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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OSMONTES E ALTO DOURO

Escola Superior de Enfermagem de Vila Real


curso de licenciatura em enfermagem
unidade curricular: fundamentos dos sistemas do corpo humano I

• Anatomo-histo-fisiologia das células sanguíneas,


eritropoiese, imunidade e hemostase e semiologia
hematológica:
Objetivos

• Descrever os elementos básicos do sistema imunitário;

• Analisar os tipos de resposta imunitária.


Sumario
 1 - Constituintes do sistema imunitário
− Linfócitos, fagócitos (macrófagos, neutrófilos), outros leucócitos
− Órgãos linfoides: produção e amadurecimento de linfócitos (medula
óssea, timo, gânglios linfáticos, baço)
− Células dendríticas
− Proteínas (imunoglobulinas, sistema complemento, interferão,
citoquinas)

• 2 - Imunidade inata e adquirida


• 3 -Grupos sanguíneos, transfusão e transplante de tecidos
e órgãos Sistema ABO
Sumario
Sistema imunitário: conceitos e pressupostos

 O sistema imunitário protege-nos dos agentes patogénicos.


 Os agentes infeciosos: bactérias, vírus, fungos, protozoários,
parasitas pliricelulares
 Vírus replicam-se no interior das células, enquanto nas bactérias a

sua multiplicação ocorre no espaço extracelular (quer no interior dos


tecidos, quer no interior dos tecidos, quer nas cavidades abdominais).
Sistema imunitário: conceitos e pressupostos

 A resposta imunitária consta de duas fases:

o 1ª o antigénio ativa os linfócitos que o reconhecem


especificamente;
o 2ª fase efetora, os linfócitos encarregam-se de organizar a resposta
imunitária e consequente eliminação da fonte do Antigénio.

 A maioria das infeções contraídas pelas pessoas em que o sist. Imunitário não
apresenta alterações, podem deixar sequelas, no entanto na maioria das
situações não causam morte.
Células do sistema imunitário

As respostas imunitárias são mediadas por diversos tipos de células


e por moléculas que segregam; entre as células que medeiam as
respostas imunitárias, encontram-se os linfócitos e os fagócitos
(mononucleares, polimorfonucleares).

Na figura pode observar-se:


- células e moléculas que intervêm nas reações imunitárias.
Células e moléculas do sistema imunitário

 Os linfócitos são essenciais em todas as respostas imunitárias,


mas nestes processos também intervêm outro tipo de células,
como seja na transmissão de sinais aos linfócitos ou
respondendo perante as citoquinas segregadas pelos linfócitos
T ou pelos macrófagos.
As células do sistema imunitário: linfócitos
Os linfócitos são a únicas células que reconhecem especificamente os agentes
patogénicos, assim são os responsáveis pela resposta imunitária adquirida.
 Os linfócitos desempenham funções especializadas:

 Células B – sintetizam os Ac.


Cada célula B está programada geneticamente para codificar um
recetor de superfície específico para cada antigénio.
Após reconhecerem o antigénio específico, multiplicam-se e
diferenciam-se em células plasmáticas produzindo grandes
quantidades da molécula do recetor para o antigénio, sob a forma
solúvel – estas moléculas denominam-se de Anticorpos.

Anticorpos: glicoproteínas grandes que se podem encontrar no sangue e nos líquidos


tecidulares, capazes de se unir ao Antigénio, que ativou inicialmente a células B.

 Células T – reconhecem fragmentos de Ag. na superfície.


As células do sistema imunitário: linfócitos T
Como anticorpos não penetram nas células hospedeiras, os Ac são
ineficazes contra patogénicos intracelulares. O sistema imune utiliza
uma abordagem diferente - Respostas mediadas por células

Células T : para qualquer uma delas se ative tem que reconhecer o


seu Ag, mas só são capazes de tal reconhecimento quando o Ag se
encontra associado a um dos marcadores conhecidos e presentes nas
células do hospedeiro.
TCLs são uma subdivisão de linfócitos T que expressam um tipo
especial de Ag nas suas superfícies chamado CD8.
Essas células reconhecem Ag do patogénico que são exibidos na
superfície da célula infetada e destroem a célula, impedindo que a
infeção se dissemine pelas células adjacentes.

