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Geografia C

12o I
Grupo E

Circulação de Capitais

Índice
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r
Introdução 1
Enquadramento Teórico:
 Conceitos Estruturantes 2
 Principais tipos de fluxos de capitais 3
 Os créditos bancários 3
 Os investimentos diretos estrangeiros 4
 Os investimentos de carteira 6

Estudo de caso: A circulação de capitais

 Atores da circulação de capitais 7


 Estado 7
 Praças Financeiras 8
 Praças Financeiras - Nova Iorque 9
 Praças Financeiras - Londres 10
 Praças Financeiras – Tóquio 11
 Influência das TIC na circulação de capitais 12
 Empresas transnacionais 13
 Maiores ETN do Mundo 13
 Os paraísos fiscais 15
 Características dos paraísos fiscais 16
 Os paraísos fiscais são legais? 17
 Denúncia de ilegalidades 19
 Paraísos fiscais – o caso Português 21
 Conclusão 22

Índice Remissivo
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A P
Ações Países Desenvolvidos
Atividade Países Subdesenvolvidos
Praças Financeiras
B
Bolsa de valores S
Banca Sigilo Bancário

C T
Capitais TIC
Créditos Bancários Trocas
Centro Financeiro Tributação
Centro de Negócios
Capitalismo V
Valor de mercado
E
Empresa
Empresa Transnacional
Empresa Offshore
Expansão

F
Fisco
Fraude Fiscal
Financeiro
Filiais
Flexibilidade

I
Investimentos Diretos Estrangeiros
Investimentos de Carteira
IRC

M
Mercado

Índice de imagens

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Fig. 1 - Créditos bancários quanto ao seu destino e duração
Fig. 2 - Créditos bancários quanto à natureza do beneficiário e origem

Fig. 3 - as 20 economias que mais IDE receberam em 2013


Fig. 4 - entrada de IDE no mundo em 2011
Fig. 5 - fluxos de IDE com origem e destino nos países do Sul entre 1980-
2010
Fig. 6 - ranking de centros financeiros
Fig. 7 - NYSE
Fig. 8 - LSE
Fig. 9 - TSE
Fig. 10 - logotipo ICBC
Fig. 11 – logotipo JPMorgan Chase
Fig. 12 - logotipo China Construction Bank
Fig. 13 – logotipo Agricultural Bank of China
Fig. 14 – logotipo Bank of America
Fig. 15 – localização de vários paraísos fiscais
Fig. 16 - Cartaz de sensibilização para o uso legal das entidades offshore
Fig. 17 – Sonegómetro
Fig. 18 - desenho alusivo ao escândalo “Luanda Leaks”
Fig. 19 - Centro Internacional de Negócios da Madeira

Siglas e Abreviações

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TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação
IDE – Investimentos Diretos Estrangeiros
ETN – Empresas Transnacionais
IRC - Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas

Introdução
Este trabalho, dinamizado na disciplina de Geografia C, pretende abordar e explicar o tema
da circulação de capitais, e a sua importância no mundo.

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Para tal, iremos proceder a uma divisão do trabalho em 4 partes, que representam 4
agentes que consideramos serem as causas essenciais para explicar este fenómeno, sendo elas:
o Estado, as praças financeiras, as empresas transnacionais e os paraísos fiscais.
Além disso, pretendemos explicar o aumento gradual dos movimentos de capitais ao longo
dos anos, provocados, principalmente, pelo desenvolvimento das tecnologias de informação.

Conceitos estruturantes
Bolsa de valores – Instituições que administram mercados. Centros de negociação de valores
mobiliários, que utilizam sistemas eletrónicos de negociação para efetuar compras e vendas
desses valores. Tem como função proporcionar um ambiente correto e adequado à realização de
negócios com valores mobiliários.

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Créditos Bancários - Modalidade de empréstimo de dinheiro. Trata-se de um produto financeiro
de cedência capital a empresas ou particulares, assentes na confiança. Só pode ser realizado
pelas instituições credenciadas pelo Banco de Portugal, pode ser concedido a empresas ou
particulares, permite a obtenção de lucro às instituições bancárias e possibilita aos clientes a
liquidez necessária no momento em que precisa.

Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) – aplicação de recursos financeiros feitos por um


indivíduo ou empresa de outro país numa companhia ou negócio específico.

Investimentos de Carteira – compostos, principalmente, por ações, obrigações e títulos do


Tesouro de curto e médio prazo.

Empresas Transnacionais (ETN) - empresas com atividades que se realizam entre


diferentes nações, com apenas uma única sede.

Praças financeiras – distrito urbano que funciona como principal polo financeiro e comercial de
uma cidade.

Paraísos Fiscais - território cuja lei permite uma fácil aplicação de capitais estrangeiros, com uma
tributação reduzida ou mesmo inexistente. Podem ainda oferecer outras vantagens aos
investidores: a segurança, sigilo e privacidade nos negócios, acesso a moedas fortes ou uma
maior liberdade cambial.

Empresas offshore - nome comum dado às empresas e contas bancárias abertas em territórios


onde há menor tributação para fins lícitos ou ilícitos.

Fraude Fiscal - incumprimento de determinadas obrigações fiscais.

Principais tipos de fluxos de capitais

É possível distinguir três tipos de movimentos de capitais nos fluxos internacionais:


 Os créditos bancários;
 Os investimentos diretos estrangeiros
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 Os investimentos de carteira

Créditos bancários
Os créditos bancários podem diferir quando ao seu destino, duração, origem e natureza do
beneficiário:

Fig. 1 – Créditos bancários quanto ao seu destino e duração


https://prezi.com/lxi26gugq0w-/a-circulacao-de-capitais/

Fig 2. – Créditos bancários quanto à natureza do beneficiário e origem


https://prezi.com/lxi26gugq0w-/a-circulacao-de-capitais/

Investimentos diretos estrangeiros


É um investimento externo onde está presente um interesse económico em empresas que
trabalhem fora da economia do seu país de origem.

O funcionamento dos investimentos diretos estrangeiros explica-se assim: uma empresa


sede cria filiais noutros países, tornando-se, assim, numa empresa multinacional. O Investimento

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Direto Estrangeiro faz com que, caso o investidor detenha 10% ou mais das ações ou do direito de
voto numa empresa, possa aplicá-lo.

Estes investimentos estão separados em duas partes, a participação no capital e os


empréstimos intercompanhias. A participação no capital compreende as entradas de recursos,
como as moedas, as conversões externas e os valores destinados ao programa de privatizações,
relacionados com a aquisição e o aumento de capital social. Os empréstimos intercompanhias
compreendem os créditos concedidos pelas empresas principais às suas filiais estabelecidas
noutro país.

O IDE é diferente da troca de bens e serviços por diversos fatores, entre eles está presente
a não liquidez imediata ou diferida, a dimensão intertemporal, pois os investimentos são seguidos
pelos fluxos de produção, venda e lucros, as transferências de direitos patrimoniais e o processo
das empresas tentarem antecipar as ações das suas rivais.
Entre os objetivos das empresas principais, destacam-se a recuperação dos custos fixos
associados às mudanças tecnológicas e a captura financeira dos mercados em desenvolvimento.

O IDE representa uma importante parte dos movimentos de capitais, e aumentou 100
vezes entre 1971 e 2011, de 14 para 1524 mil milhões de dólares.

Fig. 3 – as 20 economias que mais IDE receberam em 2013

https://prezi.com/lxi26gugq0w-/a-circulacao-de-capitais/

O IDE não se reparte de forma equilibrada pelo globo, dado que os países do Norte
concentram a maior parte do IDE. No entanto, a participação dos países do Sul nos fluxos de
capitais tem aumentado.

