Você está na página 1de 4

S E M A N A 6

TEMA O PAPEL DO ESTADO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO

Redija um texto argumentativo sobre o tema: O papel do Estado no Brasil contemporâneo.


Seu texto deve apresentar obrigatoriamente:
Uma introdução seguindo duas das técnicas do material de introdução.
Uma conclusão que retome a introdução e/ou o desenvolvimento.

TEXTO 1 O que é, o que é?


O Estado é o responsável pelas condições para o desenvolvimento da pessoa humana de forma digna, e cabe a ele oferecer os meios necessários para que
isso ocorra. Deve, para isso, buscar sempre o bem-estar de todos, oferecendo aos seus cidadãos as condições necessárias a sua sobrevivência, não excluindo
ninguém, deve proteger a todos os indivíduos e inclui-los no pleno desenvolvimento do Estado voltado para a figura humana, que é o fundamento principal da
existência do Estado. [...] É possível dividir os modelos de Estado em três: Estado Liberal de Direto, Estado Social de Direito, e Estado Democrático de Direito.
O conceito de Estado Liberal é o modelo que nasce com características de separação dos poderes, ou competências, em três partes, e que fundamentam as
formas atuais de governo. A palavra ‘Estado’ não é mais sinônimo de Governo, pois o Estado trata da constituição de elementos físicos para existência deste; já o
termo ‘Governo’ trata do instituto que administra o Estado, portanto, é aquele que dita o caminho que o Estado deve seguir, para a concretização das necessidades
deste e de sua população. [...].
Já o Estado Social de Direito procura uma grande intervenção estatal, visto que a classe operária surge com o advento de uma revolução industrial iniciada na
Europa, que traz do campo para as cidades grandes continentes populacionais, agravando ainda mais as diferenças socioeconômicas. Dos ideais de igualdade e
liberdade individuais, surgem os ideais de democracia e igualdades sociais ou de meios de produção. Estas demandam do Estado uma vigilância constante, ativa e
interventiva para assegurar ao povo direitos humanos e sociais mínimos. Nesse contexto, o Estado surge como um ente regulador interventivo, que está acima dos
direitos e garantias individuais; esse novo modelo de Estado Social foi, aos poucos, destruindo os princípios de liberdade e ampliando as atividades do Estado, sendo
conhecidas como atividades estatais, trazendo para si as atividades comerciais e industriais, que antes faziam parte das atividades da iniciativa privada. [...] O modelo
de Estado Social recebe essa nomenclatura devido à sua busca por combater as desigualdades sociais, essas conhecidas como: fome, miséria, desemprego,
inflação, salário justo, condições de saúde e de educação, ente outras, capazes de dar à sua população as condições mínimas de dignidade humana para a vida.
O chamado Estado Democrático de Direito nasce na busca de uma maior participação de sua população nas decisões e direções que o Estado deveria seguir,
dando um sentido relativo aos direitos humanos e constitucionais a serem alcançados. [...] Os valores e princípios desse novo modelo de Estado reorganizaram as
funções e as competências do Estado sob o pretexto de que o Estado agora não iria intervir de forma única na economia; ele deveria intervir, contudo, de forma
democrática, respeitando os direitos individuais e procurando uma interação entre o coletivo e o privado, na busca pelo bem da população. [...]
O modelo brasileiro se traduz em um Estado Democrático Social Liberal de Direito, que significa dizer que existe uma intervenção estatal, contudo há
liberdades e garantias individuais que, apesar de mitigadas, ainda são respeitadas, na busca por atingir o objetivo que deveria ser para todo e qualquer Estado, ou
seja, o bem comum de sua população. O Estado brasileiro intervém na economia, como é facilmente observado no quesito educação e saúde, nos quais, apesar
de existir a iniciativa privada atuando no setor, o modelo brasileiro intervém para assegurar à população acesso a esses quesitos indispensáveis a todo e qualquer
ser humano.

Marcelo da Costa Soares. O Estado Democrático de Direito e seu papel no desenvolvimento econômico e social. Marília, 2010. [Adaptado]

TEXTO 2 Este texto vai mudar a sua vida!


