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Instituto Superior Politécnico de Songo

Licenciatura em Engenharia Hidráulica

Tema: Gestão Ambiental no Sector de Equipamentos


Hidráulicos

Engenharia e Ambiente
4º Ano, 7º Semestre - Trabalho I

Discente: Docente:
 Rui das Bênçãos e  Engr.ª Isabel Zunguze
Mawanda José Francisco

Songo, Abril de 2020


Instituto Superior Politécnico de Songo

RUI DAS BÊNÇÃOS E MAWANDA JOSÉ FRANCISCO

Tema: Gestão Ambiental no Sector de Equipamentos


Hidráulicos

1° Trabalho do semestre de
Engenharia e Ambiente apresentado
como requisito parcial à obtenção do
grau de Acadêmico, pelo Instituto
Superior Politécnico de Songo.

Engr.ª Isabel Zunguze

Songo, Abril de 2020


.

Copyright c 2020 Gestão Ambiental


ENTREGUE AOS 06 DE ABRIL DE 2020
O ISPSongo tem o direito, perpétuo e sem limites geográficos, de arquivar e publicar
este trabalho, e de a divulgar através de repositórios cientı́ficos e de admitir a sua
cópia e distribuição em objetivos didático, educacionais ou de investigação, não
comerciais, desde que sejam dados créditos aos autores e editores.
ISPSongo 1 DEDICATÓRIA

1 DEDICATÓRIA
Dedico o presente trabalho primeiramente à Deus, pelo dom da vida, pois sem
ele eu não estaria aqui escrevendo estas palavras. Aos meus pais (super-poderosos) e
a toda minha famı́lia por todo o apoio recebido, meu muito obrigado.

Aos amigos e colegas, pelo incentivo, pelas risadas e por não me deixarem desistir,
mesmo nos momentos de maior dificuldade.

Dedico este trabalho também a todo o corpo docente do curso (Engenharia


Hidráulica), por todos os ensinamentos, vocês foram parte fundamental desta cami-
nhada.

ξ Divisão de Engenharia Engenharia e Ambiente Página: i


ISPSongo 2 AGRADECIMENTOS

2 AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por ter me dado a chance de ter chegado até aqui e concluı́do
este trabalho. Agradeço à Instituição por todo o suporte com todos os materiais
necessários para a realização do mesmo. Agradeço aos meus pais, meus colegas e
professores que me apoiaram e me incentivaram durante todo o processo de pesquisa
e produção do corrente projecto.

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ISPSongo 3 RESUMO

3 RESUMO
No contexto da engenharia hidráulica, falar de S.E.H. e de infraestruturas
hidráulicas é tratar de assuntos sinônimos. Visto que uma infraestrutura hidráulica
refere-se á uma construção em que o elemento dominante tem relação com a água.
As infraestruturas hidráulicas constituem um conjunto de estruturas construı́das
com o objectivo de manejar a água, qualquer que seja a sua origem, com fins de
aproveitamento ou de defesa; apresentam-se como exemplos as ponte, os cais, os
diques e as barragens.

O presente estudo discute os impactos gerados ao meio ambiente pela cons-


trução e consequentemente o mau uso de equipamento de hidráulicos, correlacionando,
estes prejuı́zos causados ao meio ambiente com as atividades que o homem proporci-
ona dia-após-dia. Ações como: poluição dos afluentes, poluição dos solos com aditivos
quı́micos que causam a perda da fertilidade dos solos e diminuição da biodiversidade,
tem alterado todo o ecossistema.

Desde a construção de uma I.H. até o seu funcionamento, seja de forma directa
ou de forma indirecta têm causado impactos positivos na perspectiva de benefı́cio
para o Homem assim também como para o ecossistema, como também tem causado
impactos negativos.

PALAVRAS CHAVES: Impactos Ambientais; Meio Ambiente; Barragem;


Ponte; Agricultura; Saúde Plública; Saneamento Geral do Meio.

