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Anatomia

2016/2017

My

SISTEMA N ERVOSO
AUTÓNOMO
can’t be this cute!

Catarina C Duarte
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Índice
Generalidades ............................................................................................................................... 3
Porção cervical do sistema nervoso simpático ............................................................................. 4
Porção cefálica do sistema nervoso simpático ............................................................................. 7
Sistema nervoso parassimpático craniano.................................................................................. 10
Porção torácica do sistema nervoso simpático ........................................................................... 12
Porção abdominal do sistema nervoso simpático ...................................................................... 15
Porção pélvica do sistema nervoso simpático ............................................................................ 18
Sistema nervoso parassimpático pélvico ou sagrado ................................................................. 20
Sistema nervoso entérico ............................................................................................................ 20

Agradecimentos
Aos meus pais, por me terem feito.
À minha gata, por me aquecer o colo e tirar nacos de carne, mas eu também não preciso deles.
À anatomia, sem a qual eu nunca teria tido a motivação para fazer este resumo.
Ao paint, por me deixar fazer obras de arte diariamente.
Ao word, apesar de ter andado a encravar o tempo todo.
Ao Netter, por fazer imagens bonitas de coisas que na vida real são todas da mesma cor.
Agradecia ao Rouvière mas fica para outro dia (continua).
Ao ASS, por ainda falar comigo vai-se lá saber porquê.
Devia estar a estudar em vez de fazer isto que nunca ninguém vai ver (idem).
Ao meu almoço, por me dar a glucose que necessito para não entrar em hipoglicémia.
Ao meu sutien, por me dar sempre o suporte que eu preciso.
Ao meu cão, por não me acordar para o ir passear.
Aos meus phones, por me salvarem de dar explicações.
E, finalmente, à minha cama, tu sabes.

Ano novo, nómina nova, nova edição: 3ª edição versão 3.14 ©. Featuring: terminologia
anatómica entre parenteses.

Este trabalho é baseado no Rouvière. Como tal, é essencialmente descritivo e poderão encontrar
diferenças funcionais quando comparado com obras mais recentes.

Para me contactarem, em caso de erros ou dúvidas, basta sacrificarem sangue virgem no centro
de um pentágono à meia-noite e eu apareço quando a minha agenda estiver livre.
(Ou usem o meu mail: catarina.duarte1@campus.ul.pt)

You better study or else….


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GENERALIDADES
O sistema nervoso vegetativo ou visceral controla as funções viscerais de uma forma
independente da vontade. Este inclui vias aferentes, que ligam as vísceras ao SNC e vias
eferentes, que ligam o SNC às vísceras. A estas vias eferentes dá-se o nome de sistema nervoso
autónomo.

O SNA divide-se no sistema nervoso simpático e no parassimpático, que à primeira vista


possuem ações antagónicas, sendo mais correto, no entanto, dizer que são complementares.

Sistema Nervoso Simpático Sistema Nervoso Parassimpático


Origem das fibras Distribuição tóraco-lombar Distribuição crânio-sagrada
eferentes Medula espinhal de T1 a L2 ou Pares cranianos III, VII, IX e X
L3 Medula espinhal de S2 a S4
Fibras pré-ganglionares Curtas Longas
Fibras pós-ganglionares Longas Curtas
Padrão de inervação Difuso (fibras pré-ganglionares Discreto e localizado (as fibras
sinapsam com muitas fibras pré-ganglionares sinapsam com
pós-ganglionares, razão 1:10) poucas fibras pós-ganglionares,
Sinapsam com a medula supra- razão de 1:3)
renal
Neurotransmissores Noradrenalina e acetilcolina Acetilcolina
Funções Fight or Flight Rest and Digest

O SNS é composto por duas cadeias de gânglios simpáticos vertebrais (ou látero-vertebrais ou
para-vertebrais), ligados por um cordão intermediário, de cada lado da linha média. Os
neurónios centrais do SNS estão localizados nos centros vegetativos medulares da medula
dorsal, lombar superior e cervical.

Compartimentos víscero-nervosos
Existem quatro compartimentos víscero-nervosos que correspondem a centros ganglionares
látero-vertebrais:
 Mediastínico anterior (centro formado pelos gânglios cervicais)
 Mediastínico posterior (centro formado pelos cinco primeiros gânglios torácicos)
 Tóraco-lombar (centro formado pelos seis últimos gânglios torácicos)
 Lombo-pélvico (centro formado pelos gânglios lombares e sagrados)

Em cada um destes compartimentos é possível distinguir ramos comunicantes, gânglios


simpáticos látero-vertebrais, nervos esplâncnicos e um grupo de vísceras com os seus plexos
nervoso.

