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METODOLOGIA DE PESQUISA – PROFª. CAHONI 2º T. DE ADM.

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PARTE I – CIÊNCIA, CONHECIMENTO CIENTÍFICO E MÉTODOS CIENTÍFICOS

1.1 A CIÊNCIA

1.1.1 Do medo à Ciência


A evolução humana corresponde ao desenvolvimento de sua inteligência. Sendo
assim podemos definir três níveis de desenvolvimento da inteligência dos seres humanos
desde o surgimento dos primeiros hominídeos: o medo, o misticismo e a ciência (BELLO,
2005, p. 12).

 O medo: os seres humanos pré-históricos não conseguiam entender os


fenômenos da natureza. Por este motivo, suas reações eram sempre de medo:
tinham medo das tempestades e do desconhecido. Como não conseguiam
compreender o que se passava diante deles, não lhes restava alternativa senão o
medo e o espanto daquilo que presenciavam.
 O misticismo: num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo
para a tentativa de explicação dos fenômenos através do pensamento mágico, das
crenças e das superstições. Era, sem dúvida, uma evolução já que tentavam
explicar o que viam. Assim, as tempestades podiam ser fruto de uma ira divina, a
boa colheita da benevolência dos mitos, as desgraças ou as fortunas do
casamento do humano com o mágico.
 A ciência: como as explicações mágicas não bastavam para compreender os
fenômenos os seres humanos finalmente evoluíram para a busca de respostas
através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma, nasceu a
ciência metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica.

O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta


característica permite que seja capaz de refletir sobre o significado de sua própria
experiência. Assim sendo, é capaz de novas descobertas e de transmiti-las a seus
descendentes.

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O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua


característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro,
que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a ciência.

1.1.2 Conceitos de Ciência


A ciência é uma das maiores atividades humanas. É contemplação da natureza e
também muitas outras coisas. A literatura aponta diversos conceitos para ciência.
Basicamente todas elas se referem à acumulação de conhecimentos sistemáticos.

 “A Ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certo ou prováveis, obtidos


metodicamente sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de
uma mesma natureza” (ANDER-EGG, 1978, p. 15, apud LAKATOS e MARCONI,
2000, p. 22).

 “A ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao


sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido à
verificação” (TRUJILLO, 1974, p. 8, apud LAKATOS e MARCONI, 2000, p. 22).
 “(...) conhecimento sobre um objeto, obtido através do emprego do método
racional. A ciência é a expressão máxima da capacidade racional humana em
explicar as causas dos fenômenos naturais, sociais e humanos” (OLIVEIRA
NETTO, 2006, p. 1).

 “A ciência é um conhecimento racional metódico, relativamente verificável e


sistemático, que visa a estabelecer relações necessárias entre as coisas. Seus
conteúdos são comunicáveis e possibilitam a previsão dos fenômenos. Dotada de
aplicabilidade, pode resultar em tecnologias que permitem ao homem a intervenção
sobre a natureza” (SEVERO, 2002, p. 87, apud OLIVEIRA NETTO, 2006, p. 3).

 “É o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais


ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método
científico” (www.wikipédia.org).

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1.1.3 Natureza da Ciência


A palavra ciência pode ser entendida em duas acepções: latu sensu tem,
simplesmente, o significado de conhecimento e stricto sensu não se refere a um
conhecimento qualquer, mas àquele que, além de compreender ou registrar fatos, os
demonstra por suas causas constitutivas ou determinantes.

