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FACULDADES INTEGRADAS “ESPÍRITA”

CURSO LIVRE DE PARAPSICOLOGIA

Célia Ribeiro Alves

Reginaldo de Castro Hiraoka

APLICAÇÃO DO MODELO CURITIBANO DE ORIENTAÇÃO EM


PARAPSICOLOGIA:

UM ESTUDO DE CASO SUGESTIVO DE EXPERIÊNCIA FORA DO CORPO

CURITIBA

2013
Célia Ribeiro Alves

Reginaldo de Castro Hiraoka

APLICAÇÃO DO MODELO CURITIBANO DE ORIENTAÇÃO EM


PARAPSICOLOGIA:

UM ESTUDO DE CASO SUGESTIVO DE EXPERIÊNCIA FORA DO CORPO

Artigo apresentado à iniciação cientifica


do CONFIES do Curso Livre de
Parapsicologia, das Faculdades
Integradas “Espírita”.

Orientador: Reginaldo de Castro Hiraoka

CURITIBA

2013
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................04
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..........................................................................05
2.1 PARAPSICOLOGIA............................................................................................05
2.1.1 PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL..............................................................06
2.1.2 PSICOCINESIA..............................................................................................06
2.1.3 HIPÓTESE DA SOBREVIVÊNCIA..................................................................06
2.1.3.1 Experiência Fora do Corpo..........................................................................06
2.1.4 Trabalho de Orientação em Parapsicologia....................................................07
2.1.4.1 O Modelo Curitibano de Orientação em Parapsicologia..............................08
2. 2 PSICOLOGIA TRANSPESSOAL....................................................................08
2.2.1. EXPERIÊNCIA TRANSPESSOAL...................................................................08
2.2.1.1 Experiências Espíritas e Mediúnicas..............................................................09
2.2.1.2 Experiências Filogenéticas.............................................................................09
2.3 DOUTRINA ESPÍRITA ou ESPIRITÍSMO............................................................09
3. METODOLOGIA UTILIZADA................................................................................10
4. ANÁLISE DO CASO..............................................................................................10
4.1 FATOR DE PREDISPOSIÇÃO.............................................................................11
4.2 FATOR DESENCADEANTE................................................................................11
4.3 ESTADO DE CONSCIÊNCIA...............................................................................11
4.4 INFORMAÇÃO/AÇÃO PSI...................................................................................12
4.5 COGNIÇÃO..........................................................................................................13
4.6 REAÇÃO..............................................................................................................14
4.7 INTERVENÇÃO...................................................................................................14
5. DISCUSSÃO DO RESULTADO ...........................................................................15
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................16
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................16
ANEXOS....................................................................................................................18
ANEXO A - FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DO CLIENTE............................................18
ANEXO B - CONSENTIMENTO PARA PESQUISA..................................................19
ANEXO C - CONSENTIMENTO PARA GRAVAÇÃO................................................20

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Estudo de Caso Sugestivo de Experiência Fora do Corpo

Célia Ribeiro Alves1

Prof. Reginaldo de Castro Hiraoka2

Resumo

O artigo pretende analisar através do Modelo Curitibano de Ajuda em Parapsicologia um caso de


Experiência Fora do Corpo (EFC) relatado por T. M. C. A. . Para este estudo de caso clínico foi
utilizado uma seqüência de etapas: Coleta de dados, contendo o histórico de vida da participante,
através de questionário fechado e entrevista semi-estruturada. A análise, avaliação e intervenção
foram norteadas pelo Modelo Curitibano de Orientação em Parapsicologia (MCOP). Ao final T. M. C.
A. relatou sua reação positiva à experiência fora do corpo, pois a apartir da EFC resolveu estudar
mais sobre o assunto e buscar entendimento dentro da Doutrina Espírita onde já estava inserida.
Como o experiência ocorreu em 1964, portanto há 49 anos não houve questionamentos ou reações
desagregadoras e a intervenção com alguns esclarecimentos e orientações através do MCOP
ocorreu de maneira satisfatória, no entanto o foco maior ficou entorno dos fatores de predisposição e
desencadeante. Com o passo a passo que o MCOP nos proporciona fica fácil a visualização do caso
e todos os fatores envolvidos no mesmo assim o agente psi compreende a experiência e suas
reações agregando as informações de forma positiva.