Os linfócitos desempenham funções especializadas


 Células T – reconhecem fragmentos de Ag. na superfície.
 Os vários tipos de células T têm diferente funções:
 Células TH – (T Helper) – interagem com as células B promovendo a multiplicação,
diferenciação e síntese de anticorpos; assim como com os fagócitos mononucleares
ajudando-os a destruir os patogénicos intracelulares.
 Células TC – (Tcitotóxicas) destroem as células do hospedeiro infetadas por vírus.
Para que tal se verifique utilizam um recetor específico, denominado recetor de
antigénio de células T (TCR- / T- cell receptor), esta molécula está relacionada com a
função e estrutura dos anticorpos de superfície das células B, que também
desempenham um papel importante como recetores de AG.
Definição de conceitos:

 Imunidade inata: conjunto de barreiras físicas (lizozima lágrima, pele,


na vagina, pH ácido no estômago e mudança brusca no intestino; retenção de partículas
quando da passagem do ar pelos cornetos nasais),
celulares e moleculares que,
de forma inespecífica, protegem um organismo contra uma
invasão por um agente que lhe é estranho, nomeadamente m.
potencialmente patogénicos; são a primeira linha de defesa contra
a infeção.
 Imunidade adquirida: conjunto de respostas que, de forma
diferenciada e adaptativa, responde a uma invasão por um agente
estranho ao organismo.
 Imunidade inata
− Linfócitos NK: destrói células neoplásicas, infetadas por vírus...
− Macrófagos: destrói microrganismos extracelulares
− Citoquinas: interleucinas, interferão
− Sistema complemento
− Barreira cutânea e mucosa, cílios epiteliais, muco
Imunidade inata
- impede a entrada de substâncias agressoras e m. patogénicos no
organismo
-auxilia o reconhecimento de locais de infeção e promove a
migração de células imunitárias e saída de plasma a partir dos
vasos sanguíneos
-promove a maturação de células dendríticas, no local da infeção,
que podem depois ir apresentar antigénios aos linfócitos,
ativando a imunidade adquirida
Imunidade inata

Para se tornarem patogénicos, os microrganismos têm de ser capazes


de vencer a primeira linha de defesa imunitária que é a imunidade
inata. Para alcançarem este objetivo, algumas bactérias, por exemplo,
recobriram-se de lipopolissacarídeo (LPS), que não é reconhecido
pelos fagócitos.
Imunidade inata

-os neutrófilos são fagócitos de vida curta, morrendo logo após


fagocitarem um microrganismo e formando o “pus” que se encontra
em algumas feridas.

-os macrófagos são fagócitos de vida longa, podendo fagocitar


vários microrganismos

Quando não conseguem destruir o que


A subida da contagem de neutrófilos
fagocitaram, os macrófagos formam lesões
no sangue é um marcador de infeção
designadas granulomas, que se podem observar
aguda.
na tuberculose, por exemplo
Imunidade inata
Células natural killer (NK): linfócitos formados na medula óssea mas
que não adquirem especificidade de antigénio, ou seja, destroem
qualquer célula independentemente do antigénio que ela apresenta,
quando são estimuladas para isso
• São estimuladas por proteínas inflamatórias, como o
interferão .
• A sua forma de destruir as células é semelhante à dos linf. T
citotóxicos
• As células “rastreadas” pelos linfócitos NK não são destruídas
se eles reconhecerem nessas células um MHC (proteínas na
superfície das células) semelhante ao das células saudáveis.

