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Ficha de Leitura de Quimica Geral

Introdução

O grande desenvolvimento do nosso planeta em diversas áreas deve-se principalmente ao


desenvolvimento e utilização da química que é hoje uma ciência nova, mas de importância
fundamental para o desenvolvimento, protecção incluíndo a destruição de nosso planeta.

O meio ambiente também está nas mãos da Química, visto que, os inúmeros produtos
químicos que poluem os rios, lagos, florestas, bem como, as nossas cidades resultam desta
ciência. Portanto, um engenheiro deve ter um papel importante na formacao da sociedade
sobre o desenvolvimento sustentavel. Por essa razão, para que ele desenvolva com eficiência e
eficácia esse papel deve estar dotado de conhecimentos sobre a Química.

É neste âmbito, que o estudante do Curso de Engenharia deve ter uma série de conhecimentos
básicos em Químicas de modo que durante a sua actividade laborar possa contribuir na
preservação do ambiente, recordando que problemas ambientais são resultantes de actividades
antropogénicas. Portanto, a química é tudo que existe e se vê e, o que não se vê também, logo
a química é sua vida, o engenheiro também, vive pela química e da química.

Caro estudante, com esta Ficha de Leitura poderá deter algum conhecimento da cadeira
Quimica Geral, mas contudo, é importante ressalvar que a mesma não deve substituir qualquer
material ou literatura especifica em torno desta matéria. Deve usá-la como um instrumento
para aquisição de bases, devendo no entanto, recorrer a outro material para discussão e
aprofundamento da matéria. Estude para ter êxitos...

...Aos meus estudantes, recebam calorosos cumprimentos de melhores e maiores êxitos...

“...Como homem que sou levarás pouco tempos para descobrir as minhas fraquezas do que
para reconhecer as minhas qualidades...mas me conforme porque saber que não sabe e
virtude de uma grande sabedoria...”

Naftal Naftal, Março de 2016

Naftal Naftal Página 1


Universidade Zambeze-Faculdade de Ciências e Tecnologias-2016
Ficha de Leitura de Quimica Geral

1.0. ESTRUTURA ATÓMICA E TABELA PERIÓDICA

 Definir átomo
 Descrever os modelos atómicos de Dalton, Thomson, Rutherford e Bohr
 Determinar as massas atómicas de vários elementos quimicos
 Fazer a destribuição electrónica pelos níveis e subníveis de energia
 Definir tabela periódica
 Conhecer o historial do surgimento e evolução da tabela periódica
 Explicar a disposição dos elementos químicos na tabela periódica
OBJECTIVOS
 Resolver exercícios sobre átomo e tabela periódica

1.1. Conceito de Átomo. Estrutura Atómica

1.1.1. Conceito de Átomo

Há vários conceitos sobre átomo. Entre eles existem os que com a evolução da Química e
Física actualmente já não são aceites, ou seja, já estão ultrapassados. Portanto, do grego,
átomo significa indivisível. Átomo é a menor parte em que a matéria pode ser dividida.

O número atómico (Z): é um número determinado experimentalmente, característico de cada


elemento, representando o número de protões contidos no núcleo e caracteriza os diversos
átomos. Entretanto, em um átomo electricamente neutro, o número atómico é igual ao número
de electrões (Z=e-).

 Exemplo:
a) Todos átomos de Sódio possuem 11 protões, logo, o número atómico (Z) é igual à 11;
b) Todos átomos de Ferro possuem 26 protões, logo, o número atómico (Z) é igual à 26.

Número de massa (A): é a soma de protões e neutrões do núcleo de um átomo:


 Exemplo: A = N° de Protões + N° de Neutrões.

Número de neutrões (n): em um atomo neutro, o número de cargas postivas (protões) e igual
ao número de cargas negativas (electrões). Também pode ser dado pela diferença entre o
número de massa (A) e o número atómico (Z)
 Exemplo: n = e- (caso átomo seja neutro) ou n = A – Z.

1.1.2. Estrutura Atómica

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Cada átomo é composto por um núcleo muito pequeno contendo protões e neutrões envolvidos
por electrões orbitais em movimento cujo número varia consoante o elemento químico.

 Cargas

A diferença entre os vários elementos químicos é dada pela quantidade de protões e neutrões
dos respectivos átomos. Por outro lado, a quantidade de protões contidos no núcleo de um
átomo é conhecida sob o nome de número atómico. Quanto as cargas, os protões tal como so
electrões possuem cargas elétricas de 1,60x10-19C.
 Protões possuem carga positiva;
 Electrões possuem carga negativa;
 Neutrões são eletricamente neutros.

 Massas

As massas dos protões e neutrões são aproximadamente a mesma (1,67x10-27kg) enquanto os


electrões possuem massa muito menor (9,11x10-31kg). Podemos, agora, ilustrar
esquematicamente a estrutura atômica do seguinte modo:
 Novos estudos foram feitos visando estabelecer as relações entre as massas e as
intensidades das cargas eléctricas dos protões, neutrões e electrões;
 Concluiu-se então que, adoptando-se como padrão, parao protões, massa % 1 e carga
eléctrica % 1, resultam os seguintes valores aproximados:

Partícula Massa Carga Eléctrica


Protão 1 +1
Neutrão 1 0
Electrão 𝟏 -1
𝟏. 𝟖𝟑𝟔

Observe que a massa de um electrão é cerca de 1.836 vezes menor que a de um protão ou de
um neutrão. Consequentemente a perda ou ganho de electrão, por partede um átomo (que irá
transformá-lo num íão positivo ou negativo), não irá praticamente alterar sua massa.

1.1.3. Modelos Atómicos

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Ao longo dos séculos XIX e XX, grandes cientistas estudavam o comportamento dos átomos e
desenhavam modelos explicativos como resultados experimentais que possibilitavam a
realização de previsões de como seria a forma de um átomo. A ciência de uma forma geral
estava receber uma ferramenta que tornaria a vida humana mais fácil e serviria também de
ponto de partida para um novo mundo tecnológico que começava a se desenhar.

Portanto, em relacao aos modelos atómicos apenas iremos discutir de forma resumida os
modelos de Dalton, Thomson, Rutherford e Bohr.

1.1.3.1. Modelo Atómico de Dalton

John Dalton acreditando nas leis da conservação de massa e da composição definida, propôs
uma teoria que explicava estas e outras generalizações químicas. Dalton ressuscitou o conceito
grego da existência dos átomos e foi capaz de sustentar este conceito com evidências
experimentais que ele e outros obtiveram. Com base na sua teoria sobre o modelo atómico
argumentou que átomo é uma minúscula esfera maciça, impenetrável, indestrutível, indivisível
e sem carga, dando origem ao modelo da bola de bilhar.

Figura 1.1: John Dalton e o seu Modelo Atómico:

Fonte: Internet, 03.2016.

De acordo com John Dalton:

 Toda matéria é composta por minúsculas partículas - os átomos;


 Os átomos de um determinado elemento são idênticos entre sí;
 Átomos de diferentes elementos apresentam massa e propriedades diferentes;
 Átomos são permanentes e indivisíveis, não podendo ser criados nem destruídos;
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 As reações químicas correspondem a uma reorganização de átomos;


 Os compostos são formados pela combinação de átomos de elementos diferentes em
proporções fixas.

1.1.3.2. Modelo Atómico de Thomson

Após a descoberta do electrão, em 1904, Joseph John Thomson, sugeriu o modelo do pudim
de passas. De acordo com esse modelo o átomo seria composto por electrões que giravam em
círculos imersos em uma bolha esférica de uma substância carregada positivamente, ou seja,
uma esfera positiva na qual os electrões estão distribuídos mais ou menos uniformes.

Ainda de acordo com o raciocínio de Thomson:

 Electrões podem ser retirados de um átomo deixando um ião positivo que tem massa
bem maior que um electrão;
 É provável que cada átomo seja composto de uma parte positiva grande e pesada mais
uma quantidade de electrões menores e mais leves;

De forma resumida, o modelo do átomo de Thomson era uma esfera de carga eléctrica positiva
na qual estavam contidos alguns electrões.

Figura 1.2: Joseph John Thomson e o seu Modelo Atómico:

Fonte: Internet, 03.2016.

1.1.3.2.1. Experiência de William Crookes

Em 1875, William Crookes colocou gases muito rarefeitos (em pressões muito baixas) em
âmpolas de vidro. Esses gases foram submetidos a voltagens muito elevadas. Outrotanto,
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apareceram emissões que foram denominadas raios catódicos. Quando submetidos a um


campo eléctrico uniforme e externo, gerado por duas placas planas paralelas e carregadas, os
referidos raios sempre se desviam na direcção e no sentido da placa que está carregada
positivamente, o que prova que os raios catódicos são negativos.

Figura 1.2: Âmpola de Crookes - Campo Elétrico Externo e Uniforme:

Fonte: FELTER, 75:2005.

É muito importante frisar: o desvio ocorre sempre do mesmo modo, qualquer que seja o gás no
interior da ampola. Entretanto, esses factos levaram os cientistas a imaginar que os raios
catódicos seriam formados por pequenas partículas negativas, e que essas partículas existem
em toda e qualquer matéria - os electrões.

Surgia assim, pela primeira vez na história, a idéia da existência de uma partícula subatômica,
ou seja, menor que o átomo. Contrariando Dalton, começava-se a provar que o átomo pode ser
dividido. A experiencia (ampola) de Crookes é muito importante na evolucao da tecnologia,
portanto, e atraves dela que derivam os aparelhos de raios X e os televisores modernos.

Thomson, também realizou várias experiências com a âmpola de Crookes (tubo de raios
catódicos) feitos de um tubo de vidro vedado, com um gás sob baixa pressão (atmosfera
rarefeita), em que ele aplicava uma tensão. Quando a alta tensão era ligada, podiam-se
observar raios saindo do cátodo e indo em direcção ao ânodo - raios catódicos.

Thomson observou que essas cargas elétricas tinham massa, pois, colocando-se uma ventoinha
entre os dois eléctrodos, quando os raios catódicos passavam, eles movimentavam a
ventoinha. Observando a imagem abaixo, quando se colocava um campo eléctrico produzido

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por placas electrizadas, os raios sofriam um desvio e eram atraídos pelo polo positivo do
campo eléctrico - comprovando que os raios catódicos eram um feixe de partículas negativas:

Figura 1.3: Experiência de Thomson com Tubo de Raios Catódicos:

Fonte: FELTER, 75:2005.

Desse modo, Thomson propôs um novo modelo atômico, que continuava esférico como o de
Dalton, porém, que explicava a natureza eléctrica da matéria. Para Thomson, o átomo não
seria indivisível, como Dalton propôs, mas sim divisível, ou seja, ele possuiria partículas
menores de carga negativa, os eletrões, que ficavam distribuídos aleatoriamente sobre uma
esfera carregada positivamente. A esfera tinha que ser positiva para neutralizar as cargas
negativas dos elétrons, tendo em vista, que o átomo é electricamente neutro.

1.1.3.3. Modelo Atómico Rutherford

Em 1911, Ernest Rutherford, estudando a trajectória de partículas α emitidas pelo elemento


polônio, bombardeou uma fina lâmina de ouro e observou que:
 Grande das partículas α atravessavam a lâmina de ouro sem qualquer desvio em sua
trajetória;
 Algumas partículas sofriam desvio em sua trajetória;
 Um número muito pequeno de partículas batiam na lâmina e voltavam.

