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TESTES

1 – Como referido na afirmação e previsto no art.º38 da Lei n.º3/2014 de 30 de


Maio, intitulada de Lei de Bases Gerais da Política Pública de Solos, de
Ordenamento do Território e de Urbanismo, doravante designada por
LBPSOTU, a política de solos de ordenamento do território e de urbanismo é
desenvolvida, nomeadamente, através de instrumentos de gestão territorial que
se concretizam através de: Programas que formam o quadro estratégico de
desenvolvimento territorial e as suas orientações programáticas ou definem a
incidência espacial a considerar em cada nível de planeamento; Planos que
determinam opções e acções concretas relativas ao planeamento e
organização do território bem como definem o uso do solo.

Segundo o artigo nº 2 do Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão


Territorial, doravante designado por RJIGT, a política de ordenamento do
território e de urbanismo baseia-se no sistema de gestão territorial que se
organiza em quatro âmbitos: o âmbito nacional; o âmbito regional; o âmbito
intermunicipal e o âmbito municipal.

Relativo ao âmbito nacional, apresentado no art.º 30 do RJIGT e art.º 40 da


LBPSOTU, este estabelece as opções estratégicas relevantes para a
organização do território, constitui o quadro de referência a acompanhar na
elaboração dos programas e planos e consiste num instrumento de
colaboração com os demais Estados-Membros para organização do território
da U.E. O mesmo é concretizado através dos seguintes instrumentos: o
programa nacional da política de ordenamento do território que visa os
objectivos descritos no art.º 31 do RJIGT e estabelece o referido no nº2 do
art.º40 da LBPSOTU; os programas setoriais que são instrumentos
programáticos ou de concretização das diversas políticas com incidência na
organização do território (art.º 39 do RJIGT e n.º 3 do art.º 40 da LBPSOTU) e
os programas especiais elaborados pela administração central que têm em
vista o seguimentos de objectivos considerados imprescindíveis à defesa de
interesses públicos e de recursos com relevância nacional, estabelecendo
regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais (art.º42 do RJIGT e art.º
40, n.º 4 e 5 da LBPSOTU).

Referente ao âmbito regional, este é concretizado através dos programas


regionais. Definem a estratégia regional de desenvolvimento territorial,
incluindo as opções estabelecidas a nível nacional e tendo em conta as
estratégias sub-regionais e municipais que irão fazer parte do quadro de
referência para a elaboração dos programas e planos intermunicipais assim
como dos planos municipais (art.º52 do RJIGT). Estabelecem as opções
estratégicas de organização do território regional e o respectivo modelo de
estruturação territorial e as grandes opções de investimento público com
impacto territorial significativo (art.º 41 da LBPSOTU). Têm como objectivo o
referido no art.º53 do RJIGT.

O âmbito intermunicipal é concretizado através dos seguintes instrumentos: os


programas intermunicipais são o instrumento que assegura a articulação entre
o programa regional e os planos intermunicipais e municipais (art.º61 do
RJIGT) e segundo o art.º 42 da LBPSOTU, é de elaboração facultativa e
abrange dois ou mais municípios territorialmente contíguos integrados na
mesma comunidade intermunicipal, salvo situações excepcionais autorizadas
pelo membro do Governo responsável pela respectiva área; o plano director
intermunicipal; os planos de urbanização intermunicipais e os planos de
pormenor intermunicipais.

Relativo ao âmbito municipal, apresentado no art.º43 da LBPSOTU, os planos


territoriais de âmbito municipal estabelecem, nos termos da Constituição e da
lei, de acordo com as directrizes estratégicas de âmbito regional, e com opções
próprias de desenvolvimento estratégico local, o regime de uso do solo e a
respectiva execução. Este é concretizado através dos seguintes planos:

 O plano director municipal, previsto no nº3 do art.º43 da LBPSOTU, é


de elaboração obrigatória, salvo se houver um plano director
intermunicipal e estabelece a estratégia de desenvolvimento territorial
municipal, a política municipal de solos, de ordenamento do território e
de urbanismo, o modelo territorial municipal, as opções de localização e
de gestão de equipamentos de utilização colectiva e as relações de
interdependência com os municípios vizinhos (art.º95, n.º1 do RJIGT).
 O plano de urbanização disposto no art.º43, n.º4 da LBPSOTU,
desenvolve e concretiza o plano director municipal anteriormente
referido e estrutura a ocupação do solo e o seu aproveitamento
definindo a localização das infraestruturas e dos equipamentos
colectivos principais (art.º 98 do RJIGT).
 E por último, o plano de pormenor exposto no n.º 5 do art.º 43 da
LBPSOTU, que como o anterior, desenvolve e concretiza o plano
director municipal, definindo a implantação e a volumetria das
edificações, a forma e organização dos espaços de utilização colectiva
e o traçado das infraestruturas (art.º101 do RJIGT).