• As NK são intrinsecamente citolíticas e não originam células


de memória imunitária.
Imunidade inata:
sistema complemento

Sistema complemento: conjunto de proteínas em circulação, no


sangue, e que são ativadas pelo contacto com patogénicos ou
anticorpos
Tem três funções principais:
• Destruir patogénicos, através da formação de poros
na sua superfície (complexo de ataque à membrana)
• Opsonizar (recobrir) agressores patogénicos para
facilitar a fagocitose
• Recrutar mais células. imunitárias
Este sistema também remove de anticorpos (complexos imunes)
A quantidade de complemento disponível pode ser utilizada para monitorizar doenças
em que há excesso de produção de anticorpos, como o Lúpus Eritematoso Sistémico
Imunidade inata:
sistema complemento

A quantidade de complemento disponível pode ser utilizada para


monitorizar doenças em que há excesso de produção de
anticorpos, como o Lúpus Eritematoso Sistémico

Sistema complemento: a sua atividade tem que ser regulada de


forma muito precisa, porque o excesso de complemento ativado em
circulação pode produzir uma resposta inflamatória generalizada
semelhante ao choque anafilático, e a sua deficiência predispõe à
infeção por bactérias extracelulares.
Imunidade inata:

-as interleucinas são proteínas sinalizadoras, produzidas por linfócitos


T ativados; têm muitas funções, das quais se salienta:
i) sinalizar locais de infeção
ii)despoletar a resposta inflamatória.
-o interferão é também uma proteína sinalizadora, produzida por
muitos tipos de células e que sinaliza e bloqueia a replicação viral.
Imunidade inata:

-Há ainda um grande conjunto de moléculas, predominantemente


proteínas, que são produzidas como primeira resposta
imunitária face a uma infeção e que têm funções diversas,
nomeadamente estimular a resposta inflamatória local e
sistémica (outras proteínas de fase aguda, febre...) e recrutar
células da imunidade específica - fator de necrose tumoral
(TNF), interleucina-8 (IL8)...

Um das proteínas de fase aguda mais frequentemente avaliadas na clínica é a proteína C reativa (PCR)
Imunidade adquirida
 Imunidade adquirida
− Linfócitos B: recetor de membrana, imunoglobulinas --->
imunidade humoral;

− Linfócitos T: recetor de membrana (reconhecimento de


proteínas estranhas e células infetadas) ---> imunidade celular
− Células dendríticas: apresentação de antigénios.
Imunidade adquirida: seleção clonal

-Teoria da seleção clonal: cada linfócito tem apenas um recetor


específico para um antigénio, que é ativado em contacto esse
antigénio e produz células efetoras semelhantes a si; os linfócitos
com recetores para as moléculas do hospedeiro (autoimunes) são
destruídos.
-Expansão clonal: produção de uma célula-memória (que
mantém a capacidade de se dividir noutras iguais) e várias células
efetoras aquando do contacto com o antigénio que cada linfócito
reconhece.
Imunidade adquirida

-Após contacto com um antigénio pela primeira vez, verifica-se a


transformação de linfócito imaturo em células efetoras demora 4-5
dias;
- Depois do antigénio desaparecer, as células efetoras sofrem
apoptose e apenas as células-memória permanecem, agilizando as
respostas imunológicas subsequentes àquele antigénio (resposta
secundária)
-Em termos de anticorpos, as respostas secundárias produzem-nos
mais rapidamente, em maior quantidade e com uma afinidade maior
para os antigénios.
Linfócito B – imunidade humoral

Origina-se nas stem cells da medula óssea e progride até linfócito


imaturo na medula (daí o B, de bone marrow)
O linfócito imaturo, após contactar com o seu antigénio nos
órgãos linfóides periféricos (baço, linfáticos) através de células
apresentadoras de antigénios, e de ser ativado por linfócitos Th,
transforma-se em células memória e plasmócitos.
Os plasmóticos são as células efetoras B, produzindo anticorpos
(imunoglobulinas)
Imunoglobulinas - Proteínas produzidas pelos linfócitos B ativados
(plasmócitos) em resposta a contacto com um antigénio.

