desporto. Ainda recen-
Alteração da utilização de Habitação para Habitação/Garagem. temente, por exemplo, recebeu uma menção honrosa do
Com longos anos de experiência Aumento de número de pisos de 2 para 3 (cave + r/c+1).
Ampliação da área de construção de 198,00 m2 para 297,00 m2 (99,00 m2 de garagem).
Plano Nacional de Ética no Desporto, na categoria Imprensa
Mantêm-se inalteradas as restantes características inicialmente aprovadas no loteamento. Regional, com o artigo de opinião “O que distingue a claque
Trata inveja, mau olhado, espiritual, estudos, negócios, Para conhecimento geral se publica o presente aviso. de um dos grandes clubes, de uma grande claque”, publicado
empresas, amor, problemas familiares, saúde, etc. Trancoso, Setor de Licenciamento de Obras Particulares e Loteamentos, 18 de maio de 2020
no jornal “Forum Covilhã”, sobre a claque “Abelhas Más”, do
Sempre pronto a dar resposta aos seus problemas. P’O Presidente da Câmara GDC Silvares.
EDUARDO ANTÓNIO REBELO PINTO (Vereador)
Saiba tudo sobre o seu futuro e o porquê que tudo (Amílcar José Nunes Salvador)
PUB
corre mal em sua vida? O Interior, nº 1064 de 28/05/2020

Não hesite, fale com quem sabe. Tenha FÉ: PUB


271238451 ou 969012923
Embaixada de Portugal em Camberra
Secção Consular

REVOGAÇÃO DE PROCURAÇÃO
AVISO No dia dezanove de Maio de dois mil e vinte, perante mim, Carlos Miguel Lopes de Oliveira,
Encarregado da Secção Consular na Embaixada de Portugal em Camberra, Austrália,
Aditamento ao Alvará de Loteamento nº 12/1990 compareceu Hernâni Patrício Coelho, portador do Passaporte Australiano nº PA2274198,
válido até 23-01-2025, emitido pela Austrália, casado com Maria de Lurdes Tavares Cunha
Processo interno nº. 02/1986/1001 Coelho, no regime de comunhão de adquiridos, ele natural de Angola, e ela natural da freguesia
de Freixedas, concelho de Pinhel, Guarda, Portugal, residente em Townhouse 95-47 Mowatt
Amílcar José Nunes Salvador, Presidente da Câmara Municipal do Concelho de Trancoso: Street, Queanbeyan East, 2620, Nova Gales do Sul (NSW), Austrália.
Torna público, que, nos termos e para os efeitos do disposto no nº. 2 do artigo 78º, do Decreto- E por ele foi dito que, por esta via, revoga a procuração, por si outorgada, no Consulado
Lei 555/99 de 16 de dezembro (com ulteriores alterações), e de harmonia com a deliberação Geral de Portugal em Sidney, no dia 30 de Janeiro de mil novecentos e noventa e um, na
tomada por esta Câmara Municipal em sua reunião realizada a 8 de abril de 2020, é emitido qual constituía como seu bastante procurador o senhor Arnaldo Videira Poço, residente em
a Capelão & Gonçalves, Lda., contribuinte fiscal nº 515022314, com sede em Avenida Doutor Pinhel, Guarda, Portugal, ao qual conferia os poderes necessários para, em seu nome,
Álvaro de Carvalho, Lote 22, o aditamento ao Alvará de Loteamento nº. 12/1990 que incide prometer comprar e comprar bens imóveis, e contrair empréstimos para o citado fim, junto
sobre o Lote 94, sito em Quinta Dona Maria, Trancoso - União das freguesias de Trancoso do Banco Português do Atlântico.
(São Pedro e Santa Maria) e Souto Maior, concelho de Trancoso, descrito na Conservatória Assim o disse e outorgou do que dou fé, e depois de por mim lida esta procuração em voz
do Registo Predial sob o nº 468/19910304 e inscrito na matriz nº 1699. alta e explicado o seu conteúdo e efeitos ao Outorgante, este vai assinar juntamente comigo.
As alterações incidem sobre o Lote 94, nomeadamente:
Alteração da utilização de Habitação para Habitação/Garagem. O 10 Outorgante,
Dr. Bangura Aumento de número de pisos de 2 para 3 (cave + r/c+1). O Encarregado da Secção Consular
Ampliação da área de construção de 198,00 m2 para 297,00 m2 (99,00 m2 de garagem).
Não há problema sem solução Mantêm-se inalteradas as restantes características inicialmente aprovadas no loteamento. O Interior, nº 1064 de 28/05/2020
Contactos: 933 312 476 / 968 034 224 / 920 413 040 Para conhecimento geral se publica o presente aviso.
O mais importante em Astrologia é obter resultados bons, rápidos e garantidos a Trancoso, Setor de Licenciamento de Obras Particulares e Loteamentos, 18 de maio de 2020.
100%. Dodato de poderes, ajuda a resolver problemas difíceis ou graves.
Como: Amor, Insucessos, Depressões, Negócios, Injustiças. P’O Presidente da Câmara
Casamento, Impotência Sexual, Maus Olhados, Doenças Espirituais, EDUARDO ANTÓNIO REBELO PINTO (Vereador)
Sorte nas Candidaturas, Desporto, Exames e Protecção contra (Amílcar José Nunes Salvador)
Perigos como Acidentes em todas as Circunstâncias, Aproxima O Interior, nº 1064 de 28/05/2020
e Afasta Pessoas Amadas, com Rapidez Total.
Se quer prender uma vida nova e pôr fim a tudo o que o preocupa, não perca
tempo, contacte o mestre.
Ele tratará do seu problema com eficácia e honestidade.
Consulta à distância, pessoalmente ou por correspondência. Diretor e Editor: Luís Baptista-Martins • Rua da Corredoura, 80 - R/C Dto - C
Todos os dias das 8 às 21 horas. • 6300-825 Guarda •
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10 • • Quinta-feira • 28 de maio de 2020

opinião
David Santiago
opinião
Maria Afonso A inutilidade das coisas
Merkel e o
Resguardados de um inimigo invisível, em casas como trin- o âmago de uma pedra.
cheiras, fomos espreitando o mundo. Disseram-nos que seríamos Um dia as sirenes abrandaram. Uma espécie de sfumato
os donos do nosso tempo. Que o acometimento maquinal de a dilatar a visão, a pôr a nu os efeitos colaterais que todas as

Titanic cada manhã abrandaria. Um intervalo, entre a cena e a plateia, a


consentir-nos perceber se temos sido actores ou espectadores das
guerras vomitam. E um travo amargo a embargar a voz, a impedir-
nos declarar vitória. A custo rasgaram-se algumas clareiras. Por
Ao contrário do que a maré fazia su- nossas vidas. Perante o temor e a expectativa fomos aceitando breves instantes foi-nos sendo consentido vermo-nos nos olhos
por, a União Europeia navega agora com a a implacável novidade dos dias. Com tapumes e sacos de areia dos nossos pais. Só os abraços retardam e o peito ainda queima.
bússola ajustada. Não é a provavelmente defendemos a nossa morada. Uma terra de ninguém minada de Arriscamos sair da trincheira, pisar a terra de ninguém. A
utópica federação por que muitos clamam, olhares ameaçadores a ordenarem clausura. Na trincheira em frente, apreensão inicial a tomar conta de nós – saberemos colocar um
mas o federar de forças que possibilita compelidos à sobrevivência poderiam estar os nossos pais. Guerra pé à frente do outro? Reconheceremos o momento de parar para
realizar algo até há pouco também utópico: estranha, essa que levanta muros intocáveis. Se ao menos pudés- não perdermos o norte? – E vamos prosseguindo, bandeirantes,
a União Europeia vai emitir dívida conjunta semos aproximar-nos, carpir de mansinho as nossas lamentações. na demanda de um novo metal precioso.
para apoiar as regiões e os setores mais A janela a abrir-se para uma cidade estranhamente solitária. É hora de reencontrar terras por mapear onde o verde se
atingidos pela pandemia. Algumas aves acercam-se para exibirem as suas cores. A quebrar desfaz em prazer. Por entre os clamores da água adivinha-se a cor
Não é ainda a luz que permite aclarar o a melancolia dos dias. Perguntam o que temos feito com o tempo. da terra que a gerou. Uma mescla de cheiros florais deita-se sobre
futuro de uma UE cada vez mais irrelevante Baixamos os olhos como crianças repreendidas. A sombra antecipa- o feno fresco. Fazem cama em plena luz. Desafiam-nos. Os risos
no mapa mundial, mas à luz do que foi a se quando nos afirmam que amanhã tudo pode ser diferente – não das montanhas são sereias a testar os seus encantos. Sem navios
resposta aos efeitos do “crash” de 2007-08 vês ao longe o topo do mundo e a limpidez da água solta nos canais embarcamos por um oceano imaginado. Aportamos em terras de
é uma solução luminosa. de Veneza? – mas já nada sabemos da palavra normalidade. granito escuro. Um azul incomum trespassa as pequenas sombras
Pela primeira vez, a Alemanha aceitou A sequência cronológica do filme das nossas vidas foi, inevita- de nós. Arriscamos subir ao topo onde moram os castelos. Tínha-
emitir dívida conjunta em larga escala para velmente, interrompida por interpolações de episódios anteriores. mos esquecido como o calor pode abrasar os corpos. Paramos
que Bruxelas possa financiar diretamente Em alguns momentos a infância tomou-nos num doce assalto. Con- o coração para podermos inspirar, de uma só vez, 360 graus de
despesas de outros Estados-membros. cluímos que foi sobrestimado o que não merece ser considerado, infinitude. Afinal sempre quisemos tão pouco! Deitamo-nos no chão
Serão assim atribuídas subvenções a fundo o que é efémero e não nos cabe na pele. As cicatrizes tomaram o para sermos parte da terra. Que o silêncio nos reescreva.
perdido aos países mais penalizados pela carácter revigorante de pequenas vitórias já esquecidas. Só a for-
crise e com menor capacidade – devido çosa inquietação foi deixando marcas como se o vento invadisse * A autora escreve de acordo com a antiga ortografia
ao elevado endividamento público – de lhe
fazer face.
Os mais céticos, críticos ou pessimis-
tas dirão que os 500 mil milhões de euros
propostos pela iniciativa franco-alemã (cerca
de 4% do PIB comunitário, enquanto, por
exemplo, os Estados Unidos aprovaram
medidas no valor de 10% do produto) são
escassos. E não deixarão de anotar, com
avisado e justificado temor, que Merkel e
Macron (mais a alemã, claro) pretendem
que, em contrapartida, os países sigam
políticas económicas sólidas e uma agenda
opinião
Elsa Salzedas Barrocos e orgasmos
de reformas ambiciosa. Ciência, estética e ética. Sem conhecimento não há estética e sem esta não há ética
No entanto, desta vez as coisas parecem
mesmo diferentes. Ao contrário do observa- Quanto valem os nossos Barrocos? Serão belos? Serão mo- introduzir muitas outras explicações científicas, como o mecanismo
do na crise das dívidas soberanas, agora a numentais? da Tectónica de Placas, dos Movimentos Orogénicos e até a com-
chanceler alemã percebeu atempadamente a Aqui pela região da Guarda usamos este termo quando nos refe- preensão da origem dos filões de minérios, de rádium, de urânio, de
gravidade da onda recessiva em formação e, rimos aos Caos de Blocos Graníticos, mais ou menos arredondados, volfrâmio e de lepidolite, que sempre acrescentaram a esta região
mais relevante ainda, do sério e porventura amontoados ou dispersos na paisagem que, quando localizados no enorme interesse económico. Toda esta diversidade geológica
derradeiro risco de desagregação diante da topo de um monte, ganham a designação de Cabeços. tem 300 milhões de anos. Existiu então uma montanha, com mais
Zona Euro e, em resultado, do conjunto da “Barrocos” é um termo nosso, regional, no máximo, fronteiriço, de 5.000 metros de altitude, cujas “raízes” estavam na altura em
União. pois nuestros hermanos também usam o termo Barruecos, tendo formação e onde as elevadas pressões e temperaturas geradas na
Tudo começa com o facto de ser a Itá- até Parques Naturais com observação e interpretação da paisagem crosta terrestre criaram condições para a formação dos minérios
lia, e não a Grécia ou Portugal, o país mais com Barruecos, como O Museu Vostell Malpartida, no Parque Na- que temos vindo a explorar ao longo dos tempos.
fustigado pela covid-19. Com uma dívida tural Los Barruecos, em Cáceres, que atrai milhares de visitantes. Ganhar consciência que esta paisagem que nos rodeia é o
a caminho dos 150%, uma frágil e cada Por cá, a paisagem de Barrocos está em puro estado selvagem, nosso maior e mais antigo património eleva-nos e diferencia-nos
vez mais dividida coligação de governo a de matagal, que volta e meia arde, sem qualquer tipo de valorização. pela literacia científica, pelo civismo e pela educação. Prepará-la
fraquejar, e o populista Salvini à espera da Barrocos há muitos e passamos por eles com total indiferença, não e mostrá-la ao mundo, elevar-nos-ia a Região Desenvolvida, de
oportunidade de ouro, se as autoridades de reparando na sua beleza, talvez porque pouco entendemos desta interesse científico.
Roma fossem deixadas à sua sorte, nem paisagem. Falta desenvolver, na maioria das pessoas, literacia científica na
muita sorte evitaria o fim da moeda única. Peter Singer, filósofo e professor na Universidade de Princeton apreciação da estética natural. Contemplar uma montanha é, para
E para azar dos frugais encabeçados escreveu em tempos: «Contemplei quadros do Louvre e em muitas Carlson, algo mais do que ver árvores, cores, flores; é, também,
pelo renitente holandês Rutte, o Tribunal outras grandes galerias da Europa e dos Estados Unidos. Creio que compreender a sua história natural, as suas populações específicas
Constitucional alemão acabou por ajudar, tenho um razoável sentido de apreciação das belas-artes. Contudo, e as relações que a animam. Há que introduzir uma razão cognitiva
mesmo que inadvertidamente. É que ao não tive em museu algum experiências que tivessem preenchido o na leitura do belo natural para que se possa evoluir para a estética
porem em causa o programa de compra de meu sentido estético a tal ponto realizantes como quando caminho da paisagem, que inevitavelmente nos levará ao caminho da ética,
dívida com que o Banco Central Europeu por um cenário natural e faço uma pausa para admirar do alto de um da preservação e da valorização. Ainda neste ponto, da referência a
salvou o euro, os juízes alemães estavam pico rochoso a paisagem de um vale coberto de floresta (...). Creio paisagens arrebatadoras, não esqueçamos Rousseau que, na “Nova
também a ameaçar o entretanto lançado não ser o único a sentir tal exaltação; para muita gente, a Natureza Heloísa”, dá testemunho «da escalada das montanhas alpinas como
pacote de aquisições especificamente diri- constitui a fonte dos mais altos sentimentos de emoção estética, se se tratasse de uma vivência de arrebatamento físico, psicológico
gido a financiar a resposta à pandemia. E, elevando-se a uma intensidade quase espiritual». e moral».
dessa forma, a empurrar a Zona Euro para o Ora, estes sentimentos de emoção estética, não surgem por É pela via da valorização da estética natural que, emocional-
precipício e a UE para o salve-se que puder. geração espontânea. Estão ligados ao conhecimento, à ciência, ao mente, se estabelecem laços entre o ser humano e a natureza, de
Merkel compreendeu que, sem argu- entendimento da paisagem e só assim, à sua valorização. recíproca dependência, propiciando sentimentos de amor e respeito
mentos orçamentais de monta, a UE não A este respeito, Arnold Berleant lembra que «na natureza, tal para com ela.
seria capaz de enfrentar a tormenta e, com como na arte, o feio tem também a sua beleza, porquanto não é a Se é verdade que, com a recente epidemia Covid-19, estamos
o “empurrão” decisivo de Macron, tomou perfeição que define a qualidade estética do mundo natural, mas a viver momentos únicos e atrozes da História da Humanidade,
o comando da navegação. É certo que não sim a sua infinita variedade, a riqueza das suas múltiplas formas e jamais imaginados a esta escala, que afetam principalmente queles
poderá atirar borda fora as intenções dos o seu carácter único e singular». que vivem nos grandes centros urbanos, também é verdade que a
ortodoxos da disciplina orçamental, mas Para responder à pergunta inicial, sobre o valor dos nossos humanidade se está a ver obrigada a olhar e a comportar-se para
com o eixo franco-alemão ao leme será Barrocos, temos que nos munir de conhecimento científico e sermos com a natureza de forma bem diferente daquela que tem tido até aqui.
mais difícil aos Países Baixos manter as capazes de entrar numa viagem imaginária, a um passado longínquo, É neste suscitar de apreço da boa relação entre o homem e a
velas arriadas. há cerca de 300 milhões de anos onde, até 50 km de profundidade, natureza que Kant reconhece a íntima solidariedade entre a experi-
Mas mais importante ainda, nesta crise, na Crosta Terrestre, um magma rico em sílica arrefeceu, muito ência do belo natural e o sentimento moral, enquanto experiência
e com o que isso diz sobre crises vindouras, lentamente, originando a rocha cristalina dos Barrocos, o Granito, constitutiva de uma «boa alma» que, por isso, se apresenta como
Berlim mostrou querer ser o farol de uma com os seus minerais principais de quartzo, feldspatos e micas. instância preparatória e matricial de uma vontade boa.
UE solidária e capaz de partilhar riscos. A Deveríamos saber ainda que, nesse processo lento de arrefecimento, Pela região da Guarda, se existissem experiências estéticas
aproximar-se do crepúsculo político, Merkel o “ADN” do magma original esculpiu primariamente, grande parte desejáveis, também existiria, em consequência, o desejo de as
não quer ser a comandante que deixou o do que são hoje as Geo-formas que afloram à superfície, únicas e preservar e outros desejos, que poderiam culminar num êxtase
projeto europeu acabar como o Titanic. prontas a serem valorizadas e contempladas. Claro que precisamos difícil de explicar, mas viciante no sentir, tal como num orgasmo.
Quinta-feira • 28 de maio de 2020 • • 11