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ISPSongo 4 ABSTRACT

4 ABSTRACT
IIn the context of hydraulic engineering, speak of S.E.H. and hydraulic infras-
tructures is to deal with synonyms. Since a hydraulic infrastructure refers to a
construction in which the dominant element is related to water. Hydraulic infrastruc-
tures constitute a set of structures built with the aim of handling water, whatever
its origin, for the purpose of exploitation or defense; examples include bridges, piers,
dikes and dams.

hspace 0.5 cm The present study discusses the impacts generated by the construc-
tion environment and, consequently, the misuse of hydraulic equipment, correlating
these damages caused to the environment with the activities that man provides day
after day. Actions such as: pollution of tributaries, pollution of soils with chemical
additives that cause loss of soil fertility and decrease in biodiversity, have changed
the entire ecosystem.

Since the construction of an I.H. even its operation, either directly or indirectly,
has caused positive impacts in the perspective of benefit for Man as well as for the
ecosystem, as it has also caused negative impacts.

KEYWORD: Environmental impacts; Environment; Dam; Bridge; Agriculture;


Public Health; General Sanitation of the Environment.

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ISPSongo CONTEÚDO

Conteúdo
1 DEDICATÓRIA i

2 AGRADECIMENTOS ii

3 RESUMO iii

4 ABSTRACT iv

5 SIGLAS E ACRÓNIMOS viii

6 INTRODUÇÃO 1
6.1 Objectivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
6.2 Problemática e Justificativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
6.3 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H. 5


7.1 Contextualização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
7.2 Gestão ambiental em Barragens (G.A.B.) . . . . . . . . . . . . . . . . 5
7.2.1 Gestão de Equipamentos Hidráulicos em Barragens . . . . . . 6
7.2.2 Como garantir uma boa gestão ambiental em barragens? . . . 8
7.3 Gestão ambiental em Pontes (G.A.P.) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
7.3.1 Possı́veis impactos ambientais causado na implantação de pontes 10
7.4 Gestão Ambiental na Agricultura (G.A.A.) . . . . . . . . . . . . . . . 11
7.4.1 Gestão de Equipamentos Hidráulicos na Agricultura . . . . . . 12
7.4.2 Como garantir uma boa gestão ambiental no sector de agricul-
tura? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

8 CONCLUSÃO 15

9 RECOMENDAÇÕES 16

10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 17
10.1 Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

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ISPSongo LISTA DE FIGURAS

Lista de Figuras
1 Barragem de Cahora Bassa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2 Colapso da barragem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
3 Mau funcionamento de comportas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
4 Inundações de vales a jusante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
5 Ponte Samora Moises Machel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
6 Área irrigada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
7 Distribuição de aspersores na área de cultivo . . . . . . . . . . . . . . 13

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ISPSongo 5 SIGLAS E ACRÓNIMOS

5 SIGLAS E ACRÓNIMOS
G.A.S.E.H. : Gestão Ambiental no Sector de Equipamentos Hidráulicos

S.E.H. : Sector de Equipamentos Hidráulicos

I.H. : Infraestrutura Hidráulica

G.A. : Gestão Ambiental

G.A.B. : Gestão Ambiental em Barragens

R.P.B. : Regulamento de Peguenas Barragens

I.C.O.L.D. : International Comission on Large Dams ou Comissão Internacional


de Grandes Barragens (C.O.I.G.B.).

G.A.P. : Gestão Ambiental em Pontes

C.O.N.A.M.A. : Conselho Nacional do Meio Ambiente

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ISPSongo 6 INTRODUÇÃO

6 INTRODUÇÃO
No presente trabalho abordar-se-á acerca da G.A.S.E.H. (Gestão Ambiental no
Sector de Equipamentos Hidráulicos), visto que, segundo Barbieri (2007), a gestão
ambiental pode ser entendida como sendo as actividades administrativas e operacio-
nais, tais como, planeamento, direção, controle, responsabilidade, processos e recursos
para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a polı́tica
ambiental com o enfoque no sector ligado aos equipamentos hidráulicos. Com o
objectivo obter efeitos positivos sobre o meio ambiente, quer reduzindo ou eliminando
os danos ou problemas causados pelas acções humanas, quer evitando que elas surjam.

Este trabalho é o resultado de pesquisas bibliográficas, aplicação directa de alguns


conhecimentos obtidos na cadeira de engenharia e ambiente. Visto ser um trabalho
de pesquisa e aplicação de conhecimentos cientı́ficos, o trabalho está submisso à
censuras de profissionais ligados à área de estudo.

