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FACULDADE MAURICIO DE NASSAU

CURSO ENGENHARIA CIVIL


DISCIPLINA: FUNDAMENTOS DA GEOLOGIA
PROF. DR. IDNEY CAVALCANTI DA SILVA
CAMPO DE TENSÃO E CÍRCULO MOHR - AULA 09
INTRODUÇÃO

Nesta nota de aula, serão revisados alguns conceitos e princípios básicos sobre tensões e
deformações, elasticidade, plasticidade e reologia, utilizados em Mecânica dos Solos, não
obstante, como é sabido, o real comportamento dos solos crie restrições às suas aplicações.
Serão considerados para tal estudo e análise, meios contínuos, deformáveis, homogêneos e
isótropos, ainda que tal situação não ocorra na prática, mas o modelo matemático e físico
de tais situações se ajustem a aplicação prática. De maneira mais ampla e unificada, os
estudos dos esforços que se manifestam no interior dos sólidos, líquidos e gases e as
correspondentes deformações ou fluxos destes materiais, pertencem à chamada Mecânica
dos Meios Contínuos.

TENSÃO

Conceitos fundamentais - Os esforços que solicitam um maciço, provenientes do seu peso


próprio, da carga de uma estrutura ou da ação de um veículo, produzem tensões na
totalidade dos seus pontos (ou de suas partículas). Para um ponto O de uma determinada
seção plana S de um corpo (figura 01a), distinguem-se a tensão  que atua na seção (tensão
tangencial ou de cisalhamento) e a que lhe é normal  (tensão normal, que pode ser de
tração ou compressão).
Para o ponto O numa seção no plano xOy, a figura 1b mostra-nos as componentes da tensão
de cisalhamento; o primeiro índice denota a direção da normal ao plano em que atua a
tensão e, o segundo, corresponde ao eixo em que é dirigida a tensão.

Figura 01: Tensões produzidas em uma determinada seção de uma porção de um maciço rochoso, produzidas
pela carga atuante.

Estado triplo de tensão - Como se sabe, o estado de tensão em torno de um ponto O (figura
02) de um maciço terroso fica perfeitamente caracterizado quando se conhecem as tensões
que atuam em três planos que formam um triedro triretângulo de vértice em O.
De fato, considerando-se um quarto plano, a uma distância h do ponto O, tomada sobre a
normal n ao plano, quando fizermos h  O, o tetraedro torna-se infinitesimal e os quatro
planos passarão por O.
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Figura 02: Tensões que atuam em três planos que


formam um triedro triretângulo de vértice em O.

Se chamarmos de Pnx, Pny e Pnz as componentes da resultante Pn que atua sobre a face
inclinada, e escrevermos as condições de equilíbrio das forças para cada direção x, y e z
obtemos:
 pnx   x cosn, x    yx cosn, y    zx cosn, z 

( I ) pny   xy cosn, x    y cosn, y    zy cosn, z 
 p   cosn, x    cosn, y    cosn, z 
 nz xz yz z

ou sob a forma matricial:

 p nx   x  yx  zx   cos  n , x  
p    y

 zy   cos  n , y 
 ny   xy
 p nz   xz  yz  z   cos( n , z ) 