Distinguem-se assim:

 Nervos esplâncnicos mediastínicos anteriores – nervos cardíacos (plexo cardíaco e


pulmonar).
 Nervos esplâncnicos mediastínicos posteriores – nervos que se destacam do centro
mediastínico posterior (esófago, aorta torácica e plexos da artéria brônquica).
 Nervos esplâncnicos abdominais – dois nervos que atravessam o diafragma e inervam
todas as vísceras do abdómen.
 Nervos esplâncnicos pélvicos – inervação dos órgãos pélvicos.
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PORÇÃO CERVICAL DO SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO


Situação e Relações
 O cordão simpático cervical compreende dois ou três gânglios unidos por um cordão
intermediário.
 Constitui o centro cérvico-mediastínico anterior que contribui para formar os plexos
cardíaco e pulmonar (no tórax).
 Situa-se posteriormente ao feixe vásculo-nervoso do pescoço, aplicado sobre a
aponevrose cervical profunda (que o separa dos músculos pré-vertebrais e vértebras
cervicais).

Feixe vásculo-nervoso do pescoço


Cordão simpático

Aponevrose cervical profunda


ou dos músculos pré-vertebrais

Gânglios cervicais
 Gânglio cervical superior – volumoso e fusiforme (4 cm). Relaciona-se posteriormente
com o músculo recto anterior e anteriormente com o feixo vásculo-nervoso retro-
estiloideu.

 Gânglio cervical médio – inconstante. Relaciona-se posteriormente com a apófise


transversa de C6 e anteriormente com o feixe vásculo-nervoso do pescoço.

 Gânglio cervical inferior ou Gânglio estrelado – resulta da união do gânglio cervical


inferior prop. dito e do 1º gânglio torácico. É geralmente composto por duas partes
unidas por cordões ou filetes nervosos.
Situa-se superior e posteriormente à cúpula pleural na fosseta supra-retro pleural. A
artéria e veia vertebrais passam
anteriormente.

Fosseta supra-retro-pleural. Limites:


 Ligamento vertebro-pleural (por dentro)
 Ligamento costo-pleural (por fora)
 Extremidade posterior da 1ª costela (atrás)
 Ligamento vertebro-pleuro-costal ou músculo
pequeno escaleno (por cima e por fora)
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Cordão intermediário
Une os três gânglios do cordão simpático cervical e continua-se com o cordão simpático torácico.

Ao nível do gânglio médio pode dividir-se para dar passagem à artéria tiroideia inferior. Depois
divide-se em dois cordões secundários:

 Um deles continua o trajeto do cordão até ao gânglio cervical inferior.


 O outro, constituído por vários filetes nervosos, desce anteriormente à artéria vertebral,
depois cruza as faces anterior, inferior e posterior da artéria subclávia e termina no
gânglio cervical inferior, formando a Ansa de Vieussens.

Gânglio cervical superior

Gânglio cervical médio

Ansa de Vieussens
Gânglio cervical inferior ou estrelado

Ramos anastomóticos dos gânglios cervicais .


Gânglio cervical superior anastomosa-se:

 Com o gânglio jugular (gânglio superior do pneumogástrico) e gânglio de Andersh


(gânglio inferior do glossofaríngeo) através do nervo jugular.
 Nervo glossofaríngeo (IX)
 Nervo pneumogástrico (X)
 Nervo grande hipoglosso (XII)
 Ramos anteriores dos nervos de C1 a C3 ou C4.

Fornece o nervo carotídeo, que sobe posteriormente à artéria carótida interna e penetra no
canal carotídeo. Forma em redor da artéria o plexo carotídeo e depois, no seio cavernoso, o
plexo cavernoso.

Anastomosa-se através do plexo carotídeo:

 Gânglio esfeno-palatino
 Gânglio oftálmico
 Gânglio de Gasser
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 Nervos que percorrem a parede do seio cavernoso (Motor ocular comum, patético ou
troclear e nervo oftálmico do trigémeo)
 Anastomosa-se através do plexo cavernoso com o gânglio de Gasser (do trigémeo) – a
anastomose cervico-gasseriana de François Franck (transmissão dos impulsos irido-
dilatadores).

Gânglio oftálmico

Gânglio de Gasser

Gânglio jugular Plexo cavernoso


Plexo carotídeo
Gânglio Andersh

Gânglio esfeno-palatino

Nervo carotídeo

O gânglio cervical médio une-se por ramos comunicantes aos ramos anteriores dos nervos
C5 e C6.

