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Biologia

Citologia 1
SISTEMA COC DE ENSINO
Direção-Geral: Sandro Bonás
Direção Pedagógica: Zelci C. de Oliveira
Direção Editorial: Roger Trimer
Gerência pedagógica: Juliano de Melo Costa
Gerência Editorial: Osvaldo Govone
Gerência de Relacionamento: Giovanna Tofano
Ouvidoria: Regina Gimenes
Conselho Editorial: Juliano de Melo
Costa, Osvaldo Govone, Sandro
Bonás e Zelci C. de Oliveira
PRODUÇÃO EDITORIAL
Autoria: Aldo César Poltronieri
Editoria: Fernando Roma, Marcos
Roberto Rodrigues e Renato Trevilato
Assistente editorial: Luzia H. Fávero F. López
Assistente administrativo: George R. Baldim
Projeto gráfico e direção de
arte: Matheus C. Sisdeli
Preparação de originais: Marisa A. dos Santos
e Silva e Sebastião S. Rodrigues Neto
Iconografia e licenciamento de texto:
Cristian N. Zaramella, Marcela Pelizaro
e Paula de Oliveira Quirino.
Diagramação: BFS bureau digital
Ilustração: BFS bureau digital
Revisão: Flávia P. Cruz, Flávio R. Santos,
José S. Lara, Leda G. de Almeida e
Maria Cecília R. D. B. Ribeiro.
Capa: LABCOM comunicação total
Fechamento: Edgar M. de Oliveira

Avenida Presidente Kennedy, 2295 – Tel.: (16) 3238·6300


CEP 14095-210 – Lagoinha – Ribeirão Preto-SP
www.sistemacoc.com.br
CAPÍTULO 01 ORGANIZAÇÃO CELULAR 7
Sumário 1.
2.
Introdução
Células procarióticas
7
9
3. Células eucarióticas 10
4. Resumo 15

CAPÍTULO 02 BIOQUÍMICA CELULAR 19


1. Composição química da célula 19
2. Carboidratos 19
3. Lipídios 23
4. Proteínas 32

CAPÍTULO 03 AÇÃO GÊNICA 41


1. Ácidos nucleicos 43
2. Duplicação do DNA 48
3. Transcrição 51
4. Código genético e síntese de proteínas 57
5. Síntese de proteínas 61

CAPÍTULO 04 MEMBRANA CELULAR 61


1. Membrana plasmática 63
2. Modelo do mosaico fluido 63
3. Especializações da membrana plasmática 64
4. Mecanismos de transporte 65

CAPÍTULO 05 SECREÇÃO E DIGESTÃO CELULAR 70


1. Complexo golgiense 70
2. Lisossomos 73

CAPÍTULO 06 BIOENERGÉTICA 79
1. Metabolismo energético 79
2. Molécula de ATP 80
3. Fermentação 81
4. Respiração aeróbica 84
5. Respiração anaeróbica 87
6. Fotossíntese 89
7. Fatores limitantes da fotossíntese 94
8. Resumo das reações químicas da fotossíntese 97
CAPÍTULO 07 NÚCLEO E DIVISÃO CELULAR 101
1. Introdução 101
2. Componentes do núcleo interfásico 102
3. Cromossomos 103
4. Divisão celular 110
5. Mitose 112
6. Meiose 117
7. Gametogênese 122

EXERCÍCIOS PROPOSTOS 137


Capítulo 01 139
Capítulo 02 152
Capítulo 03 166
Capítulo 04 182
Capítulo 05 198
Capítulo 06 206
Capítulo 07 236
Capítulo 08 270

GABARITO 283
Teoria
Citologia Biologia

Capítulo 01 ORGANIZAÇÃO CELULAR


1. Introdução
Biologia é a ciência da vida, isto é, a ciência que estuda os seres vivos e seus diferentes níveis de
organização, desde a ordenação dos átomos que formam moléculas até os sistemas que formam
o organismo completo. A biologia também trata das interações dos seres vivos entre si e destes
com o ambiente, cuida dos mecanismos de hereditariedade, da evolução dos seres vivos, entre
muitos outros aspectos. A área da biologia que estuda as células, sua organização, metabolismo
e mecanismos de divisão celular é a citologia.
©©©James Steidl / Shutterstock

A citologia é a área da Biologia que estuda as células

O estudo da célula é fundamental para entendermos a organização dos seres vivos e seu funcio-
namento. A célula é a unidade morfológica e fisiológica da maioria dos seres vivos, com exceção
dos vírus, que são seres acelulares.
No aspecto biológico, passamos a existir a partir de uma única célula, desde o momento da fecun-
dação, com a formação da célula-ovo resultante da união dos gametas dos nossos progenitores.
A partir da célula-ovo, passamos pelo desenvolvimento embrionário, com a formação de tecidos
(muscular, nervoso, conjuntivo), órgãos (pele, estômago, intestino) e sistemas (digestório, circu-
latório, genital), que constituem o organismo completo com trilhões de células.
A célula é a menor estrutura capaz de executar todas as atividades que caracterizam os seres
vivos, o que torna o seu estudo parte fundamental na compreensão da Biologia.
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As características apresentadas pelas células definem o organismo como um todo. Assim:


• quanto ao número de células, os seres vivos são unicelulares ou pluricelulares;
©©©Andre Mueller / Shutterstock

A B
©3 EYE OF SCIENCE / SCIENCE
PHOTO LIBRARY / LatinStock

Tripanossomas, seres unicelulares em meio às hemácias (A), e o seu


transmissor, o inseto barbeiro, organismo pluricelular (B).

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Biologia Citologia

• quanto à capacidade de produzir alimento, os seres vivos são autótrofos (produ-


zem o seu próprio alimento) ou heterótrofos (não produzem o seu próprio alimento);

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A B
©©©clearviewstock / Shutterstock

Bactérias fotossintetizantes, seres autótrofos (A), e pássaros, seres heterótrofos (B).

• quanto à presença de carioteca, os seres vivos são procariontes (sem carioteca) ou euca-
riontes (com carioteca);

©©©Alekcey / Shutterstock
A B
©©©DR JEREMY BURGESS / SCIENCE PHOTO LIBRARY/SPL DC / Latinstock

Bactéria do gênero Rhizobium, ser procarionte (A), e cogumelos, organismos eucariontes (B).
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• quanto à utilização do oxigênio, os seres vivos são aeróbios ou anaeróbios.


A
©©©Marcel Jancovic / Shutterstock

B
©©©Joze Maucec / Shutterstock

Uma anêmona-do-mar, organismo aeróbio que utiliza o oxigênio da água para viver
(A), e lombriga, organismo anaeróbio que vive no intestino humano (B).

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Citologia Biologia

2. Células procarióticas
As células procarióticas são caracterizadas pela ausência de envoltório ao redor do material genético
da célula (DNA), denominado carioteca ou envoltório nuclear, e pela ausência de organelas membra-
nosas no seu interior. São exemplos de células procarióticas as bactérias e as cianobactérias.
©52 LAWRENCE BERKELEY NATIONAL LABORATORY / ROCKY MOUNTAIN LABORATORIES,

©©©©Dennis Kunkel Microscopy, Inc. / Visuals Unlimited / Corbis / Corbis (DC) / Latinstoc
NIAID, NIH / SCIENCE PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock

A B
k

Bactérias Salmonelle typhimurium invandindo uma cultura de células humanas. Fotomicroscopia eletrônica
de varredura. Coloração digital (A). Cianobactérias, células procarióticas fotossintetizantes (B).

A. Organização celular procariótica proteção. Sua composição química varia mui-


A célula procariótica apresenta uma organi- to entre as bactérias, no entanto, pode-se citar
zação celular bastante simples se comparada que é composta basicamente por peptideogli-
com a célula eucariótica. canos. Algumas bactérias apresentam, ainda,
envolvendo a parede celular, uma cápsula que
confere maior proteção à célula.
Ribossomos
No meio intracelular, os ribossomos que
Membrana participam da síntese de proteínas, são as
plasmática únicas organelas da célula procariótica, não
Parede celular apresentando natureza membranosa, por
isso se diz que células procarióticas não
Cápsula apresentam organelas membranosas.
Material genético
(DNA) O material genético (DNA) não é envolvido
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Plasmídeo pela carioteca, ficando disperso pelo citoplas-


Célula procariótica com as suas ma. A região ocupada por esse material gené-
estruturas celulares tico é denominada nucleoide. As bactérias,
além de apresentarem o DNA principal, po-
Separando o meio extracelular do meio intra- dem apresentar uma molécula de DNA menor,
celular, a célula procariótica apresenta a mem- denominada plasmídeo. O plasmídeo pode
brana plasmática ou plasmalema, que contro- conter genes que conferem resistência às bac-
la o trânsito de substâncias entre os meios de térias contra antibióticos e pode ser transferi-
maneira seletiva (permeabilidade seletiva). do de uma bactéria para outra em mecanis-
Sua composição é lipoproteica, ou seja, é for- mos de recombinação gênica. A molécula de
mada por moléculas de lipídios e proteínas. DNA principal e o plasmídeo são circulares,
Recobrindo a membrana plasmática, existe ou seja, não apresentam extremidades como
um envoltório denominado parede celular, o DNA de células eucarióticas. Algumas bacté-
mais espesso e rígido, exercendo função de rias apresentam flagelos para a locomoção.

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No interior de todas as células, a região denominada citoplasma é preenchida por uma substância
coloidal, o hialoplasma, local onde se encontra a maioria das organelas e onde ocorrem inúmeras
reações químicas essenciais ao funcionamento e à sobrevivência da célula.
As cianobactérias possuem dobras de membrana associadas à ocorrência da fotossíntese. São as
lamelas fotossintetizantes.

DNA
Ribossomos

Grânulo Lamelas
de proteína Parede celular fotossintéticas

Camada Membrana
Gotícula plasmática
de gordura gelatinosa

Célula de cianobactéria

3. Células eucarióticas
As células eucarióticas apresentam o envoltório nuclear ou carioteca ao redor do material genéti-
co, havendo uma nítida separação entre citoplasma e núcleo. Apresentam, como as procarióti-
cas, membrana plasmática com a mesma função e composição. No entanto, diferem em muitos
PV-14-11

outros aspectos, como a presença de organe-


©©©©Sebastian Kaulitzki / Shutterstock

las membranosas, moléculas de DNA com ex-


tremidades, presença de nucléolo etc. Células
animais e vegetais são eucarióticas.
A. Célula animal
As células animais não apresentam a parede
celular, mas possuem uma série de outras es-
truturas citoplasmáticas.

Células animais vistas ao microscópio óptico

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Citologia Biologia

A.1. Organização celular animal

Complexo golgiense Lisossomos

Carioteca
Ribossomos
Nucléolo
Retículo
endoplasmático Centríolos
não granuloso Retículo
endoplasmático
Mitocôndria granuloso

Vesícula de secreção
Membrana
plasmática

Célula animal

A.2. Ribossomos
São corpúsculos formados por proteínas e RNA ribossômico e são responsáveis pela síntese de
proteínas. Apresentam duas subunidades isoladas, dispersas pelo hialoplasma, que se juntam no
momento da síntese de proteínas. O RNA ribossômico que compõe essas estruturas provém do
nucléolo.
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Ribossomo

Ribossomos vistos em microscopia eletrônica

A.3. Retículo endoplasmático granuloso ou ergastoplasma


Os retículos endoplasmáticos são formados por sistemas de membranas dobradas formando
canais ou tubos, por onde substâncias podem ser transportadas para outras partes da célula.
O retículo endoplasmático granuloso apresenta ribossomos aderidos à sua superfície, participan-
do da síntese e exportação de proteínas para o meio extracelular.

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©©©©Lester V. Bergman / CORBIS / Corbis (DC) / Latinstock


Retículo endoplasmático granuloso
A.4. Retículo endoplasmático não granuloso visto em microscopia eletrônica
Não possui ribossomos aderidos à sua superfície. Participa da síntese de lipídios, como os es-
teroides, essenciais para a produção dos hormônios esteroides, como os sexuais (estrógeno,
progesterona e testosterona). Esse retículo contém enzimas que participam de processos de
detoxicação ou destoxicação, ou seja, metabolização de substâncias tóxicas, como álcool, agro-
tóxicos, medicamentos etc.

©©©©Visuals Unlimited / Corbis / Corbis (DC) / Latinstock


Retículo endoplasmático não granuloso
visto em microscopia eletrônica

A.5. Complexo golgiense


O complexo golgiense é formado por um conjunto de sacos membranosos achatados e empilha-
dos de onde brotam vesículas. Essa estrutura celular está envolvida com várias funções, como
PV-14-11

a secreção celular, e a concentração de substâncias na célula. Posteriormente, outras funções


serão estudadas.
Vesícula de secreção

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A.6. Mitocôndria
As mitocôndrias são estruturas membranosas com a forma de bastões ou esféricas que estão
envolvidas com a liberação de energia na célula. Utilizam o oxigênio em reações químicas para
a produção de ATP, participando, assim, da respiração celular (aeróbica). Apresentam o seu pró-
prio DNA, RNA e ribossomos, sendo capazes de se autoduplicarem.

©©©©Visuals Unlimited / Corbis / Corbis (DC) / Latinstock


Matriz mitocondrial

Crista mitocondrial
Mitocôndrias vistas em
microscopia eletrônica
A.7. Lisossomo
O lisossomo é uma vesícula membranosa derivada do complexo golgiense que contém
enzimas envolvidas com a digestão intracelular, tanto de substâncias capturadas do meio, quan-
to de estruturas celulares velhas e sem funcionamento. As etapas desse processo digestivo
serão estudadas em outro capítulo.

©©©©Photoresearchers / Photoresearchers / Latinstock

Lisossomos vistos em
A.8. Peroxissomo microscopia eletrônica
É uma vesícula muito parecida com o lisossomo, mas suas enzimas estão envolvidas com o pro-
cesso de detoxicação ou destoxicação, ou seja, metabolização de substâncias tóxicas. Por exem-
plo, 75% do álcool é metabolizado pelas enzimas do retículo não granuloso e 25% pelas enzimas
do peroxissomo, principalmente em células do fígado (hepatócitos) e renais.
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Outra substância metabolizada pelas enzimas dos peroxissomos é a água oxigenada (peróxido de
hidrogênio), produzida como resíduo de reações químicas celulares. O peróxido de hidrogênio, tóxico
para a célula, é decomposto em água e oxigênio, produtos atóxicos para a célula, devido à ação de
uma enzima encontrada no interior do peroxissomo chamada de catalase.
A.9. Centríolo
Os centríolos são estruturas proteicas constituídas por um conjunto de nove trincas de microtú-
bulos dispostos cilindricamente. Estão envolvidos com a formação de cílios, como os presentes
na traqueia, e flagelos, como nos espermatozoides. Os centríolos participam das divisões celula-
res em células animais. A maioria dos vegetais não apresenta centríolos. Assim, como os ribosso-
mos, os centríolos são estruturas celulares não membranosas.

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Microtúbulo

©©©©Photoresearchers / Photoresearchers / Latinstock


Centríolos vistos em 0,1 µm
microscopia eletrônica
Corte
Cortetransversal docentríolo
transversal do centríolo
(9(9conjuntos
conjuntosdede túbulos
túbulos triplos).
triplos).

B. Célula vegetal ©©©©JOHN DURHAM / SCIENCE PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock


As células vegetais apresentam a maioria das
estruturas celulares encontradas nas células ani-
mais. Nas células da maioria dos vegetais, não
são encontrados os centríolos. Os peroxissomos
e os lisossomos estão ausentes ou são raros. As
células das sementes possuem lisossomos que,
durante a germinação, digerem as substâncias
nutritivas armazenadas. Apresentam, reco-
brindo a membrana plasmática, a parede celu-
lar composta de celulose, que oferece proteção
Células vegetais vistas em
mecânica à célula vegetal. microscopia óptica
Outras estruturas celulares são típicas de
células vegetais.

B.1. Organização celular vegetal


Nucléolo
Carioteca
Retículo Ribossomos
endoplasmático
granuloso Grande
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vacúolo

Retículo Complexo
endoplasmático golgiense
não granuloso

Membrana Cloroplasto
plasmática
Parede Mitocôndria
celular
Célula vegetal

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B.2. Cloroplasto
Estas estruturas contêm o pigmento clorofila, que captura a energia luminosa permitindo que
os vegetais realizem o processo de fotossíntese. Reações químicas que ocorrem nessa estrutura
celular utilizam gás carbônico e água e produzem carboidratos (glicose) e oxigênio. Os cloroplas-
tos são organelas que apresentam o seu próprio DNA, RNA e ribossomos, sendo capazes de se
autoduplicarem, assim como as mitocôndrias.

©©©©Photoresearchers / Latinstock

Esquema de um cloroplasto Cloroplasto visto em microscopia eletrônica
B.3. Vacúolos desenvolvidos
As células vegetais apresentam grandes vacúolos no seu interior. Essas estruturas funcionam
como um grande reservatório armazenando substâncias. Além disso, regulam a entrada e a saída de água
das células vegetais, participando do controle osmótico da célula. Os vacúolos dos vegetais podem
conter enzimas envolvidas com a digestão intracelular. Sua membrana é denominada tonoplasto.
4. Resumo
Estruturas celulares Funções

Membrana plasmática Permeabilidade seletiva

Parede celular Proteção

Nucléolo Formação dos ribossomos

Ribossomo Síntese de proteínas

Retículo endoplasmático granuloso Síntese de proteínas e transporte de substâncias


Síntese de lipídios, detoxicação e transportes de
Retículo endoplasmático não granuloso
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substâncias
Complexo golgiense Secreção celular

Mitocôndria Respiração celular

Lisossomo Digestão intracelular

Peroxissomo Detoxicação

Centríolo Formação de cílios e flagelos

Cloroplasto Fotossíntese

Vacúolo desenvolvido Armazenamento e controle osmótico

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EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

01. UFSM-RS 02. UniCOC-SP


I A figura a seguir apresenta um tipo celular e
II suas estruturas.
Parede Membrana Retículo endoplasmático
celular plasmática não granuloso
1
Núcleo

Grande
vacúolo
2

SOARES, J. L. Biologia. São Paulo: Scipione, 3


vol. único, 1999. pp. 38 e 44.
Retículo
endoplasmático
As figuras I e II representam, respectivamente: granuloso 4
Mitocôndria
a. célula vegetal e célula animal.
Complexo golgiense
b. célula animal e célula vegetal. 6
Ribossomos Cloroplasto

c. célula procariótica e célula eucariótica. 5

d. célula eucariótica e célula vegetal. É incorreto afirmar que:


e. célula eucariótica e célula procariótica. a. trata-se de uma célula vegetal.
Resolução b. as estruturas celulares 1 e 2 não estão
A célula I é uma célula eucariótica animal: presentes na organização celular de
apresenta núcleo e várias organelas membra- uma bactéria.
nosas, como mitocôndrias e retículo endoplas- c. as organelas 3 e 4 apresentam o seu
mático. próprio DNA.
A célula II é uma célula bacteriana: sem núcleo d. 5 e 6 realizam a síntese de proteínas e
e com parede celular. a respiração celular, respectivamente.
Resposta e. a estrutura 4 é responsável pela libera-
ção de oxigênio.
E
Resolução
O complexo golgiense, representado em 6,
está relacionado com a secreção celular e o ar-
mazenamento (acúmulo) de substâncias.
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Resposta
D

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LEITURA COMPLEMENTAR
Citoesqueleto
O citoesqueleto é uma rede de filamentos de proteínas presentes no hialoplasma de células
eucarióticas. Atua na manutenção da forma da célula, em movimentos celulares, no transpor-
te de substâncias e na adesão entre células adjacentes.
É formado por microtúbulos, microfilamentos e filamentos intermediários.
©19 Dr. Volker Brinkmann / Visuals Unlimited / Corbis / Corbis (DC) / Latinstock

Citoesqueleto de uma célula animal

Microtúbulos: compostos por moléculas da proteína tubulina que podem aumentar


ou diminuir o seu tamanho através da incorporação ou retirada de tubulinas.
Estão envolvidos com:
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• a formação das fibras do fuso: durante as divisões celulares, a formação e o


encurtamento dessas fibras tem relação com a polimerização ou despolime-
rização da tubulina.
• a formação dos centríolos: os centríolos são formados por 9 trincas de mi-
crotúbulos dispostos cilindricamente.
• a formação de cílios e flagelo: essas estruturas originam-se pela expansão de
dois microtúbulos de cada trinca de um centríolo presente na base dessas
estruturas, com a formação posterior de um par de microtúbulos centrais
(estrutura 9 + 2), promovendo a distensão da membrana plasmática.

Microtúbulo

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Microtúbulos centrais

Dupla de microtúbulos
periféricos

Membrana
Microtúbulos plasmática

Centríolo Estrutura 9 + 2 de um flagelo

Microfilamentos: compostos pela proteína actina (proteína intracelular mais


abundante), e também chamados de filamentos de actina.
Estão envolvidos com:
• citocinese em células animais – a contração dos microfilamentos propor-
cionam o estrangulamento da célula animal no final das divisões celula-
res, promovendo a divisão do citoplasma.
• movimentos ameboides e ciclose – a concentração dos microfilamentos
no hialoplasma é responsável pela formação dos pseudópodes e a sua
contração, pela formação de correntes citoplasmáticas (ciclose) que dis-
tribuem nutrientes e movimentam organelas.
Microfilamento
• contração muscular – os filamentos de actina podem associar-se a outros
filamentos proteicos, denominados filamentos de miosina, compondo as
miofibrilas das células musculares, atuando na contração muscular.

Filamentos intermediários: compostos por vários tipos de proteínas e estão


presentes em diversos tipos celulares. Apresentam esse nome porque têm diâ-
metro intermediário aos microtúbulos e microfilamentos.
PV-14-11

Estão envolvidos com:


• sustentação mecânica – oferece rigidez às células.
• adesão celular – presente nos desmossomos de células vizinhas.

Filamento
intermediário

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Citologia Biologia

CAPÍTULO 02 BIOQUÍMICA CELULAR


1. Composição química da célula
Água 75-85%
Uma das evidências da evolução biológica e da
ancestralidade comum dos seres vivos é que
todas as formas de vida possuem composição
química semelhante.
Proteínas 10-15% Outras substâncias 1%
Na composição química das células dos seres Lipídios 2-3% Ácidos nucleicos 1%
vivos, estudamos dois grandes grupos de subs- Carboidratos 1%
tâncias: as substâncias inorgânicas e as subs-
tâncias orgânicas. Gráfico mostrando a porcentagem média das
principais substâncias químicas dos seres vivos
São classificadas como substâncias inorgâni-
cas a água e os sais minerais. São substâncias Para que ocorra a produção dessas molécu-
orgânicas os carboidratos, os lipídios, as pro- las, muitas reações químicas devem ocorrer. O
teínas e os ácidos nucleicos. As substâncias or- metabolismo é o conjunto de reações quími-
gânicas são formadas por cadeias carbônicas cas que ocorre em uma célula, órgão ou um
com diferentes funções orgânicas. organismo. Ele inclui o anabolismo, que cor-
responde à síntese de moléculas, e o catabolismo,
Dos elementos químicos encontrados na na- que corresponde à degradação de moléculas
tureza, quatro são encontrados com maior maiores em moléculas menores.
frequência na composição química dos seres
vivos. Esses elementos são o carbono (C), o 2. Carboidratos
oxigênio (O), o nitrogênio (N) e o hidrogênio Os carboidratos são moléculas formadas por
(H). Além desses quatro elementos, outros são átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio.
biologicamente importantes, como o sódio Essas moléculas também são chamadas de hi-
(Na), o potássio (K), o cálcio (Ca), o fósforo (P), dratos de carbono, glicídios ou sacarídeos.
o enxofre (S), entre outros. Os vegetais, as algas e algumas bactérias pro-
Apesar de existirem inúmeras maneiras des- duzem glicose na fotossíntese a partir de gás
ses elementos combinarem-se para a forma- carbônico (CO2), água (H2O) e energia lumino-
ção das substâncias inorgânicas e orgânicas, sa. A glicose produzida na fotossíntese pode
alguns tipos de substâncias existem em maior ser utilizada como fonte de energia na respiração
quantidade nos seres vivos. celular, ser armazenada na forma de amido nos
caules e nas raízes dos vegetais ou, ainda, ser uti-
lizada na formação de celulose presente na pare-
de celular dos vegetais e das algas.
PV-14-11

Respiração
celular

Caule
Parede
Mitocôndria Raiz celular
Célula vegetal
Participar da formação da
Fonte de energia no processo Armazenamento na forma celulose presente nas
de respiração celular de amido em caules e raízes paredes das células vegetais.

Os carboidratos apresentam funções energéticas e estruturais.

Os carboidratos são classificados de acordo com o tamanho, em monossacarídeos, oligossacarí-


deos e polissacarídeos.

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Biologia Citologia

A. Monossacarídeos
Os monossacarídeos são carboidratos simples que não precisam sofrer digestão quando são in-
geridos, possuem fórmula geral CnH2nOn, em que o valor de n varia entre 3 e 7. O nome dos mo-
nossacarídeos é dado pelo valor de n.

n Nome do monossacarídeo
3 Trioses
4 Tetroses
5 Pentoses
6 Hexoses
7 Heptoses

Os mais abundantes são as hexoses, com fórmula geral C6H12O6, como a glicose, a frutose e a ga-
lactose. Esses carboidratos são utilizados como fonte de energia na respiração celular.

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A glicose está presente no mel. A frutose está presente A galactose está


nas frutas. presente no leite.

As pentoses, como desoxirribose e ribose, possuem papel estrutural, pois são componentes das
moléculas dos ácidos nucleicos, DNA e RNA, respectivamente.
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Ribose
Desoxirribose

O monossacarídeo desoxirribose faz parte da composição do DNA e o


monossacarídeo ribose faz parte da composição do RNA.

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Citologia Biologia

B. Oligossacarídeos
São carboidratos formados pela união de 2 até 10 unidades de monossacarídeos. Os mais conhe-
cidos são os dissacarídeos, formados pela união de dois monossacarídeos.

Dissacarídeo Unidades formadoras Fonte Papel biológico

Sacarose Gicose + frutose Cana e beterraba Energético

Maltose Glicose + glicose Cereais Energético

Lactose Glicose + galactose Leite Energético

Os dissacarídeos presentes nos alimentos não são aproveitados diretamente pelo organismo.
Essas moléculas precisam ser digeridas (hidrolisadas) pela ação de enzimas específicas em suas
unidades formadoras (monossacarídeos) para serem absorvidas nas microvilosidades intestinais
e, então, chegarem até as células, via corrente sanguí­nea.
hidrólise

C12H22O11 + H2O  
 C6H12O6 + C6H12O6
síntese
(sacarose) (água) (glicose) (frutose)
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A sacarose é extraída da cana para produção


de açúcar, presente em vários alimentos.
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A maltose está presente nos cereais.

A lactose está presente no leite.

C. Polissacarídeos
São moléculas orgânicas formadas pela união de mais de 10 moléculas de monossacarídeos.
Ao contrário dos monossacarídeos e dos dissacarídeos, os polissacarídeos são, geralmente, inso-
lúveis em água.

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Biologia Citologia

Polissacarídeos Unidades formadoras Fonte Papel biológico

Raízes (mandioca) e caule Reserva energética


Amido Glicose
(batatinha) vegetal

Reserva energética
Glicogênio Glicose Músculo e fígado
animal

Celulose Glicose Células vegetais Estrutural

Exoesqueleto de artrópodes
Quitina Glicose Estrutural
Parede celular de fungos

O amido é o polissacarídeo de reserva energética dos vegetais, sendo armazenado nas células do
parênquima amilífero de caules (batatinha) e raízes (mandioca).
O glicogênio é o polissacarídeo de reserva energética animal, sendo armazenado no fígado e nos
músculos.
Os polissacarídeos necessitam sofrer digestão para liberarem as glicoses para serem utilizadas
como fonte de energia celular.
A celulose é o carboidrato mais abundante do planeta, rica em glicose, no entanto os animais
não possuem a enzima celulase e, portanto, não conseguem digeri-lo. Mesmo assim, a ingestão
de alimentos ricos em celulose é importante para o bom funcionamento do intestino. Animais,
como os ruminantes, possuem em seu sistema digestório micro-organismos como bactérias, que
digerem a celulose. Os cupins podem aproveitar a celulose da madeira por terem protozoários
produtores de celulase em seu intestino.
A quitina é um polissacarídeo rígido e resistente que contém átomos de nitrogênio na molécula.
Constitui o esqueleto externo dos artrópodes, como os insetos, crustáceos e aracnídeos, e entra
na composição da parede celular de fungos.

Reika
©©©©a) Glebus / Dreamstime.com; b)

©©©©COREL STOCK PHOTOS

PV-14-11

O amido é um polissacarídeo de reserva energética dos vegetais.

A celulose forma a parede celular vegetal.

22
Citologia Biologia

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©©©©Sergiy Kuzmin / Shutterstock
A B

O glicogênio é o polissacarídeo de reserva energética dos animais (A). O exoesqueleto


dos artrópodes, como o do escorpião, é constituído de quitina (B).

Muitos outros carboidratos estão presentes nos seres vivos exercendo funções importantes,
como a integridade e o bom funcionamento celular. Por exemplo, nos tecidos animais, a compac-
tação entre as células é facilitada pela presença do polissacarídeo ácido hialurônico ("cimento"
intercelular).
A heparina também é um importante polissacarídeo que atua na circulação como anticoagulante,
principalmente em regiões de grande irrigação, como pulmões e fígado.
3. Lipídios
Os lipídios são moléculas orgânicas que apresentam em sua composição ácidos graxos e um tipo
de álcool.
De um modo geral, são substâncias pouco solúveis em água e solúveis em compostos orgânicos apolares,
como éter, benzeno, clorofórmio e álcool.
Os lipídios podem ser classificados em glicerídios, fosfolipídios, esteroides e cerídios.
A. Glicerídios
São formados pela união de ácidos graxos e um álcool, o glicerol. Em gorduras e óleos, encontra-
mos três moléculas de ácidos graxos ligadas a uma molécula de glicerol, formando o triglicéride
ou triglicerídio.
A molécula de triglicerídio é o principal componente das gorduras animais. É a forma que as cé-
lulas utilizam para armazenar energia, quando recebem mais nutrientes energéticos do que estão
consumindo. Carboidratos e proteínas podem ser transformados em gordura quando ingeridos
em excesso e, desse modo, ocorre o aumento da massa corporal do organismo. De uma maneira
geral, os lipídios fornecem mais calorias para o organismo do que os carboidratos e as proteínas.
As gorduras são os lipídios de reserva energética dos animais e ficam armazenadas no tecido
adiposo localizado abaixo da pele.
PV-14-11

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É comum encontrarmos gordura em alimentos como carnes, bacon e leite.

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Biologia Citologia

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As gorduras também funcionam como isolantes térmicos. A espessa camada


de gordura que mamíferos e aves têm sob a pele dificulta a perda de calor
e é uma importante adaptação para a vida em regiões de clima frio.

Os óleos são lipídios de reserva energética dos vegetais e estão concentrados principalmente nas
sementes dos vegetais, como soja, girassol, amendoim, milho, oliveira, entre outros. Esses óleos
são comumente utilizados em nossa alimentação.

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PV-14-11

Os óleos são encontrados nas sementes de soja, girassol, amendoim e milho.

A partir dos óleos vegetais, são produzidas as gorduras vegetais, conhecidas como margarinas,
conseguidas por meio de reações de hidrogenação com aquecimento.

24
Citologia Biologia

Esteroides
CH 3
CH 3
CH 3
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CH 3 O
Testosterona
HC CH 3
CH 2 OH
CH 2 CH 3
CH 2 CH 3
A margarina é produzida por reações de HC CH 3
hidrogenação a partir do óleo vegetal, ocorrendo HO
CH 3 Estrógeno
mudança do seu estado físico de líquido para sólido.

B. Fosfolipídios HO CH 3
C O
Os fosfolipídios são formados por glicerol, áci- Colesterol CH 3
dos graxos e um grupo fosfato. Os fosfolipídios CH 3
são os principais componentes das membra-
nas plasmáticas das células dos seres vivos. O
Progesterona

Os hormônios sexuais são formados


a partir do colesterol
Fosfolipídios
• entra na composição dos sais biliares, im-
portantes na emulsificação de gorduras.
• faz parte da membrana plasmática dos
Membrana plasmática animais, sendo responsável por regular
a fluidez da membrana.
C. Esteroides O nosso organismo produz a maior parte do co-
São lipídios formados por ácidos graxos e por lesterol e uma pequena parte é proveniente da
alcoóis de cadeia cíclica, como o colesterol alimentação. O colesterol é transportado pelo or-
nos animais e o ergosterol nos vegetais, sendo ganismo associado a lipoproteínas: a HDL (high
este último precursor da vitamina D, sob ação density lipoprotein ou lipoproteína de alta
dos raios solares. densidade), que é chamada de colesterol bom,
e LDL (low density lipoprotein ou lipoproteína
Apesar da sua fama de vilão, estando envolvi- de baixa densidade), chamada de colesterol
PV-14-11

do com doenças cardiovasculares, o colesterol ruim. As LDL transportam o colesterol do fíga-


é muito importante para o funcionamento do do, onde é produzido, ou do intestino, onde é
organismo: absorvido, para os tecidos do corpo, podendo,
• participa da formação dos hormônios em excesso, depositar-se nos vasos sanguíne-
esteroides, como os hormônios sexuais os, dificultando a passagem do sangue e cau-
(estrógeno, progesterona e testostero- sando a aterosclerose. As HDL transportam o
na), importantíssimos para o desenvol- excesso do colesterol dos tecidos até o fígado,
vimento das características sexuais e onde é metabolizado e eliminado na forma de
fertilidade. sais biliares. Praticar atividades físicas, evitar
situações de estresse, evitar o uso de cigarros
e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas
são fatores que contribuem para aumentar o
nível de HDL e diminuir o LDL.

25
Biologia Citologia

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O depósito do colesterol em vasos do organismo, como as artérias coronárias,


que irrigam o músculo cardíaco, ou em vasos do cérebro dificulta a passagem
do sangue, podendo provocar infartos e isquemias cerebrais.
D. Cerídeos
As ceras são lipídios formados por ácidos graxos e um álcool de cadeia longa. As ceras são mate-
riais de revestimento e proteção nos animais, como a cera do ouvido e dos cabelos e pelos. Nos
vegetais, recobrem a superfície das folhas e a casca de frutos, evitando o ressecamento excessivo.
As
om
abelhas as utilizam na construção da colmeia.
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©©©©Oblachko / Dreamstime.com
©©©©Andrey Davidenko / Dreamstime.com

©©©©Smit / Shutterstock

As ceras são materiais de revestimento e proteção nos animais, como a cera do ouvido e a
cera de abelha, usada na construção de colmeias. Nos vegetais, as ceras têm papel biológico de
revestimento e produção de superfícies de frutos e folhas, evitando a perda excessiva de água.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. UFSC a. ( ) III – D
Considere os compostos, apresentados na co- b. ( ) II – A
luna superior, e as características, apresenta- c. ( ) III – B
PV-14-11

das na coluna inferior e, em seguida, assinale


d. ( )I–B
com V (verdadeiro) ou F (falso) as proposições
adiante. e. ( ) IV – B
I. água Resolução
II. sal mineral a) V. Os monossacarídeos fazem parte dos
III. monossacarídeo carboidratos.
IV. lipídio b) F. A água é a molécula mais abundante na
matéria viva.
A. molécula mais abundante na matéria
viva c) V. Os monossacarídios são moléculas or-
gânicas.
B. composto orgânico
d) F. A água é um composto inorgânico.
C. composto inorgânico
e) V. Os lipídios são compostos orgânicos.
D. tipo de carboidrato

26
Citologia Biologia

02. Mackenzie-SP Resolução


As substâncias usadas pelos organismos vivos Os glicídios (açúcares) e os lipídios estão rela-
como fonte de energia e como reserva energé- cionados com o metabolismo energético dos
tica, são, respectivamente: seres vivos.
a. água e glicídios. – Açúcares → fonte imediata de energia
b. água e sais minerais. – Lipídios → reserva energética
c. lipídios e sais minerais. Resposta
d. glicídios e sais minerais.
E
e. glicídios e lipídios.

LEITURA COMPLEMENTAR
Componentes inorgânicos das células: água e sais minerais
Água

• Os seres vivos apresentam de 65% a 85% de água na sua composição (dependendo da


espécie, da idade e da atividade metabólica). Tecidos mais jovens ou com maior atividade
metabólica apresentam maior teor de água.

Idade
©46 Imagens: Niderlander / Dreamstime.com; Donding /

Durocher / Dreamstime.com; Kurhan / Dreamstime.com;


Dreamstime.com; Tamara Bauer / Dreamstime.com; Carl

Yuri Arcurs / Shutterstock; Elena Ray / Shutterstock; Yuri

Nos seres vivos, a taxa de água decresce com a idade, ou seja,


o teor de água nos tecidos diminui com o envelhecimento.
Idade do Percentual de água
ser humano no organismo

0 - 2 anos 75 a 80
2 - 5 anos 70 a 75
Arcurs / Shutterstock

5 - 10 anos 65 a 70
10 - 15 anos 63 a 65

15 - 20 anos 60 a 63
20 - 40 anos 58 a 60

40 - 60 anos 50 a 58
PV-14-11

> 60 anos < 50

• Principal componente dos seres vivos


• Atua como solvente das reações químicas dos seres vivos e participa das reações de hidrólise.
• Transporta substâncias, como no sangue, seivas e urina.
• Possui ação lubrificante, como, por exemplo, o líquido sinovial da articulação do joelho.
• Exerce proteção térmica, como no mecanismo de transpiração, dissipando parte do calor.

27
Biologia Citologia

Sais minerais – Forma de íons

Cálcio
Ativador enzimático, contração muscular, coagulação
sanguínea e componente estrutural dos ossos.

Corte de osso
Veia
Célula
óssea
O

HO — P — O Ca2+
OH 2
Fosfato de cálcio

Ferro
É o componente estrutural da molécula
de hemoglobina, responsável pelo
transporte de oxigênio pelo sangue.

Molécula de hemoglobina

Glóbulo
vermelho

Heme H2C
H3C CH
PV-14-11

H3C
N CH3
NH—Fe—NH
CH2
N
C
C
O Ferro
HO CH3
O C
OH

28
Citologia Biologia

Magnésio
É componente estrutural da molécula de clorofila, sendo a
principal molécula do processo de fotossíntese.
H CH2
C H CH3

H3C I II C2H5
N N
Magnésio H Mg H
H3C N N
IV III CH3
H
CH2HH V

CH2 O
COOCH3
Folha Célula vegetal Cloroplasto O C
O
CH2
Planta CH
C CH3
CH2
CH2
CH2
HC CH3
CH2
CH2
CH2
HC CH3
CH2
CH2
CH2 Clorofila
CH3 CH3

Sódio Potássio
• Atua juntamente com o potássio na • Atua juntamente com o sódio na
condução do impulso nervoso, sen- condução do impulso nervoso, sen-
do o mais abundante íon positivo do do o mais abundante íon positivo do
meio extracelular. meio intracelular.

Sódio e potássio
São os principais responsáveis pelas alterações elétricas que uma
célula nervosa sofre quando está conduzindo o impulso nervoso.
PV-14-11

Área de repolarização
Na+ Na+

Na+ Na+

Cloro
• Auxilia na digestão estomacal na forma de HCl e constitui o principal íon negativo do
meio extracelular.

29
Biologia Citologia

Iodo
É componente da tiroxina, o principal hormônio produzido pela glândula tireoide. A
tiroxina é responsável pelo estímulo do metabolismo das células de várias regiões
do corpo.

Fósforo
O fósforo, na forma de íon fosfato, é o componente estrutural dos ácidos nucleicos –
DNA, RNA e da molécula de ATP.

Flúor
É componente dos ossos e dos dentes e auxilia no endurecimento destes. Nos dentes,
os íons fluoretos acumulam-se na forma de fluorapatita, resistentes às cáries.
PV-14-11

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Citologia Biologia

4. Proteínas
As proteínas são macromoléculas orgânicas que apresentam múltiplas funções nos seres vivos.
Em certas situações, podem até ser utilizadas como fonte de energia.

Classe Exemplo
Enzimas Tripsina, amilase
Transporte Hemoglobina, mioglobina
Contráteis Actina, miosina
Protetoras Anticorpos, fibrinogênio
Hormônios Insulina, prolactina
Estruturais Colágeno, elastina

São formadas por unidades básicas denominadas aminoácidos.

A. Aminoácidos
Diferentemente dos carboidratos e das gorduras, formados basicamente por átomos de carbono, de
hidrogênio e de oxigênio, os aminoácidos possuem também átomos de nitrogênio nas suas moléculas.
R O
H 2N C C

H OH
Fórmula geral de um aminoácido
Pode-se observar, nessa molécula de aminoácido, a coexistência de dois radicais importantes:
um grupamento amina (NH2) e um grupamento carboxila (COOH). Como o grupamento carboxila
caracteriza um conjunto de substâncias chamadas ácidos carboxílicos, a molécula recebe a desig-
nação de aminoácido.
Note, ainda, um radical representado pela letra R. Trata-se de um radical que varia de um amino-
ácido para outro. Existem 20 tipos de aminoácidos que entram na composição das proteínas dos
seres vivos e eles se distinguem entre si pelo radical que apresentam. Pode ser um simples átomo
de hidrogênio, como no aminoácido glicina, ou um grupamento CH3, como na alanina.
A H B H3C
O O
NH2 C C NH C C
2
PV-14-11

OH OH
H H
Os aminoácidos glicina (A) e alanina (B)

A.1. Tipos de aminoácidos


Os vegetais conseguem produzir os 20 tipos diferentes de aminoácidos. No entanto, os seres
heterótrofos não conseguem produzir todos. São chamados de aminoácidos naturais aque-
les que são produzidos pelo próprio organismo. Os aminoácidos podem ser sintetizados a
partir de carboidratos graças à transferência do grupo NH2 das proteínas da dieta ou, ainda,
da transformação de um aminoácido em outro. Os aminoácidos que não podem ser produ-
zidos e precisam ser obtidos pela alimentação são chamados de aminoácidos essenciais.
Alimentos como carnes, ovo, leite, soja e feijão são riquíssimos em proteínas e, consequen-
temente, em aminoácidos.

31
Biologia Citologia

A.2. União entre os aminoácidos


A ligação entre dois aminoácidos sempre acontece da mesma forma: o grupamento amina de
um aminoácido liga-se ao grupamento carboxila de outro, com a saída de uma molécula de água,
sendo considerada uma reação de desidratação. A ligação química que une os aminoácidos é
chamada ligação peptídica.
R1 R2 R1 O Ligação R2
H O H O H peptídica O
N C C + N C C N C C N C C + H2O
H OH H OH H OH
H H H H H
Aminoácido Aminoácido Dipeptídeo

Ligação peptídica entre dois aminoácidos

O composto formado na união de dois aminoácidos é um dipeptídeo. Cadeias com 10 ou menos


aminoácidos são oligopeptídeos. Cadeias maiores são chamadas de polipeptídeos.
Observe que, no dipeptídeo formado, uma das extremidades possui um grupo amina, que
pode se ligar à carboxila de um outro aminoácido. A outra extremidade tem um grupo carbo-
xila, que pode se ligar ao grupo amina de um outro aminoácido. Dessa forma, os aminoácidos
podem se encadear, formando longas sequências contendo centenas ou milhares deles.
O número de ligações peptídicas de uma proteína depende da quantidade de aminoácidos que
ela possui.
nº de ligações peptídicas = nº de aminoácidos – 1

Se uma proteína possui 300 aminoácidos, ela tem 299 ligações peptídicas entre eles, tendo sido
formadas 299 moléculas de água na síntese dessa proteína.
Uma proteína pode se diferenciar de outra pelo número de aminoácidos, pelos tipos de aminoá-
cidos e pela sequência dos aminoácidos. Assim, duas proteínas que tenham o mesmo número e
os mesmos tipos de aminoácidos podem ainda não serem iguais.
B. Estruturas das proteínas
A sequência linear de aminoácidos que compõe uma proteína define a estrutura primária dessa
proteína.
Phe Val Asn Gln His Leu Cys Gly Ser His Leu Val Glu Ala Leu Try Leu Val Cys Gly Glu Arg Gly Phe Phe Tyr Thr Pro Lys Ala
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30

Estrutura primária de uma proteína (cada sigla representa o nome de um aminoácido)


PV-14-11

Logo ao ser formado, o filamento de aminoácidos da proteína vai se enrolando sobre si mes-
mo, formando uma helicoidal chamada alfa-hélice. É uma estrutura relativamente estável,
cujas voltas são mantidas por ligações de hidrogênio que se estabelecem entre aminoácidos
diferentes na cadeia, sendo esta forma denominada estrutura secundária.

Estrutura secundária de uma proteína

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Citologia Biologia

Os aminoácidos continuam estabelecendo en- C. Desnaturação das proteínas


tre si outros tipos de atrações, além das pon-
A posição na qual se estabelecem as ligações
tes de hidrogênio, como as ligações dissulfe-
de hidrogênio, assim como as outras formas
to. Isso faz com que a proteína dobre sobre si
de interação, dependem da sequência de
mesma, adquirindo uma forma espacial deno-
aminoácidos da proteína, ou seja, de sua
minada estrutura terciária.
estrutura primária. Uma alteração na cadeia
de aminoácidos faz com que essas ligações
se formem em locais diferentes dos habi-
tuais. Isso pode ocasionar mudanças nas
estruturas das proteínas, fazendo com que
elas tenham uma configuração espacial di-
ferente, comprometendo a sua função. No
entanto, essas alterações espaciais podem
ocorrer, sem que haja a mudança na posição
dos aminoácidos, induzidas por fatores do
meio, como variação brusca de pH, aumento
excessivo de temperatura, choques mecâni-
Ponte de
cos ou osmóticos, substâncias químicas etc.
hidrogênio CH
2
CH2 Quando isso ocorre, a proteína perde a sua
O
H S
Ponte de
dissulfeto atividade biológica, sendo esse processo
O S conhecido como desnaturação.
HO — C CH2

CH2

Desnaturação
Estrutura terciária
Proteína desnaturada
A maioria das proteínas dos seres vivos só terá
atividade biológica após adquirir a estrutura Proteína na forma original
terciária. Desnaturação de uma proteína
Algumas proteínas podem apresentar a estru- Ao romper as ligações originais, a molécula
tura quaternária, que corresponde a um agru- da proteína passa a estabelecer novas do-
pamento de duas ou mais cadeias terciárias bras ao acaso. Geralmente, as proteínas tor-
unidas entre si, como ocorre na hemoglobina. nam-se insolúveis quando se desnaturam.
Isso acontece, por exemplo, com a albumi-
na da clara do ovo. Crua, ela é transparente
PV-14-11

e fluida; ao ser cozida, torna-se branca e con-


sistente.
A desnaturação das proteínas do leite expli-
ca a formação da coalhada. Quando o leite
é submetido à ação de bactérias, a lactose,
dissacarídeo presente no leite, sofre fer-
mentação e origina ácido láctico, azedando
o leite. Com a acentuada redução do pH, as
proteínas do leite (a lactoalbumina e a caseína)
desnaturam-se, tornando-se insolúveis e
A molécula de hemoglobina é formada precipitando. O leite perde a sua consistên-
por quatro cadeias proteicas terciárias cia líquida normal, tornando-se pastoso.
e é responsável pelo transporte
de oxigênio para os tecidos.