Estrutura: Região constante (define a classe) e região variável (define a


especificidade para cada antigénio)

5 classes: IgM, IgG, IgA, IgE, IgD IGM


A imunodeficiência de hiper IgM acontece
quando um erro genético impossibilita a
mudança de classe das Ig

Imunoglobulinas – classes
-IgM: primeira a aparecer na resposta à infeção e vacinação; é um
marcador de infeção recente;
-IgG: segregada depois da fase inicial da infeção/vacinação; é
marcador de infeção com, pelo menos alguns dias; atravessa a
barreira placentária;
-IgA: presente nas secreções (lágrimas, saliva, leite materno...)
das mucosas
-IgE: aumentada em reações alérgicas ou imunidade contra
parasitas
-IgD: pouco conhecida; presente na superfície de linfócitos.
Imunoglobulinas
Neutralizam antigénios (toxinas bacterianas, proteínas víricas)
Sinalizam bactérias extracelulares para serem fagocitadas
(opsonização)

http://merciacallou.blogspot.pt/2011/02/relacionando-opsonizacao-com-fagocitose.html

Ativam o complemento
Podem ser utilizadas como tratamento.

São eliminadas, com a ajuda do sistema complemento, no baço e fígado


Quando há excesso de imunocomplexos (imunoglobulina + complemento) em
circulação, eles depositam-se nos tecidos, particularmente no rim, onde podem dar
origem a insuficiência renal.

Este mecanismo está na origem de doenças como o Lúpus


Eritematoso Sistémico e a Nefropatia por IgA, que é um tipo
de insuficiência renal que por vezes ocorre depois de infeções
estreptocócicas da faringe.
O VIH destrói seletivamente os linfócitos T helper 1,
potenciando infeções por bactérias intracelulares e
parasitas

Linfócitos T – imunidade celular


-origina-se em células tronco da medula óssea, migra
precocemente para o timo, onde amadurece, e daí para os
órgãos linfóides periféricos, onde pode ser ativado se encontrar
o seu antigénio (numa célula apresentadora de antigénios)
-L. T citotóxico (CD8+): atacam células infetadas por vírus
-L.T helper 1 (CD4+): ativam macrófagos infetados por
bactérias intracelulares obrigatórias, induzindo os macrófagos
parza a destruição de bactérias; produz quimiocinas, que atraem
os macrófagos aos locais de infeção.
-L. T helper 2 (CD4+): ativam linfócitos B
Complexo major de histocompatibilidade – MHC
-Os linfócitos T conseguem reconhecer as células através do MHC, um
complexo proteico na membrana celular de células nucleadas, que
ajuda a expor antigénios estranhos ao organismo
Existem 2 tipos:
O parasita da malária,
que infecta glóbulos
vermelhos, pode
• MHC I: expõe Ag produzidos no citoplasma da célula
passar despercebido infetada, como proteínas virais
aos linf. T citotóxicos
porque estas células reconhecido pelos linf. T citotóxicos
não têm MHC.
• MHC II: expõe Ag provenientes da lise de patogénicos
nas vesículas da célula que os fagocitou (macrófagos, células
dendríticas, linfócitos B – que expõem antigénios previamente
endocitados por terem sido reconhecidos pelo seu recetor de
membrana) reconhecido pelos linf. T helper
Superantigénio
-há uma exceção à cativação de células T pelo MHC: os
superantigénios, que são produzidos por algumas bactérias e
vírus e conseguem ativar diretamente linfócitos T helper,
potenciando a produção massiva de citocinas;
-esta produção massiva não é benéfica para o hospedeiro,
promovendo, entre outros, toxicidade sistémica.

