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ÍNDICE

INTRODUÇÃO

2. Breve historial sobre a globalização..............................................................................4

3. Globalização: um fenômeno positivo ou negativo?.......................................................5

4. Dimensões e limites da globalização............................................................................8

4.1. Dimensão econômica..............................................................................................9

4.2. Dimensão social......................................................................................................9

4.3. Dimensão política..................................................................................................10

4.4. Dimensão ambiental e cultural..............................................................................11

5. Globalização e desenvolvimento hoje.........................................................................12

CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Obra principal

Obra complementar
3

INTRODUÇÃO

Em cumprimento da unidade temática que versa sobre “Globalização e


Identidade Social”, nasce o tema; Globalização e sociedades hodiernas como proposta
de pesquisa para o presente ensaio. A escolha do tema, alia-se a tentativa de
desvendar o mistério subjacente no conceito globalização, uma vez que sua definição é
alvo de diversificados debates, não obstante, sua origem também. Sendo que o
ocidente clama pela paternidade genuína, esquecendo-se do oriente e do resto mundo.
Prende-se ainda a pesquisa, na clarificação da frequente visão da globalização na
esfera da negatividade, ignorando-se a deficiência na distribuição dos bens gerados
pelo processo.

Como proposto, a globalização caracteriza-se pela complexidade de abordagem.


Assim, surge como problema de pesquisa: Sob que perspectivas pode se julgar a
globalização e seu impacto nas sociedades hodiernas, tendo em conta a diversidade
na sua abordagem?

Sob ponto de vista geral, o trabalho tem como objectivo: reflectir sobre o debate
que emerge em torno da globalização e suas consequências para as sociedades
actuais. Do ponto de vista específico: I. Apresentar o quadro histórico da globalização;
II. Analisar o fenômeno globalização sob esfera da positividade e negatividade; III.
Definir os limites e dimensões da globalização; IV. Identificar a importância da
globalização para o desenvolvimento das sociedades hodiernas .

Na perspectiva de Sen e Kliksberg (2010: 17), a globalização é um fenômeno


resultante da raiz mundial e geradora de oportunidades para todas sociedades. Não
sendo, no entanto, exclusivamente ocidental ou oriental e nem uma maldição.
Kassotche (1999: 35) advoga que qualquer debate sobre o fenômeno globalização,
deve começar pela sua definição e seu aparato histórico, pois quem ignora esse
processo está condenado ao fracasso nesse século.
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A pesquisa do tema é essencialmente fundamentada pela pesquisa bibliográfica


e técnica de análise e interpretação de textos relacionados com o tema. No que diz
respeito a estrutura, o trabalho segue a ordem proposta nos objectivos específicos.
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2. Breve historial sobre a globalização1

O fenómeno globalização é caracterizado por grandes mudanças históricas da


humanidade, importa referir que a tendência direcionada a ampliação dos diversos
horizontes humanos é muito antiga, existindo desde os primórdios da humanidade,
quando o homem passou a deslocar-se fora da sua região natural, porém, este atinge o
seu ápice no início do século XX com o avanço irreversível das tecnologias, que
aumentando a velocidade, diminuíram os espaços, criando desta forma uma
aproximação sem precedentes entre culturas e economias de diferentes pontos do
globo. Foram múltiplas forças envolvendo aspectos de origem diferente dentre as
quais: políticas, económicas e sociais que impulsionaram o mundo a uma nova
direcção da globalização nos últimos anos.

Nas palavras de Ngoenha (2013: 113) a globalização hodierna está ligada a


subida do neoliberalismo e o vector principal são os organismos internacionais como o
Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM), a Organização das
Nações Unidas (UNU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC), esta
complexidade de instituições supranacionais voltadas para o estabelecimento e a
renovação de acordos de cooperação internacional, culminaram na subordinação do
Estado à economia que este processo comporta.