33
Biologia Citologia

Na desnaturação, a sequência de aminoácidos das proteínas não se altera e nenhuma li-


gação peptídica é rompida. Isso demonstra que as atividades biológicas e as propriedades
físico-químicas das proteínas não dependem apenas da sua estrutura primária, embora essa
seja o fator determinante da sua forma espacial. Algumas proteínas desnaturadas, ao serem
devolvidas para o seu meio original, podem recuperar a sua configuração espacial normal,
renaturando-se. Entretanto, quando a desnaturação ocorre por elevações extremas de tem-
peratura ou alterações muito intensas do pH, as modificações, geralmente, são irreversíveis.
A clara do ovo, que se solidifica ao ser cozida, não se liquefaz novamente ao esfriar.
©©©©Giuseppe Parisi / Shutterstock

©©©©moshimochi / Shutterstock

A mudança do estado físico da albumina da clara do ovo e a


precipitação das proteínas do leite são exemplos de desnaturação por
elevação de temperatura e variação de pH, respectivamente.

D. Enzimas
As enzimas são proteínas que atuam como catalisadores biológicos ou orgânicos, ou seja, acele-
ram a velocidade das reações químicas nos seres vivos. As enzimas não são consumidas nas rea-
ções que catalisam, sendo assim, uma mesma enzima pode executar mais de uma vez a mesma
reação química. Isso traz vantagem em termos energéticos, já que uma quantidade menor de
enzimas é necessária para catalisar as reações químicas de uma quantidade maior de substrato.
Além disso, as enzimas diminuem a energia de ativação necessária para que a reação química
aconteça.

Energia de ativação
sem enzima

Energia de
ativação
PV-14-11

com enzima
Reagentes
Energia

Produtos

Sentido da reação

34
Citologia Biologia

D.1. Cofatores enzimáticos


Algumas enzimas só atuam quando estão ligadas a uma outra partícula, chamada cofator. Esse
cofator pode ser um íon metálico (zinco, ferro, magnésio etc.) ou uma molécula orgânica. Nesse
último caso, o cofator é designado por coenzima. As vitaminas da dieta atuam, geralmente, como
coenzimas, ativando enzimas importantes no metabolismo celular. Geralmente, a deficiência de
sais minerais e vitaminas acarreta alterações nas reações químicas catalisadas por enzimas que
necessitam dessas substâncias.
D.2. Interação entre enzima e substrato
Os reagentes de uma reação enzimática são chamados de substratos. O nome de uma enzima
pode indicar o substrato sobre o qual ela age e, geralmente, apresenta a terminação-ase (amila-
se, lactase, sacarase, entre outras) ou o tipo de reação química que ela catalisa (desidrogenase,
transaminase, hidrolase, entre outras). Veja alguns exemplos da ação da enzima sobre seus subs-
tratos e os produtos formados.

Enzima Substrato Produtos

Sacarase Sacarose Glicose + frutose

Lactase Lactose Glicose + galactose

Maltase Maltose Glicose + glicose

As enzimas atuam oferecendo aos substratos um local para eles se aderirem e onde a reação irá
ocorrer. O choque entre as moléculas dos reagentes, que dependia apenas do acaso, passa a ser
facilitado pelo encaixe dos reagentes nas moléculas das enzimas. Em uma molécula de enzima, o
lugar adequado para o encaixe das moléculas reagentes é o centro ativo da enzima.
A ligação entre os substratos e o centro ativo é muito precisa, semelhante à relação existente en-
tre uma fechadura e a sua respectiva chave. A estrutura do centro ativo depende da configuração
espacial da molécula da enzima. A ligação da enzima com o seu respectivo substrato tem elevada
especificidade. A seguir, mostramos esse mecanismo de encaixe da enzima [E] com o substrato
[S], formando o complexo enzima-substrato [ES].

Centros ativos

G G
PV-14-11

+ +
F F
F
Substrato
Enzima sacarose Complexo Enzima Produtos
sacarase enzima-substrato sacarase da reação

Interação entre enzima e substrato

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Biologia Citologia

D.3. Desnaturação enzimática


Uma enzima é um proteína, embora nem toda proteína seja uma enzima, portanto, é passível de
sofrer desnaturação, ocorrendo perda da sua atividade biológica. Essa perda é devida à mudança
espacial nos centros ativos da enzima, onde se encaixava a molécula de substrato. A mudança na
estrutura enzimática faz com que a forma do centro ativo não seja mais compatível à do substra-
to. Caso essa alteração seja irreversível, essa enzima estará permanentemente inutilizada.

+
+

Temperatura

Enzima Substrato Enzima Substrato


desnaturada
Desnaturação da enzima por elevação excessiva de temperatura.
Note as mudanças ocorridas nos centros ativos.

D.4. Fatores que interferem na atividade enzimática


• Concentração do substrato
Se a concentração da enzima for constante, aumentos sucessivos na concentração do substrato
são acompanhados por aumentos cada vez menores na velocidade da reação.
Velocidade da reação
Saturação

Concentração de substrato
Efeito da concentração do substrato sobre a velocidade da reação
PV-14-11

Atinge-se um ponto no qual novos aumentos não provocarão elevação na velocidade. Ao ser
alcançada a velocidade máxima, a enzima encontra-se saturada e não pode atuar mais rapida-
mente. Todas as moléculas da enzima encontram-se em atividade.
• Temperatura Velocidade da reação
Sabe-se que a velocidade das reações químicas aumenta com a
elevação da temperatura. Todavia, nas reações catalisadas por
enzimas, a velocidade tende a diminuir quando a temperatura
torna-se muito elevada devido ao fenômeno da desnaturação.
Existe uma temperatura na qual a atividade da enzima é máxima,
é a temperatura ótima de ação da enzima. Nos animais homeo- Temperatura (°C)
térmicos, capazes de manter constante a temperatura corporal, Efeito da temperatura sobre
essa temperatura ótima está geralmente entre 35 °C e 40 °C. a velocidade da reação

36
Citologia Biologia

Nos seres humanos, a maioria das enzimas apresenta uma temperatura ótima próxima de 37 °C. Esta-
dos febris muito elevados podem comprometer o funcionamento enzimático no organismo. No entanto,
cada espécie apresenta uma temperatura ótima. Por exemplo, em bactérias de fontes termais, a
temperatura ótima está próxima de 80 °C.

Velocidade de reação

0 20 40 60 80 100
Temperatura (°C)
Temperatura ótima Temperatura ótima para
para as enzimas as enzimas de bactérias
humanas resistentes ao calor
Efeito da temperatura sobre as enzimas humanas e de bactérias termais
Em gatos siameses, a enzima que produz o pigmento escuro nos pelos só está ativa nas extre-
midades do corpo, onde a temperatura do local é ligeiramente menor. Nas outras regiões, com
temperatura um pouco maior, a enzima encontra-se desnaturada.
©©©©Vasiliy Koval / Shutterstock

No gato siamês, a cor escura só aparece nas extremidades do corpo.

• pH
As enzimas têm um pH ótimo, no qual catalisam, com maior eficiência, uma determinada reação quí-
mica, cuja velocidade, então, é máxima.
Em valores diferentes desse pH ótimo, a atividade da enzima e a velocidade da reação por ela
catalisada diminuem, porque a sua forma espacial é alterada.
PV-14-11

Velocidade de reação

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 pH
pH ótimo pH ótimo
para a pepsina para a tripsina
Efeito do pH sobre as enzimas pepsina e trepsina

37
Biologia Citologia

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. Considerando os dados da figura e a ação da
Considere as seguintes afirmativas: temperatura na atividade enzimática, dê como
resposta a soma dos itens corretos.
I. As proteínas são substâncias de grande
importância para os seres vivos e mui- 01. A temperatura é um fator importante
tas participam da construção da matéria para a atividade enzimática.
viva. 02. Dentro de certos limites, a velocidade
II. As proteínas chamadas enzimas facili- de uma reação enzimática aumenta
tam reações químicas celulares. com o aumento da temperatura.
III. Anticorpos, que também são proteínas, 04. A partir de determinado ponto, o au-
funcionam como substâncias de defesa. mento de temperatura faz com que a
Assinale: velocidade de reação diminua brusca-
a. se somente I estiver correta. mente e cesse.
b. se somente II estiver correta. 08. A temperatura ótima para a atividade
c. se somente III estiver correta. da enzima humana está em torno de 37 °C.
d. se I e II estiverem corretas. 16. A temperatura ótima para a atividade
e. se todas estiverem corretas. de enzimas de bactérias de fontes ter-
mais está em torno de 78 °C.
Resolução
32. Somente na enzima humana o aque-
As proteínas são substâncias de grande impor-
cimento acima da temperatura ótima
tância para os seres vivos e exercem diversas
provoca desnaturação.
funções, tais como: estruturais, hormonais e
enzimáticas, além de funções de defesa e de 64. Para ambas as enzimas, se for ultrapas-
transporte. sada a temperatura ótima, a estrutura
Resposta espacial da enzima se rompe.
E Resolução
02. UEM-PR 32. Errada. Para qualquer enzima, o aqueci-
mento acima da temperatura ótima provoca
A figura a seguir mostra as velocidades de re- queda da atividade biológica.
ação de duas enzimas: enzima humana (A) e
enzima de bactérias de fontes termais (B): A desnaturação é caracterizada pela perda to-
A B tal da atividade biológica, que fica em torno
de 50 °C para a enzima humana e 90 °C para a
Velocidade da reação

enzima bacteriana.
PV-14-11

Resposta
95 (01 + 02 + 04 + 08 + 16 + 64)

0 20 40 60 80 100
Temperatura (°C)

38
Citologia Biologia

LEITURA COMPLEMENTAR
Príon ou prião
É uma proteína alterada da membrana plasmática de células nervosas com capacidade de inte-
ragir com outras proteínas normais, modificando-as, tornando-as novos príons.
O nome príon origina-se da junção das iniciais de duas palavras da língua inglesa, Proteinaceous e
Infection,, que basicamente significa "proteína infecciosa".
Essa proteína é associada, atualmente, a algumas doenças, tais como a encefalopatia espongi-
forme bovina, pelo fato de o cérebro adquirir uma consistência esponjosa devido à morte das
células nervosas, ou "doença da vaca louca". Trata-se de uma doença neurodegenerativa do
gado, que leva a distúrbios motores e comportamentais. Por não responderem a tratamento
algum, os animais acometidos pelo mal são sacrificados.
O contágio dos rebanhos bovinos pelo príon foi relacionado à adição à dieta destes animais
de farinha de carne e ossos, oriundos de animais que possivelmente estavam contaminados.
Em seres humanos, algo semelhante pode ser observado na doença de Creutzfeldt-Jakob.
PV-14-11

Imagem simbólica de um príon, uma proteína alterada que está ligada


a doenças neurodegenerativas, como o mal da vaca louca.

Distúrbios alimentares
Em uma sociedade de consumo, em que a aparência muitas vezes se sobressai à essência, o
drama fast food x corpo perfeito deixa nítida a necessidade de mudança dos hábitos de vida,
padrões de beleza e consumo.
Há tempos a obesidade deixou de ser um problema apenas de ordem estética, tornando-
se uma preocupação mundial. Sabe-se que a "epidemia" de obesidade, verificada hoje em
escala global, em especial no ocidente, potencializa a incidência de doenças circulatórias e
diabetes mellitus,, aumenta a possibilidade de apneia do sono e diminui consideravelmente
a qualidade e a expectativa de vida. O aumento exagerado de peso está atrelado a fatores

39
Biologia Citologia

genéticos, fisiológicos, como distúrbios da tireoide, e comportamentais, relacionados, prin-


cipalmente, à quantidade e à qualidade dos alimentos ingeridos, que muitas vezes são muito
calóricos.
Porém, ter o "corpo perfeito", esguio, definido ou "sarado" é imposição social, e, portanto,
objeto de consumo, o que leva as pessoas, muitas vezes, a extremos, que por vezes custam a
própria vida, como no caso da anorexia nervosa, distúrbio psicossomático de autoimagem, no
qual a pessoa tem uma visão distorcida de sua aparência, que a seus olhos é de um obeso, mes-
mo que na realidade já se encontre imensamente desnutrida. Afeta principalmente mulheres
jovens ocidentais, e quase sempre está atrelada à bulimia, a qual, após uma grande ingestão de
alimentos, o indivíduo promove o vômito ou faz uso abusivo de laxantes.
©50 S_L / Shutterstock

Na anorexia, a pessoa sente-se obesa e diminui a ingestão de alimentos a


ponto de tornar-se desnutrida, acarretando sérios danos à saúde.

Kwashiorkor
É um tipo de desnutrição que ocorre na primeira infância (0 a 3 anos de idade) devido à defi-
ciência de proteínas na alimentação, ocasionado pelo desmame precoce da criança, devido ao
fato de a mãe ter que dar de mamar a um outro filho recém-nascido. Essa desnutrição é co-
mum de ser observada em regiões assoladas pela fome, como a região subsaariana da Àfrica.
Essa doença afeta consideravelmente o desenvolvimento muscular e psíquico, além de gerar
edemas, como os abdominais, devido à falta de albumina plasmática, que leva à redução da
pressão osmótica sanguínea
k
e ao aumento da retenção de líquidos intersticiais ou intercelulares.
PV-14-11
©51 Christian Simonpietri / Sygma / Corbis / Corbis (DC) / Latinstoc

Criança com kwashiorkor

40
Citologia Biologia

CAPÍTULO 03 AÇÃO GÊNICA


1. Ácidos nucleicos do pela união de uma base nitrogenada e uma
pentose. Trata-se de um nucleosídeo.
Em 1869, Miescher isolou substâncias que ti-
nham caráter ácido e eram formadas por car- Fosfato Nucleosídeo
bono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e fós-
foro, no núcleo de células presentes no pus.
Tais substâncias foram chamadas de ácidos
nucleicos. Base nitrogenada
Os ácidos nucleicos são macromoléculas orgâni- Pentose
cas que apresentam papel fundamental no con- Nucleotídeo
trole do metabolismo celular. Essas moléculas
correspondem ao material genético dos seres A.1. Pentoses
vivos e são conhecidas pelas siglas DNA (ácido O carboidrato que entra na constituição dos
desoxirribonucleico) e RNA (ácido ribonucleico). nucleotídeos dos ácidos nucleicos é uma pen-
Os ácidos nucleicos são encontrados no nú- tose, ou seja, um monossacarídeo com cinco
cleo das células eucarióticas, disperso pelo átomos de carbono na molécula.
citoplasma em células procarióticas e em or- Há duas pentoses que são encontradas nos
ganelas, como mitocôndrias e cloroplastos. ácidos nucleicos: a ribose (C5H10O5) e a deso-
Sabe-se, atualmente, que os ácidos nucleicos xirribose (C5H10O4). Observe que a diferença
são os responsáveis pelo controle das ativida- entre as duas é de apenas um átomo de oxigênio.
des celulares, pela manutenção das estruturas HOH2C H HOH2C H
celulares e pelos mecanismos de hereditarie- O O
dade, isto é, pela capacidade que as células e H H H H
os seres vivos têm de transmitir as suas carac- H OH H OH
terísticas para os descendentes.
O DNA exerce esse controle comandando a OH OH OH H
síntese de proteínas. Lembre-se de que as Ribose Desoxirribose
proteínas atuam como enzimas, hormônios, Pentoses
anticorpos, composição de estruturas etc. Por
A ribose é encontrada nos nucleotídeos de
isso, são fundamentais no metabolismo da cé-
RNA, enquanto a desoxirribose é encontrada
lula e do organismo. O RNA é formado a partir
nos nucleotídeos de DNA.
de um molde de um segmento de molécula de
DNA, num processo denominado transcrição, A.2. Bases nitrogenadas
e desta forma recebe as informações contidas São moléculas que possuem estrutura em
nas moléculas de DNA. O RNA, associado aos anel, no qual se alternam átomos de carbono
PV-14-11

ribossomos, participa do mecanismo de sínte- e de nitrogênio. Classificam-se em dois grupos:


se de enzimas e outras proteínas. as bases púricas, cujo componente central da
molécula possui dois anéis, e as bases pirimí-
A. Nucleotídeos dicas, que contêm apenas um anel central.
Os ácidos nucleicos são formados por unida-
As bases púricas são adenina e guanina. Cito-
des básicas denominadas nucleotídeos. Cada
sina, timina e uracila (ou uracil) são as bases
nucleotídeo apresenta na sua composição um
pirimídicas.
grupo fosfato, um monossacarídeo com cinco
carbonos (uma pentose) e uma base nitro- Nas moléculas do ácido desoxirribonucleico,
genada. Não existem diferenças entre DNA e são encontradas apenas a adenina, a guanina,
RNA quanto ao fosfato. A quebra parcial dos a citosina e a timina. Não há uracila nas molé-
nucleotídeos, com a retirada do grupo fosfato, culas do DNA. Nas moléculas do ácido ribonu-
resulta em um grupamento molecular forma- cleico estão presentes a adenina, a guanina, a
citosina e a uracila.

41
Biologia Citologia

O
H N H H
C
N C H N C C H
C N
H C H
O C C
C C H N
N H
N
H H
Adenina Timina

H N H O
O
C C
N C N C H H N C H
C N H
H C H
O C C H O C C H
C C N N N
N N H
H H H
Guanina Citosina Uracila

Bases nitrogenadas: adenina e guanina (bases púricas)


e timina, citosina e uracila (bases pirimídicas)

B. Ácido desoxirribonucleico (DNA)


O ácido desoxirribonucleico tem as suas moléculas formadas pela união de nucleotídeos. Os nu-
cleotídeos de DNA possuem um grupo fosfato, uma molécula de desoxirribose e uma destas
quatro bases nitrogenadas: adenina, guanina, citosina ou timina. Há, portanto, quatro tipos de
desoxirribonucleotídeos: adenina-desoxirribonucleotídeo, guanina-desoxirribonucleotídeo, cito-
sina-desoxirribonucleotídeo e timina-desoxirribonucleotídeo.

A PV-14-11

C
= fosfato
T = desoxirribose
= base nitrogenada

Os nucleotídeos de DNA

42
Citologia Biologia

Costuma-se representar cada um desses nu- 5´ 3´


H
cleotídeos pela inicial de sua base nitroge- P N N H O CH3 H
O
nada: adenina (A), guanina (G), citosina (C) e
N A N H N T
timina (T). N N
O
Estudando moléculas de DNA de diferentes P N O H N
P
origens, o pesquisador Edwin Chargaff encon- G NH N C
N
trou resultados que permitiram a ele estabe- N N H O
N
lecer uma proporção entre os quatro tipos de P
H P
nucleotídeos. Veja alguns de seus resultados: C G
P P
G C
Adenina Guanina Citosina Timina
P P
C G
Homem 30,4% 19,6% 19,9% 30,1% P P Ligação
pentose-fosfato
Boi 29,0% 21,2% 21,2% 28,6% A T
C G Bases nitrogenadas
Carneiro 29,3% 20,7% 20,8% 29,2% G C
T A Ligações de hidrogênio
Pode-se notar, analisando esses valores, que C G
o número de nucleotídeos com adenina é 5'
semelhante ao número de nucleotídeos com 3'
G
timina, e os nucleotídeos com guanina apre- T A
T A
sentam quantidades semelhantes aos nucleo-
C G 3'
tídeos com citosina. C
5'
A=TeG=C
G C
Esses resultados podem ser expressos de ou- T A
tra forma:
A G
= =1
T C
Essas proporções entre os nucleotídeos de
DNA são conhecidas como relações de Chargaff
e foram uma das chaves para a descoberta da
estrutura espacial das moléculas de DNA.
Na década de 1940, alguns pesquisadores
dedicavam-se à tentativa de desvendar a
configuração espacial da molécula do DNA. A molécula de DNA de acordo com
Os estudos com emprego de difração de raios- Watson e Crick (dupla hélice)
PV-14-11

X, feitos pela pesquisadora Rosalind Franklin,


O modelo dupla hélice pode ser comparado
permitiram ao americano James D. Watson e
a uma escada de cordas retorcida, onde os
ao inglês Francis Crick proporem um modelo
corrimãos são formados pelos fosfatos uni-
para a molécula do DNA.
dos às pentoses e os degraus pelos pares de
Segundo esse modelo, denominado dupla hé- bases nitrogenadas emparelhadas. O DNA de
lice, o DNA era formado por dois filamentos eucariontes apresenta extremidades. Essas
helicoidais de polinucleotídeos. Esses filamen- extremidades são diferentes em cada um dos
tos ou cadeias estariam unidos pelas ligações filamentos que compõem a molécula de DNA.
entre as bases nitrogenadas, adenina com ti- Uma das extremidades de um dos filamen-
mina através de duas ligações de hidrogênio e tos termina com um grupo fosfato, sendo co-
guanina com citosina através de três ligações nhecido como 5´, e a extremidade oposta do
de hidrogênio. mesmo filamento termina com uma pentose,
sendo conhecido como 3´. O mesmo ocorre

43
Biologia Citologia

com o outro filamento de DNA complementar. seja comum aos dois tipos de ácidos nucleicos,
No entanto, as fitas são antiparalelas, ou seja, pois os nucleotídeos de DNA possuem a pento-
a extremidade 5´ de um dos filamentos está se desoxirribose e os nucleotídeos de RNA pos-
pareada à extremidade 3´ do outro filamento suem a pentose ribose. No total, existem oito
complementar e vice-versa. tipos de nucleotídeos: os quatro tipos do DNA
Por exemplo, imaginemos um filamento de (todos com desoxirribose) e os quatro do RNA
DNA com a seguinte sequência de nucleotídeos: (todos com ribose).
3´ ATA CGG ATG ATT CGA 5´ As moléculas de RNA são formadas por um
No filamento complementar, a sequência de único filamento de nucleotídeos, que pode se
nucleotídeos será, obrigatoriamente, esta: dobrar sobre si mesmo, mas que não se em-
parelha com outro filamento de RNA. Para o
5´ TAT GCC TAC TAA GCT 3´ RNA, não são válidas as relações de Chargaff.
Os dois filamentos que formam essa molécula
de DNA poderiam ser representados da se- AA BB
guinte forma:
A
3´ ATA CGG ATG ATT CGA 5´ C
A
5´ TAT GCC TAC TAA GCT 3´ G
A
A maior parte do DNA de células eucarióticas é G U
encontrada no núcleo, associada aos filamen- C
tos de cromatina ou aos cromossomos, caso A
a célula esteja em divisão celular. As mitocôn- C C
drias e os cloroplastos apresentam o seu pró- C
U
prio DNA. Em células procarióticas, o DNA está U
G
disperso pelo citoplasma devido à ausência de A
carioteca nessas células, não apresentando ex- G
tremidades como nos eucariontes. Nos proca- = fosfato
C
riontes, a dupla hélice é circular. = ribose U
= base nitrogenada
C. Ácido ribonucleico (RNA) Nucleotídeos do RNA (A) e molécula
A ação do DNA como controlador da atividade de RNA – hélice simples (B)
e da arquitetura celular conta com a participa-
ção do RNA, molécula capaz de transcrever as No núcleo, grande quantidade de RNA concen-
informações contidas nas moléculas do DNA tra-se nos nucléolos, e menor quantidade junto
e transferi-las para o citoplasma. Nos ribosso- dos filamentos de cromatina. No citoplasma, há
mos, as informações trazidas pelo RNA serão moléculas de RNA dispersas pelo hialoplasma
traduzidas e irão controlar a produção de pro- e muito RNA como componente estrutural dos
teínas específicas. ribossomos, e estes podem estar aderidos às
PV-14-11

membranas do retículo endoplasmático granu-


O RNA é uma cadeia polinucleotídica simples, loso. As mitocôndrias e os cloroplastos também
ou seja, é formado pela união de nucleotídeos. possuem RNA.
Esses nucleotídeos de RNA possuem um grupo
fosfato, uma ribose e uma destas quatro bases Existe uma técnica de coloração que permite
nitrogenadas: adenina, guanina, citosina e uracila. distinguir o DNA e o RNA. Trata-se do corante
(ou reagente) de Feulgen (pronuncia-se “fói-
Existem, portanto, quatro tipos de nucleotíde- guen”). Esse corante, empregado na prepara-
os de RNA: adenina-ribonucleotídeo, guanina- ção de lâminas para estudo de materiais bioló-
-ribonucleotídeo, citosina-ribonucleotídeo e gicos no microscópio óptico, tem afinidade pelo
uracila-ribonucleotídeo. DNA, mas não se liga ao RNA. Quando uma cé-
Note o seguinte aspecto: embora as bases nitro- lula é corada pelo reagente de Feulgen, o seu
genadas adenina, guanina e citosina possam ser núcleo ganha destaque, pois concentra a maior
encontradas tanto nas moléculas de DNA como parte do DNA celular. Fala-se que o DNA é Feul-
nas de RNA, não existe nenhum nucleotídeo que gen positivo e o RNA é Feulgen negativo.

44
Citologia Biologia

Diferenças entre o DNA e o RNA


DNA RNA DNA RNA
Bases Bases
nitrogenadas nitrogenadas H OH H OH
O O
Adenina Adenina HO — C — C H HC HO — C — C H HC
Guanina Guanina H HC H HC
CH CH
Citosina Citosina
OH H OH OH
Timina Uracila
Desoxirribose Ribose

DNA RNA

Célula vegetal Célula animal Célula vegetal Célula animal

Núcleo
Núcleo
Mitocôndria

Mitocôndria Cloroplasto

Hialoplasma
Cloroplasto
Ribossomo

Diferenças entre DNA e RNA quanto ao número de filamentos, tipos de bases


nitrogenadas, tipos de pentoses e localização em células eucarióticas

2. Duplicação do DNA
O processo de duplicação ocorre no núcleo das células eucarióticas e tem a participação de en-
PV-14-11

zimas e nucleotídeos.
Durante a duplicação do DNA, também chamada de replicação, os dois filamentos complemen-
tares que formam uma só molécula de DNA vão se separando gradativamente devido à ação
da enzima helicase que rompe as ligações de hidrogênio que mantêm unidas as bases comple-
mentares. À medida que isso vai ocorrendo, a enzima DNA-polimerase usa cada filamento da
molécula de DNA como molde para a montagem de um novo filamento. Assim, para cada um dos
nucleotídeos dos filamentos originais, ligam-se nucleotídeos complementares: um nucleotídeo
de adenina liga-se a um nucleotídeo de timina, e vice-versa. Um nucleotídeo de guanina liga-se a
um nucleotídeo de citosina, e vice-versa.

45
Biologia Citologia

T.. A Original
A..
G
... C... A.. T
..
A.. ..
.. .. ..
..
.. A
..
...
... G .. .. A .. ..
... ...
... ..
.. .. T
C C ... ...
T
..
T T ..
C C A T
A.. G
... T.. T A
..
T.. T.. ... A .. Nova
.. .. ... .. T.. C ..
G ... .. ..
..
..
..
.. .. C .. .. T.. ... ...
... T
.. .. T .. .. ...
... .. A
A A ..
A A A C G T G Nova
A.. A.. T.. A
G
... G G ..T .. .. ..
.. A
..
...
...
...
...
... ...
... A
.... ..
..
..
.. A .... ..
... .. .. T ..
C C C T T
T A T
Original

Duplicação semiconservativa do DNA

As duas moléculas novas serão idênticas entre Em seguida, deixaram que algumas dessas
si e à molécula original. Note que na duplica- bactérias sofressem uma única divisão ce-
ção um filamento da molécula inicial é preser- lular em um novo meio contendo 14N, um
vado, por isso se diz que a duplicação ou re- isótopo radioativo leve. Parte do DNA dessa
plicação do DNA é semiconservativa. população foi analisada e demonstrou uma
densidade menor ocupando uma posição
A. Evidências da duplicação mais acima no tubo de ensaio. Isso eviden-
semiconservativa cia que uma das fitas das moléculas de DNA
continuava com 15N, e a outra passou a in-
Meselson e Stahl, em 1958, realizaram um ex-
corporar o 14N do meio.
perimento que serve como evidência da dupli-
cação semiconservativa, utilizando o DNA de N / 15N
15

bactérias Escherichia coli.


Após várias divisões
Os pesquisadores deixaram que culturas celulares em meio
dessas bactérias se multiplicassem por contendo 15N
15
N / 15N
muitas gerações em meio contendo 15N,
um isótopo radioativo pesado, fazendo
com que os novos filamentos de DNA das
bactérias descendentes ficassem marca- N / 14N
15 14
N / 15N
dos com 15N. Quando o DNA de algumas
dessas bactérias foi extraído e centrifuga- Após uma divisão
do em solução de cloreto de sódio, obser- celular em meio
14
N/ N15
contendo 14N
vou-se que o DNA ocupava uma posição do
PV-14-11

tubo.
N / 15N
15

Essas bactérias foram submetidas a uma nova


Após várias divisões divisão no meio com 14N. O resultado foi a
celulares em meio
contendo 15N formação de duas faixas com densidades di-
N / 15N
15
ferentes nos tubos. Uma com a densidade
da amostra anterior, 14N15N e uma nova faixa
menos densa, que continha os dois filamentos
com 14N.

46
Citologia Biologia

15
N / 14N

N / 14N
15 14
N / 14N

Após duas divisões


14
N / 14N celulares em meio
14
N / 15N contendo 14N

Em uma próxima divisão, os resultados foram parecidos com os anteriores, no entanto a faixa que
corresponde aos filamentos 14N15N era menos espessa do que aquelas que continham DNA com
os dois filamentos com 14N.
15
N / 14N 14
N / 14N

N / 14N
15 14
N / 14N 14
N / 14N N / 14N
14
PV-14-11

Após três divisões


14
N / 14N celulares em meio
14
N / 15N contendo 14N

Esses resultados evidenciam o que seria esperado admitindo que a duplicação do DNA ocorre
de maneira semiconservativa. Note que o DNA das bactérias foi representado com extremidades
apenas para efeito didático.

47
Biologia Citologia

Densidade
do DNA
14
N
15
N/14N
15
N

A B C D
Resumo do experimento de Meselson e Stahl, mostrando as diferentes
densidades das moléculas de DNA. Em A, DNA de bactérias cultivadas por
várias gerações em meio contendo 15 N. Em B, DNA de bactérias cultivadas
em meio com 14 N, após uma divisão celular. Em C, DNA de bactérias
cultivadas em meio com 14 N, após duas divisões celulares. Em D, DNA de
bactérias cultivadas em meio com 14 N, após três divisões celulares.

3. Transcrição
A formação do RNA a partir da molécula do DNA é chamada transcrição e ocorre no núcleo
das células eucarióticas.
O processo de transcrição é catalisado pela enzima RNA-polimerase ou transcriptase. As
ligações de hidrogênio, que unem os dois filamentos complementares de um segmento de
uma molécula de DNA que servirá de molde para a síntese de RNA, são rompidas, ficando os
filamentos desse trecho separados momentaneamente. Um segmento de um dos filamen-
tos da molécula de DNA (fita ativa) serve de molde para a formação da molécula de RNA. A
cada nucleotídeo da fita ativa do DNA, liga-se um nucleotídeo para formação do RNA. Assim,
a formação da molécula de RNA ocorre por meio da complementação das bases, como na
replicação do DNA. No entanto, quando a transcriptase encontra um nucleotídeo no DNA
com adenina, ela coloca na posição equivalente do RNA um nucleotídeo com uracila. Os
nucleotídeos de RNA vão sendo unidos pelo grupo fosfato e a pentose, formando um único
filamento polinucleotídico. No final do processo, o RNA se desprende e os dois filamentos da
molécula de DNA voltam a se unir.

RNA
PV-14-11

Cromossomo polimerase

Nucleotídeos
trifosfatados

Dupla fita de DNA desemparelhada

Um segmento do DNA é aberto e um dos filamentos será utilizado como molde para a síntese de RNA.

48
Citologia Biologia

Cromossomo

Fita de DNA molde

A enzima transcriptase liga-se ao filamento ativo e passa a transcrever o RNA utilizando nucleotídeos
presentes no meio. O DNA é lido no sentido 3´ para 5´, sendo o RNA construído de 5´para 3´.

Cromossomo

Fita de DNA molde

Durante a transcrição, quando a transcriptase encontra no DNA nucleotídeos contendo


adenina, ela coloca no RNA nucleotídeos contendo uracila e não timina.
PV-14-11

Cromossomo

Fita de DNA molde

No final da transcrição, a transcriptase desliga-se do DNA, a molécula


de RNA é liberada e os filamentos do DNA voltam a se unir.

49
Biologia Citologia

A. Tipos de RNA
Todos os tipos de moléculas de RNA são produzidos no núcleo das células eucarióticas através do
processo de transcrição. No entanto, os diferentes tipos são transcritos por segmentos e ou mo-
léculas diferentes de DNA. As moléculas de RNA deixam o núcleo, através dos poros da carioteca,
e vão até o citoplasma participar da síntese de proteínas.
A.1. RNA mensageiro (RNAm)
Contém a informação genética para a síntese de um peptídeo (proteína), codificada nas suas
bases nitrogenadas. Cada três nucleotídeos do RNAm são denominados códons, sendo que cada
códon tem correspondência com um dos 20 tipos diferentes de aminoácidos que podem entrar
na composição das proteínas dos seres vivos. Assim, se uma proteína contiver 20 aminoácidos, o
RNAm correspondente deverá apresentar, no mínimo, 20 códons ou 60 nucleotídeos.
RNA mensageiro

Códon Códon Códon Códon Códon Códon Códon Códon

Síntese de proteínas

Cada códon do mensageiro é composto por 3 nucleotídeos e tem


correspondência com um dos 20 tipos de aminoácidos.

A.2. RNA transportador (RNAt)


Também chamado de RNA de transferência, sua função é transportar os aminoácidos dispersos
pelo hialoplasma da célula até o códon correspondente do RNAm. Estruturalmente assemelha-se
a uma folha de trevo. Apresenta uma região denominada anticódon constituída por três nucleotí-
deos. Cada anticódon é complementar a um dos códons do RNA mensageiro. Essa correspondên-
cia entre códon e anticódon sinaliza em qual posição o RNA transportador deve se unir ao RNA
mensageiro, deixando o aminoácido na posição correta.
RNA transportador

Aminoácido PV-14-11

Códon Códon Códon Códon Códon Códon Códon Códon

O anticódon do RNAt reconhece o códon complementar no RNAm,


transportando o aminoácido correspondente.

50
Citologia Biologia

A.3. RNA ribossômico (RNAr)


Esse tipo de RNA é transcrito por uma região específica do DNA presente em um corpúsculo, encon-
trado no núcleo de células eucarióticas, denominado nucléolo. Os RNAr do nucléolo ligam-se a
proteínas ainda no interior do núcleo. Esse complexo dirige-se até o citoplasma e forma as subuni-
dades da organela denominada ribossomo. Assim, pode-se dizer que o nucléolo está envolvido com
a síntese de proteínas. As subunidades que se encontram separadas no hialoplasma unem-se no
momento da síntese de proteínas. As células procarióticas, apesar de não apresentarem nucléolo,
produzem RNAr para compor os seus ribossomos, que são transcritos de segmentos do DNA circular.
Os ribossomos podem ser encontrados livres no hialoplasma, aderidos ao retículo endoplasmático
granuloso, na face externa da carioteca e no interior de mitocôndrias e cloroplastos.

Subunidade Subunidade
maior menor

RNA ribossômico RNA ribossômico

Os ribossomos são formados por duas subunidades, cada uma contendo RNA ribossômico e proteínas.

As interações entre os diferentes tipos de RNA, DNA e ribossomos serão estudadas no próximo
capítulo.

DNA RNAt

Ribossomo
RNAm
PV-14-11

Proteína

RNAt + aminoácido
Resumo das interações entre os ácidos nucleicos

51
Biologia Citologia

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. UFPE 02. UFMS
Considerando que na figura a seguir tem-se Os ácidos nucleicos são as moléculas “mes-
uma representação plana de um segmento da tras” da vida. Elas são “responsáveis” pela sín-
molécula de DNA, analise as proposições abai- tese de todas as enzimas que controlam, de
xo. alguma forma, a atividade celular. Relacione
I os ácidos nucleicos com suas características.
T A II I. DNA
II
II. RNA
I
I A. açúcar da molécula = desoxirribose
G C
II II B. açúcar da molécula = ribose
I C. presença de timina
1. Um nucleotídeo é formado por um gru-
D. presença de uracila
po fosfato (I), uma molécula do açúcar
desoxirribose (II) e uma molécula de E. cadeia dupla
base nitrogenada. F. cadeia simples
2. Um nucleotídeo de timina (T) de uma G. capacidade de autoduplicação
cadeia liga-se a um nucleotídeo com Está(ão) correta(s) a(s) associação(ões):
adenina (A) de outra cadeia.
01. I – A
3. Um nucleotídeo com guanina (G) de
uma cadeia liga-se a um nucleotídeo de 02. II – B
citosina (C) em outra cadeia. 04. II – G
4. Pontes de hidrogênio estabelecem-se 08. I – C
entre as bases nitrogenadas T e A e en- 16. I – F
tre as bases nitrogenadas C e G. 32. II – E
Está(ão) correta(s): 64. II – D
a. 1, apenas. Resolução
b. 2 e 3, apenas.
DNA (I) – desoxirribose (A); presença de timina
c. 1, 2 e 3, apenas. (C); cadeia dupla (E); capacidade de autodupli-
d. 2, 3 e 4, apenas. cação (G).
e. 1, 2, 3 e 4. RNA (II) – ribose (B); presença de uracila (D),
Resolução cadeia simples (F)
PV-14-11

A molécula de DNA é uma dupla fita polinucle- Resposta


otídica em que A = T, C = G. 01, 02, 08 e 64
Resposta
E

52
Citologia Biologia

LEITURA COMPLEMENTAR
Éxons e íntrons
A expressão gênica nada mais é do que a manifestação da informação (gene) presente em par-
te do genoma do indivíduo, que varia de célula para célula, de acordo com sua especificidade.
Tem-se como exemplo duas células do corpo de um mesmo ser humano, uma epidérmica e ou-
tra muscular. Ambas apresentam o mesmo DNA e os mesmos genes, porém expressam genes
diferentes, o que lhes confere funções ou especializações distintas. Em outras palavras, as ca-
racterísticas de uma célula epidérmica não são as mesmas de uma célula muscular, devido ao
fato de que os genes que se manifestam nestas células não são, em sua maioria, os mesmos.
Além disso, em células eucarióticas, não é toda a sequência de nucleotídeos de um segmento
da fita ativa de DNA que irá comandar a produção de proteínas. Apenas uma parte do que é
transcrito será realmente utilizada na tradução. Esses segmentos que serão traduzidos em
proteínas são denominados éxons. Entre esses segmentos, encontram-se sequências que não
participarão da síntese de proteínas, sendo denominadas íntrons.
Quando ocorre a transcrição de um segmento de DNA (um gene), é produzido um pré RNAm,
contendo éxons e íntrons. Antes que esse mensageiro vá para o citoplasma, os íntrons são
removidos, mecanismo conhecido como splicing ou processamento do RNA, e os éxons são
unidos originando o RNAm final. Esse RNAm dirige-se ao citoplasma participando da tradução.

DNA

Transcrição Núcleo

Éxon
RNAm precursor Íntron
ou inicial

Splicing
Remoção dos íntros

Carioteca
Ribossomo
PV-14-11

RNAm maduro
ou funcional Tradução Citoplasma

Proteína
Expressão gênica

No splicing, os íntrons são removidos e o éxons, unidos, formando


o RNAm maduro, pronto para ser traduzido.

53
Biologia Citologia

O mecanismo de splicing pode ocorrer de formas distintas no mesmo gene, permitindo, as-
sim, um número consideravelmente maior de proteínas em relação ao número total de genes
encontrados no indivíduo. Na espécie humana, por exemplo, existem de 30 a 40 mil genes
para cerca de 100 a 150 mil proteínas, o que na prática significa que um mesmo gene pode
codificar proteínas diferentes. Isso é possível utilizando tipos e sequências diferentes de éxons
no splicing.

Gene
DNA

Transcrição Núcleo

E1 I1 E2 I2 E3 I3 E4 Éxon
RNAm precursor ou inicial Íntron

Splicing alternativo

Carioteca
Citoplasma

E1 E2 E3 E4 E1 E3 E4
Ribossomo

Ribossomo

RNAm maduro RNAm maduro


ou funcional Tradução ou funcional Tradução

Proteína 1 Proteína 2
Expressão gênica Expressão gênica
tipo A tipo B
PV-14-11

Splicing alternativos podem produzir RNAm diferentes a partir de um


mesmo gene, obtendo proteínas e características diferentes.

54
Citologia Biologia

4. Código genético e Considere que a transcrição usará como molde


síntese de proteínas o filamento 2 dessa molécula de DNA para for-
mar as moléculas de RNA mensageiro.
As informações genéticas contidas nas molé-
A C T T GA C C A T C G
culas de DNA comandam todas as atividades
DNA
celulares e são transmitidas ao longo das gera- T GA A C T GGT A GC
ções por meio da reprodução. O controle me-
tabólico exercido pelo DNA ocorre por meio A C U U G A C C A U C G RNA mensageiro
da produção de proteínas específicas, como as
Observe que a sequência de nucleotídeos des-
enzimas, que atuam como catalisadores bio-
sa molécula de RNA mensageiro não é igual à
lógicos em reações específicas no organismo.
sequência do DNA que a originou, mas é com-
Determinando a síntese de certa enzima, o
plementar a ela.
DNA está, na verdade, determinando a ocor-
rência da reação química que essa enzima ca- A transcrição das informações do DNA para o
talisa. RNA mensageiro acontece no núcleo das cé-
lulas, em um processo catalisado pela enzima
Como as características fenotípicas passam
RNA-polimerase ou transcriptase. Depois de
pela atividade de uma determinada proteína,
transcrito, o RNA mensageiro atravessa os po-
podemos dizer que o DNA determina uma ca-
ros da carioteca em direção ao citoplasma. No
racterística por meio da síntese de uma enzi-
citoplasma, as informações do RNA mensagei-
ma ou hormônio ou anticorpo ou, ainda, uma
ro serão utilizadas na síntese de proteínas.
proteína estrutural.
A sequência de nucleotídeos do RNA mensa-
O segmento de DNA capaz de comandar a pro-
geiro determina a sequência dos aminoácidos,
dução de uma proteína é chamado de gene.
que vão se unir por meio de ligações peptídi-
Podemos dizer que existe uma relação direta
cas, para a formação de uma molécula de pro-
entre a ação do DNA e a manifestação do ca-
teína, com o auxílio dos RNA transportadores
ráter.
e ribossomos, como será visto mais adiante.
DNA (gene) → proteína → característica Isso é denominado tradução e ocorre no cito-
plasma das células.
Replicação
O controle do DNA sobre a produção das pro- (DNA DNA)
teínas ocorre por meio das moléculas de RNA. DNA
A partir da descoberta das moléculas de RNA Transcrição
Núcleo
mensageiro, pelos pesquisadores franceses Ja- (DNA RNA)
cob e Monod, estabeleceu-se o vínculo entre a
molécula de DNA e a produção das proteínas. RNAm
No processo da transcrição, um filamento de Tradução
DNA serve de molde para a formação de um fi- (RNA Proteína) Citoplasma
PV-14-11

lamento de RNA mensageiro, que, por sua vez, Proteína


possui uma sequência de nucleotídeos (có-
dons) complementares à cadeia de DNA que
Característica
o originou. Essa molécula de RNA mensageiro
determinará a sequência de aminoácidos na O DNA controla as características genéticas
proteína. através da síntese de proteínas.
Considere, por exemplo, a seguinte molécula O código genético é a correspondência entre
de DNA: os códons do RNAm com os seus respectivos
A C T T G A C C A T C G Filamento 1 aminoácidos. Os quatro tipos de bases nitro-
Filamento 2 genadas possíveis nos nucleotídeos do men-
T GA A C T GGT A GC sageiro, A, C, G e U, combinadas três a três,
formam 64 códons possíveis de existir em uma
molécula de RNAm.

55
Biologia Citologia

Segunda letra

U C A G

UGU Cisteína
UUU Fenilalanina UCU UAU
Tirosina UGC U
UUC UAC
UCC Serina C
U
UCA UGA Parada A
UUA Leucina UAA Parada
UCG G
UUG UAG
UGG Triptofano

CAU Histidina CGU


CUU CCU U
CAC
CUC Leucina CCC Prolina CGC Arginina C
C
CUA CCA CGA A
CAA
Primeira letra

Terceira letra
CUG CCG Glutamina CGG G
CAG

AUU
AUC Isoleucina AAU Asparagina AGU Serina
ACU U
AUA AAC AGC
ACC C
A Treonina
ACA A
Metionina AAA Lisina AGA Arginina
ACG G
AUG e códon de AAG AGG
iniciação

GAU Ácido
GUU GCU GGU U
GAC aspártico
GUC Valina GCC GGC Glicina C
G Alanina
GUA GCA GGA A
GAA Ácido
GUG GCG GGG G
GAG glutâmico

Tabela do código genético, mostrando as correspondências dos 64 códons


possíveis em um RNAm com os seus respectivos aminoácidos. Essa tabela
poderia ser construída também utilizando as trincas de bases do DNA.
Assim, quando no RNAm aparecer o códon de mais do que suficiente para codificar os 20
UUU, o aminoácido que sempre fará corres- aminoácidos; o que foi confirmado por experi-
pondência com esse códon será a fenilalanina, mentos posteriormente.
mas, se o mensageiro apresentar o códon CUU, Tome cuidado para não usar o termo código
PV-14-11

o aminoácido correspondente será a leucina. genético de maneira errada. Por exemplo, é


Mas, como é possível deduzir que cada códon comum ouvir que o projeto genoma humano
seja formado por 3 nucleotídeos? desvendou o código genético do ser huma-
Se, no código genético, cada aminoácido fosse no. O que é um equívoco. O projeto genoma
codificado por apenas uma base (nucleotídeo), humano realizou o sequenciamento dos nu-
seriam codificados apenas 4 dos 20 aminoá- cleotídeos das moléculas de DNA da espécie
cidos. Se fossem duas bases (nucleotideos), humana, descobrindo a ordem das bases ni-
seriam codificados apenas 16 dos 20 aminoá- trogenadas. Código genético é a correspon-
cidos. Concluiu-se, então, que cada aminoáci- dência dos códons com os seus respectivos
do deveria ser codificado por pelo menos três aminoácidos. Essa correspondência já era co-
bases (nucleotídeos), o que resultaria em 64 nhecida pelos cientistas antes de se iniciar o
combinações (códons) possíveis, quantida- projeto genoma humano.

56
Citologia Biologia

A. Características do código genético tender porque é possível o material genético


de uma espécie produzir a mesma proteína no
A.1. Códon de iniciação interior de uma outra espécie. Graças a essa
Verifique que o códon AUG apresenta corres- universalidade do código genético, foi possível
pondência com o aminoácido metionina e para os cientistas desenvolverem organismos
também corresponde ao códon de iniciação. transgênicos. Por exemplo, hoje bactérias que
Esse códon indica na tradução o início da sín- receberam segmentos de DNA humano com a
tese de proteínas, sendo que o primeiro ami- informação para a produção de insulina estão
noácido que será colocado na proteína sempre produzindo esse medicamento para os diabé-
será a metionina. Caso esse aminoácido não ticos.
seja necessário para compor a estrutura da
A.5. Código genético não ambíguo
proteína, ele será removido após a tradução.
Caso exista no mensageiro mais de um códon É possível diferentes códons determinarem
de iniciação, o primeiro deles marca o início da um mesmo aminoácido, mas não é possível
síntese. um mesmo códon codificar aminoácidos di-
ferentes. Por essa característica, se diz que o
A.2. Códons de parada ou término código genético é não ambíguo, ou seja, não
Existem três códons (UAA, UAG e UGA) que apresenta duplo sentido. Se isso ocorresse, di-
não têm correspondências com nenhum dos ferentes aminoácidos poderiam ser colocados
20 tipos de aminoácidos conhecidos e são de- em uma mesma posição e a proteína não seria
nominados códons de parada (stop códons). sempre produzida de maneira correta.
Esses códons sinalizam o fim da síntese de pro-
teínas. Veja, portanto, que um RNAm que con- Aminoácido 1 Essa
tenha 30 códons traduzirá uma proteína com
29 aminoácidos, já que não existe aminoácido ACC ambiguidade
para o códon de parada. Aminoácido 2 não existe.