O gânglio cervical inferior anastomosa-se com:


 Nervos C7 e C8
 1º nervo dorsal
 Nervo cardíaco médio
 Nervo frénico
 Através do nervo vertebral aos nervos de C4 a C7

Ramos periféricos dos gânglios cervicais


Ramos do gânglio cervical superior

 Ramos vasculares ou carotídeos – número variável, descem ao longo da artéria carótida


interna. Formam a nível da bifurcação da carótida primitiva o plexo inter-carotídeo
(juntamente com o pneumogástrico e glossofaríngeo).
O plexo inter-carotídeo inerva o seio carotídeo e o corpúsculo carotídeo.

 Ramos faríngeos – formam o plexo faríngeo, juntamente com o pneumogástrico e


glossofaríngeo.

 Ramos esofágicos – parte superior do esófago.

 Ramos laríngeos – foram juntamente com os ramos laríngeos do pneumogástrico o


plexo de Haller, que dá ramos para a laringe e glândula tiroideia (plexo tiroideu).
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 Nervo cardíaco superior – destaca-se deste gânglio ou do cordão intermediário, desce


posteriormente ao feixe vásculo-nervoso do pescoço (num desdobramento da
aponevrose cervical profunda).
O nervo cardíaco superior direito termina posteriormente à aorta no plexo cardíaco
posterior.
O nervo cardíaco superior esquerdo termina tanto no plexo cardíaco posterior como
no anterior.

Ramos do gânglio cervical médio

 Ramos vasculares – acompanham a artéria tiroideia inferior.

 Nervo cardíaco médio – termina no plexo cardíaco posterior. Quando este gânglio não
existe, o nervo destaca-se do cordão intermediário.

Ramos do gânglio cervical inferior

 Ramos vasculares – para a artéria subclávia.

 Nervo vertebral – um ramo satélite da artéria vertebral. Nasce por raízes anteriores à
artéria e duas raízes posteriores que se unem para formar o nervo. Ascende até à
vertebra C4, situando-se à frente do interstício que separa a artéria da veia (mais
externa).
Dá ramos vasculares para o tronco basilar e fornece as raízes simpáticas dos nervos sino-
vertebrais (para as meninges).

 Nervo cardíaco inferior – contribui para formar o plexo cardíaco posterior.

Os nervos cardíacos superior, médio e inferior representam os nervos esplâncnicos


mediastínicos anteriores.

PORÇÃO CEFÁLICA DO SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO


Compreende três gânglios principais – gânglio oftálmico, gânglio esfeno-palatino e gânglio
ótico – unidos pelo plexo carotídeo e plexo da artéria meníngea média.

Existem ainda os gânglios submaxilar e sublingual.

Gânglio oftálmico
Situa-se na face externa do nervo óptico, anteriormente ao canal óptico.

Ramos aferentes
Recebe pela extremidade posterior:

1. Raiz motora – do nervo do músculo pequeno oblíquo (ramo do motor ocular comum).
Também chamada raiz parassimpática.

2. Raiz sensitiva – do nervo nasal (ramo do nervo oftálmico do trigémeo)

3. Raiz simpática – nasce do plexo carotídeo.


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Ramos eferentes

 Nervos ciliares curtos – destacam-se cinco a seis, do bordo anterior do gânglio.


Perfuram a esclerótica em redor do nervo óptico e destinam-se à esclerótica, córnea,
coroideia, corpo ciliar e iris.

 Nervo de Tiedman – destaca-se dos nervos ciliares curtos e penetra no nervo óptico com
a artéria central da retina.

Raiz sensitiva
Gânglio Raiz simpática
oftálmico

Nervos ciliares Raiz motora ou


curtos parassimpática

Gânglio esfeno-palatino
Espessamento na extremidade anterior do nervo vidiano. Situa-se na parede posterior do
transfundo da fossa ptérigo-maxilar.

O nervo vidiano (pterigoideu) resulta da anastomose do nervo grande petroso profundo


(glossofaríngeo), nervo grande petroso superficial (facial) e um ramo simpático do plexo
carotídeo. Recebe este ramo superiormente à lâmina fibrosa que obtura o buraco lácero
anterior ou na sua espessura.

Ramos eferentes
 Incorporam-se no nervo esfeno-palatino e terminam na mucosa buco-naso-faríngea.
 Fibras eferentes incorporam-se no ramo orbitário do nervo maxilar superior e dirigem-
se à glândula lacrimal (através da anastomose com o nervo lacrimal.
Glândula lacrimal

Ramo simpático
do plexo carotídeo

Gânglio esfeno-palatino
Nervo vidiano
no canal vidiano
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Gânglio ótico
Situa-se inferiormente ao buraco oval, sobre a face interna do nervo maxilar inferior.

