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Fontes de Direito da União Europeia

Direito (Universidade do Porto)

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Fontes de Direito da União Europeia


NOÇÕES GERAIS:
• Direito originário (ou primário) – tratados; e direito derivado (secundário) – atos adotados
pelo desenvolvimento do direito primário.
• Direito multilateral – diz respeito a todos os tratados e acórdãos celebrados pela união
com outros países; direito unilateral – composto pelos atos adotados pela U.E. ao abrigo
do artigo 288ºº TFUE.
• Fontes escritas – maioria das fontes; fontes não-escritas – costume e os princípios gerais
do direito da união.

FONTES DE DIREITO ORIGINÁRIO


NOÇÃO
• É composto pelos tratados que criaram as comunidades europeias e a união europeia e
por todos os tratados que os modificaram ou complementaram, e ainda por alguns atos
com dignidade de direito originário (que para produzirem efeitos têm de ser aprovados
pelos estados de acordo com os requisitos das constituições dos estados)
ÂMBITO MATERIAL
• Tratados institutivos (Paris, Roma, Maastricht , Lisboa)
• Tratados modificativos (tratado de Bruxelas p.ex.)
• Tratados de adesão e todos os protocolos e documentos anexos aos tratados
• Todos os atos que tenham de ser submetidos à aprovação dos estados – ex.: artigo 233º
TFUE; 311º TFUE
CARÁCTER
• Os tratados têm carácter constitucional, ainda que tenha havido uma reação negativa ao
tratado constitucional, a verdade é que para quem estuda direito internacional considera
os tratados da união tratados-constituição.
• Parâmetro de validade de todo o direito derivado (artigos 263º e 267º TFUE – hierarquia
fundamental: entre o direito derivado e o originário)
ENTRADA EM VIGOR
• Para entrarem em vigor, os tratados, estabelecem exigência de ratificação de todos os E-M
• Todavia o artigo 48º, nº4 TUE abre uma hipótese muito inspirada na situação a que a
Irlanda obrigou a união quando ameaçou não ratificar o tratado de Lisboa.
• Artigo 54º TUE e artigo 357º TFUE
• Artigo 8º, nº2 CRP – regime da entrada em vigor de qualquer tratado em Portugal.
Entrando em vigor aplica-se o disposto no artigo 8º, nº4.
INTEGRAÇÃO DE LACUNAS
Nota prévia: os tratados obviamente podem apresentar lacunas, mas tal como qualquer tratado
internacional também no direito da união se coloca a questão do que é de facto uma lacuna, e se é
direito que naõ foi transferido para a união não se trata de nenhuma lacuna, porque pertence ao
estado. Com a complexidade atual do ordenamento jurídico da união e com um TJUE que faz
conclusões mutis favoráveis à união, o tribunal tende a interpretar muitas situações como lacunas
através de uma interpretação lógico-sistemática, uma interpretação finalista.

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Este mecanismo é diferente do da revisão dos tratados, pois processa-se no interior do sistema
institucional da união. A revisão exige a intervenção constituintes dos estados membros.
3 mecanismos:
• Unidade de sentido dos tratados
o Limite: autonomia institucional e procedimental de cada tratado (artigo 40º TUE) –
sabemos que há uma divisão fundamental das áreas de ação da união, no TUE e
no TFUE, a única regulada no TUE é a PESC (porque não se trata de um domínio
totalmente integrado) e então o artigo 40º estabelece o limite ao tribunal para
não pretender influenciar o artigo da PESC com um regime mais integrador que se
possa extrair do TFUE.
• O princípio das competências implícitas
o Extrai das suas competências internas as competências externas da união.
o Artigo 3º, nº2 TFUE
o Ideia de preempção – quando a união exerce uma competência partilhada, e é
corretamente exercida, esvazia a capacidade de atuação do estado. – artigo 2º,
nº2 TFUE
• Competências subsidiárias
o Artigo 352º TFUE (base jurídica subsidiária ou complementar):
▪ Quando o tratado não prevê os poderes de ação para a união realizar as
suas funções é possível que, de acordo com este artigo, o Conselho dote a
união dos poderes de ação necessários – pode ser razão para a expansão
dos poderes da união – tem havido alguma contenção por parte do
conselho para usar este artigo, porque os estados fazem questão que este
artigo seja usado com cautela. Caso as instituições não encontrem uma
base clara para agir, usam este artigo como base subsidiária; caso
encontrem uma base mas não completa usam este artigo como base
complementar.
▪ A sua aplicação depende da verificação de requisitos procedimentais e
substantivos
▪ Perigos: em particular, o desvio para uma revisão simplificada camuflada
dos tratados
NOTA1: o TJUE tem exigido o respeito pelos seguintes limites: respeito pela “constituição
comunitária” e impossibilidade de se recorrer ao artigo 352º TFUE para fundamentar um “salto
qualitativo de integração” (ex.: Parecer 2/94 de março de 1996)
NOTA2: travões: artigo 352º, nº2 a 4; artigo 353º TFUE; Declarações 41 e 42
NOTA3: domínios onde está excluída a possibilidade de harmonização: 195, nº2 TFUE
PROCEDIMENTO DE REVISÃO DOS TRATADOS
• O artigo 48º introduz uma novidade, distingue um processo ordinário (mais solene) de um
processo mais solene de revisão. O processo ordinário culmina naquele que é o
procedimento normal do direito internacional – a assinatura do tratado e sujeição a
aprovação por todos os EM, e os tratados de revisão só entram em vigor quando
ratificados por todos os EM.
• Procedimento ordinário – artigo 48º, nº 1 a 5, TUE
• Procedimentos simplificados – artigo 48º, nº6 a 7 TUE
o Relação com a parte III do TFUE (artigos 26º-197º) que desenvolve todos os
domínios ação da união europeia, delimitados no artigo 4º, 5º e 6º do TFUE