A.3. Código genético degenerado


Como explicar que a quantidade de códons di- ACC Código
ferentes (64) que podem existir em um mensa- ACG Aminoácido 1 genético
geiro é maior que o número de tipos de ami-
noácidos existentes nas proteínas dos seres ACU degenerado.
vivos (20)?
Diferentes códons podem ter correspondên- 5. Síntese de proteínas
cia com um mesmo tipo de aminoácido. Por A primeira etapa da síntese de proteínas
exemplo, os códons UCU, UCC, UCG e UCA é denominada transcrição e nela ocorre a
codificam o mesmo aminoácido, a serina. Por formação da molécula de RNA mensageiro
isso, se diz que o código genético é degene- a partir da fita ativa do DNA. A transcrição
PV-14-11

rado. Isso só não ocorre para o aminoácido ocorre no núcleo com a participação da
metionina e para o triptofano, que são codi- RNA-polimerase ou transcriptase, trans-
ficados por apenas um códon. Assim, a substi- crevendo a sequência de nucleotídeos de
tuição de um nucleotídeo por outro, em uma um dos filamentos do DNA. A molécula de
mutação, por exemplo, não altera necessaria- RNAm formada no núcleo dirige-se ao ci-
mente o aminoácido. toplasma. Nessa região, as duas subunida-
des dos ribossomos unem-se prendendo o
A.4. Código genético universal
RNAm. O ribossomo abraça dois códons por
A correspondência entre os códons e os ami- vez do mensageiro, sendo que o primeiro có-
noácidos é praticamente a mesma para a don (AUG) corresponde sempre ao de inicia-
maioria dos seres vivos do planeta, sendo de- ção. Os códons que ficaram antes do códon
nominado, por isso, universal. Isso permite en- de iniciação não serão traduzidos.

57
Biologia Citologia

O RNAt correspondente ao códon de iniciação traz o aminoácido metionina e encaixa-se no pri-


meiro códon. A ligação acontece porque o RNA transportador possui, na extremidade oposta
àquela que se liga ao aminoácido, uma sequência de três nucleotídeos (anticódons) complemen-
tares ao códon.

PV-14-11

Um outro RNAt traz um outro aminoácido para o segundo códon do RNAm. O primeiro aminoá-
cido liga-se ao segundo por meio de uma ligação peptídica, graças à enzima peptidil-transferase.

58
Citologia Biologia

O primeiro RNAt deixa o seu aminoácido e volta para o citoplasma para capturar uma outra me-
tionina e o ribossomo move-se em cima do mensageiro e abraça o códon seguinte, permitindo a
entrada de um outro transportador com o seu respectivo aminoácido.

O processo continua até que o ribossomo encontre um códon de parada, o que sinaliza o fim da
síntese de proteínas. Os códons que ficarem após o códon de parada não serão traduzidos. Ao
final, as subunidades dos ribossomos separam-se, liberando o RNAm e a proteína produzida.
PV-14-11

Vários ribossomos podem se deslocar simultaneamente pela mesma molécula de RNA mensa-
geiro e várias moléculas de proteínas são produzidas ao mesmo tempo, sendo denominado esse
complexo de RNAm e ribossomos de polirribossomo ou polissomo. Como todos os ribossomos
alinhados estão traduzindo o mesmo RNAm, o resultado são moléculas de proteínas exatamente
iguais.
A entrada dos ribossomos no filamento de RNA mensageiro acontece sempre pela mesma ex-
tremidade, impedindo que as informações sejam lidas de trás para a frente ou pela metade. A
tradução sempre ocorre no sentido 5´para 3´, sendo este, biologicamente, o sentido da vida.

59
Biologia Citologia

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. Unesp 02. UFTM-MG
Os biólogos moleculares decifraram o código O esquema representa a síntese proteica em
genético no começo dos anos 60 do século XX. organismos eucariotos.
No modelo proposto, códons constituídos por
três bases nitrogenadas no RNA, cada base re- B
presentada por uma letra, codificam os vinte A
aminoácidos. Considerando as quatro bases 4
nitrogenadas presentes no RNA (A, U, C e G), 1 I II
responda ao que se pede.
a. Por que foram propostos no modelo
códons de três letras, em vez de códons 3
2
de duas letras?
b. Um dado aminoácido pode ser codifi-
cado por mais de um códon? Um úni- Nele, estão assinaladas algumas etapas, estru-
co códon pode especificar mais de um turas e regiões da célula onde ocorrem etapas
aminoácido? distintas.
Resolução Assinale a alternativa que contém as associa-
ções corretas.
a) Existem 20 tipos diferentes de aminoáci-
dos que podem formar as proteínas dos seres a. 1 – DNA; 3 – ribossomo; I – tradução;
vivos. Se duas letras (2 bases nitrogenadas) A – núcleo.
fossem utilizadas para codificar um aminoá- b. 1 – gene; 4 – proteína; I – transcrição;
cido, seria possível codificar menos aminoáci- B – citoplasma.
dos do que os existentes. Com 3 bases corres- c. 2 – RNAm; 3 – RNAt; II – tradução; A –
pondendo a um códon, é possível formar mais núcleo.
de 20 códons, sendo, assim, possível codificar
d. 2 – gene; 3 – RNAt; II – transcrição; B –
os 20 aminoácidos.
citoplasma.
b) Um aminoácido pode ser codificado por mais
e. 3 – ribossomo; 4 – ácido graxo; I – tra-
de um códon (código genético degenerado). No
dução; B – citoplasma.
entanto, um mesmo códon não pode codificar
mais de um aminoácido (código genético não am- Resolução
bíguo). No núcleo (A), o gene (1) é transcrito (I) em RNAm
(2), que se dirige ao citoplasma (B) onde é tra-
duzido (II) pelo ribossomo (3) numa proteína(4).
PV-14-11

Resposta
B

60
Citologia Biologia

CAPÍTULO 04 MEMBRANA CELULAR

1. Membrana plasmática
Todas as células são capazes de controlar a
passagem de substâncias do hialoplasma para
o meio extracelular e vice-versa. O permanen- Bicamada
te fluxo de partículas se dá através de um re- de lipídios
vestimento muito delgado, presente em todas
as células vivas. É a membrana plasmática ou Fosfolipídio
plasmalema. As células eucarióticas possuem,
ainda, um rico sistema de membranas em seu Proteínas
interior, formando uma rede de canais (como A membrana plasmática é formada por
o retículo endoplasmático) ou revestindo or- duas camadas de lipídios (fosfolipídios)
ganelas e o núcleo. As mitocôndrias e os clo- com proteínas inseridas nessas camadas,
roplastos possuem um sistema interno de segundo o modelo do mosaico fluido.
membranas (cristas mitocondriais e lamelas,
respectivamente). Essa intensa compartimen- Nesse modelo, tanto as moléculas de lipídios,
tação das células favorece a ocorrência simul- quanto as de proteínas, podem se movimentar
tânea de um grande número de atividades, livremente pela estrutura da membrana, faci-
que não poderiam ocorrer em um meio único. litando o transporte de moléculas específicas
Tanto a membrana de revestimento externo ao longo da membrana plasmática.
como os sistemas internos de membranas têm O lipídio mais abundante é o fosfolipídio, que
algumas características comuns. apresenta uma extremidade hidrofóbica, de-
nominada cauda, formada por cadeias de áci-
2. Modelo do mosaico fluido dos graxos sem afinidade pela água, e outra
A membrana plasmática é uma estrutura ce- extremidade hidrofílica, denominada cabeça,
lular extremamente fina, apenas os microscó- formada pelo álcool glicerol e fosfato, com afi-
pios eletrônicos são capazes de mostrar alguns nidade pela água. A parte hidrofílica, a cabeça,
de seus detalhes morfológicos. Uma das pri- sempre fica voltada para os meios intra e ex-
meiras evidências da existência de um envol- tracelular, regiões onde existe água, e a parte
tório celular foi a observação de que o volume hidrofóbica, a cauda, sempre fica voltada para
e a forma das células se alteram quando elas o interior das camadas lipídicas, longe da água.
são colocadas em meio com concentrações Fosfolipídio
diferentes. A membrana plasmática apresenta
composição lipoproteica, ou seja, formada por Cabeça hidrofílica
lipídios e proteínas. Em média, a membrana
PV-14-11

plasmática apresenta 75% de lipídios e 25%


de proteínas, podendo, essa proporção, variar Cauda hidrofóbica
nas membranas das diferentes organelas. É
formada por duas camadas de lipídios (fosfo-
lipídios) contendo proteínas inseridas nessas ca-
madas. Algumas dessas proteínas estão inseridas Fosfolipídio, principal constituinte da
somente na camada de lipídios em contato com membrana plasmática; a cabeça é a parte
o meio extracelular, outras inseridas somente na hidrofílica e a cauda é a parte hidrofóbica.
camada de lipídios em contato com o meio in- A membrana plasmática dos animais apresen-
tracelular, e existem proteínas que atravessam as ta moléculas de colesterol, responsáveis pela
duas camadas. Esse modelo molecular, proposto fluidez da membrana. A quantidade dessas
pelos cientistas Singer e Nicholson, é denomina- moléculas pode tornar a membrana mais ou
do de mosaico fluido. menos densa, dependendo da necessidade,

61
Biologia Citologia

sendo esse mecanismo importante para man- 3. Especializações da


ter a integridade da estrutura. membrana plasmática
A membrana plasmática apresenta diferen-
ciações que facilitam a realização de algumas
funções. Entre elas, destacam-se:
A. Microvilosidades
São expansões semelhantes a "dedos de lu-
vas", que aumentam a superfície de absorção
de substâncias. São encontradas em células
Colesterol intestinais e dos túbulos renais.
A membrana plasmática animal
apresenta colesterol na sua composição,
B. Desmossomos
São placas arredondadas formadas pelas
sendo essa molécula importante para
membranas de células vizinhas. São o local de
regular a fluidez da estrutura.
“ancoragem” de filamentos de proteínas que
Na superfície voltada para o meio extracelular, fornecem adesão entre células vizinhas. Ocor-
as membranas plasmáticas animal e de pro- rem nos epitélios de revestimento.
tozoários apresentam moléculas de carboi- C. Interdigitações
dratos aderidas a alguns lipídios e a algumas São dobras das membranas plasmáticas de células
proteínas, formando, respectivamente, os vizinhas, que se encaixam e aumentam a adesão
glicolipídios e as glicoproteínas. Essa camada entre elas. São observadas nas células epiteliais.
de carboidratos é denominada glicocálix. O
glicocálix está envolvido com proteção, reten-
ção de nutrientes e com o reconhecimento
celular. Neste último mecanismo, moléculas
do glicocálix podem servir de receptores de
outras moléculas que funcionam como men-
sageiros químicos (proteínas, hormônios etc),
desencadeando reações químicas importantes
no meio intracelular. Os carboidratos que com-
põem o glicocálix podem variar de indivíduo
para indivíduo, podendo desencadear reações
imunológicas quando existir incompatibili-
dade entre eles, se transferidos entre orga- Células mostrando algumas diferenciações
nismos diferentes. É o que ocorre no sistema da membrana plasmática. Em (A), são
sanguíneo ABO. Indivíduos com sangue tipo A as microvilosidades que aumentam a
apresentam no glicocálix da membrana plas- superfície de absorção de nutrientes; em
mática das hemácias um tipo de carboidrato (B), são os desmossomos; e em (C), as
PV-14-11

diferente dos indivíduos do tipo sanguíneo B. interdigitações. Desmossomos e interdigitações


Carboidratos (glicocálix) aumentam a adesão entre as células.
4. Mecanismos de transporte
A capacidade de uma membrana de ser atra-
vessada por algumas substâncias e não por
outras define sua permeabilidade. Em uma so-
lução, encontram-se o solvente (meio líquido
dispersante) e o soluto (partícula dissolvida).
O glicocálix é formado por moléculas Classificam-se as membranas, de acordo com
de carboidratos aderidas a lipídios a permeabilidade, em 4 tipos:
(glicolipídios) e proteínas (glicoproteínas). • permeável: permite a passagem do sol-
vente e do soluto;

62
Citologia Biologia

• impermeável: não permite a passagem veis levam vantagem nesse tipo de transporte. Um
do solvente nem do soluto; exemplo de difusão simples é a troca de gases res-
• semipermeável: permite a passagem piratórios que ocorre nos alvéolos pulmonares. O
do solvente, mas não do soluto; oxigênio, por exemplo, difunde-se do alvéolo, onde
sua concentração é maior, para o vaso sanguíneo,
• seletivamente permeável: permite a
onde sua concentração é menor, já que as células
passagem do solvente e de alguns tipos
estão consumindo o oxigênio na respiração celular.
de soluto.
O mesmo ocorre com o gás carbônico, só que em
Nessa última classificação, enquadra-se a sentido inverso.
membrana plasmática.
Ar
O transporte de uma substância pode aconte-
cer a favor de um gradiente de concentração,
ou seja, ocorre no sentido de se igualarem as CO2
concentrações entre os meios ou contra um O2
gradiente de concentração, ou seja, ocorre no
sentido de desigualarem as concentrações en-
tre os meios. O transporte ainda pode ocorrer
com ou sem gasto de energia (ATP). As trocas gasosas entre os alvéolos
pulmonares e os capilares sanguíneos
A. Transporte passivo ocorrem por difusão simples.
Ocorre sempre a favor do gradiente, no sentido A.2. Difusão facilitada
de igualarem as concentrações nas duas faces Certas substâncias entram na célula a favor do
da membrana. Não envolve gasto de energia. gradiente de concentração e sem gasto ener-
Existem três tipos básicos de transportes passivos: gético, mas com uma velocidade maior do que
a permitida pela difusão simples. Isso ocorre,
A.1. Difusão simples por exemplo, com a glicose, com alguns ami-
A difusão simples consiste na passagem de noácidos e certas vitaminas. A velocidade da
partículas de soluto do local de maior para o difusão facilitada não é proporcional à con-
local de menor concentração, tendendo a es- centração da substância. Aumentando-se a
tabelecer um equilíbrio. concentração, atinge-se um ponto de satura-
ção, a partir do qual a entrada obedece à di-
fusão simples. Isso sugere a existência de uma
molécula transportadora chamada permease
na membrana. Quando todas as permeases
estão sendo utilizadas, a velocidade não pode
Processo de difusão simples com a aumentar. Como alguns solutos diferentes po-
dispersão do soluto no meio aquoso. dem competir pela mesma permease, a pre-
sença de um dificulta a passagem do outro.
PV-14-11

É um processo geralmente lento, exceto quan- Velocidade Difusão simples


do o gradiente de concentração é muito ele- do transporte
vado ou quando as distâncias a serem percor-
ridas pelas partículas forem muito pequenas. A Saturação
Difusão
Facilitada
velocidade com que as moléculas se difundem
pelas membranas das células depende de alguns
fatores, tais como tamanho das moléculas, carga
elétrica, polaridade, solubilidade, entre outros.
[S]
Na difusão simples, o soluto (íons, oxigênio, [S] – Substância a ser transportada
gás carbônico etc.) passa do local onde está A velocidade de transporte na difusão facilitada
em maior quantidade para o local onde está é maior que na difusão simples até determinado
em menor quantidade. As partículas atraves- momento, quando passa a ocorrer saturação
sam as duas camadas de lipídios sem o auxílio de das moléculas transportadoras (permeases),
proteínas transportadoras. Moléculas lipossolú- estabilizando a velocidade do transporte.

63
Biologia Citologia

Apesar de ocorrer com a ajuda de proteínas carregadoras, não ocorre gasto de energia (trans-
porte passivo). A glicose, o sódio, o cloro, entre outros, são exemplos de substâncias que podem
ser transportadas por difusão facilitada. O hormônio insulina estimula a permease, que transporta a
glicose para dentro das células.
Molécula transportada

Proteína Proteínas
de canal carregadoras

Bicamadas
lipídicas

Mediado Mediado por


Difusão por canal carregador
simples
Difusão facilitada
Esquema comparativo entre difusões simples e facilitada. As permeases que participam
da difusão facilitada podem ser proteínas de canais (que possuem um canal por onde
substâncias que têm tamanho e afinidade química atravessam) ou proteínas carregadoras
(capturam as substâncias em um dos meios celulares e liberam no outro meio celular).

A.3. Osmose maior pressão osmótica. A solução de me-


A osmose é o transporte de solvente (água) nor concentração de partículas é hipotô-
através de uma membrana semipermeável, nica, e a sua pressão osmótica é menor.
de um meio hipotônico (menos concentra- Separadas por uma membrana semiper-
do) para um meio hipertônico (mais con- meável, há passagem de água da solução
centrado). A osmose também é um exem- hipotônica em direção à solução hipertô-
plo de transporte passivo, pois, quando se nica.
transporta água de um meio menos con- A.4. Osmose em célula animal
centrado para um meio mais concentrado,
o transporte está ocorrendo no sentido de A osmose pode provocar alterações na for-
se igualarem as concentrações dos meios. ma das células. Uma hemácia humana, célu-
Para entender melhor, use a seguinte analo- la que tem o formato de um disco bicôncavo,
gia: um litro de água com o suco de 1 limão é isotônica em relação a uma solução de clo-
(menos concentrado) e outro litro de água reto de sódio a 0,9% em massa (conhecida
com o suco de 10 limões (mais concentra- como solução fisiológica, empregada na hi-
PV-14-11

do). O que será necessário fazer para que a dratação endovenosa e na lavagem de feri-
concentração (“sabores”) dos dois litros se mentos e de lentes de contato).
igualem? Colocar mais água no litro mais Se uma hemácia for colocada em um meio
concentrado a ponto de diluí-lo. de concentração superior a essa (solução hi-
Quando duas soluções contêm a mesma pertônica), perderá água e murchará. Se es-
quantidade de partículas por unidade de tiver em uma solução mais diluída (solução
volume, são chamadas soluções isotôni- hipotônica), como, por exemplo, água desti-
cas. Quando se comparam soluções com lada, ganhará água por osmose. Se a entrada
diferentes quantidades de partículas por de água for intensa, a célula se distenderá
unidades de volume, a de maior concen- até se romper. O rompimento das hemácias
tração de partículas é hipertônica e exerce chama-se hemólise.

64
Citologia Biologia

Legenda:

= Solvente I = Meio extracelular

= Soluto II = Meio intracelular

I II I II I II

Solução Solução Solução


isotônica hipertônica hipotônica

Hemácias Hemácias Hemácias com


com volume crenadas volume acima
normal (murchas) do normal

Alterações de volume da hemácia em diferentes soluções

Existem protozoários que vivem em água doce, cuja concentração de partículas é inferior à do
meio intracelular. Nesse tipo de ambiente, os protozoários de água doce tendem a ganhar água
do meio externo por osmose. Esses organismos evitam a ruptura da membrana plasmática por
meio do vacúolo pulsátil ou contrátil. O vacúolo pulsátil bombeia o excesso de água para fora da
célula.
Vacúolos contráteis
PV-14-11

Paramécio, um protozoário de água doce.

Alimentos muito salgados ou doces apresentam um tempo de conservação maior, como o baca-
lhau, a carne-seca e os doces em compotas. Isso se deve ao fato de que o excesso de sal ou açúcar
desidrata esses alimentos e dificulta a proliferação de micro-organismos decompositores.

65
Biologia Citologia

A.5. Osmose em célula vegetal forças de entrada e saída de água igualar-se-ão,


Para o vegetal, o fenômeno da osmose é extre- ocorrendo, a partir deste momento, equivalên-
mamente importante no aspecto fisiológico, cia entre a entrada e a saída de água. Como a
como, por exemplo, no mecanismo de retirada célula não se distende mais, não haverá lise.
Início
de água do solo ou de um meio aquático ou
de um vaso.
O sistema de raízes do vegetal deve ter con- H2O Vacúolo
centração maior (hipertônico) em relação ao
meio externo (hipotônico) para que ganhe
água continuamente. Após a absorção de água
do meio externo, esta deve ser direcionada Final
para o caule e chegar até as folhas, onde será
utilizada na fotossíntese.
H2O Vacúolo
Uma diferença marcante da osmose em célu-
la vegetal para a animal é que a célula vegetal
não sofre lise se colocada em uma solução hi-
Representação de uma célula vegetal numa
potônica, como pode ocorrer com a célula ani-
situação inicial ganhando água e, depois de
mal. Isso se deve à existência da parede celular
certo tempo, quando a célula está túrgida.
nas células vegetais, que irá fornecer proteção
osmótica à célula. A.8. Célula vegetal em meio hipertônico
A.6. Célula vegetal em meio isotônico Se a célula vegetal estiver numa solução hiper-
tônica, o valor da pressão osmótica da solução
Quando a célula vegetal está numa solução será maior que a pressão osmótica da célula,
isotônica, as trocas de água entre ela e a solu- e esta perderá água para a solução. Com essa
ção são proporcionais, isto é, a força de entra- perda de água, ocorrerá retração da mem-
da de água na célula é igual à força de saída. brana plasmática. Esse fenômeno é chamado
Dizemos que a célula está flácida. Nessa situa- de plasmólise. É o que ocorre, por exemplo,
ção, a célula está em equilíbrio osmótico com quando se tempera uma salada de alface: o sal
o meio externo. torna o meio extracelular hipertônico, fazendo
com que as células da alface percam água por
osmose e murchem.
H2O Vacúolo

Vacúolo
Célula vegetal em meio isotônico H2O
PV-14-11

A.7. Célula vegetal em meio hipotônico Célula vegetal plasmolisada


Se a célula vegetal for colocada numa solução Se uma célula plasmolisada for colocada em
hipotônica, como água destilada, ocorrerá a um meio hipotônico, voltará a ganhar água,
entrada de água na célula, que, nessa situação, revertendo o seu estado de desidratação. Essa
apresentará maior valor de pressão osmótica reversão é denominada deplasmólise.
em relação à solução. Numa situação inicial, a
força de entrada de água na célula será maior
B. Transporte ativo
que a força de saída. Com a entrada de água O transporte ativo ocorre contra um gradiente
na célula, a parede celular começará a sofrer de concentração, ou seja, no sentido de tornar
distensão, e isso ocorrerá até certo limite. ou manter as concentrações dos meios dife-
Com a distensão da parede celular, passará a rentes. Esse transporte envolve gasto de ener-
existir uma força contrária à entrada de água gia (ATP) e ocorre com o auxílio de proteínas
na célula. Quando a célula atingir um volume transportadoras.
máximo, sendo chamada de célula túrgida, as

66
Citologia Biologia

As proteínas transportadoras recolhem substâncias em uma das faces da membrana e as soltam


na outra face. Um exemplo desse tipo de transporte é a bomba de sódio e potássio, em que a
proteína transportadora recolhe íons sódio na face interna da membrana e os transporta para o
lado de fora da célula. Na face externa, a proteína recolhe íons potássio e os transporta para o
lado de dentro. A energia empregada pelos mecanismos de transporte ativo vem do ATP, produ-
zido nas mitocôndrias, durante a respiração celular.

Extracelular

A bomba de sódio e po-


tássio é uma proteína de
membrana que possui lo-
cais onde os íons sódio são
ligados. A molécula de ATP
também se liga a um sítio
da proteína.

Intracelular

Extracelular A ligação do ATP induz a


reação de hidrólise, libe-
rando fosfato e energia.
Isso promove a mudança
estrutural da proteína de
membrana e libera os íons
sódio para o meio extrace-
lular.
O ATP é transformado em
ADP e se separa da proteína.

Intracelular
PV-14-11

Extracelular

Ao ter sua estrutura mo-


dificada e liberar os íons
sódio para o meio extrace-
lular, a proteína de mem-
brana expõe sítios espe-
cíficos de ligação, onde se
ligam íons potássio.

Intracelular

67
Biologia Citologia

Extracelular O fosfato se desliga


da proteína, o que per-
mite que ela assuma
sua conformação ori-
ginal. Os íons potássio
são liberados para o
interior do citoplasma.
Na sua conformação
original, a bomba de
sódio e potássio está
livre e poderá reiniciar

P
o processo.
Intracelular
Esquema do funcionamento da bomba de sódio e potássio

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. Mackenzie-SP 02. Unicamp-SP
A célula apresenta uma membrana plasmá- Duas fatias iguais de batata, rica em amido,
tica que a separa do meio exterior. Embora foram colocadas em dois recipientes, um com
essa membrana não seja visível à micros- NaCl 5M e outro com H2O. A cada 30 minutos
copia óptica, sabe-se que a sua estrutura as fatias eram retiradas da solução de NaCl 5M
é complexa. A figura a seguir representa o e da água, enxugadas e pesadas. A variação de
padrão básico de organização dessa mem- peso dessas fatias é mostrada no gráfico abaixo.
brana. 6
água
III 5
4
3
NaCI 5M
2
1
0
0 50 100 150 200
II
a. Explique a variação de peso observada
I na fatia de batata colocada em NaCl 5M
e a observada na fatia de batata coloca-
a. Cite a natureza química dos componen- da em água.
tes indicados pelos números I, II e III. b. Hemácias colocadas em água teriam o
PV-14-11

b. O glicocálix está indicado por qual nú- mesmo comportamento das células da
mero? fatia da batata em água? Justifique.
Resolução Resolução
a) A fatia de batata colocada em NaCl 5M perde
a) I – proteína, II – lipídio e III – carboidrato. peso gradativamente com o decorrer do tempo,
b) III – O glicocálix é uma camada de carboi- pois suas células, mergulhadas em solução hiper-
drato externa associada aos lipídios e/ou pro- tônica, perdem água por osmose. A fatia de bata-
teínas da membrana plasmática. ta colocada em água ganha peso gradativamente,
pois suas células, mergulhadas em meio hipotô-
nico, ganham água por osmose e ficam túrgidas.
b) As hemácias colocadas em água também
ganhariam água por osmose, no entanto so-
freriam lise, ou seja, teriam sua membrana
plasmática rompida, pois não possuem parede
celular como as células vegetais.

68
Citologia Biologia

03. UFPE
O esquema abaixo mostra a concentração de íons no interior e no exterior de uma célula.
Plasma Membrana
plasmática
Glóbulo vermelho

K+ Na+

K+
Na+

A entrada de K+ e a saída de Na+ dessa célula deve-se ao processo de:


a. difusão facilitada.
b. transporte ativo.
c. difusão simples.
d. plasmólise.
e. osmose.
Resolução
O Na+ e o K+ deslocam-se contra o gradiente de concentração, caracterizando o transporte ativo.
Resposta
B
PV-14-11

69
Biologia Citologia

CAPÍTULO 05 SECREÇÃO E DIGESTÃO CELULAR


1. Complexo golgiense
O complexo golgiense é constituído por um conjunto de sacos membranosos, denominados sá-
culos lameliformes, achatados e empilhados, de onde brotam vesículas. Foi descrito em 1898,
por Camilo Golgi. Nas células animais o complexo golgiense localiza-se, geralmente, próximo ao
núcleo e ao retículo endoplasmático. Nas células vegetais, os sáculos lameliformes encontram-se
espalhados pelo citoplasma.
Vesícula de
Formação de vesículas secreção

Esquema da organização do complexo golgiense


A. Secreção celular
Uma das funções do complexo golgiense é participar da secreção celular. Para compreender a participação
do complexo golgiense nessa função, tomaremos como exemplo uma célula secretora de proteínas.
Secreção
Membrana
plasmática

Vesículas
de secreção

COMPLEXO
GOLGIENSE

{
PV-14-11

FACE TRANS

Bolsas
intermediárias

{
Bolsas do
complexo
FACE CIS golgiense

Ribossomos,
onde ocorre Transporte de proteínas
a síntese de do RE para o complexo
golgiense Vesículas
proteínas

RETÍCULO
ENDOPLASMÁTICO
GRANULOSO
(RE)

Esquema mostrando o processo de secreção celular.

70
Citologia Biologia

A produção de proteínas inicia-se nos ribossomos do retículo endoplasmático granuloso. Essas


proteínas são enviadas através de vesículas de transferência até o complexo golgiense. A face do
complexo golgiense que recebe essas vesículas é denominada face cis ou formativa. As proteínas
são liberadas no interior dos sáculos lameliformes. À medida que as proteínas vão sendo passadas
de um sáculo para outro, podem ocorrer transformações chamadas de pós-traducionais. Entre as
transformações possíveis, está a inserção de moléculas de carboidratos nas proteínas, formando as
glicoproteínas, que fazem parte da membrana plasmática. Quando atingem o último sáculo, as proteínas
são empacotadas e concentradas em vesículas denominadas vesículas de secreção, que se dirigem até a
membrana plasmática e liberam a secreção para o meio extracelular. Esta face do complexo golgiense
onde se formam as vesículas de secreção é denominada face trans ou de maturação. Se aminoácidos
contendo elementos químicos radioativos forem colocados no citoplasma de uma célula secretora de
proteínas, a radiação poderá ser detectada ao longo do tempo nas seguintes estruturas e ordem: 1 – retícu-
lo endoplasmático granuloso, 2 – complexo golgiense e 3 – vesículas de secreção.
Em resumo, pode-se dizer que o complexo golgiense participa da secreção celular transforman-
do, empacotando, concentrando e transportando substâncias que serão secretadas.
Células secretoras de proteínas podem ser reconhecidas por apresentar complexo golgiense e
retículo endoplasmático granuloso bem desenvolvidos e grande número de vesículas de secreção
no ápice da célula e de mitocôndrias fornecendo energia para que o processo ocorra.

Vesículas
de secreção
Complexo
golgiense

Retículo
endoplasmático Mitocôndria
granuloso
PV-14-11

Célula secretora de proteínas


B. Outras funções do complexo golgiense
B.1. Formação dos lisossomos
No processo de secreção celular descrito anteriormente, após a síntese de proteínas (enzimas)
no retículo endoplasmático granuloso (ou ergastoplasma), ocorre o armazenamento destas subs-
tâncias no complexo golgiense.
No complexo golgiense são formadas vesículas de secreção e, se esta secreção corresponder às
enzimas digestivas que atuarão no processo de digestão intracelular, as vesículas são denomina-
das lisossomos.
De modo geral, quando ocorre a formação das vesículas de secreção denominadas lisossomos, as
enzimas são produzidas no ergastoplasma, transferidas para o complexo golgiense e empacota-
das em vesículas, os lisossomos, que participarão na digestão intracelular.

71
Biologia Citologia

Digestão
intracelular
Lisossomo
Complexo golgiense
Retículo endoplasmático granuloso
Formação
Formação dos lisossomos. As enzimasdos lisossomos.
dos lisossomosAssão
enzimas dos lisossomos
produzidas no
são produzidos no retículo endoplasmático granuloso,
retículo endoplasmático granuloso, transferidas para o complexo golgiense e
transferidas para o complexo golgiense e empacotadas
empacotadas em vesículasemquevesículas
irão participar
que irão da digestão
participar daintracelular
digestão intracelular.
B.2. Formação do acrossomo do espermatozoide
Durante a produção dos espermatozoides (gametas masculinos), é formada uma estrutura de-
nominada acrossomo na região anterior do espermatozoide, que possui enzimas digestivas im-
portantes para romper uma membrana protetora ao redor do gameta feminino, no momento da
fecundação.
O acrossomo é resultante da fusão de vesículas de secreção formadas a partir do complexo gol-
giense. As enzimas do acrossomo são produzidas no retículo endoplasmático granuloso. A pre-
sença do acrossomo com enzimas digestivas no espermatozoide é um dos requisitos para que o
gameta masculino seja funcional.

Espermatozoide humano
B.3. Formação da lamela média em células vegetais
No final da divisão celular das células vegetais, o complexo golgiense entra em intensa atividade,
produzindo materiais que se acumulam gradualmente em vesículas que se depositam na região
equatorial da célula, entre os dois núcleos já formados. Essas vesículas, denominadas fragmo-
PV-14-11

plastos, estão envolvidas com a formação da nova parede celular, a lamela média, que se espessa
e divide o citoplasma ao meio, isolando as células-filhas.

Formação da lamela média em células vegetais.

72
Citologia Biologia

B.4. Síntese de carboidratos


No interior dos sáculos lameliformes, são formados alguns tipos de carboidratos, como os que
compõem a parede celular (hemicelulose), a lamela média (pectina) e parte do muco que recobre
o estômago e o intestino (mucopolissacarídeos). Nos vegetais, as unidades básicas, como a glico-
se, para a produção desses carboidratos foram produzidas nos cloroplastos através do processo
de fotossíntese. Nos animais, essas unidades foram obtidas através da alimentação.
2. Lisossomos
As células não são capazes de sintetizar todas as substâncias de que necessitam em seu metabo-
lismo. Isso é particularmente significativo para as células dos organismos heterótrofos, que não
produzem matéria orgânica a partir de compostos inorgânicos. Assim, elas precisam obter os
nutrientes dos alimentos.
Entretanto, os alimentos empregados pelas células contêm moléculas orgânicas, geralmente gran-
des e complexas, que devem ser fragmentadas em moléculas menores para que possam ser utilizadas
no metabolismo celular.
Dá-se o nome de digestão ao processo de quebra das macromoléculas dos alimentos em unida-
des menores. Em alguns organismos, como nos protozoários (ameba), a digestão dos alimentos
ocorre dentro das células (digestão intracelular). Nos animais dotados de um tubo digestório
completo, isto é, com boca e ânus, a fragmentação dos alimentos acontece integralmente no in-
terior desse tubo. Quando o alimento é distribuído para as células do corpo, já se encontra total-
mente processado. Essa digestão que se dá no tubo digestório é chamada digestão extracelular.
Nos animais, a digestão intracelular tem alguns papéis bastante específicos, como o combate aos
agentes infecciosos (bactérias e vírus) ou a digestão de organelas intracelulares em desuso ou
danificadas.
A digestão intracelular conta com a participação das enzimas presentes no interior dos lisos-
somos. Essas organelas são vesículas formadas a partir do complexo golgiense, com diâmetro
entre 0,5 e 1,0 micrômetro, revestidas por membranas lipoproteicas com grande diversidade de
enzimas em seu interior. As reações de quebra das moléculas presentes nos materiais a serem
digeridos são de hidrólise.
As enzimas lisossômicas são sintetizadas no retículo endoplasmático granuloso, transferidas para
os sáculos do complexo golgiense e empacotadas em vesículas membranosas, os lisossomos pri-
mários.
O material que irá passar pelo processo de digestão intracelular pode ser capturado do meio por
fagocitose ou pinocitose.
A. Englobamento de partículas
A.1. Fagocitose
PV-14-11

A fagocitose é um processo de englobamento de materiais de natureza sólida pela célula por


meio de pseudópodes.
A fagocitose é um fenômeno que está relacionado com a obtenção de alimento, como ocorre nas ame-
bas, ou com a defesa imunológica, como ocorre com os leucócitos do tipo macrófagos e neutrófilos.
Vacúolo
Pseudópode Alimento alimentar

Vacúolo
Alimento alimentar
(partículas sólidas)
Ameba realizando a fagocitose do alimento.

73
Biologia Citologia

A.2. Pinocitose
Processo pelo qual a célula engloba gotículas líquidas ou partículas sólidas muito pequenas, usan-
do invaginações da membrana plasmática.
Gotículas

Vesículas de
pinocitose

Canais de
pinocitose

Células intestinais realizando pinocitose


B. Tipos de digestão intracelular
B.1. Digestão heterofágica
Ocorre após a ingestão de partículas englobadas pelas células, seja por fagocitose ou por pi-
nocitose. O alimento englobado permanece em uma vesícula, o vacúolo alimentar (fagossomo
ou pinossomo, de acordo com o processo empregado em seu englobamento). Os lisossomos
primários se fundem com o vacúolo alimentar, formando os lisossomos secundários ou vacúolos
digestórios.
Nessas vesículas, as partículas sofrem a ação das enzimas digestivas dos lisossomos e são dige-
ridas. Suas macromoléculas são hidrolisadas (digeridas), resultando em moléculas menores, que
passam através da membrana do vacúolo digestório e chegam ao hialoplasma. Uma vez incorpo-
radas pela célula, podem ser empregadas nos processos de obtenção de energia, nos processos
de síntese dos componentes estruturais das células ou em outras atividades metabólicas.
Geralmente, há nos alimentos substâncias que não sofrem hidrólise ou que não são incorpora-
das pela célula e permanecem no interior do vacúolo digestório. Quando a digestão intracelular
termina, restam no vacúolo digestório apenas essas moléculas não assimiladas. A vesícula passa,
PV-14-11

então, a ser chamada de vacúolo ou corpo residual. Quando o corpo residual se funde com a
membrana plasmática, elimina o seu conteúdo para o meio extracelular, em processo conhecido
por clasmocitose ou defecação celular.
Algumas das células humanas, como os glóbulos brancos do sangue, fagocitam e digerem bac-
térias causadoras de doenças. O mecanismo pelo qual as bactérias são destruídas dentro dessas
células é semelhante ao da digestão intracelular anteriormente descrito. Muitas vezes, a morte
das bactérias no interior dos glóbulos brancos libera toxinas que acabam por determinar a morte
também das células de defesa.

74
Citologia Biologia

Retículo endoplasmático
granuloso
Complexo golgiense
Lisossomo
(primário)

Fagocitose

Clasmocitose

4 2
6
5
7

1 – Fagocitose ou pinocitose
2 – Vacúolo alimentar
1
3 – Fusão do vacúolo alimentar Pinocitose
com o lisossomo primário
4 – Vacúolo digestório ou lisossomo
secundário
5 – Absorção dos nutrientes úteis
6 – Vacúolo ou corpo residual
7 – Clasmocitose
Mecanismo de digestão intracelular em uma célula hipotética,
incluindo os fenômenos de fagocitose e pinocitose.

B.2. Digestão autofágica


Ocorre após a ingestão de estruturas celulares pertencentes à própria célula, sem, contudo, pro-
PV-14-11

vocar a morte celular. Estruturas celulares em desuso ou danificadas, como as mitocôndrias ou


partes do retículo endoplasmático, podem ser englobadas pelos lisossomos primários, formando
o vacúolo autofágico. Trata-se de uma forma bastante eficiente e econômica de reaproveitamen-
to de matéria orgânica. A autofagia também acontece em situações de extrema desnutrição, quando
parte do material citoplasmático é empregado como fonte de energia, mantendo viva a célula por mais
algum tempo. Isso pode ser observado em células de recém-nascidos nas primeiras horas de vida.
As enzimas dos lisossomos podem digerir componentes de uma célula, transformando um tipo
celular em outro. É o que acontece, por exemplo, na maturação das hemácias ou glóbulos verme-
lhos. Essas células são produzidas na medula óssea. Quando jovens, possuem núcleo e organelas
citoplasmáticas. Durante a maturação, o núcleo é eliminado da célula, e as demais estruturas são
digeridas pelas enzimas lisossômicas. Isso se torna vantajoso para que tenham mais espaço no
seu citoplasma para armazenar a hemoglobina, pigmento responsável pelo transporte de oxigê-
nio no sangue.

75
Biologia Citologia

Retículo endoplasmático
granuloso
Complexo golgiense
Lisossomo
(primário)

1
2

Clasmocitose

5 3

1 – União do lisossomo primário com as


estruturas celulares a serem digeridas
2 – Vacúolo autofágico
3 – Absorção dos nutrientes úteis
4 – Vacúolo ou corpo residual
5 – Clasmocitose

Processo de digestão autofágica

C. Morte celular
Em algumas situações, o processo de digestão culmina com a morte da célula. Quando a
morte celular for induzida por uma programação genética da própria célula, será denominada
PV-14-11

apoptose. No DNA, existem genes que, em situações específicas, induzem a morte celular. É o
que ocorre na regressão da cauda do girino, das membranas entre os dedos do feto, do úte-
ro após o parto, morte de células cancerígenas etc. No entanto, se a morte celular ocorrer por
fatores externos, será denominada autólise, como ocorre em algumas doenças humanas. Os
trabalhadores de minas são frequentemente acometidos por doenças pulmonares, como a silicose.
Quando inalado, o pó de sílica atinge os pulmões, onde células de defesa imunológica englobam
as partículas, ocorrendo lise dessas células e extravasamento das enzimas. As enzimas liberadas
provocam lesões, ocorrendo a formação de tecido cicatricial nos pulmões. Essas áreas não per-
mitem a passagem normal de oxigênio ao sangue. Os pulmões perdem a elasticidade e reduzem
a taxa de trocas gasosas. Após anos de lesões, o processo será irreversível e promoverá a morte
do indivíduo por insuficiência respiratória. Outro exemplo de autólise é a necrose provocada por
venenos ou devido à ação de micro-organismos patogênicos.

76
Citologia Biologia

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. 02.
De acordo com a nova nomenclatura anatô- Na figura a seguir, os números de 1 a 3 indicam
mica, a organela celular, complexo golgiense, organelas e os números de I a V representam
representada pela figura abaixo, passou a ser os eventos de um importante processo que
também conhecida por sistema golgiense. ocorre nas células animais.
Essa estrutura está relacionada com as funções:
IV V
III
Partícula
alimentar I II Aminoácidos
1

I. Concentração de proteínas produzidas 2


3
no retículo endoplasmático granuloso.
II. Liberação de bolsas contendo substân-
cias secretadas na célula.
III. Produção de lisossomos, estruturas
contendo enzimas digestivas.
IV. Formação do acrossomo, localizado na
cabeça do espermatozoide. a. Identifique as organelas 1 e 2, envol-
vidas no processo de secreção celular,
São verdadeiras: e dê outras duas funções de cada uma
a. apenas I, II e III. delas.
b. I, II, III e IV. b. Identifique a organela 3 e descreva os
c. apenas I, II e IV. eventos de I a V do processo de hetero-
d. apenas II, III e IV. fagia em que ela está envolvida.
e. apenas I e IV. Resolução
Resolução a) A organela 1 é o retículo endoplasmático
O complexo de Golgi ou golgiense tem, como granular, responsável pela síntese de proteí-
principais funções, concentração, transforma- nas e pelo transporte intracelular. A organela
ção e secreção de substâncias. 2 é o complexo golgiense, envolvido com a
Resposta síntese de carboidratos e com a formação dos
lisossomos.
B
b) A organela 3 é o lisossomo. Os eventos en-
volvidos no processo de digestão intracelular
PV-14-11

são:
I. fagocitose (endocitose);
II. formação do vacúolo alimentar (fagos-
somo);
III. formação do vacúolo digestório;
IV. digestão intracelular;
V. defecação celular (clasmocitose ou exo-
citose).

77
Biologia Citologia

LEITURA COMPLEMENTAR
Digestão lisossômica extracelular
Em algumas situações, as enzimas dos lisossomos podem ser exteriorizadas e agir
fora das células. No tecido ósseo, por exemplo, existem células chamadas osteoclas-
tos, que são ricas em lisossomos. Sob certos estímulos, liberam as suas enzimas, que
passam a digerir a matriz óssea remodelando o osso. Esse mecanismo permite o cres-
cimento do indivíduo e a consolidação das fraturas ou, ainda, a liberação de parte do
cálcio acumulado nos ossos para a corrente sanguínea. Muitas doenças inflamatórias
são provocadas pela liberação anormal de enzimas lisossômicas, que passam a lesar
partes do corpo, como na artrite ou gota. A ação dos anti-inflamatórios hormonais,
como a cortisona, baseia-se na sua capacidade de estabilizar a membrana dos lisosso-
mos, impedindo o seu rompimento e a liberação das suas enzimas.

PV-14-11

78
Citologia Biologia

CAPÍTULO 06 BIOENERGÉTICA
1. Metabolismo energético A fotossíntese utiliza como matéria-prima do
meio gás carbônico, água e energia luminosa.
A noção de energia está presente em nosso
Reações químicas que ocorrem na organela
cotidiano. A energia elétrica permite funcionar
cloroplasto, presente nos seres fotossinteti-
o aparelho de televisão ou acionar os motores
zantes eucariontes, produzem glicose e oxi-
de um elevador; a energia química da gasoli-
gênio. A glicose e o oxigênio serão utilizados
na movimenta os motores dos automóveis; a
em reações químicas da respiração aeróbica
energia mecânica das quedas-d’água roda as
com a participação da organela mitocôndria,
turbinas das usinas hidrelétricas, e assim por
nos seres autótrofos e heterótrofos eucarion-
diante.
tes aeróbicos. Essa matéria-prima é convertida
Um importante princípio é que “energia não em ATP, liberando gás carbônico e água. Pode-
pode ser criada nem destruída, apenas transfor- -se perceber que o mecanismo de fotossíntese
mada”. A energia elétrica, no motor do elevador, é o inverso da respiração aeróbica, em termos
converte-se em energia mecânica, assim como a de matérias-primas e produtos. O ATP produ-
energia química da gasolina. Nas lâmpadas, a ener- zido será a fonte imediata de energia para o
gia elétrica é transformada em energia luminosa. metabolismo de todos os seres vivos do plane-
Todas as vezes que há transformação de energia, ta. Mas como enxergar nesse sistema transfor-
uma parte da energia empregada no processo é mação de energia?
perdida para o ambiente na forma de calor.
A energia luminosa captada na fotossínte-
Os seres vivos também necessitam de energia se é transferida para as moléculas de glicose
para se manterem vivos. A estrutura dos seres (energia química). A energia da glicose é trans-
vivos é complexa, e mantê-la representa um ferida para a molécula de ATP (energia química)
enorme gasto de energia. Além da energia ne- na respiração aeróbica. E, finalmente, a energia
cessária na manutenção da sua arquitetura, os do ATP é utilizada nas atividades celulares, sendo
seres vivos também a empregam na produção parte dissipada como calor. Perceba, em última
de moléculas orgânicas, no transporte de mate- análise, que a energia que sustenta a vida vem
riais pelas células, na execução de movimentos, indiretamente do Sol, que foi transformada ao
no aquecimento do organismo etc. longo desse sistema. Mas se a energia da luz é
Os seres vivos são grandes transformadores de transformada em energia química (glicose) para
energia. De acordo com esse princípio, como pode- depois poder ser utilizada, porque a evolução
mos explicar a origem da energia e as transforma- não propiciou o surgimento de seres que utilizas-
ções energéticas ocorridas no interior dos seres vivos? sem diretamente a luz solar como fonte direta de
energia? Porque é necessário transferir a energia
Para se entender como a energia é transformada da glicose para o ATP?
ao longo dos sistemas biológicos, é necessária a
análise de dois processos: fotossíntese e respira- Os seres vivos utilizam energia para a sua
PV-14-11

ção aeróbica. sobrevivência a cada segundo e a energia lu-


minosa está disponível somente uma parte
Luz do dia. Quando a evolução propiciou o sur-
Glicose
gimento de seres vivos que fizessem a trans-
O2
formação da energia luminosa em energia
Cloroplasto Mitocôndria
química (glicose), fez com que eles tives-
sem à sua disposição uma forma de energia
durante as 24 horas do dia. No entanto, a
Fotossíntese Respiração celular energia contida na molécula de glicose não
pode ser liberada toda de uma vez. Um mol
ATP
CO2 + H2O de glicose contém cerca de 686.000 calorias.
Balanço energético entre fotossíntese A liberação imediata dessa energia poderia
e respiração aeróbica. trazer danos às células; lembre-se de que
grande parte da energia é convertida em ca-

79
Biologia Citologia

lor. Fazendo uma analogia, seria o mesmo que você tentar ligar os eletrodomésticos da sua casa
direto na rede elétrica da rua. Assim, quando a respiração aeróbica transfere a energia da glicose
para o ATP, está, na verdade, convertendo uma forma de energia perigosa de ser utilizada toda
de uma vez em outra forma de energia segura para as células. É o que o transformador do poste da
rede faz, transformando a alta voltagem em uma voltagem segura para a utilização nas residências.
2. Molécula de ATP
ATP significa adenosina trifosfato ou trifosfato de adenosina ou adenina ribose trifosfato. A molé-
cula de ATP apresenta, na sua composição, base nitrogenada adenina, uma pentose, ribose (car-
boidrato) e três grupos fosfatos sendo, portanto, um nucleotídeo do RNA com mais dois fosfatos.
A P P P
R

Molécula de ATP. A = base adenina,


R = pentose ribose e P = grupos fosfatos
As ligações que unem esses dois grupos fosfatos adicionais são ricas em energia e podem ser
desfeitas por reação de hidrólise.
A P P P
R E
ATP → ADP + P + energia
Transformação do ATP em ADP + P + energia para as atividades celulares.
A molécula de ATP é convertida em ADP (adenosina difosfato), liberando um dos grupos fosfatos
e energia para as atividades celulares.
A remoção de outro fosfato de uma molécula de disfosfato de adenosina (ADP) resulta em mono-
fosfato de adenosina (AMP), com liberação de energia.
Muitos aparelhos eletrônicos, como notebook, filmadoras e telefones celulares, são equipados
com baterias de níquel-cádmio. A principal diferença entre essas baterias e as comuns (as “pi-
lhas de rádio”) é poderem ser recarregadas, ao contrário das outras que, ao perderem a carga,
tornam-se inúteis. Nas células de todos os seres vivos, o ATP comporta-se como uma bateria de
níquel-cádmio, podendo ser recarregada depois de ter sido empregada.
A P P + P A P P P
R E R
PV-14-11

ADP + P + energia → ATP


Fosforilação
Fosforilação: conversão de ADP + P + energia em ATP.