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Figuira 1.4: Rutherford e o seu Modelo Atómico

Fonte: Internet, 03.2016

Rutherford concluiu:

 Que a lâmina de ouro seria constituída por átomos formados por um núcleo muito
denso e pequeno rodeado por uma região maior onde estariam os elétrons, surgindo a
ideia de que os electroes estariam em movimentos circulares ao redor do núcleo.

Figura 1.5: Experiência de Rutherford:

Fonte: Química Geral 1, Pág. 10

1.1.3.3. Modelo Atómico de Bohr

O modelo proposto por Rutherford foi aperfeiçoado por Henrik David Bohr. Os seguintes
postulados foram propostos:
 Na eletrosfera, os electrões descrevem sempre órbitas circulares ao redor do núcleo,
chamadas de níveis de energia;
 Cada nível ocupado por um electrões possui um valor determinado de energia;

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 Os electrões só podem ocupar os níveis que tenham uma determinada quantidade de


energia, não sendo possível ocupar estados intermediários.

1. Ao saltar de um nível para outro mais externo, os electrões absorvem uma quantidade
definida de energia (figura 1);
2. Ao retornar ao nível mais interno, o electrões emite um quantum de energia (figura 2).

1.1.4. Isótopos, Isóbaros e Isótonos

Examinando o número atómico (Z), o número de neutrões (N) e o número de massa (A) de
diferentes átomos, podemos encontrar conjuntos de átomos com um ou outro número igual.

1.1.4.1. Conceito de Isótopos

Isótopos são átomos com mesmo número de protões (Z) e diferente número de massa (A).
Isótopos são átomos do mesmo elemento químico que possuem diferentes números de
neutrões, resultando em números de massa diferentes.

Os três isótopos (nuclídeo) de hidrogênio, 11H, 21H, 31H, têm nomes especiais: hidrogênio,
deutério e trítio, respectivamente. Portanto, os três isótopos do oxigénio, mencionados acima,

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são conhecidos apenas como oxigénio-16, oxigénio-17 e oxigénio-18. É claro que a isotopia é
um fenômeno muito comum na natureza. Podemos dizer que praticamente todos os elementos
químicos naturais são formados por mistura de isótopos. Acompanhe o exemplo abaixo:

 O elemento químico cloro é formado por, aproximadamente, 75% de cloro-35 ( 35


17 𝐶𝑙 )

e 25% de cloro-37 ( 37
17 𝐶𝑙 ), em massa;

 Observe que, em qualquer composto de cloro existente na Terra, iremos sempre


encontrar essa mesma mistura isotópica - 75% de cloro-35 e 25% de cloro-37.

1.1.4.2. Conceito de Isóbaros

Isóbaros são átomos de diferentes números de prótons (elementos diferentes), mas que
possuem o mesmo número de massa (A). Isóbaros são átomos de elementos químicos
diferentes, mas que possuem a mesma massa, porque um maior número de prótons é
compensado por um menor número de nêutrons e vice-versa. Os isóbaros têm propriedades
físicas e químicas diferentes.

1.1.4.3. Conceito de Isótonos

Isótonos são átomos de diferentes números de prótons (elementos diferentes), diferentes


números de massa, porém com mesmo número de nêutrons (N). Os isótonos têm propriedades
físicas e químicas diferentes.

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 Átomo de cloro tem: N= A – Z = 37 – 17 = 20 → N = 20 Neutrões;


 Átomo de Cálcio tem: N = A – Z = 40 – 20 = 20 → N = 20 Neutrões.

1.1.5. Massa Atómica

No início do século XIX acreditava-se que havia diferenças fundamentais entre os elementos,
compostos e misturas. As leis da conservação da massa e da composição definida haviam sido
propostas e, embora fossem sustentadas por alguns dos químicos mais progressistas da época,
não podiam satisfatoriamente explicar por que massas eram conservadas durante uma
transformação química e por que certos tipos de matéria pareciam ter a mesma composição.

Portanto, massa atómica (massa atomica média ou peso atomico médio) e a massa atómica
média dos isótopos do elemento químico tendo o carbon 12 (C12) como padrão. A massa
atómica é expressa em unidade de massa atómica, u (antigamente representada por u.m.a).

Cada elemento químico possui:


 Seu número atómico (Z) caracterizado pelo número de protões do núcleo.
 A massa atómica (A) de um átomo é calculada pela soma da massa de protões (Z) e
neutrões (N) no interior de seu núcleo - A=Z+N.

1.1.6. Modelo da Mecânica Quantica e as Energias Electrónicas

Durante a primeira parte do século XX, a física sofreu uma revolução que acabou por
influenciar todas as outras ciências. Esta revolução teve início na mecânica, parte da física que
estuda as forças e seus efeitos sobre o movimento dos objectos.

1.1.6.1. Princípio da Incerteza de Heisenberg

Em 1927, o físico alemão Werner Heisenberg desenvolveu uma relação importante que mostra
a existência de uma limitação rígida e natural, em nossa capacidade de aprender e descrever o
movimento de partículas extremamente pequenas.

Princípio da incerteza de Heisenberg estabelece que:

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 É impossível conhecer simultaneamente e com certeza a posição e o momento (é o


produto da massa vezes a velocidade) de uma pequena partícula, tal como um electrão.

Este princípio da incerteza pode ser assim interpretado:

 Quanto mais de perto tentarmos olhar uma partícula diminuta, tanto mais difusa se toma
a visão da mesma. O problema não é tão importante para objectos comparativamente
maiores como fragmentos de rochas, bolas de beisebol ou partículas de pó.

Nestes casos, a incerteza de Heisenberg associada a cada medida é desprezível em relação à


grandeza da própria medida. Para um electrão, entretanto, somos forçados a concluir que
qualquer retrato físico ou qualquer modelo mental da estrutura electrónica do átomo não
poderá precisa e simultaneamente: (1) Localizar o electrão e (2) descrever o seu movimento.

Em outras palavras, devemos ter esperanças de encontrar um modelo fisicamente concreto do


átomo, que descreva exactamente qual a posição e como é o movimento do electrão.

1.1.6.2. Números Quânticos

De acordo com a mecânica ondulatória, cada elétron é caracterizado por quatro parâmetros,
conhecidos como números quânticos. São os modelos que nos auxiliam na localização e
identificação da posição do elétron na órbita de um átomo.
 São eles: n = número quântico principal; l= número quântico secundário (azimutal); ml
= número quântico magnetic e ms = número quântico de spin.

1) Número Quântico Principal (n):


 Está relacionado à distância de um electao ao núcleo, ou à sua posição;
 Somente assume valores inteiros: n=1; n=2; n=3...
 As camadas são designadas pelas letras K, L, M, N, O, e assim por diante, que
correspondem, respectivamente, a n = 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

2) Número Quântico Secundário (l)


 Caracteriza a uma subdivisão de energia dentro de cada camada;
 A quantidade destas subcamadas está limitada pela magnitude de n.

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Figura 1.6: Resumo de Camadas e Subníveis de Energia:

Fonte: Internet, 02.2016.

1.1.6.2.1. Orbitais

Os orbitais correspondem aos estados individuais que podem ser ocupados por um electrão em
um átomo. Pese embora, o termo nao tenha o mesmo significado da sua interpretação, orbital é
orbita (Bohr) mas a sua interpretação está relacionada ao nível de energia. Por essa razao,
deve-se imaginar um orbital simplesmente como um nível de energia. Cada orbital no átomo
acomoda no máximo dois electrões e, quando dois electrões ocupam o mesmo orbital, são
ditos emparelhados.

a) Orbitais s

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b) Orbitais P

c) Orbitais d

3) Número Quântico Magnético (ml)


 Caracteriza o orbital em que existe a probabilidade de se encontrar o electrao;
 Pode ter qualquer valor inteiro entre +3 e -3, inclusive zero.

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Nota importante sobre a designação de subníveis:

 s = Sharp (nítido);
 P = Principal;
 d = diffuse (difuso);
 f = Fundamental.

4) Número Quântico Spin (ms)


 Descreve a rotação do elétron em torno do seu eixo;
 Associado a cada elétron há momento de spin (momento de rotação), que deve estar
orientado para cima ou para baixo;
 Esse é o quarto número quântico, para o qual existem dois possíveis valores (+1/2 e -
1/2), um para cada uma das orientações de spin.

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1.1.6.3. Determinação de Massas Atômicas

A massa atómica de um elemento é calculada pele média das massas dos isótopos deste
elemento. A média precisa ser ponderada para levar em conta a abundância relativa dos
isótopos. O método de cálculo é ilustrado no exemplo que se segue abaixo:

 Exemplo 1: o cobre ocorre na natureza como uma mistura isotópica de 69. 09% de 63
Cu (massa = 62.93 u por átomo) e 30.91 % de 65 Cu (massa = 64.95u por átomo).
Qual é a massa atómica do cobre?
Solução:
1. Resolve-se o problema calculando a massa média de algum número, por exemplo, 100,
de átomos de cobre.
2. Como 100 átomos de Cu contêm 69.09 átomos de 63Cu e 30.91 átomos de 65Cu;
3. A massa total destes 100 átomos de cobre é: (69.09 átomos) (62,93 u átomo-1) +
(30,91 átomos) (64.93 u átomos-1) = 6355 u
Portanto, de acordo com os calculos a massa média de um átomo de cobre é:

A massa atómica do cobre é 63,55.

 Exemplo 2: o enxofre é encontrado na terra com uma mistura isotópica de 95.02% de


32S (massa = 31.972 u por átomo), 0.75% 33S (massa = 32.972 u por átomo), 4.21%
34S (massa = 33,968 u por átomo) e 0.02% de 36S (massa = 35.967 u por átomo).
Qual é a massa atómica do enxofre?
Solução: A massa média de um átomo de enxofre é 32,07.

1.1.7. Distribuição Electrónica Pelos Níveis e Subníveis de Energia

1.1.7.1. Príncipio da Exclusão de Wolfgang Pauli

Em um mesmo átomo, não existem dois electrões com quatro números quânticos iguais. Como
consequência desse princípio, dois elétrons de um mesmo orbital têm spins opostos. Um

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orbital semicheio contém um electrões desemparelhado. Um orbital cheio contém dois


electrões emparelhados (de spins opostos).

Segundo este principio:

 Em um átomo, dois electrões quaisquer nunca poderão ter o mesmo conjunto de


números quânticos , ou seja, os dois electrões nunca estarão no mesmo estado
quântico n , l, ml e ms.

Figura 1.7: Wolfgang Pauli e o seu Diagrama

Fonte: RUSSEL, 1994

Este enunciado (1925) de Wolfgang Pauli estabelece uma forma como os electrões de um
átomo se posicionam nos vários estados quânticos disponíveis. Para o preenchimento dos
diversos estados quânticos do átomo devemos ter em mente duas regras básicas:

 1ª Regra: Os orbitais são preenchidos sempre a partir do de menor energia;


 2ª Regra (Regra de Hund): Quando duas ou mais possibilidades de preenchimento
existirem, envolvendo a mesma energia, o preenchimento dos orbitais dá-se de forma a
possibilitar o maior número possível de electrões não emparelhados.

