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DESCOLONIZAR OS CURRÍCULOS: LEIS 10.639/03 E 11.

645/08 E O ENSINO DE LÍNGUA


PORTUGUESA E LITERATURA

Há muito se discute no campo das ciências humanas e sociais a necessidade de


garantir a diversidade de epistemologias para uma formação libertadora. No entanto,
ao nos depararmos com a realidade social brasileira, cujo período colonial supera 2/3
de nossa história, é necessário compreender o racismo como estruturante da ordem
social. Nesse sentido, Silvio Almeida (2019), na obra Racismo estrutural, discute o
quanto a escola, enquanto instituição que legitima discursos, reproduz as condições
para o estabelecimento e manutenção dessa ordem racista, sendo que o currículo é
território de disputa de poder e privilegia, como a própria estrutura social, os saberes
eurocêntricos. Tal lógica se reflete, por exemplo, na formação do cânone literário e na
escolha de livros didáticos, em que há “poucas mulheres, quase nenhum não-branco e
muito provavelmente escassos membros dos segmentos menos favorecidos da
pirâmide social” (REIS, 1992). Considerando que a branquitude é metáfora de poder e
que o privilégio social gera o privilégio epistêmico, este simpósio se propõe a
(re)pensar e debater as bases epistemológicas que pautam os currículos de Língua
Portuguesa (doravante LP) e Literatura, a fim de refletir sobre políticas educacionais e
práticas de ensino dessas áreas. Assim, alguns questionamentos são pertinentes à
discussão: Em que medida as grades curriculares têm reproduzido a lógica colonial de
valorização de conhecimentos produzidos pela branquitude? Qual o papel das leis
10639/03 e 11645/08 no processo de reformulação dos currículos e materiais
didáticos? Como tem sido a presença (ou ausência) da diversidade na construção dos
currículos de LP e Literatura? Enfim, como descolonizar os currículos de LP e Literatura
desde a educação básica até o ensino superior? Buscamos trabalhos que suscitem
esses e tantos outros questionamentos, visando a uma educação antirracista e
promotora de letramentos de resistência e re(existência).

(Cintia, o limite do resumo é de 300 palavras, e não deu pra inserir essas perguntas. Se
quiser mudar alguma coisa, ou inserir essas no lugar de alguma outra, fique à vontade)
Que estratégias podemos usar para superar a visão de currículo como uma grade de
conteúdos a serem trabalhados e promover uma educação antirracista? De que formas
a articulação entre os saberes acadêmicos e a realidade local pode ocorrer nas aulas
de LP e Literatura, contribuindo para a dinamização/destruição do cânone?