Centro de Tecnologia Mineral Ministério da Ciência e Tecnologia

MAGNESITA

Luis Rodrigues A. Garcia Paulo Roberto G. Brandão Rosa Malena F. Lima

Rio de Janeiro Dezembro/2008

CT2008-179-00

Comunicação Técnica elaborada para o Livro Rochas Minerais Industriais: Usos e Especificações Parte 2 – Rochas e Minerais Industriais: Usos e Especificações Capítulo 27 – pág. 605- 631

CAPÍTULO 27 Magnesita
Luís Rodrigues Armôa Garcia1 Paulo Roberto Gomes Brandão2 Rosa Malena Fernandes Lima3

1. INTRODUÇÃO
A magnesita é um mineral industrial que apresenta uma série de aplicações em diversos segmentos da indústria. O Brasil, mesmo não sendo um dos maiores países em reservas e produção, mostra uma posição importante em relação a ambas. A produção brasileira provém quase exclusivamente de Brumado, no sul da Bahia. A principal aplicação da magnesita no Brasil está na produção de refratários, sendo a magnésia cáustica o segundo uso industrial. O magnésio é o oitavo mais abundante dentre os elementos que formam a crosta terrestre, constituindo 2% da mesma e ocupando, ainda, a terceira posição dentre os elementos dissolvidos na água dos mares. Embora seja encontrado em mais de 60 minerais, somente dolomita, magnesita, brucita, periclásio (MgO), carnalita e olivina (forsterita) são de importância comercial. Magnésio e seus compostos são também extraídos a partir de água do mar e salmouras de poços e lagos. A produção comercial a partir de magnesita, no entanto, é no presente a mais econômica. A principal utilização do magnésio, normalmente sob a forma de óxido, é como material refratário em revestimento de fornos para a produção de ferro e aço, metais não-ferrosos, vidro e cimento. Óxido de magnésio e outros compostos são ainda usados em agricultura, indústria química e na construção. Em ligas com o alumínio, o magnésio é usado em componentes estruturais de automóveis, máquinas e latas para bebidas. A maior parte da produção mundial de magnesita provém da China, Coréia do Norte, Rússia e Turquia. Juntos, estes quatro países responderam por
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Eng o de Minas/UFPE, Especialista em Engenharia Econômica/UNICAMP, CPRM - Serviço Geológico do Brasil. Geólogo/UFPE , Especialista em Geologia Econômica/UFOP, CPRM - Serviço Geológico do Brasil. 3 Eng a de Minas/UFOP, D.Sc. em Tecnologia Mineral/UFMG, Professora Adjunta do Departamento de Engenharia de Minas, Escola de Minas/UFOP.

Berman e Frondel. 2.637Å.25% carbono.3%). são pobres neste elemento. miscibilidade com CaCO3 e MnCO3 é limitada (Kostov. c = 15. porém. 1968). ocorrendo no sistema cristalográfico romboédrico ou trigonal. A abundância na oferta. com a = 4.93% oxigênio. Pequenas quantidades de Ca e Mn são também encontradas. porém magnesitas naturais. é a pistomesita. adaptada de Reeder (1983) e incluindo um dado de Zemann (1989). A produção mundial de magnésio. O ferro pode substituir o magnésio em grande extensão. transacional para siderita. Brasil (1%) e Sérvia e Montenegro (0.2%).023Å e Z = 2 (Kostov.8%). MINERALOGIA E GEOLOGIA Mineralogia A magnesita pertence à família dos carbonatos do grupo da calcita. O Brasil tem a totalidade de suas grandes reservas conhecidas de magnesita concentradas no nordeste do país. A magnesita é isoestrutural com a calcita. variam de grandes a virtualmente ilimitadas e são distribuídas globalmente. Israel (4.3%). a retração na demanda e a globalização das relações comerciais fazem com que seja cada vez mais importante a qualidade do bem mineral que se promove.2%). na Serra das Éguas. minerais que têm como unidade aniônica fundamental da estrutura o grupo (CO3)2-. Magnesita com cerca de 9% de FeO é denominada breunnerita. O peso molecular da fórmula MgCO3 é 84. Na Tabela 1 mostram-se dados de refinamento de estrutura por raios-X. a magnesita não foge destas regras. Em termos elementares.6%).19% de CO2. 56. para a magnesita. que respondeu por cerca de 3% da produção mundial em 2001.31 gramas. Contém 47. estão as maiores reservas e as mais produtivas minas conhecidas deste bem em nosso país. 1963).83% magnésio. assim distribuídas: China (73. 1968). excluindo os Estados Unidos. Rússia (8. Canadá (8. mais especificamente nos estados da Bahia e Ceará. Kasaquistão (3. O nome magnesita é uma alusão à sua composição. A ligação desta unidade com os elementos catiônicos é essencialmente iônica (Palache.81% de MgO e 52. evidentemente. a partir das quais compostos de magnésio podem ser recuperados.000 toneladas curtas.606 Magnesita 60% da produção mundial deste insumo mineral no ano de 2001. a composição é a seguinte: 28. . quando ainda mais rica em ferro. sendo ditrigonal-escalenoédrica. R 3 c . 14. Fontes. como regra. em 2005 foi de 610. No município de Brumado-BA.

