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Alfabetização e letramento

Ortografia ‘erros de escrita’


Ortografia na sala de aula
Relembre suas memórias sobre como
a ortografia era ensinada na(s)
escola(s) em que você estudou
durante a infância e a adolescência.
O que fazer?
 Morais 2003,enfatiza que, se queremos alfabetizar numa perspectiva de
letramento, devemos proporcionar sistematicamente a apropriação da
notação escrita e do seu uso real pela criança, a fim de garantir que se tornem
autonomamente letradas.

 Segundo Soares (2000), "alfabetizar letrando significa orientar a criança para


que aprenda a ler e a escrever levando-a a conviver com práticas reais de
leitura e de escrita".
“Erro de escrita”
 Uma questão que desde sempre tem preocupado os
professores e estudiosos de alfabetização diz respeito a
como lidar com os chamados ‘erros’ de ortografia.

 Uma das possíveis maneiras de se lidar com eles é


considerá-los como uma escrita fonética, manifestação de
um desejo de transcrever a fala tal qual ela se realiza.

 Uma outra maneira de ‘ver’ tais ‘erros’ é considerá-los


não uma mera transcrição dos sons da fala, mas o
resultado de uma reflexão produtiva (e construtiva) a
respeito de fatos do próprio sistema de escrita com o
qual está começando a lidar. -Massini-Cagliari 2005
Então por onde começar?
 Superar progressivamente todos os casos nos quais existe regra que, ao ser
compreendida, permitirá ao aprendiz escrever com segurança outras palavras
da língua em que aquela dificuldade de tipo regular aparece.

 Retirado do artigo :
 Ortografia: objeto de aprendizagem baseada na reflexão
 Revista em comemoração aos 20 anos do CEALE
Compreender ou memorizar?
 Ligados a essas duas alternativas, temos dois tipos de
dificuldades: as regulares e as irregulares.

 Nos casos regulares podemos prever a forma correta, sem


nunca ter visto a palavra antes. Inferimos a grafia correta
porque existe “um princípio gerativo”, uma regra que se aplica
a várias (ou todas) as palavras da língua em que aparece a
dificuldade em questão.

 É o caso emprego do SS nas formas verbais como cantasse e


ficassem, ou do S no início de palavras como sapo ou surra.
 Ver p. 35 – pró-letramento

 Vídeo – Ortografia 1 CEEL


Regras diretas
 Este é o grupo regular mais simples:

 P,B,T,D,V,F,M,N
 Nestes casos não há nenhuma outra letra ‘competindo’ com a única letra
disponível para grafar este som.
 /p/ pato, apito
 /b/ beijo,cabide
 /t/ tijolo, pitu
 /d/ divino, caderno
Regras morfológico-
gramaticais
Exigem que os aprendizes analisem
Cantar , Amar (R) indica unidades maiores no interior da
verbo no infinitivo palavra (morfema)

MORFEMA: unidade
mínima de significado em
uma palavra.
Portugal – Português
Japão – Japonês ÊS -
indica substantivo
derivado de nome próprio
de países
Regras contextuais
 Este é o caso de regularidades de situações ‘contexto’.
 Dentro da palavra que vai decidir qual o dígrafo a ser usado.

 Ex: a escola R ou RR
 Em início de palavra o ‘r’ forte é único - RATO
 Em meio de vogais o ‘r’ forte é duplo – CARRO
E as irregularidades?

Não precisamos criar alarde em relação às irregularidades. É impossível não ter


dúvidas sobre a ortografia de palavras raras, que pouco lemos ou escrevemos.
Exemplo
 Se para um aluno é primordial aprender a escrever
homem e higiene, porque são palavras comuns, o
mesmo não acontece com palavras pouco usadas como

hieróglifos e honorários.
Os erros dos aprendizes são pistas
preciosas para o professor planejar o
ensino. Ajudam a selecionar e ordenar
as dificuldades a serem superadas.

Vídeo 2 - Ortografia
Uma classificação dos
Escrita alfabética com correspondência problemas de escrita
trocada por semelhança de traçado:

Por causa da semelhança no traçado das


letras, muitos aprendizes confundem,
durante um certo tempo, a grafia de
algumas letras como

m/n, p/q, b/d


Problemas de escrita em
Nogueira e Pacheco 2011
Realizações de vogais altas em
posição final

Em vários dialetos do português


brasileiro, as vogais médias, em
posição átona final, são realizadas
categoricamente como vogais altas.
 Nesse sentido, a criança, na escrita inicial, registra graficamente a vogal alta em
posição átona final, como apresentado nos exemplos de 1 e 2, pois é essa
vogal que ela efetivamente ouve.

 1 “CHOCOLATI” para “chocolate”;


 2 “MUNDU” para “mundo”;
Monotongação
 A monotongação é um outro processo muito recorrente na língua falada e
consiste na queda do glide quando é precedido por uma vogal.
 GLIDES – VOGAL ÁTONA DOS DITONGOS DESCRESCENTES (ei – ou)

 Esse processo é frequentemente encontrado na escrita da criança em fase de


aquisição da língua escrita como disposto nos dados de 3 a 7.
 3 “INTERAS” para “inteiras”;

 4 “TRANSFORMO” para “transformou”;

 5 “DORADO” para “dourado”;

 6 “ROBADA” para “roubada”;

 7 “PRIMERO” para “primeiro”.


Ditongação
 ocorre a epêntese do glide próximo a uma vogal, tornando uma vogal simples
em ditongo.

 8. “MEIS” para “mês”.


