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V O Z E S em defesa da fé

CADERNO

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“ Eu sou
Sacerdote
Católico”

EDITORA VOZES ITDA.


VOZES EM DEFESA DA FÉ

Caderno 47

“Eu sou Sacerdote


Católico”

EDITÔRA VOZES LIMITADA


PETRÓPOLIS, RJ
1964
-fíLauni peniamentoi
óôltte oi ôacatdLotei
Sou sacerdote — sacer­ lo menos tem visto, um
dote católico — ou, se vo­ sacerdote católico uma vez
cê assim o deseja, sou sa­ ou outra. Bing Crosby re­
cerdote católico-romano. presentou um sacerdote tí­
Sou sacerdote no pre­ pico em dois filmes de al­
sente ano de Nosso Se­ to sucesso. Você pode
nhor, quando, para mui­ ver-me nas arquibancadas
ta gente, ser sacerdote é num jôgo de bola. Jogo
coisa fora do comum e di­ “ g o lf” quando posso ter
ferente. .. enquanto que, algumas horas de folga.
para outros, é coisa intei­ E, se você prestou servi­
ramente fora de propósito. ço no Exército ou na A r­
Trajo-me diferentemente dos mada ou na Aeronáutica, pod<
outros profissionais. Não me caso ter tido un\ capelão que era sa
e, embora muita gente me chame cerdote como eu.
“ Padre” ou pai, não tenho filhos. Os não-católicos dizem-me que
Sou um diplomado colegial com eu pareço diferente... e o sou.
graus universitários. Todavia, pe­ Sou o herdeiro de um ofício
las normas das outras chamadas que remonta a Cristo. Você olha­
profissões “ liberais” , o meu ga­ rá até muito para trás na his­
nho é muito baixo, assombrosa­ tória humana para achar uma
mente baixo, se eu lhe dissesse o geração ou uma nação sem sa­
que ganham os sacerdotes. cerdotes. Mesmo se você remon­
Trabalho durante a semana du­ tar a além do tempo de Cristo,
ra e firmemente. Pouquíssimo do achará sacerdotes. Somente quan­
meu tempo é meu mesmo, porque do você vem a tempos muito mo­
as pessoas vêm a mim quando dernos é que acha pessoas, e
desejam, e porque é provável ser mesmo cristãos, que tentam ser­
eu chamado para fora da cama vir a Deus sem sacerdotes.
no meio de qualquer noite: alguém Uma profunda intuição huma­
doente no hospital, um acidente na tanto como uma antiga re­
na rua, uma morte súbita amea­ velação divina é que faz o povo
çando um ente caro numa fam í­ sentir a necessidade de sacerdo­
lia, etc. tes. O povo sente que, se êle
Se você não é católico, provà- tem um profissional para zelar e
velmente tem encontrado, ou pe­ para cuidar da sua saúde, e um

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profissional para advogar a sua soas são minhas clientes e eu ad
causa num tribunal, e profissio­ vogo cm favor delas na oraçã'.
nais para os ensinar c a seus e no altar, perante o nosso diviir.
filhos, e profissionais para se Juiz. Pode você ser um perib.
ocupar das notícias do mundo, e engenheiro que constrói grande-
profissionais para serem adestra­ pontes; eu sou como que um pe­
dos para govêrno, êle também rito que mantém em reparo *
necessita de um profissional que ponte entre o tempo e a eterni­
saiba como servir a Deus com dade, de modo que você e outro*
sua vida tôda e ajudá-lo a sal­ sejam ajudados a passar, em se­
var a sua alma. gurança, da terra ao céu. Pode
Quer cressem no Deus verda­ você ser um professor de astro­
deiro quer cressem em falsos deu­ nomia; eu sou um professor qut
ses, os homens sempre sentiram vai além das estrelas, para achai
a necessidade de escolher alguns e ensinar a verdade do Deu*
dentre si para serem sacerdotes. eterno. O seu negócio pode sei
“ E* vossa única tarefa adorar a aço ou automóveis ou trigo ou
Deus. E 1vossa única tarefa guiar- carne; o meu negócio é daque­
nos no culto e ver que tenha­ les que Cristo chamou “ os ne­
mos aquilo de que precisamos pa­ gócios de meu P a i” , c é negócic
ra o nosso bem espiritual” . A s­ altamente importante para você
sim, em tôdas as épocas da his­ Destarte, como sacerdote, eu te
tória, certos homens eram sele­ nho uma especialidade altamenb
cionados; vestiam-se diferente­ importante, a saber: Deus, a suí
mente do resto das pessoas; de­ verdade e a salvação das alma:
dicavam a sua atividade inteira humanas.
a honrar a Deus pelo povo e a A isso, e só a isso, devo de
representar o povo perante Deus. dicar todo o meu tempo.
Embora o meu ofício seja o Incidentemente posso parecei
de sacerdote católico, contudo eu fazer muitas outras coisas. Co­
sou um homem escolhido dentre mo sacerdote, posso ser profes
os homens. Conheço a minha sor, redator, construtor, reitor d<
fraqueza, as minhas falhas e li­ uma igreja e de dependências
mitações. Posso não ter uma in­ anexas, capelão de um hospital
clinação melhor do que a de você obreiro social, diretor de un
que me lê. Aos olhos de Deus acampamento de rapazes, locu
você pode ser mais santo do que tor de rádio, personalidade n*
eu. Pode ter tido uma educação T V , alguma coisa de financista
melhor do que a que eu tive. To­ de psicólogo, ou um homem d<
davia, se você é um médico que relações públicas. Estas e umi
leva saúde às pessoas, eu sou um centena de outras funções poden
sacerdote cuja tarefa é levar às caber-me, mas tôdas elas estã<
pessoas Deus e a sua graça. Se subordinadas a duas coisas:
você advoga, como causídico, em Devo trabalhar para leva/r o
fa vo r dos seus clientes, as pes­ homens a Deus,

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Devo d irig ir todas as minhas poderia igualar a profissão que
energias a trazer Deus aos ho­ servo a Deus e ao povo? Todas
mens. as coisas passam, exceto Deus e
Devo amar e servir a Deus to­ as almas imortais do seu povo.
do o meu tempo. Êste 6 vosso trabalho na vida” .
Eu tinha conhecido sacerdotes e
Devo amar os homens com sim­ os admirava. Assim, conversei
plicidade e devotamento, desinte­ com vários dêles. Eles acharam
ressadamente, e sem qualquer co­ que eu tinha educação e inteli­
gitação de ganho pessoal. Os ho­ gência suficientes para empreen­
mens são a minha família, e se der os duros estudos que prepa­
me chamam “ Padre” ou pai, no ram um sacerdote para os seus
meu coração, seja eu môço ou
deveres profissionais. Eu tinha
seja velho, considero-os como meus saúde suficiente para aspirar a
filhos.
“ carregar minha cruz todos os
Conforme S. Paulo disse, com dias e segui-lo” , a Cristo. E um
funda emoção, aos Coríntios (1 Bispo foi bastante bom para di­
Cor 4, 15), “ em Cristo Jesus, zer que me aceitaria nas fileiras
pelo Evangelho, eu vos gerei”. do sacerdócio numa das muitas
Como sacerdote católico, sin­ obras que compunham a sua dio­
to-me peito dos sacerdotes ju ­ cese. Ademais, eu queria salvar
deus da A ntiga Lei. O sacer­ a minha alma e ajudar os ou
dócio judeu vive em mim; Jesus tros a salvarem as suas. Queri
Cristo, que veio, não destruir a amar a Deus com todo o me
Lei, mas cumpri-la, não suprimiu coração e alma e mente e força
o sacerdócio judeu. Aperfeiçoou- Talvez eu tenha sido demasiadd
o em Si mesmo, como S. Paulo ambicioso.
torna claro na sua Carta aos
Talvez, como sacerdote, eu te­
Hebreus. E, na Última Ceia, de­
nha faltado muito ao meu cará­
legou o seu sacerdócio aos seus
ter sacerdotal.
Apóstolos e a todos os sucesso­
res dêstes, geração após geração, Mas tem sido uma vida admi­
até mim. rável, e eu não a trocaria por
qualquer outra vida que aos ho­
Quando foi que eu pensei em
mens seja dado viverem.
me fazer sacerdote?
Tornemos muito clara uma
Muito cedo, em verdade. Então coisa: ninguém me forçou ou me
o mundo adolescente se estrei­
compeliu de qualquer modo. Eu
tava à volta de mim, e eu pen­
é que falei a um sacerdote so­
sava em muitas outras profis­
sões: o direito, a medicina, a pu­ bre o sacerdócio, antes que me
blicidade, e até o teatro. Mas, faiasse um sacerdote. Minha mãe
afinal, alguma coisa dentro de ficou feliz quando eu lhe disse
mim me disse: “ Dai a vossa v i­ das minhas intenções; mas, em­
da tôda a Deus. Que profissão bora ela rezasse para ter um f i ­

VOZES N. 47 - 2 6
lho sacerdote, nunca me tinha dição da nossa família era o ne­
dito que o fazia. gócio e o direito. Embora êle
Durante os longos anos de pre­ fôsse um convertido à Ig re ja Ca­
paração para o sacerdócio, as por­ tólica de apenas pouco tempo,
tas do Seminário sc abriam para quando cu deixei o lar ele me
ambos os lados. A qualquer tem­ apertou a mão c disse: “ Se Deus
po eu poderia ter arramado mi­ quer você e você quer Deus, v á
nhas malas e, com um adeus aos adiante c seja sacerdote. Mas,
meus professores e colegas, ter por todos os meios, seja um bom
voltado à minha vida antiga. Tu­ sacerdote” .
do o que era ou seria esperado Assim, Deus foi generoso c eu
de mim era-me explicado em de­ vim a ser sacerdote.
talhe. Nada era secreto ou ocul­
Com singela honestidade, sin­
to. Nenhuma surprêsa me adveio
to-me incrivelmente feliz. Sou f e ­
após a Ordenação, exceto a sur­
liz de repartir minha vida com
prêsa que é constante — a de co­
os outros homens. Por isto acho
mo é agradável servir ao Senhor.
fácil falar do que significa ser
Meu pai esperava que eu lhe sacerdote.
seguisse as pegadas, pois a tra­

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Eles não gostam de padres
Duas classes dc pessoas dre. Porém ela nunca me
usualmente desprezam os deu a conhecer a sua es­
sacerdotes: perança ou as suas pre­
Um grupo diz: “ O ig ­ ces enquanto eu finalmen­
norante faz doidices. N in­ te não me fiz sacerdote.
guém, a não ser pessoa O seu amor a Deus e a sua
estúpida, sem educação, profunda dedicação a nós
poderia ser padre” . pequenos fizeram-me um
Outro grupo diz: “ Co­ menino melhor, e, natu­
mo êsses padres são es­ ralmente, e com o auxíl:
pertos e labiosos! Êles de Deus, de bons menin
foram bem treinados pa­ saem bons sacerdotes. I
ra burlar o povo. Foram educa­ N a escola secundária, fui t
dos para mentiras e para a téc­ sinado pelos Irmãos da Douti
nica de enganar” . na Cristã. Depois acabei o me
Ambos êsses grupos faltam con­ preparo colegial num pequeno co­
sideravelmente à verdade. légio católico que, desde o meu
Deixe-me dizer-lhe algo sobre tempo, se tomou uma grande e
a minha educação como padre, e influente universidade católica.
você poderá ju lgar por si mesmo. Embora eu sentisse inclinação
Passei os dois primeiros anos para o sacerdócio durante os meus
da minha vida escolar em esco­ primeiros anos na escola, essa in­
las públicas. Porém meus pais clinação me abandonou durante
sentiram que eu deveria igual- o meu tempo de colégio; e eu dei­
niente ter educação religiosa, xei o colégio todo preparado pa­
aprender como servir a Deus e ra iniciar o estudo de Direito.
salvar a minha alma, paralela­ Mas foi então que Deus pa­
mente à minha educação sôbre receu dizer-me: “ Não gostarias
como cuidar do meu corpo e pro­ de, em vez disso, seguires o meu
ver a minha mente da instrução caminho?” E foi um chamado tão
de que eu precisava para a vida distinto, que, com um breve avi­
e para fazer uma vida. so a todos, arrumei-me e fui para
Por isto fu i para uma escola um Seminário.
católica dirigida por Freiras, uma Os seminários são lugares in­
das quais francamente rezava teiramente únicos. Duvido de que
para que algum dia eu fôsse pa­ você pudesse jamais pôr um dê-