Neste gânglio termina o nervo formado pela união do nervo pequeno petroso superficial (facial),
nervo pequeno petroso profundo (glossofaríngeo) e um ramo simpático do plexo da artéria
meníngea média.

Ramos eferentes

 Dirigem-se aos ramos sensitivos do nervo maxilar inferior, em especial ao nervo


aurículo-temporal, inervando a parótida através dele.
 Para o tronco comum dos nervos do músculo periestafilino externo (tensor do véu do
palato), pterigóideo interno (levantador do véu do palato) e músculo do martelo.
 Para a corda do tímpano.

Gânglio
Nervo aurículo-
ótico
temporal
Nervo
Gânglio ótico pequeno
petroso

Gânglio
cervical
Artéria superior
meníngea
média

Gânglio submaxilar e Gânglio sublingual


O gânglio submaxilar situa-se entre o nervo lingual e o bordo superior da glândula submaxilar.

O gânglio sublingual encontra-se no trajeto do nervo lingual, na face externa da glândula


sublingual.

Recebem filetes do nervo lingual (nervo maxilar inferior do trigémeo), corda do tímpano (facial)
e do plexo simpático da artéria facial. Emitem ramos para as glândulas submaxilar e sublingual.

Corda do Nervo lingual


tímpano

Gânglio
submaxilar
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SISTEMA NERVOSO PARASSIMPÁTICO CRANIANO


As fibras do sistema nervoso parassimpático entram na constituição de certos nervos cranianos:
 Motor ocular comum
 Nervo facial e intermediário de Wrisberg
 Nervo glossofaríngeo
 Nervo pneumogástrico

Nervo motor ocular comum


As fibras parassimpáticas tem origem no núcleo pupilar, núcleo fotomotor ou núcleo de
Edinger-Westphal.

Dirigem-se até ao gânglio oftálmico através da sua raiz motora ou raiz parassimpática.

Do gânglio partem fibras através dos nervos ciliares curtos para:


 Músculo constritor da íris (fibras irido-constritoras para a miose)
 Porção anular do músculo ciliar ou músculo de Rouget (para a acomodação)

Núcleo de Edinger- Nervo motor ocular Nervos ciliares curtos


Westphal comum
Gânglio oftálmico

Núcleo motor
principal

Nervo facial e nervo intermediário de Wrisberg


As fibras parassimpáticas destes nervos dividem-se em dois grupos:
1. Têm origem no núcleo lacrimo-muco-nasal e vão para o gânglio esfeno-palatino
através do nervo grande petroso superficial (nervo vidiano/pterigoideu). As fibras
terminam:
 Na glândula lacrimal
 Nas fossas nasais, véu do palato e faringe (através de ramos no nervo esfeno-
palatino do maxilar superior)

2. Têm origem no núcleo salivar superior e vão até às glândulas submaxilar e sublingual
através da anastomose da corda do tímpano com o nervo lingual.
Glândula lacrimal Nervo vidiano
Núcleo lacrimo-muco-nasal
(não representado)
Gânglio Nervo
esfeno- facial
Núcleo motor principal palatino
Nervo facial
Corda do
Nervo lingual tímpano
Núcleo salivar
superior

Gânglio submaxilar
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Nervo glossofaríngeo
A porção parassimpática do nervo compreende dois núcleos:
 Núcleo salivar inferior (secretor) cujas fibras constituem o nervo pequeno petroso
profundo (a partir do nervo timpânico de Jacobson). Este nervo termina no gânglio
ótico. Daí partem fibras que alcançam a parótida através do nervo aurículo-temporal do
trigémeo.
 Núcleo redondo (víscero-sensitivo).
Nervo aurículo-temporal
Gânglio
Núcleo salivar inferior ótico

Núcleo redondo Núcleo


salivar
inferior
Nervo glossofaríngeo
Nervo
Núcleo ambíguo pequeno
petroso
profundo

Nervo pneumogástrico
A porção parassimpática do pneumogástrico compreende dois núcleos:
 Núcleo dorsal do vago (víscero-motor)
 Núcleo cardio-pneumo-gastro-entérico (víscero-sensitivo)

Estes núcleos emitem fibras que que se dirigem ao coração e quase totalidade do aparelho
respiratório (exceto fossas nasais) e aparelho digestivo (exceto boca, colón esquerdo e recto).

