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Os Textos

por Solange Lemaitre em O Hinduísmo (1958), Editora Flamboyant, São Paulo.

Os textos védicos, de data e inspiração variadas, são os únicos documentos traduzidos que nos falam da religião do
Veda; eles formam um vasto conjunto que representa o mais antigo monumento do pensamento religioso e
cosmogônico da Índia.

Essa literatura, redigida em sânscrito arcaico, oferece o caráter excepcional de ter sido concebida e conservada
oralmente. A sua transmissão foi feita sem interrupção de geração em geração, de "bôca a ouvido", com o mais extremo
rigor, e ela prossegue dêsse modo, apesar dos textos escritos:

"Os mais antigos manuscritos, diz Luis Renou, não têm mais valor que o testemunho dos homens que ainda há pouco
tempo traziam na memória porções mais ou menos consideráveis do Veda.(...) A partir do momento em que o texto foi
fixado, ele foi conservado com uma fidelidade extraordinária. Sustentado pela recitação pada e por recitações ainda
mais complexas que a esta foram ajuntadas, preservada pela descrição fonética mais rigorosa, cuja tradição foi
conservada pelo Rkpratiçakhya, o Rig- Veda chegou até nós tal como o codificaram os diascevastes, sem uma alteração,
sem uma variante”. [Inde clas. 276].

Os Textos védicos mais antigos compõem-se de quatro compilações (Samhitas), formando o que se chamam os Vedas.
São os quatro Vedas contidos na çrut; ou Revelação "recebida" pelos Richis. Emprega-se a palavra Veda para designar
em sentido mais amplo a literatura baseada numa ou noutra das quatro Samhitas.

A çruti compreende quatro Vedas distintos que são: o Rig- Veda, o Sama-Veda, o Yajur-Veda (do qual existem dois
textos diferentes, o branco e o negro) e o Atharva- Veda.

Pertencem igualmente à Çruti:

1) Os Bramanas, que são comentários ou tratados em prosa para a interpretação do Brama, focalizando especialmente os
ritos e os sacrifícios. A cada Veda se prendem vários Bramanas, excetuando o Atharva- Veda.

2) Os Aranyakas ou "ensinamentos dados na floresta", e

3) Os Upanichades, tratados filosóficos esotéricos que pertencem à Çruti.

A Smriti reúne os outros documentos do vedismo que fazem parte desta "tradição memorizada". São eles:

1) Os Sutras ou Coleções de Aforismos relativos ao ritual das cerimônias ou o ritual doméstico.

2) Os Dharma-Chastras, manuais de direito canônico, civil e criminal, compostos por legisladores inspirados.

3) Os ltihasas ou grandes poemas épicos que contam a vida de certos heróis. O Bhagavad-Gita, que é uma parte de um
dêsses grandes poemas, é considerado a titulo excepcional como Çruti.

4) Os Puranas ou "antigas histórias tradicionais", reúne tôdas as lendas que se referem a certos deuses. São por vêzes
agrupados com os Puranas alguns tratados análogos que trazem o nome de Tantras "Livros". Estão relacionados com a
forma religiosa denominada: o Tantrismo.

Embora não fazendo propriamente parte da Smriti, certas obras de devoção ou de poemas místicos, como também
alguns comentários dos Textos, acham-se incluídos na sua coleção.

O Rig Veda
O Rig- Veda, ou "Veda das estrofes", o mais antigo documento da literatura indiana, agrupa um milheiro de hinos
repartidos em dez ciclos ou mandalas. Esses hinos são preces ou louvores dirigidos às Divindades, particularmente a
Indra, Agni e depois a Prajápati.

Obra elaborada, literária, "de caráter alusivo", êsses textos que tratam das formas rituais do culto, representam
sobretudo as primeiras especulações do pensamento indiano, de grande alcance metafísico.

Para Sri Aurobindo, o Rig- Veda é UNO em tôdas as suas partes: "Qualquer de seus dez mandalas que escolhermos,
nele encontraremos a mesma substância, as mesmas idéias, as mesmas imagens, as mesmas locuções. Os Richis são
Videntes de uma única Verdade, e empregam uma linguagem comum para exprimi-Ia" (idem).

