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Agrofloresta sucessional:

conceitos e experiências

Como criar florestas,


produzindo alimentos

Aprendendo com a natureza

Eng. Agr. Fabiana Mongeli Peneireiro


fabiana_agroeco@yahoo.com.br
site: www.agrofloresta.net
A vida é a estratégia de
ser do Planeta Terra

A ação de todos os
seres vivos do planeta,
que estão em seu
ecossistema original,
agem para se ter mais
vida no lugar; somente
o ser humano saqueia e
deixa o ecossistema
mais pobre.
PERGUNTA CHAVE PARA ALCANÇARMOS
A SUSTENTABILIDADE NESSE PLANETA:
“O resultado de minhas ações tem sido o
aumento de vida e recursos no local de
minha intervenção e também com relação
ao planeta Terra? O balanço energético de
minhas intervenções tem sido positivo?”
Ernst Götsch
OS SERES VIVOS ATUAM NO
SENTIDO DE AUMENTAR OS
RECURSOS PARA A VIDA NO
LUGAR
QUANDO SE DEIXA UMA
ÁREA EM POUSIO, O SOLO
RECUPERA SUA
FERTILIDADE
OTIMIZAR E NÃO
MAXIMIZAR OS
RECURSOS
MAIS SUSTENTÁVEL SERÁ UM
AGROECOSSISTEMA QUANTO MAIS
SEMELHANTE FOR, EM ESTRUTURA
E FUNÇÃO, AO ECOSSISTEMA
ORIGINAL DO LUGAR.
BUSCAR NO ECOSSISTEMA
DO LUGAR, OS
FUNDAMENTOS PARA A
CONSTRUÇÃO DOS
AGROECOSSISTEMAS
CONCEITOS
• Escolhas das espécies em função do clima e
características do solo (fertilidade e dinâmica
da água)
• Sucessão natural (consórcios completos –
tempo e espaço) – manejo (poda de
estratificação e capina seletiva)/regeneração
• Plantar alta diversidade e densidade
(sementes)
• Cobertura do solo (matéria orgânica)
SUCESSÃO NATURAL
• Essa é a mola propulsora do
funcionamento da natureza. Tudo é
dinâmico e segue o caminho da
complexificação. Se agirmos no sentido
contrário (estático, monocultura...),
teremos que utilizar “muletas” como
adubos (fertilizantes químicos ou
orgânicos), praguicidas (agrotóxicos ou
caldas)...
O PROCESSO
SUCESSIONAL
sistematizado por
Ernst Götsch
Esquema gráfico para
representar sucessão ecológica
proposto por Ernst Götsch
As intervenções nos sistemas
agroflorestais com referência na
sucessão natural acelera o processo
sucessional e enriquece o lugar.

O estudo de caso na Fazenda


Fugidos, de Ernst Götsch
SISTEMAS AGROFLORESTAIS DIRIGIDOS
PELA SUCESSÃO NATURAL:
um estudo de caso

Mestre: Fabiana Mongeli Peneireiro


Orientador: Prof. Dr. Ricardo Ribeiro Rodrigues
Co-orientador: Ernst Götsch
HIPÓTESE

“O manejo agroflorestal utilizado acelera o


processo sucessional e a recuperação de áreas
degradadas”.
Situação Geográfica - Piraí do Norte / Bahia

¿
Didymopanax morototoni Índice de Valor de
Cestrum laevigatum
Inga blanchetaiana Importância (IVI)
espécies

Cordia sp
Dens.Re.
Himatanthus sucuuba
Dom.Re.
Aegyphyla selowiana
Freq.Re.
Nectandra leucantha
Tapirira guianensis
Senna multijuga
Inga thibaudiana

0 10 20 30 40 50

índice de valor de importância (IVI)

A0 (Capoeira)
A12 (SAF)

Tapirira guianensis
Bactris sp.
Mabea fistulifera
espécies

Miconia mirabilis
Dens. Re.
Syagrus pseudo-cocos
Dom. Re.
Emmotum nitens
Freq. Re.
Vernonia diffusa
Nectandra sp.1
Henriettea succosa
Tibouchina luetzelbergii

0 10 20 30 40 50 60 70 80

índice de valor de importância (IVI)


Conclusões - VEGETAÇÃO

9 As áreas de SAF e Capoeira: são diferentes


florística e estruturalmente após 12 anos;
9 Observou-se um avanço sucessional na área de
SAF se comparado com a Capoeira:
Mimosaceae e Lauraceae X Melastomataceae;
9 A área de SAF apresentou maior diversidade,
com maior eqüabilidade que a de Capoeira
SOLO
Parâmetros Capoeira SAF Teste estatístico
profundidade média CV média CV significância