Fundamentos matemáticos: os tensores - na Física e nas suas aplicações temos: as


grandezas escalares, como a densidade e a temperatura de um corpo, como valores de
medidas modulares apenas, ou seja um valor quantitativo numérico e, portanto,
caracterizadas apenas por um número (30 = 1); as grandezas vetoriais, como a velocidade a
força, por exemplo, que dependem dos eixos de referência e, assim, necessitam de três
componentes (31 = 3), para denotar direção e sentido no espaço tridimensional, e assim,
especificá-las completamente; e as grandezas tensoriais, que requerem nove componentes
(32 = 9) para defini-las.
Tais grandezas, expressas sob a forma de matrizes e que carecem de uma interpretação
geométrica simples, traduzem relações físicas sob uma forma intrínseca, portanto
independentemente dos eixos de referência. Matematicamente é um ente que satisfaz certa
lei de tranformação. No estudo das tensões é de interesse conhecer que todo tensor
definido por um matriz simétrica
t11 t12 t13 
T   t12 t 22 t 23 
t13 t 23 t33 
Pode ser decomposto em dois outros
t m 0 0  t11  t m t12 t13 
t t t
T   0 tm 0    t12 t 22  t m t 23  , com t m  11 22 33
3
 0 0 t m   t13 t 23 t33  t m 
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Simbólicamente, T   Tes   Tas  , onde [Tes] é denominado tensor esférico (as
componentes da diagonal são iguais a tm e todas as outras são nulas) e [Tas] é o tensor
antiesférico (tensor simétrico, sendo nula a soma das componentes da diagonal principal).
Pode-se também escrever:
T   tm . ij  Tas  , com δij o delta de Kronecker.
Tensor das tensões - Por meio das relações (I) verifica-se que o estado de tensão em um
ponto fica caracterizado pelas nove componentes ( x,  y,  z,  xy, xz,  yx,  yz,  zx,  zy) ou, em
outras palavras, pela grandeza
 x  xy  xz 
 
 yx  y  yz  , denominada tensor das tensões.
 zx  zy  z 
 

Sabe-se que esse tensor é simétrico, pois entre as tensões tangenciais, escrevendo-se as
equações de equilíbrio de momentos, obtém-se as relações (figura 03a):
xy = yx; xz = zx; zy = yz

Figura 03

Tensões principais - São de particular interesse em Mecânica dos Solos as chamadas tensões
principais (Definida como a tensão normal sobre um plano onde não há tensão de
cisalhamento).
Se o plano ABC é principal (figura 03b) e n é a tensão principal, suas componentes são:
 pnx   n cos( n, x)

 pny   n cos( n, y ) .
 p   cos( n, z )
 nz n

 x   n  cos( n, x)   yx cos( n, y )   zx cos( n, z )  0


Substituindo em (I), vem:  xy cos( n, x )   y   n cos( n, y )   zy cos( n, z )  0 .

 cos( n, x)   cos( n, y )      cos( n, z )  0
 xz yz z n

Tendo em vista a conhecida relação entre cossenos diretores:


cos 2 (n, x)  cos 2 (n, y )  cos 2 (n, z )  1

Verifica-se que cos(n, x), cos(n, y) e cos(n, z) não podem ser todos iguais a zero. Assim,
conclui-se pela regra de Cramer, que:
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 x   n  xy  xz 
 
  xy  y  n  yz   0
  xz  yz  z   n 

Desenvolvendo o determinante obtém-se a relação abaixo, chamada equação característica:
  n    n  I1 n  I 2 n  I 3  0
3 2

com:
I1   x   y   z
 x  xz  x  xy  y  yz 2 2 2
I2      x y   x z   y z   xy   xz   yz
 xz  z  xy  y  yz  z
 x  xy  xz
2 2 2
I 3   xy  y  yz   x y z   x yz   y xz   z xy  2 xy xz yz
 xz  yz  z

Porque I1 , I2 e I3 independem dos co-senos diretores e, portanto, independem dos eixos


coordenados, eles são chamados invariantes das tensões. As três raízes da equação
característica (n) = 0, são as tensões principais 1 , 2 e 3.
Quando referido a eixos dirigidos segundo  1 ,  2 e  3 o tensor representativo das tensões
torna-se simplesmente:
 1 0 0 
0  0 
 2

 0 0  3 

uma vez que as tensões cisalhantes (  ) são nulas. Em termos de tensões principais, as
expressões dos invariantes reduzem-se a:

I1   1   2   3
I 2   1 2   1 3   2 3 Tensores principais
I 3   1 2 3

Sobre três planos perpendiculares quaisquer, como I1 =  x +  y +  z , conclui-se que I1 é


constante e igual à soma das três tensões principais. Quando  2 =  3 = 0 (estado simples de
tensão, Fig. 04) o tensor reduz-se a:

 1 0 0
 0 0 0
 
 0 0 0

Se 1 = 2 = 3 = w (estado hidrostático de tensão) o tensor escreve-se:


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w 0 0  1 0 0 
 0 w 0   w 0 1 0   w
    ij

 0 0 w 0 0 1

indicando-se o tensor unitário pelo delta de Kronecker:

  1, i  j
 ij 
 0, i  j

Figura 04

Tensões octaédricas - De grande importância, são as chamadas tensões octaédricas ( Oct. ,


Oct), ou sejam as tensões que ocorrem nas faces do octaedro regular que tem por diagonais
as direções principais do estado triplo de tensão considerado (Fig. 05).

Figura 05.

Como se demonstra, o valor da tensão octatédrica normal é dado por:

1
 Oct   1   2   3 
3

E a tensão octaédrica tangencial:

1
 Oct   1   2 2   2   3 2   1   3 2
3

1 2
Ou ainda por:  Oct  I1  Oct .  I12  3I 2 , em funções invariantes.
3 3
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Figura 06

Exemplo 01: Para um ponto específico de um maciço, o estado de tensões é definido por

12 6 9 
 6 10 3  kg / cm 2 . Determinar o valor das tensões octaédricas.
 
 9 3 14

I1  12  10  14  36
I 2  12  10  12  14  10  14  6 2  9 2  32  302
1 36
Tem-se que:  Oct  I1   12kg / cm 3
3 3
2 2
 Oct  I12  3I 2  36 2  3.302  9,31kg / cm 3
3 3

No espaço de Haigh-Westergaard (Fig. 07) a reta passando pela origem e fazendo ângulos
 3
iguais    arccos  com os eixos coordenados, representa um estado hidrostático (eixo
 3 
hidrostático) de tensão: 1 = 2 = 3 = w. A tensão octaédrica normal situa-se sobre o eixo
hidrostático, e a tangencial lhe é perpendicular.

Figura 07: Espaço de Haigh-Westergaard

Com a introdução dos conceitos de invariante linear I1 e de tensão octaédrica normal:


 x  y  z 1
 Oct   I1
3 3
o tensor das tensões se decompõe em:
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 x  xy  xz   x   Oct  xy  xz 
  I1  
 xy  y  yz   3  ij    xy  y   Oct  yz 
 xz  yz  z    xz  yz  z   Oct 
  
expressões, respectivamente, dos tensores esférico e antiesférico.
Quando  2   3   r  1   r
Caso do ensaio de compressão triaxial, este tensor escreve-se, tendo em vista a clássica
decomposição vista, com
 1  2 r
m  ;
3
2 
3 0 0 
 1 0 0 1 0 0   
0    2 r  1
 r 0   1  0 1 0       0
 1 r  0 
3  3 
 0 0  r  0 0 1 0 1
 0  
3
onde, o primeiro é um tensor esférico definindo uma tensão hidrostática de intensidade
 1  2 r
e o segundo um tensor antiesférico caracterizado pelo desvio de tensões
3
 1   r  .
Para um estado hidrostático puro de tensão (1 = 2 = 3 = w, isto é, pressão uniforme em
w 0 0 
 
todas as direções), como vimos o tensor se reduz a: 0 w 0  w ij   Oct ij , pois,
 
 0 0 w
nesse caso w = Oct.