Palavras-chave: Parapsicologia, Experiência Fora do Corpo (EFC), Modelo


Curitibano de Ajuda em Parapsicologia(MCAP), Doutrina Espírita.

1. INTRODUÇÃO

Em uma sociedade que é dependente de tecnologia e que a cada novo


aparelho eletrônico lançado é capaz de ficar horas em filas para adquiri-lo a preços
extremamente altos, parece não haver espaço para fenomênos psi, entende-se psi
(que é a vigésima terceira 23º letra do alfabeto grego ψ (psi) ) como um termo da
Parapsicologia para referir-se aos fenômenos por ela estudados, este fenômenos
podem ser de experiência Extra Sensorial (ESP), Telepatia, Clarividência,
Precognição, entre outros, Psicocinesia (PK), e Hipótese da Sobrevivência tais
como Experiência Fora do Corpo, foco do nosso estudo, Lembrança de Vidas
Passadas, Experiência de Quase Morte e Mediunismo entre outros. Estes
fenômenos podem desafiar nossa visão de mundo bem como desencadear reações
diversas, que tanto pode ser de forma agregadora e de certa naturalidade como

1
Aluna do 4º Período do Curso Livre de Parapsicologia das Faculdades Integradas Espírita (FIES)
2
Parapsicólogo Especialista em Educação em Valores Humanos pelas FIES; Filósofo e Pós-
graduando em Antropologia Cultural pela PUC-PR. Professor de Parapsicologia e Coordenador da
Pós-graduação em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia e do Instituto Nacional de
Pesquisas Psicobiofísicas – Inpp.
experiências psi de forma disruptiva que desagregam a pessoa e a levam buscar um
Parapsicólogo.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 PARAPSICOLOGIA

A Parapsicologia é uma ciência que estuda os fenômenos Psi ou seja;


interações sensoriais e motoras que aparentemente não são manipuladas por
mecanismo ou agente físico algum e suas implicações; atua na forma de pesquisas,
orientação, aconselhamento, palestras, vivências e treinamentos.
Segundo Stanley Krippner (1988) a parapsicologia é: Estudo dos relatos de
experiências humanas que envolvem a interação entre os seres humanos e entre
esses e o meio-ambiente, sem que haja auxílio dos processos sensoriais ou forças
físicas conhecidas. (KRIPPNER, 1988)

Os fenômenos ditos paranormais, por fazerem parte da natureza do homem


são tão antigos quanto o próprio homem. Começaram a ser estudados de forma
sistemática a partir do século XIX. (TINOCO, 1993)

Nos anos 30 com Joseph Banks Rhine surge o laboratório de parapsicologia


onde importantes contribuições que perduram até hoje foram apresentadas a partir
de suas investigações. (TINOCO, 1993)

Os fenômenos estudados pela parapsicologia são classificados em três


grupos: PES (Percepção Extra Sensorial), PK (Psicocinesia) e Fenômenos
Sugestivos da Sobrevivência da Consciência Após a Morte. (SILVA)

A Parapsicologia estuda fenômenos relacionados à Hipótese de


Sobrevivência sendo eles lembranças de vidas passada, experiência fora do corpo,
experiência de quase morte entre outros. Esses tipos de vivências podem constituir
fenômenos psi e a situação onde esses fenômenos acontecem são importantes para
evidenciar as pesquisas realizadas. (MACHADO, 1996)

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2.1.1 PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL

Fenômenos de Percepção Extra-Sensorial (PES) podem ser de


precognição, clarividência ou telepatia, estes são os mais frequentes. Segundo
Louisa Rhine: “Milhares de experiências classificam-se nestas três categorias, sendo
possível observar toda espécie de condições e efeitos variados.” (RHINE, 1966 p.
22)