Do estado de natureza. Para compreendermos corretamente o poder político e ligá-lo à sua origem, devemos levar em conta o estado natural em que
os homens se encontram, sendo este um estado de total liberdade para ordenar-lhes o agir e regular-lhes as posses e as pessoas de acordo com sua
conveniência, dentro dos limites da lei da natureza, sem pedir permissão ou depender da vontade de qualquer outro homem. [...] E para impedir aos
homens que invadam os direitos alheios e que mutuamente se molestem, e para que seja observada a lei da natureza, que importa na paz e na
preservação de toda a Humanidade, põe-se, naquele estado, a execução da lei da natureza nas mãos de todos os homens, por virtude da qual todos têm o
direito de castigar os transgressores dessa lei [...]. A tais considerações acrescento que todos os homens estão naturalmente naquele estado e nele
permanecem até que, pelo consentimento próprio, se tornam membros de alguma sociedade política; [...]
Da sociedade política. [...] Só podemos afirmar que há sociedade política quando cada um dos membros abrir mão do próprio direito natural
transferindo-o à comunidade, em todos os casos passíveis de recurso à proteção da lei por ela estabelecida. E assim, excluído todo julgamento privado de
cada cidadão particular, a comunidade torna-se árbitro em virtude de regras fixas estabelecidas, impessoais e iguais para todos; e por meio de homens, a
quem a comunidade outorga o poder para execução dessas regras, decide todas as desavenças que possam surgir entre quaisquer membros da
sociedade, sobre qualquer assunto de direito, e pune as infrações cometidas com as penalidades estabelecidas pela lei. [...] Dessa forma, os homens saem
do estado de natureza para entrarem no de comunidade. [...]
Dos fins da sociedade politica e do governo. Se, como disse, o homem no estado de natureza é tão livre, dono e senhor da sua própria pessoa e de
suas posses e a ninguém sujeito, por que abriria mão dessa liberdade, por que abdicaria ao seu império para se sujeitar ao domínio e controle de outro
poder? A resposta óbvia é que, embora o estado de natureza lhe dê tais direitos, sua fruição é muito incerta e constantemente sujeita a invasões porque,
sendo os outros tão reis quanto ele, todos iguais a ele, e na sua maioria pouco observadores da eqüidade e da justiça, o desfrute da propriedade que possui
nessa condição é muito insegura e arriscada. Tais circunstâncias forçam o homem a abandonar uma condição que, embora livre, atemoriza e é cheia de
perigos constantes[...] Todavia, quando os homens constituem sociedade abandonando a igualdade, a liberdade e o poder executivo do estado de natureza
aos cuidados da comunidade para que disponha deles por meio do poder legislativo de acordo com a necessidade do bem dela mesma, fazem-no cada um
com a intenção de melhor preservar a si próprio, à sua liberdade e propriedade.

John Locke. Segundo tratado sobre o governo. Tradução: Alex Marins. Martin Claret. 2009. [Adaptado].
TEXTO 3 Uma imagem vale mais que mil palavras. Será?

TEXTO 4 Nós que aqui estamos por vós esperamos.