105 O1-O2 (Å) 2. 2.252 Å com 60% e 1.023 15. 1968).36 12.737Å com 100%.6328 4. Fonte: adaptada de Kostov (1968). 1. Mostra clivagem {10 1 1} perfeita.635 c (Å) 15.931 O1-O6 (Å) 3.935 com 60%. (2) MgCO3 (sintética).00.1018 2.01CO3.697Å com 100%. (3) magnesita de Brumado com 0. (Kostov.1% CaO.0188 3. Observe-se que a altura da célula unitária é o dobro da altura da célula morfológica (Reeder. 1.99 Fe 0. 0. 1989).019 M-O (Å) 2. 1.6% FeO. 0. É incolor a branca e seu índice de refração varia de acordo com o seu teor de .336 Å com 70%.022 Volume octaedral (Å 3) 12.42 Composição (1) (2) (3)* Composição das magnesitas utilizadas: (1) Mg 0. 2a Edição 607 Tabela 1 – Dados de refinamento de estrutura por raios-X para a magnesita.101Å com 90%. a (Å) 4.7% MnO ( * Dado de Zemann. Figura 1 – Estrutura da magnesita. A Figura 1 ilustra as relações entre a verdadeira célula unitária romboédrica aguda e a célula morfológica (ou de clivagem). tem dureza 4 e densidade 3.0129 15. A magnesita tem como raias de difração de raios-X mais intensas as seguintes: 2.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. 1983).9252 2.637 4.

até anfibolito alto. em acordo com o arranjo em leitos dos grupos planares CO3 paralelos a {0001} (Kostov. Tipo Veitsch (depósitos de magnesita macrocristalina) .608 Magnesita ferro. 1968). o que pode indicar um mecanismo comum de formação (Duncan e McCracken. talco e dolomita. rochas meta-vulcânicas básicas. de idade Proterozóica-Paleozóica. Grandes depósitos deste tipo ocorrem mundialmente. não raramente. Muitas estruturas sedimentares têm sido observadas nas rochas magnesíticas deste tipo. manganês da ordem de um décimo do seu teor em ferro. Espanha. lentes de magnesita em sedimentos marinhos clásticos de plataforma. tanto passados como atuais. embora reconhecendo que uma classificação quase sempre implica em simplificações. Nesses grandes depósitos.São caracteristicamente formados por grandes. calcários. tipicamente da ordem de dezenas de milhões de toneladas (nos depósitos da Áustria). baseado nas ocorrências conhecidas na Áustria. descreveu tipos de depósitos de magnesita agrupando-os em três tipos básicos. Pohl e Siegl (1986) apresentam as seguintes características distintivas para esses quatro tipos. folhelhos. China. citado em Pohl e Siegl (1986). Redlich (1909). arenitos. e sílica e cal variáveis em função do conteúdo de quartzo. com grau de metamorfismo variando de muito baixo. com cristais milimétricos a centimétricos. porém curtas. conglomerados e. Podem ser levemente ou fortemente deformados. Áustria. As maiores jazidas conhecidas encontram-se na Áustria. Opticamente é um mineral uniaxial negativo. Sinais de dolomitização progressiva e magnesitização são observados no depósito de Veitsch. Geologia A magnesita ocorre em muitos ambientes geológicos. Coréia. Posteriormente. Assim. a . até a ordem de 1 bilhão de toneladas (depósitos da China). A textura é tipicamente granuloblástica. na África e na Austrália continental. Muitos dos depósitos têm uma notável semelhança uns aos outros. baixa alumina. 1994). embora sejam relativamente escassos na América do Norte. e que os quatro diferentes tipos nem sempre podem ser diferenciados claramente. também citado em Pohl e Siegl (1986). Eslováquia. consistindo de dolomitos. Os depósitos do tipo Veitsch são caracterizados por um elevado conteúdo de ferro. foi agregado a esse grupo um quarto tipo estabelecido por Ilic (1968). Rússia e Brasil. As reservas podem ser muito grandes. passando pelo fácies xisto-verde.

mencionando Siegfus. Ontário. peridotitos e serpentinitos. pouco cálcio. 1954. Essas rochas freqüentemente fazem parte de uma suíte ultramáfica de ofiolitos. raramente. se combinam para produzir rápidas variações de fácies tanto lateral como verticalmente. e. proximidade de atividade vulcânica. em condições de baixo metamorfismo. ex-Iugoslávia (Sérvia). devida à ação de soluções carbonatadas. 1927). O baixo teor em ferro das magnesitas deste tipo é uma característica contrastante com relação às magnesitas do tipo Veitsch. tanto espacial como cronologicamente. Canadá. USA. Tipo Kraubath (depósitos de magnesita microcristalina) . podendo. 2a Edição 609 magnesita é intimamente associada. que provoca a transformação dos silicatos magnesianos em carbonato de magnésio com conseqüente liberação de sílica. Tipo Greiner . 1994. porém. com atividade intrusiva de material magmático (Bain.A magnesita resulta da alteração hidrotermal sobre rochas básicas-ultrabásicas. Bodenlos. Tipo Bela Stena . As principais ocorrências deste tipo encontram-se na Grécia. alcançam as atuais . “stockworks”. tem sido sugerido que atividade ígnea seja a fonte original de soluções portadoras de CO2. resultou em um conhecimento mais detalhado deste tipo de magnesita caracterizado por concentrações relativamente altas de ferro. Turquia. Washington. em Timmins. Austrália e Estados Unidos. Nestes depósitos as reservas de magnesita são da ordem de poucos milhões de toneladas. mas cerca de 25% de sílica. Ainda de acordo com Duncan e McCracken (1994). no entanto. ou mais altas. Já Schroeder (1948). temperaturas de formação na faixa de 200 a 300ºC.Consiste em corpos de magnesita lentiformes ou de formato irregular. Raramente. A exploração do depósito de Deloro Township. temperaturas de formação da ordem de 300 a 500ºC. atividade hidrotermal. Esta magnesita pode conter pequenas concentrações de cálcio e traços de ferro e manganês substituindo o magnésio. Bodenlos (1954) sugere. atingir valores da ordem de até 400 milhões de toneladas. também evaporação. mencionado por Duncan e McCracken (1994). para a etapa principal de mineralização dos depósitos da Serra das Éguas.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. 1924. corpos irregulares e capeamentos de magnesita criptocristalina são freqüentemente associados com zonas de fraturas afetando rochas ultramáficas que compreendem principalmente dunitos. Falhamento sinsedimentar da bacia dos lagos. sugere para os depósitos de magnesita de Stevens County. ocorrendo dentro de sedimentos lacustrinos clásticos de idade Terciária. Duncan e McCracken.Veios.