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o Relação com o quórum deliberativo unanimitário e com o processo legislativo


especial
• Ainda assim é o Conselho Europeu que pode decidir alterar alguma ou todas as partes da
parte III do TFUE, mas tem de ser sujeita a aprovação dos EM através das normas
constitucionais dos EM ou ser levado aos parlamentos dos EM.
• A questão dos limites formais à revisão dos tratados
o Para além do regime previsto no 48º TUE os tratados podem admitir outros
mecanismos específicos de revisão? O artigo 48º parece procurar dar
sistematização aos mecanismos de revisão, a questão é se são só os previstos no
nº6-7 do 48 que são mecanismos simplificados. Há um conjunto de procedimentos
avulsos que veem dos tratados anteriores que constituem eles próprios
mecanismos simplificados de revisão. Desde logo, quanto à composição da
comissão o conselho europeu pode alterar o seu numero, trata-se de uma revisão
simplificada por exemplo.
o Admite-se revisão no puro plano intergovernamental, suprimindo a fase
institucional? Em relação ao processo de revisão ordinário os estados membros
podem-se afastar do disposto no artigo 48º, nº1, 2 e 3? O procedimento ordinário
envolve tanto os EM e os parlamentos nacionais por um lado, como as instituições
da união europeia por outro. Pela via clássica no direito internacional os estados
podem decidir a revisão do tratado. A doutrina divide-se:
▪ A mais realista diz que não há nenhum limite que o impeça, se os estados
decidirem em conjunto optar por uma revisão intergovernamental sem
participação das instituições não se vislumbra no direito internacional
uma razão para não acontecer, os estados são os donos dos tratados, têm
o poder constituinte.
▪ Há quem diga que de facto nada impede que os estados o possam fazer,
mas perguntam-se qual a vantagem, não será uma discussão meramente
académica? Se são os estados que dominam o conselho europeu que dá
decisão para dar procedimento ao processo de revisão, e que dominam a
entrada em vigor do tratado, porque se iriam afastar desta via?
▪ Há quem entenda que os estados não podem, por se considerar que
haveria aqui por parte dos estados um incumprimento do artigo 48º que
poderia ser prosseguido pelo TFUE (ação por incumprimento contra todos
os EM).
▪ Há quem entenda que um tratado de revisão celebrado pela via
meramente intergovernamental está ferido de ilegalidade, o que significa
que ratificado e entrando em vigor, nada impedia que atos adotados ao
abrigo desse tratado fossem nulos porque são contrários ao artigo 48º.
• A questão dos limites materiais: manutenção do acervo “comunitário”
o Esta discussão era mais viva quando existia o acervo comunitário. Atualmente
desapareceu do âmbito da revisão, não havendo limite ao retrocesso das
competências da união. Haverão outros limites? Um limite material – se não há
limite ao retrocesso há, todavia, um limite à alteração da identidade da união com
um conjunto de valores: estado de direito, democracia e direitos fundamentais.
o A contrario artigo 20º, nº4, TUE + artigo 48º, nº2 TUE
o Artigos 2º, 4º e 6º TUE

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RELAÇÃO DOS TRATADOS DA UNIÃO (DIREITO ORIGINÁRIO) COM OS COMPROMISSOS


