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A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS CLASSIFICAÇÕES

A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS CLASSIFICAÇÕES

1 PESQUISA CIENTÍFICA

Pesquisa é um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução para


um problema, que têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A Pesquisa
é realizada quando se tem um problema e não se tem informações para solucioná-
lo. num sentido amplo, pesquisa refere-se a um conjunto de atividades voltadas para
a busca de um determinado conhecimento.
Em se tratando de ciência, a Pesquisa é o produto de uma investigação, cujo
objetivo é resolver problemas e solucionar dúvidas mediante a utilização de
procedimentos científicos. De forma mais simplista, pesquisar cientificamente
significa procurar respostas para indagações propostas através da utilização de
métodos e técnicas específicas.
Vista sob esse ângulo, a pesquisa trata-se do processo de construção do
conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos e/ou
corroborar ou refutar algum conhecimento pré-existente.

1.1 O planejamento de uma pesquisa dependerá basicamente de três fases:

a. fase decisória: referente à escolha do tema, à definição e à delimitação do


problema de pesquisa;
b. fase construtiva: referente à construção de um plano de pesquisa e à
execução da pesquisa propriamente dita;
c. fase redacional: referente à análise dos dados e informações obtidas na
fase construtiva. É a organização das idéias de forma sistematizada
visando à elaboração do relatório final. A apresentação do relatório de
pesquisa deverá obedecer às formalidades requeridas pela Academia.

2 CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS

Existem várias formas de classificar as pesquisas. Normalmente estas são


classificadas levando-se em consideração os resultados que pretendem atingir, a
natureza, a forma de abordagem do problema, seus objetivos gerais e ainda os
procedimentos técnicos de coleta e análise de dados.
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A classificação das pesquisas em exploratórias, descritivas e explicativas é


muito útil para o estabelecimento de seu marco teórico, ou seja, para possibilitar
uma aproximação conceitual. Todavia, para analisar os fatos do ponto de vista
empírico, para confrontar a visão teórica com os dados da realidade, toma-se
necessário traçar um modelo conceitual e operativo da pesquisa.
Esta classificação não pode ser tomada como absolutamente rígida, visto que
algumas pesquisas, em função de suas características, não se enquadram
facilmente num ou noutro modelo. Entretanto, na maioria dos casos, toma-se
possível classificar as pesquisas com base nesse sistema.

2.1 Do ponto de vista da sua natureza, pode ser:

2.1.2 Pesquisa Básica: objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da
ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais.

2.1.2 Pesquisa Aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática


dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.

2.2 Do ponto de vista da forma de abordagem do problema pode ser:

2.2.1 Pesquisa Quantitativa: considera que tudo pode ser quantificável, o que
significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-
las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média,
moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão,
etc.).

2.2.2 Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo
real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação
dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa
qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural
é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É
descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O
processo e seu significado são os focos principais de abordagem.

2.3 Do ponto de vista de seus objetivos pode ser:


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É sabido que toda e qualquer classificação se faz mediante algum critério. Com
relação às pesquisas, é usual a classificação com base em seus objetivos gerais.
Assim, é possível classificar as pesquisas em três grandes grupos: exploratórias,
descritivas e explicativas.

2.3.1 Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o problema


com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento
bibliográfico; entrevistas

com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise
de exemplos que estimulem a compreensão. Assume, em geral, as formas de
Pesquisas Bibliográficas e Estudos de Caso.

2.3.2 Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada


população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolve o
uso de técnicas padronizadas de coleta de dados: questionário e observação
sistemática. Assume, em geral, a forma de Levantamento.

2.3.3 Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou


contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Aprofunda o conhecimento da
realidade porque explica a razão, o “porquê” das coisas. Quando realizada nas
ciências naturais, requer o uso do método experimental, e nas ciências sociais
requer o uso do método observacional. Assume, em geral, a formas de Pesquisa
Experimental e Pesquisa Expost-facto.

2.4 Do ponto de vista dos procedimentos técnicos pode ser:

2.4.1 Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado,


constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e atualmente com material
disponibilizado na Internet.

2.4.2 Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não


receberam tratamento analítico.

2.5 Outros tipos de pesquisa:


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2.5.1 Pesquisa Experimental: quando se determina um objeto de estudo,


selecionam-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as
formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.

A pesquisa experimental, ao contrário do que faz supor a concepção popular, não


precisa necessariamente ser realizada em laboratório. Pode ser desenvolvida em
qualquer lugar, desde que apresente as seguintes propriedades:
a. manipulação: o pesquisador precisa fazer alguma coisa para manipular
pelo menos uma das características dos elementos estudados;
b. controle: o pesquisador precisa introduzir um ou mais controles na
situação experimental, sobretudo criando um grupo de controle;
c. distribuição aleatória: a designação dos elementos para participar dos
grupos experimentais e de controle deve ser feita aleatoriamente.

