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VINHOS DE CLIMA

QUENTE E FRIO DESCORCHADOS


AS AVENTURAS E O
AS DIFERENÇAS FUTURO DO VINHO
NA AMÉRICA DO SUL
BRASIL 2020
A MAIOR SAFRA
DA HISTÓRIA? CHÂTEAU AUSONE
O POETA LATINO QUE
AMAVA BORDEAUX
GIOVANNI
GAJA COMO GARRAFAS
E A NOVA DO MESMO VINHO
GERAÇÃO PODEM SER
DO ÍCONE DIFERENTES
SEM HARMONIZAÇÃO
SULFITOS COM CLÁSSICOS
FLOR DE DO SUL DA ITÁLIA
CASTANHEIRO
AO INVÉS DE SO2?

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AS JOIAS DO PIEMONTE
ISSN 18083722

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EDITORIAL |

Vinho no DIREÇÃO
PUBLISHER
Christian Burgos - christian@innereditora.com.br

isolamento
DIRETORA DE OPERAÇÕES
Christiane Burgos - christiane@innereditora.com.br

REDAÇÃO
EDITOR
Arnaldo Grizzo - a.grizzo@revistaadega.com.br

R
ecentemente, temos refletido muito sobre as correntes estoica e CONSELHEIRO EDITORIAL
Guilherme Velloso
epicurista da filosofia. Em ambas, a missão do homem na vida é
DIRETOR DE ARTE
viver bem. E o que é viver bem? Inspirados nos filósofos estoicos, Ricardo Torquetto - ricardo@innereditora.com.br

que tanto admiramos, e extrapolando seus pensamentos, temos que ASSISTENTE DE ARTE
é necessário compreender racionalmente as circunstâncias que estão Aldeniei Gomes - arte@innereditora.com.br

fora de nosso controle, reconhecer as dificuldades, mas não se render a ESTÁGIO ARTE
Leandro Soares - arte2@innereditora.com.br
elas. Tomar as decisões corretas, fazer o que é necessário e ativamente
construir nosso amanhã. Saber que somos mais fortes que os desafios e EDITOR DE VINHO
Eduardo Milan - eduardo.milan@revistaadega.com.br
que, para lutar e vencer, devemos estar bem.
COLABORADORES
Por isso, ao mesmo tempo, talvez seja necessário deixar um pouco André Mendes, Christiane Miguez,
Felipe Granata Kosikowski, Guilherme Velloso,
de epicurismo entrar em nossas vidas. Afinal, precisamos e merecemos Mauricio Leme, João Paulo Gentille,
uma recarga, entre as batalhas. Nessas pausas, além de nos exercitarmos, Juliana Trombetta Reis e Sammara Silva (texto)

refletirmos, lermos, conversarmos com amigos (mesmo à distância), há PUBLICIDADE


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sempre uma taça de vinho à mão. +55 (11) 3876-8200 – ramal 11
Nesses hiatos, o vinho condensa o tempo. Nele, temos passado,
REPRESENTANTES COMERCIAIS - BRASIL
presente e futuro. Nele, podemos olhar para trás, sorver o momento e Renato Scolamieri - renato@rscola.com.br
Carminha Aoki - carminhaaoki.saboreadega@gmail.com
conjecturar o amanhã. Além disso, o vinho é capaz de nos aproximar.
Uma taça pode nos fazer viajar pelos lugares mais lindos do planeta, RIO GRANDE DO SUL/SANTA CATARINA
Sônia Machado - sonia@vistamontes.com.br
revisitar memórias, conectar-nos; e, acima de tudo, transformar um
MARKETING
momento comum em algo especial. Uma taça de vinho nutre o corpo e marketing@innereditora.com.br
a alma. INTERNATIONAL SALES
E, de forma fantástica, além de fazer bem a nós mesmos, abrir Estados Unidos
Inner Publishing - sales@innerpublishing.net
um vinho se torna um gesto de solidariedade para com agricultores,
FINANCEIRO
produtores, sommeliers, lojistas e importadores, amigos no Brasil e em financeiro@innereditora.com.br
tantos países do mundo. No mundo do vinho, não são empresas que CIRCULAÇÃO
se relacionam, e sim pessoas. Devemos estar unidos, mesmo que à R.Scola Marketing Editorial

distância. ASSINATURAS
Nós, em ADEGA, acreditamos que, mais do que nunca, temos um assinaturas@innereditora.com.br
+55 (11) 3876-8200
papel a cumprir: ajudar o vinho a realizar sua magia. Distribuição Nacional pela Treelog S.A. Logística e Distribuição

A exaltação do brinde nunca foi tão acertada: ASSESSORIA JURÍDICA


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Christian Burgos e Arnaldo Grizzo Revista ADEGA é uma publicação mensal da INNER Editora Ltda.
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emitidos nos textos publicados e assinados na revista ADEGA, por serem
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#ISTOÉESPORÃO Parte da identidade cultural da Região do Alentejo.
42

14 56

14 ENTREVISTA
Giovanni Gaja, herdeiro de
Angelo, revela as inovações da
56 ESCOLA DO VINHO
Descubra as diferenças entre
vinhos de regiões frias e
nova geração quentes

38 VINHO E SAÚDE
Três pesquisas que ligam
consumo moderado a
64 ENOGOURMET
Um rápido passeio pela culinária
do sul da Itália em harmonizações
benefícios importantes impressionantes

42 ESPECIAL
Esmiuçamos os detalhes das
maiores estrelas do Piemonte,
66 ESCOLA DO VINHO
Flor de castanheiro pode ser
uma alternativa ao enxofre na
Barolo e Barbaresco conservação de vinhos?
CONTEÚDO |

64

72 82 87

TODO MÊS
10
72
| CARTAS
TERROIR BRASIL
Saiba por que os enólogos estão
tão entusiasmados com a safra 12 | ADEGA RESPONDE
2020 no sul do país 22 | MUNDOVINO

87 | CAVE

78 TENDÊNCIAS
Patricio Tapia, do Descorchados,
indica para onde vai a
99 | CLUBE ADEGA

vitivinicultura da América do Sul 106 | QUEM DISSE

82 GRANDS CHÂTEAUX DROPS


A história do Château bordalês
que leva o nome de um célebre
70 Adeus
Michael Broadbent
poeta romano
CARTAS | ESCREVA PARA REDACAO@REVISTAADEGA.COM.BR

ERRATA MEIO AMBIENTE


Na edição 173, na matéria “Lado a Lado Pomerol. Apesar da proximidade, ele fica, Chama a minha atenção como tem aumentado
– as principais diferenças das margens na verdade, em Saint-Émilion. Segue o na revista ADEGA a quantidade de matérias
direita e esquerda de Bordeaux”, na parágrafo corrigido: “Outra região com relacionadas à preocupação com as questões
página 50, o parágrafo que se inicia com vinhos importantes como o Pomerol, ambientais. Muito bom perceber como o setor, ao
“Outra região”, contém equívocos de terra do Petrus, Lafleur, Trotanoy, Le Pin, redor do mundo todo, está cada vez mais unindo
revisão e erroneamente incluiu o Château L’Eglise, entre outros, não possui uma forças e se mobilizando para tentar entender e
Cheval Blanc como sendo da região do classificação oficial de produtores.” driblar os impactos causados pelas mudanças
climáticas, e colaborar, de alguma forma, para
impedir que a degradação do planeta continue
aumentando. Orgânico e biodinâmico são as
expressões do momento. Minha torcida é para que
possamos unir as vantagens do mundo moderno,
Na página, 56, o subtítulo da matéria “Desafios Lamentamos os equívocos e agradecemos especialmente trazidas pelas novas tecnologias,
do gênero”, deveria ser: “Como as mulheres ao leitor e assinante, Marcelo Araújo com a sabedoria do passado para continuarmos
buscam espaço na indústria do vinho” Sousa, por ter apontado as falhas. bebendo nossos vinhos. Ajudando a natureza, a
natureza nos ajudará.
Ana Lucia Villaça de França

Tony Rodrigues Fabi Aguinsky @fabi.aguinsky Leda Ferreira Herdade do Rocim


@tonyrodrigues__ Hoje alguns dos melhores @leda.ccmferreira @herdadedorocim
Mais uma de 2010 nos vinhos da Austrália são Vinho, frutas e vegetais - Amphora Wine Day
achados da quarentena... produzidos por mulheres. flavonóis! #revistaadega | IN @revistaadega
como o mundo do Sabia disso? Acredite, quando
l #amphorawineday
vinho mudou! #wine você vê mulheres no mundo
#herdadedorocim
#dicasdevinhos #sommelier do vinho está vendo amor ao
#revistaadega
#revistaadega #harmonização trabalho. Infelizmente é difícil
entrar na disputa de cargos
neste segmento. Nesta matéria
mulheres incríveis contam
um pouco da dificuldade. A
edição da @revistaadega deste
mês fala sobre a dificuldade
que as mulheres australianas
enfrentam no mundo do vinho.
#vinho #amovinho #revistaadega
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10 ADEGA >> Edição 174


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Duas garrafas
do mesmo vinho
podem ser diferentes?
O leitor Euler Castelo se deparou com a seguinte situação:
“Comprei algumas garrafas de um mesmo vinho (mesma
safra) numa loja. Abri uma no mesmo dia, estava ótima.
Uma semana depois, abri outra e estava muito diferente.
Nada a ver com a primeira. O que pode ter acontecido?”

T
alvez você já tenha passado exemplo, que um pouco mais de oxigênio
por isso. Comprou algumas tenha entrado durante o engarrafamento ou
garrafas de um mesmo vi- tenha sido dispensado pela rolha durante os
nho, da mesma safra, em anos de guarda.
uma mesma loja. Abre uma Para garrafas compradas em um mesmo
delas e, depois de algum tempo, abre outra; local, pode-se levar em consideração que
e nota que aromas e sabores não correspon- uma, por exemplo, possa ter ficado mais ex-
diam ao que havia provado da primeira vez. posta ao calor que outra durante o transpor-
Como isso pode acontecer? te ou mesmo em exposição na loja. Apesar
Há quem diga que “cada garrafa é úni- disso, pode-se dizer que grandes diferenças
ca”, uma premissa bastante verdadeira entre garrafas são muitos raras.
quando tratamos especialmente de vinhos Fora isso, você também pode, às vezes,
mais antigos envelhecidos por alguns anos. notar diferenças em algumas situações. A pri-
Nesses casos, pode-se realmente notar dife- meira delas seria na temperatura de serviço
renças, às vezes, gritantes, de garrafa para do vinho. Em algumas circunstâncias, graus
garrafa. Detalhes como permeabilidade da a mais ou a menos de temperatura vão alte-
rolha, oscilações de temperatura, questões rar aromas e até mesmo o paladar da bebida.
de armazenagem durante muito tempo po- Por fim, outro fator a levar em consideração
dem ter grande influência em aromas e sa- é você mesmo, seu humor, sua sensibilidade,
bores no futuro, por isso, garrafas guardadas e o ambiente de degustação nos diferentes
em locais diversos provavelmente se mostra- dias em que provou o vinho. Não custa lem-
rão diferentes. Mas, mesmo as armazenadas brar que cada momento de consumo, como
da mesma forma podem diferir, basta, por cada garrafa, também é único.

12 ADEGA >> Edição 174


a expressão
singular
da campanha
gaúcha.
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ZZZVDOWRQFRPEU
ENTREVISTA | por CHRISTIAN BURGOS E GUILHERME VELLOSO

HERDEIRO
DO REI BÁRBARO
O que está mudando na Gaja, com a ascensão da nova geração, segundo
Giovanni Gaja, caçula e único filho homem do lendário Angelo

G
iovanni Gaja, que completou 27 todos (ele próprio, os pais e as irmãs) continuam
anos em fevereiro, é o caçula e morando hoje. Mas “em casas separadas, senão
único filho homem de Lucia e acabaríamos nos matando uns aos outros”, como
Angelo Gaja e, como o pai, re- faz questão de esclarecer rindo. Ele estudou
cebeu o nome do avô paterno Economia em Milão e só começou a trabalhar
(a família tem uma tradição de usar os mesmos em tempo integral na vinícola da família há dois
nomes, apenas alternando uma geração). Angelo anos. Antes, fez estágios em Londres e num distri-
– cujo avô se chamava Angelo também –, é claro, buidor da Gaja em Nova York.
dispensa apresentações. O “Rei do Barbaresco”, Na entrevista que concedeu a ADEGA, Gio-
como se tornou conhecido, foi responsável por vanni revela uma surpreendente paixão pela vi-
colocar os vinhos dessa denominação no mesmo ticultura, por questões ligadas à botânica, fala
nível, de preço e de reconhecimento, de seu ir- sobre o impacto das mudanças climáticas na viti-
mão mais ilustre, Barolo. Atualmente, Giovanni vinicultura e até no estilo de alguns vinhos. Tam-
divide com a irmã mais velha, Gaia, a função de bém aponta as mudanças que a nova geração,
“embaixador” da vinícola no mundo, razão que o representada por ele e pelas irmãs, está promo-
trouxe ao Brasil ano passado. O próprio Angelo vendo, em alguns casos até contrariando decisões
(que completa 80 anos em 2020) ainda viaja para tomadas no passado por Angelo. E faz observa-
promover os vinhos que produz, mas muito me- ções bem-humoradas sobre o relacionamento de-
nos que no passado. les com o pai famoso, a quem frequentemente se
Giovanni nasceu em Turim, mas, como os refere simplesmente por Angelo. Conhecido por
irmãos, viveu e cresceu na pequena Barbaresco sua personalidade forte e carismática, assim foi
(aproximadamente 600 habitantes, se incluídos descrito pela própria filha mais velha, Gaia: “ele
os que vivem na zona rural do vilarejo). É lá que parece estar o tempo todo no palco”.

14 ADEGA >> Edição 174


Como é trabalhar numa empresa familiar? Para entrar nessa questão, é preciso falar na
Numa empresa familiar, não tem regras. Você mudança climática. Considero a mudança
não tem presidente nem CEO. Mas todo climática um desafio, porque, nos últimos 20
mundo deve ser capaz de fazer um pouco de anos (não sei se vocês sentem o mesmo aqui
tudo. Todo mundo tem que ser flexível, mas, no Brasil), o clima realmente está mudan-
claro, dedico mais tempo a certos aspectos do do. Os invernos estão ficando mais curtos e
Nosso foco é negócio. menos rigorosos e os verões mais quentes e
longos. Então, para proteger as características
incrementar a Quais? de nossas vinhas e de nossos vinhos, tivemos
biodiversidade Estou começando a dividir as viagens com que buscar novas formas de enfrentar a mu-
em nossos minha irmã Gaia. Então, estou mais ligado dança climática. Por isso, começamos a tra-
à promoção dos vinhos. Mas tento fazer um balhar com diferentes consultorias. Eles não
vinhedos, pouco de tudo. Como estudei Economia, são experts em vinhas, mas em outros campos,
enriquecendo ainda estou desenvolvendo meus conheci- porque nos vinhedos temos mais de 150 anos
o meio mentos sobre viticultura e enologia. Devo
admitir que estou fascinado pelas questões
de experiência e não precisamos de ninguém
para nos dizer o que fazer. Trabalhamos com
ambiente com ligadas à viticultura, porque é incrível como dois botânicos, um geólogo, um geneticista,
microrganismos você pode se comunicar com as plantas. A dois entomologistas e temos professores vin-
beleza da agricultura é que você pode fazer dos de diferentes universidades na Itália que
que estimulam qualquer mudança nos vinhedos. Pode levar todo dia nos informam sobre novas maneiras
a autodefesa tempo para ver, mas sempre vai ter um resul- de combater os efeitos da mudança climática.
das plantas tado, que pode ser positivo ou negativo. Ho-
nestamente, é um trabalho lindo, porque me Quais são os principais efeitos que vocês identificam?
permite ter um pé na natureza, nas vinhas, Primeiro, as pragas estão se tornando um pro-
na viticultura e outro no lado comercial. Via- blema maior, porque, no inverno, com condi-
jar para novos países e conhecer pessoas. Não ções mais favoráveis, elas já não morrem. Sim-
posso me queixar. plesmente ficam dormentes e despertam na
primavera ainda mais agressivas do que antes.
Poderia nos contar um pouco mais sobre o trabalho que Então, estamos enfrentando pragas que nun-
consultores, a exemplo de botânicos, vêm fazendo na ca tivemos antes e as que já tínhamos estão
Gaja? ficando mais agressivas. Para dar um exemplo,

16 ADEGA >> Edição 174


estamos trabalhando com um professor da
Universidade de Pisa, na Itália, que tem nos
ensinado novas formas de combater essas no-
vas pragas sem usar químicos (pesticidas) ou
danificar o solo. Foi ele quem nos introduziu o
conceito de “confusão sexual” para combater
um mosquito que ataca a uva.

Há algum trabalho voltado especificamente para a


melhoria da Nebbiolo, base dos grandes vinhos de Gaja?
Estamos com um geneticista, que sempre
trabalhou com pomares. Desde 2003, faze-
mos nossa própria seleção massal. Quando
temos que replantar uma vinha de Nebbio-
lo, pegamos uma muda do nosso próprio
berçário. Selecionamos nossas melhores
vinhas velhas e replicamos o seu DNA, por-
que temos seu background genético. Assim de cada biótipo. Quando forem colhidas “Nosso estilo é ditado pela
começamos com San Lorenzo, Costa Russi, juntas, teremos complexidade e diversidade, Nebbiolo. Tentamos aplicar o
Sperss, Conteisa e iniciamos um processo o que chamamos de grandeza no vinhedo. mesmo conceito que usamos
para a Nebbiolo às demais
de seleção manual que demorou três anos. variedades com as quais
Pouco antes da colheita, verificamos a pro- E quanto à presença de flores e outras culturas no trabalhamos”

dução, o espaçamento dos cachos. No in- vinhedo?


verno, se elas têm vírus e assim por diante. Biodiversidade é um dos conceitos funda-
Baseados nesses parâmetros, selecionamos mentais que estamos buscando. Percebemos
as vinhas que vamos usar. O primeiro crité- que nas nossas vinhas estavam faltando inse-
rio é a idade: 45 anos. E a cada visita anual tos para fazer a polinização, porque em ge-
descartamos algumas, ou porque são muito ral, nos vinhedos, as vinhas se sobrepõem a
jovens ou por terem alguma doença. Outras todas as outras espécies que habitam o mes-
são simplesmente acompanhadas, porque mo meio ambiente. Quando isso acontece,
podem ter problemas menores, mas no hori- os insetos não mais encontram nutrientes.
zonte de três anos podemos avaliar se serão Uma abelha ou um inseto que não encontra
capazes de superar esses problemas. Se elas flores, não consegue encontrar nutrientes e
conseguirem, serão fundamentais, porque não consegue espalhar sementes em volta
isso significa que, em seu DNA, elas têm o para perpetuar o crescimento das mesmas
gene para combater aquela doença específi- flores. Junto com dois botânicos com os
ca. Ao final desse processo, conseguimos 50 quais trabalhamos, fizemos uma seleção de
ou 60 biótipos diferentes de Nebbiolo, que diferentes flores que reintroduzimos nos vi-
são as melhores vinhas que temos. E serão nhedos para atrair muitos insetos diferentes
acrescentadas à seleção que já temos. Qual que queremos em nossas vinhas. Insetos são
é a riqueza dessa abordagem? Quando te- fundamentais porque eles realizam essa fun-
mos que replantar uma vinha, selecionamos ção de polinização e também porque garan-
um desses biótipos. Um que é mais produti- tem o equilíbrio daquele ambiente. Então,
vo, outro que é menos produtivo; outro que o conceito principal é manter o equilíbrio
é mais resistente a pragas; outro que tem ca- em nossos vinhedos. O conceito de biodi-
chos mais espalhados e os replantamos jun- versidade é fundamental. Diferentes bióti-
tos em nosso vinhedo. Usando esse método, pos de vinhas, diferentes flores, diferentes
teremos 60 biótipos diferentes e 300 plantas tipos de grama.

Edição 174 >> ADEGA 17


Vista do single vineyard
Sori Tildin, um dos mais
prestigiados de Gaja

Antes de entrar nos vinhos, gostaríamos acrescentou uma pequena porcentagem de


de saber qual é a visão da Gaja sobre a biodinâmica. Barbera no corte de Costa Russi, Sori Tildin,
Desde 1995, criamos e usamos nosso próprio San Lorenzo, Sperss e Conteisa. Nós, os fi-
2013 foi um composto, dando muita atenção em selecio- lhos, respeitamos totalmente o que meu pai
ano muito nar o estrume adequado. Não usamos quími-
cos nem pesticidas. Nosso foco, como já men-
fez em 1996, mas temos uma visão diferente
da região de Langhe. Por essa razão, decidi-
particular cionado, é incrementar a biodiversidade em mos voltar à prática anterior de fazer esses vi-
para nós, nossos vinhedos, enriquecendo o meio am- nhos 100% Nebbiolo.
biente com microrganismos que estimulam
porque a autodefesa das plantas. Nós reintroduzimos E como seu pai reagiu a essa decisão?
voltamos a flores em nossos vinhedos e restauramos o ma- Levou um tempo para convencê-lo, porque
usar 100% terial orgânico dos solos plantando diferentes isso foi algo que nós vínhamos discutindo há
culturas para alimentá-lo e equilibrá-lo. Nossa dez anos. Mas é claro que meu pai não é uma
Nebbiolo filosofia é baseada no respeito pela natureza, pessoa a quem você chega e diz “agora mu-
em todos os pelo meio ambiente e por nossos solos. Não damos” e ele responde “claro, vá em frente”.
sentimos necessidade de adotar protocolos ou Isso foi um processo de ganhar confiança. Eu
nossos single obter alguma certificação para provar isso. comecei a trabalhar na vinícola há dois anos,
vineyards de mas Gaia já trabalha há mais de 14 e Rossana
Barbaresco e Além de todas essas mudanças na viticultura, há aproximadamente 10. Penso que meu pai
houve mudanças importantes nos vinhos? confia em nós e também permitiu a mudança
de Barolo Os últimos anos foram de mudanças, mas não porque cada geração tem que tomar suas pró-
de mudanças revolucionárias. Mudamos, por prias decisões, tem que seguir seus próprios
exemplo, os cortes de alguns de nossos vinhos. projetos.
Primeiro, 2013 foi um ano muito particular
para nós, porque voltamos a usar 100% Neb- Que outras mudanças vocês fizeram?
biolo em todos os nossos single vineyards de A Barbera que continua plantada nos vinhe-
Barbaresco e de Barolo. Em 1996, meu pai dos dos single vineyard é colhida separada-

18 ADEGA >> Edição 174


nos últimos anos as Cabernet deram sempre
bons resultados em termos de qualidade.

Aparentemente, o que vocês decidiram


é que cada vinho deve ter personalidade própria...
Exatamente. Agora, os três vinhos são com- Meu pai
pletamente diferentes uns dos outros. Promis não é uma
era, e continuará sendo, um corte à base de
Merlot, Syrah e Sangiovese. Magari tornou-
pessoa a quem
-se predominantemente Cabernet Franc, com você chega
Cabernet Sauvignon e uma pequena porcen-
tagem de Petit Verdot. Ca’Marcanda passa a
e diz “agora
ser predominantemente Cabernet Sauvignon mudamos” e
com Cabernet Franc. ele responde
Vocês estão eliminando a Merlot?
“claro, vá em
Mantivemos Merlot nos melhores solos que frente”. Isso foi
temos, localizados em áreas mais frias. E isso um processo
é fundamental para o Promis, que, a partir de
2015, teve um grande aumento de qualidade. de ganhar
Até 2014, as melhores parcelas de Merlot iam confiança
para o Ca’Marcanda, que é o top da vinícola.
mente e usada no Sito Moresco. Essa Barbera Com essa mudança, a Merlot, plantada nos
é especial, porque é plantada nos melhores melhores solos, nos melhores climas, nas me-
solos e com a melhor exposição solar. Então, lhores áreas, vai apenas para o Promis.
desde 2015, Sito Moresco tornou-se um corte
de, predominantemente, Nebbiolo e Barbera, Mas isso não altera o estilo dos vinhos?
com 10% de Merlot. Essa mudança foi benéfica para todos os vi-
nhos, mas houve uma pequena mudança no
Houve mudanças também estilo, porque, quando você tira a Merlot, está
nos vinhos produzidos na Toscana? tirando um pouco da maciez e da “redondez”
A partir de 2015 fizemos algumas mudanças que ela aporta. Então, Magari e Ca’Marcanda
em Ca’Marcanda, em Bolgheri. Modifica- estão mudando para se tornar mais fechados,
mos os cortes do Magari e do Ca’Marcanda. mais tensos. São vinhos que, quando jovens,
Até 2014, os três vinhos que produzimos em são mais fechados, que levarão um bocado
Bolgheri (Promis, Magari e Ca’Marcanda) de tempo para se abrir, mas que envelhece-
tinham por base a Merlot. A partir de 2015, rão maravilhosamente. Assim, estamos cami-
apenas Promis é baseado na Merlot. Magari nhando para um estilo de Cabernet Franc e
e Ca’Marcanda estão mudando para ter por de Cabernet Sauvignon que lembra o da Neb-
base Cabernet Franc, no caso do primeiro, e biolo.
Cabernet Sauvignon, no do segundo. Essa foi
uma decisão que tomamos em razão da mu- O fato de vocês estarem fazendo menos
dança climática, do aquecimento. Percebe- malolática também não contribui para isso?
mos que as duas Cabernet são variedades que Sim, mas estamos fazendo menos malolática
suportam melhor o calor, na verdade, adoram nos brancos. Isso afeta mais os Chardonnay.
o calor. Então, mudamos o Merlot para áreas Nas primeiras safras, nos anos 1980 e 1990,
de clima mais frio em Bolgheri. Isso é fruto do fazíamos malolática em 80% ou até 100% do
conhecimento que acumulamos em 23 anos vinho. Naquela época, o clima era diferente e
em Bolgheri. Nossa experiência mostrou que tínhamos uma acidez tão alta que a malolática

Edição 174 >> ADEGA 19


“Estamos presentes era quase fundamental para amaciar essa aci- produção pequena: 3 mil garrafas do branco
nas quatro principais
denominações de origem
dez. Hoje, a acidez não é tão alta e tão agres- e 16 mil do tinto. No futuro, a ideia é plantar
da Itália, os quatro B’s: siva como no passado, então, podemos fazer mais Caricante e focar mais a produção do
Brunello, Bolgheri, malolática em apenas 30% dos vinhos. E em branco. É um projeto de longo prazo.
Barbaresco e Barolo. Isso
nos dá a oportunidade de alguns anos, como 2017, Gaia e eu não fize-
focar em quatro diferentes mos nenhuma malolática. O conceito princi- Você tem enfatizado muito o conceito dos quatro B’s.
regiões, com diferentes
variedades, expressando pal nas três vinícolas (Piemonte, Montalcino Explique do que se trata.
nosso próprio estilo de e Bolgheri) é criar vinhos que tenham tensão Temos muito orgulho de ser uma das poucas
quatro formas diferentes,
mas com uma linha em
e identidade. Vinhos que expressam um lugar. vinícolas italianas que ainda pertence e é ad-
termos de estilo e de E também queremos acrescentar nosso estilo. ministrada por uma família. Somos conside-
produção”
E nosso estilo é ditado pela Nebbiolo. Tenta- rados uma vinícola artesanal, porque temos
mos aplicar o mesmo conceito que usamos mentalidade de artesão e um jeito artesanal
para a Nebbiolo às demais variedades com as de produzir vinho. E estamos presentes nas
quais trabalhamos. quatro principais denominações de origem da
Itália, os quatro B’s: Brunello, Bolgheri, Bar-
Como anda o projeto de Gaja na Sicília? É uma joint baresco e Barolo. Isso nos dá a oportunidade
venture? de focar em quatro diferentes regiões, com di-
É a primeira que fizemos, com um produtor ferentes variedades, expressando nosso próprio
local que tem uma vinícola na parte norte do estilo de quatro formas diferentes, mas com
Etna. Juntos, compramos terras na parte sul. uma linha em termos de estilo e de produção.
Essa zona tem grande potencial para a produ-
ção de brancos, que é o foco desse projeto. Em Você poderia nos descrever como é, hoje, o processo
função das mudanças climáticas, pensamos decisório na Gaja. Digamos que tem um problema para
que, no futuro, os brancos poderão ter maior resolver. Vocês sentam juntos para discuti-lo? Sua mãe
presença. O Etna é um lugar mágico, por- também participa?
que ao mesmo tempo transmite medo e uma Normalmente, sentamos todos juntos e con-
energia mágica. Os solos são muito férteis e versamos. Todos têm um voto, que vale 5%,
parecem pó de tijolo. Teremos dois vinhos, e meu pai tem os 80% restantes [risos]. Meu
que provavelmente serão lançados ainda em pai sempre diz que se sente muito orgulhoso
2020. Um vai ser à base de Caricante; outro, por ter três filhos que trabalham juntos na
de Nerello Mascalese. Ainda não temos uma vinícola. Nós crescemos juntos e nos damos
vinícola. Estamos aguardando as licenças para muito bem. E vamos levar isso para a próxima
começar a construí-la. Por enquanto, será uma geração.