O Estado terá um regime democrático se o governo que o dirigir, além de possuir legitimidade, ou seja, apoio da sociedade civil, estiver submetido às regras
procedimentais que definem a democracia, particularmente a liberdade de expressão e a existência de eleições livres. O regime político, entretanto, será
substantivamente mais ou menos democrático dependendo do tipo de sociedade civil a que estiver ligado. Se se tratar de uma sociedade civil ampla,
diversificada, e razoavelmente igualitária, a democracia será substantiva. Em contrapartida, se se tratar de uma sociedade civil ela própria autoritária, na qual as
diferenças de classe são enormes e os valores democráticos, débeis, a democracia tenderá a ser meramente formal. Uma sociedade para ser democrática
precisa não apenas de instituições estatais democráticas — particularmente de uma constituição e de todo um sistema legais que garantam os procedimentos
democráticos — mas também de uma sociedade civil em que as contradições existentes, embora reais, não sejam insuperáveis.
Na medida em que o Estado e seu governo são a expressão das contradições existentes na sociedade, esse Estado precisa encontrar formas de exprimir e
resolver as inevitáveis tensões. O contrato social de Hobbes e Rousseau é a primeira e mais geral forma de resolver esse problema. As coalizões de classe e os
respectivos pactos políticos, uma forma mais específica de garantir apoio da sociedade civil aos governantes. Finalmente, a existência de eleições livres, nos
quadros de um sistema legal sólido, é a forma institucional por excelência que os estados-nação modernos encontraram para resolver os conflitos e garantir aos
governos a legitimidade e governabilidade necessárias à administração do Estado.
O Estado jamais é uma entidade neutra, abstrata, como tanto a ideologia liberal como a tecnoburocrática sustentam. Sua ação é sempre o resultado da
representação de interesses em conflito. Esses interesses agregam-se de várias maneiras, formando blocos históricos que se modificam conforme os interesses
de classe se alterem em função das transformações do ambiente econômico.
A legitimidade de um governo depende do apoio que lhe empresta a sociedade civil. Legitimidade não é a mesma coisa que garantir a representatividade
para todo o povo. Se um governo tem o apoio da sociedade civil, ele pode ser legítimo sem ser democrático. À medida em que a sociedade se torna
democrática, a sociedade civil alarga suas bases e passa a incluir a classe média e, eventualmente, os trabalhadores. Quanto mais próximos forem entre si a
sociedade civil e o povo, quanto mais igualitários forem os direitos políticos dos cidadãos, mais democrática será a sociedade civil.
Segundo este raciocínio, assume-se que é a sociedade civil que controla o Estado. Mas é possível haver situações em que o Estado controla a sociedade
civil. Neste caso, o governo, por definição, não possuirá legitimidade. Um regime político será autoritário, ou se a sociedade civil não for ela própria democrática,
ou se o Estado controlar a sociedade civil. No primeiro caso, haverá um regime autoritário legitimado pela sociedade civil, e no segundo, um regime autoritário
desprovido de legitimidade, onde um grupo assumiu o poder político sem o correspondente poder civil. Este último tipo de regime será, por definição,
eminentemente instável. Em termos práticos, desenvolve-se um processo dialético entre a sociedade civil e o Estado, um controlando o outro, e vice-versa. Ao
mesmo tempo em que, nas democracias modernas, a base da sociedade civil é ampliada com o crescimento, embora claramente subordinado, da participação
dos trabalhadores, o aparelho do Estado também é expandido.
A tecnoburocracia surge como classe nas grandes organizações privadas e também no interior do aparelho do Estado. À medida em que isso ocorre, o
Estado tende a ganhar uma relativa autonomia em relação à sociedade civil. Essa, entretanto, não é uma tendência que possa prevalecer no longo prazo, na
medida em que existe nela um elemento autoritário incompatível com os valores democráticos prevalecentes no mundo contemporâneo.

Luiz Carlos Bresser-Pereira. Estado, sociedade civil e legitimidade democrática. Lua Nova - Revista de Cultura e Política, n. 36, p. 85-104, 1995.

VAMOS INTERPRETAR O TEXTO 4?


Qual a ideia central do texto?_________________________________________________________________________________________________
Como ele responde a frase temática? __________________________________________________________________________________________
Quais são os subentendidos do texto? _________________________________________________________________________________________
Quais são as vozes e os discursos subjacentes ao texto? __________________________________________________________________________
A que textos (conteúdos) a leitura deste texto me remete? __________________________________________________________________________

TEXTO 5 Sente-se, que lá vem literatura!