2.5.2 Levantamento: As pesquisas deste tipo caracterizam-se pela interrogação


direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, procede-
se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do
problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as
conclusões correspondentes aos dados coletados.

2.5.3 Estudo de caso: quando envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou


poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento.

2.5.4 Pesquisa Expost-Facto: A tradução literal da expressão ex-post facto é "a


partir do fato passado". Isso significa que neste tipo de pesquisa o estudo foi
realizado após a ocorrência de variações na variável dependente no curso natural
dos acontecimentos.

2.5.5 Pesquisa-Ação: quando concebida e realizada em estreita associação com


uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e
participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo
cooperativo ou participativo.

2.5.6 Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre


pesquisadores e membros das situações investigadas.

2.5.7 Estudo de campo


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No estudo de campo, o pesquisador realiza a maior parte do trabalho


pessoalmente, pois é enfatizada a importância de o pesquisador ter tido ele mesmo
uma experiência direta com a situação de estudo. Também se exige do pesquisador
que permaneça o maior tempo possível na comunidade, pois somente com essa
imersão na realidade é que se podem entender as regras, os costumes e as
convenções que regem o grupo estudado.
O estudo de campo apresenta algumas vantagens em relação principalmente
aos levantamentos. Como é desenvolvido no próprio local em que ocorrem os
fenômenos, seus resultados costumam ser mais fidedignos. Como não requer
equipamentos especiais para a coleta de dados, tende a ser bem mais econômico. E
como o pesquisador apresenta nível maior de participação, toma-se maior a
probabilidade de os sujeitos oferecerem respostas mais confiáveis.

2.5.8 Estudo de caso

O estudo de caso é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas


ciências biomédicas e sociais. Consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou
poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento,
tarefa praticamente impossível mediante outros delineamentos já considerados. A
crescente utilização do estudo de caso no âmbito dessas ciências, com diferentes
propósitos, tais como:
a. explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente
definidos;
b. preservar o caráter unitário do objeto estudado;
c. descrever a situação do contexto em que está sendo feita determinada
investigação;
d. formular hipóteses ou desenvolver teorias; e
e. explicar as variáveis causais de determinado fenômeno em situações muito
complexas que não possibilitam a utilização de levantamentos e
experimentos.

2.5.9 Pesquisa-ação
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É tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em


estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e
no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do
problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. "

2.5.10 Pesquisa participante

A pesquisa participante, caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e


membros das situações investigadas. Há autores que empregam as duas
expressões como sinônimas.
A pesquisa participante envolve posições valorativas, derivadas sobretudo do
humanismo cristão e de certas concepções marxistas. Tanto é que a pesquisa
participante suscita muita simpatia entre os grupos religiosos voltados para a ação
comunitária. Além disso, a pesquisa participante mostra-se bastante comprometida
com a minimização da relação entre dirigentes e dirigidos e por essa razão tem-se
voltado sobretudo para a investigação junto a grupos desfavorecidos, tais como os
constituídos por operários, camponeses, índios etc.

3 QUANTO AOS RESULTADOS

Resumo de Assunto: tipo de pesquisa que reúne, analisa e discute


conhecimentos e informações já publicadas. O resumo de assunto não é um
trabalho original, mas exige de seu autor a aplicação dos mesmos métodos
científicos utilizados em um trabalho científico original. A maior parte das pesquisas
elaboradas durante dos cursos de graduação são, quanto aos resultados que se
deseja alcançar, um resumo de assunto. Uma das vantagens que justificam a
elaboração de pesquisas do tipo resumo de assunto resulta do fato de ser ela um
meio apto a fornecer aos alunos a bagagem de conhecimentos e o treinamento
específico que os habilitam a lançarem-se em trabalhos originais de pesquisa.
Trabalho Científico Original: pesquisa, cujos resultados venham apresentar
novas conquistas para a ciência. Trata-se, portanto, de uma pesquisa, sobre
determinado assunto, levada a efeito, em parte ou em conjunto, pela primeira vez.
Uma pesquisa científica original será redigida de tal maneira, que a partir das
indicações do texto, um pesquisador qualificado possa:
a. reproduzir as experiências e obter os resultados descritos no trabalho com
igual ou menor número de erros;
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b. repetir as observações e formar opinião sobre as conclusões do autor;


c. verificar a exatidão das análises, induções e deduções, nas quais estão
baseadas as descobertas do autor, usando como fonte as informações
dadas no trabalho.
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4 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2006.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 4 ed.


São Paulo: Atlas, 2001.

SILVA, E. L. da. MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de


dissertação. 3 ed. UFSC: Florianópolis, 2001.

Classificação das Pesquisas. Disponivel no


site<http://www.unifa.aer.mil.br/ecemar/pesquisa/classificacaodaspesquisas.htm>
Acesso em 10 de jun 2007.