Jazidas identificadas de magnesita totalizam 12 bilhões de toneladas. Com o aumento do custo dos combustíveis. em sabkhas e em lagos salgados continentais e costais (playas). somente dois tipos principais de depósitos são e xplotados atualmente. 1994). em regiões áridas e semi-áridas. Os principais depósitos do tipo encontram-se na exIugoslávia (Sérvia). as quais são usualmente as fontes de magnésio. conforme explanado anteriormente. Coréia do Norte. variam de grandes a virtualmente ilimitadas e são distribuídas globalmente. A Tabela 2 mostra a produção e as reservas mundiais conhecidas de magnesita. forsterita e evaporitos contendo magnésio são enormes e estima-se que salmouras contendo magnésio constituam uma fonte de bilhões de toneladas. há uma distinta vantagem. Fontes de brucita. Rússia e Turquia. dolomita.Além dos tipos apontados. Grécia e Turquia. Esses incluem as magnesitas criptocristalinas associadas com rochas magmáticas ultramáficas. Embora a magnesita ocorra em uma ampla variedade de ambientes geológicos. Outros tipos de depósito de magnesita . a partir das quais compostos de magnésio podem ser recuperados. Embora importantes do ponto de vista do entendimento da formação da magnesita. . a ocorrência de magnesita em ambientes sedimentares recentes.610 Magnesita necessidades de qualidade. ao invés de se produzir magnésia a partir da água do mar ou salmouras (Duncan e McCracken. Produtores e Reservas A maior parte da atual produção mundial de magnesita provém da China. Pohl e Siegl (1986) ressaltam.12% da produção mundial deste insumo mineral no ano de 2005. Tal é o caso da formação de magnesita em evaporitos marinhos. no entanto. essas ocorrências são de quantidade e qualidade sub-econômicas. na conversão de magnesita natural em MgO. também. Fontes. Juntos estes quatro países responderam por 67. bem como as hospedeiras dos depósitos (o “Tipo Kraubath”) e as magnesitas macrocristalinas formando lentes localizadas ou stocks dentro de carbonatos de plataformas marinhas antigas (o “Tipo Veitsch”).

A Coréia do Norte tem suas reservas principais na província de Kankyo. península de Khalkidiki. Em Kosice.000 120. Radentheim e Dientin. 650. nas montanhas Savan. Dados em mil toneladas métricas de magnésio contido.000 14.340 288 288 576 78 144 107 287 202 151 94 140 3. Os depósitos da Rússia estão localizados no sul dos montes Urais e no leste da Sibéria.000 440.000 65. e = estimado.000 65. Jelsava e Lobinobana estão as principais reservas da Eslováquia. A Espanha tem. Fifield e Young em New South Wales e Ravensthorpe em Western Australia. Breitenau Trieben. em Uttar Pradesh.695 2005 e Reservas Reserva 380. Os mais importantes depósitos da Áustria estão localizados em Semmering.000 30.000 Reserva Base 860.000.000 45. reservas e reserva base.000 20. País China Rússia Coréia do Norte Turquia Brasil Grécia Índia Eslováquia Áustria Espanha Austrália Outros países Total Produção 2004 1.000 160.000 2.000. .350 250 300 570 80 150 110 285 200 150 95 140 3. um distrito da antiga Manchúria. Veitsch.000 30.000 100. A India tem seus depósitos maiores em Salem. na província de Liaoning. Na Grécia é em Vavdos.000 1.000 10. que se localizam os depósitos de magnesita criptocristalina.000 390. na Thessalonika. Segundo Duncan e McCracken (1994). A Austrália tem depósitos de magnesita criptocristalina em Kunwarara em Queensland. além de importantes reservas de magnesita criptocristalina nas regiões de Eskisehir e Kutaya.000 55. 730. próximo da fronteira com a França.000 3. 2a Edição 611 Tabela 2 –Produção mundial de magnesita.584. na província de Navarra.000 45.000 750. A Turquia tem seus principais depósitos de magnesita cristalina na região do Mar Negro. um distrito do estado de Madras e no distrito de Almora.000 450. January 2006.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008.000 324.194.000 15.680 Fonte: Adaptada de USGS Mineral Commodity Summaries.000 30. o maior depósito de magnesita da China está localizado a aproximadamente 65km ao sul/sudeste da cidade metalúrgica de Anshan. os seus principais depósitos.