FIO
de opinião
Observatório de Ornitorrincos
PRUMO
opinião Nuno Amaral Jerónimo
Acácio Pereira extremo.acidental@gmail.com

Promover o Interior para o Ciência, viva!


pós-Covid Normalmente, as descobertas científicas
são demoradas. O tempo da Ciência é lento
pouca roupa.
Por causa da pandemia (e não da ausên-
aos olhos comuns, embora seja bastante cia de vestuário adequado, pelo menos na
As crises, guerras ou pandemias, para Mas também há coisas positivas a curto na passagem da história. No fundo, parte que se vê nas chamadas de vídeo), a
além da devastação e das consequências registar. Ficou demonstrado, nomeada- a Ciência é uma espécie de Carlos Miguel, academia passou a ser a casa mais vigiada
trágicas que produzem, surgem também mente em Portugal, que os territórios com antigo centro-campista do Sporting. do país. Só que, como as conclusões são
como oportunidades de mudança e de evo- menor densidade populacional – ou seja: o Os cientistas, ainda na fase de estudar ainda tão imperfeitas, há observações dis-
lução positiva para as populações. O maior Interior – tiveram, em regra, menor taxa de os resultados, foram elevados a celebridades poníveis para agradar a todos os quadrantes
exemplo disso será o período que se seguiu incidência da infeção e um melhor controlo instantâneas, como se fossem os novos con- da opinião.
à II Guerra Mundial, no qual – e apesar da da doença. correntes de um “reality show”, o Bad Birus As máscaras protegem? Sim, claro, nem
Guerra Fria – nasceram e se multiplicaram Por outro lado, e em oposição, continua 2020. Não têm grandes certezas de nada, mas toda a gente, só quem a usa, não fazem falta
os regimes democráticos e se fundaram a verificar-se uma muito maior dificuldade os apresentadores de televisão pedem-lhes nenhuma.
as sociais-democracias que, nas décadas de controlo do novo coronavírus, e uma que eles digam alguma coisa. Por isso, têm Podemos andar na rua? Com certeza,
seguintes e até hoje, permitiram a tantas maior facilidade de propagação, nas regiões produzido declarações como esta: “Eh pá, ó com cuidado, apenas sozinho, só se for
pessoas ascender às classes médias. densamente povoadas como as áreas me- Rodrigo, há gajos que andam para aí, falam, imbecil.
A crise da Covid-19 não é diferente! tropolitanas de Lisboa e do Porto. falam, falam, e eu não os vejo a fazer nada do Vai morrer muita gente? Mais do que em
É verdade que a pandemia está longe de Esta fragilidade sanitária do litoral, que os epidemiologistas dizem, é claro que filmes do Michael Bay, depende das homilias
estar dominada, mesmo em Portugal, e que sentida no eixo urbano contínuo que liga Se- fico chateado”. do “Jornal da Noite”, os mesmos que morre-
não sabemos ainda o que nos espera no ano túbal a Viana do Castelo, pode e deve voltar Os cientistas há muito que estão acostu- riam de soluços.
que se vai seguir até à descoberta de uma a colocar o reordenamento do território e mados a juntar-se em ambientes fechados e É seguro jogar futebol? Afinal, o que é
vacina. Em processos que não dominamos, a redistribuição da população portuguesa a discutir as suas observações e conclusões. mais perigoso para a integridade física de
e nos quais a ciência ainda está na fase em pelo país na agenda política. É evidente Só que até Março deste ano, a isso chamava- um jogador de futebol? O coronavírus ou um
que tem mais dúvidas do que certezas, é que os políticos eleitos pelo litoral e pelas se Congressos e não “Prós e Contras”. Além defesa-central do Benfica tipo Mozer?
preciso ter o bom senso, e a prudência, de áreas metropolitanas jamais o farão, mas disso, não costumavam despertar grande A única coisa certa, pelo menos em Por-
não dar palpites. O assunto sério. os autarcas do Interior, os deputados interesse ao público em geral, talvez porque, tugal, é que enquanto a vacina da Covid-19
Podemos, no entanto, falar de algumas eleitos por este território e os governantes embora também houvesse nas convenções não chegar, a melhor prevenção contra o vírus
coisas que a crise revelou. A maior parte com origem e ligações ao Interior poderão académicas as mesmas discussões e intrigas é ser filiado no PCP.
delas, infelizmente, são negativas, como lutar por isso. da casa apresentada por Claúdio Ramos, os
o aumento das desigualdades socioeco- Esta é uma oportunidade para tornar o encontros científicos apresentam claramente * O autor escreve de acordo com a antiga
nómicas: como em todas as crises, “os de Interior atrativo que, por bons e por maus um défice de matulões e matulonas com ortografia
baixo” estão, e irão, sofrer mais do que “os motivos, não se voltará a colocar tão cedo.
de cima”. Os empreendedores são e serão Aproveitá-la é uma questão de ambição:
mais castigados do que os funcionários quantos políticos, nacionais e locais, te- opinião

Parte I - Chapéus há muitos…


públicos. E os velhos estão em desvantagem remos com ambição e estofo para agarrar
face aos novos. este desafio?
Nada de novo. Como diria o outro, “é
a vida”. * Dirigente sindical Joana Dente* quadrado. O material e a cor vão variando muito
e podem ser usados tanto no verão como no
Dizia Vasco San- Inverno.
tana e é bem verda-
agoradigoEU de! Os modelos são 4- Floppy
efetivamente vários e, Muito feminino, de aba larga e topo redondo,
opinião nos dias que correm, perfeito para quem gosta de um estilo boho e
Albino Bárbara
não se consegue ficar hippie chic. Ao que parece, a Meghan Markle é fã
indiferente a eles. No deste modelo, irreprovável num visual anos 70.

Reflexão em dia de aniversário artigo desta semana, e no próximo, vamos ver


quais são os modelos mais consensuais, quem
favorecem e quais as regras de etiqueta que lhes
5- Coco
De copa redonda e abas curvadas e peque-
Não é necessário ser expert para banca, que bem nos tem tramado, essa mes-
estão associadas. nas, é um modelo muito utilizado pelos homens.
perceber o impacto que esta paralisação mo que pagámos e pagamos, com língua de
Requer estilo para ser usado e vai bem com um
forçada está a criar no mundo inteiro. sete palmos, ser a salvação da pátria, de to-
1- Fedora/ Barsalino look moderno e despojado – em festivais, pode
Importa, isso sim, que o velho papão da dos nós, contribuintes, honestos, pagantes
Caracteriza-se por ter abas de tamanho mé- ser a cereja no topo do bolo.
austeridade não regresse. Para tanto, cidadãos, que continuamos, por experiencia
dio, copa bem marcada e uma pequena dobra na
temos obrigatoriamente de ajustar com- e por mais estas histórias rocambolescas
parte de trás. Por norma, são fabricados em feltro 6- Cloché
portamentos e regras, a começar, desde que nos querem vender, entender que estes
e, por isso, mais adequados a temperaturas frias. Falar deste modelo de chapéu é falar da Blair
logo, por pretensas variações políticas e, tipos só nos darão uma chouriça se entre-
da “Gossip Girl”! Em formato de sino e de abas
quiçá, troca de protagonistas. tanto lhe tivermos entregado uma valente
2- Panamá/ El Fino caídas, é um modelo que surge nas décadas de 20
A guerra comercial entre a China e os vara de porcos…
Facilmente se confunde com o Fedora, mas e 30 e está associado a mulheres independentes!
Estados Unidos tem de parar assumindo ou- Nunca se falou tanto em mudar
é feito de um material completamente diferente: É um modelo romântico que confere um ar de
tros contornos. O Brexit tem de ser revisto. comportamentos como agora. É tempo
palha proveniente de uma planta equatoriana menina.
As eleições presidenciais deste ano deverão de perceber o novo mundo: vamos ficar
conhecida como toquilla. É ideal para usar em
ter um novo inquilino na Casa Branca. O confinados; vamos manter-nos distantes;
dias quentes e proteger o rosto e a cabeça do sol. No próximo artigo falaremos das regras
bem-estar europeu e mundial tem forçosa- vamos viajar menos; vamos trabalhar de
subjacentes ao uso de chapéu. Até lá!
mente de passar por um processo solidário forma diferente, vamos ter desemprego,
3- Cowboy
onde a cooperação, a ajuda, a partilha da emprego dissemelhante ou falta dele, com
Encaixa na perfeição no estilo country e * @joanadente
informação, o avanço científico sejam uma outros hábitos de consumo, assumindo
folk, sendo mais adequado para quem tem rosto Jurista / Makeup Artist / Fashion Stylist
constante evitando assim a crise financeira uma outra consciência de classe tendo
mesmo sabendo que o efeito conjugado da experiências culturais, desportivas e re-
queda do PIB pode ultrapassar em todos ligiosas distintas, divertimento estranho,
os países europeus os 100% e, no nosso educação à distância, compras pela net,
poderá chegar ao record dos 135%. revisão de crenças e valores, mudanças de
Duas mil pessoas possuem mais velhos hábitos e, se calhar, haveremos de
riqueza que 60% da população mundial e olhar de forma diferente para o ambiente,
destas, sessenta são detentoras de metade tentando salvar o martirizado planeta.
da riqueza deste mundo. E a pergunta é Este mundo vai levar anos a recuperar
inevitável: devem os ricos pagar impostos do impacto da pandemia. Os dias são de
na proporção da sua fortuna ajudando desta muita incerteza e entender este padrão é a
forma quem está extremamente vulnerável? forma de pensar e agir diferente. Com muito
Deverá o Estado continuar a injetar, por três sabão, sabonete, gel desinfetante e álcool,
anos consecutivos, dinheiro na banca? Vai com menos apertos de mão e também com
sendo tempo de terminar, em definitivo, o menos abraços e beijinhos…
proxenetismo das PPP’s. Porque é que a TAP Oxalá isto seja passageiro. Para bem de
não é nacionalizada? todos. Oxalá. Em dia de aniversário, aqui fica
Caricato é mesmo conseguir perceber a preocupação, nem que seja, apenas e tão
aquela nova e peregrina ideia da tal dita cuja só, para memória futura.
Foto: Patrícia Vilela
12 • • Quinta-feira • 28 de maio de 2020

opinião
rua da corredoura, 80 - R/C Dto - C 6300-825 Guarda
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PSD