20 ADEGA >> Edição 174


VINHOS AVALIADOS

AD 93 pontos AD 94 pontos
ALTENI DI BRASSICA LANGHE BARBARESCO 2012
SAUVIGNON BLANC 2016 Angelo Gaja, Piemonte, Itália (Mistral
Angelo Gaja, Piemonte, Itália US$ 440). Esbelto já no nariz, com
(Mistral US$ 279). Alteni é o nome frutas de cereja e muita mineralidade.
da pequena parede de pedras que A força em boca é impressionante,
antigamente rodeava o pomar na perfil medicinal, taninos poderosos e
área, e Brassica é a flor amarela que ao mesmo tempo finos. Muito jovem
cobre os vinhedos. Nariz riquíssimo hoje, requer e merece paciência, pois
em frutas tropicais cristalinas, laranja não falamos em anos, mas em décadas
madura, pêssego e um toque de de evolução nesse vinho. Desde 1978
melão. Depois abre-se em buquê faz um ano de envelhecimento em
de ervas. Em boca, confirma a barrica pequena, um ano em bote
fruta e adiciona a parte branca da grande e um ano em garrafa. Mas o
laranja que denota estrutura e aporta que pode explicar a qualidade superior
um delicioso amargor. Tudo isso deste Barbaresco é que Angelo Gaja
se combina à acidez e gera uma em 2012 não lançou nenhum de seus
austeridade que equilibra o dulçor e single vineyards e as uvas desses
vibração da fruta. Segundo Giovanni grandes vinhedos foram todas usadas
Gaja, é um perfil do sul do Langhe. neste blend. CB
CB
AD 95 pontos
AD 93 pontos SPERSS 2013
CA’MARCANDA 2012 Angelo Gaja, Piemonte, Itália (Mistral
Angelo Gaja, Toscana, Itália (Mistral US$ 620). Sempre um dos meus
US$ 300). Ano após ano, esse vinho favoritos, uma estrela na constelação
encanta com seu corte incomum, na Gaja. Um vinho austero e clássico,
Itália, de 50% Merlot, 40% Cabernet com profundo floral de alfazema e fruta
Sauvignon e 10% Cabernet Franc. vermelha fresca. Em boca, consegue
Interessante como o Merlot tem ser elegante e poderoso ao mesmo
força para acompanhar o Cabernet tempo. É o mirtilo que vigora junto ao
Sauvignon e o Cabernet Franc, e floral, com um toque de sangue. Tudo
além disso os complementa. Aroma amparado pela acidez e taninos com
com ameixas, terroso, caixa de músculos de crossfit. Elegante em
charutos, estrebaria, uma camada boca. Um puro sangue para corridas
de mentol e final que lembra longas. Essa foi uma safra histórica
cinzas frias. Com o tempo em taça, para a família. A primeira em que os
aparecem flores azuis. Em boca, filhos de Angelo entraram na vinificação
tem a fruta vermelha viva e os (na verdade, Giovanni ressalta que
aspectos terrosos que encontraria suas irmãs foram as protagonistas).
em um Sangiovese, o que mostra o Primeira safra 100% Nebbiolo e que
poder do terroir. Delicioso com fruta marca o retorno às denominações de
rica e taninos terrosos e doces. No Barolo e Barbaresco. Uma mudança de
retrogosto, voltam as cinzas frias. visão da nova geração neste vinho cuja
Um vinho que está delicioso hoje, primeira safra foi 1988. Giovanni conta
mas que vai evoluir lindamente até que o avô deles dizia que se lembrava
2029. Um dos últimos exemplares dos vinhedos Sperss, e que se fosse
com a participação do Merlot, pois a comprar um vinhedo de Barolo seria o
partir de 2015 sai o Merlot, e ficam Sperss, pois o resto não valia a pena.
apenas os Cabernets. CB Não sei se concordo, mas também amo
este vinhedo. CB

Edição 174 >> ADEGA 21


MUNDOVINO | EVENTOS DO MUNDO DO VINHO

Vinho, destilados,
perfumes e álcool gel
Empresas ligadas à indústria do vinho passam a
produzir álcool gel e desinfetante para hospitais

O grupo LVMH, dono de algumas das marcas mais


famosas de vinhos mundo como Moët & Chandon, Krug,
Veuve Clicquot etc., passou a usar três de suas fábricas de
perfumes e cosméticos para produzir álcool gel e entregar
gratuitamente às autoridades sanitárias francesas no esforço Ânforas
para combater a pandemia de coronavírus no país.
“Com esta iniciativa, a LVMH pretende ajudar a lidar na caverna
com o risco de falta de produto na França e permitir que Arqueólogos descobrem ânforas
um número maior de pessoas continue a tomar as medidas “misteriosas” em caverna submarina
corretas para se proteger da propagação do vírus”, afirmou
um comunicado do grupo. Arqueólogos encontraram cerca de 200 ânforas de vinho
Iniciativa semelhante tomaram os grupos Diageo, em uma caverna subaquática nas Ilhas Baleares, chamada
Pernod Ricard e Gonzalez Byass, entre outros. Diageo Fuente de Ses Aiguades. Não se sabe ainda explicar o
disse que doaria dois milhões de litros de álcool de suas porquê de elas estarem lá, mas uma possível razão é que
destilarias para ajudar a produzir mais de oito milhões de teriam sido deixadas como parte de algum ritual antigo,
garrafas de desinfetante para as mãos para os profissionais como oferendas aos deuses.
de saúde em vários países do mundo. A caverna foi explorada pela primeira vez em
A Pernod Ricard prometeu 70.000 litros de álcool 1998 e foi investigada pela última vez no ano 2000.
em seu mercado doméstico na França e anunciou que Recentemente, membros da “Pesquisa Arqueológica
destilarias em outros mercados, incluindo Estados Unidos, Subaquática nas Cavernas de Mallorca” liderados
Irlanda e Espanha, seriam disponibilizadas para a produção por Manuel Fumás usaram novas tecnologias para
de desinfetantes. reexaminar a caverna. Ela tem cerca de 180 metros
de comprimento e está cheia de estalactites e muitas
câmaras de ar. Existem vários eixos verticais e eles só
podem ser alcançados usando um sistema de polias.
Os arqueólogos usaram o escaneamento 3D para
mapear a caverna e descobriram aproximadamente 200
ânforas antigas que quase certamente datam do período
romano, quando o comércio marítimo internacional
floresceu. É provável que as ânforas tenham sido deixadas
por marinheiros na caverna.
A água na caverna tem 14 metros de profundidade,
metade é de água doce e o restante é de água salgada,
e eles não se encontram. Isso é incomum e pode ter
feito os antigos pensarem que o fenômeno tinha alguma
associação com os deuses.
Além das ânforas, também foram encontrados restos
de animais extintos. Acredita-se que os ossos sejam os
restos mortais de um Myotragus, uma espécie de cabra.
O Myotragus foi extinto há aproximadamente 5.000 anos.

22 ADEGA >> Edição 174


MUNDOVINO | EVENTOS DO MUNDO DO VINHO

Aplicativo no vinhedo
Universidade americana desenvolve app para solucionar problemas nas vinhas
A equipe de vinha e enologia da patologistas de plantas, entomologistas, gerenciamento
Texas Tech University desenvolveu etc. O banco de dados do aplicativo de problemas
um aplicativo que permitirá que contém mais de 350 problemas que é carregada, as
os produtores de uvas usem seus afetam as uvas, incluindo doenças, recomendações
smartphones para combater pragas insetos e ácaros, pragas, ervas daninhas, para doenças,
nos vinhedos. Ele vai aproveitar o distúrbios fisiológicos e estresses insetos e pragas são formatadas por
conhecimento coletivo e a experiência ambientais. “Estratégias de controle e limites de
de especialistas em gestão de pragas de Os produtores podem pesquisar no ação”, “Controle natural e práticas
universidades e serviços de extensão em banco de dados do Vineyard Advisor culturais”, “Materiais orgânicos”,
todo os Estados Unidos. O aplicativo por problemas em uvas ou pesticidas “Referências”, “Pesticidas Registrados”
Vineyard Advisor está disponível para rotulados para uso em uvas. e “Recursos Adicionais”.
download sem custo. Os produtores podem inserir O desenvolvimento do aplicativo
É uma ferramenta que fornece um nome do problema na caixa de foi apoiado em parte por meio de uma
recomendações atualizadas sobre pesquisa e o aplicativo trará as melhores concessão da American Vineyard
gerenciamento de pragas, sintetizadas correspondências em seu banco de Foundation e um suporte adicional foi
a partir de publicações de pesquisa dados. Quando a doença de interesse fornecido pela Lei de Desenvolvimento
e extensão escritas pelos principais é selecionada na lista e a página de da Indústria de Vinho do Texas.

Vinho natural reconhecido


Órgão francês reconhece produtores que produzem “Vin Méthode Nature”
Enfim parece que os produtores dos chamados “vinhos as uvas devem provir de videiras orgânicas certificadas,
naturais” terão uma cartilha para se pautar. Sob o nome colhidas manualmente e produzidas com leveduras
“vin méthode nature”, o Instituto Nacional de Origens indígenas. Métodos proibidos durante o processo de
e Qualidade (INAO), do Ministério da Agricultura e o vinificação incluem: termovinificação, osmose reversa,
Escritório de Controle de Fraudes da França reconheceram pasteurização instantânea e filtração de fluxo cruzado.
a nova denominação. É permitida a adição de até 30 mg / l de dióxido
Essa cartilha foi criada de enxofre em todos os tipos de vinho em todas as
por produtores em outubro denominações, mas nenhuma adição é permitida antes
de 2019 e estabeleceu uma ou durante a fermentação. Os vinhos em que não foi feita
lista de critérios à nova adição de SO2 podem ser rotulados como “método natural
categoria. A estrutura espera sem sulfitos adicionados”, enquanto aqueles com adição pós-
oferecer uma definição fermentação podem usar “método natural com menos de 30
formal para o vinho mg / l de sulfitos adicionados”.
natural aos consumidores Cada vinho acabado será submetido a uma avaliação
e esclarecer algumas das externa controlada para determinar se está em conformidade
confusões e os termos muitas com os regulamentos. Os vinhos não devem ser
vezes pouco claros que o comercializados com uma marca diferente.
descrevem. A denominação Acredita-se que mais de 100 produtores franceses se
será sujeita a um período inscrevam no programa “vin méthode nature” nos próximos
experimental de três anos. meses, e esperam-se sistemas semelhantes em toda a
Para usar a denominação, Europa, em breve.

24 ADEGA >> Edição 174


MUNDOVINO | EVENTOS DO MUNDO DO VINHO

Romanée-Conti,
rei dos leilões
Vinho borgonhês lidera com folga entre
os mais vendidos em 2019 na Sotheby’s

O Domaine de la Romanée-Conti (DRC)


representou um quarto de todas as vendas de
1926 estabeleceu um novo recorde mundial
ao alcançar US$ 1,9 milhão em leilão em 1 Domaine da Romanée-Conti
Total de vendas: US$ 27
milhões | Participação nas
vinhos em valor na casa de leilões Sotheby's Londres. Segundo o leiloeiro, o preço médio vendas geral da Sotheby's: 22%
em 2019, ajudando a impulsionar o grupo a da garrafa de destilados nos leilões foi de US$ (e 25% das vendas de vinhos)
registrar recordes no resultado de seus leilões. 11.333 – 12 vezes maior que dos vinhos.
Além dele, uísques raros e caixas de edição
limitada de Mouton Rothschild ajudaram
Confira os 10 principais produtores de
vinhos e destilados em termos de vendas de
2 The Macallan
Total de vendas: US$ 8
milhões | Participação: 7%
as vendas de vinhos e bebidas destiladas da leilão da Sotheby's em 2019:
Sotheby's a atingir US$ 118 milhões em
2019, um aumento de 20% em relação a
3 Domaine Coche-Dury
Total de vendas: US$ 8
milhões | Participação: 6%
2018.
O DRC constituiu
44% de todas as vendas
4 Château Mouton Rothschild
Total de vendas: US$ 6
milhões | Participação: 5%
de vinho da Borgonha na
Sotheby's no ano passado,
em termos de valor. A
5 Domaine Armand Rousseau
Total de vendas: US$ 5
milhões | Participação: 4%
Borgonha representou
metade de todas as
vendas da Sotheby's em
6 Domaine Leroy
Total de vendas: US$ 5
milhões | Participação: 4%
2019, ante 42% em 2018.
Enquanto isso, Bordeaux
caiu de 46% das vendas 7 Petrus
Total de vendas: US$ 4
milhões | Participação: 3%
em 2018 para apenas 26%
no ano passado.
Após o DRC, a marca 8 Dom Pérignon
Total de vendas: US$ 3
milhões | Participação: 3%
mais valiosa de bebidas na
Sotheby’s foi a Macallan.
Uma garrafa de 60 anos 9 Château Lafite Rothschild
Total de vendas: US$ 3
milhões | Participação: 2%
de uísque Macallan

10 Domaine Georges
Roumier
Total de vendas: US$ 2 milhões |
Participação: 2%

26 ADEGA >> Edição 174


Nenhuma safra
é igual à outra.
E nenhuma
receita também.

Momentos que marcam.


MUNDOVINO | EVENTOS DO MUNDO DO VINHO

Sem Ice Wine


na Alemanha
Segundo produtores, a culpa é das
mudanças climáticas

Não haverá Ice Wine na Alemanha na safra de


2019. E a culpa são das altas temperaturas nas
regiões produtoras de vinho durante o inverno.
“Devido ao inverno ameno, a temperatura
mínima exigida para uma colheita de Ice Wine
(-7°C) não foi atingida em nenhuma das 13
regiãos vinícolas alemãs”, disse Ernst Büscher, do

Na mira da máfia Instituto Alemão do Vinho (DWI).


É a primeira safra da história em que o
Operação policial vincula vinícola siciliana famoso “vinho do gelo” não foi produzido na
à Cosa Nostra Alemanha. De acordo com o DWI, apenas sete
produtores puderam colher uvas para Ice Wine
Uma operação “antimáfia” apreendeu mais de € 70 em todo o país em 2017, enquanto o inverno de
milhões em ativos – incluindo vinhedos e edifícios – 2014/15 foi tão suave que o vinho de gelo da safra
que foram confiscados condicionalmente da vinícola de 2014 também é uma raridade.
siciliana Feudo Arancio. A vinícola faz parte do Gruppo E o futuro não parece muito promissor. “Se
Mezzacorona, com sede em Trentino, no norte da Itália, os invernos quentes continuarem nos próximos
e é um dos maiores grupos vinícolas do país, com mais anos, os Ice Wines das regiões vinícolas alemãs
de 900 hectares de vinhedos nas províncias sicilianas de logo se tornarão uma raridade ainda maior do
Agrigento e Ragusa. Eles negam veementemente qualquer que já são”, disse Büscher.
irregularidade. O DWI diz que outro problema para a
A Guardia di Finanza de Trento – uma agência italiana produção desse estilo de vinho é que, nos
do ministério da economia – tem investigado possíveis últimos anos, as datas para uma possível colheita
ligações de lavagem de dinheiro entre Mezzacorona e o – as épocas do ano em que a temperatura cai
grupo mafioso Cosa Nostra. A apreensão foi ordenada pelo abaixo de -7°C – mudaram cada vez mais para
Tribunal de Trento após um apelo de um promotor que janeiro e fevereiro, enquanto as uvas tenderam a
estava investigando “a infiltração do crime organizado na amadurecer mais e mais cedo. “Como resultado,
economia de Trentino”. o período em que as uvas precisam sobreviver em
O grupo Mezzacorona refutou as alegações: “O um estado saudável até uma possível colheita é
grupo Mezzacorona sempre cumpriu seu compromisso mais longo”, afirma o Instituto.
empreendedor de maneira correta e séria e para proteger
seus membros, funcionários e acionistas”, disseram em
comunicado, que solicitava urgência à autoridade judicial,
para resolver o problema o mais rápido possível para
proteger a renda e o trabalho de 1.600 membros, 480
acionistas e 500 funcionários.
“Todas as operações nas vinhas e as atividades
comerciais de Feudo Arancio continuam normalmente.
O Gruppo Mezzacorona pede à autoridade judicial com
a máxima rapidez que os esclarecimentos sejam feitos o
mais rápido possível”.

28 ADEGA >> Edição 174


VIBRANTE
MUNDOVINO | EVENTOS DO MUNDO DO VINHO

Don Carlos
Carlos Falcó, do produtor de vinhos espanhol Marqués de Griñón,
faleceu aos 83 anos vítima da COVID-19

Don Carlos Falcó y Fernandez de do vinho. Ele estava à frente de familiar chamada Dominio de
Córdova, também conhecido como seu tempo”, disse Pablo Alvarez, Valdepusa, perto da pequena cidade
Marqués de Griñón, morreu no proprietário da Bodegas Vega de Malpica del Tajo, a cerca de 100
dia 20 de março em Madri devido Sicilia. “Todos sentiremos falta quilômetros de Madri.
a complicações causadas pela de Carlos Falcó, um vinicultor Em 1974, sob supervisão do
COVID-19. Ele tinha 83 anos. De e enólogo nobre, incansável, renomado enólogo francês Émile
acordo com sua filha, Xandra Falcó elegante, orientado para a ciência, Peynaud, ele plantou Cabernet
Girod: “Foi tão rápido. Ele estava que contribuiu muito para colocar Sauvignon, então proibida na
em perfeitas condições e, quatro os vinhos espanhóis no mapa”, disse região, acrescentando mais tarde
dias depois, ele se foi”. Miguel A. Torres. Syrah e Petit Verdot. Sua primeira
“Ontem trouxemos suas cinzas Falcó nasceu em 1937 em safra foi em 1983.
para casa em nossa propriedade Sevilha, no Palácio de las Dueñas, Falcó também foi líder na
em Valdepusa. Por causa das onde seus pais estavam abrigados indústria de azeite. Em 1989,
restrições, éramos apenas nós da guerra civil espanhola. O quinto viajou para a Toscana e alistou
cinco, seus filhos. Colocamos ele Marqués de Griñón foi companheiro os serviços de Marco Mugelli,
para descansar em sua capela, de infância do futuro rei da Espanha. um pesquisador inovador. Eles
com vista para as vinhas, e Mas Falcó não se contentou em fizeram seu primeiro óleo de
levantamos uma taça de vinho em ser um aristocrata. Nasceu para Valdepusa em 2002, o que deu
sua memória”, afirmou. ser um empreendedor. Quando início a uma nova onda de
“A indústria do vinho na jovem, estudou na Universidade da produtores de alta qualidade.
Espanha está de luto pela morte Califórnia, em Davis, onde ficou “Mudamos a maneira como
de Carlos Falcó. Um homem que fascinado pela viticultura. Ele se o azeite é produzido na
lutou a vida toda pela indústria estabeleceu em uma propriedade Espanha”, disse Xandra.

30 ADEGA >> Edição 174


MUNDOVINO | EVENTOS DO MUNDO DO VINHO

Obras nas garrafas


O artista britânico David Shrigley criou obras para a Champagne Ruinart
A casa de Champagne preciso fazer várias visitas à região; é preciso visitar as
Ruinart comissionou o caves, as vinhas e as instalações de produção; e é preciso
artista britânico David fazer perguntas às pessoas que trabalham lá e ouvir com
Shrigley para produzir uma muita atenção o que dizem. E o mais importante, você
série de obras baseadas na deve beber um pouco de Champagne”, disse o artista.
maison, seus vinhos, caves “Para este projeto, fiz 100 desenhos com base em
e vinhedos. Todos os anos, minhas experiências de estar na Maison Ruinart. Eu
a empresa seleciona um estava realmente ciente de que menos de um terço deles
artista para uma exposição inspirada em sua história. Em seria usado, que dois em cada três seriam descartados. É
2018, por exemplo, Ruinart convidou o artista chinês assim que costumo trabalhar. Se eu quero 30 desenhos,
Liu Bolin e, em 2019, o brasileiro Vik Muniz. preciso fazer 90 desenhos – e, às vezes, mais do que isso”,
Este ano, Shrigley produziu uma série de desenhos apontou.
e esculturas em sua “reinterpretação” da casa de Além das obras de arte, Shrigley também projetou
Champagne. Ele chamou a coleção de “Bolhas Não um trabalho de edição limitada (30 peças) para
Convencionais”. acompanhar Jeroboams de Ruinart e que faz referência a
“Ao fazer arte sobre a produção de Champagne: é todos os elementos necessários para fazer vinho.

Roederer compra Diamante


Casa de Champagne adquiriu a Diamond Creek, no Napa Valley
A casa de Champagne Louis amizade de longa data. Em 1997, por
Roederer comprou a Diamond exemplo, os fundadores de Diamond
Creek, uma das vinícolas pioneiras Creek, Al e Boots Brounstein, foram
no Napa Valley. O acordo inclui a convidados a Paris por Jean-Claude
propriedade de 32 hectares, a vinícola Rouzaud para comemorar seus 30
e a marca. O preço de compra não anos de gestão de Louis Roederer.
foi divulgado. Esta é a segunda O relacionamento perdurou até a
aquisição recente na Califórnia da morte de Al e a aposentadoria de
Roederer, que assumiu a Merry Jean-Claude em 2006, e continuou
Edwards, de Sonoma, em maio de com filho de Jean-Claude, Frédéric, Teríamos feito isso se houvesse. Mas,
2019. Vale lembrar que a Roederer, e Boots. Os dois estavam explorando com a situação atual, essa era a coisa
de propriedade da família Rouzaud, maneiras de fazer uma parceria até certa a fazer”, diz o filho de Boots,
tem presença em Bordeaux, com que ela faleceu em julho de 2019, aos Phil Ross, atual proprietário.
a propriedade do Château Pichon 92 anos. Diamond Creek foi fundada
Lalande, em Pauillac, e do Château “Minha mãe estava envolvida pelos Brounsteins em 1968. A
de Pez, em St.-Estèphe; e também nisso. E estávamos procurando o geração atual em Diamond Creek,
no Rhône, com Domaine Delas; em parceiro certo para continuar nosso liderada por Ross e pelo produtor
Provence, com Domaines Ot; em grande legado. Ambas as famílias Phil Steinschriber, concordou em
Portugal, com Ramos Pinto; e ainda é estão empolgadas com isso. Eu sou permanecer e ajudar na transição. A
dona da Champagne Deutz. a segunda geração e não há uma vinícola manterá grande parte de sua
A compra evoluiu de uma terceira geração para continuar. equipe atual.