2- Solo rústico e urbano (falta artigo 71 do RJIGT)

Segundo o artigo n°10 da LBPSOTU entende-se por “solo rústico” aquele


que se destina ao aproveitamento agrícola, pecuário, florestal, à
conservação, valorização e exploração de recursos naturais assim como o
que se destina a espaços naturais, culturais, de turismo, recreio e lazer
ainda que ocupado por infraestruturas, e aquele que não seja classificado
como urbano; por “solo urbano” o que está total ou parcialmente
urbanizado ou edificado.

Previsto no artigo n°13, os proprietários do solo tem direitos assim como


deveres, artigo n°14. Dos direitos fazem parte: o direito a utilizar o solo de
acordo com a sua natureza com observância prevista nos programas e
planos territoriais; o direito de utilizar os solos de acordo com a sua
natureza, traduzida na exploração produtiva desses solos preservando e
valorizando os bens do mesmo; o direito de reestruturar a propriedade; o
direito de realizar as obras de urbanização; o direito de edificar; o direito
de promover a reabilitação e regeneração urbanas e o direito de utilizar as
edificações. Dos deveres fazem parte: o dever de preservar e valorizar os
bens naturais, ambientais e culturais; utilizar, conservar e reabilitar
imóveis; ceder áreas para infraestruturas ou na ausência ou insuficiência
da cedência destas áreas, compensar o município; realizar infraestruturas,
espaços verdes e outros espaços de utilização colectiva; comparticipar nos
custos de construção, manutenção ou renovação das infraestruturas;
minimizar o nível de exposição a riscos colectivos.

Consta o artigo n°20 que o uso do solo é definido exclusivamente pelos


planos territoriais de âmbito intermunicipal ou municipal, através da
definição de áreas de construção ou na impossibilidade da mesma, pela
aplicação de parâmetros e índices quantitativos e qualitativos de
aproveitamento ou de edificabilidade. Em relação à edificabilidade, esta
pode ser objecto de direitos subjectivos autónomos do solo,
nomeadamente para viabilizar a transferência de edificabilidade, nos
termos da lei.

3- Numa primeira parte em que a afirmação menciona que “todos os


interessados têm o direito de ser informados sobre a política de gestão
de território” podemos confirmar perante o art.º5 do RJIGT, art.º 6, nº2,
al. b) e art.º 49 da LBPSOTU que esta é verdadeira. Todos os interessados
têm direito a ser informados sobre a política de gestão do território e
especialmente sobre a elaboração, a aprovação, o acompanhamento, a
execução e a avaliação dos programas e planos territoriais. Este direito,
confere ainda aos interessados a possibilidade de consultar os diversos
processos, obter cópias de atas de reuniões deliberativas e certidões dos
instrumentos aprovados e ainda obter informações constantes de
programas e planos territoriais bem como conhecer as condicionantes, as
servidões administrativas e as restrições de utilidade aplicáveis ao uso do
solo. (art.º 14 e art.º 110 do RJUE)

Numa primeira parte em que a afirmação menciona que “todas as


pessoas têm o direito de participar na elaboração dos programas e dos
planos territoriais” podemos confirmar perante o art.º 6 do RJIGT, art.º 6,
nº2, al. a) e art.º 49 da LBPSOTU que esta é verdadeira. Todas as pessoas
sendo elas singulares ou colectivas têm o direito de para além de
participar na elaboração dos programas e planos territoriais, podem
participar na sua alteração, revisão, execução e na avaliação.

Posteriormente, quando a afirmação declara que “não podem propor a


celebração de contratos para planeamento, nem intervir nas fases de
discussão pública”, esta já é considerada falsa segundo o n.º 2 do art.º6
do RJIGT, art.º 6, nº2, al. a) e art.º49 da LBPSOTU. O direito de
participação supra referido engloba a possibilidade de formulação de
sugestões e de pedidos de esclarecimento às entidades responsáveis
assim como a oportunidade de propor a celebração de contratos para
planeamento e a intervenção nas fases de discussão pública (art.º 37, 50,
59, 67, 88 e 89 do RJIGT)

4- A realização de operações urbanísticas depende de algum controlo


prévio? Justifique.

