Você está na página 1de 22

FELIPE VALENGA DE ALMEIDA DE SOUZA

APLICAÇÃO DA TÉCNICA TERMOGRÁFICA NAS


INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Ponta Grossa
2018
FELIPE VALENGA DE ALMEIDA DE SOUZA

APLICAÇÃO DA TÉCNICA TERMOGRÁFICA NAS


INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à Universidade Norte do Paraná, como
requisito parcial para a obtenção do título de
graduado em Engenharia Elétrica.

Orientador:

Ponta Grossa
2018
FELIPE VALENGA DE ALMEIDA DE SOUZA

APLICAÇÃO DA TÉCNICA TERMOGRÁFICA NAS


INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à Universidade Norte do Paraná, como
requisito parcial para a obtenção do título de
graduado em Engenharia Elétrica.

BANCA EXAMINADORA

Prof(a). Fernando Emerenciano Nunes de


Oliveira.

Prof(a). Gabriella de Menezes Baldão.

Prof(a). Luciano Gomes Ferreira.

Ponta Grossa, 10 de dezembro de 2018.


SOUZA, Felipe Valenga de Almeida. Aplicação da técnica termográfica nas
instalações elétricas. 2018. 21 folhas. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Engenharia Elétrica) – UNOPAR, Ponta Grossa, 2018.

RESUMO

A termografia em componentes elétricos tem como objetivo garantir a confiabilidade,


disponibilidade e integridade de equipamentos em uma linha de produção,
garantindo assim a segurança dos colaboradores. A relevância deste estudo se
justifica pelo fato de que a termografia mostra-se como uma técnica eficaz na
detecção de sintoma de falha e/ou na alteração da temperatura normal de operação
dos componentes elétricos. A termografia tem sido uma prática utilizada como
método para monitorar a temperatura dos componentes elétricos, o que evita o
aquecimento excessivo e suas possíveis falhas. A partir desta consideração,
levantou-se como problema: De que modo a termografia pode ser usada para o
controle preventivo e preditivo das instalações elétricas? O objetivo geral foi analisar
o funcionamento da técnica termográfica e sua aplicabilidade nas instalações
elétricas. Os objetivos específicos foram contextualizar o histórico e os princípios da
termografia; descrever o funcionamento da técnica termográfica nas instalações
elétricas; definir as normas e critérios da termografia nos componentes elétricos;
apontar as vantagens e limitações da técnica termográfica. A termografia em
componentes elétricos tem como objetivo garantir a confiabilidade, disponibilidade e
integridade de equipamentos em uma linha de produção, garantindo assim a
segurança dos colaboradores. Pode-se concluir que a aplicação das técnicas de
termografia em sistemas elétricos é uma ferramenta eficaz para o diagnóstico na
prevenção de falhas em sistemas elétricos, desse modo, ela é vantajosa para a
prevenção preventiva e preditiva.

Palavras-chave: Instalações elétricas; Termografia; Manutenção.


SOUZA, Felipe Valenga de Almeida. Application of thermographic technique in
electrical installations. 2018. 21 folhas. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Engenharia Elétrica) – UNOPAR, Ponta Grossa, 2018.

ABSTRACT

The thermography in electrical components aims to guarantee the reliability,


availability and integrity of equipment in a production line, thus guaranteeing the
safety of the employees. The relevance of this study is justified by the fact that
thermography is an effective technique for detecting failure symptoms and / or
altering the normal operating temperature of the electrical components.
Thermography has been a practice used as a method to monitor the temperature of
electrical components, which avoids overheating and possible failures. From this
consideration, it has arisen as a problem: In what way can thermography be used for
the preventive and predictive control of electrical installations? The general objective
was to analyze the thermographic technique and its applicability in electrical
installations. The specific objectives were to contextualize the history and principles
of thermography; describe the operation of thermographic technique in electrical
installations; define thermography standards and criteria in electrical components; to
point out the advantages and limitations of thermographic technique. The
thermography in electrical components aims to guarantee the reliability, availability
and integrity of equipment in a production line, thus guaranteeing the safety of the
employees. It can be concluded that the application of thermography techniques in
electrical systems is an effective tool for diagnosis in the prevention of failures in
electrical systems, thus, it is advantageous for preventive and predictive prevention.