O síndrome do choque tóxico e a intoxicação alimentar por


enterotoxinas estafilocócica ssão causadas por superantigénios
Erros da função imunitária
-alergias, hipessensibilidade
-doenças autoimunes
-rejeição de enxertos
-...
 Biotecnologia no diagnóstico e tratamento de doenças
– Medicamentos imunossupressores
– Coombs indireto
– Imunotoxinas tumorais
– Administração de Ig nas imunodeficiências congénitas
– Interferão no tratamento da hepatite C
Coombs indireto
Teste realizado a pessoas em quem se suspeita de que houve uma
isoimunização sanguínea, ou seja, em que haja suspeita da produção de
anticorpos contra as células sanguíneas, nomeadamente os glóbulos
vermelhos.
Feito por rotina às grávidas Rh negativo e aos seus recém-nascidos
Permite a deteção precoce da isoimunização e o seu tratamento com anti-
RhD.
Aplicações práticas da imunologia
Vacinação: baseia-se no conceito de memória imunológica
-Expõe o indivíduo a microrganismos (atenuados ou mortos) ou
a toxóides (toxinas desnaturadas), potenciando a criação
de uma resposta imunológica com risco mínimo de
desenvolvimento de doença
-Por estimular a produção de anticorpos no hospedeiro, a
vacinação é um método de imunização ativa
Aplicações práticas da imunologia
Soros antivenenos
• produzidos através da inoculação de outras espécies com o
veneno e da recolha das imunoglobulinas por eles produzidas
• Usam-se em situações em que a exposição à toxina, mesmo
que atenuada demonstrasse risco para o hospedeiro
• Por não estimular a produção de anticorpos pelo hospedeiro, os
soros antivenenos são um método de imunização passiva
Resposta inflamatória

• Inflamação - resposta fisiológica do organismo a lesões localizadas ou a infeções, exclusiva de


tecidos lesados mesenquima (tecido conjuntivo, o tecido ósseo e cartilaginoso, os vasos sanguíneos e linfáticos e
o tecido muscular).
• O processo de inflamação fases e o que ocorre em cada uma delas:
o Fase de reação à agressão (irritação localizada nos tecidos): ocorrem modificações
morfológicas e funcionais dos tecidos agredidos que promovem a libertação de mediadores
químicos, que irão desencadear as outras fases inflamatórias.
o Fase vascular: alterações hemodinâmicas da circulação e de permeabilidade vascular no
local da agressão.
o Fase exsudativa: essa fase é característica do processo inflamatório, e observa-se a
formação de exsudado celular e plasmático (migração de líquidos e células para o foco
inflamatório) devido ao aumento da permeabilidade vascular.
o Fase degenerativa/necrótica: no local da inflamação podem identificar-se células com
alterações degenerativas reversíveis ou não (podendo originar material necrótico), que resulta da
ação direta do agente agressor ou das modificações funcionais e anatómicas consequentes das
três fases anteriores.
o Fase reparação: aumento na quantidade dos elementos teciduais - principalmente
células, resultado das fases anteriores.
O objetivo desta fase é destruir o agente agressor e reparar o tecido agredido.
Resposta inflamatória

•PROCESSO INFLAMATÓRIO PASSO A PASSO


• https://www.youtube.com/watch?v=z7Cf7x2vKXU
Referências Bibliográficas

Dúvidas?

Roit, J. Brostoff, J. & Male, D. (1998). Imunologia (4ª ed.), Madrid:


Harcourt.

BOM ESTUDO E BOA SORTE!


Grupos sanguíneos, transfusão e
transplante de tecidos e órgãos
Sistema ABO

IPB/ESSa/IL 40
Sumário

• Grupos sanguíneos, transfusão e transplante de tecidos e


órgãos
Grupos sanguíneos - Sistemas
• ABO
• RH
• Transfusão e transplante de tecidos e órgãos
Definições

• Grupo Sanguíneo é um antigénio da membrana do eritrócito que é


detetado por um aloanticorpo específico.
• Sistema de grupos sanguíneos é um conjunto de antigénios da
membrana eritrocitária controlados por um locus genético.
• Os genes do sistema ABO estão localizados no cromossoma 9
• Os genes A e B são codominantes
• O A codifica a glicosiltranferase de N-acetil-galactosamina
• O B codifica a glicosiltranferase de galactose

• O gene O é recessivo

42
Sistema ABO e sistemas relacionados

• Os antigénios do grupo ABO são constituídos por pequenas


porções de hidratos de carbono localizadas em glicoproteínas
ou glicolípidos.
• A síntese destes antigénios depende das glicosiltransferases,
enzimas que residem no aparelho de Golgi da célula.
• Diferentes variantes da enzima transferem diferentes porções
de açucares para a cadeia lipídica ou glicoproteica.
• Diferentes porções de açucares conferem diferentes
determinantes antigénicos.