Também classificou os fenômenos segundo suas formas. Uma das formas


que a autora classifica, é a realista – os detalhes são tantos e tão verdadeiros – que
a experiência se assemelha a uma fotografia do acontecimento. Outra forma
classificada é a não-realista que acontece por meio de fantasia e dramatização de
modo que o sentimento da informação é real no entanto os elementos são
fantasiosos. Temos também a forma alucinatória que consiste em PES que ocorrem
geralmente ao acordar o que dificulta saber se está acordado ou dormindo, no
entanto é muito diferente do sonho, parece até mesmo mais real que a realidade. E
a forma intuitiva ocorre uma emoção ligada a uma ideia ou até mesmo uma ação
involuntária, sem se saber ao certo o motivo da mesma. (RHINE, 1966)

2.1.2 PSICOCINESIA

Psicocinesia(PK) refere-se à ação ou efeito da mente sobre o a matéria, ou seja,


quando as intensões ou pensamentos de pessoas parecem afetar o ambiente físico,
sem a mediação do sistema muscular ou outra força/mecanismo físico reconhecido
(do grego psique = mente; kinese = movimento); a PK pode ocorrer de forma
intencional ou espontânea. (MACHADO, ZANGARI, 1998 apud SILVA)

2.1.3 HIPÓTESE DA SOBREVIVÊNCIA

2.1.3.1 Experiência Fora do Corpo

Definições:
Experiência Fora do Corpo – afastar-se do corpo físico a partir de um estado
alterado de consciência, quando com lucidez ao retornar é possível obter
lembranças da experiência vivenciada. Conhecida há milênios por inúmeras
culturas, a experiência fora do corpo recebe, diversas denominações. (MACHADO,
2012)
Segundo Blackmore: “Definindo a EFC como uma experiência em que
alguém tem a impressão de perceber o mundo de um ponto fora do corpo físico.”
(Blackmore, 1982 p. 24) Charles Tart, psicólogo e parapsicólogo demonstrou em
experimentos clínicos controlados a autenticidade das experiências fora do corpo
(EFC), na Universidade da Califórnia. (Tart apud Grof, 1997)
Segundo Tart:

Os parapsicólogos classificam esse tipo de experiência como experiência


fora do corpo (EFC – OBE, no acrônimo em inglês). Embora o termo seja
usado sem muito rigor, minha definição pressupõe que uma EFC tem dois
aspectos fundamentais: (1) você percebe que está situado num lugar
diferente daquele em que está o seu corpo físico e pode não vê-lo a partir
de uma perspectiva exterior; e (2) sua consciência fica muito clara durante a
experiência. Ela pode parecer tão clara, até mesmo mais perspicaz,
tornando a EFC, (...) “mais real do que a própria realidade (...). (Tart, 2012
p. 215)

A EFC (experiência fora do corpo), é a tradução do inglês OBE – Out-of-


Body Experience. Não temos como precisar desde quando é conhecida a EFC,
relatada por inúmeras culturas e com diversas nomenclaturas; pode ser chamada
como desdobramento, bilocação, arrebatamento, keshara (empregado pelos
hindus), projeciologia, sonho lúcido, viagem astral, saída do corpo e projeção astral
entre outros. (MACHADO, 2012)

Características EFC:

Sensação de saída do corpo, ver o corpo adormecido, sentir-se lucido,


sensação de conseguir “voar”, sensação de liberdade, balonamento (sensação de
expansão física, corpo expandindo como um balão), sensação de choques elétricos,
formigamento, sons intracranianos. (GROF; TART, 2012)
Na literatura é recorrente a pessoa estar debilitada fisicamente no momento
da experiência fora do corpo. (HASTINGS, 1983) Muitos relatos são feitos anos ou
décadas depois do evento, o que torna difícil precisar que a descrição não tenha
sofrido alterações. (BLACKMORE, 1982).

2.1.4 Trabalho de Orientação em Parapsicologia

A Parapsicologia se ocupa de maneira geral em direcionar estudos que


sirvam de prova da existência dos fenômenos psi e em outra vertente ao processo
das experiências, além do desenvolvimento de procedimentos mais eficazes,
pesquisa de campo, levantamento de dados através de estudos de caso entre
outros. (Pallú 1996)

No entanto o Parapsicólogo apartir dos seus conhecimentos, pesquisas e


estudos constantes pode oferecer à sociedade orientação quando os mesmos

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vivenciam possíveis experiências psi; esclarecendo, direcionando e até mesmo
indicando literatura
ura relacionada.