1.1.4 Objetivos da Ciência


Apesar das impressões populares sobre a ciência, não é o objetivo da ciência
responder todas as questões. Além disso, a ciência não pode possivelmente falar a todas
as questões possíveis, então a escolha de qual questões serão respondidas torna-se
importante. A ciência não pode e não produz uma verdade absoluta e inquestionável. Ao
contário, a ciência freqüentemente testa hipóteses sobre algum aspecto do mundo físico,
e quando necessário as revisam ou substituem à luz de novas observações ou dados.
O objetivo subjacente ou propósito da ciência para a sociedade e indivíduos é o de
produzir modelos úteis da realidade. Tem-se dito que é virtualmente impossível fazer
inferências dos sentidos humanos que realmente descrevem o que "é". Por outro lado,
como dito, a ciência pode fazer predições baseadas em observações. Essas predições
geralmente beneficiam a sociedade ou indivíduos que fazem uso delas, por exemplo, as
ciências sociais nos permitem predizer (com acurácia limitada até agora) coisas como a
turbulência econômica e também para melhor entender o comportamento humano a fim
de produzir modelos úteis da sociedade e trabalhar mais empiricamente com políticas
governamentais.
Em resumo, a ciência produz modelos úteis os quais nos permitem fazer predições
mais úteis. A ciência é uma ferramenta útil, bem como um corpo crescente de
entendimento que nos permite identificarmo-nos mais eficazmente com o meio ao nosso
redor e a melhor forma de adaptarmo-nos e evoluirmos como um todo social assim como
independentemente.
Enfim, a ciência tem como objetivo primordial a melhoria da qualidade de vida
material e intelectual.
1.1.5 Função da Ciência

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A ciência geralmente abrange qualquer campo sistemático de estudo ou o


conhecimento obtido desse. Sendo assim, a ciência tem as seguintes funções:
 Novas descobertas;
 Novos produtos; e
 Melhoria da qualidade de vida.

1.1.6 Classificação e Divisão da Ciência


A complexidade do universo e a diversidade de fenômenos que nele se
manifestam, aliadas à necessidade do homem de estudá-los para entendê-los e explicá-
los, levaram ao surgimento de diversos ramos de estudo e ciências específicas. Estas
necessitam de uma classificação, quer de acordo com sua ordem de complexidade, quer
de acordo com seu conteúdo: objetivo ou temas, diferenças de enunciados e metodologia
empregada.
De acordo com a Tabela de Áreas de Conhecimento da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), as ciências podem ser assim
classificadas:
 Ciências Exatas e da Terra
 Ciências Biológicas
 Engenharias
 Ciências da Saúde
 Ciências Agrárias
 Ciências Sociais Aplicadas
 Linguística, Letras e Artes
 Ciências Humanas
 Outras

Cursos como Administração, Direito e Economia tradicionalmente incluídos na área


de Ciências Humanas, ganharam uma área própria na última reformulação promovida
pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – as
chamadas Ciências Sociais Aplicadas. Embora não integrem diretamente a mesma área,
os cursos de Humanas e Sociais Aplicadas têm diversas características em comum. Na

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verdade, as duas ciências trabalham de maneira complementar. Na área de Humanas


trabalha-se mais com o próprio ser humano, buscando a sua formação e na área de
Sociais Aplicadas trabalha-se o homem para a sua organização, buscando o bem da
coletividade.

1.2 CONHECIMENTO CIENTÍFICO

1.2.1 Conceitos de Conhecimento


Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou fenômeno
qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiências que acumulamos
em nossa vida cotidiana, através de experiências, dos relacionamentos interpessoais, das
leituras de livros e artigos diversos.
Entre todos os animais, nós, os seres humanos, somos os únicos capazes de criar
e transformar o conhecimento; somos os únicos capazes de aplicar o que aprendemos,
por diversos meios; somos os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como a
linguagem, e com ele registrar nossas próprias experiências e passar para outros seres
humanos. Essa característica é o que nos permite dizer que somos diferentes dos gatos,
dos cães e dos macacos. Ao criarmos este sistema de símbolos, através da evolução da
espécie humana, permitimo-nos também o pensar e, por conseqüência, a ordenação e a
previsão dos fenômenos que nos cerca.
Assim, “O conhecimento pode ser entendido como o acúmulo de informações de
cunho intelectual, como o domínio (teórico ou prático) acerca de um assunto, científico ou
não” (OLIVEIRA NETTO, 2006, p. 3).