pH – H2O 0-5 5,28 4,859 5,592 2,577 **


5-20 5,052 5,364 5,392 4,477 **
40-60 5,068 3,208 5,096 3,944 ns
M.O 0-5 190,4 3,042 170,88 29,922 ns
5-20 44,84 10,434 42,72 15,550 ns
40-60 23,44 22,944 22,04 19,092 ns
P (ppm) 0-5 4 35,355 29,04 29,345 **
5-20 2,96 44,135 12,92 30,547 **
40-60 2,24 59,449 2,68 31,808 ns
K (mmolc) 0-5 1,736 30,476 1,604 31,610 ns
5-20 0,872 37,821 0,780 36,073 ns
40-60 0,256 43,790 0,324 44,797 ns
Ca (mmolc) 0-5 54,6 34,569 110 21,547 **
5-20 13,12 53,095 45,28 35,494 **
40-60 3,68 32,076 9,92 50,815 **
Mg (mmolc) 0-5 17,04 28,824 82 10,414 **
5-20 6,32 37,588 27,12 36,274 **
40-60 1,52 63,331 5,76 40,493 **
Al (mmolc) 0-5 3,72 75,840 0 0 **
5-20 9,28 41,090 1,48 110,540 **
40-60 9,96 27,000 5,16 43,930 *
SB (mmolc) 0-5 73,376 31,860 194,804 15,563 **
5-20 20,312 45,211 73,180 33,547 **
40-60 5,456 35,442 16,004 43,808 **
M.O.
M.O

200

150
A12
% 100
A0
50

0
2,5 12,5 50
profundidade
pH CaCl2
pH CaCl2
6

5,5
pH A12
5
A0
4,5

4
2,5 12,5 50
profundidade
Ca

Ca
Mmolc/Kg
0 20 40 60 80 100 120
0
10
profundidade

A12
20
A0
30
40
50
60
Mg
Mg
Mmolc/Kg
0 20 40 60 80 100
0
10
profundidade

A12
20
A0
30
40
50
60
P

P
ppm
0 10 20 30 40
0
10
profundidade

A12
20 A0
30
40
50
60
FÓSFORO TOTAL

P205 total %
Profundidade (cm) A0 A12

0–5 0.06 0.13


5 – 20 0.03 0.08
40 – 60 0.12 0.05
SERAPILHEIRA
Peso da serapilheira

ANEXO P – Conteúdo de folhas e tocos da serapilheira para as duas áreas


estudadas A0 – capoeira e A12 – SAF, em Kg/ha, município de Ituberá, Bahia, Brasil.

A0 A12
Peso seco folhas (kg/ha) 15059,2 14377,07
Peso seco tocos (kg/ha) 3800,43 6251,15
Nutrientes no folhedo (%)

A0 A12
média Significância média
Peso seco 1,13 ns 1,08

pH – CaCl2 5,384 ** 5,940

N% 1,269 ** 1,636

P2O5 % 0,012 ** 0,093

K2O % 0,073 ** 0,16

Ca % 1,676 ns 1,721

Mg % 0,136 ** 0,426

S% 0,092 ns 0,069

C/N 31,4 ** 21,12


** - a 0,01 ou 1% * - a 0,05 ou 5% ns – não significante
Nutrientes no folhedo
300 100
2 4 3 ,8 7 2 4 8 ,0 7
250 80
5 9 ,7 0
200
A12 60 A12
150
A0 40 A0
100 2 0 ,5 0
50 20
0 0
K gCa KgM g

300 15
1 2 ,8 9
2 3 3 ,2 8
250 12
1 9 1 ,6 8
200 9
A 12 A 12
150
A0 6 A0
100
3 1 ,8 1
50
0 0
K gN K gP 2O 5

30 15 1 3 ,1 6
2 2 ,6 6
25 12 9 ,6 8
20
A 12 9 A 12
15 1 0 ,6 8 A0 6 A0
10
5 3
0 0
K gK 2O K gS
MACROFAUNA
EDÁFICA
Macrofauna edáfica

TABELA IV.2: Principais formas de vida da macrofauna edáfica encontradas nas duas
áreas estudadas (A12 – SAF e A0 – Capoeira), com respectivos números de
indivíduos encontrados; município de Ituberá, Bahia, Brasil.
SAF (A12) Capoeira (A0) Guilda
Minhocuçu * Saprófago
Rhinodrillus sp. 4 0
Minhocas: Saprófago
Pheretima hawaiana 9 0
Pontoscolex coretrurus 54 201
Diplópodas 46 (5 pequenos) 34 (22 pequenos) Saprófago
Chilópodas 7 28 Predador
Aracnida 11 78 Predador
Análise química de coprólito de
minhocuçu

TABELA IV.3: Análise de coprólito de minhocuçu encontrado na área manejada com SAF
(A12), município de Ituberá, Bahia, Brasil.

Parâmetros Valores
pH CaCl2 6.6
Umidade total 49.83 %
Matéria orgânica total 23.44%
Carbono orgânico 12.56%
Nitrogênio total 0.64%
Fósforo (P2O5) total 0.18%
Potássio (K2O) total 0.28%
Cálcio total 0.58%
Magnésio total 0.20%
Enxofre total 0.14%
Relação C/N 20/1
CONCLUSÃO

CONFIRMOU-SE A HIPÓTESE

O manejo agroflorestal utilizado (SAF


biodiverso dirigido pela sucessão natural)
acelerou o processo sucessional e possibilitou
a recuperação da área degradada”.
Sementes Agroflorestais
Mistura de sementes para
implementação de agrofloresta
sucessional

As sementes de diferentes espécies


de todos os grupos sucessionais
são misturadas
“Põe quanto que és
No mínimo que fazes.”

Fernando Pessoa

Colheremos os frutos no belo jardim que é esse


planeta se agirmos desinteressadamente, a favor
da vida, até que o sistema, rico, transborde, e assim
podemos viver na abundância.