Pallú nos evidencia o início deste trabalho.

A tradição de ajuda em Parapsicologia remonta ao trabalho do laboratório de


pesquisas da Universidade Duke. Louisa Rhine (1966) apresenta a
preocupação das pessoas em relatar suas experiências apósa publicações do
trabalho de Rhine, na década de trinta do século passado. Com a publicação
da compilação do material recebido, tivemos o primeiro movimento de ajuda,
através do qual os leitores tiveram acesso a informações das características e
formas de
de manifestação das experiências psi no cotidiano das pessoas.
(PALLÚ, 2009 p.47)

2.1.4.1 O Modelo Curitibano de Orientação em Parapsicologia

Em busca de material teórico-metodológico


teórico metodológico o autor desenvolveu o presente
modelo com o propósito de servir de referencial aos futuros parapsicólogos que
pretendem atuar na ajuda em
e orientação. (Pallú, 1997).

O modelo parte do princípio que a psi é considerada uma experiência


humana possível de ser experimentada,
experimentada que chega à consciência
consciê de vigília. É
encontrada facilmente
ilmente na população de
de forma espontânea. (Pallú, 2009)
2009

Com forte influência no trabalho de Rex G. Stanford e Harvey J. Irwin o


modelo traça um caminho possível do processo de manifestação da psi. (PALLÚ,
2009)

Experiência de Psi

Fator de Fator Estado de Reação à


Predisposição Desencadeante Consciência Percepção, identificação experiência
e avaliação da informação

Diagrama do possível processo da manifestação


manifesta da psi

Fator de predisposição; fator desencadeante; estado de consciência;


experiência de psi; percepção, identificação e avaliação da informação; e reação à
experiência.

2. 2 PSICOLOGIA TRANSPESSOAL

2.2.1. EXPERIÊNCIA TRANSPESSOAL

Definição:
Para Grof a experiência Transpessoal envolve uma expansão ou extensão
da consciência além das limitações usuais do ego e das limitações de tempo e
espaço. (Grof, 1978)

2.2.1.1 Experiências Espíritas e Mediúnicas


Experiências muito próximas aos fenômenos que ocorrem nas sessões
espíritas. O sujeito pode exibir sinais de um transe mediúnico, com a expressão
facial modificada, fisionomia e gestos diferente do habitual, tal qual a voz que fica
modificada. Ele pode falar em outro idioma, escrever textos automaticamente etc.
Uma outra experiência desta categoria é aquela do encontro com corpos
astrais ou entidades espirituais de pessoas falecidas, ou então de uma comunicação
extra-sentorial com elas.

2.2.1.2 Experiências Filogenéticas


Identificação vegetal
Mesmo não sendo muito frequente as experiências transpessoais com
vegetais são relatadas. Os relatos são de experenciar conscientemente os
processos vitais básicos das plantas, tais como a germinação das sementes, o
crescimento vegetal etc, os sujeitos relatam o sentimento de autenticidade e ao
mesmo tempo uma grande dificuldade de explicar o que de fato ocorreu. A
dificuldade de explicar e ser entendido dificulta na disposição do sujeito para relatar
essa qualidade de experiência. (GROF, 1997)
Experiências transpessoais envolvendo plantas são mais frequentes nos
estados alterados de consciência, o indivíduo tem a sensação clara de identificação
com a planta. Os relatos de experiênciar sentir-se uma árvore, perceber todo seu
processo fisiológico e bioquímico desta planta. A consciência vegetal é um
fenômeno transpessoal que leva a uma compreensão profunda associada a insights
filosóficos e espirituais fascinantes. (Grof, 1997)

2.3 Doutrina Espírita ou Espiritismo


Em 1887, Léon Hippolyte Denizard Rivail sob o pseudônimo de Allan
Kardec publica o seu ‘Livro dos Espíritos’ que passou a ser uma espécie de bíblia da
doutrina. (FARIA, 1981)

