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Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

METODOLOGIA DE SISTEMATIZAÇÃO
DE AÇÕES PARA CONSERVAÇÃO E
EFICIENTIZAÇÃO ENERGÉTICA
COMO SUPORTE A COMPETITIVIDADE
EMPRESARIAL

Maria Betania Gama Santos (UFCG)


betaniagama@ig.com.br
Ivanildo Fernandes Araujo (UFCG)
ifaraujo@uol.com.br
Agostinho Nunes da Costa Lira (UFCG)
agostinho.nunes@bol.com.br
Lívio José da Silva (UFCG)
liviosilva@uol.com.br
Egidio Luiz Furlanetto (UFCG)
elfurlanetto@terra.com.br

Neste trabalho é apresentada uma metodologia de sistematização de


ações mais eficientes mediante aplicação de uma estratégia de
conservação de energia e eficientização energética, baseada na
eliminação do desperdício de energia elétrica. Emm uma empresa, a
questão energética é posta em termos de confiabilidade no
fornecimento, competitividade nos preços, maximização nos processos
de transformação e utilização de forma eficiente, racional e econômica
da energia, como insumo básico. A metodologia adotada, consta de
três etapas: diagnóstico dos desperdícios encontrados, análise dos
dados obtidos e proposição de medidas de conservação de energia e
eficientização energética, adaptadas à realidade cotidiana de uma
empresa do setor hoteleiro, localizado em Maceió, AL. Após o
levantamento sistemático das cargas e avaliação das necessidades
energéticas, foi calculado o potencial de economia anual de energia,
referenciado a cada uso final analisado, e o retorno do investimento.
Conclui-se que é possível obter uma redução de aproximadamente 30%
na fatura de energia elétrica.

Palavras-chaves: Conservação de energia, gestão de energia,


competitividade.
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Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

1. Introdução
Para atendimento da demanda crescente, o setor elétrico brasileiro necessita de investimentos
elevados, justamente num momento em que os recursos se apresentam escassos, o que resulta
na necessidade de aplicação racional dos mesmos. Assim, toda e qualquer ação que resulte em
diminuição de investimento, sem perda de confiabilidade e que também contribua para a
redução das despesas com energia elétrica por parte dos consumidores, deve ser incentivada e
implementada.
Para uma empresa do setor hoteleiro, a questão energética é posta em termos de
confiabilidade no fornecimento, competitividade nos preços, maximização nos processos de
transformação e utilização de forma eficiente, racional e econômica desse insumo básico que
é a energia.
Em termos práticos, uma das estratégias de eficientização passa pelo diagnóstico energético,
também conhecido como auditoria energética, que consiste no levantamento de dados e
informações sobre o suprimento e usos finais de energia no processo produtivo da empresa,
com vistas à avaliação da situação atual, pontos positivos e pontos negativos, que permita a
definição objetiva de ações de melhoria a serem conduzidas (PROCEL, 2001).
Tendo por objetivo identificar medidas que podem ser adotadas para baixar o consumo de
energia, com a adoção do diagnóstico energético procura-se adequar a utilização da energia
nos diversos períodos de tempo e sinalizar a necessidade de um gerenciamento adequado.
Segundo Shoeps, C.A & Rousso, J. (1995), eliminar desperdícios, utilizar equipamentos mais
eficientes e adotar um bom gerenciamento da energia, certamente são ações que permitem ao
empresário reduzir as despesas com energia, sem abrir mão da produtividade, e ganhar
competitividade no mercado.
2. Metodologia
Neste trabalho é apresentado um estudo de caso realizado em um hotel, localizado em
Maceió, Alagoas.
A metodologia empregada envolveu três etapas: o diagnóstico dos desperdícios encontrados, a
análise dos dados obtidos e a proposição de medidas para adaptar a necessidade de
conservação de energia e eficientização energética à realidade cotidiana da edificação sob
estudo (SANTOS, 2002).
A fim de facilitar e organizar todo o processo de aplicação desta metodologia as variáveis
envolvidas na eliminação de desperdícios de energia foram reunidas em quatro grupos:
construção, equipamentos, usuários e utilização.
Devido a esta multiplicidade e diversidade dos parâmetros envolvidos, ao pensar num
programa de combate ao desperdício, sugere-se um procedimento de análise específico que
correlacione os quatros grupos citados, de uma forma bidirecional, pois toda ação aplicada a
uma variável de um determinado grupo terá seu efeito condicionado à situação das variáveis
dos outros grupos.
A etapa inicial consiste no levantamento arquitetônico detalhado das edificações a serem
estudadas, para conhecimento das condições iniciais de cada variável envolvida. Engloba
principalmente o levantamento dos equipamentos e instalações existentes, bem como dos
usuários e das variáveis que eles irão controlar.