Note que a camada n=2 , por exemplo, tem duas sub-camadas: a l=0 com um orbital (ml=0) e
a l= l com três orbitais (ml=0,-1;1).

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De forma que esta camada (com quatro orbitais) pode abrigar até oito electrões, enquanto que
a camada seguinte ( n=3, com três sub-camadas) pode abrigar até 18 eletrões (nove orbitais).
Em geral, cada camada tem 2 n2 eletrões . No caso do átomo de hidrogênio, a configuração
eletrônica (estado fundamental) será:

 Nem todos os estados electrónicos são preenchidos por electrões;


 Para a maioria dos átomos, os electrões preenchem os estados eletrônicos de energias
mais baixas nas camadas e subcamadas, dois electrões (spins) por estado;
 Quanto todos os electrões ocupam as menores energias possíveis o átomo está no seu
estado fundamental;
 A configuração electrónica é a representação da maneira segundo a qual esses estados
são ocupados.

1) Representação gráfica de preenchimento orbital (do hidrogénio):

2) Quanto aos demais átomos da tabela periódica:

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Note, neste caso do boro, que o conjunto dos números quânticos correspondentes ao electrões
no sub-nível 2p serão:

No total, tem-se então 6 possibilidades de conjunto de números quânticos todos com mesma
energia para este electrões.

Veja que os dois electrões de valência têm agora duas possibilidades de preenchimento que
envolvem o mesmo estado energético. Mas pela regra de Hund (proposta a partir de
observações experimentais), a segunda alternativa, que envolve os dois electrões
desemparelhados, é a correta.

1.1.7.2. Diamagnetismo e Paramagnetismo

O átomo mais simples a seguir ao hidrogénio é o hélio, que tem 2 electrões. A configuração
electrónica do hélio é:

O princípio da exclusão de Pauli é, como referimos, um dos princípios fundamentais da


mecânica quântica e pode ser testado por simples observação da experiência. Se os dois
electrões no hélio tivessem os mesmos quatro números quânticos, ou seja o mesmo spin (o que
quer dizer spins paralelos), o campo magnético total era a soma devida aos dois electrões.
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Assim o hélio seria paramagnético. Substâncias paramagnéticas são aquelas que são atraídas
por um magnete. Por outro lado se os spin forem antiparalelos os campos magnéticos
cancelam-se e a substância é diamagnética. Substâncias diamagnéticas são levemente
repelidas por um magnete.

 A experiência mostra que o hélio é diamagnético, o que está de acordo com o


princípio de Pauli.

O lítio tem 3 electrões, logo a configuração electrónica será:

O lítio é de facto paramagnético. Mas porque é a orbital 2s de menor energia que as 2p? Isto
deve-se ao facto de a orbital 2p ter menor densidade electrónica junto ao núcleo, logo não
sofre tanto o efeito de blindagem dos electrões da orbital 1s.

O elemento seguinte, com 4 electrões, é o berílio. A sua configuração electrónica é:

O berílio é diamagnético, como seria de esperar.

O boro tem 5 electrões e é paramagnético, de acordo com a sua configuração electrónica:

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1.1.7.2.3. Regra de Hund

A configuração electrónica do próximo elemento, o carbono, é 1s2 2s2 2p2, logo existem as
seguintes possibilidades para o preenchimento electrónico do sub-nível 2p:

Nenhuma das três hipóteses viola o princípio da exclusão de Pauli. Assim, qual delas é a mais
estável? A resposta está na regra de Hund, que diz que o arranjo mais estável é aquele com
maior número de spins paralelos. Logo, para a configuração electrónica do carbono vem:

O carbono é de facto paramagnético. Os próximos elementos são o azoto, o oxigénio e o flúor,


cujas configurações se mostram de seguida:

O Néon tem as 3 orbitais p completamente preenchidas:

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O Néon é de facto um elemento diamagnético.

Por este processo e seguindo o princípio de Aufbau, poderíamos ir preenchendo todos os


orbitais para os diferentes elementos. Com base na configuração electrónica dos elementos
podemos compreender muitas das suas propriedades. Notemos desde já que os gases nobres
têm a última camada completamente preenchida, o que lhes confere grande estabilidade, e
logo reduzida reactividade química.

Na tabela seguinte encontra-se a configuração electrónica de alguns dos elementos


conhecidos. A configuração electrónica do potássio é:

Como 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 é a configuração electrónica do gás nobre Argon, podemos
simplificar a configuração electrónica do potássio para:

1.2. Tabela Periódica

Na história da química, os séculos XVII e XVIII caracterizaram-se pela aquisição de um


grande número de informações obtidas experimentalmente. Deu-se uma certa preferência aos
processos químicos resultando um crescimento quali-quantitativo nesta matéria.

Portanto, este crescimento abriu caminhos para organizar os elementos químicos de maneira
que suas semelhanças, diferenças e tendências se tornassem mais evidentes. Para atingir esta

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finalidade um dos recursos mais usados em Química é a tabela periódica. As primeiras tabelas
foram propostas no início do século XIX, porém apresentavam alguns desacertos.

1.2.1. Classificação de Dmitri Ivanovitch Mendeleev e Julius L. Meyer

Em 1869, Mendeleeve Meyer, publicaram esquemas de classificação parecidos. Mendeleev


criou uma carta para cada um dos 63 elementos conhecidos.
 Cada carta continha o símbolo do elemento, a massa atômica e suas propriedades
químicas e físicas.
 Colocando as cartas em uma mesa, organizou-as em ordem crescente de suas massas
atômicas, agrupandoas em elementos de propriedades semelhantes. Formou-se então a
tabela periódica.

 A vantagem da tabela periódica de Mendeleev sobre as outras, é que esta exibia


semelhanças numa rede de relações vertical, horizontal e diagonal.

Faltaram alguns elementos nesse esquema. Exemplo: em 1871, Mendeleev observou que a
posição mais adequada para o As seria abaixo do P, e não do Si, o que deixou um elemento
faltando abaixo do Si. Ele previu um número de propriedades para este elemento. Em 1886 o
Ge foi descoberto. As propriedades do Ge se equiparam bem à previsão de Mendeleev.

Mendeleev tem o crédito de ter proposto suas idéias com maior vigor. Sua insistência sobre a
necessidade de colocar numa família os elementos que tinham características químicas
semelhantes fez com que deixasse vários espaços em branco na sua tabela.

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Figura 2.1: Dmitri Ivanovitch Mendeleev

Fonte: Internet, 26.02.2016

1.2.2. Descoberta do Número Atómico

Em 1913, o cientista britânico Henry Moseley descobriu que o número de protões no núcleo
de um determinado átomo era sempre o mesmo.
 Moseley usou essa idéia para o número atómico de cada átomo. Quando os átomos
foram arranjados de acordo com o aumento do número atômico, os problemas
existentes na tabela de Mendeleyev desapareceram.
 Devido ao trabalho de Moseley, a tabela periódica moderna está baseada no número
atómico dos elementos.

1.2.2.1. Classificação de Henry Moseley Moseley

Em 1913, a lei periódica passou a ter um novo enunciado:

 As propriedades dos elementos são uma função periódica de seus números atómicos,
isto é, em ordem crescente de números atómicos.

Em dois anos depois de Rutherford ter proposto o modelo do átomo nucleado, o físico inglês
Henry Moseley, desenvolveu o conceito de número atómico. O conceito de número atómico
esclareceu alguns problemas das tabelas periódicas originais, baseadas nas massas atómicas.

 Por exemplo, a massa atómica do Ar (Z=18) é mais elevada do que a do K (Z=19).

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Porém, quando os elementos são dispostos na ordem do número atómico crescente, e não da
massa atómica crescente, o Ar e o K aparecem na sequência correta.

1.2.3. Classificação de Glenn Seaborg

Nasceu em 1912 em Michigan nos EUA, formou-se em química na Universidade de Berkley,


Califórnia e realizou a última maior troca na tabela periódica em 1950. A última maior troca
na tabela, resultou do trabalho de Glenn Seaborg, na década de 50.
 A partir da descoberta do plutônio em 1940, Seaborg descobriu todos os elementos
transurânicos (do número atômico 94 até 102).
 Reconfigurou a tabela periódica colocando a série dos actnídeos abaixo da série dos
lantanídeos.
 Em 1951, Seaborg recebeu o Prêmio Nobel em química, pelo seu trabalho.
 O elemento 106 tabela periódica é chamado seabórgio, em sua homenagem.

2.3. Desenvolvimento da Tabela Periódica

As propriedades físicas e químicas dos elementos, são funções periódicas de seus números
atômicos.

Na tabela, os elementos estão arranjados horizontalmente, em sequêncianumérica, de acordo


com seus números atômicos, resultando o aparecimento de sete linhas horizontais (períodos).

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2.3.1. Classificação dos Elementos

O sistema de numeração dos grupos da tabela periódica, usados actualmente, são


recomendados pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC).

Os elementos químicos são representados por letras maiúsculas ou uma letra maiúscula
seguida de uma letra minúscula. Os Símbolos são de origem latina:

Português Latim Símbolo


Sódio Natrium Na
Potássio Kalium K
Enxofre Sulfhur S
Fósforo Phosphorus P
Ouro Aurum Au

2.3.2. Estrutura da Tabela Periódica

A disposição dos elementos químicos na tabela periódica obedece a ordem crescente de


número atómico (Z):

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 Períodos: são as linhas horizontais, definem o número de camadas dos elementos.

 Grupos ou Famílias: são as linhas verticais, definem o número de elétrons da camada


de valência.

De uma forma geral podemos afirmar que a sua estrutura é baseada na distribuição electrónica
dos elementos em ordem de número atómico.

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No quadro que se segue abaixo indica a familia ou grupo, número de electrões na camada de
valência, distribuição electrónica da camada de valência e os respectivos nomes.

2.3.2.1. Metais

Na tabela periodica os metais podem ser divididos em: metais do grupo principal e metais de
transicao. Geralmente eles apresenta as seguintes propriedades fisicas:
 Eletropositivos;
 Sólidos; excepto o Hg (25°C, 1atm);
 Brilho característico;
 Dúcteis (fios);
 Maleáveis (lâminas);
 São bons condutores de calor e elevctricidade.
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Quanto a sua química pode-se afirmar que a maioria dos óxidos metálidos são óxidos básicos:

2.3.2.2. Metalóides (Semimetais)

Já os semimetais também chamados de metalóide quanto as caracteristicas podem ser:


 Eletronegativos;
 Quebradiços;
 Opacos;
 Formam compostos covalentes (moleculares);
 São péssimos condutores de calor e eletricidade (excepção para o Carbono).

2.3.2.3. Não-Metais

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Os óxidos de não-metais na sua maioria são óxidos ácidos:

Já metal e não-metal forma um sal.

2.3.2.4. Gases Nobres

Os elementos conhecidos como gases nobres são: hélio (He), neônio (Ne), argônio (Ar),
criptônio (Kr), xenônio (Xe) e radônio (Rn) pertencem ao Grupo 0 (zero) ou 18 da tabela
periódica. Portanto, esses elementos em relação as suas propriedades fisicas:
 Formam Moléculas Monoatômicas;
 São inertes, mas podem fazer ligações apesar da estabilidade (condições especiais).