O fenómeno globalização constitui um momento de grande viragem do mundo


moderno, tornando-se um marco referencial da emergência deste novo século, desta
forma, a globalização conduz ao delineamento de uma crescente complexidade das
relações intercontinentais. É nesta perspectiva que Giddens (2000: 9) afirma que
vivemos num mundo de grandes transformações que afectam tudo o que fazemos e
que independentemente da sua beneficência ou maleficência, estamos condenados a

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Trata-se de um fenômeno que tem sido alvo de vários debates actualmente devido a sua emergência
no século XX, aliás, é nesta mesma época que o termo “Globalização” é introduzida no dicionário (Cfr.:
Barbosa, p. 20).
Kassotche (1999: 18) afirma que qualquer discursão sobre esse fenômeno deve começar pela
desconstrução do termo. Frisa o autor que na sua origem, o termo aparece como um simples “slogan”
(durante a década de 1980 nas escolas de administração dos Estados Unidos de América) de macro
corporações, sendo mais tarde associado ao carácter financeiro. Essa divergência de concepções, é
segundo o autor o que dificulta o estabelecimento de uma definição rigorosa sobre o fenômeno.
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uma aldeia global e que mesmo sem compreendê-la na sua totalidade as suas
consequências já se fazem sentir em todos nós.

A globalização do mundo acentua-se como um dos mais significativos


acontecimentos pluridimensionais do mundo nas últimas décadas. Muitas têm sido as
divergências sobre os factores 2 que ditaram o surgimento deste fenómeno e o seu
respectivo espaço geográfico, Sen e Kliksberg (2010: 17) apontam para duas vertentes
opostas, o Oriente e o Ocidente. Afirmam os autores que a globalização é
frequentemente vista como uma Ocidentalização globalizada na medida em que o
ocidente considera este fenómeno uma civilização própria, que se expandiu pelo
mundo, recorrendo aos grandes desenvolvimentos mundiais que aconteceram na
Europa como o renascimento, revolução industrial. etc.

Em contrapartida, o Oriente considera esse fenómeno numa direcção oposta


ao ocidentalismo, argumentando que muitos avanços tiveram a sua origem no Oriente,
dos quais as noções Matemáticas que exerceram um papel fundamental a nível
mundial e a revolução científica que ajudou a transformar até a própria Europa e
podem ser referidos muitos outros acontecimentos que tiveram seus alicerces no
Oriente. O autor procura desta forma, ilustrar que a globalização não é exclusivamente
do Oriente nem do Ocidente, mas sim um fenómeno que implica uma mudança
histórica planetária.

3. Globalização: um fenômeno positivo ou negativo?

Ao analisar a globalização sob ponto de vista dos teóricos à favor e opositores


dela, pode se perceber segundo Sen e Kliksberg que ela faz referência à
ocidentalização do mundo, ou seja, a reconstrução do mundo partindo dos padrões
ocidentais. Em suas palavras: “Os que tem uma visão optimista da globalização a
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Muitos autores divergem na tentativa de inserir a globalização no contexto histórico, não obstante,
identificar os factores que influenciaram a sua origem. Fukuyama na sua obra O fim da História e o
Ultimo Homem afirma que a globalização nasce no período pós-guerra fria, e principalmente com a
queda do murro de Berlim, facto este, que colocou a maior parte do mundo a merecer do capitalismo.
Kassotche (1999: 28), por sua vez, defende que a Conferência de Berlim foi o factor determinante para a
emergência da globalização, apontando desta forma, as características que a definiram desde a sua
origem: I. Mercado global; II. Difusão da tecnologia; III. Expansão financeira.
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consideram uma contribuição maravilhosa da civilização ocidental para o mundo” (SEN


e KLIKSBERG, 2010: 17). A partir dessa abordagem, os teóricos a favor da
globalização advogam que com o renascimento, o iluminismo, a revolução industrial,
etc., a Europa imprimiu a sua forma para o resto do mundo. Trata-se, portanto, de uma
conexão entre as estruturas econômicas e políticas do mundo, bem como a
emergência de uma cultura global que tende as mesmas práticas, sendo, no entanto, a
Europa a gênese desses eventos.