410.000 187.190 319.888 411.878 338.400.174.581 91.122.215 74.472 382.777 5.960. * = Dados de Oliveira (1997) Como se verifica na Tabela 3 no município de Brumado-BA.138 Fonte: Adaptada de Anuário Mineral Brasileiro 2001 e 2005 – DNPM.905 13.102.923 73.990 58.110 857.045 456. ainda.405 91. A Figura 2.190 52.501.147.556.641 21. na Serra das Éguas. 1950. Faz-se uma tentativa de mostrar. adaptada de Pohl e Siegl (1986).571 53. Tabela 3 – Reservas de Magnesita do Brasil. concentradas no nordeste do país. também. Estado/Município Medida Ano Bahia Brumado Santo Sé Subtotal Ceará Iguatu Jucás Orós Subtotal Total Geral 54.615. 1997). o tipo do depósito.A.948 134. até o presente.750.278. Embora essas ocorrências sejam conhecidas desde as últimas décadas do século 19.102.872.406 29. o tamanho das reservas e.380. Também o município de Sento Sé-BA possui reservas consideráveis de minérios de magnesita (Oliveira. Ali também estão as mais produtivas minas conhecidas em nosso País. a efetiva produção das minas só começou em 1945 através da empresa Magnesita S. 1954).990 355.532.924 58.443.296.940 297.282.887.612 Magnesita O Brasil tem a totalidade de suas grandes reservas de magnesita conhecidas até o momento.036 275.501.953.913 352.515 91. conhecidos até 1986. .431.692. A Tabela 3 mostra dados sobre as reservas brasileiras.385.130. estão as maiores reservas conhecidas no Brasil deste bem mineral. mais especificamente nos estados da Bahia e Ceará (Bodenlos. ilustra a distribuição dos depósitos de magnesita em todo o mundo.948 857.913 2000 2005 2000 Reserva/Toneladas Indicada 2005 2000 Inferida 2005 266.

.A.W. 61 = Mtito Andei. Tanzania. 43 = Eskisehir. China e Khingan. Ont. Kenia. Redcliffe. 54 = Thuddrunga. Noruega. Nev. 46 = Bulong. África: 57 = Beni Bousera. 49 = Copley. 42 = Bozkurt. 12 = Radium Hot Springs. 31 = Euboea. Espanha e Pirineus.. 28 = Sérvia. India. 59 = Sol Hamid.. Afeganistão. Margarita Island. 29 = Servia Basin. 60 = Lake Natron. 2 = Iguatu. UK. 27 = Bela Stena. Tasmania. Sudão. Rokham. 4 = Isla Margarita. 64 = Barton Farm. Wash.. 67 = Sabkhas de Abu Dhabi. 55 = Mt. 63 = Bié.. 20 = Norbotten. 38 = Shandung. 19 = Trondheim. 33 = Ural. W. 13 = Deloro. 37 = Ust Kara. Relação dos depósitos assinalados na Figura 2: Américas do Sul e Central: 1 = Brumado. 39 = Yongyang e Namgye. Lioa Tung. 26 = Eslováquia. 45 = Lawlers. B. Angola.. Bolívia.A. Egito. Venezuela.T. Coréia do Norte. 22 = Eugui. N. USA. Europe: 17 = Shetlands. África do Sul..C. 5 = Guatemala. 50 = Eyre Peninsula. Ásia: 34 = Achin. 32 = Elba. Fonte: Adaptada de Pohl e Siegl (1986). 40 = Mysore. B.. 8 = Kern County.. 21 = Pacios. América do Norte: 7 = Coast Ranges. Zimbabwe. Suécia.C. Vic. Marrocos. . New Scotland. N.S. 18 = Snarum. Manchuria. Sérvia. 25 = Kraubath. Turquia.. México. Nepal. 16 = Maryland.. Rússia. 14 = Kilmar. 58 = Eastern Desert. Espanha. Mongolia. Himalaia. 36 = Kharidunga. Arábia Saudita. Que. Áustria. 3 = Alto Chapare. 23 = Ortler.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. S. Noruega. Tanzania. 15 = Cape Breton Island. Nev. Brasil. 52 = Arthur e Savage River. 53 = Heathcote. 10 = Stevens County. 30 = Vavdos. 65 = Barbeton. Grécia. 11 = Marysville. Serra das Éguas. Qld. 41 = Salem. 6 = Sta. Brazil. Itália.... Grécia.. 51 = Coorong Lagoon. 56 = Nova Caledônia. 66= J. Austrália: 44 = Huandot. Calif.. 47 = Ravensthorpe. 9 = Gabbs. India. Áustria. 62 = Pare Mts. 2a Edição 613 Figura 2 – Localização de depósitos de magnesita no mundo. 48 = Balcanoona. 35 = Kumaun. 24 = Graywacke Zone.

monazita. então conhecida como Bom Jesus dos Meiras. Brasil. topázio. Brasil. estado da Bahia.614 Magnesita A Magnesita da Serra das Éguas Histórico A primeira referência sobre Brumado. xenotima. Uma descrição morfológica detalhada. quartzo. rutilo. quimismo da magnesita. pertencente à coleção do Museu Nacional do Rio de Janeiro. dolomita. turmalina. a geografia do local. apresentado por M. Neste artigo o autor faz o estudo cristalográfico de um magnífico cristal de hematita especular. magnesita. pirita. . Bodenlos. zircão. espodumênio. Arlt e Steinmetz (1915) descrevem uma coleção de minerais composta por berilo e outras fases paragenéticas oriundas do distrito de Bom Jesus dos Meiras. martita. publicado em 1954. além de considerações econômicas. oriundos do distrito de Bom Jesus dos Meiras. turmalina. hematita. clinoanfibólio (tremolita-actinolita). de autoria de Alfred J. O primeiro trabalho sistemático sobre os depósitos de magnesita da Serra das Éguas está contido no boletim 975-C do United States Geological Survey (USGS). Daubrée à Academia de Ciência de Paris em 1889. Neste trabalho. epidoto. topázio. granada. o autor determina parâmetros cristalográficos dos seguintes minerais: berilo (nas variedades de água-marinha e esmeralda). publicado nos Comptes Rendus. rutilo. incluindo o cálculo de constantes cristalográficas foi realizada em amostras dos seguintes minerais: quartzo. berilo. magnesita e caulinita. Este trabalho bem documentado traz desde a história do descoberta dos depósitos de magnesita. hipóteses da origem. albita e titanita. estado da Bahia. se encontra em um artigo de Dom Pedro Augusto de Saxe Cobourg Gotha. a geologia dos diversos jazimentos e minas. até as reservas dos depósitos. Siedel (1914) descreve um conjunto de minerais da coleção do Museu de Mineralogia da Universidade de Marburgo. Segundo os autores dois processos estariam relacionados à gênese das fases minerais descritas.