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Para facilitar e organizar sua aplicação convém que todo o processo de aplicação seja
registrado passo a passo. Podem-se utilizar tabelas com cadastro de equipamentos elétricos,
por uso final de energia elétrica: equipamentos de iluminação, força motriz, refrigeração,
aquecimento, condicionamento de ar, computadores e outros usos.
O passo seguinte consiste em identificar os desperdícios e o potencial de economia de energia
associado à eliminação destes. Esta determinação é feita comparando-se a situação inicial com
a situação ideal ou pretendida, para cada variável controlada, determinando então a redução
no consumo de energia elétrica.
A terceira etapa consiste em determinar quais as atitudes a serem tomadas para se atingir a
redução no consumo calculado no passo anterior, organizando um programa de ações. Nessa
etapa, para cada variável deverá ser determinado pelo menos uma ação, sendo que uma
mesma ação poderá ser determinada para mais de uma variável.
Em seguida devem ser implementadas as medidas propostas, e iniciar a fase de
acompanhamento das mesmas. Durante o acompanhamento deverá ser verificado se as
medidas tomadas estão surtindo o efeito esperado e quais os locais onde isto não ocorre.
Finalmente, os resultados obtidos nos trabalhos desenvolvidos serão repassados através de
treinamento destinado à capacitação de recursos humanos locais, que funcionem como
agentes multiplicadores em administração de energia elétrica.
3. Dados da empresa pesquisada
Localização: Maceió - AL
Número de apartamentos 104
Taxa média de ocupação anual 60%
Consumo anual médio em (kWh) 75.413,33
Demanda média registrada (kW) 196
Potência instalada (kVA) 300
Custo anual de energia (R$) 102.710,76
Custo unitário de energia (R$/MWh) 113,50
Consumo por taxa de ocupação (kWh) 1.265,11
3.1 Gerenciamento da energia
O hotel sob estudo ainda não dispõe de uma estrutura de informações que efetivamente
subsidie uma gestão eficiente de energia. A empresa pratica somente a manutenção corretiva,
o que inviabiliza qualquer análise mais detalhada do desempenho dos equipamentos elétricos.
Considerando os usos de energia como iluminação, ar condicionado, motores, refrigeração,
aquecimento, computadores e outros, constatou-se que a administração do hotel não avalia
sistematicamente o rendimento e a eficiência desses equipamentos; o que poderia ser feito
mediante medições de uso e perdas.
Igualmente, ainda não são analisados, de forma integrada, os efeitos dos usos finais da forma
de energia que utiliza.
3.2. Análise da demanda