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ISPSongo 6 INTRODUÇÃO

6.1 Objectivos
• Obejctivo geral:

– Abordar de forma clara e simples assuntos ligados a gestão ambiental no


sector de equipamentos hidráulicos.

• Objectivos Especı́ficos:

– Identificar os Equipamentos nos diversos sectores hidráulicos e caracterizá-


los;
– Abordar acerca dos aspectos ambientais causadas pelo mau uso dos
equipamentos hidráulicos;
– Identificar impactos ambientais causados pela construção de sectores de
equipamentos hidráulicos;
– Identificar danos causados pela estrutura metálica ao meio ambiente;
– Fornecer soluções para os problemas causados pelos impactos negativos,
para posterior prevenção dos mesmos;
– Identificar e utilizar uma metodologia que seja reconhecida e adequada
para a finalidade proposta.

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ISPSongo 6 INTRODUÇÃO

6.2 Problemática e Justificativa


O presente trabalho visa a elaboração de uma dissertação ligada gestão ambiental
no sector de equipametos hidráucos.

Nesse contexto é preciso investigar: Quais ações se fazem necessárias para pre-
venir, corrigir, mitigar, para se alcançar o equilı́brio econômico, social e ambiental
na construção de S.E.H.? Ou, qual a metodologia pode ser usada para se aferir
as variáveis do binômio em contraposição, representado neste trabalho pelo meio
ambiente e a construção de I.H.?

As respostas para estes problemas podem ser embasadas em registros presentes


em literaturas especı́ficas relacionadas ao tema e alicerçadas em uma metodologia
que suporte os estudos que deve identificar quais os impactos que estão presentes de
lado a lado dessas questões.

Contudo tema presente foi escolhido com vista a dar uma visão geral aos estudantes
sobre assuntos ligados a meio ambiente que, para além fazer uma boa gestão, também
adiquirir conhecimentos a partir deste, fazendo parte do leque das aulas teórica e
práticas da cadeira Engenharia e Ambiente.

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ISPSongo 6 INTRODUÇÃO

6.3 Metodologia
O presente trabalho contempla uma metodologia de análise bibliográfica dos
manuais que tratam assuntos ligados a gestão ambiental, o mesmo é realizado através
de pesquisa bibliográfica de matérias publicados em livros, artigos, dissertações, teses
e normas.

Visto que hoje em dia, especificamente, existem várias fontes de onde pode-se
tirar muitas informações relacionadas o trabalho a desenvolver, mas especificamente,
para o desenvolvimento do corrente trabalho recorreu-se principalmente as seguintes
fontes:

• Manuais fornecidos pela Docente da cadeira;

• Manuais fornecidos por docentes de cadeiras adiversas;

• Pesquisas Cientı́ficas com as referências descritas na Referência Bibliográfica.

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.


7.1 Contextualização
No contexto da engenharia hidráulica, falar de S.E.H. e de infraestruturas
hidráulicas é tratar de assuntos sinônimos. Visto que uma infraestrutura hidráulica
refere-se á uma construção em que o elemento dominante tem relação com a água.
As infraestruturas hidráulicas constituem um conjunto de estruturas construı́das
com o objectivo de manejar a água, qualquer que seja a sua origem, com fins de
aproveitamento ou de defesa; apresentam-se como exemplos as ponte, os cais, os
diques e as barragens.

Nas I.H. existem diversos equipamentos que desde os de uso corrente até aos
de menor uso, que de alguma forma contribuem para o funcionamento do sector
hidráulico. E é desses equipamentos juntamento com com o próprio sector hidráulico
que abordar-se-á neste presente trabalho.

Desde a construção de uma I.H. até o seu funcionamento, seja de forma directa
ou de forma indirecta têm causado impactos positivos na perspectiva de benefı́cio
para o Homem assim também como para o ecossistema, como também tem causado
impactos negativos.

7.2 Gestão ambiental em Barragens (G.A.B.)


O aumento da preocupação em relação à interferência das barragens ao ambiente
natural, e com as ameaças que o atingem, é um dos factos marcantes desde o final
do século XX. O conceito de desenvolvimento sustentável é um princı́pio orientador
no esforço do desenvolvimento global. No que respeita à água, trata-se também
de harmonizar a necessidade de desenvolver os recursos hı́dricos e a protecção do
ambiente de uma forma que não comprometa as gerações futuras.