A incorporação de um fosfato na molécula do ADP, com armazenamento de energia, chama-se fosforila-


ção. As células fotossintetizantes usam a luz nesse processo (fotofosforilação). Quando a energia em-
pregada vem da oxidação de moléculas orgânicas, o processo é conhecido por fosforilação oxidativa.
Duas reações podem ocorrer simultaneamente, de tal forma que a energia liberada em uma seja
armazenada pela outra. São reações acopladas, como algumas que ocorrem na oxidação da glicose, cuja
energia é transferida para o ATP. O acoplamento das reações diminui a quantidade de energia perdida.
Hidrólise

ATP ←  → ADP + P
Fosforilação

80
Citologia Biologia

A energia para a fosforilação provém da degrada- A fermentação alcoólica realizada por micro-
ção de três grupos de moléculas: carboidratos, -organismos ou por enzimas isoladas tem
lipídios e proteínas, geralmente utilizados nessa grande importância para os seres humanos
ordem. No entanto, os lipídios apresentam mais em vários aspectos. Na produção do vinho, o
energia do que carboidratos e proteínas. Então, suco de uva, rico em frutose, é armazenado
por qual motivo os carboidratos foram selecio- em tonéis sem ar (em condições anaeróbicas).
nados evolutivamente como principais molécu- Os fungos presentes na casca da uva decom-
las energéticas dos seres vivos? põem a frutose e originam álcool etílico (eta-
Embora não seja a substância mais energética à nol), produzindo o vinho.
disposição dos seres vivos, a glicose destaca-se A produção de outras bebidas alcoólicas obe-
pela sua abundância (sobretudo como compo- dece aos mesmos princípios. Como outros
nente do amido e da celulose, que são carboidra- caldos vegetais são empregados, o paladar de
tos muito comuns na natureza), metabolização cada uma delas é diferente. Algumas bebidas,
rápida e pelo fato de os resíduos de sua degra- como o vinho e a cerveja, são constituídas
dação nos processos bioenergéticos (CO2 e H2O) pelo próprio caldo fermentado. Outras, como
serem de baixa toxicidade e de fácil eliminação. a cachaça, o conhaque e o uísque, são produ-
3. Fermentação zidas por destilação desse caldo fermentado,
Vimos a importância da respiração aeróbica na o que resulta em uma bebida com maior teor
produção de ATP para a vida. Mas como os pri- alcoólico.
meiros seres vivos obtiveram energia se não

©55 Sai.chan / Dreamstime.com


havia oxigênio na Terra primitiva? Como os se-
res vivos anaeróbios conseguem o ATP para a
sua sobrevivência?
©54 Valentina R. / Shutterstoc

A fermentação é um processo de obtenção de


energia que ocorre geralmente em organis-
mos como bactérias e fungos em condições
anaeróbicas.
A fermentação não utiliza o gás oxigênio,
produz como saldo final 2 ATP e as suas rea-
ções químicas ocorrem integralmente no hia-
loplasma da célula.
A. Fermentação alcóolica ou etí lica
É o processo de obtenção de energia utilizado
por algumas bactérias e fungos, como as leve-
duras. Na fermentação alcoólica, a glicose é
©56 Ryan McVay / Photodisc / Getty Images

transformada em álcool etílico ou etanol, gás


carbônico e ATP.
PV-14-11

1 glicose Leveduras
 → 2 etanol + 2 CO2 + ATP
PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock
©53 ANDREW SYRED / SCIENCE

As leveduras são organismos anaeróbios facultativos, A fermentação alcoólica é utilizada


ou seja, podem viver tanto na ausência do oxigênio na produção de pães e bebidas
(realizando a fermentação alcoólica) quanto na alcoólicas, como cervejas e vinhos.
presença desse gás (realizando a respiração aeróbica).

81
Biologia Citologia

Na fabricação do pão, o fermento biológico é Uma forma de se evidenciar a liberação de gás


adicionado à farinha (amido). No fermento, carbônico pela fermentação alcoólica é a reali-
existem leveduras que realizam a fermentação zação do seguinte experimento:
alcoólica liberando na massa o CO2. A libera-
ção desse gás forma grande quantidade de bo-
lhas na massa, o que a faz crescer. Na periferia
da massa, há maior contato com o oxigênio, e
a fermentação não é executada com a mesma
intensidade que no interior da massa, que não
tem contato com o ar.
Um outro importante uso industrial da fer-
mentação alcoólica é a produção do álcool com-
bustível. A cana-de-açúcar tem o caule rico em
sacarose. Nas usinas e nas destilarias, esses cau-
les são moídos e o caldo obtido é fermentado,
produzindo álcool etílico (etanol). O caldo fer-
mentado é fracionado em uma coluna de desti- Um frasco contendo açúcar, água e fermento
lação, o que permite a separação do etanol, em- biológico é conectado a um tubo de ensaio
pregado como combustível em veículos. com uma solução saturada de hidróxido de
cálcio. Após algum tempo, as leveduras pre-
sentes no fermento começam a converter o
©57 cvilchesmonzon / Shutterstock

açúcar em álcool e gás carbônico. O gás carbô-


nico entra em contato com a solução de hidró-
xido de cálcio, formando carbonato de cálcio,
que se precipita no fundo do tubo.

B. Fermentação acéti ca
Produz ácido acético e gás carbônico. É realiza-
da por bactérias do tipo Acetobacter, que têm
a capacidade de oxidar o álcool convertendo-o
em ácido acético (vinagre). A fermentação
acética é usada industrialmente na fabricação
do vinagre.

1 glicose → 2 ácido acético + 2 CO2 + 2 ATP


©60 Edisaacs / Dreamstime.com

PV-14-11

searchers / Latinstock
©59 Photoresearchers / Photore
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O carboidrato presente na cana é utilizado


na fermentação alcoólica para a produção Bactérias Acetobacter são utilizadas na
do álcool combustível. Outros países obtêm o produção do vinagre oxidando o álcool etílico.
mesmo combustível através da fermentação
dos açúcares da beterraba e do milho.

82
Citologia Biologia

C. Fermentação lácti ca

©61 Photoresearchers / Photoresearchers / Latinstoc


É um processo de obtenção de energia comumente
utilizado por bactérias do tipo lactobacilos, alguns
protozoários e fungos e, eventualmente, pelas célu-
las do tecido muscular.
Nesse tipo de fermentação, a molécula de glico-
se é convertida em ácido láctico, não ocorrendo a
produção de gás carbônico como nos outros tipos
de fermentação.
1 glicose → 2 ácido láctico + 2 ATP

Os lactobacilos presentes no leite promovem


a transformação da lactose em ácido láctico.

A fermentação láctica tem importância industrial na produção de queijos, coalhadas e iogurtes.


Por ação das bactérias lactobacilos, a lactose do leite é fermentada, produzindo ácido láctico. A
presença dessa substância deixa o leite com um odor e um sabor característicos (“leite azedo”),
e a diminuição acentuada do pH (acidez) provoca a desnaturação das proteínas do leite (caseína),
que se precipitam. Essas proteínas tornam-se insolúveis e formam a coalhada.
rie) / Dreamstime.com
©64 Contentfactory (Regis Jack Ma
©62 Nayashkova Olga / Shutterstock

©63 Magone / Shutterstock

A fermentação láctica é utilizada na produção de queijos, coalhadas e iogurtes.

A fermentação láctica também acontece nas células muscu-


lares dos animais, durante atividade física intensa. Quando o
suprimento de oxigênio não é suficiente para permitir a ge-
ração de todo o ATP na respiração aeróbica, as células mus-
culares passam a executar também a fermentação láctica, o
PV-14-11

que determina acúmulo de ácido láctico no tecido muscular.


A presença dessa substância é a causa principal de algumas
desconfortáveis manifestações, como a fadiga e a dor mus-
cular.
©81 Anetta / Shutterstock

O acúmulo de ácido láctico nos


músculos provoca a fadiga muscular.

83
Biologia Citologia

4. Respiração aeróbica
A palavra respiração pode ser usada em biolo-
gia com dois significados distintos.
Um deles se relaciona aos processos de troca
entre o indivíduo e o ambiente, por meio de
Cristas Membrana
estruturas especializadas, como brânquias,
Matriz externa
pele, pulmões etc.
Por meio das trocas gasosas, o organismo ob-
tém oxigênio (O2) e elimina o gás carbônico
(CO2).
A respiração celular pode ser caracterizada
como um processo de obtenção de energia
que ocorre com a participação do gás oxigênio
(O2).
A respiração celular aeróbica diferencia-se do
processo de fermentação por vários aspectos:
utiliza o oxigênio atmosférico, produz como
saldo final 36 ou 38 ATP e suas reações quí-
micas ocorrem no hialoplasma e nas mitocôn-
drias.
A mitocôndria ao microscópio eletrônico
Uma evidência da maior eficiência da respi-
ração aeróbica é que os seus produtos finais, Cientistas acreditam que as mitocôndrias são
água e gás carbônico, são substâncias muito bactérias aeróbias primitivas que foram englo-
pobres em energia, enquanto a fermentação badas por células eucarióticas fermentadoras
libera como resíduos moléculas ainda bastan- há bilhões de anos. Essa hipótese denominada
te ricas em energia, como o etanol. Essa dife- endossimbiótica sugere que a união entre as
rença de rentabilidade deve-se à completa de- células trouxe vantagem para ambos os lados.
gradação da molécula da glicose na respiração A bactéria vivendo no hialoplasma da célula
aeróbica. eucariótica obtém maior proteção e suprimen-
to de matéria orgânica (glicose) para realizar
A. Mitocôndrias a sua respiração aeróbica. A célula eucariótica
passou a apresentar um rendimento energéti-
São organelas presentes em todas as células
co maior. Ao longo de bilhões de anos, as duas
eucarióticas: animais, vegetais, algas, protozoá-
células tornaram-se dependentes uma da
rios e fungos.
outra. Existem muitas evidências sobre essa
PV-14-11

As mitocôndrias possuem o seu próprio DNA, hipótese. Bactérias e mitocôndrias comparti-


RNA, ribossomos e, por isso, têm a capacidade lham semelhanças, como: DNA circular, meca-
de sintetizar proteínas e de se autoduplicarem. nismos de autoduplicação parecidos, ribosso-
A mitocôndria apresenta dupla membrana mos semelhantes etc.
lipoproteica. A membrana externa é lisa, en- Todo o DNA mitocondrial que apresentamos
quanto a membrana interna é provida de nas células é de origem materna. Assim, as
numerosas pregas chamadas cristas mito- características presentes no DNA mitocondrial
condriais. Quanto mais ativa for uma célula, da mãe são transmitidas a todos os seus des-
maior será o número de mitocôndrias que ela cendentes, não importando o sexo que apre-
irá apresentar. O espaço interno da mitocôn- sentem. O DNA mitocondrial pode apresentar
dria é a matriz mitocondrial. variações ao longo das gerações devido às mu-
tações que podem sofrer.

84
Citologia Biologia

B. Etapas da respiração aeróbica convertida em acetil (com dois carbonos) ocor-


rendo a liberação de gás carbônico e hidrogênios
A respiração aeróbica apresenta três etapas
capturados pelo NAD. O acetil associa-se à coenzi-
químicas: a glicólise, que ocorre no hialoplas-
ma A formando o composto acetil-CoA ou acetil-
ma da célula, o ciclo de Krebs, que ocorre na
coenzima A. Essa molécula entra em um ciclo de
matriz das mitocôndrias, e a cadeia respirató-
reações químicas, o ciclo de Krebs. O acetil-CoA
ria, que ocorre nas cristas das mitocôndrias.
reage com um composto do ciclo com quatro
B.1. Glicólise carbonos, o ácido oxalacético, ocorrendo a for-
mação de um novo composto denominado ácido
Ocorre no hialoplasma e compreende uma
cítrico, com seis carbonos, devolvendo a coenzi-
sequência de reações químicas, muito seme-
ma A. O ácido cítrico é degradado em um novo
lhante à que ocorre na fermentação, nas quais
composto com cinco carbonos, liberando gás
a molécula de glicose (dotada de seis átomos
carbônico e hidrogênios capturados pelos NAD.
de carbono) é fracionada em duas moléculas
Esse composto de cinco carbonos será converti-
de ácido pirúvico (cada qual com três átomos
do no final do ciclo novamente em ácido oxalacé-
de carbono). Nessa transformação, alguns
tico, liberando energia para a formação de ATP e
átomos de hidrogênios são liberados, sendo
hidrogênios capturados pelos NAD e pelos FAD.
capturados por moléculas conhecidas como
O FAD (flavina adenina dinucleotídeo), derivado
NAD (nicotinamida adenina dinucleotídeo),
da vitamina B2, é outro aceptor de hidrogênios
derivadas da vitamina B3, que se reduzem
que transportará os hidrogênios desse ponto do
para NADH, que os conduzirão até as cristas
ciclo de Krebs para a cadeia respiratória, na for-
mitocondriais, nas quais participarão da últi-
ma de FADH2. Para cada molécula de glicose, são
ma etapa do processo. Nessa etapa, ocorre a
formados 2 ATP nesta etapa química.
produção de 2 ATP como saldo final.
Glicose Ácido pirúvico
3C
2 ATP 4 ADP CO2
NADH

2 ADP 4 ATP
Acetil
2C
2 NAD+

Coenzima A
2 NADH

Acetil-CoA
2C
Ácido Ácido
pirúvico pirúvico
PV-14-11

Na glicólise, a molécula de glicose é CoA


degradada liberando hidrogênios capturados
pelos NAD, produzindo duas moléculas
de ácido pirúvico ou piruvato e duas Ácido cítrico
moléculas de ATP como saldo final. Ácido oxalacético
Ciclo 6C
4C de
B.2. Ciclo de Krebs Krebs CO2
NADH
O ciclo de Krebs ou ciclo do ácido cítrico ou ci- ATP
clo dos ácidos tricarboxílicos ocorre na matriz FADH2 5C
das mitocôndrias.
As moléculas de ácido pirúvico resultantes da NADH
CO2
glicólise penetram na mitocôndria e participam
de novas reações químicas. Inicialmente, cada No ciclo de Krebs, ocorre a produção
molécula de ácido pirúvico com três carbonos é do CO2, 2 ATP, NADH e FADH2

85
Biologia Citologia

B.3. Cadeia respiratória O cianeto é um poderoso veneno que se liga


A molécula de glicose foi completamente que- aos citocromos, estabilizando os elétrons em
brada até CO2, e parte da energia liberada foi trânsito, que não são cedidos ao oxigênio. O
usada para produzir quatro moléculas de ATP efeito é igual ao da ausência de oxigênio: para-
(duas na glicólise e duas no ciclo de Krebs). To- da na progressão dos elétrons, interrupção da
davia, a maior parte da energia da glicose ain- fosforilação oxidativa e morte celular.
da se encontra nos átomos de hidrogênio que Os elétrons dos hidrogênios transportados
foram recolhidos pelo NAD e pelo FAD. pelo NAD, ao passarem pela cadeia respirató-
A cadeia respiratória, também conhecida como ria, liberam energia suficiente para a formação
cadeia transportadora de elétrons, é composta de três moléculas de ATP. Já os elétrons dos
de uma série de proteínas aceptoras de elétrons, hidrogênios transportados pelo FAD liberam
os citocromos, com níveis energéticos sucessiva- energia suficiente para formar somente duas
mente menores. Essas substâncias se encontram moléculas de ATP. Todos os hidrogênios entre-
aderidas às cristas mitocondriais. gues fornecem energia para a formação de 30
moléculas de ATP. Assim, temos a formação de
Os vários membros da cadeia respiratória 38 moléculas de ATP por glicose, 2 produzidas
são capazes de receber elétrons do compos- na glicólise, 2 no ciclo de Krebs e 34 na cadeia
to precedente e transferi-los para o seguinte. respiratória. No entanto, muitas células, como as
Na passagem dos elétrons pela cadeia respi- musculares, apresentam um rendimento de 36
ratória, há liberação de energia. Em algumas moléculas de ATP por glicose oxidada.
das etapas, a energia liberada é suficiente para
que uma molécula de ADP se ligue a mais um Pesquisas recentes sugerem que a quantidade
fosfato, originando um ATP. Como essa fosfo- total de ATP obtida na degradação aeróbica
rilação se faz com a energia de elétrons dos de cada glicose seria inferior aos 36 ou 38 ATP
átomos de hidrogênio liberados na oxidação tradicionalmente considerados. Os elétrons
da glicose, é chamada fosforilação oxidativa. de alta energia obtidos da degradação de uma
FADH2 FAD
molécula de glicose e que são transportados
na cadeia respiratória liberariam uma quanti-
NADH ½ O2 dade de energia suficiente para formar ape-
Aceptor Elétrons Aceptor Elétrons Citocromos
nas 26 ATP, que, somados aos 2 ATP gerados
NAD+ H2O
na glicólise e aos outros 2 ATP produzidos no
ADP ATP 2 ADP 2 ATP ciclo de Krebs, forneceriam um total de 30
moléculas de ATP. Note que à medida que o
Nas cristas mitocondriais, os hidrogênios
conhecimento científico evolui, mudanças vão
transportados pelos NADH e FADH2 são repassados
ocorrendo no sentido de se chegar mais próxi-
para aceptores de hidrogênios e transferidos aos
mo da realidade.
citocromos, liberando energia para a síntese de ATP.
Lipídios e proteínas podem participar também
No final da passagem pelos componentes da da respiração aeróbica, cedendo energia para
PV-14-11

cadeia respiratória, os elétrons são recolhidos, a síntese de ATP.


junto com os íons H+, pelo oxigênio molecular, Triglicérides Glicose
formando moléculas de água.
1 Ácidos graxos Ácido pirúvico
2 e– + 2 H+ + O2 → H2O
2
Ciclo de
O oxigênio é o aceptor final de elétrons da ca- Acetil-CoA Krebs
Acetil-CoA
deia respiratória. A falta de oxigênio faz com
que os elétrons não sejam removidos do com- Cadeia respiratória
Aminoácidos
plexo de citocromos. Retrogradamente, os
outros componentes da cadeia respiratória
Proteínas ATP
passam a reter elétrons, por não poder passá-
-los adiante. Com a parada na progressão dos Esquema mostrando a integração das
elétrons, cessa a produção de ATP, o que de- diferentes moléculas energéticas na síntese
termina a morte da célula. de ATP pela respiração aeróbica.

86
Citologia Biologia

5. Respiração anaeróbica O aceptor pode ser o nitrogênio, o enxofre e


até mesmo o oxigênio de outra substância quí-
Alguns seres vivos, como algumas espécies
mica, que não o do ar. Bactérias que utilizam
de bactérias, obtêm energia por meio da res-
enxofre, por exemplo, produzem no final da
piração anaeróbica. Esse processo energético
cadeia respiratória, em vez de água, ácido sul-
não é sinônimo de fermentação. A respiração
fídrico. Outro exemplo são as bactérias desni-
anaeróbica apresenta as mesmas etapas que
trificantes do ciclo do nitrogênio. Elas utilizam
a respiração aeróbica: glicólise, ciclo de Krebs
o oxigênio do nitrato (NO–3) como aceptor, libe-
e cadeia respiratória. No entanto, não utiliza
rando o nitrogênio para a atmosfera.
o oxigênio atmosférico como aceptor final de
hidrogênios e elétrons na cadeia respiratória.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. Cesgranrio-RJ 02. Fatec-SP
6000 a.C.: babilônios e sumérios uti- Observe os esquemas a seguir.
lizam lêvedo para produzir cerveja. Glicose Glicose
4000 a.C.: egípcios descobrem como
fazer pão fermentado.
Ainda na Antiguidade: transforma- 1 2
ção do leite em iogurte e uso do mofo na
elaboração de queijo.
Folha de S. Paulo
2 ATP Álcool etílico 38 ATP Água
Gás carbônico Gás carbônico
As informações contidas no artigo anterior
envolvem um processo biológico fundamental Assinale a alternativa que explica corretamen-
para os seres vivos que o realizam. Todas as te a diferença de rendimento energético entre
opções apresentam conceitos corretos sobre os processos 1 e 2.
esse processo, exceto uma. Assinale-a.
a. O processo 1 pode ser uma das etapas
a. Na fabricação do iogurte e queijo, o da fotossíntese, produzindo álcool etíli-
produto formado é o ácido láctico. co, enquanto o processo 2 é a respira-
b. Na fabricação de cerveja e pão, os pro- ção aeróbica e libera muita energia na
dutos formados são etanol e gás carbônico. forma de ATP.
c. Nesse processo, ocorre a formação de b. O processo 1 pode ser uma das etapas
uma molécula orgânica denominada da respiração aeróbica, produzindo ál-
ácido pirúvico. cool etílico, enquanto o processo 2 é a
fotossíntese e libera muita energia na
PV-14-11

d. O saldo energético obtido, nos dois


processos, é de 2 ATP. forma de ATP.
e. Os seres que realizam esse processo c. O processo 1 é anaeróbico e parte da
objetivam conseguir matéria-prima energia que fica no álcool etílico, en-
para sua nutrição. quanto o processo 2 é aeróbico e a
energia vem da glicose decomposta em
Resolução água e gás carbônico.
O processo de fermentação serve para obten- d. O processo 1 é aeróbico e parte da
ção de energia pelos micro-organismos. energia fica no álcool etílico, enquanto
Resposta o processo 2 é anaeróbico e a energia
vem da degradação da glicose em água
E e gás carbônico.

87
Biologia Citologia

e. O processo 1 é um tipo de fermentação mento energético (2 ATP). É um processo ana-


com baixa produção de ATP, ficando a eróbico, ou seja, não há participação do O2.
energia no gás carbônico liberado, en- O processo 2 é a respiração aeróbica, respon-
quanto o processo 2 é uma fermenta- sável pela degradação completa da glicose,
ção completa, liberando energia na for- liberando CO2 e H2O, além de grande quanti-
ma de 38 ATP. dade de ATP.
Resolução É um processo aeróbico, com participação de
O processo 1 é a fermentação alcoólica, devido O2.
à produção de álcool e CO2, com baixo rendi- Resposta
C

LEITURA COMPLEMENTAR
Teoria quimiosmótica
Os defensores da teoria quimiosmótica admitem uma origem diversa para as mo-
léculas de ATP na cadeia respiratória. Segundo essa teoria, os aceptores NAD+ e FAD
liberam para os citocromos os elétrons de alta energia; os íons H+ a eles associados seriam
empurrados para o espaço existente entre as membranas externa e interna da mitocôndria.
Em alta concentração, os íons H+ tendem a retornar para a matriz mitocondrial; para isso,
passam por um conjunto de proteínas existente na membrana interna da mitocôndria. Tal
complexo proteico, denominado sintetase do ATP ou ATP sintetase, à semelhança de uma
turbina, gira quando passam os íons H+ e gera energia, usada na produção de ATP. Uma vez
na matriz mitocondrial, os íons H+ se combinam com oxigênio, formando moléculas de água.
ADP (matriz) + Pi + Energia (giro da ATP sintase) = ATP
Tal mecanismo de produção de energia, a partir da difusão de íons pela membrana, de-
nominado teoria quimiosmótica, rendeu a seu descobridor, Peter D. Mitchell, o prêmio
Nobel de Química em 1978.
Espaço entre as
H+ H+ membranas H+
mitocondriais
H+ H +

H+ H+

Membrana
interna da
mitocôndria
PV-14-11

Interior da
H+ mitocôndria

ADP
+ ATP
Pi

Esquema da ATP sintetase. Os íons H+, ao atravessarem esse complexo de


proteínas, promovem o seu giro ocorrendo a produção de ATP.
Adaptado de AMABIS, J.M., MARTHO, J.R. Biologia das células (p. 216). São Paulo: Moderna, 2007.

88
Citologia Biologia

6. Fotossíntese A. Características gerais


O Sol é a fonte de toda a energia da bios- da fotossíntese
fera. A fotossíntese é o processo pelo qual a A equação do processo indica que o organismo
energia luminosa é captada e convertida em fotossintetizante utiliza o CO2 (gás carbônico)
energia química. e H2O (água), absorve energia luminosa por
A capacidade de executar a fotossíntese está meio da clorofila (pigmento fotossintetizante)
presente em eucariontes e procariontes. Os e produz glicose (açúcar) e O2 (gás oxigênio).
eucariontes fotossintetizantes são os vegetais Luz
e as algas. As cianobactérias e algumas bacté- 6 CO2 + 6 H2O → C6H12O6 + 6 O2
rias são procariontes que também realizam a
fotossíntese. Mais da metade de toda a fotos- De acordo com o hábitat do organismo fotos-
síntese da biosfera ocorre nos seres unicelula- sintetizante (algas ou vegetais), o CO2 pode ser
res, particularmente nas algas, que formam o retirado da água ou do ar, e a água pode ser
fitoplâncton. retirada do ambiente aquático ou do solo.
No entanto, algumas bactérias (sulfobactérias)
utilizam na fotossíntese, como fonte de hidro-
gênios, o H2S em vez da água, liberando, no
©©©©Lizafoto567 / Dreamstime.com

final, enxofre no lugar do oxigênio.


Nas plantas, o órgão especializado na realiza-
ção da fotossíntese é a folha; eventualmente,
outras partes da planta, como caules jovens,
sépalas e frutos verdes, apresentam essa ca-
pacidade. Nos cactos, a função de fotossíntese
é exercida pelo caule, já que as folhas estão
A energia luminosa é responsável pela modificadas em espinhos. O parênquima clo-
manutenção da vida no planeta. Essa energia rofiliano das folhas é o tecido onde se encon-
é transferida no processo de fotossíntese tram as células vegetais repletas de cloro-
para moléculas orgânicas e repassada para plastos e clorofilas. Esse tecido é dividido em
os diversos elos das teias alimentares. parênquima paliçádico e lacunoso.
PV-14-11

Folha
Célula vegetal

Cloroplasto

A fotossíntese utiliza água, gás carbônico e energia luminosa para a produção de glicose e oxigênio.
Ocorre nas células vegetais, principalmente das folhas das plantas, com o auxílio dos cloroplastos.

89
Biologia Citologia

B. Cloroplastos
Os plastos são organelas típicas das células vegetais e das algas. Essas organelas podem ser inco-
lores, isto é, sem pigmentos, como os leucoplastos, ou apresentarem pigmentos (clorofila,
xantofila, carotenos, entre outros), como os cromoplastos.
Os plastos incolores do tipo leucoplastos armazenam amido (amiloplastos), óleos (oleoplastos)
ou proteínas (proteoplastos). Os plastos que possuem pigmentos coloridos, do tipo cromoplas-
tos, de acordo com o pigmento, são denominados cloroplastos (clorofila), eritroplastos (licope-
no), xantoplastos (xantofila), entre outros. Desses, os mais abundantes e importantes no proces-
so da fotossíntese são os cloroplastos, onde existem as moléculas do pigmento fotossintetizante
clorofila.
Os cloroplastos apresentam algumas semelhanças estruturais com as mitocôndrias, organelas
responsáveis pela respiração celular (produção de ATP). São revestidos por uma dupla membra-
na lipoproteica. Seu espaço interno é preenchido pelo estroma, onde podem ser encontrados
grânulos de amido.
Quando o cloroplasto é estudado ao microscópio eletrônico, verifica-se a presença, em seu interior,
de um sistema de membranas que delimitam sacos discoides achatados denominados tilacoides,
onde estão localizadas moléculas de clorofila e outros pigmentos. A reunião dos tilacoides forma
o granum. O conjunto dos granum forma o grana.

Tilacoide Membrana externa


Membrana
interna

Granum
Estroma

Esquema de um cloroplasto

Possuem o seu próprio DNA, RNA e ribossomos, sendo, assim, capazes de produzir suas pro-
teínas e de se autoduplicarem.
Essas características reforçam a tese, defendida por muitos pesquisadores, de que os cloro-
plastos, assim como as mitocôndrias, seriam organismos de organização simples, semelhan-
PV-14-11

tes à organização procariótica atual, que tinham vida independente e que foram englobados
por células mais complexas e passaram a viver no seu interior, em uma relação de benefício
recíproco (hipótese endossimbiótica).

90
Citologia Biologia

Procarionte

Bactérias
aeróbias de
vida livre

Bactéria torna-se
mitocôndria
Núcleo Bactérias
fotossintetizantes
de vida livre

Núcleo

Núcleo
Bactéria
fotossintetizante
torna-se
Mitocôndria cloroplasto
Célula animal Célula vegetal
Esquema mostrando a hipótese endossimbiótica para a origem das mitocôndrias e dos cloroplastos.
C. Pigmentos fotossintetizantes
O termo pigmento significa substância colorida. Podemos empregá-lo para as substâncias encon-
PV-14-11

tradas no sangue que transportam oxigênio ou para as substâncias que captam a energia lumi-
nosa e permitem a ocorrência da fotossíntese. Essas últimas são os pigmentos fotossintetizantes.
A cor do pigmento fotossintetizante depende das faixas do espectro da luz visível que ele reflete.
A clorofila, que dá a cor verde característica da maioria dos vegetais, absorve muito bem a luz nas
faixas do vermelho e do azul-violeta, refletindo a luz verde. Como a luz refletida é a que atinge os
nossos olhos, essa é a cor que vemos ao olharmos para uma folha.
O perfil da absorção de luz de uma substância é o seu espectro de absorção.
Nos organismos fotossintéticos existem vários tipos de clorofilas (clorofilas a, b, c e d), que apresentam
pequenas variações químicas estruturais, sendo predominantes nas plantas as clorofilas a e b.

91
Biologia Citologia

H CH2 uma mistura de luzes com diferentes compri-


C H CH3 mentos de ondas. A figura a seguir mostra a
decomposição da luz branca quando atravessa
um prisma.
H3C C2H5
N N
Magnésio H Mg H Vermelho
H3C N N Alaranjado
CH3 Amarelo
H Verde
Azul
CH2HH Luz branca Anil
(solar) Violeta
CH2 O
COOCH3 Decomposição da luz branca produzindo
O C as sete cores observadas no arco-íris.
O
Essas formas de radiação, que chamamos
CH2 de luz visível, correspondem apenas a
uma estreita faixa do espectro das radia-
CH ções eletromagnéticas. Outras formas de
C CH3 radiação também fazem parte desse es-
pectro, como os raios-X, as ondas de rádio
CH2 e o raio ultravioleta.
CH2 As clorofilas a e b apresentam pequena va-
CH2 riação entre si quanto aos comprimentos de
onda absorvidos.
HC CH3
Taxa de absorção
CH2 de luz
CH2
CH2
Clorofila A
HC CH3
CH2 Clorofila B
CH2 400 450 500 550 600 650 700 Comprimento
de onda
Violeta

Vermelho
Anil

Azul

Verde

Amarelo

Laranja

CH2 Clorofila
PV-14-11

CH3 CH3

Molécula de clorofila. A clorofila apresenta, Espectro de absorção de luz pelas clorofilas a e b


na sua composição, magnésio.
Fazendo-se uma média entre os dois tipos
Se a luz branca é decomposta pela passagem de moléculas, pode-se concluir que a cloro-
através de um prisma, gera-se um espectro fila apresenta maior absorção de luz próxi-
semelhante ao que se observa na passagem mo dos comprimentos de onda do azul e do
dos raios solares pelas gotículas de chuva for- vermelho.
mando o arco-íris. A luz branca é, portanto,

92
Citologia Biologia

Taxa de absorção Uma interessante demonstração da influência


de luz do comprimento de onda sobre a eficiência da
fotossíntese foi executada pelo pesquisador T.
W. Engelmann, em 1883. Ele colocou filamentos
de uma alga chamada Spirogyra sob a luz de-
composta por um prisma. Esses filamentos de
algas foram colocados em contato com bactérias
aeróbias que tinham a capacidade de se mover
em direção aos locais com maior concentração
400 450 500 550 600 650 700 Comprimento de oxigênio. Como a fotossíntese libera O2, Engel-
de onda mann esperava que essas bactérias se concentras-
Violeta

Vermelho
Anil

Azul

Verde

Amarelo

Laranja

sem nos locais onde a intensidade da fotossíntese


fosse maior, devido à maior liberação de oxigênio.
O resultado obtido, que confirmou as suas previ-
Espectro de absorção médio das clorofilas
sões, está representado na figura seguinte.
(a+b) mediante o comprimento de onda
ed / Corbis / Corbis (DC) / Latinstock
©©©©Wim van Egmond / Visuals Unlimit

A B

Filamento da alga Spirogyra (A) e esquema do experimento de Engelmann (B).


A maior quantidade de bactérias ao redor dos filamentos de alga, nos lugares
iluminados com luz violeta-azul e luz alaranjado-vermelha, demonstrou a maior
eficiência do processo fotossintetizante nessas faixas do espectro.

Os carotenoides estão dentro da classe dos pigmentos chamados pigmentos acessórios. Eles ab-
sorvem luz em faixas diferentes das faixas das clorofilas. A presença desses pigmentos acessórios
faz com que muitas folhas tenham cores diferentes do verde. Embora tenham clorofila, a presen-
ça desses outros pigmentos em grandes quantidades mascara a sua presença e deixa as folhas
com outras cores (arroxeadas, alaranjadas, amarelas etc.).
PV-14-11

©©©©ARENA Creative / Shutterstock

As diferentes tonalidades de colorações das folhas das plantas se


deve à presença de diversos tipos de pigmentos.

Um dos mais importantes pigmentos acessórios é o betacaroteno, presente em vegetais amare-


los ou alaranjados. Quando uma molécula do beta caroteno é fragmentada pela digestão nos ani-

93
Biologia Citologia

mais, formam-se duas moléculas da vitamina Muitas folhas mudam de cor no inverno pela
A, fundamental para a produção de moléculas diminuição da quantidade de clorofila, possi-
presentes nos olhos. Pessoas com deficiência bilitando a visualização de outros pigmentos
de vitamina A podem desenvolver cegueira presentes nas folhas.
noturna. Cenoura e mamão são dois alimentos O pigmento clorofila pode ser isolado do clo-
bastante ricos em betacaroteno e fornecem vi- roplasto em uma situação experimental, pois é
tamina A em boa quantidade. Outro pigmento solúvel em álcool etílico. As moléculas de clo-
é o licopeno, que confere a cor avermelhada rofila, ao serem estimuladas pela luz, têm os
às estruturas vegetais, como a casca da maçã, elétrons excitados energeticamente. Se uma
melancia, tomate etc. Pesquisas mostraram solução de clorofila isolada for iluminada, ela
que o licopeno previne contra o câncer de fluoresce (emissão de luz na faixa do verme-
próstata. lho), o que demonstra que os seus elétrons
retornam ao seu nível energético original, de-
volvendo para o ambiente a energia absorvi-
da, na forma de fótons. Entretanto, quando
mascerados de folhas contendo cloroplastos
inteiros são iluminados, eles não fluorescem,
pois a energia captada pelas moléculas de clo-
rofila é empregada na produção de compostos
orgânicos e é transformada em energia quími-
ca, não sendo devolvida para o ambiente na
forma de luz.

7. Fatores limitantes da fotossíntese


A intensidade da fotossíntese pode ser avalia-
da pela quantidade de oxigênio que o vege-
tal ou a alga libera para o ambiente, ou pela
quantidade de gás carbônico que ela conso-
me. Quando se mede a taxa de fotossíntese,
percebe-se que essa taxa pode aumentar ou
©©©©James Steidl / Shutterstock

diminuir em função de certos parâmetros. Es-


ses parâmetros são conhecidos como fatores
limitantes da fotossíntese.
Os fatores limitantes podem ser divididos em
fatores limitantes internos e externos.
O betacaroteno, presente em estruturas vegetais A. Fatores limitantes internos
PV-14-11

amarelas e alaranjadas, auxilia na formação de


moléculas relacionadas com a visão, e o licopeno,
São os fatores que dependem diretamente da
presente em estruturas vegetais avermelhadas,
planta, sendo encontrados em seu organismo,
apresenta proteção contra o câncer de próstata.
como: a disponibilidade de clorofila, disponi-
bilidade de enzimas, o grau de abertura dos
Quando os pigmentos acessórios são estimu- estômatos, a superfície foliar etc. Se alguns
lados pela luz, eles transferem a energia cap- desses fatores não se encontrarem em quanti-
tada para as moléculas da clorofila, que a em- dades ou estados adequados, irá alterar a taxa
prega na fotossíntese. Portanto, toda a energia fotossintética do vegetal.
luminosa recolhida pelas células vegetais, por
qualquer pigmento fotossintetizante, será des-
tinada, direta ou indiretamente, às moléculas
da clorofila.

94
Citologia Biologia

B. Fatores limitantes CO2 não serão acompanhados por elevação


externos ou ambientais na taxa fotossintética. A partir desse ponto, a
concentração de CO2 deixa de ser um fator li-
São os fatores que não dependem da planta, mitante da fotossíntese.
sendo encontrados no meio em que a planta
vive. Taxa de fotossíntese

B.1. Temperatura
As reações químicas da fotossíntese são ca-
talisadas por enzimas; estas têm a sua ati-
vidade influenciada pela temperatura. De
modo geral, a elevação de 10 °C na tempe-
ratura duplica a velocidade das reações quí-
micas. Entretanto, a partir de temperaturas 0,05 0,10 0,15 0,20
próximas a 40 °C, começa a ocorrer desnatu-
ração enzimática, e a velocidade das reações Concentração de CO2 no ar
tende a diminuir. (em % de volume)

Portanto, existe uma temperatura ótima na Efeito da concentração do CO2


qual a atividade fotossintetizante é máxima, na taxa de fotossíntese
que não é a mesma para todos os vegetais.
Velocidade máxima
C. Intensidade luminosa
Quando uma planta é colocada em comple-
Taxa de fotossíntese

ta obscuridade, ela não realiza fotossíntese.


Aumentando-se a intensidade luminosa,
a taxa de fotossíntese também aumenta.
Todavia, a partir de certo ponto, novos au-
mentos na intensidade de iluminação não
são acompanhados por elevação na taxa da
fotossíntese. A intensidade luminosa deixa-
Temperatura Temperatura rá de ser um fator limitante da fotossíntese
ótima quando todos os sistemas de pigmentos já
Efeito da temperatura na taxa de fotossíntese estiverem sendo excitados energeticamente
e a planta ou a alga não tiverem como cap-
B.2. Concentração de gás carbônico tar essa quantidade adicional de luz. Pode-
O CO2 (gás carbônico ou dióxido de carbono) -se dizer que o ponto de saturação luminosa
é o substrato empregado na etapa química foi atingido.
como fonte do carbono, que é incorporado em Taxa de fotossíntese
PV-14-11

moléculas orgânicas para formação da glico-


se. Os organismos fotossintetizantes contam,
naturalmente, com duas fontes principais de
CO2: o gás proveniente da atmosfera, que pe-
netra nas folhas através de pequenas abertu-
ras chamadas estômatos, e o gás liberado na
respiração celular. Sem o CO2, a fotossíntese é
nula. Aumentando-se a concentração de CO2, Intensidade
a intensidade do processo também se eleva. Saturação luminosa luminosa
Entretanto, essa elevação não é constante e
ilimitada. Quando todo o sistema enzimático Efeito da intensidade luminosa
envolvido na captação do carbono estiver sa- na taxa de fotossíntese
turado, novos aumentos na concentração de

95
Biologia Citologia

C.1. Ponto de compensação fótica rior a ela. Nessa situação, a planta absorve
ou luminosa (PCF ou PCL) oxigênio e elimina gás carbônico, nas trocas
que executa com o ambiente. Dessa forma,
As células vegetais, assim como a maioria das
a planta estará consumindo as suas reservas
células vivas, realizam a respiração aeróbica,
energéticas para sobreviver.
processo que absorve O2 e elimina CO2. A in-
tensidade desse processo não é influenciada Situação B: corresponde à situação na qual
pela luz, e a célula o realiza tanto no claro a intensidade luminosa determina uma taxa
como no escuro. fotossintética igual à taxa da respiração ce-
lular. Portanto, a quantidade de oxigênio
Intensidade da produzido na fotossíntese é igual à quanti-
respiração celular dade desse gás absorvido na respiração. Da
mesma forma, o gás carbônico gerado na
respiração celular é consumido na fotossín-
tese. Portanto, nessa intensidade luminosa,
as trocas gasosas entre a planta e o am-
biente estão em equilíbrio. Essa intensidade
luminosa é conhecida como ponto de com-
pensação fótica ou luminosa.
Intensidade As plantas que vivem preferencialmente em
luminosa locais pouco iluminados (plantas umbrófilas
ou “de sombra”) têm PCF baixo. Já as plantas
que vivem em locais bem iluminados (plan-
Já a intensidade da fotossíntese é influenciada tas heliófilas ou “de sol”) têm PCF elevado.
pela luz. Com respeito às trocas gasosas, a fo-
tossíntese tem papel inverso ao da respiração, Situação C: sob intensa iluminação, a fo-
pois absorve CO2 e elimina O2. tossíntese predomina sobre a respiração
celular. Assim, a planta elimina oxigênio e
O gráfico abaixo ilustra o que foi dito. absorve gás carbônico do ambiente. Como
Identificam-se, no gráfico, situações distintas: a produção de compostos orgânicos é su-
perior ao consumo, nessa situação a planta
Intensidade pode crescer e incorporar matéria orgânica,
do processo sob a forma de amido. A alternância entre
dias (muita luz) e noites (pouca luz) faz com
Fotossíntese que as plantas passem, a cada período de
24 horas, pelas três situações expostas an-
teriormente.
Respiração
celular
O experimento a seguir mostra a variação na
taxa de fotossíntese de uma planta em função
PV-14-11

da intensidade luminosa.
Uma solução de vermelho de cresol, indi-
A B C Intensidade cadora de pH, apresenta essa coloração em
luminosa pH neutro, ficando amarela em pH ácido e
arroxeada em pH básico. Em um tubo foi co-
Efeito da intensidade luminosa nos locada uma planta com essa solução. Se o
processos de respiração e de fotossíntese. tubo for colocado distante de uma fonte de
luz, a solução ficará amarela; se for colocado
Situação A: sob baixa iluminação, a intensi- próximo à fonte de luz, a solução ficará arro-
dade da fotossíntese é pequena, de tal for- xeada. Como explicar os resultados?
ma que a taxa da respiração celular é supe-

96
Citologia Biologia

d = 50 cm

d = 20 cm B
Solução amarela

A
Solução arroxeada

Quando o tubo é colocado distante da fonte de Membrana externa Membrana interna


luz, a taxa de respiração da planta supera a de
fotossíntese, passando esta a liberar mais gás Estroma Tilacoide
carbônico no tubo. O gás carbônico reage com
Granum
a água da solução produzindo ácido carbônico Lamela
e reduzindo o pH, ficando a solução amarela
(B). Quando o tubo é colocado próximo à fonte
de luz, a taxa de fotossíntese da planta supera A etapa fotoquímica ocorre nas lamelas
a de respiração, passando a absorver mais gás e nos tilacoides e a etapa química
carbônico do tubo; dessa forma, ocorre a for- no estroma do cloroplasto.
mação de menos ácido carbônico e o pH tor-
na-se básico, ficando a solução arroxeada (A). A. Etapa fotoquímica ou fase de claro
8. Resumo das reações A fase de claro recebe esse nome porque é
químicas da fotossíntese a etapa diretamente dependente da luz, que
será capturada pelas moléculas de clorofilas
As reações químicas da fotossíntese são dividi- presentes nos tilacoides e lamelas. As reações
das em duas etapas: etapa fotoquímica ou fase químicas da fase de escuro não dependem di-
de claro e etapa química ou fase de escuro. retamente da luz.
H2 O CO2
NADP A molécula de água é utilizada em reações quí-
micas na fase de claro. Nessa etapa, a energia
NADPH 2
luminosa é utilizada para decompor a molé-
Etapa
cula de água, processo denominado fotólise da
foto- Etapa H2 O água, separando os hidrogênios e o oxigênio. O
Luz química
-química ATP oxigênio é liberado, não sendo utilizado no pro-
cesso fotossintético. Todo o oxigênio produzido
na fotossíntese provém da molécula de água.
PV-14-11

O2 ADP + P Glicose Experimentos com água (H2O) e gás carbôni-


co (CO2), marcados com oxigênio isótopo 18,
Esquema simplificado do demonstram que a origem do gás oxigênio é a
processo de fotossíntese. molécula de água e não o gás carbônico (CO2)
Gás oxigênio
A fase de claro ocorre nos tilacoides e lamelas
dos cloroplastos e a fase de escuro, no estro- Gás oxigênio
O2
18
com isótopo O2
ma dos cloroplastos. radioativo

H 2 18O H2O
Experiência com planta aquática
e isótopo radioativo. CO 2 18
C O2

97
Biologia Citologia

Os hidrogênios da água são capturados ATP ADP + P


por moléculas aceptoras de hidrogênios,
os NADP, presentes no estroma dos cloro-
plastos. Essas moléculas ligam-se aos hi-
drogênios, transformando-se em NADPH e
transportando-os até a fase de escuro. Energia

Na fase de claro ocorre também a foto-


Ciclo
fosforilação, ou seja, moléculas de ADP+P CO2 de C6H12O6 + H2O
transformam-se em ATP utilizando a ener- Calvin
gia luminosa. Essas moléculas de ATP vão
ceder energia para as reações químicas na
H2
fase de escuro. Apesar de a fase de escu-
ro não utilizar diretamente a luz, utiliza
os produtos (NADPH e ATP) produzidos na
fase luminosa.
NADPH2 NADP
B. Etapa química ou fase de escuro Resumo das reações químicas da fase de escuro
O gás carbônico capturado pelos estôma-
tos das folhas ou liberado na respiração
C. Equação geral da fotossíntese
aeróbica participa das reações químicas e a origem do oxigênio
da fase de escuro no estroma dos cloro- Quando se representa a equação da fotossíntese
plastos para a produção de carboidratos, 6 CO2 + 6 H2O Luz
→ C6H12O6 + 6 O2
sendo importante fonte de carbono e oxi-
gênio. não se está levando em conta a origem do oxigê-
nio liberado no processo. Se todo o oxigênio libe-
Em um ciclo de reações químicas denomi- rado provém da molécula de água, verifique pela
nado ciclo de Calvin ou das pentoses, o gás equação que ocorre a liberação de 12 átomos
carbônico, os hidrogênios cedidos pelos de oxigênio, enquanto que na molécula de água
NADPH e a energia dos ATP são utilizados existem apenas 6. Portanto, a equação que mos-
na síntese de carboidratos e água. tra a origem do oxigênio deve ser representada
Luz
6 CO2 + 12 H2O → C6H12O6 + 6 O2 + 6 H2O

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. Unicamp-SP Resolução
Por muitos anos, pensou-se erroneamente a) Água
PV-14-11

que o oxigênio produzido na fotossíntese vies- 12H O + 6 CO Luz


se do CO2, absorvido pelas plantas. 2 2 Clorofila
→ C6H12O6 + 6H2 + 6O2
a. De que substância se origina o O2 libe- c) É utilizado na respiração celular aeróbica e
rado no processo fotossintético? o excedente é eliminado pelo vegetal.
b. Indique a equação geral da fotossíntese d) Absorção de energia luminosa.
para os vegetais clorofilados.
c. Qual é o destino do O2 produzido?
d. Qual é a função da clorofila na fotossín-
tese?