Se me dessem a honra de ouvir-me sobre as reformas políticas, eu recomendaria uma ideia bem mais revolucionária do que as da própria Revolução. E
muito mais salutar: a eleição integral, em que todos os brasileiros, mas todos, sem exceção das crianças, hoje tão sabidas, escolhessem seus representantes e
dirigentes, sob a forma de voto mental absoluto, sem papagaiadas formalísticas.
Os mandatos teriam a duração exemplar de 24 horas, o que eliminaria angústias e infartos, e poderiam ser, não digo cassados, pois julgo a expressão
extremamente antipática, mas revogados, caso no fluir dos minutos o eleitor achasse que fizera má escolha. Em compensação, poderiam ser renovados na
manhã seguinte e nas outras manhãs, sempre que o eleitor se mantivesse contente com os mandatários e não quisesse experimentar outros. Desta maneira
teríamos a cada sol, ou a cada dia de chuva, governo e representação popular novos, que, se fossem ótimos, poderiam ser confirmados quando o galo cantasse
outra vez (o galo ou a serraria do bairro), e, caso não dessem no couro, teriam feito o menor mal possível à mente do seu eleitor.
Já sei que impugnariam o meu projeto, apontando-lhe mil inconvenientes, entre os quais o de provocar a anarquia governamental e legislativa, pois não
haveria um só presidente, e sim talvez milhões, dada a tendência de muito eleitor a votar em si mesmo, o que se repetiria para a eleição para governadores,
senadores, deputados, prefeitos e vereadores. Podendo até dar-se o caso de um mesmo indivíduo eleger-se simultaneamente para todas essas funções. Como
governar, como elaborar leis desta maneira?
Bem, eu já previa esta objeção principal, como tantas outras, e afirmo que a explanação da ideia fará com que ela rutile em seu justo e convincente
esplendor. Os órgãos políticos assim constituídos não trariam a menor perturbação à vida do país. Pelo contrário, só poderiam ofertar-lhe benefícios, pela soma
de boas influências de cada eleito, no ânimo de seu respectivo eleitor. A democracia funcionando dentro de nós, com eficácia, e não supostamente do lado de
fora, sujeita a esbarrões e desvios. Nisso consiste a beleza do meu sistema.
[...] Ninguém brigando por motivo de ambição. Em santa paz, cada qual seria governado, orientado, instigado pela figura de sua dileção. Por serem de
jurisdição limitada ao âmbito das pessoas que os elegessem, não colidiriam entre si tantos presidentes, situados na extensão infinita (e mínima) de nossas
preferências pessoais. Todos nós, eleitores, nos sentiríamos impelidos, na esfera individual, a fazer o melhor possível, sob esse comando abstrato. E vivendo e
trabalhando cada um de nós ao influxo de tal regência moral, este seria um país que não precisaria criar calos nos pés e na alma para ir pra frente.
Bem, insistirão ainda os opositores: E quem governaria de fato o Brasil, quem faria leis para serem realmente executadas? Ora, pergunta vã. Se na prática
tais poderes podem ser concentrados numa só pessoa, minha proposta consiste apenas em estender esta faculdade, no plano ideal, que também conta, a todos
os integrantes da comunidade. Sem bulha nem ameaça à segurança nacional, e com plena consciência de todo mundo.
Carlos Drummond de Andrade. Se eu fosse consultado. Jornal do Brasil, 14 de abril de 1977.

TEXTO 6 Extra! Extra! O extraordinário no ordinário.


Quarenta anos depois da descoberta do petróleo no Mar do Norte, a Noruega conseguiu traduzir esse recurso natural em prosperidade e
igualdade. Pela primeira vez em 2014, um país terá um Produto Interno Bruto per capita acima de US$ 100 mil e, segundo a ONU, jamais uma
sociedade atingiu nível de desenvolvimento humano igual ao de Oslo. O salário mínimo é de 4,8 mil, cerca de R$ 14 mil, o desemprego é de 2% e,
mesmo em uma era de austeridade, o sistema do bem-estar social se manteve intacto. A Noruega foi um dos poucos países a atravessar a crise global
sem grandes impactos e, nas últimas eleições, o único debate era o que fazer com o dinheiro que sobra nos cofres públicos.
[...] Mas o modelo norueguês também tem outro componente: a forte presença do Estado em praticamente todos os campos da economia.
Segundo especialistas, essa tendência começou depois da 2.ª Guerra Mundial, quando o governo nacionalizou empresas ligadas à Alemanha. Assim, o
Estado ficou com 44% das ações da Norsk Hydro, tem participação de 37% na Bolsa de Valores de Oslo e em dezenas de empresas.
[...] No início do ano, o governo da Noruega inaugurou uma ponte que acabou com o isolamento de um vilarejo com 74 moradores, no centro do
país. A obra custou US$ 20 milhões. As contas positivas e o sentimento de que os recursos são de todos também transformaram a maneira pela qual
empregados e patrões negociam. Em Oslo, nada é como no resto do mundo. Os sindicatos, por exemplo, negociam a cada ano seus salários,
dependendo das necessidades do setor exportador e para garantir que o produto nacional continue competitivo no mercado global. Nas eleições,
partidos prometem não cortar impostos.
O sistema de bem-estar social permite que os homens cuidem de seus bebês e, a cada ano, o governo destina 2,8% do PIB para apoiar famílias
em tudo que precisam para ter filhos. Mesmo aqueles que decidem não levar as crianças para creches recebem, a cada mês, um cheque de 200 para
ajudar nos gastos. A lei estabelece uma licença-maternidade de nove meses para a mãe, mas também quatro meses de licença para os pais. Nesses
meses, quem paga o salário dos pais é o Estado. [...] Na avaliação do governo, esse incentivo para as mulheres e leis para garantir a igualdade de
gênero são positivas para a economia. Hoje, empresas são obrigadas a dar 40% das vagas em seus conselhos para mulheres. Setenta e cinco por
cento delas trabalham fora e, para o governo, isso representa maior atividade na economia e um número maior de pessoas pagando impostos.
[...] O imposto de renda é elevado, atingindo 42%. Mas existe um consenso de que o valor é justo para manter o sistema e que, de uma certa
forma, tudo é devolvido em serviços. O Estado paga do berçário ao enterro, financia estudantes e até banca férias.