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Fig . 4 – entrada de IDE no mundo em 2011 – Manual Geografia C - 12º ano: Plátano editora

Fig. 5 – fluxos de IDE com origem e destino nos países do Sul entre 1980-2010 - Geografia C - 12º ano:
Plátano editora

Investimentos de carteira
Investimentos de carteira são uma variação dos IDE, onde os empresários não
estão interessados em participar ativamente na gestão da empresa, mas sim em lucrar com ela.
Nos investimentos de carteira existe um grupo de ativos que pertence a um investidor, pessoa
física ou pessoa jurídica.
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Geralmente, estes ativos podem ser ações, fundos, títulos públicos, debentures,
aplicações imobiliárias, entre outros.

Atores da circulação de capitais


Os principais atores da circulação de capitais são:

 Estado
 Praças Financeiras
 Empresas Transnacionais
 Paraísos fiscais
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Estado

Um dos principais atores da circulação de capitais são os estados.

Estes têm a função executiva, legislativa e judicial, sendo constituídos por partidos políticos
e instituições internacionais. Atualmente, os estados são pressionados por duas frentes cujas
ideologias se opõe. De um dos lados observamos uma tendência para a política do livre
cambismo, do mercado nacional aberto ao mundo, na qual a autonomia se reduz para a
adaptação às normas neoliberais. Do outro lado, um apelo à autarcia, à existência de um estado
forte e capaz de se gerir.

Hoje em dia, há uma necessidade de atrair empresas e capital estrangeiro, o que leva os
estados a baixar o custo geral da mão-de-obra e tributação, com o objetivo de se tornarem
competitivos no mercado. Exemplo deste facto é o caso dos EUA, que começam a recorrer
intensivamente à mão-de-obra chinesa, dado que esta é extremamente barata, qualificada e
competente. Esta estratégia económica, apesar das suas qualidades, tem também uma vertente
negativa, pois origina uma progressiva erosão da soberania nacional

Praças financeiras
Um Centro Financeiro é o coração do setor financeiro e comercial de uma cidade.
Geralmente, a área do centro financeiro é pequena, em comparação com o tamanho total da
cidade/região metropolitana. O centro financeiro, na maioria das vezes, concentra os arranha-céus
mais altos da cidade e possui as maiores taxas de densidade populacional de uma região
metropolitana. 

Geralmente, nos centros financeiros estão localizadas as sedes de grandes empresas,


lojas de renome internacional, indústrias terceirizadas e tráfego intenso.
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Para determinar quais são as maiores praças financeiras do mundo, foi criado o “Índice de
Centros Financeiros Globais”, que calcula um agregado de índices de 5 áreas chave: “Ambiente
de negócios", "Desenvolvimento do setor financeiro", "Fatores de infraestrutura", "Capital
humano", "Reputação e fatores gerais".

O último ranking foi publicado a 26 de março de 2020 e os seus resultados estão


apresentados na imagem abaixo:

Fig 6 – ranking de centros financeiros


https://en.wikipedia.org/wiki/Global_Financial_Centres_Index

Nova Iorque
Em Nova Iorque encontra-se Wall Street, um dos maiores centros mundiais do capitalismo
e o centro de negócio dos Estados Unidos

Nesta rua localiza-se a bolsa de valores de Nova Iorque, a New York Stock Exchange
(NYSE), considerada a maior bolsa de valores de todo o mundo.

A NYSE funciona diariamente das 09:30h às 16h e nela estão representadas mais de 3500
empresas de todo o mundo. O pico de atividade da NYSE ocorreu em 10 de outubro de 2008, com
movimentos de 7,3 mil milhões de ações num só dia.
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Foi também o palco do maior crash da bolsa no mundo, em 1929, que resultou numa crise
mundial grave, o que demonstra a elevada importância deste centro de negócios.

Atualmente, o valor de mercado da NYSE é 22.9 triliões de dólares.

Fig 7 – NYSE
https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-10-03/nyse-proposes-that-sec-revise-its-test-of-
how-exchanges-get-paid

Londres
Londres é um dos maiores e mais importantes centros financeiros do mundo. É no centro
de Londres que estão localizadas mais de metade das 100 melhores empresas do Reino Unido e
de mais de 100 das 500 maiores empresas europeias.

Londres é o maior centro financeiro em escala global para negócios internacionais e


a cidade que mais presta serviços financeiros do mundo. 