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les numa novela, ou contar a his­ a disposição de cada um. Alguns
tória deles numa tela. Tem-se pulavam fora quase imediatamen­
tentado fazê-lo, mas os sacerdo­ te, c alguns paravam justamen­
tes, que conhecem os Seminários te antes de atingirem a Ordena­
desde os seus felizes dias pas­ ção. Tinham querido ser sacer­
sados neles, sacodem a cabeça e dotes, porém por várias razões
sorriem dizendo: 44Você deve pas­ decidiam que aquela vida não era
sar por um Seminário antes de para s i; ou subitamente se ca­
poder realmente apreender-lhe o pacitavam de estarem em lugar
espírito” . errado. Ninguém pensava mal
Pois bem: o espírito de um deles quando êlcs davam os seus
Seminário pode ser difícil de des­ alegres ou saudosos adeuses.
crever, mas é sentido de modo Todo jovem naquele lugar aten­
inequívoco. dia aos seus deveres pessoais co­
Havia uns 300 rapazes no meu mo o fazem os Cadetes de uma
Seminário, jovens normais que Escola M ilitar ou Naval. Cada
gostavam de esportes, que fa la ­ um cuidava do seu quarto, fa ­
vam alto e riam vigorosamente, zia a sua cama, e ajudava a ser­
que eram tesoureiros em constan­ vir a mesa. Nós não tínhamos
te “ déficit” , que tinham os mes­ empregados, e por isto servía­
mos arrebatamentos dos jovens mos uns aos outros.
de tôda parte, mas que tinham O espírito do lugar era calmo
ao mesmo tempo uma estranha e amistoso, de coleguismo e de
e surpreendente profundeza de simpatia. Nós gostávamos fran ­
caráter e apego a ideais. camente dos nossos companheiros,
Tinham vindo de quase todas e, embora houvesse uns de quem
as condições de vida. Alguns eu gostava mais do que de ou­
eram de famílias pobres, e al­ tros, e mesmo alguns que me
guns de famílias abastadas. Ha­ punham os nervos a fio, nós nos
via lá todos os matizes nacionais mantínhamos no espírito de “ to­
de raça e de ascendência. Havia ma lá, dá cá”. Estávamos to­
poucos estúpidos, se os havia, dos possuídos dos mesmos propó­
pois êstes, educacionalmente, já sitos. Tínhamos vindo porque que­
haviam saído fora do caminho ríamos servir a Deus e ao nos­
antes de atingirem as portas do so próximo — e o Seminário espe­
Seminário. Havia rapazes de real rava que nós empreendêssemos
talento, e havia-os “ curtos” ; ra­ ambas as tarefas direito.
pazes com línguas de ouro e ou­ A nossa faculdade era digna
tros que mal falavam ; havia-os de ser conhecida e vista. Nós
com inteligência pronta e havia- gostávamos dos nossos professo­
os com intelecto lento mas pro­ res. Eu exageraria se dissesse
fundo. que todos êles eram professores
Trezentos homens vivendo jun­ excelentes, mas onde é que qual­
tos não podem deixar de pôr à quer estudante acha uma facul­
prova, naturalmente, o caráter e dade completa de homens de ta­

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lento e inspiradores dc entusias­ Durante o dia, a sinêta chama-
mo? files eram eruditos, muitos o à capela, onde êle crê firm e­
deles com diplomas dc Roma, Lo- mente que Cristo habita no al­
vaina e outras grandes univer­ tar, para lhe iluminar a mente
sidades da America ou da Eu­ c lhe inspirar e fortalecer a von­
ropa. Se nós não chegássemos tade com a graça que só mesmo
com uma profunda base em la­ êle, Cristo, pode dar. Cada aula
tim ou em grego, obtínhamo-la principia com orações, cada re­
imediatamente. Todos nós tínha­ feição igualmente com oração;
mos de ter o nosso preparo cm e o dia finda com todos de joe­
literatura, história secular c ci­ lhos na capela oferecendo a Deus
ências antes de chegarmos ao a messe do saber e da experi­
Seminário. Eu obtivera o meu no ência colhida no dia, e o descanso
colégio. Muitos colegas meus ti­ e a paz da noite.
nham ido para um Seminário pre­ Os seus estudos, desde o comê-
paratório, uma secção dc escola ço, são severos e exigentes.
secundária e de colégio onde são Três anos inteiros são consa­
ministrados cursos de escola se­ grados ao estudo da filosofia e
cundária e de colégio. Mas todos das ciências naturais. Êle estu­
nós fazíamos juntos seis anos de da o pensamento dos grandes pen­
estudos profissionais que levavam sadores do mundo; adestra a su;
ao sacerdócio. mente para conhecer o mundo
Podem alguns perguntar-se: volta de si, e para lhe compr
Que é que um padre católico es­ ender o significado, a organiz;
tuda no Seminário? Antes de tu­ ção, e as leis que governam
do e além de tudo, estuda a sua sua precisa operação.
própria alma, a lei de Deus, e os Depois vêm os quatro anos in­
mandamentos e conselhos de Cris­ teiros de estudos sacerdotais es­
to. No fim de seis anos é de su­ senciais.
por que êle tenha saído, tanto A í o estudo maior é a teologia.
quanto possível, refeito segundo Êste é o estudo da palavra de
o modêlo de Cristo. Deus como achada nas Escritu­
ras, com as interpretações a ela
Levanta-se às seis horas da
dadas pelos maiores sábios e
manhã, leva meia hora em ora­
mestres na longa história da
ção vocal e outra meia hora em
Igreja ; é a história do ensino
meditação pessoal. V ai à Missa
cristão desde os primeiros tem­
e recebe o Senhor na Sagrada
pos até o presente dia, baseada
Comunhão. Durante o dia, lê os
no plano sistemático e científico
grandes livros sobre a prática
traçado por um dos maiores sá­
cristã e sôbre a plena vida cristã.
bios do mundo, Tomás de Aquino.
São-lhe proporcionados guias es­ Ninguém que não tenha estu­
pirituais, e espera-se que êle vá dado teologia fa z qualquer idéia
ao Sacramento da Confissão uma do seu vasto escopo e do seu al­
vez por semana. cance científico. E la é o resulta­

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do liquido de gerações de gran­ dia, c, nos intervalos, longos pe­
des pensadores cristãos. Dentro ríodos de estudo na biblioteca ou
dela foi vertido o que há de me­ no seu quarto particular.
lhor na cultura antiga, a nata O feriado semanal o os dias
do pensamento cristão e as cons­ livres extraordinários acham o
tantes descobertas da ciência mo­ seminarista nos jogos de tênis,
derna, da filosofia e dos achados de “ baseball” , de “ basketball” , de
históricos e arqueológicos. “ foot-ball” , etc., ou fazendo p i­
O jovem seminarista é prepa­ queniques com seus colegas, e x ­
rado para guiar a vida espiritual plorando os arredores do Sem i­
das pessoas mediante o estudo nário em longos passeios, v is i­
das leis e práticas da vida espi­ tando hospitais da vizinhança, ou
ritual, mediante o estudo da psi­ ensinando religião a gente de con­
cologia e da arte do viver cris­ dição humilde.
tão, que, de acordo com as suas Posso usar graus após o meu
aptidões naturais, o aparelha pa­ nome, graus acadêmicos, mas
ra assistir as pessoas nos seus nunca os uso. Porque aos meus
ideais e problemas. anos de colégio acrescentei os sete
EMhe fornecida uma sólida anos inteiros de instrução no Se­
base em todos os ramos do estu­ minário, e acabei como um hábil
do das Escrituras. Ele é fam ilia­ especialista no meu terreno.
rizado com autores que atacaram Como muitos dos meus colegas,
o Cristianismo e a Fé Católica. estudei em universidades para
E ’ dado ouvido àqueles a quem obter mais outros graus, procu­
as histórias da Ig re ja chamam rando obter tudo quanto pudesse
hereges e cismáticos; é-lhes dada ajudar*me a ser mais eficiente no
“chance” de apresentarem o seu terreno particular em que eu
caso, e a fôrça dos seus argu­ viesse a servir a Deus e aos
mentos e provas é cuidadosamen­ meus semelhantes.
te medida. Porém o grau mais admirável
O curso de estudos no Semi­ que eu posso escrever após o meu
nário inclui assuntos que se ali­ nome, escrevi-o quando haviam
nham desde a língua hebraica até passado os meus dias de Semi­
à psicologia moderna, desde a di­ nário. Naquele momento fui au­
reção í.e uma igreja até à elo­ torizado a assinar-me, como eu
quência sacra, desde as línguas tanto desejava — sacerdote cató­
modernas até à história da re­ lico. A meu ver, êsse é o “ grau”
ligião. Ao seminarista é pro­ mais belo que qualquer homem
porcionado rigoroso treinamento, possa pretender.
quatro a cinco horas de aula por

1G
,^ ,^ 8 8 8 8 8 8 8 ^8 8 8 8 5 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 % ^ ^

CLàAim tm ActaUidaie

Nenhum sacerdote es­ Finalmente raia a ma­


creveu jamais um relato nhã em que êle vai ser fei­
realmente bom da sua Or­ to sacerdote.
denação. O cerimonial para a Or­
Muitos autores têm ten­ denação dos sacerdotes re­
tado descrever o que um monta às sombras das ca­
jovem sacerdote sente no tacumbas e a mais além.
dia em que é ordenado, Os Atos dos Apóstolos fa ­
porém as suas histórias lam da Ordenação de jo
são inadequadas, incom­ vens sacerdotes; dizem cc
pletas, superficiais. mo os Apóstolos coloca
O Dia da Ordenação vam as mãos sobre as ca
deve ser escrito com letras maius­ beças dos seus sucessores, ajoe­
culas. E ’ um dia diferente de to­ lhados diante dêles; como invo­
dos os outros dias da vida. Dias cavam o Espírito Santo para lhes
longos, felizes e expectantes f i ­ encher as almas de poder e de
zeram chegar a êle. O moço es­ forças, e os comissionavam como
tudou séria e duramente. Sua oficiais no exército do Senhor,
mãe e seu pai rezaram por êle e os enviavam a pelejar em fa ­
vor do reino de Deus.
c com êle. Êle fêz sacrifícios pa­
ra atingir essa meta. Agora o al­ Enquanto não é feito Subdiá­
tar está diante dêle, e êle repete cono, o môço é completamente li­
as palavras do belo Salmo de vre de deixar o Seminário e de vol­
David: “ Subirei ao altar de Deus, tar à sua vida antiga. Mesmo quan­
do Deus que alegra a minha do êle se aproxima do passo f i­
juventude”. nal, o Bispo lhe pergunta se vem
livremente. Deve êle responder
N a sua preparação para ês-
se grande dia, o jovem semina­ com um “ Estou presente e pronto”
rista recebeu aquilo que é cha­ completamente voluntário.
mado as Ordens Menores. Êle Na iminência da sua Ordena­
também foi feito primeiramente ção, não é coisa extraordinária
Subdiácono, depois Diácono — alguns dos futuros sacerdotes de­
ofício êste que muitas vêzes é sistirem. Um pode fu gir às pe­
mencionado na Igreja primitiva sadas responsabilidades do oficio
e nas Escrituras. sacerdotal, outro pode sentir-se