32 ADEGA >> Edição 173


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MUNDOVINO | EVENTOS DO MUNDO DO VINHO

As mais poderosas CONFIRA A LISTA


DOS 15 PRIMEIROS
Wine Intelligence revelou seu Índice Global de Marcas de Vinhos de 2020
1 Yellow Tail
Segundo o “Índice Global de Marcas vinho em seus respectivos países. Vale
2 Casillero del Diablo
de Vinhos” da consultoria Wine apontar que um terço dos 15 primeiros
Intelligence, as marcas Yellow Tail e da lista é composto por marcas norte- 3 Gallo
Casillero del Diablo lideram como americanas – especialmente Gallo e
as “mais poderosas” pelo terceiro ano Barefoot – que em parte se devem à 4 Jacob’s Creek
consecutivo. influência da grande população de 5 Barefoot
Com base no feedback de mais de consumidores de vinho dos Estados
20.000 consumidores de vinho em 21 Unidos no estudo e à afinidade que os 6 Gato Negro
mercados – representando 380 milhões consumidores americanos demonstram 7 Carlo Rossi
de consumidores de vinho em todo o pelos vinhos nacionais.
mundo –, esta terceira edição da lista Em comparação com a lista de 8 Frontera
está acompanhando a diminuição 2019, a Barefoot, saltou oito lugares para 9 J.P. Chenet
dos níveis de conscientização do chegar ao top 5, e Frontera, subiu sete
consumidor (quais marcas ele se lugares para ficar em oitavo no índice. 10 Mouton Cadet
recorda), embora a uma taxa menos Santa Carolina também subiu sete
11 Lindeman’s
acentuada do que a edição anterior do lugares para empatar em 12º lugar com
relatório. Beringer. Por outro lado, Mouton Cadet 12 Santa Carolina
A marca australiana (Yellow Tail) caiu cinco lugares para 10º e Robert
13 Beringer
e chilena (Casillero) apresentam um Mondavi caiu sete lugares indo para a
desempenho muito bom no índice em 14ª posição. Torres também subiu dois 14 Robert Mondavi
relação ao tamanho da produção de lugares e chegou ao top 15 deste ano.
15 Torres

34 ADEGA >> Edição 174


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Atacando
as CAUSAS Consumo moderado de vinho pode
combater uma possível causa de Alzheimer?

P
esquisas recentes sobre Alzheimer se uma a 13 doses (sendo a dose 10 gramas de
concentraram em uma possível álcool, cerca de dois terços de uma taça
causa da doença: peptídeos de vinho) por semana. Os indivíduos
beta-amiloides. Foi demonstrado também foram avaliados por neu-
que esses peptídeos – cadeias ropsicólogos e psiquiatras, e fato-
curtas de aminoácidos – for- res adicionais de estilo de vida
mam placas no sistema ner- foram analisados, incluindo
voso central e podem estar peso corporal, profissão, ren-
associadas ao desenvolvi- da e casos de depressão.
mento da doença. E um Para testar a presença
estudo da Coreia do Sul de amiloides no cérebro, os
mostra que o consumo pesquisadores usaram três
moderado de álcool pode exames de imagem cere-
estar associado a níveis mais bral. Eles descobriram que a
baixos de beta-amiloides no ingestão moderada de álcool
sistema nervoso. durante a vida foi significa-
Publicada na PLOS Medi- tivamente associada à menor
cine, a pesquisa foi conduzida deposição de amiloide em com-
por uma equipe da Universidade paração com a falta de bebida. Essa
Nacional de Seul e de várias outras conclusão foi tirada mesmo depois
escolas coreanas, como parte do “Es- que compensaram os outros fatores de es-
tudo Coreano sobre Envelhecimento Ce- tilo de vida e excluíram os bebedores compul-
rebral para o diagnóstico e previsão precoce da siivos e ex-bebedores dos resultados.
doença de Alzheimer”. Eles pesquisaram e testa- O grupo mostrou níveis mais baixos de peptí-
ram 414 indivíduos recrutados em Seul em 201 16, d
deos beta-amiloides em comparação com aque-
com idades variando de 56 a 90. lees que bebiam menos de uma dose por semana,
Embora esses indivíduos não mostrassem de-d aqueles que bebiam mais de 13 doses por semana
mência ou doenças relacionadas ao álcool, aprro- e também com abstêmios. O estudo explica que
ximadamente um terço havia sido diagnosticado os efeitos potenciais do álcool nos beta-amiloides
com algum grau de “comprometimento cogniti iti- sã
são significativos apenas a longo prazo. Os pes-
vo leve”. Antes de testar a presença de amiloides quisadores acrescentam que este estudo e suas
nos indivíduos, eles foram questionados sobre o conclusões devem ser vistos com cautela, prin-
consumo médio de álcool. Para este estudo, os cipalmente quando se considera o tamanho da
pesquisadores definiram o consumo moderado de amostragem relativamente pequena usada.

38 ADEGA >> Edição 174


VIDA LONGA
com vinho Estudo constata que o consumo leve a moderado pode
fazer com que você chegue aos 90 anos

U
ma equipe de pesquisadores do Os entrevistados que tomaram menos de
Centro Médico da Univer- uma dose por mês foram considerados
sidade de Maastricht, na abstêmios. Ex-bebedores foram ex-
Holanda, constatou que ho- cluídos da análise principal para
mens e mulheres que desfru- evitar confusão com abstêmios.
tavam em média de uma Os resultados mostraram que
dose de bebida alcoólica 16,7% dos homens e 34,4%
por dia tinham maior das mulheres atingiram 90
probabilidade de atin- anos de idade e o consu-
gir os 90 anos do que mo moderado de vinho
os que se abstêm e ou foi associado positiva-
os que bebem exage- mente à longevidade.
radamente. Os destilados também
O estudo, pu- foram associados positi-
blicado na Age and vamente à longevidade
Aging, analisou da- nos homens, mas não
dos do Netherlands em relação às mulheres.
Cohort Study (NLCS), “No geral, em homens
que coletou dados de e mulheres combinados, a
1986 a 2007 de milhares maior probabilidade de atin-
de participantes, incluindo gir 90 anos foi encontrada na-
informações detalhadas sobre a queles que consomem de 5 a 15
ingestão de álcool. Os participan- gramas por dia de álcool”, escrevem
tes nascidos entre 1916 e 1917 foram os autores do estudo. “Nosso estudo
selecionados para esta análise devido ao teve como objetivo medir a ingestão de ál-
potencial do grupo para atingir a idade de 90 anos cool entre 68 e 70 anos. Portanto, os resultados se
no final do estudo. O total de entrevistados con- limitam ao consumo de álcool mais tarde; futuros
tou com 2.591 homens e 2.888 mulheres de vários estudos de longevidade incluiriam, de preferên-
municípios holandeses. cia, o consumo vitalício”, apontaram.

Edição 174 >> ADEGA 39


BOM PARA
OS RINS
Cientistas associam consumo moderado
de vinho a menor risco de doença renal crônica

U
ma equipe de pesquisadores da Universi- Comparados aos participantes que nunca ingeri-
dade Johns Hopkins, em Baltimore, ram álcool, aqueles que consumiram uma dose
Estados Unidos, encontrou uma ou menos de bebida por semana tiveram
ligação entre o consumo moderado um risco 12% menor de desenvolver
de álcool e uma chance reduzida a doença. De 2 a 7 doses por sema-
de desenvolver doença renal crô- na tiveram um risco 20% menor
nica (DRC). “Descobrimos que e aqueles que consumiram 15
uma quantidade moderada de doses ou mais por semana tive-
consumo de álcool (até uma ram um risco 23% menor. Os
taça por dia para mulheres e participantes que bebiam de
até duas taças por dia para 8 a 14 drinques por semana
homens) estava associada tiveram o menor risco, com
a menor risco de doença fator de DRC 29% menor do
renal crônica em compara- que os abstêmios.
ção com pouco ou nenhum Os pesquisadores apontam
consumo de álcool”, afirmou que os bebedores moderados
Emily Hu, principal autora da do grupo tendiam a ser homens,
pesquisa. brancos e tinham níveis mais altos
O estudo, publicado no Jour- de educação e renda. Eles dizem
nal of Renal Nutrition, coletou e que são necessários mais estudos para
analisou dados de mais de 12.600 par- examinar se algum desses fatores desem-
ticipantes, homens e mulheres com ida- penha algum papel essencial. “Há limitações
des entre 45 e 64 anos, que foram rastreados em nosso estudo que devem ser reconhecidas.
ao longo de 24 anos. Usando questionários sobre Primeiro, o consumo de álcool foi autorrelatado, o
hábitos alimentares, os pesquisadores separaram os que está sujeito a vieses e pode ter sido subnotifica-
participantes em grupos com base na quantidade de do. Mas um ponto forte de nosso estudo foi a grande
álcool consumida: abstêmios, ex-bebedores, aqueles população, com um número relativamente grande
que consomem uma ou menos doses por semana, de eventos renais e, portanto, poder suficiente para
duas a sete doses por semana, oito a 14 doses por detectar associações significativas. Nossa população
semana e 15 doses ou mais por semana. inclui homens e mulheres, negros e brancos, permi-
Ao longo dos 24 anos, 3.664 dos participantes tindo generalização para outras populações. Nosso
desenvolveram DRC. Mas houve um resultado estudo também teve um longo período de acompa-
surpreendente ao investigar os hábitos de ingestão nhamento, com mediana de 24 anos, tempo mais
de álcool daqueles que não desenvolveram DRC. longo que os estudos anteriores”.

40 ADEGA >> Edição 174


De quem
conhece,
para quem
adora
vinhos

O clube de vinhos
da Revista ADEGA
www.clubeadega.com.br
ESPECIAL | p o r ARNALDO GRIZZO

O REI e o
BÁRBARO As duas principais denominações do
Piemonte e seus vinhos grandiosos

42 ADEGA >> Edição 174


B
arolo e Barbaresco são as duas deno- da Itália, nasceram dois dos vinhos mais aclama-
minações de origem mais célebres do dos do país. Barolo, dito rei dos vinhos, e Barba-
Piemonte, na região noroeste da Itá- resco, uma espécie de nêmesis “do bem”, que,
lia, ao redor da cidade de Turim e do feito com a mesma variedade, a Nebbiolo, surgiu
vale do rio Pó. Na verdade, elas estão como seu contraponto. Se Barolo ganhou fama
localizadas mais na parte sul, chamada de Langhe, mais cedo, hoje ambos desfrutam de reputação
perto dos Alpes Marítimos e dos Apeninos da Ligú- similar entre enófilos de todo o mundo.
ria. O termo Langhe é de origem celta e significa Para entender as principais diferenças e seme-
“línguas de terra” em referência às colinas alonga- lhanças entre esses clássicos da vitivinicultura ita-
das, muitas vezes com encostas muito íngremes, liana e o porquê de suas reputações, ADEGA pre-
dispostas de modo a correr paralelas umas às outras parou um resumo com os pontos fundamentais e
para formar vales profundos e estreitos. ainda avaliou mais de 20 rótulos para você poder
Ali, em uma das regiões mais desenvolvidas escolher os seus preferidos. Confira a seguir.

Edição 174 >> ADEGA 43


História

Barolo
A fama de Barolo está intrinsecamente ligada à era um vinho doce. Oudart teria mudado com- História
unificação do reino da Itália no século XIX. Na
época, o país era composto por diversos pequenos
pletamente esse panorama e começado a produ-
zir vinhos secos.
da fama
estados, cada um controlado por um reino diferen- No entanto, uma pesquisa recente de Kerin de Barolo
te. Após viagens pela França, Inglaterra e Suíça, O’Keefe afirma que o mentor desse novo Barolo está ligada
o filho de um latifundiário piemontês, Camillo não teria sido Oudart, mas um enólogo italiano
Benso (futuro Conde de Cavour) decidiu imple- chamado Paolo Francesco Staglieno, autor de
à época da
mentar o que havia aprendido em suas terras. um manual de vinificação chamado “Istruzione unificação
Diz-se que ele apreciou os vinhos borgonhe- intorno al miglior metodo di fare e conservare do reino da
ses que provou na corte de Savoia, que reinava i vini in Piemonte”, publicado em 1835. Teria
sobre a Sardenha (e esta dominava o Piemonte), sido ele o enólogo chamado por Cavour para tra- Itália
e desejava que os vinhos locais tivessem a mesma balhar em sua propriedade em Grinzane entre
qualidade. Desejo compartilhado com a francesa 1836 e 1841. Quando Oudart veio para Alba, Ca-
Juliette Colbert di Maulévrier, conhecida como vour já estaria seguindo as diretrizes de Staglieno
Marquesa de Barolo, casada com o importante e produzindo vinhos secos.
aristocrata Carlo Tancredi Falletti. Assim como a viticultura piemontesa, Cavour
A mudança teria vindo com o enólogo francês também ajudou a transformar a Itália. Ele apoiou
Louis Oudart, contratado por Cavour e também a unificação do país sob a Casa de Savoia. Quan-
pela marquesa. Quando ele chegou, a Nebbiolo do Vitor Emanuel II declarou o Reino da Itália
era cultivada em grandes rendimentos e colhi- independente em 17 de março de 1861, Cavour
da muitas vezes precocemente, pois amadure- foi nomeado Primeiro Ministro, mas ele morreu
cia apenas no final de outubro ou, às vezes, em apenas quatro meses depois. Os vinhos de Barolo
novembro. Depois de colhidas, as uvas iam para logo passaram a ser os favoritos da nobreza italia-
adegas sujas, onde ocorria uma fermentação errá- na, então localizada em Turim, e começaram a
tica geralmente interrompida pelo inverno, antes ser conhecidos como “o vinho dos reis e o rei dos
de todo o açúcar ser fermentado. Barolo então vinhos”.

44 ADEGA >> Edição 174


AS GUERRAS
DE BAROLO
Nas décadas de 1970
e 1980, um grupo de
produtores de Barolo, entre
eles Ceretto, Paolo Cordero
di Montezemolo, Elio Altare
e Renato Ratti, passou a
produzir Barolo com estilos
ditos mais modernos,
usando períodos mais
curtos de maceração e
fermentação, menos tempo
de envelhecimento em
barricas novas (e menores)
de carvalho e um longo
período de estágio antes do
lançamento. Antes desse
movimento chamado de
“modernista”, a Nebbiolo
era frequentemente
colhida um pouco verde
e com altos rendimentos,
o que deixava as uvas
com taninos duros. Para
maximizar a extração
de cores, os produtores
submetiam o vinho a longos
períodos de maceração
e depois a vários anos
de envelhecimento
em grandes barris de
carvalho. A disputa
entre “tradicionalistas”
e “modernistas”, hoje,
contudo, já é muito mais
branda, com produtores
intercambiando técnicas
ditas tradicionais e
modernas.

Nos anos 1970 e 1980, alguns


produtores passaram a utilizar
técnicas “modernas” e se
contrapuseram aos “tradicionalistas”
Barbaresco
A origem do nome é controversa. Alguns narram Pode-se dizer que esses três produtores formaram Em 1894,
que os gauleses chegaram à Itália por serem atraí-
dos pelo vinho Barbaritium, enquanto outros ar-
o tripé da “revolução” de Barbaresco. Giacosa,
por exemplo, foi um dos primeiros a demarcar
Domizio
gumentam que Barbaresco deriva seu nome dos vinhedos únicos como forma de valorizar o ter- Cavazza
povos bárbaros que causaram a queda do Império ritório. criou uma
Romano. Mas, verdade é que até fim do século
XIX, as uvas Nebbiolo da região de Barbaresco
Gaja foi ainda mais determinante nessa his-
tória. Em 1961, ao ingressar na vinícola familiar,
cooperativa
eram vendidas para fazer Barolo ou simplesmen- passou a modificar a gestão de seu pai, usando para
te rotuladas como “Nebbiolo di Barbaresco”. barricas novas, por exemplo. Suas ideias ajuda- produzir
Em 1894, Domizio Cavazza, diretor da escola ram a mudar o perfil não somente da região de
de enologia de Alba, criou a primeira cooperativa, Barbaresco, como do Piemonte em geral, pois ele vinhos com
a Cantine Sociali, reunindo nove proprietários passou a cultivar variedades francesas e revitalizar o nome de
de vinhedos de Barbaresco. Teria sido a primeira
vez que produtores se reuniam para fortalecer o
as locais como a Barbera (ver entrevista com Gio-
vanni Gaja, filho de Angelo, nesta edição).
sua região, e
nome da região. No anos 1930, contudo, a coope- Gaja também passou a separar e valorizar os não mais de
rativa foi fechada durante o governo fascista. vinhedos únicos da sua propriedade, que, segun- Barolo
Em 1958, um padre da vila de Barbaresco, re- do afirma, foram fruto da visão de sua avó, Clotil-
conhecendo que a única maneira de as pequenas de Rey. Ela teria sugerido que a família compras-
propriedades sobreviverem era unir esforços, reu- se os melhores vinhedos de Barbaresco depois da
niu 19 pequenos produtores e fundou “Produtto- II Guerra Mundial, quando as famílias estavam
ri del Barbaresco”. As três primeiras safras foram deixando a região rural para ir para Turim. Ela
feitas no porão da igreja. ensinou os mais jovens a escolher esses terroirs,
Nessa época, por volta dos anos 1960, é que optando pelas faixas de terra em que a neve der-
Barbaresco realmente começou a se tornar uma rete mais cedo, chamadas de Sorì. Um desses vi-
denominação de renome graças a um jovem cha- nhedos foi batizado em sua homenagem, o Sorì
mado Angelo Gaja e também a Bruno Giacosa. Tildin, seu apelido.

46 ADEGA >> Edição 174


A partir dos anos 1960, Barbaresco ganhou
fama com a atuação de Angelo Gaja, Bruno
Giacosa e Produttori del Barbaresco

Edição 174 >> ADEGA 47


Denominações
A denominação de Barolo fica a poucos quilômetros ao sul da
cidade de Alba, em um território que abrange 11 municípios:
Barolo, La Morra, Monforte, Serralunga d’Alba, Castiglione
Falletto, Novello, Grinzane Cavour, Verduno, Diano d’Alba,
Cherasco e Roddi, envolvendo cerca de 4,7 mil hectares de
terras. Já Barbaresco, ao leste, é produzido em um território
(menos de 10 quilômetros de distância de Barolo) que inclui os
municípios de Barbaresco, Treiso, Neive e parte do município
de Alba, compreendendo quase 1,9 mil hectares. Com uma
região menor, a produção anual de Barbaresco é cerca de 35%
da produção de Barolo. Ambas as denominações foram reco-

Terroir nhecidas em 1966.


Ambos os vinhos devem ser feitos 100% com Nebbiolo
advindos de suas respectivas áreas. Segundo as regras da de-
nominação, Barolo deve envelhecer pelo menos três anos
(além dos dois meses seguintes à colheita), dos quais um
Em geral, a área de Langhe é dominada por um ano e meio em carvalho. Depois de cinco anos, pode os-
clima frio temperado subcontinental, com um tentar o título de “Riserva”. Já Barbaresco deve envelhecer
efeito protetor da cadeia alpina e a influência de pelo menos dois anos, dos quais nove meses em carvalho e,
correntes suaves e úmidas do mar da Ligúria, que depois de quatro anos, pode ser definido como “Riserva”.
contribuem para determinar seu contexto climá- A região de Barbaresco recebe uma leve influência
tico. A presença de vales e colinas em diferentes marítima que permite que Nebbiolo amadureça um pou-
altitudes, bem como as diferentes exposições e co mais cedo que na região de Barolo. Isso permite que
ventos, criam uma variedade de microclimas que a uva chegue à fermentação mais cedo, com um tempo
resultam em uvas com expressões distintas. de maceração mais curto. Os taninos de um Barbaresco
A área de Barolo tem temperaturas intermediá- jovem tendem a não ser tão duros quanto de um Barolo
rias, estando localizada em uma região específica (isso também pode ser atribuído a um ano a menos de es-
protegida dos ventos, mas influenciada pelas cor- tágio obrigatório). Os vinhos de Barolo tendem a ser mais
rentes alpinas e pelo ar quente e úmido do vale do encorpados, serem mais frutados e perfumados que os de
rio Tanaro, afluente do Pó. Os três cumes monta- Barbaresco. Os taninos de Barbaresco costumam se suavi-
nhosos que compõem a área determinam uma he- zar mais rapidamente, o que pode tornar os vinhos mais
terogeneidade de paisagens e, consequentemente, acessíveis com menos tempo de guarda.
microclimas.
A área de Barbaresco tende a ser mais homo-
Renato Ratti fez um trabalho
gênea, com temperaturas mais amenas e chuvas extenso de mapeamento de
menos abundantes. A paisagem caracterizada por vinhedos em Barolo

vales estreitos gera mais vento do que em Barolo.


Os piemonteses defendem que esse é o clima
ideal para o cultivo da complicada Nebbiolo, uma
uva de ciclo longo, geralmente a primeira a brotar
e a última a amadurecer no solo calcário de clima
continental frio, que costuma formar uma névoa
(nébbia em italiano) sobre as colinas da área – daí
o nome Nebbiolo. Aliás, o rio Tanaro é o respon-
sável pelo acúmulo de argila e cascalho glacial que
se arrasta pelo Alpes do sul e, além de constituir a
essência do terroir, circunda as colinas e a envolve
em brumas durante a colheita.

48 ADEGA >> Edição 174


Crus de Barolo
e Barbaresco

Após a introdução das MEGA,


o termo Vigna, para designar os
“crus”, passou a ser usado

As Menzioni Desde o final do século XIX, foram feitos esforços nais), que representariam os Crus locais, instituído
para identificar os melhores vinhedos da região desde 2010 pelo consórcio. Após a introdução das
Geografiche de Barolo, sob inspiração dos Crus da Borgonha. MEGA, o termo Vigna (vinhedo em italiano) pode
Aggiuntive Alguns dos mentores dessa busca pelas melhores ser usado nos rótulos após o respectivo MEGA e
terras foram o crítico de vinhos Luigi Veronelli e somente se o vinhedo estiver dentro de uma das
foram o enólogo Renato Ratti, que realizou um extenso menções geográficas oficiais aprovadas. São 181
instituídas estudo dos solos, geografia e produção de vinhedos MEGA oficialmente delimitadas, das quais 170
em 2007 em em toda a região e mapeou parcelas individuais áreas de vinhedos e 11 designações de vilarejos em
com base em seu potencial de qualidade, chama- Barolo. No entanto, curiosamente, quem primeiro
Barbaresco do de “Mapa Ratti”. Contudo, não existe uma de- criou as MEGA foi Barbaresco. Em 2007, o Con-
signação oficial de Crus de Barolo, mas sim um sorzio Barbaresco introduziu as Menzioni Geogra-
mapa com as Menzioni Geografiche Aggiuntive fiche Aggiuntive e, na época, foram aprovadas 65
(MEGA – algo como menções geográficas adicio- subzonas oficialmente. Confira nos mapas.