Na mesma ordem de ideias, argumenta Kassotche (1999: 35) que mais do que
políticas e universalização de culturas, a liberação da tecnologia e do mercado são
factores a ter em conta no concernente a globalização, pois a alicerçam permitindo com
que as operações corporativas sejam mais eficientes e sistemáticas na disponibilidade
e partilha de informação – Internet. Todavia, frisa Kassotche (Ibidem) que os opositores
entendem a globalização como o aniquilamento de sistemas governamentais a partir da
incapacidade de administrar a economia interna, não obstante, destrói as culturas
internas em prol da universal, sendo ela muitas vezes oriunda do ocidente, fundando
assim o imperialismo ocidental.

Em contraposição, Sen e Kliksberg (1999: 18) afirmam que: “... a globalização


[...] ela nem é nova nem necessariamente ocidental, e não é nenhuma maldição”. Para
os autores, a globalização ao longo dos anos tem contribuído para o desenvolvimento
do mundo por meio do comércio, propagação de conhecimento e do saber, edificando
assim a ideia da globalização como sendo a descentralização e propagação do
conhecimento; das descobertas científicas; das tecnologias e da economia pelo mundo,
ou seja, uma interação entre todas as nações do mundo em todas áreas de saber.

Ao sustentar a tese da globalização como um contributo directo ou indirecto de


todos países, parece ser ridículo ou contraditório firmá-la como uma “invenção” só
ocidental, ou credibilizar somente a Europa e a América do Norte. Nessa ordem,
invocam-nos Sen e Kliksberg (Ibidem) a olhar a globalização como um produto de
equações mundiais. Como forma de solidificar a tese da globalização como um
contributo mundial, afirmam os autores que: “... resistir a globalização [...] porque ela
leva a temível ocidentalização [...] incita tendências provincianas e solapa
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possibilidades de objectividade na ciência e no conhecimento” (Ibidem). Os autores


consideram essa decisão ignóbil do ponto de vista prático, dado a inúmeros benefícios
para o mundo inteiro com esse processo. Fica claro que segundo os autores, não é
admissível a sua rejeição, pois equivale a tirar a objectividade da ciência, ou até
mesmo negar a existência do saber progressivo noutros cantos do mundo. Na
esperança de enfatizar a sua abordagem, os autores põem-nos a reflectir no que teria
sido do mundo se Europa tivesse resistido às influências do oriente. Em suas palavras:
“...seria um erro grave e custoso, da mesma forma que o teria sido se a Europa tivesse
resistido à influência oriental no início do milênio passado” (SEN e KLIKSBERG, 2010:
22).

Assim, parece correcto a partir daqui, relacionar a globalização ao


desenvolvimento e a erradicação das divergências econômicas no mundo. Embora os
autores reconheçam a dificuldade dessa tarefa, consideram graciosas as vantagens
tecnológicas, o intercâmbio internacional e a emergência do que Karl Popper chamou –
Sociedade Aberta. Apesar dos possíveis benefícios, os teóricos contra a globalização,
consideram-na inútil e, que só é exequível nos países desenvolvidos devido as
notáveis discrepâncias econômicas entre os países dos três (3) mundos. Assim, a
globalização é um fenômeno visto negativamente na medida em que é tida por seus
opositores, como exclusivo dos países desenvolvidos e barrando fronteiras com os
carenciados.