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indigno, enquanto outro poderia estava pondo sôbro Cristo, como
com tôda franqueza confessar es­ S. Paulo nos pede fazermos, e
tar convencido de quanto seria tomando sôbre mim mesmo, a bela
difícil para cie, dia após dia, su­ vida de trabalho de um dos sa­
portar o jugo de Cristo e car­ cerdotes de Cristo.
regar a sua cruz. Quando esta O Bispo, já idoso, que mo or­
decisão é tomada, o moço deixa denou estava esperando no san­
o Seminário com plena permissão tuário da igreja diante do altar,
das autoridades deste, e também cercado de sacerdotes que me ha­
do seu Bispo. Deixa-o sem cen­ viam ensinado no Seminário. Ês-
sura e com a esperança de levar ses sacerdotes ali estavam como
uma vida cristã influente emi al­ amigos e animadores. Dentro em
guma outra profissão. pouco êles poriam as suas mãos
Com a Ordenação, entretanto, sacerdotais sôbre a minha cabe­
um homem ingressa numa car­ ça, para simbolizar a longa ca­
reira para tôda a vida. Uma vez deia de ligação pela qual todos
ordenado, êle pertence para sem­ os sacerdotes são ligados até a
pre a Deus, a serviço do povo. Cristo na Última Ceia, e até mes­
Como Cristo diz, êle pôs a mãe mo aos sacerdotes judeus da L ei
à charrua e não deve voltar-se pa­ Antiga. Além disto, êles observa­
ra trás. E ’ sacerdote etemamente. vam cada detalhe da cerimónia,
Lembro-me da minha Ordena­ para que cada coisa fôsse feita
ção com profunda alegria e gra­ com perfeita exatidão.
tidão. A bela igreja estava cheia Porquanto, desde Cristo, em li­
de amigos, mas principalmente de nha reta até o nosso grupo, atra­
parentes, dos trinta moços orde­ vés das mãos de vinte séculos de
nados comigo. sacerdotes, o poder delegado de
Minha mãe e meu pai e meu Cristo estava para vir até mim.
irmão tinham vindo ver como se­ “ Não fôstes vós que me escolhes­
ria. Eu tinha jantado calma e tes, mas fui eu que vos escolhi” ,
tranquilamente com êles na vés­ disse Cristo. Eu não me estava
pera daquilo que êles sabiam que atribuindo isso; S. Paulo preve­
ia ser o maior acontecimento da nira contra tal arrogância. Eu
minha vida. estava humildemente ajoelhado
N a manhã da Ordenação, num para receber o poder que, numa
aposento contíguo ao corpo prin­ onda ininterrupta, passara, atra­
cipal da igreja, revesti os para­ vés de 1900 anos de sacerdotes,
mentos do sacerdócio. A comprida desde os Apóstolos até à minha
túnica branca era tão antiga como classe de moços que estavam sen­
a toga romana, e como as vestes do ordenados.
brancas usadas pelos sacerdotes A ordenação em si mesma é
judeus da Antiga Lei. Embora uma bela cerimónia.
muitos pensassem que eu estava Mesmo dramàticamente, você
perdendo a minha vida em me pode sentir o significado da ação
fa zer sacerdote, eu sentia que à medida que esta se desenvolve.

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Ajoelhamo-nos num semicírculo para que não suceda que um ou
cm torno do altar. Os aconteci­ alguns estejam enganados no seu
mentos sobrevinham rapidamente juízo, ou embaídos pelo afeto,
uns aos outros. devemos ouvir a opinião de mui­
Primeiramente veio a inquiri­ tos. Por isto, seja o que fô r que
ção quanto à nossa dignidade. 0 saibais sobre a vida ou sôbre o
assistente do Bispo ordenador pe­ caráter dêles, seja o que fô r que
diu, em nome da Igreja, que fôs­ penseis da dignidade dêles, livre­
semos ordenados para a função do mente fazei-o conhecido. Atestai
sacerdócio. O Bispo perguntou: a idoneidade dêles para o sa­
41Sabeis que eles são dignos?” cerdócio segundo o mérito antes
O assistente respondeu: “ Tan­ que segundo o afeto. Se alguém
to quanto permite saber a fra ­ tem alguma coisa contra êles,
gilidade humana, sei e testifico perante Deus e pelo amor de
que eles são dignos do encargo Deus adiante-se confiantemente
dêsse ofício” . e fale” . . .
Então o Bispo dirigiu-se ao Então, após uma pausa, o Bis­
clero e ao povo ali reunidos: po dirigiu-se a nós que íamos
“ Amados irmãos, tanto o coman­ ser ordenados: “ Caríssimos f i ­
dante de um navio como os pas­ lhos, ides ser ordenados com r
sageiros estão na mesma condi­ ordem do sacerdócio. Esforça
ção quanto à segurança ou ao pe­ vos para a receberdes dignamei
rigo. Fazem causa comum e, por­ te, e, para, depois de a recebe,
tanto, devem ser do mesmo pen­ des, lhe cumprirdes os deveres d
sar. Realmente, não foi sem ra­ maneira digna de louvor.
zão que os Padres ordenaram que, “ O ofício do sacerdote é ofe­
na eleição de candidatos ao ser­ recer sacrifício, abençoar, gover­
viço do altar, também o povo fos­ nar, pregar e batizar. N a ver­
se consultado. Porque aqui e ali dade, deve ser com grande temor
sucede que, quanto à vida e con­ que ascendeis a um estádio tão
duta de um candidato, uns pou­ alto; e deveis tomar cuidado para
cos conhecem aquilo que é des­ que a sabedoria celeste, um ca­
conhecido da maioria. Necessà- ráter irrepreensível e uma retidão
riamente, também, o povo presta­ longamente continuada rejam o
rá obediência mais pronta ao or­ futuro que o candidato escolheu.
denado se houver consentido na Foi por esta razão que o Senhor,
sua Ordenação. quando mandou Moisés escolher,
“ Ora, com a ajuda do Senhor de todo o povo de Israel, seten­
êstes diáconos estão para ser or­ ta homens para o assistirem, e
denados sacerdotes. A té onde pos­ conceder a êles um quinhão nos
so julgar, a vida deles foi de dons do Espírito Santo, acrescen­
bondade aprovada e agradável a tou esta instrução: Toma aquê-
Deus, e, na minha opinião, me­ les que sabes serem os mais ve­
rece-lhes promoção a uma honra lhos do povo. Ora, vós tereis sido
eclesiástica mais alta. Contudo, moldados por êsses setenta mais

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velhos se, assistidos pelos sete Senhor, deveis esforçar-vos p0r
dons do Espírito, observardes os m ortificar nos vossos membros
Dez Mandamentos da lei, e pro­ todo pecado e concupiscência. Se­
vardes serdes dignos, maduros em ja a vossa pregação um remé­
mente e igualmente em obras. dio espiritual para o povo de
“ Sob o mesmo mistério e figu ­ Deus, e que o doce odor da vos­
ra, o Senhor escolheu no Nôvo sa vida santa seja um deleite p a­
Testamento setenta e dois discí­ ra a Igreja de Cristo. E d ificai,
pulos que mandou, dois a dois, assim, por palavra e exemplo, a
adiante de si, para pregarem. casa, isto é, a fam ília de Deus,
Assim, êle desejava ensinar, por de modo que a vossa promoção
palavra e por ato, que os minis­ a tão grande ofício e a recep­
tros da sua Ig re ja deveriam ser ção dele não sejam para vós ou
perfeitos em fé e em prática, ou, para nós causa de condenação,
por outras palavras, deveriam ser mas, antes, de recompensa. Con­
bem fundados no duplo amor, a ceda-no-lo Deus por sua graça” .
saber: o amor de Deus e o amor Então o Bispo e todos os p re­
do próximo. sentes rezaram por nós. E a o r a ­
“ Portanto, procurai ser tais, ção final foi a do Bispo: “ O re­
pela graça de Deus, que sejais mos, amadíssimos irmãos, a Deus
dignos de ser escolhidos como os Pai Onipotente para que ê le
auxiliares de Moisés e como os multiplique seus dons celestiais
doze Apóstolos, isto é, os Bispos sôbre êstes seus servos que ê le
católicos, que são representados escolheu para o ofício do sacer­
por Moisés e pelos doze Apósto­ dócio. Possam eles, com o seu
los. Verdadeiramente admirável é auxílio, cumprir aquilo que em ­
a variedade com que a Santa Igre­ preendem a seu gracioso chama­
ja é dotada, adornada e gover­ do, por Cristo Senhor Nosso” .
nada. Os seus ministros são ho­
Voltando-se para nós, enquan­
mens ordenados em várias ordens,
to nos ajoelhávamos diante dêle,
alguns Bispos, outros inferiores
o Bispo orou novamente: “ Ouvi-
em categoria, sacerdotes e diá­
nos, rogamo-vos, Senhor nosso
conos e subdiáconos; e, de mui­
Deus, e derramai sôbre êstes vos­
tos membros distintos na digni­
sos servos a bênção do Espírito
dade, o único Corpo de Cristo é
Santo e o poder da graça sacer­
formado. dotal. Sustentai-os para sempre
“ Portanto, amadíssimos filhos, com a munificência dos vossos
escolhidos por nossos irmãos para dons, que apresentamos à vossa
serdes nossos auxiliares no mi­
misericórdia para serem consa­
nistério, mantende no vosso com­
grados. Por Nosso Senhor Jesus
portamento uma inviolada pure­
Cristo, vosso Filho, que convosco
za e santidade de vida. Compre­
endei o que fizerdes, imitai o vive e reina em unidade do mes­
que administrardes. Visto que ce­ mo Espírito Santo, Deus, por to ­
lebrais o mistério da morte do dos os séculos dos séculos. . .

14
“ Suplicamo-vos, ó Senhor, nos çoarem seja abençoado, e tudo
deis também auxílio na nossa en­ quando elas consagrarem seja
fermidade; precisamos tanto dê- consagrado e santificado” .
l e . .. já que muito maior é a Foram-me confiados os vasos do
nossa fraqueza. Suplicamo-vos, ó altar — um cálice com vinho c
Pai Onipotente, investirdes estes um pouco do água, e um prati-
vossos servos com a dignidade do nho dourado contendo o pão não
sacerdócio. Renovai nos seus co­ consagrado que dentro em pou­
rações o espírito de santidade, co eu usaria no altar. E o Bispo
para que êles possam desempe­ orou: “ Recebei o poder de ofe­
nhar o seu ofício, o segundo em recer sacrifício a Deus e de ce­
importância, que êles receberam lebrar Missa tanto pelos vivos
de vós, ó Senhor, e para que, pelo como pelos mortos, em nome do
exemplo de suas vidas, apontem Senhor” .
uma norma de conduta. Sejam Estava eu, assim, sendo consa­
êles colaboradores vigilantes da grado a Deus e ao serviço das
nossa Ordem; que o modelo de almas.
toda justiça brilhe neles de modo Estava sendo marcado com o si
que, quando êles prestarem uma nal da Cruz.
boa conta da mordomia que lhes O verdadeira âmago da Ord
foi confiada, possam receber a nação era silencioso e quase corr
recompensa da eterna felicidade”. a confidência de um grande sc
Então fomos vestidos com as grêdo.
vestes sacerdotais que trazíamos Eu me ajoelhara diante do
no braço, e, enquanto o fazíamos, Bispo, e na minha cabeça êle
éramos exortados pelo Bispo, com colocou as mãos. Não era êste
estas palavras: “ Recebei o jugo um gesto leviano e casual. As
do Senhor, pois o seu jugo é suas velhas mãos, calejadas dos
suave e o seu fardo le v e ... re­ labores de uma vida inteira, pa­
cebei a veste sacerdotal, pela reciam imprimir-se na minha ca­
qual é significada a caridade; beça. Êle as tornou deliberada-
porque Deus é poderoso para lhes mente pesadas, pois aquelas mãos
aumentar a caridade e o serviço vinham a mim carregadas da his­
perfeito” . tória das idades. O gesto que
Então estendi minhas mãos, que êle fazia, S. Pedra o havia feito,
o Bispo ungiu com óleo e envol­ e haviam-no feito S. Tiago e S.
veu cuidadosamente num pano de Paulo, quando enviavam os seus
linho nôvo. O óleo as pôs à parte jovens sucessores a trabalharem
para as altas responsabilidades e morrerem por Cristo.
da minha obra sacerdotal. A s mãos dêle estavam pesadas
Durante essa unção o Bispo ora­ do Espírito Santo.
v a : “ Dignai-vos, ó Senhor, de Porque eu sabia e profunda-
consagrar e santificar estas mãos mente cria que o Espírito San­
por esta nossa unção e bênção... to estava vindo a mim. “ Recebei
para que tudo quanto elas aben­ o Espírito Santo” , dissera Cristo