Eleições para a concelhia da dcabrita@iol.pt


Diogo Cabrita

Mler ife dada


Guarda a 27 de junho AR
Esta manhã deixei seguir a pen
que coloquei no carro com milhares de
As eleições para a concelhia do PSD da
músicas que me agradam, carregada de
Guarda estão marcadas para 27 de junho.
temas dos CD’s que já não têm lugar
O ato inicialmente agendado para 4 de
nos automóveis. Eu tenho a nostalgia
abril foi adiado devido à pandemia da Covid-19
do papel, das capas, dos objetos ape-
e nessa data apenas uma candidatura, a de
raltados, cuidadosamente construídos
Júlio Santos (na foto, com Tiago Gonçalves),
para o ouvinte, com as letras, com
tinha sido entregue. Os novos prazos deter-
desenhos ou fotografias, com infor-
minados pelo Conselho Nacional de Jurisdição
mações importantes para o artista que
do partido permitirão agora a Sérgio Costa
assim se explica e enquadra. Hoje ouvi
formalizar também a sua intenção de concor-
os meus deliciosos mler ife dada que
rer à sucessão de Tiago Gonçalves, que não se
acabaram há três décadas e que ainda
recandidata.
são modernos, únicos e fascinantes.
Entretanto, foi posta a circular uma carta,
Por ali passaram músicos de exceção,
supostamente subscrita por 30 presidentes
participaram artistas plásticos, fizeram-
das 34 Juntas de Freguesias conquistadas pelo
se arrojados arranjos, ilusionismo mu-
PSD em 2017, e enviada a José Silvano, secretá-
sical, sofisticadas performances. Ainda
rio-geral do partido, a denunciar «a gravidade
hoje o tema “Pandra Bomba” é uma
da situação política» vivida na Guarda. Tudo
cadência de ritmos e de opções inova-
por causa da retirada de pelouros a Sérgio Cos-
doras. Terminaram depois do EP “mú-
ta e da sua destituição da vice-presidência da
sica do homem que anda”, em 1990,
autarquia. Os signatários da missiva, que não é
que é um título tão adequado agora.
recente, queixam-se de não terem sido ouvidos
Cantou no começo Anabela Duarte e
pelo presidente Carlos Chaves Monteiro, que trabalho pelas nossas terras e natural- mesmos, não podendo ser divulgados sem a depois Sofia Amendoeira. Participaram
é acusado de não ter dado «explicações razo- mente com a Câmara Municipal». Do docu- sua autorização ou da entidade para a qual na banda nomes como Pedro d’Orey, os
áveis» para esta decisão. No documento, que mento enviado a O INTERIOR constam apenas foram dirigidos segundo o Regulamento Geral irmãos Garcia, Nuno Canavarro, Bruno
é um manifesto de apoio a Sérgio Costa, lê-se as assinaturas dos autarcas do Rochoso (An- de Proteção de Dados». A segunda remeteu Pedroso que fazem parte do percurso
ainda que o agora vereador sem pelouros foi tónio Terras Simões) e de Videmonte (Afonso diretamente para José Silvano. pop da música portuguesa. Nuno Re-
sempre «um homem aberto ao diálogo e dis- Proença). Os nomes dos restantes alegados Ao que O INTERIOR apurou, esta tomada belo é hoje um músico experimental
ponível para encontrar soluções», num projeto signatários, nem as Juntas que representam, de posição foi desencadeada por Sérgio Costa e com uma produção a que sou alérgico.
político ao qual «faz muita falta». não foram divulgados – apesar da insistência José Rabaça, atual secretário da Junta de Casal Que pena! O que transporta alguém ao
Dizendo-se «apreensivos» com a situação, de O INTERIOR. A primeira justificação de de Cinza, e terá sido apresentada aos eleitos nebuloso espaço do inaudível depois de
os subscritores consideram que se «cortou, António Terras Simões foi que «as informa- como sendo uma carta a dirigir a Chaves Mon- se ter brilhado na extravagância criativa
sem quaisquer razões do trabalho político ções pessoais constantes das folhas com as teiro. Acabou na mesa de José Silvano, que, até e divertida? Há coisas que não percebo,
autárquico, uma raiz forte deste projeto», mas assinaturas enviadas ao secretário-geral do ao momento, não tomou nenhuma posição ou mas também essas me fascinam.
dizem que continuam «empenhados no PSD carecem de autorização pessoal dos iniciativa sobre o assunto.

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Quinta-feira, 28 de maio de 2020 1

Opinião

20 anos podem não ser nada


No caso dos jornais, é a informação regional regional acabam por não saber avaliar bem para A fórmula do jornal que se folheia na esplanada
que sofre, sem poder de atração, sobretudo numa quem é que estão a falar. E na verdade têm que estar do café numa tarde após o almoço ou no trabalho
região em que quem pode foge para os grandes sempre a falar para várias camadas de população, ao princípio do dia é ainda a que mais me agrada.
centros ou para o litoral. Se se tende a fugir daqui, mantendo o interesse de todas elas. Há sempre a Bem tenho tentado ler as crónicas que mais me
para quê procurar informação sobre o “aqui”? A ideia escolha de um núcleo principal de leitores pelos agradam no smartphone mas a fórmula é cansativa
de que “aqui não se passa nada” é a predominante temas, géneros e formatos cultivados, mas os outros e às vezes desesperante.
na região e já não bastava este fator e também a subnúcleos não podem ser colocados de lado. Um Creio, no entanto, que esta crise pode ser até
Internet exibe uma oferta de tudo a preço barato. público interclassista, mas não analfabeto, é o que uma razoável oportunidade para o incremento da
E como poderiam os media regionais ser melhores deve o jornal procurar. leitura de jornais em suporte digital, embora ela
do que a economia regional ou a cultura regional? nunca volte aos níveis que em certos tempos ela teve
É assim que a maioria pensa. 3. Não se passa sem jornais nos jornais em papel. De repente, fruto do alarme da
“Dar ao público aquilo de que ele gosta” é um Covid-19, vemos toda a gente a ler “coisas sérias”, o
2. Como pode um jornal transformar-se chavão que pode levar às maiores leviandades. É que valoriza ainda mais a “bolsa de massa cinzenta”
Nada é possível modificar-se nos jornais se não preferível oferecer-lhe aquilo que supomos que ele que os jornais possam cativar, nomeadamente ao
houver algo para dizer. Para além de uma montra precisa, mesmo que não dê conta disso. Em tempos nível da opinião. Será esse o grande trunfo dos
mais atraente pela Internet (a loja, por assim dizer), de desprezo pelo texto maior que três linhas, é difícil jornais, já que de “noticiazinhas” está o Facebook
se o produto for pequenino, se a maçã for raquítica satisfazer os “leitores” que não são leitores. É sempre cheio. E se não se aproveitar por essa via a janela
ou a castanha bichada, a banca não pode render. possível desenvolver mais os conteúdos online e é comercial da Internet, os jornais estarão condenados.
Joaquim Martins Igreja Portanto, no que respeita ao conteúdo, acreditando por aí que o negócio terá que evoluir. O jornal tem Que é que eu quero dizer com estas notas?
na riqueza que há num meio de baixa densidade, que se convencer que o modo de funcionamento das Que temos que jogar simultaneamente no atraente,
é possível tornar em notícia apetecível aquilo que pessoas, mesmo as alfabetizadas ou muito alfabe- no variado, no profundo, na aceitação da mudança
1. Para que serve um jornal regional aparentemente parece não ter interesse. Quantas tizadas, é o do pequeno ecrã. O mundo da leitura dos nossos leitores, na confiança no que fazemos.
Quando o volume de informação disponível vezes nos admiramos de certo ramo de atividade ou atual é o da “leitura impaciente” porque sabemos Que, se permanecermos entrincheirados numa ideia,
aumenta, como na atualidade, quando a atração da certa área não serem noticiados, mesmo quando é que há mil textinhos/ imagens/ vídeos/ músicas que acabaremos por morrer sozinhos, apesar de cheios
informação pela imagem ofusca o valor das palavras, possível fazer artigos interessantes sobre “aquilo”. nos esperam já a seguir no fim do “minutinho” que de razão. Que também devemos acreditar (por uns
quando o nosso mundo vai até aos antípodas num Interessa mostrar também à própria sociedade que gastamos com o primeiro. Só paramos com mais instantes que seja) na capacidade de reflexão dos
instante, temos tendência a desvalorizar o micro e a a sua atividade só pode subsistir se alguém mostrar tempo num desses assuntos se ele estiver bem feito nossos leitores. Que, sendo o meio que faz a mensa-
valorizar o macro. Por isso a cultura da globalização que existe e que a sua dinâmica pede a adesão do ou se ganharmos uma rotina. gem, é ele que a transforma e que assegura o que ela
destrói as raízes, valorizando os ramos que vão para público. vai ser junto do público. Tudo é, portanto, possível.
qualquer sítio. Muitas vezes acontece que o jornal ou rádio 4. Ler é mais preciso do que nunca Longa(s) vida(s) a O INTERIOR! Vale a pena ler!
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2 Quinta-feira, 28 de maio de 2020

