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MEMORANDO

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Implicações económicas e geopolíticas no desenvolvimento do


Assunto
sector do downstream e liberalização do sector dos
:
combustíveis em Angola.

Caros Senhores,

Em resultado da vossa solicitação para nos pronunciarmos sobre as implicações


geopolíticas que o desenvolvimento e diversificação do sector do Downstream e o
impacto que poderá ter tanto a nível interno como a nível externo, segue abaixo a
nossa opinião.

A presente nota aborda todas as informações relevantes sobre o Decreto Executivo n.º
217 / 17 (DE n.º 217/17), publicado em 10 de abril de 2017, que estabeleceu as regras
técnicas e processuais aplicáveis à concepção, construção, operação e manutenção de
refinarias, e espera-se que represente um passo importante no contexto da Estratégia
para a Liberalização do Sector de Combustíveis angolano, conforme Resolução nº
105/09, de 19 de Novembro - Aprovou a Estratégia de Liberalização do Sector dos
Combustíveis, e ainda não totalmente implementada, incluindo as principais questões
regulatórias. A referida Resolução aprovou não só a estratégia, incluindo até a criação
do orgão regulador hoje conhecido IRDP.

(i) Cronograma de acções para a sua implementação;


(ii) Criação de um Quadro Regulamentar para o Sector de Derivados de
Petróleo;
(iii) Criação de um órgão Regulador para o Sector dos Derivados de Petróleo;
1. Que implicação geopolítica poderá ter o desenvolvimento do sector do
downstream em Angola

O Quadro geopolítico de Angola na África Central e Austral reflecte um conjunto de


factores que caracteriza a instabilidade da maioria dos Estados. A geopolítica de
Angola na região central de África é direccionada para a resolução de conflitos que,
sendo inicialmente de carácter interno, acabam por se tornar regionais devido a
questões inter-étnicas, fronteiriças ou de luta pelos recursos envolvendo países
vizinhos. Dada a conflitualidade existente, a geopolítica de Angola neste espaço é de
apaziguamento, para neutralizar possíveis ameaças que venham destes territórios.

De resto, as acções levadas a cabo nesta zona têm-lhe permitido, com sucesso,
injectar poder no heartland do Sul para se firmar. A afirmação envolve,
necessariamente, investimento em sectores internos e que contribuem para cimentar a
projecção de poder, elemento fulcral no posicionamento externo de um Estado para ser
reconhecido como potência regional.

Como é do conhecimento geral, sendo um país extremamente dependente do preço do


barril do petróleo, em decréscimo estrutural no mercado internacional, Angola enfrenta
hoje o grande desafio da necessidade de diversificar e relançar uma economia em
contracção, com uma taxa de inflação elevada, uma moeda nacional sobrevalorizada e
uma redução relevante das suas Reservas Internacionais Líquidas (RIL), estimadas em
USD 13.000.000,00 pelo BNA.1

2. A SONANGOL2. E.P (Enquanto Concessionária Nacional em vias de


Regeneração)

Ao abordarmos a questão do downstream, torna-se essencial definir a actual


concessionária Nacional, e o seu papel na cadeia do negócio do Upstream e
Downstream, antes de passarmos a nossa tarefa final.

Deste modo, a Sonangol é a empresa estatal e concessionária exclusiva para a


exploração de hidrocarbonetos gasosos e líquidos no subsolo e na plataforma
continental de Angola, responsável pela exploração, produção, processamento,
transporte e comercialização de hidrocarbonetos em Angola. A Sonangol é detida a
100% pelo Estado angolano.

A Sonangol tem por objecto gerir em seu nome os activos detidos pelo Estado
Angolano, tendo por base as normas aplicadas às empresas comerciais. A Sonangol
actua no mercado sob padrões de desempenho rígidos, de modo a assegurar total

1
Site do BNA
2
Site Corporativo da Sonangol: http://www.sonangol.co.ao/Portugu%C3%AAs/Paginas/In%C3%ADcio.aspx
eficiência, competitividade e lucratividade, visando sempre agregar valor para o
accionista.