Assimilação de Vogal por outra Vogal.
 Um tipo muito comum de assimilação observada nas
línguas naturais é aquela em que uma vogal assimila
traços de outra vogal, em particular quando uma vogal
média torna-se alta quando está próxima a uma vogal
alta.
 Nesses casos, temos um caso particular de assimilação denominado harmonia
vocálica, podemos observar nos dados de 12 a 14

 12 “PIDIU” para “pediu”;

 13 “PIQUINININHO” para “pequenininho”;

 14 “ISQUILO” para “esquilo”.


Resumindo

Regras diretas Irregularidades


– contextuais – morfológico/gramaticais Desenho/grafia das letras; vogais altas em final
de palavra; monotongação; ditongação;
assimilação
Ver exemplos
EXEMPLO 01
EXEMPLO 02
Juntura Vocabular ou Hipossegmentação.
 Esse processo natural comum na língua oral é comumente registrado nos
textos de criança em fase de aquisição de língua materna escrita, quando a
criança elimina o espaço em branco entre duas palavras formais, como prevê a
ortografia oficial, escrevendo a palavra como uma única, exatamente igual à
forma como ela fala.

 Os dados de 15 a 17 são exemplos de junturas vocabulares encontradas no


corpus analisado.
 15 “Uma + menina = UMENINA”
 16. “De + chocolate = DECHOCOLATE”
 17. De + repente = DERREPENTE/ DEREPENTE

 Existem estudiosos que afirmam a importância do acento prosódico


como fator de hipossegmentação.
Aspectos da ortografia do português que estão ligados ao
plano gramatical.
 Observe que, ao escrevermos, precisamos separar as
palavras por um espaço.

 Ou seja, entre as habilidades que temos que controlar,


está incluída a habilidade de, de vez em quando, não
escrever nada e deixar um espaço em branco.
 Assim, numa sentença como
 – A chuva caiu de repente.
 Observe, também que, quando falamos, dividimos esta sentença
em três partes, e não em cinco: [achuva], [caiu] e
[derepente].

 Por que dividimos esta sentença em três unidades quando


falamos, mas a dividimos em cinco unidades quando a
escrevemos?
O que acontece é que falamos por unidades de
acento, mas escrevemos por unidades de sentido

Quando falamos, regulamos nossa fala


pelo acento, isto é, falamos por palavras
fonológicas (ou unidades de acento).
Mas, quando escrevemos, nós o
fazemos por palavras morfológicas (ou
unidades de sentido).
Divisão de Palavras ou Hipersegmentação – motivação
gramatical.
 18 Avô = A VÔ”;
 19 “Trabalhava = TRA BALHAVA”;
 20 “Naquela = NA QUELA”
Clíticos
 Em português, como em outras línguas, algumas palavras não têm acento
próprio (e, por isso, não têm independência sintática). Essas palavras são
conhecidas pelo nome de clíticos.

 Um clítico é, pois, uma palavra sem autonomia fonológica e sintática.


Clíticos
 os artigos, que são clíticos, são pronunciados juntamente com o elemento
acentuado que os suceda (geralmente um substantivo);
 os pronomes átonos, que também são clíticos, são pronunciados como se
estivessem grudados no verbo;
 as preposições, que também são clíticos, são pronunciadas como se
estivessem grudadas ao elemento acentuado que as sucede, e assim por
diante.
 Os professores já devem ter observado que muitos alunos escrevem coisas
como ogato, mileva e derepente.

 Agora sabemos o motivo: estão escrevendo em termos de unidades


de acento, que é o que ocorre na fala, e não em termos de unidades de
sentido.
Princípio Acrofônico.
 Esse é um processo em que a criança, quando vai escrever, associa a letra com
o nome dessa letra, o que provoca a eliminação de um segmento na palavra.

 As letras possuem um nome e este traz consigo o som que elas representam
no sistema da escrita.
 19 “CONHECR” para “Conhecer”;
 20 “STICAR” para “Esticar”;
 21 “CHICLET” para “Chiclete”.

 “H” X “G”
Inserção de Consoante (Epêntese).
 Podemos observar que houve uma espécie de inserção de consoante, uma vez
que foi adicionada à forma base da palavra uma consoante, resultando palavras
que não são registradas no dicionário padrão da língua, como se fosse uma
espécie de neologismo.
 22. “BARCOM” para “barco”;
 23 “CONVINTE” para “convite”;
 24 “CAMAR” para “cama”.
Permutação (Metátese).
 Ocorrência de troca se segmentos em uma mesma palavra
também, acenam para essa tendência de a criança produzir
formas divergentes que seguem as regras organizacionais do
sistema fonológico, como dados abaixo:
 25. “DEIPOS” para “depois”;
 26 “FRABICA” para “fábrica”;
 27 “CRINAÇA” para “criança”.
Eliminação de Consoante
 É o processo em que há a eliminação de uma consoante da
forma básica da palavra, cuja ocorrência na escrita, à semelhança
dos processos anteriores não violam a regras de
funcionamento do sistema.
 30. “AFORESTA” para “A floresta”;

 O aluno força a forma canônica da Língua C V


Overextension ou Hipercorreção
 A overextension é uma tendência de se generalizar uma regra para todos os
contextos. Assim, as ocorrências apresentadas abaixo podem ser entendidas
como casos de overextension de regras de escritas.
Em a), temos uma generalização da aplicação da regra de escrita que dá conta
de que os de sons de [u] devem ser grafados com a letra l ;

em b),sons de [u] devem ser grafados com a letra o;

em c), sons de [i] devem ser grafados com a letra e;

em d), deve-se usar ditongo em palavras como peixe, caixa e ouro.


Resumindo 2 -
 Hipossegmentação e Hipersegmentação;
 Princípio Acrofônico;
 Inserção de consoante;
 Permutação;
 Eliminação de consoante;
 Hipercorreção;

 Ver exemplos
EXEMPLO 03
EXEMPLO 04
EXEMPLO 05
EXEMPLO 06

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