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A demanda do hotel varia entre os períodos de alta e baixa temporada. Na alta temporada, a
máxima demanda registrada foi de 230 kW.Na baixa temporada, uma demanda de 365 kW foi
registrada.
Efetuada uma investigação para detecção deste aumento de demanda, conclui-se que o mesmo
foi ocasionado por um curto-circuito no quadro geral de baixa tensão.
Como a causa do distúrbio foi identificada, sugeriu-se que a administração da empresa
solicitasse a revisão desse parâmetro. Assim, caso essa solicitação venha a ser atendida, o
faturamento da demanda teria um decréscimo médio mensal de R$ 404,86, sendo também
possível reaver o que foi pago de forma adicional, o que pode proporcionar uma economia
anual de R$ 4.647,05.
3.3. Análise de consumo
Efetivamente, o consumo somente poderá ser reduzido alterando a quantidade de energia
consumida. Para que isso aconteça, deverão ser tomadas medidas administrativas/operacionais
para eliminação dos desperdícios e, posteriormente, investir em lâmpadas, luminárias,
reatores e equipamentos elétricos mais eficientes, que consumam menos energia para realizar,
no mínimo, o mesmo trabalho.
3.4. Fator de carga
A avaliação do fator de carga (FC) se constitui num indicativo mensal de como a energia
elétrica é consumida. Quanto maior for o fator de carga, melhor será a utilização das cargas
elétricas, ao longo do tempo, e menor o custo médio do quilowatt-hora consumido.
O fator de carga de um hotel tem uma forte influência da sua taxa de ocupação, mas é possível
obter-se uma sistemática de operação que propicie um uso racional de energia. A princípio, é
possível repetir uma sistemática operacional de modo a manter-se o fator de carga em um
mesmo nível para os períodos de alta e baixa estação. Para efeito de avaliação, considera-se:
Alta estação os meses de dezembro, janeiro, fevereiro, março e julho. Baixa estação, abril,
maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro.
Assim, tem-se para a alta estação um fator de carga (FC) de 66% e para a baixa estação um
fator de carga (FC) de 61%, como os melhores valores registrados. Utilizando esses valores
de fator de carga e os consumos registrados mês a mês, tem-se uma economia anual de
R$1.595,95.
3.5. Fator de potência
O fator de potência é uma indicação de como o consumidor está utilizando a energia fornecida
pela concessionária. No caso específico do hotel sob estudo, verificou-se que o mesmo
encontra-se, na maioria dos meses, abaixo do mínimo exigido na legislação, o que permite à
concessionária faturar o excedente reativo, indutivo ou capacitivo, sendo 0,92 o valor mínimo
de referência.
Assim, nesses meses é cobrado um ajuste devido ao excedente de energia reativa que transita
no sistema. O montante de energia reativa reprimida, correspondente ao excedente de
consumo de energia reativa, registra uma média mensal de 5.113,24 kWh, totalizando uma
economia anual de R$ 3.669,18. Com a correção do fator de potência mensal não precisará ser
pago o excedente de energia reativa, que nos horizontes desta análise totalizaram R$ 3669,18
anuais.
3.6. Cadastro dos equipamentos por uso final de energia.

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Foram cadastrados em planilhas, quantidades, tipos, localização e tempo de funcionamento


dos seguintes equipamentos de uso final de energia elétrica: iluminação, aquecimento,
refrigeração, motores, ar condicionado, computadores e outros usos.
3.7. Curvas de carga
No item anterior, identificaram-se as potências e os intervalos de tempo em que ocorrem as
diferentes atividades do hotel, por uso final. Essa metodologia busca estratificar a ocorrência
de modulação do funcionamento diário, a sazonalidade e outras avaliações que possam definir
as curvas de funcionamento dos diversos segmentos do uso final. Essas informações são
fundamentais para o estabelecimento das curvas de carga, que certamente permitirão
extrapolar para um período inteiro, as alternativas de eficiência energética possíveis de serem
adotadas. Para este fim, instalou-se um medidor universal de grandezas – MUG, fabricante
IMS, o que permitiu a verificação das seguintes grandezas: potência ativa, reativa e fator de
potência, tensão e corrente nas fases, programado para registro de 15 em 15 minutos, durante
uma semana típica, de quinta-feira à sexta-feira, nos períodos de ponta e fora de ponta.
3.8. Transformador
De acordo com a NBR 5440/1987, para um transformador de 300 kVA as perdas totais
máximas são de 4480 W. No caso da adoção de um transformador de 225 kVA, essas perdas
cairiam para 3600 W, resultando uma economia de 641 kWh/mês.
3.9. Iluminação
A redução do consumo de energia elétrica decorrente do uso de lâmpadas, passa
invariavelmente pelas condições de uso da iluminação natural. A iluminância natural deve ser
utilizada no maior tempo possível. Paredes e tetos devem ser pintados com cores claras para
diminuir a necessidade de iluminação artificial. As substituições de luminárias e lâmpadas que
foram feitas têm como objetivo a redução do consumo sem diminuir os seus benefícios. Foi
feita uma vistoria nas instalações e cadastrados os tipos de lâmpadas utilizadas, seguida de
medição das grandezas referentes aos níveis de iluminamento dos ambientes, utilizando-se
luxímetro digitais. A partir dos dados obtidos, foram recomendados os seguintes
procedimentos:
Substituição de lâmpadas incandescentes de 60W, 40W e 25W por lâmpadas fluorescentes
compactas de 15W, que são mais eficientes, de maior durabilidade e que produzem o mesmo
fluxo luminoso, com reatores eletrônicos de alto fator de potência.
Substituição de luminárias com lâmpadas fluorescentes convencionais de 40W e 20 W e
reatores de baixo fator de potência, por luminárias e lâmpadas fluorescentes de 32W e 16W,
respectivamente, de maior eficiência, e reatores eletrônicos de alto fator de potência.
De acordo com o levantamento, conclui-se que o consumo de energia elétrica da iluminação
corresponde a 10.495,89 kWh/mês, representando 10,75% do uso final de eletricidade
comprada da concessionária. Com investimento para economia neste setor, é possível obter-se
um ganho de 6.398,03 kWh, equivalente aproximadamente a 61% de redução da carga
instalada de iluminação.
3.10. Aquecimento
Os chuveiros elétricos devem ser substituídos por um sistema alternativo de aquecimento de
água utilizando energia solar.
A cocção elétrica é um processo que consome muita energia. Na cozinha existem dados

