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Renata Benko De Luca

Eu Sou Médium e Consegui Ser Feliz

2ª edição

São Paulo
Edição do Autor
2011

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Copyright© Renata Benko De Luca

Abril de 2011

Arte da Capa, Diagramação e Editoração da Autora.

É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio e para qualquer fim, sem a
autorização prévia, por escrito, da autora. Obra protegida pela Lei de Direitos Autorais

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Eu Sou Médium E Consegui Ser Feliz

Abril 2011 São Paulo - Brasil

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Este livro é dedicado à todos aqueles que gostariam de se sentir “normais” num
mundo que não aceita pessoas ‘fora do padrão’, o que quer que isso signifique para
elas. Quero agradecer aos meus três filhos, por terem vindo para ‘Cá’ e por não me
deixarem esquecer a necessidade de escrever este livro. Agradeço a dor da morte de
meu pai, que me acordou como um antigo relógio despertador. Agradeço todos que
fizeram minha vida um inferno e todos que a aliviaram em algum momento, pois
ambas as partes me trouxeram a este livro. Também a Mark, que sabe o que fez por
este livro. Assim sendo - Non nobis Domine non nobis, sed nomini tuo da
gloriam (Não a nós Senhor, não a nós, apenas em Seu nome dê-se a Glória.)

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Sumário
ALGUNS ESCLARECIMENTOS IMPORTANTES ......................................................................... 6
INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 8
MEDIUNIDADE SERIA O QUE MESMO? ................................................................................... 12
DIFICULDADES PELAS QUAIS PASSA O MÉDIUM ................................................................ 15
MEDIUNIDADE E SAÚDE ............................................................................................................. 20
DIFICULDADES ENTRE E COM FAMILIARES .......................................................................... 26
COM AMIGOS, COLEGAS E VIZINHOS ..................................................................................... 29
NOS RELACIONAMENTOS AMOROSOS................................................................................... 32
DIFICULDADES NA PARTE FINANCEIRA ................................................................................ 34
NOS BENS PESSOAIS ..................................................................................................................... 36
NO LAZER ........................................................................................................................................ 37
NA RELIGIÃO .................................................................................................................................. 39
TUDO O QUE VEIO DO PASSADO ............................................................................................ 43
ABUSOS EM CIMA DO MÉDIUM................................................................................................. 48
ABUSOS DO MÉDIUM EM CIMA DE OUTROS ........................................................................ 50
TUDO QUE VAI PARA O FUTURO ............................................................................................ 52
O OUTRO LADO ............................................................................................................................ 56
LEIS DE COMUNICAÇÃO ............................................................................................................. 60
COMO LIDAR COM AS COMUNICAÇÕES E SUAS CONSEQUÊNCIAS .............................. 64
UM BOM EXEMPLO DE COMUNICAÇÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS ............................... 68
LEI COMUM A TODOS .................................................................................................................. 70
OS OUTROS ..................................................................................................................................... 72
PARA ENTENDÊ-LOS .................................................................................................................... 77
ACEITÁ-LOS OU NÃO ................................................................................................................... 80
OBSESSORES ................................................................................................................................... 82
O NOSSO LADO ............................................................................................................................. 84
NÓS ................................................................................................................................................... 85
PARA NOS ACEITAR..................................................................................................................... 88
EDUCAÇÃO E DIPLOMACIA EM PRIMEIRO LUGAR ............................................................. 89
FAZER USO DA MEDIUNIDADE OU NÃO? ............................................................................. 90
CUIDADOS E SUGESTÕES SINCERAS ....................................................................................... 94
A PARTE BOA ............................................................................................................................... 103
CONCLUSÃO ................................................................................................................................. 105

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ALGUNS ESCLARECIMENTOS IMPORTANTES

Quando meu pai faleceu, subitamente, do coração,em agosto de


2007, sofri como muitos que perdem pessoas queridas. Todas as questões não
resolvidas em nosso coração, angustia e indignação emergiram em meio a profunda
tristeza que segue cada movimento executado, até mesmo o simples apertar de
mãos, todo os dias e noites.
Se essa perda acontece quando você já tem questões existenciais
como: “que droga estou fazendo aqui?” ou “ por que eu, Deus, por que eu?”, o
falecimento será o tipo de coisa que o quebrará ou que o curará de todas as questões
de uma vez. Ali, eu já estava num processo profundo de cura de uma doença física e
experimentava um crescimento ‘espiritual que me assustava. Então, a morte de meu
pai foi um estonteante ‘chute no saco’.
Entre outras coisas, acordei para duas situações: lembrou-me do
quanto a morte é real e que pode acontecer comigo a qualquer momento ( saber é
uma coisa sentir no coração é outra) e que esperar a velhice para escrever todo o
“conhecimento de uma vida” era um ato de estupidez.
Eu teria agradecido imensamente se pudesse ter lido algo como o
que escrevo, quando ainda na metade da minha adolescência. Só encontrei livros que
mais assustavam do que resolviam algo. Queria alguém que tivesse passado pelo que
passei e falasse o que estava acontecendo e como resolver problemas do dia a dia.
Alguém que explicasse como lidar com as consequências de ter nascido médium.
Tenho a intenção de deixar um segundo volume deste livro,
próximo da minha morte, uma sequencia de todas as experiências acontecidas depois
deste primeiro livro. Já que não sei se você, que está precisando deste texto, é
membro da minha família, tomei a decisão de dar publicidade a este manuscrito, em
forma de livro, e alcançá-lo, onde quer que você esteja mesmo falando sobre
assuntos pessoais de forma tão aberta.
Escrever este livro envolve algumas dificuldades técnicas. A
maioria das pessoas que preciso mencionar, para lhe dar exemplos, estão vivas.
Portanto, histórias serão modificadas para proteger a privacidade dos envolvidos.
Coisas que aconteceram na minha família podem ser ditas como de terceiros e vice
versa. Quem reconhecer a história verá que mudei algumas coisas e isso será feito,
se eu julgar necessário, mas sem tirar o valor do exemplo que ela carrega. Acho que
os inimigos ficarão frustrados, mas quem perderia a chance de tornar o dia deles
miserável, não é mesmo?
Não tenho intenção de dar indicações de igrejas ou tratamentos
médicos, porque, se eu dou minha opinião, tiro de você o direito, e o dever, de
procurar por si mesmo. A verdade é que não há uma opinião certa ou errada em
assuntos como religião, espiritualidade, tratamentos médicos e mediunidade. Nada
que eu tenha visto prova que uma igreja em específico, ou tratamento, ou guru, é
bom ou ruim. Acredite que tudo pode ser bom e ruim ao mesmo tempo.
Este livro não um guia turístico dizendo o que você deve fazer e
deixar de fazer. Irei, no capítulo em que faço sugestões, dar algumas dicas de
estudos, mas é apenas para sugerir um ponto de partida, não uma verdade
incontestável e única. Tenho minhas preferências em todos estes aspectos, mas use-
as como quiser. Ela será tão boa como qualquer outra opção que vier a adotar. Este

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livro também não tem a pretensão de ser científico, religioso ou a derradeira opinião
sobre o assunto.
Assim sendo, poderá parecer que não quero me posicionar, mas
nada melhor para começar uma discussão do que a outra parte se sentir ofendida
com minha posição. Boas discussões levam você à adquirir conhecimentos
rapidamente e em grande quantidade, embora as vezes não em qualidade.Então, aos
oponentes, digo que em outra hora nos veremos, em bons debates. Agora deixemos
que os demais leitores formem suas próprias opiniões. Afinal, a ‘liberdade de escolha’
não é algo maravilhoso? PARA QUEM ESTE LIVRO NÃO É INDICADO: se você tem
certeza que não é médium, gosta da sua vida assim como ela é e quer ser parte do
problema daqueles que são médiuns, mesmo eles sendo seu amigo próximo, chefe,
familiar, pare de ler o livro e o dê de presente. Um livro que não gostamos sempre
pode ser usado com presente de Natal. Se sentir que ele lhe é útil, continue e tenha
uma boa leitura!.

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INTRODUÇÃO

Sítio Santa Helena, 18 de janeiro de 2009. 18:00.

Iniciar algo importante é sempre muito difícil. Se não lhe parecer


difícil, avalie bem, pois pode não ser o inicio e você não ter percebido. Na minha
juventude procurei resposta para todos os medos e perguntas que tinha. Achei boas
coisas, mas nenhuma me deu tanto alívio como o buraco no meio da Via Láctea.
O planeta Terra caminha para o centro da Galáxia a que
pertence. O centro dela é um buraco negro e, veja só, todos nós caminhamos para lá!
Quando tudo parecer ruim, pesado e o pessimismo tomar conta, lembre-se do buraco
negro no fim do caminho. Você não faz ideia como a depressão cura rápido! A única
coisa que você passa a pensar é: como faço para cair fora daqui. Isso toma seu
tempo e energia, fazendo com que desvie seus pensamentos pessimistas para algo
produtivo como andar na direção contrária ao buraco. Quando algo parecer o fim do
mundo pense que tudo vai mesmo para o buraco e viva sua vida!
A melhor parte deste livro é que só estarei com você quando
quiser. Não serei inoportuna ou inconveniente, pois a minha boa intenção poderia
criar mais conflito do que ajudar. Sei que a sensação de estar só nesta enrascada é
grande e ninguém lhe entende, mas a solidão na hora certa é a melhor de todas as
proteções para muitos males que você verá em sua vida, embora em outros
momentos a solidão seja o único veneno a aumentar a dor.
Então, por que deixar este texto? Porque muitos, antes de você,
sofreram demais; muitos outros, ao seu lado, estão sofrendo e muitos irão sofrer se
todos resolvermos levar a situação do jeito como está. A esta altura, você já deve ter
percebido que a mediunidade é como comer, andar, namorar e morrer. Embora o ser
humano faça tudo isto problematicamente, a maioria dos membros da nossa raça já
age com muito mais sabedoria do que nos milênios passados.
Não escreverei um manual “siga o mestre”. Você não precisa
disso e não sou mestre em mediunidade, mas sou mestre em sofrer as consequências
boas e ruins que isto traz.
Imagino que quando esteja lendo estas palavras, a questão
sexual humana tenha avançado para melhor, na cabeça dos humanos, e você
perceberá que é muito mais fácil lidar hoje com a sexualidade do que com a
mediunidade. Embora tenha havido uma ‘revolução sexual’ no início da década de 70
do século XX, e embora alguns afirmem que evoluímos à mediunidade humana,
acredite, a segunda parte ainda não aconteceu.
Nasci na parte furiosa dos anos 70, e se você nasceu
posteriormente, aquilo que vê hoje, sexualmente, já foi pior. Não queira saber, ou
lembrar o que era uma mulher mal resolvida antes dessa revolução! Eu rezo para
que, no tempo em que você leia este livro, seja raro encontrar uma pessoa
insatisfeita.
A verdade é que a segregação que envolve esta condição é mais
acirrada que a religiosa, a sexual, a racial e a pior delas, a de classes. A mediunidade
está em situação mais delicada, pois ocorre dentro dos ambientes social, religioso,
racial e sexual, independente de querermos ou não, em diversos graus. As piores
situações de ódio racista podem já estar vindo de quem você mais ama e admira, ou
seja, de quem tem seu mesmo nível social, cultural, religioso, sexual, pessoas da sua
raça e mesmo da sua faixa etária.

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A mediunidade se intensifica na adolescência, quando tudo
parece conspirar, desde a menstruação, o seio que dói, o menino mais bonito da sala
que não quer olhar para você (talvez seja o maldito seio que dói, mas que não cresce
o tanto que falta para o bonitão querer olhar), até as chatas matérias escolares (se
você chegar ao fim do livro antes do ensino médio, vai olhar a física e a química com
outros olhos). Se você veio ao mundo como um lindo menino, tem tanto para se
preocupar quanto uma menina, pois você quer ver os seios, mas eles estão
demorando a crescer nas moças e as mais velhas não querem dar atenção pra
pirralhos.
Só estas coisas já seriam suficientes para a vida estar parecendo
um mau negócio, e tem o tal homem na sala, que só você vê, dizendo que tem uma
coisa errada e enchendo o seu saco toda noite. Quando você tenta falar com os seus
amigos, ou mesmo sua família, vem a gozação comparativa com a m#** daquele
filme do m#**inha que vê gente morta. Por isso você fica sendo “a que vê gente
morta”. Não resolveu o problema do homem na sala, nem o seu, nem o do filme
(parece que ninguém o usou como exemplo de respeito) e a questão dos peitos
continua igual. Então o que Bernardo leva na história? NADA.
Por isso a maioria abandona sua mediunidade e sugere que os
outros também o façam. Porém, não há como abandoná-la, pois não é parte externa
que se possa cortar. Conheço uns estranhos que, se dissessem que o’ bilau’ fosse a
antena da mediunidade já o teriam cortado, num acesso de raiva. Deus é, de fato,
sábio em esconder a tal antena.
Por que vou falar sobre sexo, se não é o assunto principal? O
sexo é 10 000 vezes mais falado e praticado do que a mediunidade e posso usá-lo
como comparação. Por exemplo: o instrumento principal para fazer sexo fica na ponta
de baixo do tronco, mas não usa só ele não! Usa o corpo todo, sendo homem ou
mulher, meu amor, usa tudo tá! A mediunidade fica na ponta de cima, cujo
instrumento principal está no cérebro, e, MUITO IMPORTANTE, sem uma pratica
sexual com qualidade, sua mediunidade vai dar problema, mais problema que o
normal.
É necessário, em tudo o que você pesquisar, perguntar ou tiver
de escutar de alguém, mesmo sem ter pedido, que CONSIDERE A FONTE. Sempre
leve em consideração quem está falando e sobre o quê. Qualquer dado sobre o fulano
ou fulana interessa. Mesmo Platão, se desse pra sabermos a cor dos seus olhos,
interessaria. É claro que a história dele interessa, e o que ele produziu mais ainda.
Dou um exemplo do que seria CONSIDERAR A FONTE: um
encanador pode falar sobre filosofia, talvez seja até a encarnação de Platão, por que
não? Mas se ele quiser falar sobre como uma mulher deve se vestir, e tudo que ele
fala está estonteantemente démodé, considere a fonte e avalie. Ele é travesti? Está
tendo problemas com sua mulher? Está de gozação com a sua roupa? Você vai
escutar seus conselhos, neste assunto, ou não? Se vai escutá-lo, é porque é como ele
e ninguém tem nada com isso. Não foi ele, mas sim você que foi lembrada de uma
condição sua.
Vai ficar feio se você chegar ao trabalho com aquela saia, ou
calça, que parece uma piada e todo mundo perguntar “o que é isso?” e você disser
que o encanador escolheu pra você. Vai dar bode, você não precisa ser médium pra
saber isso. Mas, se você chegar ao mesmo escritório, falando que resolveu seu
problema existencial, está de bem com tudo e o milagre veio de um encanador que
era o bicho na filosofia, que sabia até nomear as obras todas da antiguidade, vai ficar
bonito toda vida.

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Depois de falar tudo isso, vou lhe dar alguns dados para avaliar o
tipo de fonte que sou. Não escreverei um capitulo inteiro sobre minha biografia pois
não sou pessoa importante, nem tão velha, que tenha tanto para falar.
Nasci em junho de 1971, primeira filha, neta e bisneta de uma
família que misturou tudo: brasileiro quatrocentão- uma avó. Italianos do norte da
Itália - outra avó. Um avô húngaro e um avô do sul da Itália. Fui filha de uma
concepção indesejada, meus pais ficaram casados por 11 anos. Tenho uma irmã e um
irmão mais novos. Não conheci meu avô húngaro, mas amei meus outros avós como
a meus pais, até mais. Meu pai era economista e minha mãe enfermeira, fui a
“coisinha fofa” da família, mas, diga-se de passagem, que queriam muito era um
menino. Fui destronada quando nasceu minha irmã e, definitivamente, quando
nasceu meu irmão mais novo, o “queridinho da família”, que era fofinho mesmo. Nas
férias havia muitos primos para brincar.
Tive uma infância onde as boas recordações predominaram, mas
onde havia dois mundos que eram regidos pelo mesmo fator, a mediunidade e suas
consequências. Tinha amigos normais, pois tive uma “turma da rua”, na época onde
uma criança só ficava dentro de casa quando estava de castigo. Esses amigos não me
julgavam estranha, mas usava o recurso de dizer “tenho que ir para casa” quando
sentia que o Outro Lado me chamava. Na escola não podia me ausentar. Isso fez com
que as outras crianças percebessem que era diferente e tivessem mais tempo para
me julgar.
Querer ficar sozinha boa parte do recreio não ajudava a melhorar
a situação. Eu não tinha recursos verbais para sequer explicar a necessidade de
precisar ficar só para me “limpar” das energias que absorvia dos colegas e
professores. Sorte minha ter estudado até o 8º ano em um colégio com muita
vegetação e espaço. Em qualquer lugar aonde haja verde há elementais e eles já
sabiam do meu problema, ajudando-me na hora do recreio.
Mesmo sendo crianças, meus colegas traziam muita coisa de
casa, pois elas e os velhos têm uma facilidade maior para receber energias perversas.
Essas “coisas” que traziam de casa eram atraídas por mim, involuntariamente.
No início da adolescência, as tristes situações que ocorrem nessa
idade, como a mudança dos hormônios, ampliavam-se por estarem envoltas em
questões espirituais que não conseguia resolver. Quando o sofrimento aumentava por
falta de ter com quem falar era a hora que me sentia pior. Demorou muito para
aparecer alguém com capacidade para responder às perguntas que conseguia
verbalizar, pois muitas delas ainda não podia nem formular a mim mesma, muito
menos para os outros. Infelizmente, não posso afirmar que essa pessoa me fez
aprender por bem e, sim, pelo mal que me causou. O fato de estar desesperada para
compreender o que estava ocorrendo fez com que o primeiro que apareceu fosse o
“qualquer um” que o desespero atrai.
A adolescência foi muito sofrida pela separação dos meus pais e
por tudo o que me levou a querer escrever. Entrei para a Faculdade de Historia da
Universidade de São Paulo e só não completei o curso porque um amor maior
apareceu na hora espiritual certa, porém cedo demais para a matéria. Não subestime
o poder do amor. Eros, ou Cupido, era o deus mais temido por todos mortais e
imortais. Hoje a medicina provou o que os apaixonados já sabiam há milênios que a
área do cérebro onde fica ativada a paixão é a correspondente à tomada de decisões.
O efeito que a paixão provoca na pessoa é comparável às medicações que a proíbem
de dirigir e atuam, inclusive, nas decisões mais complexas.
Casei com esse amor e dele nasceram mais três amores e, logo
após, adveio o divórcio que foi causado por queixas comuns a casais que se separam,

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mas, principalmente, por que a questão mediúnica ainda não estava bem
desenvolvida por mim naquela época. O que não consegui destruir no casamento
outros médiuns que estavam envolvidos na minha vida e que eram tão mal
trabalhados quanto eu, conseguiram. Tudo que é importante para você trás perdas e
sacrifícios, inclusive coisas boas que serão colocadas nesse altar e sacrificadas antes
que você perceba.
Nasci na grande cidade de São Paulo, mas, ao tempo que este
livro era escrito, morava há dezoito anos na área rural mineira. Gosto de não estar
cercada por muitas pessoas todo tempo, mas alguns animais vão bem como
companhia. Pratico a dança, a costura o estudo de línguas, física química e todas as
ciências me interessam.
A história que daria uma boa imagem da minha vida é uma lenda
dos nativos hopi, tribo norte-americana, que se autodenominava tribo do urso: uma
índia viu certo dia, uma ursa na floresta que estava muito doente. Resolveu, então,
levá-la para sua cabana. Como não fizesse idéia do mal que a acometia, achou que
iria morrer. Todavia ela levantou-se e disse à índia para ir buscar tal e tal erva e
fizesse um medicamento que, e em dez dias, ela ficaria bem. A índia obedeceu e de
fato a ursa melhorou, mas logo em seguida ficou doente e de uma forma horrorosa.
Mesmo gravemente enferma, a ursa disse à índia para procurar outras ervas e adotar
outros procedimentos e então melhorou. História vai, história vem, depois de muitas
outras enfermidade e recuperações, a ursa disse-lhe que o aprendizado que lhe
passara estava completo e que iria embora. Levantou-se e saiu pela mesma porta
que entrara doente e nunca mais foi vista.
A moral da história é que a Ursa Sagrada ensinou tudo o que os
hopi tinham de sabedoria, mas fico imaginando o espanto da índia. Todo sofrimento
pelo qual passou, limpando vômito, curando chagas da ursa e, um belo dia, que já ia
tarde, a ursa levantou-se e foi embora.
Minha vida tem sido tão maluca, que algumas pessoas se
surpreendem de eu ainda estar viva e razoavelmente bem no que diz respeito à
saúde mental. A sensação que tenho quando coisas me acontecem e lembro-me da
história da ursa, é da cara de tacho da índia quando a ursa levantou-se e foi embora.
Consta, ainda, sobre a lenda que a índia teve uma experiência de êxtase e se tornou
uma grande sábia...assim esperamos.

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MEDIUNIDADE SERIA O QUE MESMO?

Como soube, ainda criança, que lhe deixaria estas páginas, tudo
o que agora lhe escrevo é, propositalmente, baseado em minha experiência pessoal
que engloba o que estudei, o que aprendi sozinha e através de outros médiuns. Sei
que há estudos científicos sobre a mediunidade, mas não chegaram a mim até a
presente data por mais que os desejasse. Sou a primeira a dizer: vá atrás deles e leia
tudo o que lhe cair nas mãos. Você não faz idéia de quanto lhe fará bem poder
conversar sobre tudo, e ser difícil de ser enganado. Relevante mesmo é saber que
está sendo sacaneado, pois, A VERDADE VOS LIBERTARÁ e isso só ocorrerá através
do conhecimento e da sensibilidade.
A mediunidade é, pois, a capacidade de mediar dois pontos. É o
que fica no meio, não pertencendo a nenhum dos dois pontos e, sim, contendo ambos
em seu domínio. Isso lhe parece familiar? Parece-lhe matemática? Tipo conjuntos?
Inclua matemática nos seus domínios se quiser saber o que lhe acontece. Não estou
brincando, não. Conceitos de matemática, física, química, e não de religião, mitologia
ou filosofia, irão fazer toda a diferença, pois estes três últimos não estão dentro do
seu corpo, mas os três primeiros sim. A mediunidade é o que o médium tem e a
palavra médium, no dicionário, é aquele que faz a comunicação com as almas dos
mortos. Isso é tudo o que lá está.
Importante realçar que a mediunidade é involuntária. O médium
nasce com a capacidade física de servir de ponte entre o mundo de ligações
predominantemente carbônicas e estruturalmente “rígidas”, e o aquele de n-ligações,
de estruturas menos “rígidas”, que não são perceptíveis aos glóbulos oculares desta
espécie homo-sapiens. Poderíamos, mesmo, afirmar que perdemos a capacidade
ocular que não era algo necessário à sobrevivência da raça. Todavia, continuarei
pesquisando para entender se o problema foi com o globo ocular, com a recepção
cerebral ou se estamos vendo e recebendo da mesma forma que o homem primitivo
ou estamos somente arquivando a informação, sem dela tomarmos conhecimento no
consciente, ou seja, estando “acordados”. Aguarde que oportunamente voltarei com
essa informação.
Em outras palavras, o médium é você, a mediunidade é aquilo
que não te deixa dormir, que não resolve problema algum e faz que você seja capaz
de saber de onde veio e para onde vai. Ah! Aquele buraco...
Tanto faz se você acredita ou não, no que vê, mas faz toda
diferença o que você faz com isso. É indiferente se você partilha com outros ou não.
Isso é uma decisão pessoal, mas como você está lidando com a informação que você
recebe sobre os outros, isso é o que vai fazer sua vida virar um inferno ou não. Alias,
já tendo confirmado que certo racismo paira sobre o assunto, a parte cretina da
historia toda é que a mediunidade é tão simples e tão complicada como a
sexualidade, o amor, a saúde e até o dinheiro. Não a subestime nem superestime. Já
há muito tempo, os grandes mestres diziam que o ser humano perfeito é aquele
capaz de se manter equilibrado em tudo, desde a alimentação até as emoções. O
próprio Salomão afirmou que no tempo dele não havia nada de novo sob o sol e isso
há uns três mil anos. Todos eles estavam certos.
Há mediunidade com diferenças? Bem, se considerarmos que
cada pessoa no planeta é um ser diferente, reagindo de formas diversas, e que Deus
é bem criativo, existem infinitos estados de mediunidade. Considerando a diversidade

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de dimensões, o que também faz diferença, a conta dá um resultado ridiculamente
imenso. Todavia, somente alguns tipos de mediunidade nos interessam na realidade
do dia a dia. Tudo que você conhecer fará diferença entre se machucar ou machucar
o próximo. Você terá de prestar atenção nos tipos principais de mediunidade com
suas variações, pois, terá contato com muitas outras pessoas nesta vida, inclusive o
jornaleiro, seu marido ou esposa, sogros, patrão, empregado, e saber o que eles são,
o que é você, e tornar sua vida melhor.
Os tipos de mediunidade que ocorrem com mais frequência são:
Os cinco sentidos mediúnicos, pelos quais a pessoa tem a
capacidade de ver ouvir e, em alguns casos mais complexos, até sentir o tato e o
odor. Normalmente o médium nasce com estes atributos, mas estudei outros de
pessoas que, após um acidente grave, com coma e/ou morte clinica começarem a
ver, ouvir e sentir depois de voltarem destas terríveis experiências. O oposto também
é comum como quando crianças com essa capacidade perdem a sensibilidade com o
avançar da idade, ou de uma agressão física e/ou mental durante sua fase de
crescimento, mas isso não as torna não-médiuns.
A capacidade de viajar no tempo passado e futuro é outra
categoria. Nunca soube de pessoas que só pudessem ir para o futuro e não para o
passado. De posse de um objeto pessoal de alguém, este tipo de médium consegue
ver o passado, o futuro e o presente, em especial os fatos mais marcantes. Com essa
mediunidade bem treinada, estas pessoas podem ajudar até em casos policiais.
Falaremos melhor disso depois, pois a visão está condicionada à “autorização” do que
pode ser visualizado sobre o indivíduo ou acontecimento, e do que pode ser falado.
Ver ou saber algo nem sempre conecta com autorização para falar.
Incorporação é a mais controversa e complexa porque envolve
a pessoa que a recebe e a que a promove. Trata-se do individuo que ocupa o corpo
do médium por um período de tempo. Neste tipo de mediunidade está incluída a
psicografia, a possessão e tudo o mais que a pessoa sozinha não consegue fazer.
Aqui vou fazer uma pausa para falar de uma forma que não usaria normalmente.
Porque é o mesmo que falar para uma pessoa em estado de virgindade sexual, e todo
mundo já passou por isso. Sobre a incorporação, é melhor experimentar do que ouvir
falar a respeito, se você está curioso. Todavia, como entendo a curiosidade que existe
de querer experimentar, vou lhe contar o que senti sobre a incorporação.
A primeira vez é estranha, sente-se dores e muito mal estar.
Como é uma experiência em que 99% das vezes haverá mais do que três pessoas
presentes, é um momento ruinzinho porque ‘tá todo mundo olhando’. Você sente
vergonha por não entender o que está ocorrendo com o seu próprio corpo, pois as
reações são bem esquisitas e tem que ter muito peito para deixar isso ocorrer mais
vezes. Eu não nasci com esse tipo de mediunidade. O ‘touro’ veio bem devagar, mas
conheci casos que me inspiraram muito respeito envolvendo o corpo. É pior que
emprestar roupa íntima porque você estaria emprestando o que fica dentro da roupa!
O mal estar é algo que permanece por muito tempo. Ele acontece
sempre que uma entidade bem maior que você, em tamanho e/ou força, incorpore. É
algo que pode machucar, e é assunto a se tratar com muita cautela. Acredito, com
minha experiência, que menores de 30 anos não deveriam lidar com isso, mas
existem os que já nasceram com esta faculdade que geralmente se manifesta na
puberdade e exigem a presença de pessoas experientes para acudi-la. Assim como a
primeira transa, se a primeira vez não for traumática, as demais serão promissoras.
Apesar da minha natureza tensa, depois de conseguir vencer o
medo e relaxar, a entidade que ‘emprestou’ meu corpo era a velha rainha mais
maravilhosa desse mundo, era a grande avó de todos. Foi muito bom ver alguém de

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tanto respeito me ensinando a cuidar de mim mesma. Por isso aceitei a incorporação
inclusive para vencer um tabu e ver no que dava, mas nunca imaginei que tal
experiência fosse me ensinar tanto, pois ceder o próprio corpo é um ato de
humildade. É verdade que está humildade possa dar espaço para inconsequência.
Todavia, com estas experiências cresci muito.
Devo dizer que quando incorporo permaneço consciente, ou seja,
ao incorporar, “fico de lado”, observando. Isso foi ótimo porque fui apreendendo e me
maravilhando ao ver um braço meu não me obedecer e de perceber como os Outros
falavam sobre assuntos que eu não tinha condição de saber. Infelizmente, estou
perdendo a capacidade de ficar “de lado”, ou seja, com mais uns anos provavelmente
não verei nada, parecerá que estive dormindo, vamos ver. Sempre há um mal estar
que precede a incorporação. Isso não é ruim, aprende-se a com ele conviver.
A mediunidade de incorporação de nascença, que se apresenta
na tenra infância, é uma condição que está ficando cada vez mais rara. Trata-se de
médiuns com muita força magnética em seus campos físicos e espirituais e que,
consequentemente, sofrem muito durante suas vidas. Conheci pessoas que tiveram a
primeira experiência de incorporação aos nove anos. Elas não tinham controle algum,
ou muito pouco, a respeito de quem, quando e como poderiam incorporar. Para obter
este controle é necessário muito trabalho e empenho sempre pensando haver
equilíbrio. Elas sofrem fisicamente, pois se forem incorporadas por um obsessor
agressivo, seus corpos poderão ser machucados.
A mediunidade é hereditária, o órgão dela é o cérebro e a nossa
medicina irá descobrir o ponto exato onde está a bendita antena, que pode ser
pequena, tipo radinho, ou melhor, MP3, ou ser aquelas do tamanho de um fusca. As
leis que determinam os fatores recessivos, dominantes, autossômicos, reincidentes,
enfim, leis de hereditariedade são as que regem os tipos de mediunidade. Você não
precisa conhecê-las a fundo, se quiser apenas com elas conviver. É preciso saber que
se você e seus pais tem o fator dominante, aquele seu irmão que não possui
mediunidade, poderá parece uma parede, principalmente na hora de conversar, ou
ele tá fingindo de boi sonso e aos trinta anos poderá se revelar o grande feiticeiro da
Babilônia. É o fator recessivo, ou seja, ele porta o gene da mediunidade mas não é
médium.
Participei de um caso onde numa criança a mediunidade estava
se abrindo rápida e violentamente, tendo em vista a separação dos seus pais quando
tinha apenas nove anos de idade. Decidiu-se que era uma situação prematura e foi
realizado um procedimento para que isso fosse fechado naquele momento, para mais
tarde ser aberto. Quatro anos mais tarde, pude perceber que a mediunidade precoce
tinha sido um ato divino para proteger aquela criança de coisas piores. Não deveria
ter sido modificado o curso natural específico dela. O Criador sabe, bem melhor que
nós, os momentos certos para tal e é muito difícil aceitar o que é estranho já que não
enxergamos o Todo. Esse menino não se beneficiou da intervenção realisada. Os
problemas que ele teria enfrentado naquela ocasião não seriam piores do que aqueles
que veio a enfrentar depois. Eu, pessoalmente, não mais intervenho em casos desta
espécie. O que pode ser feito para a pessoa em tal situação é apoiá-la com muita
atenção e sobreaviso.

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DIFICULDADES PELAS QUAIS PASSA O MÉDIUM

Não é só a mediunidade que trás dificuldades à vida de uma


pessoa. Evidentemente que não se precisa ter a condição mediúnica para se ter
problemas na vida. A questão é que, até agora, não pude provar que a mediunidade é
importante para a evolução da nossa espécie (nem de nenhuma outra). Também não
consegui provar o contrário, que isso seria um entrave para o desenvolvimento
humano. Acredito mais na primeira hipótese, pois é muito sofrimento para um
‘resultado’ duvidoso, considerando que esta dimensão não é sempre fácil de engolir e
em outras não há necessidade de mediunidade.
Sou totalmente São Tomé: preciso ver, ou sentir, para crer.
Muitas pessoas fazem a perguntinha básica: “como é possível você acreditar nisso se
não viu?”. Eu vi sim, estive lá, vi vidas passadas, minhas e de outras pessoas,
consigo visualizar o futuro, vejo e escuto pessoas que Lá habitam. Como eu posso ter
certeza? Passei por três psiquiatras, e nenhum deles diagnosticou em mim patologias,
como a esquizofrenia, que ouve e vê coisas que inexistem.
Sinceramente falando, gostaria muito de me livrar desse peso,
mas algo me impede dizendo que isso é parte do que sou. É a minha história, desta e
de todas as vidas anteriores que consegui enxergar. Como eu posso jogar fora algo
que está comigo há 25.000 anos, se nem jogando um copo de papel pela janela do
carro eu consigo, sem sentir-me mal? Ah, mas jogar lixo na rua é antiecológico, é
feio, é ruim. Sim, da mesma forma não consegui provar que a mediunidade deva ser
jogada fora. Aliás, por falar nisso, os melhores médiuns que conheci são muito
ecológicos, pois enxergam a luta dos protetores da Terra para proteger o meio
ambiente dos depredadores e não se consegue ver isso sem se engajar.
Outro empurrão que tive para trabalhar minha condição
mediúnica em níveis mais completos foi o exemplo que minha família mostrou do tipo
‘não-faça-o-que-faço’. Sou testemunha de como suas vidas foram incrivelmente
bagunçadas por isso.
O meu lar não é na Terra. Pude ver de onde vim, e convenci-me
que minha raça não é terrena. Estou na condição humana há muito tempo, mas
consigo lembrar vidas anteriores a isso. Todos sabem como é lembrar-se da infância,
ou de algo muito bom que ficou pra trás ou de alguém a quem amou muito. A
diferença é que me lembro de muito mais coisas que normalmente se costuma
lembrar. Lembro-me de 14 infâncias, 14 casamentos, 14 maneiras de morrer.
Ninguém merece lembrar de mais de um ex-marido, mas eu me lembro. O
aprendizado cresce, mas a responsabilidade se amplia. Não consigo ‘deixar o passado
para lá’, nem acredito que um soldado esqueça a guerra ou uma pessoa esqueça
como foi bom casar com outra maravilhosa.
Não esqueci o cheiro da guerra nem o sabor de cada amor que
tive. A situação vem crescendo com os anos, pois, ao contrario de lembrar-me do que
ocorreu quando era criança, e vir esquecendo com a idade, lembro-me mais e mais.
Você já foi a um lugar em que já esteve há muito tempo e, ao entrar, passa a
lembrar-se do que aconteceu ali e com quem esteve? Bem, com os anos, estou vendo
mais lugares e conhecendo mais pessoas. Como minha alma é velha para os padrões
espirituais porque já encarnei muitas vezes, mas muitas mesmo, conheci bem este
mundo e muuuuuita gente. Então, estou lembrando cada vez mais, inclusive o que
ocorreu comigo nesses lugares.

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Não me traz felicidade ver que pessoas que amei, ou admirei, ou
filhos, que eram alegres e tinham uma vida feliz, são uns idiotas e estão cometendo
erros que não teriam praticado antes. É como se pudessem “emburrecer” com o
passar das vidas. Machuca demais não poder dizer que fui mãe ou mulher, ou amiga
numero um deles, e que estou sofrendo com o que estão fazendo. Sou a testemunha
das pessoas maravilhosas que eles são e quero ajudar, apenas conversando, ou
estando ao seu lado para o que der e vier, mas que o que estão fazendo não é digno
do ‘amor de pessoa’ que sempre foram. Por duas vezes passei pela experiência de
não conseguir me conter ao ver desgraça tão grande. Não ganhei a compreensão por
parte de quem estava alertando por terem interpretado meu gesto como intromissão
em vida alheia.
Visto pela perspectiva mediúnica, minha família é bem maior de
que os olhos terrenos possam enxergar. Tenho muitos amigos e número maior ainda
de inimigos. Alias estes últimos não compreendem quando não lhes digo que não
quero amizade com eles nesta vida, pois, sei o que com eles ocorreu em vidas
passadas e vejo os riscos de não haver entendimento entre nós na vida atual. Por
respeito me afasto, aguardando o dia em que um entendimento venha a ser possível,
e esse distanciamento é tido como desrespeitoso. Mais que isso, como frescura ou
prepotência da minha parte. Perguntam: “Como, por que motivo ela não quer
participar do meu círculo social”? Um conselho: não tente dialogar com antigos
inimigos. Eles não irão acreditar em você. Só se for para poder chegar perto o
suficiente para feri-los, pois, não irão lembrar-se do que aconteceu em vidas
passadas, mas o odeiam da mesma forma.
Pode parecer paradoxal, mas saber da existência desta família
maior, conhecer o amor incondicional, saber onde está a Luz, está me trazendo muita
solidão. Talvez eu esteja agindo como a índia da historia da ursa para explicar por
que o ser humano perdeu a capacidade de lembrar de outras vidas. Veja o mundo de
hoje com a globalização. Garanto-lhe que nunca vi um tempo tão solitário para cada
ser humano. Antigamente povos não se misturavam, era extremamente importante a
integração entre as pessoas, pois, não havia aposentadoria, saúde pública, TV,
creche... A escravidão humana só fez crescer e se esconder, dentro dos lares que
quase não existem mais, e das sociedades que se autodenominam justas. Eu vi vários
finais de eras bem mais violentas que esta e catástrofes naturais horrorosas, mas
nada como hoje, onde estão presentes a solidão, o descaso, o desencanto, a
desilusão e a desesperança.
Não tem sido nada fácil lidar com as tragédias que vejo chegando
e viver com as que já estão acontecendo, pois as que já passaram estão tomando
ainda muita energia minha, o que não me lembro de ter visto anteriormente. É
verdade que havia guerras, matança de crianças, estupro de mulheres e homens,
mas quem sobrava, se levantava, ia lamber suas feridas e viver. Hoje, lamber feridas
está impedindo de se viver, pois, não estão cicatrizando. É como se a humanidade
estivesse cansada talvez das suas feridas, de lambê-las ou talvez das duas coisas.
Dizem que se as coisas não andam bem é porque ainda não
terminaram. Tá bom, conta esta história pra outro. Há certas frases que são tão
maravilhosas que gente do “deixa disso” as usa o tempo todo. Ocorre, entretanto,
que não mais ajudam. A palavra não tem mais credibilidade por que é dita sem
conhecimento de causa, sem verdade vinda do coração. Você não é obrigado a ouvir
coisas assim. O melhor “deixa disso” que já ouvi foi de quando algo doer faça da
seguinte forma ponha as mãos na cintura, barriga prá dentro, peito prá fora e grite
bem alto F#D&*! Depois vá tomar uma cervejota, ou um suquinho, enquanto for
menor de idade, e pronto ficará bem.