50 ADEGA >> Edição 174


AD 92 pontos
Vinhos BRUNO ROCCA BARBARESCO 2015
Bruno Rocca, Piemonte, Itália (World Wine R$ 580). Tinto
AD 93 pontos

Avaliados elaborado exclusivamente a partir de uvas Nebbiolo advindas


de vinhas localizadas em La Morra, Monforte e Barolo,
com estágio de seis meses em barricas e botti de carvalho.
BRUNO ROCCA BARBARESCO
CURRÁ 2016
Bruno Rocca, Piemonte, Itália (World
Gostoso de beber e bem feito em seu estilo mais encorpado
Wine R$ 846). No nariz, as flores
e estruturado, mostra frutas vermelhas e negras maduras
são acompanhadas de bela cereja.
seguidas de notas florais, de sangue, de tabaco e de ervas
A boca é vibrante, confirma a cereja
maceradas, tudo envolto por ótima acidez vibrante e taninos
AD 93 pontos tirada do pé, um toque de sangue
de grãos finos. Longo, tem final terroso e com toques de
ACHILLE VIGLIONE JACCO BARBARESCO e mostra a difícil combinação de
cerejas. Álcool 14,5%. EM
RISERVA 2013 elegância e estrutura com taninos
Achille Viglione, Piemonte, Itália afiados e rica acidez que são o
(Vinhos do Comendador R$ 319). Tinto passaporte desse vinho para a
elaborado exclusivamente a partir de longevidade com uma escala, mas
Nebbiolo, com estágio de 30 meses não destino final, em 2036. Ao fim
em botti de carvalho do leste europeu. de boca sentimos a contribuição da
Mostra notas florais (rosas), de ervas, de madeira com um final de avelãs.
tabaco e de couro acompanhando sua Álcool 14,5%. CB
fruta vermelha, lembrando groselhas
e cerejas. Estruturado e vertical, tem
taninos de grãos finos, gostosa acidez AD 92 pontos
e final persistente, com toques BRUNO ROCCA BARBARESCO
terrosos. Álcool 14%. EM RABAJÀ 2015
Bruno Rocca, Piemonte, Itália
(World Wine R$ 846). Potente.
Nariz com morango e cerejas
maduras. A madeira aporta um
traço de lácteo e defumado.
AD 94 pontos Muitas especiarias. Perfil
DAMILANO LECINQUEVIGNE
exuberante. A textura de boca e
BAROLO 2004
a vibrante acidez que sustenta
Damilano, Piemonte, o conjunto são suas grandes
Itália (Viníssimo R$ qualidades nessa fase da
534 para a safra vida. Vai evoluir lindamente e
2012). Aqui vemos a melhorar a cada ano. Sugiro ter
tradicional cor do Barolo paciência e só abrir a partir dos
em seu esplendor, num 10 anos de idade, em 2025, até
belo rubi atijolado. Muito 2035. Álcool 14,5%. CB
complexo e já delicioso,
com aroma canforado,
balsâmico e mineral. No
palato, é um clássico, afiado AD 94 pontos
como uma adaga, bela BRUNO ROCCA BARBARESCO
estrutura e peso de boca de RABAJÀ 2016
grande personalidade. Final Bruno Rocca, Piemonte, Itália
emoldurado pelo frescor da (World Wine R$ 846). Este cru fez
acidez. Seus taninos são ao AD 92 pontos a fama da casa de Bruno Rocca e
mesmo tempo deliciosamente COLLINA SAN PONZIO BAROLO 2012 se tornou um vinho cultuado em
poderosos e polidos. Collina San Ponzio, Piemonte, Itália (Sonoma R$ todo o mundo. O nariz traz cereja
Retrogosto de ervas e flores. 240). Tinto elaborado exclusivamente a partir de madura, ameixa, um toque terroso
Grande vinho para abrir hoje Nebbiolo, com estágio de 30 meses em barris de e um buquê de flores. Em boca, a
e guardar por mais 15 anos. carvalho. Mesmo ainda jovem, já está muito acessível riqueza de frutas organiza a força
Álcool 13,5%. CB e gostoso de beber. Mostra aromas de framboesas dos taninos e a vibrante acidez.
e cerejas maduras acompanhadas de notas florais, Um vinho que vai evoluir por ao
minerais e de especiarias, além de toques terrosos e menos mais 20 anos, mas que
de tabaco. De médio corpo, mostra a força da cepa pode ser saboreado a qualquer
de modo refinado, com taninos de ótima textura e momento do trajeto com satisfação
vibrante acidez envolvendo todo o conjunto. Tem garantida. Álcool 14,5%. CB
final suculento e profundo, com toques minerais e de
canela. Álcool 14%. EM

52 ADEGA >> Edição 174


AD 94 pontos
GAJA BARBARESCO 2014
Gaja, Piemonte, Itália (Mistral US$ 490). Tinto elaborado
AD 93 pontos
exclusivamente a partir de Nebbiolo, com estágio de 12 meses
G.D. VAJRA ALBE BAROLO 2014
em botti e mais 12 meses em barricas de carvalho francês.
AD 94 pontos G.D. Vajra, Piemonte, Itália
Complexo, mostra notas florais e de tabaco envolvendo
GAJA BARBARESCO 2012 (Domno R$ 839). Tinto elaborado
os aromas de frutas vermelhas frescas e ao licor, depois
Angelo Gaja, Piemonte, Itália exclusivamente a partir de uvas
aparecem toques especiados, terrosos e de cacau. Ainda
(Mistral US$ 440). Esbelto já Nebbiolo, com estágio entre 30
jovem, tem boca exuberante, taninos de ótima textura, acidez
no nariz, com frutas de cereja e e 36 meses em botti de carvalho
vibrante e final persistente, com toques minerais e de cerejas.
muita mineralidade. A força em do leste europeu. Gastronômico
Álcool 14%. EM
boca é impressionante, perfil e gostoso de beber, ainda está
medicinal, taninos poderosos e ao muito jovem, mas já mostra as
mesmo tempo finos. Muito jovem típicas notas florais e de tabaco
hoje, requer e merece paciência, envolvendo sua fruta vermelha.
pois não falamos em anos, mas Fresco, estruturado e suculento,
em décadas de evolução nesse tem ótima acidez, taninos firmes
vinho. Desde 1978 faz um ano e marcantes e final persistente,
de envelhecimento em barrica com toques terrosos, de couro e
pequena, um ano em bote de alcaçuz. Álcool 13,5%. EM
grande e um ano em garrafa. Mas
o que pode explicar a qualidade
superior deste Barbaresco é que AD 94 pontos
Angelo Gaja em 2012 não lançou GIANNI GAGLIARDO BAROLO 2011
nenhum de seus single vineyards Gianni Gagliardo, Piemonte,
e as uvas desses grandes Itália (World Wine R$ 478 para
vinhedos foram todas usadas a safra 2014). Tinto elaborado
neste blend. CB exclusivamente a partir de
Nebbiolo, com estágio de 24
meses em carvalho e mais
AD 92 pontos 14 meses em garrafa. Chama
MARCHISIO BAROLO 2013
atenção pelas notas florais,
Marchisio, Piemonte, de tabaco e de camurça, que
Itália (Wine Lovers R$ envolvem os aromas de frutas
378). Tinto elaborado vermelhas e negras de perfil
exclusivamente a partir mais fresco. Ainda muito jovem,
de uvas Nebbiolo, com tem vibrante acidez, taninos
estágio de 24 meses de excelente textura e final
em barricas de carvalho persistente e profundo, com
francês. Estruturado toques de sangue e de cerejas.
e de ótimo volume e Álcool 14%. EM
boca, mostra amoras e
cerejas acompanhadas
de notas florais, terrosas AD 93 pontos
e de especiarias doces. GIANNI GAGLIARDO BAROLO SUOI 2015
Tem taninos finos e de Gianni Gagliardo, Piemonte, Itália
ótima textura, acidez (World Wine R$ 389). Tinto elaborado
refrescante e final exclusivamente a partir de Nebbiolo,
persistente e cheio, AD 94 pontos com estágio de 24 meses em tonéis de
confirmando o nariz. LA SPINETTA BARBARESCO GALLINA VURSU 2006 carvalho e mais 12 meses em garrafa.
Ainda está jovem e tem La Spinetta, Piemonte, Itália (Vinci - não disponível). Mostra notas terrosas, de ervas secas
todos os requisitos para Tinto elaborado exclusivamente a partir de uvas Nebbiolo e de especiarias envolvendo toda sua
ficar ainda melhor nos advindas do vinhedo Gallina, em Neive, com estágio em fruta vermelha lembrando cerejas e
próximos 10 anos. EM carvalho francês entre 20 e 22 meses. Mostra aromas de groselhas. No palato, é estruturado e
frutas vermelhas e secas acompanhadas de notas florais, firme, tem acidez refrescante, taninos
herbáceas, terrosas e de especiarias doces. Austero e granulados e de ótima textura e final
frutado, chama atenção pelos taninos de textura finíssima complexo e profundo, com toques
e pela harmonia do conjunto, aliando finesse e delicadeza, florais, de tabaco, de chá preto e de
com profundidade e intensidade. Definitivamente um rosas. Álcool 14%. EM
grande vinho, que tem tudo para ficar ainda melhor nos
próximos 10 anos. Álcool 14,5%. EM

Edição 174 >> ADEGA 53


AD 93 pontos
AD 93 pontos MOCCAGATTA BARBARESCO 2008
MARZIANO ABBONA Moccagatta, Piemonte, Itália (Vinci US$ 114). Tinto
BARBARESCO 2013 AD 92 pontos
elaborado exclusivamente a partir de uvas Nebbiolo, com
Marziano Abbona, Piemonte, PAOLO SCAVINO BAROLO 2015
estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês.
Itália (Mistral US$ 149). Tinto Paolo Scavino, Piemonte, Itália
Definitivamente os quase 10 anos de garrafa fizeram
elaborado exclusivamente a partir (World Wine R$ 530). Camadas e
muito bem a esse vinho, amansando seus taninos firmes
de Nebbiolo, com estágio de 32 camadas de aromas com flores,
e integrando o aporte de madeira ao conjunto. Equilibrado
meses em barris de carvalho pimenta branca, mentol, cânfora,
e gostoso de beber, tem acidez refrescante, muita fruta
de 500 litros. Denso, firme mexerica e ameixa. Em boca,
de qualidade e final carnudo e persistente, com toques
e ainda muito jovem, mostra tem a estrutura musculosa dos
terrosos, florais e de cerejas. Álcool 14%. EM
fruta vermelha em abundância melhores Barolos com muita
acompanhada de notas florais, vibração. A fruta se confirma
terrosas, de especiarias e de junto com um levíssimo toque
alcaçuz, que se confirmam na final de cacau. Um Barolo sério
boca. Chama atenção pelos e com excelente relação preço/
taninos de ótima textura, pela qualidade. Álcool 14%. CB
viva acidez e pelo final cheio e
profundo, com toques terrosos
e de frutos secos. Está gostoso
agora, mas deve ficar ainda AD 95 pontos
melhor nos próximos 10 anos. PAOLO SCAVINO
Álcool 14%. EM BRIC DEL FIASC BAROLO 2014
Paolo Scavino, Piemonte, Itália
(World Wine R$ 1.113). Os
aromas de fruta e ervas são o
abre alas desse “cru” de Barolo.
A deliciosa fruta vermelha,
sobretudo framboesa e cerejas,
é ator maior neste espetáculo e
contribui para camuflar a potência
AD 94 pontos com uma capa de sedosidade.
PECCHENINO SAN Os taninos são polidos e a
GIUSEPPE BAROLO 2014 acidez perfeita. O fim de boca
Pecchenino, Piemonte, dá pistas do perfil terroso em
Itália (Vinhos do desenvolvimento junto ao
Comendador R$ bosque e um final medicinal. A
419). Tinto elaborado madeira está bem integrada e
exclusivamente a partir tem papel fundamental no corpo.
de Nebbiolo, com estágio Um Barolo clássico que merece
de 24 meses em botti de ser degustado até 2044. CB
carvalho francês. Chama
atenção pela qualidade de
fruta vermelha de perfil AD 96 pontos
mais fresco, envolta por PAOLO SCAVINO
notas florais, de ervas e de CANNUBI BAROLO 2014
especiarias, além de toques Paolo Scavino, Piemonte,
de tabaco e de alcaçuz. Itália (World Wine R$ 1.113).
Estruturado e tenso, tem AD 93 pontos Impressiona por ser longilíneo e
vibrante acidez, taninos de PAOLO SCAVINO MONVIGLIERO BAROLO 2014 não robusto. Seus aromas trazem a
grãos finos e de ótima textura Paolo Scavino, Piemonte, Itália (World Wine R$ mineralidade de pedra de isqueiro,
e final persistente e vertical, 1.113). Um Barolo “single vineyard” com plantas de a ameixa fresca e as flores vão se
com toques terrosos e de 1968. Aromas complexos, com ameixas e cerejas em abrindo em taça com uma pitada
cerejas. Álcool 14%. EM um perfil cheio de finesse, revela ainda um pouco de cacau. Em boca, tem uma
de especiarias e floral. A boca tem os taninos com força incrível dos taninos afiados,
textura granulada e deliciosa, acompanhados de acidez presente e frescor de fruta.
boa acidez e um sedutor perfil de bosque e ameixas É uma espada em forma de vinho.
maduras saindo do pé e um perfil seco e classudo. Fascinante degustá-lo hoje por sua
Álcool 14,5%. CB elegância que justifica sua fama
de um Barolo feminino. Mas sua
paciência será muito recompensada
com uma espera até 2024. CB

54 ADEGA >> Edição 174


AD 92 pontos
PRUNOTTO BAROLO 2014
Prunotto, Piemonte, Itália (Winebrands R$ 631). Tinto
AD 94 pontos
elaborado exclusivamente a partir de Nebbiolo, com estágio
PRUNOTTO BAROLO BUSSIA 2011
de 24 meses em barris de 50 hl e 75 hl, bem como em
Prunotto, Piemonte, Itália
barricas de segundo uso, todas de carvalho francês. Um
(Winebrands R$ 1.133). Um vinho
bom exemplar dessa safra mais difícil e úmida na região.
que alia com maestria potência e
Mostra frutas vermelhas e negras acompanhadas de notas
AD 93 pontos finesse. Por ser preciso, equilibrado
florais, terrosas, especiadas e de tabaco, que se confirmam
PRUNOTTO BARBARESCO e muito fluido em boca, aparenta
na boca. Tenso e um pouco austero, tem taninos firmes e de
BRIC TUROT 2015 ser menos complexo do que
boa textura, refrescante acidez e final persistente e vertical,
Prunotto, Piemonte, Itália realmente é. Dê tempo a ele na taça
com toques terrosos e de alcaçuz. Álcool 13,5%. EM
(Winebrands R$ 770). Tinto para que mostre suas cativantes
elaborado exclusivamente a partir notas florais, de especiarias e de
de uvas Nebbiolo advindas do tabaco envolvendo sua fruta de
pequeno vinhedo Bric Turot, qualidade, tudo num contexto de
com estágio de 12 meses, parte acidez vibrante, taninos muito finos
em barris de 50 hl (botti) e parte e final persistente, com toques
em barricas de segundo uso terrosos e de alcaçuz. Álcool
de carvalho francês. Austero e 13,5%. EM
ainda jovem, mostra perfil de
frutas vermelhas e negras mais
maduras, bem sustentadas AD 92 pontos
por taninos de ótima textura e RENATO CORINO BAROLO 2013
refrescante acidez. Tem final Renato Corino, Piemonte,
cheio e persistente, com toques Itália (Mistral US$ 133). Tinto
florais, terrosos e de alcaçuz. elaborado exclusivamente
Álcool 13,5%. EM a partir de uvas Nebbiolo
advindas de La Morra e
Serralunga d’Alba, com estágio
de 24 meses em barris de
carvalho. Num estilo mais
opulento e sedutor, mostra
AD 93 pontos notas florais e de especiarias
VIETTI BAROLO doces envolvendo sua fruta
CASTIGLIONE 2014 negra e vermelha de perfil
Vietti, Piemonte, mais maduro. Tem taninos de
Itália (Inovini R$ textura lembrando giz, gostosa
530). Tinto elaborado acidez e final longo, com toques
exclusivamente a partir de terrosos, de sangue e de ervas
uvas Nebbiolo advindas de secas. Álcool 14,5%. EM
vinhas entre sete e 40 anos,
com estágio de 30 meses em
tonéis e barricas de carvalho. AD 94 pontos
Firme e estruturado, ainda RIVETTO BAROLO SERRALUNGA 2014
está muito jovem. Mostra Rivetto, Piemonte, Itália (Cantu R$
frutas vermelhas de perfil 520). Mostra complexos aromas de
mais fresco bem equilibradas frutas vermelhas frescas envoltos
por taninos de grãos finos e AD 91 pontos por notas florais, especiadas,
vibrante acidez, tudo envolto ROVERSI BARBARESCO 2012 terrosas e de ervas, além de toques
por notas terrosas, florais e Roversi, Piemonte, Itália (Cantu R$ 192). Tinto de iodo, de couro e de tabaco, que
de tabaco. Tem final refinado, elaborado exclusivamente a partir de uvas Nebbiolo, se confirmam no palato. Muito
persistente e cativante, com com estágio de 24 meses em barris de carvalho preciso, impressiona pelos taninos
toques de cerejas. Álcool francês de segundo e terceiro usos. Mesmo jovem de ótima textura, pela acidez
13,5%. EM para um Barbaresco, está muito gostoso de beber e vibrante e pelo final persistente e
mostra frutas vermelhas como cerejas acompanhadas profundo, com traços de cerejas.
das típicas notas florais, especiadas e de tabaco, Está prazeroso agora, mas deve
que se confirmam no palato. Firme e de bom corpo, ficar ainda melhor nos próximos 10
tem acidez vibrante, taninos de ótima textura e final anos. Álcool 14,5%. EM
persistente, com toques terrosos. Álcool 14%. EM

Edição 174 >> ADEGA 55


ESCOLA DO VINHO | p o r ARNALDO GRIZZO

Quente
ou frio
É possível perceber as diferenças entre vinhos
de clima frio e quente?

uando você se depara com um turas mais baixas que vales de rios, por exemplo.
vinho opulento, muito frutado, E outras circunstâncias também influenciam,
alcoólico, logo o associa a algu- como regime de chuvas, insolação, ventos etc.
ma região vitivinícola tropical? Isso pode criar situações pontuais em regiões, tor-
Quando encontra aromas sutis, nando-as mais “quentes” ou mais “frias” do que
tons mais herbáceos, sutilezas outras em latitudes similares.
em boca, possivelmente vincula
a produtores de locais mais frios? Essas associa- As principais diferenças
ções “óbvias” quase sempre são feitas em nossas Então, como as diferenças climáticas afetam
mentes para facilitar a identificação de rótulos o vinho? As regiões de clima quente tendem a
provenientes de denominações quentes ou frias. ter temperaturas mais consistentes ao longo do
Que outras características denotariam um vinho ciclo da videira. Essa menor diferença dá às uvas
que veio de uma região mais cálida ou mais fres- a chance de amadurecer por completo, mas, por
ca? E será que alguns atributos específicos pre- outro lado, a acidez natural nas uvas tende a ser
concebidos seriam hoje suficientes para apontar diminuída. Assim, generalizando, climas quentes
de onde veio um vinho? produzem uvas com sabores de frutas mais ma-
Acredita-se que as regiões mais adequadas duras e menos acidez.
para a produção de vinho no mundo estejam en- Já o que se observa nas regiões de clima frio
tre os paralelos 30º e 50º de latitude, que costu- não é apenas uma tendência a ter médias de tem-
meiramente convencionamos chamar de clima peratura mais baixas, mas, principalmente, uma
temperado. Nessa faixa, os pontos mais próximos diferença entre máximas e mínimas durante dias
do Equador, com ambientes quase tropicais, são e noites. Vale lembrar que temperaturas mais
considerados regiões de “clima quente”. Já as baixas preservam a acidez, mas também tornam
mais afastadas, mais austrais ou setentrionais, mais lento o amadurecimento. De modo geral,
de “clima frio”. Assim, por exemplo, uma região regiões vinícolas de clima frio tendem a produzir
como Washington é tida como sendo de clima frutas mais ácidas.
frio e a Califórnia, por sua vez, de clima quente. Resumindo, uvas de regiões mais frias normal-
Mas vale lembrar que o clima pode variar mente amadurecem mais lentamente, o que resul-
também em função da altitude (ADEGA já tra- ta em açúcares naturais mais baixos e maior acidez,
tou do assunto em outra oportunidade: https:// possivelmente menos álcool. Em climas quentes, a
revistaadega.uol.com.br/artigo/para-o-alto_5463. velocidade de maturação tende a ser maior e, com
html). Locais mais altos costumam ter tempera- isso, a concentração de açúcar aumenta, níveis de

56 ADEGA >> Edição 174


costuma ser mais longo. Mas a viticultura aqui
também tem seus problemas. Os produtores ge-
ralmente lutam para manter a acidez nas uvas –
que diminui à medida que o açúcar se acumula
– e o frescor dos vinhos. Na vinícola, medidas
podem ser empregadas para ajudar, como a adi-
ção de ácido e até a redução dos níveis de álcool
(uma prática controversa), mas, cada vez mais, os
produtores têm tentado gerenciar essas questões
através de manejos no vinhedo.

Aromas e sabores
Falando de forma genérica, os vinhos em climas
quentes geralmente são mais encorpados do que
os vinhos em climas frios. Seus níveis de açúcar
se traduzem em um maior teor alcoólico. Os
tintos são profundos e cheios, com especiarias e
notas de frutas negras, como cereja e ameixa. A
maturidade também se manifesta com uma nota
Regiões de acidez diminuem e costuma-se ter mais volume de frutas secas e alguns podem até exibir notas de
clima frio alcoólico. Essas talvez sejam as diferenças mais
fundamentais entre climas quentes e frios, mas há
chocolate. Cascas grossas de algumas variedades
tintas ajudam a proteger do sol e assim proporcio-
tendem a ter outros detalhes a levar em consideração. nam um vinho com taninos estruturados, corpos
uma grande poderosos, voluptuosos.
Desafios do clima Por outro lado, vinhos de clima frio costu-
diferença Algumas das “convenções” para se conside- mam ser mais ácidos e frescos. As frutas apresen-
entre rar uma região como tendo clima frio é que as tam sabores mais azedos, como amora, framboe-
temperaturas temperaturas durante a estação de crescimento
sejam inferiores a 16,5°C. Para o clima quente,
sa, maçã verde, assim como notas herbáceas, de
pimenta, terrosas etc. São vinhos que tendem a
máximas considera-se entre 18,5 e 21,5°C. E cada clima ter a ser menos encorpados com teores alcoóli-
e mínimas oferece desafios diferentes para seus produtores. cos mais baixos. Muitas vezes, esses vinhos estão
durante dias Em regiões frias, as vinhas podem ter menor
rendimento, invernos rigorosos podem ser bas-
associados a aromas e sabores delicados, menos
pungentes do que seus pares de climas quentes.
e noites, e tante prejudiciais, assim como geadas tendem a Em geral, frutas maduras no nariz e palato su-
estações mais ser mais comuns e destrutivas. Basta ver as notí- gerem mais luz do sol e climas mais quentes; por
cias de safras recentes na Borgonha e Bordeaux, outro lado, pense em lugares mais frios se você
marcadas em que geadas severas comprometeram o volu- provar frutas verdes, azedas e com maior acidez.
me da safra, para compreender isso.
Além disso, se a estação de crescimento no Comportamento
verão for muito curta ou fria, as uvas podem não Cada variedade de uva tende a se comportar de
amadurecer completamente. Por esse motivo, uma forma dependendo do clima da região. Esta-
em muitas regiões a chaptalização (a adição de mos acostumados a ver castas como Chardonnay,
açúcar ao mosto para que os níveis de álcool au- Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah etc., cultiva-
mentem durante a fermentação) é uma prática das nos mais diversos recantos do planeta e, os
permitida. Devido a esses fatores, a variação entre vinhos produzidos em cada ponto, feitos com as
as safras de regiões frias tende a ser muito maior. mesmas cepas, mostram características diferen-
Em locais mais quentes, com mais sol, cli- tes. Como diriam os franceses, essa é a magia do
ma mais consistente, o período de maturação terroir – o termo que eles criaram para englobar

58 ADEGA >> Edição 174


A R C T I C O C E A N

RUSSI
ICELAND

CANA

D STATES
MERICA
N
MOROC
A C C
A N
M THE BAHAMAS WESTERN
SAHARA A N
A
DOMINICAN
HAITI
REPUBLIC MAURITANIA
AL
A
JAMAICA SAINT KITTS AND NEVIS
BELIZE
ANTIGUA AND BARBUDA NIGER SUDAN
HONDURAS DOMINICA CAPE VERDE ERITREA YEMEN THAILAND PHILIPINES
GUATEMALA SENEGAL CHAD
SAINT LUCIA VIETNAM
EL SAVADOR BARBADOS
THE GAMBIA
NICARAGUA GRENADA KAMBOJA
DJIBOUTI MARSHAL ISLAND
GUINEA-BISSAU
PANAMA
GUINEA BENIN BENIN

O C A N
TRINIDAD AND TOBAGO
COSTA RICA NIGERIA SOMALIA
VENEZUELA FEDERATED STATES OF MICRONESIA
GUYANA SIERRA LEONE IVORY SOUTH ETHIOPIA
TOGO CENTRAL AFRICAN
SURINAME LIBERIA COAST REPUBLIC SUDAN SRI PALAU
COLOMBIA FRENCH GUIANA GHANA CAMEROON
LANKA BRUNEI
EQUATORIA
UGANDA MALAYSIA
GUINEA MALDIVES
SAO TOME AND PRINCIPE REPU
ECUAD GABON OF CO

Áreas entre os paralelos D


SEYCHELLES
NAURU
KRIBATI

UA

30o e 50o, consideradas OF


Z
W GUINEA

SOLOMON ISLAND
TUVALU

“as mais apropriadas” para ANGO


COMOROS
TSAMOA

o cultivo da vinha VANUATU


FIJI
TONGA

NAM
MIBIA
NAMIBIA MAURITIUS
AGASCAR

S
SOUTH

I N D I A N
NEW

O C A N ZEALAND

solo, clima e também aspectos culturais que for- Onde é quente e onde é frio? Em climas
mam a personalidade de um vinho. Regiões popularmente conhecidas como sendo de
Um Cabernet Sauvignon bordalês, por exem- clima frio compreendem Champagne, na França,
quentes, a
plo, costuma ser mais herbáceo e fresco do que Trentino-Alto Ádige, na Itália, Mosel, na Alema- velocidade
um do Napa Valley. Além disso, em áreas quen- nha, Central Otago, na Nova Zelândia, Washing- de maturação
tes, o teor de álcool é maior e a fruta é muito ton e Oregon, nos Estados Unidos, Niágara, no
mais madura (pode-se pensar em frutas quase Canadá etc. Já as de clima quente compreendem
tende a ser
cozidas), os taninos são mais macios e a acidez o Napa Valley, nos Estados Unidos, a Sicília, na maior e,
menos pungente. Um Pinot Noir da Borgonha,
por exemplo, tende a ter frutas vermelhas vibran-
Itália, a Catalunha, na Espanha, o Alentejo, em
Portugal, Mendoza, na Argentina etc.
com isso, a
tes, acidez refrescante e talvez mais mineralidade Como se vê, em alguns países, há regiões que concentração
ou notas terrosas em comparação com as notas podem ser consideradas de clima frio e outras de de açúcar
mais maduras, suculentas e escuras de um Pinot clima quente. No Chile, por exemplo, a região
do Novo Mundo. do vale do Maipo está ligada ao calor, mas zo-
aumenta,
Pode-se dizer ainda que algumas variedades nas como o vale de Casablanca já se vinculam níveis de
tendem a se dar melhor em zonas mais frias, en- ao que se pode considerar clima frio. Na Itália, as acidez
quanto outras preferem calor e sol, dependendo regiões do sul e centrais tendem a ser considera-
do ciclo vegetativo, entre outras coisas. O clima das de clima quente, já o norte, frio. Mas deve-se diminuem e
afeta diretamente o crescimento das plantas. ponderar que o clima quente de Mendoza, por costuma-se ter
Historicamente, Riesling, Sauvignon Blanc, Pi-
not Gris e Gewürtztraminer, Pinot Noir etc., são
exemplo, talvez possa ser bem mais intenso do
que se considera clima quente na Itália.
mais volume
variedades que se mostraram melhor adaptadas Além disso, devemos lembrar que é possível alcoólico
a climas mais frios. Malbec, Grenache, Syrah, ter diferentes “microclimas” dentro de uma re-
Zinfandel, Moscato etc., por sua vez, estiveram gião. Por exemplo, falamos da Califórnia como
mais ligadas a regiões quentes. uma grande área, mas, dentro dela, Sonoma
Mas, podemos dizer que, a adequação de é um vale mais frio do que o Napa. Dentro de
uma uva ao clima pode ser manipulada através Sonoma, o Russian River Valley, por exemplo, é
do manejo do vinhedo e também pelo vigor dos uma das áreas mais frias se comparado com Ale-
solos e porta-enxertos usados. xander Valley. E por aí vai.