INTERNACIONALMENTE ASSUMIDOS PELOS EM (IUS TRACTUM)
• Convenções concluídas pelos EM à margem do quadro da união – ou que incluem no
âmbito das competências complementares da união, nestes casos há pleno ius tractum dos
estados.
• Convenções concluídas pelos EM no quadro da união
o Anteriores à sua entrada para a união europeia
▪ Compatíveis com os tratados mantêm-se plenamente em vigor – entre
EM: artigo 30º, nº3 CV69 – v.g. artigo 350º TFUE).
▪ Incompatíveis: o tratado abre uma brecha ao principio do primado do
direito da união nas situações que os estados não tenham possibilidade
de se desvincular de tratados anteriores. A questão da renúncia aos
direitos incompatíveis. (entre EM e países terceiros – artigo 30º, nº4, b)
da CV 69 e artigo 351º TFUE) – obrigação de meios, não uma obrigação de
resultados quando impossível desvinculação.
▪ Se concluídas por todos os EM no seio de uma OI e se recaírem sobre
matérias que passam a ser da competência da U.E., esta assume o
compromisso de respeitar as obrigações anteriormente assumidas pelos
EM, passando estas convenções a ser fonte de direito da união (ex.: GATT
– OMC; convenções relativas à pesca – ORP).
o Posteriores à entrada para a união europeia
▪ Os estados não perdem o direito de celebrar tratados à exceção das
competências exclusivas, nas outras competências os estados mantêm o
ius tractum, mas com precaução no que diz respeito às competências
partilhadas.
▪ Artigos 4º, nº3 TUE; artigo 3º, nº2; 207º, 216º - 219º, 258º-260º TFUE
▪ NOTA: no domínio das relações externas, nem sempre é linear a
participação e envolvimento da U.E. (v.g. OMI, ONU)
• Convenções concluídas pela U.E. com países terceiros ou OI
o Acordos europeus – dizem respeito às convenções internacionais concluídas pela
união com países terceiros ou OI (v.g. competências exclusivas: artigo 211º, 2016º,
219º, nº3, 217º TFUE; 37 TUE)
o Acordos mistos – dizem respeito a convenções internacionais em que, para alem
de serem partes a U.E., estados terceiros ou OI, também são partes um, vários ou
todos os estados (191º, nº4; 212º; 214º, nº4; 219º, nº4 TFUE)

FONTES DE DIREITO DERIVADO


NOÇÃO:
• Atos adotados pelos órgãos (em especial instituições) da união europeia no
desenvolvimento das competências que os tratados lhes conferem, com vista à realização
ou concretização dos objetivos e fins da união
• Atos adotados que podem ser “típicos” – em especial o 288º TFUE; ou atípicos – que se
foram desenvolvendo com a união, p. ex.: conclusões do conselho europeu; as
comunicações da comissão, de estratégia, e não vinculativos, com vista a informar sobre o
estado da situação de uma matéria especifica e antevendo o programa da comissão em
relação àquela matéria.

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PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO DIREITO DERIVADO:


(em especial quanto aos regulamentos, diretivas e decisões – atos típicos que produzem efeitos
jurídicos vinculativos):
• Não inter-versão – artigo 296º/1º e 3º paragrafo TFUE – não são fungiveis, baseia-se em
duas ideias, se os tratados preveem para determinada matéria um tipo especifico de ato,
as instituições não têm liberdade para adotar um ato de natureza diferente.
o E se o tratado nada diz em concreto? Ex.: artigo 114º - se o tratado diz “medidas”
as instituições têm latitude para definir o ao mais adequado. Veremos, todavia,
que quando os tratados se referem a atos ou medidas para aproximação a diretiva
é a mais adequada, uma vez que o regulamento estabelece um regime uniforme,
temos de ter em conta o objetivo da norma.
o Quando os tratados preveem que as instituições adotem determinado ato, não
poderão as instituições adotar, numa fase inicial, atos mais “brandos”? por
exemplo uma recomendação primeiro? A doutrina entende que nada obsta, o que
não pode ocorrer é um tratado prever um ato menos lesivo e as instituições
adotarem um ato mais lesivo.
• Legalidade – artigo 263º e 267º TFUE – os atos adotados pela U.E. têm de estar conformes
com o direito originário ou conformes com os atos de direito derivado que desenvolvem e
executam – relação com o principio da fundamentação (art. 296º, 2 parágrafo TFUE).
Instrumentos que garantem este principio: recurso de anulação, exceção de ilegalidade e o
reenvio prejudicial. Relacionado com este principio temos também o principio da
hierarquia.
• Hierarquia – em especial, artigos 290º e 291º do TFUE:
o Atos legislativos de base
o Atos delegados Não legislativos
o Atos de execução
• Publicidade - artigo 297º TFUE – ver: 289º, nº3 TFUE
o Atos legislativos (todos publicados no jornal oficial) e não legislativos (se não
indicarem destinatários específicos são publicados no jornal, caso indiquem
destinatários específicos (diretivas e notificações) estes são notificados e é
igualmente publicado no jornal oficial da U.E.
o JOUE (series L – vinculativos obrigatórios e C – não vinculativos) e a notificação
o Vacatio legis – entram em vigor no prazo por eles especificado, ou caso não esteja
especificado, num prazo de 20 dias.
DISTTINÇÃO ENTRE ATOS LEGISLATIVOS E NÃO LEGISLATIVOS
Distinção introduzida pelo tratado de Lisboa, distinção que não havia, mas que era feita na prática.
Ambos podem ser regulamentos, diretivas e decisões.
• Atos legislativos
o A qualificação depende do processo de adoção – artigo 289º, nº3 TFUE + 294º - e
dos termos da produção de efeitos (artigo 297º, nº1 TFUE)
o Primam hierarquicamente sobre os atos não legislativos
• Atos não legislativos
o À sua nomenclatura é acrescida de atos normativos delegados (290º, nº3) e atos
de execução normativa ou administrativa (291º)
o À luz do tratado são ambos classificados como não legislativos, mas os atos
delegados são materialmente legislativos, o artigo 290º confere natureza não
legislativa, mas muitos destes atos podem ter materialmente natureza legislativa.

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Esta classificação entende-se porque a função legislativa está entregue ao


conselho e ao parlamento e a função executiva à comissão.
o Quanto aos atos de execução aplica-se o 291º e distingue-se:
▪ Execução normativa – diz respeito a atos de execução com um conjunto
de destinatários diferenciados
▪ Execução administrativa – atos individuais e concretos com um
destinatário especifico
A quem cabe a execução dos atos? Tanto pode dizer respeito a atos legislativos
(289º) ou a atos delegados (290º). Quem executa é, por regra, os estados ou
comissão da U.E. – principio da administração indireta: artigo 291º, nº1 - a união
apoia-se na administração dos estados. Também a comissão europeia pode ter
poderes de execução (nº2 do 291º).
▪ Exceções: artigo 291º, nº2 e 3; artigos 24º e 26º TUE
▪ Artigo 291º e regimento nº 182/2011* – procedimento consultivo ou de
exame (parecer favorável) – se a comissão tiver que adotar um ato de
execução em domínios sensíveis para as competências dos estados, a
proposta do ato de execução é apreciada pelos estados, e só perante
parecer favorável a comissão adota esse ato de execução. Nos restantes
domínios os estados pronunciam-se, mas mesmo que seja em sentido
negativo, não impede a adoção dos atos de execução pela comissão.
Excecionalmente a execução pode estar reservada ao Conselho de
Ministros no âmbito da PESC, aqui a comissão é afastada privilegiando ou
o conselho ou os estados.
*NOTA: controlo pelos estados do poder de execução pela comissão – regime da comitologia.

ATOS DE DIREITO DERIVADO


ATOS JURIDICAMENTE VINCULATIVOS DA UNIÃO:

REGULAMENTO (artigo 288º TFUE)


NATUREZA
• É o ato utilizado pelas instituições sempre que pretendam criar um regime uniforme
• Por analogia equipara-se à lei de direito interno
CARACTERÍSTICAS
• Ato geral e abstrato – formula uma situação hipotética que é aplicável a todos aqueles que
se vierem a enquadrar no âmbito de aplicação do regulamento.
• Fixa o resultado a atingir e quais os meios que os estados ou particulares devem utilizar –
obrigatório em todos os seus elementos
• Aplicabilidade direta (297º TFUE); Efeito direto (vertical – particulares podem invocar o
regulamento contra o estado nos tribunais e horizontal – os particulares podem invocar
um regulamento contra outro particular nos tribunais nacionais); Poderá ter ou não,
aplicabilidade imediata
• Presunção de suficiência normativa
Artigo 288º: “diretamente aplicável” – significa na jurisprudência do tribunal que os regulamentos
estão aptos a criar direitos e obrigações na esfera jurídica dos particulares, direitos estes que os
particulares podem invocar nos tribunais nacionais sempre que uma norma nacional viole esses
direitos – o que designamos por “efeito direto”. Fases do efeito direto: 1º - É preciso que o ato seja
publicado no JOUE estando apto para produzir os efeitos. Uma vez publicado, pode estar ou não