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Falando sobre a presença de “gentes mortas”, não me lembro,
nesta e em nenhuma outra vida em que não tenha envolvido as entidades, com as
quais ainda convivo, nas minhas decisões. Por dois motivos: elas não largam de mim
e dizem que também não largo delas, mas isso é intriga da oposição porque acabam
estando presentes em todos os momentos, próprios e impróprios da minha vida. Não
adianta ir contra, pois, seriam o tipo de inimigos aos quais você deve se unir, pois
não pode vencê-los. Há um simples motivo que concorre para isso... Eles têm todo
tempo do mundo. Estão vivendo a mais tempo do que a Terra existe, inclusive os
mais bravios e conhecem o Tempo melhor que nós, que ainda estamos no jardim da
infância, achando que domingo ainda está muito longe. Nunca valeu a pena discutir
com eles. Dizer: ‘olha, a coisa tá demorando pra endireitar e estou meio que sofrendo
e isso tá me deixando deprê e eu tô meio que perdendo a calma!’ Eles realmente não
se incomodam.
Se você já tem idade para cuidar de crianças, sabe que elas
pedem coisas o tempo todo e, de inicio, você corre pra saber se o choro é prenuncio
de morte eminente. Depois de umas dez corridas, você vai atendê-los, mas com
calma. Finalmente, você passa a entender que elas sempre querem alguma coisa, e
de dez uma, apenas, é relevante. Não mais irá correr para atender tudo quanto é
porcaria de chamado que os pequenos piarem. As entidades guardiãs fazem o mesmo
conosco porque somos uma raça ainda infante e elas sabem que sempre estaremos
pedindo. Já passaram por tudo, evoluíram, estão muito bem e, para elas, não
devemos nos preocupar porque num dia desses tudo vai dar certo.
Esse é o outro lado da moeda: aqui no planeta Terra somos os
clientes e o cliente sempre tem razão. Afinal, as entidades estão aqui porque nós
existimos. Caso contrário, eles estariam em Júpiter, ou outro planeta, cuidando de
alguém naqueles mundos. Ninguém deve abrir loja sem clientela à vista. Até hoje não
vi loja de pedra-pomes no Pantanal, para os jacarés da região. Assim sendo, se a
coisa não vai bem, quem tem direito à reclamação é o cliente. Pois é, a coisa funciona
do mesmo jeito com o espiritual, o astral, o Outro Mundo. Somos clientes mas somos
crianças no jardim da infância. Os patrões tem todo o tempo do mundo. Sabendo
dessa realidade, você entende o mecanismo existente por trás dos pedidos atendidos
ou não? Todas as rezas, pedidos e desejos são ouvidos, acredite-me. “Cuidado com o
que pedes, pois seu pedido poderá ser atendido”.
Sobre isso tenho uma historia para contar, bem básica, mas que
acontece o tempo todo. Quando adolescente, fazendo panca de gente adulta,
passando maquiagem para parecer mais velha (hoje passando maquiagem para
parecer mais nova), vendo que meus protetores podiam me passar alguma
informação privilegiada, eu me engracei por um rapaz. Bem astuta, pedi,
gentilmente, que me ajudassem a conquistá-lo. Nada especial, era um bonitinho da
vida. Não deve ter sido difícil, pois além de eu ser nova, e tudo que é novo é uma
gracinha, o rapaz não era muito forte mentalmente. Oh! Deus, como eu me arrependi
de ter pedido ajuda. Ele era uma mala, um insosso e deu muito trabalho para
devolver! Os bons protetores riram a beça, aliás, até hoje riem de mim se menciono o
caso, e tive de me virar sozinha, pois parece que não há departamento de
devoluções. Como eles gostam de passar esse tipo de lição, ficam de butuca,
esperando sua inocência agir, como se tivessem raiva disso, ou que o mundo deles
fosse chato e eles só precisam tiram um sarrinho em cima de coitados que estão
encarnados, sem lembrar-se do que foram. É, mas como nos proteger Deles quando
se divertem com nossos erros? A maioria ri de dó, mas uns riem de prazer, chegam
mesmo a encher seus olhos de lágrimas. Às vezes costumo pensar que seremos

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eternos calouros, bichos de todos os anos, numa faculdade que tem cem formandos
para cada bicho.
Minha mediunidade já melou amizades, namoros, estudo,
empregos e família. Mencione algo e eu lhe conto uma história pessoal e dezenas de
outras. Quando uma situação se delineia, ou pessoa se aproxima (é bem louca esta
parte) é como um computador: informações de todo tipo aparecem. Sabe esses
filmes norte americanos, em que o mocinho tem todo aparato doido dando
informações? Os bandidos estão chegando, o cara já sabe em quanto tempo, quantos
são, a roupa que usam o clima em Istambul, que não tem nada a ver com o fato, a
hora que a mamãe deles nasceu e coisa e tal? É assim, e quanto mais importante a
situação, ou a pessoa, a informação chega mais rapidamente. Depois que ela para de
vir, vem geralmente a pergunta “como você vai fazer?”, veja bem, não é “o que você
vai fazer”, pois nas informações já está contido ‘o que’. O sistema mais usado é SE
VIRA.
A mediunidade traria um Mundo maior, mais gente, mais coisas
acontecendo, excitante não? Mas como você vai fazer se ninguém vê o mundo que
você vê? Não acreditam, não querem acreditar e são mais felizes não acreditando. Se
o problema é da sua conta, até dá vontade de resolver, mas e quando não é? O já
mencionado cara na sala não é, diretamente, problema seu. O que sua mãe fez e com
quantos fez não lhe é pertinente. Se você contar pro seu pai, ai poderá vir a ser
problema seu, pois a casa pode vir abaixo. Então, você pensa: ‘a gente só faz o que
quer, ninguém me obriga’. Bem, o LIVRE ARBÍTRIO foi o que fez a raça nossa não ser
benquista no Universo.
Ninguém, incluindo entidades, me obrigou, de fato, a fazer nada,
uma parte dos erros que cometi foi porque todo mundo tem sua quota de m&#d@
para adubar a vida. Entretanto, muitas situações não são apenas de limite pessoal
porque envolvem os seus erros, os dos outros e tá todo mundo seguindo o que Jesus
disse, ou seja, “trate o próximo da mesma forma que você deseja ser tratado”. Mas
quem disse que as pessoas andam se tratando bem? Quem não sabe se tratar bem
vai tratar o próximo COMO? A maioria dos meus conhecidos me enche de pavor
quando me tratam bem.
Desculpe lhe dizer que nenhum médium ou filosofia irá protegê-lo
de sentir dúvida muitas vezes na vida. Muitas vezes me apavora a possibilidade de
que ao finalmente morrer e chegar ao meu destino, não encontre nenhuma das
entidades que me protegeram, ou aquelas que me perseguiram, durante a vida. Às
vezes penso: e se for tudo uma grande cascata? E se tudo for ilusão de ótica, piração,
doideira? Não é medo de ser demente, pois isso explicaria tudo o que passei nesses
mais de 40 anos. Mas e se eu for para o Outro Lado e não reconhecer ninguém, só
aquele hospitalzinho insosso, com gente que volita (flutua em deslocamento)
vestidinha de branco, tudo em paz e amor, mas só humanos ao meu redor? Eu tenho
muito medo dessa perspectiva. Muitos aspectos dessa hipótese me amedrontam
sobremaneira e é normal que você também venha a ter as suas dúvidas de tempos
em tempos.
Agora, olhando para o lado dos “vivos”, vejo inúmeras pessoas
tristes e andando como zumbis, coisa que o zumbi não é, pois é um cara meio morto,
não meio triste. Pessoas que cumprem o que acham que tem que cumprir e
continuam tristes com cara de quem comeu e não gostou. Mesmo que a mediunidade
traga suas dificuldades, também lhe dá ferramentas que permitem uma visão ampla
de todas as situações sem precisar ‘empurrar’ a vida como um zumbi.
Quando fico assim, agindo sob a pressão destas dúvidas, peço a
Eles que me lembrem de suas existências, com fineza e educação. Como adoram

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mostrar que estão do meu lado, da maneira mais dolorosa possível, eu peço que me
lembrem docemente, com carinho, mas nem sempre eles me atendem. Numa das
vezes estava bem abusada, xingando-os por tudo dar errado e a resposta foi-me
“tatuarem” com pó quente de café no braço. Quando consegui arrancar o pano da
manga que havia grudado na pele vi que a queimadura havia formado o símbolo da
entidade com a qual falava.
A solidão é algo que custa caro. Então, quando você está com o
saco cheio de conviver com entidades sempre ao seu lado, pense que quando
estiverem em silêncio e não puder enxergá-los poderá ser pior. Quando crianças
estão aprontando geralmente ficam em silêncio, mas cuidado ao pedir para vê-los.
Peça, colocando todos os detalhes: quero ver no claro, sem susto, em paz,
devagarzinho. Especifique o que você quer, pois são muito ao pé da letra e gostam de
fazer entradas triunfais. Terá que aprender a viver com eles de perto tanto os bons
como os que não são. Meu avô sempre me falou sobre isso e ele estava certo.

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MEDIUNIDADE E SAÚDE

É fato que saúde é do que mais precisa o ser humano. Todos


rezam pedindo isso, pois, sem ela não se tem o restante. Vou mais longe e digo que a
única coisa digna a se pedir para alguém é a saúde porque todo o resto pode dar
errado. Peça um emprego para alguém e isso pode não sair como você desejava, o
mesmo com todos os demais pedidos, menos com saúde, pois não há duas medidas
para saúde.
O princípio básico de ser saudável é que todo excesso ou
deficiência gera desequilíbrio, causando vários transtornos a longo prazo. Vamos,
para efeito de compreensão, dividir a saúde em física, emocional e mental. Existe o
desequilíbrio causado pela mediunidade e por fatores externos que incidem na pessoa
que é médium.
No que concerne à parte emocional, o primeiro desequilíbrio é o
sofrimento causado pela forma como tratam o médium. Isso ocorre por que não
levam a questão mediúnica a sério ou a levam a sério demais a ponto de sentirem
medo ou simplesmente porque a pessoa não está interessada em seu sofrimento. Não
dormir à noite é o que há de pior para um ser humano, mas para um médium é ainda
mais perigoso. São noites insones, mas com acompanhante(S). Gente que você não
sabe de onde veio nem pra onde vai, e que não param de contar desgraça e pedir
ajuda. No filme “Ghost- do outro lado da vida” (Paramount Pictures, 1990, dirigido
por Jerry Zucker), dá para se ter uma ideia através da personagem vivida por Whoopi
Goldberg, falando a noite inteira com o rapaz-fantasma que não a deixa dormir.
Outra situação: você está num momento intimo o tal do “enfim
sós” com o seu amor, mas isso não existe, pois, você está enxergando gente
empoleirada em todo canto, fazendo até apostas de quanto tempo isso vai durar e
você escuta. O que acontece? Você brocha e a galera cai na gargalhada. Seu (sua)
namorado (a) diz, ao sair: “eu te ligo, tá”? Se você for uma médium, provavelmente
escutará a pérola: “você não gostou? Eu não a satisfiz”? Você responderia que
brochou porque espíritos sentados em cima da TV falaram que ele está mentindo
sobre gostar de você? E quando a plateia é de fantasmas camaradas como seu avô,
seu tio, a velhinha que você pensou ser sua amável vovó? Gente que você apenas viu
em foto, mas da família, todos ‘gente boa’. Que sorte que a visão e a audição
mediúnicas são difíceis de encontrar, não é?
Algo bastante corriqueiro para o médium é sofrer “por
antecipação”. Coloco entre aspas porque tendo ele clarividência e enxergando o seu
futuro ou de alguém próximo, o tempo já não será uma coisa futura, mas estará
acontecendo em tempo real. Pode não ter acontecido para o resto do mundo, mas
para quem viu, ver é o principal dos nossos cinco sentidos, está sendo vivido no
tempo presente. Começam, então, as emoções naturais de quem vê algo que não
queria que ocorresse ou, ao contrário, quer que aconteça logo. Exemplo: você vê a
morte do seu avô. É algo que já era esperado em razão da sua idade, mas você não
está preparado, terá que fazer provas no fim do ano, convive com um namorado que
lhe está dando mais tristeza que prazer, sua saúde não está bem. Não é que você
não queira que seu avô morra, principalmente quando sabe que é melhor para ele.
Porém, para você não é um bom momento para sofrer a perda de um ente querido.
Lidar com esse sofrimento emocional que, repito, para um
médium está no tempo real, embora alguns contestem, tem consequências na sua

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saúde. Quando recebi a comunicação mediúnica de que meu avô iria morrer, tinha
apenas 15 anos e o que uma pirralha desta idade pode saber acerca de “processar os
sentimentos relativos à perda”? Não conseguia falar para a minha família o que se
passava comigo, nem entender a agonia que sentia.
Perguntei a meu avô por diversas vezes: “Vô, o senhor está
bem”? Achava que ele poderia me ajudar a entender as visões que vinha tendo e ele
respondeu do jeito que achou correto e que não foi: “Estou cada vez melhor... cada
vez melhor...”. Acreditava que o ‘estar melhor’ era não morrer, mas isso ia de
encontro às visões que tinha. Cada vez que ele dizia estar bem, eu tinha uma visão
mais forte dizendo-me o contrário A mania de algumas entidades falarem por
trocadilhos, parábolas do cacete ou profecias idiotas cheias de poesia me irritava.
Meu avô parecia estar feliz em morrer, droga, como eu iria saber? Era a primeira
morte que viria a sentir nesta existência e o baque foi terrível. Adoeci, tive um
choque anafilático com o antibiótico receitado ,por pouco não morri, perdi provas no
o
ultimo bimestre do 3 colegial, quase perdi o ano e o vestibular. Quando voltei às
aulas precisei ir carregada de tão doente que fiquei. Fiquei mal com a perda? Sim,
mas pior ainda em razão dos dois anos de conflito que vivi vendo coisas que as outras
pessoas não viam. Impossível passar bem vivendo tais problemas na infância e
adolescência.
E quando você visualiza algo bom chegando, tipo um filho que vai
nascer em dois anos ou uma pessoa linda que vai aparecer? Quem não fica tenso por
ver uma coisa boa chegando e o tempo parece uma eternidade? Você já viu como fica
cachorro faminto vendo o dono preparar sua comida? É assim que a gente fica:
babando. Não que depois não venhamos a nos arrepender de certas coisas pelo
caminho, mas o melhor da festa é mesmo esperar por ela.
Como se diz, ”pimenta nos olhos dos outros é refresco”, o seu
sofrimento emocional não costuma ser levado a sério, pois não podem visualizar o
que você alega estar vendo, mas saiba que a dor emocional é sentida pelo cérebro
como a dor física. Ele não distingue a diferença entre machucar o pé ou levar um pé
na bunda, apenas detecta a presença da dor e reage a ela. Qualquer um que pratique
alguma das medicinas ditas alternativas sabe que uma dor emocional, a longo prazo,
leva ao desequilíbrio, que, por sua vez, leva à doença física.
O órgão da mediunidade é o cérebro e o médium está sujeito a
n- doenças mentais e cerebrais. Agentes externos podem provocar esses
desequilíbrios, como obsessores - aqueles que, não tendo o que fazer, ou querendo
fazer demais, grudam em uma pessoa. Em contra partida, o médium está sujeito a
ser obsessivo em relação a uma pessoa encarnada, ou desencarnada ou a algo, como
uma obsessão religiosa.
Muitíssimo comum é a loucura, sem origem física, aquela sujeita
a surtos assustadores, ou convulsões, muito fácil de ser confundida com patologias
psiquiátricas, mas, se forem causadas por uma questão mediúnica, o tratamento
resulta em cura total. Ao contrário, doenças como a esquizofrenia e o distúrbio
bipolar ainda não têm cura no corpo físico. Dentro disso, a variedade de patologias é
vastíssima, pois se tem muitos tipos de obsessão, com vários tipos de obsessores, e
juntando com diferentes tipos de distúrbio bipolar, como exemplo, que são quatro,
resulta em bons abacaxis para descascar.
Existem esquizofrênicos médiuns, pois desgraça pouca é besteira,
e certos tipos de obsessores gostam muito de usá-los para fins escusos. Um
esquizofrênico não irá se curar, mas será beneficiado, e seus familiares mais ainda,
através de um tratamento espiritual que acompanhe o tratamento clínico. Tive

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contato com pessoas com doenças mentais físicas e sei a dificuldade na vida de quem
é próximo delas.
Médiuns estão sujeitos a derrames, tumores e câncer cerebral.
Se o caso for kármico, destino, dívida, não há o que fazer, a medicina da terra tem
que estar acompanhando. Também estão sujeitos a doenças do sistema imunológico
e doenças autoimunes, pois a ‘moeda’ nas transações entre mundos é o plasma e a
linfa do corpo do médium e, não havendo uma boa reposição desse plasma, as
alterações causarão problemas a nível físico.
Médiuns apresentam alterações das funções do organismo,
desequilíbrios que apresentam quadros clínicos, mas não são detectados em exames
laboratoriais e radiológicos, e é muito triste escutar: “É tudo da sua cabeça”, é
psicossomático, você quer estar doente. Antes de a doença chegar ao plano físico,
estava no espiritual, e existem tratamentos, das conhecidas linhas naturalistas, que
aceitam e tratam esses problemas de forma individualizada mas não fragmentada. A
abordagem é correta, mas se a doença vem de outras pessoas, cargas energéticas
que não são suas, sem descobrir a fonte, não haverá cura.
É comum problemas sexuais andarem juntos à desequilíbrios da
condição mediúnica. O estudo sobre kundalini e chacras vai ajudar a entender o
funcionamento desse sistema. Quanto à sexualidade, os desvios são apenas dois:
querer sexo demais e não querer sexo algum. Alterações súbitas de comportamento
sexual como sado-masoquismo podem acontecer se o médium estiver com um
obsessor desse nível, e tudo o que é, mesmo dentro dos padrões atuais, considerado
fora do normal para indivíduos saudáveis, é problema associado à mediunidade. A
ausência do desejo é desvio, sim, e há obsessores que o tiram propositadamente para
machucar a vida da pessoa que perseguem. Doenças sexualmente transmissíveis são
punição, ou melhor, cura, pois a doença é o caminho para o reequilíbrio como um
freio num cavalo que não parar de correr.
Para explicar qual a melhor parte da questão sexual, falo de uma
lei da física que diz: dois componentes distintos, dentro do mesmo recipiente, tendem
a se equilibrar em temperatura, moléculas, cargas moleculares, ou seja, em tudo
procurarão equilíbrio de forças e potências, com exceções como óleo e água. A VIDA
SEXUAL É IGUAL. Com quem você se deita, repartirá metade de seus karmas, de
suas energias, boas e perversas, sejam emocionais, mentais, astrais, etc. A marca
daquela troca é para sempre, porque o sexo abre portas onde passará tudo que
estiver ao redor, bom ou ruim. Pode ser uma transa ‘rapidinha’ ou ‘compridinha’,
tocou, passou. Você sai com o dobro de karmas e energias que entrou e compartilha
metade do que era seu, como se a parte que saiu fosse uma duplicata da que ficou
com você. Não fique nervoso, vou explicar como reverter a situação para algo
melhor, mas pense no que foi dito e reavalie aquela pessoa que pode ser bonita, mas
tira mais energia do que dá!
Médiuns sofrem de gastrite, nervosismo, síndrome de pânico, não
só de cargas energéticas vindas de terceiros, mas porque são humanos e sentem
mais coisas que humanos normais. Se forem treinados conseguem reverter parte
dessa situação, mas sem treino a maioria cai no lado obscuro da força, vivendo vidas
que não precisariam viver.
Na maioria dos casos, nascer com mediunidade significa que você
vai lavar roupa suja para o pessoal da família na qual nasceu, para o cônjuge,
descendentes e para outras pessoas com quem tem vínculos diversos, desta e de
outras vidas. Sabe, aquelas pessoas velhas que costumam ter aparência encurvada,
movimentos lentos, parecem pensar devagar? Os anciões, entretanto, são do jeito
que são porque suas vidas se encarregaram de torná-los assim e carregam o peso

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dos outros. Choram mais porque viveram mais e sabem, com muito mais
antecedência que você, a desgraça apontando no horizonte, ou você fazendo me#*@
com a cara mais feliz do mundo. Não é motivo suficiente para chorar? Eles sabem que
você não vai ouvi-los, que a coisa levará um tempo longo para se estabilizar, e que
sobrarão consequências para eles e para todos os envolvidos. Os idosos merecem
respeito pela sabedoria que adquiriram através do tempo.
As cargas energéticas que, com o correr do tempo, você sentirá
na própria pele, advirão de várias fontes. Existem as que vêm pela posição que você
ocupa na família, outras por cargas karmicas familiares ou pessoais, pela idade, pelas
conjunções planetárias. Independente de onde venham, causam cansaços
inexplicáveis, doenças que não aparecem em exames, sensação de usar uma
armadura para resolver tarefas simples. O mal-estar passa tão rápido como começou.
De repente aquele primo de quem você gosta muito já não está mais doente, sua
mãe melhorou o humor, seu irmão “quase” sofreu um acidente, mas agora está tudo
sob controle. Durante o evento, cujas cargas você estará absorvendo, não haverá
meios de analisá-lo, muito provavelmente para não tentar interferir com a ação que
virá a se concretizar. Quando você tem acesso a uma informação ruim sobre o futuro,
saiba que lhe foi permitido visualizá-la, para que algo pudesse ser feito, se não para
evita-la, para então se preparar da melhor forma possível.
Há um caso que presenciei. Uma entidade avisou certa família,
constituída de mãe, pai e três filhos, que o pai teria um ano de vida e que eles teriam
de por suas contas em dia. Quase machucaram o médium que foi instrumento da
comunicação e isso teria ocorrido se pessoas presentes não os tivessem afastado. A
família não queria acreditar, de forma alguma, e consideraram a mensagem uma
ofensa. O pai possuía uma empresa com muitas dívidas e morreu um ano após a
comunicação ser passada. Como não foram tomadas medidas para salvar os seus
bens e a empresa, a família, logo a seguir, perdeu tudo o que tinha, inclusive os seus
rendimentos, a casa em que moravam, o carro, a própria empresa e ainda ficou
devendo dinheiro, por serem não só herdeiros, mas sócios da firma. A mensagem de
morte certa não é comum, mas o Outro Lado, se tivesse sido ouvido, poderia ter
ajudado a família a não padecer tanto. A parte Deles foi feita, mas a de quem
recebeu a comunicação não.
Como as uniões mais fortes são as de sangue gerado, ou seja, as
que você tem com filhos, se as cargas a serem superadas forem de ex-maridos,
lamento dizer que a consequência é eterna. Se ele passar mal, você sentirá mesmo
que esteja do outro lado do planeta. Se tentarem fazer mal a ele, você vai
compartilhar na própria pele. Na hora que você e o seu ex desencarnarem, e ele
voltar para o inferno de onde saiu para te ferrar, você ainda terá ligação com ele. Não
reclame comigo, mas sim com aqueles que fizeram as regras. Se encontrá-los mande
minhas melhores recomendações de pesar.
Nesses confrontos perderá muitos bichos de estimação, às vezes
de mortes tristes, repentinas, e isso será para protegê-lo de males físicos. Os animais
que mais amamos irão primeiro, e parece que há um consentimento desses lindos
seres, que, por amor ao dono, se sacrificam. Eles têm um sistema de encarne/
desencarne mais rápido que o nosso e sabem disso, pois estarão reencarnados antes
mesmo que você termine de chorar por eles. Será escolha sua não ter animais por
receio de vê-los morrerem, mas entenda que quem não é médium também vê seus
animais morrerem e viver com medo do que pode acontecer faz com que você
simplesmente não viva.

23
A história mais marcante pela que passei com animais de
estimação foi a da minha égua Antuata. Era mestiça de Apaloosa com Crioulo, de um
dourado muito bonito, tanto pelo, como crina. Se, porventura, alguém a montasse
sem meu consentimento, ela jogava a pessoa fora da sela. Eu tinha que chegar perto
e dizer que podia passear com a pessoa que iria montá-la e tudo corria bem. Eu a vi
alguns dias antes de desaparecer e ela me disse que teria de me virar sozinha, pois
teria de ir embora. Achei estranho, pois não pensava em vendê-la. Foram necessários
muitos vizinhos e sete dias de buscas para encontrar seu corpo e o do potro que
morreu com ela, quando pariu. Mais tarde, entidades disseram que ela se ofereceu
para não me deixar passar por grande choque energético, num momento delicado
para mim. Não é fácil, até hoje, viver a ausência dela.
Vou falar um pouco sobre tratamentos de saúde e intervenções
cirúrgicas e suas consequências, estas não “identificáveis” por pessoas comuns.
Tratamentos de saúde são feitos quando há uma necessidade e
são de caráter temporário, mas avalie profundamente se é realmente o indicado, se
está numa emergência ou não. Por exemplo, se você estava andando a cavalo, caiu,
quebrou sua perna e teve uma fratura exposta, terá que ir ao pronto-socorro e
corrigir a fratura, mas fazer uma intervenção cirúrgica nos ossos porque seu
desenvolvimento não está do jeito que deseja, é diferente. O acidente é uma
fatalidade e a intervenção cirúrgica é passível de discussão.
Por que tanto cuidado? Tudo que for feito em seu corpo gera uma
marca no espiritual para sempre mas como ocorre com o tronco da árvore, isso será
coberto pelo tempo e por outras experiências. Há marcas que você escolhe outras
não. Cada vez que um médico ou terapeuta põe a mão, você se modifica. Os médicos
da terra já entendem isso e conheci muitos que preferiam, sempre que possível,
deixar a situação do jeito que estava, do que fazer algo a respeito.
Vou dar um exemplo: em 1970, era considerado ideal colocar
botas ortopédicas nas crianças que começavam a andar, para que o desenvolvimento
da coluna vertebral fosse o “correto” e impedisse dores futuras, porém, meu
ortopedista não quis colocar botinhas em mim. Quando adulta, com um problema na
coluna diagnosticado, perguntei a ele por que não aconselhou que as usasse. Ele
respondeu que a coluna era um sistema de compensação maravilhoso, que
balanceava outros desvios do corpo que era, por assim dizer, na medida para cada
um, e que mexer nisso não era garantia de perfeição ou de menos problemas no
futuro, no que concordei plenamente com ele. Mais tarde entendi que a torção da
minha coluna era, neste caso específico, a marca do aborto que havia sofrido e a
minha experiência dizia que mexer em uma marca poderia causar dezenas de outras.
A nossa medicina da terra percebe que não sabe muito. A
medicina do Outro Lado tem certeza de que não sabemos nada, mas somos fruto de
nossos merecimentos e não vamos xingar nossa medicina, principalmente depois do
avanço espetacular nestes últimos 60 anos. Então, saiba que uma cirurgia abre mais
que só sua carne, ela corta o corpo espiritual e, ao fechar os pontos da carne, nem
sempre o espiritual é suturado, a não ser que haja uma equipe médica para sua carne
e outra para seu espírito. Na realidade, é só pedir que eles aparecem sem cobrar.
Se falar de todos os pequenos detalhes que podem dar errado,
vou apavorá-lo, leitor, mas quero mencionar o exemplo do parto: a anestesia que os
naturalistas xingam para não tomarmos, nós xingamos para tomar. Cada caso é um
caso que depende do quanto a pessoa tolera a dor, mas sentí-la causa estresse ao
corpo, provoca um “envenenamento”. Então, na sua vez de trazer os pequenos para a
terra, faça como se sentir mais confortável e fique longe de pessoas de boa intenção,
que irão querer estar com você. Afaste-as se sentir melhor, e o pai.... Se ele

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obedecer, não vomitar ou desmaiar e ajudar, em vez de atrapalhar, dá para pensar
em ficar, mas lembre-se de que ele pode vir a ser seu ex. Como você quer lembrar-se
do parto de seu filho, e leve em consideração que dor prolongada enfraquece seu
períspirito e não é boa hora de se estar muito aberta para energias que não as do
parto.
As crianças deveriam ser protegidas de tudo o que lhes faça mal,
mas se houver como as deixar decidirem o que fazer em alguns anos, isso deve ser
respeitado. A circuncisão é melhor ser feita quando o menino é pequeno. Furar a
orelha das meninas pode ser deixado para mais tarde, mesmo que elas reclamem que
“agora vai doer”. Tatuagens ficam no corpo espiritual, mesmo depois da morte do
corpo físico, então, mesmo o adulto deve ter muito cuidado com o que escolhe, pois
os gostos mudam com a idade.
Sei que vendo tudo isso ser dito faz com que o pensamento seja:
“não quero trazer carga de ninguém, não quero ver gente morta, quero me livrar do
ex-marido, não quero perder o meu cachorro”! Estes capítulos, mais uma vez, falam
sobre o que acontece com frequência. Espere ler o livro todo para saber das
alternativas que existem. Nunca desista de algo só por que está difícil.

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DIFICULDADES ENTRE E COM FAMILIARES

Já dizia o velho ditado que família é bom para tirar foto e guardar
no álbum. Não é porque você nasceu num núcleo familiar específico que tem que
amar por tabela. Pode ser seu pai e amigo, seu irmão e melhor amigo, e não: “bom,
é meu pai, ou meu irmão, então, claro que gosto dele”. Confirmei o que estudos
reencarnacionistas dizem: que família é, em geral, a união dos inimigos do passado
cuja história poderia ser intitulada: “Odiou no passado ame no presente”. Irmãos são,
com exceções, inimigos ferrenhos de outras vidas. Quanto mais ódio, mais tempo
você terá para curtir ele agora. Gêmeos siameses são o ápice da união entre
inimigos. Lembra muito aquele excelente castigo de colocar dois chatos dentro do
quarto, trancá-los e dizer que só saem depois de feitas as pazes.
Então, se você sente que o seu irmão está fazendo da sua vida
um inferno, ele está mesmo, não é por acaso não. Reze por ele e diga que, se não
ficarem bonzinhos e resolverem nesta vida, vocês voltam juntos na próxima também,
e ele ficará uma beleza contigo! Quanto mais rápido vocês se resolverem, mais rápido
o karma se dissolve.
Já com o resto da família, há dois caminhos que geram a mesma
quantidade de problemas: se eles aceitarem a sua condição e se eles não aceitarem.
Não deixe sua mãe ler o capitulo dos cuidados gerais, porque ela não deixa você sair
de casa antes dos quarenta. Como foi dito, a mediunidade é igual a outras condições
hereditárias e se você não é médium é portador. Como nos filmes do Harry Poter, os
caretas podem ter filhos bruxos. Tenho três filhos disléxicos, condição física que
provoca dificuldades na visão, audição e, portanto dificulta o aprendizado, cujo gene
veio através da família do pai e todos os três são médiuns pelo gene da minha
família. Cada um tinha 50% de chance de ser disléxico e 50% de chance de ser
médium, porém, todos são disléxicos e todos são médiuns, a genética não é uma
maravilha?
Assim sendo, um primeiro caso seria: seus pais não são médiuns,
então algum de seus avós deve ser. Eles não falavam sobre sexo, mas sobre
cegonhas, e não devem, portanto, ter falado sobre a mediunidade - o que sofreram e
o que lhe recomendariam. Um de seus pais acredita “nessas coisas”, mas acha que
não se deve mexer com isso, o outro tem pavor. Este último geralmente é o portador.
Levaram você no psicólogo, na psicopedagoga e na vizinha que teve um parente
assim ou assado. Não sabem o que fazer com o seu terror noturno, pois o tio
sonâmbulo é o único esquisito da família e você não parece com ele, então, como
fica? Ah! Outra coisa, não fale com sua mãe sobre o homem na sala. Ela vai negar até
o fim que é um namorado que faleceu e explicar porque ele está sendo obsessivo em
cima dela, que é a ex, e não na viúva, é muito constrangedor.
Segundo caso, seus pais são da geração hippie, mas já cortaram
os cabelos e mamãe usa sutiã hoje (depois dos 50 ela sentiu que tem que usar),
acham que você tem um dom maravilhoso e querem lhe ajudar. Ótimo, mas pai, eu
não gosto de Yoga e não vou fazer lavagem intestinal para purificar meu corpo do
mau chi do que quer que seja. Então, seus pais estão lhe sufocando em pura energia
de amor. Muitos pais não conseguem se segurar. Eu mesma não devo estar sendo
fácil para meus meninos.
O terceiro caso: engloba os mais comuns: aceitam que você é
diferente e não sabem o que fazer, mas vão atrás. Para eles, se você soltar gases,

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não houve empenho suficiente, seu e deles. A situação sai dessa forma: filha, não sei
de que homem você está falando, para mim não tem ninguém na sala, mas eu vou
procurar me informar e veremos o que pode ser feito e quando a situação não se
resolve, vai- se a procura de ajuda especializada como seria feito em qualquer outra
área.
Em todos os casos, a melhor forma de lidar com uma situação
dessas é deixar o médium de qualquer idade decidir. Ele que está vivenciando a
situação, sofrendo a ação das forças, dos envolvidos e seus pedidos devem ser
respeitados.
Lá para os 10 anos, percebi que havia uma imensa diferença
entre estar dentro ou fora de casa, pois tinha mais controle dentro. Antes dos 10
anos essa diferença não era clara já que os adultos julgam as esquisitices como
sendo coisa de crianças e é mais aceito o fato delas verem “coisas que não estão lá”.
Mesmo com a vinda do Kardecismo - Alan Kardec, pseudônimo de um senhor francês
que juntou um pessoal e decidiu investigar, a luz da “razão”, os fenômenos do
espírito sobre a matéria e que deu origem a ciência Espírita- 85% das pessoas não
aceitavam mais do que anjos, demônios e amigos imaginários, e havia coisas mais
importantes acontecendo entre 1960 e 1980. A revolução sexual estava dando muito
trabalho, quem se importaria com uma menina falando de um homem, que ninguém
mais via, na sala? Cala a boca peste! Era o recurso mais usado... e funcionava.
Quando meus modos não puderam ser enquadrados como coisa
de criança e, não recebendo nenhuma ajuda para lidar com o assunto, só conseguia
“dominar” a situação dentro de casa, pois ali haviam os fantasmas costumeiros, com
quem brincava e outros que me faziam sofrer muito mas não cresciam em número,
então aprendi a conviver com eles. Estes últimos fizeram uma parte considerável da
minha infância miserável. A noite era triste, sempre ia dormir com medo. O bicho-
papão teria sido bem vindo perto dos espíritos humanos desgarrados que me
importunavam. A maioria desses obsessores não tem laços familiares com a criança,
são autênticos FDPs que, ao morrer, querem atenção e grudam nos pequenos, pois
são covardes, sabem que os veem, mas não conseguem se defender. Muitos sabem
como modificar a forma e se apresentar como monstros, como um tio sacana que
gosta de trazer as máscaras que comprou na loja de fantasia para sair correndo atrás
da garotada na festa da família. Este não tem malícia, o obsessor tem.
Não enxergava todas essas porcarias de gente. Muitos se tornam
sutis como “vultos” e assim os chamava. Hoje saberia que, se suas formas são como
um lençol esvoaçante negro, são espíritos humanos que não conseguiram ser melhor
do que formas chupadas, vazias de energia e chatos, extremamente chatos. Crianças
com forte visão tem infâncias muito prejudicadas sem a devida proteção. Acho que o
que os olhos não veem, o coração realmente não sente.
Deste tipo de obsessor, lembro-me muito de dois, pois eram
constantes, um na casa que morávamos, outro na casa de praia. O primeiro ficava
como que preso a um quarto que antes era uma sala de televisão, mas que, quando
meu irmão menor nasceu, ficou para ele. Ele berrava feito louco quando o colocavam
para dormir. Não consegui nunca vê-lo mais que um vulto muito escuro, opaco. Um
lençol negro que flutuava, mas aprendi que ele não me seguia para fora do quarto, o
que era um alívio.
O da casa da praia foi um FDP de verdade. Era o homem de
botas. O quarto onde eu e minha irmã dormíamos era com janela para a pequena
varanda para a rua. Aquela casa tinha sido de pescadores, era antiga, e pessoas
contavam muitas histórias sobre o bairro. Esse obsessor, em especifico, aparecia
todas as noites. Sempre acompanhado do barulho de galinhas ciscando o chão da

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varanda, o ar gelava, a minha espinha também. Ele chegava junto a janela e ficava
nos olhando através da persiana. Era o fim, pois o pavor paralisava até a respiração.
Eu só consegui por ordem no barraco com 17 anos. Cheguei na casa da praia e avisei
a todos os tipos de gente morta que circulavam por ali, que quem não ajudasse iria
ser retirado a força, que certos comportamentos não seriam tolerados e que não
estava interessada nos motivos deles. Hoje, teria feito uma coisa mais completa, mas
na época resolveu, pois até as portas que se fechavam sozinhas, pararam.
Também havia os protetores das empregadas, fortes e bem
tratados, pois elas tinham contato com o candomblé e foram muito importantes para
mim, que tinha um vínculo muito forte com a que cuidou de mim dos três meses aos
nove anos de idade. Uma mulher belíssima, por dentro e por fora, cuja energia me
protegeu muito nessa época. Quando pedi a ela que fosse minha madrinha de
batismo, foi duro escutar que não poderia, pois era negra e ficaria feio entrar na
igreja comigo. Chorei muito, mais ainda quando ela casou e parou de trabalhar
conosco. Disseram para mim que o marido dela não queria ver a esposa trabalhando
para gente branca e chorei muito mais. Essas babás tinham uma história
interessante. Em termos do que eu enxergava, uma tinha uma energia muito boa,
clara, vibrante, a outra era escura de vingança e sabia que era algo de que deveria
ficar longe.
Dentro de casa as energias e espíritos acompanhantes se
resumiam a das babás, dos meus pais, dos familiares desencarnados e de alguns
amigos próximos. Então, nesse vai e vem, consegui ter uma rotina básica, pois, como
toda criança saudável, dei um jeito. Isso dentro de casa...