Estas fibras são fibras nervosas pré-ganglionares que terminam nos gânglios e plexos viscerais
dos órgãos que inervam:

 Plexo cardíaco
 Plexo pulmonar
 Plexo solhar/celíaco (e plexo mesentérico superior)
 Plexos submucoso de Meissner e mioentérico de
Auerbach (sistema nervoso entérico)

Núcleo dorsal do vago


Núcleo cardio-pneumo-gastro-entérico

Nervo pneumogástrico Plexo


cardíaco

Plexo solhar

Plexos de
Meissner e
Auerbach
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PORÇÃO TORÁCICA DO SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO


Cadeia simpática torácica
A cadeia simpática torácica compreende geralmente onze gânglios (por vezes doze), uma vez
que o primeiro gânglio torácico se confunde com o gânglio cervical inferior, formando o gânglio
estrelado.

O cordão intermediário é normalmente único, podendo estar divido em cordões paralelos.

Os gânglios torácicos encontram-se anteriormente às articulações costo-vertebrais.

A cadeia simpática torácica relaciona-se:


 Posteriormente, com os vasos intercostais aórticos
 Anteriormente, acima e à esquerda é recoberta pela aorta
 Relaciona-se com a fáscia endotorácica e pleura correspondente
 A grande veia ázigos sobre ântero-internamente ao cordão simpático direito

Ramos comunicantes
Cada gânglio está único aos nervos intercostais vizinhos por:

 Um ou dois ramos comunicantes cinzentos (amielinizados), transversais.


 Um ou dois ramos comunicantes brancos (mielinizados), oblíquos, que se continuam
pelos nervos esplâncnicos.

Ramos comunicantes brancos

Ramos comunicantes
cinzentos

Gânglio estrelado

Nervo grande esplâncnico

Nervo pequeno esplâncnico

Ramos periféricos
Os gânglios torácicos formam de cada lado o centro mediastínico posterior e o centro de
origem macroscópica dos nervos esplâncnicos abdominais.

Ramos superiores

Nascem dos quatro ou cinco primeiros gânglios e dirigem-se para os órgãos intra-torácicos.

 Ramos esofágicos – contribuem para formar o plexo esofágico.


 Ramos aórticos – para a aorta, formando o plexo aórtico.
 Ramos pulmonares – para o plexo pulmonar posterior e coluna vertebral.
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Ramos pulmonares

Podem distinguir-se dois plexos pulmonares, cada um formado por ramos pulmonares do
pneumogástrico e do tronco simpático, anastomosados posteriormente à bifurcação traqueal:
 Anterior – anteriormente aos pedículos pulmonares
 Posterior – posteriormente a estes.

Estes dois plexos podem ser divididos do ponto de vista anátomo-funcional em:
 Plexo funcional – compreende o plexo pulmonar anterior e maior parte do posterior.
Os ramos provêm em parte do plexo cardíaco.
 Plexo nutridor – formado por ramos provenientes do centro mediastínico posterior do
simpático.

Ramos inferiores

Provêm dos seis ou sete últimos gânglios torácicos e distribuem-se pelos órgãos intra-
abdominais. Formam os nervos grande e pequeno esplâncnico (nervos esplâncnicos maior e
menor).

Nervo grande esplâncnico


 Resulta da união de ramos que vêm do 6º ao 9º gânglio torácicos.
 Desce aplicado na face lateral dos corpos vertebrais.
 Atravessa o diafragma entre o feixe principal e o feixe acessório do pilar
correspondente.
 Une-se ao gânglio semilunar ou celíaco do mesmo lado.
 Vai entrar na constituição dos plexos solhar (ou celíaco), renal e supra-renal.
 A nível da 10ª ou 11ª vértebra apresenta frequentemente uma dilatação – o gânglio
esplâncnico ou de Lobstein.

Nervo pequeno esplâncnico


 Formado pelos ramos inferiores do 10º, 11º e 12º gânglios torácicos.
 Desde póstero-externamente ao nervo grande esplâncnico.
 Atravessa o diafragma pelo interstício onde passa o cordão simpático.
 Divide-se em três grupos de ramos:
o Para o gânglio semilunar ou celíaco (plexo solhar ou celíaco)
o Gânglio mesentérico superior
o Plexo renal

Quando a raiz proveniente do 12º gânglio torácico é independente, forma o nervo esplâncnico
inferior, que se une ao plexo renal.

Plexo solhar

Gânglios semilunares
Gânglios renais

Gânglio
mesentérico superior
Nervo grande
esplâncnico

Cordão simpático
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Plexo cardíaco
O plexo cardíaco é formado pelas anastomoses entre os ramos cardíacos do pneumogástrico
(vago) e do tronco simpático.