Exemplo 02: Calcule as tensão octaédricas normal para um ensaio de compressão triaxial,
onde 1 = 70 kPa e 3 = 15 kPa.
Solução:
 1  2 r 70  2.15 70  30 40
 Oct .      13,33kPa
3 3 3 3

Exemplo 03: Um determinado corpo está submerso a uma profundidade de 1.500 m. Qual a
tensão octaédrica sobre a superfície desse corpo. Consedere a = 1,025 g/cm3 e g = 9,81 m/s2.
Solução:
g kg .10 6 cm 3 m N .s 2 Pa.m 2
 1   .g .h  1,025  9,81  1 . 500 m 
cm 3 103 g .m 3 s2 kg .m N
 1  15,083MPa   Oct   1   2   3  15,083MPa

ESTADO PLANO DE TENSÃO

Muitos problemas que envolvem maciços terrosos permitem considerar apenas  3 e  1,


reduzindo-os, assim, a problemas planos. Nessas condições, estabeceremos as equações de
equilíbrio que se seguem.
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A figura 08 representa um ponto O dentro de uma massa sujeita a esforços, com OA o traço
do plano principal maior e OB o do plano principal menor. Vejamos como determinar as
tensões  e  sobre qualquer plano normal à figura e definido por sua inclinação  em
relação ao plano principal maior.

Figura 08: Ilustração esquemática de um corpo sujeito a


esforços normais  , cisalhantes  , e tensores principais
máximo 1 e mínimo 3.

Considerando OAB como um elemento infinitesimal, e tendo em vista as indicações dadas


na figura 09, escrevamos as equações de equilíbrio dessas forças.

Figura 09: Ilustração esquemática de


um corpo sujeito a esforços normais
, cisalhantes , e tensores principais
máximo  1 e mínimo  3, com a
dimensão infinitesimal da superfície
ds e suas conponentes com relações
angulares.

Tem-se, assim, respectivamente, nas direções normal e tangencial à AB:


 .ds   1.ds. cos 2    3 .ds.sen 2     1. cos 2    3 .sen 2
1  cos 2 1  cos 2
  1 3
2 2
 .ds   1.ds.sen . cos    3 .ds.sen . cos      1.sen . cos    3 .sen . cos 
   1   3 .sen . cos 

Aplicando uma simples transformação trigonométrica,

1   3 1   3
  cos 2
2 2
 3
 1 sen 2
2

que são as fórmulas que permitem conhecer, em função de 3 e 1, os valores de  e  sobre
qualquer plano AB definido por .
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A figura 10 mostra-nos a variação dos  e dos  para os diferentes valores de ; para  = 45°
1   3
ocorre o valor máximo  máx  .
2

Figura 10: Variação dos valores de  e de  para


dos diferentes valores de .

Exemplo 04: O plano AB faz um ângulo de 70° com o esforço máximo (  1) de 65 KPa.
Sabendo que a tensão mínima aplicada é de 15 KPa. Calcule as tensões normal e tangencial
atuantes no plano.

Solução:

90    70    20


1   3 1   3 65  15 65  15
  cos 2   cos 2  40  25. cos 2.20
2 2 2 2
  40  25. cos 40  40  25.0,766  59,15kPa
 3 65  15
 1 sen 2  sen 2.20  25.sen 40  25.0,643
2 2
  16,07 kPa

Exemplo 05: Na parte superior de um talude foi instalado uma carga de 20 KPa,
considerando tal carga como o esforço máximo sobre o talude, qual a maior tensão de
cisalhamento máximo atuante no solo? (Considere 3 = 0)

 1   3 20  0
Solução:  máx    10kPa
2 2

CÍRCULO DE MOHR

Se num sistema cartesiano ortogonal (, ) traçarmos três semi-círculos, como indicado na
figura 11, demonstra-se que o ponto representativo do estado de tensão sobre qualquer
seção inclinada em relação aos planos principais, situa-se na área hachurada limitada pelos
três semicírculos. Daí se conclui que a tensão máxima de cisalhamento é igual ao raio do
1   3
círculo maior:  máx  .
2
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Figura 11: Semi-írculos traçados (Círculo de Mohr) sobre
um plano cartesiano de abscissa  e ordenada  . O semi-
círculo maior tem centro posicionado no ponto
 1   3  1   3
 ,0  com raio igual a , e os dois
 2  2
semi-círculos traçados internamente tem os centros
posicionados respectivamente nas posições
2 3   2 
 ,0  e  1 ,0  , com raios iguais a
 2   2 
 2   3 1   2
e respectivamente.
2 2

Para um estado plano de tensão os valores de  e  , para um determinado , podem ser


obtidos graficamente pelo círculo de tensões ou círculo de Mohr (1870).