Os hinos védicos, ou louvores dirigidos aos deuses, são prestigiosos pelo poder mágico de sua sonoridade. Eram
recitados pelos oficiantes durante os sacrifícios solenes, ora salmodiados, ora murmurados segundo regras inflexíveis, a
fim de que aqueles que presidiam as cerimônias solenes do culto pudessem entrar em contacto com a "essência das
coisas", pela eficácia dos mantras.

No décimo e último mandala do Rig-Veda encontram-se o grande Hino da Criação, de um lirismo grandioso, e o Canto
do sacrifício do Purucha. Esta noção de sacrifício, pedra angular da religião hindu, estabelece nesse hino uma relação
entre o sacrifício humano e seu protótipo divino, ligado por analogia aos sacrifícios naturais do céu e da atmosfera.

Alguns hinos são consagrados aos sacramentos do matrimônio, do qual é protótipo o matrimônio da lua com o sol.
Outros relacionam-se com os funerais e com os ritos que os acompanham; e outros ainda com o culto do soma ou com o
ritual do fogo. Damos a seguir três hinos tirados do Rig- Veda:

Hino dos Funerais


[Conjuração à morte para que deixe em paz os vivos, uma vez que já obteve sua vítima]:

Segue, ó morte, aquele teu caminho, distinto da vereda dos deuses! Eu to digo, a ti que tens olhos, a ti que ouves: não
queiras lesar nossos filhos, nem nossos homens!

Os vivos são convidados a se purificarem e a deixarem o luto: Quando voltardes, confundindo os passos da morte e
estendendo ainda mais vossa mais longa vida, cumulados de descendência e de riquezas, tornai-vos puros e santos,
adoradores!

Tais vivos estão separados dos mortos. Nosso apêlo aos deuses foi eficaz neste dia: eis-nos de volta para a dança e o
riso estendendo ainda mais nossa mais longa vida. 
 

[Adeus ao morto e invocação à Terra]:

Vai para a terra, tua mãe - para essa terra tão benfazeja, de imensos domínios, virgem doce como a lã, a quem se dá um
rico salário. Possa ela salvar-te do seio do nada! Faze-te em abóbada, ó Terra, não o esmagues sê-Ihe de acesso fácil e
um agradável retiro! Recobre-o, ó Terra com as fraldas de teu manto, assim como o faz uma mãe com o seu filho!

Quando a terra se tiver formado em ab6bada, que ela permaneça assim, que mil colunas a sustentem! Que haja manteiga
para ele nesta casa, e que ela lhe sirva de refúgio para todo o sempre!

Espalho em volta de ti a terra; disponho os torrões em boa ordem. Queira Deus que eu não me magoe! Dignem-se os
Pais manter esta coluna, e Yama erigir aqui a tua morada!

Palavras do morto. Ao declinar o dia eles me instalaram como a plumagem de uma flecha: contive minha voz que caía
como um cavalo com as rédeas.

[L. Renou, Inde classique]. 

 
Hino Cosmogônico
1) Não havia o ser, não havia o não-ser naquele tempo. Não havia o espaço, nem o firmamento além. Qual era o seu
conteúdo? Onde estavam? Sob a guarda de quem? O que era a água profunda, a água sem fundo?

2) Nem a morte, nem a não-morte existiam naquele tempo; não havia sinal que distinguisse a noite do dia. O Uno
respirava sem sôpro que se movesse por si mesmo: nada mais existia.

3) No principio as trevas cobriam as trevas; tudo o que se vê não passava de onda confusa. Encerrado no vazio o Devir.
o Uno nasceu então pelo poder do Calor.

4) Primeiro desenvolveu-se o Desejo, que foi o primeiro germe do Pensamento. Procurando com reflexão em suas
almas, os Sábios encontraram no não-ser o liame do ser.
5) Sua corda estava estendida em diagonal: qual era a parte de baixo, e qual a de cima? Houve portadores de sementes,
houve virtudes; em baixo estava o Instinto, em cima o Dom.

6) Quem sabe em verdade, quem o poderia anunciar aqui: donde saiu, donde veio esta criação? Os deuses estão aquém
dêste ato criador: quem sabe donde ele emana?

7) Donde emana esta criação, e se ela foi fabricada ou não, Aquele que vela sôbre ela no mais alto do céu o sabe, sem
dúvida; ou será que ele não o sabe?