Neste contexto, a Sonangol trabalha para se tornar uma referência no mercado


internacional e, em particular, no mercado africano e cumprir a dupla tarefa de se
realizar como empresa integrada e competitiva e actuar como força transformadora de
Angola. Com esse objectivo, concretiza pressupostos fundamentais de uma empresa
inserida na economia de mercado, orientada para o cliente e uma conduta estritamente
ética, engajada nas comunidades em que actua de forma responsável em relação à
saúde, à segurança e ao meio ambiente.

3. Da Regulamentação do Sector Downstream

O Ano 2017 trouxe notáveis novidades para a indústria petrolífera angolana. No ainda
dominante sector a montante, a ultrapassagem da Nigéria como o maior produtor de
petróleo da África subsariana durante o primeiro semestre esteve na linha da frente das
notícias, enchendo o país de orgulho. De uma perspectiva a jusante, a nova
regulamentação das actividades de refinação, muito antecipada desde a
aprovação do marco legal de refinação de petróleo pelo Decreto Presidencial n.º
132 / 13, de 5 de setembro de 2013 (DP 132/13), foi finalmente promulgada.

O Decreto Executivo n.º 217 / 17 (DE n.º 217/17), publicado em 10 de abril de 2017,
estabeleceu as regras técnicas e processuais aplicáveis à concepção, construção,
operação e manutenção de refinarias, e espera-se que represente um passo
importante no contexto da Estratégia para a Liberalização do Sector de Combustíveis
angolano promulgada em 2019, e ainda não totalmente implementada.

A referida Estratégia enfocou a construção, reestruturação e reabilitação de infra-


estrutura para refinação, armazenamento, transporte e distribuição de combustíveis,
com vistas a reduzir a dependência do país de produtos petrolíferos importados e
liberalizar progressivamente o mercado de produtos refinados, passo crucial para a
desenvolvimento da economia local. O facto é que o sector de jusante de Angola -
refinação de petróleo bruto e armazenamento e distribuição de produtos derivados do
petróleo bruto - ainda está muito longe de alcançar a eficiência, competição,
transparência e metas de custo de produção menores previstas na Estratégia de
Liberalização, como bem como atender às necessidades domésticas do país.

A única refinaria a operar em Angola até à data - a refinaria de Luanda satisfaz apenas
20% da procura interna de combustíveis médios e pesados, como fuelóleo, óleo
lubrificante, diesel e asfalto, e embora seja um grande exportador de crude,
paradoxalmente, um enorme importador de produtos refinados, o que teve um impacto
extremamente negativo em sua balança comercial e nas reservas cambiais, Estimadas
no corrente ano 2018 que reduziram de cerca de USD 15.000.000.000 para cerca de
USD 13.000.000.000 em menos de um ano. 3

A actual infra-estrutura de refinação, armazenamento, transporte e distribuição do país


requer grande reabilitação e modernização técnica, tecnológica e operacional,
envolvendo uma quantidade significativa de investimentos. A nova infraestrutura
também terá que ser construída e os investidores estrangeiros provavelmente verão
isso como uma oportunidade para entrar em um mercado de crescimento interessante.

4. Novos regulamentos para actividades de refinação

Com a recente promulgação do Decreto Presidencial n.º 217/17, Angola finalmente


envia a mensagem de que está determinado a atrair a participação e investimento do
sector privado na reorganização do seu mercado a jusante.

Ao mesmo tempo, criou um regime de proteção especial para a refinaria de Luanda


(100% da concessionária nacional Sonangol, fortemente subsidiada, considerada um
ativo estratégico em um país). O DP n.º 132/13 também objetivou criar um mercado
competitivo organizado para refinarias e a longo prazo atrair investimentos estrangeiros
para o sector, tanto a nível regional como aos países da OPEC.