Key-words: Electrical installations; Thermography; Maintenance.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Conhecimentos para análise termográfica ............................................... 12


Figura 2 - Esquema de realização de Termografia Lock-In ...................................... 13
Figura 3 - Esquema de realização de Termografia de Impulso (Pulsed
Thermography) .......................................................................................................... 14
Figura 4 - Esquema de Termografia por Ultrassom ou Vibrotermografia ................. 14
Figura 5 - Termografia ABNT ................................................................................... 16
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 8
2. A TERMOGRAFIA NAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS..................................... 10
3. O FUNCIONAMENTO DA TÉCNICA TERMOGRÁFICA .................................. 13
4. NORMATIZAÇÃO, VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TÉCNICA
TERMOGRÁFICA ..................................................................................................... 16
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 20
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 21
8

1. INTRODUÇÃO

A prevenção e a identificação de falhas nas instalações elétricas elevam a


segurança e confiabilidade dos elementos do sistema; assim como maximiza a vida
útil dos equipamentos, diminui riscos de incêndios, previne danos e acidentes. A
temperatura consiste em uma das principais variantes que é possível de detectar no
processo de falha de uma instalação elétrica.
Nesse sentido, a termografia é uma das técnicas que opera através da
temperatura e tem sido utilizada de modo a prevenir falhas nos sistemas,
componentes e equipamentos elétricos, utilizando o calor dos raios infravermelhos
por meio da leitura da imagem térmica. Este trabalho teve como finalidade estudar
as características da técnica termográfica, com vistas de entender os princípios da
termografia, mas, sobretudo, analisar como esta técnica pode fornecer informações
acerca de um sistema ou equipamento elétrico.
A relevância deste estudo se justifica pelo fato de que a termografia mostra-se
como uma técnica eficaz na detecção de sintoma de falha e/ou na alteração da
temperatura normal de operação dos componentes elétricos. O objeto de estudo
escolhido visou contribuir para o aprofundamento acerca da termografia e de sua
aplicabilidade nas instalações elétricas. A partir disso, pretendeu-se enfatizar a
importância de disseminação desta técnica, uma vez que ao detectar falhas em
qualquer parte do sistema elétrico pode-se evitar a interrupção do processo, a
danificação permanentemente da instalação e até mesmo evitar um acidente.
A termografia tem sido uma prática utilizada como método para monitorar a
temperatura dos componentes elétricos, o que evita o aquecimento excessivo e suas
possíveis falhas. A partir desta consideração, levantou-se como problema: De que
modo a termografia pode ser usada para o controle preventivo e preditivo das
instalações elétricas?
O objetivo geral foi analisar o funcionamento da técnica termográfica e sua
aplicabilidade nas instalações elétricas. Os objetivos específicos foram
contextualizar o histórico e os princípios da termografia; descrever o funcionamento
da técnica termográfica nas instalações elétricas; definir as normas e critérios da
termografia nos componentes elétricos; apontar as vantagens e limitações da técnica
termográfica.
9

O tipo de pesquisa realizado foi a Revisão de Literatura, selecionando


trabalhos acadêmicos e artigos científicos dos últimos quinze anos. As palavras-
chave utilizadas na busca foram: termografia, componentes termográficos nas
instalações elétricas, controle preventivo e preditivo das instalações elétricas.
10

2. A TERMOGRAFIA NAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Desde os primórdios da história da humanidade já havia um reconhecimento


entre a relação de calor e a vida, entre saúde e temperatura corporal. De acordo
com Brioschi (2003) não havia grandes explorações sobre a origem do calor
humano, mas havia a constatação de que o mecanismo respiratório agia como um
dispositivo de resfriamento pela evidência do calor na temperatura exalada durante a
respiração. Assim, a partir da constatação de que a elevação de calor na pele era
um indicador de enfermidade, iniciaram as investigações sobre a termografia.
Com a retomada do conceito de calor corporal, surgiu o primeiro termômetro
em 1592, em que o astrônomo Galileu, de maneira rudimentar indicava as mudanças
de temperatura. A partir disso, os métodos e técnicas de mensurar o calor foram
sendo modificados e atualizados; e com o passar dos anos, Sanctorius reestruturou
o primeiro termômetro; Bolullian, em 1659, introduziu nele o uso do mercúrio; e após
isso, para aferir as temperaturas com maior precisão e para que houvesse uma
padronização de referências para não se medir de maneira arbitrária as
temperaturas, novos estudos incluíram as escalas termométricas, desenvolvidas por
Fahrenheit, Joule e Celsius. Esta última foi eleita a medida de referência para o
mundo todo desenvolvida pelo físico sueco Anders Celcius em 1734 (BRIOSCHI,
2003).
Embora com os avanços nas pesquisas, a utilização dos termômetros
demorou em virar rotina entre os médicos. De acordo com Brioschi (2003) foi preciso
uma série de observações e ampliações nos estudos para que os médicos
utilizassem a mensuração oral de temperatura.
Atualmente, a medicina utiliza a aplicação da termografia por meio de
tecnologias avançadas, permitindo maior precisão diagnóstica em vários setores da
saúde. Em meados de 1800, os estudos da radiação infravermelha, iniciados pelo
alemão Willian Herschel, ao descobrir que o sol emitia raios vermelhos, permitiram
que mais tarde, seu filho John Herschel, fosse o pioneiro no campo da fotografia, a
partir da primeira imagem térmica produzida em papel (BRIOCSCHI, 2003). Esse
experimento desdobrou-se futuramente para o desenvolvimento da radiografia,
ultrassonografia e cintilografia.
Contudo, a aplicação da termografia não se restringe na área medicinal, sua
aplicabilidade atualmente está desatrelada ao uso apenas do organismo humano,
11