Os ramos simpáticos provêm dos gânglios cervicais, sendo que os nervos cardíacos superior,
médio e inferior nascem dos gânglios cervicais superior, médio e inferior, respetivamente.

Os ramos cardíacos do pneumogástrico também são três:


 Superior – destaca-se do pneumogástrico cervical.
 Médio – provem do nervo laríngeo recorrente.
 Inferior – destaca-se do pneumogástrico abaixo do nervo laríngeo recorrente.

O plexo cardíaco divide-se em duas partes:

 Plexo cardíaco anterior – na face anterior da aorta. É formado por:


o Nervos cardíacos superiores do pneumogástrico
o Nervo cardíaco superior esquerdo do cordão simpático

 Plexo cardíaco posterior – mais extenso, situado anteriormente à traqueia, na face


posterior da crossa da aorta. É formado por:
o Nervos cardíacos médios e inferiores do pneumogástrico.
o Todos os ramos cardíacos do simpático, exceto o nervo cardíaco superior
esquerdo.

Estes plexos unem-se por anastomoses inferiormente à crossa da aorta. Estas formam na sua
espessura o gânglio cardíaco de Wrisberg, que se situa entre a crossa da aorta, superiormente,
a artéria pulmonar, inferiormente, e o ligamento arterial, externamente.

Dos plexos cardíacos partem ramos para:


 Artéria aorta
 Artéria pulmonar
 Aurículas (em particular a direita, formando-se o plexo de Perman)
 Artérias coronárias (maioria dos ramos, em redor das quais se foram os plexos
coronários direito e esquerdo).

Nervo pneumogástrico Gânglio cervical superior

Gânglio cervical médio

Gânglio cervical inferior


Plexo cardíaco ou estrelado

Gânglio de Wrisberg

Plexos coronários
direito e esquerdo
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PORÇÃO ABDOMINAL DO SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO


Cadeia simpática lombar
É a continuação da cadeia simpática torácica. Geralmente constituída por quatro gânglios
lombares unidos pelo cordão intermediário.

As cadeias simpáticas lombares situam-se:


 Face anterior da coluna lombar
 Internamente ao músculo psoas
 À direita, a cadeia é posterior à veia cava inferior
 À esquerda, a cadeia é ligeiramente coberta pela aorta e gânglios linfáticos

Ramos comunicantes

Cada gânglio está ligado aos nervos lombares vizinhos:


 Os dois primeiros gânglios por um ramo comunicante cinzento (transversal) e um
branco (oblíquo).
 Os dois últimos gânglios dão ramos comunicantes cinzentos.

Ramos periféricos

 Filetes para a coluna lombar, filetes satélites das artérias lombares e filetes musculares
para o músculo psoas (pouca importância).
 Maioria dos ramos eferentes dirigirem-se anteriormente, rodeando a aorta:
o Terminam no plexo intermesentérico
o Constituem os nervos esplâncnicos pélvicos

Plexo solhar ou celíaco


Situado em redor das origens do tronco celíaco e artéria mesentérica superior. Ocupa,
anteriormente à aorta, o espaço compreendido:
 Entre o orifício aórtico do diafragma, superiormente
 As artérias renais, inferiormente
 As capsulares supra-renais, lateralmente

Constituição

Gânglios

 Gânglios semilunares ou celíacos – situam-se à direita e à esquerda da aorta,


anteriormente ao tronco celíaco.
O gânglio direito recebe na sua extremidade póstero-externa o nervo grande
esplâncnico (maior) e na sua extremidade ântero-interna o pneumogástrico direito,
formando a Ansa memorável de Wrisberg. Recebe ainda ramos do nervo frénico direto
e do pequeno esplâncnico.
O gânglio esquerdo recebe pela extremidade póstero-externa o nervo grande
esplâncnico e pela extremidade ântero-interna um ramo do pneumogástrico direito,
formando a ansa de Laignel-Lavastine. Recebe ainda filetes do pequeno esplâncnico.

 Gânglios mesentéricos superiores – situados de ambos os lados da artéria mesentérica


superior e abaixo desta.
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 Gânglios renais – anteriores à origem das artérias renais.

Ramos aferentes

 Nervo grande esplâncnico (esplâncnico maior) – alcançam a extremidade póstero-


externa dos gânglios semilunares correspondentes.