15
aos seus discípulos. E esse mes­ Daquele momento em diante eu
mo Espírito Santo eles haviam devia passar a minha vida pedin­
transmitido aos seus sucessores do a Deus voltar para junto do
que se tinham ajoelhado diante seu povo, e, por meus atos oficiais,
dêles para receberem o sacerdócio. possibilitar essa volta.
A s mãos do Bispo estavam pe­ Agora eu devia descer até o meu
sadas dos podêres que Cristo ha­ povo e elevá-lo até Deus.
via dado a seus discípulos esco­ As tremendas responsabilidades
lhidos. Eu era ordenado para per­ dêsse ofício fizeram-me trem er
doar pecados. “ A quem perdoar­ então, como tremo agora ante a
des os pecados ser-lhes-ão perdoa­ contínua experiência da minha
dos. . . ” Era-me mandado tomar o indignidade pessoal. Mas eu sabia
pão e o vinho e oferecê-los no su­ então como sei agora que Deus
blime Sacrifício da Missa. “ Isto é queria v ir ao seu povo e se u tili­
meu Corpo. . . Isto é meu San­ zaria mesmo de mim, indigno sa­
gue. .. Fazei isto em memória de cerdote, para o seu alto desejo.
mim” . Eu era agora obrigado a Sabia, também, que a fome ín ti­
levantar minhas mãos no gesto ma do povo era de Deus, e que o
de um mestre oficial. povo aceitaria o meu sacerdócio,
Quando as mãos do Bispo foram por mais imperfeitamente que eu
retiradas da minha cabeça, um o exercesse, — especialmente se,
após outro os sacerdotes que en­ pela minha vida pessoal e pela m i­
chiam a igreja se aproximaram, e nha obra como sacerdote, eu pu­
cada um dêles pousou sobre a desse elevá-lo para mais peito do'
seu Deus.
minha cabeça as suas mãos sa­
cerdotais. O Bispo voltara-se e ficara de
frente para o altar, porque agora
Quase parecia-me sentir a gra­
era tempo da celebração da Missa
ça do poder sacerdotal dêles flu ir de Ordenação.
dentro da minha jovem alma. Ge­
A minha voz e as vozes dos
ração sôbre geração, em longo
meus colegas em tôm o de mim,
passado, estavam concentradas agora sacerdotes como eu, jun-
naquele momento, em que a mim, taram-se à do Bispo enquanto êle
nôvo sacerdote, era confiada a oferecia o sacrifício.
mesma alta dignidade que perten­ Todos nós juntos oferecemos a
cera aos sacerdotes da An tiga e Deus o pão e o vinho.
da N ova Lei. A gora era meu o
Juntos dissemos as gloriosas
admirável ofício dêles. palavras que Cristo ordenara:
Sem o merecer, eu fôra elevado “ Isto é meu Corpo, isto é meu
pelo meu ofício a ser instrumen­ Sangue” . O Filho de Deus visi­
to de Deus Todo-Poderoso — o fí­ tava o seu povo.
cio que me colocava à testa do Juntos lhe pedimos v ir aos nos­
meu povo perante Deus. sos corações e aos corações das

16
pessoaa a quem amávamos. Era minhas mãos ungidas de fresco.
o augusto momento da Sagrada Eles, os meus entes mais amados,
Comunhão. foram os primeiros a quem servi
Estava finda a Missa de Or­ na alegria do meu sacerdócio.
denação; o Bispo deixou o san­ Então a grade apinhou-se de
tuário e nós voltamos à igreja, gente que veio para ser abençoada
que nos esperava. A li, na grade por Deus por intermédio dos seus
que separava o santuário do resto novos sacerdotes.
da'igreja, estavam ajoelhados mi­ E eu era sacerdote para sem­
nha mãe e meu pai. Dirigi-me pre, e não posso achar palavras
para eles, e sobre as suas cabeças para vos dizer a minha alegria.
curvadas fiz o sinal da cruz com

17
Esta é a pretensão da­ Contudo, exceto nos ca­
queles que dizem que não sos raros e cxcepcionais
precisam de ninguém pa­ como o do Maná no de­
ra mediar entre eles e serto, todo alimento vem
Deus. “ Eu vou direito a a nós através do vasto sis­
Deus para tudo” , dizem tema do universo m aterial
êles. e de agentes humanos ta is
Ora, considerada de per­ como o fazendeiro, o pe­
to, esta pretensão é sin­ cuarista, o cozinheiro e
gularmente inverídica. , . o padeiro.
de qualquer modo que vo­ Deus é a fonte de tôda
cê queira olhá-la. verdade.
Deus tem um plano, mui dis- Mas, exceto no caso dos raros
cem ível, que se estende a todo o e inspfrados profetas dos anti­
universo: todas as coisas vêm-nos gos tempos, tôda verdade vem-nos
le Deus como da sua fonte últi­ de Deus através de fontes huma­
ma; porém muitas coisas também nas tais como nossos pais, mes­
nos vêm através de algum fator tres, amigos, educadores e es­
criado, ou em conexão com a ati­ critores.
vidade dêle. Nós pedimos a Deus saúde e
Deus assim fêz o seu modo de lhe agradecemos quando ele nos
dirigir o universo. abençoou com fortaleza corporal.
Ninguém pode negar que Deus Contudo, a nossa saúde estaria
agre constantemente através de mal parada se nós não usássemos
agentes humanos. os meios que Deus pôs à nossa
Entre nós e Deus está uma mul­ disposição para sermos fortes e
tidão de pessoas, que, na realidade, permanecermos bem, como sejam:
são deputados de Deus que nos a saúde herdada e o generoso cui­
servem em nome e sob a auto­ dado de nossos pais, o alimento
ridade dêle. Todas as coisas vêm conveniente proveniente daqueles
de Deus; mas vêm de Deus atra­ que o fornecem, os nossos médi­
vés das mãos ocupadas, profissio­ cos, hospitais, farmacêuticos e en­
nais, treinadas ou não treinadas, fermeiras.
dos nossos semelhantes. A té mesmo a nossa vida nos
Deus é o Criador de todo ali­ vem de Deus com a cooperação
mento que nós comemos. das suas criaturas.

18
Deus é o autor da vida. Toda­ dos santos da Antiga Lei. Êstes
via, êlc utiliza nossos pais para podem granjear o favor dêle co­
nos dar a vida. Se eles não hou­ mo outros não podem. Êle mes­
vessem cooperado com êle, nós mo não guia diretamente o seu
não teríamos sido concebidos ou povo. Escolhe homens c mulhe­
postos no mundo. A vida só veio res para conduzirem seu povo em
do Deus a nós quando nossos pais seu lugar.
se amaram, se casaram e pro­ Todo o Antigo Testamento, com
criaram a nossa vida infante de razão caro aos corações cristãos,
acordo com o plano de Deus. é o registo de homens e mulhe­
Destarte, dizer que a gente re­ res, notàvelmente de sacerdotes
cebe tudo diretamente de Deus ordenados escolhidos por Deus,
é puro contra-senso. os quais se erguem entre Deus
Com efeito, o meio normal pe­ e o povo. Êles rezam pelo povo.
lo qual nós recebemos tudo de Oferecem sacrifícios pelo povo.
Deus, no seu plano presente, é Fazem as coisas indicadas que
através de seres humanos. granjeiam o favor de Deus para
Até mesmo Deus e a sua graça. o povo. Ensinam o povo. Condu­
Se você crê em Deus, êle não zem o povo a Deus, que espera
o instruiu diretamente a respeito pelo amor e pelo serviço do
de si mesmo. Instruiu-o por in­ povo.
termédio de seus pais, por inter­ Como sacerdote católico, so»
médio de Cristo e dos seus Após­ profundamente cônscio do sace
tolos, por intermédio do seu L i­ dócio de Jesus Cristo.
vro Sagrado que foi trazido à N a verdade, em Cristo eu ve
existência por uma variedade de o sacerdote pleno e perfeito.
escritores divinamente inspirados, Para mim, como católico, comv
mas sempre humanos, e por in­ cristão que aceita o Cristo pleno
termédio da sua Igreja. e perfeito, Cristo é sacerdote por
Por isto, rejeitar o fato e a força da sua própria natureza.
obra dos sacerdotes no Cristianis­ Em virtude do seu ofício e do
mo é dizer: Num só lugar e uma seu caráter profissional e da sua
só vez Deus age diretamente e obra, um sacerdote é, queira lem-
sem intermediário humano — e brar-se disto, um homem que se
é quando se trata de religião. erige como representante de Deus
Onde é que alguém acha tal idéia junto ao povo e como represen­
na Bíblia? N a realidade, a B í­ tante do povo perante Deus. Êle
blia é uma longa história do modo traz Deus ao povo e leva o povo
como sêres humanos levam outros a Deus.
sêres humanos a Deus. A li você Portanto, quão perfeita, plena
achará que Deus está constante­ e realmente Jesus Cristo é sa­
mente escolhendo homens e mu­ cerdote!
lheres para agirem como seus Creio que Jesus Cristo é ver­
mensageiros, para levarem seu dadeiro Deus e verdadeiro homem.
povo a êle. Êle escuta as vozes Creio que na pessoa do Salva­

19
dor está a perfeição da Divinda­ N a sua pessoa divina êle uniu
de e estão todos os atributos da Deus e o homem.
nossa humanidade. Ora, como nosso Sumo Sacer­
Por isto, em Jesus Cristo tem- dote, êle faz a sua oferta a Deus.
se o sacerdote completo. Apresenta a seu Pai celestial a
N a sua pessoa divina êle alia sua vida imaculada.
a natureza de Deus e a natureza Por ser êle homem, o seu so­
de homem. frimento e morte podem expiar
Realmente, no momento em que todos os pecados e culpas huma­
o Filho eterno de Deus se fêz nas.
homem, Deus veio à terra e ele­ Por ser Deus, o que êle fa z
vou a natureza humana a uma é de valor infinito, aceitável ao
união consigo mesmo. Deus infinito.
No decurso da sua vida, Cris­ A vida que êle livremente ofe­
to foi o sacerdote, o sacerdote ple­ rece é a sua própria vida. Quem
no e perfeito, porque na pessoa oferece essa vida é o nosso re­
do Salvador estavam unidos o presentante e também o nosso
Deus do Céu e o Filho do Homem. Deus.
Portanto, nos momentos su­ Por isto, a morte de Cristo na
blimes do seu ofício sacerdotal, cruz nãó foi meramente o ato al-
Cristo representou o pleno papel truístico de um homem grande e
de sacerdote. bom, mas sim o Sacrifício supre­
N a Última Ceia, êle desempe­ mo do nosso Sumo Sacerdote pa­
nhou perfeitamente a função sa­ ra todos os tempos.
cerdotal do Pai de família. Ofe­ Nêle, todas as sangrentas f i ­
receu o cordeiro pascal e deu-o
guras simbolizantes da Lei An­
aos seus apóstolos. Depois enca­
tiga e dos sacrifícios desta são
minhou-se para o glorioso Sacri­ realizadas. João Batista chamou-
fício da Nova Lei. Primeiramente lhe o Cordeiro de Deus. Ora, ês-
ofereceu a Deus o pão e o vinho,
se Cordeiro, vítima favorita de
que são os antigos símbolos da
todos os sacrifícios, é sacrificado
vida. Depois formulou a mani­
em favor de nós.
festa declaração de fato: MIsto é
Creio que Jesus Cristo é o per­
meu corpo... isto é meu sangue” ;
feito, principal e único sacerdote
e ofereceu a Deus separadamen­
de todos os tempos, e, como tal,
te seu Corpo e seu Sangue em sa­
não pode ter sucessores.
crifício incruento, num dom pleno
e sublime. Aceito tudo o que S. Paulo tão
brilhantemente escreve sôbre êle
Seguindo de perto a Ceia do
na sua Epístola aos Hebreus.
Senhor na noite da Quinta-Feira
Santa, veio o Sacrifício da sua Êle é, em verdade, o nosso Su­
vida no Calvário no dia imediato. mo Sacerdote.
Cristo nosso Sumo Sacerdote Eu não só creio isto, mas tam­
sobe ao altar da cruz. A li er- bém sei exatamente por que o
gue-se como o sacerdote perfeito. creio.