Para traçá-lo, tomam-se dois eixos ortogonais, figura 06, representando-se os  em abscissa
 1   3 
e os  em ordenada, e para coordenadas do centro  ,0  e para valor do raio r igual
 2 
1   3
a .
2

Figura 12: Círculo traçado (Círculo de Mohr) sobre um


plano cartesiano de abscissa  e ordenada  , com
centro posicionado no ponto   1   3 ,0  e raio igual a
 2 
1   3 .
2

O círculo em questão goza da seguinte propriedade: todo raio, que forma com o eixo das
abcissas um ângulo 2, corta o círculo num ponto D, cujas coordenadas são os valores de 
e . Com efeito, como facilmente se obtém do diagrama:

1   3    3 1   3
  r cos 2  1  cos 2
2 2 2
 3
  rsen 2  1 sen 2
2

o que verifica a propriedade.

Ainda sobre a construção de Mohr, sintetizada na figura 13, observamos que sendo Q um
ponto de um maciço terroso em que se conhecem as tensões  1 e  3 nas direções d1 e d3,
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para se conhecer as tensões neste ponto numa direção d, definida pelo ângulo  com a
direção d3, faz-se a seguinte construção (figura 14): por S1 tira-se uma paralela à d3 até
cortar o círculo de Mohr num ponto P, chamado pólo; por este ponto traça-se uma paralela
à direção d (ou seja uma reta formando com S1P o ângulo ) até cortar o círculo em D, cujas
coordenadas são as tensões em Q na direção d.

Figura 13: Semi-círculo de Mohr com valores


das tensões normais  e cisalhantes .

Figura 14: Semi-círculo de Mohr e os valores das


tensões normais  e cisalhantes  na direção d.

Exemplo 06: Um bloco rochoso está submetido a esforços principais 1 = 15 kPa e 3 = 7 KPa.
Quais as tensões normais e cisalhantes em um plano de falha inclinado a 25° da direção do
esforço máximo. Faça o mesmo cálculo para 70°.

Solução:

Para 25°:

90    25    65


1   3 1   3 15  7 15  7 22 8
  cos 2   cos 2.65   cos 130
2 2 2 2 2 2
 11  4. 0,643  11  2,571  8,43KPa  
 3 15  7 8
 1 sen 2  sen 2.65  sen130  4.0,766  3,064kPa  
2 2 2

Para 70°:
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90    70    20
1   3 1   3 15  7 15  7 22 8
  cos 2   cos 2.20   cos 40
2 2 2 2 2 2
 11  4.0,766   11  3,064  14,06 KPa  
 3 15  7 8
 1 sen 2  sen 2.20  sen 40  4.0,643  2,57 kPa  
2 2 2

Se duas das tensões principais são nulas (2 = 3 = 0), estado simples de tensão, o círculo de
1
Mohr é o indicado na figura 15, caso em que para  = 45° obtém-se  máx  .
2

Figura 15: Representação gáfica das


tensões normais e cisalhante para
1 = w e 2 = 3 =0.

Se as três tensões principais são iguais,  1 =  2 =  3 = w, a representação se reduz a um


ponto (Fig. 16).

Figura 16: Representação gáfica das tensões


normais e cisalhante para 1 = 2 = 3 = w.

Consequentemente em todas as facetas em tomo do ponto,  = constante e  = 0.

Exemplo 07: Uma tensão normal de 13 KPa atua no plano simultâneamente com uma
tensão cisalhante máxima de 3 KPa. Quais os valores de 1 e 3.

