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Artigo científico

SISTEMA CARCERÁRIO

Professor Avaliador Resumo

Este artigo tem como objetivo, apresentar e estudar o cenário do


sistema carcerário em épocas pretéritas, bem como, trazer a baila os
comparativos deste sistema na atualidade. Para a elaboração deste
artigo foram realizadas pesquisas científicas acerca do tema, na qual
Palavras-chave:
buscamos compreender os verdadeiros motivos que fazem os
Sistema Carcerário, Lei de Execução sistemas carcerário da atualidade não ser tão diferente do sistema
Penal, Sociedade. antigo.

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................................3
1
2 O SISTEMA CARCERÁRIO.............................................................................................................4
2.1 Violência nas prisões..................................................................................................................4
2.2 Direitos dos presos......................................................................................................................6
2.3 Superlotação...............................................................................................................................6
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................................13

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1 INTRODUÇÃO

As regras penais surgiram com o objetivo de combater crimes que tinham relações
com agressão ou que não respeitassem os costumes e princípios de suas tribos, com isso deu-
se início ao sistema punitivo. Ao longo dos séculos tivemos inúmeros modos ou meios de
reparar ou amenizar o dano, causado pelas pessoas através da agressão, passamos por vários
sistemas punitivos, como penas repressivas baseadas nas variadas formas de vingança, onde
levava-se em conta os costumes da tribo e também a religião. Não podemos deixar de destacar
que nessa época não existia as penas de privações de liberdade como forma punitiva.
As penas punitivas de privação de liberdade vieram para o Brasil no ano de 1769,
quando foi construída a primeira prisão no Brasil, que se situava na grande cidade de Rio de
Janeiro, o complexo Frei Caneca. A partir dessa prisão começamos a montar um grande
sistema penal, mas não podemos deixar de falar que ainda não tinha uma lei específica, uma
legislação unificada que tratava de execução penal e sim tínhamos leis esparsas para esse
determinado assunto.
Com o crescimento dos crimes, o Estado viu que não era mais possível usar
somente essas leis esparsas, pois existia uma necessidade de regulamentação, então resolveu
fazer o projeto dessa legislação unificada, ou também conhecida como LEP (lei de execução
penal, (7210/84). A LEP foi criada no ano de 1984, com o objetivo de unificar todas as leis já
existentes sobre a execução penal e refazer o sistema punitivo Brasileiro, mas não podemos
deixar de destacar que a LEP não trata apenas de questões relacionadas ao cárcere, mas
também trata de um dos objetivos principais da prisão, a reabilitação do condenado a
sociedade.
Após a Constituição Federal, aonde foi denominada um marco na evolução da
execução penal, pois protege direito e garantia fundamenta do condenado contra o Estado.
Logo no início da CF temos o Art.5, aonde protege diversos direitos e deveres individuais e
coletivos, como a inviolabilidade do direito à vida, liberdade, à igualde, à segurança e a
propriedade, com isso podemos citar incisos como o III, XLV à LXXV que tratam mais
especificamente dos direitos do preso, como no inciso III, que diz que ninguém será
submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
Não podemos deixar de citar alguns princípios que fazem parte da execução
penal, que estão interligados a aplicação da execução das sanções penais, como o caso do
princípio da legalidade, princípio da transcendência da pena, da proporcionalidade, da
individualização da pena e por fim da humanidade.
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Após essa breve parte histórica, teremos como objetivo olhar a realidade do
sistema penal de uma forma mais ampla, distinguindo a realidade da invenção tipifica. Ao
longo do trabalho falaremos previamente sobre a pena do condenado passar para suas
famílias, ressaltaremos a realidade de uma prisão, aonde tem como pontos cruciais a
decadência das mesmas, a superlotações de determinados regimes e muito mais. E por fim
ressaltaremos alguns direitos que os presos tem, mas poucos deles sabem.