Sen e Kliksberg (Idem, p. 26) afirmam que as questões levantadas pelos


oponentes da globalização não devem ser ignoradas, todavia advogam que os
benefícios desse fenômeno são notáveis até para os menos favorecidos, isto é, para os
autores não se pode ignorar o lado injusto da globalização, mas frisam a importância
dela que supera o injusto, pois sustentam que a partir dos contactos globais todos
saem beneficiados. É a partir dessa análise que os autores edificam a hipótese da
problemática na distribuição dos benefícios. Ou seja, o problema não deve ser limitado
à globalização, deve-se também analisar os aspectos econômicos: quais
procedimentos a considerar para tornar os benefícios da globalização equitativos? Em
suas palavras: “O ponto central da controvérsia não é a globalização em si [...], mas a
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desigualdade no equilíbrio geral dos arranjos institucionais – que produz uma divisão
muito desigual dos benefícios da globalização”. (Ibidem). Assim, fica claro que na
perspectiva dos autores, a globalização, embora esteja munida de malefícios, ela
representa um ganho maioritário para toda a humanidade. Ademais, os autores
descredibilizam as teses contra a globalização, reduzindo-as meramente a problemas
econômicos.

4. Dimensões e limites da globalização

A partir das abordagens de Sen e Kliksberg que nos conduzem a olhar a


globalização como um fenômeno oriundo da raiz mundial, dissipa-se aquela que nos
conduz à um olhar particular, ou seja, a globalização como “filha” do ocidente. Todavia,
não pretendemos com essa introdução encerrar o debate sobre a origem da
globalização e seus fundamentos, muito pelo contrário, importa-nos somente
esclarecer que o âmago do debate não é a busca pela melhor definição da
globalização, mas que a partir do título em alusão é sumarizar e equacionar os limites
da globalização, pois como já se fez referência, ela não constitui um ponto final, tem
também suas lacunas.

Na tentativa de subsidiar os limites da globalização, Barbosa (2003: 18), parte


do pressuposto do isolamento, ou seja, existe uma possibilidade de regressão dentro
da globalização (além de progressão) que se assenta se “vários países decidirem se
insolar dentro de suas fronteiras geográficas, no momento em que sentem suas
economias, sociedades, e culturas ameaçadas” (Ibidem). Para o autor a existência de
um mundo totalmente globalizado, não só é improvável, assim como também é
impossível na prática, pois ainda segundo o autor, a globalização está longe de integrar
toda a população mundial, isto porque a maior parte da população não tem acesso a
informação, bens de consumo e possibilidade de deslocar-se de uma região para outra.
Em suas palavras: “A grande maioria da população encontra-se limitada a sua
experiência local, distante de novas tecnologias, do conforto propiciado pelas
maravilhas eletrônicas e mesmo do acesso a bens e serviços básicos” (Ibidem).
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Do ponto que atingimos até aqui, parece que o autor rebate a autenticidade da
globalização, principalmente ao encerrar a sua apologia afirmando que até as marcas
mundialmente famosas, inclusive as grandes cidades do mundo são circunscritas por
periferias e favelas. Daí, resiste a afirmação de que só uma parte da sociedade mundial
se encontra integrada à globalização, parece ainda certeiro concluir que, embora a
globalização tenha-se expandido maravilhosamente pelo mundo, não atingiu toda a
superfície. O que se deve ter em conta em relação a globalização, é segundo Barbosa
a impossibilidade da interligação de todo o mundo, sendo aí o cume da sua limitação,
sem ignorar a deficiência no acesso à informação e a exclusão digital, o que sustenta
mais ainda a tese.

Em referência as suas dimensões, uma vez que a globalização não se


circunscreve somente em limites, Santos propõe-nos a olhar em quatro (4) dimensões:
i. Econômica; ii. Social; iii. Política; iv. Cultural. Todavia, Luís Campos e Sara
Canavezes acrescentam a dimensão ambiental.

4.1. Dimensão econômica

Segundo Santos (2002: 29) essa dimensão sobrepõe-se as demais, isto é,


afigura-se como a mais importante. Trata-se segundo o autor das empresas (em
particular as multinacionais) que exercem influência, aliás, podem inclusive, ditar as
decisões políticas de todas as nações sob sua investidura. Essa influência, deve-se
segundo Giddens (2000: 49), ao facto de as multinacionais actuais possuírem
orçamentos superiores à de muitos estados. Autores chegam a afirmar que os
detentores do poder econômico são como dinossauros gigantes, que quando abanam a
cauda tudo a sua volta estremece. Nesta ordem, quem controla o capital decide a
trajectória de muitas nações, facto evidente ao falar do FMI e BM que investem em
nações carenciadas, e acabam por ser mandatários, reafirmando assim a tese dos
agentes dominantes na economia mundial.