• A figura 1 apresenta um exemplo ilustrativo de uma barragem:

Figura 1: Barragem de Cahora Bassa


Fonte: https://noticias.sapo.mz/economia/artigo/hidroeletrica-de-cahora-bassa-lanca-opv-
a-maior-operacao-em-bolsa-de-mocambique

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

7.2.1 Gestão de Equipamentos Hidráulicos em Barragens


Em centrais hidroelétricas, existem vários equipamentos hidráulicos que, desde a
sua utilização, causam impactos ao meio ambiente e a própria estrutura de barramento
de água, ou seja, a barragem. Dentre os vários existes, são destacados os seguintes:

1. Descarga de fundo - órgão hidráulico para permitir a descarga controlada


de pequenos caudais e o esvaziamento da albufeira.

2. Descarregador de cheias - órgão hidráulico para permitir a passagem da


cheia de projecto de forma segura para jusante.

3. turbinas hidráulicas - são projectadas especificamente para transformar a


energia hidráulica (a energia de pressão e cinética) de um fluxo de água em
energia mecânica na forma de torque e velocidade de rotação.

4. Comporta - componente de um órgão hidráulico para vedar a passagem de


água.

De um modo exemplificativo, abordar-se-á de alguns impactos causados pela má


gestão desses equipamentos (órgãos) hidráulcios em barragens:

O que pode correr mal com segurança dos equipamentos hidráulicos?

• Deficiente avaliação do caudal de projecto ou ocorrência de alterações no regime


hidrológico (alterações na bacia hidrográfica, alterações climáticas);

• Capacidade insuficiente dos descarregadores (dimensionamento inadequado ou


solução insatisfatória);

– A figura 3 apresenta um exemplo ilustrativo de inconvenientes causado pela má


gestão:

Figura 2: Colapso da barragem


Fonte: Manual de hidráulica

• Problemas na operação de comportas(mau funcionamento ou deficiente funcio-


namento das comportas).

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

– A figura 3 apresenta um exemplo ilustrativo de inconvenientes causado pela má


gestão:

Figura 3: Mau funcionamento de comportas


Fonte: Manual de hidráulica

Face a questão colocada anteriormente, constata-se que as barragens e as albufei-


ras são parte integrante do ambiente que as rodeia, que influenciam e transformam,
em maior ou menor grau, considerando-se aqui que o conceito de ambiente inclui
uma vertente social.

Paralelamente aos importantes benefı́cios que proporcionam, as barragem criam


impactes negativos que dependem das situações concretas como:

• inundações de vales a jusante;

• deslocação de populações para dar lugar à constituição de albufeiras;

• retenção de caudais;

• alteração do regime de escoamentos do rio;

• interrupção da continuidade da vida aquática e do transporte de sedimentos;

• alteração dos ecossistemas;

• alteração das temperaturas da água;

• variação do nı́vel da água;

• redução dos nı́veis de oxigénio nas albufeiras;

• riscos de ruptura.

A seguir são mostrados exemplos ilustrativos de alguns impactos negativos


resultante da construção de barragens:

ξ Divisão de Engenharia Engenharia e Ambiente Página: 7


ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

• A figura 4 apresenta um exemplo ilustrativo de leitos de curso de água:

Figura 4: Inundações de vales a jusante


Fonte: https://1.bp.blogspot.com/−Y 36M kS −
8qZ0/U tREneecRhI/AAAAAAAAAGw/3DGY A4sl wM/s1600/leitos + de + curso +
agua.png

Por isso, cresceu nos últimos anos um movimento de contestação à construção


de barragens, sobretudo às de grandes dimensões. A análise destas questões é uma
preocupação central no seio da I.C.O.L.D..