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escassos sobre o consumo especifico de equipamentos elétricos. Sugere-se a implantação de


medidas operacionais de redução de consumo que estão relacionadas com o processo de uso
dos equipamentos. Na cocção não foi proposto substituição nem retrofit de equipamentos.
3.11. Refrigeração
Além de ser importante, a refrigeração é imprescindível para a conservação dos alimentos
perecíveis e são necessárias algumas medidas operacionais de utilização, para diminuir o
consumo de energia elétrica nos equipamentos. Neste segmento não foi proposto substituição
nem retrofit de equipamentos. Entretanto, é fundamental difundir que reduzir o consumo com
refrigeração não significa diminuir o nível de refrigeração.
3.12. Motores
Os motores representam 9,53 % do consumo de energia do Hotel e as medidas práticas
possíveis para a redução do consumo incluem não só substituições por equipamentos
eficientizados, como mudanças no modo de utilizá-los, o que poderá acarretar uma economia
de energia elétrica na ordem de 4,5 %.
3.13. Ar condicionado
O sistema de ar condicionado tem expressiva participação no consumo de energia elétrica do
Hotel (59,49 %) e assim possibilita também uma maior economia em quantidade de kWh.
O sistema atual é de aparelhos de janela individuais nos apartamentos e na administração e de
semi-centralização (tipo self-contained) nos espaços coletivos, como restaurante, piano’s bar
e centro de convenções.
A economia estimada, com o sistema individualizado, será de 11.719,03 kWh,
correspondendo a 20,18 % do consumo atual.
Com a substituição do sistema de ar condicionado e com as demais sugestões de eficiência
energética implantada, o peso desta carga no consumo total passa a ser de 61,06 %, mostrando
que a operação otimizada do mesmo é de final importância na conta de energia mensal.
3.14. Computadores
De acordo com o levantamento e informações prestadas pelos usuários, calcula-se que o
consumo de energia elétrica dos computadores e acessórios periféricos corresponde a
aproximadamente 289,07 kWh/mês, representando 0,3 % do uso final de eletricidade
comprada à Concessionária.
Sugere-se como medida de economia, a utilização de gerenciadores de energia, existentes em
alguns PC´s que possuem o logotipo do Energy Star, estimando-se uma economia de 154,28
kWh/mês, ou 0,16 % no consumo total.
4. Avaliação Econômico–Financeira
Alterações que demandem investimentos adicionais devem ser avaliadas com mais detalhes,
no que se refere à sua atratividade econômica. Deve-se também salientar que tais avaliações
precisam levar em conta a imagem da empresa, a disponibilidade ou não de recursos, a
confiabilidade dos equipamentos, garantias, assistência técnica, flexibilidade para
modificações futuras e treinamento ou adaptação dos operadores.
A seguir, são apresentados os cálculos relativos aos investimentos necessários:
Iluminação – substituição, com mão-de-obra da casa, de luminárias, lâmpadas e reatores R$