2.3.3. Algumas Propriedade na Tabela Periódica

2.3.3.1. Propriedades dos Elementos

Definição: são as propriedades que variam em função dos números atômicos dos elementos.
Podem ser de dois tipos:
 Aperiódicas: são as propriedades cujos valores aumentam ou diminuem continuamente
com o aumento do número atômico.
 Periódicas: são as propriedades que oscilam em valores mínimos e máximos, repetidos
regularmente com o aumento do número atômico.

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2.3.3.2. Propriedades Periódicas

São aquelas que, à medida que o número atômico aumenta, assumem valores crescentes ou
decrescentes em cada período, ou seja, repetem-se periodicamente. Algumas dessas
propriedades sao: raio atômico, energia de ionização, afinidade eletrônica, eletronegatividade,
eletropositividade, reatividade, propriedades físicas.

2.3.3.2.1. Raio Atômico - Tamanho do Átomo

É a distância que vai do núcleo do átomo até o seu elétron mais externo. O tamanho do átomo
é uma característica difícil de ser determinada, pois a eletrosfera de um átomo não tem
fronteira definida.

Para comparar o tamanho dos átomos, devemos levar em conta dois factores:
 Número de níveis (camadas): quanto maior o número de níveis, maior será o tamanho
do átomo. Caso os átomos comparados apresentem o mesmo número de níveis
(camadas), devemos usar outro critério.
2. Número de prótons: o átomo que apresenta maior número de prótons exerce uma maior
atração sobre seus elétrons, o que ocasiona uma redução no seu tamanho.

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2.3.3.2.2. Energia de Ionização (Potencial de Ionização)

 É a energia mínima necessária para remover um electrao de um átomo no estado


fundamental ou do íon isolado no estado gasoso.
 Quanto maior a energia de ionização, mais difícil é remover um electrão.
 Quanto maior o tamanho do átomo, menor será a energia de ionização.

X (g) + Energia → X+(g) + e-

2.3.3.2.3. Afinidade Electrônica (Electroafinidade)

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Afinidade eletrônica é avariação de energia que ocorre quando um electrão é recebido por
um átomo no estado gasoso. É a facilidade com que o átomo ganha um electrão.

X (g) + e- → X-(g) + Energia

2.3.3.2.4. Electronegatividade

A força de atracção exercida sobre os elétrons de uma ligação. É a tendência que um átomo
tem de atrair eletrões. É muito característico dos não-metais. Linus Pauling, através de
experiencias, tentou quantificar esta tendência e criou uma escala de eletronegatividade, a qual
existe em muitas tabelas periódicas.

A eletronegatividade aumenta conforme o raio atômico diminui. Quanto maior o raio atômico,
menor será a atracção do núcleo pelos elétrons mais afastados e então, menor a

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eletronegatividade. Na tabela periódica, os gases nobres não são considerados, já que não tem
tendência a ganhar ou perder elétrons. Já estão estabilizados. A eletronegatividade aumenta
nas famílias, de baixo para cima e nos períodos da esquerda para a direita. O elemento mais
eletronegativo é o flúor (F), com valor de eletronegatividade 3,98.

2.3.3.2.5. Electropositividade

A electropositividade indica caráter metálico, quer dizer, a propriedade periódica associada à


reactividade química.

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TABELA PERIÓDICA

2.3.4. Distribuição Electrónica

Ordem crescente de energia nos subníveis:

 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d 5p 6s 4f 5d 6p 7s 5f 6d

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A representação das camadas, número de orbitais e subníveis pode ser esquematizado segundo
o esquema que se segue abaixo

Esquema 1.1: Distribuição das Camadas e Subcamadas Electrónicas de Linus Pauling:

Fonte: Internet, 17.02.16

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2.0. LIGAÇÕES QUÍMICAS

 Definir ligação química


 Explicar a regra de octeto (incluindo sua excepção)
 Descrever os diferentes tipos de ligações químicas
 Relacionar os elementos quimicos da tabela periodica com as ligacoes

OBJECTIVOS  Demostrar a estruturas de Lewis dos átomos nas ligações químicas


 Resolver exercícios as ligações químicas

2.1. Conceito de Ligações Químicas

 Ligação Química: é a força de atração suficientemente forte entre os átomos a fim de


mantê-los unidos.

As ligações químicas correspondem a união dos átomos para a formação das moléculas; em
outras palavras, as ligações químicas acontecem quando os átomos reagem entre si. A valência
é capacidade de combinação dos átomos.

As forças que mantêm os átomos unidos são fundamentalmente de natureza elétrica e são
responsáveis por ligações químicas. Na metade do século XX, os cientistas já haviam
percebido que o átomo de hidrogênio nunca se liga a mais de um outro átomo. Já, por
exemplo, o átomo de oxigênio pode ligar-se a dois átomos de hidrogênio, o de nitrogênio a
três de hidrogênio, o de carbono a quatro de hidrogênio, como podemos ver a seguir:

Surgiu, então, a idéia de valência, entendida como a capacidade de um átomo ligar-se a outros.
Dizemos que o hidrogénio tem uma valência (é monovalente); o oxigénio tem duas valências
(é bivalente); o nitrogénio tem três valências (é trivalente); o carbono tem quatro valências (é
tetravalente), e assim por diante.

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2.2. Regra de Octeto

Em 1916 que os cientistas Gilbert N. Lewis (1875-1946), e Walter Kossel (1888-1956),


chegaram a uma explicação lógica para as uniões entre os átomos, criando a teoria eletrônica
da valência a partir da observação de alguns gases nobres e algumas características: a
estabilidade dos elementos preenchidas por 8 electrões na Camada de Valência.

Observando o quadro abaixo temos as configurações electrónicas dos gases nobres:

Figura 2.2: Configurações Electrónicas dos Gases Nobres:

Fonte: FELTRE, 136:2005

Com excepção do hélio, constatamos que os átomos dos gases nobres têm sempre 8 electrões
na última camada electrónica (octeto electrónico). Foi associando a observação de que os
átomos dos gases nobres têm pouca tendência a se unirem entre si ou com outros átomos com
a de que os átomos dos gases nobres têm o número máximo de electrões na última camada
(em geral 8 electrões, ou 2, no caso do hélio).

Dai os cientistas Lewis e Kossel lançaram a seguinte a hipótese:

 Os átomos, ao se unirem, procuram perder, ganhar ou compartilhar electrões na


última camada até atingirem a configuração electrónica de um gás nobre.
 Um átomo adquire estabilidade quando possui 8 electrões na camada electrónica mais
externa, ou 2 electrões quando possui apenas a camada K.

2.2.1. Excepção Regra de Octeto

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São conhecidos compostos que não obedecem à regra do octeto.


 Nestes casos, as ligações se completam com menos de 8 electrões. Isso acontece com o
berílio (Be) e o boro (B), que, em certas moléculas não apresenta o octeto completo.

Veja o Exemplo 1:

Em outros casos, as ligações perfazem mais do que 8 electrões. Ocorre geralmente com o
fósforo (P) e o enxofre (S) em certas moléculas tem 10 e 12 electrões na camada de valência.

Veja o Exemplo 2:

Esses casos só ocorrem quando o átomo central é relativamente grande, para que possa
acomodar tantos elétrons ao seu redor. Por isso, essa chamada camada de valência expandida
só aparece em elementos do 3º período da Tabela Periódica para baixo.
 Há poucos compostos em que a camada de valência é completada com número ímpar
de electrões. Por exemplo: no caso dos compostos NO, NO2 e ClO2 temos 7 electrões
ao redor do nitrogénio e do cloro:

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Compostos dos gases nobres. Portanto, como e sabido os gases nobres têm pouca vontade de
se unir a outros elementos, a partir de 1962 foram produzidos vários compostos de gases
nobres.

Segue o Exemplos 3:

2.3. Tipos de Ligações Químicas

Na prática, quando dois átomos vão se unir, eles trocam electrões entre si ou si usam electrões
em parceria, procurando atingir a configuração eletrônica de um gás nobre. Surgem daí os
três tipos comuns de ligação química - iônica, covalente e metálica.

2.3.1. Ligações Iónicas

Ligação iônica é a força que mantém os íons unidos, depois que um átomo cede
definitivamente um, dois ou mais elétrons para outro átomo. Na ligação iônica as forças
eletrostáticas atraem os iões de cargas opostas.

Pode-se exemplificar a formação de uma ligação iónica típica entre dois átomos hipotéticos, M
(um metal) e X (um não-metal), da seguinte maneira:
 Como M é um metal, sua energia de ionização é baixa, isto é, é necessária pouca
energia para remover um electrão do átomo;

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 A perda de um electrão por um átomo isolado (gasoso) M leva à formação de um ião


positivo ou catião.

Electronicamente, a reacção é explicada esquematicamente, da seguinte maneira:

Figuara 2.3: Ilustração de uma ligação Iónica:

Fonte: FELTRE, 137:2005

Nesse exemplo, o átomo de sódio cede definitivamente 1 electrão ao átomo de cloro. Desse
modo, forma-se um ião positivo (catião Na+) e um íon negativo (Anião Cl-), ambos com o
octeto completo, ou seja, com a configuração de um gás nobre, concretamente neônio e
argônio, respectivamente. Considerando que essa explicação envolve apenas os electrões da
última camada (electrões de valência), é comum simplificar a representação do seguinte modo:

Em que os sinais • (Pontinho preto) e x (sinal x) estão representar exactamente os electrões da


camada mais externa.

2.3.1.1. Propriedades Gerais das Substâncias Iónicas

1. São formadas por iões positivos (catiões) e negativos (aniões) atraídos fortemente por forcas
electrostáticas.

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2. Devido as fortes forcas atractivas, estas substâncias são: sólida nas condições ambientes; não
evaporam facilmente; possuem altas temperaturas de fusão e ebulição;
3. São solúveis, geralmente, em solventes polares; conduzem electricidade apenas no estado de
fusão ou dissolvidas em solventes polares, pois nestas condições os iões estão praticamente
livrem para se mover e constituir a corrente eléctrica.

2.3.1.2. Ligação Iónica e a Tabela Periódica

A ligação iónica ocorre, em geral, entre átomos de metais com átomos de não-metais,
portanto:
 Os átomos dos metais possuem 1, 2 ou 3 electrões na última camada e têm forte
tendência a perdê-los (veja os casos do Na, do Mg e do Al, nos exemplos anteriores);
 Os átomos dos não-metais possuem 5, 6 ou 7 electrões na última camada e têm
acentuada tendência a receber mais 3, 2 ou 1 electrões e, assim, completar seus octetos
electrónicos (veja o caso do Cl, nos exemplos anteriores).