Noruega, o país mais próspero do mundo. Disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,noruega-o-pais-mais-prospero-do-mundo-imp-,1153141

TEXTO 7 O outro lado da moeda ou a moeda por outro lado.


Bastou Renan Calheiros confirmar, em 12/05/2016, que tínhamos um novo Presidente da República, para que tornasse a pulular nos meios de comunicação de
massa uma expressão que estava, digamos, “démodé” desde que Fernando Henrique passou o bastão para Lula em 2003: ESTADO MÍNIMO. Eu até imaginava
que, após mais de 13 anos de hibernação forçada (quando pronunciar esta expressão era sacrilégio dos mais graves e quase suicídio eleitoral para políticos), os
debates sobre esse tema – inescapável em tempos de economia destroçada após longo período de políticas estatizantes – seriam menos rasos.
[...] “The Winter is coming”, e o Estado mínimo vem aí comer o seu fígado. Eis a mensagem predominante quando se trata de discutir as propostas da equipe
econômica de Michel Temer, a qual tenta, a duras penas, gerir o Brasil herdado do PT como se uma massa falida fosse (fosse?).
O principal argumento empregado por essas viúvas da Esquerda é que esta agenda política teria sido derrotada em todas as eleições presidenciais desde 1998,
em favor do modelo de expansão estatal. Não vou negar a realidade (sou de Direita, portanto, gosto de lidar com ela), mas é preciso que se tenha em vista que essa
antipatia generalizada ao Liberalismo econômico foi fomentada em nosso país, basicamente, por dois motivos. O primeiro é a eficácia do PT em descolar de sua
imagem as crises econômicas geradas por seus métodos que, invariavelmente, “matam a galinha dos ovos de ouro” e depois saem gritando que foi uma raposa –
que ninguém mais viu. O segundo é a dificuldade do eleitorado em compreender a repercussão positiva direta de procedimentos como privatização, redução de
gastos públicos, responsabilidade fiscal e abertura econômica em suas vidas. Pelo contrário, munido de chavões ideológicos embutidos em suas mentes por
sindicalistas e demais “movimentos sociais” bancados com recursos públicos, o brasileiro médio repudia tais instrumentos, pois foi doutrinado pela Esquerda a vê-los
como sinônimo de empobrecimento.
Quem sabe um pouco dessa ojeriza não se dissipe se começarmos, então, explicando que Estado mínimo é uma meta perseguida por adeptos do
Libertarianismo, e que não há libertários no governo Temer? Observe-se a (santa) linha que separa a Esquerda da Direita, e observe a posição histórica do PMDB. O
critério para posicionar partidos e correntes de pensamentos é o grau de liberdade do indivíduo X grau de interferência estatal: mais liberdade, mais para a Direita;
mais Estado, mais para a Esquerda.
[...] Por não ser adepto ferrenho de nenhuma das vertentes explicitadas, o PMDB pode, sem contrariar princípios partidários (quais mesmo?), fazer o que é
necessário para recuperar nossa economia. E o que é necessário para tirar o Brasil da estagflação? Tudo o que o foi declarado por Temer no dia de seu primeiro
pronunciamento: redução do número de cargos em comissão e ministérios, reformas trabalhista e previdenciária, transferir empresas estatais para a iniciativa
privada, entre outras medidas saneadoras. E isso tudo não é defender Estado mínimo, mas sim apertar os cintos para atravessar a turbulência severa em que nos
metemos. Ou alguém já viu partidários de Estado mínimo assegurando que benefícios sociais serão mantidos?
[...] Tomemos, primeiramente, o exemplo caseiro: a década de 1990 nos apresentou um socialdemocrata que, diante da necessidade, deu continuidade a
abertura de nossa economia (iniciada por Fernando Collor), reduziu a participação do Estado na economia (transformando empresas deficitárias como a Embraer em
multinacionais geradoras de empregos e divisas), criou mecanismos de imposição de responsabilidade fiscal a governantes, e conseguiu reduzir (muito) a inflação.
Ao final, o Brasil ainda era um país de terceiro mundo, mas estavam criadas as bases para o desenvolvimento econômico do país.
Os países Escandinavos também não escaparam do clássico ciclo “enriquece com medidas Liberais/adota medidas de cunho socialista/chama os Liberais de
volta correndo”. Segundo o economista Stefan Karlsson, até a década de 1850, a Suécia apresentava índices de desenvolvimento humano baixos. A partir de 1860,
passou a dotar medidas de livre mercado, as quais, na esteira da revolução industrial, beneficiaram a economia do país, permitindo um grande aumento do número
de empreendedores – época em que Volvo, Saab e Ericsson foram fundadas. Neste ritmo, a Suécia teve o maior crescimento de renda per capita mundial entre
1870 e 1950, tornando-se uma das nações mais ricas do mundo, sendo que os gastos estatais eram inferiores a 10% do PIB. Todavia, entre 1950 e 1975, os gastos
subiram de 20% para 50% do PIB, com a ascensão dos socialdemocratas ao poder. Uma coalizão de centro-direita chegou ao poder em 1976, mas somente a partir
de 1986 a Suécia aboliu os controles de moeda e reduziu impostos. Como quase todo remédio, o impacto imediato foi amargo: até 1994, a economia sueca ainda
estava em queda, enfrentando ajustes necessários por anos de irresponsabilidade do governo (esse papo não me é estranho). Novas reformas foram adotadas,
privatizações foram feitas e vários setores foram desregulamentados, permitindo a recuperação do país.
Ou seja, muito embora a Esquerda aponte a Suécia como um exemplo de um país de “Welfare State” rico, é forçoso afirmar que a Suécia é rica APESAR de
conceder muitos benefícios a seu povo, EM DECORRÊNCIA de suas reformas liberais. Para efeito de comparação, as empresas brasileiras demoram, em média, 39
dias para exportar mercadorias; as suecas, oito, devido, especialmente, à baixíssima burocracia. De se notar que os benefícios estatais pagos aos suecos têm
aumentado em valores brutos, mas tem diminuído em relação ao PIB – a boa e velha responsabilidade fiscal, tão em falta no Brasil.
[...] Quanto antes começar, melhor. E quanto antes os brasileiros começarem a entender que guinadas à Direita são imprescindíveis em determinados
momentos históricos, melhor ainda.
Ricardo Bordin. Quando o mínimo é máximo. Disponível em: https://www.institutoliberal.org.br/blog/quando-o-minimo-e-maximo/