Rivail, pedagogo francês, não aceitou os fenômenos das mesas girantes


comuns na época, mas estudou-os atentamente, observou e acreditando que uma
força inteligente as movia, investigou a natureza dessa força, que acreditava ser os
“Espíritos dos homens” que haviam morrido. Após centenas de perguntas aos
“Espíritos”, analisou as respostas, comparou-as e codificou-as. Assim nasceu O

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Livro dos Espíritos. O professor Rivail imortalizou-se adotando o pseudônimo de
Allan Kardec. (FEB, 2012)

3. METODOLOGIA UTILIZADA

Trata-se de um estudo de caso clínico, utilizando História de Vida, obtido


através de formulários e entrevista semiestruturada a partir do Modelo Curitibano de
Ajuda em Parapsicologia (MCAP).

4. ANÁLISE DO CASO

DADOS PESSOAIS DO CLIENTE

T.M.C.A. é uma senhora de 74 anos viúva que reside em Curitiba, capital do


Paraná, com formação superior em Artes Plásticas e Ciências Contábeis, praticante
da Doutrina Espírita desde a infância hoje dirige seu próprio Centro Espírita desde o
falecimento do seu marido há sete anos.

Relatou que na sua infância vivenciou diversos fenômenos transpessoais o


mais frequente foi a sensação de se sentir parte de plantas. Familiarizou-se com o
Espiritismo desde muito jovem, ouvia relatos sobre fenômenos ocorridos na chácara
de sua avó, e por volta dos seus 10 ou 11 anos ganhou de seu avó paterno a
coleção dos livros de Allan Kardec.

Histórico do caso:

Em 1964, um mês após o nascimento de sua filha, às 17h T. M. C. A.


começou sofrer de hemorragia com o agravamento da mesma passou a sentir seu
corpo gelado e o endurecimento das mãos e boca. Relatou sentir sair do corpo e
ficar acima dele flutuando e nesse momento percebeu que tinham crianças ao lado
da cama, espíritos e uma senhora. Recebeu instruções para que não tivesse medo,
pois estava sendo cuidada e também que teria uma missão à cumprir na Terra. Teve
contato com parentes já falecidos que ficou bem gravado em sua mente. No
momento do retorno para o corpo, percebeu que a Senhora que falou com ela no
início voltou e colocou as mãos em acima dela, saiam faíscas, como raios (‘rainhos’)
e começou a sentir choquinhos no corpo inteiro e assim baixar outra vez para o
corpo, conta que essa foi a sensação mais difícil, entrar no corpo que estava gelado
e duro, foi uma sensação desagradável, relatou.
4.1 FATOR DE PREDISPOSIÇÃO

A psi como uma habilidade inerente ao ser humano ocorre por uma
necessidade, e é ativada a partir de situação interna favorável e por praticidade e
economia de sua manifestação. (PALLÚ, 2009)

Dentro do relato de T. M. C. A. foi possível observar que as condições


internas se mostraram favoravéis devido a ligação da família com a Doutrina
Espírita, fenômenos transpessoais na infância, além da familiariadade com
fenômenos psi relatados de maneira natural pela avó, e acentuado pelo o acesso à
literatura de Allan Kardec (espírita), desde os 10/11 anos de idade.

Relato: ... quando criança... (...) eu senti entrar dentro de árvore; e senti bichinho
andando assim como se eu ficasse escutando aquilo (cleq, cleq, cleq) aqueles
barulhinhos e depois eu voltava, na grama tmb de casa, isso várias vezes.(...) e eu
fiquei deitada e derrepende eu me senti na raiz, era bastantante raiz, eu via que era
uma raiz cumprida…

4.2 FATOR DESENCADEANTE:

É a condição ativadora do processo, determinante da manifestação psi, que


em geral está relacionado à suprir necessidades humanas, motivação, convicção e
expectativa quanto ao uso e ocorrência da psi. Muito ligado às emoções do
indivíduo, sentimento de segurança ou obtenção de informação.

No momento que ocorreu experiência fora do corpo relatada por T. M. C. A.


passava por um processo de hemorragia aguda, nesse caso a necessidade estava
ligada à integridade física em risco possívelmente disparando uma resposta
emergencial, desencadeando a EFC.