Outrossim, a idéia pode ser generalizada se observarmos para a Tabela Periódica. Sabe-se que
nas colunas A, o número de electrões na última camada de cada elemento coincide com o
próprio número da coluna. Seguindo a explicação teremos:

Figura 2.4: Tabela Periodica - Numero de Electrões de Valêncioa na Última Camada:

Fonte: FELTRE, 139:2005

2.3.2. Ligação Covalente


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A ligação covalente (molecular ou homopolar) ocorre quando os dois átomos têm a mesma
tendência de ganhar e perder electrões. Deste modo, não ocorre a transferência total de um
electrão não acontece porque estes (electrões), ficam compartilhados entre os átomos. A
ligação covalente (molecular ou homopolar) consiste no compartilhamento de pares
electrónicos entre dois átomos e pode ser representada por meio da estrutura de Lewis, na qual
se distribui os electrões da camada de valência em torno de cada átomo da ligação.

Os electrões podem também ser substituídos por traços que representam os pares electrónicos
compartilhados. Consideremos, como primeiro exemplo, a união entre dois átomos do
elemento hidrogênio (H) para formar a molécula da substância simples hidrogênio (H2):

2.3.2.1. Polaridade de Ligações

2.3.2.1.1. Ligação Covalente Polar

Na molécula polar - a soma vectorial, dos vectores de polarização é diferente de zero.


Moléculas polares possuem maior concentração de carga negativa numa parte da nuvem e
maior concentração positiva noutro extremo.

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Considerando a molécula de HCI, em que o cloro e mais eletronegativo que o hidrogénio. Isto,
quer dizer que o par electrónico fica mais próximo do cloro do que do hidrogénio.
 Assim sendo, ao redor do cloro temos excesso de carga negativa. Entao o cloro, na
molecula de HCI, constitui o polo negativo.
 Ao redor do hidrogenio temos deficiência de carga negativa ou excesso de carga
positiva. Então o hidrogénio, na molécula HCI constitui o polo positivo. Esses polos
são representados pela letra delta minúsculo (δ)

Observa a representação:
 Polo positivo (H+δ) e polo negativo (Cl-δ)

Esta ligação covalente, por apresentar pólos, é denominada ligação covalente polar. A ligação
covalente polar deve ocorrer entre átomos de diferentes eletronegatividades. Portanto, o átomo
mais eletronegativo será o pólo negativo da ligação.

 É importante lembrar que a eletronegatividade é a medida da tendência que um átomo


apresenta em atrair electrões para si.

2.3.2.1.1. Ligação Covalente Apolar

Na molécula apolar - a soma vetorial, dos vetores de polarizacao e nula. Nas moleculas
apolares, a carga electrónica esta uniformemente distribuida, ou seja, não há concentração.

 Exemplos: Ligação de dois átomos iguais resulta em moléculas apolares: O2, N2, Cl2.

Vamos exemplificar: no caso da molécula de H2 : H . x H → H x . H

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Houve o compartilhamento de eletrons para ambos os atomos. Os eletrons formam um par,


que se torna comum aos dois atomos:

 Assim, teremos uma ligação covalente normal. Esta ligação é também indicada por um
traço: H – H

Nesta ligação, o par de electrões situa-se bem no meio, entre os núcleos de hidrogénio. Não há
tendência de o par electrónico deslocar-se para um lado ou para o outro, pois a atracção que os
núcleos exercem sobre os electrões tem a mesma intensidade.

2.3.3. Tipos de Ligação Covalente

As ligações convalentes podem se divididas em normal (usual) e ligação covalente dativa


também chamada de coordenada:

2.3.3.1. Ligação Covalente Normal (Usual)

Este tipo de ligação pode ser explicada tendo em conta substâncias simples e compostas:

2.3.3.1.1. Ligação Covalente nas Substâncias Simples

Também podemos exemplificar usando os dois esquemas imediatamente a seguir:

Nesta última representação, o traço (-) indica o par de electrões que os dois átomos de
Hidrogénio que passam a compartilhar. Entretanto, por conveniência, representa-se uma
ligação covalente normal por um traço. A molécula H2 é estável, ou seja, os átomos não se
separam porque há um equilíbrio entre as forças de atracção eléctrica (entre núcleos e
electrões) e as forças de repulsão eléctrica (entre os dois núcleos e entre os dois electrões),
segundo a figura a seguir.

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Na ligação covalente, entre átomos iguais, podemos falar de raio covalente (r), como a metade
do comprimento da ligação (d), isto é, metade da distância que separa os dois núcleos.

Poertanto, cada átomo de hidrogênio dispõe de dois electrões (o seu e o compartilhado). Estes
dois electrões, já completam a camada K, que é a única de que o hidrogénio dispõe. Desse
modo, o hidrogénio adquire a configuração do gás nobre Hélio.
Consideremos, como segundo exemplo, a união entre dois átomos do elemento cloro (Cl),
formando uma molécula de gás cloro (Cl2). Note que, no esquema, só estão representados os
electrões da última camada electrónica do cloro, isto é, sua camada de valência:

Observamos que, na molécula final (Cl2), há um par de electrões compartilhado pelos dois
átomos de cloro. Com isso, pode-se afirmar que cada átomo de cloro dispõe de seus sete
electrões mais um electrão compartilhado, perfazendo então o octeto, que dá a cada átomo a
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configuração estável de um gás nobre. Na molécula formada acima, os electrões da última


camada que não participam do par electrónico compartilhado são comumente chamados
elétrons não-ligantes ou pares electrónicos isolados.

Observando o terceiro exemplo, a formação da molécula da substância simples oxigénio (O2):

Cada átomo de oxigénio tem apenas seis electrões na camada de valência. Os dois átomos se
unem compartilhando dois pares electrónicos, de modo que cada átomo - exerça domínio,
sobre oito elétrons. Forma-se assim uma ligação dupla entre os átomos, que é indicada por
dois traços na representação O=O (nos exemplos do H2 e do Cl2, o único par electrónico
comum constitui uma ligação simples).

Observe o quarto exemplo: formação da molécula da substância simples nitrogénio (N2):

Cada átomo de nitrogénio tem apenas cinco electrões na camada periférica. Eles se unem
compartilhando três pares electrónicos - ligação tripla entre os átomos, que é indicada pelos
três traços na representação N ≡ N. Desse modo, cada átomo está com o octeto completo, pois
além de seus cinco electrões, compartilha três electrões com o átomo vizinho.

Nesse tipo de ligação, a valência recebe o nome particular de covalência e corresponde ao número de
pares de electrões compartilhados. As fórmulas em que os electrões aparecem indicados pelos:

 Sinais • (pontinho) e x (xixi) são chamadas fórmulas electrónicas ou fórmulas de Lewis.

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Quando os pares electrónicos covalentes são representados por traços (-) chamamos essas
representações de fórmulas estruturais planas - no último exemplo considerado:

2.3.3.1.2. Ligação Covalente nas Substâncias Compostas

As ligações covalentes aparecem ainda com maior freqüência entre as substâncias


compostas, como passamos a ilustrar.
 Formação da molécula do cloridreto ou gás clorídrico (HCl) (página ao lado; uso de
cores-fantasia):

Agora, o comprimento da ligação (d) será a soma dos raios covalentes (r1 + r2) dos átomos
envolvidos na covalência. O assunto na verdade é mais complicado, pois o raio covalente de
um átomo pode variar conforme ele venha a se ligar a átomos diferentes.

a) Formação da molécula de água (H2O):

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b) Formação da molécula do amoníaco ou gás amônia (NH3):

c) Formação da molécula do gás carbónico (CO2):

Enytretanto, nota-se que cada átomo termina ficando com o octeto completo. De fato, cada
oxigênio, além de seus seis elétrons, passa a ter mais dois (compartilhados com o carbono); e
o átomo de carbono, além de seus quatro elétrons, passa a ter mais quatro (dois
compartilhados com um dos átomos de oxigênio e mais dois compartilhados com o outro).

Como conclusão, podemos dizer que a ligação é covalente quando os dois átomos apresentam
a tendência de ganhar electrões. Isso ocorre quando os dois átomos têm 4, 5, 6 ou 7 electrões
na última camada electrónica, ou seja, quando os dois átomos já se aproximam na
configuração de um gás nobre (e mais o hidrogénio, que, apesar de possuir apenas um
electrão, está próximo da configuração do Hélio).

 Em outras palavras, a ligação covalente aparece entre dois átomos de não-metais, ou


semimetais ou, ainda, entre esses elementos e o hidrogênio. Pela classificação
periódica, visualizamos perfeitamente os elementos que se ligam por covalência:

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2.3.3.2. Ligação Covalente Dativa (Coordenada)

Quando um átomo não pode mais efetuar ligações covalentes por já ter atingido o seu octeto,
pode se ainda caso haja pares disponíveis, efetuarem ligações covalentes coordenadas ou
dativas, em que o par electrónico é cedido por apenas um dos átomos da ligação.

 A ligação é feita para completar o octeto do átomo que ainda precisa se estabilizar, e
costuma-se representá-la por uma seta, partindo do átomo que cede o par electrónico
para o átomo que o recebe.

Vejamos como primeiro exemplo a formação da molécula de gás sulfuroso (SO2):

Observe que o par electrónico destacado (que está ligando o enxofre ao segundo oxigénio)
pertencia, de início, apenas ao enxofre. Trata-se não mais da ligação covalente usual, em que
cada ligação é formada por 1 electrão de cada átomo, mas de uma covalência especial, na qual
o par electrónico é cedido apenas por umdos átomos da ligação.

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De qualquer modo, você continuará contando 8 electroes ao redor de cada átomo. O caso do
anidrido sulfúrico (SO3) é semelhante:

Um caso interessante é o do monóxido de carbono (CO), em que temos, entre o carbono e o


oxigênio, duas ligações covalentes normais e uma especial (par electrónico assinalado).

Como exemplo final, vamos examinar a formação do íon amônio (NH4 +), que se dá pela
reacção NH3 + H+ → NH4+:

Note que, inicialmente, o NH3 tinha um par electrónico livre, e o ião hidrogénio (H+), por sua
vez, estava sem electrão (normalmente o H+ provém de outra molécula na qual deixou seu
próprio electrão).

 O H+ compartilha o par electrónico livre, que inicialmente era exclusivo do nitrogénio.

Considerando ainda o exemplo do NH4+ é importante observar que, após a formação do NH4+ ,
não há nenhuma diferença entre as quatro ligações covalentes aí existentes. Em outras

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palavras, os quatro hidrogênios tornam-se perfeitamente equivalentes entre si. Desse modo, é
mais correto representar o NH4+ como mostramos ao lado.

2.3.3.3. Metais

Os metais devido a apresentar subníveis não preenchidos possuem electrões que se deslocam e
que são facilmente removíveis. Observando as configurações dos metais, verifica-se que os
átomos possuem subníveis não ocupados por electrões, isto significa:

 Que alguns electrões periféricos, menos atraídos pelo núcleo podem ocupar
numerosos subníveis dos átomos vizinhos - denominados de electrões livres;
 Num metal no estado sólido os subníveis dos átomos adjacentes podem sobrepor-se.

Os electrões periféricos devido a superposição deslocam-se facilmente de um átomo para


outro, percorrendo toda extensão de uma dado amostra do metal. As forças de atracção entre o
núcleo positivo dos átomos e, os electrões constituem as ligações metálicas, que é muito forte.
Por isto, os ponto de fusão e ponto de ebulição são altos. A capacidade dos electrões livres se
deslocarem explica facilmente a condutibilidade térmica e eléctrica dos metais.
Os metais e as ligas metálicas são cada vez mais importantes em nosso dia-a-dia.