98
Citologia Biologia

02. UERJ Os números das setas que correspondem, res-


O esquema a seguir representa as duas princi- pectivamente, às substâncias CO2, O2, açúca-
pais etapas da fotossíntese em um cloroplasto. res e H2O são:
O sentido das setas 1 e 4 indica o consumo e o a. 1, 2, 4 e 3.
sentido das setas 2 e 3 indica a produção das b. 2, 3, 1 e 4.
substâncias envolvidas no processo. c. 3, 1, 2 e 4.
d. 4, 2, 3 e 1.
Reações Resolução
1 dependentes 2
de luz A quebra da água (1) fornece hidrogênios para
a redução do CO2 (4), formando carboidratos
ATP + NADPH (3), e libera O2 (2) para a atmosfera.
Resposta
3 Reações 4 D
no escuro

ALBERTS et alii. Molecular biology of the cell. New


York: Garland Publishing, 1986. Adaptado.

LEITURA COMPLEMENTAR
Detalhes das reações químicas da fotossíntese
Na membrana dos tilacoides dos cloroplastos existe um complexo de proteínas as-
sociadas às moléculas de pigmentos fotossintetizantes, como clorofilas, carotenoides etc,
formando uma unidade de captação da luz denominada complexo antena. A energia lumi-
nosa capturada pelo complexo antena é transferida para um par de moléculas de clorofila
a, que a transfere para outras moléculas para a realização dos eventos da fase de claro ou
fotoquímica. Esse conjunto é denominado fotossistema.

Moléculas de clorofila

Moléculas de
carotenoides Complexo de antena
Fótons
PV-14-11

e Elétron excitado

Moléculas de clorofila Molécula aceptora


a do centro da reação de elétrons
Centro de reação

Esquema de um fotossistema

99
Biologia Citologia

Existem dois tipos de fotossistemas, que se diferem quanto ao comprimento de onda de


luz absorvida, localização e eventos que promovem.
O fotossistema I (PSI) absorve comprimento de onda de luz igual ou menor a 700nm, está loca-
lizado entre as membranas dos tilacoides e transfere a energia da luz para a formação de NADPH.
O fotossistema II (PSII) absorve comprimento de onda de luz igual ou menor a 680 nm,
está localizado nas membranas dos tilacoides e promove a fotólise da água.
A produção de ATP na fotossíntese é denominada fotofosforilação. Os fótons de luz energizam
os elétrons das clorofilas a do fotossistema II. Parte da energia desses elétrons é utilizada
para bombear os hidrogênios liberados na fotólise da água do estroma para o interior dos
tilacoides. Esses hidrogênios retornam para o estroma passando pelo complexo proteico ATP
sintetase cuja movimentação libera energia para a síntese de ATP, semelhante ao que ocorre
na cadeia respiratória. As moléculas de clorofilas que perderam elétrons recebem novos elé-
trons da molécula de água, e isso promove a fotólise da água. No fotossistema I, os elétrons
das moléculas de clorofila a energizados pela luz são capturados pelo NADP, que se liga aos
hidrogênios da fotólise da água formando NADPH. Essas moléculas de clorofilas repõem os
seus elétrons com aqueles que deixaram o fotossistema II. Note que os elétrons que deixam as
moléculas de clorofilas nos dois fotossistemas não são os mesmos que retornam, assim, esta
fotofosforilação é denominada acíclica.

Interior do tilacoide H2O: 2H+ + ½ O2 Fotólise da água

Membrana
do tilacoide
ATP sintetase

ADP ATP Fase de escuro


+ H+
Pi

Os hidrogênios liberados na fotólise da água passam pela


ATP sintetase, ocorrendo a produção de ATP.

Existe um outro tipo de fotofosforilação denominada cíclica. Na fotofosforilação cíclica está


presente apenas o fotossistema I, onde os elétrons das clorofilas a fornecerão energia para
a síntese de ATP. Após liberarem a energia, os elétrons retornam a mesma molécula de clorofila.
PV-14-11

Na fase de escuro ocorre a reação entre os produtos da fase de claro (NADPH e ATP) e o gás
carbônico, e como resultado temos a formação de 3-fosfato de gliceraldeído (PGAL – C3H6O3),
que pode, ao sair do cloroplasto, converter-se em sacarose no hialoplasma, ou se ali perma-
necer, pode ser convertido em amido e, posteriormente, reconvertido em sacarose, que será
distribuída pelo vegetal via floema.
Com isso, verifica-se que, ao contrário do que se pensa, a glicose não é o principal carboidrato
sintetizado na fotossíntese; esse lugar, na realidade, é ocupado pela sacarose.
Caso nem todos os carboidratos sejam utilizados pela respiração celular, o excedente será ar-
mazenado como amido, nos parênquimas de reserva, principalmente do caule e da raiz.
A fase de escuro se processa mesmo em ausência de luz, caso haja o fornecimento de ATP,
NADPH e CO2 no estroma do cloroplasto.

100
Citologia Biologia

CAPÍTULO 07 NÚCLEO E DIVISÃO CELULAR


1. Introdução têm dezenas de núcleos alongados, que ocu-
pam a periferia das células, junto da membra-
O núcleo de células eucarióticas apresenta um
na plasmática. Em alguns glóbulos brancos do
envoltório denominado carioteca ou envoltório
sangue, os núcleos são segmentados. Os gló-
nuclear, que o separa do citoplasma. No seu inte-
bulos vermelhos ou hemácias são anucleados.
rior, encontra-se o material genético na forma de
cromatina, quando a célula não está se dividin-
do. Esse período que antecede a divisão celular é A
denominado intérfase e é uma etapa de intensa
atividade metabólica da célula. O núcleo, por con-
ter o DNA, comanda o metabolismo celular.
No final do século XIX, Balbiani investigava o
papel do núcleo na atividade celular, por meio
de um processo conhecido por merotomia. Ao
microscópio, ele seccionava mecanicamente
amebas em dois fragmentos, um nucleado e
outro anucleado. Observava que o fragmento
anucleado tornava-se esférico, parando de se
locomover e de se alimentar, e acabava mor- B
rendo cerca de 20 dias depois. O fragmento
nucleado vivia normalmente.
Se dentro das primeiras horas, após a mero-
tomia, o fragmento anucleado recebesse o
núcleo transplantado de uma outra ameba,
voltaria a se locomover e a se alimentar nor-
malmente, podendo se reproduzir.
Essas observações sugeriam o papel do núcleo
como controlador da atividade celular.
Citoplasma
Núcleo

C
Transporte do
núcleo para o
PV-14-11

fragmento
anucleado

Morre
Experiência de merotomia de Balbiani
Na maioria das células, o núcleo é único, esfé- Fibras musculares plurinucleadas (A),
rico e tem posição central. As células muscula- glóbulo branco com núcleo bilobado
res estriadas, aquelas de contração voluntária, (B) e hemácias anucleadas (C).

101
Biologia Citologia

2. Componentes do núcleo interfásico


O núcleo interfásico apresenta vários componentes, como mostra a imagem a seguir.
Poro

©©©©Photoresearchers / Photoresearchers / Latinstock


Cromatina nuclear
Carioteca Poro nuclear

Nucléolo
Nucléolo

Cromatina
Cariolinfa Carioteca

Núcleo interfásico mostrando os seus componentes e, ao lado, a


sua imagem real vista ao microscópio eletrônico.

A. Carioteca D. Cromatina
O envoltório nuclear, denominado carioteca, Cromatina é a designação dada ao conjunto de
só é visível ao microscópio eletrônico, no qual material genético do núcleo celular quando
aparece como dois folhetos de membrana so- a célula encontra-se em intérfase, ou seja,
brepostos. Possui poros grandes, que permi- quando a célula não está sofrendo divisão ce-
tem intenso intercâmbio de moléculas entre lular. No núcleo de células humanas normais
núcleo e citoplasma. Na face voltada para o encontram-se 46 filamentos de cromatina,
citoplasma, a carioteca tem ribossomos ade- sendo que cada filamento recebe a deno-
ridos e apresenta continuidade com as mem- minação de cromonema. Cada cromonema
branas do retículo endoplasmático. Essa con- apresenta, na sua composição, uma molé-
tinuidade sugere que a carioteca e o retículo cula de DNA associada a moléculas de RNA
endoplasmático façam parte de um mesmo que estão sendo produzidas, a proteínas que
sistema interno de membranas. Todos os siste- ficam aderidas ao DNA denominadas histo-
mas de membranas celulares são lipoproteicos. nas etc. Os filamentos de cromatina encon-
tram-se, geralmente, aderidos à face interna
B. Cariolinfa da carioteca. As porções da cromatina que,
A cariolinfa, também denominada nucleoplas- durante a intérfase, estão descondensadas,
ma, é uma substância gelatinosa semelhante formam a eucromatina, que corresponde às
ao hialoplasma da célula. Apresenta grande regiões do DNA onde existem genes ativos,
concentração de proteínas, de RNA e de nu- ou seja, transcrevendo moléculas de RNA
PV-14-11

cleotídeos livres. para a síntese de proteinas. Algumas partes


da cromatina encontram-se enoveladas e
C. Nucléolo compactadas durante a intérfase, formando
a heterocromatina, que corresponde às re-
O nucléolo é um corpúsculo rico em RNA ri- giões do DNA onde existem genes inativos,
bossômico encontrado no núcleo de células ou seja, que não se expressam na célula. As
eucarióticas. Não é envolvido por membrana regiões de eucromatina e heterocromatina
e seu número é variável, geralmente um ou variam entre os diferentes tipos celulares.
dois por núcleo. O RNA ribossômico do Assim, regiões de eucromatina em uma
nucléolo participa da formação das subunida- célula muscular podem estar na forma de
des dos ribossomos, juntamente com algumas heterocromatina em um neurônio e vice-
proteínas. O nucléolo é bem desenvolvido em versa. Essa diferença é responsável pela
células que apresentam grande produção de diferenciação celular. Apesar de todas as
proteínas. células de um mesmo indivíduo apresenta-

102
Citologia Biologia

rem os mesmos genes, não são os mesmos A. Partes do cromossomo


genes que estão ativos em todos os tipos ce-
Em um cromossomo duplicado, é possível evi-
lulares.
denciar a existência de duas laterais denomi-
Eucromatina nadas cromátides. Entre as cromátides existe
uma região de estreitamento denominada
centrômero ou constrição primária. As cro-
mátides que se encontram unidas pelo centrô-
Heterocromatina mero são denominadas de cromátides irmãs.

Filamento de cromatina
Zona SAT
Constrição
3. Cromossomos secundária
Durante a divisão celular, os filamentos de
cromatina condensam-se formando bastões Centrômero ou
denominados cromossomos. Essa compac- constrição primária
Cromátide
tação é importante para a proteção das
moléculas de DNA durante a divisão celu-
lar, evitando que ocorram danos com essas
moléculas. Note que cromossomo e croma-
tina são dois estados morfológicos diferen-
tes do mesmo componente. Como o DNA
encontra-se condensado nos cromossomos,
geralmente não ocorre a transcrição nes-
se período, sendo importante que a célula Partes de um cromossomo duplicado.
produza as moléculas que utilizará antes da As cromátides desse cromossomo são
divisão celular, na intérfase. Após o término denominadas cromátides irmãs.
da divisão, os cromossomos descondensam-se
e o material genético volta para a forma de Alguns cromossomos apresentam outra
cromatina. região de estreitamento, a constrição se-
cundária. A porção separada do corpo do
cromossomo por essa região é a zona sat
ou satélite, associada com a formação dos
Histonas nucléolos, sendo denominada região organi-
zadora do nucléolo. A porção do DNA que
se encontra compactada na zona sat desses
cromossomos participará da transcrição de
moléculas de RNAr, no final da divisão celu-
PV-14-11

Eucromatina
lar, originando o nucléolo.
Heterocromatina
O número de centrômeros observados em
uma célula define o número de cromosso-
mos, não importando se os cromossomos
Cromossomo estão na forma simples ou duplicados. As-
sim, uma célula que apresente 4 centrôme-
ros possui 4 cromossomos.
B. Tipos de cromossomos
Esquema mostrando a condensação da Os cromossomos podem ser classificados em
cromatina originando o cromossomo. 4 tipos, dependendo da posição ocupada pelo
centrômero.

103
Biologia Citologia

A B C D
Tipos de cromossomos. A. Metacêntrico: o centrômero no meio do cromossomo, separando cada
cromátide em dois braços de mesmo tamanho. B. Submetacêntrico: o centrômero afastado do meio,
separando cada cromátide em dois braços de tamanhos um pouco diferentes. C. Acrocêntrico:
o centrômero localiza-se proximo a uma das extremidades, e um braço é bem menor que o
outro. D. Telocêntrico: o centrômetro fica em uma das extremidades do cromossomo.

C. Cromossomos homólogos
Quando uma célula apresentar pares de cromossomos com os mesmos aspectos morfológicos,
como mesmo tamanho, forma e posição dos centrômeros, estes são denominados cromossomos
homólogos. Os cromossomos homólogos de uma célula apresentam origens diferentes, um de
origem paterna e o outro de origem materna, portanto, apesar dos homólogos apresentarem
os mesmos aspectos morfológicos, não possuem exatamente o mesmo DNA. Assim, em células
humanas normais com 46 cromossomos, 23 foram herdados do pai e 23 herdados da mãe.

Par de cromossomos homólogos. Apresentam a mesma forma, tamanho e posição


dos centrômeros. Um é de origem paterna e o outro de origem materna.
D. Número de cromossomos
O número de cromossomos varia de espécie para espécie. Esse número não está relacionado
com a complexidade de organização da espécie ou com seu poder adaptativo ao ambiente. Veja
alguns exemplos.
PV-14-11

Ascaris univalens (lombriga-de-rato) 2 cromossomos

Drosophila melanogaster (mosca-das-frutas) 8 cromossomos

Rattus rattus (rato branco) 42 cromossomos

Macaca mullata (macaca Rhesus) 42 cromossomos

Homo sapiens (ser humano) 46 cromossomos

Equus caballus (cavalo) 66 cromossomos

Cucumis sativus (pepino) 14 cromossomos

Carica papaya (mamão) 18 cromossomos

Avena sativa (aveia) 42 cromossomos

104
Citologia Biologia

Espécies muito diferentes, como o rato, o ma- óvulo, originando o zigoto com 46 cromosso-
caco e a aveia, podem ter o mesmo número de mos. Por exemplo, o cromossomo do tipo 1 do
cromossomos, mas a observação microscópica espermatozoide formará no zigoto um par de
mostra diferenças morfológicas entre eles. homólogos com o cromossomo 1 do óvulo e
O número de cromossomos de uma célula ou assim sucessivamente para os outros cromos-
de uma espécie é denominado ploidia. Pode- somos. Em alguns casos, podem ocorrer erros
-se encontrar em um ser humano normal célu- na produção dos gametas, fazendo com que
las diploides e células haploides. eles tenham um número de cromossomo a
mais, como ocorre em síndromes como a de
As células diploides apresentam dois cromos- Down. Um óvulo, por exemplo, pode ser pro-
somos de cada tipo, ou seja, apresentam pares duzido contendo 2 cromossomos do tipo 21
de cromossomos homólogos. As células somá- ao invés de 1 cromossomo 21. Ao ocorrer a
ticas, células que não estão envolvidas com fecundação, supondo que o espermatozoide
a formação de gametas, são diploides, como seja normal, contendo 1 cromossomo 21, o
neurônio, célula muscular, célula adiposa, cé- zigoto resultante terá 3 cromossomos do tipo
lula epidérmica etc. No ser humano normal 21. Essa ploidia alterada será transmitida para
elas apresentam 46 cromossomos. todas as células do embrião causando distúr-
bios no desenvolvimento do indivíduo ao lon-
go da vida.
Em alguns tipos de plantas, como as angios-
permas, encontram-se células triploides,
como as que compõem o endosperma. Assim,
cada uma dessas células apresenta três cro-
mossomos de cada tipo.
Célula diploide
(2n = 6)
Gametas
As células haploides possuem um cromossomo
de cada tipo, ou seja, não possuem pares de cro-
mossomos homólogos, apresentando a metade Espermatozoide Óvulo
do número de cromossomos das células diploi- n=2 n=2
des. Os gametas são exemplos de células haploi-
des. Espermatozoides e óvulos de seres huma-
nos normais apresentam 23 cromossomos.
Célula-ovo ou
zigoto
2n = 4

A união dos gametas, chamada fecundação,


forma a célula-ovo ou zigoto.
PV-14-11

E. Cariótipo
O cariótipo é o conjunto de características dos
cromossomos de uma célula diploide. Estas
Célula haploide características são típicas de cada espécie: nú-
(n = 3) mero, tamanho, forma e classificação quanto à
Mas porque os gametas apresentam apenas posição do centrômero.
um cromossomo de cada tipo? Por que não A realização do cariótipo é mais fácil durante a
possuem cromossomos homólogos? fase denominada metáfase da divisão celular,
Gametas serão utilizados na fecundação, para quando os cromossomos tornam-se mais con-
a formação do zigoto, uma célula diploide. densados e mais visíveis ao microscópio. Uma
Assim, quando ocorre a fecundação os 23 vez fotografados, a foto pode ser recortada e
cromossomos diferentes do espermatozoide os pares de cromossomos agrupados de acor-
encontram os 23 cromossomos diferentes do do com a classificação e em ordem decrescen-
te de tamanho.

105
Biologia Citologia

Essa análise é importante para se detectar


anomalias cromossômicas em fetos em de-
senvolvimento. Se por algum motivo o médico
desconfiar de alguma alteração cromossômi-
ca em uma criança em desenvolvimento, ele
©©©©SCIENCE PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock (modificado)

pode pedir que a mãe realize alguns exames,


por exemplo, a amniocentese. Dentro do úte-
ro materno, células somáticas do feto são en-
contradas no líquido amniótico. Essas células
são recolhidas e usadas para a realização do
cariótipo. Pelas características dos cromosso-
mos, como número e forma, o médico poderá
confirmar ou não a sua suspeita.

Idiograma de uma pessoa normal


do sexo masculino.

©©©©SCIENCE PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock (modificado)


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PV-14-11

Células somáticas do feto podem ser utilizadas para se realizar o cariótipo em


busca de anomalias cromossômicas. Acima, idiograma de um indivíduo com
síndrome de Down. Note a presença de três cromossomos do tipo 21.

Na maioria das espécies, há um par de cromossomos cujos componentes são diferentes


nos machos e nas fêmeas. São os cromossomos sexuais ou alossomos. Todos os outros
pares, idênticos nos dois sexos, quanto à morfologia são cromossomos autossomos ou
autossômicos. Na espécie humana, por exemplo, os homens têm 46 cromossomos, dos
quais 44, ou 22 pares, são autossomos e um par é formado por um cromossomo X e um
cromossomo Y; as mulheres têm os mesmos 44 autossomos e mais um par de cromosso-
mos X. Os cromossomos X e Y são cromossomos sexuais. Note que o par sexual da mulher
XX é homólogo, enquanto o par sexual do homem XY não e homólogo. Assim, tanto ho-
mens quanto mulheres normais apresentam 23 pares de cromossomos, mas as mulheres

106
Citologia Biologia

possuem 23 pares de cromossomos homólogos e os homens, 22 pares de cromossomos


homólogos.

©©©©SCIENCE PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock (modificado)


Idiograma de uma pessoa normal do sexo feminino.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. Coluna 2
Comente a frase: “Cromossomos e cromatina ( ) Síntese de RNAr.
são dois estados morfológicos dos mesmos ( ) Estrutura formada por uma única mo-
componentes celulares de eucariotos”. lécula de DNA, muito longa, associada
Resolução a proteínas, visível durante a divisão
celular.
Os termos cromossomo e cromatina referem-se
ao material genético, ou seja, aos filamentos ( ) Conjunto de material genético que se
formados por DNA e proteínas que ocorrem apresenta descondensado durante a
no núcleo. Designa-se como cromossomo o intérfase.
PV-14-11

filamento duplicado e condensado que pode A sequência correta é:


ser observado durante o processo de divisão a. 1 – 2 – 3
celular. Cromatina é o conjunto de filamentos
b. 2 – 3 – 1
descondensados no núcleo da célula que não
está se dividindo, em intérfase. c. 2 – 4 – 1
02. UFSM-RS modificado d. 3 – 2 – 4
e. 3 – 4 – 1
Associe as colunas.
Resolução
Coluna 1
1. cromatina O cariótipo é o conjunto de cromossomos de
uma espécie.
2. nucléolo
Resposta
3. cromossomo simples
4. cariótipo B

107
Biologia Citologia

LEITURA COMPLEMENTAR
Telômeros
São extremidades dos cromossomos de células eucarióticas. São compostos de nucleotídeos
de DNA e proteínas e não codificam aminoácidos, mas mantém a estabilidade cromossômica.
À medida que as células se dividem, danos ocorrem nessas extremidades dos cromossomos,
pequenos segmentos de DNA são perdidos, ocorrendo o encurtamento dos cromossomos.
Esses danos vão diminuindo a capacidade da célula de continuar se dividindo, promovendo o
envelhecimento celular. Assim, os telômeros constituem relógios biológicos das células. Um
exemplo desse envelhecimento foi observado na ovelha Dolly, que foi clonada utilizando-se
cromossomos de células somáticas adultas. Dolly desenvolveu ainda jovem doenças típicas de
ovelhas velhas.
©72 Najlah Feanny / CORBIS SABA / Corbis (DC) / Latinstock

Ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado pelo homem a partir de células somáticas adultas.

Uma enzima denominada telomerase apresenta a capacidade de reparar esses danos. Trata-se
de uma transcriptase reversa que utiliza segmentos de RNA para a síntese desses trechos de
DNA terminais. Mas, à medida que o organismo envelhece, as células diminuem a produção da
telomerase, tornando os danos permanentes.
Discussões no meio científico levantam a possibilidade da utilização da enzima telomerase
em terapias para se evitar o envelhecimento celular, prolongando a expectativa de vida. No
entanto, existe o temor de que ao aumentar a capacidade da célula de se dividir, ocorra maior
probabilidade de desenvolvimento de células tumorais e surgimento de câncer.
Cromossomo
normal
Cromossomo com
PV-14-11

Telômero longo
telômero curto

Idade e
estresse
Câncer

Célula jovem Idoso

Célula senil

108
Citologia Biologia

Clonagem
A clonagem consiste na obtenção de cópias idênticas de células, tecidos, órgãos ou até mesmo
do organismo completo, através de técnicas diversas, que vão desde a retirada de ramos (esta-
cas) de vegetais, para obtenção de mudas geneticamente idênticas, até a produção de animais,
a partir de células somáticas dos mesmos.

T tiana / Shutterstock
©73 Gladskikh Ta

Gêmeos univitelinos são clones naturais.

As células-tronco embrionárias representam uma revolução na medicina moderna, pois tra-


zem avanços, até então sem precedentes em tratamentos médicos, como, por exemplo, a pos-
sibilidade de devolver os movimentos a pessoas com paraplegias e tetraplegias, resultantes de
lesões da medula espinhal, ou, ainda, restabelecer a secreção de insulina, pelo pâncreas, em
pacientes diabéticos insulinodependentes, e até mesmo reduzir a fila de espera de transplan-
tes, através da produção, em laboratório, de órgãos clonados. O problema é que estas células
necessitam ser compatíveis para serem utilizadas entre indivíduos diferentes. Para a obtenção
de células-tronco embrionárias sem risco de rejeição, os cientistas teriam que produzir um
embrião clone do paciente e retirar suas células-tronco para a produção de novos tecidos ou
órgãos, matando-o; o que pode ser considerado, para alguns, aborto, partindo-se do princípio
de que a vida inicia-se na concepção. Esse tipo de clonagem, que visa à obtenção de células-
-tronco, é denominado clonagem terapêutica.
Outro tipo de clonagem é a reprodutiva ou sistêmica, que visa obter uma cópia de um orga-
nismo completo que já existe ou existiu. Esse tipo de clonagem foi realizado para a produção
da ovelha Dolly. Atualmente, laboratórios nos EUA e Japão realizam esse tipo de clonagem
comercialmente com cães e gatos.
Células
PV-14-11

Óvulo sem núcleo totipotentes

Óvulo
sem núcleo Blastocisto
Fusão

Núcleo da célula Cultura de


somática retirada células
Fusão Embrião do doador
com
Núcleo da célula células
somática retirada totipotentes Clone Medula Célula Músculo
do doador humano óssea nervosa cardíaco
Clonagem reprodutiva Clonagem terapêutica

109
Biologia Citologia

A clonagem, apesar de aparentemente representar um avanço científico atual, já vem sendo


empregada pelos seres humanos na agricultura há séculos, como, por exemplo, na produção
de mudas de vegetais de interesse.
Porém, a clonagem de mamíferos a partir de células somáticas adultas é inédita para a ciência
e traz possibilidades inimagináveis para sua utilização, como, por exemplo, a clonagem de ani-
mais campeões no que diz respeito à qualidade de sua carne, couro, produção de leite etc. No
entanto, os mecanismos de clonagem tendem a reduzir a variabilidade genética da espécie,
deixando-a mais suscetível a doenças ou alterações do meio.

4. Divisão celular 2 mm
Uma das características da vida é a capacida-
de de reprodução, seja em um ser unicelular
ou pluricelular. Para que ocorra a perpetuação 1 mm
da espécie, os seres vivos têm que deixar des-
cendentes. Além disso, parte das células que
compõem o organismo estão morrendo diaria-
mente, sendo necessária a produção de novas
células para substituirem as que morreram.
S = 6 mm2
V = 1 mm3 S = 24 mm2
©©©©Ismael Montero / Dreamstime.com

V = 8 mm3

Dividindo-se, a célula tende a recompor


a relação área/volume até valores
mais favoráveis. Células pequenas
têm área de membrana relativamente
grande em relação ao seu volume.

Note que enquanto o volume aumentou oito


vezes, passando de 1 mm3 para 8 mm3, a área
da membrana aumentou apenas quatro vezes,
de 6 mm2 para 24 mm2. As necessidades da
Tecido vegetal de uma flor com células em
célula, proporcionais à quantidade de matéria
divisão (mitose), visto ao microscópio óptico.
viva, aumentaram oito vezes, enquanto a sua
capacidade de obter e de eliminar substân-
A. Por que as células se dividem? cias, proporcional à área da sua membrana,
Como a célula “sabe” que chegou a hora de se aumentou apenas quatro vezes. Dividindo-se a
célula traria essa relação para patamares mais
PV-14-11

dividir? Vamos, inicialmente, fazer duas consi-


derações sobre o crescimento celular. favoráveis.
Em primeiro lugar, com o crescimento da célu- Em segundo lugar, com o crescimento da célu-
la, a relação entre a área da sua membrana e la, o volume do citoplasma aumenta propor-
o volume celular dimimui (relação área/volu- cionalmente mais que o volume do núcleo,
me). Imagine uma célula hipotética, de forma que quase não se altera durante a intérfase. A
cúbica, sendo que cada lado apresente 1 mm e relação nucleoplasmática (RNP) diminui.
o volume seja de 1mm3. Como esse cubo tem Consideremos uma célula que tem volume nu-
seis faces com 1 mm, a sua área de membrana clear de 1 mm3 e volume citoplasmático de 5
é de 6 mm2. Se esse cubo dobrar de tamanho, mm3. Com o crescimento da célula, o volume
cada lado ficará com 2 mm, sua superfície será do citoplasma passa para 10 mm3, não se alte-
de 24 mm2, enquanto seu volume passará para rando o volume nuclear. A RNP passou de 0,2
8 mm3. para 0,1.

110
Citologia Biologia

O ciclo celular é composto por duas etapas:


a intérfase, etapa em que a célula não está se
dividindo, e a divisão celular propriamente dita,
onde ela sofre mitose ou meiose. Apesar de a
célula não estar se dividindo na intérfase, essa
etapa não é um período de repouso. A intér-
fase é uma etapa de preparação, onde a cé-
lula está produzindo substâncias ou realizando
Aumento do volume celular e alteração da RNP eventos que serão essenciais durante a divisão
celular.
Oscar Hertwig, embriologista alemão, sugeriu,
em 1908, que, quando a RNP alcançasse um A duração do ciclo celular depende do tipo de
valor mínimo crítico, constante para cada es- célula e de fatores externos, como a tempe-
pécie e para cada tecido, a divisão deveria se ratura, a oferta de nutrientes e a presença de
iniciar. substâncias capazes de induzir ou de inibir a
divisão celular.
Ainda são necessários muitos estudos sobre os
fatores que realmente estimulam ou inibem as Algumas células raramente se dividem, como
divisões celulares nos seres vivos. Não sabe- as células nervosas e as células musculares dos
mos ainda a totalidade de fatores que contro- vertebrados. Outras apresentam uma frequên-
lam a taxa de divisão celular dos diferentes cia muito elevada de mitoses, como as células
tecidos. Estudos com vegetais mostram a ação da medula óssea humana, onde são produzi-
de hormônios, como as citocininas, estimulan- dos os glóbulos vermelhos do sangue. Há um
do as divisões celulares. Acredita-se que a du- terceiro tipo de células que habitualmente não
ração dos ciclos celulares e a ocorrência da mi- se divide, mas que pode fazê-lo, se necessário,
tose sejam influenciadas pelas concentrações como as células do fígado.
intracelulares de algumas substâncias, como o Para melhor compreensão, a interfase foi divi-
ATP e outras substâncias. dida em três períodos: G1, S e G2.
B.1. Período G1
B. Ciclo celular
O período G1 (do inglês gap, intervalo) vai do
As células têm um período de vida limitado, final da divisão anterior até o início da dupli-
que pode se encerrar de duas maneiras: com cação do material genético. É um período de
a morte das células ou com a sua divisão e o crescimento do citoplasma, com aumento do
surgimento de células-filhas. Todo o período tamanho da célula e da quantidade de orga-
que vai do surgimento da célula até o apare- nelas.
cimento de suas células-filhas é chamado ciclo
celular. No núcleo, a atividade metabólica é intensa.
Há produção de RNA (transcrição), que irá de-
terminar a produção de proteínas nos ribosso-
PV-14-11

S
mos, permitindo o crescimento celular.
Células que raramente ou nunca se dividem,
Intérfase como as musculares e as nervosas, permane-
cem indefinidamente no período G1, sendo
nestas células este período chamado de G0.
B.2. Período S
G1 G2
A letra S vem de synthesis (síntese). É quando
ocorre o mais importante evento da intérfase,
Mitose
Início que é a duplicação de todo o DNA nuclear. Isso
garante que as células-filhas irão receber to-
das as informações responsáveis pela determi-
Esquema do ciclo celular nação de suas características em quantidades

111
Biologia Citologia

rigorosamente iguais, caso a divisão celular das células. A grande massa muscular
seja uma mitose. nos atletas se deve ao maior volume de
Nessa fase, cada filamento de cromatina passa cada uma das células musculares.
a ter duas cromátides irmãs. Cada cromátide • renovação celular: alguns tecidos subs-
irmã contém uma molécula de DNA idêntica tituem periodicamente suas células,
à da outra cromátide irmã, considerando que graças às mitoses de células precurso-
não tenham ocorrido mutações. ras. Isso ocorre com os glóbulos verme-
lhos dos mamíferos. Essas células são
B.3. Período G2 anucleadas e permanecem no sangue
Uma vez duplicado o DNA, a célula inicia um de 90 a 120 dias, quando são removi-
outro período de crescimento, menos ativo das e destruídas no baço e fígado. Na
que o período G1. É o momento em que come- medula óssea, novas células são forma-
çam a aparecer as proteínas que irão formar o das e lançadas na circulação. A pele e
fuso acromático (mitótico), conjunto de fibras o revestimento interno do intestino re-
que tem papel destacado na mitose. No final novam, em poucos dias, todas as suas
do período G2, a célula está pronta para iniciar células superficiais.
a mitose. • regeneração: alguns animais, como
poríferos, planárias e estrelas-do-mar,
5. Mitose apresentam alto grau de regeneração.
Vamos chamar de célula-mãe a célula que so- Partes do corpo amputadas sofrem di-
frerá a divisão celular, isto é, a célula original, e visões mitóticas regenerando o orga-
de células-filhas as células resultantes do pro- nismo inteiro.
cesso de divisão celular. • reprodução assexuada: o brotamento
Ao sofrer mitose, uma célula-mãe origina duas das plantas e de alguns animais inver-
células-filhas, idênticas e com a mesma quan- tebrados, como a hidra, ocorre por mi-
tidade de cromossomos, isto é, com a mesma toses.
ploidia, sendo essa forma de divisão chamada • produção de gametas nos vegetais: os
de equacional. vegetais produzem os seus gametas por
A mitose pode ocorrer em células com diver- mitoses e não por meiose, como ocorre
sos tipos de ploidias: haploides, diploides, tri- na maioria dos animais.
ploides etc. • produção de gametas nos zangões:
Mitose os machos das abelhas, zangões, são
2n n gerados por partenogênese, ou seja,
Divisão equacional de óvulos das abelhas rainhas não fe-
(E!) cundados, sendo, portanto, haploides.
2n 2n n n
Quando vão produzir os seus esper-
Na mitose, uma célula-mãe produz duas células- matozoides, não precisam reduzir pela
PV-14-11

-filhas com o mesmo número de cromossomos. metade o número de cromossomos,


como ocorre nos outros animais. Por-
A mitose está relacionada com: tanto, utilizam a mitose e não a meiose
• desenvolvimento embrionário: o em- para a produção de gametas. O mesmo
brião é formado por células que se di- ocorre com outros animais partenogê-
videm por mitoses com frequência, au- nicos haploides.
mentando em número e originando os
tecidos e os órgãos que irão constituir o A. Fases da mitose
novo organismo.
Uma vez iniciada a divisão celular, uma sé-
• crescimento: o aumento do tamanho rie de alterações ocorre na célula, em uma
dos indivíduos se dá pelo aumento do sequência contínua de numerosos eventos.
número de células geradas por mito- Embora sem limites precisos, a mitose é di-
ses, que se dividem até atingirem a ida- vidida em quatro fases, que passamos a des-
de adulta, e pelo aumento do volume crever.

112
Citologia Biologia

A.1. Prófase
É a fase mais longa da mitose. Tem início com um discreto aumento do volume do núcleo.
Os filamentos de cromatina começam a se condensar, transformando-se em cromosso-
mos. Como o DNA já foi duplicado, no período S da interfase, cada cromossomo é for-
mado por duas cromátides irmãs, idênticas e unidas pelo centrômero. Observam-se, no
citoplasma da célula, centríolos duplicados que se movimentam para polos opostos da
célula. À medida que os centríolos migram, ocorre a polimerização de proteínas presen-
tes no citoplasma, chamadas de tubulinas, que vão formar as fibras do fuso.
Ocorre também o desaparecimento da carioteca e do nucléolo. Enzimas fragmentam a carioteca
em pedaços que se espalham pelo citoplasma. As porções dos filamentos de cromatina que sin-
tetizavam o RNAr que compõe o nucléolo condensam-se na zona sat dos cromossomos, ficando a
síntese de RNAr paralisada. As moléculas de RNAr difundem-se pelo citoplasma da célula.
As fibras do fuso ligam-se aos centrômeros dos cromossomos.
Fibras do fuso Resto da carioteca
Fibras do fuso
Fibras do áster

Centríolos

Cromossomo espiralizado
Início da prófase Final da prófase

A.2. Metáfase tides irmãs se separem. Como cada cromátide


Os cromossomos estão posicionados na re- irmã passa a apresentar o seu próprio cen-
gião equatorial da célula e atingem o seu grau trômero, elas passam a ser consideradas cro-
máximo de compactação ou espiralização, mossomos irmãos. Note que um cromossomo
tornando-se bem visíveis ao microscópio. Essa duplicado dá origem a dois cromossomos sim-
fase é conhecida como fase do cariótipo, ou ples após a separação das cromátides irmãs.
seja, a melhor fase para se estudarem as ca-
racterísticas dos cromossomos. As cromátides
irmãs ainda estão unidas pelos centrômeros.
PV-14-11

Cromossomo Cromossomo Cromossomo


simples duplicado simples

A duplicação e divisão do centrômero


Metáfase
permite a separação das cromátides irmãs
A.3. Anáfase que passam a ser consideradas cromossomos
irmãos. Um cromossomo duplicado
Ocorre a duplicação e divisão dos centrômeros origina dois cromossomos simples.
dos cromossomos. Isso permite que as cromá-

113
Biologia Citologia

O encurtamento das fibras do fuso promove a migração dos cromossomos irmãos para polos
opostos. Esse encurtamento se deve à despolimerização das proteínas tubulinas que formam as
fibras do fuso.

Anáfase
A.4. Telófase
Os cromossomos estão dispostos em dois conjuntos, um em cada polo da célula. Cada conjunto
é envolvido por uma nova carioteca.
Ocorre a descondensação dos cromossomos que voltam a ser filamentos de cromatina. Os seg-
mentos de DNA da zona sat voltam a formar o nucléolo.
Na região equatorial da célula, surge o sulco de divisão que, à medida que se aprofunda, provoca
constrição e rompimento da membrana plasmática, semelhante a um estrangulamento. Essa di-
visão do citoplasma é denominada citocinese.

Citocinese
Desespiralização centrípeta
Carioteca das cromátides

Nucléolo
Início da telófase Final da telófase

B. Diferenças entre mitose em célula animal e em célula vegetal


A mitose estudada anteriormente ocorreu em uma célula animal. Em linhas gerais, a mi-
tose em células vegetais segue os mesmos passos da mitose animal. No entanto, é possível
observar algumas diferenças entre os dois tipos celulares. Como a célula animal tem centrío-
PV-14-11

lo e forma áster, a sua mitose é cêntrica e astral. A maioria das células vegetais superiores
não tem centríolos nem áster. Portanto, a mitose da célula vegetal é acêntrica e anastral.
Na telófase, a célula animal sofre constrição em sua região equatorial, que termina por
dividi-la em duas. A sua citocinese é centrípeta, ou seja, da periferia para o centro. Na
célula vegetal, não há constrição devido à presença da parede celular, que é rígida. No
final da telófase, vesículas que se originam do complexo golgiense, denominadas frag-
moplastos, acumulam-se no centro da célula. A união do material dessas vesículas forma
a lamela média, a nova parede celular que divide o citoplasma da célula vegetal ao meio.
Como a formação da lamela média ocorre do centro para a periferia, a citocinese é centrí-
fuga.

114
Citologia Biologia

C. Colchicina e a divisão celular


Existem substâncias químicas que interferem nas divisões celulares, como a colchicina e a vim-
blastina. Essas substâncias inibem a polimerização das proteínas tubulinas, responsáveis pela
formação das fibras do fuso. Sem essas fibras, a divisão mitótica fica interrompida na metáfase,
uma vez que sem as fibras do fuso não é possível a migração dos cromossomos irmãos para os
polos da célula. Essas substâncias são utilizadas na realização do cariótipo. Lembre-se que é na
metáfase que os cromossomos atingem maior grau de condensação, ficando mais fácil visualizá-
los e estudar as suas características. Se, após o tratamento, essas substâncias forem retiradas, a
célula iniciará o ciclo celular com o dobro de cromossomos. Se isso ocorrer em uma célula diploi-
de (2n), ela passará a ser uma célula tetraploide (4n).

D. Variação na ploidia e na quanti dade de DNA na mitose


Durante o ciclo celular em células que sofrem mitose, a quantidade de cromossomos não se alte-
ra, ou seja, a ploidia da célula permanece constante.
Ploidia

2n

G1 S G2 Mitose Ciclo
celular

Variação da ploidia durante o ciclo celular de uma célula diploide que sofreu mitose.

No entanto, ocorrem mudanças na quantidade de DNA. Em G 1, cada filamento de cro-


matina ou cromonema apresenta uma única molécula de DNA. Em S, ocorre a duplica-
ção do DNA e, consequentemente, a duplicação do filamento de cromatina, que passa a
apresentar as duas cromátides irmãs unidas pelo centrômero. Cada cromátide irmã contém
uma molécula de DNA. Em G2, o filamento de cromatina continua duplicado, contendo o
dobro de DNA de G1. Quando a célula inicia a divisão celular, o filamento de cromatina vai se
condensando, transformando-se em um cromossomo duplicado. Quando ocorre na anáfase
a separação das cromátides irmãs, e cada cromossomo duplicado dá origem a dois cromos-
PV-14-11

somos simples, cada cromossomo simples apresenta uma molécula de DNA. Isso faz com
que a quantidade de DNA que foi duplicada em S volte para a quantidade inicial em cada
célula-filha.
Note que a quantidade de moléculas de DNA presentes em um cromossomo é variável. Um
cromossomo duplicado apresenta duas moléculas de DNA, enquanto que o cromossomo sim-
ples apresenta uma única molécula de DNA. Se considerarmos uma célula somática diploide
humana normal, a quantidade de DNA ao longo do ciclo celular será: 46 moléculas de DNA
em G1, 92 moléculas de DNA em S, 92 moléculas de DNA em G2, 92 moléculas de DNA até o
início da anáfase e 46 moléculas de DNA em cada célula-filha resultante da divisão mitótica.

115
Biologia Citologia

G2

Quantidade
Prófase de DNA

Metáfase
S
2X
Anáfase
X
Telófase

Ciclo
G1 G1 S G2 Mitose
celular

Variação na quantidade de DNA ao longo do ciclo celular

E. Mitose e o câncer
A divisão celular apresenta uma série de etapas de controle que não permitem que ocorram er-
ros levando à formação de células-filhas alteradas. No entanto, mutações no DNA de uma célula
podem desativar genes envolvidos com esse controle celular com várias consequências, entre elas a
multiplicação desordenada e descontrolada de células. No tecido ou órgão em que isso ocorre,
pode haver a formação de um caroço denominado tumor. Se as células que compõem o tumor
ficarem restritas ao tecido ou ao órgão, diz-se que o tumor é benigno. Se as células apresentarem
a capacidade de invadir outros tecidos ou órgãos, podendo se espalhar pelo organismo, capaci-
dade conhecida como metástase, o tumor é classificado como maligno. A palavra câncer deve
ser utilizada apenas para tumores malignos, ou seja, que tenham a capacidade de invadir outros
tecidos ou órgãos.
As mutações que levam ao câncer podem ocorrer espontaneamente, como, por exemplo, erros
na duplicação do DNA, ou serem induzidas por fatores como radiação ultravioleta, compostos
radioativos (césio, cobalto, urânio etc), agrotóxicos, cigarro etc. Alguns tipos de cânceres apre-
sentam uma propensão genética.
Existem dezenas de procedimentos que podem ser utilizados no controle do câncer, como a
quimioterapia e a radioterapia. O sucesso do tratamento depende de vários fatores, sendo que
quanto mais cedo for diagnosticado o câncer, maiores são as chances de sucesso no tratamento.
Como o câncer se espalha
PV-14-11

Tumor
©75 DR P. MARAZZI / SCIENCE PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock

secundário

Tumor original

Veias

Cirurgião com a parte do fígado de um paciente que foi removida durante


a cirurgia laparoscópica para câncer de fígado secundário. O câncer havia
se espalhado a partir de um carcinoma primário do cólon.

116
Citologia Biologia

6. Meiose • aumento da variabilidade genética:


a meiose apresenta mecanismos que
A meiose é uma divisão celular que ocorre em
promovem o aumento da variabilidade
células diploides (2n) e origina quatro células-
genética, como o crossing over ou per-
-filhas haploides (n). Como a meiose reduz
mutação e a segregação independente
pela metade a quantidade de cromossomos
dos cromossomos homólogos.
(ploidia), é chamada de divisão reducional. A
meiose apresenta duas etapas sucessivas. Na A. As fases da meiose
primeira etapa, denominada meiose I, uma
célula-mãe (2n) forma duas células-filhas (n). A meiose foi dividida em oito fases principais
Na segunda etapa, denominada meiose II, para facilitar a compreensão dos eventos .
cada célula (n) origina mais duas células-filhas Prófase I
(n). Note que é na meiose I que ocorre a redu- 2n Metáfase I
ção pela metade do número de cromossomos, Meiose I Anáfase I
sendo a meiose II uma etapa equacional. Telófase I
n n Prófase II
2n Meiose II Metáfase II
Meiose I Anáfase II
Telófase II
n n n n n n
Meiose II

n n n n
As fases da meiose

A primeira divisão da meiose é reducional, Note que a meiose II, em termos de número
pois a ploidia (2n) da célula-mãe é reduzida de células e ploidia, lembra duas mitoses em
pela metade (n) nas células-filhas. Na células haploides. As fases dessa etapa apre-
segunda divisão da meiose, não ocorre sentam semelhanças com as fases estudadas
alteração da ploidia das células. na mitose.
A meiose está relacionada com: A.1. Prófase I
• produção de gametas nos animais: a De toda a meiose, é a fase mais longa e com-
meiose ocorre nas gônadas dos ani- plexa. Os filamentos da cromatina, duplicados,
mais (testículos e ovários), produzindo iniciam sua condensação. Cada cromossomo
gametas com a metade do número de se coloca ao lado do seu homólogo. O ajuste é
cromossomos; perfeito, colocando em contato cada ponto de
• produção de esporos nos vegetais: um cromossomo com o seu correspondente,
os esporos dos vegetais apresentam a no homólogo.
metade da carga cromossômica porque
são produzidos por meiose. Lembre-se Podem ocorrer trocas de fragmentos de cro-
PV-14-11

de que nos vegetais, os gametas são mátides entre os cromossomos homólogos.


produzidos por mitose; São as permutações ou crossing over.
• manutenção do número de cromosso-
mos da espécie: se a ploidia não fosse
reduzida pela metade na meiose para
formação dos gametas, o lote cromos-
sômico iria dobrar de geração em gera-
ção. A espécie humana tem 46 cromos-
somos em suas células somáticas. Se
os seus gametas tivessem 46 cromos-
somos também, o zigoto resultante da
fecundação teria 92 cromossomos, o
que tornaria o desenvolvimento desse
O fenômeno do crossing over
embrião inviável;

117
Biologia Citologia

O crossing over é uma importante fonte de va- Não há duplicação e divisão dos centrômeros,
riabilidade genética com formação de gametas não ocorrendo a separação das cromátides ir-
recombinantes nas populações de reprodução mãs. Essa fase marca o início da redução do
sexuada. número de cromossomos.
Os centríolos duplicados migram para polos
opostos da célula. Desaparecem o nucléolo e
a carioteca. As fibras do fuso ligam-se aos cen-
trômeros dos cromossomos.