43
Sistema ABO
antigénios e fenotipos

• Antigénios: A e B
• Fenótipos:
• A => eritrócitos exprimem antigénio A
• B => eritrócitos exprimem antigénio B
• O => eritrócitos exprimem antigénio H
• AB => eritrócitos exprimem antigénio A e antigénio B

44
Sistema ABO

• Os antigénios do sistema ABO estão presentes nos


eritrócitos, nas plaquetas e em proteínas plasmáticas.

• Estão ainda presentes em muitos tecidos do endotélio,


rim, coração, intestino, pâncreas e pulmão.

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Sistema ABO: anticorpos naturais

• Único sistema em que há anticorpos naturais contra os


antigénios ausentes (A ou B).
• Dizem-se anticorpos naturais porque são produzidos sem
contacto prévio com o respetivo antigénio;
• Estes anticorpos (anti-A e anti-B) designam-se por
isoaglutininas

46
Sistema ABO: bioquímica

• Os antigénios A e B são definidos por 3 epítopes


oligossacáridos terminais presentes em glicoproteínas ou
glicolípidos da membrana eritrocitária

• O antigénio H é o precursor imediato dos antigénios A e B

47
Sistema ABO: bioquímica

• Os indivíduos do grupo A:
• possuem uma N-acetilgalactosamina adicionada à galactose terminal
do antigénio H em ligação α 1->3
• Os indivíduos do grupo B:
• possuem uma galactose adicionada à galactose terminal do antigénio H
em ligação α 1->3
• Os indivíduos do grupo O:
• Não possuem nenhum açúcar nesta posição
• Exprimem apenas ag H
• Os indivíduos do grupo AB:
• possuem ambas as estruturas

48
Sistema ABO: Desenvolvimento

• Os antigénios ABO são detetáveis pelas 5 a 6 semanas de


gestação.
• A quantidade de antigénios no sangue do cordão umbilical
é no entanto inferior à do adulto.
• Estes níveis são atingidos entre os 2 e os 4 anos de idade.

49
Sistema ABO: anticorpos

• Os recém-nascidos (RN) não produzem anti-A nem anti-B


• Quando estes anticorpos estão presentes no soro do RN, são de
origem materna
• A síntese destes anticorpos inicia-se entre os 3 e os 6 meses.
• Os títulos aumentam progressivamente até aos 10 anos de idade

50
Sistema ABO: tipagem
• A tipagem no sistema ABO é fundamental quando se
pretende transfundir sangue e qq. dos seus componentes
• É mandatória para dadores de sangue e pacientes recetores
de transfusão de eritrócitos.
• No sistema ABO a tipagem engloba duas provas:
• Prova globular ou direta (PG)
• Para determinar os antigénos presentes nos eritrócitos
• Prova sérica ou reversa (PS)
• Para detectar as isoaglutininas presentes no soro
• Usam-se geralmente antisoros monoclonais para a PG
• Permitem detectar subgrupos fracos.

51
Sistema Rh
Segundo em importância após o ABO
Sistema Rh
• A seguir ao ABO é o mais importante
• Os anticorpos surgem apenas após imunização
• Os antigénios são muito imunogénicos
• É responsável por Doença Hemolítica do Feto e Recém-
nascido, e Reações Transfusionais
Sistema complexo
 49 antigénios
 muitos fenótipos
 no mínimo 200 alelos
- Principais antigénios
 D; C/c; E/e
 8 haplótipos: Dce(R1),Ce(r’), DcE(R2), cE(r”), Dce(R0), ce(r),
DCE(RZ), CE(ry)
53
História

• Vem-se a verificar que os anticorpos obtidos por


Landsteiner e Wiener eram dirigidos contra um outro
antigénio dado que os macacos não possuem sistema Rh
• Esse antigénio foi designado LW
• A espécie humana também tem antigénio LW que tem
expressão mais forte nos eritrócitos D+ (Rh positivos)
• Fisher descobre mais antigénios associados ao sistema Rh
e designa-os por C, c, D e E (1941)
• Aos novos antigénios são atribuídas as letras do alfabeto,
dado que A e B já eram usadas para o sistema ABO.
• Em 1945 é descoberto o antigénio e.