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Fonte: Adaptado de FILTRE (2005)

2.3.3.3.1. Ligação Metálica

Uma das principais características dos metais é a condução fácil da electricidade. A


consideração de que a corrente eléctrica é um fluxo de electrões levou à criação da chamada
teoria da nuvem electrónica (teoria do mar de electrões).
 Em geral, os átomos dos metais têm apenas 1, 2 ou 3 electrões na última camada
electrónica;
 Essa camada está normalmente afastada do núcleo, que, consequentemente, atrai pouco
aqueles electrões.
 Como resultado, os electrões escapam facilmente do átomo e transitam livremente pelo
reticulado.
 Desse modo, os átomos que perdem electrões transformam-se em catiões, os quais
podem, logo depois, receber electrões e voltar à forma de átomo neutro, e assim
sucessivamente.

Concluindo, podemos dizer que, segundo essa teoria, o metal seria um aglomerado de átomos
neutros e cátions, mergulhados em uma nuvem (ou mar) de elétrons livres (costuma-se
também dizer que esses elétrons estão deslocalizados). Assim, a “nuvem” de elétrons
funcionaria como uma ligação metálica, mantendo os átomos unidos.

2.3.3.3.2. Propriedades dos Metais

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Em virtude de sua estrutura e do tipo de ligação, os metais apresentam uma série de


propriedades características que, em geral, têm muitas aplicações práticas em nosso dia-a-dia.
Portanto, pode-se considerar como principais propriedades dos metais:

 Brilho Metálico: os metais, quando polidos, refletem a luz como se fossem espelhos, o
que permite o seu uso em decoração de edifícios, lojas etc.;

 Condutividades Térmica e Elétrica Elevadas: são bons condutores de calor e


eletricidade devido aos electrões livres que existem na ligação metálica, como foi
explicado no item anterior, e que permitem um trânsito rápido de calor e eletricidade
através do metal. A condução do calor é importante, por exemplo, no aquecimento de
panelas domésticas e caldeiras industriais; aconduçãoda electricidade é fundamental
nos fios elétricos usados nas residências, escritórios e indústrias;

 Densidade Elevada: os metais são, em geral, densos. Isso resulta das estruturas
compactas, explicadas de acordo com a variação das densidades absolutas;

 Pontos de Fusão e de Ebulição Elevados: os metais, em geral, fundem e fervem em


temperaturas elevadas. Isso acontece porque a ligação metálica é muito forte, e
segura os átomos unidos com muita intensidade. Isso é muito importante na
construção de caldeiras, tachos, reactores industriais etc., em que ocorrem
aquecimentos intensos.

 Resistência à Tracção: os metais resistem bastante às forças que, quando aplicadas,


tendem a alongar uma barra ou fio metálico – força com que a ligação metálica
mantém os átomos unidos. Uma aplicação importante da resistência à tracção é a
aplicação dos metais em cabos de elevadores ou de veículos suspensos, e a colocação
de vergalhões de aço dentro de uma estrutura de concreto para torná-la mais
resistente - concreto armado, de largo uso na construção de pontes, edifícios etc.

 Maleabilidade: é a propriedade que os metais apresentam de se deixarem reduzir a


chapas e lâminas bastante finas, o que se consegue martelando o metal aquecido ou,
então, passando o metal aquecido entre cilindros laminadores, que o vão achatando
progressivamente, originando, assim, a chapa metálica (essa mesma técnica é usada

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nos cilindros que abrem massa de macarrão, pastel etc.). Isso é possível porque os
átomos dos metais podem escorregar uns sobre os outros.

Portanto, note que esta ultima é uma das propriedades mais importantes dos metais, se
pensando que as chapas metálicas são usadas na produção de veículos, navios, aviões,
geladeiras etc. O ouro é o metal mais maleável que se conhece; dele são obtidas lâminas com
espessura da ordem de 0,0001 mm, usadas na decoração de imagens, estatuetas, bandejas etc.

 Ductilidade: os metais deixam-se transformar em fios, o que se consegue puxando o


metal aquecido através de furos cada vez menores. A explicação para isso é
semelhante à da maleabilidade. Os fios produzidos, de maior ou menor diâmetro, são
muito usados nas construções, em concreto armado ou como fios elétricos e arames de
vários tipos. O ouro é também o metal mais dúctil que se conhece; com 1 grama de
ouro é possível obter um fio finíssimo com cerca de 2 km de comprimento.

Fonte: Adaptado de FILTRE (2005)


2.3.3.3.3. Ligas Metálicas

As ligas metálicas, constituídas por dois ou mais tipos de metais, e formadas através das
ligações metálicas, são utilizadas na confecção de muito produtos desde fios, lâmpadas,
estruturas de carros, bicicletas, viadutos, eletrodomésticos, dentre outros.
Podem ser mencionados como alguns exemplos mais comuns de ligas metálicas:

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 Aço Comum: liga metálica muito resistente composta de ferro (Fe) e carbono (C),
utilizada nas construções de pontes, fogão, geladeira, dentre outras.
 Aço Inoxidável: Composta de ferro (Fe), carbono (C), cromo (Cr) e níquel (Ni).
Diferente do aço comum, essa liga metálica não sofre oxidação, ou seja, não enferruja,
sendo utilizada na construção de vagões de metrô, trens, fabricações de peças
automotivas, utensílios cirúrgicos, fogões, pias, talheres, dentre outras.
 Bronze: Liga metálica formada por cobre (Cu) e estanho (Sn), utilizada na construção
de estátuas, fabricação de sinos, moedas, dentre outras.
 Latão: constituída de cobre (Cu) e zinco (Zn), esse tipo de liga metálica é muito
utilizada na fabricação de armas, torneiras, dentre outras.
 Ouro: no fabrico de joias, o ouro não é empregado em sua forma pura, ou seja, da
forma encontrada na natureza; assim, a liga metálica formada para a fabricação de joias
é composta de 75% de ouro (Au) e 25% de cobre (Cu) ou prata (Ag).

Note que para a confecção de joias de ouro 18 quilates, utilizam-se 25% de cobre, enquanto
que o ouro chamado de 24 quilates é considerado ouro puro. A liga metálica composta de ouro
é utilizada na fabricação de veículos espaciais, acessórios de astronautas, dentre outros.

2.4. Estruturas de Lewis dos Átomos

Em 1916, o químico norte-americano G.N. Lewis desenvolveu um método de colocar os


elétrons em átomos, íons e moléculas. Neste método sao usados diagramas convencionados
como estruturas de Lewis:

 A estrutura de Lewis para um átomo consiste no seu símbolo químico rodeado por um
número de pontos (algumas vezes de o ou x) como no exemplo acima (Cloro + Sódio)
correspondentes ao número de electrões da camada de valência do átomo.

Tendo cargas eléctricas opostas, os catiões e os aniões se atraem e se mantêm unidos pela
chamada ligação iónica, originando-se assim a substância cloreto de sódio (Na+ Cl-), que é o
sal comum usado em cozinha. Na prática uma reacção não envolve apenas dois átomos, mas
um grande número de átomos onde no final tem se um enorme aglomerado de iões.

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Exemplo: considere a reacção entre o magnésio e o cloro:

Fonte: Feltre, 138

Escrevendo a equação temos: Mg + 2Cl → MgCl2.

 Ainda demostrando alguns exemplos para a estrutura nde Lewis, podemos considerar
a reacção entre Alumínio e Flúor:

Fonte: FELTRE, 138

Na reacção teremos: Al + 3F → AlF3

Portanto, é notória a diferença do número de iões que se unem, ou seja, o número é


inversamente proporcional às suas respectivas cargas (valências) resultando a seguinte regra
geral de formulação:

Resumindo, podemos dizer:

 Electrovalência é a carga elétrica do iões.


 Ligação iónica é a força que mantém os iões unidos, depois que um átomo cede
definitivamente um, dois ou mais electrões para outro átomo.

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 A ligação iônica em geral, muito forte e mantém os iões firmemente presos no


reticulado.
 Por essa razão, os compostos iónicos são sólidos e, em geral, têm ponto de fusão e
ponto de ebulição elevados.

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3.0. ESTEQUIOMETRIA (CÁLCULOS QUÍMICOS)

 Definir o conceito de estequiometria


 Comhcer as leis da estequiometria (leis ponderais)
 Explicar os métodos de balanceamento de uma equação química
 Interprear as leis da estequiometria (leis ponderais)
 Aplicar cálculos estequiométricos na resolução de processos químicos
OBJECTIVOS  Determinar reagentes limitantes e em excesso numa reação química
 Resolver exercícios sobre estequiometria

3.1. Equação Química

No início do estudo dos processos químicos aprendemos a usar para a sua descrição, as
reacções químicas. A reacção química é um processo onde uma ou mais substâncias
(reagentes) são transformados em outras substâncias (produtos). Esta transformação pode
resultar de um rearranjo, uma combinação ou separação dos átomos existentes nas substâncias
que formam o ponto de partida da transformação (reagentes).

 Para representar esta reacção os químicos usam a chamada equação química:


formada pelos reagentes e produtos.

Portanto, a parte da química que calcula as quantidades em massa e volume das substâncias
dos reagentes e dos produtos de uma reacção química chama-se estequiometria. Essa palavra
deriva do grego: Stoicheion que significa elemento e Metrón que significa medir. A aplicação
das leis da estequiometria é muito importante na resolução de qualquer problema, ou seja,
conhecer as proporcoes das substâncias que reagem.

Outro aspecto indispensável numa equação química são os procedimentos usados no acerto
(balanceamento) de uma equação química, por essa razão, a reacção química deve ser
balanceada antes de efectuar os cálculos. A estequiometria permite uma compreensão
adequada dos cálculos dos sistemas que alcançam um estado final de equilíbrio para poder
analisar o modo em que se estabelece a relação de combinação.

3.2. Definição de Alguns Conceitos


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Mostra-se claro, que para melhor comprender à estequiometria é necessário conhecer alguns
conceitos importantes no tratamento desta matéria, são eles: massa atómica, massa atómica
média, mol e massa molar.

3.2.1. Definição de Alguns Conceitos

3.2.1.1. Massa do Átomo

A massa de um átomo depende do número de seus electrões, protões e neutros. O


conhecimento da massa de um átomo é importante principalmente no laboratório. Os átomos
são partículas muitíssimo pequenas, não se pesa apenas um átomo mas pode-se determinar a
sua massa em relação a do outro átomo. O primeiro passo consiste em atribuir um valor à
massa de um elemento determinado para utilizá-lo como referência.

3.2.1.1.1. Massa Atómica

 A massa atomica: é a massa de um átomo em unidades de massa atómica (u


antigamente u.m.a).

Uma unidade de massa atómica é a massa igual a duodécima parte da massa do átomo de
carbono - 12. O Carbono - 12 é o isótopo de carbono que tem: 6 protões e 6 neutrões. Ao
fixar a massa do carbono - 12 como 12 u.m.a, este átomo utiliza-se como referência para
medir a massa atómica dos restantes elementos.

 Por exemplo, em algumas experiências mostrou-se que em média um átomo de


hidrogénio tem somente 8. 4% da massa de Carbono - 12.