sendo aplicada como ferramenta de avaliação térmica em qualquer corpo, objeto ou


equipamento. Sendo utilizada em vários setores da sociedade e nos diversos
segmentos da indústria, como a siderúrgica e automobilística, e nos diversos
domínios da engenharia (PALUCHOWSKI et al., 2011).
Basicamente, o princípio da termografia consiste na leitura e interpretação da
radiação infravermelha, permitindo a monitoração da temperatura e identificando, de
maneira precisa, os pontos de alteração que podem diagnosticar e detectar
problemas nas fases iniciais das instalações (SANTOS, 2006).
No que se refere ao uso da termografia nas instalações elétricas, esta pode
ser responsável pela segurança, visto que a temperatura é a principal variável
detectável na falha de uma instalação elétrica. A termografia pode servir como um
instrumento valioso para identificação e manutenção de uma instalação elétrica
(OLIVEIRA, 2012).
Até então se pode entender que a termografia não é uma técnica recente, o
estudo da temperatura nos corpos e objetos vem sido aprimorado e ampliado para
uma vasta aplicação em todos os setores da sociedade atual. Como já mencionado,
foi a partir dos estudos de Herschel sobre o calor infravermelho que a leitura da
imagem térmica se expandiu. Nesse sentido, pode-se compreender a crucialidade
dessa técnica; especialmente no que tange a sua operacionalidade no campo das
instalações elétricas (OLIVEIRA, 2012).
Segundo Fluke (2009), a predominância na maior parte dos problemas
elétricos é o superaquecimento vinculado à resistência elevada ou a desmedida
passagem de corrente. A técnica termográfica, nesse sentido, é aplicada com o
propósito de monitorar a temperatura dos componentes, com a finalidade de detectar
falhas térmicas em seu estágio inicial, prevenindo as interrupções desnecessárias
dos equipamentos assim como maximizando a confiabilidade dos mesmos e
minimizando os custos.
Uma das vantagens da técnica termográfica é a inspeção e monitoramentos
de objetos e pontos de alta periculosidade sem riscos para o equipamento e
operador, pois a leitura infravermelha para detecção de falhas pode ocorrer numa
variação de distância entre milímetros à quilômetros sem que os sistemas ou
instalações necessitem de desligamento. Além disso, por ser uma técnica não
destrutiva - que não desmonta e nem quebra equipamentos e paredes (NDT- Non-
Destructive Testing) - ela otimiza o tempo e reduz gastos (SANTOS, 2006). Dessa
12

forma, também permite a identificação antecipada de falhas, o que aumenta a


segurança e confiabilidade dos elementos do sistema.
A utilização das técnicas pode ser aplicada em varias áreas. No entanto, tem-
se destaque seu uso no segmento industrial para detecção de defeitos. Um modo de
investigar o mau funcionamento de equipamentos é através do perfil de
temperaturas, onde as radiações infravermelhas tornam-se visíveis com ajuda de
equipamentos específicos que fazem esta transformação e medição. Para
elaboração de uma inspiração termográfica ou de análise das imagens térmicas dos
painéis de comando e motores é necessário ter conhecimento nas áreas sobre
radiação, análises técnicas, manuseio de câmera, rotinas de inspeção, banco de
imagens, aplicações e conhecimento térmico (CEZAR, 2012).