4.2. Dimensão social

Em referência à essa dimensão, acredita-se que esteja sendo definida pelas


corporações internacionais e sustentada pela economia mundial que tem produzido
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notáveis desigualdades sociais, o que Santos através do relatório do BM resume em:


“O conjunto dos países pobres onde vive 85.2% da população mundial, detém apenas
21.5% do rendimento mundial, enquanto o conjunto dos países ricos com 14.8% da
população mundial, detém 78.5% do rendimento mundial” (SANTOS, 2002: 34). Vai
mais longe o autor afirmando que, uma família africana consome hoje 20% menos do
que consumia há 20 anos.

A partir desses dados, é possível perceber que por um lado a globalização tem
acelerado as desigualdades sociais, e por outro lado tem limado a democratização na
distribuição das riquezas. Nessa dimensão, Santos (2002: 25) acaba por afirmar que a
dimensão econômica a partir do FMI e BM, tem instalado na dimensão social a
globalização da pobreza.

4.3. Dimensão política

A globalização é tida como um dos termos mais frequentemente empregados


para descrever a actual realidade dos estados nacionais. Torna-se indispensável
reflectir sobre a influência que este fenômeno trás na esfera política nacional, pois toda
a política hodierna é directa ou indirectamente global, havendo uma interligação entre a
política dos estados nacionais com a do resto do mundo. O fenômeno globalização
trousse uma série de mudanças de paradigmas sobretudo no âmbito político em que a
soberania nacional passou para a liderança da conjectura internacional obedecendo a
preponderância econômica intercontinental

...o denominador comum de todas as profundas rupturas produzidas nas


últimas décadas é o esvaziamento da soberania e da autonomia dos
estados nacionais. Por um lado, o estado já não pode mais querer
regular a sociedade civil nacional por meio de seus instrumentos jurídicos
tradicionais, dada a crescente redução do seu poder de intervenção,
controlo, direção e indução. Por outro lado, ele é obrigado a compartilhar
sua soberania com outras forças que transcendem a nível nacional. [Ao
promulgar as leis, portanto] [grifo do autor], os estados nacionais
acabam sendo obrigados a levar em conta o contexto econômico-
financeiro, internacional, para saberem o que podem regular e quais de
suas normas serão efetivamente respeitadas. (FARIA, 1994: 11).

Com o fenômeno globalização do mundo, a política nacional adquire novas


funções e um novo estatuto que torna possível a integração da mesma no sistema de
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jurisdição internacional, ou seja, um estado de âmbito global. Assim, a política nacional


deixa de ser o único centro de poder da sociedade local e perde a unicidade de autor
político verdadeiramente nacional.

4.4. Dimensão ambiental e cultural

A dimensão ambiental da globalização trás nos uma reflecção sobre os


problemas ambientais causados pelo dióxido de carbono, libertado nas chaminés de
indústrias e escapes de automóveis, na atmosfera. “A existência de problemas
ambientas cuja origem é especialmente dispersa e cujas consequências são
localizadas por exemplo: chuvas ácidas” (CAMPOS e CANAVEZES, 2007: 64). Essas
chuvas ácidas são originadas pela impureza dos combustíveis fósseis nomeadamente,
carvão e petróleo.

Os motores que usam estes combustíveis, libertam na atmosfera, gases ácidos


(dióxido de carbono), estes gases por sua vez combinam com o vapor da água e
consequentemente ameaçam a espécie humana e são responsáveis pela morte de
grandes árvores, dificultando desta forma a prática agrícola. Os países
subdesenvolvidos são os mais susceptíveis aos problemas ambientais, por causa da
sua dependência económica relativamente ao mundo Ocidental que é notável no sector
industrial assim como na exploração agrícola, esses países subdesenvolvidos, por
escassez de capitais optam em atrair investimentos industriais estrangeiros como
forma de promover emprego e o comércio, nesta corrida desenfreada (de atrair
investimentos estrangeiros) estes países negligenciam o plano ambiental.