Portanto, usando o raciocínio:

a) A massa de um átomo de Carbono - 12 é exactamente 12 u.m.a, a massa atómica de


Hidrogénio deve ser 0.084 x 12 u.m.a, significa que é igual a 1.008 u.m.a;
b) Com cálculos semelhantes demonstra-se que a massa de oxigénio é 16 u.m.a e a de
ferro é de 55.85 u.m.a.

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Pese embora, não se conheça a massa média de um átomo de Ferro, sabe-se que está em volta
de cinquenta e seis vezes maior que a de um átomo de Hidrogénio.
3.2.1.1.2. Massa Atómica Média

Na Tabela Periódica a massa atómica do Carbono o seu valor não é exactamente 12 u.m.a,
portanto, é 12.01 u.m.a. esta diferença e justificada pelo facto de que a maioria dos elementos
de origem natural (contando o carbono) tem mais de um isótopo, quer dizer, ao medir a massa
de um elemento, no geral deve se estabelecer a massa média da mistura natural dos isótopos.

 Veja o exemplo, as abundâncias dos Carbono - 12 e Carbono - 13 são de 98.9% e 1.1%


respectivamente. Foi determinado que a massa atómica do carbono - 13 é de 13.00335
u.m.a, assim a massa atómica média do carbono calcula-se:

Quando se diz a massa atómica do carbono é 12.01 uma, faz-se referência a um valor médio.
Se pudesse estudar individualmente os átomos de carbono, iriamos encontrar átomos com
massa atómica de 12 u.m.a ou de 13.00335 u.m.a, mas nenhuma dessas duas. As massas
atómicas de muitos elementos determinaram-se com exactidão, por 5 ou 6 cifras significativas.

 Nos cálculos químicos utiliza-se um conceito que é fundamental definir o mol.

3.2.1.2. Mol

O átomo é a unidade fundamental em todo o processo químico (quando se trata de um


elemento) ou a molécula (quando se trata de um composto). Dado que o tamanho destas
partículas (muitíssima pequena) e seu número em qualquer amostra (muito grande) torna
impossível contar as partículas individualmente, precisa-se de um método para determiná-lo
de maneira rápida e simples - o método de pesagem.

Como em experiências laboratoriais utiliza-se geralmente quantidades de ordem em grama, os


químicos do século XIX decidiram utilizar uns padrões de massa que tivessem o mesmo
número de átomos ou moléculas e definiram os termos átomo-grama, molécula-grama, etc.
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 Note que actualmente estes termos foram substituídos pelo mol. Um mole de partículas
tem 6.02 × 1023 destas partículas - número de Avogadro.

Quando se usa o termo mole deve se especificar o tipo de partículas elementares a que se
refere, as que podem ser átomos, iões, moléculas, electrões e outras partículas ou grupo
específico destas partículas.

 Assim como dissemos acima, os termos mais antigos de átomo-grama, molécula-


grama, ião-grama e fórmula-grama foram substituídos actualmente pelo termo mol.

Em caso de substâncias elementares convêm indicar, se for necessário, se trata-se de átomos


ou moléculas. Por exemplo, não se deve dizer: 1 mole de nitrogénio, pois pode induzir a
confusão mas sim deve-se dizer:

 1 mol de átomos de nitrogénio (igual a 14 gramas de nitrogénio) ou


 1 mol de moléculas de nitrogénio (igual a 28 gramas de nitrogénio).

Em compostos iónicos também pode utilizar-se o termo mole mesmo que não estejam
formados por moléculas discretas. Neste caso o mol equivale ao termo fórmula-grama.

 Por exemplo: 1 mol de NaCl (58.5 g) contêm NA iões de Na+ e NA iões de Cl- (NA é o
N° de Avogadro).

Como consequência, em termos práticos 1 mol é a quantidade de qualquer substância cuja


massa expressa em grama é numericamente igual a massa atómica ou massa molecular desta
substância. O mol (símbolo mol) é a unidade básica do sistema Internacional de Unidades, que
mede a quantidade de substância. O mol é a quantidade de substância de um sistema que
contêm tantos aspectos elementares como átomos há em 0.012 kg do núcleo de carbono-12.

3.2.1.2.1. Massa Molar M (X)

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A massa de qualquer amostra de substância que conte 1 NA de entidades elementares da


mesma. É a massa de 1 mol da substância e coincide numericamente com a massa molecular.
Unidade: kg/mol

1) Quantidade de Substância n (X)

Magnitude física que avalia o número de entidades elementares contidas em uma amostra de
substâncias - unidade: mol.
 n (X) = número de entidades elementares;
 NA = número de Avogadro 6.02 x 1023 entidades elementares / mol.

2) Equivalências em Estequiometria

 1 mol equivale a 6.023 × 1023 moléculas da mesma substancia;


 1 mol é equivalente a massa atómica em gramas;
 1 mol é equivalente a massa molecular de um composto determinado;
 1 mol é equivalente a 22.4 litros de um composto gasoso em condições normais de
temperatura e pressão (lei dos gases ideais).

3.2.2. Balanceamento de Equações Química

Problemas como por exemplo medir a concentração de ozônio na atmosfera, determinar o


rendimento potencial de ouro a partir do mineral e avaliar diferentes processos para converter
carvão em combustíveis gasosos são solucionados com princípios de estequiometria. Portanto,
para efectuar cálculos estequiométricos é importante o balancear (acertar) as equações
quimicas, bem como, as leis ponderais, enunciadas imediatamente a seguir.

As Leis Ponderais das reações químicas são um conjunto de postulados que regem a lógica das
reações químicas, relacionando a massa dos produtos e reagentes e também fazendo menção à
quantidade de matéria dos mesmos.

3.2.2.1. Lei de Lavoisier (Lei da Conservação da Massa - Matéria)

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A estequiometria é baseada em entendimento de massas atômicas e em um princípio


fundamental, a lei da conservação da massa: a massa total de uma substância presente ao final
de uma reacção química é a mesma massa total do início da reacção, ou seja, a massa é sempre
conservada em qualquer reacção química.

A partir disso, lembra-se da célebre frase dita por Lavoisier:


Na natureza, nada se cria, nada se perde; tudo se transforma

É importante observer que numa reacção atómica (que não é reacção química), a massa dos
produtos é diferente da massa dos reagentes apenas se não se considerar protões e neutrões
como produtos ou reagentes. Com o avanço da teoria atómica, os químicos passaram a
entender a base da lei da conservação da massa:

Os átomos não são nem criados nem destruídos durante qualquer reacção química

Portanto, o conjunto de átomos existents nos elementos que reagem é igual aos átomos de
substâncias nos produtos. As mudanças que ocorrem durante qualquer reacção química são
simplesmente novos aranjos dos átomos.

3.2.2.2. Lei de Proust (Lei da Composição Constante)

A observação de que a composição elementar de um composto puro é sempre a mesma é


conhecida como lei da composição constante (lei das proporções definitivas). Proust observou
que as massas dos reagentes e dos produtos que participam de uma reacção obedecem a uma
determinada proporção constante, que não depende da quantidade em massa dos reagentes
utilizados. Tal proporção é específica de cada reacção.

A lei de Proust afirma que:

A razão entre o número de átomos de cada elemento que forma a molécula de um


certo composto em cada reacção é sempre constante

Exemplo da verificacao da lei de Proust:


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3.2.2.3. Lei de Gay-Lussac da Combinação dos Volumes

A Lei Gay-Lussac da combinação dos volumes afirma que:

Os volumes de gases submetidos à mesma temperatura e pressão que participam de


uma reacção química guardam entre si uma relação de números inteiros e pequenos

Por exemplo: Quando os gases hidrogénio e oxigénio reagem para formar água gasosa, existe
uma relação simples entre os volumes dos reagentes e dos produtos, se estes forem todos
medidos na mesma pressão e temperatura.

 2 Volumes de Hidrogênio + 1 Volume de Oxigênio → 2 Volumes de Água


 2 H2(g) + O2(g) → 2 H2O(g)

3.2.2.4. Lei de Avogadro (Relação Quantidade-Volume)

Amadeo Avogadro (1776-1856) interpretou a observação de Gay-Lussac propondo o que


actualmente é conhecido como hipótese de Avogadro:

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Os volumes iguais de gases à mesma temperatura e pressão contêm números iguais


de moléculas

Por exemplo, experiências mostram que 22,4 L de um gás a 00°C e 1 atm contém 6,02 x 1023
moléculas de gás (isto é, 1 mol).

3.2.2.5. Teoria Atómica de Dalton

Demócrito (460-370 a.C.) e outros filósofos gregos antigos pensavam que o mundo material
deveria ser constituído de partículas indivisíveis muito pequenas que eram chamadas de
átomos, o que significava indivisíveis. Mais tarde, Platão (428/27-347 a.C.) e Aristóteles
(384–322 a.C.) formularam a hipótese de que não poderia haver partículas indivisíveis. Esta
visao enfraqueceu a visão atomica da matéria por vários séculos, durante os quais a filosofia
aristotélica dominou a cultura ocidental.

A noção sobre átomos ressurgiu na Europa durante o século XVII, quando os cientistas
tentaram explicar as propriedades dos gases. Isaac Newton, o mais famoso cientista de seu
tempo, defendeu a idéia da existência de átomos.

 Quando os químicos aprenderam a medir a quantidade de matéria que reagia com outra
para formar uma nova substância, a base par a teoria atômica estava proposta.
 A teoria atômica surgiu durante o período 1803-1807 no trabalho de um professor
inglês, John Dalton (1766-1844).
 Dalton começou a dar aulas quanto tinha 12 anos. Passou a maior parte de sua vida em
Manchester, onde leccionou tanto na escola secundária quanto na faculdade.
 Durante toda sua vida seu interesse em meteorologia o conduziu a estudar gases e,
consequentemente, química. Estudava a teoria atômica eventualmente.

Argumentando a partir de um grande número de observações, Dalton estabeleceu os seguintes


postulados:

1. Toda matéria é composta de partículas fundamentais, os átomos.


2. Os átomos são permanentes e indivisíveis, eles não podem ser criados nem destruídos.

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3. Os elementos são caracterizados por seus átomos. Todos os átomos de um dado


elemento são idênticos em todos os aspectos. Átomos de diferentes elementos têm
diferentes propriedades.
4. As transformações químicas consistem em um combinação, separação ou rearranjo de
átomos.
5. Compostos químicos são formados de átomos de dois ou mais elementos em ã fiuma
razão fixa.
Sua teoria, explicou com sucesso por que a massa é conservada nas reacções químicas:

 De acordo com a teoria atómica de Dalton, átomos são os componentes básicos da


material, são as menores partes de um elemento que mantêm a identidade química
desse elemento.
 Como observado nos postulados da teoria de Dalton, um elemento é composto de
apenas uma espécie de átomo, enquanto um composto contém átomos de dois ou mais
elementos.

A teoria de Dalton explica várias leia simples de combinação química que eram conhecidas
naquela época. Uma delas era a lei da composição constante: em determinado composto o
número relativo de átomos e seus tipos são constantes. Outra lei química fundamental era a lei
da conservação da massa (matéria): a massa total dos materiais presentes depois da reacção
química é igual à massa total antes da reacção.