7.2.2 Como garantir uma boa gestão ambiental em barragens?


A resposta da questão acima colocada encontra-se neste parágrafo; de acordo com
o Boletim da República, no que diz respeito ao Decreto n.o 47/2009, o Conselho de
Ministros aprova o Regulamento de Peguenas Barragens (R.P.B), isso em Moçambique.
Portanto, segundo o Artigo 27, que trata assuntos ligados aos Aspectos ambientais
causados pela construção da mesma que, por sua vez, são apresenadas a seguir:

1. Para controlar aspectos de impacto ambiental, designadamente alteração da


qualidade das águas superficiais, processos de erosão e transporte de caudal
sólido e estabilidade das margens, o dono da obra deve proceder à análises de
parâmetros fı́sico-quı́micos e biológicos da água da albufeira, a desassoreamentos
e a eventual reconstituição das margens.

2. Para atenuar os efeitos de eutrofização da albufeira, com a contaminação do


rio e possibilidade de morte de peixes e degradação da qualidade da água, o
dono da obra é obrigado a desencadear acções visando remover sedimentos e
matéria orgânica do fundo e margens da albufeira.

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

7.3 Gestão ambiental em Pontes (G.A.P.)


Muitas pontes estão localizadas em ambientes considerados de forte agressividade
ambiental, como matas, rios, regiões industrializadas, ambientes nativos com fortes
variações climáticas, onde a agressividade destes ambientes proporciona desequilı́brios
associados à patologias que atacam às estruturas de pontes trazendo graves con-
sequências à vida útil e à funcionalidade da estrutura.

O meio ambiente se apresenta como o espaço a ser modificado pela ação antrópica
e essa transformação precisa ser pensada de forma sustentável, para que os impactos
ambientais negativos sejam minimizados e não comprometa irreversivelmente o ecos-
sistema presente ao ambiente construı́do.

Esse trabalho objetiva explicitar agressões ao meio ambiente por evento de cons-
trução relacionado a pontes. Além disso, o presente trabalho busca identificar e
sugerir as principais de forma de contribuir para o equilı́brio dos princı́pios sus-
tentáveis, quais sejam: Econômico, social e ambiental.

Segundo Mendes et.al (2010), os materiais mais utilizados na construção de


pontes são os materiais metálicos (aço) e o concreto armado que possuem substâncias
tóxicas e não-biodegradaveis, o que fazem deles materiais potencialmente nocivos a
um ecossistema fechado.

• A figura 5 apresenta um exemplo ilustrativo de uma ponte:

Figura 5: Ponte Samora Moises Machel


Fonte:
https://noticias.sapo.mz/economia/artigo/ponte-samora-moises-machel-tete-mocambique

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

Para Lourenço (2007, P. 196),

”Outros problemas estão relacionados à construção de


pontes sobre ambientes aquáticos ou terrestres nativos.
Estas estruturas são obras-de-arte especiais que estão
sujeitas à ação de diversas patologias da construção,
devido ao uso contı́nuo e a falta de programas preventivos
de manutenção na maior parte dos casos. Essas obras
constituem parte essencial de muitos sistemas viários em
todo o mundo e, no entanto, apresentam problemas de
ordem estrutural que necessitam de solução emergencial.”

7.3.1 Possı́veis impactos ambientais causado na implantação de pontes


De acordo com o artigo 1o da Resolução n.o 001/86 do Conselho Nacioanl de
Meio Ambiente (C.O.N.A.M.A.), na construção de I.F., como é o caso especı́fico,
consrução de pontes, surgem diversas análises ligadas aos impactos causada pela
mesma construção. Impactos esses que são detalhados a seguir:

1. Ar:

(a) provável aumento da concentração de material particulado em suspensão


no ar em conseqüência da poluição do ar por resı́duos em pó de cimento,
areia, cal, argila;
(b) possı́vel alteração da dispersão das ondas sonoras decorrente do aumento
dos nı́veis de ruı́dos (poluição sonora);
(c) possı́vel aumento da concentração de gases poluentes no ar devido à
combustão de petróleo utilizado nas máquinas;

2. Solo:

(a) provável alteração na composição quı́mica do solo decorrente da deposição


de materiais quı́micos no mesmo (poluição do solo);
(b) possı́vel alteração da capacidade do solo em absorver e refletir raios solares
decorrente da transformação do meio;

3. Impactos para o Homem:

(a) dinamização da economia local devido o consumo de material para a


construção civil, ocorrendo assim um maior fluxo de dinheiro na cidade;
(b) geração de empregos devido a demanda para a execução da ação; 15-
provável diminuição da qualidade de vida da população circunvizinha
devido a poluição visual decorente da disposição inadequada de resı́duos;
(c) provável diminuição da qualidade de vida da população circunvizinha
devido ao acúmulo de resı́duos da construção civil que atraem e servem
de criadouros de vetores;
(d) prejuı́zos a saúde dos trabalhadores devido a poluição sonora que os
mesmos são expostos.