2n = 4 → n = 2

A.4. Telófase I
Os cromossomos se descondensam apenas
2n = 4 parcialmente. A carioteca se reorganiza e o
citoplasma se divide (citocinese), formando
A.2. Metáfase I duas células-filhas.

Os cromossomos atingem o grau máximo de As células resultantes da divisão I são haploi-


condensação. Lado a lado, os pares de homó- des, isto é, possuem a metade do número de
logos ocupam a região equatorial da célula. cromossomos da célula-mãe, mas a mesma
quantidade de DNA dela.

PV-14-11

2n = 4

A.3. Anáfase I
Tracionados pelas fibras do fuso, os cromos-
somos homólogos são separados e se enca- n=2
minham para polos opostos, na célula. Essa
separação dos homólogos é conhecida como Entre o final da divisão I e o início da divisão II,
segregação independente dos cromossomos pode haver um pequeno intervalo temporal,
homólogos. Esse evento pode promover tam- denominado intercinese. Nesse intervalo não
bém o aumento da variabilidade genética. ocorrem os eventos que ocorrem na interfase,
como a duplicação do DNA.

118
Citologia Biologia

A.5. Prófase II A.8. Telófase II


A carioteca se fragmenta e os centríolos estão Nos polos, a carioteca se refaz e o citoplasma se
duplicados e migram para polos opostos. Sur- divide. Surgem 4 células-filhas haploides, com
gem as fibras do fuso. metade da quantidade de DNA da célula inicial.

n=2

A.6. Metáfase II n=2


Os cromossomos, bastante condensados, estão
na região equatorial, ligados às fibras do fuso.
Pela sequência dos eventos, pode-se notar
que a partir de uma célula diploide são forma-
das quatro células haploides com a metade do
número de cromossomos e com a metade da
quantidade de DNA da célula-mãe.

n=2

A.7. Anáfase II
Ocorre a duplicação e divisão dos centrômeros
e as cromátides irmãs se separam; tracionados
pelas fibras do fuso, os cromossomos irmãos
PV-14-11

migram para polos opostos.

n=2

B. Variação na ploidia e na
quantidade de DNA na meiose
A separação dos cromossomos homólogos, na
meiose I, origina células haploides. Na meiose
II, não há redução na ploidia.
n=2

119
Biologia Citologia

Ploidia de da quantidade duplicada na anáfase I, com


a separação dos cromossomos homólogos, e
outra redução na anáfase II, com a separação
2n das cromátides irmãs.

DNA
n Separação dos cromossomos homólogos
2X

Interfase Meiose I Meiose II X Separação das


cromátides irmãs

Ao longo do ciclo celular de uma célula que X


2
sofreu meiose, a quantidade de DNA varia.
Ocorre a duplicação da quantidade inicial no
período S da interfase, a redução pela meta- G1 S G2 PI MI AI TI PII MII AII TII Ciclo celular

C. Comparação entre mitose e meiose


Interfase Mitose (2n)
Cromossomos
homólogos
(2n)

Duplicação Separação das cromátides irmãs


dos
cromossomos Meiose I (n) Meiose II (n)
(2n)

Separação
dos
cromossomos Separação das cromátides irmãs
PV-14-11

homólogos

D. Mecanismos de variabilidade genética


D.1. Segregação independente dos cromossomos homólogos
As células-filhas recebem um cromossomo de cada par de homólogos. Dessa forma, quanto mais
pares de cromossomos homólogos a célula tiver, mais combinações diferentes podem aparecer
nas células que resultam da sua meiose.

120
Citologia Biologia

A A B A b

A a A a

B b
a a b a B

1 par de homólogos → 2 tipos de células 2 pares de homólogos → 4 tipos de células

A B A B A b A b
C c C c
Aa Bb
Cc
a B a B a b a b

C c C c

3 pares de homólogos → 8 tipos de células

x pares de homólogos → 2x tipos de células

Isso significa que um ser humano, com os seus


23 pares de cromossomos homólogos, pode A a
produzir 223 tipos diferentes de espermatozoi-
des, ou seja, 8.388.608 espermatozoides dis- B b
tintos. Na mulher, a produção de óvulos tem,
também, as 223 opções.
Caso aconteça o crossing over entre esses dois
D.2. Crossing over pares de genes, a quantidade de células dife-
rentes aumenta:
A ocorrência de permutações ou crossing over
aumenta a quantidade de gametas diferentes
que resultam da meiose. A A
Imagine uma célula que apresente, em certo
par de cromossomos homólogos, os seguintes B b
PV-14-11

genes:

A a a
a

B b B b

Se, durante a meiose, não ocorrer permuta- Podemos concluir, portanto, que a ocorrência
ção, essa célula irá originar dois tipos de célu- de uma permutação, na meiose, aumenta o
las-filhas, no final da divisão: número de tipos diferentes de gametas resul-
tantes.

121
Biologia Citologia

As permutações rearranjam características ovogênese, ou seja, o processo de produção de


preexistentes, mas não determinam o surgi- óvulos que ocorre nos ovários. Os testículos e
mento de novas características. Isso só acon- ovários, além da função de produção de game-
tece graças às mutações, que modificam o ma- tas, também estão envolvidos com a produção
terial genético e transformam um gene antigo de hormônios sexuais, testosterona no homem
em um gene novo, mutante. e estrógeno e progesterona na mulher.
A variabilidade genética tem, portanto, três

©©©©DR YORGOS NIKAS / SCIENCE PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock


principais determinantes:
1) a segregação dos cromossomos homó-
logos, na meiose, que permite numero-
sas combinações, nos gametas;
2) as permutações, que possibilitam a re-
combinação de características já exis-
tentes;
3) as mutações, que determinam o surgi-
mento de novas características.
7. Gametogênese
Gametogênese é o processo de produção de
gametas. A gametogênese masculina é a esper-
matogênese, ou seja, o processo de produção
de espermatozoides que ocorre nos testículos. Espermatozoides ao redor do
A gametogênese feminina é a ovulogênese ou ovócito II tentando fecundá-lo.

A. Espermatogênese
A espermatogênese ocorre no interior de túbulos nos testículos chamados de canais seminíferos,
e envolve várias fases:
Espermatogênese

Fase de Espermatogônias (2n)


multiplicação

Fase de Espermatócito I (2n)


PV-14-11

crescimento

Fase de Espermatócitos II (n)


maturação

Espermátides (n)

Espermio-
gênese Espermatozoides (n)

Esquema mostrando a espermatogênese

122
Citologia Biologia

A.1. Fase de multiplicação ou proliferação plicados. Com a ocorrência da segunda divisão


Tem início na vida intrauterina e se prolonga meiótica, os dois espermatócitos secundários
praticamente por toda a vida. As células ger- originam quatro espermátides (n)
minativas primordiais do testículo aumentam A.4. Fase de diferenciação
em quantidade, sofrendo mitoses consecuti- celular (espermiogênese)
vas até originarem as espermatogônias (2n) É o complexo processo de diferenciação, sem
A.2. Fase de crescimento divisão celular, que converte a espermátide,
célula haploide de citoplasma abundante, em
É curta, no macho. Um pequeno aumento no espermatozoide. A espermátide perde quase
volume do citoplasma transforma as esperma- todo o seu citoplasma. Grânulos do complexo
togônias em espermatócitos primários, tam- golgiense fundem-se na extremidade anterior
bém chamados espermatócitos de primeira da célula, formando o acrossomo, que contém
ordem ou espermatócitos I, células 2n. enzimas capazes de perfurar as membranas do
A.3. Fase de maturação óvulo, na fecundação.
Também rápida, envolve a ocorrência da meio- Os centríolos migram para a região posterior
se. Após a primeira divisão meiótica, cada ao núcleo, e um deles dá origem ao flagelo,
espermatócito primário origina dois esper- responsável pela locomoção do espermatozoide.
matócitos secundários (espermatócitos de As mitocôndrias se concentram na peça inter-
segunda ordem ou espermatócitos II). Como mediária, região de encontro da cabeça com o
resultam da divisão I da meiose, são células flagelo, que fornece energia para a locomoção.
haploides, embora possuam cromossomos du-

B. Ovulogênese
A ovulogênese ocorre no interior dos ovários e apresenta três etapas:
Ovogênese

Fase de Ovogônias (2n)


multiplicação

Fase de Ovócito I (2n)


crescimento
PV-14-11

1º glóbulo
Ovócito II (n)
polar (n)
Fase de
maturação 2º glóbulo
polar (n)

Óvulo (n)

Glóbulos polares (n)

Esquema mostrando a ovulogênese

123
Biologia Citologia

B.1. Fase de multiplicação ou proliferação o ovócito primário sofre a primeira divisão


É a fase de ocorrência de mitoses das cé- meiótica, origina o ovócito secundário (n),
lulas germinativas primordiais, originando célula que recebe quase todo o citoplasma
as ovogônias (2n). No feto humano, termi- da célula inicial, e o primeiro corpúsculo po-
na no 3º mês de gestação. As ovogônias lar (ou glóbulo polar), célula pequena e que
dão início à sua transformação em ovóci- se desintegra antes de sofrer a divisão II.
tos primários (2n). No nascimento, os ová- Quando o ovócito secundário sofre a divisão
rios das meninas têm, aproximadamente, II da meiose, mais uma vez a divisão do cito-
400.000 dessas células. plasma é desigual. Uma das células, o óvulo,
tem bastante citoplasma e vitelo, enquanto
B.2. Fase de crescimento a outra, o segundo corpúsculo polar, não tem
Logo ao surgir, o ovócito primário inicia a citoplasma. Assim como o primeiro corpúsculo
meiose, que é interrompida na prófase I. polar, ele também degenera.
Neste período, há notável aumento do vo- A divisão desigual do citoplasma e do vitelo,
lume celular, com acúmulo de proteínas, tanto na primeira como na segunda divisão
gorduras, glicogênio e de vitaminas liposso- meiótica, garante que o óvulo maduro tenha
lúveis no citoplasma. Esse conjunto de nu- material nutritivo suficiente para nutrir o
trientes constitui o vitelo, responsável pela embrião, caso já seja fecundado.
nutrição do embrião.
Na maioria dos vertebrados, a segunda di-
B.3. Fase de maturação visão da meiose só se dá caso tenha ocor-
Dos 400.000 ovócitos primários, apenas rido a fecundação. Curiosamente, portanto,
de 300 a 400 irão completar a meiose, um o verdadeiro gameta feminino é o ovócito
a cada período de 28 dias, na mulher. A secundário, pois ele se funde com o esper-
fase de maturação inicia-se quando a fê- matozoide.
mea alcança a maturidade sexual. Quando

C. Principais diferenças entre espermatogênese e ovulogênese


A tabela a seguir resume as principais diferenças entre a ovogênese e a espermatogênese.

Ovogênese Espermatogênese

Gametas por gônia 1 óvulo 4 espermatozoides


PV-14-11

Fase de multiplicação curta longa

Fase de crescimento longa curta

Acumulação de vitelo sim não

Espermiogênese não sim

124
Citologia Biologia

Espermatogênese Ovulogênese

Ovogônia
(2n)
Espermatogônia
(2n) Crescimento
Crescimento

Espermatócito Ovócito
primário
primário
(2n) (2n)

Meiose I

Meiose I
Espermatócitos
secundários
(n)

Meiose II
Glóbulo Ovócito
polar secundário
(n) (n)
Espermátides
(n)
Espermiogênese
Meiose II

Espermatozoides
(n) Óvulo
Glóbulos polares
(n)

Quadro comparativo entre as gametogêneses masculina e feminina

D. Fecundação formando a membrana de fertilização, que im-


Os gametas maduros são capazes de se fundir, o pede outros espermatozoides de penetrarem
que se chama fecundação ou fertilização. Graças nesse óvulo.
aos batimentos dos flagelos, os espermatozoides No interior do óvulo, o núcleo do espermatozoi-
nadam em direção ao óvulo. O encontro exige de (pronúcleo masculino) e o núcleo do óvulo
meio líquido, quer seja no interior do corpo da (pronúcleo feminino) se fundem, cada um com
fêmea (fecundação interna), quer seja no meio seu lote n de cromossomos, formando o zigoto.
ambiente (fecundação externa). Portanto, a fe- No indivíduo assim formado, metade dos cro-
cundação externa se restringe ao meio aquático. mossomos (e, logicamente, metade dos genes)
Como, nesse caso, todos os gametas são libera- tem origem paterna e metade, origem materna.
dos no meio, tanto machos quanto fêmeas pro- Tuba uterina
Fertilização
PV-14-11

duzem gametas em grande quantidade.


O óvulo, além da membrana plasmática, conta
com outro revestimento mais externo, a mem-
brana vitelínica. Quando um espermatozoide faz Ovário Ovulação
contato com o óvulo, a membrana do acrossomo Útero
se funde com a membrana do espermatozoide Espermatozoides
(reação acrossômica), liberando enzimas como Vagina
a hialuronidase, as proteases e outras. Essas
enzimas perfuram a membrana vitelínica. Com A fecundação do ovócito II ocorre em uma
a fusão da membrana do espermatozoide com das tubas uterinas, originando o zigoto, que
a membrana do óvulo, o núcleo do esperma- inicia a sua segmentação enquanto se dirige ao
tozoide penetra no óvulo. Nesse momento, a útero. A nidação, ou seja, a fixação do embrião
membrana do óvulo sofre algumas alterações, ao útero, ocorre na fase de blastocisto.

125
Biologia Citologia

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. UFMG 02.
O diagrama a seguir representa o ciclo de vida a) Diferencie mitose e meiose quanto aos
de uma célula somática humana, onde X re- seguintes aspectos:
presenta o conteúdo de DNA. I. conteúdo cromossômico das células-
M -filhas;
II. número de células produzidas.
2X X
b) Qual a importância biológica da meiose?
G2 Divisão
Resolução
G1 a) I. Mitose = células-filhas com mesmo
Tempo
número de cromossomos da célula-mãe.
II. Meiose = células-filhas com metade do
número de cromossomos da célula-mãe.
F
b) Pode gerar variabilidade genética através
S
do crossing over ou da segregação indepen-
dente dos cromossomos homólogos e está
envolvida com a formação de gametas nos
Com base nas afirmações do diagrama e em animais e esporos nos vegetais.
seus conhecimentos, é incorreto afirmar que:
03. PUC-SP
a. a fase de menor duração do ciclo é a
mitose. Nos esquemas expostos, são mostradas sepa-
rações cromossômicas que ocorrem na anáfa-
b. a fase F do ciclo corresponde à interfase. se das divisões celulares.
c. em G1, a célula é haploide.
d. em S, ocorre a duplicação dos cromos-
somos. I

Resolução
Em nenhum momento do ciclo de vida uma cé-
lula somática humana se apresenta haploide. II
Resposta
C a. Em que processo(s) de divisão celular é
encontrado I? Justifique.
b. Em que processo(s) de divisão celular é
PV-14-11

encontrado II? Justifique.


Resolução
a) Meiose I – Anáfase I, pois está representan-
do a separação de cromossomos homólogos.
b) Mitose e meiose II – Anáfase e Anáfase II,
pois está representando a separação das cro-
mátides irmãs.

126
Citologia Biologia

04. Fuvest-SP modificado


As figuras I e II a seguir representam fases de dois diferentes tipos de divisões celulares.
I II

a. Dê o nome da fase e o processo de divisão em que cada célula se encontra e justifique sua
resposta. Cite a importância biológica dos processos de divisão celular representados por
I e II.
b. Supondo que cada figura represente uma espécie animal, dê a ploidia e o número de cro-
mossomos das células somáticas e gaméticas encontradas em cada espécie.
Resolução
a) Figura I: anáfase da mitose (ocorre a separação das cromátides irmãs).
Figura II: anáfase I da meiose (ocorre a separação dos cromossomos homólogos).
Nos unicelulares, a mitose significa reprodução. Nos pluricelulares, relaciona-se com crescimento
e desenvolvimento.
A meiose está relacionada com a reprodução sexuada, mantendo o número de cromossomos da
espécie e promovendo variabilidade genética.
b) Figura I: células somáticas 2n = 2, células gaméticas n = 1.
Figura II: células somáticas 2n = 4, células gaméticas n = 2

LEITURA COMPLEMENTAR
Subfases da prófase I
A prófase I é a etapa mais longa da meiose, por isso pode ser dividida em cinco subfases, de
transição gradual.
I. Leptóteno: os cromossomos já duplicados durante a interfase começam a se conden-
PV-14-11

sar, tornando-se visíveis ao microscópio óptico.


Nucléolo Fibras do áster

Centrômero

Leptóteno

127
Biologia Citologia

II. Zigoteno: inicia-se o emparelhamento dos cromossomos homólogos, auxiliado por pro-
teínas. Esse emparelhamento é denominado sinapse.

Fibras polares


Zigóteno

III. Paquiteno: nesta fase, os cromossomos encontram-se mais condensados e com as si-
napses concluídas, e cada par de cromossomos forma, agora, uma bivalente ou tétrade
(4 cromátides, duas de cada cromossomo homólogo). Devido à sinapse formada, os
cromossomos homólogos, durante o final do zigóteno e início do paquíteno, podem
trocar fragmentos, o que é conhecido como crossing over ou permutação gênica, de
grande importância evolutiva, podendo promover aumento da variabilidade genética.
IV. Diplóteno: inicia-se a separação dos cromossomos que se mostram nitidamente du-
plicados e evidenciam-se os quiasmas (imagens em forma de X no local da permuta).

Quiasma

Transição entre paquiteno e diplóteno

V. Diacinese: ocorre a terminalização dos quiasmas, devido ao afastamento dos cromos-


somos iniciado no diplóteno, e desaparecem carioteca e nucléolo, deixando os cro-
PV-14-11

mossomos imersos diretamente no citoplasma. Os cromossomos ligam-se através de


seus centrômeros às fibras do fuso, caracterizando, assim, o fim da prófase e o início
da metáfase.

Drogas
Recebe a denominação de droga toda e qualquer substância, de origem natural ou sintética,
que apresente a capacidade de alterar, mesmo que de forma branda, as atividades celulares
(metabolismo).
Em relação à sua legalidade, podem ser divididas em drogas lícitas e ilícitas.
• As drogas lícitas são aquelas que têm seu uso permitido por lei a pessoas maiores de 18
anos, como o cigarro e o álcool.

128
Citologia Biologia

No caso da bebida alcoólica, ela tem geralmente finalidade recreativa, sendo utilizada em mo-
mentos festivos e até mesmo em algumas cerimônias religiosas. No entanto, por se tratar de
uma substância psicotrópica, ou seja, por se tratar de uma substância que leva à alteração da
consciência e à dependência, encontra-se muitas vezes associada a atos criminosos, que vão
desde simples vandalismos, como a perturbação da ordem, à consequências mais sérias, como
agressões físicas e verbais, que podem terminar em assassinatos e atropelamentos.
No caso do cigarro, não verificamos uma ação psicotrópica substancial, porém a dependência
é evidente, bem como os danos letais à saúde (cerca de 5 milhões de mortes a cada ano em
todo o mundo), que colocam o cigarro no topo da lista das mortes evitáveis, caso o indivíduo
não tivesse se colocado em situação de risco. Entre os malefícios, está o aumento na chance
de desenvolvimento de cânceres, entre eles, o de pulmão. O cigarro é responsável por 90% das
mortes do mundo devido a esse tipo de câncer.
• As drogas ilícitas, ou seja, aquelas que por lei são proibidas, geralmente por causarem
violenta dependência e evidentes alterações de consciência, podem ser classificadas,
de acordo com os sintomas verificados nos usuários, em:
a. Depressoras ou psicolépticas: atuam diminuindo a atividade cerebral e a capacidade
de reação, já que afeta imensamente a coordenação motora, o que traz perigo iminente
não apenas ao usuário, mas também às pessoas ao seu redor, caso ele esteja, por exem-
plo, ao volante. Enquadram-se nesse grupo drogas como clorofórmio (presente no lança-
perfume), heroína, ansiolíticos, cola de sapateiro e algumas drogas legalizadas a maiores de
18 anos, como o álcool.
b. Psicodistrópticas, psicodislépticas, perturbadoras ou modificadoras: são as drogas aluci-
nógenas, que apresentam maior capacidade, dentre todas as outras drogas, de alterar o
estado normal de consciência do usuário, causando sua despersonificação. Enquadram-se
nesse grupo drogas como maconha, LSD, ecstasy e psilocibina (chá de cogumelo).
c. Psicolépticas ou estimulantes: ampliam as atividades cerebrais, levando a um aumento
da percepção e das respostas adrenérgicas, como a elevação da atividade cardiorrespi-
ratórias. Oferece falsa sensação de poder e bem-estar, ocasionando forte dependência
física e psicológica. Enquadram-se nesse grupo drogas como cocaína, anfetaminas, ni-
cotina, crack (que leva à dependência no primeiro uso) e drogas legais, como a cafeína
e a feobromina, presente em chocolates, sendo estas últimas as mais brandas e as que
não oferecem perigo à maioria de seus usuários.
O uso de medicamentos controlados sem receituário médico, ou ainda, o consumo de drogas
legalizadas por menores de 18 anos, consiste ato infracional, tornando estas drogas ilegais
nestas circunstâncias.
PV-14-11

129
Biologia Citologia

CAPÍTULO 08 VÍRUS
1. Introdução
Os vírus são estruturas que levantam a discussão sobre o que é vida. Apesar de a maioria dos
cientistas considerá-los seres vivos, essa opinião não é um consenso. Apresentam algumas ca-
racterísticas encontradas nos seres vivos, como capacidade de sofrer mutação e reprodução. No
entanto, apresentam uma organização extremamente simples, se comparados aos outros seres
vivos, não sendo agrupados em nenhum dos cinco reinos. Mas uma coisa é certa, os vírus estão
presentes no cotidiano dos seres vivos provocando muitas enfermidades graves.

©79 Courtesy Everett Collection / Everett / Latinstock


©78 Photoresearchers / Photoresearchers / Latinstock
A B C
©77 Photoresearchers / Photoresearchers / Latinstock

Vírus da gripe comum (A), do mosaico do tabaco (B) e da "gripe suína" (C)

2. Características gerais
Vírus são seres acelulares, ou seja, não apresentam organização celular. Apresentam uma
cápsula proteica denominada capsídeo e um único tipo de material genético, que pode ser
DNA ou RNA, embora já se saiba da existência de alguns vírus contendo os dois tipos de ma-
terial genético. A cápsula protege o material genético, que contém as informações genéticas
necessárias para a produção de novos vírus.
Os vírus não possuem metabolismo próprio e, por isso, são parasitas intracelulares obrigatórios.
Esses organismos necessitam do equipamento bioquímico de uma célula hospedeira para poder
se reproduzir. Fora das células hospedeiras não apresentam atividade, estando cristalizados.
Podem parasitar células procarióticas, como as bactérias, ou eucarióticas animais e vegetais,
sendo, no entanto, geralmente específicos a um tipo celular.
Proteína
gp 41
RNA Cápsula
Proteína
A gp 120
B
PV-14-11

DNA

Proteína
p 17
Cauda

Lipídio

Proteína
p 24

Transcriptase
reversa Fibras da cauda

O vírus HIV, que provoca a aids, contém como material genético o RNA (A). Os bacteriófagos
ou fagos são vírus que infectam bactérias e apresentam como material genético o DNA (B).

130
Citologia Biologia

3. Ciclos de vida
O ciclo de vida de um vírus é realizado totalmente no interior de uma célula hospedeira. Esses
organismos utilizam as estruturas celulares e consomem grande parte da energia da célula para
a produção das peças virais. Essas peças, cápsula proteica e material genético, são produzidas
separadamente e depois unidas para a formação dos novos vírus. Esse ciclo de vida pode ser
de dois tipos: lítico ou lisogênico. Quando o ciclo é lítico, a célula hospedeira é destruída. No
ciclo do tipo lisogênico, o vírus não promove a destruição da célula hospedeira e o seu mate-
rial genético é incorporado ao material genético da célula, sendo transmitido para as células-
-filhas e podendo, a qualquer momento, entrar em um ciclo lítico.

©©©©EYE OF SCIENCE / SCIENCE PHOTO LIBRARY / SPL DC / Latinstock


Vírus bacteriófagos infectando uma bactéria
No ciclo de vida lítico do bacteriófago, o vírus introduz na célula hospedeira apenas o seu material
genético (DNA), que passa a comandar o metabolismo celular; a cápsula não entra. Muitos outros
vírus penetram na célula com a cápsula, como o vírus HIV e o da gripe. O DNA viral do bacterió-
fago passa a comandar a produção de novos componentes virais, moléculas de DNA e cápsulas.
Em seguida, o material genético do vírus é colocado no interior da cápsula proteica e os novos
vírus estão prontos. Ocorre lise da célula bacteriana e a liberação dos novos vírus para o meio,
que podem infectar novas bactérias e reiniciar o ciclo.
Vírus
DNA viral
Bactéria
DNA bacteriano

Ciclo lítico Ciclo lisogênico


Injeção do DNA viral
Replicação viral Incorporação do DNA
na bactéria
PV-14-11

dentro da bactéria viral no DNA bacteriano

DNA
viral
Produção de DNA bacteriano
peças virais Divisão celular

Os vírus provocam a lise


da bactéria, são liberados
e podem infectar novas células. Bactérias filhas
No ciclo lítico, ocorre morte da célula hospedeira. No ciclo lisogênico, a célula
hospedeira não sofre lise e permanece viva com segmento de DNA viral.

131
Biologia Citologia

4. Vírus HIV
A síndrome da imunodeficiência adquirida (sida ou aids) é provocada pelo vírus HIV (vírus da imu-
nodeficiência humana). Esse vírus é do tipo retrovírus, que tem a capacidade de realizar a transcrição
reversa, ou seja, consegue produzir molécula de DNA viral à partir do seu RNA. Isso ocorre graças
à presença da enzima transcriptase reversa. O HIV parasita células do sistema imunológico, os
linfócitos T (CD4), que são glóbulos brancos importantes para ativar as defesas do organismo na
presença de antígenos. Destruindo esses linfócitos, o HIV provoca um estado de imunodeficiência
no organismo, e o portador fica vulnerável às doenças oportunistas, que podem levá-lo à morte.
Transcriptase
reversa
RNA
Receptor

1
Núcleo 5
3
RNA
2 DNA

RNAm 4
Proteínas
virais

Etapas de reprodução do vírus HIV em um linfócito T (CD4). Em 1, receptores do envelope


viral aderem-se a receptores proteicos denominados CD4 na superfície do linfócito. Isso
permite a entrada da cápsula viral que, ao se desintegrar no citoplasma da célula, libera
as moléculas de RNA viral e as enzimas transcriptases reversas (2). Ocorre a transcrição
reversa e o DNA viral é incorporado ao DNA do núcleo da célula (3). O DNA viral comanda
a produção de moléculas de RNA que farão parte de novos vírus e outras que comandam
a produção de proteínas da cápsula e de transcriptases reversas (4). Ocorre a montagem de
PV-14-11

novos vírus que, ao deixarem a célula, levam um pedaço da membrana plasmática do linfócito
(5), provocando a morte da célula e liberando novos vírus para a corrente sanguínea.
O HIV pode ser transmitido por relações sexuais com pessoas contaminadas sem o uso de pre-
servativos, por transfusões de sangue e derivados contaminados, por instrumentos cirúrgicos ou
agulhas contaminadas, pela amamentação e pela via placentária. Abraços, beijos, aperto de mão,
utilizar objetos como copos, usar o mesmo assento do ônibus etc. não transmitem o HIV, sendo
importante esse lembrete para se evitar o preconceito aos portadores do HIV.
Graças ao coquetéis antivirais muitos portadores do vírus estão há anos sem a manifestação
dos sintomas da aids, são portadores do vírus, mas não da doença. Esses coquetéis apresentam
drogas inibidoras da transcriptase reversa e de proteases que dificultam o ciclo de reprodução do
HIV. Não curam o paciente, mas aumentam a qualidade e a expectativa de vida. Algumas vacinas
estão em testes contra a doença. No entanto, o vírus HIV, assim como o vírus da gripe, apresenta
altas taxas de mutações gênicas, o que dificulta a produção de vacinas altamente eficientes.

132
Citologia Biologia

No de vírus/mm3 de sangue
No de CD4/mm3 de sangue
1.000 106

800 Quantidade de linfócitos CD4 105

600 104

400 103

200 Quantidade de HIV 102

0 3 6 9
Tempo em anos

O gráfico mostra a evolução da quantidade de HIV e linfócitos CD4 no organismo de


um paciente que não recebeu tratamento contra a doença ao longo dos anos.

Atualmente, a aids constitui uma epidemia mundial, fazendo mais vítimas em países pobres, onde a
população carece de recursos básicos como alimento, água potável, saneamento básico, remédios etc.

Distribuição do HIV 2009 - Fonte: Unaids


Sem dados 1 - 5%
Menos do que 0,1% 5 - 15%
0,1 - 0,5 % 15 - 50%
0,5 - 1%
PV-14-11

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. 02.
Os vírus se reproduzem dentro de uma célula Uma pessoa, acometida por uma gripe, foi infor-
hospedeira. Essa reprodução não é sexuada e, mada de que necessitaria tomar antibiótico para
portanto, não há variabilidade genética. Como curar a doença. Entretanto, esse não é o procedi-
a variabilidade genética ocorre nos vírus? mento para se curar a gripe. Por quê?
Resolução Resolução
No vírus, a ocorrência de mutação na molécula de A gripe é provocada por um vírus. No corpo
DNA promove aumento na variabilidade genética humano, os vírus são combatidos por anti-
e, assim, novas espécies podem ser originadas. corpos produzidos pelos glóbulos brancos e,
portanto, o uso de antibiótico não seria reco-
mendado.

133
Biologia Citologia

LEITURA COMPLEMENTAR
Tabela de doenças virais, suas transmissões e profilaxias

Doença Transmissão Profilaxia

Evitar coçar as feridas para


Contato com saliva, secreções diminuir a propagação da
Catapora respiratórias e feridas de pessoas doença, fazer o uso tópico de
doentes. permanganato de potássio
(banhos) e vacinação.

Não há tratamento, apenas


medidas para minimização
Propagação pelo ar (secreções
Caxumba de sintomas, como uso de
respiratórias).
analgésicos e antitérmicos,
porém existe vacina.

Contato sexual ou através de Usar preservativos e fazer


Condiloma acuminado ou
equipamentos ginecológicos não esterilização adequada de
crista de galo
esterilizados adequadamente. equipamentos ginecológicos.

Manter a higiene dos olhos e ao


Contato direto dos olhos
seu redor, evitando levar as mãos
com o vírus pelo ar ou
Conjuntivite viral não lavadas aos olhos; evitar
secreções oculares de pessoas
contato direto com pessoas
contaminadas.
contaminadas.

Picada do mosquito Aedes Combater os mosquitos e seus


Dengue
aegypti. criadouros.

Picada do mosquito Aedes Combater os mosquitos e seus


Febre amarela
aegypti. criadouros. Existe vacina.

Evitar o contato com indivíduos


Secreções respiratórias de
contaminados e aglomerações
Gripe pessoas contaminadas (infecção
de pessoas, principalmente em
pelo ar).
lugares fechados.

Gripe aviária ou gripe do Evitar acúmulo de excrementos


Excrementos das aves que ao
frango (Influenza A subtipo de aves e contato prolongado
secarem são inalados.
H5N1) com elas.
PV-14-11

Saneamento básico e higiene


Contato direto com dejetos
pessoal. Para esta variante de
Hepatite A humanos e ingestão de água e
hepatite, há cura e imunização
alimentos contaminados.
por vacina.

Vacinação neonatal, usar


Relações sexuais desprotegidas,
preservativos e ter cuidados
transfusões sanguíneas,
na esterilização de objetos
instrumentos cirúrgicos,
cirúrgicos ou cortantes.
odontológicos ou cortantes
Hepatite B Fazer companhamento rigoroso
diversos (instrumentos de
das amostras dos bancos de
manicure e pedicure) não
sangue. Não há cura para a
devidamente esterilizados e de
hepatite B, que se instala como
mãe para filho durante o parto.
doença crônica.

134
Citologia Biologia

Doença Transmissão Profilaxia

Fazer acompanhamento rigoroso


das amostras dos bancos de
sangue e não compartilhar
Via sanguínea e em atos sexuais,
Hepatite C agulhas ou seringas. Há cura
caso haja sangramento.
para a hepatite, caso seja
precocemente detectada e
tratada. Não há vacinas.

A forma de contágio mais comum


Herpes labial (herpes simplex se dá pelo contato direto com Evitar contato direto com as
tipo 1 – HSV-1) secreções de lesões abertas feridas.
causadas pelo herpes.

Herpes genital tipo 2 (HSV-2) Contato sexual sem preservativo. Usar preservativo.

Secreções de animais Vacinar animais domésticos e


Raiva ou hidrofobia contaminados (saliva, fezes e evitar o contato com animais
urina). desconhecidos.

Poliomielite ou paralisia Vacinação, saneamento básico e


Água e alimentos contaminados.
infantil higiene pessoal.

Contato ou inalação de secreções


Evitar o contato direto com
Rubéola respiratórias, via sanguínea e
pessoas doentes e vacinação.
durante o parto.

Secreções respiratórias de
Evitar o contato direto com
Sarampo pessoas contaminadas (infecção
pessoas doentes e vacinação.
pelo ar).
PV-14-11

135
Biologia Citologia

ANOTAÇÕES

PV-14-11

136
Exercícios Propostos
Citologia Biologia

Capítulo 01
01. 04. UFC-CE
Assinale uma das características presentes em Analise o texto a seguir.
células procarióticas, como as bactérias. Nas bactérias, o material genético está orga-
a. Apresenta uma carioteca dupla e rica nizado em uma fita contínua de __________,
em poros. que fica(m) localizado(s) em uma área chama-
b. Mostra o material nuclear difuso pelo da __________.
citoplasma. Assinale a alternativa que completa correta-
c. Apresenta uma parede celular rica em mente o texto.
celulose. a. cromossomos – nucleossomo
d. Possui organelas membranosas, como, b. DNA – nucleossomo
por exemplo, retículo endoplasmático. c. plasmídeo – nucleoide
e. Como nas células animais, possui pare- d. DNA – nucleoide
de celular. e. RNA – núcleo
02. 05. PUC-RS
Uma célula bacteriana não possui: Um biologista, estudando a estrutura de uma
a. material hereditário e carioteca. célula bacteriana, iria encontrar, como uma or-
b. parede celular e centríolo. ganela deste tipo celular, o:
a. cloroplasto.
c. ribossomos e complexo golgiense.
b. retículo endoplasmático liso.
d. membrana plasmática.
c. centríolo.
e. nucléolo e carioteca. d. ribossomo.
03. UEL-PR e. retículo endoplasmático granuloso.
Observe o esquema a seguir. 06. Mackenzie-SP
Ribossomos Assinale a alternativa que apresenta estrutu-
ras encontradas em todos os tipos de células.
Material genético
a. Núcleo, mitocôndrias e ribossomos.
b. Parede celular, ribossomos e nucléolo.
Parede c. Centríolo, complexo golgiense e núcleo.
celular d. Ribossomos, membrana plasmática e
Membrana hialoplasma.
PV-14-14

plasmática e. Hialoplasma, carioteca e retículo endo-


plasmático.
Hialoplasma
07. UFU-MG
O desenho a seguir representa uma bactéria.
1
Ele representa: 2
a. uma bactéria. 3
b. um protozoário. 4
c. um fungo.
De acordo com ele e com base em seus co-
d. uma célula animal.
nhecimentos sobre o assunto, resolva as
e. uma célula vegetal. questões.

139
Biologia Citologia

a. A célula é procariótica ou eucariótica? 11. IFSP


Justifique. Há dois bilhões e meio de anos, surgiram orga-
b. Quais são os nomes das estruturas nu- nismos no nosso planeta com a capacidade de
meradas e suas respectivas funções? realizar fotossíntese e liberar oxigênio na at-
08. mosfera. Dessa época até 800 milhões de anos
atrás, o oxigênio deu origem ao escudo de
Os seres procariontes não apresentam a ca- ozônio que filtra a radiação ultravioleta nociva
rioteca envolvendo o material genético. São ao desenvolvimento de seres multicelulares.
exemplos de seres procariontes: Os seres vivos que realizaram a fotossíntese
a. algas e protozoários. e, por consequência, produziram o escudo de
b. vírus e bactérias. ozônio, foram seres unicelulares, desprovidos
c. bactérias e cianobactérias. de organoides membranosos internos. Esses
seres são classificados como:
d. fungos e protozoários.
a. anaeróbicos.
e. animais e vegetais.
b. eucariotas.
09. PUC-MG c. procariotas.
Sobre as cianobactérias, é incorreto afirmar d. metazoários.
que:
e. metáfitos.
a. não possuem núcleo individualizado.
12. UFPB
b. possuem clorofila como pigmento fo-
tossintetizante. As mudanças ocorridas na atmosfera, desde o
c. possuem cloroplastos. surgimento da vida na terra até os dias atuais,
levaram a uma evolução na forma pela qual os
d. possuem ribossomos. organismos obtêm sua energia. Consideran-
e. não possuem organelas membranosas. do as quatro amplas categorias nutricionais,
10. UFPE fotoautotróficos, foto-heterotróficos, quimio-
autotróficos e quimioheterotróficos, é correto
Na figura a seguir está representada esque- afirmar:
maticamente uma bactéria. Sabendo-se que
as enzimas relacionadas com a respiração nes- a. Os fotoautotróficos apresentam como
ses organismos estão ligadas à face interna de fonte de energia compostos orgânicos.
uma determinada estrutura, assinale a alter- b. As bactérias são capazes de obter ener-
nativa que indica esta estrutura e o número gia por essas quatro categorias.
que a representa na figura. c. Os quimioautotróficos obtêm carbono
1 a partir de substâncias inorgânicas.
2
d. Os quimioheterotróficos obtêm ener-
gia a partir da luz.
PV-14-14

e. Os foto-heterotróficos obtêm energia a


partir da luz e, o carbono, a partir de
compostos inorgânicos.
13. IFSC
3 4 5 Uma das características dos seres vivos é a
presença de célula. As células hoje conhecidas
a. Citoplasma (1)
são consideradas a menor unidade funcional
b. Membrana plasmática (2) dos seres vivos. Sobre esse assunto, assinale a
c. Núcleo (3) alternativa correta.
d. Parede celular (4) a. A membrana plasmática de células ani-
e. Cápsula (5) mais é constituída de lipídios, proteínas
e ácidos nucleicos.

140
Citologia Biologia

b. Apenas as células vegetais possuem a 15. UFPA


parede celular, estrutura impermeável “Todos os organismos são compostos de
que garante proteção à célula. células. Todas as células são originadas a
c. As células das cianobactérias são consi- partir de células preexistentes”. Essas duas
deradas procarióticas, uma vez que não afirmativas constituem a Teoria Celular. Com
possuem organização interna (organe- base nessa teoria, constatou-se, com auxílio
las membranosas). de microscópios, a existência de dois tipos de
d. Células eucariontes conseguem a pro- células que constituem os seres vivos: as célu-
dução de energia em organelas deno- las eucariotas e as procariotas. Das estruturas
minadas de complexo golgiense. ou organelas apresentadas abaixo, identifi-
e. A síntese de proteínas ocorre no inte- que aquelas que são encontradas somente em
rior dos lisossomos das células procari- células eucariotas.
óticas. a. Cromatina, mitocôndrias e peptidiogli-
cano.
14. UEL-PR
b. Carioteca, mitocôndrias e lisossomos.
Na tabela a seguir, estão assinaladas a presen-
ça (+) ou a ausência (–) de alguns componen- c. Parede celular, mesossomas e cloro-
tes encontrados em quatro diferentes tipos plastos.
celulares (A, B, C e D). d. Cromossomos, fímbrias e lisossomos.
e. Carioteca, plasmídeos e aparelho gol-
Componentes Tipos celulares
giense.
A B C D 16. Cesgranrio-RJ
Esta questão apresenta duas afirmações, po-
Envoltório nuclear + – + – dendo a segunda ser uma razão para a pri-
meira.
Ribossomos + + + +
Primeira afirmação
Mitocôndrias + – + – As bactérias e as cianobactérias são designa-
das como células procarióticas, porque,
Clorofila – + + – Segunda afirmação
Retículo endoplasmático + – + –
Em contraste com as células ditas eucarióticas,
as bactérias e as cianobactérias possuem ca-
racterísticas estruturais mais simples, desta-
Os tipos celulares A, B, C e D pertencem, res- cando-se a ausência do envoltório nuclear e
pectivamente, a organismos: do retículo endoplasmático.
a. procarioto heterótrofo, eucarioto hete-
rótrofo, procarioto autótrofo e eucario- Assinale a alternativa:
PV-14-14

to autótrofo. a. se as duas afirmações forem verdadei-


b. procarioto autótrofo, eucarioto autó- ras e a segunda for uma justificativa da
trofo, eucarioto heterótrofo e procario- primeira.
to heterótrofo. b. se as duas afirmações forem verdadei-
c. eucarioto heterótrofo, procarioto hete- ras e a segunda não for uma justificati-
rótrofo, procarioto autótrofo e eucario- va da primeira.
to autótrofo. c. se a primeira afirmação for verdadeira
d. eucarioto autótrofo, procarioto autó- e a segunda afirmação for falsa.
trofo, eucarioto heterótrofo e procario- d. se a primeira afirmação for falsa e a se-
to heterótrofo. gunda afirmação for verdadeira.
e. eucarioto heterótrofo, procarioto autó- e. se a primeira e a segunda afirmações
trofo, eucarioto autótrofo e procarioto forem falsas.
heterótrofo.

141
Biologia Citologia

17. UFMG 18. Mackenzie-SP


Observe estas figuras: Todos os indivíduos pertencentes ao reino
Monera, em sua célula, não apresentam:
a. DNA.
b. ribossomo.
c. plasto.
d. clorofila.
e. membrana plasmática.
19. Cesgranrio-RJ
Bactérias faxineiras
Uma das mais ativas participantes da
I comunidade que habita o andar de cima
dos oceanos é a P. aeroginosa, bactéria
que consegue degradar o óleo despejado
no mar.
Superinteressante, agosto/96.

A atividade dessa bactéria é importante para


os ecossistemas porque:
a. aumenta a entrada de luz do Sol para a
fotossíntese.
b. aumenta a oxigenação das águas, ga-
rantindo o trabalho das bactérias ana-
eróbicas.
c. contribui para o ciclo do carbono, por
II meio da degradação de hidrocarbone-
tos.
d. permite maior produção de carbono
oriundo do óleo degradado.
e. facilita a ação dos predadores marinhos
através da quebra do óleo em partícu-
las menores.
20. Mackenzie-SP
PV-14-14

Atualmente, um dos grandes problemas en-


III frentados pela medicina é a resistência das
bactérias aos antibióticos, graças à sua varia-
Considerando-se as informações contidas nes- bilidade genética. Dos processos reprodutivos
sas figuras e outros conhecimentos sobre o as- a seguir, assinale aquele que é o principal res-
sunto, é correto afirmar que: ponsável pelo aumento na variabilidade gené-
a. em II, ocorre fixação de dióxido de car- tica desses seres vivos.
bono. a. Esporulação
b. em III, a obtenção de energia depende b. Regeneração
de mitocôndrias.
c. Brotamento
c. em I e II, a transcrição e a tradução
ocorrem no mesmo compartimento. d. Bipartição
d. em I e III, os tipos de bases nitrogena- e. Conjugação
das são diferentes.

142
Citologia Biologia

21. 27. UFRN


Dê três estruturas não encontradas em uma A água oxigenada é normalmente formada nas
célula eucariótica animal. células como um subproduto de algumas re-
22. UFAL ações químicas. Devido ser extremamente tó-
xica, deve ser rapidamente decomposta. Para
Uma célula é classificada como eucariótica se neutralizar a ação da água oxigenada, a célula
contiver: utiliza-se da enzima X contida na organela Y.
a. compartimentos membranosos internos. X e Y são, respectivamente:
b. parede celular rígida. a. catalase e peroxissomo.
c. membrana plasmática. b. glicosidase e retículo endoplasmático
d. ácidos nucleicos. rugoso.
e. ribossomos. c. peroxidade e lisossomo.
23. UEL-PR d. catalase e complexo golgiense.
As estruturas que podem estar aderidas ao re- e. esfingomielinase e lisossomo.
tículo endoplasmático são: 28. Unifor-CE
a. os lisossomos. d. as mitocôndrias. A figura abaixo mostra uma célula animal:
b. os ribossomos. e. os pinossomos.
c. os vacúolos.
V
24. UMC-SP
Indispensável ao trabalho celular é a liberação
de energia que se processa no(s)/ na(s): I IV
a. mitocôndrias. III

b. complexo golgiense. II
c. lisossomos.
d. ribossomos. Mitocôndrias e retículo endoplasmático granu-
e. vacúolos. loso estão representados, respectivamente, por:
25. PUCCamp-SP a. I e IV.
Uma célula secretora apresenta, como organela b. II e I.
mais desenvolvida, o retículo endoplasmático c. II e III.
liso (não granuloso). Pode-se concluir que esta d. III e V.
célula produz: e. IV e I.
a. aminoácidos. d. glicoproteínas.
29. Unimontes-MG
PV-14-14

b. proteínas. e. lipídios.
O trabalho desenvolvido por uma determinada
c. muco. célula no nosso organismo é resultado das fun-
26. UFRJ ções de várias de suas organelas. A figura a seguir
Os lisossomos são estruturas celulares encar- representa duas organelas celulares. Observe-as.
regadas do seguinte processo:
a. secreção.
b. transporte.
c. reprodução.
d. digestão.
e. metabolismo energético.