Por exemplo: Na formação de água, 8.0 g de oxigênio combinam-se com 1.0 g de hidrogénio.
Na água oxigenada existem 16.0 de oxigénio para 1.0 de hidrogénio. A proporção da massa de
oxigênio por grama de hidrogénio nos dois compostos é 2:1. Usando a teoria atômica,
podemos concluir que a água oxigenada contêm duas vezes mais átomos de oxigênio por
átomos de hidrogénio do que a água.

3.2.3. Cálculo Estequiométrico

Antes de efecurar qualquer estequiometrico, deve-se antes cumprir com as regras


imediatamentes indicadas:
1. Escrever a equação devidamente balanceada (acertada).

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2. Escrever as proporções molares de cada uma das substâncias envolvidas na reacção.


3. Identificar as substâncias fornecidas pelos dados e de quais se deseja obter valores.
4. Relacionar o (s) dado (s) fornecido (s) com o pretendido da (s) substância (s)
desconhecida (s).

Com ja se disse para cumprir com as regras coloca-se diante de cada espécie química (nos
coeficientes) um número chamado coeficiente estequiométrico, que indica a proporção de cada
espécie envolvida (pode se considerar como o número de moléculas / átomos / iões ou moles,
quer dizer a quantidade de matéria que se consome ou se forma.
Veja o exemplo que se segue:

Na reacção de combustão do metano (CH4) este se combina com oxigénio molecular (O2) do
ar para formar dióxido de carbono (CO2) e água (H2O).

Observe com atencao que a desta reacção não esta acertada:

Esta reacção não esta correcta porque não cumpre com a lei de conservação da matéria, para o
elemento (H) por exemplo, temos 4 átomos nos reagentes e só 2 nos produtos. Acerta-se a
reacção introduzindo nos coeficientes das fórmulas químicas de cada composto um coeficiente
estequiométrico adequado. Desta maneira se colocarmos 2 em frente de H2O teremos:

Como pode notar, deste modo apenas conserva-se a lei para o carbono (C) e o hidrogénio (H)
mas para o oxigénio ainda não se respeita a lei, podemos corrigir colocando outro 2 em frente
da molécula de O2 que se encontra nos produtos.

Agora já temos a reacção balanceada.

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 De acordo com a reacção: 1 molécula de metano reage com 2 moléculas de oxigénio


formando 1 molécula de dióxido de carbono e 2 moléculas de água.

Este método de tentativas serve quando reacção é simples. Consiste em introduzir


arbitrariamente um coeficiente e seguir-se deduzindo os outros fazendo balanços aos átomos
implicados na espécie inicial, caso aparecerem fracções multiplicam-se todos os coeficientes
pelo m.m.c dos denominadores. Em reacções mais complexas como reacções redox emprega-
se o método do ião-electrão (tratado na escola secundaria)

3.2.3.1. Coeficiente Estequimétrico

É o coeficiente de uma espécie química que lhe corresponde em uma equação química dada.
Voltando ao exemplo anterior:

O coeficiente do metano é 1, do oxigénio é 2, para o CO2 é 1 e finalmente para H2O é 2. Os


coeficientes estequiométricos são em princípio, números inteiros, embora para ajustar certas
reacções algumas vezes aplica-se números fraccionários.

Quando o coeficiente estequiométrico é igual a 1 não se escreve, por isso no exemplo anterior
CH4 e CO2 não levam nenhum coeficiente afrente. Uma equação química contém informação
acerca das quantidades de reagentes e produtos que participam no processo. As equações
químicas podem interpretar-se em termos de átomos e moléculas (em nanoescala) ou em
termos de gramas, moles ou litros (em macroescala).

Quando se dispõem de equação química balanceada que representa uma reacção


química, pode se realizar proporções simples onde se relacionam quantidades (moles,
gramas, litros) de reagentes entre si, de produtos entre si ou de reagentes e produtos.

Podemos usar como exemplo a seguinte anáalise: reacção de formação de trióxido de enxofre,
a partir de dióxido de enxofre e oxigénio:

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2SO2 (g) + O2 (g) → 2SO3 (g)

Fazendo uma interpretação da equação acima descrita, veja o quadro abaixo:

Cada vez que Reagem com Formam-se


2 moléculas de SO2 1 moléculas de O2 2 moléculas de SO3
2 moles de SO2 1 mole de O2 2 moles de SO3
128 g de SO2 32 g de O2 2 moles de SO3
100 g de SO2 25 g de O2 125 g de SO3
Quando os reagentes de uma reacção estão em quantidades proporcionais a seus coeficientes
estequiométricos diz-se que:

 A mistura é estequiemétrica;
 Os reagentes estão em proporções estequiométrica;
 A reacção tem lugar em condições estequiométricos.

Nessas condições se a reacção é completa, todos os reagentes se consomem dando as


quantidades estequipmétricas de produtos correspondentes. Não em todas as reacções, os
reagentes se encontram em proporções estequiométricas, neste caso existe um reagente que se
denomina reagente limitante.

3.2.3.2. Reagente Limitante

Chama-se reagente limitante aquele que numa reacção química (reagentes e produtos), se
consome completamente antes do outro. A reacção depende do reagentes limitante porque
segundo a lei das proporções definidas, os reagentes não irão reagir quando um se esgotar.

 Reagente que se consome na primeira reacção é regente limitante, dado que a máxima
quantidade do produto formado depende da quantidade deste reagente que se
encontra presente originalmente.
 Quando se esgota esse reagente não se pode formar mais produtos. Os outros regentes
presentes em quantidades maiores que aquelas requeridas para reagir com a
quantidade do reagente limitante presente, chama-se reagente em excesso.

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Os cálculos baseiam-se na substância que tinha menor quantidade, denominada reagente


limitante. Quando se faz o acerto de equação, os coeficientes representam o número de átomos
de cada elemento nos regentes e produtos, também representam o número de moléculas e de
moles de reagentes e produtos.

Quando uma equação esta ajustada, a estequiometria emprega-se para saer os moles de um
produto obtido a partir de um numero conhecido de moles de um reagentes. A relação de
moles entre reagentes e produtos obtêm-se da equação acertada. As vezes aceita-se
equivocadamente que nas reacções utilize-se sempre as quantidades exactas dos reagentes,
porem, na prática o normal está acostumado o uso do excesso de um ou mais reagentes, para
conseguir que reaja a maior quantidade possível do reagente menos abundante. Analisemos o
que dissemos anteriormente por um exemplo:

 Que massa de CO2 se produz ao reagir 8.0 g de CH4 com com 48.0 g de O2 na
combustão do metano?

Escrevendo a equação balanceada:

Com esses dados calcula-se o número de moles de cada um:

A equação ajustada indica a relação dos reagentes ao regirem

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Mas na realidade temos:

 Então, uma vez que reagem 0.5 mol de CH4 com 1 mol de O2, a reacção se detêm por
esgotamento de CH4, e sobraria 0.5 mol de O2 em excesso.
 CH4 é o reagente limitante é sobre ele que se devem basear os cálculos.

Gramas de CO2 = 8.0 de CH4 x 44 g de CO2 / 16 g de CH4 = 22 g de CO2


Analisemos agora o reagente limitante a partir de outro exemplo:

a) Que acontece quando reagem 7.0 g de Zn com 40 g de H2SO4? Ambas substâncias


reagem totalmente?
b) Se não reagem completamente todas substâncias, que substancia reage completamente
e quantos gramas da outra substância que permanece sem reagir?
c) Que massa de ZnSO4 se forma?

Da equação química podemos tirar as seguintes relações estequiometricas:

Para determinar qual é o reagente limitante e qual o reagente em excesso há que comparar a
relação molar (ou gramas) dados no problema, com a relação estequiometrica dos reagentes.

 Necessita-se de 10.49 g de H2SO4 e temos 40 g, portanto, H2SO4 esta em excesso.

 Também pode-se resolver da seguinte forma:


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 Como pode-se notar são precisos 26.7 g de Zn, nas condições do problema exposto
temos apenas 7 g de Zn, portanto, o Zn está em défice, é neste caso reagente limitante.
 Para saber que massa de H2SO4 está em excesso deve-se fazer o seguinte cálculo:

Se havia inicialmente 40 g de H2SO4 e reagiram 10.49 g permanecem se reagir:

Para qual é a massa do sal que se forma, temos que estabelecer a seguinte relação:

Portanto, agora pode-se concluir que:

Os cálculos estequiométricos sempre se realizam tomando como referência o reagente


limitante, que ao consumir-se completamente impede que a reacção química proceda

3.2.4. Rendimento de uma Reacção Química

Muitas reacções não se efectuam em forma completa; quer dizer, os reagentes não se
convertem completamente em produtos. O termo rendimiento indica a quantidade de produtos
que se obtêm em uma reacção. Acredita-se equivocamente que as reacções se processam até
que se consomem totalmente os reagentes, ou pelo menos o reagente limitante.

3.2.4.1. Rendimento Teórico

A quantidade de produto que deverá formar-se se todo o regente limitante é consumido


totalmente na reacção, é conhecido como rendimento teórico. A quantidade de produto

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realmente formado chama-se simplesmente rendimento ou rendimento da reacção, é claro que


sempre vai se cumprir a seguinte desigualdade:

Rendimento da Reacção e Rendimento Teórico

As razões deste feito destacam-se:


1. É possível que todos os produtos não se formem;
2. É possível que haja reacções colaterais que não levem ao produto desejado;
3. A recuperação de 100% de amostra é praticamente impossível.

Uma quantidade que relaciona o rendimento da reacção com o rendimento teórico é chamada
de rendimento percentual ou % de rendimento e define-se deste modo:

Exemplo:
Na reacção de 6.8 g de H2S com excesso de SO2, segundo a equação abaixo, produz-se 8.2 g
de S. Qual é o rendimento? (Massas atómicas: H = 1,008 g, S = 32,06g e O = 16,0g)

Nesta reacção 2 moles de H2S reagiram para dar 3 moles de S.

1. Usa se a estequiometria para determinar a máxima quantidade de S que pode obter-se a


partir de 6.8 g de H2S.

2. Divide-se a quantidade real de S obtida pela massa teórica, e multiplica-se por 100%

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 Consideremos a preparação de nitrobenzeno (C6H5NO2) a partir da reacção de acido


nítrico HNO3, em excesso com uma quantidade limitada do benzeno (C6H6).

Portanto, a equação balanceada do processo é:

Uma amostra de 15.6 g de C6H6 reage com HNO3 em excesso e origina 18.0 g de C6H5NO2.
Qual é o rendimento desta reacção em relação ao C6H5NO2?

 Primeiro deve-se calcular o rendimento teórico do C6H5NO2 usando a estequiometria.

Quer dizer que: se todo C6H6 converter-se em C6H5NO2, teremos 24.6 g de C6H5NO2
(rendimento de 100%), a reacção produz 18.0 g de C6H5NO2 que é muito menos que 100%.

 Os conhecimentos da estequiometria aumentarão se observar que a maior parte das


substâncias não são 100% puras.
 Ao utilizar substâncias impuras, geralmente, há que ter em conta algumas ou todas
impurezas. O termo pureza (ou impureza) costuma indicar o grau da % de Pureza.

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