«Cabe ao PSD dizer quem


é o candidato na Guarda»
Carlos Chaves Monteiro, presidente da Câmara da Guarda, fala dos seus projetos para a cidade e do seu futuro político
P – Qual é o projeto de Carlos Chaves Monteiro exigência do distanciamento social é um entrave – possa
para a Guarda? ser uma grande esplanada para a qual desafiaríamos os
R – É tornar a cidade e o concelho mais atrativos nossos empresários de restauração e bebidas oferecendo
para o investimento, mas também que seja para quem nós as condições básicas para trabalharem este Verão. O
cá vive uma cidade de bem-estar, modernidade, mobili- município tem barraquinhas, mas poderíamos pensar num
dade e sustentabilidade. Todos os projetos do Plano de espaço mais amplo que servisse de base logística para
Desenvolvimento Urbano (PEDU) devem contemplar os diversos empresários interessados. É uma ideia que
estes princípios para humanizar mais a Guarda e que as vamos apresentar aos comerciantes para fazer daquele
novas infraestruturas coloquem o seu foco na vivência local uma “praça viva”.
e na convivência humana. Em concreto, temos vários
projetos em curso ou a arrancar no centro da cidade, da P – Como está a instalação na Guarda do Coman-
Rua do Encontro à Tenente Valadim, passando pela Torre do Nacional da Unidade de Emergência e Proteção
dos Ferreiros, que está em fase de conclusão e contamos Civil da GNR?
inaugurar no próximo Dia da Cidade. Há ainda o eixo da R – Essa unidade é constituída por 200 efetivos e,
Alexandre Herculano/ Afonso Costa/ Soeiro Viegas, que numa fase inicial, contamos que entre 80 a 100 possam
terá uma pedovia, mas também a pedovia/ ciclovia ao vir para a Guarda sem embargo de obras de manutenção
logo da VICEG que vai entroncar na Alameda dos F’s. e reparação a realizar nos edifícios que a vão acolher.
O general Botelho Miguel, do Comando Nacional da
P – A obra da Alameda (que ligará a rotunda da Ti GNR, garantiu-me que nunca haverá uma mudança em
Jaquina à Viceg) deverá arrancar em breve? a cidade e essa esperança alimentamo-la, damos-lhe mos a trabalhar para que o projeto possa começar neste períodos críticos, como é este em que entrámos agora, e
R – O respetivo plano de pormenor está praticamente solidez, porque temos projetos que vão com certeza mandato. Tenho a certeza que a Guarda vai atrair mais ocorrerá depois dos incêndios e sempre após a realização
concluído e vamos passar à fase de expropriação. Há atrair pessoas. Neste momento a Plataforma Logística gente, com o apoio do investimento do Estado, porque são das obras necessárias. A questão é que tipo de obras é
uma empresa que está a trabalhar connosco na definição de Iniciativa Empresarial (PLIE) está praticamente cheia vários os serviços que estão prometidos para a cidade. preciso fazer, o que só saberemos numa reunião técnica
das regras de negociação dos terrenos, a tal periquação e vamos passar a uma segunda fase de expansão... entre os nossos técnicos, os responsáveis do Comando
que nos permitirá executar este projeto e salvaguardar P – Já falou na fase 2 da PLIE, qual é o seu plano Nacional da GNR e da Secretaria de Estado da Admi-
os legítimos interesses dos proprietários. É um processo P – Quantos postos de trabalho há neste momen- para atrair empresas e investimentos? nistração Interna que ainda não aconteceu por causa da
moroso do ponto de vista administrativo porque temos que to na PLIE e quantos estão previstos ser criados nos R – Para já estamos a ocupar totalmente a área da pandemia da Covid-19 e que contamos que tenha lugar
ouvir todos os intervenientes e elaborar as peças técnicas próximos tempos? primeira fase. Como referi, a procura tem sido imensa em junho. Estamos ainda a trabalhar na mudança de
que justificam a intervenção. A Câmara quer a solução R – Agora são mais de 500 e estão previstos outros e isso justifica a intensidade de obra que está a decor- instalações do comando distrital da Proteção Civil para
mais rápida, a periquação é a que está neste momento tantos. Atualmente teremos dois a três lotes disponíveis, rer no local. É certo que avançámos com apoios aos que possa ter melhores condições de trabalho e receber
em cima da mesa. Mas admito que possa ser pela posse por isso já estamos a projetar o seu alargamento. O pro- projetos de investimento, quer para a criação de postos mais operacionais.
administrativa porque o objetivo é o município ficar já com jeto está a ser desenhado, porque é preciso fazer toda de trabalho, quer diretamente ao próprio investimento,
a posse provisória de todo o espaço necessário para lan- a infraestruturação, a pensar na candidatura a fundos mas queremos ir mais longe. A Câmara está disposta P – A Guarda é candidata a Capital Europeia da
çar o concurso para a execução da obra. Esse é que é o comunitários que este ano contamos que vá abrir e que a ceder alojamento, durante o primeiro ano, às famílias Cultura em 2027. Além desse processo, o que está a
momento crucial, até lá temos que optar pela periquação nos ajudará a ser mais rápidos na resposta a um projeto que se deslocarem para a Guarda. Também poderemos ser feito em termos de investimento cultural?
ou pela posse administrativa por utilidade pública daquela estruturante. E é pensando nas empresas, nas pessoas, facilitar a construção ou reconstrução de casas com vista R – Tem sido um investimento muito imaterial nos
área, respeitando e salvaguardando os direitos legítimos na qualidade de vida e no bem-estar do centro da cidade a acolher famílias que possam vir trabalhar para cá. Em recursos humanos e nos técnicos que assumiram a
dos proprietários. que potenciaremos o desenvolvimento e crescimento articulação com empresas nacionais, nomeadamente a coordenação das respetivas áreas de intervenção da
económico do concelho. No caso da Alameda dos F’s, a Altice, queremos também apoiar o desenvolvimento dos candidatura, liderada por Pedro Gadanho. Temos estado
P – Acha que numa cidade que tem perdido periquação, a solução comummente utilizada por todas as projetos de um conjunto de empresas tecnológicas e de a definir quais são os eixos estratégicos da Guarda 2027,
habitantes o processo de periquação, em que os cidades e um instrumento de gestão do território adequa- programação aqui sediadas, caso da Isobar, da Loba, da como o envolvimento das associações, os nossos produ-
proprietários podem ser compensados com direitos do, responderá aos direitos dos proprietários e às novas Coficab ou mesmo da Gelgurte. São empresas que têm tos endógenos e o trabalho realizado ao nível cultural ao
de construção, será atrativo e benéfico? necessidades de habitação. Os tempos que correm são um “know-how” de excelência e que podem contribuir longo destes anos, tudo articulado com os eixos centrais
R – Queremos uma cidade apostada no futuro e pessimistas e sabemos que vamos ter dois anos difíceis para que a Guarda seja um centro tecnológico, que que- desta candidatura que são a diáspora portuguesa e o
se conseguirmos criar eixos e estruturas que são funda- pela frente, mas também temos que ter a noção que é remos construir no âmbito do futuro multiusos. Queremos diálogo religioso. Do ponto de vista material, temos já
mentais para o desenvolvimento não será um problema, nos momentos difíceis que podemos pensar em lançar também apoiar o comércio local, fomentando cada vez definido o investimento no Centro de Interpretação da
será uma solução porque a Guarda vai atrair mais gente. projetos para o futuro. Gostava que pudéssemos colocar mais iniciativas. Por exemplo, estou disponível para que Cultura Judaica, que nascerá num edifício que adquirimos
Eu aposto claramente numa esperança de futuro para a primeira pedra ainda este ano, mas o certo é que esta- a Praça Velha – e queríamos fazer isso este ano, só que a no centro histórico, e o Quarteirão das Artes. Já temos o