Tanto o DP n.º 132/13 quanto a Lei n.º 28/11 de 1 de setembro de 2011 (lei sobre a
refinação de petróleo bruto e armazenamento, transporte, distribuição e
comercialização de produtos petrolíferos) estabeleceram que as atividades de
refinação estavam sujeitas apenas a um procedimento de licenciamento simples.

De referir ainda que o Decreto Presidencial n.º 133/13, de 5 de Setembro– Criou o


Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP); O Decreto n.º 173/13, de 30 de
Outurbro- Aplicável ao Licenciamento das Instalações de Armazenamento de Produtos
Petrlíferos, Postos de Abastecimento de Combustíveis e Redes e Ramais de
Distribuição.

4.1 Procedimentos:

Com a entrada em vigor do DP n.º 217/17, o legislador aborda detalhadamente os


procedimentos e documentos necessários para a aprovação, autorização e
licenciamento prévio (conforme aplicável) da (I) construção, (II) realocação (III) e
operações das refinarias e (IV) a adição de novas unidades envolvendo um aumento
da capacidade de processamento ou a produção de novos produtos refinados.

De forma a acelerar o desenvolvimento e atrair novos investimentos, o projecto


relevante deve ser apresentado pelo promotor do investimento ao Ministério do
3
Site do BNA e https://opais.co.ao/index.php/2017/12/19/economia-vai-crescer-quatro-vezes-mais-preve-oge-
para-2018/
Petróleo e Recursos Minerais (MIREMPET), que deverá rever o projecto e decidir sobre
o mesmo no prazo de 60 dias.

5. Oportunidades no setor a jusante

Dito isto, o novo quadro mantém certas restrições em alguns dos segmentos do
mercado a jusante (decretos promulgados com vista a promover e apoiar a indústria
local e a força de trabalho), nomeadamente a necessidade de investidores estrangeiros
que pretendam realizar atividades de refinação de petróleo bruto e / ou transporte de
produtos petrolíferos para incorporar uma empresa local com um parceiro angolano,
detendo este último pelo menos 51% do capital partilhado, metade dos direitos de voto,
o direito de nomear mais de metade dos membros dos órgãos de administração, e o
poder de definir as políticas operacionais e estratégicas da empresa. No entanto, a
maioria dessas restrições pode ser adequadamente tratada pelos veículos de
investimento e pela estratégia, protegendo assim suas posições acionistas com
robustos mecanismos legais e contratuais.

O sector a jusante em Angola continua a ser incapaz de satisfazer a procura interna.


Com uma capacidade estimada de 65.000 barris por dia (BPD), a Refinaria de Luanda
está longe de satisfazer as necessidades domésticas, e os produtos refinados
importados ainda representam 80% da demanda do mercado. Adicionalmente, devido a
ineficiências estruturais e à idade da Refinaria de Luanda, os produtos refinados pela
única unidade do país são supostamente mais caros do que os produtos refinados
importados.

6. Da indústria da Refinação (Soyo, Luanda, Ambriz e Lobito)

A primeira tentativa do governo angolano para superar a falta de capacidade interna foi
a construção projetada de uma refinaria na cidade portuária de Lobito, concebida para
ter uma capacidade final de 200.000 bpd e uma produção de cerca de 10.000.000
toneladas por ano de gasolina sem chumbo, querosene e gás liquefeito de petróleo. O
projeto de 8 bilhões de dólares sofreu atrasos significativos devido a negociações
malsucedidas com vários empreiteiros e suspenso em meados de 2016 devido à forte
queda nos preços do petróleo e à crise orçamentária correspondente.

Uma segunda instalação de refinação é um projecto em curso e está a ser construída


na província do norte Zaire, Município do Soyo. A construção começou em meados de
2015 e está sendo realizada pela empreiteira chinesa Tianchen Engineering Corp.
Programado para conclusão este ano, a refinaria deverá ter capacidade para produzir
5.000.000 toneladas por ano de produtos refinados e processar 110.000 bpd quando se
tornar totalmente operacional.
Um investimento de cerca de US $ 12 bilhões para a construção de uma refinaria em
Ambriz, na província do Bengo, a aproximadamente 160 km ao norte de Luanda
também foi anunciado em 2015. Com uma capacidade estimada de 400.000 bpd, o
investimento seria compartilhado entre a empresa angolana Sonangol, GPM
International e um grupo de empresas chinês.