[L. Renou, Rig-Veda X-129] 

 
Hinos e Preces dos Vedas
I - O Deus primordial, criador do mundo:

1) No principio desenvolveu-se o Embrião de ouro; nasceu e tornou-se o senhor único das coisas. Ele manteve esta
Terra e êste céu. Qual é êsse deus, para que o sirvamos com nossa oblação?

2) Aquele que dá o sôpro e o vigor, a rujas instruções todos se conformam, inclusive os deuses, aquele de quem a morte
e não-morte não passam de sombra: qual é êsse deus, para que o sirvamos com nossa oblação?

3) Aquele que por seu poder se tornou o único rei das coisas animadas, o rei do que respira e dorme, aquele que ordena
aos bípedes e os quadrúpedes: qual é êsse deus, para que o sirvamos com nossa oblação?

4) Aquele por cujo poder existem as montanhas nevadas, o Oceano com a Rasá, e os pólos do céu que são seus braços:
qual é êsse deus, para que o sirvamos com nossa oblação?

5) Aquele que firmou o Céu robusto e a Terra, que fixou o sol e a abóbada celeste, que mede o espaço na atmosfera:
qual é êsse deus para que o sirvamos com nossa oblação?

6) Aquele para quem olham, esperando auxílio, os dois exércitos presos ao sol, trêmulos em suas almas, aquele que
ilumina o sol levante: qual é êsse deus, para que o sirvamos com nossa oblação?

7) Quando vieram as grandes Águas, trazendo o universo em embrião, geradoras de Agni, então se desenvolveu o Uno,
princípio de Vida para os deuses: qual é êsse deus, para o que o sirvamos com nossa oblação?

8) Aquele que por seu poder abrangeu com o olhar as Águas, portadoras de energia, geradoras do sacrifício; aquele que
foi o deus único entre os deuses: qual é êsse deus, para que o sirvamos com nossa oblação?

9) Que ele não nos fira, o gerador da Terra, aquele que engendrou o Céu e cujas leis são verdadeiras; aquele que criou
as grandes e cintilantes Águas! Qual é êsse deus, para que o sirvamos com nossa oblação?

10) Ó Prajápati, só tu, e nenhum outro, abraças tôdas as criações. O que desejamos, ao fazer-te esta oblação, - oh, que
isto nos aconteça - é que nos tornemos senhores das riquezas!

[Rig-Veda X-121, obra cit., pág. 123].

II - O Yajur- Veda ou "Veda das Fórmulas":


As Samhitas do Yajur-Veda são em número de cinco e apresentam-se como segue: O Yajur-Veda Branco, que só tem
uma Samhita: a das fórmulas sacrificais com as fórmulas sagradas, os mantras; o Yajur-Veda Negro, composto das
outras quatro Samhitas; neste, várias explicações em prosa ajuntam-se às fórmulas da liturgia. Sua extensão corresponde
a dois terços do Rig-Veda.

O Yajur-Veda forma um conjunto de invocações dirigi das não somente aos deuses, mas também aos objetos do culto,
aos quais essas invocações conferem um caráter sagrado.

"Os Yajus descrevem sumariamente o que se pode realizar por meio dele (o objeto), incitam-no a agir ou incitam outro
objeto a entrar em conexão com ele (Oldenberg). Exprimem também o efeito que se realizará pelo rito ou por um voto.
"As águas juntaram-se às águas, as plantas ao suco; juntai-vos, ricos, às moventes; e vós, mansos, às mansas!" - "Tu és
o braço direito de Indra, com suas mil pontas e seus cem esplendores." - "Pelo ímpeto da fôrça e pela exaltação ele me
ergueu, e então Indra tornou meus inimigos submissos pela humilhação." - "Seja-me dado ver o sol, luz para todos os
homens!" - "Tu és o guarda de Vichnu, o guarda do sacrificante: que a tua proteção me cubra!"

[L. Renou, Inde classique, pág. 281].

Encontram-se em alguns Yajus elementos mágicos e outros que se assemelham a ladainhas. Mas a ordem dos mantras
segue mais ou menos a do cerimonial. Eis um extrato do Yajur-Veda Branco que faz parte do Maitreyanisamhita da
escola dos Maitreyaniya: a Rudra.