Figura 1 – Conhecimentos para análise termográfica

Fonte: Cezar (2012)

A inspeção termográfica, como ferramenta de manutenção preditiva é


altamente eficaz, pois a leitura, a partir da geração das imagens térmicas, permite a
inspeção de equipamentos elétricos e diagnóstico de construção, prevenindo
excesso de correntes, falhas de projeto e no redimensionamento de máquinas,
anomalias na instalação de dispositivos, defeitos de isolamentos e irregularidades de
diversas causas que podem provocar desequilíbrios e avarias (FLUKE, 2009).
13

3. O FUNCIONAMENTO DA TÉCNICA TERMOGRÁFICA

A associação de diferentes técnicas na análise termográfica, bem como a


evolução das tecnologias que a auxiliam expandem a confiabilidade do diagnóstico
alcançado. Essa técnica pode ser Ativa, que é aplicada a elementos que não
propagam radiação infravermelha o suficiente para que se detectem anormalidades
ocasionais, o que requer que aquecimento ou arrefecimento da superfície seja feito
de forma artificial (KERSUL, 2014).
Na técnica ativa pode ser utilizada uma estimulação externa, no qual se
destacam os métodos de Termografia Lock-In, em que a superfície é iluminada
esporadicamente em intensidade modulada para cobrir toda a amostra (SILVA,
2014).

Figura 2- Esquema de realização de Termografia Lock-In

Fonte: Grosso (2011)

Existe também a técnica por Pulsed Thermography ou Termografia de


Impulso, onde a superfície se submete a um impulso de calor de alta potência, por
exemplo, por flashes fotográficos (SILVA, 2014).
14

Figura 3- Esquema de realização de Termografia de Impulso (Pulsed


Thermography)

Fonte: Grossa (2011)

Tem-se a termografia de estimulação interna, cujo método é o de ultrassom,


ou vibrotermografia (uso de um sistema ultrassônico para a provocação de um
impulso vibratório de partículas – oscilando aproximadamente de 15.000 a 30.000
vezes por segundo, sem o aquecimento da superfície para a descoberta dos danos)
(KERSUL, 2014).

Figura 4- Esquema de Termografia por Ultrassom ou Vibrotermografia

Fonte: Grosso (2011)

Após a delimitação da técnica termográfica, as estruturas são examinadas


através de imagens térmicas, pela medição de sua temperatura. As áreas de
15

temperatura mais elevada normalmente indicam zonas mais danificadas e com mais
risco de produzir fraturas). Existe ainda outro método para a realização de
termografia ativa, o sistema de porta ventiladora, que faz uma alteração de pressão
de forma artificial, para que se evidenciem perdas de calor (o que mostra infiltrações
impossíveis de serem visualizadas somente com a câmera termográfica). Em
relação a termografia passiva, nesta o aquecimento ou arrefecimento da superfície a
ser estudada acontece de forma natural, sem interferências artificiais (JUNIOR et al,
2017).
A vantagem da termografia passiva é que esse método faz uso da câmera
termográfica como único instrumento da técnica. Faz-se o uso de uma câmera que
registre radiação infravermelha, com a necessidade de uma unidade que tenha a
capacidade de sincronizar o período de tempo no qual é lançado o pulso térmico
com a gravação da câmera termográfica. Em uma peça sem falhas internas, a
temperatura da superfície reduz-se de maneira uniforme. Caso haja irregularidades
ou descontinuidades, estas serão detectadas pela câmera e analisadas pelo
profissional (MARTINS, 2013).
16

4. NORMATIZAÇÃO, VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TÉCNICA


TERMOGRÁFICA

Tanto no âmbito nacional quanto no internacional há normas


regulamentadoras concernentes à execução de ensaios não destrutivos com a
utilização de Termografia por Infravermelho para avaliar não só defeitos estruturais
em edificações, mas também se estas atendem aos requisitos de estanqueidade e
resistência ao fogo exigidos por lei. A Europa, através de seu Comitê Europeu de
Normatização (CEN), estabeleceu em 2003 o Comitê Técnico de Normatização para
a Conservação dos Bens Culturais; entretanto, há comitês estabelecendo normas a
isso desde os anos 70, com destaque para o pioneirismo da Itália. O Brasil ainda
carece de iniciativas a esse respeito (JUNIOR et al, 2017).
No Brasil, esta normatização se dá através da norma NBR 5628,
estabelecida em 2001 pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). As
normas vigentes no Brasil se encontram em conformidade e similaridade às normas
utilizadas no exterior, como a ASTM E 119, estabelecida pela ASTM (American
Society for Testing and Materials – Sociedade Americana para Testes e Materiais)
no ano de 2008 e a ISO 834, estabelecida pela ISO (International Organization for
Standadtization, ou Organização Internacional de Normatização) em 1999 (JUNIOR
et al, 2017).