2 O SISTEMA CARCERÁRIO

Neste artigo iremos discorrer sobre o sistema penal Brasileiro, que será analisado
amplamente em toda sua seara. Nesse sistema temos como agentes envolvidos os presos,
Estado e a sociedade. Perante isso, sabemos que todos são submetidos ao ordenamento
jurídico, pois como objetivo principal da LEP teremos a ressocialização dos apenados. Com
tudo se sabe que para isso acontecer não depende só do preso, más de todos que foram citados
acima.
O art.5°, III da Constituição Federal de 1988, veda qualquer espécie de tratamento
desumano, enfatizando como direito fundamental a dignidade da pessoa humana, deixando
claro que, em hipótese alguma se viola esse direito com aplicação imediata dos mecanismos
de correção. Esta situação agrava-se em decorrência dos inúmeros acontecimentos históricos
de abuso, muito antes da Brasil colônia, quando só se tinha a propriedade do homem sobre o
homem, (escravidão).
Sabemos que a violência não se encontra só no sujeito preso, mas também se
encontra em todo o âmbito familiar, não sendo uma violência física, mas uma violência moral
constante, essa violência acaba desrespeitando a própria família e a nossa constituição federal,
já que no art.5°, XLV, CF88, diz que: “nenhuma pena passará do condenado...”. Porém, esta
sentença quem aplica é a sociedade e o Estado através de seus agentes.

2.1 Violência nas prisões

Como este artigo tem um objetivo de encontrar irregularidades no sistema penal,


nota-se que outro grande problema se encontra no Art.5º, XLVII, “E”, da CF88, pois como
tema deste inciso, temos o seguinte texto:
Não haverá penas: e) cruéis- A sociedade como um todo, enfatiza em publicações e conversar
verbais que os presos tem uma mordomia muito melhor que milhares de brasileiros, mas
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convivendo diariamente com alguns apenados, os presos alegam que a própria pena, em
virtude de abusos e violações, acabam desejando a morte, pois vivos segundo eles, é ser
condenado à tortura, temos as más condições de alimentação, instalações precárias,
superlotações, a violência demasiada entre os pares, somam-se a isso a hipocrisia de como é
tratado o assunto pela sociedade e o Estado. Fica a dúvida se realmente há uma definição
quanto à aplicação da teoria relativa da pena, demonstrando um caráter essencialmente
punitivo.
Como acreditar que o sistema visa a ressocialização, diante da frieza que se
apresenta ao caso concreto, diferente da forma que está escrito? Está tipificado no art.5°,
XLIX, CF88, que diz o seguinte: é assegurado ao preso o respeito à integridade física e moral,
então percebe-se que por mais que tenhamos avançado no combate a agressões físicas, temos
que nos focarmos também na violência moral, já que as duas violências andam juntas. A
violência moral dentro dos muros do presídio é maior do que nas ruas, fazendo-se necessário
para a sobrevivência o uso de mais violência, e quanto mais bárbaro e temido for, acabará
ganhando o respeito dos demais.
Os presos que cometem outros crimes ou infrações penais dentro do presídio, são
geralmente retirados do meio dos demais e tratados de maneiras mais brusca, como o RDD,
isso objetivando um melhor convívio social na prisão; sendo assim podemos observar a
sanção administrativa da Lei de Execução Penal (LEP), art.49 (quanto à classificação), art.52,
LEP (define como faltas graves os crimes praticados durante o tempo em que cumpre pena).
Diante disso se atesta a responsabilidade do preso em respeitar as normas e regulamentos,
pois todo preso ao ingressar na cadeia assim como trata o art.46 da LEP, acaba recebendo as
orientações necessárias sobre seus deveres e obrigações. A LEP classifica a natureza da falta e
atribuir sanções, limites e quem é competente para aplicá-las. O relato não visa justificar as
infrações por parte dos presos, tampouco vitimização, mas atenta quanto à forma utilizada
para combater as violações do sistema carcerário brasileiro. Uma forma que retrata essa
passagem está no código penal art.121, parágrafo 2°, VII de 2015, lei 13.142/2015 que tenta
conter essa violência degenerada especificamente contra funcionários das forças de segurança
definidas no art. 142 e 144 da Constituição Federal1988, reflexo de uma violência cultural,
onde se consagra polícia X bandido, endurecendo as penas para conter a violência.
Essa realidade faz-se em decorrência do aumento das mortes violentas, além do
mais podemos verificar que é evidente o cunho personalíssimo de uma ordem moral. Talvez
abordar o rigor das penas não seja o caminho, o que fica subtendido é a urgência em dá uma

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resposta a sociedade, ou a um grupo especifico, politizando o sistema jurídico. Um ciclo
vicioso de violência e revolta, nas ruas que se intensifica, nos presídios, e acaba refletindo na
sociedade.