I II

143
Biologia Citologia

De acordo com a figura apresentada e o assun- I. Ácidos nucleicos são encontrados nas
to abordado, analise as afirmativas abaixo e organelas 1, 2 e 4.
assinale a alternativa correta. II. Um produto da organela 4 é utilizado
a. I é responsável pela secreção de substân- em processos que ocorrem nas organe-
cias que irão atuar no meio extracelular. las 1 e 2.
b. As duas organelas apresentadas são III. Proteínas atuam no metabolismo das or-
constituintes de células eucariotas. ganelas 1 e 4, mas não atuam em 2 e 3.
c. O centro de armazenamento e empa- IV. Células vegetais não apresentam as or-
cotamento intracelular localiza-se em I. ganelas 3 e 4.
d. II é rico em ribossomos, sendo respon- V. Durante a divisão celular, as organelas
sável pela síntese de proteínas. 1, 2 e 4 se desintegram.
30. Avaliando-se as afirmações, pode-se dizer que
Associe corretamente cada estrutura celular à estão corretas:
sua função ou característica: a. I, II, III, IV e V.
I. Ribossomo b. I, II e IV, apenas.
II. Mitocôndria c. I e II, apenas.
III. Lisossomo d. II e III, apenas.
IV. Complexo golgiense 32. UFSM
V. Centríolo Numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª.
A. Secreção celular Coluna 1
B. Ausente na maioria dos vegetais 1. Encontra(m)-se exclusivamente em eu-
cariontes.
C. Rico em enzimas digestivas
2. Ocorre(m) em eucariontes e procariontes.
D. Podem estar presentes no retículo en-
doplasmático granuloso Coluna 2
E. Presente em grande número em célu- ( ) Ribossomos
las musculares ( ) Mitocôndrias
A correlação correta é: ( ) Membrana plasmática
a. IA, IIB, IIIC, IVD e VE. ( ) Retículo endoplasmático
b. IE, IID, IIIC, IVB e VA. A sequência correta é:
c. ID, IIE, IIIC, IVA e VB. a. 1 – 2 – 1 – 2 d. 2 – 2 – 1 – 1
d. IC, IIA, IIID, IVE e VB. b. 1 – 2 – 2 – 1 e. 2 – 1 – 2 – 2
e. ID, IIC, IIIB, IVA e VE. c. 2 – 1 – 2 – 1
PV-14-14

31. PUC-MG 33. Cefet-SP


Um aluno, analisando o esquema de uma cé- É incorreta a afirmativa:
lula eucariota animal, fez algumas afirmações. a. O núcleo contém o material genético
Membrana plasmática da célula.
b. A mitocôndria é a usina energética da
1 célula, disponibilizando a energia ar-
mazenada nos carboidratos.
2
c. O cloroplasto realiza a fotossíntese.
d. No complexo golgiense, ocorre a fase
3
escura da fotossíntese.
Ribossomo 4 e. O lisossomo atua como sistema de di-
Lisossomo
gestão intracelular.

144
Citologia Biologia

34. PUC-RS d. O complexo golgiense pode ser compa-


Responda à questão relacionando as estrutu- rado com a seção de embalagem, pois
ras presentes na coluna I com as informações empacota as glicoproteínas formando
presentes na coluna II. grânulos de secreção.
e. O citoesqueleto pode representar a se-
Coluna II
ção de produção, pois é o responsável
( ) Mitocôndrias pela organização e movimentação de
( ) Centríolos organelas.
( ) DNA 36. UFPE
( ) Ribossomos Associe os seres vivos relacionados na coluna I
( ) Proteínas com suas respectivas características na coluna II.
( ) Peroxissomos Coluna I
( ) RNA 1. Vegetal
2. Animal
Coluna II
3. Protista
1. Presente apenas nas células eucarióticas.
4. Fungo
2. Presente apenas nas células procarióticas.
5. Bactéria
3. Presente tanto em células eucarióticas
como em procarióticas. Coluna II
A ordem correta dos parênteses da coluna I, ( ) Pluricelular, eucarionte e heterótrofo
de cima para baixo, é: ( ) Unicelular, procarionte, autótrofo por
a. 1 – 1 – 3 – 3 – 3 – 1 – 3 quimiossíntese e/ou fotossíntese
b. 1 – 2 – 3 – 1 – 1 – 2 – 1 ( ) Pluricelular, eucarionte e autótrofo por
c. 2 – 1 – 1 – 2 – 3 – 1 – 2 fotossíntese
d. 2 – 2 – 3 – 3 – 3 – 2 – 3 ( ) Unicelular ou pluricelular, eucarionte,
e. 3 – 1 – 2 – 3 – 1 – 2 – 1 heterótrofo, com nutrição por absorção
( ) Unicelular, eucarionte, heterótrofo,
35. UFV-MG
com nutrição por digestão
Uma característica das células eucarióticas é
A sequência correta é:
a presença de organelas, as quais delimitam
compartimentos que desempenham funções a. 2, 5, 1, 4 e 3.
específicas no metabolismo celular. Nesse sen- b. 2, 3, 1, 5 e 4.
tido, a célula eucariótica pode ser comparada c. 4, 3, 2, 1 e 5.
a uma fábrica organizada em seções de esto-
d. 4, 5, 1, 2 e 3.
que, montagem, embalagem, produção, lim-
PV-14-14

peza etc. Considerando essa analogia, assinale e. 2, 3, 1, 4 e 5.


a alternativa incorreta: 37. Unesp
a. O nucléolo pode representar uma das Se fôssemos comparar a organização e o fun-
seções de montagem, uma vez que pro- cionamento de uma célula eucarionte com o
duz subunidades ribossomais que vão que ocorre em uma cidade, poderíamos esta-
atuar na síntese proteica. belecer determinadas analogias. Por exemplo,
b. O retículo endoplasmático liso (não a membrana plasmática seria o perímetro ur-
granuloso) pode funcionar como seção bano e o hialoplasma corresponderia ao espa-
de estoque, pois desempenha a função ço ocupado pelos edifícios, ruas e casas com
de armazenar o código genético. seus habitantes.
c. O lisossomo pode representar a seção As colunas reúnem algumas similaridades fun-
de limpeza, pois é o responsável pela cionais entre cidade e célula eucariótica.
digestão intracelular.

145
Biologia Citologia

Cidade 1. DNA
I. Ruas e avenidas 2. Núcleo
II. Silos e armazéns 3. Mitocôndria
III. Central elétrica (energética) 4. Cloroplastos
IV. Casas com aquecimento solar
Atualmente, os seres vivos são classificados
V. Restaurantes e lanchonetes
em cinco reinos:
Célula eucariótica 1) Monera (bactérias e cianobactérias).
1. Mitocôndrias 2) Protista (algas e protozoários).
2. Lisossomos
3) Fungi (fungos).
3. Retículo endoplasmático
4. Complexo golgiense 4) Animalia (animais).
5. Cloroplastos 5) Plantae (plantas).
Correlacione os locais da cidade com as prin- a. As três formas da figura (procarioto,
cipais funções correspondentes às organelas eucarioto A e eucarioto B) deram ori-
celulares e assinale a alternativa correta. gem aos cinco reinos anteriores. Iden-
tifique os reinos originados por cada
a. I-3, II-4, III-1, IV-5 e V-2. uma dessas três formas. Justifique sua
b. I-4, II-3, III-2, IV-5 e V-1. resposta.
c. I-3, II-4, III-5, IV-1 e V-2. b. Com base nos dados da figura, qual se-
d. I-1, II-2, III-3, IV-4 e V-5. ria a melhor característica para separar
e. I-5, II-4, III-1, IV-3 e V-2. procariotos de eucariotos? Justifique
38. PUC-MG sua resposta.
Assinale o elemento que não é um componen- 40. FGV-SP
te de uma célula eucariótica heterótrofa. Todos os seres vivos (exceto os vírus) são
a. Carioteca d. DNA formados por células. De acordo com o tipo
b. Mitocôndria e. RNA estrutural de células que os compõem, os or-
ganismos podem ser classificados em euca-
c. Cloroplastro
riontes ou procariontes.
39. UFRJ Assinale a alternativa correta.
A vida surgiu na Terra há mais de três bilhões a. Os protozoários e as bactérias possuem
de anos. Uma das primeiras formas de vida células eucarióticas.
foram os procariotos primitivos, que eram b. Os fungos (bolores e leveduras) pos-
organismos unicelulares, formados por uma suem células eucarióticas.
membrana e protoplasma. Esses procariotos,
através do tempo, foram incorporando DNA, c. Os fungos e as bactérias possuem célu-
PV-14-14

mitocôndrias, alguns incorporaram núcleo e las procarióticas.


outros incorporaram cloroplastos, como mos- d. As bactérias e as plantas possuem célu-
tra o esquema a seguir: las eucarióticas.
1 2 1 3 2 1 3 4 e. As bactérias e os animais possuem cé-
lulas procarióticas.
41. UFPE
As células eucarióticas, animal e vegetal, em-
Procarioto Eucarioto A Eucarioto B bora guardem semelhanças estruturais e fun-
cionais, apresentam importantes diferenças.
Analise as proposições a seguir e assinale a
alternativa correta.

Procarioto primitivo

146
Citologia Biologia

1. O vacúolo das células vegetais atua na c. As células vegetais apresentam cito-


digestão intracelular, visto que nestas plasma periférico e bastante redu-
células não há lisossomos como nas zido, por isso não apresentam orga-
células animais. nelas volumosas, como o complexo
2. O retículo endoplasmático granuloso golgiense.
e o complexo golgiense estão presen- d. A parede celular confere resistência
tes tanto em células animais quanto mecânica às células vegetais e substi-
em células vegetais. tui a membrana plasmática das células
3. Os centríolos, estruturas relacionadas animais.
aos movimentos cromossômicos, são 43. UFF-RJ
ausentes na maioria dos animais e
Considerando que uma célula tenha parede
amplamente difundidos entre os ve-
celular sem quitina, fuso mitótico sem a pre-
getais superiores.
sença de centríolos e membrana citoplasmáti-
4. Os cloroplastos bem como a parede ca composta de proteínas, fosfolipídios e car-
celular estão presentes em células ve- boidratos, pode-se concluir que essa célula é
getais. de um(a):
5. Nas células vegetais não há membra- a. alface.
na plasmática, uma vez que a parede
b. bactéria.
celular existente já é suficientemente
forte. c. cogumelo.
Estão corretas apenas: d. cachorro.
a. 1, 3 e 5. e. levedura.
b. 1, 2 e 3. 44. Unifesp-SP
c. 2, 3 e 4. A figura apresenta uma imagem microscópica
d. 2 e 4. de células eucarióticas.
e. 1, 2, 3 e 4.
42. UFOP-MG
As células eucariotas animais e vegetais
apresentam várias características em co- 2
mum, como a presença de organelas mem- 1
branosas e núcleo limitado pelo envoltório
nuclear. Entretanto, quando comparamos
essas células, encontramos também algumas
diferenças. Sobre essas diferenças, assinale a
alternativa correta.
PV-14-14

a. O vacúolo citoplasmático das células


vegetais contém água e enzimas, sendo
semelhante aos lisossomos das células
animais.
b. Os cloroplastos realizam a fotossíntese
J. Burgess, Carnegie Mellon University,
e produzem toda a energia da célula ve- mimp.mems.cmu.edu.
getal, uma vez que essa célula, diferen-
temente da dos animais, não apresenta a. A imagem mostra um conjunto de célu-
mitocôndrias. las animais ou vegetais? Justifique.
b. Dê o nome das estruturas apontadas
em 1 e 2 e explique suas funções.

147
Biologia Citologia

45. UFSM-RS 47. UFRGS-RS


O cérebro pode ser considerado uma carac- Observe, a seguir, o desenho de uma célula.
terística exclusiva dos animais. No entanto, 1 3
os vegetais também possuem caracteres pró- 2
prios.
2
1 3
6
7
8
4
5

9
A partir da análise do desenho, pode-se afir-
11
mar que se trata de uma célula ________ . O
10
número 1 representa ________, o número 2
AMABIS e MARTHO. Fundamentos da biologia corresponde ________ e o número 3 refere-se
moderna. São Paulo: Moderna, 2006.
à estrutura responsável por ________ .
Em nível celular, identifique, pela numeração Assinale a alternativa que completa correta-
indicada na figura, as estruturas que estão pre- mente as lacunas da descrição anterior.
sentes somente em células vegetais.
a. vegetal – o retículo endoplasmático –
a. 1 – 7 – 10 d. 2 – 3 – 11 à mitocôndria – proteger a célula
b. 6 – 7 – 11 e. 6 – 7 – 8 b. animal – o complexo golgiense – ao
c. 6 – 8 – 10 cloroplasto – armazenar água e sais
minerais
46. Fuvest-SP
c. animal – o retículo endoplasmático – à
mitocôndria – digerir partículas celula-
res
d. vegetal – o retículo endoplasmático –
ao cloroplasto – organizar os ribosso-
mos
Disponível em: <http//www.2uo.com.br/niquel/ e. vegetal – o complexo golgiense – à mi-
kal.shtrrl>. Acesso em: 25 mar. 2009.
tocôndria – realizar a síntese de proteí-
Os animais que consomem as folhas de um nas
livro alimentam-se da celulose contida no
papel. Em uma planta, a celulose é encon- 48. UFPA
PV-14-14

trada: Embora a diversidade dos seres vivos seja ex-


a. armazenada no vacúolo presente no tremamente grande, quase todos (exceto os
citoplasma. vírus) são constituídos por células. As células
dos organismos vivos são muito parecidas,
b. em todos os órgãos, como componente mas apresentam diferenças importantes; por
da parede celular. exemplo, a célula vegetal diferencia-se da
c. apenas nas folhas, associada ao parên- animal por apresentar as seguintes estrutu-
quima. ras celulares:
d. apenas nos órgãos de reserva, como a. membrana celulósica e lisossomos.
caule e raiz. b. membrana plasmática e centríolos.
e. apenas nos tecidos condutores do xile- c. membrana nuclear e mitocôndrias.
ma e do floema.
d. membrana celulósica e cloroplastos.

148
Citologia Biologia

49. UEL-SP Assinale a alternativa que contém todas as


Analise a figura a seguir. afirmativas corretas.
Parede celular a. I e III.
Membrana
plasmática
b. I e IV.
Envoltório c. II e IV.
nuclear
Núcleo d. I, II e III.
Nucléolo
e. II, III e IV.
Mitocôndria
Grão de
50. PUC-RJ
amido
Cloroplasto Qual das características a seguir não está pre-
sente nas células de vegetais superiores?
a. Parede celulósica
RAVEM, P. H. et. al. Biologia vegetal. Rio de b. Mitocôndrias
Janeiro, Guanabara Koogan, 2001. p. 45.
c. Núcleo individualizado
Com base na figura e nos conhecimentos so- d. Vacúolo
bre o tema, analise as afirmativas a seguir:
e. Centríolos
I. A parede celular auxilia na manuten-
ção da integridade osmótica externa, 51. UFRJ
já que, nas plantas, o líquido extrace- A vida é muitíssimo variada. Primei-
lular é hipertônico, ao contrário do que ro, há os animais e os vegetais, que a gente
acontece nos animais, onde as células diferencia bem. Isto porque os bichos se
estão mergulhadas em um meio hipo- movem e as plantas vivem sempre para-
tônico. das. Também conta o jeitão. Quem con-
funde uma mangueira com uma vaca? Ou
II. As células vegetais se assemelham às
um coqueiro com uma galinha? (...) além
células animais em muitos aspectos
destas diferenças há muitíssimas outras.
de sua morfologia, como a estrutura
RIBEIRO, Darcy. Noções de coisas. SP: FTD, 1995, p. 30.
molecular das membranas e de várias
organelas, em vários mecanismos mo- No trecho apresentado, o autor nos chama
leculares básicos, como a replicação do a atenção para as diferenças entre animais e
DNA e sua transcrição em RNA, a sínte- vegetais. Liste três diferenças significativas dos
se proteica e a transformação de ener- vegetais que podem ser usadas para distingui-
gia via mitocôndrias. -los dos animais.
III. Preencher grande parte de seu conteú- 52. UFMG
do total com um vacúolo é considerado
uma estratégia econômica usada pela Os representantes do reino Plantae apresen-
célula para aumentar seu tamanho e tam peculiaridades que são percebidas desde
PV-14-14

adquirir grande superfície de contato o nível celular. Analise esta figura:


entre o citoplasma e o ambiente exter- C B A
no, sem gasto de energia.
IV. Juntamente com os vacúolos e as pa-
redes celulares, os plastídios são com-
ponentes característicos das células
vegetais e estão relacionados com o
processo de fotossíntese e armazena-
mento. Os principais tipos de plastídios
são os cloroplastos, os cromoplastos e
os leucoplastos.

149
Biologia Citologia

a. Considerando as informações dessa fi- Estão corretas as afirmações:


gura e outros conhecimentos sobre o as- a. 1, 2 e 3.
sunto, cite a função desempenhada pela
b. 2, 4 e 5.
organela B.
c. 2, 3, 4 e 5.
b. Explique de que modo a função da orga-
nela A e a da organela C são realizadas d. 3 e 5.
nas células dos seres do reino Animalia. e. 1, 3 e 5.
53. Unicamp-SP 55. UFU-MG
A figura a seguir mostra o esquema do corte de Considerando uma célula vegetal típica, dê
uma célula, observado ao microscópio eletrônico. o nome de cada estrutura ou composto cuja
função é respectivamente citada a seguir pelas
letras de A a D.
a. Organela fotossintetizante.
b. Organela responsável pela respiração
celular.
c. Organela na qual várias substâncias são
armazenadas, porém nenhuma subs-
tância é ali produzida. Essa organela
ocupa um grande espaço intracelular.
a. A célula é proveniente do tecido animal d. Principal constituinte da membrana ce-
ou do vegetal? Justifique. lulósica.
b. Se essa célula estivesse em intensa ati- 56. UFF-RJ
vidade de síntese proteica, que organe-
las estariam mais desenvolvidas ou pre- O acúmulo de metais pesados no solo, como
sentes em maior quantidade? Por quê? o cádmio, o zinco e o chumbo, resultante de
atividades industriais, tem grande impacto na
54. UFPR biota desses locais. Apesar de serem requeri-
Com base no desenho abaixo, que representa dos em pequenas quantidades pelos organis-
uma célula vegetal, foram feitas seis afirmações. mos vivos, o excesso desses metais é tóxico
para a maioria das espécies e compromete
1
sua sobrevivência.
6 Algumas espécies de plantas são capazes de
4 crescer em solos que contêm grandes quan-
5 tidades desses metais. Nas células dessas
3 plantas, podem ser encontrados diferentes
2 mecanismos para a resistência a esses me-
7
PV-14-14

tais, como a imobilização por polissacarídeos,


a exemplo da pectina, e a formação de com-
1. A estrutura 1 está presente apenas nas plexos com ácidos orgânicos no interior da
células de organismos eucariontes. organela que ocupa o maior volume da célula
2. As estruturas 2, 3 e 4 correspondem, res- desenvolvida.
pectivamente, a cloroplasto, mitocôndria Os locais na célula vegetal onde ocorrem os
e retículo endoplasmático granuloso. mecanismos citados são, respectivamente:
3. A estrutura 5 dá origem aos ribossomos. a. membrana plasmática e cloroplasto.
4. A estrutura 6 tem função de armazena- b. parede celular e vacúolo.
mento de substâncias e regulação da
c. microtúbulo e lisossomo.
pressão osmótica.
d. parede celular e ribossomo.
5. A estrutura 7 também está presente nas
células animais. e. membrana plasmática e vacúolo.

150
Citologia Biologia

57. UFMS 58. UERJ


A água dos rios, lagos, mares e oceanos ocupa O papel comum é formado, basicamente, pelo
mais de 70% da superfície do planeta. Pela absor- polissacarídeo mais abundante no planeta.
ção de energia na forma de calor, principalmente Esse carboidrato, nas células vegetais, tem a
a proveniente do Sol, parte dessa água evapora, seguinte função:
sobe, condensa-se e forma as nuvens, retornando a. revestir as organelas.
à terra através de chuva ou neve.
b. formar a membrana plasmática.
A água, por ser absorvida pelo solo, chega às c. compor a estrutura da parede celular.
plantas que, através da transpiração e respiração,
passam-na para a atmosfera. d. acumular reserva energética no hialo-
plasma.
Também os animais contribuem para a circulação
da água no ambiente, pois, ao ingerirem água, 59. UFC-CE
devolvem-na pela respiração e excreção. As especializações das células das plantas es-
De forma menos visível, a água ocorre, ainda, em tão sempre associadas à estrutura das pare-
grande quantidade, no citoplasma das células e des celulares. Assim, nos diferentes tecidos
nos demais fluidos biológicos, onde regula a tem- vegetais, as células têm paredes de espessura
peratura e atua como solvente universal nas rea- e composição química variadas. No final da
ções químicas e biológicas. mitose, na região central da célula, inicia-se
a formação de lamelas para originar a pare-
Por estar a água relacionada à maioria das ações de celular. A organela celular responsável por
que ocorrem na natureza, é ela também a respon- essa formação é o:
sável, muitas vezes, por problemas ambientais.
a. aparelho golgiense.
Os processos tecnológicos de geração de energia b. retículo endoplasmático.
são fontes importantes de impactos ambientais.
A queima de combustíveis derivados de petróleo, c. cloroplasto.
como a gasolina e o óleo diesel, lança, na atmos- d. vacúolo.
fera, grandes quantidades de dióxido de carbono, e. lisossomo.
um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. 60. UFSC
É, pois, relevante que nos interessemos pela água A parede celular é uma estrutura de revesti-
que, paradoxalmente, é fonte de vida e veículo de mento externo de células vegetais.
poluição.
Sobre a parede celular, é correto afirmar que:
Num meio hipotônico, a água pode ser um pro-
01. apresenta pontuações (poros) que per-
blema para certas células animais, que se rompe-
mitem o intercâmbio entre células vizi-
riam por absorção excessiva de água. Nas células
nhas.
vegetais, no entanto, a resistência e elasticidade
do(a) __________ impedem sua deformação e 02. apresenta celulose em sua composi-
PV-14-14

eventual rompimento. Assinale a alternativa que ção.


completa corretamente a lacuna. 04. é impermeável.
a. membrana plasmática 08. é resistente à tensão.
b. parede celular 16. está ausente nas células mais velhas.
c. citoesqueleto 32. dependendo do tipo vegetal, pode
apresentar outras substâncias em sua
d. retículo endoplasmático
composição, tais como a suberina.
e. vacúolo
Dê a soma dos itens corretos.

151
Biologia Citologia

Capítulo 02
61. UEPE 63.
História e variações do cuscuz Utilizando seus conhecimentos sobre a vida do
planeta Terra, responda:
O kuz-kuz ou alcuzcuz nasceu na
África Setentrional. Inicialmente, fei- a. De onde provêm todos os carboidratos
to pelos mouros com arroz ou sorgo, o naturais utilizados pelos animais e ve-
prato se espalhou pelo mundo no século getais?
XVI, sendo feito com milho americano. b. Por que se diz que, se a produção dos
No Brasil, a iguaria foi trazida pelos carboidratos naturais acabasse, a vida
portugueses na fase Colonial. Estava na terra seria extinta?
presente apenas nas mesas das famílias 64. UFC-CE
mais pobres e era a base da alimentação
dos negros. Em São Paulo e Minas Ge- Algumas reações fragmentam moléculas orgâ-
rais, o prato se transformou em uma re- nicas complexas e ricas em energia, originan-
feição mais substancial, recheado com do moléculas mais simples e pobres em ener-
camarão, peixe ou frango e molho de gia como dióxido de carbono, água e amônia.
tomate. No Nordeste, a massa de milho O conjunto dessas reações caracteriza:
feita com fubá é temperada com sal, co- a. o anabolismo como processo básico.
zida no vapor e umedecida com leite de b. o catabolismo como processo básico.
coco com ou sem açúcar. c. o catabolismo como síntese de molécu-
Disponível em: <www.mundolusiada. las variadas.
com.br/.../gas015_jun08>.
d. a homeostase como processo de frag-
Assinale a alternativa que preenche correta- mentação de moléculas.
mente a lacuna. e. a homeostase como processo de sínte-
Delícias da culinária da nossa terra, o cuscuz se de moléculas simples.
feito de milho é rico em _________. 65. UFMS
a. amido
A revista Pesquisa FAPESP, edição online de
b. carotenoide 27/11/2007, publicou matéria intitulada "Eta-
c. cera nol de quê? A cana é hoje a melhor opção para
d. glicogênio produzir álcool, mas o milho, e, sobretudo a
mandioca, também têm bom potencial". O ál-
e. lipídio
cool é produzido por processo de fermentação
62. Mackenzie-SP do açúcar. Assinale a alternativa que indica
As substâncias que se destinam a fornecer ener- o nome dado ao açúcar da cana, classificado
PV-14-14

gia, além de serem responsáveis pela rigidez de como dissacarídeo.


certos tecidos, sendo mais abundantes nos ve- a. Lactose
gentais, são os________, sintetizados pelo pro- b. Frutose
cesso de ________.
c. Amido
A alternativa que preenche corretamente os es- d. Sacarose
paços é:
e. Ribose
a. lipídios, fotossíntese.
66. UECE
b. ácidos nucleicos, autoduplicação.
c. ácidos nucleicos, fotossíntese. Sabe-se que o carboidrato é o principal fa-
tor a contribuir para a obesidade, por entrar
d. álcoois, fermentação. mais diretamente na via glicolítica, desvian-
e. carboidratos, fotossíntese. do-se para a produção de gordura, se inge-

152
Citologia Biologia

rido em excesso. Uma refeição composta de 68. UFG-GO


bolacha (amido processado industrialmente) Leia as informações abaixo.
e vitamina de sapoti (sapoti, rico em fruto- A ingestão de gordura trans promove
se), leite (rico em lactose) e açúcar (sacarose um aumento mais significativo na razão:
processada industrialmente) pode contribuir lipoproteína de baixa densidade/lipopro-
para o incremento da obesidade, por ser, teína de alta densidade (LDL/HDL), do
conforme a descrição acima, visivelmente que a ingestão de gordura saturada.
rica em:
Aued-Pimentel, s. et ai. Revista do Instituto
a. lipídios. Adolfo Lutz, 62 (2):131-137, 2003. Adaptado.
b. proteínas. Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária,
c. glicídios. um alimento só pode ser considerado “zero
d. vitaminas. trans” quando contiver quantidade menor ou
igual a 0,2 g desse nutriente, não sendo reco-
67. UFPel-RS
mendado consumir mais que 2 g de gordura
Durante muito tempo acreditou-
trans por dia. O quadro abaixo representa um
se que os carboidratos tinham funções
rótulo de um biscoito comercialmente vendi-
apenas energéticas para os organismos.
do que atende às especificações do porcentual
O avanço do estudo desses compostos,
de gordura trans, exigidas pela nova legislação
porém, permitiu descobrir outros even-
brasileira.
tos biológicos relacionados aos carboi-
dratos.
Ciência hoje. V. 39., 206. Adaptado. Informação nutricional

Baseado no texto e em seus conhecimentos, é Porção de 30 g (2 biscoitos)


incorreto afirmar que:
a. os carboidratos são fundamentais no Quantidade por porção
processo de transcrição e replicação,
Carboidratos 19 g
pois participam da estrutura dos áci-
dos nucleicos.
Gorduras totais 7,3 g
b. os carboidratos são importantes no
reconhecimento celular, pois estão Gordura saturada 3,4 g
presentes externamente na membra-
na plasmática, onde eles formam o Gordura trans 0,5 g
glicocálix.
c. os triglicérides ou triacilglicerídeos, As informações apresentadas permitem con-
carboidratos importantes como reser- cluir que o consumo diário excessivo do biscoi-
va energética, são formados por car- to poderia provocar alteração de:
PV-14-14

bono, hidrogênio e oxigênio. a. triglicéride, reduzindo sua concentra-


d. tanto a quitina, que forma a carapa- ção plasmática.
ça dos artrópodes, quanto a celulose, b. triacilglicerol, diminuindo sua síntese
que participa da formação da parede no tecido adiposo.
celular, são tipos de carboidratos. c. LDL-colesterol, aumentando sua con-
e. o amido, encontrado nas plantas, e o centração plasmática.
glicogênio, encontrado nos fungos e d. HDL-colesterol, elevando sua concen-
animais, são exemplos de carboidra- tração plasmática.
tos e têm como função a reserva de
energia. e. colesterol, reduzindo sua concentração
plasmática.

153
Biologia Citologia

69. PUC-PR 71. UFRGS-RS


O colesterol tem sido considerado um vilão Os carboidratos, moléculas constituídas, em ge-
nos últimos tempos, uma vez que as doenças ral, por átomos de carbono, hidrogênio e oxigê-
cardiovasculares estão associadas a altos ní- nio, podem ser divididos em três grupos: monos-
veis desse composto no sangue. No entanto, sacarídeos, oligossacarídeos e polissacarídeos.
o colesterol desempenha importantes papéis A coluna I, a seguir, apresenta três grupos de
no organismo. carboidratos, e a II, alguns exemplos desses
Analise os itens a seguir. carboidratos.
I. O colesterol é importante para a inte- Associe adequadamente a segunda coluna à
gridade da membrana celular. primeira.
II. O colesterol participa da síntese dos Coluna I
hormônios esteroides.
1. Monossacarídeo
III. O colesterol participa da síntese dos
2. Oligossacarídeo
sais biliares.
3. Polissacarídeo
Da análise dos itens, é correto afirmar que:
Coluna II
a. somente I é verdadeiro.
( ) Sacarose
b. somente II é verdadeiro.
( ) Amido
c. somente III é verdadeiro.
( ) Galactose
d. somente I e II são verdadeiros.
( ) Desoxirribose
e. I, II e III são verdadeiros.
( ) Quitina
70. UEG-GO
A ingestão diária de leite pode cau- ( ) Maltose
sar perturbações digestivas em milhões A sequência correta de preenchimento dos pa-
de brasileiros que apresentam intolerân- rênteses, de cima para baixo, é:
cia a esse alimento, a qual é provocada a. 2 — 3 — 1 — 1 — 3 — 2
pela deficiência de lactase no adulto, uma
condição determinada geneticamente e de b. 3 — 1 — 3 — 2 — 2 — 1
prevalência significativa no Brasil. c. 1 — 2 — 2 — 3 — 1 — 3
Ciência Hoje, v. 26, n. 152, ago. 1999, p. 49. Adaptado. d. 2 — 1 — 2 — 2 — 3 — 1
Tendo em vista o tema apresentado acima, é e. 1 — 3 — 1 — 3 — 2 — 2
incorreto afirmar: 72. UFPB
a. A lactose, presente no leite, bem como Sobre a substâncias orgânicas que compõem
outros carboidratos de origem animal as estruturas celulares, pode-se afirmar:
representam uma importante fonte de
PV-14-14

I. Lipídios fazem parte da constituição das


energia na dieta humana. paredes das células vegetais.
b. A lactase, assim como outras enzimas, tem II. Carboidratos fazem parte da constitui-
sua atividade influenciada por diversos fa- ção das membranas citoplasmáticas das
tores, tais como a temperatura e o pH. células animais.
c. A lactase é uma enzima que age sobre a III. Proteínas fazem parte da constituição
lactose, quebrando-a em duas moléculas, química da cromatina.
sendo uma de maltose e outra de galac-
tose. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
d. O efeito simultâneo da desnutrição e das a. I, II e III.
infecções intestinais pode resultar em b. I e II, apenas.
deficiência secundária de lactase, aumen- c. II e III, apenas.
tando ainda mais o número de pessoas d. I e III, apenas.
com intolerância à lactose. e. II, apenas.

154
Citologia Biologia

73. PUC-MG c. É um polímero de glicose estocado no


Os lipídios compreendem um grupo quimica- fígado e nos músculos pela ação da in-
mente variado de moléculas orgânicas tipica- sulina.
mente hidrofóbicas. Diferentes lipídios podem d. É um polímero de frutose, presente
cumprir funções específicas em animais e ve- apenas em músculos de suínos.
getais. Assinale a alternativa incorreta. e. É um polímero proteico estocado no fíga-
a. Os carotenoides são pigmentos acessó- do e nos músculos pela ação do glucagon.
rios capazes de captar energia solar. 76. UFRN
b. Os esteroides podem desempenhar pa- Embora seja visto como vilão, o colesterol é
péis regulatórios como, por exemplo, muito importante para o organismo humano,
os hormônios sexuais. porque ele é:
c. Os triglicerídeos podem atuar como a. precursor da síntese de testosterona e
isolantes térmicos ou reserva energéti- progesterona.
ca em animais.
b. agente oxidante dos carboidratos.
d. O colesterol é uma das principais fontes
de energia para o fígado. c. responsável pela resistência de cartila-
gens e tendões.
74. UFRN
d. co-fator das reações biológicas.
Embora o excesso de radiação UV possa pro-
77. UFRN
vocar câncer, uma certa quantidade dessa ra-
diação é necessária para a saúde, porque ela O uso de óleos vegetais na preparação de ali-
está relacionada com a: mentos é recomendado para ajudar a manter
a. transformação de um derivado do co- baixo o nível de colesterol no sangue. Isso
lesterol em calciferol. ocorre porque esses óleos:
b. absorção do ácido fólico encontrado a. têm pouca quantidade de glicerol.
nos alimentos. b. são pouco absorvidos no intestino.
c. síntese da vitamina K, que atua na coa- c. são pobres em ácidos graxos saturados.
gulação sanguínea. d. têm baixa solubilidade no líquido extra-
d. ativação da vitamina E, que inibe as re- celular.
ações de oxidação. 78. Unirio-RJ
75. UEL-PR
Pesquisadores franceses identifica- Inmetro: ovo diet não alerta que
ram um gene chamado de RN, que, quan- contém lactose
do mutado, altera o metabolismo energéti- O rótulo de um determinado ovo de
co do músculo de suínos, provocando um Páscoa diet, além de não informar sobre a
acúmulo de glicogênio muscular, o que presença de lactose, afirmava que o produto
PV-14-14

prejudica a qualidade da carne e a produ- não continha açúcar. Segundo o fabricante,


ção de presunto. a lactose encontrada no ovo era proveniente
Pesquisa FAPESP, n. 54, p. 37, 2000. do leite utilizado na confecção do chocolate
e não adicionada aos ingredientes.
Com base nos conhecimentos sobre o glicogê- O Globo, 2003. Adaptado.
nio e o seu acúmulo como reserva nos verte-
brados, é correto afirmar: A falta de informações precisas sobre a com-
a. É um tipo de glicolipídeo de reser- posição dos alimentos pode trazer complica-
va muscular acumulado pela ação da ções à saúde e, neste caso, principalmente à
adrenalina. dos diabéticos, pois:
b. É um tipo de glicoproteína de reserva a. a lactose, após ser absorvida pelo intes-
muscular acumulado pela ação do gluca- tino, é utilizada da mesma forma que a
gon. glicose.

155
Biologia Citologia

b. a concentração alta de lactose acabará a. Altos níveis plasmáticos de LDL favore-


fornecendo elevado teor de glicose ao cem a redução dos riscos de enfarto do
sangue. miocárdio.
c. A lactose se prende aos mesmos recep- b. Em uma dieta rica em colesterol, o fí-
tores celulares da insulina, aumentan- gado fica repleto de colesterol, o que
do a entrada de glicose nas células. reprime os níveis de produção de re-
d. Os diabéticos não metabolizam a lac- ceptores de LDL.
tose, aumentando sua concentração c. A deficiência do receptor, por origem
sanguínea. genética ou dietética, eleva os níveis
e. A lactose, após ser absorvida, estimula plasmáticos de LDL.
a liberação de glucagon, aumentando a d. Em uma dieta normal, a VLDL é secreta-
taxa de glicose sanguínea. da pelo fígado e convertida em IDL nos
79. PUC-MG capilares dos tecidos periféricos.
Lipoproteínas são proteínas transportadoras 80. UFF-RJ
de lipídios na corrente sanguínea. O esquema Os hormônios esteroides – substâncias de na-
adiante representa a captação hepática e o tureza lipídica – são secretados a partir de ve-
controle da produção dessas lipoproteínas, que sículas provenientes, diretamente, do:
podem ser de baixa densidade (LDL), de muito a. retículo endoplasmático não granuloso.
baixa densidade (VLDL), de densidade interme-
b. retículo de transição.
diária (IDL) e, ainda, de alta densidade (HDL),
que não está representada no desenho. c. complexo golgiense.
Com base na figura e em seus conhecimentos, d. retículo endoplasmático granuloso.
assinale a afirmativa incorreta. e. peroxissomo.
Dieta normal (sem colesterol) 81. UFSC
Colesterol Proteínas são moléculas essenciais à vida,
Fígado atuando como enzimas, hormônios, anti-
da dieta
Função normal LDL
corpos, antibióticos e agentes antitumorais,
do receptor Repressão da síntese
de LDL além de estar
do receptor de LDL presentes nos cabelos, na lã,
VLDL LDL na seda, em unhas, carapaças, chifres e penas
VLDL dos seres vivos.
IDL Em relação às proteínas,
IDL é correto afirmar
que:
Ácidos
Capilar graxos 01. são biopolímeros Ácidosconstituídos de ami-
Lipoproteína- livres noácidos, os graxos
quais são unidos entre si
lipase livres
por meio de ligações peptídicas.
Lipoproteína-
PV-14-14

lipase
Dieta rica em colesterol 02. a produção destas moléculas se dá
Colesterol sem gasto de energia pelos organis-
da dieta mos, já que os aminoácidos provêm
LDL
Repressão da síntese da alimentação.
do receptor de LDL 04. todas as proteínas possuem peso mo-
LDL lecular idêntico, característica especial
VLDL dessas moléculas.
IDL IDL 08. a insulina, que foi o primeiro hormô-
Ácidos
nio a ter sua sequência de aminoáci-
graxos Ácidos dos conhecida, é produzida por células
eína- livres graxos especializadas do pâncreas.
Lipoproteína- livres
lipase

156
Citologia Biologia

16. apesar da diversidade na constituição 85.


e estruturação de seus aminoácidos, Dentre as afirmações abaixo, assinale a(s) que
essas moléculas apresentam, no seu caracteriza(m) corretamente as proteínas.
conjunto, a mesma velocidade de de-
gradação no meio ambiente. I. São essencialmente formadas por C, H,
O, N.
32. a grande variabilidade biológica dessas
moléculas permite sua utilização para II. São macromoléculas formadas pela
fins de identificação pessoal, da mesma união sucessiva de carboidratos de di-
forma e com a mesma precisão que os versos tipos.
exames de DNA. III. Podem formar estruturas diferencia-
Dê a soma de dois itens corretos. das, denominadas primária, secundá-
ria, terciária ou quaternária.
82. PUC-RJ
IV. Seu constituinte básico é o aminoácido.
Uma dieta alimentar pobre em carboidratos e a. I, II e III. d. II e IV.
rica em proteínas deve conter, respectivamente:
b. II, III e IV. e. Apenas I.
a. pouca carne e muitos farináceos.
c. I, III e IV.
b. pouco leite e muitas verduras.
c. pouca carne e muitas verduras. 86. Cesgranrio-RJ
d. pouco leite e muito açúcar. Os meios de comunicação, recentemente, di-
e. poucos farináceos e muita carne. vulgaram que a venda de carne para a popula-
ção caiu em 60%, sem haver aumento no con-
83. sumo de aves e peixes. Esse fato é preocupante
A(s) principal(is) substância(s) orgânica(s) que porque indica que foi reduzida a ingestão de
encontramos nas células dos seres vivos ani- nutrientes com função plástica, que são os(as):
mais é (são): a. glicídios.
a. a água. b. lipídios.
b. as gorduras. c. vitaminas.
c. as proteínas. d. sais minerais.
d. os sais. e. proteínas.
e. as vitaminas.
87. Cesgranrio-RJ
84. Efoa-MG A margarina finlandesa que reduz o
As fórmulas a seguir representam a união en- colesterol chega ao mercado americano
tre dois aminoácidos: no ano que vem.
H R O Jornal do Brasil
N C C
O uso de albumina está sob suspeita.
PV-14-14

H H OH
O Globo
H2O
H R2 O
Lactose não degradada gera dificul-
N C C
dades digestivas.
H OH Imprensa Brasileira
H
Qual é o nome da ligação que será formada com As substâncias em destaque nos artigos são,
a retirada dos grupos destacados no tracejado? respectivamente, de natureza:
a. Ligação peptídica a. lipídica, proteica e glicídica.
b. Ligação aminopolipeptídica b. lipídica, glicídica e proteica.
c. Ligação cetônica c. glicídica, orgânica e lipídica.
d. Ligação carboxílica d. glicerídica, inorgânica e proteica.
e. Ponte de hidrogênio e. glicerídica, proteica e inorgânica.

157
Biologia Citologia

88. PUCCamp-SP modificado Coluna 2


Os fenilcetonúricos têm falta de uma enzima ( ) Proteína motriz, que gera movimento
do fígado responsável pelo metabolismo do nas células.
aminoácido fenilalanina. Para que essa subs- ( ) Proteína sinalizadora, que controla os
tância não se acumule no sangue, os indivídu- níveis de glicose no sangue.
os afetados por essa anomalia devem evitar a ( ) Proteína transportadora, que transpor-
ingestão, dentre os nutrientes mencionados a ta oxigênio nas células sanguíneas.
seguir, de:
( ) Proteína estrutural, que reforça as célu-
a. proteínas, apenas. las epiteliais.
b. carboidratos, apenas.
A ordem correta dos parênteses da coluna 2,
c. gorduras, apenas. de cima para baixo, é:
d. gorduras e carboidratos. a. 3 – 2 – 1 – 4 d. 3 – 2 – 4 – 1
e. gorduras e proteínas. b. 1 – 4 – 2 – 3 e. 1 – 2 – 4 – 3
89. PUC-RJ c. 3 – 4 – 2 – 1
Chama-se aminoácido essencial ao aminoáci-
do que: 92. PUC-RJ
a. não é sintetizado no organismo humano. A gota é um distúrbio fisiológico que causa dor
e inchaço nas articulações, por acúmulo de
b. é sintetizado em qualquer organismo ácido úrico, um resíduo metabólico nitroge-
animal. nado. Considerando-se a composição química
c. só existe nos vegetais. dos diferentes nutrientes, que tipo de alimen-
d. tem função semelhante à das vitaminas. to um indivíduo com gota deve evitar?
e. é indispensável ao metabolismo ener- a. O rico em gordura.
gético. b. O pobre em gordura.
90. c. O pobre em proteínas.
Duas proteínas serão consideradas iguais se d. O rico em sais de sódio.
apresentarem: e. O rico em proteínas.
a. apenas o mesmo número de aminoácidos. 93. UFMG
b. apenas os mesmos tipos de aminoácidos. Observe esta figura:
c. apenas a mesma sequência de aminoáci-
dos.
d. os mesmos número e tipos de aminoá-
cidos, mas não necessariamente a mes-
ma sequência.
PV-14-14

e. os mesmos número, tipos e sequência Nódulos


de aminoácidos.
91. PUC-RS
Responda à questão relacionando as proteí-
nas da coluna 1 com suas respectivas funções, Os nódulos formados nas raízes das legumino-
apresentadas na coluna 2. sas resultam da colonização por bactérias fixa-
Coluna 1 doras de nitrogênio.
1. Queratina Devido à presença desses nódulos nas raízes,
2. Insulina as sementes de leguminosas – como a soja,
por exemplo – são boas armazenadoras de:
3. Miosina
a. amido. c. lipídios.
4. Hemoglobina
b. carboidratos. d. proteínas.

158
Citologia Biologia

94. Fuvest-SP d. uma cidade quer prevenir uma epide-


Qual das seguintes situações pode levar o or- mia de sarampo.
ganismo de uma criança a tornar-se imune a e. uma pessoa vai viajar para região onde
um determinado agente patogênico, por mui- existe febre amarela.
tos anos, até mesmo pelo resto de sua vida? 97. FEI-SP
a. Passagem de anticorpos contra o agente,
Muitas estruturas do nosso organismo pos-
da mãe para o feto, durante a gestação.
suem, em sua estrutura, o colágeno. Quimica-
b. Passagem de anticorpos contra o agente, mente, o colágeno pertence ao grupo:
da mãe para a criança, durante a ama-
mentação. a. dos carboidratos.
c. Inoculação, no organismo da criança, b. dos lipídios.
de moléculas orgânicas constituintes do c. das proteínas.
agente. d. dos glicídios.
d. Inoculação, no organismo da criança, de e. dos ácidos nucleicos.
anticorpos específicos contra o agente.
e. Inoculação, no organismo da criança, 98. Fuvest-SP
de soro sanguíneo obtido de um animal Leia o texto a seguir, escrito por Jöns Jacob
imunizado contra o agente. Berzelius, em 1828.
95. UFSCar-SP "Existem razões para supor que, nos animais
Em artigo publicado na Folha de S. Paulo e nas plantas, ocorrem milhares de processos
(29.09.2002), I. Raw, P. Buss, E. Camargo e A. catalíticos nos líquidos do corpo e nos tecidos.
Homma afirmam: Tudo indica que, no futuro, descobriremos
“Vacinas são usadas para prevenir doenças in- que a capacidade de os organismos vivos pro-
fecciosas. Soros são usados, junto com outras duzirem os mais variados tipos de compostos
medidas, para controlar as doenças que não químicos reside no poder catalítico de seus
puderam ser prevenidas." tecidos."
a. De que modo as vacinas previnem do- A previsão de Berzelius estava correta, e hoje
enças? sabemos que o “poder catalítico” mencionado
no texto deve-se:
b. De que modo os soros controlam doen-
ças que não puderam ser prevenidas? a. aos ácidos nucleicos.
96. ENEM b. aos carboidratos.
c. aos lipídios.
Quando o corpo humano é invadido por ele-
mentos estranhos, o sistema imunológico d. às proteínas.
reage. No entanto, muitas vezes o ataque é e. às vitaminas.
tão rápido que pode levar a pessoa à morte. 99. UFRGS-RS
PV-14-14

A vacinação permite ao organismo preparar


sua defesa com antecedência. Mas, se existe A encefalopatia espongiforme bovina, mais
suspeita de mal já instalado, é recomendável o conhecida como doença da vaca louca, faz
uso do soro, que combate de imediato os ele- parte de um grupo de doenças que têm como
mentos estranhos, enquanto o sistema imuno- agente causador:
lógico se mobiliza para entrar em ação. a. um lipídio. d. um DNA viral.
Considerando essas informações, o soro espe- b. uma proteína. e. um glicídio.
cífico deve ser usado quando: c. um RNA viral.
a. um idoso deseja se proteger contra gripe.
b. uma criança for picada por cobra pe- 100. ENEM
çonhenta. Na embalagem de um antibiótico, encontra-se
c. um bebê deve ser imunizado contra uma bula que, entre outras informações, expli-
poliomielite. ca a ação do remédio do seguinte modo:

159
Biologia Citologia

"O medicamento atua por inibição da síntese 101. UEG-GO


proteica bacteriana." Algumas pessoas possuem genes que não co-
Essa afirmação permite concluir que o antibiótico: mandam a produção de certas enzimas e, por
a. impede a fotossíntese realizada pelas isso, podem não realizar determinadas funções.
bactérias causadoras da doença e, as- Um exemplo disso no organismo humano é a au-
sim, elas não se alimentam e morrem. sência da enzima que transforma a fenilalanina,
b. altera as informações genéticas das encontrada nas proteínas ingeridas com alimento,
bactérias causadoras da doença, o que em tirosina. Sobre as enzimas, é correto afirmar:
impede manutenção e reprodução a. dependem da variação da temperatura
desses organismos. e da concentração de substrato, ativan-
c. dissolve as membranas das bactérias do o sistema enzimático.
responsáveis pela doença, o que difi- b. são proteínas que funcionam como ca-
culta o transporte de nutrientes e pro- talisadores de determinadas reações
voca a morte delas. químicas nos organismos.
d. elimina os vírus causadores da doen- c. ocorrem associadas a uma substância
ça, pois eles não conseguem obter as química não proteica, conhecida como
proteínas que seriam produzidas pelas cofator do sistema A.
bactérias que parasitam. d. favorecem a ocorrência de reações quí-
e. interrompe a produção de proteína micas em temperaturas altas, manten-
das bactérias causadoras da doença, do o pH constante.
o que impede sua multiplicação pelo
bloqueio de funções vitais.
102. IFSP
Considerando o esquema que representa, simplificadamente, algumas etapas do metabolismo
do aminoácido fenilalanina, foram feitas as seguintes afirmativas.
Ácido CO2 e H2O
homogentísico
Enzima 3

Fenilalanina Tirosina Diidroxifenilalanina Melanina


(DOPA)
Enzima 1 Enzima 2

Ácido Ácido
fenilpirúvico fenilacético PV-14-14

Ácido
fenil-lático

I. Na falta da enzima 1, há o acúmulo do aminoácido fenilalanina, gerando, também, ou-


tras substâncias derivadas (ácido fenilpirúvico, fenilacético e fenil-láctico), característi-
cas da doença metabólica fenilcetonúria.
II. O albinismo clássico é uma doença causada pela falta da enzima 2, que converte a tiro-
sina em DOPA, substância intermediária na produção de melanina, pigmento que dá cor
à pele, ao cabelo e aos olhos.
III. A falta da enzima 3 leva ao acúmulo do ácido homogentísico, que não é metabolizado
em gás carbônico e água.
É válido o que se afirma em:
a. I, apenas. c. I e II, apenas. e. I, II e III.
b. II, apenas. d. II e III, apenas.