«Não sei o que mais poderá acontecer, mas já me aconteceu muito neste curto mandato»
P – É candidato à Câmara em 2021? O PS já Guarda. O partido irá avaliar o meu desempenho e que me pode impedir é não ser o melhor governante. trabalhou comigo. Cidália Valbom é presidente da
anunciou que até agosto vai apresentar os candi- caber-lhe-á dizer quem é o candidato. Assembleia Municipal. Cada um fará aquilo que achar
datos nas capitais de distrito. P – Espera ser o escolhido? adequado, no entanto ainda ninguém se apresentou
R – A minha opção é aquela que os guardenses P – Se for candidato, vai manter os seus atuais R – Terei sempre que ter, como outros, as condi- como candidato. Eu espero que o partido fale primeiro e
quiserem e o PSD também. A 16 meses das eleições vereadores? Ou não? ções para poder ser escolhido, mas não estou a vincular diga de sua justiça, e o que o partido definir eu acatarei.
penso que ainda é muito cedo para tomar uma de- R – Essa é uma não questão. Os meus colegas o partido a qualquer tomada de decisão. As circuns-
cisão. Deixarei que o partido fale primeiro e depois são as pessoas em quem mais confio na Guarda para tâncias atuais são estas, as de ser eu o presidente da P – Considera que ambos foram desleais
tomarei a minha decisão. trabalhar. Abraçamos um projeto comum e é com eles Câmara da Guarda. consigo nos últimos meses?
que quero chegar ao fim deste mandato e convencer R – As ações ficam com quem as pratica. Um dia
P – Ao dizer isso, pondera a possibilidade de a Guarda que o trabalho que desenvolvemos foi justo, P – E que circunstâncias poderão fazer com que a Guarda irá julgar-me e às pessoas de que falou, é
concorrer como independente? adequado e respondeu – espero eu – aos anseios dos não esteja disponível para ser candidato? um direito que lhe assiste.
R – Sou militante do PSD e aconteça o que nossos concidadãos. R – No curto mandato que levo como presidente de
acontecer manterei sempre essa qualidade enquanto Câmara quase que já experimentei de tudo e muita gente P – Se o partido escolher outro candidato, o
tiver vida ativa política. P – A candidatura de Carlos Chaves Monteiro com muitos anos de exercício da causa pública não terá que vai fazer Carlos Chaves Monteiro?
será a escolha mais natural para o PSD na Guarda? tido a experiência que, nós autarcas, vivemos atualmente R – Sou advogado de profissão, não sou político.
P – Mas acredita que muito dificilmente o PSD R – Não sei. Fui a eleições com o presidente por causa da pandemia da Covid-19 e eu, em especial, Exerço o cargo de presidente da Câmara da Guarda
não lhe dará essa preferência? Álvaro Amaro como cabeça de lista em 2013 e 2017. devido a situações inusitadas que surgiram neste ano e temporariamente, enquanto o povo assim decidir, e
R – Espero é fazer tudo o que está ao meu No segundo mandato Álvaro Amaro foi eleito deputado pouco. Não sei o que mais poderá acontecer, mas já me quero fazer o melhor pelos meus concidadãos e pelo
alcance e que os guardenses se revejam no meu no Parlamento Europeu e o segundo da lista substituiu aconteceu muito. Já dei provas que tenho a responsabi- concelho, tal como fazia na advocacia pelos meus
trabalho e no da minha equipa nestes 16 meses que o primeiro, de acordo com a lei. lidade das funções que desempenho, que procuro fazê-lo clientes e pela justiça. Não podemos assumir nunca
faltam para o final do mandato. Considero que, em com o maior empenho e profissionalismo que me assiste que somos presidentes – como se diz –, nós estamos
política, os melhores devem governar e tudo farei para P – Mas neste momento tem ou não mais legi- e, portanto, tudo ficará em aberto no final. presidentes e em constante avaliação. Por isso, se
governar a nossa cidade da melhor forma possível. Se timidade do que qualquer outro para ser candidato o meu desempenho for correto, adequado e houver
não tiver essa competência, alguém julgará e decidirá. à Câmara? P – Sérgio Costa e Cidália Valbom são os seus vontade nesse sentido, haverá condições para ser
Pela minha parte tenho que me focar no trabalho, nos R – Sou presidente da Câmara da Guarda, cabe principais adversários às próximas autárquicas? candidato e o PSD poderá assumir esse compromisso.
projetos e encontrar soluções para os problemas da ao PSD decidir que posso ser candidato. A única coisa R – Não. Sérgio Costa foi meu vice-presidente, Caso contrário serei penalizado.
Quinta-feira, 28 de maio de 2020 3
projeto, faltam-nos as especialidades e uma candidatura
que potencie a intervenção nos edifícios do Museu,
Paço da Cultura e antigo Paço Episcopal, bem como a «Dívida atual
construção na parte posterior do museu de uma nova
galeria de exposição de arte e vários ateliers. Outra obra
estruturante é a requalificação do Largo Frei Pedro e da
da Câmara não
zona envolvente do Quarteirão das Artes.
chegará aos 16
P – Como está o projeto de mobilidade entre as
Ruas Tenente Valadim, do Encontro e Alves Roçadas?
R – A Tenente Valadim e Rua do Encontro estão em
milhões de euros»
concurso e em fase de entrega para execução. Coisa P – Qual é a situação financeira da Câmara
diferente é o projeto de requalificação que estamos a da Guarda neste momento?
iniciar no Largo Frei Pedro, mas também das Ruas Alves R – Temos honrado os compromissos que assu-
Roçadas até à igreja da Misericórdia e Camilo Castelo mimos, como também os compromissos do passado.
Branco, numa intervenção que irá abranger a Rua Mar- Em 2013 herdámos uma dívida de 62 milhões de
quês de Pombal e o Largo S. João. O objetivo é dar novas euros – não vou entrar na questão do passivo –, e
acessibilidades para que as pessoas possam desfrutar do hoje ela não chegará aos 16 milhões. Nestes anos
centro da cidade através do alargamento dos passeios, do tivemos amortizações médias da dívida de mais de
arranjo urbanístico da zona e do estudo do trânsito para 2 milhões de euros, tendo sido muito próximas dos 3
fazer com que, eventualmente, haja sentidos únicos de milhões em 2013 e 2014. Ou seja, fazer obra e pagar
trânsito. Neste momento já não vamos avançar com a dívida foi uma tarefa estrutural nos objetivos traçados
requalificação do Largo da Misericórdia (praça de táxis). privada. Gostaria que, a partir dali, pudéssemos defender Só depois estaremos em condições de assinar as peças logo em 2013. A economia local não recebia a tempo,
um projeto a que chamaria de “Vale da Lã”, em que o visi- contratuais necessárias para iniciar a sua construção. na altura o prazo médio de pagamento era 240 dias,
P – É por causa da contestação que a Câmara tante teria como ponto de partida a Praça Velha, visitaria Trata-se de um multiusos que a Guarda quer e deseja hoje é de 30 dias. Nesses tempos, vender à Câmara
não irá fazer essa obra que tinha sido apresentada a antiga judiaria – para a qual apostamos num projeto de há muitos anos. Isso ainda não aconteceu, mas estamos da Guarda era, diria, uma operação perigosa para
em maio de 2018? requalificação das fachadas, janelas e portas apoiando crentes que possa acontecer a breve trecho… as empresas. Mudámos completamente esse para-
R – Não. Se olhar para as requalificações do Largo diretamente os proprietários – e rumaria depois à freguesia digma a partir de 2013 ao cumprir escrupulosamente
Frei Pedro e do Largo da Misericórdia, percebo claramente de Maçaínhas para conhecer o cobertor de papa, mas P – Mas há algum diferendo com os investidores os nossos compromissos e na medida do possível,
que, não podendo fazer as duas, uma sobrepõe-se à ou- também à barragem do Caldeirão, aos Passadiços do privados? porque a situação económica era difícil. Em dezembro
tra. É mais oportuno recuperar o Largo Frei Pedro, aquele Mondego e ao património e tradições daquelas fregue- R – Não, trata-se de um processo complexo porque de 2013 pagávamos mensalmente mais de 200 mil
muro que está algo degradado, e ordenar a circulação sias da encosta da serra. Se agregarmos tudo isto num não envolve só a Câmara ou potenciais investidores e euros aos dez maiores credores com os quais che-
viária no local porque se temos como objetivo colocar as produto único conseguiremos ter ali uma oferta turística resulta de uma circunstância anómala que vem desde gámos a acordo. Também na nossa gestão tivemos
pessoas no centro da cidade então percebemos claramen- integrada e direcionada para o ambiente e a Natureza e 2001, na qual temos um arresto. Estamos a falar de um algum pecúlio, que afetávamos todos os meses,
te que o carro terá um peso diferente na nossa estratégia com isso conseguiremos atrair mais visitantes. Também terreno que, pretensamente, é do município, mas formal- com negociação dos juros, ao pagamento da dívida
futura. Por isso, se nas Ruas Alves Roçadas e Camilo espero poder chegar à Torre através da “Estrada Verde”, mente não há escritura que o determine e isto obriga a acumulada pelos nossos antecessores. Hoje podemos
Castelo Branco houver um sentido de trânsito e forem que gostaria de ver construída e daria à Guarda uma uma definição a três. Resolvida que for esta circunstân- dizer que o compromisso da dívida anual ronda os 180
alargados os passeios estamos a favorecer a circulação centralidade ímpar na Serra da Estrela. cia do proprietário atual ceder a posição contratual ao mil euros em pagamento de juros dos tais 16 milhões de
das pessoas no centro e a fruição do espaço público. Com possuidor do terreno, só depois o município estará em euros. No primeiro mandato chegámos a ter um custo
o Quarteirão das Artes contamos também requalificar a P – Como está o projeto dos Passadiços do condições de avançar com os investidores privados. Já anual de 2 milhões de euros só para o serviço de dívida
envolvente, mas isso está em estudo e iremos avançar Mondego? Está dentro dos timings? disse que a autarquia não tem condições financeiras de curto, médio e longo prazo, fora as amortizações.
em função do dinheiro e do que está candidatado. A nossa R – A obra arrancou há duas semanas com os para fazer esta obra, nem há fundos comunitários aos Atualmente temos um valor de amortizações da ordem
intenção é criar no centro da Guarda novos museus, como trabalhos de desmatação e limpeza de terrenos. Penso quais possa candidatar-se para construir este pavilhão dos 2 milhões de euros, mas a partir de 2021 esse custo
o Museu da Memória e um outro para acolher a coleção que daqui a 30 dias já haverá estruturas a serem trans- multiusos que potenciará a Feira Farta, a Feira Ibérica de baixará para entre 1 a 1,5 milhões de euros.
de pintura, de valor nacional, de António Piné. Estamos portadas para o local. Admito que nessa altura o estaleiro Turismo e trará novos eventos para a Guarda. Também
em negociações com a Associação Nacional de Farmá- e as máquinas já sejam bem visíveis, coisa que ainda não sabemos que não conseguimos integrar construção nova P – A oposição diz que essa melhoria das
cias para que isso aconteça, penso que há abertura para tinha acontecido até meados de maio. no âmbito do PEDU. contas tem a ver também com o facto da Câmara
essas obras virem para a Guarda mas ainda não temos ter entrado em litígio com a Águas de Portugal e
um acordo definitivo. Aposta em novos museus e valorizar P – Ainda no turismo, está preocupado com o P – Uma das iniciativas paralelas à construção do deixado de pagar a água durante alguns anos.
os que já existem é estratégico no âmbito da candidatura atraso da requalificação do Hotel Turismo? CET é a possibilidade de fazer na zona envolvente um Isso é verdade?
a Capital Europeia da Cultura. R – Claro. Entendo este atraso, mas não queria hospital privado. Acredita nessa possibilidade, que R – Não. A dívida que referi em 2013 não incluía
que acontecesse. O Turismo de Portugal é proprietário está em risco porque os promotores estão também a dívida à então empresa multimunicipal Águas do
P – O “Solar dos Sabores” está em projeto e do imóvel, a Câmara teve uma atitude muito proativa de em conversações com o município da Covilhã? Não Zêzere e Côa. O que estava nas contas da Câmara
estará para breve a possibilidade de intervir naquele aproximar possíveis interessados para encontrarmos uma há o risco da Guarda perder esse investimento devido eram 1,5 milhões de euros de dívida ao sistema, mas
quarteirão nas junto aos antigos Paços do Concelho. solução, o que aconteceu, pese embora a circunstância ao atraso negocial? o montante global era superior porque havia valores
O que vai ser feito? da empresa que ficou com essa concessão, por questões R – O povo costuma dizer que “candeia que vai à em provisões por causa de ações judiciais em curso.
R – O fundamental no “Solar dos Sabores” é a várias, não ter assumido o processo e nós interviemos frente alumia duas vezes”. Não quero ser precipitado, A partir de janeiro de 2018 começámos a pagar às
requalificação das casas contíguas à atual sede da Co- para que essa cedência da posição contratual pudesse mas a Guarda tem aqui uma oportunidade, algo que Águas do Vale do Tejo.
munidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela. acontecer. Há um grupo empresarial interessado no desconhecia há dois meses porque esse projeto nunca
São propriedade da Câmara e conto que nestes 30 dias Hotel Turismo, mas a transmissão dos direitos e obriga- foi colocado em cima da mesa entre as contrapartidas P – Qual é neste momento a situação em
possamos fazer a limpeza de toda aquela área. É um es- ções assumidas pelo grupo MRG por via do contrato de que o grupo financeiro apresentou no âmbito da cons- relação à Águas do Vale do Tejo?
paço que queremos requalificar e dividimos a intervenção concessão está atualmente a aguardar aprovação do trução do CET. Essa possibilidade, a construção de um R – Ainda temos uma dívida de 30 milhões de
em duas fases, sendo que a primeira é de limpeza e de Ministério das Finanças. A pandemia pode ter tido alguma hospital privado com 32 especialidades naquela área do euros, mas é um valor que contestámos em tribunal.
consolidação das paredes desses edifícios porque não influência negativa e de atraso do início da apresentação Rio Diz, só foi apresentada recentemente. É também A ação chegou ao Supremo Tribunal Administrativo,
podemos continuar com as lonas. Depois avançamos do projeto e da obra, tendo já a Câmara manifestado a um investimento muito importante para dinamizar o que se declarou incompetente para apreciar esta
com as medições e o estudo arqueológico do espaço. A sua preocupação à secretária de Estado do Turismo. Foi- desenvolvimento da Guarda e o bem-estar dos nos- matéria e o caso está agora em tribunal arbitral, que
segunda fase é a concretização do projeto do “Solar dos nos dito que a situação iria ser resolvida, mas a questão sos concidadãos e reforçará o estatuto de “Cidade da vai ajuizar sobre qual é o valor real da dívida da Câ-
Sabores” que, além da requalificação da nossa “sala de continua na mão do Governo e era importante levar este Saúde” da Guarda. Por isso, é um bom projeto para a mara da Guarda, e de outros municípios, à Águas do
visitas” que é a Praça Velha, será um espaço de lazer e processo até ao fim no prazo mais curto, que seria ter este Guarda, em que acredito, mas a Guarda também terá Vale do Tejo. A este montante há que abater um valor
gastronomia, onde todos os restaurantes interessados belo hotel a funcionar dentro de três anos. que se pronunciar e decidir se deve estar ou não ao lado pelas infraestruturas cedidas pelo município e pelas
da Guarda e da região poderão ter um espaço próprio do presidente para fomentar mais um eixo estratégico rendas que a empresa multimunicipal nunca pagou à
e assim atrair pessoas. No piso superior será alargada P – O que falta para a Câmara chegar a acordo de desenvolvimento que, em correlação com outros autarquia – é uma situação que a Águas do Vale do Tejo
a Comunidade Intermunicipal e esperamos contar com com o fundo de investimento que vai construir o projetos estruturantes de que já falámos, mas também não quantificou, mas reconhece. E haverá ainda que
mais uma sala para exposições temporárias. Com este Centro de Exposições Transfronteiriço? todo o investimento que está a ser feito na linha férrea contabilizar o impacto da saída da Covilhã do sistema,
projeto queremos dar à Praça Velha uma nova imagem e R – O presidente da Câmara tem que levar todo o e nas duas variantes projetadas para ligar à Sequeira e que acabou por penalizar os municípios que ficaram.
valorizá-la do ponto de vista comercial. Estamos também projeto e as condições da eventual contratualização de e aos Galegos…
a pensar numa mega esplanada para trazer mais vida um Centro de Exposições Transfronteiriço (CET) à reunião R – São empreitadas integradas na modernização
àquela praça através das associações ou da iniciativa do executivo para ser explicado e votado favoravelmente. P – Quando arranca a requalificação da zona da das Linhas da Beira Alta e Beira Baixa cujos prazos der-
Guarda-Gare? raparam, mas a Câmara tudo fará para que aconteçam
R – Na última reunião com a Infraestruturas de até ao final de 2021.
«Atualmente não falo com Álvaro Amaro» Portugal foi-nos dito que o procedimento da variante da
Sequeira poderia ser lançado e que tudo estaria conclu- P – Que marca gostaria de deixar na Guarda como
ído em setembro deste ano, mas são questões que não presidente de Câmara?
P – É o “delfim” de Álvaro Amaro? Como tem Álvaro Amaro. Exerço as minhas funções, tenho os controlo. O compromisso da empresa com a Câmara é R – A principal era que pensei sempre na Guarda e
lidado com esta herança? meus amigos, a minha família, e Álvaro Amaro está que essa variante irá acontecer, até por uma questão de nunca em mim. Gostaria que as pessoas me recordassem
R – Aprendi muito com Álvaro Amaro do ponto de no exercício das suas funções, tem os seus amigos proteção dos peões, e seria reforçada com uma segunda como alguém que quis que a cidade que representou,
vista político. Claro que, além desse conhecimento, e a sua família... passagem superior entre os Galegos (rotunda da VICEG, uma capital de distrito, conseguiu atingir os níveis de
outras coisas podiam ter ficado comigo, mas infeliz- junto ao retail park) e a zona do canil para suprimir a pas- desenvolvimento que todos ambicionamos, desde logo
mente isso não aconteceu. P – Ou seja, atualmente não fala com Álvaro sagem de nível existente naquela localidade. permitindo que as gerações mais novas possam continuar
Amaro? a viver e a prosperar neste território. Espero ser lembrado
P – Isso quer dizer que há distanciamento R – Não. Acho que não houve nada da minha P – Ainda acredita que essas obras, nomeada- como um presidente que criou as condições para que a
entre os dois? parte que levasse a este afastamento. Somos nós e mente a variante à Sequeira, possam avançar neste juventude possa olhar para a Guarda como um futuro
R – Não. Há o presidente atual e que vive sem as nossas circunstâncias... mandato? para as suas vidas.
4 Quinta-feira, 28 de maio de 2020

20 anos a “Dar vida ao interior”


As profecias eram muitas, mas nenhu- uma webtv, O INTERIOR não podia ficar
ma se concretizou. A entrada no ano 2000 à margem das mutações da sociedade de
trazia consigo anúncios do fim do mundo informação, por isso está nas diferentes
e/ou de suposto regresso ao passado em dinâmicas da Web – da televisão online às
consequência do temido “bug do milénio”. redes sociais». Assim era justificada em
A noite de passagem de ano – que o então Editorial a nova aposta em julho de 2009,
primeiro-ministro António Guterres passou editorial incluído no jornal que se estreava teve a sua primeira edição na Rua do Co- na edição impressa que documentava a
num centro operacional de informações, nas bancas a 14 de janeiro de 2000. Nascia mércio – trouxe livros às ruas da cidade e sessão de apresentação da plataforma.
por prevenção – confirmou a normalidade então um novo semanário regional, feito de tornou-se pretexto para concertos, instala- O INTERIOR voltou a marcar a diferen-
e a ausência de catástrofes. O ano come- jornalistas jovens e colunistas experientes ções de arte e animação de rua. Nos anos ça ao eleger, com a ajuda dos leitores, a
çara, afinal, dentro da normalidade e sem que tinham como objetivo comum contribuir seguintes a Festa do Livro foi realizada na personalidade do Ano das Beiras e Serra da
alterações inesperadas. para o desenvolvimento e afirmação da Praça Velha e – após um interregno de qua- Estrela, de 2015. Rui Ventura, presidente
Na Guarda, pelo contrário, preparava- Beira Interior. tro anos – junto ao Jardim José de Lemos. da Câmara de Pinhel, foi o mais votado
se a mudança há muitos meses. Várias No ano de lançamento O INTERIOR viu Além desta atividade, a primeira década numa lista de nomes dos protagonistas
personalidades «de grande categoria e mé- o esforço imediatamente reconhecido com de O INTERIOR incluiu ainda a fundação mais referidos nas notícias publicadas
rito» juntavam-se para discutir e organizar a atribuição do Prémio Gazeta de Imprensa da “Rede Expresso”. Em 2004 o jovem nas 52 edições de O INTERIOR desse
um novo suporte informativo que permitisse Regional pelo Clube de Jornalistas. O mais jornal guardense inaugurava um espaço ano. O prémio, uma peça do escultor
unir a Guarda e a Covilhã, contribuindo prestigiado galardão nacional serviu de partilhado por 17 jornais regionais (um guardense Pedro Figueiredo, foi entregue
para o desenvolvimento da região como confirmação a um projeto que se assumia, por distrito) no semanário mais lido do a 11 de março de 2016 num jantar no Hotel
um todo. O INTERIOR era assim o primeiro desde o início, ambicioso. país. Cinco anos depois O INTERIOR Lusitânia.
jornal a surgir no novo milénio. Foi também Focado no escrutínio, O INTERIOR or- passaria a ser distribuído com o jornal A crescente importância do meio digital
o primeiro a ser lançado simultaneamente ganizava, em dezembro de 2001, o único “Expresso” em toda a Beira Interior – prá- levou à posterior modernização do site
em dois suportes: papel e digital. debate presencial com todos os candidatos tica que mantém até hoje, ainda que agora www.ointerior.pt, aliada a um maior enfoque
A vontade de ir «além do imediatamente à liderança da Câmara Municipal da Guar- mensalmente. na informação digital. Hoje O INTERIOR é,
percetível», foi assumida desde o primeiro da. A sessão atraiu centenas de munícipes, Ainda em 2009 foi feita uma nova apos- além de um semanário, um diário digital
editorial: «a descoberta das diversas posi- que quiseram ouvir pessoalmente as suas ta na dinamização da informação regional: regional, que, mesmo perante as adversi-
ções, distinguindo factos de opiniões e von- propostas. O INTERIOR.TV. A nova plataforma propu- dades, insiste em manter o acesso livre a
tades de finalidades; o observar realidades: No Verão de 2002 surge a aposta na nha complementar os conteúdos em papel todos os conteúdos publicados. Em 2020,
permitir-nos-ão ser agentes de formação e promoção da cultura e da leitura com a com reportagens em vídeo, apresentadas como em 2000, continuamos a defender
informação. Este é o nosso entendimento Festa do Livro, uma atividade com impacto por ordem cronológica. «Os maiores jornais «um jornalismo informativo disposto a lutar
de seriedade e credibilidade...», lia-se no significativo na Guarda. O evento – que do mundo têm indexada ou em paralelo pelos leitores».
Quinta-feira, 28 de maio de 2020 5
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6 Quinta-feira, 28 de maio de 2020
Opinião