20
Mas será que, pelo fato de ter­ fazê-las com a feição perfeita or­
mos um só Sumo Sacerdote, isso denada por Cristo.
significa que com êle todo sacri­ A história apropria-se imedia-
fício cessou? Acaso Cristo preten­ tamente disso.
deu que a sua religião fôsse uma Como embaixadores de Deus c
religião com um único Sacrifício dispensadores dos seus mistérios,
histórico desaparecendo no pas­ os sacerdotes cristãos começa­
sado distante? Devia o Cristianis­ ram imediatamente a funcionar.
mo contentar-se com a memória Erguem-se entre Deus e o po­
de um grande Dom feito uma só vo, êsses Apóstolos. Continuam
vez a Deus? Devia a Sexta-Feira a missão de Cristo reconciliando
Santa ter um só e o único Sa­ Deus com seu povo.
crifício do Cristianismo? E não Ensinam como sacerdotes. Per­
devia haver sacerdote, já que doam pecados por mandato divi­
Cristo funcionara como nosso Su­ no. Em tôda parte levam a efei­
mo Sacerdote? v to o Sacrifício da Última Ceia.
O próprio Cristo disse que não Assim, desde os próprios fun­
veio destruir, mas completar. damentos do Cristianismo nós te­
N a Última Ceia, uma vez que mos o sacerdote cristão.
êle aperfeiçoara o sacrifício do Êle se considera como fazendo
cordeiro pascal e dera, em lugar aquilo que Cristo mandou. As­
dêle, o Sacrifício de si mesmo sob sim também faz o seu povo.
as espécies de pão e de vinho, êle O sacerdote é incumbido c
deu aos seus Apóstolos um in­ continuar a obra de Cristo,
sistente mandamento: “ Fazei is­ Sumo Sacerdote. O que êle ii
to em memória de mim”. é apenas aquilo que Cristo mar.
dou:
O oferecimento do pão e do vi­
nho que êle fêz, êles também de­ “ Fazei isto” com o pão e o
viam fazê-lo. vinho.
“ Perdoai os pecados” em nome
A consagração do pão e do v i­
e pelo poder de Cristo.
nho no seu Corpo e no seu San­
gue devia ser agora o ofício dê- “ Ide e ensinai” em obediência
les como seus delegados e como os à voz que disse: “ Quem vos es­
instrumentos do seu divino poder. cuta a mim escuta” .
E êles deviam agora oferecer Tomaria muito mais espaço do
Cristo ao Pai celeste sob as apa­ que o permite êste pequeno fo­
rências de pão e de vinho. lheto o explicar tudo isto plena­
mente. Aqui posso dar apenas
O sacerdócio judeu era aper­
feiçoado no sacerdócio cristão, e uma explicação, e não as pro­
as funções religiosas que, por vas que muitos espíritos indaga­
mandamento de Deus, os sacer­ dores exigem. Em si mesmo é di ­
dotes judeus faziam com feição fícil dar uma explicação, e por
preparatória, os sacerdotes cris­ isto deixe-me dá-la de modo
tãos imediatamente começaram a pessoal.

21
Sou sacerdote porque, no pla­ Eu sou o sacerdote dependente,
no de Deus, instrumentos huma­ delegado, fraco e fa lível; êle é o
nos servem em tudo ao povo de sacerdote perfeito e único. Contu­
Deus. Deus dá alimento, vestuá­ do, uma vez quo êle confiou a di­
rio, saber, e mesmo religião, por reção do seu reino a sêres huma­
intermédio dos meus semelhantes. nos como eu, deu-mo o abençoado
Sim, até mesmo a si êle se dá por privilégio e ofício de funcionar
meio dos meus semelhantes. como seu sacerdote, em seu nome
Não creio que o Cristianismo e mediante o seu poder.
tenha tido um único Sacerdote Se Deus ordenou que você vá
há muito subido ao Céu, o qual a um médico para a conservação
levou a efeito um único Sacri­ c restauração da sua saúde — e
fício e depois deixou o povo sem no entanto todo o tempo você
um dom diário a fazer ao seu pede a êle que inspire e guie o
Deus. Creio que a religião per­ médico. . .
feita, qual é a de Cristo, tem
um sublime Sumo Sacerdote, o Se você emprega um advogado
Salvador. Também tem um Sa­ para obter justiça para si — e
crifício vivo, diário, e sacerdotes no entanto pede a Deus que dê
vivos para o oferecerem. sabedoria ao ju iz ...
Quando eu subo ao altar para Se você agradece a Deus o seu
oferecer êsse Sacrifício, subo-o alimento — e no entanto o com­
como agente e representante de pra do seu vendeiro e come aqui­
Cristo. Só dêste modo é que par­ lo que foi preparado pelo seu
ticipo do sacerdócio dêle. Creio cozinheiro. . .
que nisso a que nós chamamos a Se você adquire saber através
Missa, ou seja, a representação
de mil fatores humanos — e no
da Última Ceia, o próprio Cristo
entanto sabe que Deus é a fonte
é, como o era no Calvário e na
última da verdade...
Última Ceia, o Sumo Sacerdote.
Eu sou meramente um agente Então eu creio que é simples
humano ao qual o seu sacerdócio lógica dizer: Deus pretendeu que
fo i delegado, fazendo eu o que nós tivéssemos agentes humanos
êle mandou, de modo que o seu que profissionalmente apresen­
grande Sacrifício pode ser o dom tassem os dons dêle a nós e nos
diário oferecido pela humanida­ representassem perante êle. Tudo
de a Deus e o dom de redenção
isso faz parte do seu admirável
e de graça feito por Deus ao seu
plano de permitir aos sêres hu­
povo.
manos livres a direção real do
Sei que só posso fazer isso
como instrumento de Deus. mundo e do reino dêle na terra.
Capacito-me plenamente de que Êle é Senhor do mundo. Nós so­
é minha obrigação conduzir o mos os seus mordomos. Êle nos
povo não a mim mesmo, mas dá tôdas as coisas; mas estas
sim a Jesus Cristo. coisas vêm a nós através das m i­

22
ni st rações daqueles que nos ser­ seu próprio caráter sacerdotal
vem de mil maneiras diferentes. perfeito, mas estabeleceu o pa­
Sei que Jesus Cristo é o gran­ drão daquilo que os seus sacer­
de e supremo Sacerdote. dotes cristãos deveriam ser.
Mas êle graciosamente me per­ Isto é o que o Cristianismo
mite agir em seu nome como seu histórico sempre creu.
sacerdote visível perante o povo. Êste é o desejo do coração hu­
Porque êle quer que o povo te­ mano. .. é a resposta às aspi­
nha tanto um sacerdote visível rações da natureza humana.
como um sacerdote invisível. Definidamente e em palavras
Quer que o Sacrifício dos cris­ claras Cristo elevou os homens a
tãos não seja um Sacrifício re­ um ofício entre o povo e Deus, e
moto de dezenove séculos, mas sim delegou-lhes o poder de ensinar
um Sacrifício Redentor que se com verdade, de perdoar pecados,
acha disponível ao povo todos de fazer coisas maravilhosas com
os dias e em todos os lugares. pão e vinho.
Êle não terminou o sacerdócio, Isto faço eu hoje, por ser sa
uma vez por tôdas, por causa do cerdote de Cristo.

28
Ç iic é que um
9
suceríioíe católico fa
2

“ Ser padre católico de­ Como sacerdote, consi­


ve ser um negócio bem dero êste o meu maior
“ sopa". Que é que um pa­ trabalho do dia. Ofereço
dre faz, de qualquer ma­ a Deus, conforme êle me
neira, para merecer o mandou, um tríplice dom:
apoio que seu povo lhe O dom do pão e do v i­
dá?” E ' esta uma grande nho, antigos símbolos do
questão, e por isto tenho próprio Cristo;
de responder a ela com O dom de mim mesmo
alguma minúcia. e do Deus perfeito e per­
Tomemos o dia da mé­ feito homem sob as apa­
dia dos sacerdotes, de qua­ rências de pão e de vinho;
se todos os sacerdotes. O dom de mim mesmo e do
Em alguns lugares êle se le­ povo de Deus unido com o Sal­
vanta entre seis e sete horas, vador e dedicado à sua glória.
ou mesmo bem mais cedo, de­ Em troca, Deus me dá, e ao
pendendo da hora da Missa que povo, Cristo Jesus na admirável
êle reza na igreja ou capela união a que chamamos Sagrada
paroquial. Comunhão.
A Ig reja espera que êle se
entregue pelo menos a uma Ofereço a Missa por diferentes
meia hora de oração pessoal. Is­ intenções: pela paz do mundo, pa­
to êle o deve a Deus e à sua ra obter fortaleza e êxito para
própria alma. Usualmente isto a vida, pela salvação dos peca­
é chamado oração mental, ora­ dores e pelo incremento dos san­
ção passada em pensar sôbre tos, para obter a bênção de Deus
algum incidente do Evangelho, sôbre tôda a humanidade, por
sôbre algum característico de tôdas aquelas coisas que os ho­
mens e as mulheres devem ter
Cristo, sôbre os seus próprios de­
veres e sôbre os privilégios pe­ se conhecerem a vontade de Deus
e a fizerem.
los quais êle deve a Deus tão
profunda gratidão, sôbre as ne­ Mais do que isto, creio que, por
cessidades do seu povo e sôbre o meio da Missa, eu abro a por­
que êle pode fazer para ocorrer ta pela qual Jesus Cristo visi­
a elas. ta o seu mundo. Os comunistas
Depois vai ao altar e diz Missa. odeiam os padres; o mesmo fa -

24
zem todos aqueles que odeiam Je­ viço começam cedo. O seu dia
sus Cristo. Por alguma espécie é pontilhado de numerosos cha­
do intuição diabólica eles sabem mados telefónicos, de idas ao ga­
que, quando os padres dizem Mis- binete ou escritório, do soar da
sa, trazem Cristo ao seu mundo campainha da porta. Os sacer­
e para junto do seu povo. Sen­ dotes são um imã para mendigos,
tem que, se êles puderem obstar para os que estão em angústia
à Missa, podem separar Cristo espiritual ou mental, para san­
do seu povo. Por isto atacam os tos, para pecadores, para gente
padres, como um meio de pôr fim simples — e para “ cacetes”. Um
à Missa. sacerdote cedo aprende a escutar,
Em seguida à Missa, muitas e, assim, escuta, dá do seu par­
vezes o sacerdote leva Cristo, co ganho em caridade, e dá, em
sob as espécies de pão, na Sa­ direção moral ou espiritual, do
grada Comunhão, aos doentes e seu acervo de saber e de expe­
impedidos na sua paróquia. Vai riência cuidadosamente adquiri­
de casa em casa, levando consigo dos.
Cristo. Quando o homem de gola Também é muito comum um
romana cruza com você no seu sacerdote ensinar religião a me­
caminho para o trabalho, as pro­ ninos e meninas na escola pare
babilidades são de estar êle le­ quial. Ou pode estar ensinand
vando Jesus Cristo, na Eucaris­ latim ou ciência ou literatura ni
tia, aos velhos, aos prostrados, ma escola secundária ou num co
aos doentes, aos moribundos. légio.
Bastantes vezes, antes ou de­ Depois dos seus deveres paro­
pois da Missa, há pessoas que quiais, muitos sacerdotes moder­
desejam confessar-se. A Confis­ nos chefiam um dos importantes
são é o modo de o sacerdote cum­ departamentos diocesanos; o que
prir o mandamento de Cristo pa­ quer dizer que êle pode ser edi­
ra perdoar pecados, e o modo de tor de um jornal religioso, di­
os cristãos buscarem perdão para retor de uma das obras de cari­
os seus pecados. Além desta ma­
dade da cidade, superintendente
téria de perdoar pecados pelo po­
de uma escola católica, ou encar­
der de Cristo, a Confissão é uma
regado da entidade que coleta
oportunidade para os católicos
fundos necessários para sustentar
buscarem conselho, exporem seus
missionários no país ou em paí­
problemas pessoais a um conse­ ses longínquos.
lheiro objetivo e adestrado, e ob­
terem o auxílio de que necessitam Se êle não estiver fazendo is­
para o viver confuso e difícil que to, estará empenhado em mil de­
nós todos experimentamos. veres ligados com a direção e ma­
O almoço na reitoria de um nutenção de uma paróquia cató­
sacerdote geralmente é apressa­ lica. Porque uma paróquia cató­
do; porque os chamados de ser­ lica não é apenas uma igreja