Relato: ‘Eu vou relatar algo que aconteceu comigo em 1964 quando tive minha
terceira filha, com 1 mês de nascida me deu hemorragia (...). Essa hemorragia foi se
acentuando cada vez mais... (...) ... senti que eu estava gelando e endureceu as
mãos(...). Eu senti sair do corpo e ficar por cima dele flutuando (...).’

4.3 ESTADO DE CONSCIÊNCIA:

A verificação do estado de consciência é fator importante pois a psi se


manifesta mais facilmente em estados de consciência específicos. (PALLÚ, 2009)

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Através da alteração ou modificação de estado de consciência o mesmo
pode ser ampliado favorecendo a percepção dos diferentes níveis de realidade.
Estado de consciência é uma alteração qualitativa no padrão comum de atividade da
mente em que o experienciador constata que sua consciência está radicalmente
diferente do seu funcionamento. (SALDANHA, 1997)

Devido à forte hemorragia que sofria T. M. C. A. provavelmente no momento


da EFC se encontrava em estado de letargia ou até mesmo de consciência
expandida, o que facilita a percepção de níveis diversos de realidade.

No trabalho de ajuda, ao pontuarmos a vinculação da experiência a


determinados estados de consciência, tem-se a função de mostrar ao indivíduo
que as manifestações apresentam um contexto de ocorrência e, assim, ele
pode vigiar e controlar as manifestações dos estados de consciência. Isso o
ajudará a compreender que a manifestação de psi relaciona-se a estados de
desatenção. (PALLÚ, 2009 p. 49)

4.4 INFORMAÇÃO/AÇÃO PSI:

Cada fenômeno possui características que os definem e os diferenciam. Ao


identificarmos o tipo de fenômeno experienciado poderemos denominá-lo facilitando
a avaliação e orientação, ajudando a pessoa a conhecer a maneira que a
experiência se apresenta. Assim identificando o sinal psi e diferenciando-o das
percepções sensoriais e da fantasia. (PALLÚ, 2009)
A experiência fora do corpo se evidencia por características peculiares que
facilitam sua identificação, no caso de T. M. C. A. ela mesma intitulou a experiência
pois se viu fora do corpo, o que no primeiro momento acreditou que estava
morrendo mas durante a experiência relatou que ouviu de entes queridos já
falecidos que não se preocupasse que ficaria bem.

Relato: É que eu olhei e vi que eu tava deitada na cama né! Eu sabia que eu tava ali.
Eu entendi que eu tava morrendo, naquela hora, que eu tava me desprendendo do
corpo e morrendo, mas ‘eles’ (familiares falecidos) estavam me assegurando que eu
não estava morrendo que tudo ia ficar bem e eu ia voltar.

Alguns casos relatados de EFCs, o sujeito é orientado por seres dóceis


sobre assuntos mediúnicos etc. O que em alguns casos a pessoa tende a interpretar
como uma oportunidade de mudar algo em sua vida, aliviar suas angustias ou definir
um propósito através de uma lição recebida. (Blackmore, 1982)
4.5 COGNIÇÃO (PERCEPÇÃO, IDENTICAÇÃO E AVALIAÇÃO DA
INFORMAÇÃO)

Percebemos que o indivíduo em determinado momento percebe a psi


conscientemente e processa esta informação de maneira muito próxima das
informações sensoriais e ou imaginadas, a informação adquirida através de psi se
transformará em um representação interna, estruturada e identificável. (PALLÚ,
2009)
A partir de valores e crenças do indivíduo a informação é avaliada pelo
organismo e apresenta uma resposta através do comportamento.
As experiências psi pode ser acessada por canais diversos dos habituais e
com isso despertar no indivíduo uma resposta com alto grau emocional e/ou
confusão cognitiva. Pois no contexto social a experiência pode ser associada a
loucura, de imaginação, ou até mesmo de um dom divino ou de mediação de
entidades espirituais, que em alguns meios podem ser encarados de maneira
negativa.