fundaram a Sociedade Magnesita Limitada. Não se tinha.A. são conhecidas desde o final do século 19. tendendo a semi-árido. via BR-116.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. embora pouco divulgadas. caracterizado notadamente pela má distribuição das chuvas no espaço e no tempo. O clima da região é do tipo estepe tropical. noção da imensa reserva de magnesita ali à espera de descobridores. quente e seco. é detentora de praticamente todos os direitos minerários na Serra das Éguas. Situa-se no Município de Brumado. 2a Edição 615 As ocorrências da Serra das Éguas. interessados na produção de magnésio metal. entre as seguintes coordenadas geográficas: 14º 03’ 47’’ a 14º 16’ 28’’. de magnesita para diversos fins. para que este lhes dissesse onde poderiam encontrar magnesita. em 1939. insuficientemente estudadas. transformada. daí até Vitória da Conquista.. mas o grande volume de magnesita na região. Conforme Leonardos (1943). Hoje a Magnesita S. (2000). conforme bem descrevem Cassedane e Cassedane (1978) e Barbosa et al. com altitudes de pouco mais de 1000 m. principalmente em função de uma variada gama de minerais não usuais. Localização Segundo Oliveira e Fragomeni (1980). Dirigindo-se estes senhores a Serra das Éguas. Foram informados das ocorrências de Jequié e sobre as da Serra das Éguas. Sua forma é grosseiramente ovalada dispondo-se seu eixo maior na direção N20ºE. com chuvas de verão. em Magnesita S. O restante do trajeto é feito por rodovia estadual. depois. além da magnesita. ocupando uma área de cerca de 142 km2. no Rio de Janeiro.A. ali constataram não só a presença. As precipitações médias anuais estão em . por 130 km (GeoEstrutural. por 10km de largura. sendo os primeiros 110 km pela BR-324 até Feira de Santana. autorizada a funcionar pelo decreto número 6220 de quatro de setembro de 1940. Brumado dista de Salvador cerca de 600km e o acesso a partir desta capital é feito através de rodovias asfaltadas. a Serra das Éguas é uma feição marcante na morfologia do centro-sul baiano. além de talco. 2002). dois franceses residentes no Brasil. Possui uma extensão de aproximadamente 18km. e a maior produtora e comercializadora. o procuraram na Divisão de Fomento da Produção Mineral. Georges Louis Minviele e Miguel Pierre Cahen. no Brasil. no entanto. longitude Oeste. latitude Sul e 41º 37’ 30’’ a 41º 47’ 01’’. Estado da Bahia. que também é encontrado na região. De volta ao Rio.

muito conveniente à criação de eqüinos e envolvendo a elevação de brumas matinais. com árvores de porte nas ravinas e de campos gerais nas superfícies mais aplainadas das maiores altitudes. com arbustos espinhentos e árvores de pequeno porte ao longo dos leitos dos riachos. 1980). Na Serra das Éguas desenvolve-se um microclima típico das elevações do sertão baiano. .616 Magnesita torno de 600mm. As temperaturas são mais amenas e o ar mais úmido. Figura 3 – Mapa de localização da área de Brumado. com presença de campos. Este microclima. não chover durante um ano todo. Fonte: Adaptado do Ministério dos Transportes (2003). superadaptada às condições climáticas. aparecendo uma vegetação de matas. A vegetação é do tipo caatinga hipoxerófita. entretanto. podendo. foi o responsável pelas toponímias locais: Serra das Éguas e Brumado (Oliveira e Fragomeni.

000 km2. finalmente.. Esta seqüência é tipicamente de caráter vulcanogênico. 1980).a. Aspectos da Geologia Regional Mascarenhas (1976). com uma área de afloramento de cerca de 2. quartzitos. dolomita-quartzitos e quartzitos ferruginosos no topo. inclui as ocorrências de magnesita da Serra das Éguas dentro do contexto de um “Greenstone Belt”. actinolita-mármores e rochas cálciossilicáticas. O mesmo autor acredita que a idade de formação das estruturas do tipo “Greenstone Belts” da Bahia deve-se situar entre 3. na base. exceção feita aos poucos córregos que drenam nascentes perenes nas encostas da Serra (Oliveira e Fragomeni. e 2. localmente ricos em restos paleossomáticos anfibolíticos.000 m.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. pertencentes ao Arqueano inferior a médio: o atual embasamento caracterizado por gnaisses e migmatitos. na porção intermediária e. com quartzitos subordinados. Este último tem três unidades bem distintas. 2a Edição 617 A rede de drenagem é praticamente temporária. Os demais riachos apresentam-se secos no decorrer do ano. constituídas por anfibolitos. havendo sido determinadas pelo menos duas fases de vulcanismo básico-ultrabásico constituintes da Unidade Inferior. mármores dolomíticos e actinolita-tremolita-mármores. Simplificadamente pode-se observar na área dois conjuntos maiores. A Figura 4 ilustra esquematicamente a coluna estratigráfica simplificada do Grupo Serra das Éguas. sendo o principal curso d’água o Rio do Antônio. podendo-se admitir uma contribuição epiclástica na Unidade Superior (Oliveira.a. juntamente com o Complexo Granulítico. o qual se torna intermitente nos períodos de estiagem e sujeito a cheias repentinas na época das chuvas.700 m. com água apenas enquanto duram as chuvas. o Grupo Serra das Éguas. e uma assembléia singular de rochas metamórficas. . distribuídos em zonas independentes dentro do Complexo MetamórficoMigmatítico que representa. Fragomeni e Bandeira. mármores magnesíticos. A Unidade Média é de natureza químicosedimentar. 1997). Trata-se do “Greenstone Belt” de Brumado. o denominado “embasamento cristalino” na região. o que as coloca no Arqueano Médio a Superior. litoestratigraficamente distintos.