Sim. Segundo o art.º58 da LBPSOTU e o art.º 4 do Regime Jurídico da


Urbanização e Edificação, doravante designado por RJUE, a realização de
operações urbanísticas depende de licença, comunicação prévia com
prazo adiante designada por comunicação prévia, ou autorização de
utilização. No nº2 do mesmo artigo, estão sujeitas a licença (art.º18 do
RJUE e seguintes) administrativa: as operações de loteamento; as obras de
urbanização e os trabalhos de remodelação de terrenos em área não
abrangida por operação de loteamento; as obras de construção, de
alteração ou de ampliação em área não abrangida por operação de
loteamento ou por plano de pormenor; as obras de conservação,
reconstrução, ampliação, alteração ou demolição de imóveis classificados
ou em vias de classificação, bem como de imóveis integrados em
conjuntos ou sítios classificados ou em vias de classificação, e as obras de
construção, reconstrução, ampliação, alteração exterior ou demolição de
imóveis situados em zonas de proteção de imóveis classificados ou em
vias de classificação; obras de reconstrução das quais resulte um aumento
da altura da fachada ou do número de pisos; as obras de demolição das
edificações que não se encontrem previstas em licença de obras de
reconstrução; as obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração
ou demolição de imóveis em áreas sujeitas a servidão administrativa ou
restrição de utilidade pública, sem prejuízo do disposto em legislação
especial; as demais operações urbanísticas que não estejam sujeitas a
comunicação prévia ou isentas de controlo prévio, nos termos do presente
diploma. Exposto no nº4 do art.º 4 do RJUE, estão sujeitas a comunicação
(art.º34 e seguintes) prévia as próximas operações urbanísticas
mencionadas: as obras de reconstrução das quais não resulte um aumento
da altura da fachada ou do número de pisos; as obras de urbanização e os
trabalhos de remodelação de terrenos em área abrangida por operação de
loteamento; as obras de construção, de alteração ou de ampliação em
área abrangida por operação de loteamento ou plano de pormenor; as
obras de construção, de alteração ou de ampliação em zona urbana
consolidada que respeitem os planos municipais ou intermunicipais e das
quais não resulte edificação com cércea superior à altura mais frequente
das fachadas da frente edificada do lado do arruamento onde se integra a
nova edificação, no troço de rua compreendido entre as duas transversais
mais próximas, para um e para outro lado; a edificação de piscinas
associadas a edificação principal; as operações urbanísticas precedidas de
informação prévia favorável.

Esta sujeita a autorização a utilização dos edifícios ou suas fracções


(art.º62 e seguintes), assim como as alterações da utilização dos mesmos.

É da competência da Câmara Municipal a concessão da licença (art.º5, nº1


do RJUE) e da competência do presidente da Câmara a concessão da
autorização.

Estão isentas de controlo prévio mas não de fiscalização (art.º93, nº1 do


RJUE) as obras de conservação; as obras de alteração no interior de
edifícios ou suas frações que não impliquem modificações na estrutura de
estabilidade, das cérceas, da forma das fachadas e da forma dos telhados
ou coberturas e as obras de escassa relevância urbanística (art.º 6 e 6-A do
RJUE).

Estão igualmente isentas de controlo prévio, todas as operações


urbanísticas descritas no art.º 7 do RJUE.

5 – “O município promove a execução coordenada e programada do


planeamento territorial.” Diga como são executados os planos
territoriais, distinguindo os vários sistemas de execução.

Previsto no art.º146, nº1 do RJIGT, o município promove a execução


coordenada e programada do planeamento territorial, com a colaboração
das entidades públicas e privadas, procedendo à realização das
infraestruturas e dos equipamentos de acordo com o interesse público, os
objetivos e as prioridades estabelecidas nos planos intermunicipais e
municipais, recorrendo aos meios previstos na lei.

Os planos territoriais são executados através dos sistemas de iniciativa dos


interessados, de cooperação e de imposição administrativa (art.º147, nº1
do RJIGT). A execução dos planos através destes sistemas desenvolve-se
no âmbito de unidades de execução, delimitadas pela câmara municipal
(art.º 148 do RJIGT) por iniciativa própria ou a requerimento dos próprios
interessados (art.º 147, n.º2 do RJIGT).

No sistema de iniciativa dos interessados, a execução dos planos de


âmbito municipal e intermunicipal deve ser promovida pelos proprietários
ou pelos titulares de outros direitos reais relativos a prédios abrangidos no
plano, ficando estes obrigados a prestar ao município a compensação
devida de acordo com as regras estabelecidas nos planos ou em
regulamento municipal (art.º149 do RJIGT).

No sistema de cooperação, a iniciativa de execução do plano pertence ao


município, com a cooperação dos particulares interessados, atuando
coordenadamente, de acordo com a programação estabelecida pela
câmara municipal e nos termos do adequado instrumento contratual
(art.º 150 do RJIGT).
No sistema de imposição administrativa, a iniciativa de execução do plano
pertence ao município, que atua diretamente ou mediante concessão de
urbanização (art.º 151 do RJIGT).
Fundo de compensação: artigo 152.º RJIGT