Edição 174 >> ADEGA 59


Tem sido cada
vez mais difícil
diferenciar
vinhos de regiões
tradicionalmente
de clima frio das de
clima quente

Mudanças climáticas
e colheitas antecipadas
Diante do aquecimento global e de mudanças
climáticas, ultimamente tem sido cada vez mais
difícil diferenciar vinhos de regiões tradicional-
mente de clima frio das de clima quente. Em
Bordeaux, por exemplo, não tem sido incomum
encontrar vinhos com 15% de álcool, tal qual no
Novo Mundo. Ou seja, em alguns casos, pode-se
encontrar rótulos tão opulentos quanto em terras
teoricamente mais quentes.
Diante do aquecimento, vê-se cada vez mais
produtores colhendo mais cedo, para que as uvas
não fiquem sobremaduras e percam a acidez.
Esse tipo de prática tem sido muito comum tam-
bém no Novo Mundo, onde outro método co-
ESCALA DE WINKLER mum tem sido colher durante a noite para evitar
A escala de Winkler é uma técnica para
classificar o clima das regiões produtoras o excesso de calor do dia. A principal razão para
de vinho com base na soma de calor ou uma colheita antecipada é tentar equilibrar a ob-
crescente de graus-dia (uma medida de tenção da uva mais madura possível em termos
acumulo de calor utilizado por agricultores
para prever as taxas de desenvolvimento
de açúcar e fenóis, sem perder toda a acidez.
de plantas). Por ela, as áreas geográficas Cada vez mais, as condições da safra, além
são divididas em cinco regiões climáticas das escolhas tanto no campo quanto na vinícola,
com base na temperatura convertida em
nublam as “linhas demarcatórias” entre regiões
crescente de graus-dia e são comumente conhecidas como regiões de I a V.
Esse sistema foi desenvolvido na Universidade da Califórnia, Davis, por Albert frias e quentes. E, à medida que as mudanças
Winkler e Maynard Amerine. climáticas continuarem, é provável que vejamos
Segundo ele, as regiões de número mais baixo são adequadas para safras mais inconsistentes de ano para ano, o que
variedades de amadurecimento precoce e as de números mais alto, para
variedades de uva de consumo in natura e vinho de mesa. Locais como dificulta cada vez mais a generalização de estilos.
Inglaterra e Canadá, Champagne e Central Otago, estão classificados como IA Não à toa, produtores estão buscando novas fron-
(existe o nível IB também, onde está Borgonha, por exemplo). Já Piemonte e teiras vinícolas em regiões cada vez mais austrais
Douro, por sua vez, pulam para região II. Rioja e Sonoma passam para o nível
III. Toscana e Languedoc-Roussillon são escala IV. Ilha da Madeira e Hunter ou setentrionais. Talvez no futuro, o que conven-
Valley, na Austrália, estão entre as regiões V. cionamos apontar como vinhos de clima quente
ou frio tenha novas definições.

60 ADEGA >> Edição 174


AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS NO ESTILO DOS VINHOS
Frutas maduras Opulência Aromas potentes Frutas frescas Sutileza Aromas delicados
Maior teor Encorpados Menor acidez Menor teor Menor intensidade Maior acidez
alcoólico Taninos suaves Safras constantes alcoólico Taninos ásperos Safras variáveis

VARIEDADES MAIS ADAPTADAS


Cabernet Sauvignon Grenache Moscato Pinot Noir Sauvignon Blanc Merlot
Malbec Zinfandel Syrah Riesling Gamay Pinot Gris

EXEMPLOS DE REGIÕES
Mendoza, Rioja, Espanha Napa Valley, Oregon, Estados Leyda, Chile Central Otago,
Argentina Languedoc, Estados Unidos Unidos Champagne, Nova Zelândia
Sicília, Itália França Barossa, Austrália Mosel, Alemanha França Alto-Ádige, Itália

Edição 174 >> ADEGA 61


VINHOS DE CADA CLIMA

CLIMA QUENTE

AD 91 pontos AD 88 pontos AD 90 pontos AD 89 pontos AD 93 pontos


ADEGA DE BORBA FLAMINGO CABERNET MÉNAGE À TROIS BOURBON NORTON COLECCIÓN TANCREDI 2015
VINHO DE TALHA 2017 SAUVIGNON 2017 BARRELS CABERNET MALBEC 2017 Donnafugata, Sicília,
Adega Cooperativa, Yali, Vale Central, SAUVIGNON 2017 Norton, Mendoza, Itália (World Wine R$
Alentejo, Portugal Chile (Domno R$ Ménage à Trois Wines, Argentina (Winebrands 346). De coloração rubi
(Adega Alentejana R$ 47). Tinto composto Califórnia, Estados R$ 76). O Colección intenso, um blend de
191). Um corte com as majoritariamente a partir Unidos (Cantu R$ 175). apresenta-se como Cabernet Sauvignon,
variedades Trincadeira, de Cabernet Sauvignon Cabernet Sauvignon um clássico Malbec Nero d’Avola, Tannat e
Castelão e Alicante acrescido de 15 de (96%), adicionado de argentino, onde em outras castas da região.
Bouschet, 100% Syrah, com estágio 6% Merlot e 2% Petite sua agradável e densa Estagia por 13 meses
vinificado em talha de de 30% do vinho em Sirah, com estágio em textura se combinam em barricas de carvalho
barro e sem estágio barricas de carvalho barris antes usados para framboesas e amoras francês. No nariz,
em madeira. Exibe francês e americano o armazenamento de compotadas com mostra-se um vinho fino
frutas negras maduras, durante quatro meses. Bourbon. Mostra notas taninos muito bem com frutas vermelhas
defumado, especiarias e Cheio de ameixas e de tostadas, de caramelo trabalhados. Sua e pretas muito bem
sutil chá preto. Taninos amoras, acompanhadas e de especiarias doces marcante acidez é a integradas, com
finos, acidez aguda e de notas florais e de envolvendo toda sua principal responsável especiarias e madeira
final suculento, com especiarias picantes, fruta vermelha e negra por trazer esta de qualidade, com
toques de café e de tanto no nariz quanto de perfil mais maduro. ótima vivacidade e tempo acrescentam-
pimenta preta. Álcool na boca. Acessível e Estruturado, tem bom “drinkability”. Álcool se notas de cânfora.
13,5%. AM fácil de agradar, tem volume de boca e acidez 13%. MSL Na boca, é encorpado
boa acidez, taninos refrescante, que trazem e potente, com fruta
aveludados e final sustentação ao conjunto vermelha, ameixa
suculento, com toques e toda essa madurez. e cerejas, taninos
de chocolate e de ervas. Seu final é untuoso, elegantes e final
Álcool 13,5%. EM misturando os toques de especiado e prolongado.
ervas e de alcaçuz, típicas Álcool 14%. CM
da Cabernet, com o lado
defumado, abaunilhado
e de açúcar queimado do
Bourbon. EM

62 ADEGA >> Edição 174


CLIMA FRIO

AD 89 pontos AD 93 pontos AD 93 pontos AD 93 pontos AD 93 pontos


ANDRÉ GOICHOT BALTHASAR RESS BARONS DE ROTHSCHILD DOMAINE DROUHIN OREGON KALFU SUMPAI
BEAUJOLAIS-VILLAGES 2017 RHEINGAUER LANDWEIN EXTRA BRUT ARTHUR CHARDONNAY 2015 PINOT NOIR 2016
André Boichot, ORANGE TROCKEN 2017 Barons de Rothschild, Domaine Drouhin, Kalfu Wines, Leyda,
Beaujolais, França Balthasar Ress, Champagne, França Oregon, Estados Chile (Cantu R$
(World Wine R$ 133). Rheingau, Alemanha (PNR Import R$ 480). Unidos (Mistral US$ 200). Tinto elaborado
O lado jovem de (World Wine R$ 340). Espumante branco 80). Branco elaborado exclusivamente a partir
Beaujolais. Um vinho Branco composto de extra brut composto de exclusivamente a partir de uvas Pinot Noir,
alegre já no nariz, com uvas Riesling e Pinot uvas 60% Chardonnay de uvas Chardonnay com utilização de 30%
muita fruta vermelha e Blanc vinificadas como e 40% Pinot Noir cultivadas em Dundee de engaços durante a
frutas tropicais típicas um tinto, ou seja, advindas somente de Hills, com fermentação fermentação e estágio
da erroneamente pouco mantido em contato vinhedos Premier e e estágio de 50% do de 10 meses em
valorizada variedade com as peles, daí a Grand cru, mantido vinho em barricas barricas de carvalho
Gamay. Em boca, é um sua cor alaranjada. por, pelo menos, de carvalho francês, francês da Borgonha,
pouco mais austero que Diferentemente dos seus três anos em contato sendo 30% novas. sendo 30% novas.
o nariz, com corpo leve pares nesse estilo tão com as leveduras. Mostra aromas diretos Cativante, mostras
e taninos presentes. Um em moda atualmente, Mostra harmonia e brilhantes de frutas aromas de morangos
vinho para aproveitar esse se mostra mais entre cremosidade, tropicais envoltos acompanhados de
e receber os amigos. polido e refinado, cheio frescor e fruta, com por notas florais, notas florais e terrosas.
Servir resfriado. CB de frutas brancas e de as notas tostadas e amanteigadas e de Elegante e equilibrado,
caroço acompanhadas de especiarias doces frutos secos. Tenso destaca-se pelo caráter
de notas florais, que se aportando complexidade e fino, tem deliciosa mineral. Experiência
confirmam no palato. ao conjunto. Gostoso textura, acidez incrível é acompanhá-
Suculento, tem bom de beber, tem acidez refrescante e final lo de sashimi de atum
volume de boca, textura vibrante, ótima textura e profundo, com toques com foie gras. Álcool
firme e cremosa, acidez final profundo e cheio, salinos e de especiarias 13,5%. CB
refrescante e final com com toques salinos, doces. Álcool 14,1%.
toques salinos e cítricos. cítricos e de frutos EM
Álcool 11,5%. EM secos. Álcool 12%. EM

Edição 174 >> ADEGA 63


ENOGOURMET | p o r CHRISTIAN BURGOS

1
Testamos quatro combinações com clássicos
da cozinha do sul da Itália o Vinarium

P
essoas como nós selecionam o restau-
rante a partir dos vinhos que queremos
beber. De repente, percebemos que es-
tamos nos tornando habitues em alguns
restaurantes como aconteceu com o
Vinarium, do chef Ciro Sabella e do restaurateur
Marcelo Magalhães. Sabella é um chef de mãos
cheias, italiano que cozinhava na Costa Amalfitana
e que, pelo sucesso, abriu o primeiro Vinarium em
Stuttgart junto com uma importadora de vinhos,
que trazia ícones como Gaja para sua clientela.
O sucesso foi tanto que a importadora se tornou o
principal negócio da família. Aí nascia um chef que
sabe muito de vinho. E este conhecimento trans-
borda quando comemos em seu Vinarium Antica
Trattoria de São Paulo. Sabella tem uma personali-
dade tímida e carinhosa, diz fazer a comida simples
e autêntica do sul da Itália, mas revela-se em cada
prato, quando acrescenta sua arte a receitas carrega- 2
das de história.
Na Alameda Lorena, em São Paulo, o vinho
é tratado como um amigo querido, sem pom-
pas, mas com carinho, e a carta traz vinhos para
todos os bolsos e capazes de harmonizações
para não esquecer. Sem alarde, é comum en-
contrarmos ali donos de importadoras e grandes
conhecedores de vinho com família e amigos.
Pensamos em fazer um bate-bola com a revista
Sabor.club e seu editor Robert Halfoun, e fo-
mos à luta. Na hora mesmo, em conversa com
o chef, decidimos os pratos que tinham história 4
para contar e vinhos que, acreditávamos, fariam
tudo brilhar.

Serviço:
Vinarium Antica Trattoria
Alameda Lorena, 1214 - Jardim Paulista, São Paulo Chef Ciro Sabella
(11) 2659 2419 | Vinarium.com.br

64 ADEGA >> Edição 174


1 2
Carpaccio di polpo & Chablis Parmigiana di zucchine e crema
Domaine Long-Depaquit 2017 di pecorino & Covela Edição
Nacional Avesso 2017
Harmonização:
O limão e a pimenta rosa no carpaccio de Harmonização:
polvo foram perfeitos com Chablis, com o Este prato é um de meus prediletos no
limão acompanhando o cítrico do vinho e
restaurante, sempre que posso tenho ele
a pimenta rosa trazendo uma faísca para o
conjunto. como entrada, assim como o raro varietal de
Avesso, um branco português que tivemos
Dica: Este vinho vai virar um cult wine em a oportunidade de descobrir em ADEGA
nova séria do Netflix. na safra 2014 e acompanhamos sua bela
trajetória desde então. A rusticidade elegante
AD 91 pontos do Avesso dá as mãos ao pecorino e à
DOMAINE LONG-DEPAQUIT CHABLIS 2017
D abobrinha. O ligeiro amargor e a parte branca
A
Albert Bichot, Borgonha, França da laranja contribuem para isso e para uma
(WWinebrands R$ 262). Dourado com harmonização mais provocadora do que a
aabundantes reflexos verdes. Um simples por semelhança.
Chablis com muita fruta e um toque
cítrico. Apesar do impacto aromático AD 91 pontos
encantador, é na boca que suas COVELA EDIÇÃO NACIONAL AVESSO 2017
maiores virtudes se exibem. Rico Covela, Minho, Portugal (Winebrands
maracujá e ervas, boa estrutura, R$ 101). Sempre encantador. Nariz
mineralidade e espetacular equilíbrio. tem o cheiro de flores recém cortadas.
Une vibração com a textura dos seis Um branco com elegante rusticidade,
meses em contato com as borras antes de e justamente aí está sua magia. Tem
ser engarrafado. O fim de boca tem um a estrutura e acidez para fazer frente
fascinante toque de mel. CB a pratos que seriam desafiadores a
outros brancos. Com o tempo em taça,
ressaltam-se a frutas brancas frescas,
toques salinos e até um floral. CB
3
Papardelle al ragù
3 di salsiccia & Vila 4
Antinori 2015
Spalla di agnello arrosto
Harmonização: e polenta alla fonduta &
Não seria um prato que eu usualmente Mataojo Reserva Cabernet
pediria, mas agora vou voltar para repetir. Sauvignon 2016
Surpreende pela elegância e foi par
perfeito para o Vila Antinori. Na verdade,
a melhor de todas as combinações. Harmonização:
Prato fantástico e vinho especial. Quis
AD 91 pontos inovar com um belo vinho do Uruguai,
mas neste prato deveria ter optado por um
VILLA ANTINORI 2015
V
italiano tradicional com muita acidez.
A
Antinori, Toscana, Itália (Winebrands
R$ 223). O nariz traz frutas vermelhas
R AD 90 pontos
maduras e especiarias doces. Após
MATAOJO TANNAT RESERVA 2017
o primeiro ataque da fruta, exibe um
Mataojo, Sierra Oriental, Uruguai
toque de couro. Em boca, novamente
(Winebrands R$ 118). Muita fruta,
é a cereja suculenta, com a pimenta
pimenta negra e um toque de frescor.
negra e um toque terroso que se
Em boca, é suculento, com fruta
combina de forma equilibrada, com
gulosa de ameixa e um toque lácteo.
corpo médio, taninos elegantes e bela
Potência de taninos com muito
acidez. O sabor suculento da Toscana
boa textura que contribuem para o
com excelente acidez. CB
potencial de guarda. CB
ESCOLA DO VINHO | p o r ANDRÉ MENDES

Troca de
enxofre
por flor
Cientistas pesquisam flor de castanheiro
como alternativa ao dióxido de enxofre
na conservação dos vinhos

A
credita-se que a adição de enxofre da, das propriedades desses conservantes e, geral-
ao vinho como forma de conserva- mente, a opção mais comum recai sobre os sulfi-
ção da bebida é uma prática mui- tos, descritos como tóxicos e alergênicos. O SO2
to antiga. Há algumas referências é tóxico em grandes quantidades, no entanto, as
sobre o uso de vapores de enxofre concentrações usadas na produção de vinho são
para “melhorar o vinho” no “História Natural” mínimas. Sua intolerância é muito rara e pro-
de Plínio. Todavia, a primeira menção explícita vavelmente encontrada em pessoas com fatores
do uso de enxofre na produção de vinho é um preexistentes, como a asma, por exemplo.
decreto real alemão de 1487, que permitia que
os produtores de vinho queimassem pedaços de Castanha do queijo ao vinho
madeira sulfurados em barris usados para arma- Mas existiria outra forma de conservar o vinho
zenar vinho. sem o uso do enxofre? Essa questão é recorrente
Na época, encharcava-se um pedaço de ma- na indústria do vinho e faz com que alternativas
deira com enxofre em pó, ervas e incenso, e o sejam pesquisadas. Nesse sentido, após décadas
queimava dentro de um barril que depois recebe- de estudo, o grupo BioChemCore, do Centro de
ria o vinho. Logo percebeu-se que isso protegia a Investigação de Montanha (CIMO) do Instituto
bebida, evitando o escurecimento (dos famosos Politécnico de Bragança, em Portugal, parece ter
vinhos brancos alemães) e retardando a deterio- encontrado uma opção.
ração. Os métodos evoluíram, mas até hoje o dió- Analisando a flor de castanheiro, foi possível
xido de enxofre é usado como um dos principais selecionar matrizes promissoras que inicialmen-
agentes para conservar vinhos. te foram incorporadas em queijos para efeito
No entanto, a procura por conservantes na- conservante, mostrando-se eficaz. A partir daí,
turais, especialmente na produção de biodinâmi- pesquisadores desenvolveram um componen-
cos e também pelos produtores ditos “naturais”, te obtido a partir da flor de castanheiro como
representa uma tendência crescente na ideia de alternativa ao sulfito. “O estudo envolveu toda
limitar o uso de dióxido de enxofre (SO2) des- a caracterização química, de forma a averiguar
de o campo até o engarrafamento. A qualidade e quais os componentes presentes na flor de casta-
longevidade do vinho depende, em certa medi- nheiro; e envolveu também toda a avaliação da

66 ADEGA >> Edição 174


O primeiro decreto
oficial de uso do
dióxido de enxofre
como conservante no
vinho é de 1487, na
Alemanha

A flor de bioatividade da flor, nomeadamente a atividade tos para proteger os meus vinhos, esta informação
antioxidante e antimicrobiana, dois requisitos es- foi uma bênção que caiu do céu”, recorda Paiva.
castanheiro senciais no desenvolvimento de um conservante “Nessa mesma manhã, procurei o contato do
apresenta eficaz. Com esse conhecimento, foi possível veri- IPB e agendamos uma reunião. Mostrei o meu
propriedades ficar que este ingrediente apresenta uma bioati-
vidade promissora, a qual está relacionada com a
interesse em fazer uma experiência com vinho e
eles aceitaram o desafio. Nesse mesmo ano, na
antioxidante e presença de moléculas bioativas, nomeadamente safra de setembro, fiz o meu primeiro vinho com
antimicrobiana elagitaninos hidrolisáveis, sendo o majoritário o flor de castanheiro, 100 litros. A coisa não correu
trigaloil-hexa-hidroxidifenoil-glucósido. Este in- nada mal, mas era preciso fazer alguma corre-
grediente foi posteriormente aplicado em vinhos ção na dosagem. No ano seguinte, 2016, fiz 350
com o objetivo de ser uma alternativa à adição litros de vinho branco e 700 litros de tinto. Foi
de sulfitos”, explica a pesquisadora Lillian Barros. o melhor tinto de toda a minha vida. Em 2017,
A pesquisa foi realizada na Quinta da Palmi- fiz 3000 litros e, a partir de 2018, todos os meus
rinha, localizada no vale do Sousa (região dos vinhos estão protegidos com flor de castanheiro.
Vinhos Verdes), e conduzida pelos investigadores Não quero outro conservante”, garante.
do CIMO responsáveis pelo desenvolvimento do
produto, juntamente com o enólogo Fernando Pó de flor
Paiva, de orientação biodinâmica. “Em fevereiro “A flor de castanheiro é colhida após o período de
de 2015, num programa de rádio, ouvi o depoi- fertilização, ou seja, não comprometendo o de-
mento de uma professora do Instituto Politécnico senvolvimento da castanha. Normalmente, após
de Bragança (IPB), que relatava uma experiência esse período, a flor cai ao chão e é então colhida”,
de fazer a proteção de queijo com flor de casta- afirma o produtor. Após as flores caírem do casta-
nheiro. A certa altura, disse que a eficácia da flor nheiro, elas são recolhidas, secas e trituradas para
estava numa substância com propriedades antio- futuramente adicionar ao mosto 45 gramas para
xidantes. Para mim, que andava há muito tempo cada hectolitro antes de iniciar a fermentação, ou
preocupado em encontrar um substituto aos sulfi- seja, a substância é aplicada ao mesmo tempo em

68 ADEGA >> Edição 174


Fernando Paiva, da Quinta
da Palmirinha, onde os testes
estão sendo realizados

que os sulfitos seriam adicionados e, segundo os


pesquisadores, isso não altera os parâmetros físi-
co-químicos ou sensoriais da bebida.
“Perante as análises efetuadas, a adição do in-
grediente de flor de castanheiro conferiu ao vinho
propriedades conservantes, sem alteração dos seus
parâmetros físico-químicos e sensoriais. O vinho
resultante tem tido muito boa aceitação, tendo
também vindo a ser destacado pela sua qualidade
organoléptica ímpar, em parte resultante da distin-
ta aromaticidade conferida pela flor de castanhei-
ro”, apontou a pesquisadora Lillian.
“Vinhos com flor de castanheiro são mais ge-
nuínos; conseguimos sentir aromas e sabores que
o SO2, frequentemente, encobre”, garante Paiva
que é biodinâmico com certificação Demeter e
foi o primeiro produtor a aplicar a flor de casta-
nheiro. No entanto, atualmente em fase de le-
galização junto às entidades reguladoras, outros
produtores de Portugal e Espanha estão adotan-
do essa técnica de vinificação com o objetivo de
validar a ferramenta em diferentes tipos de vinho.
A fórmula está protegida por diversas paten-
tes (internacional, europeia e norte-americana)
e também, já em finalização, há um projeto de
uma startup dedicada exclusivamente à angaria- CASTANHA PARA TODOS?
Os castanheiros têm um papel fundamental no interior ibérico. A
ção e venda desse ingrediente por todo o mundo, castanha de Trás-os-Montes representa dois terços da produção
garantindo material suficiente para fornecer à total do país e, de acordo com os dados da Food and Agriculture
indústria vinícola. Os resultados dessa iniciativa Organization of the United Nations (FAOSTAT), Portugal situa-se entre
os três maiores produtores europeus de castanha (Turquia e Itália são
podem ter grandes repercussões na indústria do os dois primeiros). A região norte dos país contribui com mais de 80%
vinho, uma vez que boa parcela do mercado re- da produção nacional, a qual destina-se 15% ao mercado interno e
conhece e prestigia cada vez mais o uso de con- 85% ao externo.
servantes naturais.

Edição 174 >> ADEGA 69


DROPS |

Michael
Broadbent Faleceu um dos maiores
conhecedores de vinho do mundo

N
a terça-feira, dia 17 de março, o amigo pessoal de Broadbent. “Ele deixa um lega-
mundo do vinho deu adeus a Mi- do magnífico e muitos de nós seriam degustadores
chael Broadbent. Seu filho, Bar- de vinho muito mais pobres sem sua liderança”,
tholomew Broadbent, anunciou a afirmou Jancis Robinson.
notícia nas mídias sociais: “Muito Nascido em 1927, Broadbent estudou para ser
triste, mas ele teve ótimos 92 anos”, escreveu. Mi- arquiteto. No entanto, abandonou o curso. Sua
chael Broadbent foi um dos maiores conhecedores mãe recomendou que ele se candidatasse a um
de vinho do nosso tempo e é famoso por ter dado emprego no comércio de vinhos. Em 1952, aos 25
alento aos leilões de vinho na década de 1960, com anos, ingressou na loja de Tommy Layton, onde
seu trabalho na Christie’s. Curiosamente, ele che- começou varrendo o chão e entregando vinho
gou a afirmar que nunca havia considerado a ideia em Mayfair. “Tommy me disse que sempre que
de que um dia um vinho poderia se tornar um in- eu provasse um vinho, eu anotasse. Então, em
vestimento para algumas pessoas. 13 de setembro de 1952, eu fiz exatamente isso.
Broadbent escreveu livros e artigos sobre vinhos. Comecei com um pequeno caderno vermelho e
Somente na revista inglesa Decanter, foram mais agora tenho 150 deles, contendo 90.000 notas”,
de 400 colunas entre 1977 e 2012. Entre os livros, o afirmou. Depois, Broadbent foi chefe do departa-
mais famoso, “Wine Tasting” (Degustando vinhos), mento de leilão de vinhos da Christie’s até 1992.
publicado pela primeira vez em 1968, é considerado Em 2009, o livro “O vinho mais caro da his-
um dos primeiros guias estruturados sobre como pro- tória” apontou um possível conluio de Broadbent
var o vinho e foi traduzido para diversas línguas. Ele com o controverso (e possivelmente falsificador)
escreveu diversos livros com notas de degustação e de vinhos Hardy Rodenstock no caso da venda dos
ainda contribuiu com obras de outros autores sobre supostos vinhos de Thomas Jefferson, que alcan-
os mais variados temas sendo coautor de dezenas. çaram preços estratosféricos em leilão. Michael
“Michael era um membro muito amado e processou a editora que tirou o livro de circulação
valorizado da família Decanter, desempenhando no Reino Unido e lhe pagou uma compensação
um papel significativo – desde os primeiros dias da por danos morais, mas manteve o livro em circu-
revista – na construção de sua reputação de autori- lação no restante do mundo.
dade e experiência. Seu conhecimento enciclopé- Ele foi um dos primeiros (a 24ª pessoa no
dico de vinhos, sua inteligência e seu entusiasmo mundo) a conquistar o título de Master of Wine,
pela vida fizeram dele uma alegria para trabalhar em 1960. Michael Broadbent foi casado por mui-
– e uma alegria para ler”, disse Amy Wislocki, edi- tos anos com Daphne Broadbent, que morreu em
tora da Decanter. 2015. Com ela, teve dois filhos, Bartholomew e
“Michael Broadbent era meu mentor e meu Emma. No ano passado, ele se casou com Valerie
herói: simples assim”, afirmou Steven Spurrier, Smallwood.

