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DIREITO CONSTITUCIONAL – RESUMO

TÍTULO II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais

i. Capítulo I – Dos Direitos e Deveres Individuais Coletivos art. 5°


ii. Capítulo II – Dos Direitos Sociais arts. 6° a 11
iii. Capitulo III – Da Nacionalidade arts. 12 e 13
iv. Capítulo IV – Dos Direitos Políticos arts. 14 a 16
v. Capítulo V – Dos Partidos Políticos art. 17

1. Dimensões dos Direitos Fundamentais


(Gerações ou Dimensões do Direito)

As dimensões do direito que surgem nunca abandonam as conquistas das dimensões anteriores,
e seguindo o tema da Revolução Francesa, os direitos de 1ª, 2ª e 3ª geração são lembrados por
seu lema, respectivamente: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Direitos Fundamentais de 1ª Geração – Direitos Civis e Políticos


(Valor: Liberdade)
Marcam a passagem de um estado autoritário para um estado de Direito
Fruto do pensamento liberal-burguês do século XVIII
Respeito às liberdades individuais
Perspectiva de absenteísmo do Estado
Direitos negativos, liberdades negativas, direitos de defesa
O indivíduo é o titular das liberdades
Direitos de resistência e de oposição perante ao Estado
Exemplos: direito à vida, à liberdade, à propriedade, à liberdade de expressão, à
participação política e religiosa, à inviolabilidade de domicílio, à liberdade de reunião, etc.

Direitos Fundamentais de 2ª Geração – Direitos Sociais, Econômicos e Culturais


(Valor: Igualdade)
Inspirados e impulsionados pela Revolução Industrial europeia a partir do século XIX
Perspectiva de atuação do Estado
Liberdades positivas, reais e concretas
Direitos positivos, do bem-estar, liberdades positivas, direitos dos desamparados
Exemplos: direito à saúde, à segurança pública, ao trabalho, à educação, à previdência
social, à assistência social, etc.
Obs: Nem todos os direitos sociais são positivos, por exemplo, o direito de liberdade sindical e o
direito de greve, são exemplos de direitos sociais negativos. Por isso, nem sempre a
diferenciação de um direito de 1ª e 2ª geração é melhor identifica na abstenção ou intervenção
do Estado, mas na finalidade dos institutos como melhor critério.

Direitos Fundamentais de 3ª Geração – Direitos Coletivos, Difusos e Transindividuais


(Valor: Solidariedade/Fraternidade)
Distribuídos genericamente a todas as formações sociais
Protege os direitos de titularidade coletiva ou difusa
Assistem a todo o gênero humano
Exemplos: direito ao meio ambiente, ao consumidor, à autodeterminação dos povos, ao
patrimônio comum da humanidade, à comunicação, etc.

Direitos Fundamentais de 4ª Geração


Para Noberto Bobbio, caracteriza-se pelo avanço no campo da engenharia genética
Para Paulo Bonavides, caracteriza-se pelo direito à democracia (direta), à informação, ao
pluralismo

Direitos Fundamentais de 5ª Geração


Para Paulo Bonavides, caracteriza-se pelo direito à paz (Karel Vasak, coloca-o como de 3ª ger.)
2. Diferenças entre Direitos e Garantias
Rui Barbosa sobre a Constituição de 1981:
▪ Direitos são as disposições meramente declaratórias, que exprimem existência legal aos
direitos reconhecidos; bens e vantagens prescritos na norma constitucional;

▪ Garantias são disposições assecuratórias, que, em defesa dos direitos, limitam o poder;
instrumentos por meio dos quais se asseguram o exercício dos aludidos direitos ou
prontamente os repara quando violados.

Os Remédios Constitucionais são espécies do gênero Garantias.