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COM AMIGOS, COLEGAS E VIZINHOS

A família, por bem ou por mal, é obrigada, até certo ponto, a lhe
engolir. Amigos aguentam esquisitices de amigos, afinal ninguém é perfeito e vizinhos
obedecem aquela regra, querendo ou não: OS INCOMODADOS QUE SE RETIREM,
mesmo que a lei jurídica diga que não, que o direito à propriedade é assegurado, que
é proibido o som alto, após as 22 horas. As leis sociais são mais sutis, mais práticas e
a vizinhança se encarrega de deixar claro que sua vida será pior que a deles, se
houver uma discordância.
Colegas e conhecidos não irão dar um desconto para você.
Explico: antigamente, até a época dos seus avós, você podia ser doente mental,
esquisito, excêntrico, estrangeiro ( que era como que excêntrico), ou apenas um
chato ( que na época era palavrão, então eles diziam sacripanta, que nos parece
horroroso), que estaria tudo bem, desde que você não demonstrasse o que era e
seguisse as regras de comer a mesa, de higiene, de etiqueta, etc. Atualmente
existem essas regras, mas muitas exceções. A bem da verdade, ninguém sabe o que
é normal, só dá para dizer o que é inaceitável, como maus tratos, violência,
assassinato. Mesmo havendo essa “permissão” tácita para sermos mais verdadeiros
quanto à nossa natureza, as pessoas afastam-se mais uma das outras ao menor sinal
de estranheza. A diferença é que as regras sociais de comportamento faziam com que
as esquisitices demorassem a ser notadas ou fossem bem escondidas, mas hoje são
vistas com mais rapidez e prontamente afastadas.
Quais são as dificuldades? Acho que você já tem uma boa idéia
do inferno que pode ser. Talvez já tenha sido excluído na escola, ou se afastou por
conta própria a bem geral da nação. Já deve ter desistido de explicar, pois “se nem
na família foi fácil, o que vão fazer comigo lá fora”? Posso contar o que passei, o que
vi outros passarem, o que fiz e vi outros fazerem a respeito.
Se dentro de casa conseguia sobreviver, fora dela dava mais
trabalho. Na escola não eram cinco familiares e cem “gentes mortas”, eram dois mil
estudantes e quinze mil “gentes mortas” - estou fazendo um calculo otimista. Quando
estudava em um colégio pequeno, levei um ano, mas me virei. Na escola maior não
consegui me adaptar a imensa quantidade de energias que havia. Nem na faculdade
pude melhorar essa questão, pois na minha época as drogas ficavam fora. Elas
estavam nas ruas e hoje estão nas escolas, nas faculdades e estão em todo lugar. Na
hora em que poderia enfrentar a situação com mais conhecimento, as drogas e o
sexo já faziam a faculdade ter uma nuvem espessa como uma sopa grossa. Não que
sexo seja ruim, mas o sexo desenfreado, sem cuidado, sexo como afirmação pessoal,
provoca uma energia cinza que envolve as pessoas que o fazem. A nuvem envolvia o
departamento todo, então percebi que ali o sexo saudável era exceção à regra entre
os alunos. Quando drogas e tráfico seguem perto é triste. Pode haver o uso das
drogas em outro local, longe de onde foi comprada, mas há também o uso junto de
onde está sendo vendida e a faculdade hoje é assim.
Ainda sem conhecimento suficiente e na ausência de ajuda
fechei-me como uma concha. Desenvolvi um sistema de defesa do tipo couraça, como
é chamada, que me protegia do que vinha de fora, mas que não deixava minhas
energias circularem de forma natural, fazendo a vida escolar ser um peso imenso. É
uma pena ver que houve tanto estrago por algo que era fácil de ser resolvido.
Começando com uma boa conversa na família. Meu avô deu um conselho que foi o

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máximo de conversação sobre o assunto: que não ficássemos eu e meus irmãos na
rua, a vista das pessoas, por muito tempo, pois “atraíamos muito olho gordo”.
Na casa de amigos (milagrosamente os tive) enxergava o mesmo
que na minha, mas não faziam parte da rotina que estava acostumada e isso me
causava a perda de muito plasma tentando me defender deles. Tive muitos
problemas de saúde por causa do meu sistema imunológico que trabalhou por três
esse tempo todo. Hoje reconheço que o trabalho dos que me protegem não foi fácil.
São heróis, estes que vigiam as crianças com mediunidade. Agradeço a todos vocês
por tudo que fizeram e não vi, mas vivi para contar.
Uma vez fui à praia com amigos e seus pais. Vi o anjo da morte
na rua, mas como falar para eles que a morte rondava? O vizinho morreu
subitamente, e os filhos dele não puderam brincar conosco. O que teria ajudado? Em
outro caso, salvei uma menina de três anos do afogamento, quando eu contava com
apenas sete, na fazenda de seu avô. Lá vi uma pessoa que havia se afogado naquela
piscina um tempo antes, que me contaram ser o tio da menina. Ele estava
desesperado e foi quem me pediu para salvá-la, embora ele tentasse afogar outros da
família por ódio. Meu corpo era muito pequeno para conseguir tirar quem quer que
fosse de uma piscina cuja profundidade era maior do que meus pés alcançavam. Com
a ajuda das entidades consegui resgatá-la. Fiquei o resto da semana processando o
choque e a sensação ruim da morte rondando a piscina.
Falar o que para a família? Ao chegar na casa deles já fui vendo
coisas que me deixaram de antena em pé. O instinto me dizia que não adiantava falar
com eles. Quis ir embora, ligaram para meus pais, para me acalmar, mas, pela
distância, fui obrigada a ficar. Adorava viajar e conhecer lugares, mas o estresse que
costumava passar esfriou minha vontade de fazer outros amigos.
No inicio da idade adulta fui atrás de equilibrar minha vida, ou do
que achava que tinha que equilibrar. De início, dos 17 até os 28 anos, quis falar sobre
o que via. Sem aconselhamento de pessoas que pudesse confiar, pois o que havia
conhecido até então era o médium com o tipo de vida:“faça o que eu digo, não faça o
que eu faço”, achei que seria um bom começo ir simplesmente falando o que via, pois
as consequências não poderiam ser piores do que já havia enfrentado. Pois é, foi pior,
bem pior. Hoje, compreendendo parte do mecanismo por trás da cortina, não teria
feito da forma como fiz. Naquela época, não me explicaram regras, leis, nada, então
meti a cara e fui a campo. Não houve esclarecimento para as pessoas com quem falei
o que via e a reação das pessoas foi a pior possível.
Mesmo tendo permissão, pois eu já via o sinal para isso, as
pessoas não recebiam bem nada que tentava lhes passar, recados simples, nem
mesmo sinceros avisos de perigo. Muitas vezes a mensagem ajudava a desviar o que
estaria chegando, através do mecanismo de livre arbítrio da pessoa avisada, e, por
não acontecer o que estava sendo avisado, era tido como mentira. Se fosse só pensar
isso, estaria bom, mas me procuravam para “acusar” de nada ter acontecido. Teria
ficado contente se uma desgraça que estivesse em meu caminho fosse avisada e
terminasse não acontecendo, mas a maioria dos que foram avisados não ficou.
Isso fez com que amigos e conhecidos não só se afastassem,
mas vibrassem rejeição a mim, a meus filhos, marido e a quem estivesse perto de
mim. A reação da minha família, ao receber ofensas por que tinha dito algo que não
aconteceu, era sempre pior que a da pessoa avisada, mas, enquanto meu coração
disse tente falar, eu o fiz.
Dos 28 aos 34, já não falava espontaneamente. Passei a seguir
uma regra: só falar quando questionada, e isso ajudou, mas não resolveu. Aquele que
pergunta, na maioria das vezes, não sabe o que está perguntando e/ou não sabe se

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quer mesmo saber a resposta. A questão poderia ser sincera, mas a pessoa não
estava em condições ou não queria escutar. Não interessa se o caso foi o primeiro ou
o segundo, a reação é sempre em cima do médium, ou seja, você.
Dos 34 até agora, reservo-me o direito de não responder, mesmo
que haja permissão, autorização ainda que uma obrigação, pois a raiva da pessoa cai
sobre você, que, na realidade, é um telefone ou um fax! Pessoas não são burras de
quebrar os telefones (pelo menos não o tempo todo), mas conseguem agredir os
médiuns com gosto. Vi ocasiões onde usaram de violência física, e sei de
perseguições no emprego, na rua e no núcleo familiar do médium.
A experiência vai modificando a pessoa, não o que ela é, mas a
forma como age. Você não escreve como quando tinha cinco anos, nem fala como
quando tinha 10 anos. Desde os 30 anos, vejo a minha mediunidade se intensificar e
variar. Estou vendo mais, escutando melhor, recebendo mais mensagens e mais
rápido. Não me pergunte se quis assim! Na realidade, tenho menos entusiasmo para
com comunicações de qualquer tipo, e estou bem mais receosa e precavida que há 10
anos. Na hora de visitar amigos ou conhecidos, canso rápido. Mesmo sabendo me
defender hoje, como não fazia antes, vejo coisas mesmo quando não as quero ver e
que podem levar essas pessoas a quem gosto, a dor e sofrimento. Rezar é o mínimo
que se pode fazer e, na maioria dos casos karmicos, o máximo também.
O cansaço que sinto pelo fato de ser médium é como o que
temos com o som de um CD sujo, quando a faixa trava. A maior parte dos casos que
observei é repetitivo: familiar que morreu e está enchendo o saco, obsessões, vícios
das pessoas, falta de fé e a pior de todas a soberba. Então, em festas e reuniões,
geralmente permaneço olhando tudo, desanimada, pensando que tenho de processar
a carga que vou trazer comigo, repor o plasma e no trabalho que tudo isso dá.
Quando vou a um lugar “sujo” onde não estou à trabalho, ainda trago carga comigo e
levará um tempo para processar o que peguei de graça. Tudo isso é cansativo, já que
tenho que fazer sozinha, sem nem a simpatia de quem estava com essa carga toda.
Se fosse um trabalho conjunto, onde a pessoa carregada ajudasse no processo de
limpeza, ficaria bem feliz, mas não é assim em 95% das vezes.
Com colegas de trabalho é mais fácil. Como o trabalho é tanto
uma obrigação como um direito que Deus colocou na Terra, fica mais fácil organizar
uma proteção ao seu redor, onde você possa entrar fazer o que tem que fazer e sair,
sem grandes problemas. Há permissão e direito sobre essa proteção. Sobre pessoas
desarranjadas, vivas ou não, no emprego ou em qualquer lugar, falaremos depois
como se proteger.
Colegas e vizinhos são pessoas que geralmente não entenderão
um mal estar súbito, uma dor que não cede, uma falta que não pode ser justificada,
pois médico nenhum encontra a fonte do problema e, se lhe mandam para um
psiquiatra, vai ficando delicado, principalmente se quiserem receitar antidepressivos e
afins. Muitas tarefas não podem ser feitas por quem toma estes medicamentos. Isso
se tomar esses antidepressivos e ansiolíticos resolvesse, o que não acontece quando
o caso é exclusivamente decorrente da mediunidade. Na maioria das vezes, não dá
para falar que você decidiu tirar o homem da sala, que deu um pouco de trabalho,
mas que em uns dois dias, com a alimentação certa e descanso, seu plasma vai voltar
ao nível normal. Hoje não vão internar e esquecer você, vão só esquecer.
O seu lado profissional pode e deve ficar no trabalho, mas não há
como separar de você a sua mediunidade e esses fofinhos de corrente nos pés e
lençóis rasgados não entendem, em nenhuma língua, que só podem ser atendidos de
segunda a sexta das 8:00 as 17:00 com hora marcada, embora haja algo parecido e
falaremos sobre isso mais tarde.

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NOS RELACIONAMENTOS AMOROSOS

É tão certo dizer que o amor é mais forte que o tempo e o


espaço. Quando a perda e o sofrimento acontecem nesse departamento, geralmente
é mais dolorido e por maiores períodos de tempo. A luz é uma onda eletromagnética
e tem diferentes frequências desde o infravermelho até o ultravioleta. O mesmo
acontece com o amor em sua origem ‘energética’. Um indivíduo por ‘enviar’ muitas
frequências ao mesmo tempo, para muitas direções, ou pessoas, embora tenhamos
sido ensinados que podemos amar apenas uma pessoa por vez, ou seremos infiéis.
Energias existem antes da existência que nos permitiu dizer uma coisa dessas. A
lenda da alma gêmea, como todas as fábulas, é uma versão complicada da verdadeira
história. Na verdade os dois gêmeos de alma nunca podem encarnar juntos, um fica
no mundo espiritual, mas, para cada reencarnação, há o que se consideraria a alma
gêmea da vez. Será aquele que sentiremos como o ‘amor de nossa vida’. Pude
confirmar a dor da separação dessa alma gêmea e que ‘até que a morte os separe’
não é verdadeiro, pois várias coisas e pessoas podem ‘matar’ essa união antes que a
morte o faça.
Os problemas, do ponto de vista mediúnico, começam quando
você encontra a alma parceira. Estou abordando os aspectos mediúnicos. Sobre a
problemática do amor existem incontáveis livros que falam de diversas formas, desde
a poética até a tentativa de explicar como escolher o tipo de pessoa apropriada para
você, mas sobre o médium e o amor é o que quero falar.
Começamos no primeiro amor, o do fim da infância, ou início da
adolescência. Na minha época não havia sexo nesse primeiro amor. Ele é muito
importante para a postura que você assumirá com os que virão depois e para como
você irá encarar o amor durante a vida. Se for bom, será a chave de ouro, se não, é
porta para diversos problemas espirituais, principalmente para obsessores cujas
intenções não são benéficas. Não só na área amorosa, mas em todas as áreas da
vida, começar devagar, com o pé direito é sempre mais suave, e cria menos “contra-
energias”. Veja isso como um barco na água, não importa o tamanho, mas se ele for
devagar, a resistência das ondas contra o barco vai ser mais fraca do que o do barco
em velocidade alta, porém, a existência das ondas (ou energias) no barco (vida)
sempre haverão.
No caso do primeiro amor, se algum sentimento negativo
produzir um impacto de tristeza, decepção, medo, nojo ou outras coisas mais
desagradáveis, a própria reação da pessoa poderá abrir um canal ruim para se lidar
com o relacionamento sexual, sem falar das consequências emocionais que trazem
desequilíbrio à pessoa e à mediunidade que a acompanha. Qualquer coisa que
interfira negativamente na sexualidade do médium, será um problema duplamente
sério a ser resolvido.
É como estar na rodoviária viajando com amigos e um ajudar a
carregar a mala do outro até o ônibus. Cabe a você decidir se as malas que o outro
leva você aceita dividir, se você aguenta, ou se vai lhe fazer mal. Como quando o
corpo e a alma pedem sexo a visão física e espiritual fica tendenciosa (tudo fica cor
de rosa), é quase certo fazer péssimas escolhas, do tipo que você acorda e diz, o que
foi que eu fiz? Quem conhece a regra número um do relacionamento sexual falará
isso com duas vezes mais desespero.

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Você ouviu que “usou lavou tá novo”, sim, mas se você ainda não
aprendeu a lavar as partes que não enxerga na alma, como é que fica? Pessoas de
vida sexual intensa, que gostam de quantidade, não de qualidade, ficam com a áurea
parecendo uma colcha suja de retalhos. Uma sujeira oleosa, que não tem bom cheiro,
por isso aquela pessoa que você não gostou, quando se lembra dela algo rançoso
grudento lhe vem à mente, dê o número da lavanderia como sendo o seu e suma!
O ideal seria esperar que aparecesse um moço bonito, bem
arrumado, cheiroso, educado, sábio, com estudo, que saiba cozinhar, lavar, passar,
goste de crianças, seja trabalhador, que não tenha karmas, só dharmas, para trocar
com você, e que seja sexualmente e mediunicamente treinado. Vai esperar um bom
tempo porque nem do céu vai cair um destes, as moças de lá não o deixariam nem
um segundo. Para escolher um homem você não pode ser exigente, se ele é bonito e
cozinha, ou é inteligente e sabe se vestir sozinho, você já achou material raro.
Durante um namoro, se você conseguiu mostrar que vale a pena
namorar uma moça estranha, que se afasta das pessoas, fala sozinha, sonâmbula à
noite e contou a ele seu lado muito pessoal (não o faça no primeiro encontro), aquele
do “vejo gente morta” para ver se ele é um moço compreensivo, não pense que vai
ser como no seriado ‘Ghost Whisperer‘ (CBS 2005-2010 com Jennifer Love Hewitt). O
companheiro da moça bonita que “vê gente morta” é esse milagre descrito acima,
que só poderia ter aparecido na televisão e a mocinha fala muito, tempo demais, para
o casamento dar tão certo como mostram.
É muito difícil levar o relacionamento adiante, pois muitas das
situações que você vai passar serão em outra dimensão. Várias precisam de tempo
para serem compreendida pelo cérebro físico, ponha ai mais tempo para traduzir em
palavras que ele compreenda e tempo para o amado pensar em tudo: que você o
está traindo, que descobriu que ele está lhe traindo, que quer terminar, que você
descobriu que ele quer terminar, que sua família não quer o romance, que você vai
ser transferida, que você está devendo dinheiro para mafiosos. Como disse, tudo,
menos o que realmente esteja acontecendo.
Poderá ser que está a caminho uma morte ou uma doença grave
na família e você está se virando para minimizar a dor e as consequências para os
envolvidos. Seja um obsessor de espécie estranha e hábitos bizarros que está lhe
dando trabalho, seja uma lição mediúnica difícil, seja algo na energia daqueles
planetas que se alinharam, malditos (e tinham que fazer isso quando você estava
menstruando?), que lhe afeta a mediunidade.
Tem o outro lado da moeda, você também é gente, sim. Tem
dias bons e dias não tão bons, discussões no trânsito, pega resfriado, pois não é só
de obsessor que vivemos, afinal de contas! Esse lado normal será observado com
desconfiança e sempre terá um olhar de um ‘não médium’ pensando (e você pode
estar lendo a mente desta pessoa): “será que vai ter chilique de novo?” Vai ter portas
batendo, vultos passando, de novo? Quer que eu pegue o kit proteção ou aquela
caixa para quando as coisas estão feias? “Mas benzinho, é só TPM (tensão pré-
menstrual), vai dar tudo certo, tá!” Sabe, estas são conversas que podem estragar
uma relação.
Se você percebeu, o que dificulta os relacionamentos não é
realmente a mediunidade, mas a forma como você está lidando com ela. Quero
lembrar-lhe que é uma parte de você, não o todo. Então, não se sinta pesado em
relação ao que acontece e trabalhe a forma de processar a mediunidade. Assim, as
consequências desta condição serão grandemente diminuídas.

33
DIFICULDADES NA PARTE FINANCEIRA

A forma como uma pessoa lida com dinheiro mostra fielmente


como lida com a vida dela e dos outros. Quando você for avaliar um garoto para
namorar, se for o seu caso, não olhe a quantia de dinheiro que ele tem, mas como
lida com o quanto tem e verá se lhe tratará como você gostaria ou não. Digo com
experiência, pois várias vezes errei em avaliar, os namorados, olhando os lindos olhos
que tinham e não como tratavam a questão financeira. Um dia você vai entender
porque dizem que um casamento começa com Meu Bem e termina com Meus Bens.
Com todo mundo é assim: se você está triste, a forma como
gastará dinheiro é influenciada, quando feliz ocorre o mesmo. O dinheiro, de uma
forma ou de outra, tem uma energia pesada e densa. Se for boa energia para você
não dependerá da qualidade de ação que foi feita envolvendo esse dinheiro. Isso
dificulta as coisas, pois precisamos dele na nossa sociedade, sendo uma das formas
de prosperidade. Trocar coisas não anda dando muito retorno há bastante tempo,
então como fica? Só posso aceitar dinheiro “bonzinho”? Dinheiro previamente
desinfetado de más energias? Difícil...
Fica obvio que dinheiro proveniente de desvios como prostituição
de menores, drogas, jogo, seja carregado de uma energia diferente do que aquele
que foi conseguido com um trabalho justo, como o do marceneiro que tira o sustento
de suas mãos. Como toda energia em movimento, as notas e moedas que estão
carregadas de uma energia muito pesada transformam-se ao ir parar em uma casa
onde um casal sustenta cinco crianças adotadas. Não acredito que o homem dessa
casa iria recusar um maço de notas por que passou por mãos cujas energias eram
perversas. Ele recusaria, provavelmente, se alguém perverso pedisse algo ilícito em
troca do dinheiro oferecido.
Isso de tesouros com maldição existe? É, existe sim,
lamentavelmente, mas, de novo, o que mata uns engorda outros. Vai depender de
quem você é, em que situação específica o dinheiro se encaixa.
Como regra geral, use sua sensibilidade para saber se o dinheiro
que recebe tem “extras” junto ou não. Independentemente de onde venha o dinheiro,
ou o trabalho pedido, se estiver lhe provocando muito mal estar, avalie o que está
acontecendo e tome uma posição. Se um pagamento que você recebeu veio
carregado de ódio, sem questionar o porquê, decida o que fazer com ele logo. Se a
fonte dele for algo muito ruim e não lhe vier a fazer falta, dê para a caridade ou ajude
alguém. Se esse dinheiro for fazer falta, use-o o mais rápido possível em coisas que
são básicas: luz, água, aluguel, ou combustível. Não o transforme em algo duradouro,
então não compre objetos ou imóveis. Não compre nada que você use no corpo:
roupas, joias, relógio. Prefira não comprar comida com ele, se possível.
Por que tudo isso? Se esse dinheiro chega com a energia
perversa direcionada a você, é uma forma muito poderosa de atingi-lo, já que você
recebeu com suas mãos, você aceitou. O que quer que contenha esse dinheiro, terá
“permissão” para entrar. Veja o exemplo: uma pensão dada com ódio pela pessoa
que paga, por não concordar que quem recebe, é bem diferente de um salário
recebido num emprego onde o patrão está contente com o seu serviço, ou em um
emprego concursado no qual você passou por mérito próprio. Quem já passou por
isso sabe que dinheiro dado com ódio, não rende e parece que tudo que é comprado
com ele quebra ou não vai ‘para frente’.

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O oposto, um bom negócio feito, um dinheiro que foi recebido
com o sorriso de quem pagou, fica na carteira como que dando cria de mais dinheiro,
pois parece que rende mais. No Brasil, quando se faz a venda de bois, a pessoa que
vende, como costume, dá um a mais chamado ‘boi de parta’, ‘boi madrinha’, que ele
próprio escolhe, para “abençoar” a boiada vendida. Se você oferecer um boi viçoso, o
cliente voltará. Se for um boizinho mirrado que morre a caminho, é mau sinal.
Acredite nessas que parecem “crendices populares”: têm sabedoria energética por
trás.

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NOS BENS PESSOAIS

Bens como casas, apartamentos, carros, móveis, bicicletas,


roupas, vão tendo, com o uso, uma marca temporal, uma história para contar, por
um mecanismo parecido com o cheiro que se acumula em um pano, e que um animal
de faro sabe distinguir. Essas histórias e respectivas energias se forem perversas
podem fazer mal a qualquer pessoa, mas ao médium, mais ainda. Por incrível que
pareça, não é só a casa que tem fantasma. Móveis, carros e roupas também. Como é
muito importante o que você sente quando está morrendo, muitos que eram presos a
suas riquezas, ficam grudados a elas. Não só na casa que moraram, mas também
num móvel em especial, ou no carro que lhes trouxe muitas lembranças.
Móveis que ficaram em casas cujas histórias foram tristes,
carregam essas vibrações. Imagine que você estará perto de algo que emite ondas
tanto quanto se fosse radioativo, pois são energias irradiantes, e sendo uma energia
pervertida, mesmo não radioativa, lhe fará “mal”. Suponho que quando alguém
conseguir irradiar perversamente um tubo contendo césio e entrega-lo com ódio,
empacotado, para o seu desafeto, poderemos mandar fechar o mundo que o ultimato
do mal tomou forma.
Se você tiver a sorte de estar com a cômoda e a cama da vovó,
lembre-se de fazer uma pesquisa básica para ver se ela não era violentada pelo vovô,
ou se apanhava, ou se ficou doente muito tempo em cima daquele lindo conjunto do
inicio do século. Aquilo que parecia uma barganha pode se tornar uma coisa tão ruim
como uma cápsula contendo urânio.
Existem muitos meios de limpar a historia destes objetos, mas se
você sentir que é coisa grossa, troque, dê, venda, queime, mas não passe aperto por
causa de coisas que são de fácil solução já que sempre haverão as mais difíceis de
resolver e das quais não se pode livrar. Não insista em manter coisas que estão lhe
prejudicando, dos imóveis e moveis você se livra. De pessoas como sogra e ex
marido não, nem depois de mortos.

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NO LAZER

Já falei um pouco do que é ir a outros lugares e ver mais do que


o óbvio, mas vou insistir um pouco. Para uns médiuns que conheci, festas onde
entrem bebidas e sexo são infernos em terra. Uma velha médium chegou a
dizer(analise a fonte, ela foi criada dentro de forte moralismo católico rural) que viu
as pessoas que dançavam se transformarem em diabinhos! Segurei a risada, mas
imagino que ela não se divertiu ao ver o que disse. Você pode falar: mas uma vez no
inferno não é bom beber um trago com o capeta? Com certeza! Não ofenda o dono do
lugar, mas como é que você volta para casa?
A questão não é sair para um bar, um shopping, uma festa, mas
em que estado você volta? Eu era retraída não por ser antissocial, mas porque tive de
admitir para mim mesma que não sabia como limpar o que trazia para casa, pois, se
saísse toda semana, veria que no fim do mês teria mais gente morando em casa do
que no quarteirão onde morava. Haveria coisas que não venceria pagar como as
contas de eletrodomésticos que quebrassem além de doenças, dores pelo corpo e
mau humor inexplicáveis (falar que “estou com TPM” é um recurso que tem limite).
Se a ocasião festiva é em família como casamentos, festa de
quinze anos, em termos de energia, na pior das hipóteses são energias e fantasmas
conhecidos, mas festa de outros: vizinhos, colegas e amigos se torna um pesadelo. A
bebida faz mais estrago que a vista possa enxergar. Os espíritos que permaneceram
presos na terra por vícios, vão atrás do que lhes faz falta, quer seja sexo, drogas,
bebida, carne, etc. Eles vampirizam essas pessoas parecendo com gente em UTI -
cano em tudo que é buraco do corpo da vitima.
Uma vez participei de uma incorporação como observadora.
Conversei com espíritos variados em ambiente muito agradável até que uma
incorporação parecia correr de forma estranha e fui ver o que era. Um humano
recém-desencarnado estava tentando entender onde estava e perguntei se queria
ajuda para chegar à Outro Lado, mas o que desejava era saber a direção da festa
publica que acontecia em uma praça da cidade. Estava feliz em dizer que, enquanto
houvesse drogas, sexo e bebidas para sugar, não sairia da Terra nem à força.
Decepcionou-se por ter entrado numa reunião onde as pessoas estavam apenas
conversando.
Um bar pode ser até pior tendo vampiros de plantão, organizados
em turno para não haver briga. O shopping é melhorzinho, lá só estão os que não
deixaram o vício de fazer nada em publico quando encarnados, fazendo o mesmo
desencarnados. Há os que naturalmente carregam seus desafetos na forma de
obsessores grudados em suas áureas como um show de horrores, mas eles farão mal
somente a quem estão unidos.
Motéis! Cresci na cidade onde não tinha mato para se “perder”. A
gente se “perdia” na nossa casa, na dos outros, nas festas, e sei de muitos que se
“perdiam” várias vezes em drive - in‘s. Naquela época, íamos em grupo pelo simples
prazer de violar uma lei com os amigos. Tentava me sentir normal mentindo para
minha mãe que tinha ido estudar matemática na casa de alguém. Entenda, cresci
numa família onde não havia necessidade de mentir sobre coisas da adolescência.
Quando cheguei aos dezessete anos, entrei em crise, pois não escondia que estava na
casa do namorado e não no cinema. Já era “a que vê gente morta” (entre tantos

37
nomezinhos que dão carinhosamente para médiuns), então precisava de algum
comportamento que me trouxesse a sensação de normalidade.
Nesses esforços de parecer normal, não dei atenção ao que mais
tarde vi em outros motéis, quando casada. O que é que foi? Mamãe e papai também
vão a motéis! Fazer o que? Fazer o seu irmãozinho, aquele em que você bate desde
que ele nasceu, talvez por isso você não deixa mais seu pai e sua mãe sequer sentar
juntos no sofá. É a turma de obsessores do vampirismo sexual, tipo vagabundas ou
perdidos além dos vampiros comuns, já que o ato sempre envolve o rompimento de
pequenos vasos por onde sangue sai e doenças entram. Há vampiros energéticos em
busca de coisas pervertidas como sado-masoquismo. Não sei de lugar onde se tem
menos privacidade que o motel. Chega a parecer arquibancada de jogo de futebol.
Para quem gosta de plateia, deve ser uma farra, não para mim.
Durante o ato sexual, havendo a presença de obsessores, a falta
da energia que sugam provoca um cansaço horrível e muitos devem pensar, uau, dei
aquela festa hoje, acabei com o rapaz (ou moça), mas não é bem isso, está mais
para o que “eles” fizeram com vocês no motel.
Existem formas de se proteger, além da camisinha que sei que
vocês vão levar sempre consigo. Não se deve deixar de viver por causa dos riscos,
mas avalie o que dá para contornar e o que não dá. Entretanto, existem épocas onde
estamos mais fracos por doenças, excesso de trabalho, conjunções astrais que lhe
olham torto. Nesses casos, não é para não sair de casa, mas tomar cuidado e julgar
se a festa daquele camarada que adora ver o fogo pegar entre os convidados é a
melhor pedida num dia que você está exausta, ou se um filme e um chazinho em
casa seriam mais apropriados.

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NA RELIGIÃO

Costuma-se dizer que religião, futebol e política não se discute,


mas preferi falar sobre religiões nesta parte do trabalho, pois faz parte da vida de
quase todas as pessoas. Se ela é religiosa, por ser religiosa, se não, será porque os
que estão ao redor são religiosos e participará da mesma forma. Quero que você
descubra qual das religiões da Terra é a sua, e nenhuma delas, por si própria, é ruim.
Já disse que isso de bom ou mau não existe, a maioria está boa ou está ruim. Então,
descrevo o que vi de dificuldades para quem é médium nas religiões que pesquisei.
Quando perguntam para uma pessoa qual a religião dela, a
maioria das pessoas responde que são isso ou aquilo mas não são “praticantes”. Isso
significa que suas culturas familiares pertencem a uma ou outra religião. Muitos
católicos nunca leram a bíblia, muitos espíritas não sabem quantos livros Alan Kardec
escreveu e a maioria dos filhos -de -santo não conhece a simbologia por trás das
lendas sobre os Orixás. Isso não é um problema em si, mas se essas pessoas não
fazem o que dizem, o que farão com você, pobre médium perdido?
No Brasil somos mistura do europeu católico ou protestante ou
judeu, negros de diversas etnias escravizados que miscigenaram suas crenças criando
diversas formas de prática religiosa, mas com um denominador comum - o culto a um
panteão de divindades denominadas Orixás e os índios, cuja religião foi por nós
chamada de xamanismo indígena brasileiro, ou pajelança (de pajé, o médico da
tribo).
Em si, a religião não salva você dos problemas que tem passado
e dos que passará. Ela não resolve problemas normais, nem os relacionados à
mediunidade. O que faz é servir como mais um instrumento de autoconhecimento, e
isso é importantíssimo. Gosto de pessoas que tem uma religião, particularmente, mas
não de pessoas extremistas. O que dificulta é o vício e a forma que a pessoa professa
sua religião. Novamente, não é o objeto em si o problema, mas o que a pessoa faz
dele.
Hoje existem muitas vertentes das religiões acima mencionadas.
É uma faceta da sociedade que sofre mudanças constantes: o cristianismo nasceu de
um judeu e o protestantismo nasceu de um católico e falar sobre temas filosóficos de
cada uma dessas religiões é outro livro. O que interessa é a relação entre essas
religiões e a mediunidade.
Os cristãos aceitam a mediunidade sob mais condições do que os
judeus. Estes os tinham através de profetas e era parte da vida social que eles
andassem na multidão. Se a sociedade aceitava o que era comunicado é outra
história, como exemplo o caso do Rei Acabe não escutar Elias a respeito de Jezebel. O
que me chamou a atenção nos judeus que conheci é que não aceitavam mais
profetas. Amigos que eram médiuns estavam tendo o mesmo problema que católicos:
não eram escutados, nem aceitos e sofriam quando criança. Na infância, tendo
formação católica e recebendo o tratamento que recebia, pensava que eles, sendo
judeus, deveriam ser tratados diferentemente, ou seja, bem tratados, mas percebi
que na escola os olhavam torto por serem judeus, e na família ocorria o mesmo por
serem médiuns, então estavam em pior situação do que eu. Isso, dos médiuns judeus
que conheci até hoje, talvez traga boas notícias até os 90 anos, quando escreverei a
continuação deste livro.

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Os católicos tem os santos, na sua maioria médiuns, então era de
se esperar que haja uma aceitação, mas como os judeus fazem com profetas, os
santos são coisa do passado e, olha, se você está falando com coisas do além, guarde
para você, tá bom? Esse foi o recado que captei destas duas religiões baseadas em
grandes livros. Então o filme “O Exorcista” (W.Friedkin, 1971, Warner B.) foi lançado
e encheu uma geração inteira de terror. Eu mesma fiquei grudada no sofá quando vi
o filme. Não conseguia me mover pensando se aquilo poderia acontecer comigo. A
cabeça virar e a gente ficar verde e feia fazendo coisas estranhas com a faca. Porra!
O padre mais novo tinha de ser bonitinho, já imaginou o mico de usar aquela
camisolinha horrorosa perto de um padre bonito? Que droga de vida!
O fato desse tipo de incorporação acontecer (sem cabeças
virando e vômitos que produzem mais volume que o corpo inteiro da pessoa) e
daquele demônio existir não me encheu de tanto medo como a feiura da camisola.
Jesus fez exorcismos e era bom nisso, mas o catolicismo ficou
preso nesse sistema - ou você é santo e faz milagres, ou você tá com o capeta e tem
que ser curado! Como fica o pobre coitado que só vê uns míseros espíritos e quer
tirar um homem chato do sofá da sala? Sabe como é difícil achar uma pessoa que
saiba exorcizar? Nunca concordei com os métodos rudes de exorcismos. Dificilmente
você verá casos assim, e, quando acontecem, o que está causando a situação tem
ligações com o médium que está fora de controle e sem treino.
Quando vi o filme “O Exorcismo de Emily Rose” (S.Derrickson,
2005, Lakeshore), tive de concordar com a parte em que Emily diz que a Virgem
Maria lhe havia dito que aquilo acontecia para que os humanos se dessem conta da
existência e importância do Outro Lado. Se as pessoas não acreditam na proximidade
entre Mundos, então coloca um capeta furioso numa menina jovem que veste
camisola feia e deixa ver o que é que dá. Vamos concordar que resulta em muita
fofoca, seguido de uma tiragem imensa de livros, depois um filme com exorbitante
bilheteria.
Quanto às religiões que vieram dos negros e índios, puras, para
nós que somos mestiços, não há mais. Hoje você tem uniões de correntes diversas.
Nestas, o médium é o que ocupa papel principal, principalmente o de incorporação. O
tratamento aos médiuns é coisa normal, não uma doença que um “coitado” carrega.
Baseado no fato de que somos unidos ao Outro Lado, eles encaram a mediunidade
como algo óbvio do ser humano possuir, mas ai entra o oposto do cristianismo e
judaísmo - a história do “você tem que se desenvolver”. Isso é dito tantas vezes, por
tanta gente, que fica parecendo duas coisas: que é a cura para tudo na sua vida, ou
que estão querendo se aproveitar de você. Ouvi essa reclamação de muitas pessoas e
vi que o oposto da religião europeia também não estava tratando o médium como um
indivíduo que quer ser normal. Mesmo assim foi mais fácil encontrar médiuns
resolvidos nessas religiões do que nas judaico-cristãs.
Ter de se desenvolver é algo óbvio, mas abrangente demais,
para quem está se virando na vida, no dia a dia. A maioria não quer vestir roupas
estranhas, ou ‘roupa de médico’, para ver resultado na vida real, então saem destes
círculos pior do que entraram porque é mais uma tentativa que se frustrou. Todo
conhecimento que poderia ser adquirido nestas religiões acaba em nada.
Nas afro-religiões é muito positivo o fato de terem preservado a
antiga estrutura ao redor do médium. Um local onde ele possa ser como os outros,
aonde pessoas sabem lidar com os detalhes de sua condição e outros médiuns para
trocar figurinhas, enquanto doem os calos.
Com os espíritas kardecistas; que também aceitam a
mediunidade como fato real e que tem um tratado sobre todas as variações de

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mediunidade, não vi vencerem um problema igual aos cristãos e judeus, que é limitar
as comunicações a seres humanos desencarnados e ‘anjos‘. Os médiuns que possuem
forte ligação com os não humanos são postos de lado ou convidados a só ouvir
comunicações “de nível” seja lá o que isso represente para eles. Novamente
frustrante, pois é um grande potencial dentro de uma garrafa pequenininha. A pessoa
(involuntariamente) médium que procura ser apenas um cidadão normal já está farta.
Enquanto escrevia este livro, uma pessoa com educação de alto
nível, disse que eu trabalhava coisas do espiritismo... Você não vai se livrar nunca de
duas coisas: ex (s) e pessoas que fazem más colocações. Fazer uma má colocação,
com frases ou posturas, é algo que todos farão uma ou outra vez na vida, isso faz
parte, mas esses mal colocados de carteirinha passada ninguém merece. O legado de
Kardec, sem querer, criou uma palavra genérica para falar sobre tudo que se
relacionasse ao Outro Lado e colocasse várias religiões em um saco só. ”Mexeu” com
espíritos é espiritismo. Isso é como chamar argentino de brasileiro e uruguaios de
mexicanos. O que me impressiona é o jeito que essa palavra espiritismo é dita por
quem a usa, geralmente em tom pejorativo e, quando em tom de elogio, exalando o
medo de quem pronunciou, tipo Harry Poter quando quer falar o nome de Voldemort
enquanto todos o chamam, com medo, de ‘Você Sabe Quem’.
Tudo que um médium não precisa são brigas e separações, quer
religiosas, quer sociais, quer pessoais, pois ele já está em condição de segregação há
muito tempo. O médium quer solução para o problema na sala. Tipo – “dá para pular
as 30 apostilas que você quer que eu leia e os dois anos de trabalho no centro das
quantas e ir direto ao meu problema do homem na sala”? A grande e esmagadora
maioria dos médiuns que conheci não queria lidar com o poder, mas queria se sentir
normal e aprender a lidar com situações especificas do dia a dia.
Outro caso bem comum é da criança médium não sentir que a
religião dos pais é aquela que está dentro do seu coração nesta vida e o sofrimento
pelo que vai passar é triste. Como fica a briga dentro de si não aceitando o que lhe
falam, pois o que dizem não condiz com o que praticam? Mamãe diz que só pode
casar uma vez, mas o homem da sala diz que ela casou duas vezes. Sexo antes do
casamento é proibido, mas a criança vê seres que estão longe de mostrar a mesma
coisa. Eles são ensinados como sendo demônios, mas a criança vê aquelas lindas asas
brancas e que são iguais as das imagens de anjos da guarda que papai comprou de
natal.
Gostaria de saber as estatísticas de quantas crianças e
adolescentes fazendo psicoterapia são médiuns, pois deve ser um número alto. Eles
tem o dobro de conflitos dentro de seus corações. Você terá ligações muito fortes
com algumas entidades, por outras apenas respeito e essas ligações serão postas a
prova pelo conflito de informações, causando muita tristeza e o que esse mundo não
precisa é de mais gente infeliz.
Assim como me aconteceu, muitos médiuns veem espíritos muito
estranhos e vão procurar nas religiões (deveriam procurar em arqueologia) explicação
para o que enxergam. Conheci uma cidadã sueca, loira, branquíssima, olhos azuis,
filha de um pastor luterano que via negros escravos ao seu redor falando de uma
religião que nunca ouvira falar. Hoje ela é praticante do vodu. Não preciso dizer a
briga que aconteceu na família dela. Como conseguia ser ‘normal’, depois de escutar
que o demônio tinha tomado conta dela durante toda a infância, é um mistério para
mim, mas acredito em milagres.
A religião deveria ser como roupa, coloque a que lhe agrada mais
e seja feliz. Pratique-a se desejar, mas as convenções sociais serão algo triste de
lidar. Apesar de tudo, acredito em manter grupos sociais, pois o que será do mundo

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sem os Quaker, os Mórmons, os judeus ortodoxos, as tias beatas, os nativos de Nova
Guiné, do Canadá e dos aborígenes australianos, entre tantas etnias maravilhosas
que compõe nosso planeta?
Assim sendo, se seu pai é protestante, sua mãe judia, e o
homem na sala é negro, essa história vai ficando cada vez mais interessante. Se
servir de consolo, saiba que a maioria dos adultos está tentando superar os traumas
de infância, mesmo os não médiuns, então pelo menos isso você tem em comum.
As religiões parecem imutáveis porque tudo o que uma pessoa
precisa, quando em sofrimento ou dificuldade é de algo que dê a sensação de
acolhimento. Quando estamos cansados, gostamos de uma boa cadeira, uma cama
decente, um lugar para apoiar. Não é nada agradável apoiar num muro e ele cair no
seu pé, deitar numa cama e ela ceder, sentar numa cadeira e ela quebrar. Quando
cansados, doentes, queremos a firmeza da pedra, da madeira de lei. A religião que
você escolher deveria ser esse tipo de apoio.
Para nós, religiões parecem eternas e imutáveis, tão antigas
parecem ser. Para algumas pessoas isso é opressivo, mas, para outras, é um suporte
espiritual quando em dor e sofrimento. A religião foi criada para religar as pessoas e a
palavra vem do Latim religare. Quando estamos cansados procuramos por um grande
e confortável sofá para deitarmos, não um banquinho fraco e duro. Assim sendo,
construir um novo templo nas ruinas de um antigo foi uma boa maneira de fazer
populações acreditar na imutabilidade da religião, sem duvidar da política envolvida
com o máximo de uso dos médiuns disponíveis.
Eu escuto muitas vezes as pessoas dizerem que “não querem ter
nada a ver com religião”. Antes de dizer isso, primeiro você tem que entender
profundamente os métodos da religião. O que isso faz em relação ao problema com o
‘homem na sala de estar’. Diretamente falando, não muda nada. Na realidade a
religião o fez apenas você perguntar a esse homem, que não está em posição de
responder, sobre o inferno e os seus pecados, não é mesmo?