Na dimensão cultural, importa lembrar que, a globalização hodiernamente, já


reduziu a distância entre os povos, ou seja, as pessoas não estão mais insoladas. “ …a
cadeia alimentar americana McDonalds encontra-se actualmente espalhada por quase
todos os cantos do mundo” (Idem, p. 75). Esta concepção, leva-nos a percepção de
que a globalização cultural, consiste na internacionalização das pequenas e grandes
empresas nacionais. O surgimento da linguagem, a invenção da escrita, a criação da
moeda, as grandes viagens de exploração, as sucessivas revoluções agrícolas, o
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colonialismo, a invenção da rádio, da televisão, do cinema, as grandes guerras


mundiais, a internet, etc. Segundo Alexandre (apud Campos e Canavezes, 2007: 73)
qualquer um destes fenómenos contribuiu para as trocas culturais e para o
estabelecimento de comunicação entre os povos. Importa também salientar que no
campo da cultura, a evolução da tecnologia constitui um ponto nevrálgico da
globalização.

5. Globalização e desenvolvimento hoje

Constatadas as grandes transformações históricas mundiais, percebe-se que a


globalização coloca nas sociedades actuais facilidades de comunicação ou interação
dos diferentes pontos cardiais do globo eliminando as barreiras antigamente existentes,
o que, por conseguinte impulsiona uma maior interação comercial de diferentes
estados-nação, podendo desta forma ser considerada um facto positivo. A globalização
amplia os horizontes de negociações multilaterais permitindo um ganho dos países
envolvidos. No entanto, Brum e Bedin (2003: 19), invocam-nos a entender, dentro
dos pressupostos socioeconômicos do desenvolvimento que os ganhos econômicos via
comércio, tendem a aumentar o Produto Interno Bruto (PIB), porém não
necessariamente levam a um melhor nível de desenvolvimento.

A partir do exposto acima, é possível perceber segundo os autores que o


crescimento econômico, não é sinônimo de desenvolvimento, desta forma o sucesso
da globalização do ponto de vista de um melhor desenvolvimento, estaria no facto de
que o aumento de geração de riquezas se transformasse igualmente em melhor
distribuição de renda. Entende-se que sempre que uma parte da renda gerada pelo
aumento de produtividade provoque modificações na composição da procura,
ocorrerão as modificações estruturais que chamamos desenvolvimento. No
entendimento de Furtado (200: 34) as modificações de estruturas são transformações
nas relações e proporções internos do sistema econômico, as quais tem causa básica
as modificações nas formas de produção, mas que não poderiam concretizar sem
modificações na distribuição e utilização da renda. É nesta ordem que Sen afirma:

O desenvolvimento pode ser visto como uma expressão de liberdade, a


qual deve ser ampliada ao maior número de pessoas possíveis, graças
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também às oportunidades geradas pelo processo de globalização.


Assim, num ambiente globalizado para que o desenvolvimento se
consolide, torna-se necessária a remoção das principais fontes de
privação de liberdade: pobreza e tirania; carência de oportunidades
econômicas e destruição social sistemática; negligência dos serviços
públicos e intolerância ou interferência excessiva de estados repressivos
e desrespeito aos direitos humanos (SEN, 1999: 32).