4. Impactos na Fauna:

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

(a) Afastamento (afugentamento) da fauna aquática;


(b) Alteração de habitats para aves migratórias;
(c) Modificação de habitats de abrigo, alimentação e reprodução da fauna
aquática e da fauna terrestre;

5. Impactos nos Recursos Hı́dricos:

(a) provável mudança da composição quı́mica da água subterrânea decorrente


da percolação de produtos quı́micos lançados no solo;
(b) possı́vel alteração fı́sica da água superficial em função do carreamento de
partı́culas;
(c) Resuspensão de sedimentos de fundo durante a instalação dos pilares;
(d) Represamento e assoreamento de cursos d’água.

7.4 Gestão Ambiental na Agricultura (G.A.A.)


Os impactos positivos da atividade agrı́cola, como geração de empregos, oferta de
alimentos, produtos essenciais à vida humana, fixação do homem no campo ou em
pequenos centros, são evidentes, amplamente reconhecidos e de grande importância.
Mas, de certa forma a sociedade tem sido complacente com os danos ambientais
provocados pelas atividades agrı́colas, em favor dos benefı́cios gerados pelo setor.
No entanto, é irracional e injustificável que, para produzirmos o alimento de hoje,
comprometamos os recursos naturais de amanhã.

• A figura 6 apresenta um exemplo ilustrativo de um cultivo:

Figura 6: Área irrigada


Fonte: Manual de Irrigação

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

7.4.1 Gestão de Equipamentos Hidráulicos na Agricultura


Dos vários equipamentos hidráulicos existentes no sector da agricultura, será
destacado neste trabalho com fins didáticos, o aspersor. Tendo em conta que, na
má gestão desse, que normalmente vêm acoplado a outros equipamentos, pode-se
ocasionar situações como é o caso de indunção das águas nas depressões e na área
de cultivo, levando a grandes impactos ambientais, como por exemplo, aumento a
evapotranspiração no ecossistema.

Para assegurar que um aspersor opere de forma desejável durante o seu funciona-
mento, é necessário que se faça um estudo prévio dos factores que afectam o mesmo.
Factores estes que são aborados a seguir:

• Bocais dos aspersores: Os aspersores agrı́colas mais comuns possuem dois bocais,
sendo um deles para longo alcance e o outro para se proceder a distribuição da
água próximo do aspersor, funcionando como espalhador do jato.

• Pressão de serviço dos aspersores: A pressão de serviço do aspersor exerce


grande influência na sua operação, uma vez que a vazão emitida é dependente
do diâmetro dos bocais e da pressão de serviço. Quando da seleção do aspersor
que melhor se adapta ao projeto em desenvolvimento, por meio do catálogo do
fabricante do equipamento, a pressão de serviço vem especificada dentro de
limites recomendados.

• Superposição: onsiderando que a aplicação de água por um aspersor se processa


de modo circular, se projetarmos os aspersores com espaçamento tal que o
alcance de um jato apenas interfaceie o outro, haverá, por conseqüência, área
entre os aspersores que não receberão água. Dessa forma, é imprescindı́vel que
haja superposição dos jatos d’água para que nenhuma área fique sem água.

• Ventos: s ventos influem diretamente na uniformidade de aplicação uma vez que


provocam a mudança na direção do jato d’água. Quanto maior a velocidade do
vento e menor o diâmetro de gotas maior a interferência e menor a uniformidade
de aplicação.