Texto retirado

O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, petrolífera angolana,


Engenheiro Carlos Saturnino, informou, em Luanda, que o projeto de construção da
Refinaria do Lobito “vai em alta velocidade”, apesar de “complexo”. (Entrevista ao
Jornal Observador de 13 de Junho de 2018).4

Carlos Saturnino falava à margem da cerimónia de assinatura de um acordo de


cooperação, de 220 milhões de dólares (186,9 milhões de euros) com a petrolífera
italiana, ENI, para manutenção geral e aumento da produção de gasolina, na Refinaria
de Luanda.

O projeto da Refinaria do Lobito, num investimento inicial de 10.000 milhões de


dólares, prevê o processamento diário de cerca de 200 mil barris de crude, criando 10
mil postos de trabalho diretor e indiretos.

A retomada do projeto, seguiu-se a uma intervenção em novembro de 2017 do


Presidente de Angola, João Lourenço, sobre a necessidade de se construir uma nova
refinaria em Angola, para reduzir as importações de combustíveis.

Atualmente, a Sonangol mantém em operação a Refinaria de Luanda, com 62 anos de


atividade e uma capacidade nominal instalada de 65.000 barris por dia.

Angola importa mensalmente cerca de 150 milhões de euros em combustíveis


refinados, fornecimento que está a ser dificultado pela falta de divisas, atrasando
pagamentos por parte da Sonangol, que reconheceu produzir apenas 20% do consumo
total de produtos refinados.

Os esforços legislativos do governo angolano para a criação de um mercado


competitivo e liberalizado para o sector da refinação e um regime atractivo para os
investidores privados, por um lado, e o crescente interesse demonstrado pelos
investidores estrangeiros oferecem aos investidores a participação em grandes
projectos de refinação. Por outro parece ser sinal de um sector em ascensão em
Angola, o que como já referido inicialmente, contribui fortemente para cimentar a

4
Site da Internet: https://observador.pt/2018/06/13/sonangol-diz-que-projeto-da-refinaria-do-lobito-vai-em-alta-
velocidade/
projecção de poder, elemento fulcral no posicionamento externo de um Estado para ser
reconhecido como potência regional.

7. ACÇÕES RECENTES PARA MELHORAR O AMBIENTE DE NEGÓCIOS EM


ANGOLAi

▪ A economia angolana está a recuperar gradualmente, com uma perspectiva positiva;

▪ O governo angolano desencadeou um instrumento de coordenação política


implementação de políticas por meio de um programa macroeconômico para
superação de crises e construir buffers, para melhorar a estabilidade macroeconômica
e desequilíbrios macroeconômicos;

▪ Sistema de alocação de câmbio mais eficiente e disponibilidade adicional de câmbio


devido ao aumento dos preços do petróleo;

▪ Promulgação da Lei da Concorrência Decreto Presidencial n.º 5/18 de 10 de Maio e


regulamentada pelo Decreto Presidencial n.º 240/18 de 12 de Outubro (Aprovação do
Regulamento da Lei da Concorrência);
▪ A nova Lei do Investimento Privado retira o requisito da obrigatoriedade de quota de
participação de investidores nacionais em caso de investimento estrangeiro, entre
outros aspectos;

▪ Acordos de supressão / simplificação de vistos entre Angola e outras nações.