Em Londres encontra-se a LSE – London Stock Exchange, a principal bolsa de valores da


Inglaterra e do Reino Unido. A LSE foi fundada em 1801 e abriga 2749 empresas, sendo uma das
maiores bolsas de valores do mundo. A LSE funciona das 8h às 16h30.

Atualmente, o valor da LSE é 4,59 triliões de dólares.


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Fig 8 – LSE
https://www.pinterest.pt/pin/485825878522737507/

Tóquio

Tóquio é o principal centro de negócios e mercado consumidor da Ásia.

A bolsa de valores de Tóquio, também conhecida como Tōshō ou TSE, é a terceira maior
bolsa de valores do mundo e abriga 2292 empresas, incluindo algumas das 25 de maiores
empresas de manufatura do mundo. A TSE funciona das 08h00 às 11h30 e das 12h30 às 17h00.

Atualmente, o seu valor de mercado é de 5,67 triliões de dólares.

As maiores empresas com ações na bolsa de Tóquio são: Toyota, Softbank, Nippon


Telegraph and Telephone, Keyence e NTT Docomo.

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Fig 9 - TSE https://pt.wikipedia.org/wiki/T
%C3%B3quio#/media/Ficheiro:Tokyo_Stock_Exchange_Interior_201505.JPG

Influência das TIC na circulação de capitais

No mundo globalizado em que vivemos existe um grande fluxo de capital, através de


transações financeiras, como a compra e venda de ações de empresas, de títulos e moedas. Este
tipo de atividades ocorre a partir das evoluções que aconteceram nos meios de comunicação. O
mundo está interligado por meio de uma complexa rede de comunicação, como o telemóvel,
telefone, satélites, internet, entre outros, que permitem que elevados montantes de capital sejam
transferidos diariamente entre todos os países do mundo. Estes movimentos são executados
quase em tempo real. Em poucos minutos, vários negócios sucedem-se e inúmeros outros são
abertos. Estes envolvem um enorme volume de capital, sendo que num só dia as negociações
rondam em todo o planeta aproximadamente 1 trilião de dólares.

Devido à modernização das tecnologias de informação e comunicação e modernização


dos transportes, tornou-se possível uma maior flexibilidade na localização das atividades
económicas das populações. Assim, o conceito de distância foi alterado, sendo que tudo fica mais
perto.
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Nos dias de hoje, as telecomunicações conseguem transferir grandes quantidades de
informação de uma ponta do mundo para a outra, o que possibilita e impulsiona um complexo
movimento de capitais. Graças às TIC, todas as praças financeiras estão ligadas 24h por dia, em
tempo real.

Ao nível das bolsas de valores, o desenvolvimento das TIC resultou num aumento de
eficiência. Antigamente, as trocas na bolsa de valores funcionavam fisicamente, com a
comunicação de pessoa para pessoa. Nos dias de hoje, com o avanço das tecnologias e com o
uso da internet, é possível realizar muitas mais ações, o que resulta num mercado mais rápido e
em constante mudança.

Além disso, a atividade no mercado é muito mais segura, visto que há um vasto leque de
informação disponível sobre cada ação, permitindo que cada utilizador faça uma decisão
informada antes de realizar qualquer troca.

Empresas Transnacionais

São empresas com sedes em países ricos, que “espalham” as suas filiais pelo mundo.
Essas filiais não estão apenas distribuídas pelos países pobres, e sim por todos os países onde o
comércio está facilitado.

Estas empresas surgiram a partir do momento em que houve a necessidade de


expansão, devido à procura de países com mercado consumidor, matérias-primas e mão de
obra mais baratas. Hoje em dia com a globalização existe uma maior distribuição das
multinacionais pelo mundo, devido à facilidade do câmbio.

As ETN são responsáveis por dois terços do comércio mundial.