VAMOS INTERPRETAR O TEXTO 7?

Qual a ideia central do texto?_________________________________________________________________________________________________


Como ele responde a frase temática? __________________________________________________________________________________________
Quais são os subentendidos do texto? _________________________________________________________________________________________
Quais são as vozes e os discursos subjacentes ao texto? __________________________________________________________________________
A que textos (conteúdos) a leitura deste texto me remete? __________________________________________________________________________

TEXTO 8 Por força da lei, é preciso ler.


Título IV- Dos cidadãos brasileiros - Seção II - Declaração de direitos
Art.72 - A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no país a inviolabilidade dos direitos concernentes à
liberdade, à segurança individual e à propriedade.
Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil (de 24 de fevereiro de 1891) Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao91.htm>

Título II - Dos Direitos E Garantias Fundamentais - Capítulo II - Dos Direitos Sociais


Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

DICAS PARA VOAR ALTO

Leia o conto “Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon”, de José Cândido de Carvalho, ou qualquer outro texto da
coletânea “Fora da ordem e do progresso”, organizado por Luiz Ruffato e Simone Ruffato.

Assista ao filme alemão A onda e reflita sobre a relação entre autoritarismo e democracia na configuração do Estado brasileiro.

Ouça a canção “Chega”, de Gabriel O pensador.

Pesquise a resenha de Do Contrato Social, de Jean-Jacques Rousseau.

Acesse o portal do Governo do Brasil, disponível em: <brasil.gov.br>.

Você também pode gostar