54
Sistema Rh: algumas questões

1. Por que RhD é tão imunogénico?


40-75% dos D- tornam-se aloimunizados quando expostos a hemácias D+
2. Por que o sistema Rh é tão complexo?
Número elevado de antigenios
D, C/c, E/e (comuns)
~outros 40
Variantes
- Diferenças na expressão de D
D positivo ou D negativo?
- D fraco
- D parcial

55
Sistema Rh
nomenclatura

Rh positivo Rh negativo

Fisher e Race Wiener Fisher e Race Wiener

DCe R1 ce r

DcE R2 Ce r’

Dce R0 cE r’’

DCE Rz CE ry

56
Sistema Rh: genética

• As diferentes nomenclaturas devem-se a teorias distintas


acerca da genética do sistema Rh
• Fisher e Race postulavam a existência de 3 loci, muito
próximos, cada um com um par de alelos:
• Cec
• Ded
• Eee
• Wiener postulava a existência de 1 só locus que codificava
diversas combinações de antigénios

57
Sistema Rh
antigénios

• Sabe-se hoje que o sistema Rh é composto pelos


antigénios: C, c, D, E e e.
• O D é o mais imunogénico e define a condição de Rh
positvo
• D+ => Rh positivo
• D- => Rh negativo

58
Sistema Rh: genética

• São dois os genes que codificam as proteínas do sistema


Rh:
- RHD e
- RHCE
• Estes situam-se no cromossoma 1 muito próximos entre si
• Codificam 2 proteínas da membrana eritrocitária, não
glicosiladas:
• uma proteína tem o antigénio D
• a outra tem os antigénios: C ou c,E ou e.

59
Sistema Rh: genética
• Antigénios D parciais, que perdem um ou mais epítopos,
têm sido extensivamente estudados molecularmente.
Foram definidos diversos tipos de alelos variantes do gene
RHD, que produzem fenótipos D parciais.
• Antigénios D parciais resultam de rearranjos génicos de
RHCE em RHD (DIII, DVI, DFR, DBT) e de RHD em RHCE
(DHAR) ou de uma simples mutação de ponto (DII, DVII,
DHMi, DNB, DNU, DHR, DHM, DFW) (LOMAS-FRANCIS, 2000)

• Antigénios D parciais, que perdem um ou


mais epítopos, Variantes do antígeno D.
Trocas em RHD. Os aminoácidos
codificados pelo gene RHD estão
representados por caixas pretas e caixas
brancas representam os codificados pelo
RHCE.
60
Sistema Rh: genética

• Nos europeus, o fenótipo D- (Rh neg) é, em geral devido


a deleção completa do D
• Nos africanos e asiáticos é mais frequente a existência de
um gene inativo ou silencioso (codão de stop prematuro,
inserção ou pseudogene híbrido CE-D)

RHD RHCE
“Rh positivo” ce, Ce, cE, or CE
antigénio D antigénios CcEe

“Rh negativo” X Deleção X ce


Europeus- 15-17%

61
Sistema Rh: antigénio D

• Dos cerca de 50 Ag Rh, o “D” é o que está envolvido num


maior número de incompatibilidades Rh.
• É um Ag de alta-frequência e fortemente imunogénico,
50 vezes mais do que os outros Ag Rh.
C/c E/e

RhD RhCE

Circulos- representam diferentes amino acidos entre RhD e RhCE

Esta diferença explica porque o RhD é tão imunogénico


Maioria dos antigénios de grupos sanguíneos diferem em um (ou poucos) aa

62
Diferenças na expressão de RhD

• D-negativo:
• 15-17% Europeus- devido a deleção RHD
• 3-7% Africanos, 0.5-1% Asiáticos – devido a mutações RHD

• D-positivo – Maioria tem o gene RHD – MAS HÁ EXCEÇÕES

D Fraco – requer teste indireto da antiglobulina para deteção trocas de único aminoácido
(transmembrana) diminuição na QUANTIDADE DE RhD - 53 “tipos de D fracos” diferentes