2.2 Direitos dos presos

O preso deve ser informado de seus direitos, da identificação dos responsáveis por
sua prisão, como esta tipificado no art. 5°, LXIII, CF1988 e no art. 5°, LXXVIII, parágrafo 1°,
2°, 3° e 4° faz-se referência a Emenda Constitucional n° 45/04, que reforça a importância dos
tratados internacionais (Pacto San Jose de Costa Rica), que o Brasil é parte e deve respeitar
sob pena de sofrer sanções às violações desses direitos dando celeridade aos processos em
condições razoáveis que vem de contrário devido à morosidade dos processos judiciais. A
violação de qualquer dessas normas, deve ser de imediato aplicada à solução, respeitando os
tratados e normas garantidoras de direito fundamental se atendidos o critério formal, elas
terão força de emenda constitucional, assim o Brasil se submete a jurisdição de tribunal
internacional.
Dito isso fazendo referência à recente denuncia dos presídios brasileiros, em
especifico o presídio central, localizado em Porto Alegre/RS, onde representantes da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), após diversos relatos de familiares e dos próprios presos,
constatou que havia inúmeras irregularidades, chegando alguns casos a condições desumanas
como retratado pela mídia na época do fato (23/12/2013). Por conseqüência, a OAB
denunciou o Brasil a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que fosse dada uma
solução plausível. Na denúncia constavam as instalações precárias, a falta de higiene e o mais
grave; o controle dos presídios pelas facções, fazendo frente ao poder estatal.

2.3 Superlotação

O código penal é claro quanto aos princípios de individualização da pena, os


métodos e critérios utilizados para progressão de regime, que encontramos no art.33,
parágrafo 2°, do Código Penal (CP). A celeuma é tão contundente que, no ano de 2016 o
parecer da Súmula Vinculante n°56 do Supremo Tribunal Federal, tentou amenizar o impasse,
pois o Estado e o Judiciário eximiram-se do fato tentando transferir a responsabilidade de um
para o outro. Ficou decidido, conforme a Súmula, que na ausência de estabelecimento

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prisional adequado, não é permitido regredir a pena para um regime mais gravoso, ou seja,
refletindo a ineficiência da estrutura física em não conseguir acompanhar o crescimento do
número de presos no Brasil, ou seria ineficiência por não conseguir reduzir?
Também no STJ observa-se a Súmula n°267, que barra a banalização da pena,
vedando ao juiz, com base no abstrato, atribuir pena incompatível com a previsão legal,
reforçando com a Súmula n° 718.
A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido
segundo a pena aplicada.
"(...) 4. A invocação abstrata da causa de aumento de pena não pode ser considerada,
por si só, como fundamento apto e suficiente para agravar o regime prisional, por
não se qualificar como circunstância judicial do art. 59. 5. A jurisprudência do STF
consolidou o entendimento segundo o qual a hediondez ou a gravidade abstrata do
delito não obriga, por si só, o regime prisional mais gravoso, pois o juízo, em
atenção aos princípios constitucionais da individualização da pena e da
obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, deve motivar o regime
imposto observando a singularidade do caso concreto. 6. Aplicação das súmulas
440, 718 e 719" (HC 123432, Relator Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma,
julgamento em 30.9.2014, DJe de 15.10.2014).
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumarioSumulas.asp?sumula=2545