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TUDO O QUE VEIO DO PASSADO

UM POUCO DE HISTÓRIA

Mexendo nas memórias de vidas passadas mais antigas, não


consigo, ainda, definir se a mediunidade vem decrescendo em número de portadores
e potência, ou se estamos fingindo que ela não existe há tanto tempo que se torna do
jeito que desejamos. Como existe um custo energético para quem é portador,
aqueles que se encarregam de nós, talvez vendo a inutilidade da coisa toda,
decidiram diminuir o volume, mas não retirar o disco. Aqui vou contar o que vi e me
lembro desses milênios todos.
Existe uma linha de tempo que cruza a nossa vida (acredito em
buracos de minhoca), não consigo definir o início, mas em cujo final percebo uma
linha demarcatória, uma separação, que durou um milênio e decorreu suavemente.
Terminou por inteiro ao se consolidar a civilização na Terra. Cada povo teve um final
em épocas diferentes. Os egípcios o tiveram no inicio do reinado dos faraós, os
gregos, 200 anos antes dos grandes pensadores, os babilônicos também 100 anos
antes do épico Gilgamesh ser escrito e os maias bem recentemente, mas com
diferença de 1000 anos antes do que se tem sua civilização como existente.
Esse cruzamento de linhas é o entrelaçamento do Outro Lado
com o Nosso Lado. Éramos bem mais próximos e não nos incomodávamos uns com
os Outros. Mesmo porque não sabíamos que éramos dois lados, pois as fronteiras
eram abertas e todos as viam. Elas ainda estão no mesmo lugar, mas foi mais fácil as
esconderem de nós, do que deixarem-nas a vista com um cartaz NÃO PASSARÁS,
bem mal educado.
Como exemplo, pense na água. No início havia o átomo de
hidrogênio e oxigênio, depois a molécula de H2O e da união de bilhões dessa
molécula, surgiu a gota d’água. Da mesma forma aconteceu com o período de
transição de espirito para matéria, o período “atômico” nosso levou algo em torno de
um milhão de anos, outro milhão para nos acostumarmos com o corpo físico e,
quando aqueles que nos vigiavam perceberam estarmos prontos, se afastaram num
sistema semelhante à reintegração de animais a natureza. Nosso período ‘sutil’ foi o
início da espécie humana: em espírito e consciência acontecia enquanto a Terra
estava sendo preparada para nós. O período da molécula H2O se compara ao período
de inserção à natureza. Os hominídeos primitivos tinham alma, mas a memória
cerebral não fixava nada, já que a sobrevivência carnal era muito trabalho para o
pequeno cérebro, mas viam os espíritos. Quando a memória surgiu, começaram a
cultuar deuses e enterrar mortos. Ali a separação entre os dois mundos começou de
fato.
Neste ponto a história passa a ser interessante para nós. Na
época da pedra vemos o humano se interessar em deixar registrado o que acontecia
em suas vidas. Claro que os animais humanos pintados nas cavernas foram tidos
como xamãs vestidos de animais, mas eles estavam copiando o que viam. Aqueles
seres vinham para ajudar a aperfeiçoar a raça e tinham formas que nós, naquela
época, tomamos por animais. O cérebro humano ao ver algo novo, puxa a definição
para aquilo com que mais se assemelha. Conforme vai aprendendo, o Homem passa a

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se exprimir melhor, mas as pinturas rupestres, feitas nas paredes das cavernas,
registraram o que foi compreendido na época.
Era mediunidade? Não, não se encaixa nessa definição, pois não
havia o que mediar. nós e Eles estávamos no mesmo tempo e espaço. Ao começar a
separação entre mundos, ao vermos os entes queridos morrerem, não vê-los mais
como antes e não haver mais forma de saber onde estavam, duas coisas
aconteceram: o enterro ritual, como forma de despedida que antes não ocorria, e o
nascimento da mediunidade, como forma de telefonia entre dois pontos quaisquer.
Sinto que a historia de Adão, Lilith e Eva foi contada dessa forma
não para explicar o sexo, mas sim a mediunidade. Esconder a questão mediúnica não
foi um golpe “baixo”? O que quer que tenha acontecido para separar dois mundos
aconteceu ali, quando o homem passou a não saber o que acontecia com os seus. O
inferno e o céu humanos foram abertos, mais ou menos como foi descrito pelas
religiões, que (ora, ora!) nasceram lá, naquele momento. Não foi ‘tentar explicar o
trovão’, foi a perda do contato com quem amávamos que nos fez criar alternativas
para a dor do mundo, que é a dor da perda. Enquanto o fato de ter ou não carne não
fazia diferença, tudo bem. Porém o que doeu foi não ver mais quem se ama. Após a
morte do corpo, piamos como passarinhos no ninho.
Então, do que me lembro, a mediunidade não veio com a
evolução da raça, mas deve ser o gene mais antigo que possuímos e está escondido
embaixo de nossa inconsciência. Conforme as linhas entre mundos se afastou, como
dois continentes, aqueles que mantinham um cabo de comunicação foram se
tornando especiais, como quando a televisão chegou e quem tivesse aquele imenso
caixote era o rei da rua, com todo mundo vindo se empoleirar na janela da sala para
ver a novela. Entretanto, a população respeitava o médium como uma pessoa normal
que tinha uma televisão em casa. As crianças nasciam com isso e iam perdendo a
capacidade lentamente, com o fechamento da moleira, o espaço entre os ossos
cranianos, como ainda ocorre hoje em dia.
Enquanto fomos caçadores coletores, os rituais eram feitos na
natureza e os médiuns viviam em suas tendas. Quando a inevitável mudança para a
agricultura chegou, os espaços sagrados começaram a ser construídos, as cidades e
os deuses se tornaram mais caseiros e os médiuns começaram a ser transferidos para
onde fosse mais fácil vê-los: dentro dos templos. Nascendo a cidade, nasceu a
instituição religiosa e a institucionalização dos médiuns.
Como disse, o endeusamento da mediunidade foi decorrência da
raridade em que ela se tornava. Conforme a prática diária de ‘estar vivo’ ficou mais
complicada do que apenas comer e reproduzir, passamos a ter que viver mais aqui do
que Lá, e ‘olhar’ para a televisão que o médium representava foi ficando cada vez
menos interessante.
Quando as cidades não eram mais uma novidade, a política
surgiu. Não a tribal, inofensiva, mas aquela que nos acompanha até hoje. Nesse
ponto a mediunidade começou seu caminho de desconstrução porque a política não
quer saber sobre bem estar, mas sim sobre o que dá poder ou não. Reter
conhecimento dá poder a quem o possui e médiuns forneciam acesso à informação
‘privilegiada’. A religião se tornou a opressão na vida do cidadão, não o alívio. Como
não existia ciência separada da religião, os detentores do saber se tornaram
guardiões dos médiuns, desde que estes aparecessem. Isso era facilmente arranjado
oferecendo-se casa comida e roupa lavada, com umas pitadas de glamour providas
pelas festividades e pronto! Apareciam várias crianças para preencher os cargos
vagos nos templos que, como nada é de graça, eram educadas para serem médiuns à

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moda do reinante, pois era ele quem sustentava o templo. Todo o resto é história
para boi dormir.
Aqui um parêntese: tudo que é ruim tem também um lado bom.
Existiam alguns benefícios reais para quem era mesmo médium. A época já não era a
relação entre natureza e Homem, e sim do Homem sobre a natureza e ser médium já
estava dando trabalho, começando pelo fato que eles serviam super bem para
sacrifícios humanos. Quando o ser humano perdeu a comunicação direta com o Outro
Lado e as perguntas passaram a ficar sem resposta para os não médiuns, o
pensamento foi: “Será que se mandarmos os que são meio lá e meio cá eles
respondem?” “Talvez mandando os ‘celulares’ que eles perderam (os médiuns), de
volta, a gente consiga parar a seca!”. Então a matança começou. Nenhum deus ou
deusa pediu sangue humano, nunca, mas agora existem alguns que pegaram gosto e
a culpa é nossa. A institucionalização da mediunidade a serviço de deuses, sob a
forma do poder político local, protegia o médium apenas contra certas formas de
sacrifícios.
Ficar num “internato” desde os sete anos era uma benção para o
médium. Os problemas descritos antes, versando sobre família, amigos e trabalho,
deixavam de existir. Você estaria com quem era igual a você e isso evitava muitas
explicações. Andaria na rua com vestes de sacerdotisa ou sacerdote e ninguém lhe
perguntaria nada. Havia respeito, pois mesmo em épocas de guerra, estuprar ou
matar gente santa (como eram considerados) dava um azar medonho e o povo, se
não tinha respeito, pelo menos morria de medo. Desta forma, o médium tinha sua
vida material assegurada, pois a instituição provia isso, assim como a igreja hoje faz
com seus padres e freiras.
Houve uma inovação na aceitação de indivíduos para internação
em mosteiros e conventos da igreja católica: os internos são, descontando os
aspectos de segurança material, os que buscam Deus, com ou sem mediunidade. Nas
outras religiões, principalmente as politeístas, você entrava por ser médium e
apresentar alguma utilidade porque ter um dom era considerado ser parte do mundo
de Lá.
É preciso mencionar que, como religião e medicina andavam
juntas, os médiuns tinham um papel reconhecido na sociedade. Era dentro dos
templos que a medicina era praticada e médiuns eram utilizados nas curas se bem
treinados. Tive vidas muito produtivas e prazerosas nestas sociedades politeístas.
Conheci sacerdotes fabulosos e mulheres que beiravam o divino. Apreciei muito estas
vidas, exceto pelos sacrifícios nos quais me usaram não raras vezes.
Mais ou menos quando o antigo testamento foi escrito, muitas
coisas começaram a mudar, pois as religiões se tornaram focadas nos homens, o
mundo se masculinizou. Não querendo parecer indelicada, devo dizer que a situação
piorou para todos. Esquecer a importância do princípio materno não é bom negócio,
ou não é verdade que os povos mais belicosos de hoje são os que esqueceram o lado
materno da força? Quando Astarte deixou de ser cultuada pelos hebreus, a matança
começou e a escravidão se intensificou naquela região. As religiões masculinizadas
mudaram a forma de enxergar as mulheres médiuns. O racismo sexual foi
incorporado à religião, que, olha a coincidência, passou a segregar pessoas de outras
raças também. As sacerdotisas continuaram exercendo poder mas dentro de núcleos
menores, poder esse sempre voltado ao grande deus chefe. No lado espiritual, não há
grande deus-chefe e essa conotação era reflexo da mudança política no nosso mundo.
Não há dominância masculina ou feminina no Outro Lado, mas uma alternância de
forças, como na corrente de energia.

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Daí em diante a mulher médium passou a ter problemas maiores
que os homens médiuns e a qualidade da vida sexual piorou, para todo mundo.
Então, a mediunidade que antes era um problema não vinculado ao sexo, passou a
ser. Mesmo assim, a mulher conservou a mediunidade melhor que o homem por uma
questão de autoproteção, pois ela percebeu que saber de coisas que estavam por
acontecer era ter uma vantagem a mais inclusive na sobrevivência dos seus filhos. A
fêmea sempre teve que correr mais, ser mais agressiva e em certas raças ter mais
força e tamanho, para que as crias se salvassem. Ter uma inteligência mais aguçada
era uma questão de sobrevivência, assim como aceitar a mediunidade e a esconder
como um segredo. Somos mais bonitas também, isso não se discute, embora haja
homens que podem ser muito belos, nós somos mais viçosas. Há aquela piada que
Deus respondeu ao homem que tinha feito à mulher mais bela para que ele se
agradasse dela e mais burra para que aceitasse se casar com ele. Faz sentido, não?
Depois veio Jesus Cristo, aquele que nós descendentes da cultura
cristã chamamos sempre que a coisa fica feia, o que é estranho, pois a coisa ficou
mais feia justamente para ele e nós ainda assim achamos que ele pode resolver tudo.
Dele posso dizer que respeitava as antigas religiões, as mulheres, os ricos e pobres,
os jovens e velhos. Era médium completo, pois tinha todos os tipos de mediunidade
em um só corpo, era muito inteligente também. Não tinha essa beleza que mostram
nas pinturas, era bem judeu, cabelo cacheado e negro, para mim era bonito e o acho
o máximo.
Ele sabia que não dava para mudar o mundo e fez a parte dele,
mas, para os médiuns, não fez muita diferença, pois Jesus estava ali para dar uma
acelerada no processo de aperfeiçoamento da mentalidade humana e não para
discutir a questão mediúnica. Se ele nascesse nos dias de hoje, o matariam de novo.
A idéia de crucificá-lo causou muitos problemas para a raça ocidental. Não tenho
como lhe dar o tamanho real do peso que foi gerado pelo ato, mas Herodes mandar
matar os recém-nascidos também foi péssima ideia, assim como Hitler mandar matar
os judeus na segunda grande guerra. Porém, enquanto nos matamos apenas “entre
nós”, fica em família. Matar aqueles que vieram do Outro Lado com uma missão a
cumprir não foi educado da nossa parte e estamos pagando por esta falta de tato até
hoje.
Depois de Cristo a situação do médium não sofreu modificação.
Posteriormente, o mosteiro e o convento se tornaram locais de uma busca diferente
que, sem tirar o mérito, não ajudou, diretamente falando, o médium que quisesse
buscar equilíbrio para si. Com o cristianismo se espalhando, as comunidades que
anteriormente usavam o antigo sistema de suporte social e pessoal ao médium, se
tornaram locais de racismo que já era sexual, depois social e por fim religioso. O ser
humano aceitou isso da mesma forma como já o tinha feito com o sacrifício humano.
Sobre a Inquisição e suas fogueiras, poucos médiuns foram parar
nela. A bem da verdade foi queimado quem era doido, ou inimigo de gente poderosa
e os que quiseram falar a verdade, como Galileu Galilei. Médiuns treinados não foram
para a fogueira, pois ver o futuro dava algumas vantagens e tempo para fuga, como
alguns famosos na Idade Média, tipo Nostradamus, que conseguiu vestir a camisa da
mediunidade e escapar antes das consequências se tornarem mortais.
A maioria das mulheres que foram para fogueira caíram por
perseguição de algum desafeto que, muito chateado, não conseguiu o premiozinho
que queria. Se a Inquisição persistisse, muitos homens teriam mandado sogra,
esposa, mulher dos outros que não deu o que queriam e filha que quis dar o que não
permitiam, para a fogueira, pois a Inquisição serviu bem para isso.

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Nos dias de hoje, médiuns vivem as mesmas dificuldades de
sexo, raça, religião, que vi no passado. Talvez um pouco pior porque o racionalismo e
a ciência não trouxeram luz sobre o assunto de uma forma que o médium possa
sentir diferença na qualidade de vida que tem levado.

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ABUSOS EM CIMA DO MÉDIUM

Como posso dizer? É tão fácil abusar de um médium, a maioria


tem tantos problemas em casa, no trabalho, nos relacionamentos e consigo mesmo.
São tantas dúvidas que o cercam. Não contando caras como Rasputin (o médium que
tentou ajudar os últimos imperadores da Rússia), que são poucos, a maioria deles são
de pessoas que acreditam num mundo melhor e em ajudar o próximo. Quem vê
longe, sofre e tem mais responsabilidade. Exemplo: ver uma pessoa que está com um
obsessor no campo espiritual, e saber que aquilo vai destruir o casamento dele/dela,
que o marido/esposa é tudo o que a pessoa ama nesta vida e não fazer nada é ter
muito sangue frio. Pode até ser que essa pessoa tenha matado aquele que hoje é o
obsessor, mas águas passadas não movem moinhos, e a pessoa não tem
conhecimento desse assassinato acontecido em vidas pregressas. Cada história é
única e com o tempo você aprende a não julgar.
Como foram cometidos abusos em cima de médiuns? Desde o
inicio dos tempos há pouca diferença, não muda muito o teor, só a forma. É
principalmente a manipulação dos poderes que o tipo de mediunidade em questão
possa trazer para o manipulador. Exemplos:
A incorporação é conhecida desde sempre e por ser de forte
impacto a quem assiste, muitos sacerdotes utilizavam-se desses médiuns para
manipular uma população ignorante. Estas pessoas não compreendiam, e ainda não
conseguem diferenciar uma incorporação de espíritos baixos, aproveitadores de uma
entidade sofisticada, um mensageiro de deuses. O povo não sabia se defender de
pessoas encarnadas aproveitadoras e perversas, que dirá de espíritos assim? O
sacerdote colocava o médium no topo da pirâmide, onde não havia como enxergar
nada, deixava a incorporação acontecer, podia até ser um espírito de antigo
sacerdote amigo dele e fazia um teatro sobre a necessidade de se matar os
prisioneiros de guerra para os deuses se acalmarem. O médium, depois de voltar a si,
via que era o tal falecido sacerdote, sem vergonha de grande marca, mas ia falar o
que? Falar a verdade e sair correndo pelo mato da Guatemala, cheio de bicho
peçonhento?
O médium, obviamente não fazia nada. Ficava aguardando que
entidades superiores viessem orientá-lo e acudir a situação, mas isso poderia
acontecer apenas em outra vida. E quanto às pessoas ignorantes que acreditavam no
teatro que lhes era imposto? Faziam o que o sacerdote dizia, porque quem queria dar
estudo para pobre, quando precisava de obediência incondicional?
Usar moças bonitas e jovens para representar deusas e fazer um
bom lucrozinho em cima da fila de homens que vinham para estar com a “divindade”.
Em princípio, as moças que iam para o templo para serviço devocional — pois assim
como toda moça de família na época da sua bisavó estudava piano e francês, toda
moça de família, na Babilônia antiga ia fazer estágio no templo de Ishtar— eram
representantes da deusa do amor e o serviço devocional consistia em que se desse
amor de graça, dentro de rituais, a qualquer homem que viesse ao templo. A moça
que não fizesse esse estágio, não conseguia um bom casamento, pois os homens
cultos daquele tempo queriam esposas que fossem experimentadas. Houve uma
involução de lá para cá na cabeça masculina, mas já te expliquei como funciona.
Aliás, sacrifício, palavra latina, vem de sacer facere, que significa tornar sagrado.

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Mesmo que a principio fosse um serviço religioso, havia a sacanagem de sacerdotes e
sacerdotisas receberem gorjeta para deixar certos senhores não muito devotos
entrarem no recinto. Os judeus proibiram suas filhas de irem ao templo e seus filhos
de fazerem uso das sacerdotisas, pois a raça deles ia se esvaindo no sangue das
belas babilônias.
Os jovens sacrificados ao Minotauro eram médiuns e a energia
que alguns médiuns carregam é muito benéfica, coisas como dinheiro e prosperidade
andam perto deles, que, muitas vezes, nem se aproveitam disso, pois são portadores
da energia, mas não podem beber dela diretamente. Os primeiros faraós tinham duas
esposas, uma para a terra e outra para os céus. A primeira vinha direto de um
templo, escolhida por sinais de nascença no seu corpo, e representava a
descendência divina, sendo o faraó o consorte real da deusa. Essa era a primeira
esposa, a que trazia as energias de poder e prosperidade. A segunda era a do harém,
conhecida pela história. A primeira sempre era uma médium de grande poder
escolhida a dedo nas melhores famílias e dava muito prestigio ao marido real. Os
egípcios sabiam como colher a energia que essa esposa carregava e era uma
prisioneira, um banco de sangue para vampiros sempre famintos. Quando o faraó
morria, elas eram enterradas junto. Os corpos não estão sendo encontrados, pois
como eram da nobreza, essas mulheres eram retiradas dos recintos da tumba, onde
se dava o sacrifício, pelos seus parentes, para serem embalsamadas. As concubinas
de outros países e as pobres eram deixadas lá. Se você tivesse a sorte de amar o
faraó, ou alguém do palácio, sua vida iria ser suportável, se houvesse um mago nas
redondezas adivinha aonde ele vinha buscar material para feitiço? No seu corpo.
Médiuns com capacidade para mover objetos eram treinados para
shows de poder visual em templos que embasbacavam a população e faziam com que
acreditassem em qualquer coisa que os sacerdotes falassem depois.
Médiuns de cura eram obviamente muito procurados e havia os
que impediam hemorragias em pessoas só por estarem presentes no recinto da
cirurgia, outros que curavam só olhando a pessoa, para quem não enxergava o que
ele estava fazendo. Reis e governantes mantinham estes prêmios em seus palácios,
controlando tudo o que fizessem. Como a cura envolve muito plasma do médium,
eles viviam pouco.

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ABUSOS DO MÉDIUM EM CIMA DE OUTROS

Médiuns tiraram vários proveitos, já que a linha entre moral e


amoral sempre foi tênue. Aqueles que tiveram consciência de seu poder sobre a
ignorância das pessoas locais e tinham um poder mais perverso, o da manipulação
mental, fizeram a festa. Esses indivíduos são mais chatos ainda quando morrem
porque adquiriram conhecimento na terra e continuam usando contra desafetos ainda
encarnados.
Pitonisas, profetas e profetisas estavam em transe quando
profetizavam, mas podiam usar do poder político que adquiriam, através do
encantamento que o transe produzia nas pessoas, para seus propósitos. Muitas
guerras foram feitas sob influência destes médiuns, como hoje a incitação à guerra
por motivos religiosos, escondendo as verdadeiras razões por trás da santidade
religiosa. Qual seria essa verdade? Os sete pecados capitais, que só são pecados
porque são excessivos. Um pouco de paixão é bom, mas o excesso se torna danoso.
Qualquer um dos sentimentos exarcebados se transforma em um dos pecados
capitais, causando, há muito tempo, guerras ao redor do planeta, à saber: soberbia,
luxuria, inveja, orgulho, ganância, raiva, ignorância, impertinência.
Helena causou a guerra? Sim, ela era realmente desejável, era
filha de uma deidade e esse poder parecia muito para os simples mortais. O que isso
tem a ver com mediunidade? Ela era médium, como todo filho de deidades. Tróia
representava um ponto estratégico, mas as Deusas do amor não são associadas a
riquezas e poder? Teria sido culpa dela o fato dos homens não saberem resolver seus
problemas com mais delicadeza? Foi culpa de quererem se bater em combate por
uma mulher e uma cidade tão belas? Homens têm essa natureza mesmo, é
patológico, não tente mudá-los. Gostaria de ver uma Tróia sendo disputada por
mulheres dispostas a tudo por Aquiles.
Quando a mediunidade é uma arma? Visto que tudo pode ser
usado de duas formas, e, como a física bem explica, depende do ponto de vista do
observador, essa condição é como a faca que pode cortar um laço que prende, mas
também a garganta de quem laçou, sendo ela, em si, nem boa nem ruim.
A exemplo dos maias, povo cujos governantes se degeneraram
mais do que qualquer outro que me lembre, foi onde tive a experiência mais intensa
de que aquilo que começa bem nem sempre termina bem. Seus sacerdotes eram
excelentes, no início, mas devo dizer que a sede por sangue, nesta raça, sempre foi
descontrolada. No fim, deu-se aquela matança comparada ao holocausto, mas com
mais punhais e menos gás.
Esses sacerdotes do final dos tempos maias tinham muito poder
mediúnico, e sabiam o que fazer com ele. Quando esses psicopatas/médiuns (mas
que desgraça não?) nasceram naquela sociedade, o conhecimento positivo e
construtivo que haviam adquirido já estava estabelecido, bastando pervertê-lo e usá-
lo para seus fins lamentáveis.
É um mistério os casos de armadas inteiras desaparecerem no
deserto, mar ou floresta. Alguns eram mortos antes mesmo da batalha. Médiuns
muito raros, trabalhando como magos, podiam prover isso para seus patrões ou pelo
seu próprio desejo.

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Menciono também os queridos Filhos da P#*@, sim os FDP, que
usavam as sacerdotisas para seu próprio prazer mesmo tendo que força-la através de
magia e/ou usando-as em seus rituais.
Médiuns da península arábica usavam escravos ‘vivos’ mas
também os ‘não vivos’. Pode parecer legal dizer que gênios da lâmpada existem, mas
isso é escravidão da mesma forma.
Então perceba que o uso que você dá ao que possui é o que faz
historia. A condição mediúnica pode ser usada como arma. Dois diferentes
observadores podem dar informações diversas de uma mesma paisagem, como em
tudo na vida.

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TUDO QUE VAI PARA O FUTURO

ÉTICA E MORAL

Quer deixar o pessoal do Outro Lado realmente furioso? Interfira


no destino de outras pessoas, mesmo no destino de um ‘qualquer‘ e será o suficiente.
No seu próprio pode tudo, o livre arbítrio permite, mas usar o seu para mudar o curso
de outra vida, ou interferir no livre-arbítrio de quem está do lado, é muito grave. Não
existe mudar para bem, mudanças no curso de vida de outra pessoa, que ela mesma
não tenha iniciado, sempre serão ruins, mesmo que você salve a vida de alguém, por
algum tempo.
Então não posso fazer nada, nem salvar uma criança se
afogando? Sim. Levando ao pé da letra seria isso mesmo, mas existe um atenuante,
algo que faz pesar menos essa interferência, que é o seu coração. Se ele disser: ‘não
suporto ver essa criança morrer, não agora, não desse jeito, mesmo que ela venha a
fazer Hitler parecer uma flor’, então faça algo - lute. Se você não estava lá para
salvá-la, ou seus esforços foram inúteis, você fez a sua parte (seu coração lhe diz
isso). Imagine como ficou a pessoa que salvou Hitler do assassinato?
E o que me diz de, salvando uma suposta criança, o pai dela não
passe pela única dor que o faria abrir um orfanato para outras duzentas crianças que
teriam que ser “salvas” por ele? Imagine esse homem sendo um cretino o resto da
vida, mimando tanto o filho salvo que não só não abriu o orfanato como faria mais
uma criança vir a ser um adulto vazio. Você seria cúmplice em qualquer coisa que
acontecesse a essa criança e família, em tudo que não viesse a acontecer, que teria
acontecido sem sua interferência. Isso o faz pensar sob uma nova perspectiva, não?
Então, para assumir uma responsabilidade ‘universal‘, aja com a
verdade que seu coração agüenta, para não viver em arrependimento por muito
tempo. Aja em concordância com seus sentimentos e saiba quais deles são
verdadeiros, não os ensinados pela sua sociedade e cultura. Não viva a verdade dos
outros, encarnados ou não, que não seja sua também.
A lei mais profunda sobre o futuro é que nada fica escondido para
sempre, tudo reaparece, tudo fica claro, tudo retorna, mesmo que leve muito tempo.
Arqueólogos amam essa regra, toda civilização, mesmo as que estão enterradas nas
Fossas Marianas, ou no Alasca, irão mostrar seus restos um dia, mesmo que leve
milhares de anos. Pense numa estrada em círculos (o tempo e o espaço são curvos,
não é mesmo?), você passará por onde está a marca do que fez no passado. Você
quer ver aquela marca? Se não quer, a única coisa a fazer é não cria-la, pois mais dia
menos dia, você voltará ali.
Aborto. Considerado de todas a pior forma de matar, não porque
quem morre não pode sequer se defender do ataque, mas olhe como contagem
regressiva - quanto mais perto da morte natural, mais o espírito caminhou e menos
coisas deixaram de serem feitas, quanto mais jovem você é, menos pôde cumprir
seus atos, portanto mais estragos para o seu futuro e de outras pessoas que teriam
que ter interagido com você. Então, na realidade, você está impedindo alguém de
pagar suas contas, rever erros de vidas passadas e de ter o tempo necessário para
entender esses erros. Vou contar como um ato contra outra pessoa pode estragar a
vida de mil outras através de um exemplo pessoal.

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Fui uma judia alemã na segunda guerra, última vida antes desta.
Morri em um campo de concentração, como cobaia de experimentos médicos e meu
marido morreu tentando me defender de um estupro, poucas horas antes da hora
natural da minha morte chegar. Ele não morreu do que deveria morrer, mas
antecipou sua morte em alguns dias e não impediu o meu sofrimento, mas o aliviou
um pouco, pois sabia que a morte dele seria em um experimento nazista e as
coronhadas do fuzil do soldado alemão que o mataram foram bem menos dolorosas
que a tortura que teria de passar. Por outro lado, isso não lhe permitiu resgatar um
karma do passado e uma hora dessas terá que rever isso. O soldado que o matou,
inconscientemente, alterou o destino de nós três e tem responsabilidade enquanto o
que tiver de acontecer não aconteça, leve quantas vidas for necessário. Não falo isso
com alegria.
Para entrar nesta vida tive problemas. A mãe e o pai que
deveriam me abrir à porta da carne, não queriam por filhos neste mundo e me
abortaram duas vezes. Mesmo se precavendo com métodos anticoncepcionais minha
mãe engravidou duas, talvez três vezes. Ela própria me confirmou isso, nesta vida.
Esses pais deveriam ser minha família por várias razões, todas
karmicas, mas, como sempre, para pagar dividas e receber dividendos. Sou mulher e
não consigo repreender alguém que faça aborto. Lamento que tenham que fazer
ilegalmente em muitos países, pois o fato de muitas morrerem em abortos ilegais faz
com que elas não se responsabilizem nesta vida pelo ato que cometeram, tipo fazer
aqui e pagar aqui. Essas mulheres renascem e tentam desesperadamente ter filhos
sem conseguirem, pois quando podiam negaram, assim é negado à hora que mais
desejarem. Não sou eu quem faz essas leis. Já abortei em várias vidas e já paguei
por isso em várias outras. Uma amiga que aborte não deixa de ser minha amiga.
Assim como estive com elas na alegria, estarei com ela no sofrimento e na hora que
tiver de assumir seus atos.
O que então foi tão grave em minha mãe ter usado de seu livre
arbítrio? Foi o fato de que mexia com o destino não só dela, mas de todo mundo que
dependia do meu nascimento para seguir com esse grande tapete que o Tecelão
Chefe tece dia à dia. Um fio que foi esquecido, não colocado, fará que todos os outros
fios saiam do padrão que deveriam estar e o Tecelão fica chateado pois quem já fez
um tapete sabe o trabalho que dá mudar o padrão do desenho, no meio da peça. Às
vezes simplesmente não dá para mudar. Na vida isso significa que fatos importantes
a nível individual e coletivo não acontecerão.
No caso de minha mãe, que tinha condições financeiras para me
sustentar, a situação é pior, não há desculpas. Quando as entidades responsáveis
viram que ela não permitiria minha entrada, com a urgência em vir a terra,
arranjaram uma mãe “adotiva” dentro da mesma família da mãe que me abortara e
nasci com 20 anos de atraso. Deveria ser bem mais velha hoje e não queira saber as
consequências disso. O aborto realmente provoca cicatrizes no corpo espiritual e
entrei neste corpo com problemas na coluna que me fazem sentir muita dor. Não fiz
mal algum para merecer essa dor, minha mãe até hoje não pensou nisso, mas vou
senti-la enquanto viver.
Agora outras coisas que não posso prever e que me prejudicaram
como pessoas que não conheci, estudos e escolas que não cursei, filhos que não tive,
netos que não terei destes filhos, empregos nos quais deveria ter estado, pessoas
que não participei das suas vida para bem ou para mal, karmas que não poderei
resgatar por não ter entrado na linha da vida terrena na hora prevista...todos serão
remanejados as minhas custas, não nas de quem provocou o aborto.

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Se odeio a mãe que me negou vida? Não ela, mas o que fez, sim.
Exemplificando o que falei sobre tudo o que se faz no passado criar uma ‘marca’ que
fatalmente volta no futuro, hoje ela precisa da ajuda da filha que não teve, e, mesmo
que eu queira, não posso ajudá-la, por estar trilhando uma vida “adaptada”, com as
dificuldades técnicas desta vida e da que ela me privou ao mesmo tempo.
Nesta vida, quando soube que iria engravidar, mesmo sem
emprego e com o pai da criança a dois anos de distância de mim, um dos pontos mais
fortes em consentir seu nascimento era não fazer outra pessoa passar pelo que
passo.
Quando você se mata também estará negando outros de
receberem ou de darem a você o que teria de ser, e esse é o grande problema - o de
que o problema não é só seu. Tem a música do repertório brasileiro cujo verso fala:
“Fiz tanta guerra por não saber que esta terra encerra meu bem querer...”. Você vive
entre os que ama e ver o sofrimento deles é pior do que você sofrer. Então entra o
dilema do que você não faz para não ferir a si e/ou aos que ama e como médium
existem algumas responsabilidades extras.
Agora volte um tanto no passado e pense na moralidade de um
ponto de vista histórico. Imagine se não houvesse um Brasil descoberto por
portugueses, que não houvesse índios aqui, que os europeus não houvessem
imigrado, que os africanos não fossem trazidos para cá. Você estaria lendo este livro?
Não há como dizer. Usando um termo científico: não é verificável, mas se o ditado:
“Todos os caminhos levam a Roma” for encarado em perspectiva mais ampla, então
pode ser que, não importando o que tivesse acontecido antes, hoje você estaria lendo
este livro porque sim, por que Deus quis, porque era inevitável.
Dessa forma, os portugueses não poderiam ter sido mais legais
com os índios? Com certeza o tipo de moral da época do descobrimento permitia e
encorajava a matança que ficou escrita na história. Médiuns que tentaram intervir
foram para a fogueira ou viveram fugindo o resto da vida. Muitos deles vieram para o
Brasil caçaram uma índia na floresta, à moda antiga, e foram viver num fundão de
mato (que tinha aos montes), felizes para sempre. Deve ser por isso que existem
tantos médiuns no Brasil em comparação à média européia, pois os índios acolhiam a
mediunidade sob outra perspectiva do que a do fogo queimando a carne.
Pelo futuro muito pode ser feito, mas nada pelo passado mesmo
que você tenha sido um dos portugueses que gostava de caçar índias no sertão.
Pensar que estão lhe perseguindo hoje pelos que possa ter caçado no passado é uma
possibilidade e não seria muito inteligente cuspir para frente perseguindo e
aprisionando mais pessoas com seu magnetismo pessoal. Qual a diferença entre
caçar com arco e flecha, ou com magia, ou com contratos de casamento? A diferença
está nas armas, não no verbo. Você realmente acha que o contrato de casamento
fere menos que o arco e a flecha? Interessante a analogia de Eros, deus do amor,
usar o arco e a flecha ferramentas usuais de caça.
Outro exemplo histórico de ética é o de Jesus. Vamos considerar
que ele era um homem com a mentalidade do nosso século vivendo dois mil anos
antes. Assim, parece bem razoável que tenha sido torturado e morto. Se um homem
do ano 4678 viesse dar nestas paragens, estaríamos torturando-o em um desses
complexos militares de hoje, para extrair o máximo de informação possível e
desenvolver tecnologias que melhorassem o jeito com que matamos o próximo. Só
que Jesus nasceu sabendo da condição mental e moral da época, então tenho certeza
que ele fez muito mais do que os Evangelhos relatam. Tê-lo-iam preso e matado
antes do programado se soubessem de tudo o que ele fez nos anos dos quais não
temos registro.

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Para cada sociedade seus cidadãos e para cada cabeça uma
sentença. Mudar a consciência de uma sociedade, hoje, é mais fácil e eficaz do que
antes da invenção do cinema e da televisão. Vejo que muitos filmes e desenhos
ajudaram a geração dos meus filhos em diante a entender conceitos que eu tive de
acessar sozinha em se tratando da mediunidade e das comunicações. Desenhos como
Pokémon, Cavaleiros do Zodíaco, Avatar; ou filmes como Jumpers (2008- Doug
Liman), Efeito Borboleta (2004 –Eric Bress e J Mackye Gruber), Harry Potter(baseado
nos livros de J.K.Rowling) e O Sexto Sentido (1999 – M. Night Shyamalan), que não
foram criados para explicar ou fazer entender a mediunidade, mas estão ajudando a
explicar o conceito de vários detalhes ligados a ela.
Para mim foi, definitivamente, um choque explicar para meu filho
de nove anos, com toda pompa e circunstância, o que eram entidades e como elas
trabalhavam com os humanos, e ver o pequeno olhar com cara de saco cheio
respondendo: “Eu sei! É que nem no Pokémon, tem da mata, do fogo, do mar, da
magia, e tem que fazer eles evoluírem, se não, não dá certo!” - e a conversa se
encerra com uma atitude tipo “só você que não sabia”.
Fiquei feliz em ver que a minha traseira não ficou dolorida em
vão, naquele cinema lotado, com um bebê de 10 quilos no colo (que dormiu o filme
todo), por duas agonizantes horas de um filme que achava inútil. Há certos sacrifícios
que valem a pena, mesmo que não se possa ver o resultado imediatamente.