Del - expressão muito fraca de D- não detectável por serologia adsorve anti-D mais
comum
em populações Asiáticas

D Parcial –epítopos de D alterados tipam como D+ mas desenvolvem anti-D


Causas – Troca de único aminoácido na superfície da hemácia
- Parte do gene RHD substituído pelo RHCE
Antigénio D: D fraco

• Os eritrócitos de alguns indivíduos D+ não aglutinam directamente


na presença de anti-D reagente;
• Adicionando anti-IgG (técnica da antiglobulina indirecta) dá-se a
aglutinação;
• A incidência de D fraco depende do reagente anti-D usado
• A causa é uma mutação do gene RHD que condiciona diferentes
aminoácidos na porção intracelular ou de membrana da proteína.
• Esta alteração da molécula proteica condiciona uma menor
quantidade de antigénios na porção exterior da proteína.
• São conhecidas diversas mutações responsáveis pelo fenótipo D
fraco que estão classificadas em Tipo 1 a Tipo 53
• A Tipo 1 é a mais frequente nos Caucasianos e é devida a uma
mutação Val270Gli.

64
Antigénio D: D parcial

• Há indivíduos com eritrócitos D+ que após transfusão


desenvolvem anti-D
• Colocou-se a hipótese de que estes eritrócitos possuem
um D a que faltam alguns dos epítopes designando-se por
D parcial
• Um paciente D parcial transfundido com eritrócitos D+
produz anticorpos dirigidos contra os epítopes que lhe
faltam.

65
Antigénio D: Del

• Os eritrócitos Del exprimem o antigénio D em nível


muitíssimo baixo
• Não aglutinam com nenhum anti-D e comportam-se
serologicamente como D-
• No entanto, estes eritrócitos têm potencial imunogénico
quando dados a pacientes D-
• Apenas a genotipagem molecular permite identificar estes
indivíduos
• O fenótipo Del é muito raro na população europeia (0.027%
dos Rh neg na tipagem serológica)
• É no entanto frequente na população asiática (30% dos
que serologicamente são Rh neg)
66
Antigénio D
D elevado

• Há casos de expressão mais forte do antigénio D


• Em geral são indivíduos D--, Dc-, DCw-
• A origem está na substituição de porções do gene RHCE
por porções do gene RHD.
• Por vezes não exprimem C,c, E, ou e ou partes destes
antigénios

67
Sistema Rh: anticorpos

• Os anticorpos do sistema Rh são em geral IgG, embora


possam ser IgM
• Subclasses mais comuns: IgG1 e IgG3
• Surgem apenas após exposição ao antigénio
correspondente, por transfusão ou gravidez, salvo raras
exceções.
• Persistem vários anos na circulação
• após nova exposição ao antigénio são produzidos mais
rapidamente.

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Sistema Rh: anticorpos

• Em Imuno-Hematologia os anticorpos são considerados


com importância clínica quando podem ser causa de:
• Reação transfusional imuno-hemolítica
• hemólise imune dos eritrócitos transfundidos provocada por
anticorpos do recetor

• Doença hemolítica do feto e recém-nascido


• hemólise dos eritrócitos fetais por anticorpos maternos que
atravessam a placenta

69
Sistema Rh
anticorpos

• Têm importância clínica dado que são capazes de produzir:


• reação transfusional hemolítica (RTH)
• doença hemolítica do feto e recém-nascido (DHFRN)
• Geralmente não fixam complemento
• A hemólise provocada é extravascular:
• os eritrócitos revestidos de anticorpo são fagocitados pelos
macrófagos do sistema reticulo-endotelial

70
Sistema Rh: anticorpos

• O anticorpo do sistema Rh de maior importância clínica é o


anti-D:
• É sem dúvida responsável por reações transfusionais graves bem
como DHFRN
• Segue-se o anti-c
• estão descritos casos graves de DHFRN
• Anti-C, -E e –e raramente são responsáveis por doença
• hemolítica de feto e recém-nascido

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