 Nervo pneumogástrico (vago) direito – dá um ramo à extremidade ântero-interna do


gânglio semilunar (celíaco) direito, formando com o grande esplâncnico a ansa
memorável de Wrisberg.
Dá também um ramo para a extremidade ântero-interna do gânglio semilunar (celíaco)
esquerdo formando uma ansa análoga à anterior – ansa de Laignel-Lavastine.

 Nervo pequeno esplâncnico (esplâncnico menor) – divide-se em filetes que terminam


nos gânglios semilunar, mesentérico superior e renal do mesmo lado.

Ramos eferentes ou periféricos

Do plexo solhar ou celíaco nascem plexos secundários para todos os órgãos do abdómen.
Acompanham os ramos da aorta.

 Plexos diafragmáticos – acompanham as artérias diafragmáticas inferiores.

 Plexos suprarrenais – divide-se em três plexos:


o Plexo suprarreno-diafragmático – acompanham a artéria supra-renal superior.
o Plexo suprarreno-solhar (celíaco) – acompanha a artéria supra-renal média.
o Plexo suprearreno-renal – acompanham a artéria supra-renal inferior.

 Plexo celíaco propriamente dito – em torno do tronco celíaco. Divide-se em três:


o Plexo coronário estomáquico – acompanha a artéria coronária estomáquica
(artéria gástrica esquerda). Anastomosa-se com os dois pneumogástricos na
pequena curvatura do estomago.
o Plexo hepático – acompanha a artéria hepática. Deste plexo destaca-se o plexo
coledociano, que acompanha o canal hépato-colédoco.
o Plexo esplénico – acompanha a artéria esplénica, dando o plexo pancreático, e
ramos para o estomago.

 Plexo mesentérico superior – acompanha a artéria mesentérica superior, dirigindo-se


para o intestino onde formam uma arcada nervosa.

 Plexos renais – apresentam uma disposição peri-arterial (artérias renais). Apresentam


alguns gânglios, sendo o mais frequente o gânglio renal posterior de Hirschfeld, que é
posterior à artéria renal, perto da sua origem.

 Plexos espermático ou ováricos – satélites das artérias homónimas.

 Plexo intermesentérico – na face anterior e lateral da aorta, no espaço entre as artérias


mesentéricas superior e inferior. Unem-se a ramos dos dois primeiros gânglios lombares
para formar os nervos esplâncnicos pélvicos.
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Plexo mesentérico inferior


É formado por:
 Gânglios
 Ramos aferentes – provenientes do plexo intermesentérico
 Ramos eferentes – uns acompanham a artéria mesentérica inferior e outros descem
anteriormente à aorta, constituindo a raiz mediana dos nervos esplâncnicos pélvicos.

Nervo pequeno Nervo grande Gânglios semilunares


esplâncnico esplâncnico
Gânglio mesentérico superior
Plexo renal
Plexo intermesentérico Plexo
Plexo espermático ou ovárico coronário
Plexo mesentérico inferior estomáquico

Plexo
hepático

Plexo
esplénico

Plexo celíaco
prop. dito

Nervos esplâncnicos pélvicos


Os nervos esplâncnicos pélvicos, um de cada lado, são formados, por no seu conjunto, três
raízes, duas laterais e uma mediana.

Cada nervo esplâncnico pélvico é constituído pela raiz lateral do mesmo lado e por filetes
nervosos da raiz mediana.

 Raiz lateral – resulta da união de quatro ramos provenientes dos quatro gânglios
lombares.
 Raiz mediana – nascem do plexo mesentérico inferior e descem anteriormente à aorta,
anastomosando-se entre elas e com as raízes laterais.

Ao nível de L5 os dois nervos esplâncnicos pélvicos confundem-se, por vezes, num só tronco – o
nervo pré-sagrado.

Na parte inferior de L5 estes podem anastomosar-se entre si, adquirindo uma conformação
plexiforme chamada de plexo hipogástrico superior (nomenclatura anglo-saxónica), ou podem
isolar-se e dirigir-se ao plexo hipogástrico.
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PORÇÃO PÉLVICA DO SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO


Cadeia simpática pélvica
Inclui quatro gânglios sagrados (raramente cinco) e o cordão intermediário que os une. Está
anteriormente ao sacro e internamente aos buracos sagrados anteriores.

Termina anteriormente ao cóccix, geralmente anastomosando-se à cadeia contra lateral


formando uma ansa nervosa coccígea, no meio da qual se encontra o gânglio coccígeo.

Ramos comunicantes

Unem-se aos ramos anteriores dos nervos sagrados por dois ramos comunicantes por gânglio.