26
aberta nos domingos pela manhã planejada c sôbre a obra em p r o ­
e talvez duas noites por sema­ gresso.
na; 6 uma igreja aberta do nas­ Como homem educado, êle neces­
cer do sol até tarde da noite; é sita de tempo para estudo e le i­
uma grande escola para todos; é tura pessoal. Cada domingo êle
ò centro de uma variedade de or­ tem um sermão a pregar, c g e ­
ganizações católicas; é, talvez, ralmente, durante a semana, tem
um centro social ou de juventu­ algumas práticas a fazer. Bons
de. Tôdas estas coisas necessitam sermões não se fazem sim ples­
constante atenção, inspeção e real mente desejando vê-los em e x is ­
trabalho físico. tência. Reclamam estudo e p r e ­
Muitas paróquias da cidade paro cuidadosos.
têm, nas suas zonas, um hospi­ As tardes podem ser tem po
tal. Seja êste um hospital cató- atarefado. Usualmente, muitos s a ­
- lico ou não, o sacerdote visita cerdotes procuram tirar uma t a r ­
aqueles que desejam vê-lo, e faz de na semana para visitar seus
disto um ponto de apoio para ver pais ou parentes, para fazer um
se pode localizar e procurar pouco de esporte, para fazer com ­
aquêles que de algum modo pos- pras pessoais, para ler em tra n ­
;am aproveitar da sua visita, do quilidade não perturbada, p a ra
leu conselho, do seu auxílio ime­ cuidar de coisas como fo to g ra fia
diato e dos podêres sacerdotais ou coleção de selos, etc. Se re a l­
de que êle dispõe. mente conseguem essa tarde, dão-
Ligada a tôda igreja católica se por muito felizes.
está uma variedade de atividades As outras tardes são um cons­
— sociedades tanto para rapazes tante círculo de chamados à sa­
como para raparigas; sociedades cristia; é gente que vem tra ta r
para homens e mulheres e ca­ de casamentos e funerais e batiza­
sais; sociedades dedicadas a obras dos, são mães que vêm com os f i ­
particulares de caridade, de ins­ lhos para se aconselharem, é gen­
trução, de recreio, de missões, de te casada que vem com os seus
cooperativas, e assim por diante. problemas, é gente não casada que
O sacerdote é responsável ao me­ vem conversar sôbre o seu futu­
nos por um interêsse pessoal por ro. Durante as tardes, são ouvi­
essas atividades e sociedades, e das as confissões dos meninos, e
as reuniões delas sempre conso­ usualmente, uma vez por semana,
mem tempo. o sacerdote ouve as confissões
das freiras num convento pró­
Se está construindo, deve o sa­
ximo.
cerdote ver e consultar o seu su­
perintendente de obras. Se está Depois do jantar, geralmente
reparando, como o está quase as tardes do pastor ou vigário
constantemente, tem de conceder são cheias.
tempo a preços e contratos, a ins­ Duas ou três noites na semana
peções e reinspeções sobre a obra pode haver cerimonias na igreja.

26
Quase tôda tarde alguma so­ O seu povo chama-lhe “ Padre”
ciedade tem uma reunião, algu­ ou Pai, porque em sentido espiri­
ma comissão reclama a atenção tual e religioso deve êle muitas ve­
do padre, algum clube está em zes agir como o pai de uma família
sessão. que constantemente pede o seu au­
À noitinha êle geralmente ins­ xílio em dificuldades reincidentes,
trui os que procuram esclareci­ e que quereria repartir com êle
mento sobre a Igreja Católica. suas alegrias e seus bons sucessos.
Uma môça pode trazer o môço Porém êle é mais sacerdote
que quer casar-se consigo e ao quando sobe ao altar e ao púlpito.
qual deve ser dito o que signifi­ Sente o seu sacerdócio profun­
ca casar-se com um católico. damente quando se senta na es­
0 convertido em perspectiva curidão do confessionário e os
tem de ser instruído no comple­ pecadores vêm a êle em busca de
to esboço da Fé e da prática ca­ paz para a mente e para a alma.
tólicas. O simples indagador deve Gosta de elevar Cristo sob a
ser recebido com cortesia c con­ aparência de pão para abençoar
sideração. o povo, na Bênção do SS. Sa­
Depois, a intervalos, durante cramento. Fica satisfeito quando
o dia, o padre dá voltas à sua um menino o faz parar com u?
paróquia. Visita os doentes. Vai convite: “ Venha ver-nos jog^
ter com os acamados. Pode visi­ bola, Padre!” .
tar um nôvo paroquiano, e de Sorri para a senhora que II
fato há uma larga variedade de apresenta o seu rosário para êl
razões para que êle tenha opor­ benzer, ou para a criança que
tunidade de visitar essa gente. lhe pede a bênção.
Em aditamento a tudo isso, po­ Sente-se extraordinàriamente
de o padre ser também chama­ feliz quando, no Batismo, der­
do a benzer um estabelecimento rama a água sôbre a cabeça de
numa inauguração, a participar uma criancinha, quando abençoa
de reuniões sociais às quais é de as mãos juntas de um jovem par
conveniência que atenda, etc., etc. em casamento, quando acolhe na
Mas, para resumir aquilo que sua paróquia um dos “ seus rapa­
pode parecer um enfadonho ca­ zes” que tinha ido para o Semi­
tálogo de deveres de rotina, um nário e que agora volta neo-sa-
bom sacerdote procura ser tudo cerdote cheio de zêlo.
para todos. E* uma vida ocupada, mas, tan­
Êle é um servidor público, e as­ to quanto pode fazê-lo o zêlo e
sim o considera o seu povo. Êle a fé humana, é uma vida ocupa­
tem muito pouco tempo privado e da dos negócios de D eus... dos
pequenos períodos de tempo inin­ negócios de meu Pai.
terrupto. E é por isto que um bom sa­
Pelos seus votos êle é obrigado cerdote é um homem feliz.
a dar livremente aquilo que li­ Certamente eu penso que êle é
vremente recebeu de Deus. um homem útil.

27
ra será ligado no céu, e tudo corpo de Cristo. Deus “ pôs tôdas
quanto desligardes na terra será as coisas debaixo dos seus pés
desligado no céu” (M t 18, 16-18). (de Cristo), e o pôs como cabeça
Essas palavras tornam intei­ sôbre tôda a Igreja, que é o seu
ramente claro que o fiel discípulo corpo” ( E f 1, 22-23). A mesma
de Cristo é obrigado a ouvir a idéia é repetida em Col 1, 18.
Igreja, sob pena de ser tachado A cabeça dirige o corpo. Por­
de pagão ou de publicano. E ’ di­ tanto, Cristo dirige a Igreja e
fícil dizer qual dessas classes era fala ao mundo por intermédio da
pior aos olhos daqueles a quem sua Igreja. A voz dela é a voz
Nosso Senhor falava. O publica­ dêle soando no século vinte como
no era o MQuisling” (quinta-colu- tem soado em cada século desde
na) do seu tempo, um empregado o sermão de Pedro no primeiro
do odiado e usurpador Império Pentecostes até o presente dia. A s
Romano, empregado que coletava leis da Ig reja são as leis de Deus.
os impostos para o opressor es­ Portanto, se a Ig reja é o que
trangeiro. a Bíblia diz que ela é, não é
Quanto ao pagão, êste é des­ uma loucura ir contra a Igreja?
crito nestes termos por S. Paulo: Pode-se objetar: “ Mas quem é que
“ Tendo o entendimento entene­ sabe qual é hoje a verdadeira
brecido, estando afastados da vida Igreja de Cristo?” , questão mui
de Deus pela ignorância que ne­ legítima e muito importante. A
les há por causa da cegueira do resposta a essa questão é de
seu coração; os quais, desesperan- suma importância, e pensamos que
do, se deram à lascívia, a obrar há para ela uma resposta mui
tôda imundície com avareza” ( E f convincente e satisfatória, a qual
4, 18-19). Merecer ser pôsto em leva plenamente em conta a B í­
tais categorias é coisa bem ater­ blia tôda, e não um ou outro texto
radora. dela isolado. Mas não é nosso
Essas palavras também confe­ intuito responder aqui a essa
rem à Ig re ja a autoridade de questão.
fazer leis. A força obrigatória
dessas leis é a mesma que se elas Uma só Igreja
fossem feitas pelo próprio Deus, A prática e as leis concernen­
por serem ratificadas por Deus tes ao Dia do Senhor ou Domin­
no céu. Não há outra explicação go vieram, contudo, à existência
satisfatória para as palavras: no tempo em que não havia senão
“ Tudo quanto ligardes na terra uma só Ig re ja . Para trás, nos
será ligado no céu” . tempos apostólicos, como já assi­
nalado, a Ig reja única sancionou
A Igreja é o Corpo de Cristo
a observância do Domingo, e in­
H á outra razão pela qual a dicou que a lei de Moisés fôra
Igreja, como nos diz S. Paulo, é revogada, “ pregada à cruz”, na
a “ coluna e fundamento da ver­ enfática frase de S. Paulo (Col
dade” . E* porque a Ig re ja é o 2, 14). E pouco depois, quando

28
ainda não tinha havido divisão na não eternamente. Que êles de­
Ig reja , foram promulgadas leis vem ser tomados neste sentido,
proclamando a obrigação de san­ isto é tornado inteiramente clara
tifica r o Domingo em vez do Sá­ pelo ensino inequívoco do Nôvo
bado. Testamento, de que êsse Pacto
P o r séculos a Ig re ja tôda, a “ eterno” foi anulado.
"coluna e fundamento da verdor Outra explicação que também é
dc” , observou o Domingo como o inteiramente satisfatória é que,
Dia do Senhor, o Dia Santo. Mui­ na medida em que um poder ter­
tos séculos mais tarde, quando reno intervém, as leis que Deus
houve cisão e vários grupos se dá devem durar e persistir inal­
separaram da Igreja, os ramos teradas. Mas isto não exclui a in­
cortados do venerável tronco pa­ tervenção de Deus para as alte­
terno levaram consigo a obser­ rar. Certamente o Todo-Podero-
vância do Domingo como o Dia so é livre de alterar leis que não
do Senhor. são reclamadas pela própria na­
Esta deve ser a vontade de tureza das coisas.
Deus, do contrário tudo o que o Quando lemos no Êx (31, 16):
divino Fundador disse sôbre a au­ "Os filhos de Israel guardarão o
toridade da Ig reja para fazer leis sábado, observarão o sábado en
é uma burla e uma decepção. Ou tôdas as suas gerações, por uz
então tudo o que S. Paulo, ins­ pacto perpétuo”, imediatamen'
pirado por Deus, disse sôbre a notamos que essa lei é tornac
Ig reja deve ser falso. obrigatória para os filhos de I.
Certamente Jesus Cristo não rael. Em seguida notamos que *
fundou a sua Ig re ja contra o observância do Sábado era um
próprio Deus, dando a ela poder sinal dessa aliança, e portanto de­
para mudar os mandamentos de via permanecer enquanto a alian­
Deus Onipotente eternamente du­ ça durasse. Quando o pacto é anu­
radouras! Não lemos que a lei lado, o sinal passa com êle. Mas
de Moisés devia ser a lei e ali­ sabemos — e o Nôvo Testamen­
ança eterna? Há uma reiterada to tom a isto clara como cristal
referência a estatutos que devem — que Deus revogou o Pacto an­
durar para sempre, como em Êx tigo, e por êste próprio fato o si­
12, 14, 17; Êx 28, 43, e muitas nal do pacto, que é a observân­
outras passagens. Ao Pacto do cia do sábado juntamente com a
Sinai se alude, em 1 Par 16, 17, circuncisão, cessa de ter qualquer
como eterno, ou durando para fôrça obrigatória. S. Paulo asse­
sempre. Muitas passagens seme- gura que a lei e o pacto do Si­
lhantes poderiam ser citadas. V e­ nai findaram no Calvário. A lei
ja, por exemplo, o SI 105, 10. fo i riscada, pregada à cruz (Col
No Antigo Testamento esses 2, 14), e êle também nos asse­
termos às vezes significam ape­ gura que ninguém deve julgar-
nas um tempo muito longo, mui­ nos, a nós cristãos, “ a propósito
tas gerações, muitos séculos, mas d o s ... sábados” (Col 2, 16).