As minas Os principais depósitos da Magnesita S. na Serra das Éguas.. Mina Pedra de Ferro-Catiboaba. são: (i) (ii) (iii) (iv) Conjunto Mineiro Pedra Preta-Jatobá-Pomba. Mina Pedra de Ferro-Catiboaba. . Fonte: Oliveira. Fragomeni e Bandeira (1997). Mina Pirajá.A.618 Magnesita Figura 4 – Coluna estratigráfica simplificada do grupo Serra das Éguas.

. Cabeceiras. baseado nas exigências mercadológicas atuais. até o momento. . Figura 5 – Esboço geológico com localização do conjunto mineiro Pedra Preta . As demais minas. Bate-Pé. com minério apropriado para a fabricação de sínter.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. como Boa Vista. 2a Edição 619 Estes são os únicos depósitos conhecidos. Covil das Onças. Fonte: Adaptado de Oliveira. Fragomeni e Bandeira (1997). Cordeiro. utilizado em mistura. etc. enquanto a Figura 6 é a legenda para as simbologias utilizadas. em proporções variáveis com um dos tipos de minério das minas acima mencionadas. A Figura 5 ilustra a localização das principais minas no contexto Serra das Éguas.Jatobá-Pomba. apresentam minério pobre.

.620 Magnesita Figura 6 – Legenda para a Figura e corte geológico esquemático. Fonte: Adaptado de Oliveira. Fragomeni e Bandeira (1997).

com o eixo principal na direção NE-SW (20o).Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. O minério é de cor avermelhada. Fonte: Adaptado de Oliveira. À medida que se caminha na direção SW. apresentando nítidos sinais de recristalização. mostrada em um corte geológico na Figura 7. No extremo nordeste do jazimento. constituem um único jazimento com 2. Figura 7 – Corte geológico esquemático da mina de Pedra Preta. apesar de possuírem minério com características próprias. a mais conhecida e tradicional da Serra das Éguas. grã grossa. culminando com o minério rosa claro de alta pureza da mina do Pomba.400 m de extensão por cerca de 600 m de largura. a eliminação do talco é feita através de uma usina de concentração que utiliza flotação como meio de purificação. Na mina de Pedra Preta. tem-se a mina de Pedra Preta. o minério sofre forte branqueamento e a granulometria se torna mais fina. faz-se uma seleção manual que tem por objetivo eliminar o minério contaminado com ferro e talco. Fragomeni e Bandeira (1997) o conjunto é formado por três minas que. Fragomeni e Bandeira (1997). 2a Edição 621 O conjunto mineiro Pedra Preta-Jatobá-Pomba Segundo Oliveira. Para o minério de Jatobá e Pomba. rumo a Jatobá. .

são mostradas na Tabela 4.0 MgO (%) >85.5 <3. Tipo/Elemento PP-01 PP-02 PP-03 Estéril silicoso Estéril ferruginoso Estéril sílico-ferruginoso Fonte: GeoEstrutural (2002).5 <7.5 Al2O3 (%) <4.0 >60.5 >7.5 milhões de toneladas 68 milhões de toneladas .0 Considerando-se o minério bruto “in situ” do conjunto de minas.0 <2.0 <3.0 >20.5 milhões de toneladas 23.0 >60. têm-se as seguintes reservas: Mina Pedra Preta: Mina Jatobá: Mina Pomba: Total 35 milhões de toneladas 9.0 <20.622 Magnesita Neste conjunto se produzem três principais tipos de minério: (i) (ii) (iii) PP-01 – para a produção de sínter M-10 – Pedra Preta PP-02 – para a produção de sínter M-20 – Pedra Preta PP-03 – para a produção de sínter M-30 – Pomba e Jatobá As principais características químicas utilizadas como indicadores tipológicos dos três minérios.0 >90.0 <2.2 <1.5 <3.5 >7.0 >20.0 - MnO (%) <1.5 <3.0 <3.0 >60.0 <1.2 <3.5 <7. Tabela 4 – Características químicas dos minérios e estéreis.0 >60.0 <2. SiO2 (%) <6.0 <20.0 Fe 2O3 (%) <4.5 CaO (%) <1.0 <2.5 <3. bem como dos estéreis.