Este pode ser o momento para o nosso Interior


centros de investigação, as incubadoras, as CIM, qualificados – como provam vários exemplos preponderância pela adequação e alinhamento
as autarquias, as associações de desenvolvimento no Interior de Portugal. Temos, por isso, de com os requisitos de operacionalização imposto
local, enfim, todos os atores relevantes para o multiplicar estes exemplos. Estes territórios são por esta nova realidade pós-Covid.
desenvolvimento de todos os eixos do PVI. cada vez mais uma opção para empresas de Dou apenas um exemplo que nos surpreendeu
Grande parte destas medidas visam estimular sucesso que desejam expandir a sua atividade; pela positiva. A primeira fase do Aviso 08/SI/2020,
o investimento e a criação de emprego qualificado são também cada vez mais uma opção de vida Inovação Produtiva - Território do Interior, fechou
nos territórios do Interior. Considera-se que o para certas profissões. E ainda mais no contexto a 30 de março de 2020. Foram submetidas 121
aproveitamento do potencial por explorar destes da atual pandemia. candidaturas, com propostas de investimento na
territórios poderá contribuir para um maior e melhor É meritória a ideia de que o resto do país ordem dos 438 milhões de euros, que solicitaram
crescimento do país. Não só porque não estamos deve ajudar estes territórios, incluindo os servi- subsídios no montante de 269 milhões de euros. A
a deixar nenhum território (e, por conseguinte, ços dos ecossistemas, se a perspetiva for a de esmagadora maioria dos projetos foram submeti-
nenhum cidadão) para trás, mas porque se tra- alimentar uma estratégia e não tida como mera dos já em período da pandemia Covid-19 – o que
ta, de facto, de uma nova geração de políticas. compensação. A ideia central tem de ser a de que nos permite concluir que, apesar de um contexto
Tradicionalmente, tem-se optado por uma linha o país como um todo perde se não aproveitar o de grande incerteza, as empresas continuaram
de redistribuição de rendimentos pelos territórios potencial do Interior, se não souber preservar os interessadas em investir, criar emprego e riqueza.
mais frágeis. seus ecossistemas e o que de bom a interiorida- Esperamos que estes sejam sinais de espe-
Ana Abrunhosa * Neste novo pacote de medidas, considera- de oferece. Isto exige um esforço de mudança rança e que representem aquilo que os nossos
mos que o desenvolvimento destes territórios se de mentalidades e de atitude. Exige um esforço empresários já provaram tantas vezes: que nunca
deve fazer a partir das pessoas e dos recursos de mudança da perceção do que realmente é o desistem, que sabem transformar as dificuldades
Uma das primeiras tarefas a que nos dedi- e ecossistemas que ali existem, mas isso não é Interior, e de mudança face às falsas ideias, como em oportunidades, que sabem ler os mercados e
cámos no Ministério da Coesão Territorial foi a suficiente. E não é suficiente por dois motivos: a da fatalidade ou aquela, que nunca alimentarei, adaptar os seus modelos de negócio.
atualização do Plano de Valorização do Interior, 1) o desenvolvimento destes territórios não se de ser possível recuperar população e atividade Bem sei que, para investir, precisamos de
conhecido por PVI, que vinha já do anterior faz só através da valorização dos seus recursos económica em todo o Interior. máquinas e equipamentos que muitas vezes im-
Governo. Com a participação de todas as áreas endógenos. À exploração ou valorização comer- Não é o Governo que determina que terri- portamos, e que, para o escoamento dos nossos
governativas, tinha de ser atualizado e mais focado cial destes recursos, incluindo a valorização dos tórios crescem e que territórios definham. Em produtos, estamos dependentes das cadeias inter-
em iniciativas e medidas integradas, dirigidas qua- serviços dos ecossistemas, há que acrescentar primeiro lugar, o destino dos territórios depende nacionais. Contudo, este é exatamente o momento
se exclusivamente para o Interior e com impacto conhecimento e tecnologia, o que significa uma de quem lá vive e trabalha. Dos seus líderes, para estimularmos a produção nacional, em áreas
no Interior. envolvente favorável ao trabalho em rede entre da forma como os seus atores relevantes tra- mais intensivas de conhecimento e tecnologia,
Fizemos a identificação da medida, nomea- as empresas, as instituições de ensino superior, balham em rede e aproveitam as medidas e os para substituirmos importações e para fornecer-
mos o responsável governativo pela mesma, a as associações empresariais; incentivos disponíveis. Felizmente, de Norte a mos mercados que estão a enfrentar problemas
fonte de financiamento e o período de execução. 2) o desenvolvimento destes territórios im- Sul, temos já hoje muitos exemplos de territórios terríveis. Este é o momento de passarmos para o
Contamos com a vantagem de termos agora as plica a diversificação da sua base produtiva. É que conseguiram contrariar o que era tido como setor produtivo o conhecimento e a tecnologia que
Comissões de Coordenação e Desenvolvimento certo que hoje já oferecem condições de qualida- uma fatalidade. o nosso sistema científico e tecnológico possui. E é
Regional a trabalhar connosco e os fundos euro- de de vida que são fatores de atratividade para Temos atualmente disponíveis diferentes também o momento de encurtarmos as cadeias de
peus regionais como instrumentos financeiros, atividades económicas nas áreas do turismo, apoios financeiros específicos para promover o distribuição, fomentando um futuro que a realidade
o que nos permite envolver nesta estratégia as das tecnologias da comunicação, eletrónica e desenvolvimento dos territórios do Interior. Os tornou presente, o da transição digital.
empresas, as suas associações empresariais e outras atividades intensivas em tecnologias e critérios e condições de majoração definidos
comerciais, as instituições de ensino superior, os conhecimento que exigem recursos humanos aquando da sua publicação ganham agora maior * Ministra da Coesão Territorial

Quadro descritivo da Estratégia do PVI, assente em 4 eixos, com a descrição das medidas já em curso e link direto para os diplomas legais e avisos abertos
Quinta-feira, 28 de maio de 2020 7
Opinião

Quebrar as amarras da interioridade


novas formas de relacionamento familiar pandemia, também tem sabido estar à altu-
e social, de trabalho, de proteção pessoal ra das suas responsabilidades, cumprindo
e coletiva, com lugar para atos de enorme a sua missão de divulgar aos cidadãos
generosidade e janelas de oportunidade, que informação fidedigna no que diz respeito à
jamais anteciparíamos, para um contexto de Covid-19 e ao seu impacto na região, nos
ameaça à saúde pública sem precedentes. diversos domínios.
Enquanto governante, não posso, tam- Felicito (...) o Tenho a certeza de que, passada a tor-
bém, deixar de exprimir um enorme orgulho menta, volvidos que estão vinte anos a es-
por integrar um Governo que, desde a pri-
vasto leque de crever a nossa história, o jornal O INTERIOR
meira hora, soube responder, com prontidão colaboradores e continuará a estar onde sempre esteve. Na
e responsabilidade, à emergência ditada defesa da Região, na luta permanente pela
Rita da Cunha Mendes* pela pandemia no apoio às famílias, às colunistas, bem valorização e pelo desenvolvimento do nos-
empresas e às instituições. Creio ser hoje como todos os so território, na busca incessante de novos
indesmentível o papel do Estado como ga- olhares, de novos desafios e dos melhores
Nesta ocasião especial em que o jornal rante da saúde, da segurança, da educação leitores, que são argumentos que sustentem, intransigente-
O INTERIOR assinala o seu vigésimo aniver- e da proteção social à universalidade dos mente, a defesa do nosso Interior.
sário, como amiga, leitora e ex-colaboradora portugueses, bem como a necessidade de
a razão maior da Muitos parabéns ao jornal O INTERIOR.
deste órgão de comunicação social de refe- preservar e continuar a fortalecer o Estado existência de O Votos de muitos e frutuosos anos de vida.
rência da nossa região, felicito todos aqueles Social.
que, ao longo destas duas décadas, têm O jornal O INTERIOR, nesta fase de INTERIOR. * Secretária de Estado da Ação Social
trabalhado com dedicação, isenção e profis-
sionalismo neste importante projeto jornalís- PUB

tico. Todos aqueles que têm contribuído para


o engrandecimento do jornalismo regional,
através da transmissão de informação credí-
vel e rigorosa, e que têm sabido reconhecer a
importância de conciliar o dever fundamental
da informação com a responsabilidade na
formação da opinião pública, tão essencial
para os milhares de cidadãos que continuam
a acreditar que ainda é possível almejar um
Interior cada vez mais forte e atrativo.
Felicito, por isso, o senhor diretor, as
senhoras e os senhores jornalistas, o vasto
leque de colaboradores e colunistas, bem
como todos os leitores, que são a razão
maior da existência de O INTERIOR.
Sinto que foi para mim uma grande honra
ter tido a oportunidade de me cruzar com
a história de um semanário que, resistindo
às compressões de contexto regional, sou-
be, em cada momento, pautar a sua linha
editorial, ao longo dos seus vinte anos de
existência, pelos valores da liberdade, da
pluralidade de opiniões e sensibilidades,
respeitando a dignidade de pessoas e ins-
tituições.
Reconheci, sempre, no jornal O INTE-
RIOR, desde a sua génese, a grande vontade
de querer contribuir para quebrar as amarras
de uma interioridade que nos coube a todos
por herança, mas que nos pode, e deve,
impelir a ambicionar sempre mais para este
território vasto e cheio das maiores riquezas
naturais e patrimoniais, que importa valori-
zar, evidenciar e potenciar, em cada dia, com
mais conhecimento, com novos projetos e,
sobretudo, com novas abordagens de futuro.
E essa tem sido uma das nobres missões
deste jornal, continuamente preocupado em
abrir horizontes e perspetivas de desenvol-
vimento na nossa região, não só através da
seleção de colaboradores e colunistas que,
semanalmente, partilham os seus pensamen-
tos com os leitores, mas, também, através
de todo um conjunto marcante de debates,
conferências e eventos que realçam a dinâ-
mica de um órgão de comunicação social em-
penhado no aprofundamento e na discussão
de temas que importam para esbater as vul-
nerabilidades do nosso território e elevar as
suas potencialidades, promovendo o que de
melhor se faz e acontece nas nossas terras.
Vivemos, hoje, momentos particularmen-
te difíceis nas nossas vidas por força das
consequências da pandemia provocada pela
Covid-19. Inesperadamente, todos tivemos
de reinventar a nossa forma de viver e de
estar com os que nos são próximos e com
todos os demais. Exemplarmente, soubemos
transformar em força a fragilidade imposta
pelo confinamento, adotando e respeitando
8 Quinta-feira, 28 de maio de 2020
Opinião

O insubstituível papel dos


órgãos de comunicação social
órgão de comunicação tornou-se fundamental “prosumers”, ou cidadãos produtores de informa- espaço mediático. Em segundo lugar, tal como na
apurar se existe a intenção de atuar como media, ção, os falsos órgãos online e as redes sociais generalidade das democracias europeias, consi-
Alberto Arons de Carvalho* contrapartida económica, continuidade, controlo escapam mais facilmente a essa vigilância. Muitos derar que a comunicação social desempenha um
editorial, respeito pelas regras da profissão de órgãos online escapam desse escrutínio porque serviço de interesse público essencial para a vita-
jornalista. Pouco importa já o suporte desse órgão não estão registados em Portugal, embora visem lidade do regime democrático, pelo que o Estado
Os media têm cada vez menos fronteiras – nos de comunicação, a forma de difusão ou o formato. o público e os anunciantes portugueses. Desta não pode alhear-se das condições concretas em
conteúdos que difundem, nas audiências e nos Há vantagens nesta nova realidade: acesso forma, não há transparência da propriedade, que ela desempenha as suas funções, nomeada-
consumidores, nas zonas de difusão, na proprie- instantâneo a múltiplas fontes de informação à es- sujeição à regulação e à lei portuguesa, controlo mente através de um sistema de incentivos que
dade e nos investimentos. Os sítios na Internet cala mundial, mais gente a participar no processo editorial, respeito pelas regras deontológicas. aposte, por exemplo, no equipamento tecnológico
acolhem cada vez mais conteúdos produzidos informativo, mais formas de aceder à informação. Esses órgãos constituem um terreno propício à e na empregabilidade de jornalistas.
pelos utilizadores. Existem, todavia, evidentes perigos e des- desinformação e à mentira. É verdade que compete sobretudo às empre-
Os órgãos de comunicação social continuam vantagens, como o enfraquecimento e a perda Face a esta evolução, há desafios para o po- sas assegurarem os recursos essenciais para a
assim a perder o monopólio da informação que de influência dos media tradicionais, sujeitos a der político. Em primeiro lugar, impedir que órgãos sua atividade. No entanto, o Estado deve preo-
circula na sociedade. Para definir o que é um escrutínio jurídico, regulatório e deontológico. Os não registados continuem a invadir impunemente o cupar-se com a rentabilidade de empresas cuja
atividade é decisiva para assegurar a liberdade e
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o pluralismo da comunicação social.