29
sa mente, o nosso coração, as silêncio, reza e pensa, olha re-
nossas mãos. trospcctivamente para os erros e
A Ig re ja exige de nós que cada omissões do ano, e faz planos pa­
dia passemos cerca de uma hora ra o ano vindouro.
inteira rezando a Deus, usando Os esforços dos seus guias es­
para isso a oração oficial que é pirituais no seminário foram pa­
chamada o Ofício Divino. Com u-a adestrá-lo a pensar como é de
os Salmos de David e tôdas as supor que pensem os santos. É de
grandes orações do Antigo c do esperar que cada dia da sua vid a
Nôvo Testamento, com os sermões sacerdotal o ponha numa associa­
c os atos de Cristo, com a bri­ ção mais íntima com o seu S al­
lhante atuação dos Apóstolos e vador.
dos Santos, a Igreja compilou Contudo, por cerca de uma se­
um dos grandes livros d o . mun­ mana c-lhe ordenado andar com
do. Êle é ao mesmo tempo um Deus, pensar inteiramente sobre
livro de oração, um guia para o Deus e sôbre a sua alma, e v o l­
amor de Deus, um registo de glo­ tar à sua faina pronto a servir
riosas vidas de homens e mulhe­ a Deus com entusiasmo fresco e
res que amaram e serviram a nôvo zêlo.
Deus, a nata das Escrituras, os
sublimes pensamentos daqueles O bom sacerdote tem só uma
que conheceram Deus mais inti- ambição — tornar-se tanto quan­
mamente e que mais perfeitamen­ to possível semelhante a Jesus
te o serviram. Cristo.
Uma hora em cada dia da sua O sacerdote zeloso é, com ra ­
vida, o sacerdote lê e reza e me­ zão, ambicioso de amar a Deus
dita, dizendo o Ofício Divino. e de bem o servir.

Um sacerdote pode não ter as Como todos os frágeis mortais,


suas férias anuais, porque não muitas vêzes êle fracassa; a me­
há lei da Ig re ja que proteja e lhe ta é alta e os ideais são quase
garanta uma folga. Mas há uma temivelmente esplêndidos. Êle co­
lei da Ig re ja que insiste em que nhece os seus próprios pecados e,
cada ano o sacerdote se retire de quando é possível, uma vez por
tôdas as suas atividades normais, semana ajoelha-se diante de ou­
vá para um lugar sossegado, e tro sacerdote e os confessa a êle
como todos os católicos devem
passe uns cinco a sete dias intei­
confessar os seus pecados. Espe-
ros com Deus, nisso que é cha­
ra-se que êle leia constantemen­
mado um Retiro.
te as Escrituras e aqueles livros
Usualmente, sob a direção de espirituais que o ajudarão a tor­
um sacerdote mais velho, expe­ nar a sua vida mais bela e mais
rimentado na vida espiritual e semelhante à vida de Cristo. Ê le
com prática na oração e no amor sabe como fica aquém do ideal;
e serviço de Deus, êle passeia em mas sabe que o ideal aí está

30
sempre, e que Deus, a Igreja, único amor, e da obra de Deus
seus colegas sacerdotes o o povo a sua única ambição.
esperam que êle chegue a repro­ Não deve êle esquecer-se de que
duzir em si mesmo a imagem do o primeiro e o maior mandamen­
to dado ao mundo por Cristo,
Salvador tão do perto quanto pos­
o verdadeiro Sacerdote, é este:
sível. “ Amarás o Senhor teu Deus com
A Ig re ja tem em desdém os tôda a tua mente e coração e al­
sacerdotes mundanos c egoístas ma e força” .
e pecaminosos. Se êle fô r um verdadeiro sa­
cerdote, isto será a primeira e
A Igreja exige que o sacerdo­ grande regra da sua vida pes­
te mantenha Cristo no centro da soal, a sua ocupação oficial e o
sua vida e faça de Deus o seu seu constante esforço.

31
e ff
a
O;
a
O‘
Codos os filhos dc Deus
são meus filhosJ*
Cristo não teve ilusões decidos, e gosto de d a r
sôbre a dificuldade do se­ aos que apreciam os meus
gundo mandamento: Ama­ dons.
rás o teu próximo como Porém estes formam um
a ti mesmo. círculo mais pequeno de
A gente ouve surpreen­ pessoas na vida de m u i­
dente número de pessoas tos de nós.
dizerem despreocupada- E que dizer dos que m e
mente: “ Eu posso não ser incomodam?
lá muito religioso; mas Que dizer dos grosseiros
procuro praticar a Regra e pouco generosos, dos es­
de Ouro”. túpidos e enfadonhos?
Cristo foi mais sábio do que Que dizer dos que aceitam os
isso. Êle sabia que o único meio meus favores sem agradecimen­
de amar o próximo era amar pri­ tos e que nunca cogitam de m e
meiro a Deus. Seria difícil amar a fazer um presente de qualquer
Deus? Êle é boníssimo, generoso, espécie?
amável e misericordioso, justíssi­ Que dizer da gente de outras
mo e belo. Deus foi admiravelmen­ raças e de côr diferente, gente
te generoso para conosco. Deus é cujas maneiras são rudes e cuja
nosso Pai, nosso Salvador, nosso companhia eu acho mesmo repul­
Espírito Santo de amor e de luz. siva?
Realmente amar a Deus apre­ Que dizer dos meus inimigos?
senta pouca dificuldade. Que dizer dos Samaritanos de
E amar o próximo? A h ! aqui tôdas as gerações?
a coisa é inteiramente outra. Como sácerdote de Deus, eu
Eu posso amar aqueles que talvez esteja numa estranha si­
são bons ou simpáticos. Posso tuação. Tenho uma dupla obriga­
gostar muito dos que também ção. Não devo dar o meu amor a
gostam de mim. Posso achar atra­ uma só pessoa, mas devo amar
entes pessoas atraentes, e ser cada um. Não posso prender-me
amável para com gente amável, e a nenhuma família, minha mes­
generoso para com os generosos. ma ou de outro; todavia, devo
Gosto da inteligência das pes­ considerar como meus filhos to­
soas que me acham inteligente. dos aqueles que me chamam “ P a ­
Sou grato para com os agra­ dre” , tanto como aqueles que se

S2
afastam dc mim com desconfian­ Como sacerdote é de esperar
ça o desgósto. quo cu esteja o dia todo a ser­
Devo prezar a santidade onde viço dos filhos de Deus. Nenhum
quer que a ache, e no entanto dSlcs é realmente meu; mas to­
devo ser bondoso e misericordio­ dos são déle, e dal estarem to­
so para com os pecadores. dos sob a minha responsabilidade.
Devo esforçar-me por ter em Não posso escolher servir sò-
mim mesmo uma perfeição seme­ mento àqueles de quem gosto; as­
lhante à dc Cristo, c sempre ser sim não fêz Cristo. Os leprosos
discreto com os imperfeitos onde são meus juntamente com as gra­
quer que êlos estejam. ciosas mulheres de Betãnía e com
Não posso prender-me a nin­ o sábio Nicodcmos. Devo dar
guém; todavia devo deixar que os tão liberalmente ao ingrato como
pobres c os necessitados, os mo­ ao agradecido. Devo gastar lon­
ços e os vacilantes se prendam gas horas com os escrupulosos
e pleitear com os obstinados. De­
vo ser o mestre dos que têm sede
Devo achar em Deus o meu úni­ de conhecimento da verdade e dos
co arrimo; e, por minha vez, de­ que riem daquilo que eu digo c
vo ser o arrimo dos que me pro­ ridicularizam os mistérios da re
curam em busca de auxilio. velação de Deus.
Devo amar o meu próximo co­ Devo ir ao hospital e à cadeií
mo a mim mesmo. Na verdade, só h& ali quem por mim esteja
de certos modos, como sacerdote esperando. Devo tomar com o con­
eu devo amar os filhos de Deus denado o caminho da morte mes­
mais do que a mim mesmo. mo se ouço as zombarias das vo­
E’ êste um difícil mandamento, zes que gritam: “Êle se man­
que conduz a uma vida difícil.
Contudo, Cristo espera que eu, os pecadores”. Não posso recu­
seu sacerdote, obedeça a essa lei sar o meu conselho, a absolvição
com a maior aproximação possí­ dos pecados ou o meu serviço a
vel da perfeição que êle próprio ninguém que venha a mim pedin-
mostrou. do-os sinceramente. Devo arras­
Assim, sento-me ao confessio­ tar-me por debaixo do carro es­
nário enquanto os pecadores des­ cangalhado, entrar no hotel incen­
pejam as histórias das suas m&s diado ou na galeria, cheia de
vidas. Devo esperar pacientemen­ gás, da mina; não posso fugir em
te quando o tagarela repete uma tempo de peste, e devo assumir o
e mais vêzes as suas frívolas fal­ risco de infeeção quando o bem
tas. Devo escutar sem um sor­ eterno do meu povo estiver em
riso as leves faltas da criança jogo.
e ouvir, sem recuar, o negro re­ Mais uma vez, esta é a razão
lato de uma vida de crime. por que não sou casado.
88
Como S. Paulo, é de esperar Não posso conscicntcmcnte abri­
quo eu seja todo de todos, tudo gar desagrado pnra com os que
para todos. mo desagradam, c êlcs são »■■■»
Nem laços pessoais, nem liga­ numerosos nesta época cm que
ções domésticas, nem obrigações os padres muitas vezes são sus­
para com uma espõsa ou filhos peitados o odiados. Não posso to­
podem interpor-se entre mim c mar vingança dos meus inimigos.
o meu dever para com os filhos Devo perdoar-lhes como o fêz
de Deus. NSo posso recuar por Cristo.
consideração comigo mesmo ou Pelo correio recebo pelo menos
com alguém que me é caro. Cris­ uma boa parto de cartas de gen­
to morreu por todos, e eu devo te que mc ataca, que ataca a
viver para todos que necessitam minha Fé, que odeia a minha Igre­
de mim. ja, que zomba do meu sacerdõcic
Felizmente, a minha vida tem c mo diz que todos os padres
sido cheia de gente admir&vel. são uns patifes. Tenho de res­
Tenho conhecido o virtuoso e te­ ponder ás cartas deles como pen­
nho tido amigos entre os bons. so que Deus o faria. E procuro
Tenho visto a inocência do jovem fazê-lo.
e ouvido a sabedoria dos velhos. Não é de supor que eu acumu­
Tenho sido beneficiado pela ge­ le fortuna pessoal; é de supoi
nerosidade dos bondosos e tenho que cu pense simente cm têrmos
compartilhado os labõres dos ze­ de ganhar o povo para Deus.
losos. A minha vida tem sido um Como sacerdote, devo pensar
longo rol de gente encantadora, mais altamente do tranquilo tra­
de gente boa, santa, de gente balho num confessionário desco­
que me mostrou nos seus carac­ nhecido do que da aplaudida exi­
teres o que h& de melhor. bição num palco de conferência
Contudo, como sacerdote, devo ou no púlpito.
servir a todos, sem cogitação do Deus ama o pecador, e por isto
seu encanto pessoal ou da falta
dêste. eu devo amá-lo.
O locutório ou gabinete do sa­ Deus quer a sua graça chova
cerdote é a porta estreita por on­ sõbre todo santo possivel, e de­
de passam tõdas as classes e to­ vem as minhas mãos tomar par-
dos os tipos de pessoas.
O confessionário conhece san­ Os jovens requerem paciência;
tos e pecadores, os rotos e os uma espécie de paciência diferen­
te da requerida pelos velhos; Deus
A graça e o perdão de Deus, pede de mim paciência para com
os Sacramentos de Cristo são pa­
ra todos, .e eu devo levá-los a E’ de supor que cu seja o pai
todos, di-los a todos. dos pobres, o mestre dos ignoran-
34
tés, o brando corretor dos per­ com pesar. Quando posso fazer
versos, o guia dos conturbados, o o meu trabalho para o meu povo,
conselheiro dos angustiados, o mé­ é este o meu privilégio, a mi­
dico para os doentes da alma, o nha oportunidade e a minha
firme apoio dos vacilantes e dos honra.
tentados. Nada humano deve ser alheio
E sou tudo isso? a mim.
Deus me perdoe, mas estou lon­ Nenhum grito deveria escapar
ge de ser o que deveria ser. aos meus ouvidos.
Porém, como sacerdote, sei o Tôda mão estendida deveria
que Deus espera de mim e o que, achar a minha estendida por sua
com razão, de mim exige o povo. vez com pronta assistência.
Quando eu falto, bato no peito