envolvendo todo o conjunto mineiro Pedra Preta-JatobáPomba. Figura 8 – Fluxograma da produção do minério para o sínter M-10. o “run-of-mine” alimenta uma estação de britagem com capacidade de 600 t/h e que fornece material em três granulometrias diferentes. cujo resultado final será uma única grande cava.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008.0mm e 28. Fragomeni e Bandeira (1997). Abaixo de 28. Observe-se que o material fino (abaixo de 28. LAVRA E PROCESSAMENTO Como relatam Oliveira.6mm – fino (refugo). com cerca de 2. A cava final terá 256 m de altura por cerca de 600 m de largura. Após desmonte. . A mineração se desenvolveu segundo um planejamento global. Fonte: Oliveira. A Figura 8 ilustra a produção do minério para o sínter M-10.0mm – graúdo. 2a Edição 623 3.6 mm) é descartado como refugo. objetivando a integração das três cavas hoje existentes.6mm – cascalho. Fragomeni e Bandeira (1997). em bancadas múltiplas com plataformas de trabalho dimensionadas em função da produção e da conveniência dos equipamentos.500 m de extensão. Entre 70. que são: (i) (ii) (iii) Acima de 70. a extração do minério é feita através do método clássico de lavra a céu aberto.

a uma distância d 15km. e daí para os silos que alimentam correias que abastecem os fornos (Figura 9). Ver Figura 10. vão para uma pilha de homogeneização e daí para uma pilha “pulmão”. mas podendo. Este minério possui talco e hematita em abundância tal que o faz ficar com seus teores de sílica e ferro acima dos limites definidos para PP-01 e PP-02. o minério é selecionado e levado para uma pilha. depois de passarem por uma etapa de catação manual. .624 Magnesita Os minérios cascalho e graúdo. antes de alimentar os fornos. após passar pela instalação de britagem na mina. Figura 9 – Fluxograma da produção do minério para o sínter M-20. o minério é e rebritado. que alimenta diretamente os fornos verticais de sinterização de M-10 em Pedra Preta. para a separação de fragmentos contaminados com talco e hematita. seguindo para uma pilha formada com material na faixa de 7-9 mm. Fonte: Oliveira. Em Catiboaba. Fragomeni e Bandeira (1997). ser utilizado para mistura e/ou tratamento seletivo (flotação). segue por caminhões até a usina de concentração de Catiboaba. ainda. O minério para a produção de M-30. de onde é transportado para as instalações de Catiboaba. Na britagem para a produção de M-20.

cuja soma não deve exceder. cal e alumina. É. de interesse econômico quando o teor mínimo de MgO na base calcinada atinge o patamar de 85%. óxido de ferro. FUNÇÕES E ESPECIFICAÇÕES A magnesita é considerada. A magnesita submetida a tratamentos térmicos entre 1800ºC a 2100ºC resulta no produto que se denomina comercialmente “magnesita calcinada à morte (dead burned magnesite) ou. na sua quase totalidade. Teoricamente a reação que ocorre nos fornos é: MgCO3 à MgO (periclásio) + CO2 O material assim obtido é isento de CO2. destinada à obtenção dos seguintes produtos: . de outras exigências relativas a sílica. não é reativo e o peso específico é bem elevado devido à densificação que ocorre durante o processo. 2a Edição 625 Figura 10 – Fluxograma da produção do minério para o sínter M-30. na sua totalidade. além. Fonte: Oliveira. para os produtos menos nobres. mais corretamente.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. em geral. com a eliminação do CO2. naturalmente. U SOS. sínter magnesiano ou magnésia sinterizada. a faixa dos 10%. Fragomeni e Bandeira (1997). 4.

em geral acima de 90% de MgO. em temperaturas entre 2800 a 3000ºC. Esse derivado de magnesita tem sua maior aplicação nos seguintes campos: fabricação do cimento sorel. Magnésia Cáustica (ou magnésia reativa) . fornos rotativos.. etc.é obtida em fornos elétricos a arco voltaico. de fornos elétricos. Magnésia Eletrofundida . na fabricação da borracha sintética. do cimento e do vidro.626 Magnesita (i) (ii) (iii) (iv) (v) Sínter magnesiano. como isolante térmico. com teor de MgO variando de 85% a mais de 90%. em geral da ordem de 1800ºC a 2000ºC. na agricultura como fertilizante e na agropecuária como nutriente. como absorvente e catalisador. Compostos de magnésio. O grau de pureza é sempre acima de 95% de MgO. Magnésia eletrofundida. na indústria do petróleo. conversores a oxigênio. cerca de 3. das indústrias do aço. às vezes atingindo 99%. como agente clareante e como substituto da bentonita na lama de perfuração e na indústria do papel. como agente vulcanizante e catalisador. . Sínter Magnesiano (ou magnésia calcinada à morte) . Na Tabela 5 mostram-se. sinteticamente. A massa específica mostra-se próxima da teórica para o periclásio. portanto.7g/cm3. Magnésia cáustica. as especificações dos produtos obtidos a partir da magnesita crua e suas principais aplicações. resulta do processo de calcinação da magnesita em fornos convencionais a temperaturas de 800ºC a 1000ºC. Trata-se de um produto de alta pureza. sob condições elevadas de temperatura.assim como o sínter magnesiano. isto é. largamente usado na fabricação de produtos refratários básicos que são utilizados no revestimento das paredes internas e abóbadas de caldeiras. fornos de soleira aberta. Magnésio metálico. a porosidade aparente é próxima de zero.resulta do processo de calcinação e sinterização da magnesita.