1.2.2 Tipos de Conhecimento


O conhecimento pode ser classificado em diferentes tipos, quais sejam (OLIVEIRA
NETTO, 2006):

 Conhecimento Filosófico: é caracterizado pelo esforço da razão pura, no sentido


de questionar os problemas humanos e poder fazer uma distinção entre o certo e o
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errado, valendo-se apenas das luzes da própria razão humana. Por intermédio
dele, busca-se analisar idéias, relações conceptuais, exigências lógicas não-
redutíveis e realidades materiais, não sendo, portanto, passíveis de observação
sensorial direta ou indireta. O conhecimento filosófico segue em direção ao que é
“mais geral”, buscando-se formular uma concepção unificada e unificante do
universo, responder às grandes indagações do espírito humano e encontrar as leis
mais universais que englobem e harmonizem as conclusões da ciência.

 Conhecimento Religioso: também denominado “Teológico”, parte do princípio de


que as verdades nas quais se acredita são infalíveis ou indiscutíveis, pois se tratam
de revelações da divindade. Em regra, a adesão das pessoas dá-se pela fé, já que
a visão sistemática do mundo é interpretada como resultante da ação de um
criador divino, cujas evidências não se colocam em dúvida nem são verificadas.

 Conhecimento Artístico: baseia-se na intuição, produzindo emoções. Esse tipo


de conhecimento tem por objetivo o “sentir” e, não o “pensar”. A preocupação do
artista não é com o tema, mas com o modo como tratá-lo.

 Conhecimento Técnico: não advém apenas do instinto, das sensações, da


observação ingênua. Nele intervém a razão, sendo esse conhecimento relacionado
ao como fazer algo e aos meios a serem utilizados para realizar tarefas. Ele está
na base da profissionalização.

 Conhecimento Empírico: também denominado de “Popular”, “Vulgar” ou “Senso-


Comum”, tratam-se das opiniões não-comprovadas, isto é, as experiências do dia-
a-dia. Por meio dele, é possível verificar o presente e fazer previsões sobre o que
poderá ser feito no futuro, baseando-se na experiência e sendo transmitido de
geração para geração. Sua aquisição, em geral não está atrelada a estudos,
pesquisas ou aplicação de métodos. Não há, nesse tipo de conhecimento,
preocupação das pessoas em estabelecer relações significativas entre os fatos
nem em interpretá-los.

 Conhecimento Científico: é aquele resultante da investigação metódica,


sistemática, da realidade, pela transcrição de fatos e fenômenos em si mesmos e
analisando-os, a fim de descobrir suas causas e concluir sobre as leis gerais que
os governam.

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1.2.3 Conhecimento Científico


Segundo Bello (2005, p. 11) o conhecimento científico “é o conhecimento racional,
sistemático, exato e verificável da realidade. Sua origem está nos procedimentos de
verificação baseados na metodologia científica”.
Considera-se que o objeto da ciência é o universo físico, perceptível por meio dos
órgãos, dos sentidos ou da ajuda de instrumentos investigativos; o conhecimento
científico se verifica, na prática, pela demonstração ou pela experimentação. Propõe-se, o
conhecimento científico, a desvendar os segredos da realidade, demonstrando-os com
clareza e precisão e descobrindo suas relações de predomínio, igualdade ou
subordinação com outros fatos ou fenômenos, o que resulta na conclusão de leis gerais,
válidas universalmente para todos os casos de mesma natureza.