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O OUTRO LADO

Agora vamos nomear os bois: o Outro Lado, o Outro Mundo,


Mundo dos Mortos, onde tem mais gente viva de verdade que aqui. A física ajuda a
entender e provar se o ovo veio primeiro que a galinha.
Relembrando o exemplo da agua, se hipoteticamente você
segurar apenas uma molécula de água, não verá nada, mas o povo do Outro Lado
consegue enxergá-la, sim, e dirá que é água. Agora, quando os cientistas disserem ,
com exatidão, quantas moléculas de água são necessárias para que a água apareça
aos nossos olhos, creio que teremos a medida da fronteira entre Lá e Cá. Da mesma
forma, não é necessário que sua carne e seus ossos tenham o número de moléculas
do Nosso Lado para que você, tecnicamente, exista.
Agora, quero lhe apresentar os átomos e as moléculas da nossa
história. Dez livros não falariam sobre tudo, e, assim como não existe uma pessoa
que possa dizer que conhece todos os povoados do mundo, não conheço quem tenha
visto todas as dimensões do nosso planeta. Essa história de mundos paralelos, do que
vi, são as mesmas divisões que há entre hidrogênio, oxigênio, H2O e água. Também
vi que, embora seja ensinado que os opostos se atraem, os iguais andam juntos.
O Outro Lado (estamos na realidade dentro dele, como a gema
dentro da clara) é como uma cebola, cheio de camadas. Falando em humanos, o nível
mais próximo do nosso, aquele que 95% dos que morrem enxergam ao acordarem, é
igual a este mundo, com prédios, parques, carros e divisões de nacionalidade, mas
não de classes como no nosso aqui, aonde pobres vão para lugares humildes e ricos
para mansões. O merecimento que toda religião fala: daqui nada se leva. O bom ou
mau nome é a única divisão de classes. Deus realmente vê tudo inclusive o bacana
rico que achou que dando dinheiro à caridade e estuprando a esposa de noite, vai pra
casa do c@#@lho, porque lá tem! Nessa primeira dimensão encostada a nossa, existe
um sistema jurídico, mas, verdade seja dita, a justiça mais perfeita é a que você
carrega dentro de si e este sistema é o mesmo que faz a pedra pomes flutuar na
água e o granito afundar, acontecendo o mesmo com almas. Justo seria alertar que
você não deveria se preocupar com o que vai acontecer depois, mas com o que faz
agora porque isso irá dizer para onde você vai.
Cito o exemplo do meu pai que morreu na preparação para uma
cirurgia cardíaca. Vim a vê-lo no velório, as 3:00 da manhã, de avental cirúrgico, com
soro na veia, e dois enfermeiros o acompanhando. Estava meio grogue e ria a solta.
Vi ele olhando o próprio corpo no caixão e o velório, ria de tudo e seguindo os
enfermeiros para um túnel de luz. Pude acompanhar visualmente levarem-no para
outro hospital, para refazer o coração do corpo espiritual que havia se danificado no
corpo físico num procedimento cirúrgico muito parecido com o que teriam feito aqui,
se o corpo dele não houvesse perecido antes. Aprendi, através de experiências que
vivi, que cada vez que a medicina avança, o conhecimento foi liberado pelo Outro
Lado, pois a hora é chegada.
O melhor seria que você, leitor, veja por si próprio muitas das
coisas sobre as quais falo neste livro, para que tire suas próprias conclusões. Cada
experiência pela qual passamos está divinamente encaixada em nossa capacidade de
compreensão. Se não, como pode que milhões de pessoas passem por uma árvore
em mil anos e apenas a uma delas é mostrado que a árvore possui uma substância
de grande uso para a medicina?

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Tenho visto muitos problemas serem causados por má
compreensão do que seja Lá e Cá, ou o Outro Lado e o nosso Lado. Na maioria das
vezes a incompreensão não se deve a uma supervalorização, mas ao pouco caso para
com pessoas que vem dessas dimensões e que não deveriam ser desrespeitadas não
só por que ninguém deve ser desrespeitado, mas por que elas vêm para ajudar e
essa falha atrasa o trabalho a ser feito. Se você faz parte da ‘tarefa’ deles, ao
atrapalhar a situação, terá que aguenta-los, ou o problema que está lhe
sobrecarregando, por mais tempo. Aqui o aviso: ninguém gosta de empata f*#@.
Nem nós, nem eles.
Os erros mais comuns que vejo são os mesmos que uma pessoa
sem conhecimento comete por não saber ler um mapa, ou seguir uma indicação. Por
incrível que pareça, muitas pessoas não sabem que existe algo além da cidade onde
moram. Não sabem que Minas Gerais é um Estado, Brasil é um país, América do Sul
faz parte das Américas e estas estão situadas no planeta Terra que está no sistema
solar. Bom, se muitos não sabem ler um mapa rodoviário, que dirá saber onde estão
as outras dimensões, em relação a nós.
Para ilustrar o que acontece muito e gostaria de ver mudar,
imagine uma excursão de argentinos vindo para o Brasil, para um jogo no Maracanã.
Eles sabem onde é o Rio de Janeiro e lá encontram um grupo de paulistas, não de
cariocas, torcedores roxos com quem começam uma conversa, na língua deles, em
que falam “vocês cariocas se acham o máximo, mas temos certeza que ganharemos
hoje, pois todo mundo sabe que se não fosse por nós o futebol não valeria a pena
além dos gaúchos não sobreviverem sem o nosso turismo!”. Bem, não quero nem
saber a resposta desta história hipotética, mas xingar a mãe dos argentinos ali seria o
de menos. Se os brasileiros fossem falar coisas suaves assim na Argentina seria
igualmente estúpido. Esse exemplo hipotético é o que vejo toda hora de nós, no
Nosso Lado, para com Eles do Outro Lado.
No passado as religiões se encarregaram de dar nome para
algumas dimensões. Mesmo que não fossem muito específicos, ou mesmo corretos,
era necessário nomear as coisas para que pudéssemos entendê-las e, sendo
necessário, mais tarde corrigir erros de definição, ou seja, havia que se começar por
algum lugar, daí vieram às definições de céu e inferno, mais tarde um meio termo
como purgatório.
Essas definições estão corretas? Não estão erradas, mas foram
escritas por humanos de suas épocas, calcados em religião, e fizeram a sua parte
num mundo onde o conhecimento era para poucos. Nesse contexto, o céu foi
denominado como tudo que é bom e desejável e o inferno como tudo que é ruim,
completamente indesejável e odioso. Para que não houvesse nenhum cara chato
querendo perguntar sobre essa ordem de coisas, falaram sobre monstros horríveis no
inferno e criaturas maravilhosas no céu, achando que assim estava resolvido e
pronto. Engraçado que disseram o mesmo dos mares e hoje estamos aqui nas
Américas. Sabendo disso, vamos rever a historia que contaram com outros olhos? . É
bom lembrar que este não é um livro sobre filosofia e Teologia.
Esqueça conceitos primários de bem e mal. Começaremos pelo
Céu cuja localização não é acima, em termos geométricos. É correto dizer que ele é
mais leve que aqui porque Lá a matéria é mais rarefeita que a nossa. Então defina
céu como a parte que inicia do que é um centigrama mais rarefeito que aqui até o
que você pode imaginar em termos de rarefação. Na realidade, o céu e o inferno não
têm limites, nem o universo, portanto ele será estabelecido pelo que você consegue
ver, e vai compreender que o que está além também existe, mas você não pode
senti-lo com os seus sentidos, então deve ser deixado para quando for possível.

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O Céu pode ser dividido em sete círculos (os assírios já falavam
nisso) e tem muita gente morando nesses lugares, tendo localização e espaço que
podem ser sentidos, portanto definidos. Estes espaços e localizações não são
mostrados para a maioria dos humanos encarnados, pois eles dependem da dimensão
do tempo, que não é fácil para nossa mente compreender. Então, existe a latitude, a
longitude o espaço e o tempo, no endereço do convite de casamento. Não dá para
explicar mais que isso.
Cada círculo tem proprietário, um governador geral ou um rei,
como queira chamar, não importa só que você entenda que há autoridade, e
hierarquia ali, como numa empresa, só que o cargo é ocupado por outras razões.
Dentro de cada círculo, existe o mesmo que os estados e municípios. Importa que
você saiba que existem e que há diferença não racial mas funcional entre um
camarada do 2º e do 5º círculo do Céu, que são muito responsáveis e que gostam de
ficar por Lá não de vir passear, embora possam fazer isso.
Já o Inferno não está abaixo, mas abrange tudo que for mais
pesado que nós, desde um centigrama mais pesado até o que você concebe como
mais pesado que tudo. Ele também tem sete círculos, mas porque círculos? Pelo
mesmo motivo que o Universo, a Terra e as elipses ao redor do sol são curvos. Esses
círculos têm os mesmos sistemas de autoridade e regiões como foi dito sobre o Céu.
O purgatório é onde fica tudo que não é nem preto, nem branco,
nem quente, nem frio. Todos que não puderam, ou não quiseram, ser mais rarefeitos,
nem mais densos, ficam na sala de espera. Como é um local para quem está meio a
meio, tem de tudo. Quanto mais parecido com os rarefeitos, quanto mais a localidade
fica perto do céu, quanto mais denso, mais perto do inferno.
Agora vamos mudar os nomes para uma definição mais
apropriada: Céu é Acima, Inferno é Abaixo, porém, se falarmos do Inferno na
concepção judaica, cristã e muçulmana não é o Abaixo, mas um departamento
correcional para a raça humana que lá foi aberto. Um pequeno espaço maior que o
planeta Júpiter, para não ter que misturar raças que não mereciam um humano por
perto, como as baleias. O Inferno é quase que exclusivamente humano.
Acima e Abaixo podem ser considerados s nossos polos Norte e
Sul. O Leste e Oeste, desta forma, são os lados esquerdo e direito e possuem
dimensões paralelas como os círculos do Acima e Abaixo. Estes são países de outras
raças, primas nossas, que correm em paralelo, evoluções distintas, às vezes
parecidas conosco. Quanto mais próximo da nossa linha latitude, mais semelhanças
com o nosso mundo. Nem sempre é bom entrar em contato com esses primos, pois,
como já disse, nós somos a parte rica e soberba da família. Possuímos riqueza e não
a compartilhamos, mas sempre queremos ver o que dá para tirar de favores dos
parentes pobres. Eles sabem disso e podem cobrar de volta quando algo é
indevidamente pedido.
Mesmo assim, essas designações são imperfeitas. Quando muito
servem para nos localizar e dar nome aos bois. Acima, Abaixo e Lados são nomeados
nos tendo como centro de observação. Em física, a posição do observador é um fator
determinante, então, se você é um ser do 5º círculo jupteriano, o livro não está
correto, não é para você, nem serve para entender como humanos são, mas como
estou falando sobre sobreviver à mediunidade, sendo humana e encarnada, essas
referências nos bastam.
Nos outros planetas há vida, nas estrelas também e em cada um
existe o Acima, o Abaixo e os Lados próprios a cada um, então imagine quanta gente
tem no Universo. Somos feitos de poeira estelar bem mais do que imaginamos. Os
cientistas procuram vida fora da Terra, mas em uma pequena minoria ela existe como

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aqui. Na grande maioria não têm corpo material, são espíritos. Se eles vêm aqui? Não
pude chegar a uma conclusão se são constituídos de matéria como a nossa, pois os vi
com olhos mediúnicos e não sei se gostaria de vê-los em “carne e osso”, pois os que
conheci me mostraram que o físico Stephen Hawking está certo: culturas mais
avançadas, boazinhas ou não, tendem a ser um efeito nocivo para culturas menos
evoluídas. A história mostra bem isto.

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LEIS DE COMUNICAÇÃO

Independentemente do tipo e da intensidade de mediunidade,


existem leis que mediam a atividade entre o médium e o Outro Lado. Algumas são
específicas para médiuns, outras para as entidades, outras para não médiuns e
algumas que são comuns a todos. Existem leis para situações específicas também. As
principais regras são fáceis de entender, se você já teve contato com a ciência da
Física na escola e não se esqueceu de suas regras básicas.
Primeira regra: toda comunicação entre entidades e
encarnados tem que ter autorização. Existem consequências, que inclusive
podem ser punitivas, para os envolvidos, sejam encarnados ou não, sejam os que
fizeram ou ouviram a comunicação.
Então se ouvir algo que não devo vão me por de castigo? Certas
coisas não irão mudar com o tempo. Sua mãe não lhe dizia que ouvir conversa atrás
da porta era feio? Continua sendo. Porém, atrás da porta você sabia que estava
fazendo algo que não deveria, mas e ouvir algo que não era para você saber? Fica um
pouco pior. Se todo adolescente ou criança soubesse que cada coisa que escuta e, por
isso, fica “sabendo”, tira um pouco da sua ignorância, e que existe outra regra que
diz: a inocência protege, não iria querer “saber” mais nada. A inocência implica em
não ter conhecimento, portanto responsabilidade. Se isso existe até nos nossos
tribunais, por que não existiria no que é anterior a nós?
Olhando por este lado, médium de incorporação, por não estar
em domínio de seu corpo durante o tempo que estiver incorporado, não teria
responsabilidade por coisas que fez, falou, ou causou. Porém, para Nossa Lei, ele
tem. A permissão para deixar alguém fazer uso de seu corpo é a mesma de
emprestar um carro ou uma arma. Se quem pegou o carro é menor de idade e bateu
o veículo ou atropelou uma pessoa, o dono legítimo do veículo é indiretamente
responsável pela ação e responde pelo ato. Em um caso mais suave, emprestar uma
lingerie para uma amiga se divertir com o namorado pode resultar numa gravidez e
você vai ser lembrada para sempre. O casal pode lhe convidar para madrinha de
casamento e de batismo, embora não garanta a felicidade com que lhe convidarão.
Afinal de contas, eles só queriam se divertir e você será a coparticipante involuntária
de uma nova vida.
Na incorporação, você é responsável, inclusive criminalmente,
por qualquer coisa que seu corpo tenha feito. Encontrei muitos, mas muitos médiuns
que tentavam se isentar de culpa, em festas onde fizeram sexo, em brigas que se
envolveram, em casos onde houve, inclusive, ferimentos graves aos envolvidos,
dizendo que estavam incorporados e que não se lembram de nada. Isso pode
acontecer sim, mas se você não quer se envolver em situações assim, não ‘empreste’
seus bens a ninguém: carro, arma...e corpo, que é o bem maior que Deus lhe deu
como um templo individual e personalizado.
É verdade que vê mais longe a gaivota que voa mais alto, mas a
mensagem é clara: se você está a par da situação então é parte dela e isso nem
sempre vai lhe fazer bem. Como teria sido se os alemães já tivessem o poder sobre a
bomba nuclear antes de colocarem Hitler no poder? Como seria se ele, na corrida pelo
ocultismo possuísse as mesmas informações que temos hoje? Como ficaria se você,
ou sua mãe ficassem sabendo que sua filha nasceria com uma inevitável leucemia
que se manifestaria até a adolescência? Há um filme em que o personagem do ator

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Brendan Fraser (Questão de sensibilidade 1997 –Jonathan Tolins) questiona algo
parecido quando descobre que o filho que está para nascer será gay.
Então por que muitas vezes perguntas que fazemos à Deus e a
entidades não é respondida? Terceira regra: Eles não podem mentir, mas não tem
autorização para lhe dizer, ainda, o que você quer ouvir. Não irá adiantar forçar
(medir forças a gente faz com quem tem o nosso tamanho), então não perca tempo
com isso. A lei de não haver autorização para algo que falamos para os Outros está
inclusa na mesma regra, mas como nós é que somos os retardatários (muitos são
retardados também), é cem vezes mais certo que Eles saibam, portanto, passar
informações que nos prejudicariam.
É muito comum ver uma entidade desviando a conversa, quando
compreensiva conosco, tentando fazer com que vejamos outros aspectos mais
importantes que levariam a resposta do que perguntamos. Os mais bravios falam
apenas que não vão responder e ponto final. Médiuns minimamente treinados sabem
quando não podem dizer algo à alguém, pois é claro como a lua cheia – as própria
entidades dizem “não fale isso”, ou então, “não tem permissão” ou você Os vê
balançando a cabeça num claro negativo. Não se pergunta nem de que é que Eles
estão falando, pois já se sabe que é a permissão de comunicação.
Estive presente num triste episódio onde uma entidade falou algo
que, além de não ter permissão, era proibido e falou justamente para os diretamente
envolvidos. Os motivos dessa entidade não fazem mais diferença, pois o que
interessa é o que causou na vida de quem ouviu. Da forma como aconteceu, se
tornaram maus motivos. Esse ser tinha confessado que havia sido punido duramente
no passado por sua língua grande. Não pude impedir a entidade de passar aquela
comunicação, o que me entristeceu muito. Sabendo que eu impediria a comunicação,
ela foi feita em minha ausência física. A entidade pagou novamente e, por ser a
segunda vez, está pagando um pouco mais caro. Funciona da seguinte forma: aquele
que fez sofrer terá paz quando a dor de quem sofreu acabar, leve o tempo que levar.
A primeira punição costuma ser não poder se comunicar, nem
por médiuns, nem por contato direto, com nenhum de nós. Esse é um bom exemplo
de por que as leis são cumpridas por Eles, pois sua função é acompanhar e não
complicar a evolução desta espécie.
Tem outro problema que poderia ser nomeado “a nobre arte de
perguntar”. nós não sabemos perguntar (nem pedir). Não ter certeza da pergunta é a
primeira parte de não ter a resposta que se queria obter. Se nós não nos
conhecemos, como podemos saber o que queremos e o que perguntamos? Então não
atropele Deus e depois diga que ele não lhe entende. Saber perguntar é uma arte,
tanto quanto saber ouvir a resposta.
A regra sobre não mentir é mais familiar. A maioria já ouviu que
“as cartas mentem jamais” e é verdade. Tarô, runas, búzios, que são formas de
comunicação, não mentem nunca e sempre sabem tudo. Isso se deve a uma vontade
divina, num sistema que unifica todas as informações ligadas à pergunta, à pessoa
que pergunta e a que está dando a resposta num espaço curto de tempo.
As respostas “erradas” se devem a inúmeras interferências,
inclusive vindas do médium que está fazendo a leitura. É preciso ter o tipo específico
de mediunidade, treino e, mais importante, o coração no lugar certo para fazer um
bom trabalho de leitura de métodos divinatórios.
As entidades não mentem, mas você tem que ter certeza de que
a comunicação está correta. Você considerou a fonte? Se for um médium incorporado,
você consegue ver a entidade que incorpora? Pode ser um obsessor, que é como um
fugitivo, e ele pode ser muito mentiroso. Os que trabalham dentro da lei não podem

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mentir, mas alguns são totalmente tendenciosos, e dão a visão particular deles, não
uma resposta abrangente, baseada em diversos aspectos e opiniões comprometidas.
Na realidade, essa parte é você quem faz, então, considere as fontes.
Eles não podem mudar ou modificar nada sem autorização,
embora tenham poder para isso, em maior ou menor grau. Porém, nem que seja
sentando na sala e falando a tarde toda, entidades dão um jeito de mudar as coisas.
“Muito ajuda quem não atrapalha” isso os mais inteligentes sabem bem sabido e
usam bastante.
Quarta regra: Ninguém pode interferir no livre arbítrio
humano. Deus deu de presente, somente para esta raça, que eu saiba, e isso foi o
pomo da discórdia no Universo, lar de inúmeras raças mais velhas e mais novas que
se perguntam “por que só eles ganharam isso”? É uma excelente pergunta, já que
somos todos irmãos, porém não tenho resposta até agora e não tenho esperança de
ver respondido até o fim desta vida. Prefiro pensar que o leite está derramado e é
melhor não chorar. Outra coisa, se Deus deu o livre arbítrio para nós, considerado um
prêmio (não sei por quem), mas que parece presente de grego, o que ele deu para os
outros? E se Ele deu “buginga” para os duendes e isso é uma verdadeira maldição
para os pobres coitados? Não gaste tempo pensando nisso, mas em como sobreviver
a, ou com, isso que é lucro certo.
Como todo presente, o livre arbítrio vem com algumas condições.
Parece o gênio da lâmpada no filme Aladim (W.Disney Pictures-1992) onde o gênio
fala: ”poderes fenomenais, dentro de uma lampadazinha”. Pô! Mas isso é o fim! E
vem com três regras de não matar, não ressuscitar e não fazer ninguém amar! Vê se
isso não é um autêntico cavalo de pau, barbeador para porco espinho, dessalinizador
pra peixe marinho. Ah! Mas se fosse mais que isso até que perdia a graça! Deve ter
alguém rindo, mas não somos nós!
É bom mencionar, para que ninguém lhe engane: somente a
Deus pertence a hora do nascimento e da morte. Somente você decide amar,
ninguém pode lhe obrigar a isso. Ninguém que diga “eu fiz uma magia e matei tal
pessoa” fala a verdade. O corpo dela morreu, pois Deus assim o quis.
As letras miúdas do contrato do livre arbítrio são: você pode
fazer o que quiser, mas se você entrou na loja e quebrou algo, tem que pagar, ou
seja: Semear é sua escolha, mas colher o que plantou é obrigatório. Daí vem
os conceitos de karma e dharma, mau e bom destino, má e boa sina.
Outro limite da independência que o livre arbítrio parece dar é
que a sua liberdade começa onde termina a do seu vizinho e dele acaba aonde
começa a do vizinho seguinte. É como marcação de terras, os limites estão
circundados por vizinhos e há que respeitá-los, por mais feinhos e sanguessugas que
eles possam ser.
Nenhum ser pertencente ao grupo Outros pode mexer no nosso
livre arbítrio. Nem influenciar é visto com bons olhos, mas eles simplesmente amam
cobrar a colheita. A maioria do que você vai enxergar na Terra, tendo contato
conosco está para cobrar, ver se está pagando ou recebendo o que é devido, ou pior,
caçando foras da lei. A Terra é mundo de expiação, tome isso como aulas de
recuperação, várias correntes espirituais confirmaram isso. Não desanime, mas vi
mais que dois planetas piores que o nosso, em tipo de frequentadores, quando saí em
viagem.
Como consequência do livre arbítrio, você pode não querer
ouvir uma mensagem, mesmo que haja autorização para ela ser dita. Ainda que lhe
prejudique muito não receber ela, você tem o direito de não ouvi-la. Se decidir ouvir,
que não custa nada, e Eles fizerem algum pedido ou ordem para que você faça, ou

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deixe de fazer algo, cabe a você decidir se vai ou não cooperar com o que está sendo
dito, ou deixar correr, ou se opor ao que foi pedido. Você estará dentro do seu direito
nato de livre arbítrio.

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COMO LIDAR COM AS COMUNICAÇÕES E SUAS
CONSEQUÊNCIAS

Quando você define certas regras para si, você já adiantou


grande parte do caminho. É como estar na frente do armário escolhendo roupa.
Enquanto não se decide qual delas usar, estará nu. Se você escolheu e vestiu uma
que não agradou, pode escolher novamente, mas não estará mais a descoberto.
Sempre faça pesquisa, peça opinião, orientação, palpite, junte
tudo o que puder até que se sinta satisfeito, ou até que o prazo para escolher acabe e
decida o que você quer ou como vai agir. Essa prática se aplica a tudo na vida –
inclusive na mediunidade, mais especificamente, em como lidar com comunicações.
Se você fez um pedido e aguarda uma resposta, ou se quis ouvir
uma entidade em uma incorporação, ou se foi a um tarólogo, escute até o fim,
mesmo que já tenha mudado de idéia a respeito. Sempre termine o que começou,
pois não é porque você não gostou do rumo que a resposta está tomando que não vai
escutá-la até o fim. Mesmo que seja uma incorporação estranha, caso você tenha a
Visão e enxergou algo errado, ou o tarólogo não lhe passou confiança, ou a resposta
das preces não esta aparecendo por vias que você considere seguras, observe ao
máximo, escute, para depois CONSIDERAR A FONTE e tirar conclusões importantes
sobre a experiência e sobre o que foi falado.
O que sempre consigo de más comunicações é uma comparação
entre todas as respostas que recebi. Vejo o que é comum a todas e avalio esse
denominador comum. Mesmo que a comunicação não tenha resolvido nada a
experiência irá lhe fazer bem. As maiores lições de vida nós temos quando erramos
ou erram por nós.
No caso de conversar diretamente com uma entidade, nunca seja
rude, nem tente disfarçar ou esconder nada, pois eles percebem facilmente. Se você
está sentindo que a conversa está lhe tomando muita energia, sentindo cansaço,
avise, pois eles têm obrigação de respeitar a condição física do encarnado. Sobre
como agir com os fora da lei falaremos depois.
Quando as entidades iniciam a conversa, algumas coisas mudam.
Embora não possam passar por cima do seu livre arbítrio, por ter que entregar uma
mensagem dentro do prazo, podem usar o estilo ‘cantar no quarto a noite toda’.
Aliás, deixar alguém sem dormir várias noites é técnica formal de tortura e costuma
funcionar bem.
Então, se você decide não escutar o que entidades tem a dizer, e
o homem na sala, que ‘só você vê’, assistiu e gostou do filme Ghost, encare o seu
não de forma mais suave. Normalmente, mesmo espíritos humanos inconvenientes
vão embora depois de passar o recado. Assim, dê a eles o que querem rapidamente e
volte a cuidar da sua vida.
Veja o exemplo do seriado ‘Ghost Whisperer’ (CBS 2005-2010),
escrito com base nas experiências de um médium americano. Não precisa fazer o que
a personagem principal do seriado (atriz Jennifer Love-Hewitt) faz, mas saiba que é
muito parecido com o que se apresenta lá. Com sorte você não será o único que vê
gente morta na cidade, como parece ser nesse seriado, e esses queridos irão passar
mensagens em outra freguesia.
Sabe essas pessoas que se vê de quando em quando na
televisão, num programa, ou em igrejas evangélicas, ditando mensagens para a

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audiência do tipo – “quem conhece uma Amélia?” “Ela quer falar que não se esqueça
de dar o quadro da bisavó para o Marcelo”, e alguém da plateia começa a chorar?
Bom, isso existe e não é enganação, mas pode acontecer que a tal Amélia não esteja
ali em espírito. O que há é uma mensagem na áurea (campo magnético) da pessoa
que o médium pode ler. Como uma secretária eletrônica ou um email e não sei por
que fazem esse tipo de show, pois mesmo os que recebem a mensagem geralmente
fingem que não sabem de nada e o tal quadro não fica com o dito Marcelo. Algumas
vezes o espírito está ali, feliz que alguém deu atenção para ele e vai embora,
finalmente.
Todo mundo tem a capacidade de mandar ‘emails’ pelo espaço.
Se todos cooperassem aprendendo a apertar o botão ‘abrir mensagem‘, seria divino.
Já imaginou mandar um recado pra todo mundo da empresa, uns dois mil
funcionários, para se encontrarem no salão as 18:00 e todos sentirem
automaticamente a mensagem dentro de si. Quanto papel e quanta energia elétrica
iríamos poupar! Não acho que a indústria de eletrônicos e softwares iria ficar feliz
com a possibilidade.
Minha experiência na área diz que 80% dos médiuns não precisa
se tornar profissional, mas se puder resolver o que aparecer no caminho não
custando nada, poderia ajudar, pois estará encaminhando gente que não tem que
ficar aqui e ajuda a tornar a vida dos encarnados menos opressiva. Já fiz varias
dessas comunicações de espíritos humanos, e a parte chata, como no seriado, é não
acreditarem no que você sabe e lhe tratarem mal, com o pior dos chavões: “por que
você não se mete com a sua vida”?
Geralmente essas pessoas são ingratas até com a mãe deles e
não é porque você está sem dormir e gastando o seu plasma que vão querer ser
legais com você. Não desconte no mensageiro é algo que todos eles falam, mas
pouco adianta. Um conhecido, cuja visão é tão forte que não consegue separar, assim
de cara, um vivo de um morto, foi chamado por um senhor de terno branco, sapato e
chapéu brancos, no ponto do ônibus. Mesmo reparando no modelo démodé do terno,
não quis ofender o velho e escutou o que ele queria perguntar. Conversou bastante
com ele, até perceber todo mundo no ponto de ônibus se afastando dos dois. Nesse
ponto o velho fala que é avô de uma vizinha dele e quer que ele leve um recado para
ela. Ele levou o recado e como a descrição física do avô foi muito precisa, a menina
chorando (sempre choram) disse que era ele mesmo e que havia sido enterrado com
aquele terno da juventude dele. A jovem fez o que ele pediu e não atirou pedras
nesse meu conhecido. Raro desfecho, que ajudou muito a menina e não custou nada
que não a boa vontade do médium.
Qualquer comunicação gera um custo e dependendo do tipo esse
preço pode ficar caro. A moeda de câmbio das transações mediúnicas é o plasma,
aquilo que sobra quando tiramos os glóbulos vermelhos do sangue, e a linfa. Mais
especificamente, a moeda de cambio para operações entre mundos são os leucócitos
e as proteínas que o plasma e a linfa possuem. Isso é muito sério e não é dada a
importância que deveria ter. Se depois de cada experiência mediúnica fosse possível
medir o plasma e a linfa da pessoa que intermediou a comunicação, talvez voltassem
a atenção para o assunto.
Para o médium é o mesmo. Como exemplo, veja a leitura de
tarô, através de um médium, bom profissional, com experiência, recebendo uma
pessoa que procura um aconselhamento para a situação que está passando. Esta
pessoa é equilibrada e quer ouvir todas as opiniões possíveis antes de tomar uma
decisão. Será uma leitura boa, com uma boa troca energética, que beneficia a quem
pede a consulta, cujas perguntas serão especificas e justas. Ao fim desta consulta, o

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médium terá gasto plasma, mas ele foi sendo reposto durante a leitura e o que ficou
faltando, com um copo de leite ou suco de laranja e meia hora de repouso, é reposto.
Vamos ao oposto deste exemplo ideal: um médium iniciante, ou
que ainda tem problemas pessoais não resolvidos, ou está doente, enfim um médium
que não está em condições de uma boa leitura, recebe uma pessoa desequilibrada,
com a intenção de que o médium e o tarô resolvam seus problemas. Essa pessoa
nem sabe o que perguntar, provavelmente não está em condições de dizer o que a
incomoda, mas quer que o médium resolva tudo, afinal ele tem “poderes”.
A leitura já pode começar com a comunicação sendo proibida no
início e o consulente provavelmente não aceitará isso. Se iniciar a leitura, será penosa
para o médium, que por um sistema osmótico irá ter que equilibrar as energias dessa
pessoa com a concentração da leitura. Será difícil que a pessoa entenda o que o tarô
tem a falar. No final, esse médium, além dos problemas pessoais, estará por um lado
carregado com as energias problemáticas do consulente, por outro seu plasma foi
utilizado em quantidades altas. O consulente, não sentindo que o tarô resolveu o que
achava que tinha que resolver, sai furiosa da leitura, irradiando energias hostis ao
médium. Este, se não for auxiliado por entidades ou outros médiuns, sairá pior do que
entrou e poderá ter todo tipo de problemas físicos e espirituais.
A quantidade de plasma despendida pelo médium dependerá do
uso da clarividência, audição e visão mediúnicas ou uso de incorporação, meios que se
utilizam mais do corpo físico, a duração da comunicação, o nível das entidades
envolvidas e o tipo de mensagem. O assunto ‘Custos Envolvidos’ é interessante
apenas para aqueles que não conseguem manter um padrão de vida igual aos não-
médiuns. Os que estão tentando e conseguindo viver uma rotina satisfatória não
precisam compreender a fundo esta questão.
A verdade é que comunicações podem machucar. Quanto mais
importante a mensagem, mais dor física ela pode trazer. Normalmente, no meu caso,
entidades veem quando estou andando na rua, trabalhando, comendo ou tomando um
banho (eles amam a hora do banho), melhor dizendo, a qualquer hora. Um tipo de
enjoo me acomete, Sinto falta de ar e tonturas. Até que eu entenda que não é mais
um episódio de hipoglicemia, ou fibromialgia, ou resfriado chegando e ex de todo tipo
por perto, começo a considerar que são Eles tentando estabelecer contato. Tenho um
episódio onde eu fiquei dez dias com mal estar terrível até entender que certas
entidades queriam apenas conversar. Elas simplesmente não entendem “agora não”.
A resposta geralmente é: “Certo, podemos esperar”, mas não o fazem em suas casas!
Nem ao menos se afastam um pouco, dando-me espaço para respirar. Eles esperam,
encarando você, sempre por perto.
Sabe quando tocamos a campainha da casa de alguém que
precisamos chamar e ninguém responde? Você toca de novo e espera, então grita
pela pessoa e espera. Depois disso, descontroladamente, você começa a gritar: “eu
sei que você está aí, fulano, aparece!”. Os vizinhos podem até aparecer querendo
saber o que acontece, depois de tanto grito...então, entidades são assim.
Lembro-me de uma comunicação foi a resposta para uma
pergunta que havia feito dois anos antes. Chegou as cinco horas da tarde e consegui
compreender que não era um resfriado, mas uma ‘chamada’ chegando. A mensagem
era clara, mas havia conseguido a resposta por outros meios e a resposta não era
aplicável a minha vida. Senti-me doente por um dia todo apenas para saber algo que
não teria aplicação pratica nenhuma. A divindade não era responsável pelo que eu
faria com a informação e a resposta à uma questão deve ser dada, sempre.
Dor e indisposição são normais para o médium e acontecem
geralmente na presença de entidades. Compare com estar perto de um material

66
muito quente, ou frio. A maioria Deles tem uma diferença energética e distribuição
atômica muito grande em relação a nós. Nosso campo magnético sente isso, fica
enlouquecido, e reage a presença Deles. Então, se eles dizem que vão esperar, isso
significa que um pedaço de material radioativo vai ficar ao seu lado enquanto você
não der atenção a Eles! A incorporação é a forma de se comunicar com o Outro
Lado que mais caro custa. Se for feita para ajudar na saúde é realmente muito
caro para o médium e eu acredito que os de incorporação estão em declínio visível
por causa desse alto custo. O antigo sistema de médiuns poderosos e nada felizes
consigo próprios não é mais viável em nossos dias, porque gente infeliz não está
em posição de ajudar. Vários mestres já repetiram o famoso: “Médico, cura-te a ti
mesmo”. Avida pode ser realmente difícil com essas comunicações acontecendo.
Tenho saudades dos tempos que ficávamos um dia inteiro
numa caverna, respirando gás vulcânico e alucinando. nós tínhamos
reconhecimento pelo nosso trabalho e, imaginem, inclusão social! Melhor que ficar
escutando todos os dias que você é estranha, esquisita, ou, em uma educada
tradução, diferente.

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UM BOM EXEMPLO DE COMUNICAÇÃO E SUAS
CONSEQUÊNCIAS

Decidi colocar essas histórias para que você pudesse avaliar o


que é uma comunicação e o impacto que pode causar. Cada pessoa reage de forma
diferente a uma comunicação. Descreverei a minha reação na época e a opinião que
tenho sobre o assunto ao tempo que escrevo este livro.
Um belo dia, que não lembro se foi normal, ruim ou bom, pois
esses avisos vêm a qualquer hora e local, soube que iria ter um filho. Estava me
preparando para dormir, era dia de semana e teria aula no dia seguinte. Escutei uma
voz, sem ver ninguém, que dizia: “esteja pronta, a criança está a caminho”. Com 19
anos, sem emprego, cursando a faculdade, e pior, sem namorado (pior ainda, sem
“aquele” namorado que você pensaria em ter filhos com), é o tipo de notícia para se
receber? É o mesmo impacto que estar sentado na frente da televisão naquele
domingo zen demais, sem grana, só coçando, e vem uma pessoa que você nunca viu
falando algo do tipo: “levanta que você vai pegar um avião para a Etiópia ser
voluntária num campo de refugiados”.
Para mim era mais fácil acreditar na segunda história. Como era
do tipo precavida, mas burra, em vez de contestar a comunicação, pensei: “Pô! Que
legal, vou ser mãe! Como faço sem um homem? Puxa, vou arranjar emprego sério
para poder sustentar a garotinha que vem vindo (eu queria uma menina, porque dá
menos trabalho), mas como vai acontecer se eu não estou afim de ninguém? Acho
que vai ser numa festa, vou estar bêbada e vai ser um qualquer, então acho melhor
comprar umas camisinhas, colocar na pasta, na bolsa, na bolsa de festa, assim não
esqueço de levar. É, mas se vou ficar grávida, não estarei usando camisinha...acho
bom procurar um emprego de verdade...”.
Passei a noite toda pensando nos detalhes e não no principal:
quem será o pai? Como as famílias vão receber a notícia? Quais consequências vão
advir dessa situação? Será que é justo acontecer agora que sou tão jovem e cursando
a faculdade? Acredite, além da minha pouca idade, eu estava em uma condição de
infinita ingenuidade. Hoje, mais rodada, responderia educadamente para irem
emprenhar a mãe do capeta e andaria com calcinha de ferro e cadeado, verdadeiro
cinto de castidade, cuja chave daria para o meu pai cuidar.
A hora do nascimento, da morte, quantidade de filhos que você
vai ter e doenças é algo que não dá para mudar sem provocar consequências sérias,
mas seu livre arbítrio pode interferir como num tipo de negociação. Nesse caso eu
poderia ter adiado o assunto para uns anos à frente e cuidar de outros destinos
igualmente importantes. Isso poderia ser feito. Eu faria uma reunião com os
encarregados da reencarnação do Outro Lado e pediria para saber quem era o pai,
objeto principal, e que tipo de sofrimento poderia estar envolvido, mas não foi o que
fiz.
O pai dos meus filhos apareceu, dois anos depois do aviso, que
foi sendo repetido regularmente, como uma bomba que está para explodir: “está
chegando, prepare-se”, “está quase lá, faça sua parte”, até que engravidei. Uma das
coisas que me faz pensar hoje na violência do que senti pelo pai dos meus filhos, foi
uma ajudinha do Outro Lado para que estivesse tão cega que esquecesse de mim
mesma e o destino fizesse seu caminho. Não se foge do destino, mas se uma situação
tão importante como essa vier a lhe acontecer, não se deixe alterar pelos avisos.

