Você está na página 1de 2

COMPLICAÇÕES AGUDAS DO DIABETES MELLITUS

As complicações agudas dos pacientes diabéticos podem estar relacionadas à


situações de hipo ou hiperglicemia. As complicações hiperglicêmicas
representam um importante problema de saúde pública tanto no Brasil com em
âmbito mundial. A cetoacidose é uma complicação aguda, típica do paciente
diabético do tipo 1, e esse conjunto de distúrbios metabólicos se desenvolve
em uma situação de deficiência insulínica grave ou absoluta, na maioria das
vezes esse quadro é desencadeado por condições estressantes, que levam ao
aumento dos hormônios contrarreguladores. O aumento da atividade
cetogênica é um componente fisiopatológico marcante em tal situação de
emergência clínica. Nos pacientes com diabetes mellitus do tipo 2, a
complicação mais comum é o estado hiperglicêmico hiperosmolar, com
deficiência insulínica relativa que se caracteriza pela hiperglicemia,
hiperosmolaridade e desidratação, principalmente envolvendo o sistema
nervoso central.

Os fatores desencadeantes dessas crises, tanto a cetoacidose diabética quanto


o estado hiperglicêmico hiperosmolar, são comuns e são na sua maioria, de
natureza infecciosa aguda (respiratória, urinária, genital, cutânea, etc.),
frequentemente associada ou não, ao tratamento insulínico interrompido ou
inadequado às condições do paciente. Situações agudas estressantes, não só
as de causa emocional isolada, mas também aquelas que acompanham
quadros orgânicos graves de acidentes vasculares (cerebrais ou coronarianos),
pancreatites agudas, etc. também têm sido associadas ao desencadeamento
destas complicações. Muitas vezes o quadro de cetoacidose ocorre em
pacientes de diabetes mellitus tipo 1 (DM1) que ainda nem foram
diagnosticados, pois é comum no início do quadro diabético e muitas vezes são
essas crises que levam ao diagnóstico.

O quadro de cetoacidose diabética será discutido mais detalhadamente em


uma questão posterior, no entanto, trata-se de um quadro cuja fisiopatologia se
baseia fundamentalmente numa deficiência insulínica, absoluta, marcante,
geralmente associada a aumento dos hormônios antagonistas (glucagon, GH,
glicocorticoides, catecolaminas). A hiperglicemia, resultante tanto da diminuição
da utilização periférica de glicose como do aumento de sua produção
endógena (glicogenólise e neoglicogênese), é um componente fisiopatológico
característico da situação, justificando vários dos sintomas e sinais típicos da
CAD, como polidipsia, poliúria e graus variados de desidratação, que podem
chegar à hipovolemia acentuada e choque circulatório.
O estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH), complicação aguda típica do
DM2, caracteriza-se por uma descompensação grave do estado diabético com
uma taxa de mortalidade ainda muito significativa. Clinicamente esse quadro se
manifesta por hiperglicemia e hiperosmolaridade acentuadas, desidratação
grave, com envolvimento, em grau variável, do sistema nervoso central. De um
forma geral os idosos são mais susceptíveis a este quadro e normalmente
chegam às unidades de emergência com alterações de consciência, crises
convulsivas e sintomas sugestivos de acidentes vasculares cerebrais. A
desidratação grave leva a alterações sensoriais graves e choque circulatório e
são evidentes ao exame físico do paciente. Os exames laboratoriais iniciais são
os mesmos indicados para o paciente com cetoacidose diabética e são
relacionados às condições hidroeletrolíticas e cálculo do anion gap do paciente
bem como a análise da osmolaridade sérica, glicemia e corpos cetônicos.
A glicemia está sempre aumentada nos casos de EHH podendo atingir valores
acima de 1000mg/dl. Glicosúria e cetonúria são também observados, sendo a
glicosúria sempre observada e a cetonúria negativa ou fracamente positiva.
Devido à perda hídrica excessiva há um desbalanço hidroeletrolitico.
A gasometria arterial também é essencial na avaliação do equilíbrio
acidobásico dos pacientes e se baseia em três parâmetros fundamentais
1. pH sanguíneo : diminuído (ácido,) quando as reservas
tamponantes do sangue são consumidas (normal = 7,4 ( 0,05);
2. bicarbonato (BS) : que diminui à medida que a produção de
ácidos orgânicos vai aumentando (normal = 24 ( 2 mEq/l);
3. base excess (BE): diminuída com o consumo de bases (normal =
+2,5 a –2,5 mEq/l). (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2001)

Uréia e creatinina podem se elevar na cetoacidose pelo catabolismo proteico e


desidratação, mas valores significativamente aumentados podem indicar
insuficiência renal prévia ou surgida no curso da CAD ou EHH. Pode-se fazer
adicionalmente um exame hematológico que é útil para a caracterização de
fatores infecciosos, precipitantes do quadro metabólico.

Você também pode gostar