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Doença e medicina na Idade Média

Para o historiador Jacques Le Goff a medicina na Idade Média se desenvolveu


muito próxima a religião, pois era considerada um dom divino cuidar do corpo que um
instrumento necessário para alcançar a salvação eterna. Enquanto os médicos cuidavam
do corpo os padres cuidavam do espírito.

Ambos os serviços eram pagos. Para os médicos levava-se em conta o processo


de formação àquela época muito mais livresco do que prático. Para os padres pagava-se
por um serviço exclusivo: a intercessão na hora da morte ajudando a passar pela provação

Purgatório:
do purgatório. Também se pagava para ser enterrado nos túmulos dos cemitérios da igreja
chamado de acreditando na maior aproximação de Deus.
terceiro lugar,
está entre o céu
e o inferno e se Aqueles que não podiam pagar pelos serviços dos médicos recorriam aos
o homem ainda
não “boticários” que com plantas faziam remédios, ou então aos hospitais, que eram lugares
completamente
purificado por criados pela igreja para atender os pobres.
ele passar,
obterá a A doença era vista como fruto do pecado e os doentes eram considerados hereges.
salvação
Enxergava-se no enfermo uma árdua luta contra o pecado visível em seu corpo, e se ele
morresse pela doença, considerava-se que não conseguiu redimir-se, pagando o preço do
pecado que era a morte.

Na sociedade cristã medieval, não há doença que atinja o corpo como um todo que
não seja simbólica e que não tenha uma significação espiritual. O doente é um pecador.
Mas havia doenças mais aceitas do que outras.

De acordo com o livro de Levítico, capítulo 13, versículo 46, o leproso será
impuro; ele habitará só e sua casa ficará fora do campo (...) o leproso se tornará um morto
vivo, privado de seus bens, distanciado de sua família e do seu ambiente social e material
(Le Goff & Nicolas Trung. Uma História do Corpo na Idade Média, p. 107).

Apesar de ser uma sociedade que dá pouca importância para a dor por considerar
o mundo como lugar do sofrimento do homem que após vive-lo e sofre-lo, entrará no
reino dos céus onde todo sofrimento será extinguido, a igreja católica institui os hospitais
como locais de caridade. Esse local passa a ser associado à pobreza, ou seja, um lugar
público onde pratica-se a caridade, mas é também o lugar onde se distinguem os falsos e
verdadeiros doentes que disputavam pelo atendimento, assim como os doentes
socialmente aceitáveis ou os não aceitos como os leprosos.
Referências: Le Goff; TRUNG, N. Viver e morrer na Idade Média In Uma História do Corpo na
Idade Média
Adaptado por Sabrina Sales Araújo