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Curta o empurrãozinho que as entidades vão dar, saboreie o doce momento o mais
possível, para quando for hora de viver o amargo, não lhe pareça tão ruim. Não, os
filhos não são um problema, mas os ‘extras’ que vem junto a gente amarga o resto
da vida.
Poucas vezes os avisos vem para dizer “hoje vai passar um filme
bom no cinema” e mesmo quando avisem “você vai a um cinema esta semana, com
um homem que vai ser muito importante na sua vida”, cuidado, não é um caso à toa.
Leve a sério, ponha a barbicha de molho, a calcinha de ferro com cadeado, a chave
com o papai, e desafie o destino. Se der no que tinha que dar, nas contas do destino,
pelo menos você protestou.
Durante o rascunho deste livro, passei por um dos momentos
mais difíceis que já tinha passado, pois envolvia uma comunicação de grande porte a
vida de muitas pessoas que amo e muitas outras que viriam a entrar em minha vida.
Gostaria que você, leitor, comparasse as diferenças entre as duas situações e as
formas que reagi.
Uns três anos depois de separada, no meio de uma época onde
estava exausta física e emocionalmente, comecei a receber mensagens conflitantes,
que são um problema sério em comunicação, sobre dívidas e um prazo que não tinha
cumprido. Ainda não havia me recuperado do trauma que o divórcio quase sempre é
e recebia mensagens de dívidas que não tinha pago na época do casamento! Agora,
na dúvida, sempre protesto, então pensei: “mas que droga! Por que me fazer sentir
pior do que já estava? Será que era eu mesma fazendo uma projeção de culpas? Será
uma comunicação verdadeira, sem mistura de conflito pessoal no meio?”.
Comecei a perder a paciência, com a insistência das mensagens,
e tentei ignorá-las, dizendo a mim mesma que era louca, que escutava vozes à toa e
que ia largar esse negócio todo. É normal essas crises acontecerem vez por outra,
acostume-se com isso. Quando parei de reclamar e calmamente avaliei a fonte, vi
que era uma comunicação muito mais importante do que imaginava, pois falei para
os primeiros que vieram dar a mensagem, irem falar com a p*!@ que os pariu,
aproveitando para descontar o mau dia que estava tendo e o privilégio de não ser
mais uma médium ‘estagiária’. Depois, o chefe dos que mandei embora veio falar
comigo, seguido de mais palavras nada suaves, depois o chefe do chefe, depois o
chefe geral, depois uns anjos com armadura, e a situação foi complicando, por isso
repito, ouça o que os primeiros querem falar e diga, sim, senhor, que é mais fácil se
livrar deles! Por fim compreendi, depois de três anos mandando embora o
mensageiro, o que era tão sério que haviam de mandar tanta gente para falar sobre o
assunto. Estou esperando mais instruções. Daqui 40 anos conto no que é que deu
essa história, pois ainda está em negociação.
Certa vez, vendo minha avó chorar pela enésima vez, sobre algo
nem tão sério, perguntei à minha mãe por que a vovó chorava tanto, já que uma
pessoa velha deveria saber mais da vida e ser mais forte. Minha mãe respondeu que
era o contrário, que quem sabe mais da vida também sabe no que a situação vai dar,
e essas pessoas sofrem e podem chorar mais. È verdade, choro muito mais hoje que
quando mais nova e não tinha conhecido a morte, a separação e a dor da perda, mas
não tenha medo, o choro sincero é poderoso purificador, é uma prece maravilhosa,
pois reza o que a alma sente em primeira mão e, na pior das hipóteses, limpa o seu
nariz e seus olhos. Ali também aprendi que é melhor negociar do que encetar uma
briga em se tratando Deles.

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LEI COMUM A TODOS

Não matarás. Ninguém pode matar, em nenhum dos mundos:


Acima, Abaixo e Lados. Mesmo os anjos que acompanham a morte dos encarnados,
não “matam” a pessoa, mas apenas a levam. Deus, criador ou criadora, como queira,
é o único que pode determinar o nascimento e a morte de qualquer criatura.
No Universo nada se perde, tudo se transforma. A morte da
carne serve de substrato para outras vidas. Os budistas têm em conta que toda vida
tem o mesmo valor, então a vida de um humano é tão importante quanto a de uma
galinha. Para os muçulmanos está bem claro que os animais tem igualdade para os
olhos de Alá. São Francisco preferia a presença de animais. Uma coisa é matar para
comer, sendo você um carnívoro, outra coisa é matar para eliminar um problema,
para se divertir, para ter historia para contar...
Do que vi, até agora, existem algumas outras sobre a morte:
entre a vida da mãe e a vida do bebê, a da mãe é que deve ser salva. Se há um
confronto de morte entre dois seres, é dever da pessoa defender a sua vida
primeiramente, pois, não se defender é considerado suicídio, que é tão grave quanto
matar. Essa regra é seguida pela que diz você sempre deverá dar preferência por
quem mais ama, pois é insuportável levar a vida sem aqueles que o fazem lembrar
por que está aqui. E aquilo que já mencionei: seu coração é o principal guia em
situações de conflito, mesmo nas que envolvem a morte. Ele lhe dirá o que Deus já
deve estar sabendo.
Na dúvida, não fique no caminho de entidades de punição ou,
cobradores, eles estão com a permissão para agir e você é apenas um alguém. Não
ajude ninguém a matar, mas não abandone aqueles que fizeram e estão
arrependidos. Como ouvi dizer, odeie o pecado, não o pecador. Se você pode
interferir para que uma morte não ocorra, isso deve ser prioridade. Faça a sua parte
apenas se necessária.
Existem outras mortes sutis e malvadas, como matar a vontade
de alguém, matar sua felicidade, matar sua possibilidade de evoluir. Tudo isso é
contra a lei Não Mataras. O fato de você ter interferido indevidamente na vida de
alguém poderá causar muito estrago na sua. Lembre-se do antigo ditado: “Muito
ajuda quem não atrapalha”.
Obediência e lealdade são uma regra comum a todos, mas os
Outros tem isso bem mais definido que nós. Nos mandamentos, a regra está como
Honrarás pai e mãe. Tudo que tenha consciência no Universo, que não seja coisa,
está sob ordem de alguém. Esses laços são de amor e, para não ofender os que não
definem amor, laços energéticos. Não dá para desatá-los, e para que tentar, não é
mesmo?
Somos como bebês perdidos no escuro, sentindo o perigo, mas
não conseguindo distinguir o que exatamente está lá. É um urso enorme? Podemos
sentir seu hálito? É um urso ou um cão? É noite ou dia? Médiuns podem ver se há um
urso no quarto, alguns podem até ver a cor dos seus olhos, mas aqueles que podiam
ver a imagem toda já não vivem mais. Qual é o meu conselho? Enquanto você sentir
que está perdido no escuro, a única coisa que poderá fazer é procurar ter mais
informações para poder saber qual a melhor saída naquele momento.
O que interessa para nós é: quando há uma ordem dos
governantes dos níveis do Acima e do Abaixo, para que algo seja feito, ou impedido

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de ser feito, todo mundo irá obedecer... menos nós. Por não saberem distinguir
ordens ou autorizações, vejo muitas pessoas se debaterem contra fatos que tem uma
importância diferente da qual imaginavam, se machucando horrivelmente no processo
que poderia ser mais suave.
Obrigações primeiro, depois devoção e por fim diversão. É
uma regra para nós, mas Eles tem que obedecer nos ajudando a cumpri-la
corretamente. Isso significa que as obrigações carnais vem primeiro, porque o corpo
é o veiculo para que a vida aconteça. Se você encarnou, seria estupido não seguir as
regras das quais o corpo necessita, que são: nutrição, satisfação e proteção. Estas
coisas devem ser preenchidas antes de qualquer outra, o que inclui uma segunda
parte versando sobre cuidados com o espiritual e a devoção para com o que é
eterno, como a alma. Fazendo uma comparação, é como dizer que temos de fazer
investimentos de curto prazo e depois os de longo prazo. A diversão vem por último
porque, se você já é um adulto agora, o tempo necessário para diversão é o que
sobra. Se você é médium, a chamada diversão é uma linha no horizonte. Diversão é
diferente de tempo de descanso, ou de prazer. Estas são coisas que fazem parte da
satisfação, consideradas necessidades reais, portanto parte das obrigações.
Desafortunadamente, existem mais regras, embora sejam mais
específicas, e estudá-las todas é importante se você decidir trabalhar a sua condição
mediúnica como eu fiz. De outra forma, saber essas regras principais ajudará que
você não fique no caminho de entidades. Quem quer mesmo irritar a vizinhança?

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OS OUTROS

É muita gente, mas muita mesmo. Vou falar daqueles que se vê


comumente entre nós e daqueles que se tem que ter cuidado, se um dia os ver. Para
todo o restante, eu direi as regras básicas para saber de que direção vieram e se são
ou não amigáveis. Haverão dicas básicas do que fazer, quando, independente de
quem seja, você não quiser se comunicar.
Os Outros são todos aqueles que não estão aqui e agora, na
carne, melhor dizendo com carne e pele visíveis. Existem criaturas e gentes puras e
mistas, dizer mestiças também é correto. Por puros deve-se entender que a evolução,
o seu desenvolvimento ocorreu dentro da dimensão deles, como uma pessoa que
nasceu em uma cidade, a família toda é de lá, cresceu, estudou, namorou, sem dela
sair. Por mistos deve-se entender aqueles cuja evolução e desenvolvimento está
ocorrendo em várias dimensões e /ou são produto da miscigenação de duas ‘raças‘.
Como uma pessoa que é filha de pai branco, mãe negra, nasceu numa cidade, saiu
para estudar em outra, casou com um japonês e foi morar em outro país e por ai vai.
Ser puro ou miscigenado não faz diferença entre ser bom ou
mau. Esses conceitos devem ser deixados de lado. Puros trabalham tão bem quanto
miscigenados, todos são, via de regra, muito conscientes da palavra
responsabilidade. Tanto uns quanto outros são encontrados no Acima e no Abaixo e
seus países de origem estão dos Lados. Ali nós temos uma literatura vasta sobre isso:
a mitologia. Como já disse, toda lenda tem fundo de verdade. Todas as raças da terra
tem seus seres mitológicos. Graças a Deus eles existem, pois a humanidade sozinha é
insossa e pedante.
Vamos mencionar alguns puros conhecidos: sátiros e ninfas,
gênios e fadas, duendes e trolls (esses são nomes que nós demos a eles). Estão na
Terra e em outros planetas. Estão próximos de nós, comparando com outras raças.
São bem mais belos que os Nossos mais belos e bem mais inteligentes. Maus ou bons
para conosco, os da Terra estão aqui desde o princípio. Crianças, por terem a mente
mais pura e o coração mais leve, os veem com mais frequência, daí eles serem tidos
como história para crianças. Mesmo os trolls são melhores de se ter por perto do que
muito ser humano que eu conheci. Eles não mentem, nós mentimos muito. Os
governantes destes seres costumam não vir ter conosco. A energia deles nos faria
mal, por ser muito forte e concentrada e eles não gostam muito de nós. Quando há
necessidade de contato mandam os que tem mais experiência ao nosso encontro.
Alguns miscigenados famosos são: os Deuses do Olimpo, do
Egito, da Índia (que deu nome para todos eles que têm contato conosco, os dando
um trabalho medonho, mas muito útil) e da China. Todos esses são governantes dos
círculos que foram mencionados, do Acima e do Abaixo. Para lidarem conosco, eles
tem que ser mistos, pois nós somos também. Ou não estamos em um planeta que
tem quatro elementos? Existem mistos de dois elementos, três, quatro e por ai vai.
Esses deuses são, em geral, mistura de duas raças. São muito fortes, mais que os
puros mencionados, são belíssimos, mesmos os raivosos, e fazem muito bem em
estar sempre perto de mim, pois sem eles a vida se torna muito triste e enfadonha.
Como precisamos acordar de manhã, sair para trabalhar,
satisfazer necessidades básicas, enfim, viver, vê-los sempre nos. Se você pudesse ver
uma festa deles, seria muito difícil dizer que apreciaria uma festa aqui. Como viagens
astrais tem custo em plasma também, ir até o Outro Lado, ver o mundo Deles e

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voltar é, para mim terrível, não só no custo do meu corpo físico, mas muito mais pela
tristeza de vê-los e ter que voltar para cá.
Como somos cheios de neuras, mesquinharia e desequilíbrios
internos, muitas pessoas que tem contato com eles, puros e mistos, acabam loucos
ou tentam suicídio, ou somem. Os britânicos tem muita experiência com isso, eles
tinham muito cuidado certos dias do ano, onde os portais são realmente abertos, e
pessoas podiam ir para estes círculos e não querer voltar. Uma vez, com uns 20 e
tantos anos, vi um destes seres que habita as ilhas britânicas, como fazer uma visita
a um velho conhecido, embora não saiba como cheguei lá. Ele me tratou tão bem, tão
atencioso e verdadeiro! Sua família foi tão boa comigo. Foi muito difícil voltar, eu não
queria mas a responsabilidade falou mais alto. No meu caso, consegui voltar e manter
um certo nível de equilíbrio mental, não machucou meu corpo, nem meu espírito,
mas a saudades dói. Eu conheci pessoas que não fizeram bons retornos e se
desequilibraram nesta vida, precisando de apoio psiquiátrico e medicamento para
continuarem com a vida nossa ‘normalmente’.
Agora sobre quem faz mal e quem faz bem, é outra história.
Depende de quem, quando e quanto. Vejamos o Acima, seus vários círculos, com
gente de todo tipo. Humanos também, que não reencarnam mais aqui. Evoluíram e
foram para melhor vizinhança. Eles estão vinculados, por responsabilidade, aos
humanos na terra, mas só aparecem aqueles que tem o que fazer aqui. Ninguém que
conheci vem em férias. Eles não gostam de humanos, e quando são humanos, ou
parte humanos, já sabem o trabalho que vai dar, ficam mais complacentes conosco,
mas como eles próprios deram certo, não deixam de apertar bastante e serem
extremamente rigorosos no que querem de nós.
Vamos ver uma história bem próxima a nós, que é um excelente
exemplo: um antigo escravo brasileiro, apanhou “até o gato morto miar”. Ele
aproveitou o que seria mesmo a última vida dele na Terra e conseguiu ‘passar de ano
cum lauda, subir o degrau que faltava na evolução, não vai mais encarnar e está num
lugar mil vezes melhor que aqui. Ele passou tudo o que há de crueldade, perdeu os
familiares, teve filhos que foram sendo tirados dele e vendidos, passou fome
constante, frio, calor, falta de respeito e tudo de bom que os donos sabiam
providenciar. Esta alma que se ‘purificou’ escutará seus pedidos e irá se condoer, por
que não há quem conheça mais sobre dor e sofrimento, que seja mais próximo a nós
em tempo, que um escravo, mas ele sabe que muito do sofrimento que o ser humano
passa, vem para ensinar pois como diz o ditado: “Quem não aprende pelo amor, fará
pela dor”. Se ele aguentou, porque você acha que ele pensa que você não vai superar
o que quer que esteja sofrendo? Ele vê suas dívidas e sua teimosia, e outros “estados
de desequilíbrio”, escuta sua reza e fica presente, mas é só, na maioria das vezes.
Ele lhe fez mal? Não, mas não resolve o seu problema. Ele teria
lhe ajudado com o homem na sala, mas se for para que você cresça resolvendo
sozinho o enguiço, ele vai permanecer quieto e ficar olhando de longe sem permitir
que a situação piore e vai lhe ajudar, sem falar nada, se o homem da sala começar a
extrapolar e maltratar a sua mãe.
Fadas são boazinhas como dizem? Sim e não. É mais tipo isso: se
fulana, uma habitante do círculo 2 do Acima está de bom humor ela será uma fada
contigo, se não ela será uma vadia. Se ela veio se comunicar em missão e você
cooperar, vai dar tudo certo, ela é legal, mas se você não se comportar, a roupinha
rosa e rodada dela vai mudar para algo tipo ‘vou levar você pro inferno agora’.
Ogros são malvados? Não, eles são excêntricos, do nosso ponto
de vista, mas se você tem um tio avô paterno como eu tinha, os ogros não parecerão
tão ruins. Gosto deles quando vem em missão. Eles adoram cumprir a tarefa rápido e

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eficientemente, para voltar e cuidar de suas vidas. Se você der um agrado e for
educado, eles lhe deixam em paz. Não vi nenhum que gostasse de destruir a
natureza. Não posso culpá-los por gostar de correr atrás das fadinhas gostosinhas,
não é problema meu ou teu, e lhe digo mais - eles não praticam pedofilia.
Elementais são colegas de barco, nessa Terra que habitamos.
Conheci algumas pessoas que eram parentes próximos deles, são esses indivíduos
que plantam em cima da pedra e nasce uma horta. Esses habitantes do Outro Lado
gostam de quem não é do contra. Quando veem sinceridade em você, vai tudo bem.
Gostei muito de passar minhas infâncias com eles, são agradáveis e companheiros.
Quando desrespeitados, o que acontece com frequência, se entristecem demais e se
afastam. Não é bom morar no planeta Terra e entristecer aqueles que são a
expressão da natureza direta, principalmente os fazendeiros, que lucrariam muito
mais em tê-los como amigos. Os custos de plantio e criação diminuiriam
maravilhosamente. Mas quem quer ficar de conversa com eles? A gente prefere
colocar bastante fertilizante e agrotóxico nas plantas, não é mesmo?
Anjos eu vi de vários tipos, tem que tomar muito cuidado com
uma parte da família Deles. O problema é que são irmãos mais velhos, de uma raça
que não tem corpo carnal a uns milhões de anos e esqueceu, ou finge esquecer (do
mesmo jeito que a gente gosta de esquecer das partes ruins da vida), como que é ter
carne e pagar conta no fim do mês. É importante você saber deles um pouco, assim
quando vierem de conversa pra cima de você, já identifique a procedência e fique
alerta! Muito das comunicações de anjos, arcanjos, serafins e toda essa população
não veio para falar que o problema do homem da sala está resolvido. Eles vem para
dizer que você está grávida, que está expulso do ‘paraíso‘, que tem que fazer isso e
aquilo, que o mundo tá acabando. Cuidado!
Assim, anjos são irmãos bem mais velhos que estão com a tarefa
de cuidar de você e da Humanidade. Houve uma briga entre eles, pois ficaram bravos
quando papai do céu nos deu o livre arbítrio e eles não acharam isso justo. Essa briga
fez com que alguns se mudassem de casa (vivia todo mundo perto) e a discussão
ainda não foi resolvida. A metade Deles que discordou, desconta na gente até hoje.
Do mesmo jeito que não dá para tirar do seu cérebro o que você aprendeu na escola,
se você for expulso da casa de seus pais, não dá para deixar de ser anjo quando
muda para bem longe. E nem todos viraram aqueles demônios de asa de couro e rabo
com espeto. Todos que vi continuam lindos como quando eram uma gangue só, e tem
poderes iguais. A diferença e que uns vem com má vontade e secos como quem tá
com dor de barriga e não quer falar e outros vem com música, sorrisos, espadas e
saiotes à la romana. Sobre estes últimos faça um favor a si mesmo : trate-os como a
um (a) pretendente mala - fique com as costas para a parede.
Demônios como os do filme “O Exorcista” existem. São
companheiros se você conseguir manter uma distância de uns quilômetros para
conversar com eles. São seres do Abaixo, seguem leis deles e leis gerais, sabem
pagar dividas, bem como cobrar. Não gostam da raça humana de jeito nenhum. O
tipo de comunicação que é mostrado no filme do exorcista é do tipo que eles gostam.
Quando mandados à Terra para fazer uma comunicação, ficam fulos, e se comunicam
do mesmo jeito que você faria com o atendente do banco, que está de sacanagem
com você, depois de uma fila de duas horas em dia quente. É, com esse tipo de
educação.
O problema com eles, além daqueles onde você é o devedor, é
quando você tem laços familiares com um deles, ou houve algum tipo de relação não
profissional no passado: de amor, amizade, empatia. Não, você não teria namorado
com um bicho que vomita coisa verde, tem pescoço de coruja, e veste camisola

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chique. Eles são de várias formas e cores, e não são feios e repulsivos como no filme,
não todos e não o tempo todo. Mas o que mostra o filme leva a crer que a menina e o
tal se conheciam de outras bebedeiras. Se lhe acontecer de um desses se aproximar
de você, negocie sempre que possível e reze para não ser algum ex seu. Alias, todos
ex se comportam de maneira muito semelhante. Experimenta falar para um homem
que você não está mais interessada nele. Conheço perseguições que duram mais de
mil anos, ou seja, eles não entendem um não, igualzinho alguns ex na Terra.
Tenho um caso para lhe contar sobre a minha infância. Tinha um
sonho que sempre se repetia, onde um ser invisível jogava objetos em mim, me
torturava e todo o mais de pavor imaginável. Eu acordava sempre com a certeza que
havia alguém comigo, alguém grande, homem, mau, fora de si. Como só eu via
objetos voarem no sonho, não considerei como alguém de Lá. Mais tarde, com uns 11
anos, li num dicionário de sonhos que aquilo era a representação onírica de medo da
vida. Achei que era uma boa resposta, até que minha visão aumentou e eu o vi. Era
medonho e não consegui entender o que ele queria comigo. Não houve resposta, só
terror, por 30 anos. Até que conheci alguém do Outro Lado, que era maior que esse
ser pavoroso, e que sabia caçar gente assim.
Paralelamente a isso, aconteceu de ver uma vida passada onde
me usaram numa pratica de magia, que espero ninguém saiba mais fazer, onde meu
corpo e meu sangue se uniram a esse ser que me perseguia. Deve ter uns cinco mil
anos e o lindinho estava atrás de mim até hoje! Isso é que é não superar a relação!
Era tipo o Rei dos Ex., o grande mala, o que não tem a área do cérebro dedicada ao
não! Agora dá para rir, mas naquela época comecei a acordar com hematomas
depois de sonhos que foram piorando. De comum acordo fui usada de isca para pega-
lo. Não sai sem cicatrizes, mas ele foi pego e foi um alivio de 5000 anos. Esse foi O
alívio dos alívios! Se eu tive alguma parte da culpa? Devo ter tido, a mais de 5000
anos, mas não fique saindo por aí admitindo que um ex foi maltratadinhos, não?
Se eu fosse médium de efeito físico, seria mais um desses
fenômenos que onde passam os objetos vão se mexendo junto .Por um lado não foi
bom, pois passei muitas noites de horror sozinha, sem ninguém que acreditasse já
que, fora os hematomas misteriosos, efeitos poltergeist não eram visíveis.
Espíritos presos na terra ninguém merece, mas todo mundo vai
ter um ou dois por perto. São pessoas que morreram e tinham assuntos não
resolvidos tão importante ‘para eles’ que ficam aqui até que resolvam. São bons e
maus, pois depende do que é o assunto que deixaram para trás, de quem eram
quando vivos (perversos ou equilibrados) e de quanto tempo estão ‘rodando’ por aí.
Nenhum deles sabe como se ‘sustentar’ aqui na Terra. Não sabem comer, beber e se
manter limpos, pois creem que só podiam fazer isso quando tinham corpos. Se ficam
muito tempo, vão adoecendo a ponto de, se vistos por conhecidos, serem
irreconhecíveis. São diferentes dos que foram para o Outro Lado e voltam, com
autorização, para acompanhar algum caso entre os que deixou aqui, pois tem
assuntos pendentes. Eles vem alimentados, limpos , conscientes da morte e ficam por
períodos, voltando para o Outro Lado para se alimentar e limpar. Os espíritos presos
a Terra são os famosos fantasmas que acompanham casas, que ficam assombradas,
tesouros, tumbas, locais específicos, como campos de batalha e são dignos de serem
ajudados, embora nem sempre aceitem que precisem de ajuda.
Eu sou contra apenas “despachá-los”, pense que poderia ser
alguém da sua família, e o abandono é algo duro de se digerir .Porém, enquanto você
não tiver treino, não deve se envolver com eles, pois é mais fácil sair machucada de
um contato com eles do que com um “demônio” que veio com uma missão. Se for

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necessário conversar, faça com cautela, mas não os desrespeite, escute e fale a
verdade do que você sabe sobre a situação em que ele está.
Obsessores são um estado de ser, não são habitantes de um
país. Existem de todas as raças. Você pode estar em estado de obsessão e não é
eterno. Todos lhe farão mal, pois estão em estado perverso de ser. Dependendo do
tamanho deles e da história que têm, é bem complicado, infelizmente.

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PARA ENTENDÊ-LOS

Se você é uma pessoa que gosta de resultados diários, gosta das


coisas do seu jeito, pelo menos dentro de casa, não vai ter nada do seu jeito, nem
em casa. Começa por você não estar em casa, provavelmente. Se casa é aquilo que é
familiar a você há mais tempo, onde você não tem que explicar nada, que a família o
conhece bem e sabe o que se passa só de olhar, esquece. Acho que você percebeu
que não está em casa. Também não sabe dizer o endereço da sua casa, para que
alguém lhe diga o caminho de volta. Se o levassem lá você reconheceria na hora,
mas parece que ninguém quer leva-lo, ou que ninguém sabe mesmo.
Entendê-los começa por saber quem são em relação à você.
Como são muitos, vamos separar por famílias e regiões. Não é necessário que você
saiba como chegar em Timbuktu para poder falar com quem é de lá, mas saber
alguma coisa sobre os Tailandeses se tiver contato com eles, tipo onde fica, o que
comem, o que é tabu para eles, ajuda muito .Quando não é possível saber de onde
uma pessoa veio, ajuda saber como perguntar a ela sem ofender, mostrando respeito
e curiosidade.
Estas são regras que alguém poderia falar que são as mesmas da
etiqueta terráquea convencional, mas educação funciona no Universo todo, exceto
quando falamos com povoados bravios. Lá, vence o mais forte e você não quer provar
nada à ninguém, você quer viver a sua vida.
O tempo, como os físicos estudam é um dos obstáculos para
entendê-los. Não funciona como o nosso tempo de relógio. Eu ainda não tenho
informações suficientes para fazer um paralelo entre o nosso tempo e o Deles. Cada
Círculo do Acima e do Abaixo tem uma frequência diferente e tudo é muito estranho.
Como uma tradução cuja língua falamos, mas não o dialeto do texto que mostram
para a gente. Os costumes são bem mais diferentes que entre brasileiros e
japoneses. Sair do próprio país lhe mostraria o que é diferença de costumes, para
entender o mínimo de como isso pode ser uma grande dificuldade em entendê-los.
Agora, a educação é uma linguagem universal e Eles sentem quando você está
tentando ser educado.
Eles tem diferenças de corpos e metabolismo, pois são várias
raças. Veja como fica morar numa mesma casa com um albino que não pode sair
durante o dia e você tenha que dormir a noite e o camarada não deixa. Estas
pequenas diferenças podem complicar a rotina de ambos. Quando colocamos animais
em gaiolas, procuramos saber como tratá-los. Mesmo os animais soltos em parques
são estudados para que não haja erros como dar feno para leões. Leões não
“escolheram” ser carnívoros. Seres de todos os cantos também são o que são e
muitos tentam lhe entender, às vezes sem sucesso. Será bom observá-los a distância
antes de fazer alguma grosseria que poderia ser evitada.
Deixe - me falar sobre a sua linhagem. É bom poder lhe dizer que
temos pai e mãe na nossa origem, e que esses são perpétuos, não mudam a cada
vida. Nós nascemos nas estrelas, nossos pais são o que a humanidade as vezes
chamou de deuses e deusas. Quanto mais perto de casa estamos, mais parecemos
com os nossos pais. Não é só por perder a memória dentro de nós que não
conseguimos contato com eles, mas porque é natural que filhos na idade certa saiam
de casa para ver o mundo, e isso faz com que falemos menos vezes com eles. Como
o bom filho à casa retorna, eles confiam nas crias e sabem que as terão de volta. Eles

77
tem todo tempo do mundo para nos esperar. A mitologia das diversas culturas que
você irá conhecer e estudar fala de alguns desses pais e mães primordiais. De novo,
os hindus, até onde pude ver, tem maior quantidade deles catalogados. A
comunicação com eles é possível, mas muito limitada pela matéria, pelo tempo, pelo
espaço. Há também umas regras específicas como estar com o corpo livre de toxinas
e sem cheiro do sexo como o praticamos aqui.
Temos nossos irmãos vindos de uniões dos nossos pais, isso
torna a família bem grandinha. Todo mundo é primo de quase todo mundo .Muitos
dos deuses gregos são mistos, e eles seriam não pais, mas irmãos mais velhos, bem
mais velhos, que cuidam dos irmãos mais novos, na ausência dos pais. Existem os
tios, os avós, e há, ainda bem, os irmãos mais novos. O mundo não é tão ruim
enquanto pudermos descontar em alguém,
Mas quem é o pai e mãe de tudo? Esse é o tal de Deus. Não é
homem ou mulher, é o infinito, então ele é tudo. Não conversamos diretamente com
ele, pois nem forma tem, mas conversamos com os filhos mais velhos dele e isso já é
bem longe de você, tipo daqui até o centro da galáxia, então não fique triste de não
falar com ele, tem bastante gente para se conversar por aqui. O avô de alguém pode
ser o pai de outro, não pode? Então, quando falarmos de avós e tios não pense em
que um é mais velho que outro, pois o tempo da sua cabeça é diferente do tempo
deles.
Para os descrevermos, vamos usar os Nossos princípios. Lembre-
se que é diferente a forma que um europeu descreve um brasileiro, do que um
brasileiro descreve um europeu. O mesmo ocorre com eles.
A Terra é uma mistura de substâncias, muitas ainda não
nomeadas, mas as de maior uso são descritas na tabela periódica. Quando éramos
menos espertinhos, denominávamos os elementos como nos parecia mais simples:
água, terra, ar e fogo. Todas as culturas do mundo tem esses quatro elementos
classificados. Depois vinha o éter (para tudo o que não pudesse ser qualificado),
alguns separavam a madeira, a rocha, o cristal, como elementos diferenciados. Como
a historia da água contada no outro capítulo, os átomos são os pais das moléculas e
avós da matéria. Não vamos falar dos cátions, quarks, e coisas sub atômicas, não
precisamos ir tão longe para entender que vaca é vaca. A medicina alternativa já
deve ter lhe ensinado que esses chamados “humores” tem de estar em equilíbrio para
uma boa saúde. Então que tal poder falar com a avó de todas estas coisas,
diretamente? É aqui que um médium treinado tem acesso a informação
verdadeiramente privilegiada.
O que lhe lembra o fogo? Perigo, calor e vida, comida e
queimadura? Os habitantes de Lá, todos os seus descendentes, são assim. E o ar?
Lembra-lhe respiração e vida, tempestade e morte? Eles tem os dois tipos Lá. A terra
é fofa e dura? Lembra segurança e terremotos e morte? Todos Lá se comportam de
um jeito e de outro. Da água lhe vem a lembrança de piscina e férias, de banho e
castigo, de sede e afogamento. Todos que habitam aquele pais podem lhe mostrar
essas coisas.
Agora como que eu vou saber quem é companheiro e quem é
FDP? Vem placa com eles? Alguns vem com intenção clara, outros nem tanta. O que
lhe interessa saber é como se portar em ambas as situações.
A maioria dos Outros são como seu irmão que está no colegial
falando com você. Ele lembra do jardim da infância. Se você começar a reclamar que
está ruim, que você está sofrendo, ele entende, mas sabe que é normal, que você
tem que passar por isso, sabe também que vem coisa bem pior na frente, e sabe que

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a morte é horrível, mas que um dia vai chegar que irá entender tudo e que tudo vai
ficar bem, pois você assim como ele, tem todo tempo do mundo.
Umberto Eco, grande escritor e professor italiano, comentou, em
uma conferencia na Universidade de Cambridge, em 1990, passagens de seus dois
livros: O nome da Rosa e O pêndulo de Foucault. Ele dizia que não deixava de adorar,
duas falas do primeiro romance onde a personagem Bernardo Gui diz “A justiça não é
inspirada pela pressa, como os pseudo - apóstolos acreditam, e a justiça de Deus tem
séculos à sua disposição”(o sublinhado é por minha conta). É exatamente isso que
você nunca pode esquecer (embora dê vontade) que o Tempo não funciona como
você acredita. Na realidade, seu cérebro não concebe o Tempo como ele realmente é,
mas como aquilo que criamos na Terra para defini-lo: com relógios e calendários.

79
ACEITÁ-LOS OU NÃO

Bem que você queria não ter nem que pensar nisso, mas não vai
dar. Aceitar a presença deles é inevitável, como já foi dito. O que pode ser feito é um
filtro, uma tela de proteção, para que nem tudo deste Universo venha bater na sua
porta. Que vá na porta do Papa, do vizinho, daquele imprestável do ex, da sogra, mas
defenda a sua. Deixe perto o que você permitir.
Um grande sábio me contou que aonde tem vela acesa (ele não
conheceu o interruptor de luz ainda) não tem escuridão. Esse é o principio básico.Não
quer ratos em casa, não dê condições para eles, como comida e abrigo. Não quer um
determinado tipo de Outro, não tenha consigo o que ele gosta, nem tenha dívidas
para com ele.
Começando por aqueles que você quer mandar embora e não vão
por que tem direito “de estar”, como os familiares. Imponha condições: olha, esse é o
meu limite, quero privacidade, que embora seja um conceito que familiares não
entendem com facilidade, dá para deixar claro que você coopera se eles o fizerem
também. Estipule horários, explique, afinal eles são gente e não são burros, que
escola é escola, que o horário é tal, que tem coisas que você não pode fazer em
certos horários. Peça “escolta” quando for sair para qualquer lugar. Eles não podem
reclamar que você cata tudo que é lixo na rua e dá trabalho, se eles não lhe ajudam a
proteger você de coisas que você não sabe lidar. Eles tem protocolos e sabem o que
lhe machuca, mas as vezes é bom ter certeza que “estamos combinados”.
Para saber criar limites e condições, você terá que se conhecer
muito bem. Claro que você se conhece melhor com o passar do tempo, e que o que
era legal aos quinze anos não é legal mais aos 18, aos 48, porém, seus limites e
condições só podem ser modificados se você os teve estabelecidos um dia, como a
história de estar na frente do guarda roupas. Só você sabe o que dói em você
mesma, e tem o direito de decidir com o que você quer lidar ou não, em qualquer
situação.
Surpreendi-me quando uma das guardas minhas não entendeu
sobre o que queria que ela me protegesse .Era a primeira vez que ela trabalhava com
uma humana na carne e dá um tempo, até eles podem ser marinheiros de primeira
viagem. Sabe o filme “Transformers”? Muitos deles tem a diplomacia daqueles
Autobots no jardim dos pais do rapazinho do filme. Muito poder, muita grandeza, e
não conseguem segurar um copo nosso sem quebrar. Para essa anjo da guarda
nenhum homem que cheirasse a carne era bom para mim, então fica difícil namorar
alguém que tenha corpo vivo cheio de sangue né! Ela achou melhor, quando
comparou os homens daqui com os de Lá, que eu namorasse os de Lá, mas eu
expliquei o que preferia. Ela não entendeu, mas aceitou. Haverão horas em que o que
o Outro Lado quer não dá para ser do jeito que eles querem, ai começa a negociação.
Aprenda a sentir quando há perigo iminente e tenha sinais
combinados para urgências. Eles usam a velocidade da luz, mas você não, então tem
que haver uns sinais do tipo “Houston, temos um problema”.
Quanto às comunicações, aceite aquelas que são inevitáveis, até
porque você vai querer saber o que é tão importante assim. Trate de conhecer seus
limites de plasma rápido, para poder aceitar alguma comunicação mais pesada sem
passar a vergonha de adoecer por falta de humildade em dizer: não estou pronta.

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Os estraga prazeres são a raça mais abundante do Universo,
então as defesas têm que ser rápidas. Quem vem lá? O que quer? Não, muito
obrigado. Engrossou, chama ajuda, alô Houston. Reconheceu sinais de perigo? Reze,
e aprenda apanhar rápido, como disse o personagem Rocky Balboa: “não se mede o
lutador pelas vitorias, mas pela capacidade de se levantar depois de uma surra”.
Coisas como o do filme “O Exorcista” não devem lhe acontecer, mas saiba que se
acontecerem, haverá para cada FDP um companheiro do seu lado nestas horas de
desespero. A teimosia de um jabuti ajuda muito, enquanto os ‘seus’ Outros estão
chegando. Como pensamento guia, sua mente é, Graças a Deus, a maior e melhor
arma contra qualquer situação neste Universo e você é uma criação única na
natureza. Você tem o direito divino de ser feliz e não é um “capeta” que vai lhe dizer
o contrário, você é quem irá permitir ou não que ele lhe diga isso.

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OBSESSORES

A obsessão é tema para mil livros nos departamentos que vão da


psiquiatria, passam pela filosofia, moda, conversa das tiazinhas, futrique e ocultismo.
Não dá para falar sobre o que eu descobri até agora em um livro apenas. Mas o que
me faltou, quando sofria, sem entender o que era e o que poderia ser feito, foi o fato
de não compreender o que gera uma obsessão ou o que transformará um ser em
obsessor.
Como já foi mencionado, o obsessor não é uma raça em
especifico, é um estado do ser, é passageiro, não é para sempre, embora pareça uma
eternidade. Há casos de obsessão que, como já mencionei, duram 5000 anos, outros
devem estar acontecendo há 25 000 anos. A coisa enrola quando entra síndrome de
Estocolmo no meio (quando o cativo se apaixona pelo que o sequestrou). Para alguns
o fato de amar já é um estado obsessivo. Não é. Há uma diferença, mas há de se
dizer que dois terços das obsessões começaram com envolvimento amoroso, em
algum momento da linha do tempo passado. Por envolvimento amoroso entenda toda
ligação forte como mãe-filho, pai-filho, mãe-pai, irmão-irmão e, claro, o amor sexual.
Primeiro fator que descobri em minhas pesquisas e na minha
experiência com eles, é que toda obsessão é por “merecimento da vítima”, da pessoa
que está sendo obsedada. Isso é o que torna a obsessão uma coisa complicada de
mexer. Vou explicar o principio que envolve isso:
Nas medicinas ditas alternativas, é fato sabido que a doença é
como uma rolha para algum buraco no sistema do indivíduo. Não interessa se a falha
é no emocional, no astral, no físico. É uma falha e dentro do mecanismo do universo,
não há falhas, há meios de compensação para tudo. Ainda mais lembrando que nada
é certo ou errado, apenas é (claro que isso é bom de falar, de acreditar, mas horrível
de se passar por), e esse mecanismo irá estar acionado automaticamente como cura.
A doença é o inicio da transformação de algo que não está em equilíbrio em você. A
obsessão é o que uma doença no corpo físico seria: o início da cura para alguma ação
sua que gerou uma energia perversa, pervertida, ou falha, enfim, desequilibrada. Não
interessa ao sistema se você estava passivo ou ativo, nem existe isso de você ter sido
bonzinho ou mauzinho, na ação, mas se você estava lá ou não.
Quantas vezes escutamos histórias de pessoas, médicos, que
trabalharam com pacientes contagiados por tuberculose, lepra, pneumonia, varíola, e
não contraíram a doença. O mesmo principio que fez com que eles não tivessem o
‘buraco’ receptor da doença específica que tratavam, rege o estado obsessivo, ou um
obsessor grudado em você.
Um tio avô meu foi o médico chefe de um hospital de tuberculose
famoso no interior de São Paulo, por 30 anos, e morreu de problemas cardíacos. Ele
não tinha o ‘buraco receptor’ para a tuberculose, mas tinha para a condição cardíaca
que o matou. Meu pai tinha sorologia positiva para tuberculose e não teve a doença,
pois ele não tinha o receptor dela. Ele não precisava viver as atribulações desta
doença nesta vida, mas viveu as atribulações da condição cardíaca que possuía.
Como a maioria de nós esta no mesmo que uma escola, teremos
as doenças que nos levam à transformação que necessitamos. Mesmo que essa
doença nos mate o corpo físico, do Outro Lado haverá tempo para superar o que tiver
de ser superado, aí voltamos para mais uma rodada.