1.2.3.1 Características do Conhecimento Científico


Uma importante classificação das ciências é a sua divisão em Ciências Formais e
Ciências Factuais. Nas ciências formais ou “estudo das idéias” encontram-se a lógica e a
matemática, que não tendo relação com algo encontrado na realidade, não podem valer-
se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas. Nesse sentido, as
ciências formais contentam-se com a lógica para demonstrar rigorosamente seus
teoremas. Por outro lado, a Administração e a Física sendo ciências factuais ou “estudo
dos fatos”, referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em conseqüência,
recorrem à observação e a experimentação para comprovar ou refutar suas hipóteses
(fórmulas). No caso das ciências formais, a demonstração é completa e final, ao passo
que a verificação nas ciências factuais é incompleta e, por este motivo, temporária.
Assim, o conhecimento no âmbito das ciências factuais, caracteriza-se por ser real
(factual), contingente, sistemático, verificável, falível e aproximadamente exato.
O conhecimento científico é real (factual) porque lida com ocorrências ou fatos, isto
é, com toda “forma de existência que se manifesta de algum modo”. Constitui um
conhecimento contingente, pois suas hipóteses ou proposições têm sua veracidade ou
falsidade conhecida através da experiência e não apenas pela razão, como ocorre no
conhecimento filosófico. É sistemático, já que se trata de um saber ordenado
logicamente, formando um sistema de idéias (teoria) e não conhecimentos dispersos e

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desconexos. Possui a característica de verificabilidade, a tal ponto que as hipóteses


(afirmações) que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência.
Constitui-se em conhecimento falível, em virtude de não se definitivo, absoluto ou final e,
por este motivo, é aproximadamente exato: novas proposições e o desenvolvimento de
novas técnicas podem reformular o acervo de teoria existente.
Além dessas características principais, o conhecimento científico tem como
particularidades ser racional uma vez que é constituído de conceitos, juízos e raciocínios
e não por sensações e imagens, ser objetivo à medida que verifica a adequação das
hipóteses aos fatos (fenômenos), ser analítico em virtude de ao abordar um fato,
processo ou fenômeno, decompor o todo em suas partes componentes, ser claro e
preciso já que procura formular com clareza os problemas científicos, ser comunicável
em virtude de sua linguagem poder informar a todos os seres humanos, ser dependente
de investigação metódica, pois obedece a um método preestabelecido, que determina,
no processo de investigação, a aplicação de normas e técnicas, em etapas claramente
definidas, ser cumulativo à medida que seu desenvolvimento é uma conseqüência de um
contínuo selecionar de conhecimentos significativos e operacionais, ser preditivo e ser
útil.

1.3 MÉTODOS CIENTÍFICOS

1.3.1 Histórico do Método Científico


As ciências, no estado em que se encontram atualmente, são o resultado de
tentativas ocasionais, inicialmente, e de pesquisas cada vez mais metódicas nas etapas
posteriores.
A ciência é uma das poucas realidades que podem ser legadas às gerações
seguintes. Os homens de cada período histórico assimilam os resultados científicos das
gerações anteriores, desenvolvendo e ampliando alguns aspectos novos. Cada época
elabora suas teorias, segundo o nível de evolução em que se encontra, substituindo as
antigas, que passam a ser consideradas como superadas e anacrônicas.
O que permitiu à ciência chegar ao nível atual foi o núcleo de técnicas de ordem
prática, seus fatos empíricos e leis, que formam o elemento de continuidade, e que foi
sendo aperfeiçoado e ampliado ao longo da história do “homo sapiens”.

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A ciência, nos moldes em que se apresenta hoje, é relativamente recente. Só na