Figura 5 – Termografia ABNT

Fonte: ABNT (2008)


17

Quanto as vantagens do uso da termografia, pode-se dizer que ela pode ser
utilizada em várias áreas, desde a área da Saúde até a área da Astronomia. Nas
edificações, ela pode ser utilizada também para diagnosticar e avaliar seu
comportamento higrotérmico, possibilitando ao aplicador da técnica uma perspectiva
acurada dos materiais e técnicas de construção que contribuam para evitar perdas
de calor, viabilizando o conforto térmico dos futuros utilizadores do espaço da
edificação (KERSUL, 2014).
Essa técnica também permite a inspeção de áreas amplas a longas distâncias
e de forma simultânea em várias áreas da superfície analisada, localizando
heterogeneidades e defeitos sob o revestimento e objetos encobertos com um
tempo de resposta rápido, em locais de difícil acesso ou de periculosidade elevada,
sem interferência do funcionamento cotidiano do local ou exigindo iluminação
especial. Além de tudo, os dados obtidos por esse procedimento são de grande
utilidade, pois evitam a deterioração consequente de uma negligência ou ignorância
de defeitos estruturais e possibilitam que seja realizada a manutenção e a
reabilitação das superfícies analisadas (NETO, 2009).
Ainda pode-se enumerar as vantagens de que os dados compilados pelas
câmeras termográficas apresentam uma qualidade excelente e a de que a evolução
das tecnologias relacionadas à termografia e aos equipamentos (como a câmera) se
encontra em franca expansão. Prova disso pode ser observada no design das
câmeras, que se torna cada vez mais compacto e facilmente transportável,
assegurando um deslocamento seguro e livre de preocupações complementares
(MARTINS, 2013).
Ainda há a vantagem de um diagnóstico térmico de larga escala, variando
ente 20°C e 1600°C, com a detecção de pequenas flutuações de temperatura.
Entretanto, como qualquer técnica, a da termografia também possui aspectos de
desvantagem. Entre eles, podemos elencar o de que a técnica apenas faz a
detecção de diferenciais de temperatura ocorrentes na superfície (FREITAS, 2004).
Outra desvantagem é caracterizada pela dificuldade que as condições
climáticas podem impor quando da realização do ensaio in situ, bem como a
presença de obstáculos exteriores como carros, cabos elétricos ou árvore, do ângulo
de visão, da reflexão de objetos próximos e outros fatores que possam causar
distorções no resultado final do termograma, o que conduz a resultados errôneos.
Portanto, os aplicadores da técnica devem ser qualificados para lidar com tais
18

inconvenientes e para que, nestes casos e na conjuntura geral, possam apresentar


soluções construtivas, baseados no conhecimento dos mecanismos de medição da
radiação infravermelha (FREITAS, 2004).
No entanto, algumas limitações podem comprometer a eficácia da inspeção
termográfica; uma delas seria o próprio inspetor que necessita estar altamente
capacitado para interpretar os dados e emitir diagnósticos. Os resultados de suas
leituras podem ser interferidos pela capacidade visual, gerando falsa conclusão e
paradas desnecessárias para manutenção (FLUKE, 2009).
A eficácia na capacidade visual do profissional requer treinamento de alto
nível, pois o olhar preciso estará apto para discernir um defeito real de uma
enganosa anomalia. Outras limitações dessa técnica podem estar relacionadas às
condições ambientais, onde a radiação solar, a temperatura ambiente e a umidade
relativa do ar pode influenciar nos resultados. Outro fator limitante seria a qualidade
do equipamento escolhido para inspeção, independente do treinamento do
profissional, a escolha das câmeras e sensores térmicos podem interferir em sua
leitura (FLUKE, 2009).
Na economia globalizada dos dias de hoje, a sobrevivência das organizações
depende da sua habilidade e rapidez de inovar e efetuar melhorias contínuas. Isso
não ocorre na manutenção corretiva. Nesse tipo de manutenção, a empresa espera
o equipamento quebrar, para fazer a parada de manutenção. Esse processo traz
prejuízo aos bolsos dos empresários, pois além de parar a produção, o risco de
acidentes é muito alto. (TADEU, 2000).
Também gera a diminuição da vida útil das máquinas e das instalações, além
de serem necessárias paradas para manutenção em momentos aleatórios, e muitas
vezes inoportunos por serem em épocas de ponta de produção, correndo risco de ter
que fazer paradas em períodos de cronograma apertado, ou até épocas de crise
geral, podemos perceber que que o uso da termografia na inspeção é um meio fácil,
barato e seguro de manter uma empresa em ordem. (ALMEIDA,2010).
19
20

