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Classificação das sanções

1.Reconstitutivas: restabelecem a situação que existiria se a norma


jurídica não tivesse sido violada. A sanção reconstitutiva pode revestir os
seguintes aspetos:
a) Reconstituição em espécie/ in natura: repõe a situação
anterior à violação da norma, sem o recurso a algum bem
inexistente nesse momento. É a sanção que o direito
privilegia. Constituem exemplos a construção, de má fé,
duma obra em terreno alheio: O dono do terreno pode
exigir que seja desfeita e o terreno restituído ao seu
primitivo estado à custa do seu autor; e a obrigação de o
responsável mandar reparar o veiculo sinistrado num
acidente de viação.
b) Execução específica: aplica se no Direito das Obrigações e
traduz-se na realização da prestação imposta pela norma
ofendida. Sucede com a entrega judicial de coisa
determinada que o devedor se obrigou a entregar ao
credor; a prestação de facto fungível cuja execução o
credor pode requerer seja feita por outrem à custa do
devedor; o contrato-promessa em que a sentença produz
os efeitos de contrato prometido;etc.
Nota: As prestações fungíveis são aquelas que podem ser realizadas quer pelo devedor quer
por terceiro. Por outras palavras, as obrigações de prestação fungível, porque a prestação é o
teor da obrigação, são aquelas que podem ser cumpridas quer pelo devedor pessoalmente, quer
por outra pessoa. De outra maneira ainda: as obrigações de prestação fungível não deixam de se
considerar cumpridas pelo facto de a prestação ser realizada por um terceiro, desde que a
atuação do terceiro seja de algum modo imputável ao devedor (por exemplo, quando o terceiro
declare que está a cumprir pelo devedor ou quando tenha sido o devedor a pedir ao ter).

Obrigação fungível

A obrigação fungível de fazer é aquela onde o resultado da prestação é o que importa. Na


prática, não há muita importância a respeito de quem é o responsável pela realização da
ação, desde que ela seja feita de acordo com o estabelecido.

É o caso, por exemplo, de se pintar uma parede de branco. Se ela estiver devidamente
pintada ao final do serviço, pouco importa quem foi o pintor responsável por aquele serviço.

A identificação da obrigação fungível é essencial para determinar os efeitos de sua recusa. Se


o prestador recusar-se a cumprir a obrigação (o que é diferente de impossibilidade), pode-se
recorrer à realização da obrigação por parte de um terceiro, que será bancado às custas
daquele que não cumpriu sua obrigação.

É necessário considerar, no entanto, que a terceirização da prestação é uma das três


possíveis soluções de recusa da obrigação fungível. Além disso, ela só pode ocorrer em casos
onde há autorização judicial para tal. A exceção é um circunstâncias onde há comprovada
urgência da prestação, podendo-se obter a autorização de forma posterior.

As outras soluções para a recusa de obrigação fungível são a resolução do contrato com
perdas e danos ou, para alguns doutrinados, a tutela específica da obrigação.

Obrigação infungível

Em uma obrigação infungível, o resultado da prestação não é o único ponto de real interesse.
Neste caso, o responsável pela prestação é igualmente essencial. Contrata-se determinada
pessoa para fazer algo.

Diferentemente do caso anterior, onde importava ter a parede devidamente pintada, pode-
se associar a obrigação infungível à contratação de determinado artística plástico para pintar
um quadro. É essencial que aquela artista seja o responsável pela pintura – não que apenas
haja uma pintura ao final da prestação.

Por isso, em casos de recusa, a obrigação infungível não compreende a possibilidade de


contratação de um terceiro. Não é útil, por exemplo, contratar outro músico para o show de
uma banda famosa e com uma enorme legião de fãs.

Por isso, as possibilidades para a solução da recusa, neste caso, resumem-se à resolução do
contrato com pagamento de perdas e danos, ou – para parte da doutrina – a tutela específica
da obrigação. Nesta, o judiciário obriga o devedor e cumprir a obrigação de forma judicial.

A distinção entre prestações fungíveis e infungíveis não se confunde com a distinção entre
coisas fungíveis e infungíveis. Esta diz respeito à substituibilidade da coisa. As prestações de
coisa são, por regra, prestações fungíveis, mesmo quando seja infungível a coisa (porque
qualquer pessoa pode entregar essa coisa ao credor). ceiro que realize a prestação).

c)indemnização específica: repõe a situação com um bem que, não


sendo o que foi danificado, permite desempenhar a mesma função.
Será o caso de alguém que é obrigado a restituir um objeto igual ao
que destruiu.

2. Compensatórias (ou ressarcitórias): estabelecem uma situação que,


embora diferente, se considera valorativamente equivalente à situação
que existia antes da violação da norma jurídica. Tal situação obtém-se.
através da indeminização de danos causados a que o transgressor fica
obrigado. A indemnização pode cobrir os danos emergentes e também
os lucros cessantes, ou seja, a frustração de um ganho (art.564º,562º).
Tratando se de danos não patrimoniais ou pessoais, a “indemnização”
tão-só permite compensar o lesado e, por isso, é preferível falar de
reparação ou de compensação da dor ou do desgosto sofrido.