Através desses inúmeros artigo e institutos jurídicos, podemos perceber a importância do


sistema prisional na manutenção da ordem pública. Previamente percebemos que a Súmula
n°56 do STF surge tentando estancar uma questão que se arrasta por anos nos presídios do
Brasil, como por exemplo, o presídio do Carandiru, que surgiu como uma proposta de solução
na época, porém em 1995 devido aos fatos narrado em comum aos demais nos presídios da
região brasileira, ocasionou uma rebelião que vitimou 111 presos em confronto com a polícia
dentre outras mortes que não foi relatado, diante disso inúmeras ações para conter a
superlotação foram desencadeadas, por diversos órgãos a exemplo do legislativo criando
propostas e projetos de lei para reformar o sistema prisional.
[...] O Congresso Nacional já debate a reforma da legislação de execução penal.
Destaco, nesse sentido, o PLS 513/2013, autor senador Renan Calheiros, relator
senador Eunício Oliveira, que altera a Lei de Execução Penal, atualmente na
Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O projeto traz propostas importantes.
O regime aberto é transformado em prestação de serviço à comunidade e
recolhimento domiciliar (art. 95-A). Fica vedada a superlotação (art. 114-A),
antecipando-se a saída ou progressão do sentenciado mais próximo do requisito
temporal (§ 2º). Além disso, o projeto prevê medidas administrativas de relevo,
como a informatização das guias de execução (art. 106), progressões e livramentos
sem prévia deliberação judicial (art. 107, § 3º, e art. 112). No âmbito dos

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estabelecimentos prisionais, destaco a previsão de que cada comarca terá uma cadeia
pública (art103), (https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?
id=115665).

: Abaixo segue imagem ilustrando o fato ocorrido naquele período, em consequência ao caos da superlotação:

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/10/massacre-que-matou-111-presos-no-carandiru-completa-
20-anos.html

Diante das garantias previstas no sistema jurídico citado, princípios


constitucionais e algumas súmulas relatam-se de forma imparcial episódios que aconteceram
ao longo de décadas, contrapondo-se a esses preceitos legais. Como citado na denúncia da
OAB a OEA, incluindo em alguns casos a manifestação da Organização das Nações Unidas
(ONU).
O poder das facções nos presídios interfere na administração da casa prisional,
decidindo quem tem direito a receber visitas médicas, auxilio judicial ou assistencial.
Intervindo no funcionamento dos horários de visita, assédio moral de formas mais diversas,
acarretando algumas situações inusitadas como: presos fazendo uma triagem, escolhendo
quais presos ficam em determinadas celas, assim formasse grupos para sobrevivência na
prisão. A superlotação faz com que qualquer conflito seja decidido de forma bárbara como já
citado no caso de canibalismo, (presídio de pedrinha).
: Abaixo segue imagem ilustrando o fato descrito no referido presídio

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http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2015/10/promotor-denuncia-caso-de-canibalismo-no-presidio-de-
pedrinhas.html

A idéia é sanar a situação e reparar os efeitos emanados por essas violações, o presidente da
OAB nacional na época, Cláudio Lamachia, alega que analisando o aspecto jurídico, vamos
perceber que descrevendo a cadeia como um lugar de castigo aonde o indivíduo vai para
pagar pelo mau que fez a sociedade, sendo encaminhado ao “purgatório”. Pensar em dolo ou
culpa hipoteticamente, não se sustenta, devido depender de um contexto cronológico jurídico
histórico abordado desde o início da sociedade resta também identificar de quem é o dolo,
quem teria a intenção de castigar. Cogitação, preparação, execução e consumação, em uma
análise fiel a letra dos princípios, não caberia dolo mesmo nas particularidades do caso citado.
Porém a culpa se dá pela, negligencia e imperícia. Mas como na matéria abaixo a OEA se
pronunciou no ano de 2015, o Presidio de Pedrinhas como afirma a matéria do portal de
notícias G1. Episodio de grande repercursão quando num desentendimento entre integrantes
de facções diferente, dentro de uma cela, visando poder e autoafirmação, torturaram e
mataram de forma cruel um companheiro e para ocultar o cadáver esquartejaram em 59
pedaços, espalharam pelas licheiras do presídio, salgaram outras partes, assaram e comeram,
repartindo-o entre outros presos, a carne da vítima.
;

Abaixo a ilustração e detalhamento das condições encontradas no presidio Central Porto Alegre

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http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/01/tribunal-internacional-pede-medidas-no-presidio-
central-de-porto-alegre.html

Tem-se a idéia que no mundo do crime, o opressor é o Estado através de seus


agentes, neste sentido não se percebe uma evolução, quanto ao contexto prisional, fica
explícito que existe uma espécie de “cadeia alimentar” natural, onde há o predador e a presa, e
observa-se que afastou a visão de Estado como predador, possibilitando que as facções e
organizações criminosas assumissem o topo. Óbvio que este resultado de qualquer forma é
negativo para a sociedade, contudo, devido ao novo predador não ter mecanismos jurídicos,
consagra-se através da força e da violência, buscando uma maneira “exemplar” de intimidar
seus companheiros.