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apto a conferir aos particulares uma certeza acerca dos seus direitos e obrigações, isto acontece
quando o ato necessita de medidas de execução, sem as quais os particulares não podem exercer
os seus direitos – diz-se que não tem efeito imediato. Hierarquia: atos legislativos, atos delegados,
atos de execução. Aqui o ato tem aplicabilidade direta, mas não tem aplicabilidade/efeitos
imediatos. O efeito direto é quando o particular já está na posse de todos os elementos normativos
que lhes permite exercer os direitos e obrigações, junto dos tribunais nacionais.

DIRETIVA
NATUREZA
• É também um ato juridicamente vinculativo, e ao contrario do regulamento não
encontramos equivalente no direito interno – é uma técnica de legislação indireta, em si
não é de índole alterar a situação jurídica dos particulares.
• É um elemento de harmonização/aproximação de legislações e não de uniformização
como o regulamento
• Tem como destinatários os estados que são obrigados a transpor através de atos
nacionais de alcance geral – têm de ter natureza legislativa. Portugal – artigo 112º CRP -
transpostas por lei, DL ou DLR. A situação normal que a diretiva venha a afetar os
particulares depois da diretiva ser transposta, a diretiva tende a esgotar-se apenas como
objeto de interpretação do direito nacional.
CARACTERISTICAS
• Numa primeira fase não têm caracter geral, pois aplicam-se apenas aos estados. Por regra
aplicam-se a todos os estados, mas pode acontecer aplicar-se a um conjunto especifico de
estados ou estado.
• Obriga os estados quando aos objetivos a alcançar, mas dá liberdade de escolha da forma
e dos meios – não tem aplicabilidade imediata (mas tem aplicabilidade direta: 297º, e
portanto, em principio também não tem efeito direto*, pois tem de ser transposta
• É a diretiva que determina o prazo para transpor (260º, nº3 TFUE) – no fim desse prazo
têm de enviar à comissão os meios que utilizaram, a simples fata desta comunicação leva a
uma ação por incumprimento célere. No decurso do prazo de transposição nem os estados
nem os particulares estão em incumprimento, no entanto os estados não podem adotar
legislação nacional que contrarie o sentido da diretiva.
• *A diretiva por principio não tem efeito direto, é necessária transposição. Esta situação
alterou-se porque: muitas vezes os estados não cumpriam os prazos, ou não
compreendendo o alcance da diretiva transpunham apenas parcialmente. Isto levou a que
as instituições, para ajudar a este processo de transposição, começassem a adotar
diretivas mais especificas. E a partir de ceto momento começou a ser fácil para o particular
entender o direito de que se tratava.

Condições para o reconhecimento de efeito direto às diretivas:


1º - o prazo de transposição deve ter expirado
2º - o direito invocado pelo particular tem de resultar de disposições precisas e incondicionais.
3º - o particular só pode, junto dos tribunais nacionais, invocar efeito direto vertical, i.e., as únicas
entidades contra as quais um particular pode invocar uma diretiva contra o estado ou qualquer
manifestação do estado (como poder publico ou como empregador). O tribunal tem-se agarrado a
esta questão, no fundo também é uma forma de sancionar o estado contra o incumprimento. O