3. Punitivas: aplicam um mal ao infrator como castigo da violação


duma norma jurídica. Trata-se de punições particularmente graves
que funcionam quando os valores fundamentais da ordem jurídica
são desrespeitados. Estas sanções, que implicam a privação de um
bem (a vida, a liberdade, bens patrimoniais) e a reprovação da
conduta infrator, podem ser:

a) Criminais: são as mais graves, porque correspondem a


violações que a ordem jurídica considera criminosas. O seu
campo privilegiado é, portanto, o Direito Penal. No entanto,
importa observar que, em muitos casos, o ato que implica
responsabilidade penal também, produz responsabilidade civil.

b) Civis: são estabelecidas pelo Direito Civil em relação a


condutas indignas. Constituem exemplos a incapacidade
sucessória por motivos de indignidade; o casamento contraído
por menor sem autorização dos pais ou tutor não suprida pelo
Conservador do Registo Civil, etc…

c) Disciplinares: aplicam-se à infração de deveres de


determinadas categorias profissionais no exercício da
respetiva atividade laboral. Sucede com a repreensão, a
suspensão e o despedimento;

d) Contraordenacionais: são geralmente dimanadas da


Administração Pública e punem, com coimas, certas condutas
suscetíveis de lesarem interesses fundamentais.

4. Preventivas: visam afastar futuras violações, cujo receio é justificado


pela prática dum determinado ilícito. São os casos da liberdade
condicional que pode aplicar-se a quem, condenado a prisão, cumpriu
metade da pena no mínimo de seis meses, teve bom comportamento
prisional e mostrou capacidade para se readaptar à vida social; do
internamento de inimputáveis ; da inibição do exercício da tutela a quem
praticou crimes que façam temer o seu mau exercício; da inabilitação
para o desempenho de funções públicas, em consequência da pratica de
determinados atos delituosos; do vencimento das prestações futuras
quando o devedor não cumpre uma delas, etc.
5. Compulsórias (ou compulsivas): procuram que, embora tardiamente, o
infrator adote a conduta devida e, portanto, que a violação não se
prolongue; por isso, cessam logo que a norma jurídica desrespeitada seja
observada. Constituem exemplos a prisão em que incorre quem não
cumprir a sua obrigação de prestar alimentos, embora esteja em
condições de os prestar; a sanção traduzida no pagamento de uma
quantia pecuniária por cada dia de atraso no cumprimento da obrigação
(ou por cada infração), aplicável ao devedor inadimplente, tratando-se de
prestação de facto não fungível que não exija especiais qualidades
cientificas ou artísticas do obrigado; a obrigação de pagar juros de 5%
desde a data em que transite em julgado a sentença de condenação no
pagamento em dinheiro; o direito de retenção que, quando uma dívida se
relaciona com um objeto, permite ao credor a sua retenção até a
satisfação integral do seu crédito (754º e 755º); dos juros de mora no
campo do Direito Fiscal que estimulam o contribuinte devedor a pagar
rapidamente o imposto em dívida; etc.

Especial referência merece a ineficácia jurídica, porque o seu carater de


sanção não é pacificamente reconhecido. Estamos perante uma reação da
ordem jurídica que impede que os atos jurídicos desconformes com a lei
produzam todos ou alguns efeitos jurídicos que, em condições normais,
produziram. A ineficácia jurídica comporta as seguintes modalidades:

 Inexistência jurídica: ocorre quando nem sequer aparentemente se


verifica uma qualquer materialidade (um corpus) de certo ato jurídico.
Trata-se de casos muito graves em que para o direito nada há e, por
isso, nenhum efeito jurídico pode produzir-se. Sucede, com o casamento
celebrado sem a declaração de vontade de um ou ambos os nubentes;

 Invalidade: verifica-se quando um ato, que existe materialmente, sofre


dum vício que justifica a não produção de efeitos jurídicos; por isso
deverá ser restituído tudo o que tiver sido prestado ou, se não for
possível a restituição em espécie, o valor correspondente.
Compreende 2 modalidades:

a) Nulidade: ocorre quando a violação da norma jurídica ofende um


interessa público; por isso, não carece de ser invocada por
quaisquer interessados (opera ipso iuire ou ipsa vi legis) e pode
ser declarada ex officio pelo juiz se, no processo em julgamento,
tiver elementos que certifiquem a sua existência; pode ser
invocada por qualquer pessoa que tenha interesse na não
produção dos efeitos jurídicos; é insanável pelo decurso do tempo
(ou seja, é perpétua) e por confirmação dos interessados;
b) Anulabilidade: verifica-se quando a violação da norma jurídica
ofende um interesse particular; por isso, é necessário que seja
invocada pela pessoa ou pessoas a favor de quem foi
estabelecida (não opera ipso iure) e o juiz não a pode declarar ex
officio; é sanável pelo decurso do tempo e por confirmação dos
interessados;

3.Ineficácia em sentido restrito: ocorre quando o ato que transgrediu a lei


não produz todos ou parte dos seus efeitos jurídicos

Nota: Ex officio - Por obrigação, por dever do cargo.


Ipso iure- de acordo com o direito