1) Homenagem ao teu furor, ó Rudra, homenagem à tua flecha; homenagem ao teu arco, e também aos teus dois braços,
homenagem!

2) Tu tens formas pacíficas, ó Rudra, não cruéis, não voltadas para o mal, - olha-nos com a mais benfazeja dentre elas, ó
tu que habitas nos montes!

3) Torna favorável a flecha que trazes na mão para ser lançada, ó tu que habitas nos montes, senhor da montanha, não
faças mal ao homem, nem a nada que tenha sôpro de vida!

4) Nós te saudamos, ó senhor da montanha, com uma palavra favorável: que todo êsse povo nos seja favorável na
assembléia!

5) O Advogado falou por nós, o primeiro médico, o primeiro médico dos deuses: esmaga todos os juramentos, derruba e
repele todas as feiticeiras!

6) Ele que é negro, vermelho e castanho, o deus auspiciosíssimo - e eles, os Rudras, que vivem em volta destas regiões
por bandos de milhares; nós desviamos a sua cólera.

7) Ele que é vermelho, e tem o pescoço azul, e se arrasta por terra - os pastores o viram, e as carregadoras de água o
viram, e igualmente todos os sêres... Pois que o viram, que ele tenha piedade de nós!

8) Homenagem a ele, a esse deus liberal, com sua crina azul, e seus mil olhos; e também aos seus guerreiros eu prestei
minha homenagem.

[L. Renou, Hinos do Veda, pág. 27].

O Pensamento pertence ao Valasaneytsamhita do Yajur-Veda:

O Pensamento

1) O divino que se avança ao longe quando desperta, e que recai quando adormece; aquele que viaja ao longe, luz única
das luzes, o Pensamento: seja-me propício o que ele concebe!

2) Aquele por quem os sábios, hábeis operários, executam sua obra no sacrifício e nos ritos - milagre inaudito situado
dentro dos sêres, o Pensamento: seja-me propício o que ele concebe!

3) Aquele que é conhecimento e consciência e vontade, luz imortal nas criaturas, sem o qual nenhum trabalho se faz, o
Pensamento: seja-me propicio o que ele concebe!

4) Aquele que envolve tudo o que foi, é e será, o imortal pelo qual se estende o sacrifício com os sete oficiantes, o
Pensamento: seja-me propício o que ele concebe!

5) Aquele em quem repousam estâncias, melodias e fórmulas como os raios no meio de um carro; aquele em quem é
tecida toda a reflexão das criaturas, o Pensamento: seja-me propício o que ele concebe!

6) Aquele que, com o auxílio dos freios, dirige poderosamente os humanos como cavalos de corrida, assim como um
bom cocheiro guia os cavalos de sua carruagem, - estável no coração, e apesar disso buliçoso, infinitamente rápido, o
Pensamento: seja-me propício o que ele concebe!

III - O Sama-Veda:
O Sama-Veda ou "Veda das melodias" emprestou a maior parte de suas estrofes do Rig- Veda, mas essas estrofes são
acompanhadas de notas musicais para a execução do canto sagrado que forma a sua parte mais interessante. São os
quatro Ganas, ou compilações de cantos. Alguns cantos isolados são preces cantadas. Existem muitos que provêm de
canções populares.

IV - O Atharva-Veda:

O Atharva-Veda, que lembra também o Rig-Veda, é formado de um conjunto de hinos e de conjurações, em vinte livros
ou Kanda, (731 trechos e cêrca de 6.000 estrofes). Consideram-no um pouco inferior aos outros Vedas, se bem que
algumas de suas preces tenham um tom solene e poético de grande beleza. O hino consagrado à Terra é simplesmente
majestoso. Do ponto de vista etnológico, ele oferece um interesse todo particular em razão de sua Antigüidade.

Grande número de hinos se repartem entre a magia e a filosofia, com um sabor de encantações. Encontram-se nesses
hinos os primeiros elementos da medicina indiana, com fórmulas de cura para fins específicos: enfermidades,
possessões diabólicas, etc., bem como preces mágicas.

Hino ou Prece contra a Febre

Que Agni expulse daqui a febre - e também Soma, e a Pedra do lagar, e Varuna com seus puros desígnios, e o Altar, e a
Juncada, e as Achas que ardem! Que as inimizades desapareçam!