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tribunal não tem admitido “efeito vertical invertido” – o estado enquanto não transpõe a diretiva
não pode exigir o cumprimento dos particulares de uma diretiva que não transpôs.
Atenuantes para a recusa de efeito direto horizontal:
1) Conceito amplo de estado – enquanto poder publico, enquanto empresário, enquanto
empregador e ainda, de acordo com o acórdão Foster, que se pode considerar estado
empresas de capital misto ou privadas em que o estado exerça poderes exorbitantes nessa
empresa, como o controlo do conceito de administração, ou quando a própria empresa
pode exercer poderes de império que não estão ao alcance de uma empresa normal – isto
pode levar a grandes injustiças.
2) Princípios de interpretação conforme – este principio determina que sempre que num
contexto horizontal um particular invoca um direito de uma diretiva contra outro
particular, e o juiz nacional não poder aplicar a diretiva porque não esta transposta, mas
sempre que houver direito nacional antigo que vá de encontro com a diretiva, deve
interpretar o direito nacional adequando à diretiva, há uma obrigação de interpretação
conforme – formalmente não é a diretiva que se aplica, mas aplica-se o direito nacional
devidamente interpretado ao encontro da diretiva. Se não há direito nacional não há
interpretação. Acórdão Marleasing.
a. Limites: quando não há direito nacional aplicável e quando criar ou quando a
interpretação agravar responsabilidade penal que o direito nacional não
estabelece há um limite à interpretação conforme.
3) Responsabilidade civil extracontratual do estado – o tribunal veio fortalecer o direito dos
particulares relativamente a diretivas não transpostas que crie prejuízo avaliável
pecuniariamente ao particular (nexo de causalidade entre a não transposição e um
prejuízo do particular) neste caso o particular pode exigir ao estado uma indeminização:
seja resultante do incumprimento do legislador, da falta de reenvio do juiz ou
incumprimento do estado administração – daí a lei nº 67/2007 que estabelece o regime
geral de indeminização para estes casos. Acórdão de Francovish – quando o direito é
preciso, mas não é incondicional colocou-se uma ação de responsabilidade extracontratual
do estado. Alargou a responsabilidade a outras situações.
4) Princípios gerais de direito da U.E. (efeito indireto) – quando numa determinada situação
há uma diretiva que não foi transposta dentro do prazo, e que não pode ser aplicada
horizontalmente, mas caso constitua aplicação de normas de tratado com efeito direto, ou
sempre que a diretiva desenvolver direitos protegidos por princípios gerais da união
europeia, o juiz não deve aplicar a diretiva no contexto horizontal, mas deve proteger os
particulares sempre que o âmbito da diretiva for abrangido por normas do tratado com
efeito direito ou por princípios gerais de direito. O facto do estado não transpor uma
diretiva que desenvolve o principio da não discriminação p.ex. não impede que o juiz
nacional deva aplicar a proteger o direito deste que já fosse protegido pelo próprio tratado
ou pelos PGDUE.

DECISÃO
NATUREZA
• Ato juridicamente vinculativo
• No passado tinha destinatário concreto e individualizado, mas com o decorrer do tempo
começou a ser utilizada como ato legislativo. Aplica-se a uma situação concreta, mas a uma
amplitude de destinatários – caracteristas normativas.

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CARACTERÍSTICAS:
• Obrigatória em todos os seus elementos
• Destinatários eventualmente individualizados
• Aplicabilidade direta
• Aplicabilidade imediata, por regra
• Reunidas estas condições tem efeito direito vertical ou horizontal
ATOS JURIDICOS NÃO VINCULATIVOS DA UNIÃO – 288º TFUE
• Recomendação – normalmente dirige-se para o exterior, dirigidos aos EM, não só
vinculativas mas podem produzir efeitos jurídicos, através da pressão que podem fazer a
um estado com a publicação da recomendação caso o estado não cumpra – 121º, nº4 e
128º/8 TFUE
• Parecer – ato interno que na maioria da vezes eta associado ao exercício do poder
legislativo, é comum exigir-se a consulta das instituições da união e ate de outros
organismos, o pedido é obrigatório mas não é vinculativo, em regra.
o Exceção: quando é pedido parecer ao tribunal relativamente ao projeto de acordo
de um tratado internacional (260º, nº11)
• Convenções internacionais – não são direito originário, incluem-se no direito derivado e
têm valor superior aos regulamentos, diretivas e decisões, senão teriamos violação
internacional de um dever ou obrigação por parte do direito da união europeia
(cont. fontes)

FONTES DE DIREITO SUBSIDIÁRIO


PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO
• Inerentes a qualquer sistema de direito organizado (ex: boa fé; pacta sunt servanda)
• Princípios gerais do direito internacional (ex.: competências implícitas)
• Princípios gerais comuns às ordens jurídicas dos estados – não têm de se encontrar em
todas as ordens jurídicas, deste que essas ordens jurídicas sejam fontes avançadas desses
direitos (ex: direito a um recurso jurisdicional efetivo; o poder do juiz adotar medidas
provisórias para proteger direitos do particular)
• Princípios deduzidos da natureza própria da união europeia
o De ordem institucional (equilíbrio institucional, subsidiariedade p.ex.)
o Inerentes á noção de mercado interno e UEM (
ex.: liberdade de circulação, proporcionalidade
o Princípios materiais ou estruturantes (autonomia, primado, efeito direto

COSTUME, JURISPRUDENCIA E DOUTRINA


A jurisprudência tem um papel fundamental, ao contrário do U.E. estamos habituados no direito
interno, encontramos no tribunal e justiça da união alguma opinião doutrinal (raro), e a doutrina
apoia-se na jurisprudência do tribunal. É fundamental para lermos para lá dos tratados e do direito
derivado. O direito desenvolvido pela jurisprudência assenta na capacidade do TJUE comunicar
com os juízes nacional, neste desenvolvimento interpretativo vai muito para lá do tratado.
Quanto ao costume, há quem entenda que a U.E. não tem historia suficiente para se falar de
costume. Mas, casos como o da cadeira vazia – acordos de Luxemburgo – que podem exprimir
pratica costumeira. E mesmo o as reuniões do conselho antes de se tornar instituição da união
europeia.