20 anos Jornal O INTERIOR


Portugal tem especificidades que impõem
uma redobrada atenção do poder político: há es-
cassas sinergias com operadores de radiodifusão
ou de televisão local ou outras atividades ligadas
Entendendo o jornalismo como a recolha, investigação e análise de informações para à comunicação social; são baixos os índices
de concentração da propriedade no domínio da
a construção e distribuição de notícias sobre acontecimentos, factos, ideias e pessoas imprensa regional; existe um clara assimetria no
desenvolvimento da imprensa regional de acordo
que são notícia e que têm implicações sobre a sociedade, num quadro de liberdade com critérios geográficos – nas regiões do interior
do país com menor dinamismo económico e social,
e de independência no acesso e na divulgação da informação, com normas editoriais a percentagem de títulos é bem mais baixa do que
no litoral; a fragilidade das empresas, motivada
transparentes, assim como a modernização a que os mass media vêm sendo sujeitos, sobretudo pelo fraco número de leitores e pela
escassez das receitas publicitárias, torna demasia-
das vezes a imprensa regional dependente do po-
na procura de informação qualificada e atempada, para fidelização e angariação dos der local autárquico e da publicidade institucional.
Importa assim que o poder político não se
seus públicos, tem colocado muitos desafios ao jornal “O INTERIOR” - que sabiamente esqueça dessa função fundamental da comuni-
cação social.
os tem ultrapassado -, seguindo, sempre, uma linha editorial transparente e isenta.
* Secretário de Estado da Comunicação
Social entre 1995 e 2002
O Município de Figueira de Castelo Rodrigo felicita o jornal pelos seus 20 anos de
serviço público - no distrito, na região e no País - isento, transparente e livre, fazendo
votos que continue na defesa intransigente do território e das suas gentes, sem que perca 20
a sua matriz de um jornal de liberdade, isento e transparente.
Quinta-feira, 28 de maio de 2020 9
Opinião

O jornalismo ao serviço
da cidadania
da cidade (“A Guarda”) nunca me seduziu, dito Quando surgiu O INTERIOR olhei para o


de outra maneira, só me interessava pelas projeto com natural expetativa. Ao fim e ao
crónicas de Abílio Bonito Perfeito. Preferia cabo o TB precisava de ser desafiado, de ser
Américo Rodrigues* espreitar o “Amigo da Verdade”, por causa confrontado com algumas fragilidades. Nunca
das anedotas. Porém, sempre desejei que a pertenci ao lote de colaboradores de O INTE-
cidade tivesse um jornal de… notícias, e que RIOR nem fui um leitor fiel do jornal, apesar
O meu pai recebia o “Jornal do Fundão” e fosse isento e imparcial. Portanto, era evidente de seguir com atenção o que alguns amigos
“A Defesa”, de Évora. O primeiro era já uma que seria necessário criar uma alternativa escreviam. Ao longo dos anos tive uma relação
referência cívica, dirigido pelo inabalável ao conservador “A Guarda”. Por essa razão conflituosa com o jornal e o seu diretor, talvez
António Paulouro. O segundo era um jornal colaborei com o novel “Notícias da Guarda”
Tal verificação do porque exijo demasiado dos meus amigos e,
católico ligado ao seminário de onde o meu (Helder Sequeira/ Álvaro Guerreiro) e, mais passado não me até, dos meus ex-amigos (Luís Baptista-Mar-
pai tinha fugido. Por outro lado, numa tasca tarde, na criação do “Terras da Beira” (Virgílio tins foi, realmente, meu amigo em determinado
vizinha havia sempre o “Jornal de Notícias” e Ardérius). No TB participei ativamente (talvez impede de reconhecer tempo). Outras vezes, ficava contente com
o “Comércio do Porto”, que chegavam em for-
ma de rolinho que o revisor deitava abaixo do
até em demasia) na sua afirmação inicial,
publicando artigos de opinião, reportagens,
o grande contributo as vitórias do jornal e com a coragem que,
nalguns casos, mostrava.
comboio. A minha tia comprava religiosamente retratos, entrevistas, crónicas e até rubricas que O INTERIOR Tal verificação do passado não me impede
a “Crónica Feminina” e eu entusiasmava-me a de humor (numa terra com tanto pouco hu- de reconhecer o grande contributo que O INTE-
ler artigos sobre mulheres “perfeitas”, capazes mor!). Aquela intensa colaboração, para além
tem dado para o RIOR tem dado para o debate sobre o desen-
de tratar dos filhos e do marido e ainda do de grande prazer e entusiasmo, trouxe-me debate sobre o volvimento da cidade. Estarei sempre ao seu
cão e do gato. Para além do mais tinha belas dois prémios nacionais ( “Prémio Gazeta de lado quando for ameaçado ou menosprezado.
ilustrações muito estimulantes. Portanto, ba- Jornalismo-Imprensa Regional” e “Prémio Im- desenvolvimento A existência de jornalismo livre é uma condição
sicamente, lia todos os jornais e revistas que
estivessem à mão de semear. E lia tudo, do
prensa Regional”, pelo Clube de Jornalistas do
Porto). O conjunto de crónica/ retratos chegou
da cidade. Estarei sine qua non para construir uma cidade plural,
em que os cidadãos são entendidos como pro-
princípio ao fim (tem graça, começava pelo a ser editado em três livros “Património de sempre ao seu lado tagonistas do presente e do futuro.
fim!). Era (e sou ainda) um leitor compulsivo. afectos”, “Ir as nascedoiro e outras histórias” Parabéns ao jornal O INTERIOR pelo seu
Mais tarde, ajudei a editar jornais no liceu e “O mundo dos outros”. Numa terra onde a
quando for ameaçado passado. E, sobretudo, fica o desejo de que
e fora dele, por exemplo, na Casa da Cultura inveja e o ódio estavam na ordem do dia, a ou menosprezado. continue a prestar um relevante serviço à
da Juventude. Nalguns deles iniciaram-se na minha colaboração com o TB trouxe-me gran- Guarda e região.
escrita várias pessoas que agora se destacam des problemas, que se estenderam a aspetos
no plano nacional (saúdo o meu antigo colega da minha vida profissional. Nada que agora San Bernadino (Paraguai) - 5 de março de
António José Teixeira). Confesso que o jornal me tire o sono. 2020

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Edifícios e Obras Públicas das Beiras, Lda

Funcionários A Câmara Municipal de Belmonte


felicita o jornal O Interior pelo
admitem-se seu 20º aniversário e deseja o
maior sucesso a toda a equipa
• Engenheiros • que, semanalmente, contribui
para um serviço informativo de
• Encarregados • excelência na região.

• Pedreiros •
VISITBELMONTE
• Serventes •

A Edibeiras Felicita
O jornal O INTERIOR
pelo seu 20º aniversário
tel.: 271 084 134 • fax.: 271 084 135
edibeiras@gmail.com
Plie - Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial
Lote 58 - Casal de Cinza • 6300-071 Guarda
10 Quinta-feira, 28 de maio de 2020
Opinião Opinião

Regressar ao Uma nova opor


futuro para o inte
realidade virtual, as CIM, por mero Ser capital europeia da cultura em 2027 Carlos Peixoto*
calculismo eleitoral a prazo, lançando será a cereja no topo do bolo.
a maior confusão na representatividade De repente, uma pandemia põe
Santinho Pacheco* parlamentar dos territórios. tudo em causa. Foram 60 dias que aba- O INTERIOR passou 20 anos a
Uma nova palavra surgia no quotidia- laram a Europa e o mundo, ameaçando falar dos outros, como é timbre de
no social e político: Troika! É a troika que as pessoas e a economia. Aviões em um jornal.
18 • É agora• Terça-feira
altura de, • 24numa
de dezembro de 2013

Não há democracia sem imprensa marca o ritmo do tempo até 2016. Nem terra, fronteiras encerradas, “lay-off”, penada, se falar nele. Duas décadas
livre. Em terras pequenas, nas cidades regionalização, nem investimento priva- desemprego, máscaras e quarentena, de atividade deixam-nos a inabalável
médias, um jornal é sempre mais que as do, nem serviços públicos; Austeridade! medo, muito medo. Ninguém escapa sensação de que ficámos todos mais
notícias que publica; a imprensa local Na Guarda, onde a troika coincide ao pesadelo. informados e enriquecidos. O distrito da
é a ata pública da realidade de toda a com a mudança autárquica, ainda Como se isto não bastasse, na Guarda cresceu com este projeto que,
comunidade. houve estado de graça e, na euforia da Guarda ainda quiseram dar uma aju- semana a semana, foi destapando a
Votos de longa vida ao nosso sema- propaganda, eventos e cor nos jardins e da. Ao coronavírus junta-se o vírus indiferença coletiva que marca muitos
nário nos seus 20 anos, fiel a uma linha nas rotundas, deu a ideia de uma certa da irresponsabilidade dos autarcas do povos e regiões.
editorial com marca registada: isenção dinamização económica, que a realida- PSD no município. A troca da Guarda Agitador de consciências, avivador
e independência. de se apressou a desmentir. por Bruxelas já pré-anunciava o pior. de tradições, fazedor da atualidade, fontes de financiamento terão de ser
Sara Quelhas

Num texto que assinei em 2010, Nos últimos anos deste ciclo políti- O que nasceu de uma discórdia alheia escrutinador atento, laboratório plural recriadas, mas ninguém melhor que
que se queria de antevisão da década co estavam criadas as condições para está a desfazer-se aos poucos na sua de ideias e de polémicas, este sema- a sua direção saberá como obtê-las,
na Guarda e distrito, falava de um triân- uma efetiva valorização da região. As própria discórdia. nário conquistou a palmo lideranças de num desafio que não dá descanso, à
gulo estratégico feito de regionalização, eleições legislativas de 2019 deram A Guarda merecia respeito. Este circulação, de notoriedade e de quota semelhança da vida dura de qualquer
serviços públicos e investimento priva- mais peso político à Guarda. A des- é o período mais crítico que a cidade, de mercado. É um património imaterial empresa ou empreendedor.
do no interior. A utopia de um sonhador centralização em curso é o sinal de a região transfronteiriça e o país já de uma vasta área geográfica e sendo Dito isto, e fazendo agora a curta
com ambição para a sua terra. Continuo que a regionalização vem a caminho. viveram; dos responsáveis políticos o resultado do trabalho empenhado de reflexão que me pedem sobre o que
a não ver alternativa. As autarquias com mais meios e mais exige-se mais trabalho e menos tática alguns, a quem é devido um justo re- mudou ou o que poderia ter mudado
Em 2020 não é preciso rebuscar competências têm condições para partidária. conhecimento, deixa em todos nós um nas nossas terras nestas duas déca-
ideias e inventar, basicamente, mais apoiar a economia local. Os próximos anos vão ser duros na consolidado sentimento de pertença. das, só posso dizer que o assunto é
nada; é um programa estrutural que O investimento público, com prio- recuperação dos efeitos terríveis desta Não é preciso ter dotes adivinha- sério e complexo demais para caber
mantém toda a atualidade. ridade para o SNS, dará resposta a crise; o empobrecimento e o desempre- tórios para se intuir que O INTERIOR nestas curtas linhas. Que o distrito
O que falhou então nessa estratégia? projetos antigos, na ferrovia, no parque go vão deixar marcas profundas. não teve (nem terá) vida fácil. Mas tal evoluiu e se modernizou, é uma evi-
Logo no início da década, com TIR de Vilar Formoso, nas instalações Nada será como dantes? Sim, para como no passado superou as dificulda- dência. Mas que o fez mais devagar
um novo Governo centro-direita, toda da PSP e GNR, na segunda fase do o bem e para o mal. Na Guarda só te- des que encontrou, também no futuro que outros mais evoluídos e que outras
e qualquer perspetiva de crescimento Hospital Sousa Martins, a começar pelo mos a ganhar. A nova normalidade vai terá a magia e a força para continuar regiões da Europa com quem devemos
para territórios de baixa densidade caía pavilhão 5. O turismo em euforia, inves- ser o regresso ao futuro. a pontuar. A transição quase total para comparar, é outra evidência. Numa
por terra. A direita neoliberal nunca teve te como nunca, na cidade e na região. o online é uma inevitabilidade e a sua palavra, avançámos, mas estamos
respostas para o interior. Vários serviços públicos estão * Deputado do PS na Assembleia capacitação para responder em tempo mais distantes e menos competitivos.
Em vez de regionalização extinguem- previstos, a Guarda é uma centralidade da República eleito pelo círculo da real aos acontecimentos vai exigir de si Perdemos muita população e o maior
se freguesias, acabam os governos civis, política e rodo-ferroviária. A próxima Guarda e antigo Governador Civil e dos seus colaboradores um esforço desastre dos territórios é mesmo a
fragilizam os distritos e inventam uma Cimeira Ibérica já tem lugar marcado. da Guarda e um investimento ainda maior. As perda de capital humano. Requalifi-