▪ habeas corpus
▪ habeas data
▪ mandado de segurança
▪ mandado de injunção
▪ ação popular
▪ ação civil

3. Características dos Direitos e


Garantias Fundamentais
Segundo David Araujo e Serrano Nunes Jr, os direitos e garantias fundamentais gozam de:
i. historicidade
ii. universalidade
iii. limitabilidade/relatividade
iv. concorrência/cumulatividade
v. irrenunciabilidade

José Afonso da Silva aponta ainda:


vi. inalienabilidade
vii. imprescritibilidade

Outros doutrinadores:
viii. complementaridade
ix. efetividade
x. proibição do retrocesso
xi. indivisibilidade

Relações Verticais – ocorre entre o Estado e o particular


Relações Horizontais, Privadas ou Externas – ocorre entre particulares

Não existe hierarquia entre os direitos fundamentais


É assegurada a faculdade de não fruir de uma norma decorrente da Constituição, por exemplo:
direito de associação – direito de não se associar
direito de reunião – direito de não se reunir
direito à liberdade de crença religiosa – direito de não possuir religião

4. Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. 5°)


Como o nome do capítulo indica, não há somente direitos individuais (1ª geração), mas alguns
direitos de exercícios coletivos também:

Art. 5º
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
Os destinatários dos direitos e deveres do art 5º são:
▪ brasileiros, natos ou naturalizados;
▪ estrangeiros, residentes no brasil ou não;
Ou seja, aplicam-se a qualquer pessoa que se encontre em território nacional.

4.1. Direito à vida


É o direito mais básico, sem o qual não se pode usufruir de outros direitos;
A CF protege a vida, extrauterina e intrauterina.

Direito à Existência – consiste no direito de estar vivo, lutar pelo viver, defender a
própria vida.
Direito à Integridade Física
Direito à Integridade Moral

A proteção à vida intrauterina (direito do nascituro) é a proibição da pratica do aborto,


salvo nos casos:
▪ Salvar a vida da gestante (aborto necessário ou terapêutico)
▪ Gravidez fruto de estupro (aborto sentimental ou humanitário)
▪ Gravidez de feto anencéfalo (decisão STF)

Art. 128 (Código Penal)


Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
i. se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
ii. se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante
ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Obs. 1: A decisão STF sobre o aborto em feto portador de anencefalia não se estende a
nenhum outro tipo de má-formação ou deficiência.
Obs. 2: O STF entendeu que pesquisas com utilização de células-tronco embrionárias
obtidas a partir de fertilização in vitro não ofende a Constituição e restou-a lícita.

A proteção à vida extrauterina não se resume somente à mera sobrevivência física em


seu aspecto biológico, mas a aspectos materiais e espirituais em que sejam dignas a
existência humana.

Como nenhum direito fundamental é absoluto, contrapõe-se ao direito à vida a pena


de morte. A regra é o direito à vida, sendo a pena de morte admitida no Brasil,
excepcional e exclusivamente em caso de guerra externa:

Art 5°, XLVII


não haverá penas:
a. de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;

4.2. Direito à igualdade


Art. 5º (...)
i. homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

O princípio da igualdade determina que seja dado tratamento igual aos que se
encontram em situação equivalente e que sejam tratados de maneira desigual os
desiguais, na medida de suas desigualdades.
Ele obriga tanto o legislador quanto o aplicador/intérprete da lei (igualdade na lei e
igualdade perante a lei).

Igualdade Formal – na lei, destinada ao legislador


Igualdade Material – perante a lei, destinada ao intérprete da lei

A igualdade material não proíbe que a lei crie discriminações, desde que essas
obedeçam ao princípio da razoabilidade.