idade moderna da História adquiriu caráter científico que tem atualmente. Entretanto,
desde o início da humanidade já se encontravam os primeiros traços rudimentares de
conhecimentos e técnicas que constituiriam a futura ciência.
A revolução científica propriamente dita, registra-se nos séculos XVI e XVII, com
Nicolau Copérnico, Francis Bacon e seu método experimental ou “científico”, Galileu
Galilei, René Descartes e outros. Não surgiu, porém, do acaso. Toda descoberta
ocasional e empírica de técnicas e conhecimentos referentes ao universo, à natureza e ao
homem, desde os antigos babilônios e egípcios, a contribuição do espírito criador grego
sintetizado e ampliado por Aristóteles, as invenções feitas na época das conquistas
prepararam o surgimento do método científico e o espírito de objetividade que vai
caracterizar a ciência a partir do século XVI, ainda de forma volúvel e agora de modo
rigoroso.
Aos pouco o método experimental é aperfeiçoado e aplicado em novos setores.
Desenvolve-se o estudo da química, da biologia, surge um conhecimento mais objetivo da
estrutura e funções dos organismos vivos no século XVIII. Já no século seguinte, verifica-
se uma modificação geral nas atividades intelectuais e industriais. Surgem novos dados
relativos à evolução, ao átomo, à luz, à eletricidade, ao magnetismo, à energia. Enfim no
século XX, a ciência, com seus métodos objetivos e exatos, desenvolve pesquisas em
todas as frentes do mundo físico e humano, atingindo um grau de precisão surpreendente
não só na área das navegações espaciais e de transplantes, como nos mais variados
setores da realidade.
Essa evolução das ciências tem, sem dúvida, como mola propulsora os métodos e
instrumentos de investigação aliados ao espírito científico, perspicaz, rigoroso e objetivo.
Este espírito que foi preparado ao longo da História se impõe agora, de maneira
inexorável, a todos quantos pretendem conservar o legado científico do passado ou ainda
se propõem ampliar suas fronteiras.

1.3.2 Conceitos de Método Científico


A investigação científica depende de um “conjunto de procedimentos intelectuais e
técnicos” (GIL, 199, p. 26) para que seus objetivos sejam atingidos: os métodos
científicos.

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Segundo Hunt (1991, p. 21, apud Acevedo e Nohara, 2004, p. 18), o método
científico “consiste nas regras e procedimentos nos quais a ciência baseia a aceitação ou
rejeição de seu corpo de conhecimento, incluindo hipóteses, leis e teorias. Assim, o
método científico é a lógica da justificação ou validação”.
Para Trujillo (1974, p. 24, apud Lakatos, 2000, p. 44) “método é a forma de
proceder ao longo de um caminho. Na ciência os métodos constituem os instrumentos
básicos que ordenam de início o pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a
forma de proceder do cientista ao longo de um percurso para alcançar um objetivo”.

1.3.3 Métodos Científicos Clássicos


Os métodos clássicos que fornecem as bases lógicas à investigação são: indutivo,
dedutivo e hipotético-dedutivo. Estes métodos esclarecem acerca dos procedimentos
lógicos que deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da
natureza e da saciedade. São, pois, métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de
abstração, que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua
investigação, das regras de explicação dos fatos e da validade de suas generalizações.
Cada um destes métodos vincula-se a uma das correntes filosóficas que se
propõem a explicar como se processa o conhecimento da realidade. O método indutivo
relaciona-se ao empirismo, o dedutivo ao racionalismo e o hipotético-dedutivo ao
neopositivismo1. A adoção de um ou outro método depende de muitos fatores: da
natureza do objeto que se pretende pesquisar, dos recursos materiais disponíveis, do
nível de abrangência do estudo e sobretudo da inspiração filosófica do pesquisador.

1.3.3.1 Método Dedutivo


O método dedutivo, de acordo com a acepção clássica, é o método que parte do
geral e, a seguir, desce ao particular. Parte de princípios reconhecidos como verdadeiros
e indiscutíveis e possibilita chegar a conclusões de maneira puramente formal, isto é, em
virtude unicamente de sua lógica. É o método proposto pelos racionalistas (Descartes,
Spinoza, Leibniz), segundo os quais só a razão é capaz de levar ao conhecimento
verdadeiro, que decorre de princípios a priori evidentes e irrecusáveis.

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Associação do enfoque empírico do Positivismo ao formalismo lógico-matemático.
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O protótipo do raciocínio dedutivo é o silogismo, que consiste numa construção lógica


que, a partir de duas preposições chamadas premissas, retira-se uma terceira, nelas
logicamente implicadas, denominada conclusão. Assim, o raciocínio dedutivo tem o
objetivo de explicar o conteúdo das premissas.