70 ADEGA >> Edição 174


Michael Broadbent foi personagem central da retomada dos leilões de vinho na década de 1960 até os anos 1990, quando trabalhou na Christie’s.
Ele foi autor ou coautor de livros imprescindíveis sobre o vinho
TERROIR BRASIL | por ARNALDO GRIZZO

Adjetivos
hiperbólicos
Excepcional, histórica... safra 2020
no Brasil encanta enólogos

“I
mpressionante, a gente olhava a previsão e me, tanto os açúcares quantos os fenóis, na maioria
parecia que nunca mais ia chover”. Talvez das regiões, e, além disso, oferecer a “segurança” de
em outros países, esta frase do enólogo Ede- poder colher quando esses grãos atingissem a plena
gar Scortegagna, da vinícola Luiz Argenta, maturação sem medo da diluição ou podridão que
em Flores da Cunha, poderia parecer ter um a chuva pode trazer. O “clima perfeito” começou,
tom de alarmismo. Mas, na época da colheita na segundo dados da Embrapa Uva e Vinho, de Bento
Serra Gaúcha, a expressão reflete um regozijo pelo Gonçalves, ainda em novembro, com chuvas abai-
excepcional clima que houve no período. “Assim xo da média desde então. Dados enviados pela pes-
você vinifica com tranquilidade, toma a decisão de quisadora Maria Emília Borges Alves revelam ainda
colher com tranquilidade. O fruto está maduro, vai que as temperaturas estiveram acima da média, as-
lá e simplesmente colhe, coisa que quase nunca sim como o quociente de maturação.
acontece por aqui”, afirma.
Sim, o clima no Rio Grande do Sul e também Começo complicado
em Santa Catarina, especialmente durante a vin- No entanto, se agora há entusiasmo com a safra, no
dima, fez com que quase todos os enólogos e pro- começo houve, na verdade, muita preocupação. O
dutores trabalhassem com o sentimento de estarem inverno de 2019 contou com poucas horas de frio,
vivendo um momento ímpar na vitivinicultura bra- abaixo do normal, o que comprometeu a brotação
sileira. “Houve um índice de chuva muito baixo, em algumas áreas e variedades. Seguido a isso, du-
inclusive causando problemas hídricos nas cidades, rante a floração, houve um grande volume de chu-
mas, para o vinho, foi fantástico. A safra 2005 foi vas, dificultando a “pega dos frutos”. Tudo isso já
muito boa, 2011 foi boa, 2018 foi boa, mas este ano denunciava uma quebra de produção. Produtores
impressionou em todas as variedades. Não choveu. aguardaram a fase final, que determinaria se essas
Nos tintos houve maturação fenólica plena. Foi um uvas teriam qualidade ou não. E aí, como já dito,
ano espetacular”, comemora Flávio Zilio, enólogo ocorreu a grande virada, com um verão raramente
da vinícola Aurora. visto no sul do país.
Os índices mais baixos de chuvas foram determi- “A forte estiagem que começou no início de
nantes para amadurecer as uvas de maneira unifor- dezembro até a segunda semana de janeiro – e

72 ADEGA >> Edição 174


Edição 174 >> ADEGA 73
“A safra 2005 depois se estendeu com chuvas de pouco volume batendo 30ºC e noites indo a 22ºC, 18º. Ou seja,
e bem distribuídas ao longo dos meses – fez com uma maturação lenta, com uvas sadias. Na Cam-
foi muito que a maturação ocorresse por completo, com uvas panha, já foi muito mais seco, uma seca histórica,
boa, 2011 foi sadias, sem podridões, concentradas em açúcar com muito calor”, aponta.
boa, 2018 e compostos. Foram predominantes dias de verão
com temperaturas moderadas, com noites de céu
Quem também revela um panorama ligeira-
mente diferente na Campanha Gaúcha é o enó-
foi boa, mas claro, que favorecem um gradiente de temperatu- logo português Miguel Almeida, do grupo Miolo,
este ano ra, beneficiando a biossíntese de pigmentos (cor) e que, segundo apontou, passou 71 dias direto em
impressionou preservando a acidez”, apontou Mauro Zanus, en-
genheiro agrônomo da Embrapa.
vindima no projeto do Seival. “Foi a maior safra do
Seival, com mais de 2 milhões de quilos de uvas.
em todas as Anos de muita quantidade é difícil aliar qualidade,
variedades”, Condições perfeitas em geral? mas neste ano foi possível. Sanidade, qualidade
Um dos entusiastas da safra 2020 é o enólogo de maturação com um verão extremamente seco
Flávio Zilio uruguaio Alejandro Cardoso, que trabalha em e quente. É efetivamente um grande ano, se será
projetos em diversas regiões do sul. “Choveu histórico, só o tempo dirá. Para brancas tivemos
muito na primavera, aí pensamos que poderia equilíbrio entre açúcares e álcool. Nas tintas, um
complicar, mas, a partir de dezembro, começou pequeno desequilíbrio para sobrematuração, mas
a secar e não choveu. Com temperatura alta, as são desafios do ano”, afirmou.
uvas foram amadurecendo. Na Serra, foi seco, Na Serra Catarinense, o cenário visto em terras
mas nem tanto, caiu uma garoa, uma chuva es- gaúchas se repetiu. “Brotação com períodos instá-
porádica, que mantinha o grão inchado. Depois, veis, alternando períodos secos com períodos frios
em janeiro, caiu a temperatura à noite, com dias e chuvosos. Floração em período frio e chuvoso.

74 ADEGA >> Edição 174


Temperaturas abaixo do normal até mudança de
cor das uvas. Da mudança de cor em diante, tudo
mudou, o ideal virou realidade: dias quentes, noites
com temperatura amena à fria. Chuva muito abai-
xo do normal para o período. Em geral, menor pro-
dutividade com excepcional qualidade”, resume
Anderson De Césaro, enólogo da Villaggio Bassetti.

Menos, mas melhor?


“A falta de chuvas de janeiro, de certa forma,
nos prejudicou em termos de quantidade, pois
fez com que as uvas sofressem para se desenvol-
ver, por conta da estiagem. Porém, em termos
de qualidade, uma super maturação que, por
consequência, nos agraciou com esta qualidade
excêntrica”, afirma Deise Tem Pass, enóloga da
Peterlongo. Ela afirma que a vinícola estima uma
safra 40% menor, mas de qualidade excepcional.
Zilio, da Aurora, revela que a empresa também
aguardava um safra menor: “Passamos dos 62 mi-
lhões de quilos. Havia uma previsão um pouco me-
nor. No início se achava que a perda ia ser maior,
mas não se refletiu”. Já Daniel Dalla Valle, enólogo
da Casa Valduga, diz: “A estimativa é que vamos fi-
car com 10% a menos, uma quebra não tão grande
des, além das tradicionais Merlot, Cabernet Sau-
vignon e Chardonnay, como Tannat e Marselan”.
“Para mim
quanto se pensava nas viníferas. Mas imagino que, “Foi um ano ímpar”, pondera Alejandro Car- e acredito
para as uvas americanas, houve quebra maior”. Car- doso e continua: “Este ano foi totalmente diferen- que para
los Abarzúa, da Cave Geisse, em Pinto Bandeira, te e vai pesar muito nas regiões com três faixas de
afirma que algumas variedades podem ter tido bai- temperatura no verão: na Campanha, muito seco e muitos outros
xas de 25 a 30%. bastante calor; na Serra, com início quente e com enólogos,
Mauro Zanus, da Embrapa, aponta: “Estima-se
que a produção total da safra de uva no Rio Grande
chuvas esparsas; e Vacaria, que foi mais fresco e
choveu como na Serra. Vai-se notar bem essas ca-
esta safra
do Sul seja um pouco inferior a 2019 (que foi de racterísticas nos vinhos futuramente”. é única,
614 milhões), ficando entre 550 a 590 milhões de “Na Serra Gaúcha, você nunca vai falar que excepcional,
quilos”. um ano foi ruim para brancos e espumantes, mas
numa grande safra é porque tudo foi bom, inclusive
posso até
Safra histórica? os tintos. Os tintos no clima seco conseguiram con- arriscar que
Indubitavelmente a safra 2020 no sul será lembra-
da. “Falamos da safra dos sonhos”, afirma De Cé-
centrar muito açúcar, 23, 24, 25 grau Babo (que re- a melhor”,
presenta a quantidade de açúcar, em peso, existente
saro. “Para mim e acredito que para muitos outros em 100 g de mosto), que não é normal, e também Deise Tem
enólogos, esta safra é única, excepcional, posso até conseguiu concentrar cor, tanino, estrutura. So- Pass
arriscar que a melhor”, entusiasma-se Deise. “Tal- mando tudo, tivemos uma safra das melhores”, ava-
vez esta tenha sido a nossa grande safra”, apon- lia Edegar Scortegagna, que afirma ainda que 2020
ta Renato Savaris, enólogo da Maximo Boschi. certamente superará a fama de 2005: “Se comparar
Diante de tamanha qualidade, ele revela que está a qualidade da safra e somar isso à ‘maturidade’ das
comprando grandes quantidades de uva para suas vinícolas, esta realmente não tem igual”.
linhas já tradicionais e também outras variedades: “Acho que a safra 2020 vai se equiparar com
“Nesta safra estamos trabalhando novas varieda- 1991. Teve outras safras excelentes, mas essa foi fora

Edição 174 >> ADEGA 75


“Acho que a safra
2020 vai se equiparar
com 1991. Teve outras
safras excelentes, mas
essa foi fora da curva,
excepcional”, Daniel
Dalla Valle

base de espumante como para tinto, e a Sauvig-


non Blanc, sensacional, além de Chardonnay e
Merlot. De Campos de Cima, Sauvignon Gris e
Albariño, esta última estava especial. Na Campa-
nha, Pinot, Gewürztraminer, Tempranillo e Tan-
nat. A variedade mais constante em todo lugar foi
a Merlot”, resume Alejandro Cardoso, para quem,
cada vez mais poderemos ver safras desse nível no
Brasil: “O clima está mudando. Temos a sorte de
estar onde estamos, temos água, temos um bom
diferencial térmico, devido à altitude. Este ano
é fora da curva, mas acho que isso pode ser uma
tendência para os próximos. Vamos começar a ter
condições de mudanças climáticas reais”.
“Esmagamos Pinot com 19 graus Babo, que é
muito alto, e é uma variedade que tem dificuldade
de maturação na Serra. O que mais surpreende é
a Merlot, que tem uma expressão mesmo com o
Estima-se que a produção vinho ainda não finalizado. E sabemos que é uma
total da safra de uva no
Rio Grande do Sul seja
da curva, excepcional. De 1991 não tenho muitas casta que tem intolerância a climas mais úmidos”,
um pouco inferior a 2019 lembranças, pois foi quando comecei a estudar, afirmou Flávio Zilio.
(que foi de 614 milhões),
mas aquela safra ficou na história e, pelo que co- “Para nosso Merlot, que provém de vinhedos de
ficando entre 550 a 590
milhões de quilos. A mento com o pessoal do interior, eles fazem uma Encruzilhada do Sul, as uvas estavam surpreenden-
qualidade, contudo, foi correlação com 1991. Depois de 30 anos, uma safra tes, não só pela maturação enológica, mas princi-
excepcional
que fica na história de novo. Naquela época, não ti- palmente pela fenólica. Esta variedade nos propor-
nha os vinhedos preparados como hoje, nem tantas cionou um vinho com 14,8% de álcool potencial
vinícolas e tecnologia. Agora temos uma qualidade sem nenhum tipo de intervenção. Fantástico. Es-
excepcional em um momento de produção dife- tamos ansiosos para ver os resultados”, conta Deise
rente”, contextualiza Daniel Dalla Valle. Tem Pass.
“Nos últimos 36 anos (desde que moro no Bra- “O Merlot do Vale dos Vinhedos é uma coisa de
sil) nunca tinha visto essa qualidade e sanidade. outro mundo, com 23 graus Babo, maturação fenó-
Vai ser uma grande safra para os tintos, com muito lica perfeita. De uma maneira geral, os Chardon-
corpo, estrutura, cor, tanino. Nunca vi colher uva nay amadureceram bem, em Encruzilhada tem a
com tanto tempo no vinhedo. Houve grandes safras Viognier e a Pinot... foi um ano de excelência. Este
como 1991, 1999, mas como esta, nunca”, comen- ano vai ter que se esforçar bastante para fazer vinho
ta Carlos Abarzúa. ruim, mesmo com quarentena – devido à epide-
mia de coronavírus. Psode deixar o vinho na adega
Os destaques e, quando voltar, ele vai estar bom”, brinca Dalla
Diante de tanta qualidade, seria possível destacar Valle, que complementa: “Uva excelente, madura,
algo? “Todas as variedades vieram com alta quali- taninos maduros, carga de cor, é uma safra que abre
dade. Na Serra, destacaria a Pinot Noir, tanto para um leque para poder lançar novos produtos”.

76 ADEGA >> Edição 174


3
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TENDÊNCIAS | por PATRICIO TAPIA

Vulcão Osorno, em uma das regiões


mais austrais do Chile, que tem
atraído produtores de vinho
O futuro
está no sul
Projetos que mais parecem aventuras
em lugares inóspitos talvez revelem
o futuro da vitivinicultura na América do Sul

P
ara chegar ao lugar, é preciso embar- projeto Otronia em 2007. Hoje tem 50 hectares
car em uma pequena lancha saindo e vários vinhos para mostrar, entre eles um Char-
do povoado de Tenaún, na ilha de donnay singular que não se parece com nada do
Chiloé, cerca de 1.100 quilômetros que alguém já tenha provado antes com esta cepa
ao sul de Santiago. Depois de meia na Argentina. E não podia ser de outra forma,
hora de viagem, passando por pequenas ilhotas vindo desse lugar com tanto vento, com chuvas
e praias desabitadas, por fim chega-se à ilha de escassas e temperaturas baixas – um deserto frio
Añihue. Apenas 150 pessoas aproximadamente em que no verão há 14 horas de sol (a fotossíntese
vivem ali, um lugar de águas calmas com o fundo não é o problema) e no inverno as noites duram
repleto de mexilhões. Nesse lugar remoto, a Viña 12 horas, noites frias que asseguram a acidez nos
Montes plantou um par de hectares no inverno seus vinhos.
de 2018. Estes são dois dos projetos mais radicais no
Em um primeiro olhar, pode-se descrever esse sul da América do Sul. Mas há mais. Trevelin,
novo vinhedo de Montes como um experimento um pouco mais ao norte na Patagônia argentina;
ou, no melhor dos casos, como uma aventura. E Osorno e Malleco, no sul do Chile, todas áreas
é ambas as coisas. Com 1700 milímetros de chu- que se converteram em pequenas comunidades
va ao ano e outonos frios, que tornam muito difí- de produtores que estão aproveitando a singula-
cil a maturação completa das uvas, este vinhedo ridade de um clima para fazer vinhos de muito
de Riesling, Albariño e Pinot Noir, entre outras caráter, de muito atrevimento.
variedades, pareceu que nunca funcionaria, mas,
em meio ao verão, dois anos depois do cultivo, a Caminho natural e outros desafios
vinha está sã, reluzindo com suas folhas verdes E é natural que seja assim, pois é, de certa forma,
no meio de um bosque de murtas. É uma aventu- óbvio que se explore o sul, sobretudo em vista da
ra, mas também é um olhar para o futuro vitícola mudança climática que, nesse lugar do mundo,
da América do Sul. está se convertendo em severa escassez de água e
Outros mil quilômetros mais ao sul, cruzando verões extremamente quentes que trazem muitas
o que sobra de uma desmembrada Cordilheira dificuldades para os viticultores em busca de vi-
dos Andes, no ponto mais profundo da Patagônia nhos com equilíbrio.
argentina, o empresário Alejandro Bulgueroni A água é um tema maior. E seguirá sendo. No
(da vinícola Garzón, no Uruguai) começou o Chile, sobretudo no norte, em vales como Limarí

Edição 174 >> ADEGA 79


O projeto Otronia, em um dos pontos mais
profundo da Patagônia argentina, e projeto
da Viña Montes, na ilha de Chiloé, Chile (foto
abaixo), são dois exemplos de lugares extremos

e Elqui, a escassez de água dizimou vinhedos in-


teiros e, os que sobraram, lutam para sobreviver
com anos em que praticamente não chove. Mais
ao sul, no vale do Maipo ou em Colchagua, já há
vinícolas que tentam voltar ao sistema de secano
(não irrigado), com o problema das baixas produ-
ções que isso implica.
O calor, por sua parte, tem feito com que
o fato de “colher mais cedo” já tenha deixado
de ser um caminho na busca por vinhos mais
frescos e de menor teor alcoólico, para se con-
verter diretamente em um tema de equilíbrio.
Na safra 2020 na Argentina e no Chile, as uvas
tiveram que ser colhidas ao menos duas ou três
semanas antes do habitual. Esperar teria sido
colher uvas passas.
No sul não há problema de água ou, ao me-
nos, não há em um futuro próximo. Existem
outras dificuldades, com certeza. As chuvas im-
plicam maior cuidado no vinhedo, o perigo cons-
tante de uvas podres e, a falta de sol ou, às vezes,
o vento em excesso, implicam, por sua vez, em
não alcançar a maturação. Trata-se, com certeza,
de outra viticultura, de outros problemas, novos
desafios em uma nova era do vinho sul-america-
no que está aí, dobrando a esquina.

80 ADEGA >> Edição 174


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82 ADEGA >> Edição 174


Bordeaux
do poeta A história do Château Ausone,
que leva o nome de um célebre
escritor romano

“Polvilhe minhas cinzas com vinho puro e perfumado


óleo de nardo; traga bálsamo também... Ó estrangeiro, com
rosas carmesim. Primavera sem fim permeia minha urna sem lágrimas:
Eu mudei de estado e não morri.
Não perdi uma única alegria da vida antiga, embora
Você ache que eu me lembre de tudo ou nada.”

O
s versos acima seriam para um respeito”. Burdigala, Ausone. Em: “Classificação
epitáfio na “tumba de um ho- das cidades célebres” [tradução de Lucas Bertolo].
mem feliz”, escritos por Deci-
mius Magnus Ausonius, ou Ausô- O Château
nio, um poeta e político romano Ausônio também era proprietário de terras, sen-
que viveu no século IV. Nascido por volta do ano do que uma de suas propriedades, a Lucania-
310 na região de Bordeaux, Ausônio teve educa- cum, produzia vinho, que foi citado por ele em
ção requintada para a época e acabou se tornan- suas obras. “Que a vista das videiras apareça a nós
do tutor do futuro imperador Graciano, de quem como um outro espetáculo, e que os presentes de
receberia o título de cônsul de Roma, a mais alta Baco convidem nossos olhares errantes, ali onde
honraria da época. um cume elevado, acima da cadeia de penhascos,
Diz-se que Ausônio era um exímio orador e de rochedos, de cantos ensolarados de montanhas,
retórico e foi assim que passou do cargo de pro- ondulações e depressões, a proteger as videiras e
fessor para a política, tornando-se uma das figuras a formar um teatro natural”. Acredita-se que esse
mais influentes na Gália naquele momento da local, hoje, é onde fica o Château Ausone.
história. Em sua poesia, ele celebrou a região de A história de um dos mais famosos vinhos de
Bordeaux e seus vinhos, como no trecho abaixo: Bordeaux é longa e tortuosa como alguns dos
“Ó, minha pátria ilustre pelos teus vinhos, teus poemas de Ausônio. O nome da propriedade
rios e teus homens, pelos costumes e espírito de acredita-se que evoluiu de Casteau Dauzone,
teus habitantes, pela nobreza de teu senado; eu não para Château Dosone, até chegar a Château
a nomeei dentre as maiores, como se, cidadão cons- Ausone. Restos de peças agrícolas, mosaicos de
ciente de uma cidade humilde, hesitava por fazê- videiras, fragmentos de estátua dão a entender
-la gozar de louvores imerecidos […] Bordeaux é que Lucaniacum era mesmo no platô onde está
a minha terra natal, ali o céu é doce e clemente, a propriedade atual, uma encosta chamada “Roc
o solo, graça às chuvas, bom e fértil, a primavera Blancan” (rocha branca, ou seja calcário).
longa, o inverno resfriado até o retorno do sol; os Na Idade Média, o espesso banco de pedra
rios têm uma corrente borbulhante que, ao longo calcária com vista para a propriedade abrigava um
das colinas plantadas de videiras, imita os fluxos do ossuário e depois uma pequena capela românica.
mar […] Meu amor à Bordeaux; a Roma, o meu O edifício ainda hoje surge no meio das parcelas

Edição 174 >> ADEGA 83


Diz-se que de vinhas. Sob o prédio, um tesouro da arte cristã: ta. Então, Alain disputava a posição com Pascal
uma rotunda subterrânea decorada com um afres- Delbeck, favorito de sua tia Heylette.
“Lucaniacum”, co do Juízo Final. Apenas em 1995 encerrou-se essa disputa
antiga quando Alain assumiu definitivamente Ausone,
propriedade De mão em mão
Acredita-se que, no século XVI, o local perten-
mas não sem antes alguns entreveros na justiça.
Sua tia quis vender a propriedade para François
de Ausônio, ceu à família Lescours, que, dois séculos depois, Pinault, dono do Château Latour, mas Alain e
seja o local a passou para os Chatonnets, que se ligaram por sua irmã a processaram e venceram. A tia, contu-
do Château casamento à família Cantenat. Em 1891, o nome
da propriedade mudou para Dubois-Challon, so-
do, pôde viver no Château até morrer em 2003.

Ausone, em brenome do casal de proprietários, e, em 1916, Gestão


Saint-Émilion eles compraram Bélair. Uma de suas filhas casou O Château Ausone fica às margens da cidade de
com um Vauthier, de quem o atual proprietário Saint-Émilion. Durante sete séculos, as extrações
Alain Vauthier, é descendente. de pedras calcárias geraram enormes galerias sob
Pode até parecer que uma sequência de aconte- a propriedade com labirintos de gesso esquecidos
cimentos normais levou o Château Ausone a estar pelos pedreiros. As pedreiras subterrâneas foram
hoje sob supervisão de Alain e sua filha Pauline, transformadas em adegas desde o século XVIII.
contudo, a história não é bem assim. De 1974 até São apenas sete hectares de vinhedos. Cercadas
1995, houve uma grande disputa para saber que por muros, as parcelas são protegidas dos ventos e
parte da família era dona da propriedade. Nessa desfrutam de exposição leste-sudeste.
época, até mesmo a direção de enologia acabava Parte da vinha fica sobre um platô de calcário
em disputas na justiça, incluindo datas de colhei- marítimo. Na encosta, encontra-se calcário argilo-

84 ADEGA >> Edição 174


Acredita-se que onome
da propriedade evoluiu
de Casteau Dauzone,
para Château Dosone,
até chegar a Château
Ausone

AD 97 pontos
CHÂTEAU AUSONE 1982
Château Ausone,
Bordeaux, França. Corte
de 50% Cabernet Franc
so. E, por fim, também há argila, o que gera um é feita quase diretamente no vinhedo, na hora e 50% Merlot. Vinhedo
pequeno mosaico nesse terroir. O vinhedo é majo- da colheita. “Minha meta é ter o menor traba- bem próximo à cidade
ritariamente plantado com Cabernet Franc (55%) lho possível ao ter materiais de vinhedo e viní- que vale uma visita.
Austero e estruturado.
e Merlot (45%), com vinhas compreendendo de cola exemplares”, afirmou Vauthier. O mosto é Com frutas negras,
50 anos a mais de um século de idade (algumas fermentado com leveduras naturais em cubas de taninos marcantes e
são tão antigas que foram plantadas na mesma fi- madeira abertas. A fermentação malolática é fei- de textura granulada.
Potência para seguir
leira então há tags de identificação para separar a ta em barricas novas. O segundo vinho, Chapelle por mais 15 anos
Cabernet da Merlot). O cultivo segue alguns pre- d’Ausone, foi criado em 1997, e, além de costu- tranquilamente. Os
ceitos orgânicos e biodinâmicos, mas Vauthier diz meiramente ter um pouco mais de Merlot na aromas terciários estão
que não quer ficar amarrado a dogmas. mescla, é feito com uvas de videiras mais jovens. começando a aparecer,
numa jornada em
Os Vauthier gerenciam cerca de 100 hecta- Para finalizar, um trecho célebre de Ausônio: que cedro e couro se
res na região, sendo donos também do Château “Leia isso somente com um toque de vinho e sobrepõem à fruta. Final
Moulin-St-Georges e do Château Fonbel. Na pe- alegria, porque não é certo que um poeta pouco com deliciosa caixa de
Cohiba. CB
quena propriedade de Ausone, a seleção das uvas sóbrio tenha por juiz um leitor em jejum”.

Edição 174 >> ADEGA 85


O frescor do mar
no conforto do Praça.
Nesse verão a cozinha do praça servirá um cardápio especial de peixes e frutos do mar.
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CAVE
Avaliações por
C A D E R N O D E AVA L I A Ç Ã O D E ADEGA
Tabela de avaliação
Editor de vinho: Classificação Pontos
Eduardo Milan (EM) Extraordinário 95 A 100
Excelente 91 A 94
André Mendes (AM) Ótimo 89 A 90
Christian Burgos (CB), Muito Bom 87 A 88
Christiane Miguez (CM), Bom 85 A 86
Felipe Granata Kosikovski (FGK), Regular 82 A 84
Guilherme Velloso (GV), Fraco ABAIXO DE 82
João Paulo Gentille (JPG),
Juliana Trombeta Reis (JTR) Evolução
e Mauricio Leme (MSL)
= Beber
www.MelhorVinho.com.br
= Beber ou Guardar
Degustações realizadas no restaurante = Guardar
Praça São Lourenço com ajuda do sommelier
Gustavo dos Santos Barros Observações
= BEST BUY - Melhor custo-benefício
Os preços são aproximados no varejo e
O
itos à variação.
= Vinhos degustados em ocasiões
ciais – lançamentos e raridades –
e, portanto, não às cegas.