Os processos de deslocalização de segmentos da produção, o aumento do número de


filiais no estrangeiro e o crescimento do volume de negócios estão na origem da crescente
importância das ETN no comércio mundial.
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Maiores ETN do mundo
Neste momento, segundo a revista “Forbes”, as 5 maiores empresas mundiais são:

#1 – Industrial and Commercial Bank of China (ICBC)

Fig 10. – logotipo ICBC https://www.forbes.com/global2000/#303552a4335d


Vendas (em milhões de dólares): 175.9
Lucro (em milhões de dólares): 45.2
Ativos (em milhões de dólares): 4034.5
Valor de Mercado (em milhões de dólares): 305.1
Setor: Financeiro
País: China

#2 – JPMorgan Chase

Fig .11 – logotipo JPMorgan Chase https://www.forbes.com/global2000/#303552a4335d


Vendas (em milhões de dólares): 132.9
Lucro (em milhões de dólares): 32.7
Ativos (em milhões de dólares): 2737.2
Valor de Mercado (em milhões de dólares): 368.5
Setor: Financeiro
País: Estados Unidos da América
#3 – China Construction Bank

Fig. 12 – logotipo China Construction Bank https://www.forbes.com/global2000/#303552a4335d


Vendas (em milhões de dólares): 150.3
Lucro (em milhões de dólares): 38.8
Ativos (em milhões de dólares): 3382.4
Valor de Mercado (em milhões de dólares): 225
Setor: Financeiro
País: China

#4 - Agricultural Bank of China

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Fig. 13 – logotipo Agricultural Bank of China https://www.forbes.com/global2000/#303552a4335d
Vendas (em milhões de dólares): 137.5
Lucro (em milhões de dólares): 30.9
Ativos (em milhões de dólares): 3293.1
Valor de Mercado (em milhões de dólares): 197
Setor: Financeiro
País: China

#5 – Bank of America

Fig. 14 Logotipo Bank of America https://www.forbes.com/global2000/#303552a4335d


Vendas (em milhões de dólares): 111.9
Lucro (em milhões de dólares): 28.5
Ativos (em milhões de dólares): 2377.2
Valor de Mercado (em milhões de dólares): 287.3
Setor: Financeiro
País: Estados Unidos da América

Os Paraísos Fiscais

Um paraíso fiscal, também conhecido por refúgio fiscal, é uma jurisdição (estado


nacional ou região autónoma) onde a lei facilita a aplicação de capitais estrangeiros, com
alíquotas de tributação muito baixas ou nulas.

As empresas e contas bancárias abertas em territórios beneficiários do estatuto de paraíso


fiscal costumam ser chamadas de offshore.

São territórios marcados por grandes facilidades na atribuição de licenças para a abertura
de empresas, além de os impostos serem baixos ou inexistentes.

Em 2016, existiam mais de 80 paraísos fiscais no mundo inteiro. Alguns dos principais
paraísos fiscais são:
 Luxemburgo
 Panamá
 Seychelles
 Bahamas
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 Bermudas
 Emirados Árabes Unidos
 Ilhas Virgens Britânicas
 Ilhas Caimão
 Jersey
 Suíça

Fig 15 – Localização de vários paraísos fiscais


https://pt.wikipedia.org/wiki/Para%C3%ADso_fiscal

Paraísos fiscais – Características

 Tributação reduzida ou até mesmo nula sobre o capital depositado;


 Proteção da identidade dos depositantes, com a oferta de sigilo bancário quase sempre
absoluto;
 Pouca ou nenhuma burocracia financeira – seja para enviar capital, abrir conta ou registrar
uma empresa;
 Facilidade para depositar, movimentar ou retirar remessas;

O principal objetivo dos países que acolhem sociedades offshore é a captação de capitais
estrangeiros, oferecendo vários benefícios fiscais e licenças para a abertura de empresas com
grande facilidade como forma de atração de fundos e investimento, atribuindo-lhes licenças para a
abertura de empresas com grande facilidade.

Além disso, frequentemente pessoas de elevados rendimentos formam empresas pessoais ou


familiares, para administrar os investimentos realizados. Podem ainda ser usadas para comprar e
vender património pessoal, fazer aplicações financeiras e outros negócios particulares, além de
permitirem transmissão de heranças, sem os custos, discussões e demoras inerentes a um
inventário. Além disso, beneficiam ainda do sigilo, privacidade e segurança nas operações, além
de um sistema tributário mais vantajoso.
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Os paraísos fiscais são legais?