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ganchos das meninas, póneis ou preç
cobras, mas «vamos inventando é pra
A Guardapeças Felicita coisas novas todos os dias», subli-
nha. As suas criações também não
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o Jornal O Interior esquecem os adultos, com agendas,


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Quinta-feira, 28 de maio de 2020 11
Opinião

rtunidade 20 anos de Interior


erior n’O INTERIOR – Passado,
Presente, Futuro
cámos espaços, construímos estradas, escolas,
hospitais, tribunais, museus e outras infraestru-
turas, mas marcámos passo nas empresas e no
emprego. Em cada dez que abriam fechavam 20
e apostámos sempre mais em obras de fachada
“inertes”, que se esgotam praticamente no dia em Marco Loureiro * - Olhar para a Educação como uma prioridade
que se inauguram. Não tivemos a arte para captar central, nomeadamente a educação pré-escolar e
investimentos reprodutivos que criam valor e que o ensino básico, bem como o ensino superior – no
fixam gente, porventura pela carência de quadros A Guarda, cidade dos 5 F’s “Forte, Farta, Fria, caso da Guarda, um maior apoio ao Instituto Poli-
qualificados. Tirando talvez o setor vitivinícola, Fiel e Formosa” teve durante séculos um papel técnico deve ser uma realidade;
que se fortaleceu e se impôs, não nos diferenci- determinante no povoamento desta região beirã, - Uma nova estratégia na política cultural – ou
ámos nos demais, não obstante casos pontuais de contribuindo assim para o crescimento populacional seja, dar apoio sustentado e formação aos atores
sucesso no turismo e no alimentar. e económico de Portugal. sociais locais;
As políticas públicas de coesão territorial conti- Observo com grande preocupação que, nas - Não esquecer as freguesias, nomeadamente
nuam a ser uma miragem e não passam de aragens últimas décadas, as políticas adotadas para as as rurais, que têm uma população envelhecida e
que o tempo consome num ápice. A Covid-19 trouxe regiões do Interior (agora apelidadas de Regiões precisam de mais apoios sociais;
enfermidades, mortes e um drama social e econó- de Baixa Densidade), quer a nível central e local, - O fim da cobrança de portagens na A25 e A23
mico de que não há memória. Tirou muita gente das têm sido desastrosas e pouco transparentes, onde seria uma das maiores contribuições do Estado
ruas das grandes cidades, mas, perversamente, as sucessivas promessas de discriminação positiva central para a coesão social, económica e territorial,
com o recrudescimento do teletrabalho que permite não passaram disso mesmo, PROMESSAS! incentivando assim a vinda de novas empresas e
a muitos exercerem as suas atividades em qualquer Não precisamos de propaganda populista, basta pessoas;
lado do país sem terem de se sujeitar às agruras que o poder político combata com seriedade as as-
e às tormentas urbanas, pode ter metido no mapa simetrias regionais, atuando no presente, pensando de rigor financeiro; Por fim realço a importância da imprensa regio-
de Portugal zonas de menor densidade até agora no futuro. Para que tal aconteça, exige-se: - Garantir a mobilidade às populações é um nal, que tem um papel determinante para que estas
esquecidas e agoniadas. O azar de uns costuma - Um novo modelo de gestão participativa, que direito que não pode ser só urbano, é um direito e outras medidas sejam amplamente debatidas.
ser a sorte de outros e só Deus sabe se uma pan- envolva de verdade as pessoas e que seja verda- social que o Estado e os municípios devem garantir Exemplo disso tem sido o semanário O INTERIOR,
demia trouxe ou não uma nova oportunidade para deiramente descentralizado; nas melhores condições em todo o território; fundado na cidade da Guarda em 2000, completan-
o Interior de Portugal. - Alterar as prioridades no gasto dos dinheiros - Uma nova política de gestão ambiental que do este ano 20 anos.
públicos, não só deve ser uma preocupação dos inclua uma ordenação florestal e substitua a se- Muitos Parabéns a O INTERIOR.
* Deputado do PSD na Assembleia da governantes e respetivo executivo camarário, mas guida até agora, marcada por uma enorme falta
República eleito pelo círculo da Guarda e líder também dos cidadãos, pois são eles, na maior de sensibilidade e de conhecimento das questões * Líder do grupo municipal do Bloco de
da Comissão Política Distrital da Guarda parte dos casos, os mais prejudicados com a falta do ambiente; Esquerda Guarda

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12 Quinta-feira, 28 de maio de 2020
Opinião

20 anos de “O Interior”
e no interior
Vladimiro Vale * social nacional. Importância acentuada num mil empregos na agricultura, a consequente
quadro em que nos últimos 20 anos agravaram- destruição de postos de trabalho noutros secto-
se problemas da região. Envelhecimento, des- res, aumento do desemprego e da emigração e
É inegável o papel importante de órgãos de povoamento, encerramento e descaracterização aumento das dificuldades de mobilidade nestas
comunicação regional, pela proximidade às po- dos serviços públicos, extinção de Juntas de regiões.
pulações e por darem voz a realidades culturais Freguesia, destruição da produção nacional, Nas últimas décadas o quadro de concentra-
e sociais que não têm lugar na comunicação como é exemplo a destruição de mais de 150 ção do sector da comunicação social em poucos
grupos económicos acentuou-se, condicionando
PUB o pluralismo, o acesso à informação e até o
regime democrático, mas também aumentando
as dificuldades da imprensa regional e local. O
recente surto epidémico piorou as dificuldades
já existentes. Isto levou o PCP a apresentar pro-
postas para defender os órgãos de comunicação
social local e regional. Uma das propostas visa
garantir, às entidades proprietárias ou editoras
de publicações de âmbito local ou regional, a
comparticipação a 100% no custo da sua expe-
dição postal para assinantes.
Ciclicamente os sucessivos Governos PS,
PSD e CDS encheram páginas com juras ao
interior, mas sempre evitaram a discussão das
medidas concretas. Enquanto isso prosseguiu
o encerramento de escolas, serviços de saúde,
estações dos CTT, agências bancárias, etc.,
esquecendo que sem serviços públicos não
há incentivos à fixação de pessoas que resul-
tem. Prosseguiram e aprofundaram limitações
ao desenvolvimento com a implementação
das portagens. Adiaram investimentos e não
avançaram com um processo sério de descen-
tralização, inseparável da criação das regiões
administrativas.
Estes 20 anos trazem à evidência que o pro-
blema do Interior tem sido a política de direita!
Pelo que só recuperando as parcelas perdidas
da nossa soberania poderemos libertar os meios
e os recursos para tomar nas nossas mãos os
destinos das nossas vidas e retomar o rumo
de desenvolvimento, com investimento público
e produção nacional, apoiando a agricultura
familiar e os MPME. Só valorizando quem tra-
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balha, valorizando as funções sociais do Estado
e os serviços públicos poderemos combater as
assimetrias sociais e regionais.

* Membro da Comissão Política do Comité


Central do PCP e responsável pela
Organização Regional Comunista nos
distritos da Guarda e Castelo Branco
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14 Quinta-feira, 28 de maio de 2020

As obras que ficaram presas na história


Opinião

O INTERIOR e o
Há 20 anos O INTERIOR fazia manchete com 55 metros». Até hoje nada se concretizou. porto de Aveiro e Vilar Formoso fosse considerada
a notícia de uma nova «escultura invulgar para a
fronteira», de Leonel Moura, que nunca chegou a
ser concretizada. Entre estradas não concluídas
Na mesma edição salientava-se que a Guarda
estava “À espera dos silos”, numa notícia referente à
projeção de parques de estacionamento subterrâneos
aquando da construção do comboio de alta-velocidade
que Portugal nunca viu passar. «Para os empresários
do Norte esta solução seria mais interessante do ponto
desenvolvimento
e obras não erguidas, muitos foram os projetos
pensados para a região que continuam confinados
ao papel de jornal.
que seriam construídos em vários pontos da cidade, no
âmbito do programa Polis. Um dos destaques que ficou
pelo caminho foi um silo-auto sob a Praça Velha, uma obra
de vista da economia, pois são muitas as relações
comerciais que esta região mantém com o norte de
Espanha», escrevia-se neste jornal.
regional
que iria «transformar radicalmente a imagem do núcleo O Hospital Sousa Martins conseguiu, quatro anos
O tema do desinvestimento e da assimetria demo- central da zona histórica». Passados poucos meses o depois da promessa de Sócrates, as merecidas obras.
gráfica portuguesa não é novo. Há duas décadas este valor da história falou mais alto e a ideia não foi avante. Mas passados dez anos a conclusão da sua requalifi-
jornal lançava-se nas bancas com o repto de “Dar Vida O aeroporto regional da Covilhã e o IC6 foram cação continua sem data à vista.
ao Interior” e denunciar os «problemas ancestrais» há outros dois temas que fizeram manchetes durante Em 2003, sob a liderança de Maria do Carmo
muito presentes na região. Com o advento do novo décadas, mas cuja concretização nunca se verificou. Borges, a Guarda planeava «avançar» com um pro-
milénio eram noticiadas mudanças e obras que – Já o troço do IP2, entre a Covilhã e a Guarda, sofreu jeto de instalação de um casino. «Não há casinos nas
aparentemente – iriam contribuir para a mudança da acidentes de percurso e acabou transformado em redondezas, o mais próximo está na Figueira da Foz
conjuntura desfavorável. SCUT A23. A autoestrada que se previa gratuita e nós temos que nos mentalizar que também é com
Na edição número um de O INTERIOR a man- passou a ter pórticos em 2010, e, volvidos dez anos, projetos arrojados como este que se dinamiza uma
chete anunciava uma nova «escultura invulgar para a a população dispõe apenas da ancestral N18 para cidade», afirmava então a autarca. Meses depois era
fronteira», que seria colocada em Vilar Formoso. A obra deslocações sem taxa. notícia nacional o interesse da Covilhã no mesmo tipo
a cargo do arquiteto/artista Leonel Moura seria «uma Ainda em 2000, foi capa o “TGV por Vilar For- de projeto, que chegou a ser pensado para as Penhas
escultura monumental» com dez metros de largura e moso”. Em junho desse ano, empresários nortenhos da Saúde. Apesar do pedido, enviado à Inspeção-Geral
dezoito de altura, «devendo ocupar uma extensão de pressionavam o Governo para que a ligação entre o de Jogos, os dados nunca chegaram a ser lançados.

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Joaquim Brigas*

Há nos projetos regionais de comunicação


social uma vinculação com os seus públicos
que é insuperável. A proximidade dos média
regionais aos objetos de notícia, bem como o
conhecimento comum acumulado, fazem com
que a objetividade surja com naturalidade e que
o escrutínio das entidades públicas e privadas
se torne permanente e, por isso, efetivo.
Restaurante Esta edição do 20º aniversário de O IN-
recomendado TERIOR é uma boa ocasião para elogiar a
imprensa regional que este jornal, e o respetivo
Boa Cama site, tão bem representam. Há nos fundamentos
do jornalismo regional um arreigado amor ao
Boa Mesa 2020 progresso da região em que estão implantados
e na qual intervém. Os média regionais são
aqueles cuja orientação editorial mais valoriza
o tecido económico local, o dinamismo dos seus
agentes sociais, os seus produtores de ciência e
Aquariu’s - Um símbolo de cultura e, também, os seus atores políticos.
O INTERIOR tem cumprido com competên-

da gastronomia, cia essa função na região da Guarda e em toda


a Beira Interior. A sua produção não é isenta de

arte e néctares de Baco. críticas (nenhuma é), mas há nas suas edições
uma consistência editorial, uma vontade de
puxar pelo que está bem e de denunciar o que
Há 27 anos ao serviço do país! está mal, que tornam O INTERIOR uma peça
relevante, e imprescindível, do processo de afir-
mação do interior do país no contexto nacional.
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Há também no projeto de O INTERIOR
um curioso paralelo com a missão do Instituto
Politécnico da Guarda (IPG): ambos estão
animados pelo mesmo propósito de contribuir
para o desenvolvimento da região em que se
inserem, tornando-a mais rica, mais inclusiva,
mais justa e procurando oferecer mais opor-
tunidades para os que cá nascem e para os
que cá vêm viver.
Apesar do distanciamento crítico que sau-
davelmente existe entre ambos, o facto é que

A COPIALTA Representações O INTERIOR e o IPG são aliados nos desíg-


nios que os animam. O Instituto Politécnico da
Guarda, enquanto instituição de referência em

endereça felicitações certas áreas do ensino superior em Portugal,


está muito empenhado em desempenhar bem
o papel que lhe cabe. Esse papel é transferir
ao jornal O INTERIOR conhecimento. É colocar a ciência ao serviço
da comunidade.
A colaboração do IPG com empresas, com
pelo seu 20º aniversário instituições, com associações empresariais, com
institutos públicos, com autarquias, necessita de
ser divulgado, acompanhado e escrutinado por
uma imprensa livre e responsável.
O INTERIOR desempenha bem esse papel.
Muitos parabéns, por isso. Que venham mais
COPIALTA - Representações, Lda 20!!!
Morada:
Rua Miguel Unamuno, 26 Telefone: (+351) 271 220 460 * Presidente do Instituto Politécnico da
6300-584 Guarda Email: copialta@copialta.pt
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Quinta-feira, 28 de maio de 2020 15
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pelo seu 20º aniversário

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