Espumantes, página 88
Brancos, página 89
Rosés, página 91
Tintos, página 92
Apoio: Eventos, página 98
ESPUMANTES

AD 88 pontos AD 90 pontos AD 89 pontos AD 88 pontos AD 89 pontos


BUENO #MOMENTS VIC CAVE PERICÓ CHAMPENOISE PONTO NERO LIVE SÉRIES BY SALTON BRUT VIVATTO BRUT
BRUT NATURE 47 MESES 2014 CELEBRATION BRUT ROSÉ Fante, Serra Gaúcha,
Bueno Wines, Pericó, São Joaquim, Domno do Brasil, Vale Salton, Serra Gaúcha, Brasil (Livimport R$
Campanha Gaúcha, Brasil (R$ 195). dos Vinhedos, Brasil Brasil (R$ 29). 44). Produzido com
Brasil (R$ 77). Corte Espumante branco (R$ 46). Espumante Espumante rosado brut Chardonnay, Pinto
interessante de nature elaborado pelo branco brut elaborado elaborado pelo método Noir e Riesling itálico,
Sauvignon Blanc, método tradicional a pelo método Charmat Charmat longo a partir espumante com perlage
Pinot Noir e Cabernet partir de 40% Cabernet a partir de 30% de uvas Ugni Blanc, constante apresenta
Sauvignon elaborado Sauvignon, 40% Chardonnay, 30% Prosecco e Merlot. aroma cítrico, flores
através do método Chardonnay e 20% Riesling Itálico, 20% Puros morangos brancas e leve toque
Charmat. Apresenta Merlot, com estágio Pinot Noir e 20% maduros com gotas de pêssego doce. Na
perlage delicado e de 47 meses sob as Prosecco. Focado na de limão, tudo num boca, boa acidez,
volumoso, com boa leveduras antes da fruta e no frescor, contexto de acidez refrescância e certa
consistência. No degola. O maior tempo tem boa cremosidade refrescante e textura cremosidade advinda
aroma, tem fruta de de autólise trouxe ainda e ótima acidez, que agradável. Gostoso de da Chardonnay. Álcool:
caroço e traços de mais notas de frutos sustentam e equilibram beber e fácil de agradar. 11,5% CM
levedura. No paladar, secos, de pão e de o conjunto. Tem final Despretensioso, entrega
é redondo, macio e especiarias envolvendo cativante, com toques bem mais do que
cremoso, possui médio suas frutas brancas e de de maçãs, de ervas e promete, o que é muito
corpo e tem estilo fácil caroço mais maduras, de flores, que pedem bem-vindo. Álcool
e frutado. Cremosidade trazendo complexidade uma segunda taça, 11,5%. EM
agradável em conjunto ao conjunto. Tem final ou melhor, garrafa.
com frescor, pêssegos cheio e persistente, Descompromissado
maduros aparecem com com toques salinos, e cativante em sua
qualidade. Espumante cítricos e de ervas. simplicidade. Álcool
bem feito, acompanha Álcool 12,6%. EM 10,5%. EM
pratos orientais frios.
Álcool 12%. JPG

88 ADEGA >> Edição 174


BRANCOS >>

AD 89 pontos AD 89 pontos AD 89 pontos


CASA SCALECCI ROCÍO 2016 CASA VALDUGA TERROIR CHAKANA NUNA VINEYARD
Casa Scalecci, Sicília, SAUVIGNON BLANC 2018 WHITE BLEND 2018
Itália (Casa Scalecci R$ Casa Valduga, Chakana, Mendoza,
90). Branco composto Campanha Gaúcha, Argentina (La
de Grillo e Sauvignon Brasil (R$ 74). Pastina R$ 87).
Blanc, sem passagem Branco elaborado Branco orgânico,
por madeira, mas exclusivamente a partir elaborado com
mantido em tanques de Sauvignon Blanc, mínima intervenção e
durante seis meses. sem passagem por composto de 75% de
Num estilo mais madeira. Uma ótima Sauvignon Blanc, 15%
discreto e austero nos edição desse vinho. de Chardonnay e o
aromas, mostra sutis Estruturado e cheio restante de Viognier,
notas de frutas de de frutas brancas e sem passagem por
caroço, além toques tropicais maduras, tem madeira. Muito fresco
minerais e de ervas. Já gostosa acidez, boa e de corpo médio,
na boca, esbanja acidez textura e final com tem vibrante acidez,
e pêssegos, tudo num toques salinos e de textura cremosa e final
contexto de médio maracujá, que pedem a persistente, com toques
corpo, boa textura e companhia de ceviche. cítricos, de ervas e de
final também médio, Álcool 13%. EM frutos secos. Álcool
com toques salinos e 13%. EM
cítricos, que pedem a
companhia de comida,
de preferência cortes
magros de porco.
Álcool 13%. EM
B ANCOS

AD 90 pontos AD 93 pontos AD 88 pontos AD 89 pontos AD 89 pontos


FLOR DE TECEDEIRAS FRONTAURA VERDEJO 2016 JMF BRANCO 2017 KAIKEN ESTATE SAUVIGNON LES JAMELLES
BRANCO 2017 Bodegas Frontaura, José Maria da Fonseca, BLANC SÉMILLON 2018 VIOGNIER 2016
Quinta das Tecedeiras, Rueda, Espanha Península de Setúbal, Kaiken Wines, Les Jamelles,
Douro, Portugal (Domno R$ 283). Portugal (Conceito Mendoza, Argentina Languedoc-Roussillon,
(Winebrands R$ 137). Branco elaborado Português R$ 65). (Qualimpor R$ 95). França (Winebrands R$
Branco composto de exclusivamente a Coloração amarelo Branco composto 88). Branco elaborado
Arinto, Códega do partir de uvas Verdejo dourada com reflexo de Sauvignon Blanc exclusivamente a
Larinho e Viosinho advindas do Pago de âmbar. Seu aroma é e Sémillon, sem partir de Viognier, sem
sem passagem por La Erilla, em Rueda, bem aberto com notas passagem por madeira. passagem por madeira.
madeira. Sedutor nos com fermentação que lembram maçã Cheio de frutas Fácil de beber e de
aromas, tem gostosa e estágio de sete vermelha madura, brancas e cítricas agradar, mostra frutas
textura, muitas frutas meses em barricas de com toques resinosos acompanhadas de notas brancas e de caroço
brancas, cítricas e de carvalho francês. Um agradáveis, como florais, de ervas e de acompanhadas de notas
caroço de perfil mais verdadeiro branco com eucalipto. No paladar, especiarias brancas, florais, de ervas e de
fresco, acompanhadas alma de tinto, ainda é redondinho, tem que se confirmam no especiarias. No palato,
de notas minerais, está jovem, mas já corpo médio para leve, palato. Alia o frescor tem bom volume,
florais e de ervas. mostra frutas brancas com textura sedosa e acidez vibrante da acidez refrescante,
Austero, tem vibrante e tropicais maduras e bastante equilíbrio Sauvignon, com a textura cremosa e final
acidez, vocação permeadas por notas entre fruta e frescor, textura cremosa da agradável, com toques
gastronômica e final florais, amanteigadas além de acidez gostosa Sémillon, num vinho pêssegos e de mel.
médio/longo, cheio e de ervas. De bom e toque “crispy” muito agradável e Álcool 13%. EM
de limão e de toques corpo, tem refrescante que equilibra sua gostoso de beber.
salinos. Álcool 13,5%. acidez, textura firme e fruta tropical. Vinho Álcool 12,5%. EM
EM cremosa e final cheio e simples, fresco e leve,
persistente, com toques possui estilo e ótima
de frutos secos, de relação entre preço e
baunilha e de mel. Tem qualidade. Acompanha
tudo para ficar ainda bem queijo de cabra
melhor nos próximos fresco. Beba gelado.
cinco anos. Álcool Álcool 12,5%. JPG
13,5%. EM

90 ADEGA >> Edição 174


ROSÉS >>

AD 90 pontos AD 92 pontos AD 91 pontos


POGGIO DEI GELSI EST! EST!! QUINTA DA CALÇADA VINHAS QUINTA NOVA DE NOSSA
EST!!! DI MONTEFIASCONE VELHAS BRANCO 2015 SENHORA DO CARMO
2016 Quinta da Calçada, ROSÉ 2017
Falesco, Lazio, Itália Minho, Portugal Quinta Nova de Nossa
(Winebrands R$ 100). (World Wine R$ 220). Senhora do Carmo,
Branco composto Branco elaborado a Douro, Portugal
de 40% Roscetto, partir de uvas Arinto, (World Wine R$ 236).
30% Trebbiano e Azal, Donzelinho Rosé composto de
30% Malvasia, sem e outras castas da Tinta Roriz e Touriga
passagem por madeira região advindas de Franca, sem passagem
e fermentado com vinhas centenárias, por madeira, mas
leveduras indígenas. com estágio de oito com estágio de quatro
Mostra aromas de meses em barricas meses em tanques
frutas brancas e cítricas usadas de carvalho de aço inoxidável.
maduras, cativantes francês. Num estilo de Num estilo mais
notas florais e minerais. frutas tropicais e de austero, mostra frutas
Frutado e vibrante, caroço mais maduras, brancas e vermelhas
tem ótima acidez, bom tem gostosa acidez, maduras escoltadas
volume de boca e final textura cremosa, bom por notas florais, de
persistente e agradável, volume de boca e final ervas e de especarias
com toques salinos e persistente, com toques doces. Chama atenção
cítricos. Álcool 13,5%. amanteigados, florais, pela acidez e pela
EM cítricos e de especiarias cremosidade, tem final
doces. Complexo, longo, com toques
chama atenção pelo salinos e cítricos.
frescor e equilíbrio Álcool 13,5%. EM
do conjunto. Álcool
11,5%. EM
TINTOS

AD 89 pontos AD 88 pontos AD 89 pontos AD 93 pontos AD 89 pontos


ARRAYÁN SELECCIÓN 2014 AURORA RESERVA CANTAGUA RESERVA CARTUXA VINHO DE TALHA CECCHI CHIANTI 2016
Bodegas Arrayán, MERLOT 2018 APASSAMIENTO 2017 TINTO 2017 Cecchi, Toscana,
Toledo, Espanha (PNR Aurora, Bento Puntí Ferrer, Rapel, Fundação Eugênio Itália (La Pastina R$
Group R$ 133). Tinto Gonçalves, Brasil (R$ Chile (Optimus R$ 78). de Almeida, Alentejo, 110). Tinto elaborado
composto de Syrah, 50). Tinto elaborado Apassimento trata- Portugal (Adega majoritariamente a
Merlot, Cabernet exclusivamente a se de um método de Alentejana R$ 793). partir de Sangiovese,
Sauvignon e Petit partir de uvas Merlot, desidratação das uvas Tradicional vinícola sem passagem
Verdot, com estágio com estágio de seis em mesas de madeira. alentejana fundada por madeira. O
de oito meses em meses em barricas de A uva perde até 40% em 1963, elabora esse vinho perfeito para
barricas de carvalho carvalho. Gastronômico do seu peso e mantém tinto com mínima acompanhar massas
francês. Mostra ameixas e frutado, mostra a concentração de intervenção tanto no ao molho de tomate,
e amoras maduras ameixas acompanhadas aroma e sabor. Esse vinhedo quanto na mostra notas terrosas,
acompanhadas de de notas florais e vinho apresenta aromas vinícola, exclusivamente de ervas secas e de
notas florais, tostadas herbáceas, além de de frutas vermelhas a partir de uvas Alicante especiarias envolvendo
e de especiarias doces, toques tostados, de maduras, de tabaco e Bouschet, estagiadas e toda sua fruta vermelha
tudo sustentado por baunilha e de cacau de couro. No palato, fermentadas sem adição madura. Fácil de
taninos de boa textura trazidos pelo aporte da apresenta um pouco de leveduras em talhas beber e de entender,
e refrescante acidez. madeira. Tem ótima de madeira, que não (ânforas) de barro. O tem boa tipicidade,
Tem final carnudo, acidez e taninos de boa incomoda e acidez resultado é um vinho acidez vibrante, taninos
com toques terrosos, textura, que aportam equilibrada, com puro em sua expressão firmes e final cativante,
de tabaco e de alcaçuz. tensão ao vinho. taninos finos, final de varietal, cheio de frutas confirmando o nariz.
Álcool 15,5%. EM Tem final médio, boca especiado, com negras de perfil mais Álcool 13%. EM
confirmando o nariz e leve dulçor. Álcool fresco, bem equilibradas
pedindo a companhia 13,5%. CM por acidez vibrante e
de carnes vermelhas taninos tensos e finos.
em geral. Álcool 13%. Profundo e vertical, por
EM ser agradável e gostoso
de beber, aparenta ser
menos complexo do que
realmente é. Paciência
com ele, pois está diante
de um verdadeiro lobo
em pele de cordeiro.
Álcool 14,5%. EM

92 ADEGA >> Edição 174


>>

AD 91 pontos AD 88 pontos AD 92 pontos


CHÂTEAU MOLHIÈRE CONO SUR BICICLETA CUNE CRIANZA 2015
TERROIR DES DUCS 2017 CABERNET SAUVIGNON 2018 CVNE, Rioja, Espanha
Château Molhière, Cono Sur, Vale (Vinci US$ 39).
Sud-Ouest, França Central, Chile (La Reconhecidamente
(PNR Group R$ 191). Pastina R$ 54). um dos melhores
Tinto composto de 95% Tinto elaborado produtores da Rioja,
Cabernet Sauvignon majoritariamente a a Cia. Vinícola del
e 5% Merlot, com partir de Cabernet Norte de España
estágio de 12 meses Sauvignon, sendo que (CVNE) elabora
em barricas novas de 20% do vinho estagia este tinto a partir de
carvalho francês. Ainda durante nove meses 85% Tempranillo e
está jovem, mas já diz em carvalho. Sempre 15% entre Mazuelo,
a que veio, com sua consistente e de boa Garnacha e Graciano,
vibrante acidez e os tipicidade, oferece com estágio de 12
taninos de grãos finos muita fruta vermelha meses em barricas de
envolvendo toda sua e negra escoltada por carvalho americano.
fruta vermelha e negra notas de ervas, de Mostra frutas vermelhas
madura no ponto certo. flores e de especiarias e negras envoltas por
As notas de ervas, de picantes, tudo envolto notas terrosas, florais,
flores, de terra e de por gostosa acidez, de especiarias e de
especiarias dão o toque taninos de boa textura ervas secas, que se
final de complexidade. e final médio e confirmam no palato.
Gastronômico e gostoso suculento, pedindo Estruturado e de bom
de beber, tem tudo para mais um gole. Álcool volume de boca, tem
ficar ainda melhor na 13,5%. EM refrescante acidez,
companhia de carré taninos aveludados
de cordeiro na brasa. e final cheio e
Álcool 13%. EM persistente, com toques
de couro, de baunilha
e de cerejas. Álcool
13,5%. EM
AD 92 pontos AD 92 pontos AD 88 pontos AD 90 pontos AD 91 pontos
DOMINIQUE LAURENT ESPORÃO RESERVA FERRA JOCKEY MERLOT 2018 FINCA LA COLONIA FRANCO FRANCESCO TREJ
CUVÉE NUMERO 1 2014 TINTO 2016 Vinícola Ferreira, COLECCIÓN MALBEC 2016 AMIS BARBERA D’ASTI 2017
Dominique Laurent, Esporão, Alentejo, Campos do Jordão, Norton, Mendoza, Franco Francesco,
Borgonha, França Portugal (Qualimpor Brasil (R$ 180). Argentina Piemonte, Itália
(World Wine R$ 362). R$ 228). Elaborado Tinto elaborado (Winebrands R$ (Vind’Ame R$ 179).
Adepto da mínima pela primeira vez exclusivamente a partir 114). Tinto elaborado Tinto elaborado
intervenção (muitos em 1985, esse tinto é de uvas Merlot, sendo exclusivamente a exclusivamente a
de seus vinhos não composto de Alicante 15% da safra 2019, com partir de uvas Malbec partir de uvas Barbera,
têm adição de SO2) Bouschet, Aragonez, estágio de 12 meses em advindas de Luján de advindas de vinhedos
e da fermentação Trincadeira e Cabernet barricas de carvalho Cuyo, em Mendoza, de mais de 35 anos,
somente com leveduras Sauvignon, com francês. Apesar da com estágio de 50% do com estágio de seis
indígenas, Dominique estágio de 12 meses em madeira ter papel vinho durante 12 meses meses em barricas de
Laurent é, sem dúvida, barricas de carvalho importante tanto no em barricas usadas de carvalho. Refinado e
um dos melhores americano (60%) e nariz quanto na boca, carvalho francês. Os gastronômico, mostra
produtores de toda francês (40%). Uma mostra frutas negras efeitos de uma safra frutas vermelhas de
Borgonha e faz jus à confirmação do estilo maduras e em compota mais fresca se sentem perfil mais maduro
sua fama neste tinto mais vibrante e fresco acompanhadas de no estilo acessível e escoltadas por notas
de Pinot Noir, cheio encontrado nas últimas notas florais, tostadas, fácil de beber e de florais, terrosas, de
de vivacidade, texturas safras, mostra frutas de ervas secas e de agradar, em que as couro e de ervas secas.
e muita acidez. Um vermelhas e negras especiarias doces, frutas vermelhas e No palato, chama
vinho vibrante e cheio envoltas por notas que se confirmam negras crocantes estão atenção pela acidez
de tensão que mostra florais, de ervas e de na boca. Sua acidez acompanhadas de notas vibrante, pelos taninos
a Pinot sem disfarces, especiarias doces. refrescante e os de violeta, de ervas firmes e de grãos finos
um suco de morangos Frutado e de bom taninos firmes trazem frescas e de especiarias. e pelo final suculento e
e cerejas com toques corpo, tem taninos de certa sustentação Tem bom corpo, acidez persistente, com toques
terrosos e herbáceos. grãos finos, refrescante ao conjunto. Álcool na medida e taninos de cerejas e de tabaco.
Álcool 13% EM acidez e final suculento 13,9%. EM de ótima textura, que Álcool 13.5%. EM
e agradável, com toques pedem a companhia
terrosos e de ameixas. de picanha na brasa.
Álcool 14,5%. EM Álcool 14,3%. EM

94 ADEGA >> Edição 174


>>

AD 92 pontos AD 89 pontos AD 93 pontos


G.D. VAJRA LANGHE I CORALI VETVNNA IL BORRO PIAN DI NOVA
ROSSO 2016 SANGIOVESE 2017 SYRAH SANGIOVESE 2014
G.D. Vajra, Piemonte, Cantine Bettona, Tenuta Il Borro, Toscana,
Itália (Domno R$ 231). Úmbria, Itália (World Itália (Épice R$ 308).
Tinto composto de Wine R$ 98). Tinto Aqui Syrah e Sangiovese
uvas Dolcetto, Freisa, 100% Sangiovese, traz nascem, são criadas
Albarossa, Nebbiolo, coloração rubi intenso separadas e vão se unir
Barbera e Pinot Noir, com reflexos violáceos apenas após seis meses de
com estágio de 10 e corpo médio. Abre estágio em barricas usadas.
meses de 5% do vinho as propriedades Exuberante combinação
em botti de carvalho aromáticas com frutas das especiarias, frutas
do leste europeu. vermelhas maduras e maduras e da terra,
Gastronômico e gostoso especiarias doces. No com as duas primeiras
de beber, esbanja paladar, demonstra seu protagonizando no nariz
frutas vermelhas como potencial gastronômico, e a terceira revelando
cerejas e morangos com presença marcante seu poder no palato,
acompanhadas de de taninos redondos, com grande estrutura.
notas florais, de ervas boa acidez, fruta e Com o tempo em taça,
e de especiarias doces. toques terrosos. Álcool o nariz vai ficando cada
Fresco e cheio de 13,5%. FGK mais elegante. Em boca,
vivacidade, tem ótima revela taninos fortes
acidez, taninos firmes e elegantes, e acidez
e de grãos finos e final vibrante. Os 12 meses de
médio e agradável, estágio em barricas de
com toques frutados, carvalho usadas ajudam a
terrosos e de tabaco. alicerçar este vinho, que,
Álcool 13,5%. EM com cinco anos e muitos
pela frente vai encantar
os amantes de vinhos
estruturados e capazes de
vencer o tempo, mas que
estão provocativos hoje. O
fim de boca revela flor e
pimenta verde. CB
AD 90 pontos AD 92 pontos AD 89 pontos AD 94 pontos AD 89 pontos
KALFU MOLU LA BELLA SEDÀRA 2016 LE CASINE MONTEPULCIANO MAISON LES ALEXANDRINS MARQUÉS DE ALDAZ
PINOT NOIR 2017 Donnafugata, Sicília, D’ABRUZZO 2017 HERMITAGE 2014 TINTO 2017
Kalfu, Casablanca, Itália (World Wine R$ Castellani, Toscana, Maison Les Vega del Castillo,
Chile (Cantu R$ 67). 154). Tinto composto Itália (Cantu R$ Alexandrins, Rhône, Navarra, Espanha
Rubi com reflexos de Nero d’Avola, 80). Tinto composto França (World Wine R$ (Vinci US$ 16). Tinto
violáceos e corpo Merlot, Cabernet majoritariamente 707). Tinto elaborado composto a partir
leve. Esse tinto 100% Sauvignon, Syrah e a partir de exclusivamente a de 35% Garnacha,
Pinot Noir tem 15% outras uvas permitidas Montepulciano, com partir de Syrah, 35% Tempranillo
de estágio em barricas na região, sem breve passagem por com estágio de 15 e 30% Merlot, sem
de carvalho francês, passagem por madeira, carvalho. Cheio de meses em barricas passagem por madeira.
enquanto os outros mas com estágio frutas vermelhas de carvalho francês, Sedutor e gostoso de
85% se mantiveram de nove meses em e negras maduras sendo 30% novas. beber, esbanja frutas
em tanques de aço tanques de cimento. envoltas por notas Potente e encorpado, vermelhas e negras
inoxidável, pelo mesmo Pura fruta vermelha florais, terrosas e apresenta frutas negras acompanhadas de
período. Traz notas de madura envolta por de ervas, que se deliciosamente frescas, notas florais, de ervas
cereja fresca, framboesa notas especiadas, florais confirmam no palato. como cassis e ameixas, e de especiarias doces.
e nuances herbáceas. e terrosas. De médio Carnudo, tem taninos envoltas por notas Fluido e de corpo
Na boca, é suave e corpo, tem taninos de de boa textura e florais, defumadas, médio, tem ótima
refrescante. Revela ótima textura, gostosa refrescantes, que de ervas secas e de acidez, taninos de
presença de madeira, acidez e final fluido trazem equilíbrio especiarias picantes. boa textura e final
bem equilibrada com e agradável, com e sustentação ao Ainda jovem, tem também médio, com
o frescor de sua acidez, toques de cerejas, conjunto. Para massas gostosa acidez, taninos toques terrosos e de
dos taninos macios, da que convidam a uma ao molho de linguiça. firmes e de ótima ameixas, que pedem
boa persistência e do segunda taça. Álcool Álcool 13%. EM textura e final cheio a companhia de
final frutado. Álcool 13%. EM e longo, com toques embutidos em geral.
13%. FGK terrosos, de grafite e de Álcool 13,5%. EM
alcaçuz. Álcool 13%.
EM

96 ADEGA >> Edição 174


>>

AD 89 pontos AD 90 pontos AD 90 pontos AD 92 pontos AD 92 pontos


MAYOR DE CASTILLA MILLAMAN LIMITED RESERVE MONTE DA CASTA 2016 NEXUS CRIANZA 2011 NORTON PRIVADO 2015
TEMPRANILLO 2018 MALBEC 2017 Quinta da Lagoalva de Bodegas Nexus, Norton, Mendoza,
Mayor de Castilla, Millaman, Curicó, Cima, Tejo, Portugal Ribera del Duero, Argentina (Winebrands
Ribera del Duero, Chile (Adega (Mistral US$ 27). Espanha (Domno R$ R$ 208). O experiente
Espanha (Adega Alentejana R$ 139). Tinto composto de 260). Tinto elaborado e simpático enólogo-
Alentejana R$ 69). Tinto elaborado Castelão, Touriga exclusivamente a partir chefe David Bonomi
Tinto elaborado exclusivamente a Nacional e outras, de Tempranillo, com é o responsável por
exclusivamente a partir de Malbec, com estágio de 50% estágio de 12 meses em elaborar este tinto
partir de Tempranillo, com estágio de 12 do vinho em barricas barricas de carvalho composto de 40%
com breve estágio em meses em barricas de de carvalho português francês. Encorpado e Malbec, 30% Merlot
barricas de carvalho carvalho francês. Bem e francês. Sempre de ótimo corpo, mostra e 30% Cabernet
francês e americano. feito nesse estilo mais consistente, nessa profusão de frutas Sauvignon, com
Bem feito nesse estilo encorpado e de fruta safra esbanja frutas vermelhas maduras estágio de 16 meses em
de frutas negras mais vermelha e negra mais vermelhas e negras, acompanhadas de barricas de carvalho
maduras, aqui bem madura, com acidez lembrando amoras, notas florais, tostadas francês. Apresenta
equilibradas por refrescante e taninos ameixas e framboesas, e de especiarias doces. aromas de frutas
taninos firmes e acidez firmes tendo papel além de toques No palato, tem acidez vermelhas e negras
refrescante. As notas importante para aportar florais, herbáceos e de refrescante, taninos acompanhados de
especiadas, florais, equilíbrio ao conjunto. especiarias. Gostoso de boa textura e final notas florais, especiadas
terrosas e de ervas secas As notas florais, de de beber e de corpo persistente e carnudo, e tostadas, além de
dão o toque final de ervas, de especiarias e médio, tem acidez com toques terrosos, toques de ervas e
complexidade, num de eucalipto aportam refrescante, taninos de cerejas e de tabaco. de tabaco. Fluido,
vinho sedutor e fácil complexidade. Álcool aveludados e final Álcool 13,6%. EM carnudo e gostoso,
de agradar, que pede a 14%. EM cativante, com toques bebe-se incrivelmente
companhia de carnes terrosos e frutados. fácil, com a virtude
ensopadas. Álcool 13%. Álcool 14%. EM de aparentar menos
EM complexidade do que
realmente tem. Álcool
14%. EM