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

• A figura 7 apresenta um exemplo ilustrativo de aspersores:

Figura 7: Distribuição de aspersores na área de cultivo


Fonte: Manual de Irrigação

7.4.2 Como garantir uma boa gestão ambiental no sector de agricultura?


O impacto ambiental é definido pela resolução do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (C.O.N.A.M.A.) 001/86 (C.O.N.A.M.A., 1992), como qualquer alteração
das propriedades fı́sicas, quı́micas e biológicas do meio ambiente, causada por
qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta
ou indiretamente afectam:

• a saúde, a segurança e o bem-estar da população;

• as atividades sociais e econômicas;

• a biota;

• as condições estéticas e sanitárias do meio ambientes; e,

• a qualidade dos recursos ambientais.

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ISPSongo 7 GESTÃO AMBIENTAL NO S.E.H.

É importante ressaltar que o conceito de impacto ambiental abrange apenas


os efeitos da ação humana sobre o meio ambiente, isto é não considera os efeitos
oriundos de fenômenos naturais, e ainda dá ênfase principalmente aos efeitos destes
impactos no homem, demonstrando uma conotação antropocêntrica dessa definição.

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ISPSongo 8 CONCLUSÃO

8 CONCLUSÃO
Visto que os S.E.H. são diversos quer em nosso paı́s, quer internacionalmente,
foram selecionados apenas três (3) sectores de equipamentos hidráulicos. Portanto,
conclui-se que a ocorrência de problemas patológicos é um fenômeno comum que
adivêm desde os S.E.H., assim como outros sectores que de alguma forma causam
algum impacto ao meio ambiente e, em alguns casos, não são verificados programas
eficientes de manutenção. Isso pode comprometer o desempenho da estrutura. Logo,
faz-se necessário estimular a elaboração mecanismos de prevenção e correção desses
fenômenos, conforme abordado.

Com relação aos Impactos Ambientais, são inúmeros os mecanismos utilizados na


construção de I.H. que causam interferências, causando danos negativos relativos
a estes pilares da sustentabilidade. No entanto, é possı́vel que, a partir de uma
metodologia correta e de ações de preventivas e corretivas tais ocorrências sejam
minimizadas ou até mesmo eliminadas. Neste contexto, é necessário que, não apenas
se construa um conjunto de ações para os problemas detectados ou previstos, mas
sim, colocálos em prática.

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ISPSongo 9 RECOMENDAÇÕES

9 RECOMENDAÇÕES
Visto que o tema foi de difı́cil comprrenção da parte unilateral, e tendo em
conta que existem inúmeros sectores de equipamentos hidráulicos, visto que, por
exemplo, no caso de barragens, dependendo da finalidade e do tipo de estrutura,
pode-se encontrar diversos equipamentos hidráulicos que são de dicı́cil caracterização.
Portanto como recomendações, tem-se:

1. Especificar o sector a se fazer o estudo;

2. Melhorar a prática da gestão ambiental a nı́vel nacional;

3. Evitar a construção de infraestruturas em margens de rios; e

4. Fazer-se a revisão dos regulamentos dos aspectos e licenciamento ambientais a


nı́vel nacional.

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ISPSongo 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar. Metodologia do
Trabalho Cientı́fico: Métodos e Técnicas da Pesquisa e do Trabalho Acadêmico.
2a Edição. Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul - BRasil. 2013.

[2] BARBIERI, José Carlos. Gestão Ambiental Empresarial (Conceitos,


Modelos e Instrumentos). In: Gestão Ambiental. 2a Edição Revista e Actuali-
zada. São Paulo: Saraiva, 2007.

[3] BRAGA, Benedito, et.al. Introdução à Engenharia Ambiental: O desafio


do desenvolvimento sustentável. 2a Edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.

[4] LOURENÇO, L. C. Análise da corrosão em estruturas de pontes


metálicas e em concreto armado. Dissertação de Mestrado. UFF. 2007.

10.1 Bibliografia
[5] GENTIL, V. Corrosão. 4a Edição. Rio de Janeiro: Editora Livros Técnicos
e Cientı́ficos, 2003. IBAMA. Relatório Perspectivas do Meio Ambiente Mundial
Geo-Brasil. Pub. IBAMA, 2002

[6] MELLO, Jorge. SILVA, Leonardo Duarte. Universidade Federal Rural do Rio
de Janeiro (Instituto de Tecnoloogia): Irrigação. UFRRJ, outubro de 2006.

ξ Divisão de Engenharia Engenharia e Ambiente Página: 17

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