 1   3
 2  13   1   3  26
  2 1  32   1  16kPa
Solução:   1   3
 3  1   3  6
 2
 16   3  6   3  16  6   3  10kPa

CONDIÇÕES DE EQUILÍBRIO INTERNO


FACULDADE MAURICIO DE NASSAU
CURSO ENGENHARIA CIVIL
DISCIPLINA: FUNDAMENTOS DA GEOLOGIA
PROF. DR. IDNEY CAVALCANTI DA SILVA
CAMPO DE TENSÃO E CÍRCULO MOHR - AULA 09
Considerando-se um paralelepípedo elementar de arestas dx, dy e dz, em torno de um ponto
qualquer O de um corpo (Fig. 17) e escrevendo-se as equações de equilíbrio, em cada
direção, entre as nove componentes da tensão, obtém-se as equações diferenciais de
Cauchy:

  x  yx  zx
   X 0
 x y z
  xy  y  zy
   Y  0 Figura 17: Infinitésima porção
 x y z da rocha representada por um
  xz  yz  z paralelepípedo de dimensões
 x  y  z  Z  0 dx, dy e dz.

que expressam as chamadas condições de equilíbrio interno, com X, Y e Z as componentes


das "forças de massa", por unidade de volume.

Estabeleçamos, a seguir, as condições de equilírio interno para o estado duplo de tensão,


supondo-se uma das dimensões muito grande em relação às outras, casos, por exemplo, de
um aterro ou de um túnel (Fig. 18).

Figura 18: Seção de um aterro e de um túnel, exemplos de aplicação de cálculos de tensão no solo para obras de
engenharia.

Considerando-se um elemento de dimensões dx e dz, de peso específico , e escrevendo as


equações de equilíbrio (horizontal e vertical) das tensões normais e tangenciais indicadas na
figura 19, tem-se:

   x    zx 
   x  x dx dz   x dz   zx  z dz dx   zx dx  0
   

  z   z dz dx   z dx   xz   xz dx dz   xz dz   .dxdz
 z   x 
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Figura 19.

de onde se obtém:

  x  zx
 x  z  0
  
 z  xz  
 z x

que são as equações de equilíbrio no plano, com  o peso específico do material.

Para um ponto de coordenadas r e  (Fig. 20), as equações de equilíbrio em coordenadas


polares, escrevem-se:

 r 1  r  r   
 .    cos 
r r  r
 r 1   
 .  2 r  sen
r r  r

Figura 20

EXERCÍCIOS

01. Para um ponto específico de um maciço, o estado de tensões é definido por

5,75 2,50 3,00 


2,50 4,50 2,25 kg / cm 2 . Determinar o valor das tensões octaédricas.
 
3,00 2,25 6,25
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02. Calcule as tensões octaédricas normal para um ensaio de compressão triaxial, onde  1 =
80 kPa e 3 = 25 kPa.

03. Um determinado corpo está submerso a uma profundidade de 1.200 m. Qual a tensão
octaédrica sobre a superfície desse corpo. Consedere a = 1,025 g/cm3 e g = 9,81 m/s2.

04. O plano AB faz um ângulo de 70° com o esforço máximo ( 1) de 85 KPa. Sabendo que a
tensão mínima aplicada é de 20 KPa. Calcule as tensões normal e tangencial atuantes no
plano.

05. Na parte superior de um talude foi instalado uma carga de 25 KPa, considerando tal
carga como o esforço máximo sobre o talude, qual a maior tensão de cisalhamento máximo
atuante no solo? (Considere 3 = 0)

06. Um bloco rochoso está submetido a esforços principais 1 = 18 kPa e 3 = 6 KPa. Quais as
tensões normais e cisalhantes em um plano de falha inclinado a 35° da direção do esforço
máximo. Faça o mesmo cálculo para 65°.

07. Uma tensão normal de 18 KPa atua no plano simultâneamente com uma tensão
cisalhante máxima de 2,5 KPa. Quais os valores de 1 e 3.

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