Exemplo 1:
Todo homem é mortal.
Pedro é homem.
Logo, Pedro é mortal.

Exemplo 2:
Todo número par é divisível por dois
280 é um número par
Logo, 280 é divisível por dois.

O método dedutivo encontra larga aplicação em ciências como a Física e a


Matemática, cujos princípios podem ser enunciados como leis. Por exemplo, da lei da
gravitação universal, que estabelece que "matéria atrai matéria na razão proporcional às
massas e ao quadrado da distância", podem ser deduzidas infinitas conclusões, das quais
seria muito difícil duvidar.
Já nas ciências sociais, o uso desse método é bem mais restrito, em virtude da
dificuldade para se obter argumentos gerais, cuja veracidade não possa ser colocada em
dúvida. É verdade que no âmbito das ciências sociais, sobretudo na Economia, têm sido
formuladas leis gerais, como a lei da oferta e da procura. No entanto, apesar do valor
atribuído a essas leis na explicação dos fatos econômicos, suas exceções são facilmente
verificadas. O que significa que considerar leis dessa natureza como premissas para
deduções torna-se um procedimento bastante crítico.
Mesmo do ponto de vista puramente lógico, são apresentadas várias objeções ao
método dedutivo. Uma delas é a de que o raciocínio dedutivo é essencialmente
tautológico, ou seja, permite concluir, de forma diferente, a mesma coisa. Esse argumento
pode ser verificado no exemplo 1 apresentado. Quando se aceita que todo homem é

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mortal, colocar o caso particular de Pedro nada adiciona, pois essa característica já foi
adicionada na premissa maior. Outra objeção ao método dedutivo refere-se ao caráter
apriorístico2 de seu raciocínio. De fato, partir de uma afirmação geral significa supor um
conhecimento prévio. Como é que se pode afirmar que todo homem é mortal? Esse
conhecimento não pode derivar da observação repetida de casos particulares, pois isso
seria indução. A afirmação de que todo homem é mortal foi previamente adotada e não
pode ser colocada em dúvida. Por isso, os críticos do método dedutivo argumentam que
esse raciocínio assemelha-se ao adotado pelos teólogos, que partem de posições
dogmáticas.

1.3.3.2 Método Indutivo


O método indutivo procede inversamente ao dedutivo: parte do particular e coloca a
generalização como um produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares. De
acordo com o raciocínio indutivo, a generalização não deve ser buscada
aprioristicamente, mas constatada a partir da observação de casos concretos
suficientemente confirmadores dessa realidade. Constituí o método proposto pelos
empiristas (Bacon, Hobbes, Locke, Hume), para os quais o conhecimento é
fundamentado exclusivamente na experiência, sem levar em consideração princípios
preestabelecidos. Nesse método, parte-se da observação de fatos ou fenômenos cujas
causas se deseja conhecer. A seguir, procura-se compará-los com a finalidade de
descobrir as relações existentes entre eles. Por fim, procede-se à generalização, com
base na relação verificada entre os fatos ou fenômenos.

Exemplo 1:
Antônio é mortal.
Benedito é mortal.
Carlos é mortal.
Zózimo é mortal.

2
Aceitação na ordem do conhecimento, de fatores independentes da experiência.
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Ora, Antônio, Benedito, Carlos... e Zózimo são homens.


Logo, (todos) os homens são mortais.

Exemplo 2:
Retirando-se uma amostra de um saco de arroz, observa-se que aproximadamente 80%
dos grãos são do tipo extrafino. Conclui-se então que o saco de arroz é do tipo extrafino.