Algumas distinções de entendimento jurisprudencial:


a. adoção de critérios distintos para a promoção de integrantes do corpo feminino e
masculino da Aeronáutica;
b. foro especial para mulher (muito embora o CPC/2015 tenha alterado o foro para o
domicilio do guardião de filho incapaz);
c. obrigatoriedade de intervalo de 15 minutos para as mulheres antes de hora extra
(revogado pela Reforma Trabalhista, bem como para trabalhador menor de 18
anos);

Do princípio da igualdade decorrem alguns outros princípios, como:


▪ Vedação ao racismo
▪ Isonomia tributária
▪ Cotas raciais
▪ Lei Maria da Penha
▪ PROUNI

Súmula 339 STF (convertida em Súmula Vinculante 37)


Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de
servidores públicos sob fundamento de isonomia.

4.3. Direito à legalidade


Art. 5º (...)
ii. ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

O princípio da legalidade se aplica de maneira diferente aos particulares e ao Estado.


Aos particulares – tudo é permitido, na falta de norma legal proibitiva (autonomia de
vontade);
Ao Estado – somente o que a lei permite (estrita legalidade), e como este também não
é absoluto, admite-se algumas restrições como as Medidas Provisórias, estado de
defesa e de sítio.

O principio da legalidade se apresenta quando a Constituição se utiliza de lei em


sentido amplo, o qual absorve não somente a lei em sentido estrito, mas como todos e
qualquer ato normativo estatal, mesmo os infra legais.

Princípio da Reserva Legal


Quando a Constituição exige expressamente que determinada matéria seja regulada
por lei formal, ou atos com força de lei (lei em sentido estrito);

Reserva Legal Absoluta – regulamentação integral da matéria por lei em


sentido formal;
Reserva Legal Relativa – permite a fixação de parâmetros de atuação para que o
órgão administrativo possa complementá-lo por ato infralegal.

Reserva Legal Simples – regulamentação de determinada matéria por lei


formal, sem especificar o conteúdo ou a finalidade, dando assim uma maior
liberdade ao legislador;
Reserva Legal Qualificada – além de exigir lei formal, já define previamente o
conteúdo e a finalidade do ato.

Art. 5º (...)
iii. ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
Súmula Vinculante 11
Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo
à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem
prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

A SV 11 continua válida de aplicável.

4.4. Direito à liberdade


É o a própria essência dos direitos fundamentais de 1ª geração;
Deve ser assegurado em seu aspecto mais amplo, e não traz somente a liberdade física
e de locomoção, mas a de reunião, de associação, de consciência e de crença,
expressão, etc.

a. Liberdade de Expressão

Art. 5º (...)
iv. é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato;
v. é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por
dano material, moral ou à imagem;
(...)
x. são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito de indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;
(...)
xiv. é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando
necessário ao exercício profissional;

O inciso iv é o verdadeiro fundamento do Estado Democrático de Direito, em que


todos podem se manifestar, oralmente ou por escrito, desde que não seja
anonimamente, essa vedação visa a responsabilização de quem utilizar dessa liberdade
para causar danos a terceiros.

Delação/Denúncia Anônima
O STF veda o acolhimento de denúncias anônimas para instauração de processo
formal, mas elas podem servir de base para o Poder Público adotar medidas
esclarecedoras e sumárias a apuração com objetivo de conferir a verossimilhança dos
fatos.
Segundo o STF, peças apócrifas não podem ser incorporadas, formalmente, ao
processo, salvo quando:
▪ produzidas pelo acusado; ou
▪ quando constituírem, eles próprios, o corpo de delito.

A Suprema Corte considerou também que, a exigência de diploma de jornalista e


de registro profissional no Ministério do Trabalho não são condições para o exercício
da profissão jornalística.

Discurso de Ódio (hate speech)


Ao contrário dos Estados Unidos, o Brasil não adotou o entendimento de que a
liberdade de expressão abrange o hate speech, confirmando mais uma vez que tal
direito não é absoluto, como todos os direitos fundamentais.

O inciso v é o direito de resposta à manifestação de pensamento de outrem, aplicável a


todas as ofensas, independentemente de configurarem ou não infração penal.
Pg 108 – jose afonso da silva
Capitulo 14 – lenza
Pag 163 - alexandrino

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