Tu, que tornas amarelos todos aqueles que consomes como o fogo, - pois bem, ó Febre, que tu sejas sem vigor: esconde-
te lá embaixo, foge para lá!

A febre rugosa, filha das rugosidades, avermelhada como um pó, derruba-a, ó planta de todos os poderes!

Mandei a febre para as profundezas, depois de lhe ter prestado homenagem. Ó febre, com tua irmã a languidez, teu
irmão o acesso de tosse, tua prima a comichão, vai para o meio dos povos estrangeiros!

A Febre que volta ao terceiro dia e que cede ao terceiro, a Febre continua e a do outono, a fria, a ardente, a do verão e a
das chuvas; faze que desapareçam!

[L. Renou, Atharva-Veda (v. 22) Hinos e Preces do Veda].

A Terra
1) Alta realidade, lei severa, sacramento, fervor, prece e rito - sustêm a Terra: queira a Terra, senhora do que foi e do
que será, preparar-nos um lugar ao longe!

2) Não haja embaraço para nós no meio dos homens! A Terra tem seus declives e suas costas, sua larga planície, e ela
produz ervas de múltiplas virtudes: que ela se digne tornar extensa para nós e prosperar para nós!

3) Ela possui as águas - o oceano e o rio. Os deuses adquiriram a imortalidade sôbre ela; sôbre ela se anima o que
respira e vibra: digne-se a Terra assinar-nos as primícias do que se bebe!

4) A Terra pertencem os quatro horizontes; nela nasceram o alimento e as plantações; o que respira e vibra, ela o traz de
muitos modos: digne-se a Terra conceder-nos os bois e a abundância!

6) Portadora de todas as coisas, receptáculo de bens, morada, peito de curo, ela é aquela que pára e que anda e que
sustenta o fogo universal. Indra é o seu touro, Queira a Terra nos colocar na riqueza!

8) No princípio ela foi uma onda em meio do oceano, e os Sábios iam ao seu encontro com suas magias, No mais alto
firmamento está o seu coração, coração imortal da Terra envolvido de verdade. Queira a Terra nos destinar brilho e
fôrça num império soberano!

15) Nascidos de ti, os mortais voltam a ti; és tu que trazes os bípedes e os quadrúpedes; tuas, Ó Terra, são as cinco raças
de homens, os mortais para quem a luz imortal se estende sob os raios do sol levante.
19) Agni está sobre a terra e nas plantas, as águas levam Agni, Agni está nas pedras, Agni no coração dos homens; nos
bois, nos cavalos, estão os Agni,

29) A Terra purificadora eu me dirijo, à Terra paciente que fortifica as preces, Ela traz o vigor, o bem-estar e a parte dos
alimentos e a manteiga sagrada: que nos repousemos em ti, ó Terra!

47) Os numerosos caminhos que tens para a caminhada dos homens, os caminhos para a marcha do carro de guerra e
das carroças, o caminho por onde circulam bons e maus juntos: possamos nós conquistá-la livre de inimigos e de
ladrões! Dá-nos a graça do que é favorável!

60) O Modelador a procurava com a ajuda da oblação quando ela estava mergulhada nas trevas dos mares, Taça de
regozijo conservada em segredo, eis que resplendeu o seu benefício para os filhos dos homens.

[AV, XII-I] (idem).

Começo de um Hino a Varuna


O grande superintendente dos mundos vê, como se ele estivesse bem perto. Quem pensa agir às escondidas, - os deuses
o sabem, eles sabem de tudo.

Aquele que está parado, aquele que anda ou que corre, que se esconde ou que foge, o que dois homens conspiram
juntos, sentados, - Váruna rei o sabe; ele é um terceiro com eles. E esta terra é do rei Varuna, e este céu elevado com
suas fronteiras longínquas. Os dois oceanos são os flancos de Váruna - e também na gota d’água ele está oculto.

E se alguém fugisse para além do céu, para a outra extremidade, não escaparia ao rei Váruna. Do céu descem os seus
espiões, e olham através da terra com seus mil olhos.

Tudo isto Váruna abrange com o olhar, o que está entre os dois mundos, o que está além. As piscadelas dos olhos dos
homens são contadas por ele: ele lança as coisas, como o jogador o faz com os dados.

[L. Renou, Inde classique, pág. 288].

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