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No desenvolvimento desta pesquisa fez-se a descrição do surgimento da


termografia, do funcionamento e critérios da técnicas termográfica nos componentes
elétricos e foi realizado apontamento sobre as principais vantagens e desvantagens
desta técnica.
A termografia em componentes elétricos tem como objetivo garantir a
confiabilidade, disponibilidade e integridade de equipamentos em uma linha de
produção, garantindo assim a segurança dos colaboradores. Pode-se concluir que a
aplicação das técnicas de termografia em sistemas elétricos é uma ferramenta eficaz
para o diagnóstico na prevenção de falhas em sistemas elétricos, desse modo, ela é
vantajosa para a prevenção preventiva e preditiva.
Pela tecnologia utilizada na técnica termográfica as informações transmitidas
na inspeção possuem grau alto de confiabilidade, visto que as imagens
termográficas mostram locais precisos que é de difícil acesso. Além disso, esta
técnica não precisa fazer com que os equipamentos tenham alguma parada, então
os custos de manutenção podem ser econômicos para a indústria. Sugere-se como
tema de pesquisa em futuros trabalhos, o aprofundamento sobre o funcionamento e
aplicação das técnicas da termografia.
21

REFERÊNCIAS

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 15572. Ensaios


não destrutivos - Termografia por infravermelho. Guia para inspeção de
equipamentos elétricos e mecânicos, 2008.

BRIOSCHI, M. L. A história da termografia. Conceitos antigos da produção de calor.


Revista USP, 2003. Disponível em:
http://www.lla.if.sc.usp.br/art/ahistoriadatermografia.pdf. Acesso em 20 de abril de
2018.

CEZAR, C.L. Sistema de Gestão da Manutenção Industrial Utilizando


Termografia: Aplicação Na Usina Termelétrica Da Caal – Alegrete. Trabalho de
conclusão de curso. Universidade Federal do Pampa da Faculdade. Alegrete, 2012.

FANTONI, G.; MERLETTI, L. G.; SALERNO, A. Stato dell’arte della termografia


Lock-In applicata a componenti di elicottero: analisi termoelastica e rilevazione di
difetti. Il Giornale delle Prove non Distruttive, Monitoraggio, Diagnostica, v. 4, p.
30-34, 2008.

FLUKE. Introdução aos principios da termografia. Ed. ATP, 2009.

FREITAS, G. A. C. Avaliação de Defeitos em Juntas de Dutos Utilizando


Materiais Compósitos, Através da Técnica Termográfica. Tese de M.Sc.,
COPPE/ UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2004.

GROSSO, M. Análise Termográfica de Defeitos de corrosão em aços revestidos


por materiais compósitos. Trabalho de Conclusão de Curso em Engenheiro
Metalúrgico. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2011.

JUNIOR, J.M.E. et al. Técnicas de análise termográfica para avaliação de eficiência


energética de carregamento térmico de transformadores em sistemas de distribuição
de energia elétrica. In: LATIN-AMERICAN CONGRESS ON ELECTRICITY
GENERATION AND TRANSMISSION – CLAGTEE, 2017.

KERSUL, G.M. Uso da termografia para inspeção e manutenção predial – estudo


de caso. Trabalho de conclusão de curso. Universidade de Brasília. Brasília, 2014.

MARTINS, Adriana Príncipe Henriques. Uso da termografia na deteção de


avarias. Tese de Doutorado. Instituto Politécnico do Porto. Instituto Superior de
Engenharia do Porto, 2013.
22

NETO, C. J. Termografia aplicada a detecção e dimensionamento de


descontinuidades em tubulações de material compósito. Tese de M.Sc.,
UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil, 2009.

OLIVEIRA, T. M. D. Análise de Sistemas de Energia e Máquinas Elétricas com


recurso a termografia. Dissertação de mestrado em Engenharia Eletrotécnica.
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Porto, 2012.

PALUCHOWSKI, C. et al. Bases teóricas de inspeção termográfica para aplicação


em componentes elétricos. SIEF – Semana Internacional das Engenharias da
FAHOR, 2011.

SANTOS, Laerte dos. Termografia Infravermelha em Subestações de Alta


Tensão Desabrigadas. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação
em Engenharia da Energia. Universidade Federal de Itajubá. Itajubá, 2006.