Ramos periféricos

 Ramos internos – anastomosam-se com os do lado oposto formando um plexo em redor


da artéria sagrada média.
 Ramos anteriores – distribuem-se pelo plexo hipogástrico.

Plexo mesentérico
inferior

Gânglios lombares

Plexo hipogástrico
superior

Nervos esplâncnicos
Gânglios sagrados
pélvicos

Plexo hipogástrico
Constituição, situação e relações

O plexo hipogástrico (ou hipogástrico inferior na nomenclatura anglo-saxónica) forma uma


lâmina nervosa constituída por gânglios unidos por cordões fibrosos. Esta lâmina é conhecida
por gânglio hipogástrico, gânglio de Lee ou gânglio de Frankenfurter.

Situa-se:
 Inferiormente ao peritoneu
 Superiormente ao pavimento pélvico
 Internamente aos vasos do espaço pelvi-rectal superior
 Externamente ao recto e vesiculas seminais (homem) ou parte póstero-superior da
vagina (mulher)
 Está contido na bainha hipogástrica ou ilíaca interna

Inerva a bexiga, recto e órgãos genitais.


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Ramos aferentes

 Nervo esplâncnico pélvico (nervo hipogástrico)


 Ramos da cadeia simpática sagrada
 Ramos das raízes do plexo pudendo (ramos anteriores do 2º, 3º e 4º nervos sagrados,
que formam os nervos erectores de Eckard).

Ramos eferentes ou periféricos

Os ramos aferentes e eferentes podem ser divididos em duas partes:

 Parte superior e interna ou porção pélvica


o Ramo aferente: nervo esplâncnico pélvico
o Ramos eferentes: para os órgãos genitais interno e bexiga

 Parte inferior e externa ou porção períneo-pélvica


o Ramos aferentes: raízes do plexo pudendo
o Ramos eferentes: região inferior do recto, bexiga e aparelho da erecção, através
dos nervos erectores de Eckard.

No plexo hipogástrico distinguem-se tantos plexos secundários ou nervos eferentes quanto os


órgãos da bacia.

 Plexo hemorroidário médio ou rectal – nervos do recto. Anastomosam-se com o plexo


mesentérico inferior.

 Plexo uretral ou uretérico – forma em redor do uretero uma ansa nervosa.

 Plexo vesical – para a face lateral e posterior-inferior da bexiga. Provem do plexo


hipogástrico e da ansa nervosa uretral.

 Plexos vesico-deferenciais – anastomosa-se com o plexo vesical. Dão origem ao longo


do canal deferente a um plexo deferencial que se une ao plexo espermático.

 Plexo prostático – para a próstata e uretra posterior.

 Nervos cavernosos – penetram nos corpos cavernosos. Distingue-se um nervo mais


longo – o nervo cavernoso de Muller – que se dirige aos corpos cavernosos e
esponjosos. Situa-se no dorso do pénis e une-se ao nervo dorsal do pénis.

 Plexo uterino – substitui o plexo vesico-diferencial na mulher. Os nervos uterinos


situam-se na porção ântero-superior dos ligamentos útero sagrados. Formam depois o
plexo uterino ao longo do bordo lateral do corpo do útero.

 Plexo vaginal – substitui o plexo prostático na mulher. Une-se ao plexo vesical e ao plexo
hemorroidário médio.
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Nervo esplâncnico pélvico

Plexo uterino

Plexo hemorroidário médio


(rectal)
Plexo uretral

Plexo vesical

Plexo prostático
Plexo vésico-deferencial
Nervo cavernoso
de Muller

SISTEMA NERVOSO PARASSIMPÁTICO PÉLVICO OU SAGRADO .


 Tem como território a porção terminal do cólon, a bexiga, os órgãos genitais internos e
os órgãos eréteis.
 Tem origem na substância cinzenta da porção sagrada da medula espinhal, que dá
origem aos nervos sagrados.
 As fibras do parassimpático pélvico terminam nos gânglios do plexo hipogástrico,
constituindo os nervos erectores de Eckard.

SISTEMA NERVOSO ENTÉRICO


Desde o esófago até ao canal anal existem gânglios e fibras nervosas
que se organizam em plexos na espessura da parede do tubo
digestivo – sistema nervoso entérico.

Mantém autonomia do sistema nervoso central, sendo responsável


pelo funcionamento do sistema digestivo. Os plexos entéricos
coordenam a atividade da parede das vísceras digestivas, enquanto
o SNS e SNP modulam a atividade.

Distinguem-se dois plexos principais: Plexo de Auerbach


 Plexo mioentérico de Auerbach
 Plexo submucoso de Meissner

Plexo de Meissner