8. DESTAQUES DA ECONOMIA PARA MELHORAR O DESEMPENHO NO


SECTOR DE PETRÓLEO E GÁSii

Em outubro de 2017, foi criada uma força-tarefa incluíndo Membros das Multinacionais
Operadoras de Petróleo em Angola, e as partes interessadas em conformidade com o
Decreto Presidencial n.º 290/17, de 13 de Outubro.
A força-tarefa foi coordenada pelo Ministério de Recursos Minerais e Petróleo, e incluiu
as seguintes entidades: Ministério das Finanças, Sonangol, International Oil e
Empresas (BP, Chevron, ENI, Esso, Statoil e Total) e do Gabinete Executivo da
Presidencia da República, e de onde resultaram os seguintes deveres:
✓ Apresentar propostas para melhorar o desempenho do sector de petróleo e gás,
considerando seus desafios atuais, a saber:
✓ Otimização do processo de aprovação de investimentos, orçamentos e demais
documentos;

✓ Apreciação de questões fiscais aplicáveis à exploração e produção de petróleo e


gás;

✓ Propor uma estrutura de colaboração entre os órgãos do Governo e empresas Oil &
gás;

✓ Outras contribuições consideradas relevantes.

9. Da Intervenção do Governo angolano


Adicionalmente ao nosso trabalho e, não obstante estarmos a tratar de questões
aplicáveis ao Sector Downstream, não podemos deixar de lado as recentes alterações
ocorridas no Upstream, aliás, como é do conhecimento geral, uma área é quase
totalmente dependente de outra. Pelo que, no âmbito das medidas e acções para
melhorar o sector petrolífero constantes do Plano Intercalar aprovado pelo Decreto
Presidencial n.º 258/17 de 27 de Outubro, e das recentes autorizações legislativas,
foram publicadas durante o mês de abril e maio de 2018, um conjunto de diplomas para
o sector petrolífero, com impacto nas atividades de Upstream, o que ocorreu após o
trabalho executado pela força-tarefa.

9.1. Em resultado da formação da força-tarefa e em ordem a facilitar o


ambiente de negócios (Upstream e Downstream), as seguintes leis foram
aprovadas pela Assembleia Nacional:

1. O Decreto Presidencial n.º 86/18, de 2 de Abril, que veio actualizar as regras e


procedimentos dos concursos públicos no sector petrolífero, revogando o anterior
Decreto Presidencial n.º 48/06.

O principal objetivo deste diploma é de dinamizar, tornando mais célere, o processo de


atribuição da qualidade de Associada da Concessionária Nacional e simplificar o
processo de contratação de serviços e aquisição de bens no sector petrolífero,
aumentando os limites para aprovação de contratos pela Concessionária Nacional em
função do seu valor.

No âmbito da aprovação de contratos de serviços e aquisição de bens, encontra-se


previsto que:
Contratos até USD 1 Milhão (ou valor equivalente em Kwanza), a contratação de
serviços e a aquisição de bens não depende de autorização da Concessionária
Nacional nem exige qualquer concurso público. Existe, no entanto, o dever de informar
a Concessionária Nacional.

Contratos com valor superior a USD 1 Milhão e até USD 5 Milhões (ou equivalente em
Kwanza), o operador deve proceder a concurso público sem a aprovação da
Concessionária Nacional. O diploma esclarece que este regime aplica-se a contratos
com uma duração máxima de 5 anos.

Contratos com valor superior a USD 5 Milhões (ou equivalente em Kwanza), o operador
deve proceder a concurso público e envolver formalmente a Concessionária Nacional
no procedimento, devendo obter a respectiva aprovação da Concessionária Nacional.

2. O Decreto Presidencial n.º 91/18, de 10 de Abril, que estabelece as regras e


procedimentos das actividades de abandono de poços e desmantelamento de
instalações de petróleo e gás no território Angolano.

3. O Decreto Legislativo Presidencial n.º 5/18, de 18 de Maio, que estabelece o


Regime Jurídico sobre as Atividades de Pesquisa Adicional nas Áreas de
Desenvolvimento de Concessões Petrolíferas, revogando o anterior Decreto
Presidencial n.º 211/15, que fazia referência às Áreas de Desenvolvimento Alvo.