160
Citologia Biologia

103. ENEM 105. Unicamp-SP


Alguns fatores podem alterar a rapidez das rea- Em famílias constituídas a partir da união de
ções químicas. A seguir, destacam-se três exem- primos em primeiro grau, é mais alta a ocor-
plos no contexto da preparação e da conservação rência de distúrbios genéticos, em compara-
de alimentos: ção com famílias formadas por casais que não
1. A maioria dos produtos alimentícios se têm consanguinidade.
conserva por muito mais tempo quando a. A que se deve essa maior ocorrência de
submetidos à refrigeração. Esse procedi- distúrbios genéticos em uniões consan-
mento diminui a rapidez das reações que guíneas?
contribuem para a degradação de certos
b. A fenilcetonúria (FCU) é um distúrbio
alimentos.
genético que se deve a uma mutação
2. Um procedimento muito comum utiliza- no gene que expressa a enzima respon-
do em práticas de culinária é o corte dos sável pelo metabolismo do aminoácido
alimentos para acelerar o seu cozimento, fenilalanina. Na ausência da enzima, a
caso não se tenha uma panela de pressão. fenilalanina se acumula no organismo
3. Na preparação de iogurtes, adicionam-se e pode afetar o desenvolvimento neu-
ao leite bactérias produtoras de enzimas rológico da criança. Esse distúrbio é fa-
que aceleram as reações envolvendo açú- cilmente detectado no recém-nascido
cares e proteínas lácteas. pelo exame do pezinho. No caso de ser
Com base no texto, quais são os fatores que constatada a doença, a alimentação
influenciam a rapidez das transformações quí- dessa criança deve ser controlada. Que
micas relacionadas aos exemplos 1, 2 e 3, res- tipos de alimento devem ser evitados:
pectivamente? os ricos em carboidratos, lipídios ou
a. Temperatura, superfície de contato e proteínas?
concentração. Justifique.
b. Concentração, superfície de contato e
catalisadores. 106. PUC-PR
c. Temperatura, superfície de contato e As enzimas estão presentes em pequenas
catalisadores. quantidades no organismo. Elas são molé-
d. Superfície de contato, temperatura e culas extremamente específicas, atuando
concentração. somente sobre um determinado composto
e. Temperatura, concentração e catalisadores. e efetuam sempre o mesmo tipo de reação.
Em relação às enzimas, foram feitas quatro
104. Cesgranrio-RJ afirmações:
Cerca de 27 milhões de brasileiros
têm intolerância ao leite por deficiência I. Enzimas são proteínas que atuam como
na produção de uma enzima do intestino. catalisadoras de reações químicas.
II. Cada reação química que ocorre em um
PV-14-14

Folha de São Paulo


Sobre a enzima citada no artigo, e as enzimas ser vivo geralmente é catalisada por um
em geral, podemos afirmar que: tipo de enzima.
a. aumentam a energia de ativação neces- III. A velocidade de uma reação enzimática
sária para as reações. independe de fatores como a tempera-
b. atuam de forma inversamente propor- tura e o pH do meio.
cional ao aumento da temperatura. IV. As enzimas sofrem um processo de
c. são altamente específicas em função desgaste durante a reação química da
de sua forma terciária. qual participam.
d. são estimuladas pela variação do grau São verdadeiras as afirmações:
de acidez do meio. a. I e II, apenas. d. III e IV, apenas.
e. são consumidas durante o processo, b. I e III, apenas. e. I, II, III e IV
não podendo realizar nova reação do
c. I, II e IV, apenas.
mesmo tipo.

161
Biologia Citologia

107. UFAL ( ) a velocidade de uma determinada re-


Considere uma enzima que naturalmente atue ação enzimática está associada ao pH,
à temperatura de 36 °C. Explique a consequên- sendo que cada enzima tem um pH óti-
cia do aumento de temperatura sobre a ativi- mo de atuação.
dade dessa enzima. ( ) a atividade de uma determinada enzi-
ma é inibida irreversivelmente por um
108. UFPE mecanismo chamado de inibição com-
As enzimas são proteínas altamente especiali- petitiva, na qual o inibidor tem a forma
zadas que catalisam as mais diversas reações semelhante à do substrato.
químicas. Em relação à atividade dessas molé- 109. PUC-PR
culas, é correto afirmar que:
As enzimas são catalisadores orgânicos e atu-
( ) quando a temperatura e a concentração
am na ativação das reações biológicas. Em re-
da enzima são constantes, e aumenta-
lação às enzimas, podemos afirmar que:
se gradativamente a concentração do
substrato, observa-se um aumento da a. seu poder catalítico resulta da capaci-
velocidade da reação até o máximo, in- dade de aumentar a energia de ativa-
dependente do pH. ção das reações.
b. são catalisadores eficientes a qualquer
( ) um aumento da concentração do subs-
substrato.
trato causa uma diminuição da veloci-
dade da reação, pois o substrato passa c. atuam em qualquer temperatura, pois
a inibir a ação da enzima. sua ação catalítica independe de sua
estrutura espacial.
( ) o aumento da temperatura provoca um
d. sendo proteínas, por mudanças de pH,
aumento na velocidade da reação en-
podem perder seu poder catalítico ao
zimática até uma temperatura crítica,
se desnaturarem.
quando ocorre uma queda na ativida-
de da enzima em consequência de sua e. não podem ser reutilizadas, pois rea-
desnaturação. gem como substrato, tornando-se par-
te do produto.

110. UFRN
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PV-14-14

Folha de São Paulo


Para digerir o alimento normalmente obtido na boca do jacaré, a ave necessitará principalmente de:
a. endonucleases.
b. glicosidases.
c. peptidases.
d. lipases.

162
Citologia Biologia

111. UFRJ 113. UFV-MG


A glicoquinase e a hexoquinase são duas en- O gráfico a seguir representa a atividade enzi-
zimas que reagem com o mesmo substrato, a mática de uma determinada reação em função
glicose. Ambas são enzimas intracelulares que da temperatura:
fosforilam a glicose formando glicose 6-fosfato

Atividade da enzima
(G6P).
Dependendo da enzima produtora, a G6P

na reação
pode ser degradada na via da glicólise para ge-
rar energia ou então ser usada para síntese de
glicogênio.
A glicólise ocorre nos tecidos em geral e a
síntese de glicogênio ocorre principalmente 0 10 20 30 40 50 60 °C
no fígado. A síntese do glicogênio somente
acontece quando existe excesso de glicose no A seta indica o ponto:
sangue. Essa é uma forma de armazenar esse a. ótimo de temperatura para a atividade
açúcar. enzimática.
Observe a figura a seguir, que apresenta as b. de desnaturação da enzima.
velocidades de reação dessas duas enzimas c. de desnaturação do produto.
em função da concentração da glicose. Níveis d. mínimo da temperatura para a reação
normais de glicose no sangue estão ao redor enzimática.
de 4mM.
e. máximo de substrato obtido.
10
Hexoquinase 114. UFV-MG
9
Velocidade de reação

Assinale a opção que representa a velocidade


(unidade arbitrária)

8
7 Glicoquinase das reações enzimáticas em relação à tempe-
6 ratura:
5 a. d.
4
3
2
1
0
2,5 5 10 15 0 40 °C 0 40 °C
Concentração de glicose (mM)
b. e.
Qual das duas enzimas gera G6P para síntese de
glicogênio hepático? Justifique sua resposta.
PV-14-14

112. Mackenzie-SP
Para inibir a ação de uma enzima, pode-se
fornecer à célula uma substância que ocupe o 0 40 °C 0 40 °C
sítio ativo dessa enzima. Para isso, essa subs-
tância deve: c.
a. estar na mesma concentração da enzima.
b. ter a mesma estrutura espacial do subs-
trato da enzima.
c. recobrir toda a molécula da enzima. 0 40 °C
d. ter a mesma função biológica do substra-
to da enzima.
e. promover a desnaturação dessa enzima.

163
Biologia Citologia

115. Ufla-MG C: digere carboidratos em geral.


Os organismos vivos possuem a capacidade de L: digere lipídios.
sintetizar milhares de moléculas de diferentes P: digere proteínas.
tipos em precisas proporções, a fim de manter o
protoplasma funcional. Essas reações de síntese Para atingir seu objetivo gastando o menor nú-
e degradação de biomoléculas, que compõem mero possível de enzimas, você deve adicionar
o metabolismo celular, são catalisadas por um a 1 e 2, respectivamente:
grupo de moléculas denominadas enzimas. a. 1 = C; 2 = P.
Esses importantes catalisadores biológicos po- b. 1 = L; 2 = C.
dem possuir algumas das seguintes caracterís- c. 1 = C e P; 2 = C e L.
ticas: d. 1 = C e P; 2 = C, L e P.
I. Enzimas são a maior e a mais especiali- e. 1 = L e P; 2 = C, L e P.
zada classe de lipídios.
II. Enzimas possuem grande especificida- 117. UFRN
de para seus substratos e frequente- Uma prática corriqueira na preparação de co-
mente não atuam sobre moléculas com mida é colocar um pouco de “leite” de mamão
pequena diferença em sua configura- ou suco de abacaxi para amaciar a carne. Hoje
ção. em dia, os supermercados já vendem um ama-
III. Enzimas aceleram as reações químicas, ciante de carne industrializado.
sem serem modificadas durante o pro- a. Explique o amaciamento da carne pro-
cesso. movido pelo componente presente no
IV. Substratos são substâncias sobre as mamão, no abacaxi ou no amaciante
quais as enzimas agem, convertendo- industrializado e compare esse proces-
-os em um ou mais produtos. so com a digestão.
Marque a alternativa correta. b. Se o amaciante, natural ou industria-
lizado, for adicionado durante o cozi-
a. Estão corretas apenas as características mento, qual será o efeito sobre a car-
I, II e III. ne? Por quê?
b. Estão corretas apenas as características 118. UFMG
II, III e IV.
c. Estão corretas apenas as características Observe a experiência, usando tubos de en-
I, III e IV. saio nos quais foram adicionados 5 ml de H2O2,
acrescidos de:
d. Todas as características estão corretas. Tubos
e. Todas as características estão incorre- 1 2 3 4 5
tas.
116. Unifesp
PV-14-14

No tubo 1, existe uma solução contendo célu-


las de fígado de boi. Em 2, há uma solução de
células extraídas de folhas de bananeira. Nada 1 cm3 1 cm3 1 cm3 1 cm3
fígado fígado fígado fígado
fresco previamente fresco previamente
congelado triturado fervido

1 2 Sabendo-se que o fígado é rico em catalase,


que decompõe a H2O2 em H2O e O2, o que deve
ocorrer nos 5 tubos?
Você deseja eliminar completamente todos os
constituintes dos envoltórios celulares presen-
tes em ambos os tubos. Para isso, dispõe de
três enzimas digestivas diferentes:

164
Citologia Biologia

119. UFMG
Os dois gráficos a seguir referem-se à velocidade da reação:
A+B→C+D
que ocorre em animais de uma mesma espécie, quando suas temperaturas variam. O gráfico
número 1 representa a reação em um indivíduo que, além dos reagentes A e B, possui o polipep-
tídeo E, que não ocorre no indivíduo do gráfico número 2.
v v
2.000 0,002

1.500 0,0015

1.000 0,0010

500 0,0005

30 32 34 36 38 40 Temp. °C 30 32 34 36 38 40 Temp. °C
I II
v = velocidade de formação do produto C em mg/hora.
Com base nos gráficos, responda ao que se pede.
a. Em que grupo de substâncias pode ser classificado o polipeptídeo E?
b. Dê duas justificativas para sua classificação.
120.
Todo catalisador pode ser considerado uma enzima?
PV-14-14

165
Biologia Citologia

Capítulo 03
121. Mackenzie-SP Coluna 2
Considere as afirmações abaixo a respeito dos ( ) Dupla-hélice
ácidos nucleicos. ( ) Ribose
I. Nucleotídeos são as unidades que os ( ) Fita única ou simples
constituem. ( ) Desoxirribose
II. O RNA é formado por uma sequência ( ) Bases nitrogenadas: adenina, guanina,
simples de nucleotídeos citosina, timina.
III. Só o RNA apresenta a uracila em sua ( ) Bases nitrogenadas: adenina, guanina,
formação. citosina, uracila.
Então: A sequência coreta é:
a. todas são verdadeiras. a. 1 – 2 – 1 – 2 – 2 – 1
b. somente I e II são verdadeiras. b. 2 – 1 – 1 – 2 – 2 – 2
c. somente I e III são verdeiras. c. 1 – 2 – 2 – 1 – 1 – 2
d. somente II e III são verdadeiras. d. 2 – 1 – 2 – 1 – 1 – 2
e. apenas uma das afirmações é verdadeira. e. 1 – 1 – 2 – 2 – 2 – 1
122. UFSCar-SP 125.
O segmento de DNA humano que contém in- Se os nucleotídeos do filamento I, do esque-
formação para a síntese da enzima pepsina é ma a seguir, têm uma base púrica e os do fila-
um: mento II tanto podem ser encontrados no RNA
a. cariótipo. como no DNA, podemos afirmar que as bases
b. cromossomo. nitrogenadas do filamento II podem ser:
c. códon. I II
d. genoma.
e. gene.
123.
O que representa o desenho a seguir? Qual
é o nome das moléculas representadas pelos
números 1, 2 e 3, respectivamente, sabendo-
-se que se trata da unidade estrutural do ácido a. citosina e citosina.
desoxirribonucleico (DNA)? b. guanina e guanina.
PV-14-14

1 c. duas timinas ou duas citosinas.


d. duas adeninas ou duas guaninas.
2 3 e. impossíveis de serem determinadas.
126.
124. UFSM-RS Os ácidos nucleicos são macromoléculas defi-
Numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª. nidas como polinucleotídeos.
a. Represente um nucleotídeo apontando
Coluna 1
seus três constituintes moleculares.
1. DNA
b. Quais são as diferenças observadas nos
2. RNA nucleotídeos que entram na composi-
ção do DNA em relação aos que entram
na composição do RNA?

166
Citologia Biologia

127. III. É formado por uma pentose denomina-


Numa molécula de DNA formada por uma du- da desoxirribose e pelas bases nitroge-
pla-hélice, a quantidade de: nadas adenina, timina, citosina, guani-
na e uracila.
a. adenina é igual à de citosina.
IV. Em alguns vírus, são encontrados áci-
b. citosina é igual à de timina. dos nucleicos do tipo DNA espalhados
c. adenina é igual à de uracila. no citoplasma viral.
d. citosina é igual à de adenina. Estão corretas apenas as afirmativas
e. guanina é igual à de citosina. a. I e II.
128. FGV-SP b. I, II e III.
Considerando-se o total de bases nitrogenadas c. III e IV.
do DNA de uma espécie qualquer igual a 100, d. I, III e IV.
se nela existirem 15 % de timina, qual será a
porcentagem das demais bases nitrogenadas? 131. UEL-PR
129. UFRGS-RS Com relação à composição química, as molé-
culas de DNA e RNA diferem entre si quanto
Cinco amostras com ácidos nucleicos foram ao tipo de:
analisadas quimicamente e apresentaram os
a. açúcar, apenas.
seguintes resultados:
b. base nitrogenada, apenas.
I. 1ª amostra: ribose;
c. base nitrogenada e de açúcar, apenas.
II. 2ª amostra: timina;
d. base nitrogenada e de fosfato, apenas.
III. 3ª amostra: dupla-hélice;
e. base nitrogenada, de açúcar e de fosfa-
IV. 4ª amostra: uracila;
to.
V. 5ª amostra: 20% de guanina e 30% de
citosina. 132. PUC-RJ
Entre essas amostras, quais se referem a DNA? Com o advento da biologia molecular, o ser
humano conseguiu realizar inúmeras faça-
a. Apenas I e II. nhas, como identificar pessoas que estiveram
b. Apenas I e III. em determinados locais, realizar testes de
c. Apenas II e III. paternidade e determinar a relação filogené-
d. Apenas II e IV. tica entre diferentes seres vivos, através do
sequenciamento e homologia dos ácidos de-
e. Apenas II e V. soxirribonucleicos de cada indivíduo. Esse áci-
130. do tem como característica ser uma molécula
Em 1962, o prêmio Nobel de Fisiologia e Medi- polimérica de fita:
a. simples, composta por pentoses, bases
PV-14-14

cina foi concedido aos cientistas Francis Crick,


Maurice Wilkins (britânicos) e James Watson nitrogenadas e fosfato.
(norte-americano) por suas pesquisas que deter- b. dupla, composta de pentoses, bases ni-
minaram a estrutura molecular do DNA. trogenadas e fosfato.
Sobre o DNA, são feitas as seguintes afirmativas: c. dupla, composta por hexoses, aminoá-
I. Possui estrutura em dupla-hélice, encon- cidos e nitrogênio.
trada no núcleo celular, e sua importância d. dupla, composta por nucleotídeos liga-
reside no fato de que ele carrega os genes. dos por pontes de enxofre.
II. No emparelhamento das fitas de DNA, se e. simples, composta por nucleotídeos li-
em uma fita tivermos a sequência de ba- gados por pontes de hidrogênio.
ses AATTTCG, na outra teremos TTAAAGC.

167
Biologia Citologia

133. Fatec-SP 135. Unesp


As técnicas utilizadas pela Engenharia Genética A figura representa um segmento de uma mo-
permitem que se atue em uma substância pre- lécula de ácido nucleico.
sente em todas as células, procariontes e euca-
riontes, sendo responsável pelo controle do seu
metabolismo. Essa substância se denomina:
a. DNA, e é formada por cadeias polipep-
tídicas que apresentam em sua compo- 1
sição os aminoácidos adenina, uracila,
citosina e guanina. 2

b. DNA, e é formada por cadeias polinu- CH2 H


H CH2
cleotídicas que apresentam em sua P
CH2
H
H
P

composição as bases nitrogenadas ade- 3 H CH2 4


P
nina, citosina, guanina e timina.
P
CH2 H
H CH2
c. RNA, e é formada por cadeias polinu- P
H P
H
cleotídicas que apresentam em sua H CH2
composição as bases nitrogenadas ade-
nina, timina, citosina e guanina. As setas de 1 a 4 indicam, respectivamente:
d. polimerase, e é formada por aminoáci- a. guanina, adenina, uracila e ribose.
dos que apresentam em sua composi- b. guanina, citosina, uracila e ribose.
ção a desoxirribose. c. guanina, adenina, timina e desoxirribose.
e. transcriptase, e é formada por aminoá- d. adenina, timina, guanina e desoxirribose.
cidos que apresentam em sua composi- e. citosina, guanina, timina e desoxirribose.
ção a ribose.
136. Uespi
134. UFMS
Em um experimento, foi observado que, no
Considere as afirmações abaixo. DNA de um determinado organismo, o conte-
I. A união da base nitrogenada com o údo de citosina era de 30%. Assinale, na tabela
açúcar forma um composto denomina- abaixo, a alternativa que indica corretamente
do nucleotídeo. os percentuais de guanina, adenina e timina.
II. Os dois filamentos que compõem a Guanina Adenina Timina
molécula de DNA não são iguais e sim
complementares. a. 15% 35% 35%
III. À medida que o DNA se duplica, os cro- b. 20% 25% 25%
mossomos também se duplicam.
IV. A duplicação do DNA é a base da re- c. 30% 20% 20%
PV-14-14

produção e da hereditariedade, pois é d. 10% 10% 10%


a partir das divisões celulares que se
formam novos organismos. e. 35% 25% 10%
V. Os nucleotídeos são reconhecidos pela
base nitrogenada que contêm. 137. Fuvest-SP
Com relação à estrutura do ácido desoxir- Um pesquisador que pretende estudar compara-
ribonucleico (DNA), está(ão) correta(s) a(s) tivamente a síntese de DNA e RNA em uma célu-
alternativa(s): la deve usar nucleotídeos radioativos contendo:
a. timina e uracila.
01. I e II. 08. I, III e IV.
b. guanina e timina.
02. I, II e III. 16. II, III e V.
c. citosina e guanina.
04. I, IV e V. 32. IV e V. d. adenina e timina.
Dê a soma dos itens corretos. e. citosina e uracila.

168
Citologia Biologia

138. Unisanta-SP Das quatro afirmações anteriores, são verda-


Na hidrólise de ácidos nucleicos, as bases piri- deiras:
mídicas produzidas pelo RNA são: a. apenas I, II e IV.
a. citocina e guanina. b. apenas I, II, III e IV.
b. adenina e uracila. c. apenas III e IV.
c. citosina e timina. d. apenas I e II.
d. adenina e timina. e. todas as afirmações são corretas.
e. citosina e uracila.
141. Fuvest-SP
139. Fuvest-SP
Organelas citoplasmáticas que contêm DNA:
Bactérias foram cultivadas em um meio nutri-
a. mitocôndria e ribossomo.
tivo contendo timina radioativa, por centenas
de gerações. Dessa cultura, foram isoladas 100 b. mitocôndria e cloroplasto.
bactérias e transferidas para um meio sem c. nucléolo e cloroplasto.
substâncias radioativas. Essas bactérias sofre- d. lisossomo e ribossomo.
ram três divisões no novo meio, produzindo
800 bactérias. A análise dos ácidos nucleicos e. ribossomo e cromossomo.
mostrou que, dessas 800 bactérias: 142. Unicid-SP
a. 100 apresentavam o DNA marcado, Para ocorrer a síntese de RNA mensageiro,
mas não o RNA. é necessário que a enzima RNA polimerase
b. 200 apresentavam o DNA marcado, identifique o códon de início, que correspon-
mas não o RNA. de ao primeiro aminoácido metionina, e fi-
c. 400 apresentavam o DNA marcado, nalize a síntese quando identificar os códons
mas não o RNA. de parada, que não codificam aminoácidos.
Assim, para síntese de uma proteína com 320
d. 200 apresentavam o DNA e o RNA mar- aminoácidos, sendo a metionina o primeiro
cados. aminoácido dessa proteína, é possível supor
e. todas apresentavam o DNA e o RNA que a enzima RNA polimerase teve de iden-
marcados. tificar:
140. UECE a. 160 códons.
Sobre os ácidos nucleicos, são feitas as seguin- b. 161 códons.
tes afirmações: c. 320 códons.
I. São macromoléculas, de elevada massa d. 321 códons.
molecular, que possuem ácido fosfórico, e. 961 códons.
açúcares e bases púricas e pirimídicas
em sua composição. 143. PUCCamp-SP
PV-14-14

II. Ocorrem em todas as células vivas e são “Captura aminoácidos que se encontram dis-
responsáveis pelo armazenamento e solvidos no citoplasma e carrega-os ao local da
transmissão da informação genética e síntese de proteínas”.
por sua tradução, que é expressa pela Essa função é desempenhada pelo:
síntese proteica. a. RNA mensageiro.
III. Encontram-se presentes no núcleo dos b. RNA transportador.
procariotos e dispersos no hialoplasma
dos eucariotos. c. RNA ribossômico.
IV. Encontram-se, normalmente, organiza- d. ribossomo.
dos sob a forma de fita simples ou dupla. e. DNA.

169
Biologia Citologia

144. PUCCamp-SP a. nucléolos.


O corante I é específico para DNA e o corante b. ribossomos.
II, para RNA. Um pesquisador usou esses dois c. nucléolos e nas mitocôndrias.
corantes em células fixadas e observou sua d. ribossomos e nos cloroplastos.
ação sobre algumas organelas citoplasmáticas.
Assinale, no quadro a seguir, a alternativa que e. ribossomos, nos cloroplastos e nas mi-
representa os possíveis resultados obtidos por tocôndrias.
esse pesquisador (o sinal + significa reação po- 147. UFG-GO
sitiva e o sinal –, negativa). Um ventinho qualquer
e sai voando
Ribossomos
Complexo
Mitocôndrias rumo a outra vida
golgiense além do retrato.
Corante Corante Corante Corante Corante Corante Outro retrato, José Paulo Paes.

Para os estudiosos, a manifestação de


I II I II I II "...vida..." se deve a características, tais como:
a. + + + – – – ( ) uma composição química baseada em
carbono, nitrogênio, hidrogênio, oxigê-
b. + + – + + – nio e minerais, como magnésio e cálcio.
( ) ácidos ribonucleicos (RNA) e desoxirri-
c. + – – + – + bonucleicos (DNA) na mesma célula.
( ) energia química obtida dos nutrientes
d. – + – – + + encontrados dentro e fora do organismo.
( ) a capacidade de responder a estímulos
e. – – + + + – químicos e físicos, que desencadeiam
reações específicas.
145. Fuvest-SP a. V – V – F – V
A hipótese de que os cloroplastos e as mito- b. F – F – V – V
côndrias tenham surgido através de uma as- c. F – V – V – V
sociação simbiótica de um eucarioto primitivo
d. V – V – V – V
com, respectivamente, bactérias fotossinteti-
zantes e bactérias aeróbicas é reforçada pelo e. V – V – F – F
fato de aquelas organelas celulares: 148. PUC-RJ
a. serem estruturas equivalentes, com A capacidade de errar ligeiramente é
grande superfície interna. a verdadeira maravilha do DNA. Sem esse
b. apresentarem DNA próprio. atributo especial, seríamos ainda bactéria
anaeróbia, e a música não existiria (...). Er-
PV-14-14

c. estarem envolvidas, respectivamente, rar é humano, dizemos, mas a ideia não nos
na produção e consumo de oxigênio. agrada muito, e é mais difícil ainda aceitar
d. apresentarem tilacoides e cristas como o fato de que errar é também biológico.
as bactérias. Lewis Thomas. A medusa e a lesma,
e. serem encontradas tanto em organis- ed. Nova Fronteira, RJ, 1979.
mos superiores como inferiores. Esse texto refere-se a uma característica dos
146. PUCCamp-SP seres vivos. É ela:
Células vegetais, depois de mantidas em meio a. seleção natural.
de cultura contendo uracila marcada, foram b. reprodução.
fixadas e submetidas à autorradiografia, para c. excitabilidade.
comprovar os locais que possuíam esse mate-
rial. É correto prever que, no citoplasma, en- d. excreção.
contre-se uracila radioativa somente nos: e. mutação.

170
Citologia Biologia

149. PUC-RJ pela digestão, ligam-se à membrana plasmática


A análise da composição dos nucleotídeos do dos linfócitos e sofrem endocitose, determinan-
ácido nucleico que constitui o material genéti- do o desenvolvimento da resposta imunológica.
co de quatro diferentes organismos mostrou o Outra inovação dessas cerejas é a resistência
seguinte resultado: às moscas Anastrepha fraterculus, que, nos úl-
timos anos, estabeleceram-se como pragas im-
Adenina Guanina Timina Citosina Uracila
Molécula
(A) (G) (T) (C) (U)
portantes do cultivo de cerejas-vacina. Da mes-
ma forma, as plantas apresentam resistência
I 23,3 26,7 23,5 26,5 0 aos nematoides que atacavam a raiz principal do
sistema axial desses vegetais. Com o cultivo das
II 17,3 40,5 28,2 14 0 novas variedades de cerejas resistentes, espera-
III 23,5 14,3 0 35,5 22,7 se que essas pragas mantenham-se afastadas
dos pomares de vacinas, por algum tempo.
IV 23,5 26,5 0 26,7 23,3 Se as cerejeiras referidas no texto são transgê-
Com base nos resultados, marque a afirmativa nicas, então no ______________ das células
correta em relação à identificação das moléculas. dessas plantas, em algum cromossomo, existe
uma ____________ que foi introduzida para ser
a. I é uma molécula de DNA porque tem o transcrita e originar um __________, que, ao ser
mesmo percentual de A e T e de G e C. traduzido, resulta em produto que determinará
b. I e III são moléculas que contêm so- o desenvolvimento da resposta imunológica.
mente uma fita de nucleotídeos. Assinale a alternativa que completa as lacunas
c. IV é uma molécula de RNA, cópia de de modo correto.
uma das fitas da molécula I. a. núcleo – proteína – RNA mensageiro
d. II e IV são moléculas responsáveis pela b. citoplasma – sequência de aminoácidos –
tradução proteica. RNA transportador
e. III é uma molécula RNA de fita dupla. c. núcleo – sequência de aminoácidos –
150. UFSM-RS RNA mensageiro
Notícia de algum jornal do futuro: d. núcleo – sequência de nucleotídeos –
Inicia a campanha nacional de vacinação RNA mensageiro
contra sarampo e tuberculose e. citoplasma – proteína – RNA transportador
O destaque da campanha de vacinação, neste 151. PUC-RS
ano, é a utilização de cerejas coloridas, sem
sementes. Segundo a bióloga Josefa da Silva, Qual das alternativas abaixo apresenta a infor-
responsável pela equipe que desenvolveu os mação que nos permite afirmar que a replica-
novos frutos, técnicas especiais de cruzamen- ção do DNA é semiconservativa?
to foram aplicadas em dois tipos de cerejeiras a. Durante a divisão da molécula original,
PV-14-14

transgênicas, resultando na obtenção de plan- somente uma das fitas é copiada; a ou-
tas triploides (3n = 72), incapazes de produzir tra permanece inativa.
sementes. Apesar de passar por todas as eta- b. No início do processo replicativo, for-
pas do ciclo reprodutivo, não há a formação de ma-se um total de seis fitas de DNA.
endosperma, e o processo cessa nas primeiras c. As duas fitas de DNA parental são co-
divisões celulares do zigoto. As novas cores piadas, originando moléculas-filhas com
(amarela, verde, roxa e branca) haviam sido somente uma das fitas.
obtidas, anteriormente, por mutação no gene
responsável pela produção de pigmento na cas- d. As enzimas que participam dos proces-
ca do fruto. As formas mutantes para esse loco, sos de replicação são somente de ori-
diz a pesquisadora, não interferem na eficiên- gem materna.
cia das plantas transgênicas como produtoras e. No fim da replicação, cada uma das mo-
de vacinas. Elas continuam apresentando, nos léculas resultantes apresenta a metade
frutos, as substâncias que, depois de liberadas do número de pontes de hidrogênio.

171
Biologia Citologia

152. UFSCar-SP
Ao compararmos células somáticas de diferen-
tes tecidos do corpo de uma pessoa, encon- Timina II I
traremos:
Conjuntos de Conjuntos de Conjuntos
cromosomos moléculas de genes em
de DNA atividade Guanina III

a. diferentes diferentes idênticos

b. diferentes idênticos diferentes DNA RNA


terá, em I, II e III, respectivamente:
c. idênticos idênticos idênticos a. ribose, guanina e uracila.
b. ribose, adenina e citosina.
d. idênticos diferentes idênticos
c. ribose, uracila e citosina.
e. idênticos idênticos diferentes d. desoxirribose, guanina e timina.
e. desoxirribose, uracila e citosina.
153.
155. UFPE
Os ácidos nucleicos podem se diferenciar con-
Nos últimos anos, a biologia molecular tem
forme a base nitrogenada e o carboidrato que
fornecido ferramentas úteis para a produção
os compõem. Na tabela abaixo, estão repre-
de plantas e animais transgênicos. As informa-
sentados os ácidos nucleicos I e II.
ções armazenadas nas moléculas de DNA são
traduzidas em proteínas por meio de molécu-
I II las intermediárias denominadas:
Tipo de açúcar desoxirribose ribose a. proteases.
b. plasmídios.
adenina adenina c. rRNA.
d. tRNA.
timina uracila
Tipo de base e. mRNA.
nitrogenada
citosina citosina 156. UFU-MG
As moléculas de DNA formam, pelo menos, 3
guanina guanina tipos diferentes de RNA, cujas funções são de
grande importância para a célula viva.
PV-14-14

Assinale a alternativa correta:


Quais são eles e que papel desempenham no
a. O DNA está representado em I e II. metabolismo celular?
b. O RNA está representado em I. 157. UFAM
c. O DNA e o RNA podem ser representa-
dos tanto em I quanto em II. As moléculas de RNAm contêm sequências de
trincas de nucleotídeos, que indicam a ordem
d. O RNA está representado em II. que os aminoácidos devem ser ligados para
e. O DNA está representado em II. fabricar determinada proteína. Cada trinca do
154. RNAm que especifica um aminoácido é cha-
mada de:
O segmento de molécula de RNA que se for- a. códon. d. íntron.
mar, tendo por molde um segmento de cadeia
de DNA semelhante ao apresentado no esque- b. sítio. e. cátion.
ma a seguir: c. éxon.

172
Citologia Biologia

158. UFC-CE a. G – A – A – G – C – U – A
Tendo em vista a estrutura e a função dos áci- b. G – U – U – G – C – A – U
dos nucleicos, é correto afirmar que: c. G – U – U – G – C – U – A
a. todas as trincas da molécula do mRNA
d. C – U – U – C – C – G – A
especificam algum aminoácido.
b. as moléculas do ácido ribonucleico e. C – A – A – C – C – C – A
(RNA) são hélices duplas de polirribo- 161. PUC-MG
nucleotídeos. Suponha uma extensão de molde de DNA,
c. em todos os organismos, só existe um com a seguinte sequência de desoxirribonu-
gene para cada molécula de DNA. cleotídeos: ATA CGA.
d. as estruturas espaciais e moleculares
do DNA e RNA são diferentes. É incorreto afirmar que:
e. as duas metades da hélice dupla do a. os códons especificados por essa se-
DNA têm sequências iguais de bases quên­­cia são UAU GCU.
nitrogenadas. b. os anticódons complementares ao
159. RNAm produzidos por essa sequência
são AUA CGA.
Duas células, A e B, foram colocadas, respecti-
vamente, em dois meios de cultura. c. os ribonucleotídeos especificados por
• Meio 1: contendo timina com isótopos essa sequência são TAT GCT.
radioativos. d. o fio do DNA complementar ao fila-
• Meio 2: contendo uracila com isótopos mento dado é TATGCT.
radioativos. e. essa sequência codifica dois aminoáci-
Através de sensores, observou-se que, na célu- dos.
la A, a radiação foi detectada no citoplasma e, 162. PUC-RJ
após algum tempo, no núcleo, não sendo mais
detectada no citoplasma. Diversas doenças estão relacionadas a muta-
ções no material genético. Porém, mutações
Na célula B, a radiação foi percebida no cito- pontuais, com alteração de apenas uma base
plasma, passou ao núcleo e, posteriormente, nitrogenada, muitas vezes não resultam na
novamente foi detectada no citoplasma. substituição efetiva do aminoácido correspon-
Com base em conhecimentos sobre bioquími- dente ao códon mutado na proteína produzi-
ca e fisiologia celular, como se pode explicar da. Isso se dá devido ao fato de:
tais observações?
a. o código genético ser universal.
160. UEL-PR b. o código genético ser degenerado.
A seguir está representado o filamento I de uma c. o erro ser corrigido pela célula durante
molécula de ácido nucleico presente no interior a tradução.
do núcleo de uma célula vegetal. Qual seria a se-
PV-14-14

quência correta encontrada na molécula de RNA d. o código genético não poder sofrer al-
mensageiro, transcrita a partir do filamento II? terações.
I II RNA mensageiro e. os genes mutados não serem transcri-
tos ou traduzidos.
C
163. Fuvest-SP
T
Um gene de bactéria com 600 pares de bases
T nitrogenadas produzirá uma cadeia polipeptí-
C dica com número de aminoácidos aproxima-
damente igual a:
C
a. 200 d. 1.200
G
b. 300 e. 1.800
A c. 600

173
Biologia Citologia

164. UEL-PR 169. UFU-MG


Uma proteína formada por 20 aminoácidos é O aminoácido leucina pode ser codificado por
codificada por uma molécula de RNA I de, mais de uma trinca de nucleotídeos do DNA (AAT,
no mínimo, II nucleotídeos. GAA e outras). Assim sendo, podemos dizer que:
Para completar corretamente a frase, os espa- I. o código genético é degenerado, o que
ços I e II devem ser preenchidos, respectiva- significa que um aminoácido pode ser
mente, por: codificado por mais de uma trinca.
II. um aminoácido pode ser codificado por
a. mensageiro e 20.
apenas uma trinca de nucleotídeos de
b. transportador e 30. DNA.
c. ribossômico e 30. III. assim como a leucina pode ser codifi-
d. mensageiro e 60. cada por diferentes trincas, uma deter-
e. transportador e 60. minada trinca também pode codificar
diferentes aminoácidos.
165. Fuvest-SP
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
A substituição de uma única base nitrogenada a. III, apenas. d. I e III, apenas.
na molécula de DNA leva necessariamente à
substituição de um aminoácido no polipeptí- b. II, apenas. e. nenhuma delas.
deo correspondente? Sim ou não? Por quê? c. I, apenas.
166. 170. UEL-PR
O que significa código genético não ambíguo? Considere os seguintes códons do RNA mensa-
geiro e os aminoácidos por eles especificados:
167. Cesgranrio-RJ
ACA = treonina,
Sobre o código genético, são feitas as seguin-
tes afirmações: GUU = valina.
I. pode existir mais de um códon para de- Assinale a alternativa da tabela a seguir que
terminar um mesmo aminoácido; indica corretamente os anticódons do RNAt
e os códons do DNA relacionados com esses
II. em todos os seres vivos, os códons que aminoácidos.
codificam um respectivo aminoácido
são os mesmos; RNAt DNA
III. a tradução da sequência de bases do
RNA para a proteína é feita, a nível cito- Treonina Valina Treonina Valina
plasmático, nos ribossomos.
a. TGT CTT UGU CAA
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
a. II, apenas. b. UGU CUU UGU CUU
PV-14-14

b. III, apenas. c. UGU CAA TGT CAA


c. I e II, apenas.
d. TGT CTT TGT CAA
d. I, II e III.
e. I e III, apenas. e. ACA CAA TGT GUU

168. 171. Unicamp-SP


Pesquisas atuais permitem, a partir da mani- Determine a sequência de bases do DNA que
pulação do código genético de bactérias, que transcreve o RNA mensageiro do seguinte pep-
estas produzam insulina humana para admi- tídeo: metionina-alanina-glicina-arginina-serina.
nistração em pacientes diabéticos insulinode- Utilize os seguintes anticódons dos aminoácidos:
pendentes. Alanina = CGA, Glicina = CCU,
Explique como isso é possível. Arginina = GCG, Metionina = UAC.
Serina = AGA,

174
Citologia Biologia

172. Fuvest-SP 173. Fuvest-SP


Considere a seguinte tabela que indica sequên- Código genético é o conjunto de todas as trin-
cias de bases do RNA mensageiro e os amino- cas possíveis de bases nitrogenadas (códons).
ácidos por elas codificados. A sequência de códons do RNA mensageiro
determina a sequência de aminoácidos da
UUU AAU
UUC
Fenilalanina
AAC
Aspargina proteína.
É correto afirmar que o código genético:
UUA AAA
Leucina Lisina a. varia entre os tecidos do corpo de um
UUG AAG
indivíduo.
CCU GUU
b. é o mesmo em todas as células de um
CCC GUC
CCA
Prolina
GUA
Valina indivíduo, mas varia de indivíduo para
CCG GUG indivíduo.
c. é o mesmo nos indivíduos de uma mes-
Com base na tabela fornecida e considerando ma espécie, mas varia de espécie para
um segmento hipotético de DNA, cuja sequên- espécie.
cia de bases é AAG TTT GGT, qual seria a se­ d. permite distinguir procariotos de euca-
quência de aminoácidos codificada? riotos.
a. Aspargina, leucina, valina e. é praticamente o mesmo em todas as
b. Aspargina, lisina, prolina formas de vida.
c. Fenilalanina, lisina, prolina
d. Fenilalanina, valina, lisina
e. Valina, lisina, prolina

174. UFRJ-RJ
Com o auxílio da tabela do código genético representada a seguir, responda ao que se pede.
É sempre possível deduzir-se a sequência de aminoácidos de uma proteína a partir de uma se­
quência de nucleotídeos do seu gene, ou do RNAm correspondente.
UUU Phe UUC UAU Tyr UGU
UUC UCC Ser UAC UGC Cys
UUA UCA UAA UGA Term.
UUG Leu UCG UAG Term. UGG Trip

CUU CUC CAU CGU


His
CUC Leu CCC Pro CAC CGC
Arg
PV-14-14

CUA CCA CAA CGA


CUG CCG CAG Gln CGG

AUU AUC AAU AGU


Asn Ser
AUC lleu ACC Thr AAC AGC
AUA Met ACA AAA AGA
AUG ACG AAG Lys AGG Arg
(Inic.)
GUU GUC GAU GGU
GUC Val GCC Ala GAC Asp GGC
GUA GCA GAA GGA Gly
GUG GCG GAG Glu GGG

Entretanto, o oposto não é verdadeiro, isto é, a partir da sequência de aminoácidos de uma pro-
teína, não se pode deduzir a sequência de nucleotídeos do gene. Explique por quê.

175
Biologia Citologia

175.
Tendo em mãos a tabela do código genético a seguir, responda às questões.

Segunda letra
U C A G

UUU Phe UCU UAU Tyr UGU U


UUC UCC Ser UAC UGC Cys C
U UCA UAA parada UGA parada
UUA A
UUG Leu UCG UAG parada UGG Trp G

CUU CCU CAU CGU U


His
Primeira letra

Terceira letra
CUC Leu CCC CAC CGC C
C Pro CAA Arg
CUA CCA CGA A
CUG CCG CAG Glu CGG G

AUU ACU AAU AGU U


Asn Ser
AUC lleu ACC AAC AGC C
A Thr AAA
AUA ACA AGA A
AUG Met ACG AAG Lys AGG Arg
G

GUU GCU GAU GGU U


GAC Asp GGC
G
GUC Val GCC Ala GAA Gly C
GUA GCA GGA A
GUG GCG GAG Glu GGG G
LOPES, Sônia. Bio volume único. São Paulo, Saraiva, 1996.

a. Qual a sequência de aminoácidos de um peptídeo formado a partir do seguinte DNA:


TTTACGAATTTCTA?
b. Uma mutação na 8ª base nitrogenada, substituindo-a por uma guanina, levará à alteração
da proteína? Justifique.
176. Fatec-SP
A tabela a seguir relaciona trincas de bases do DNA aos aminoácidos correspondentes.

Bases do DNA Aminoácidos

AAC Leucina (leu)


GAG Leucina (leu)
PV-14-14

CCG Glicina (gli)


CCT Glicina (gli)
CTT Ácido Glutâmico (glu)
AAA Fenilalanina (fen)

Assinale a alternativa que apresenta a possível sequência de códons para a formação do seguinte
peptídeo: glu – gli – fen – leu
a. GUU – GGU – UUU – CUC
b. GAA – GGC – TTT – CTC
c. CTT – CCG – AAA – AAC
d. GAA – GGA – UUU – CUC
e. GUU – GGC – UUU – UUG

176
Citologia Biologia

177. a. 2 nucleotídeos do DNA.


Um pedaço de molécula de DNA (gene) tem a b. 2 nucleotídeos do RNA.
seguinte sequência de bases: c. 3 nucleotídeos do RNA.
TTC GGA AAC AAG d. 3 desoxirriboses do DNA.
e. 3 riboses do RNA mensageiro.
A tabela a seguir mostra a relação códon versus 181. UERJ
aminoácido. É possível marcar determinadas proteínas
com um isótopo radioativo, a fim de rastrear
UUU AAU
UUC
Fenilalanina
AAC
Aspargina sua passagem através da célula, desde a sín-
tese até a excreção.
UUA AAA
Leucina Lisina O gráfico abaixo ilustra o rastreamento da
UUG AAG
passagem de uma proteína marcada radio-
CCU GUU ativamente por três compartimentos celula-
CCC GUC res.
Prolina Valina
CCA GUA
Complexo golgiense
CGC GUG 70
Vesículas de secreção
Retículo endoplasmático granular
Contagem de radioatividade
60
a. Qual é a sequência de bases do RNAm?
b. Quantos códons existem no RNAm pro- 50
duzido por este gene? 40
c. Determine os anticódons dos RNAt
30
que podem se encaixar nos códons do
RNAm. 20
d. Quais são os aminoácidos que vão fazer 10
parte do polipeptídeo?
178. 60 120 180 240 300 360
Minutos de incubação
Uma proteína é constituída por 350 aminoá-
cidos. Quantos nucleotídeos apresentam a ca- Indique a sequência do percurso seguido por
deia do ADN que codificou tal proteína? essa proteína através dos três compartimen-
a. 150 tos celulares citados e a função de cada um
dos compartimentos durante o percurso.
b. 350
182. UEL-PR
c. 450
d. 700 A ciência tem demonstrado que, nas células
dos seres vivos eucariontes, diversos aspectos
PV-14-14

e. 1.050 do metabolismo celular estão associados a de-


179. terminadas organelas citoplasmáticas. Assim,
Uma célula terminou de sintetizar uma enzima em células epiteliais secretoras, como, por
constituída por uma cadeia de 76 aminoácidos. exemplo, a dos acinos das glândulas salivares,
o retículo endoplasmático granuloso ou ergas-
a. Quantos nucleotídeos existem em toda toplasma tem por função:
molécula de DNA responsável pela pro-
dução de tal proteína? a. a síntese de lipídios.
b. Quantas moléculas de água foram libe- b. a síntese de proteínas.
radas para sintetizar tal peptídeo? c. a síntese de glicose.
180. UFS-SE d. a degradação de corpúsculos fagocitados.
A seleção de cada aminoácido que entra na e. a síntese de ATP.
composição de cadeia polipeptídica é deter-
minada por uma sequência de:

177
Biologia Citologia

183. UFPB 185. Mackenzie-SP


Alguns antibióticos, como estreptomicina e te- Ribossomos
traciclina, são legalmente utilizados para com-
bater infecções causadas por bactérias em se-
res humanos. Esses antibióticos agem inibindo,
apenas nas bactérias, o funcionamento da es-
trutura celular responsável pela síntese de pro-
teínas. A ação seletiva desses antibióticos deve-
se a algumas diferenças moleculares existentes Assinale a alternativa correta a respeito da or-
entre as estruturas celulares responsáveis pela ganela representada no desenho acima.
síntese de proteínas nesses dois organismos.
Essas estruturas correspondem: a. Representa o complexo golgiense.
a. aos ribossomos, nas bactérias, e ao retícu-