(...) Segundo o presidente da OAB/RS, as entidades fizeram uma vistoria conjunta


no Presídio Central ao concluírem que as condições subumanas haviam chegado ao
extremo. “Diante da evolução do problema ao longo dos anos, vimos que era o
momento de fazer algo imediato para evitar uma situação ainda pior”, falou.
Lamachia esperava entregar os laudos técnicos diretamente ao governador Tarso
Genro. O governador, porém, percorre a Europa em missão internacional esta
semana, não podendo, portanto recebê-lo. “Vamos entregar ao governador em
exercício, Beto Grill, pois temos que envolver os poderes neste tema. O debate tem
que ser feito no Legislativo e um cronograma precisa ser apresentado pelo governo”,
cobrou. https://www.sul21.com.br/jornal/situacao-do-presidio-central-nao-e-algo-
deste-governo-diz-presidente-da-oab-rs/

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A pressão psicológica é grande, os abusos vão muito além da dor física, questiona-se
quanto à falta de zelo pela dignidade da pessoa humana, mas quem consegue descrever o que
significa essa dignidade, quiçá os presos. Quanto ao caso do presídio de Pedrinhas, a ONU se
manifestou de maneira veemente repudiando, estas atrocidades que assolam os presídios
brasileiros, e cobrando das autoridades uma solução para o problema sociologicamente, desde
o Carandiru, São Paulo a mais de 20 anos atrás até presídio de Alcaçuz, Rio Grande do Norte,
2016.
A evolução das organizações criminosas ocupando a estrutura e a cúpula do
comando intensificou estes incidentes, exemplo ocorrido em Manaus como cita a matéria
abaixo:

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/guerra-entre-faccoes-deixa-56-mortos-em-penitenciaria-de-
manaus-houve-esquartejamentos-e-decapitacoes-b2bl7pmq5bcmsqmoi11a7uhbv

Claramente tem-se a reestruturação do opressor e do oprimido, muda-se o método


de controle, amplia-se o espaço e a capacidade de atuação “não mais na cela, nas galerias, nos

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pavilhões, no presídio, mas, sim, entre presídios”. Desde 1995, o Jurídico era o meio de
formar o controle por aqueles que oprimiam, contudo nos dias atuais aqueles que eram os
oprimidos e hoje são os opressores. Usando o jurídico como um meio de defesa, para blindar
qualquer manifestação do Estado quanto à intervenção; sendo o Estado fiscalizado pela
sociedade. Segue uma frase que corrobora com a última afirmação: “A mãe que reprime o pai,
por querer educar seu filho”, vendo-o como hipossuficiente a qualquer preço. Segue matéria
abaixo:

http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2017/01/dos-26-corpos-encontrados-em-alcacuz-15-estavam-
decapitados.html

Entre os diversos acontecimentos revelados, chama atenção o último ocorrido na


região norte, onde aproximadamente 60 presos foram torturados, mortos e decapitados, e
divulgado nas redes sociais, relatando a ausência total de controle do Estado, sendo a fórmula,
a mesma dos presídios relatados anteriormente.
Em contrapartida, num presídio de outro Estado, mataram e decapitaram outros 20
presos, em função da morte dos 60 presos de outra facção. Ocorreu liberação de muitos presos
pelo Judiciário, como forma de conter e preservar a vida dos presos que estavam na mira das
facções. A revolta se apresenta de várias formas, desde a manipulação das “leis penais” que
não segue à risca seu curso correto.
Alguns institutos como o livramento condicional encontrado no art. 83 do CP, que
define parâmetros para que os presos após ter cumprido 1/3 da pena quando não reincidente,
1/2 quando reincidente e 2/3 nos casos dos crimes Tortura, Tráfico Ilícito de Drogas e
Terrorismo (TTT), e também atendendo a critérios objetivos e subjetivos para que possa