O referido Decreto cria um regime excecional para a realização de atividades de


pesquisa adicional a serem executadas nas Áreas de Desenvolvimento, com vista a
maximizar o potencial geológico das Áreas de Desenvolvimento dos Blocos existentes,
de modo a promover o desenvolvimento de recursos adicionais.

4. O Decreto Legislativo Presidencial n.º 6/18, de 18 de Maio, que define os


incentivos e o procedimento para a adequação dos termos contratuais e fiscais
aplicáveis às Zonas Marginais Qualificadas, revogando o anterior Decreto
Legislativo Presidencial n.º 2/16, de 13 de Junho.

5. O Decreto Legislativo Presidencial n.º 7/18, de 18 de Maio, que estabelece o


regime jurídico e fiscal aplicável às atividades de prospeção, pesquisa, avaliação,
desenvolvimento, produção e venda de gás natural em Angola.

O objetivo deste decreto é criar um regime legal e fiscal de base que enquadre e
fomente a exploração do gás natural, ao mesmo tempo que se assegura da necessária
flexibilidade e adaptabilidade que permita a viabilização económica de projetos futuros.

Prevê-se o acordo, caso a caso, das condições económicas e comerciais de cada


projeto, no âmbito dos contratos de prospeção, pesquisa, avaliação, desenvolvimento,
produção e venda de gás natural celebrados entre a Concessionária Nacional e as
Sociedades Investidoras Petrolíferas.

Este Decreto para além de fazer referência aos direitos sobre o gás natural e à
possibilidade de serem previstos períodos e prazos mais alargados do que
habitualmente fixados para a exploração do petróleo bruto, estabelece o regime fiscal
aplicável às actividades desenvolvidas no âmbito desta legislação.

Os incentivos ao desenvolvimento de descobertas marginais regem-se pelo princípio


da tolerância contractual, que visa a adequação dos termos contractuais e fiscais das
descobertas marginais, para promover o investimento das associadas da
Concessionária da Nacional e entidades contratadas para execução de operações
petrolíferas.

O diploma refere qual o conceito de descoberta marginal, os incentivos fiscais


aplicáveis, bem como os procedimentos para declaração de descoberta marginal.

Todos os diplomas acima entraram em vigor na data da sua publicação.

10. PROGRAMA DE REGENERAÇÃO DA SONANGOL

A Sonangol está em processo de reestruturação societária para fazer com que a


empresa fique focada em seu core business e seja o mais eficiente possível;

▪ O programa começou em dezembro de 2017 com o diagnóstico da empresa, seguido


pela definição de objectivos estratégicos para os próximos 5 (cinco) anos;

▪ Entre outros aspectos, o programa compreende a avaliação de seu portfólio de


negócios, joint ventures, negócios e modelos operacionais, para que fique pronto a
enfrentar os desafios actuais e futuros;

▪ A partir da implementação do seu programa de regeneração, a Sonangol espera ter


resultados a curto prazo (pelo menos 5 meses desde o início), bem como resultados a
longo prazo (em mais de um ano).

9.1 As perspectivas da Sonangol baseiam-se no seguinte iii:

▪ Satisfazer as necessidades energéticas, tendo em conta a crescente demanda global;

▪ Priorizar o uso de gás natural como fonte de geração de energia para substituir as
fontes de energia intensivas em carbono.
▪ Priorizar a produção de petróleo para satisfazer as necessidades energéticas,
essencialmente para fins comerciais.

▪ transporte e indústria química.