Edição 174 >> ADEGA 97


EVENTOS

ALMOÇO STEFANO ALMOÇO STEFANO


CAPURSO - DIEVOLE CAPURSO - DIEVOLE
AD 93 pontos AD 89 pontos AD 88 pontos
QUINTA DO MONTE D’OIRO REAL COMPAÑIA DE VINOS SANGRE DE TORO AD 92 pontos AD 93 pontos
RESERVA 2013 TEMPRANILLO 2016 ORIGINAL 2017 DIEVOLE CHIANTI CLASSICO DIEVOLE NOVECENTO
Quinta do Monte Real Compañia de Torres, Catalunha, 2015 CHIANTI CLASSICO
D’Oiro, Lisboa, Vinos, Castilla y León, Espanha (Pão de Dievole, Toscana, RISERVA 2015
Portugal (Mistral US$ Espanha (Winebrands Açúcar R$ 49). Itália (World Wine R$ Dievole, Toscana, Itália
117). Tinto composto R$ 66). Tinto elaborado Tinto composto 208). Tinto composto (World Wine R$ 344).
a partir de 95% exclusivamente a partir majoritariamente a de 90% Sangiovese, Tinto composto a partir
Syrah e 5% Viognier, de uvas Tempranillo, partir de Garnacha e 6% Canaiolo e 4% de 95% Sangiovese,
cofermentados e com sem passagem por Cariñena, com breve Colorino, fermentado 3% Canaiolo e 2%
estágio de 18 meses madeira. Frutado, passagem por carvalho. sem leveduras Colorino, fermentado
em barricas novas mostra amoras e uvas Mostra frutas vermelhas adicionadas e com sem leveduras
de carvalho francês. passas, boa textura de e negras de perfil mais estágio de 14 meses adicionadas e com
Impressiona pelo taninos doces e bem maduro acompanhadas em botti de carvalho estágio de 18 meses
equilíbrio do conjunto equilibrado, além de de notas florais, sem tosta. Fluido em botti de carvalho
e pelos taninos tensos um ligeiro toque a tostadas, de ervas e e gostoso de beber, francês sem tosta.
e de fina textura. cacau. Tudo no lugar, de especiarias doces, chama atenção pela Tenso e vibrante,
Mostra profusão de num vinho alegre e que se confirmam no vibrante acidez, pelos mostra notas florais, de
frutas lembrando suculento, que irá palato. De médio corpo taninos firmes e finos e ervas e de especiarias
amoras e ameixas, muito bem com massas e fácil de agradar, pelo final persistente, envolvendo toda sua
acompanhadas de ao molho de tomate. tem taninos macios, com toques terrosos, fruta vermelha fresca,
notas florais, de ervas Álcool 14%. CB acidez na medida e de cerejas e de ervas lembrando groselhas,
secas, de especiarias final carnudo, que frescas, que pede a que se confirmam
picantes e de tabaco, pede a companhia companhia de massas na boca. No palato,
tudo sustentado por de embutidos. Álcool ao molho de tomate. tem taninos firmes e
refrescante acidez, 13,5%. EM Álcool 13,5%. EM de grãos finos, acidez
que confere fluidez refrescante e final
ao vinho. Tem final persistente e profundo,
refinado e persistente, com toques terrosos,
com toques de alcaçuz de cerejas e de tabaco.
e de charcutaria. Álcool Álcool 14%. EM
13,5%. EM

98 ADEGA >> Edição 174


INFORMATIVO Benefícios para
associados ativos
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de vinho da América do Sul para o lançamento do Guia Descorchados.
da importadora Winebrands.
Antevendo que a crise do Coronavírus poderia escalar, pensamos na saúde
de nossos amigos, parceiros e clientes e prorrogamos o lançamento para
11 de agosto em São Paulo. Entretanto, você não vai precisar esperar • 20% de desconto para
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até lá para conhecer o resultado de nossa degustação de mais de 4.000
no site da vinícola Salton.
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para estarmos unidos, mesmo à distância, neste mês de abril vamos R$ 100,00.
organizar alguns happy hours com vinho on-line, para degustarmos, trocar Desconto na compra de
conhecimentos e histórias. Você receberá nosso convite e espero que Coravin e suas cápsulas.
possamos nos encontrar. Compra de um vinho extra,
sem frete adicional, com
Aliás, a taça de vinho em família se tornou um ritual a cada noite. A hora de entrega junto à seu kit.
agradecer pelo dia e recarregar as energias para o dia seguinte. É também
o momento de pensar nas pessoas que mais amamos e que não estão
• Associados ativos por 6
ƼWMGEQIRXIGSRSWGS
meses ou mais, recebem
Quero aqui agradecer ao Felipe Granata, gestor da operação de nosso clube gratuitamente o Guia
e e-commerce, que, junto comigo, é a única pessoa da equipe que não está Descorchados e o Guia
XVEFEPLERHSIQLSQISƾGI)WXEQSWXVEFEPLERHSNYRXSWEXIRHIRHSXSHSW ADEGA Vinhos do Brasil, em
seus meses de lançamento.
os padrões de segurança, para manter em funcionamento a logística do
clube e de nosso e-commerce. Confesso que o almoço e a conversa diária • Associados ativos tem
com ele se tornaram tão prazerosos como os grandes almoços e jantares 50% de desconto na compra
do Guia Descorchados e o
GSQTVSHYXSVIWUYIƼGEVEQJSVEHEVSXMRE7IRXMQSWUYIGEHEGEM\EHI
Guia ADEGA Vinhos do Brasil.
vinho que enviamos a vocês vale a pena, imaginando que se converterão
em momentos de felicidade e de união em sua casa.
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GUIA DE VINHOS
DA Argentina, Brasil,

CHILE E URUGUAI
P A T R I C I O T A P I A
Guia Descorchados em São
Paulo e Rio de Janeiro.
A UNIFICAÇÃO
Neste mês você encontra clássicos do Velho Mundo, que podem DA ITÁLIA
ser apreciados agora, mas também nos próximos 10 anos. Da Camillo Benso,
região do Douro, em Portugal, conseguimos trazer o segundo Conde de Cavour,
rótulo da joint-venture de duas das mais tradicionais famílias foi quem colocou
do mundo do vinho, os Roquette e os Cazes. Do Piemonte, Barolo no mapa,
pinçamos um Barolo, com toda sua classe e longevidade. ao mudar a forma
como se produziam
GIANNI GAGLIARDO
os Nebbiolo locais
BAROLO SUOI 2015
Gianni Gagliardo, por volta de 1830.
Piemonte, Itália (World Ele ainda foi
Wine R$ 389). personagem
Tinto elaborado AD central na
exclusivamente a partir
de Nebbiolo, com estágio 93pts
unificação
da Itália.
de 24 meses em tonéis
de carvalho e mais
12 meses em garrafa.
Mostra notas terrosas,
de ervas secas e de
especiarias envolvendo
toda sua fruta vermelha, AD
lembrando cerejas e
groselhas. No palato,
ʣIWXVYXYVEHSIƼVQI
93
pts

tem acidez refrescante, ROQUETTE & CAZES 2015


taninos granulados e Roquette & Cazes, Douro,
HIʬXMQEXI\XYVEIƼREP Portugal (Qualimpor R$ 365).
complexo e profundo, A cor praticamente violácea,
GSQXSUYIWƽSVEMWHI SƽSVEP ZMSPIXEW MRXIRWSI
tabaco, de chá preto e de uma agradável nota balsâmica
rosas. Álcool 14%. EM IYGEPMTXS VIƽIXIQXERXSE
juventude como a complexidade
que o vinho oferece. Frutas
WMPZIWXVIW EQSVEWJVEQFSIWEW 
e notas que remetem a fumo
IGEJʣGSQTPIXEQSTIVƼP
aromático. Na boca, destacam-
WISWXERMRSWQYMXSƼRSWI
bem integrados, sobretudo para
um vinho ainda muito jovem.
Frutado, com ótima acidez e
frescor e álcool perfeitamente
equilibrado oferecem um
conjunto em que a elegância
deixa a potência em segundo
VINHAS VELHAS plano. Obrigatório “aerar”, se
A Quinta do Crasto é uma das mais antigas for bebido agora, mas ainda
e tradicionais propriedades do Douro, tendo está no início de sua “janela” de
vinhedos com mais de um século. Dessas vinhas consumo, que pode se prolongar
saem alguns dos melhores tintos de Portugal, como por pelo menos mais cinco ou
o Xisto, o Vinha Maria Teresa e o Vinha da Ponte. seis anos. Álcool 14,5%. GV
CUNE CRIANZA 2015
CVNE, Rioja, Espanha
DIEVOLE CHIANTI
(Vinci R$ 196).
Reconhecidamente um CLÁSSICO 2015
Dievole, Toscana, Itália
dos melhores produtores No Platinum, uma seleção clássica do Velho Mundo.
(World Wine R$ 208).
da Rioja, a Cia. Vinícola del Da Espanha, escolhemos um tradicional tinto de Rioja, Tinto composto de
Norte de España - CVNE - majoritariamente elaborado a partir de Tempranillo. Dali, 90% Sangiovese, 6%
elabora este tinto a partir partimos para a Itália, de onde vem um gastronômico e frutado Canaiolo e 4% Colorino,
de 85% Tempranillo e 15% Sangiovese, ideal para escoltar massas e embutidos. Terminamos fermentado sem
entre Mazuelo, Garnacha nossa jornada na França, onde elegemos um Syrah de respeito, leveduras adicionadas
e Graciano, com estágio advindo de um vinhedo específico em Crozes-Hermitage. e com estágio de 14
de 12 meses em barricas
meses em botti de
de carvalho americano.
carvalho sem tosta.
Mostra frutas vermelhas
Fluido e gostoso de
e negras envoltas por
beber, chama atenção
RSXEWXIVVSWEWƽSVEMWHI
pela vibrante acidez,
especiarias e de ervas AD TIPSWXERMRSWƼVQIW
WIGEWUYIWIGSRƼVQEQ
no palato. Estruturado e de
bom volume de boca, tem
92
pts
IƼRSWITIPSƼREP
persistente, com toques
terrosos, de cerejas e
refrescante acidez, taninos
de ervas frescas, que
EZIPYHEHSWIƼREPGLIMSI
pedem a companhia de
persistente, com toques
massas ao molho de
de couro, de baunilha e de
tomate. Álcool 13,5%. EM
cerejas. Álcool 13,5%. EM
AD

92pts

AD

92pts
FERRATON LA
MATINIÈRE CROZES-
HERMITAGE 2017
Ferraton Père & Fils, Rhône,
França (Cantu R$ 196).
CRU
Situada na margem Tinto elaborado
esquerda do rio Rhône, exclusivamente a partir
Crozes-Hermitage de Syrah, com estágio de
está entre os mais 12 meses em barricas de
prestigiados crus do carvalho francês. Carnudo e
sul da França estruturado, esbanja frutas
negras lembrando cassis
e ameixas, acompanhadas
HIRSXEWƽSVEMWHIIVZEW
e de especiarias picantes,
UYIWIGSRƼVQEQRS
GALO NERO palato. Tem boa acidez,
Símbolo de Chianti, o galo negro teria sido XERMRSWƼVQIWIHIKVʝSW
decisivo numa lendária disputa entre Firenze e ƼRSWIƼREPGEXMZERXII
Siena na demarcação de seus territórios. Para persistente, com toques
WEFIVQEMWEGIWWILXXTWVIZMWXEEHIKEYSPGSQ defumados, terrosos e de
FVEVXMKSGLMERXMIPIRHEHSKEPSRIKVSCLXQP alcaçuz. Álcool 13%. EM
BE AD
LU
C

GRAN
GOLD

De Beaujolais, na França, vem um cativante Gamay, que vai


surpreender pelo seu frescor e nitidez de fruta. Dali, partimos
para a não menos famosa região de Penedès, na Espanha, onde
pinçamos um inusitado e ótimo blend de Tempranillo, Cabernet
Sauvignon, Merlot, Sumoll e Syrah.

JANÉ VENTURA NEGRE AD


SELECCIÓ 2013
Jané Ventura, Penedès,
Espanha (Mistral R$ 177).
91pts
Tinto composto de 40% AD LE RONSAY 2014
Tempranillo, 20% Cabernet
Sauvignon, 20% Merlot, 91
pts
Jean-Paul Brun, Beaujolais,
França (PNR Group R$
176).
10% Sumoll e 10% Syrah,
com estágio de 10 meses Elaborado com a casta
em barricas de carvalho Gamay e com passagem
francês de primeiro, por tanques de cimento por
segundo e terceiro usos. 12 meses. De coloração
Mostra ameixas e amoras rubi meio âmbar, levemente
acompanhadas de notas translúcido, mostra aromas
ƽSVEMWHIIVZEWJVIWGEW de frutas vermelhas
e de especiarias doces. em compota e notas
Suculento e estruturado, levemente especiadas.
tem taninos de ótima Na boca, sua elegância e
textura e acidez vibrante, acidez vêm acompanhadas
que trazem equilíbrio a de leve picância, lembrando
XSHEWYEJVYXE8IQƼREP pimentas negras e ervas.
cheio e persistente, com Álcool 12%. CM
toques terrosos, de couro
e de alcaçuz. Álcool 13,5%.
EM

CATALÃO
SEM PRECONCEITO A região de
Apesar da má fama adquirida Penedès, localizada
pela Gamay, fruto dos Beaujolais na Catalunha, é
Nouveau que invadiam nosso considerada uma
mercado em meados dos anos 1990 das mais antigas
e 2000, essa cepa, quando bem regiões vinícolas da
vinificada, dá vinhos frutados, Espanha e berço
suculentos e muito gostosos de de ótimos brancos,
beber. Prove e comprove! tintos e espumantes.
ADE
GA

Verdadeiras descobertas. Do Languedoc-Roussillon, na Neste mês, selecionamos um branco de variedade muito


França, um blend de perfil fresco e gastronômico. De tradicional e difundida mundo afora e outros dois de
Mendoza, na Argentina, um Malbec em pureza, elaborado cepas menos conhecidas. Um 100% Chardonnay cheio de
por Matías Riccitelli, um dos melhores enólogos argentinos da tipicidade. Um versátil blend de Encruzado e Malvasia Fina e
nova geração. De Cauquenes, um blend de vinhas velhas. um 100% Pecorino, casta autóctone de Abruzzo na Itália.

CLOS DES FOUS TENUTA ULISSE


AD MOULIN DE GASSAC PECORINO 2018 AD
CAUQUENINA BLEND
92 CLASSIC ROUGE
C Tenuta Ulisse, Abruzzo, 91
2015 pts
2016
2 Itália (Domno R$ 129).
pts
Clos des Fous,
Mas de Daumas Feito com a casta
Cauquenes, Chile (World
Wine R$ 134).
Gassac, Languedoc- Pecorino, mostra MORGADO DE
Roussillon, França frutas de caroço SILGUEIROS
Carignan, Syrah, Malbec,
(Mistral R$ 105). acompanhadas de BRANCO 2018
País, Carménère e Touriga
45% Syrah, 30% notas de ervas frescas, Morgado de
Nacional. Transborda
Carignan, 15% HIƽSVIWIHI Silgueiros, Dão,
tensão e vivacidade,
Mourvèdre e 10% especiarias. Portugal (La
tudo em meio a muita
Grenache. Puro 8I\XYVEƼVQII Pastina R$ 54).
fruta vermelha e negra,
suco de ameixas
su cremosa, acidez Encruzado e
vibrante acidez e
eaamoras refrescante e Malvasia
Ma Fina.
XERMRSWƼVQIWI HI
acompanhadas ƼREPWIHYXSV Mo ostra frutas
KVʝSWƼRSW8IQ ƼRE EP AD
H
HI RSXEWƽSVEMW com toques braancas e de
profundo e sedutor. AD
d
de ervas e de salinos e 90 caroço seguidas
EM AD

91 90pts e
especiarias cítricos. EM
pts

HI RSXEWƽSVEMW
ORCHAD

HEY MALBEC
pts d
doces. Carnudo SC
dee ervas e de

OS
DE
e fácil de ANAKENA 90
2018 e sp
peciarias
agradar, TAMA pts AD
picantes.
Riccitelli Wines,
Mendoza, tem acidez VINEYARD 89
pts R
Refrescante
Argentina refrescante SELECTION e fácil de
(Winebrands R$ e taninos CHARDONNAY entender, tem
111). aveludados. 2017 ótima acidez,
Uma das EM Anakena, gostosa
melhores Leyda, Chile XI\XYVEIƼREP
versões desse (Winebrands R$ agradável,
ZMRLSƽYMHS 102). com toques
e gostoso de De boa salinos e
beber. Esbanja tipicidade, cítricos. EM
ameixas frescas mostra frutas
acompanhadas tropicais e de caroço
de notas acompanhadas de
de violeta, de RSXEWƽSVEMWXSWXEHEW
especiarias e de ervas, e de especiarias doces.
tudo sustentado por acidez Tem acidez refrescante,
ZMFVERXIXERMRSWXIRWSWIƼREP bom volume de boca,
GEXMZERXIGSQXSUYIWƽSVEMWI XI\XYVEGVIQSWEIƼREP
de amoras. EM cheio e agradável, com
toques de abacaxi. EM

“LOUCOS”
Você sabia que a Clos des AMIZADE
Fous tem o famoso terroir A Anakena, situada em Cachapoal, foi
hunter Pedro Parra como fundada pelos amigos Felipe Ibáñez e Jorge
um de seus sócios? Gutiérrez no final da década de 1990.
BE ADEG
LU A
C

GOLD

De Rioja, vem um Crianza, que vai encantar por sua Achados do Velho Mundo a começar pelo Languedoc, França,
versatilidade e escoltar desde embutidos até carnes vermelhas com um delicioso corte de Pinot Noir e Syrah. Depois, na
ensopadas. Em Maldonado, escolhemos um 100% Marselan, Itália, um inusitado varietal da casta Susumaniello. De Rioja,
casta que vem mostrando ótimos resultados no Uruguai. um Tempranillo ideal para escoltar embutidos em geral.

C’EST LA VIE! PINOT NOIR


R
SYRAH 2017
Albert Bichot, Languedoc-
Roussillon, França
(Winebrands R$ 89). AD T
TERRE DI SAN
Projeto no sul da França com
m
89 VINCENZO
V
a assinatura do enólogo pts SETTE SPEZIE
S
da Maison Albert Bichot, SUSUMANIELLO
S
Alain Serveau. Pinot Noir 2017
e Syrah com notas Torrevento, Puglia,
ƽSVEMWIWTIGMEHEW I Itália (La Pastina R$
de ervas envolvendo o 92).
sua fruta vermelha e Susumaniello,
negra. Refrescante a casta mais
AD
acidez, taninos emblemática da
CARLOS
90
pts
GA
ARZÓN RESERVA
EZIPYHEHSWIƼREP zona de Salento,
zo
suculento e na
a Puglia. Notas
SERRES MA
ARSELAN 2018 AD
cativante. EM
CRIANZA Bo
odega Garzón, 89 ƽS
SVEMW HIIVZEWI
de especiarias
d
2016 Maldonado, Uruguai
Ma
pts
SOLAR DE AD envolvendo
e
Carlos (W
W
World Wine R$ 128).
Serres, Rioja, 1EVWIPER JVYXS
CARRIÓN
TEMPRANILLO
89
pts
sua fruta
s
Espanha (La do cruzamento
c lembrando
Pastina R$ AD
2018 ameixas
a
ntre Cabernet
Marqués de e amoras.
122).
Tempranillo
90
pts
Sa
auvignon e
Carrión, Rioja, 8IQTIVƼP
+EVREGLE &SE
+
e Garnacha. Espanha (Adega gastronômico,
versão
v desse
Mostra Alentejana R$ tem taninos
tinto, dessa vez
cerejas e 70). aveludados,
mais madura e
groselhas Gostoso de acidez
suculenta, mas
seguidas de FIFIVIHITIVƼP refrescante,
com acidez
RSXEWƽSVEMW gastronômico, e pede a
vibrante e
tostadas, de mostra cerejas companhia
XERMRSWƼVQIW
especiarias e groselhas acompanhadas de massas
que trazem
e de ervas HIRSXEWƽSVEMWXIVVSWEWI ao molho de
certo equilíbrio
secas. Redondo, tem de ervas. Tem taninos de boa carnes. EM
ao conjunto,
taninos aveludados, textura, refrescante acidez e
XSVRERHSSƽYMHS
acidez refrescante toques de especiarias. EM
e gostoso de
com toques terrosos e beber. EM
de tabaco. EM

FIQUE DE OLHO
O Languedoc-Roussillon, que
tem área de vinhedos três vezes
CRUZAMENTO maior que a de Bordeaux, ainda
Você sabia que a Marselan, não recebe a devida atenção
obtida na França em 1961, é e respeito, apesar de produzir
fruto do cruzamento de Cabernet vinhos deliciosos de beber de
Sauvignon e Grenache? diversas variedades e estilos.
BE A E BE ADEG
LU A LU A
C C

SILVER SILVER
PLUS

Ótimas descobertas. De Abruzzo, um Montepulciano em Garimpamos um 100% Cabernet Sauvignon espanhol ideal
pureza, que vai surpreender pela nitidez de fruta e pelo frescor. para o aperitivo. Do Alentejo, um blend elaborado por Pedro
Do Chile, um delicioso e suculento Cabernet Sauvignon Baptista, o mesmo enólogo do mítico Pera Manca. Do Vale
orgânico, companhia perfeita para o churrasco. Central, escolhemos um Cabernet chileno de carteirinha.

CASA VALDUGA
ORIGEM CABERNET
SAUVIGNON 2018
AD
Casa Valduga, Vale
Central, Chile (R$ 50). 88
pts
VINEA
V CARTUXA
Elaborado no Chile sob TINTO
T 2017
supervisão da Casa F
Fundação Eugênio
Valduga. Agradável de Almeida, Alentejo,
de beber, tem taninos Portugal (Adega
de boa textura, acidez Alentejana R$ 57).
REQIHMHEIƼREP Aragonez,
frutado, que pede Trincadeira,
AD a companhia de Alicante Bouschet,
ADOBE RESERVA
A 89pts
LE CASINE pizzas ou massas Touriga Nacional
e Syrah. Mostra
CABERNET MONTEPULCIANO ao molho tipo ragu.
EM ameixas e amoras
SAUVIGNON 2018 D’ABRUZZO
D A 2017 AD
acompanhadas
Emiliana, Vale Ca astellani, Abruzzo, 88
pts HI RSXEWƽSVEMW
H
Central, Chile (La Itáália (Cantu R$ 80).
herbáceas e de
Pastina R$ 70). Ch heio de frutas I HEART especiarias doces.
Tinto orgânico. verrmelhas e negras CABERNET Versátil, pode ser
V
De boa maduras envoltas
ma SAUVIGNON servido como
tipicidade, AD T
TSV RSXEWƽSVEMW I Heart Wines, aperitivo ou na
mostra notas
especiadas e de
89
pts
tterrosas e de
ervas, que se
e
Castilla La companhia
Mancha, de carnes
ervas envolvendo GSRƼVQEQRS
GS Espanha (Cantu vermelhas
sua fruta negra, palato. Carnudo, R$ 45). mais magras
lembrando tem taninos Direto e fácil grelhadas. EM
ameixas de boa textura de gostar e
e amoras e refrescante de entender,
maduras. Tem acidez, que mostra AD
taninos de boa trazem equilíbrio
textura, acidez e sustentação ao
profusão de
frutas negras
88
pts
na medida e conjunto. Para maduras
ƼREPGSQXSUYIW massas ao molho acompanhadas de notas
mentolados. Fácil de de linguiça. EM ƽSVEMWHIIVZEWIHI
beber e de agradar. EM especiarias. De boa tipicidade,
tem acidez refrescante,
XERMRSWQEGMSWIƼREPGSQ
toques de ameixas. EM

ORGÂNICO
Fundada em 1986 por Rafael e José
CELEIRO
Guilisasti, a Viña Emiliana é adepta
Nas primeiras décadas do século XX,
da cultura orgânica e biodinâmica e
o governo queria fazer do Alentejo o
conta com a consultoria do enólogo
“celeiro” de Portugal e o vinho, na
Álvaro Espinoza, um dos maiores
época, ficou em segundo plano.
conhecedores dessas culturas no Chile.

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QUEM DISSE | para BEBER e COMENTAR

O Sacrifício do Vinho
Paris O vinho...
Contra o crepúsculo
O vinho assoma, exulta, sobreleva Uma coisa é o vinho
Muda o cristal da tarde em rubra pompa branco
Ganha som, ganha sangue, ganha seios O primeiro vinho, linfa da
Contra o crepúsculo o vinho aurora impúbere
Menstrua a tarde. Sobre a morte dos peixes.
Mas contra a noite ei-lo que se
Ah, eu quero beber do vinho em grandes levanta
haustos Varado pelas setas do poente
Eu quero os longos dedos líquidos Transverberado, o vinho...
Sobre meus olhos, eu quero E o seu sangue se espalha pelas ruas
A úmida língua... Inunda as casas, pinta os muros, fere
As serpentes do tédio; dentro
O céu da minha boca Da noite o vinho
É uma cúpula imensa para a acústica Luta como um Laocoonte
Do vinho, e seu eco de púrpura... O vinho...
O cantochão do vinho
Cresce, vermelho, entre muralhas súbitas Ah, eu quero beijar a boca moribunda
Carregado de incenso e paciência. Fechar os olhos pânicos
As sinetas litúrgicas Beber a áspera morte
Erguem a taça ardente contra a tarde Do vinho...
E o vinho, transubstanciado, bate asas
Voa para o poente Do site viniciusdemoraes.com.br

106 ADEGA >> Edição 174