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APLICAÇÃO DO DIREITO DA UNIÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO DOS


ESTADOSMEMBROS E GARANTIAS DE EFICÁCIA
Princípios materiais ou estruturantes – agentes de um verdadeiro ‘federalismo jurídico’:
1) PRINCÍPIO DA AUTONOMIA: a UE tem uma ‘ordem jurídica própria’ (independente do DI e
dos direitos nacionais) – acórdão Costa/E.N.E.L, de 15.07.64, proc. 6/64 – A ordem jurídica
da união europeia é diferente quer da o.j. dos estados, quer da internacional. A partir
daqui a U.E. estabeleceu o principio do primado e do efeito direto.
2) PRINCÍPIO DO PRIMADO absoluto (prevalência – inclusive do direito constitucional;
supremacia): não é uma concessão das legislações nacionais, mas uma exigência feita pela
U.E.
a. Fundamentos:
i. cooperação leal/subsidiariedade - art. 4.º, n.º 3, TUE – principio
fundamental, pois dai resulta o primado do direito da união;
ii. arts 288.º - pela tipologia de atos que estabelece traz consigo o principio
do primado
iii. 258.º-260.º a ação por incumprimento só faz sentido se houver
prevalência do direito da união
iv. 267.º, TFUE – entende o tribunal que a logica do reenvio prejudicial traz
consigo o principio do primado, só e eficiente se os juízes nacionais
ficarem vinculados ao tribunal da união; daí que alguns autores tenham
dito que o primado é a chave universal de resolução e conflitos pelo juiz
nacional, porque é ele próprio um juiz da união.
v. Declaração n.º 17
b. Conteúdo: ‘condição existencial’: O juiz nacional (e as outras autoridades
nacionais) deve aplicar o Direito da União (originário ou derivado) em lugar e
contra o direito nacional contrário, anterior ou posterior, e ainda que
constitucional, na medida em que este colida com as disposições/normas da União
O primado é um primado absoluto e interno, ao contrário do direito internacional,
porque se impõe por força do principio da união, é a própria U.E. que exige, e
porque exige aos juízes nacionais dar-lhe cumprimento. (primado interno: ‘chave
universal’ de resolução de conflitos; juízes investidos de uma autoridade atribuída
pela UE).
c. Consequências principais:
i. ‘inaplicabilidade’ (sanção mínima) *
ii. imperativo da segurança jurídica **
iii. princípio da responsabilidade civil extracontratual dos Estados por
violação do direito da União ***
*O direito nacional deve ser afastado, se o direito nacional estabelecer uma sanção mais rigorosa
caberá ao juiz avaliar essa situação. Esta é a única consequência prevista pelo tribunal.
**no entanto, em jurisprudência posterior: por uma questão de segurança jurídica sempre que
num caso concreto um juiz não aplique direito nacional por contrario ao direito da união, caso se
venha a verificar essa incompatibilidade, o estado deve o mais rapidamente possível retirar da
ordem jurídica essa norma.
*** se o estado persistir no incumprimentos – caso haja nexo de causalidade entre a violação do
direito da união e um prejuízo de um particular, desde o acórdão de Francovish que se prevê
responsabilidade extracontratual do estado de indeminização do particular.