A seguir estão as oportunidades de negócios oferecidas atualmente:

9.2 VISÃO GLOBAL

✓ Oportunidades de exploração;

✓ Oportunidades Farm Down em concessões de petróleo e gás;

✓ Navios de perfuração;

✓ Refinação

11. EFEITO DAS IMPLICAÇÕES GEOPOLÍTICAS QUE O DESENVOLVIMENTO


DO SECTOR DO DOWSTREAM, TERÁ NO TECIDO ECONÓMICO INTERNO
E A NÍVEL EXTERNO (PAÍSES DA SADC E DO GOLFO DA GUINÉ)

Pelo que antecede do acima exposto, e em resultado das acções do Conselho de


Administração da Sonangol, presidido pelo Engenheiro Carlos Saturnino, entre os anos
2017-2018, coadjuvadas pelas medidas legislativas do Governo angolano, a conclusão
a que chegámos é que as implicações geopolíticas que poderá ter o desenvolvimento
do sector do downstream em Angola, são as seguintes:

1. Diminuir a dependência de produtos refinados importados, o que pode melhorar a


nossa posição negocial em futuros acordos internacionais;

2. Aumentar a nossa “independência” vis-a-vis países dos quais importamos produtos


refinados;

3. Ajudar a criar um cluster de produtos, tecnologias e quadros/skills que pode ser


“exportado” para países vizinhos da SADC ou do Golfo da Guiné;

3. Liberar recursos (dinheiro) que podem ser usados para reforçar investimento em
outras áreas (defesa, saúde, educação, etc);

4. Ajudar a equilibrar a balança de pagamentos externos;


6. Aumentar a competitividade do país para investidores internacionais.

BREVES CONCLUSÕES
Concluímos deste modo, que Angola está a empreender, necessariamente,
investimento em sectores internos e que contribuem para cimentar a projecção de
poder, elemento fulcral no posicionamento externo de um Estado para ser reconhecido
como potência regional o que leva a economia angolana a recuperar gradualmente,
com uma perspectiva positiva;

Não é demais, relembrar que de uma perspectiva a jusante, a nova regulamentação


das actividades de refinação, muito antecipada desde a aprovação do marco legal de
refinação de petróleo pelo Decreto Presidencial n.º 132 / 13, de 5 de setembro de 2013
(DP n.º 132/13), foi promulgada e está finalmente em vigor.

O Decreto Executivo n.º 217 / 17 (DE n.º 217/17), publicado em 10 de abril de 2017,
estabeleceu as regras técnicas e processuais aplicáveis à concepção, construção,
operação e manutenção de refinarias, e espera-se que represente um passo
importante no contexto da Estratégia para a Liberalização do Sector de Combustíveis
angolano conforme Resolução nº 105/09, de 19 de Novembro - Aprovou a Estratégia
de Liberalização do Sector dos Combustíveis.

Paralelamente, o governo angolano desencadeou um instrumento de coordenação


política implementação de políticas por meio de um programa macroeconômico para
superação de crises e construir buffers, para melhorar a estabilidade macroeconômica
e desequilíbrios macroeconômicos;
▪ Sistema de alocação de câmbio mais eficiente e disponibilidade adicional de câmbio
devido ao aumento dos preços do petróleo;
▪ Promulgação da Lei da Concorrência Decreto Presidencial n.º 5/18 de 10 de Maio, e
regulamentada pelo Decreto Presidencial n.º 240/18 de 12 de Outubro (Aprovação do
Regulamento da Lei da Concorrência);
▪ A nova Lei do Investimento Privado retira o requisito da obrigatoriedade de quota de
participação de investidores nacionais em caso de investimento estrangeiro, entre
outros aspectos;
▪ Acordos de supressão / simplificação de vistos entre Angola e outras nações,
principalmente da SADC.
Angola, melhora deste modo a geopolítica do negócio do Downstream abrindo
facilidades para investimento dos seus parceiros da SADC e do Golfo da Guiné.

A autora

Ana Martins
21.11.2018
i
Apresentação Sonangol em Houston OTC “Offshore Technology Conference 2018” Maio de 2018
ii
Site da Ordem dos Advogados de Angola: http://www.oaang.org/content/diario-republica-base-dados

iii
Site Corporativo da Sonangol: http://www.sonangol.co.ao/Portugu%C3%AAs/Paginas/In%C3%ADcio.aspx