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A obsessão é uma reação a um desequilíbrio, pequeno, médio ou
grande, em algum nível, em alguma vida. Agora como se comporta o obsesso? Ele é
a criatura, ser, pessoa, coisa, que está ofuscado, endoidecido, tarado, obcecado por
outro ser, criatura, pessoa, coisa. O obsessor é um camarada obcecado por alguém.
Menos mal quando não por você.
O obsedado é aquela, aquele, que está sendo objeto de
adoração, atração, taração, de alguém, alguma coisa (alguns obsessores parecem
coisas) que está definitivamente em desequilíbrio profundo. Mas não existe atração
sem algo que emite alguma coisa que atraia. Mariposas são atraídas pela luz, é só
apaga-la que irão embora. Esse é o único meio de anular o estado de obsessão,
modificando, anulando, transformando, o que estiver atraindo o obsessor.
Agora, a situação é piorada bastante; pois um estado de
obsessão é ruim sob qualquer perspectiva, dependendo de quem é o obsessor e de
quem é o obsedado. Embora a melhor obsessão seja a que não seja por você,
falaremos como se fosse. De fato, quem não está, foi ou será, e não há o que fazer, é
que nem calo e chifre, todo mundo vai ganhar os seus.
Sobre os obsessores, os do Outro Lado são bem piores que os do
Nosso Lado, pois não há barreiras físicas para segurá-los. Se você não os vê é bem
complicado e eles tem algo a mais, eles lhe vêem o tempo todo. Um ex-namorado
violento é algo pavoroso na vida de qualquer mulher, mas ele não lhe vê 24 horas
todos os dias. Então reze para ele não morrer cedo para não dar-lhe mais esse
triunfo. Para as mulheres e homens, cujos ex são um obsessor em vida, meu mais
sincero voto de reconhecimento, ninguém merece.
Então, sendo o obsessor do Outro Lado, a dificuldade aumenta
conforme a raça do infeliz e o tamanho dele (por tamanho entenda-se poder e
conhecimento para aplicar esse poder). Anjos também podem ser obsessores e
aquelas fofas penas podem fazer com que você não queira ver um passarinho por
muito tempo. Se for uma criatura mais nova que você, o que é difícil, é menos mal,
se for um desencarnado que já era um FDP em vida, é ruim, se for um ser que recém
saiu do Inferno, aquele nosso inferno no Abaixo, e vem de uma linhagem bravia, meu
amor, só dá para dizer uma coisa: chama todo mundo lá de Houston que a coisa foi
pro saco.
Do lado do obsedado, se for alguém que tem dívida com o
obsessor, dá para resolver pagando a dívida. Mesmo que o que o camarada queira
seja seu fígado, dá par negociar com ele, pois o interesse de sair da situação é dele
principalmente. Então, se você não for tacanho e /ou burro, dê logo o que ele quiser.
Não o seu fígado, mas o fígado de algum desafeto seu, ou um bife comprado no
mercado, qualquer coisa, mas negocie.
Se o obsessor é algo dos mil tipos de ex do passado, existe
ligação entre os dois e fica mais complicado, pois existem ligações que não podem ser
quebradas simplesmente, e transformá-las pode levar muito tempo. Por fim, se o
obsessor tiver uma ligação oficial com o obsediado, nem o capeta separa. O trabalho
será em cima do obsediado para que ele se fortifique com a situação e tente aceitar o
inevitável, sempre ajudando-o a lembrar que nada é eterno. Fácil de falar, péssimo
de ouvir para quem está vendo os objetos da casa serem espatifados no chão.
Muitos espíritas tem um jeito bem brando, mas ineficaz em diversas
situações. Eles querem doutrinar o obsessor, ensiná-lo a não ser desse jeito, tipo
terapia. Não funciona sempre, porque nem sempre é o estado da pessoa que é a
causa do problema, mas a interrupção da energia das pessoas envolvidas. Assim, é
como dizer que o indivíduo está fingindo a dor e não a hemorragia da perna que ele
tem cortada.

83
O NOSSO LADO

Bom, somos o terceiro planeta do sistema solar, situado na


periferia da galáxia espiralada da Via Láctea. É ele composto de água, mas vivemos
na parte de terra à algum tempo. Estamos ao sul da linha do Equador, nos chamamos
a nós mesmos via lacteanos, terráqueos, brasileiros e paulistas.
O Nosso Lado é tudo que podemos ver, ouvir, tocar
(delicadamente ou não), cheirar, ou seja, tudo o que dá para sentir com os cinco
sentidos do corpo físico é o limite do Nosso Lado.Somos constituídos basicamente por
ligações de carbono, e é um mundo denso, pesado, concentrado, se considerarmos os
gigantes gasosos que são os vizinhos mais distantes e somos até que legais, se
considerarmos os vizinhos mais próximos do sistema solar.
Somos uma raça só, que se divide em quatro principais:
amarelos, brancos, negros e vermelhos e se subdivide, Graças a Deus, em milhares,
mas ninguém gosta de ninguém, adoramos sufocar o planeta que nos deu vida.
Gostamos de matar e ver a desgraça alheia nos faz rir. Não sabemos o que é respeito
e exportamos o que produzimos de melhor até para fora do planeta - lixo. O lixo foi
enviado antes da gente para que pudéssemos nos sentir em casa, quando sairmos da
Terra.
Gostamos muito de dizer que somos de assim para fazer de
assado e sentir prazer nisso, melhor ainda quando criticamos alguém que fez assado,
pois deveria ter feito assim, e fazemos duas vezes assado para nos sentirmos o
máximo. Turistas do fundo da Galáxia, vão passar férias nas luas de Júpiter, que tem
menos gente estranha lá que aqui.
Eu tenho certeza que tem gente boa aqui também, se não porque
estaria lhe deixando estes escritos?E vou lhe dizer algo que você deve guardar com
carinho: nunca deixe que matem seu sonho, nunca acredite que você não presta, ou
que é louca, ou que está fazendo tudo errado.Você é bela, maravilhosa, inteligente,
(se você é um lindo menino, mude o artigo) e nasceu para uma missão: ser feliz e
participar da missão dos outros que querem ser tão felizes quanto você.Não será
mediunidade nenhuma que vai lhe deixar mal, nem FDP nenhum, Daqui ou de Lá, que
vai sair na boa depois de lhe encher bem o saco.Não tem luz no fim do túnel, está
com você na sua alma, sim eu sei, esqueceram de avisar e não deram manual de
instrução, eu sei.

84
NÓS

Eu poderia encurtar o livro e dizer que não dá para nos entender,


que não há esperança, mas assim como a mediunidade, a presença de outros não é
algo que dê para não ter, a não ser que você tenha nascido no mato e abandonado
para que os lobos o criassem. Sorte sua, mas ai você não vai estar lendo este livro,
então não preciso me preocupar em escrever para quem nasceu no mato dos lobos.
O nós que eu quero que você tente entender é para que, se
precisar ajudar alguém, tenha uma base para AVALIAR A FONTE. Como o médium é
um telefonista, basicamente, é bom que ele saiba quem está numa ponta da linha e
na outra, então é do seu interesse conhecer os dois lados.
O ser humano normal era aquele que nascia, crescia, caçava,
comia, namorava, criava as crias, brigava, se machucava, ficava doente, se
recuperava, ou não e morria. Não colocava adjetivo nenhum em nada. O pôr do sol o
deixava abismado, mas não era um pôr do sol sangrento ou primaveril, era pôr do sol
e pronto, ele ia dormir que ganhava mais. Mulher e homem eram coisas boas, não
era mulher estranha, mulher feia, homem das outras, homem imprestável. É tão
remoto esse tempo que parece que não estamos falando da mesma raça.
Muita coisa que você vê no comportamento humano é decorrente
da seleção natural, embora haja uma briga grande entre quem gosta e quem não
gosta dessa idéia. Os lobos que caçavam sozinhos tinham bem menos chance de
sobrevivência que os que caçavam em grupo. Os hominídeos que se agruparam
sobreviveram e o que determinou a nossa sobrevivência foi a inteligência. Os
Neandertais eram mais corpo que cabeça, mas vou contar uma fofoca: o que fez o
homo-sapiens vencer não foi a inteligência, foi o fato de que ele gostava de eliminar
aquilo que não entendia e o Neandertal achou que era legal conhecer gente nova no
pedaço. Não foi uma boa idéia, alem disso, as mulheres deles não eram agradáveis
aos olhos dos homo-sapiens como as nossas índias foram aos homens brancos. Nessa
época do encontro das duas raças o inferno humano foi aberto no quintal do Abaixo.
Tente entender por que: Caim matou Abel, ele devia se achar mais bonito e mais
inteligente. Se ele tivesse ficado no canto dele a gente teria agradecido.
Então, depois do mental, as reações emocionais as situações de
sobrevivência social, ou seja, o jeito que o humano reagia as coisas que sentia, foi o
que determinou sua sobrevivência ou morte. Como o grupo tinha mais chances unido,
foi necessário estabelecer regras de sociedade e as reações a essas regras foi mais
um passo para o que você ainda vai ver hoje. Um exemplo clássico é o direito a
propriedade, que se estendeu em como ter certeza que o meu filho vai herdar a
minha propriedade e não o filho dos outros?
No dia que você ganhar seu dinheirinho suado, vai entender o
que é a preocupação em quem vai gasta-lo. Esse sentimento criou um dilema social:
como o pai poderia ter certeza que o filho era dele e não de outro? A mulher sabe se
aquela criança saiu dela ou não, mas o sistema patriarcal não podia dar essa certeza.
Calígula, imperador romano, colocou uma coleira, que segurava pela corrente dia e
noite, na imperatriz, pelo tempo que ela levou para engravidar. Assim ele teve
certeza que o filho era dele. Ele foi bruto, mas agiu às claras. O resto teve uma idéia
mais sutil, colocar a fidelidade conjugal como virtude da mulher. Fazê-la acreditar,
por bem ou descendo o cacete, que isso era certo e benéfico.

85
Esse comportamento social foi importante para manter a união
dos grupos, e teve sua importância, mas no passado. Hoje, estamos em processo de
mudança, e ninguém sabe o que vai ser o amanhã. Regras sociais estão ainda em
desconstrução. Porém, você pode estar vendo pessoas que ainda estão com a cabeça
sendo comandada pelas regras de ontem, pelo condicionamento social, pelo
comportamento que nos fez ser homo-sapiens. Isso não está errado, mas não está
sempre certo quanto ao que a pessoa sente. São milênios de pessoas dizendo umas
as outras o que é certo e errado, usando a frase - eu sei o que é melhor para você -
para se fazer entender. Na realidade somos os cachorrinhos mais bem treinados do
Universo, só que quem olha de fora se pergunta o que eles estão fazendo, pois esse
treino não está mostrando mais objetivo nenhum.
Esse foi um exemplo radical. Prefiro dizer, quando vejo meu
comportamento sendo fruto do condicionamento e não daquilo que acredito, que me
recuso a ser um cachorro bem treinado, mas uma pessoa bem informada, fazendo
minhas próprias escolhas. A maioria das pessoas com as quais terá contato,
possivelmente até você mesmo ainda esteja nesse estágio de cachorrinho treinado
sem causa. Mesmo se revoltar é 90% das vezes resultado de um condicionamento
anterior? Até para mudar o mundo seguimos velhos condicionamentos que salvaram
a raça da extinção.
Então, isso é bom não? Salvar a raça da extinção? Não, se a
pessoa que está a sua frente está como que em piloto automático, tipo trilho de trem.
Ela nem sabe se quer isso ou aquilo, ela acha, apenas acha, e isso sim me dá
calafrios (imagine o motorista do trem dizer que acha que está na direção certa).
Disso eu lhe falo: tenha medo daqueles que não se conhecem. Não dá nem para dizer
que eles são traiçoeiros, pois só trai aquele que tem principio próprio, direção própria,
código de conduta próprio, não aquele que acha que tem, ou que tem apenas porque
os outros disseram.
Assim, ao falar com um humano encarnado, o certo talvez fosse
ter diploma em psicologia, filosofia, doutorado em estrutura do pensamento e
mecanismos cerebrais, também um montante de coisas que não vai dar para
aprender em uma vida. Faça diferente, olha para a pessoa à sua frente e SINTA. Foi
bom o que sentiu?
Se o que você sentiu não foi bom, descasque a situação como
uma cebola, para compreender o porquê. Será que essa pessoa foi um inimigo? Será
que está doente fisicamente, ou tem desequilíbrios de outros tipos? Inveja, ciúmes,
ódio, são sentimentos comuns, mas em circunstâncias razoavelmente “normais”.
Sentir inveja daquele vestido azul da garota e depois ir a loja e comprar um para si é
normal. Sentir ódio de quem nos maltratou e depois ir ao cinema tentar esquecer, é
bem comum, mas pessoas que estão sempre com cara virada e não estão passando
fome, tem algum desequilíbrio. Os antigos chineses acreditavam que pessoas com
mau humor constantes estavam com desequilíbrio físico e a medicina ocidental está
provando isso.
Acredite no seu instinto, depois de ver que não é fruto de
nenhum condicionamento, pois uma pesquisa quis saber se a primeira impressão de
quem tinha cometido um crime, para o policial, era relevante. Se o palpite dele era
acertado ou não. Os pesquisadores se surpreenderam com 90% das vezes o policial
ter acertado em quem era o assassino.
Não que você tenha há ver com todo tipo de problema que uma
pessoa tenha, mas se o cidadão a sua frente é alguém que não dá para contornar,
encare e descasque a cebola. Principalmente os aspectos que podem lhe ferir, mas
para isso você tem que se conhecer muito bem. Para poder dizer essa situação eu

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encaro aquela com condições e esta aqui nem em sonho. Um exemplo disso é a
‘pessoa legal’ da sua classe. Algo lhe atrai para ela, mas ao mesmo tempo, adverte
para tomar cuidado. Então, você descobre que ele/ela tem um problema sexual que
não é da sua conta. Se a amizade com essa pessoa permanece a nível de amizade,
apenas vendo-a algumas horas por dia, será uma coisa; se não, as ondas de energia
sexual deturpadas podem machucar sua aura. Se a sua sexualidade está aflorando
com esse tipo de energia ao seu redor, ela pode danificar-se.
Acredito no que um homem santo indiano disse: Deus criou
apenas duas castas os homens e as mulheres. Acho triste que o primeiro contato
entre homem e mulher não irmãos ou pai e filha, seja sempre recheado com sinais
sexuais. Prefiro pensar que somos todos neutros, que estou conversando com um
igual, depois. Minha abordagem é pouco compreendida, pelos homens porque
pensam com o embaixo deles primeiro e pelas mulheres por que pensam primeiro no
embaixo dos homens. Não sei o que lhe passar nesse assunto, só que no tempo das
tribos antigas as mulheres e os homens tinham menos problemas psicológicos que
hoje. A morte andava muito perto para vivermos de frescuras e adjetivos
possessivos.
Você vai viver em um Nosso Lado que não mudou nada desde
Salomão. Você vai viver rodeada por um mundo de gente que sofre diversos graus da
dor da separação, da falta do amor, do medo e do condicionamento social. Vai ver,
principalmente, pessoas que tem compromisso com a tristeza e que, por qualquer
motivo, querem fazer exatamente o contrário do que vários mestres convidaram
todos a participar: fazer com os outros o que queremos que façam conosco.
O exposto acima é uma pálida e ultra resumida forma de fazer
você olhar a direção para compreender os que lhe rodeiam, sem julgamentos.
Estudar o que a ciência do comportamento e da evolução da espécie, o estudo dos
mecanismos cerebrais, dos mecanismos psicológicos não é balela, é conhecer a si
própria e avaliar onde, em uma situação, algo está muito desequilibrado e merece
atenção. Eu não tenho autoridade para falar de todos os assuntos, mas sei mostrar a
direção em que muitas respostas se encontram. Respostas que ajudam sua
mediunidade a se tornar um instrumento favorável e não uma maldição. Por favor,
estude, leia, se interesse por estes assuntos que parecem viagem de cientista maluco
por que não são !Médiuns que se interessam por ocultismo, que conheci, não vão tão
longe como aqueles que se interessam por ciência e equilíbrio. Aceitar a mediunidade
como um mistério religioso, oculto é muito tacanha. Conhecer os outros não é só uma
forma de defesa, mas principalmente de conhecer a si próprio.

87
PARA NOS ACEITAR

Para aceitar os nós do nosso lado, só mesmo a piedade, a


compaixão e o espírito abnegado de pessoas como São Francisco (embora ele
conseguisse falar mais com os animais que com a família dele mesmo, diga-se de
passagem). Jesus mesmo deu uns chiliques em praça pública e olha que ele é tido
como o cordeiro de Deus.
Se quem conhece minha família lesse isso iria dizer que estou
agindo de forma estranha. Somos avessos a tudo que signifique social, sociedade,
socializar, que não seja num texto de arqueologia, lá do passado antiguíssimo.
Escrever um livro seria atitude muito social, se não for um tratado ou dicionário.
Aliás, isso você tem que reconhecer: estamos no mesmo barco,
“flutuando” numa sopa de matéria escura, num Universo que não conhecemos.
Comemos comida e bebemos água. Temos a mesma cor de sangue, mesmo que
alguns pareçam ter sangue nenhum. Quando um lado do mundo vai mal, você sofre.
Se os americanos sofrerem com crise, você vai comer menos aqui, se os coreanos
entrarem em guerra nuclear, você não verá o sol por alguns anos. Quando a segunda
guerra veio, minha bisavó materna teve de pegar fila para o leite do meu avô, e
minha avó paterna criança, do outro lado do oceano, via, neste mesmo tipo de fila,
uma mulher morrer de fome por esperar demais. Cada vez mais gente está
percebendo que somos um só povo, dentro de um planeta que nem é o maior nem o
mais importante no sistema solar. Engraçado que todo mundo que tem irmão queria
ser filho único e todo filho único reclama que queria irmãos.
Uma bateria de um polo só não funciona. Um pêndulo não se
move para um lado apenas, e buracos negros tem seus companheiros buracos
brancos. O que seria das peças brancas do tabuleiro, se não existissem as peças
negras? Aceitar os ‘nós’ é um pouco mais fácil pois o espaço físico ajuda, mas, em
relação aos Outros isso não será tão fácil pois as leis da física funcionam de forma
diferente.

88
EDUCAÇÃO E DIPLOMACIA EM PRIMEIRO LUGAR

Entre nós, quando você não quiser se comunicar com alguém, é


mais fácil fazer seu não, valer. Não haverão canções sem fim, noites sem conta, dá
para chamar a policia, chamar o pai, gritar ‘socorro esse maluco quer me sequestrar’.
Dá até para, se você puder pagar, pedir um habeas corpus para o juiz, exigindo que a
pessoa não se aproxime de você. Falando de pessoas com ‘estados fluidos de ser’, as
tácticas são diferentes.
Por que é colocada a diplomacia em 1º lugar? Em qualquer
situação que exija contato com indivíduos ou grupos, é mais sábio, sempre, tentar a
abordagem primeiramente ‘por bem’. Poucas raças no Universo não entendem ou não
gostam de educação e respeito. Mesmo que respeito para um grupo específico seja
descer o cacete no primeiro encontro, o que eles definem por respeito e educação é
prezado entre eles. Entre animais, a questão é de sobrevivência. Ou você é maneiro,
mostrando que não há intenção de confronto, ou você será enquadrado no “ele quer
me comer”, e toma atitudes para que isso não aconteça. Como parece que todo
mundo no Universo tem restrições quanto a ser comido todo mundo tem seus meios
defensivos no primeiro encontro, como a famosa manobra “traseiro para a parede”,
mas desarmar uma pessoa com delicadeza é raridade por todo o Universo.
Depois, sua vida vai ser bem menos complicada quanto menos
você tiver de se defender de desafetos e inimigos. Vai sobrar mais tempo para coisas
boas como comer, namorar, estudar, cuidar da própria vida.
Ser diplomático não é ser do grupo do “deixa disso”. Mesmo que
no Universo não exista bem ou mal, para nós existem situações onde vaca é vaca e
mãe é mãe. Essa coisa de deixa disso já piorou muita situação que seria resolvida
rapidamente se não houvesse gente pondo pano quente em todo lado.
Começando com o que fazer com os encarnados que interessam,
familiares ou não. Li num livro uma frase que resumia tudo o que se poderia fazer por
pessoas que não querem entender que a boa intenção deles está na beira do caminho
que vai para o inferno, que seria “Tenha paciência com amigos impacientes”. Tudo o
que você pode fazer por pessoas que não estão ajudando. Se essa paciência implica
em se afastar dessas pessoas, faça pois ninguém é de ferro e aguentar gente falando
mer#@ quando a vida já está fedendo ninguém merece.
Diplomacia tem limite. Há uma historia para ilustrar isso: o
grande estadista, Winston Churchill (espero que você estude bem ele, que era
médium) estava na reunião que houve após o aprisionamento dos líderes alemães.
Saiu, então, a pergunta do que deveria ser feito com eles. Churchill respondeu
imediatamente - mate a todos, agora - mas a turma do deixa disso veio com os
panos quentes e decidiram fazer tribunal de guerra. Churchill estava certo, e de
qualquer jeito, morreram. É sempre assim, quem não sentiu a dor fala para não
fazer, quem esta com vontade de causar dor fala o que tem que fazer, quem está no
campo de batalha fala- mas tem o que fazer?
Espero que esteja claro que essa diplomacia e educação a que
me refiro não seja do tipo de gente que vem cheia de sorrisos e elogios, pois os
japoneses já diziam que quando o inimigo se desfaz em sorrisos é hora de por a
barba de molho. A educação da qual falo, é aquela que não custa nada, que abre
portas e não as derruba.

89
FAZER USO DA MEDIUNIDADE OU NÃO?

Eis a questão. Já viu o que é, no que dá, no que não dá, mas e
ai? Usar ou não? Dá mesmo para usar uma coisa destas, que veio sem que ninguém
peça e que não dá para se livrar (você deve estar perguntando se não tem mesmo
um jeito de cortar fora).
Pensando no homem sentado na sala.Você já viu que é problema
seu, só você enxergá-lo mesmo. Agora o que você quer? Deixar a coisa como está?
Dar um jeito no camarada e esquecer o resto? Quer ir mais além? Fazer novos
amigos Lá e Cá? Sente que a situação é mais forte que isso e precisa torna-la uma
coisa de profissional? Tudo o que vivi e vi ao meu redor, até agora, diz que sim, dá
para fazer um uso disso, mas não é obrigação de ninguém concordar. Falo mais: é o
uso dela, o reconhecimento de que está lá, que faz que a liberação seja possível. Usá-
la é “cortá-la”.
A comparação mais correta que me ocorre é a de que você
comprou um carro com uns equipamentos que não pediu, mas vem no pacote.
Mesmo querendo pagar menos, ter menos frescura, entregaram instrumentos que
você não pediu. Das duas uma, ou você usa ou arranca. Arrancar pode estragar o
painel, a suspensão, umas coisas que você realmente precisa que fiquem, para o
carro andar. Então faz o que? Pior quando entra uma pessoa no carro, pergunta como
funciona e você responde que não sabe ao certo. Ou vai dar zebra quando você disser
que não sabia que tinha aquilo e o amigo vai ter a oportunidade de mostrar o bonzão
que ele é. Se você não quer passar vexame, nem deixar os outros se saírem bem à
custa de algo seu, use bem usado. Use e fique livre.
Como usar? Como você analisaria uma ferramenta que lhe
dessem de presente, um cortador de grama, que você sabe o que é, mas nunca
usou? Leria o manual de instruções, pediria opinião de gente que já usou,
consideraria o fato de talvez não ser útil se vier a mudar de casa e não ter grama
para cortar, mas consideraria também poder cortar grama para os outros, poderia
cobrar para isso, fazer profissão disso, poderia até fazer caridade e cortar a grama de
quem já não pode mais fazê-lo sozinho. Iria ligar a maquina e dar um rolê pelo
jardim, fazer umas barbeiragens, quase matar o podle da vizinha (bem que você
tentou), suar, escutar piada dos outros, gente que quer dar palpite, gente que quer
ferrar você com boas intenções (tipo liga no 220, que a máquina vai melhor). Então
você, no final do dia pega uma cerveja (só depois dos 18 anos, antes você só
imagina) senta na varanda e pensa em tudo que ouviu, leu, fez e toma uma decisão.
Qualquer decisão será certa, esqueça o certo e o errado. NÃO DISCUTA MÉTODOS
COM NINGUÉM, SOMENTE RESULTADOS.
A mediunidade não é diferente de nada no seu corpo, tem tanta
importância quanto seus braços, suas pernas ou sua cabeça. É uma ferramenta, como
as mãos e o cérebro. Você vive sem braços e pernas e sem cérebro (essa ultima é
uma vida mais invisível, mais tipo fantasma, mas é vida). Você pode ignorar seus
pés, mas usá-los pode ser mais proveitoso. Ignorando você continua andando, mas
usando você se dá a chance de ser um entendido em futebol ou tango. Ignore os pés
e será apenas mais um quadrúpede que anda em duas pernas há poucos milhões de
anos.
Cobrar por serviços prestados tem sido uma discussão sem fim
dentro das religiões que dão lugar ao médium. Caridade todo mundo religioso manda

90
fazer, e faz quem quer. A questão é cobrar para tirar um obsessor de uma casa ou
não cobrar, de cobrar para alinhar os chacras de alguém ou não? O médico cobra pois
fez faculdade e empenhou tempo e dinheiro na profissão. Sim, mas a oposição diz
que o médium gastou tempo e dinheiro se aperfeiçoando além do plasma que a
questão envolve.
Não se cobra pelo que se tem de graça, dizem alguns. Sim, mas
então não vamos cobrar por nada que as mãos produzam, elas foram dadas de graça.
Ah! Mas não é a mesma coisa. Como não? Estou usando o órgão cerebral para fazer o
que faço, então como fica? - respondem os opositores. E quem paga pelo aluguel, a
luz e a água do prédio que ocupo para ajudar os outros? Só de doação não dá. Essa
discussão é interminável.
Vou contar o que vejo. Se a sua decisão é de usar, pelo tempo
que você decida, a mediunidade como instrumento de crescimento e de captação de
conhecimento, você não tem que se preocupar em cobrar nada, você é um estudante,
um pesquisador autônomo. Se sua mediunidade é média para forte, mesmo contra
vontade, será necessário repartir. Será muita energia num corpo só, e já falamos
sobre a “cobrança” que recai sobre ter muito e não repartir. Principalmente se for
uma mediunidade que envolve as energias de cura, e seus protetores específicos,
será muito difícil viver bem sem praticar. Exatamente como quem tem muita energia
sexual e não pratica sexo, quem tem muita energia física e não pratica esporte.
Se você é do tipo que “quer fazer diferença”, fique mais atento
ainda. Quem está alinhado, centrado na vida de Lá e de Cá, já está fazendo a
diferença. Quem quer fazer a diferença ainda precisa se trabalhar e avaliar se essa
diferença é uma questão de provar aos outros e a si mesmo algo, ou se, como no
caso deste livro, escrever sobre o que gostaria de ter encontrado quando precisei.
Nenhum está errado, mas querer provar algo lhe coloca em posição de observação,
não de ação.
No caso de ser necessário praticar a mediunidade, repartindo-a
com terceiros, será bom pensar em custos materiais. A linha entre imoral e custo
beneficio TEM que existir, e sair por ai oferecendo de graça o que se tem, resulta em
desgraça. Não vi um projeto individual ou coletivo, que quisesse fazer a utopia
prevalecer e houvesse dado certo. De dez que vi ou participei, dez não deram errado,
mas deram tudo menos o objetivo que queriam alcançar.
Uma boa regra para começar é a de que não se pode dar o que
não se tem. Assim como eu não posso dar um pacote de sal se eu não o tenho, não
posso dar amor num dia que estou passando mal. O sal está, o amor está, mas em
outro canto, não comigo naquele momento, naquele local. Se você quer dar sal ou
amor, e não está ali, no momento, saia para comprar sal, saia e se encha de amor,
volte e poderá dizer tenho sal, tenho amor para dar, agora.
Não se despe um santo para vestir outro. Você daria sua calça
para alguém que está passando frio? Então, por que daria algo que lhe faria ficar nu e
com outros problemas que resultariam de ter dado o que era para seu uso? No caso
da calça, além de tudo quanto é tarado ficar feliz, você poderia parar num hospício ou
na delegacia, por atentado violento ao pudor. No caso de energia que você tem, mas
só o suficiente para si próprio, contra doenças, mau estar, obsessores, é bom pensar
se ajudar alguém não resultará em problemas maiores ainda. Um exemplo corriqueiro
é o dos homens e sexo. Não tente fazê-los entender que não tem como haver sexo
nos dias em que se está mal. Algo no cérebro deles, ou no ouvido, não recebe a
mensagem. Mesmo que você esteja cor verde e vomitando sangue, sempre haverá a
perguntinha básica - hoje vai dar meu bem? Em quarenta anos quero poder lhe

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apresentar uma resposta, mas até agora não encontrei a resposta para a surdez
deles, nem como proceder sem confronto, em situações como essa.
Sobre dar, que é uma arte que implica em limite, não somos
bons em estabelecer limites para nós ou em aceitar o dos outros. Desde dar atenção
ao professor até dar uma gelada no parceiro, ninguém sabe se fez certo... até que o
coração prove que sim.
Para saber o limite, a pessoa tem que se conhecer
profundamente. Por exemplo, não gosto de muita gente ao meu redor, consigo
manter o equilíbrio por algumas horas, depois vou ficando zureta, aí vem a irritação e
no final eu tô mordendo feito cão raivoso. Preciso de espaço físico. Tem gente que
gosta de metrô, shopping sexta a tarde, cinema lotado. Eu não, apenas suporto para
conseguir algo que me interessa, mas não faço por gosto. Sem esse dado básico não
consigo avaliar muitas coisas. No caso da mediunidade, se eu quiser voltar a dividi-la
com outros, fazer uso comum dela, não irei trabalhar com grupos grandes, ou com
atendimentos coletivos. Descobri que prefiro trabalhar “sozinha” (levando em
consideração que não posso mandar embora os Outros) ou será muito fácil ficar
sobrecarregada, causando-me desde cansaço até doenças. Mas já dei aulas sobre
mediunidade, sobre outros assuntos que tenho facilidade e não me importo em estar
perto de muita gente para passar conhecimento adiante. Talvez por que em uma
palestra as pessoas estejam mais quietas do que em shoppings centers.
Agora menciono a questão de grupos espirituais, ou
espiritualizados dando o testemunho do que vi acontecer várias vezes: imagine um
grupo de pessoas de “bem” que querem fazer algo pelo mundo e que tem alguma
condição para fazê-lo, ou para começar a fazer. Alguns são médiuns, talvez tenha um
no grupo que seja bem forte e mais desenvolvido os demais. Outros tem mais
dinheiro que mediunidade, mas tem um companheiro que quer entrar neste grupo e
mesmo contra a vontade essas pessoas entram, talvez para agradar o parceiro.
Escolhem um local, reformam, gastam bastante dinheiro e
empenho nisso. Começam a trabalhar atendendo pessoas de graça para ajudá-las em
diversos problemas que derivam dos quatro básicos: sexo, dinheiro, saúde,
sociedade. A coisa vai bem, mesmo com os que não são médiuns falando sobre o
aluguel que está caro, a conta de luz que está alta, o dinheiro que não está dando.
Como tudo que é de graça, aparece para ser atendido gente de todo tipo, mas mais
do tipo que é curioso, não que quer ajuda.
Como as pessoas estão sujeitas a problemas (mesmo para quem
cuida de quem quer ser cuidado), as sobrecargas vão acontecendo. Quando o aluguel
estoura e as cobranças financeiras chegam, o grupo se reúne e decide que deixará
uma caixa de doações na entrada para que as pessoas dêem o que acharem certo.
Mas o que as pessoas que estão sendo atendidas acham certo é continuar não
pagando os custos básicos. Então o grupo se reúne, briga bastante e decide cobrar
algo que cubra as despesas mas que é tão baixo que as pessoas vejam que ninguém
esta ganhando com isso, como se ganhar pelo trabalho feito fosse feio. Muitos deles
já estão ressentidos por verem o sonho não ser do jeito que sonharam. Esquecem
que sonho mesmo só com onda REM, no estado inconsciente do sono.
Depois de um tempo que pode variar, mas que sempre chega, o
grupo vai percebendo que não está tendo retorno para os indivíduos, pois cada
pessoa tem valores diferentes e se sentem felizes com coisas diferentes. Enfim, um
fala o que todos queriam falar e tiveram vergonha - Não estou me ‘sentindo
completo’ fazendo desta forma falta algo, e tenho de pagar a escola das crianças, os
remédios da minha mulher, o carro que quebrou.

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Na hora que entendem que deveriam cobrar pelo tempo de
trabalho, o pau quebra. Cada um acha que tem que cobrar o que acha certo, o que
vale a pena, uns acham que as pessoas não estão dando valor por que não pagam
pela ajuda. Por que o ser humano só dá valor ao que custa dinheiro, por que tem
muita gente que só vem xeretar e ocupa o espaço de quem precisa, e ai vai. Se o
local tem dormitórios para pernoite e alimentação, então a coisa fica séria, pois tudo
isso é caro e as pessoas tem hábitos diferentes, um anda pelado pelo dormitório, o
outro se ofende, e o primeiro se ofende mais ainda, com a ofensa do segundo, outra
história que vai sem fim.
Então o grupo se reúne mais uma vez e cria regras. Tudo o que
não queriam, pois acreditam num mundo de pessoas com bom senso, mesmo depois
do holocausto e do bom senso dos nazistas, e mais ressentimentos pessoais entram
em jogo pela quebra do sonho idealizado.
De novo, depois de um tempo, anos, meses, semanas, mas que
chegará, o grupo entra em atrito pois as regras tem que ser seguidas e o ser humano
adora fazer outros seguirem regras, sem participar delas com os outros, e começa a
fofoca: fulano fez isso ontem, cicrana não fez o que estava combinado, beltrano está
olhando de jeito estranho para fulano, meu sentido diz que isso é errado. Se você
gosta de ver a caixa d’água pegar fogo, senta, pega o balde de pipoca e divirta-se. O
pau vai quebrar feio. Não há o que impeça, neste ponto. Melhor dizendo, não há
quem queira impedir, por motivos diversos.
O final óbvio e certo, desde o principio é o fechamento do local,
um monte de gente que se beneficiou do trabalho feito lá, entristecida e frustrada
com o fechamento, e um grupo que não fez muito alem de se machucar e ganhar
maus inimigos. Essa historia pode ser para um grupo ou para um indivíduo, só muda
a quantidade de gente que fará inimigos.
Mas então o que era errado? Errado nada, mas sim mal
planejado, mal conduzido, sem transparência. Palavras em voga hoje.Que tal trazer
os Outros para a moda, já que eles são mais transparentes que nós, em todos
sentidos? Começando por pessoas que não sabem o que querem, mal trabalhadas
pessoalmente e com estudo financeiro equivocado.
Com certeza digo que seria melhor se você adquirisse experiência
própria para responder para si o que quer ou não quer. Ler o meu testemunho irá
ajudar na busca desta resposta, quer concorde ou não com o que digo, pois não é um
livro para se concordar, é para fazer pensar. Como eu quis que houvesse um que
mostrasse até perguntas que voavam ao meu redor, mas que não conseguia
verbalizar para mim mesma, que dirá responder algo que não foi perguntado.
Vá em frente e descubra o mundo, mas guarde os cuidados que
lhe passei, principalmente sobre como identificar algo e como se defender, caso
necessário. Não quero ver você ser mais um daqueles que me faz sentir vergonha de
ser humana ainda que miscigenada. Não seja mais um ‘turista’ desrespeitador de
países alheios, seja cidadão não só do mundo e todas suas dimensões (onze, segundo
a Física comprova) de forma educada, respeitosa, mas completa.