têm uma vasta linha de aplicações nas indústrias química. farmacêutica e metalúrgica. Indústria de refratários: refratários básicos. como cloretos..0 Fonte: Modificada.A. cerâmica.0 ≤1. têxtil. papel.6 3. metalúrgica. Compostos de magnésio. CMS (monticellita) e MF (magnésio-ferrita).Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. etc.5-5.0 ≤2.0-4.0 ≤1. . de cosméticos. maquinaria e ferramentas em geral.0 - Sínter magnesiano Sínter M-10 >92. com vasto campo de aplicação na industria aeroespacial. carbonatos. sulfatos.0 Sínter M-20 Sínter M-30 ≥95. cerâmica.5% Magnésia cáustica 87-92 2.0 <1.0 ≤1. de grande importância na obtenção de ligas aluminosas e de magnésio.0 ≤2. Matéria -prima natural Produto obtido Por Por calcinação calcinação e sinterização Especificação química (%) MgO CaO SiO2 Fe 2O3 Indústrias química. A Tabela 6 mostra as características físicas e químicas dos quatro tipos de sínter de magnésia produzidos pela Magnesita S.0 ≤1. etc. a partir de Queiroz (1997).0 ≤1. 2a Edição 627 Tabela 5 – Especificação do produto obtido a partir de magnesita crua em função de sua aplicação.0 <1.0-2.0 ≤0. fosfatos. moldados e não moldados Aplicação Magnesita (na base calcinada) MgO ≥85.0% Fe 2O3 ≤4. óxidos. iodetos. cosméticos e farmacêutica.0 >95. agropecuária. As fases denominadas acessórias são M2S (forsterita). O magnésio metálico é outro produto da magnesita.5 1.0 93-95 ≤2.

9 70. caso as condições econômicas sejam favoráveis.70 ≥94.24 ≤7. cromita. Tip. grafita.25 0. = Valor Típico.50 ≤2.82 0. MF M2S.90 ≤1. calcário e talco.41 0.43 95. Esp. = Especificação.0 M2S.30 3.90 ≥98.94 0.628 Magnesita Tabela 6 – Características típicas dos sínteres produzidos pela Magnesita S. Especificações de matérias-primas (1998).007 3.44 94. OBSERVAÇÕES FINAIS Como se mostrou neste artigo.30 ≤0.16 ≤0. 0.50 ≤1.dolomita. reagentes de neutralização – soda cáustica. ≤1. cal e barrilha.007 3. MF Fonte: Magnesita S.80 ≤0. MINERAIS E MATERIAIS ALTERNATIVOS Como minerais e materiais alternativos a magnesita pode-se citar (Possa e Damaceno. bauxita. areias refratárias.30 ≤3. dolomita. olivina. CMS. a magnesita é um mineral industrial típico. refratários – andalusita. Características M-10 Esp.29 0.37 0. CMS.16 0. cianita. com aplicações práticas bastante diversas.0 Tip.06 11.12 0. 1997): (i) (ii) (iii) alimentação animal .00 – ≥3. sílica.11 0. 1.0 Tip.40 0. ≤0. pirofilita.A. MF M2S..12 ≤0.7 120.00 – ≥3. CMS.91 0.05 0.50 ≤0.50 ≤0. As reservas brasileiras são consideráveis e um aumento significativo da produção é esperado.0 – – ≥100. silimanita e zircão.77 98.3 80.60 ≥95.00 ≤0.007 3.88 0. SiO2 (% ponderal) Al2O3 (% ponderal) Fe2O3 (% ponderal) MnO (% ponderal) CaO (% ponderal) MgO (% ponderal) B2O3 (% ponderal) Densidade aparente (g/cm3) Porosidade aparente (%) Tamanho médio do cristal de MgO (%m) Fases acessórias ≤1.35 2.0 M-30 B Esp.00 ≤0.A. 1.60 ≤2.34 1.32 1. 5. .98 ≤15.00 – ≥2.0 Sínter M-20 Tip.0 Esp.

(1994). DC: U. BARBOSA. Brazil (Geological Survey Bulletim 962-C). 2a Edição 629 AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à Magnesita S. P. p. Brazil.Washington. D. importantes para este trabalho. Krist .. e McCRACKEN. 75. (2002).. 63p. Magnesita S. GEOESTRUTURAL CONSULTORIA E PROJETOS. S.9. and Exploration. Magnesite deposits of Central Ceará. 196-204. (Ed). 18p.dnpm. Government Printing Office. P. Brasília: Departamento Nacional da Produção Mineral. Brazil.Rochas e Minerais Industriais – CETEM/2008. Industrial Minerals and Rocks. . D. BODENLOS. Government Printing Office. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANUÁRIO MINERAL BRASILEIRO (2001). Littleton. Band 54. no 1. Famous mineral localities: the Brumado district. Colorado: Society for Mining. CASSEDANE. R. A. p. J. Washington. Minerals of the Brumado Magnesite Deposits. B. (1954). J. Magnesite deposits in the Serra das Éguas. The Mineralogical Record. L. pelo fornecimento de informações. jan. Serra das Éguas. Inc. p. 6th ed. a partir de relatórios internos e publicações de seus funcionários. no 3.A. H. Bahia.. vol.. C. 590-606. (1915).O. Internet: http://www. p. L. J. Über ein neues Mineralvorkommen aus Brasilien: Zeitsch.br/amb2001.(2000). BA.: U. DUNCAN.C. H. Brazil (Geological Survey Bulletim 975-C). MayJune.gov. 36p.. A. (1978). U. H. NIZAMOFF. R. W.A. Metallurgy. J. 32-39 BODENLOS. u. Magnesite and Magnesia. W. e GAINES. Bahia.. Bahia./fev. V. Rocks & Minerals. e STEINMETZ. 643-654. A. Brumado. e CASSEDANE.. FALSTER. vol. K. SIMMONS. J. Reavaliação do modelo geológico dos magnesititos da mina Pedra Preta. In: Carr. ARLT. Min.html. S. (1950). WEBBER. D. Brumado.

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