35
ÊHt coàtumaua
àtn àcicenaote"
Todo ano um certo nú­ do amor e lealdade qu
mero de sacerdotes — no­ dantes êles mostravam.
tavelmente poucos, consi- Todavia, há também c
dèrando-se os milhares de ex-sacerdotes profissú
sacerdotes que há no mun­ nais que se fizeram in
do, a despeito das preten­ migos do sacerdócio.
sões em contrário — aban­ Dantes êles amavam
donam a prática do seu Igreja. Agora, por um
sacerdócio e, às vezes, a de mil razões, passarai
sua Fé. a odiá-la. Dantes defei
Frequentemente são ho­ diam e ensinavam a vei
mens infelizes, às voltas dade ensinada pela Igr<
com alguma fraqueza. Quer o ad­ ja de Cristo. A gora parecem U
mitam quer não, eles deixam a leve consideração por essa verdí
prática da sua sagrada profissão de em qualquer forma.
com real pesar. Muitas vezes mor­ Ocasionalmente êles fazem um
rem com a graça de Deus no co­ vida cômoda caluniando os seu
antigos colegas, forjando ficçõe
ração e com profundo pesar pela
gigantescas sôbre a Igreja , o
desonra que trouxeram ao sacer­ manifestando as faltas e omis
dócio. sões humanas que ocorrem ei
Há uns que se vêem em d ifi­ qualquer grupo de mortais fra
culdades por causa das suas fa l­ cos e pecadores, e fazendo dela
tas e do seu mau procedimento, o material e o comércio das sua
que são lançados fora do seu o fí­ falas públicas e dos livros e fo
cio e constituem as falhas que são lhetos que escrevem.
achadas em toda profissão que Alguns sacerdotes simplesmen
exige alta integridade e fiel cum­ te perdem a sua fé. O própri
primento do dever. S. Paulo pedia aos seus amigo
Poucos ouvirão fa la r deles. Êles obterem de Deus que, enquanb
são tragados no silêncio que de- pregava aos outros, êle própri»
liberadamente escolheram. Deus não viesse a transviar-se. Só Deu
é misericordioso e pode lembrar- pode ju lgar da sinceridade dos sa
se da antiga coragem dêles, da cerdotes cuja fé se perdeu.
luz brilhante que havia nos seus Alguns, como disse o poeta
olhos como sacerdotes novos, e Francis Thompson, “ lêem a lu:

36
do Evangelho nos olhos de algu­ atacando os ensinamentos e prá­
ma bela mulher” . Perdem a fé ticas da Igreja. Êsses livros fo ­
depois de perderem a sua moral ram lidos c estudados por sacer­
sacerdotal. dotes católicos, e respondidos de
E alguns fazem comércio da dc- forma calma e erudita.
tração, fazem ciência da calúnia, Mas alguns sacerdotes que se
e fazem um viver melhor do que
separaram da Igreja, e se ca­
a média dos outros oferecendo a
saram a despeito do seu voto de
sua antiga profissão e a sua Ig re­
não se casarem, fizeram um ne­
ja rejeitada ao riso e ao ridículo
gócio de torcer, de mentir e de
de um auditório atónito, compra­
fazer a mais fantástica deturpa­
zido e ligeiramente mórbido.
ção daquilo que êles pretendem
Para ser um bom sacerdote e relembrar da sua vida antiga.
continuar nessa difícil profissão, Pessoas indignadas exigem às
um homem necessita ser humil­ vêzes que a Igreja e o clero fa ­
de. Deus despreza o soberbo e çam alguma coisa sôbre isso. Mas
depõe dos seus lugares os pode­ que resposta há para uma men­
rosos. Não se pode ser um bom tira?
sacerdote se se colocam as pró­
prias aptidões acima dos dons de Como se podem combater ata­
Deus, e a própria vontade aci­ ques que são pura ficção?
ma da lei de Deus e dos superio­ Que defesa há contra o assas
res religiosos. sínio do caráter ou contra a ca
Fato notável é que ministros lúnia de uma profissão ou de uma
da Igreja Protestante e Rabinos classe inteira de homens?
que vêm do Judaísmo para a Igre­ Dentro da Igreja há mosteiros
ja Católica amem a sua nova Fé onde ex-padres podem retirar-se
com profundo afeto, e, no en­ para emendar as suas vidas
tanto, falem com afeto e consi­ transviadas. Há um grupo reli­
deração das religiões que deixa­ gioso especial de freiras que le­
ram. A Igreja Católica não quer vam uma vida muito difícil e
que êles odeiem e aviltem aquilo de penitência, e são chamadas
que deixaram; ela acharia que Carmelitas. Dedicam-se à oração
viciosos ataques dêles à moral e ao amor de Deus, nunca dei­
dos seus antigos colegas seriam xam os seus conventos, dormem
uma pobre defesa do viver ca­ em leitos de tábuas, nunca co­
tólico. Todos os católicos decen­ mem carne, jejuam rigorosamen­
tes se chocariam se êsses con­ te quase metade do ano, e le­
vertidos fossem dizer e escrever vantam-se antes do alvorecer pa­
sobre as suas antigas Igrejas, ra rezar pelo mundo pelo qual
ministros ou rabinos, coisas que Cristo morreu. Mas, acima de
fossem porcas mentiras e calú­ por todos os outros, elas rezam
nias obscenas. pelos padres caídos.
Alguns sacerdotes que deixa­ Oferecem o seu amor da cruz
ram a Igreja escreverem livros para que o Salvador Crucificado

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perdoe esses homens que traíram ferência, arremessa colérico^ ex­
o seu alto ofício. plosivos para bombardeá-la. Ra­
Jejuam e rezam para que f i ­ ramente arrazoa, mas, antes, vio­
nalmente Deus conceda a êles o lentamente grita acusações, cha­
perdão e lhes salve as almas. ma nomes, censura a Ig re ja pe­
A Ig re ja tem conhecido as tre­ las culpas e pecados de membros
mendas injúrias a ela feitas por individuais, forja um caso intei­
homens que saem do sacerdócio ro da fraqueza e dos pecados de
para denegri-la, e que deixaram um único caráter ou de um in­
o serviço do altar para brandir divíduo errado.
malhos contra o altar e o taber­ Você bem pode desconfiar do
náculo. Mas a Igreja finalmente ex-padre profissional. Duvido de
procura e tenta salvar esses sa­ que Benedito Arnolcl tivesse mui­
cerdotes decaídos. to o que dizer a bem da jovem
América que outrora êle salvara.
Extraordinário número deles
Não me inclino a pensar que Ju­
no seu leito de morte fazem a das se houvesse feito um notável
sua confissão, arrependem-se das defensor de Cristo, a quem tra í­
suas vocações perdidas e do mal ra de morte. O ex-padre infeliz,
que fizeram ao Corpo Místico de fraco, simplesmente pecador, ge­
Cristo, e morrem com outro sa­ ralmente é um homem silencioso.
cerdote falando de esperança a O padre que apóstata por causa
seu lado. de perda da fé é quase respei­
A té mesmo para Judas Cristo toso quando fala daquilo que
teve palavras de amizade e a im­ perdeu.
plícita oferta de perdão. A Ig re­ Mas o homem que por orgulho
ja tem sofrido terrivelmente de recusa obedecer, o sacerdote que
sacerdotes caídos, que têm sido acha a vida muito dura e exi­
os seus mais acerbos inimigos, gente, o renegado que fa z uma
porém ela os ama e se enluta por vida infamando as coisas que ou­
êles, e se alegra quando, quais trora tinha como sagradas...
ovelhas tresmalhadas, antes que Deus lhe perdoe. Também o fa z
como pastores perdidos, êles vol­ a Igreja. Nós sacerdotes também
tam ao aprisco do Bom Pastor. o fazemos. E, no fim, procuramos
Sempre foi significativo que por êle de braços estendidos, es­
o ex-padre profissional tenha ês- perando perdão, e com Cristo na
se ódio profundo à Ig re ja Cató­ Eucaristia ansioso por ser sua
lica. Raramente êle argumenta escolta, através da morte, para a
contra a verdade católica; de pre­ Vida recuperada.

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VOCÊ ENCONTROU UM HOMEM FELIZ”
Assim, sou um sacerdote cató­ Na minha vida, procuro estar
lico. E também sou um homem onde por obrigação devo estar. E ’
feliz. meu esplêndido e gritante dever
Ninguém me forçou ou me in­ levar Deus ao povo e o povo a
duziu a me fazer sacerdote. Foi Deus.
a graça de Deus e a minha gran­
Por força do meu ofício, devo
díssima fortuna que tornaram
amar o Senhor meu Deus com co­
possível o meu sacerdócio. Como
ração e alma e mente e fôrça.
sacerdote, sou o herdeiro das
idades; porquanto tôda nação e Nesse ofício, devo servir o meu
raça tem tido o instinto humano próximo com o espírito e a dedi­
e o mandato divino de designar cação de Cristo.
sacerdotes. Eu sou da companhia Conheço as minhas limitações
deles. humanas e lamento-as.
Em mim é continuado o sa­ Mas também conheço as minhas
cerdócio judeu, que, de outra ma­ responsabilidades e oportunida­
neira, desapareceria da terra. des divinas, e elas me tomam
0 meu Sumo Sacerdote, tanto humildemente alegre.
como o Sumo Sacerdote do meu
povo, é Cristo o Salvador. Através destas páginas você
O meu sacerdócio é um cum­ encontrou um sacerdote católico.
primento do seu mandato de fa ­ Poderei agora convidá-lo a se
zer como êle fêz. encontrar em pessoa com um sa­
Visto a Ig re ja considerar im­ cerdote, com o seu sacerdote mais
portantíssimos os seus sacerdo­ próximo? Êle folgará de conhe­
tes, eu tive uma educação excep- cê-lo. Talvez você venha a se sen­
cional e outras oportunidades. tir mais feliz conhecendo-o.

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SUMARIO

Alguns pensamentos sôbre os sacerdotes ..................................... 3

Êles não gostam de padres .......................................................... 7

"Assim me fiz sacerdote” ............................................................... 11

"M as somente Cristo é o nosso Sacerdote” .................................... 18

Que é que um sacerdote católico faz? ....................................... 24

Deus realmente vem em primeiro ................................................. 28

"Todos os filhos de Deus são meus filhos I” ................................ 32

"Ê le costumava ser sacerdote” ...................................................... 36

"Você encontrou um homem fe liz” .............................................. 39

/
“Eu sou Sacerdote Católico”

Contendo:

• Alguns pensamentos sôbre os sacerdotes.

• Eles não gostam de padres.

• " Assim me fiz sacerdote” .

• "Mas somente Cristo é o nosso Sacerdote!”

• Que é que um sacerdote católico faz?

• Deus realmente vem em primeiro.

• "Todos os filhos de Deus são meus lilhos

• "Ele costumava ser sacerdote” .

• "Você encontrou um homem feliz”.

Êste caderno foi preparado pelos Cavaleiros de Co­


lombo e traduzido para o português com a devida
autorização.

Cum approbatione ecclesiastica