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concluir sua pena em liberdade; temos a detração art. 42 do CP que computa as penas já
cumpridas pelo preso, e a remissão da pena na LEP.
O art. 33 do CP, quanto à pena proporcional ao estabelecimento prisional, o art.
38 do CP, os direitos do preso, e por derradeiro o art. 40 do CP, que afirmando mais uma vez
a importância de uma legislação especial única, deixando destacado que a autoridade
judiciária é responsável por fiscalizar, e zelar pela manutenção e aplicação da LEP, o “Juiz da
Vara de Execução Penal”. E, também, a Superintendência dos Serviços Penitenciários
(SUSEPE), compõe uma Secretaria de Segurança Pública do estado, em conjunto com as
Polícias, foi criada para melhor manutenção e eficiência dos presídios no Rio Grande do Sul,
atualmente está se passando por um processo legislativo de mudança na lei estadual, decretos
e estatutos, passando a competência da guarda externa dos presídios aos agentes da SUSEPE e
não mais a Brigada Militar. E a nível nacional, a mudança é no sentido de criação das Polícias
penais, ampliando o rol de competência de atuação por parte destes agentes na esfera da
União, Estado e Município, através de uma Emenda Constitucional.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste diapasão, com base nos fatos ora relatados neste artigo, podemos concluir
que: em que pese às preconizações da LEP, o cenário do Sistema Carcerário na atualidade,
não obteve grandes mudanças em relação a épocas pretéritas, pois, podemos considerar a falta
de recursos, ou até mesmo os anseios da sociedade de que todo o encarcerado não merece ser
tratado de forma igual ao cidadão de “bem”, por outro lado, temos no resta latente de que
estamos tratando de pessoas e se o sistema carcerário for seguido a “risca” da LEP,
certamente teremos o descontentamento da sociedade como um todo.
Ora senhoras e senhores! É claro que tal clamor da sociedade acerca de um
sistema carcerário cada vez mais rígido, ou podemos considerar, “perverso”, tem suas
complicações, pois a finalidade deste sistema não é bem essa, e sim, tornar o individuo
delinquente adequado ao convívio social.
Infelizmente a uma banalização dos direitos como um todo, utilizando as leis como
corretor dos problemas sociais, um atalho para resolver questões que vão além de sua alçada.
Exemplo declarado é a inconstitucionalidade em violar institutos como a progressão do
regime nos crimes hediondos previsto na lei 8072/90 que até poucos tempos se cumpria
integralmente fechado. Sendo discutidas inúmeras vezes até que se chegou à idéia de buscar

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um resultado e não observar se os meios de fato, é apropriada, uma resposta social mais
pratica é administrativização do direito penal. Talvez a saída não fosse reinventar, mas
efetivamente se fazer valer o que já está escrito.

Nesta senda, resta-nos óbvio de que o direito penal sozinho não é competente o
suficiente para resolver essas questões; pois a complexidade é um problema social onde o
direito compõe o sistema responsável, mas tem grande responsabilidade em dirimir a
problemática carcerária. Podemos argumentar incontestavelmente a relevância da saúde,
educação a sociedade propriamente dita como determinante para de fato solucionar tal
problema.

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Fontes de Pesquisa
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7210.htm
https://www.youtube.com/watch?v=DYMdWs7iyqM
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm
http://monografias.brasilescola.uol.com.br/direito/a-historia-pena-prisao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm
https://michellipimmich.jusbrasil.com.br/artigos/326166078/o-sistema-prisional-brasileiro-e-a-
criacao-da-lei-da-execucao-penal
http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=artigos_leitura_pdf&artigo_id=3751
https://www.youtube.com/watch?v=DYMdWs7iyqM
http://www.revistaliberdades.org.br/site/outrasEdicoes/outrasEdicoesExibir.php?rcon_id=145
https://www.google.com.br/url?
sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwi21-ut-
_PWAhXGFJAKHQA9AC4QFggzMAE&url=https%3A%2F%2Fwww.metodista.br%2Frevistas
%2Frevistas-ims%2Findex.php%2FRFD%2Farticle%2FviewFile
%2F4789%2F4073&usg=AOvVaw2v23pAQHGrapdB2yF0Mid5
https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/RFD/article/viewFile/4789/4073

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