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32.277,00.
Capacitores – instalação de um banco de capacitores de 45 kvar, com seis estágios de 7,5
kvar, automático, incluindo mão-de-obra R$ 3.922,00.
Ar Condicionado – substituição de metade dos aparelhos individuais de ar condicionado R$
40.557,00.
Aquecimento Solar – instalação de sistemas de coletores solares em substituição aos
chuveiros elétricos ainda existentes R$ 37.000,00.
Motores – aquisição e instalação de um conjunto motor-bomba de 5 HP, trifásico, de alta
eficiência R$ 800,00.
Total do investimento R$ 114.556,00.
4.1. Método da Taxa Simples de Retorno
Consiste na determinação de qual percentual do investimento que retorna anualmente sob
forma de economia. Não é levada em conta a forma de distribuição do fluxo de caixa ao longo
do tempo, uma vez que não são considerados juros no período. Tem assim as desvantagens de
não considerar o custo do dinheiro e de não servir para comparar opções com fluxos de caixa
muito diferentes.
TSR= RA/I
TSR = Taxa Simples de Retorno
RA = Receita Anual decorrente do investimento
I = Investimento
TSR = 34.000,00 / 114.556,00
TSR = 0,2968 ou 29,68 % ao ano
Nesse caso, o retorno de investimento previsto é de 3 anos e 3 meses.
5. Conclusões
Feita toda a avaliação conforme os objetivos deste diagnóstico, determina-se o potencial total
de economia anual de energia, fazendo referência a cada segmento analisado, conforme
apresentado na Tabela 1.

Consumo atual kWh


Segmento Consumo futuro %
(kWh) Economizado
Iluminação 10.495,89 4.097,86 6.398,03 60,96
Computadores 289,07 289,07 ---------- ------
Aquecimento 13.456,44 10.274,04 3.182,40 23,65
Ar Condicionado 58.085,37 46.366,34 11.719,03 20,18
Refrigeração 5.175,18 5.175,18 ----------- ------
Motores 9.301,83 8.896,47 405,36 4,36
Outros 840,29 840,29 ----------- ------
Perdas 4.115,93 3.762,00 643,00 15,62
Total 101.760,00 79.412,18 22.347,82 21,96
Tabela 1 - Economia de energia por segmento de consumo

Pelos números da Tabela 1 pode-se verificar que é possível uma economia total de 21,96%,

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sem considerar a eficiência na implantação das recomendações de ordem técnica/operacional.


O maior percentual de economia de energia está na iluminação (60,96 %). Entretanto, ao se
considerar o volume de energia economizada, a maior redução pode ser conseguida no
sistema de ar condicionado. A economia de energia chega a 20,18 %.
Na Tabela 2 são apresentadas as grandezas e os custos médios de energia.

Referência Atual Proposto


Demanda (kW) 196 162
Consumo (kWh) 75.413,33 59.003,39
Fator de Potência (%) 87 92
Fator de Carga (%) 52 63
Valor da Conta (R$) 8.559,23 6.026,24
Custo da Energia (R$/MWh) 113,50 102,10
Tabela 2 - Grandezas e custos médios da energia

Conforme pode-se observar, a conta mensal média de energia diminuirá de R$ 8.559,23 para
R$ 6.026,24, significando uma redução mensal de 29,6% (vinte e nove virgula seis por cento),
uma economia anual de R$ 30.395,88. Assim, existirá uma redução no custo médio da energia
de R$ 113,50/ MWh para R$ 102,10/MWh. Portanto, considerando os reajustes aplicados às
tarifas de energia elétrica, que totalizaram 11,79%, a economia anual estimada neste estudo
pode ser de aproximadamente R$ 34.000,00.

Referências
ABILUX. Uso Racional de Energia Elétrica em Edificações. São Paulo,1992.
AGÊNCIA PARA APLICAÇÃO DE ENERGIA. Procedimento de Manutenção para Economia de Energia.
São Paulo, 1997.
BITU, R. & BORN, P. Tarifas de Energia Elétrica e seus aspectos convencionais e mercadológicos. São Paulo,
1993.
ELETROBRÁS; CODI; CCON; GTON. Manual de Conservação de Energia Elétrica, 3. ed. Rio de Janeiro,
1994.
ELETROBRÁS/ELETROPAULO. Manual de Conservação de Energia Elétrica. 4.ed. Rio de Janeiro,1997.
PROCEL. Manual de conservação de Energia Elétrica em Estabelecimentos comerciais e de serviços. Alta
tensão. Rio de Janeiro, 2001.
SANTOS, M.B.G & LUCIANO,B.A. Análise e Proposição de uma Metodologia para Conservação e
Eficientização de Energia Elétrica em Edificações, anais do NUTAU, CD Rom, USP; São Paulo, 2002.
SHOEPS, C.A & ROUSSO, J. Conservação de Energia Elétrica na Indústria, Vol. 1 e 2. Rio de Janeiro: CNI,
1995.

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