As conclusões obtidas por meio da indução correspondem a uma verdade não


contida nas premissas consideradas, diferentemente do que ocorre com a dedução.
Assim, se por meio da dedução chega-se a conclusões verdadeiras, já que baseadas em
premissas igualmente verdadeiras, por meio da indução chega-se a conclusões que são
apenas prováveis.
O raciocínio indutivo influenciou significativamente o pensamento cientifico. Desde
o aparecimento no “Novum organum”, de Francis Bacon (1561-1626), o método indutivo
passou a ser visto como o método por excelência das ciências naturais. Com o advento
do positivismo3, sua importância foi reforçada e passou a ser proposto também como o
método mais adequado para investigação nas ciências sociais.
Não há como deixar de reconhecer a importância do método indutivo na
constituição das ciências sociais. Serviu para que os estudiosos da sociedade
abandonassem a postura especulativa e se inclinassem a adotar a observação como
procedimento indispensável para atingir o conhecimento científico. Graças a seus influxos
é que foram definidas técnicas de coleta de dados e elaborados instrumentos capazes de
mensurar os fenômenos sociais.
A despeito, porém, de seus reconhecidos méritos, a indução recebeu várias
críticas. David Hume (1711-1776) considerou que indução não poderia transmitir a
certeza e a evidência, porque pode admitir que amanhã o sol não nasça, mesmo que
esteja encoberto pelas nuvens. Esse enunciado, que o senso comum tem como evidente
pela indução diária, não constitui rigorosamente uma evidência. Isso porque pode ocorrer
que, por força de um cataclismo universal, desapareça o sol. Seria possível, portanto,
admitir o contrário.
3
O Positivismo enquanto abordagem teórica, leva em consideração a existência dos fenômenos, a
observação, a utilização de números às variáveis e procura explicar as relações existentes nos fenômenos
observáveis. No Positivismo busca-se quantificar as variáveis observáveis, nas pesquisas sociais, a fim de
reduzir o grau de subjetividade envolvida nessas pesquisas.
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A objeção colocada por Hume foi, de certa forma, contornada pela teoria da
probabilidade, que possibilita indicar os graus de força de um argumento indutivo. Outros
autores, entretanto, retomaram, no século XX, críticas ao método indutivo, dentre os quais
Karl Popper (1902-1994), como se verá a seguir no Método Hipotético-Dedutivo.

1.3.3.3 Comparação entre o Método Indutivo e o Método Dedutivo


As conclusões obtidas por meio da indução correspondem a uma verdade não
contida nas premissas consideradas, diferentemente do que ocorre com a dedução.
Assim, se por meio da dedução chega-se a conclusões verdadeiras, já que baseada em
premissas igualmente verdadeiras, por meio da indução chega-se a conclusões que são
apenas prováveis. Comparando o método dedutivo e o indutivo, concluí-se que enquanto
o pensamento dedutivo leva a conclusões inquestionáveis, porém já contidas nas
hipóteses, o raciocínio indutivo leva a conclusões prováveis, porém mais gerais do que o
conteúdo das hipóteses.

1.3.3.4 Método Hipotético-Dedutivo


O método hipotético-dedutivo foi definido por Karl Popper a partir de criticas à
indução, expressas em “A lógica da investigação científica”, obra publicada pela primeira
vez em 1935.
A indução, no entender de Popper, não se justifica, pois o salto indutivo de "alguns"
para "todos" exigiria que a observação de fatos isolados atingisse o infinito, o que nunca
poderia ocorrer, por maior que fosse a quantidade de fatos observados. No caso clássico
dos cisnes, para se sustentar, com certeza e evidência, que todos os cisnes são brancos,
seria necessário verificar cada cisne particular possível, do presente, do passado e do
futuro, porque, na realidade, a soma dos casos concretos dá apenas um número finito, ao
passo que o enunciado geral pretende ser infinito.
Outro argumento de Popper é o de que a indução cai invariavelmente no
apriorismo. A indução parte de uma coerência metodológica porque é justificada