A partir do ponto de vista do autor citado, torna-se claro que a contribuição do


mecanismo de mercado para o crescimento econômico, porém relevante deve ser
precedida pela aceitação e reconhecimento da liberdade de troca, de entrar em
mercados, torna-se segundo autor a condição primordial do desenvolvimento.
A globalização acelerou transformações produtivas e os processos de
desenvolvimento no âmbito global, abrindo desta forma um leque de possibilidades às
sociedades actuais, através de redução de custos de transação e economias de
diversidades e de especialização dos territórios, permitindo desta forma concluir que o
isolamento regional não traz benéficos ao desenvolvimento, mas sim um
subdesenvolvimento econômico e de exclusão social. É desta forma que o
desenvolvimento das sociedades hodiernas se encontra intimamente ligada a
capacidade estratégica que os estados-nação possuem de se inserir de forma
especifica no processo de globalização em geral e da economia em particular.
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CONCLUSÃO

Face ao tema em estudo, importa referir que, embora a globalização seja um


fenômeno milenar, atinge o apogeu sob tutela da idade moderna, todavia no século XX.
Assim, as sociedades hodiernas, aparecem como majoritárias no concernente aos
impactos desse fenômeno. A globalização tende a rasgar os firmamentos
intercontinentais e mundiais, tornando desta forma o mundo um lugar cada vez mais
pequeno e vulnerável à difusão de informação através das novas tecnologias.

No debate sobre a legitimidade da globalização, vários autores olham-na sob a


esfera da negatividade, ou seja, como uma tentativa ocidental de “vender” ou
universalizar suas culturas e apropriar-se das demais, bem como controlar o mundo e
ditar seu funcionamento. Apesar de inúmeras críticas Sen e Kliksberg aparecem com
uma visão optimista, considerando a globalização como um fenômeno gerador de
riquezas para todas as sociedades através da expansão do mercado, estabelecimento
das democracias, etc.

Nos dias de hoje, a globalização é uma realidade e, é um fenômeno que


segundo Kassotche é irreversível. No entanto, ignorar esse processo por qualquer
motivo que seja, é edificar a exclusão e sustentar a globalização da pobreza (que
parece não ter nada a ver com a globalização), pois querendo como não, estamos
todos condenados a ela, cabe-nos, portanto, propor fórmulas susceptíveis para
responder aos problemas que ela coloca, assim como para gerir os benefícios dela.
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Não queremos com essa abordagem, arrancar o livre arbítrio do caro leitor, mas
alertar que estamos presos no antigo dilema: Todo fenômeno tem suas vantagens e
suas desvantagens e, neste caso, parece que a globalização apresenta mais
vantagens do que desvantagens.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Obra principal
SEN, Amartya e KLIKSBERG, Bernardo. (2010). Trad. Bernardo Ajzemberg e Carlos da
Silva. As pessoas em primeiro lugar: a ética do desenvolvimento e os problemas do
mundo globalizado. São Paulo, Companhia das Letras.

Obra complementar
BARBOSA, Alexandre de F. (2003). O mundo globalizado: política, sociedade e
economia. 2. ed., São Paulo, Contexto.

BRUM, Argentino L. e BEDIN, Gilmar A. (2003). Globalização e desenvolvimento:


algumas reflexões sobre as transformações do mundo actual e suas implicações no
processo de desenvolvimento. [s.l., s.n.].

FARIA, José E. (Org.). (1994). Direito e globalização econômica: implicações e


perspectivas. São Paulo, Malheiros.

FURTADO, Celso. (2000). Teoria e política do desenvolvimento econômico. 10. ed.,


São Paulo, Paz e Terra.

GIDDENS, Anthony. (2012). Trad. Saul Barata. O mundo na era da globalização. 8. ed.,
Lisboa, Presença.

GOMES, José A. (2000). Política e democracia em tempos de globalização. Petrópolis,


Vozes.
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KASSOTCHE, Florentino. (1999). Globalização: reflexões sobre o caso de


Moçambique. Maputo, ISRI.

NGOENHA, Severino E. (2013). Intercultura: alternativa à governação biopolítica?


Maputo, Publifix.

SANTOS, Boaventura de S. (Org). (2002). A globalização e as ciências sociais. 2. ed.,


São Paulo, Cortez.

SEN, Amartya. (1999). Desenvolvimento como liberdade. São Paulo, C. Letras.

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