A lei portuguesa, tal como a maioria dos países ocidentais, reconhece a existência de
paraísos fiscais. No entanto, visto que uma das características comuns de um paraíso fiscal é o
total sigilo bancário e a confidencialidade das contas e das empresas, muitas vezes é impossível
saber se são usados para ilegalidades ou não. Alguns dos crimes praticados através do uso de
paraísos fiscais são: lavagem de dinheiro, corrupção e fraude fiscal.

Ou seja, no fim de contas, a ilegalidade não está no ato de guardar capital em paraísos
fiscais – mas sim na origem desses recursos. Porém, como os próprios países têm plena
consciência da natureza dessas transações, muitas vezes os paraísos fiscais são acusados de
não exporem os crimes e serem complacentes com a ação de criminosos.

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Fig. 16 - Cartaz de sensibilização para o uso legal das entidades offshore
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:HMRC_offshore_evasion_poster_February_2014.jpg

A União Europeia criou uma lista negra de paraísos fiscais, nome dado a todas as
offshores que não cumprem três critérios fornecidos pela União Europeia: transparência fiscal,
tributação justa e atividade económica real.

Aos países que não cumprem estes critérios, a UE oferece um prazo para corrigirem estas
lacunas. Neste momento, Fiji, Omã, Samoa, Trindade e Tobago, Vanuatu, Samoa Americana,
Guão, Ilhas Virgens Americanas, ilhas Cayman, Palau, Panamá e Seicheles estão na lista negra
de paraísos fiscais, visto que ainda não as corrigiram. Esta lista é constantemente atualizada,
sendo que, recentemente, foram removidos 16 paraísos fiscais (Antígua e Barbuda, Arménia,
Baamas, Barbados, Belize, Bermudas, Ilhas Virgens Britânicas, Cabo Verde, Ilhas Cook,
Curaçau, Ilhas Marshall, Montenegro, Nauru, Niuê, São Cristóvão e Neves e Vietname) da
lista, visto que estes territórios conseguiram cumprir os princípios apresentados pela UE.

Consequências

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A evasão e a fraude fiscal que estes paraísos fiscais e empresas / contas offshore
provocam consequências na economia do país de origem, dado que é a classe média que é
chamada a corrigir essa lacuna fiscal, penalizando o consumo e o crescimento interno de um país.

Segundo a Comissão Europeia, a fraude, a evasão e a otimização fiscal agressiva têm


feito a União Europeia perder mais de mil milhões de euros por ano.

No Brasil, foi criado um painel eletrónico chamado Sonegómetro, que indica o valor de
impostos que se perderam com a fuga ao fisco através de sociedades offshore.

Fig. 17 – Sonegómetro
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/09/25/sonegometro-mostra-que-calote-aos-
cofres-publicos-passa-de-r-304-bilhoes.htm

Denúncia de ilegalidades – Panama Papers

Um dos escândalos mais famosos sobre Paraísos Fiscais foram os


Panama Papers:

Panama Papers é o nome dado a um escândalo de corrupção que foi descoberto através
de 11,5 milhões de documentos a que o jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” e o Consórcio
Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI), teve acesso devido a uma fuga de informação
na sociedade de advogados Mossack Fonseca, considerada a quarta maior fornecedora de
serviços offshore no mundo. Esta empresa tem a sua sede no Panamá, daí o nome Panama
Papers. A investigação durou um ano e envolveu 378 jornalistas de 107 meios de comunicação
em 77 países.

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Estes documentos contêm informações sobre mais de 200 mil entidades offshore de
relacionadas com pessoas de mais de 200 países e fornecem detalhes de operações financeiras
ocultas de 128 políticos de todo o mundo e de várias personalidades mundiais.