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Primado versus “invalidação” ou “preempção” (Ex: o art. 2.º, n.º 2, TFUE): conflitos entre o direito
nacional e o direito derivado – alguma doutrina entende que o p do primado só se desenvolve na
relação do direito nacional e direito derivado, quando ao direito derivado seria uma questão de
preempção.
3) PRINCÍPIO DO EFEITO DIRETO:
a. Efeito direto ou simplesmente ‘invocabilidade’ – o tribunal hoje utiliza este
principio num sentido de invocabilidade. A invocabilidade no sentido restrito
corresponde ao efeito direto, é aquilo que a doutrina chamava a invocabilidade de
substituição do direito nacional pelo direito da união. Quando esta substituição
não ´s possível, o DUE pode ser invocada para outros efeitos: interpretação, para
invocar princípios gerais de direito, etc.
b. Fundamentos:
i. art. 288.º;
ii. indiretamente o art. 267.º e o princípio do primado;
iii. a contrario, os arts 258.º-260.º - ação por incumprimento, tem a ver no
sentido negativo, os particulares não podem invocar ações por
incumprimento contra o estado, os acórdãos nestas situações não
resolvem as questões especificas do particular, se não resolve ações
individuais o efeito direto completa esta questão.
iv. acórdão Van Gend en Loos, de 1963 – reconheceu a uma norma de um
tratado efeito direto.
c. Critérios gerais: o direito reclamado pelo particular tem de resultar de uma
disposição europeia “incondicional” (que não esteja ependente de nenhum
procedimento para que o direito possa ser exercido) e “suficientemente precisa”
(norma prescritiva)
d. Distinção entre efeito direto ‘vertical’ (relação de supra-infra ordenação) e efeito
direto ‘horizontal’ (relações jurídicas entre iguais).
e. Âmbito do efeito direto:
i. Tratados institutivos: efeito direto ‘completo’ ou ‘limitado’; disposições
sem efeito direto
ii. Regulamentos: efeito direto por excelência - efeito direto completo
(artigo 288, TFUE)
iii. Diretivas: em certas condições, têm efeito direto vertical
iv. Decisões: em certas condições, podem ter efeito direto vertical ou
horizontal
v. Convenções internacionais: eventual efeito direto das suas disposições;
condições

Quadro de RESUMO
As fontes do direito da União Europeia

As fontes do direito da União Europeia são três, a saber, as fontes primárias, as fontes
derivadas e as fontes de direito subsidiário.

As fontes primárias, ou direito primário, incluem essencialmente os tratados


constitutivos da União Europeia.

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As fontes derivadas são constituídas por elementos do direito baseados nos tratados.
Tanto o direito derivado unilateral como o direito convencional fazem parte do direito
derivado.

As fontes subsidiárias são formadas por elementos do direito que os tratados não
prevêem. Trata-se da jurisprudência do Tribunal de Justiça, do direito internacional e
dos princípios gerais de direito.

As fontes do direito da União Europeia (UE) são três: as fontes primárias, as fontes
derivadas e as fontes subsidiárias.
As fontes de direito primário
As fontes primárias, ou direito primário, resultam principalmente dos tratados
“fundadores”, ou seja, o Tratado da UE e o Tratado sobre o Funcionamento da UE.
Estes tratados enunciam a repartição de competências entre a União e os Estados-
Membros e estabelecem os poderes das instituições europeias. Determinam assim o
quadro jurídico no âmbito do qual as instituições da UE aplicam as políticas europeias.

Para além disso, o direito primário inclui também:

- os tratados modificativos da UE;


- os protocolos anexados aos tratados fundadores e aos tratados modificativos;.
- os tratados de adesão dos Estados-Membros da UE.

As fontes de direito derivado

O direito derivado inclui os actos unilaterais e os actos convencionais.


Os actos unilaterais podem ser classificados em duas categorias:

- os actos que constam da nomenclatura do artigo 288.º do Tratado sobre o Funcionamento


da UE: regulamentos, directivas, decisões, pareceres e recomendações;

- os actos que não constam da nomenclatura do artigo 288.º do Tratado sobre o


Funcionamento da UE. São actos ditos atípicos como as comunicações, as recomendações,
os Livros Brancos e os Livros Verdes.

Os actos convencionais abrangem:

- os acordos internacionais assinados entre a UE, por um lado, e organizações ou países


terceiros, por outro;

- os acordos entre Estados-Membros;

- os acordos interinstitucionais, isto é, entre as instituições da UE.

As fontes de direito subsidiário


Além da jurisprudência do Tribunal de Justiça, as fontes de direito subsidiário incluem
o direito internacional e os princípios gerais de direito. Estas fontes permitiram ao
Tribunal de Justiça colmatar as lacunas do direito primário e/ou do direito derivado.

O direito internacional é uma fonte de inspiração para o Tribunal de Justiça na redacção


da sua jurisprudência, que se refere a ele reenviando para o direito escrito, os usos e
os costumes.

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Os princípios gerais de direito são fontes não escritas resultantes da jurisprudência do


Tribunal de Justiça. Estes princípios permitiram que o Tribunal de Justiça fixasse regras
em diversos domínios relativamente aos quais os tratados nada prevêem.

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