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CUIDADOS E SUGESTÕES SINCERAS

A grande regra é que a sua saúde depende do poder de


desintoxicação de todos os níveis, que seu corpo tem (físico, espiritual, astral,
celestial, emocional, etc.) Ajudar o corpo a não ter contato com substancias e seres
tóxicos (incluindo os FDP) já é bom, mas quanto mais você puder ajuda-lo expelir as
toxinas que prejudicam, melhor. A boa desintoxicação é excelente contra o
envelhecimento também.
Gosto de ter sempre uma banheira na casa onde habito. Além de
ser indicada para as crises de fibromialgia, gosto de por ervas diversas que são de
grande ajuda ao médium prevenido. Tomar uma ducha, entrar no mar, sentar na
grama do jardim, ficar na frente da lareira e pedir para os seres transportadores
destas energias licença e bênçãos, faz com que uma purificação muito eficaz ocorra
com apenas uma pequena reza.
Produtos químicos são um pesadelo para quem tem
mediunidade. Altas concentrações, que são cem vezes menores do que o que os não
médiuns se incomodariam, provocam reações e tudo o que ofenda a áurea de um
médium gera cansaço, mal estar, alergias, doenças auto imunes, dor de todos tipos.
O pior é aquele que se acumula com o tempo, como os metais pesados. Meu médico
comentou que ao descobrir o alumínio no corpo, geralmente é tarde demais. A
desintoxicação já não cura a doença que o acumulo deste metal favoreceu, como,
nesse caso, o Alzheimer. Embora não comprovada a ligação, portadores desse mal
tem altas taxas de Alumínio no corpo.
Em relação a produtos de higiene pessoal, sabonetes, xampus,
perfumes, etc., treine sua mediunidade, olhe para o produto e sinta. Parece bem?
Experimente. Não sentiu algo bom, nem tente. Se lhe interessar, com o tempo seus
sentidos explicarão por que tal coisa não faria bem naquele momento específico. Não
preciso dizer que sair contando o que você aprendeu faria médicos se perguntarem -
se ela sabe tanto, por que nós fizemos uma faculdade caríssima nós que somos mais
treinados que ela? De onde ela tirou essa teoria maluca? Repito, não perca tempo
discutindo métodos, mas (quando muito necessário) resultados.
Com roupas a mesma coisa. Vista o que lhe faz sentir melhor e
de atenção especial a cores. Estude tudo o que há sobre elas. A cromoterapia é um
estudo sobre o que elas fazem ao ambiente e ao ser humano (por enquanto não
estudamos o que as cores fazem aos jupterianos) e está provado que faz diferença.
Não use apenas uma cor, pois você não absorverá o que as outras cores tem a
oferecer. Ver a cor em um cômodo tem o mesmo efeito de vestir a cor. O uso de algo
tão simples como as cores ou a água para cura e equilíbrio faz com que pessoas não
acreditem, pois na mente da maioria há uma crença de que poder tem a ver com
tamanho e impacto, mas o bom estudioso sabe que o pequeno, o simples e o
rotineiro são os grandes poderes da natureza. Veja o que uma trinca faz numa
represa, o que a rotina do sol nascendo todos os dias nos oferece.
Gosto de todas as cores, mas deixe-me mencionar um problema
que diz respeito à cor preta e à mediunidade. O preto não é cor, é ausência dela e é
uma energia absorvente. Eu sei e concordo que é perfeito para todas as ocasiões,
mas isso desde que o ambiente ao seu redor não seja “poluído” demais. Se você
veste uma roupa negra e vai a um casamento feliz, absorverá energias de felicidade,

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se for a uma festa cuja única coisa que oferece é um monte de obsessores grudados
num povo que não se segura nas pernas de tanta cachaça, drogas e sexo inseguro,
você vai voltar para o seu lar com lição de casa do tipo “como me limpar de tudo o
que é caca que minha raça produz”. Mesmo que você não tenha o “buraco” para as
energias perversas que chupou, através do principio de absorção da cor negra você
vai conseguir o que não queria - mais trabalho chato.
Interessante que aqui no ocidente vamos a casamentos com
roupa branca ou clara e a enterros com roupas pretas. O japonês, como bom sábio
que é, vai de branco ao enterro. Pois o branco é o oposto, ele irradia, então você põe
para fora o que quer que sinta ou que carregue na áurea, não absorvendo o que está
ao redor. Imagine como é bom usar preto no cemitério que é o polo de energia da
morte, contrária a energia da vida. Chega- se ao absurdo de vestir as crianças de
preto para ir ao cemitério. O uso do branco por quem faz cura é correto, pois, em
princípio, quem está num trabalho de cura, está melhor energeticamente que a
pessoa a ser curada, e Deus nos salve de hospitais mudarem a cor oficial das roupas
que lá utilizam. Teremos enfermeiras mais doentes que os que estão sendo tratados
por elas pondo a mão em você.
As fibras sintéticas não deixam o corpo respirar e a respiração é
um mecanismo de desintoxicação também. Portanto, de novo repito, use lycra, use
nylon, rayon, mas não o tempo todo. Para o médium na moda, o melhor é a seda, o
linho, o algodão e a lã. Mas fica difícil pois nenhum deles é barato. Use o que der,
mas varie, assim não cria algo crônico. A única coisa repetitiva boa para o ser
humano é o sol e a lua nascerem e se porem todo dia, do jeito que está indo, que
está bom.
Sapato é algo fundamental. Um mau sapato, mal feito, afetará
sua coluna e a coluna é a alma do negocio. A coluna é boa para se andar, para
sustentar os músculos e parece que é muito importante para sustentar o crânio.
Então, é bom negocio lembrar que os pés são importantes. Uns dizem que todo
sapato tem que ter um pouco de salto, mas os tênis de hoje são anatômicos, a não
ser que você seja tão mão de vaca que não compre tênis que dure mais de um mês,
de tão baratos. Eu, particularmente, não gosto de tênis, mas gosto não se discute, só
se lamenta. Use aquilo que lhe dê conforto, pois seu corpo vai lhe mostrar o que é
bom para ele se você baixar esse orgulho besta e ouvir o que ele tem a dizer. Ele está
contigo a milhões de anos e foi o primeiro a ter contato com seu espírito. Se você não
sabe como tratá-lo, não culpe os médicos por fazerem pior do que você faz.
Andar descalço na areia, na terra e na grama é realmente
fortificante. A terra, e seu poder gravitacional servem para ‘chupar’ energias de você,
num mecanismo muito sutil e mais avançado que tudo o que está a vista do ser
humano. A terra tira o que está fazendo mal e, ao mesmo tempo, dá o que falta.
Quando estou me sentindo mal cronicamente, por muitos dias, arranjo um jeito de
fazer um pic nic em algum lugar mais limpo e fico deitada em cima de uma toalha ou
algo que valha, lagarteando ao sol. Fiz isso com meus bebês (ainda são bebês na
minha cabeça, mas hoje dá mais trabalho deitá-los na grama) e isso os fazia
dormirem muito melhor a noite.
Cuidado para não arranjar passeios em locais onde a terra foi
contaminada com lixo, esgoto, ou então onde antes foi um cemitério, como uma praia
onde passava todas as férias da minha infância brincando, sempre me sentindo
estranha, incomodada. Na faculdade eu soube, numa aula de arqueologia, com slides,
que ali, antes do condomínio, foi um dos maiores cemitérios indígenas que o litoral
norte tinha encontrado. Só 300 corpos foram exumados. Levaram os corpos, não os
ex donos dos corpos. Então, tente saber a historia do lugar, ou desligue a preguiça,

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ligue a mediunidade e use-a a seu favor. Sinta se o local é apropriado ou não. Pare de
reclamar que mediunidade não serve para nada, o apêndice é que não serve.
A higiene pessoal inclui, surpresa, as amizades. “Diga-me com
quem andas e lhe direi quem és.” Pô! Isso é mais velho que andar para trás. Não se
atreva a questionar sabedorias antigas como esta, não foram criadas para infernizar
sua vida, como parece, mas para ver se ensinando alguma coisa simples facilitaria
sua vida.
Pessoas não são más, mas estão más, estão perversas, estão
“chopinhando”, estão em estado de desequilíbrio. Se você não está ao lado delas para
participar da volta ao equilíbrio que elas estão caminhando, não interfira. Você cuida
do corpo, usa cores maneiras, alimentação equilibrada, limpa sua casa diretinho,
pede proteção, e insiste em andar com alguém que não acha estar em situação de
desequilíbrio? Isso se chama conivência. Ninguém leva ninguém, que tenha já idade
para dizer socorro, para o mau caminho, o livre arbítrio não deixa. Mas o meio
corrompe como o ácido faz com o metal.
Sabe aquele fofinho que sempre apronta na sala? Não o que faz
confrontar a professora com suas ideias revolucionarias, mas o moreno bonitão que
sempre faz gracinha e vai parar na diretoria. Esse, meu amor, só dá trabalho, não dá
retorno. Se você tem tempo e cérebro para jogar fora, tudo bem, vá fundo. Não
quero escutar um pio quando o trem desandar. Ninguém vai querer escutar. Pois a
regra do diga com quem anda tem as letras miúdas no final - ‘eu lhe disse, não lhe
disse?’. Em vez de ficar se limpando de energias perversas do erro dos outros, e de
perder tempo com a cruz de outrem, vai errar seus próprios erros que são mais
produtivos. Quando as energias viciadas vem de um amigo que sofre, que está mal,
que carregou “algo” para casa, a sua mediunidade e os procedimentos de
desintoxicação servem para isso. Seu coração dirá o merecimento da questão.
Sua moradia, sua casa, seu lar, é o segundo fator mais
importante. Acho que dá para entender que morar numa pocilga não é saudável. É
diferente morar numa pocilga na favela do que morar num limpo e simples barraco na
favela. Uma mulher por quem tenho muita admiração, que nunca ganhou muito mais
que um salário mínimo, sem familiares para ajudar e um filho para criar, sempre me
disse que pobreza não é desculpa para sujeira ou crime.
Por limpeza entenda-se um ambiente que não feda, não
escorregue (que não seja cera no chão), que se enxerguem as paredes, bem pintadas
ou limpas e se alguma mancha for encontrada, em algum lugar, dê para saber do que
era e quando foi limpa. A roupa suja ou está sendo lavada ou no cesto apropriado, o
mesmo para louça.
O princípio é o mesmo do que o do corpo: mesmo que tudo seja
relativo e os porcos gostem de lavagem, fedor é fedor e sujeira é sujeira. Você, como
ser humano, sabe o que é bom ou não para sua raça. A casa é espelho de quem você
é. Quem você é, atrai o que merece. Escolha qualquer estilo, mesmo o mórbido, mas
faça com o coração. Gosto de indicar o Feng shui, que é um estudo milenar e vem
dando certo há muito tempo, por isso sobreviveu, para você estudar pois ele vai dar
uma luz sobre os princípios básicos que sua mãe já deve ter dito de outra forma. Faça
isso e vamos para sugestões mais difíceis.
Alimentação de vacas é pasto, de morcegos hematófagos é
sangue, de tigres é carne. O homo sapiens é onívoro, não importa o que os
vegetarianos falem, nós podemos comer quase tudo. Estamos vivos graças a arte de
comer carniça, não a nobre arte de pastar. Então, quando caiu um avião nos Andes e
o pessoal teve de comer os mortos, foram, ao voltar, questionados, por incrível que
pareça, se podiam fazer aquilo. Mas que droga, se fossem vacas não teriam voltado

96
vivos, ninguém pensa em dar graças a Deus por poder comer de tudo? Se os
eucaliptos morrerem todos na Austrália e os bambus da China, duas raças fofas vão
desaparecer em meses, o panda e o koala. Eles são até mais bonitinhos que nós!
Mas poder comer não significa ser bom comer tudo. O corpo
físico humano não é um milagre apenas, é um ato de evolução, e alguém tem de
pagar por isso. Não existe boca livre na natureza, alguém sempre paga. Seu corpo
paga por qualquer excesso, não o do koala. Excesso para ele só pode resultar em
mais cocô e mais filhote. Os chineses, de novo tinham razão já a cinco mil anos: de
tudo um pouco de nada muito.
É fato cientifico que a raça humana leva de 10 a 20 mil anos para
mudar uma característica genética. Os negros ficaram brancos, depois de emigrarem
para fora da África, quando, não retornando, permaneceram em áreas onde os genes
da pele branca favoreceram a sobrevivência. Não há raça no mundo que esteja
utilizando uma dieta há tanto tempo assim, então todo humano pode comer de tudo,
se precisar.
Então o que é melhor para mim? Depois da regra acima,
acrescente deixar a preguiça de lado e usar a sua mediunidade junto com seu bom
senso que irá tudo bem. Mais ainda se você procurar um nutricionista ou algumas das
alternativas de medicina naturais e se sentir bem. Os resultados serão passíveis de
discussão os métodos não, vou repetir isso bastante. Não existe um consenso no
mundo sobre que alimentação seja melhor para prolongar a vida, com qualidade
(como se viver mais fosse algo definitivamente bom). Tem a dieta do tipo sanguíneo,
da lua, da água, etc. Se os ETs viessem mesmo, iriam abrir uma faculdade de estudo
sobre isso. A raça está com fome, está morrendo por isso?
Algumas coisas fazem sentido. Se a sua família tem o câncer
como meio de desencarne, e uma proporção considerável não escolhe outro meio de
ir ‘embora’, é bom conhecer uma alimentação voltada ao equilíbrio dessa
possibilidade. Isso não é garantia de que você não morra disso, mas se o touro tem
que vir, você o prefere vivo em cima de você como numa tourada, ou em bifes
pequenos? Se o povo não morre cedo, mas tem tudo quanto é doença de junta
(aquela do “junta tudo e joga fora”), artrite, reumatismo, gota, osteoporose, é bom
pensar em comer mais algumas coisas que outras. Aqueles que gostam de vegetais,
dizendo que purificam o espírito, os judeus que o digam, pois Hitler era vegetariano.
E os alimentos kosher não salvaram o pessoal do Holocausto.
Outra coisa a ser levada em consideração é que mesmo que a
raça não tenha tido tempo de se adaptar a uma nova dieta, fica difícil negar o
ambiente do qual seus antecessores vieram assim tão fácil. Querer vir de uma família
75% européia, comedora de carne e centeio por muitas gerações e achar que comer
saladinha vai ser bom, é complicado. Mas se você descende de hindus vegetarianos,
vá em frente 5000 anos sem carne vão fazer diferença.
Tentei ser vegetariana, mas o DNA falou mais alto. Preciso de
tudo um pouco, e na gravidez o meu corpo deixou bem claro o que precisava. O
mecanismo que faz a mulher grávida desejar loucamente algo é um exemplo radical
de que o corpo sabe o que quer. Mas ali o corpo do bebê tem influencia sobre o que a
mãe quer comer.
Nessas viagens alimentares, vi que estava sendo socialmente
grosseira na casa da maioria das pessoas. Eu não podia isso, não podia aquilo, e
virou um inferno, pois num pais multirracial como o nosso, sem comunidades tão
fechadas como os quackers norte americanos, é muito indelicado levar marmitinha na
casa dos outros. Tem tanto mico que seremos obrigados a passar na vida, que este é
um daqueles que acho desnecessários: “a senhora quer mais café?” Não eu não posso

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comer açúcar. “Então aceite uns bolinhos de carne”. Não eu não como carne. “Bom,
tem um bolo saindo do forno”. Olha farinha branca faz mal para a saúde e eu não
como. Aí a dona da casa olha de dois jeitos, essa vaca bem podia ir pro inferno, ou
ela está com medo de que eu seja suja. Ofender os costumes locais não é uma boa
idéia para quem gosta de viajar.
Não sei o que faria ao visitar o pessoal lá na África e eles me
trouxessem um copo cheio de sangue de camelo recém-tirado, coisa fina. Ou bichos
criados na madeira gordinhos e branquinhos oferecidos pelos índios na Amazônia
como iguaria de reis e... visitantes. Eu passei por duas situações desse tipo com
bebidas alcoólicas. A primeira foi na casa de pau a pique de uma benzedeira muito
famosa e querida por uma cidade que passei. Não visitá-la era desrespeito grave para
um visitante. Uma alma de pura caridade, num corpo de 92 anos (Deus a tenha
consigo) mirrado e frágil. Entrei e ela foi me oferecendo um cálice de cachaça com
algumas ervas dentro. Muito comum no interior. Ela serviu todo mundo na pequena
cozinha de chão de terra. Foi a primeira a virar o cálice de uma vez e disse “Deus é
bom demais”. Eu não bebo cachaça com frequência, menos ainda em pleno dia, mas
vendo-a engolir tudo de uma vez, achei que era uma cachacinha bem suave para
velhinhas e virei o copinho. Estou procurando as camadas do meu tecido estomacal
até hoje, desde que as perdi por lá. Senti a morte por sufocamento de perto.
A outra experiência foi em casa de conhecidos. Adoro vinho tinto
e tenho algum conhecimento sobre ele. Brasileiros não tem costume de beber vinho,
mas nessa casa me ofereceram e não quis recusar. Disseram que era do sul e muito
bom, mesmo sendo de garrafão. Então pensei, lá vem um copo de vinho ruim (que de
muita boa vontade a gente faz vinho quente e se arrepende depois), mas aguento. No
cheiro não acreditei, e no sabor vi que tinham me servido vinho que havia se tornado
vinagre. Achei que era piada, mas eles estavam bebendo. A situação ficou tão
constrangedora que me decidi por virar o copo na pobre plantinha do vaso, do que
dizer que eles estavam bebendo o melhor vinagre da região.
Para que menos coisas dessas lhe aconteça, coma de tudo e
saiba beber. Mas vamos falar sobre bebidas primeiro. Quando os chineses falam de
tudo um pouco e de nada muito, estão incluindo álcool, fumo e outras coisas. Eles
conhecem essas três categorias há muito tempo. Nada disso é ruim ou bom, de novo
é mais uma questão de quanto e quando. Várias bebidas alcoólicas são de uso
medicinal, o vinho, o whisky, licores, etc., mas nenhum médico gosta de ver o
paciente se afundando em álcool, nem gostam que eles afundem em água. Beber
muita cachaça dá no que você vê nas ruas no fim de semana, principalmente, mas
beber muita água também mata. O corpo entra em colapso, pára de filtrar os fluidos
e morre. Cada um tem uma medida daquilo que é bom e o que passa do limite para
si. Conheço gente que consegue, com esforço, beber dois dedos de uma cerveja,
fazendo cara feia e conheci mulheres que sentavam para uma cervejota no fim do dia
e mandavam vir a caixa (de garrafa, não de lata). O que era humanamente
impossível para mim, era comum para elas.
O problema do fumo é igual. Nicotina e cafeína atuam sobre os
radicais livres. Realmente ninguém sabe os níveis seguros. Nem para estas duas
substancias, nem para o álcool, e como precisamos viver em sociedade, sem níveis
de acidentes por álcool nem câncer por fumo tão elevados como temos, os órgãos
competentes (seja lá o que isso realmente signifique) soltam leis para prevenir as
pessoas mais equilibradas das que não conseguem saber o que é o seu limite para
estas substâncias. Então se beber, vá a pé e morra sozinho, atropelado, deixe a vida
dos outros em paz. Se você achar que sua vida é importante para os outros, vá de
taxi. Com os mesmos princípios, fume sozinho ou com quem está fumando e deixe os

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outros morrerem do que eles quiserem, não do seu tabaco. Se lhe empurrarem estas
duas coisas com muito empenho, tente entender por que essa pessoa quer ver você
morta. Será que você anda, como muitos por ai, valendo mais morta que viva?
Drogas recreacionais eram para serem usadas, no aspecto da
saúde, ocasionalmente, como os nativos indígenas fazem em rituais. Eles consideram
uma ocasião especial para tal quando a pessoa precisa adquirir um conhecimento
que, sem o uso destas drogas, não conseguiria na mesma rapidez. Eram para ser
usadas com parcimônia, a dose de conta-gotas, de tempos em tempos, em situações
específicas. Faz lembrar a historia da árvore no Éden: “não encostar”! Por isso
metemos as mãos, por ser divertido burlar as regras.
Sobre um problema comum hoje, a obesidade, digo que
obviamente, existem pessoas que precisam de alimentação específica assim como
diabéticos, pressão alta crônica. Se você tem isso é um Karma de outra vida, aceite e
vá atrás do que a medicina pode fazer. A obesidade vem aumentando na sociedade,
mas ninguém chegou a um consenso sobre sua origem. Eu acredito que na
alimentação do pós 2ª guerra mundial, comida congelada, leite pasteurizado e
químicos de todo tipo ajudaram essa questão ficar séria. Mas, de novo, é o muito que
manda. Comer no Mcdonalds de vez em quando não vai lhe matar, se um franco
atirador enfurecido não entrar na hora que você estiver lá.
A alimentação também tem uma coisa a ver com felicidade.
Pessoas felizes consigo próprias comem mais alimentos saudáveis e conseguem dizer
melhor quando algo que comem não lhes faz bem. Pessoas felizes não se tornam
alcoólatras, nem viciadas em nada. Mesmo o cigarro é uma muleta. Empenhe-se em
saber o que lhe faz feliz, que o resto virá naturalmente.
O que é que tudo isso tem a ver com mediunidade? Lembre-se
que o médium é um transformador de energias e transmissor de comunicações. Tudo
o que não vai bem cria resistência e problemas na recepção-emissão de energias.
Quer você trabalhe como médium ou não, no mínimo saiba se limpar e ajudar seu
corpo a limpar todo tipo de toxina. Lembre da história do touro, que ele vem, vem...
mas você o quer como? Vivo e bufando ou em bifes? Tá bom seu vegetariano, quer
ele vivo, morto, ou o estrume dele para sua horta.
Sono. Aquilo que você sente uma semana antes das aulas de
matemática e que vai piorando conforme o dia chega, ficando insuportável durante
elas. Na noite depois da aula, na cama, você aquecido, barriguinha cheia, não
consegue pregar os olhos e não tem um livro de matemática por perto, pois você
deixou os malditos no armário da escola ou estão em poder do professor que está
tentando entender como uma criatura que parecia não ter a área cerebral para
cálculos, chegou na resposta certa. Como dormir agora?
Em verdade vos digo, sem dormir você não vale um centavo, que
dirá tentar ser gente. Eu sei que mencionei o sono depois da alimentação, mas sem
sono a pessoa vai perdendo várias capacidades inclusive a de sentir fome. Sei quando
estourei meu limite de cansaço se entre um prato de comida e uma cama com
cobertor quente eu escolho o último, mesmo não tendo me alimentado o dia todo.
Para um médium, é uma faca de dois gumes. Se ele não dorme,
não passa bem de dia, não vai para o Outro Lado reciclar as energias nem
reorganizar as idéias (que é o que a ciência está descobrindo que o cérebro faz a
noite). Se a pessoa vai, em espírito, durante o sono, trabalhar em algum projeto que
participa Lá, e volta cansado como de um serviço pesado, tem problemas durante o
dia. A maioria dos médiuns que conheci dormia sono agitado e/ou tinham terror
noturno mesmo depois de crescidos (sou um destes), sonambulam (também faço) e
falam como se estivessem numa reunião. Se o cidadão tem apnéia do sono, um

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distúrbio comum mais conhecido na família como “não dá para dormir com esse porco
roncador”, é uma triste sina, para o coitado porque o desgaste físico da noite mal
dormida já está provado pela ciência e para os que correm para ver conseguem
dormir primeiro que o fulano. Imaginem a desgraça de um médium com apnéia do
sono.
Se você tem traumas vividos em vidas passadas, a hora de
dormir será sempre uma incógnita. Será que hoje vou sonhar com o estripador? Será
que vou sonhar, de novo, com o homem na sala virando cem e ficando para sempre?
Será que gosto de sexo bizarro, pois se esses sonhos de estupro não param deve ser
minha culpa. A maioria é lavação de roupa suja que você não viveu nesta vida e que
seu espírito luta para aceitar, até hoje, a injustiça recebida. Alguns apenas não são
sonhos, mas o que seu espírito está passando, em tempo real, em algum lugar do
Outro Lado. Não me lembro de quem disse que dormir é morrer um pouco, mas
estava certo. Ao dormir, vamos resolver questões de outros carnavais.
Vá em busca de boas noites de sono, se você tem ou tiver
problemas. Se for com o psicólogo que você sente que resolve, vá, mas escolher
terapeuta é que nem andar a cavalo, para cada cavalo seu cavaleiro. Escolhendo um
terapeuta do seu agrado, então bons resultados virão. Yoga, relaxamento, natação
realmente ajudam. Bons livros são excelentes, mas se forem daqueles que você tem
que ver o que vai acontecer no fim, isso não deixará você dormir.
Conversar com um bom amigo, se ele estiver ao alcance, é o
melhor remédio para problemas que tiram o seu sono. Melhor que confissão, a não
ser que o padre seja seu melhor amigo. Em situações estupidamente doloridas ou
perigosas, converse com alguém mais velho, pelo qual você tenha admiração, para
ajudar a pensar nas soluções.
Concordo que filmes violentos e vídeo games antes de dormir
não fazem bem para um sono tranquilo. Deixe pelo menos uma hora antes de dormir
reservado para atividades mais calmas, que de fato ajuda. Eu imagino que você já
tenha pensado, mas como que eu dormi tão bem depois daquela sessão selvagem
com fulano de tal? Foi tudo menos calmo! Olhe, o principio muda aqui. Nessa
atividade em específico as glândulas liberam endorfinas, depois do ato, que relaxam o
corpo. A boa qualidade de vida sexual está relacionada com o bem estar de todos os
outros departamentos. Observe sua cama, se doem as suas costas é porque o
colchão ou o travesseiro não estão apropriados. Os adequados não são
necessariamente os mais caros.
Uma das coisas que tira o sono de gente honesta é dívida. Não
ter como pagar contas é tristíssimo para quem preza o bom nome. Melhor dormir
bem a noite do que gastar demais e perder o sono. Médicos prescrevem soníferos
para pessoas que perderam parentes próximos ou que estão com doenças terminais,
pois não querem ver outras pessoas ficando doentes. Se for o seu caso, aceite. Não é
porque você precisou de ajuda de remédios desse tipo que vai precisar usá-los por
tempo indefinido. Casos extremos pedem soluções extremas e temporárias.
Por muito tempo tive preconceito contra quem fazia uso, mesmo
prescrito por médicos, de medicamentos controlados. Até que precisei fazer uso de
antidepressivos, pois o médico responsável quis prescrevê-los no final do meu
casamento. Não foi uma experiência ruim, embora não consiga medir quanto o
medicamento influenciou a decisão de separar-me e se esse peso foi bom ou não.
Mas senti que deu ao corpo físico o tempo que eu precisava para me reequilibrar.
Esse é o objetivo de um remédio - remediar temporariamente algo. Claro que pessoas
com condições como diabetes precisam de remédios por muito tempo, pode parecer
para sempre, mas lembre-se que o espírito é eterno e um dia o corpo deixará a

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imperfeição para trás e a alma voltará ao equilíbrio, sem medicamento. Então, hoje,
quando vejo alguém com distúrbio bipolar, ou depressão, ou ataques de ansiedade, e
tantas outras patologias que tem tratamento na Terra não usar do que a medicina
conquistou me causa estranheza. Pois existem muito mais coisas que a medicina não
pode nem dar uma pequena ajuda, então por que não deixamos que ela faça a parte
dela, quando pode? De novo, o tratamento, o tempo de duração, ser urgência ou não,
varia de pessoa para pessoa, mas existe mais uma coisa: todos esses desequilíbrios
atingem os que estão ao redor da pessoa desequilibrada. Então, é com muita
consciência que se deve pensar em ser totalmente dependente e entregar a Deus
decisões que já temos idade para fazer sozinhos.
Dinheiro. O jeito como você lida com o dinheiro é outra forma
de não carregar energia desequilibrada. Já falamos sobre os problemas relacionados a
isso. Ele é apenas uma das formas de manifestação da prosperidade, que é algo que
anda junto com saúde e equilíbrio. Quando estamos bem, alegres e felizes, numa
base rotineira e quotidiana, não “de vez em quando”, a prosperidade é algo que vem.
Não há como impedir. Realmente, a falta de prosperidade sempre mostra o
desequilíbrio pessoal onde não se enxerga isso facilmente. Faça do jeito que sentir
certo, mas observe se o dinheiro está sendo usado de forma a trazer seu coração leve
e sua alma despreocupada.
Pessoas que não conseguem controlar seu orçamento, como bem
fala a sabedoria chinesa, são pessoas que estão em desequilíbrio energético. Observe
bem isso, consigo mesmo e com outras pessoas. Meu pai dizia que o jeito como um
homem dirige um carro e como trata o dinheiro dizem quem ele é.
Quanto ao trabalho, seja feliz, trabalhe naquilo que gosta.
Escutei de uma pessoa que havia sido muito pobre e ficou muito rica, que era melhor
chorar dentro de um Mercedes Benz do que num ônibus lotado. Testei o que ela disse
e vi que choro é choro, tristeza é tristeza e há coisas que o dinheiro não modifica. O
trabalho deve ser gratificante, se não irá gerar mais energia ‘suada’ do que
prosperidade. Não está bem no seu trabalho? Mas foi tão bom estes anos todos, por
que não agora? Pessoas mudam, isso é natural. Não está feliz, vá atrás de outra área
que lhe dê a satisfação de ter produzido algo que lhe dê orgulho, não espere para ver
como fica.
Conheci pessoas que não se interessavam pelo tipo de trabalho,
mas pelo retorno financeiro que daria. A felicidade para eles era ter muito dinheiro,
na mão. Mas trabalharam por isso e foram felizes. Algo lhe impediria de mudar de
área, se a que você está não lhe trás felicidade? Eu sei que tem as bocas em casa
para alimentar, mas a mão triste que tras comida para eles pode vir a ser a mão feliz
que faz o mesmo. Leve em conta que sustentar a família pode lhe dar tanto prazer
que ficar aguentando aquele emprego horroroso pode ser fácil para você. Tanto faz,
mas seja feliz e participe da felicidade dos outros, não só das fases e lados ruins.
Lazer é importante para o bom andamento de tudo dito acima.
Uma pessoa que não consegue relaxar e curtir alguma coisa (eu sei que psicopatas
relaxam cortando pessoas em pedaços miúdos, mas isso esbarra na lei do livre
arbítrio!) está se desequilibrando. Ser feliz importa. Do que você gosta para relaxar?
Ir ao parque, ver um filme, um bom restaurante, jogar bola? Não tem a ver com
dinheiro. Hoje você pode viver de mesada, mas vai gostar de jogar bola e de livros de
ficção para o resto da vida. Se você só gosta de viajar de avião, na primeira classe, e
frequentar hotéis cinco estrelas, algo está errado, ou você não é membro desta raça
adaptável e curiosa que somos, mas se acontecer de ser somente assim que se sinta
tendo lazer, seja feliz. Eu gosto de estudar, línguas principalmente, gosto de bordar,
costurar, e gosto muito de praticar dança. Adoro nadar, mas gosto de deitar na rede

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da varanda e ficar babando até o sol se por. Ninguém depende de riqueza para ter
essas coisas.
Cuidado para não ser aquela pessoa que se sente feliz com a
felicidade dos outros, apenas. Mães são boas em fazer isso. Chega a ser uma
cobrança para o filho ser feliz e a mãe poder sentir algo que não o vazio interno. Isso
é doentio causando muita dor e desequilíbrio, cedo ou tarde, para todos os
envolvidos. Só se pode dar o que se tem, lembre-se sempre.
Existe um senso comum que une todas as dicas que todas as
religiões, terapias, tratamentos, falam por esse mundo afora. Esse senso comum,
quando não o distorcem, é de que o ser humano nasceu para ser equilibrado e feliz,
que desvios podem tirá-lo deste estado, mas que o retorno é garantido assim como
toda molécula procura manter sua carga em equilíbrio. Os judeus que escreveram os
livros da cabala afirmaram que houve um mal entendido; que Deus não havia
expulsado os seres humanos do Paraíso, mas que estes o haviam expulsado de lá.
Assim fica mais fácil, é só abrir a porta e convidá-Lo para entrar. Temos todo o tempo
do mundo para achar a porta. Não há pressa, só a sua pressa.

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A PARTE BOA

Claro que existe também a parte boa. Eu não estou repetindo


pelo livro todo que nada é somente mau ou somente bom? Não fizeram pesquisa
suficiente para saber se a mediunidade, todos os seus níveis e potências, fizeram
diferença na sobrevivência da raça, mas estamos aqui e então? Vamos ficar
questionando o que poderia ter sido ou vamos lidar com o que temos? Também não
saberia dizer se o uso da mediunidade aumenta a porcentagem do uso cerebral total.
Por experiência própria, em épocas nas quais me disponho a trabalhar mais a
mediunidade, muitas coisas que sentia difíceis ou de resolução aparentemente
complicada, descomplicaram. Eu vejo e sinto com mais clareza, muito mais clareza.
Mas talvez seja um simples mecanismo compensatório da mente tipo estou vendo
muita merd# chegando, porra, então acho que vou aproveitar o que está aqui
disponível. Assim, tudo que parecia um problema fica simples e tudo que você não
conseguia resolver, dá-se um jeito. Então, sim, problemas práticos, do dia-a-dia
podem ser resolvidos sem grandes soluções, e a mediunidade ajuda a identificar o
que é importante e para qual departamento é relevante. Também dá uma visão bem
‘profunda’ de questões importantes, se você se der ao trabalho de escutar as
entidades e as mensagens. Olhar pessoas mal-intencionadas com olhos atentos
sempre lhe dá uma vantagem. Quantas vezes não me arrependi de não acreditar no
que via ou ouvia, por não ser uma atitude ‘normal’?
Eu sei que a solidão dessa situação é imensa, mas não é legal
saber onde os colegas de escola de vidas passadas estão? Se estão bem, se fulano foi
mesmo ser o que disse sonhar, ou se aquele desafeto maldito foi pro saco, num
empreguinho ruim e uma esposa feia e burra? Não é bom lembrar de coisas que lhe
fizeram bem, que lhe ensinaram lições importantes, que você usa até hoje? E os
namoros felizes? Terminaram, mas e aquelas maravilhosas lembranças que só de
pensar fazem os olhos encher de lágrimas saudosas?
Melhor ainda, saber como fazer um momento bom acontecer,
saber o que fazer para deixar que ele chegue, sem precisar ficar tenso com
preocupações de “marinheiro de primeira viagem”? Você tem tudo isso. Você tem a
experiência. Você lembra, ou tem como acessar a lembrança.
Deixar que a mediunidade venha por bem, mansa, é ter uma
família de verdade, maior, menos problemática, sempre ali, mesmo quando não os
vê. Aliás, os que lhe acompanham mais frequentemente não são pai, mãe e irmãos.
Seria chato ficar com a mãe olhando tudo o que fazemos, mesmo essa mãe celestial,
ela que me perdoe mas é verdade. Ela fica sabendo, de tudo, mas é diferente de
estar andando pra todo lado com você, falando conversa de mãe em todo canto.
Fui perguntada por um conhecido, se eu sabia o propósito da
minha vida, se sabia por que estava aqui, e foi em boa hora, pois cinco anos antes
não teria tanta certeza, mas pude responder que sim, em verdade dizendo, que
sabia. Não acho que fez bem a ele saber que não era ele que sabia, mas outra
pessoa. Ele queria tanto saber qual a razão de sua vida! Não falei para ele que estava
perto de saber a dele, pois talvez criasse uma ansiedade que estragaria sua busca.
Não senti orgulho de saber algo que outra pessoa não sabia, pois
saber seu lugar e propósito não é exatamente ter poder para manipulá-los, é mais
pra sentir quanto vai apanhar, quem vai te bater, quanto endividado se está, quão
burro se é e quem está para morrer. Enquanto escrevia estas linhas, soube que uma

103
familiar já estava com a marca da morte sobre ela e que estava sendo decidido
quando seria a partida e eu não pude controlar o choro. É um bom exemplo de como
as comunicações vêm na hora que precisam vir, não em horas ‘apropriadas‘.
Mas soube quando um amor estava para chegar, um filho,
oportunidades. Foi muito bom olhar a multidão e pensar - será que aquele homem já
está aqui? É espetacular, e muito produtivo, saber quando uma dívida, ou karma,
acabou de ser paga. Quando você “passou de ano” por mérito próprio.
É gratificante poder ajudar alguém, ver que você fez a diferença,
que você não deixou essa pessoa passar por algo que você já passou e não foi
ajudada, do quanto a falta fez você sofrer e que esta pessoa não sofrerá o mesmo.
Veja, sinto quando uma pessoa não está gostando de mim, mas
também sinto quando gostam. Sei o que fazer com a energia que chega, essa é a boa
parte da divisão de energias. Se conheço um homem, ou mulher cujo sentimento
principal, naquele momento, é a honestidade, compartilharei dessa energia com a
pessoa. Quando o amor acontece, é verdade aquilo que dizem que uma parte da
pessoa ficará sempre conosco. Posso dizer com segurança que isso é verdade,
acontece mesmo. Sou a feliz guardiã do melhor que várias pessoas produziram.
Quando estas pessoas precisarem se lembrar, ao se esquecerem de si por qualquer
coisa triste que por acaso tiverem que enfrentar, poderei dizer lhes; olha você não é
o que pensa por estar sofrendo, pois tenho aqui a sua energia, aquela que você
dividiu comigo, espontaneamente, no passado para lembrar de quem realmente é.
Sentir a cura das pessoas e estar lá participando disso é gratificante, realmente é.

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CONCLUSÃO

Expliquei por que escrevi com 40 anos de antecedência, expliquei


por que misturei as histórias, para quem eu não recomendava o livro, também para
que não servia.
Espero ter deixado bem claro que CONSIDERAR A FONTE é a
alma do negócio, expliquei as dificuldades em ser médium, que são muitas e posso
ter deixado algumas de lado, expliquei a mediunidade com e sem religião.
Acho que poderia ser mais clara sobre o passado mediúnico do
mundo, mas prefiro que você faça sua pesquisa própria, não tem utilidade falar sobre
o povo de Bornéu, desde a idade da pedra, se você se interessar mais pelos norte
americanos modernos. O que quero é que entenda que NÃO HÁ NADA DE NOVO SOB
O SOL e sim a redescoberta individual sobre o que há sob esse sol que você enxerga,
e de que o ser humano vai ter de trilhar seu caminho próprio, não importa o que isso
signifique para cada um.
Não cometa os mesmos erros que todos cometem nem todas as
vezes o mesmo erro. Varie, inove, aprenda com o passado, chute outras pedras, por
favor, faça isso. Seja mais que um médium bem treinado, seja um humano em
equilíbrio, bom e mau, belo e feio, só não seja burro que isso não tem utilidade nem
desculpa!
Não faça mal a si mesmo, mas, quando a hora chegar, se for
necessário escolher entre fazer mal a outro, que nunca lhe feriu, ou fazer a si,
escolha essa última hipótese, pois é mais fácil curar suas próprias feridas que curar a
dos outros. Lembre-se da historia do aborto.
Leve o mundo numa boa, somos todos crianças no jardim da
infância, não saia amando quem você odeia, mas fique bem. Tente gostar dos Outros
que forem chatos, lembre-se que sua família original está lá, e que vai encontrá-los,
pois eles nunca o perderam de vista. Não tenha dó de nada que for perverso ou
pervertido, enquanto assim for.
Procure sempre aprender mais sobre as leis e os mecanismos
que regem Eles, nós, a Terra e o Universo, isso irá facilitar sua vida imensamente.
Aguente sua família terrena, ame em silêncio, mesmo quando
parecer que ’eles não tenham jeito’ brigue com quem você achar que deve, ouça seu
coração, nunca fuja das consequências de seus atos. Não seja conivente com crimes
de nenhum tipo com nenhum humano, encarnado ou não. Não silencie sobre nada
que tenha ofendido seu coração. Se um humano errou, mesmo que leve um tempo,
não permita que da sua parte que pessoas não se responsabilizem, você será igual a
elas se acobertá-las. Nunca aceite ameaças nem suborno. Seja escravo, se isso for
necessário, de si mesmo.
Use a sua mediunidade. Use-a, se puder, para acessar o
conhecimento, para ajudar os que pedirem principalmente quem necessita de saúde,
não a use para piorar a vida de ninguém, se não puder ajudar. Não se sinta mal por
se defender de quem feri-lo. Não dê o que sentir que não tem. Vá atrás do que lhe
pediram, volte com suficiente para você e para quem precisou. Se não quiser lembrar
daquilo que carrega, faça o mínimo para que isso não se vire contra você, para que
não seja um peso. Escolha a religião na qual se sentir bem, seja feliz, por favor.

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Escute os mais velhos, as crianças e todo aquele que chegar com
coração aberto para você, pois nunca se sabe por que foi necessário escutar, mas
essa bagagem é a única que será utilizado no Outro Lado e procure leva-lo para lá.
Não tenha medo de escutar não, e não tenha medo de dizer não. Nem de ter de
responder para alguém que simplesmente não conhece, não sabe.
Tudo o que acontece no macro, acontece também no micro
cosmos, tudo que rege o grande rege o pequeno, não interessa por onde começou
sua jornada e quanto tempo está nela, mas sim a direção que tomou quando saiu.
Estude o que quiser estudar, as mesmas leis são ditas em todas as línguas. Faça da
vida o Todo que preencherá seu coração. Na dúvida escolha o que lhe parecer
melhor, pois enquanto não escolher algo estará nua e com frio na frente de um
armário cheio de soluções. Vá com Deus em sua jornada. Estarei feliz cada vez que o
ver conquistando ou tropeçando, mas, por isso mesmo, exercendo sua própria vida.

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