O dinheiro desviado foi usado para imensos fins, desde uma simples fuga ao fisco até a
crimes graves, tais como financiamento de carteis de droga ou exploração de diamantes. Estes
documentos também referem que várias pessoas se envolveram em negócios com organizações
terroristas ou países como a Coreia do Norte.

Alguns dos nomes mais famosos envolvidos neste escândalo são: Vladimir Putin
(presidente da Rússia), acusado de desviar cerca de dois mil milhões de dólares; Xi Jinping
(presidente da China); Salman (Rei da Arábia Saudita); Petro Poroshenko (presidente da Ucrânia);
Sigmundur David Gunnlaugsson (Presidente da Islândia), entre outros.

Na lista existe um Português envolvido, chamado Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira,


acusado de ter aberto várias empresas offshores através da empresa Mossack Fonseca.

Denuncia de ilegalidades – Luanda Leaks


Um dos casos mais recentes e famosos em Portugal relacionado com ilegalidades
através do uso de paraísos fiscais foi o Luanda Leaks, uma investigação jornalística a esquemas
de enriquecimento de Isabel dos Santos, a mulher mais rica de África.

A 19 de janeiro de 2020, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que


também investigou os Panama Papers referidos acima, divulgou uma investigação chamada
Luanda Leaks, com base em 715 mil documentos, que revelam que Isabel dos Santos desviou
mais de 100 milhões de dólares da Sonalgol, uma empresa de exploração de petróleo que Isabel
dos Santos administrava, para empresas offshore no Dubai controladas por pessoas que lhe são
próximas.

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Fig 18 – desenho alusivo ao escândalo “Luanda Leaks”
https://www.icij.org/investigations/luanda-leaks/about-the-luanda-leaks-investigation/

Paraísos fiscais – o caso Português

Centro Internacional de Negócios da Madeira


Na Madeira está localizado um paraíso fiscal, o Centro Internacional de Negócios da
Madeira (CINM), formalmente conhecido como Zona Franca da Madeira. O CINM foi criado
formalmente nos anos 80 como instrumento de desenvolvimento económico regional. O CINM
consiste num conjunto de incentivos, sobretudo de natureza fiscal (taxa reduzida de imposto sobre
os lucros de 5% até 2027), concedidos com o objetivo de atrair investimento externo para a
Madeira.

O CINM é responsável por mais de metade do IRC cobrado na Madeira e por cerca de
10% da captação de investimento direto estrangeiro em Portugal. 

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Fig. 19 – Centro Internacional de Negócios da Madeira
https://expresso.pt/economia/2018-12-09-Fisco-lanca-raide-sobre-empresas-na-Zona-Franca-da-
Madeira

Impactos na economia Portuguesa


Segundo um estudo da Comissão Europeia, Portugal é o terceiro país que mais riqueza
transferiu para paraísos fiscais, desviando cerca de 50 milhões de euros entre 2001 e 2016, o que
equivale a 23,9% do seu Produto Interno Bruto. Este valor foi apenas superado pela Malta (31%) e
Chipre (38%).

O mesmo estudo também indica que Portugal é o terceiro país da UE que mais receita
fiscal em percentagem da sua economia perde para as offshores, sendo que entre 2004 e 2016, o
país terá perdido 1,3 mil milhões de euros, equivalente a 1% do PIB.

O investimento português em paraísos fiscais, e de acordo com o FMI, no seu


Coordinater Portfolio Investment Survey, em meados do ano passado, representava 3,5% do total
do investimento português no estrangeiro, e correspondia a cerca de 2,3% do PIB.

Conclusão
Em suma, conseguimos compreender que a circulação de capitais é produto da
existência de três tipos de movimentos de capitais, que são influenciados por quatro agentes (o
Estado, as Praças Financeiras, as Empresas Transnacionais e os Paraísos Fiscais), sendo que as
empresas transnacionais empenham o papel mais importante, dado que representam mais de
dois terços do comércio mundial.

Além disso, podemos chegar à conclusão de que houve um aumento da circulação de


capitais, provocado pelo desenvolvimento das novas tecnologias, o que provocou transformações
de grande importância na economia mundial.

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