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dedutivamente. Sua justificação indutiva exigiria o trabalho de sua verificação factual. Isso
significaria cair numa petição de princípio, ou seja, apoiar-se numa demonstração sobre a
tese que se pretende demonstrar.
Pode-se apresentar o método hipotético-dedutivo a partir do seguinte esquema:

Quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são


insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar a
dificuldade expressa no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das
hipóteses formuladas, deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou
falseadas. Falsear significa tentar tornar falsas as conseqüências deduzidas das
hipóteses. Enquanto no método indutivo procura-se a todo custo confirmar a hipótese, no
método hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-
la. Quando não se consegue demonstrar qualquer caso concreto capaz de falsear a
hipótese, tem-se a sua corroboração, que não excede o nível do provisório. De acordo
com Popper, a hipótese mostra-se válida, pois superou todos os testes, mas não
definitivamente confirmada, já que a qualquer momento poderá surgir um fato que a
invalide.
O método hipotético-dedutivo goza de notável aceitação, sobretudo no campo das
ciências naturais. Nos círculos neopositivistas chega mesmo a ser considerado como o
único método rigorosamente lógico. Nas ciências sociais, entretanto, a utilização desse
método mostra-se bastante crítica, pois nem sempre podem ser deduzidas conseqüências
observadas das hipóteses. Proposições derivadas da Psicanálise, por exemplo, não
apresentariam, de acordo com Popper, condições para serem falseadas.

1.3.3.5 Concepção do Atual do Método

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Além dos métodos clássicos foram surgindo com o passar do tempo novos
métodos. No entanto, o conceito moderno de método (independente do tipo) é aquele que
segundo Bunge (1980, p. 25, apud Lakatos e Marconi, 2001, p. 85) cumpre ou se propõe
a cumprir as seguintes etapas no processo de investigação científica:

a) Descobrimento do Problema ou lacuna num conjunto de conhecimentos – se o


problema não estiver enunciado com clareza, passa-se à etapa seguinte, se o
estiver, passa-se à subseqüente;

b) Colocação precisa do problema – ou ainda a recolocação de um velho problema, à


luz de novos conhecimentos (empíricos ou teóricos);

c) Procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema – ou seja,


exame do conhecimento para tentar resolver o problema, por meio de dados
empíricos, teorias, aparelhos de medição, técnicas de cálculo, por exemplo;

d) Tentativa de solução do problema com o auxílio dos meios identificados – se a


tentativa resultar inútil, passa-se para a etapa seguinte, em caso contrário, passa-
se para a comprovação da solução;

e) Invenção de novas idéias, hipóteses, teorias ou técnicas ou produção de novos


dados empíricos que prometam resolver o problema;

f) Obtenção de uma solução exata ou aproximada do problema – com auxílio do


instrumental conceitual ou empírico disponível;

g) Investigação das conseqüências da solução obtida;

h) Prova (comprovação) da solução – confronto da solução com a totalidade das


teorias e da informação empírica pertinente. Se o resultado é satisfatório, a
pesquisa é dada como concluída. Do contrário, passa-se para a etapa seguinte;

i) Correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na


obtenção da solução incorreta – esse é naturalmente, o começo de um novo ciclo
de investigação.

De forma esquemática, essas etapas podem ser visualizadas por meio da figura 1
a seguir:

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Problema ou Lacuna

Explicação Não-Explicação

.
Colocação Precisa do Problema

Procura de Conhecimentos ou Instrumentos Relevantes

Tentativa de Solução

Satisfatória Inútil

Invenção de Novas Idéias ou Produção de Novos Dados Empíricos

Obtenção de uma Nova Solução

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Investigação das Conseqüências da Solução Obtida

Prova da Solução

Satisfatória Não-Satisfatória

Conclusão Correção das Hipóteses, Teorias e


Procedimentos

Figura 1: Etapas do Processo de Investigação Científica – Concepção Atual do Método


Fonte: Adaptado de Bunge (1980, p. 25, apud Lakatos, 2001, p. 85).

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