Desse modo, a forma – como a informação – chega à consciência, pode


pertubar. Isso ocorre com pessoas que não encontram referencial de
possibilidade para experiência de psi. Outras vezes, o resultado da avaliação
promove reações comportamentais de modo disruptivo, quando a forma de
obter informações se assemelha aos processos patológicos, principalmente na
forma alucinatória. A reação ao conteúdo, por outro lado, pode estar vinvulada
a processos comportamentais ainda não resolvidos pelo indivíduo; e assim
pode evocar desequilíbrio de natureza emocional. (PALLÚ, 2009 p. 49)

Relato: Porque eu não sentia medo né porque eu achava bonito. (hehehe) ficava
olhando…(isso durante a infância sobre os fenômenos transpessoais)

(durante a experiência fora do corpo) Eu entendi assim, que como ele falou que não
era para mim ir (morrer), que eu tinha uma missão eu fiquei pensando. Porque
espírita eu já era... (desde criança teve acesso à literatura espírita e os famíliares
frequentavam a Federação Espírita)

Eu não sei que tipo de fenômeno que acontecia sabe, que eu nunca tive explicação.
(isso durante a infância sobre os fenômenos transpessoais)

Era natural também! (isso durante a infância sobre os fenômenos transpessoais)

Dentro do relato de T. M. C. A. é notório a maneira tranquila em que


processa e avalia as experiências vividas, no entanto existe uma base de
entendimento onde o acesso a informações mediadas por psi é bastante aceito
debatido em seu meio socio/familiar gerando uma relação de naturalidade com os
fenômenos.

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4.6 REAÇÃO:

A reação pode se dar pela forma ou pelo conteúdo obtido ao experimentar a


psi, o primeiro é reação à forma, ou seja, reação à maneira em que se obtém a
informação, é uma reação ao fenômeno em si. O segundo é reação ao conteúdo,
que é a forma como a pessoa reage à informação que obteve através do fenômeno.
(PALLÚ, 2009)

No caso de T. M. C. A. a reação imediata ao voltar da experiência foi de


agitação. Conforme relato do momento em que retornou da experiência de EFC: -
Porque eu vi, porque eu falei, porque aconteceu... tava tudo fresco. O médico disse
que eu tava alucinando por causa da hemorragia, depois ele disse: - Deixe os
mortos com os mortos; trate dos vivos aqui que é melhor.

- Ele não acreditava. Essa foi a experiência que eu tive e fiquei boa mesmo.

Depois que obteve melhora da saúde, T. M. C. A. relatou sua reação à EFC:

Eu tinha 24 anos quando aconteceu isso (EFC), eu me dediquei mais, (...) a


ler livros espíritas, foi isso que eu fiz, pq eu não podia ainda frequentar … (...) Então
me dediquei mais a ler.

R- Que livros você leu?

T- Sem ser as obras de Allan Kardec, eu li as obras do Chico Xavier,


psicografado. “Dois Mil Anos”, “50 anos Depois”, comecei com esses, ‘Paulo e
Estevan’ eu li vários (...) depois eu comeci comprar livros do Divaldo (Divaldo
Franco) para mediunidade e desenvolver também. Comecei ler bastante.

R- Começou com a leitura.

T- (...) Se eu tinha algo para fazer, o negócio é ler e ficar por dentro do espiritismo,
(...) se eu ia ter que lidar com o que eu não sabia(espiritismo), eu que eu ia ter que
fazer. Mais tarde eu comecei a frequentar o centro ligado a Federação (Federação
Espírita).

4.7 INTERVENÇÃO:

Para uma intervenção satisfatória o parapsicólogo deverá descobrir o que o


cliente quer do trabalho de ajuda. (PALLÚ, 2009)
Devido a experiência ter ocorrido em 1964, portanto há 49 anos não houve
reações desagregadoras para ser trabalhado no momento do relato, no entanto
alguns esclarecimentos e orientações através do MCOP aconteceram de forma
satisfatória, o foco maior ficou entorno dos fatores de predisosição e desencadeate
nesse caso.

5. DISCUSSÃO DO RESULTADO

O trabalho com estudo de caso é uma ótima oportunidade para verificação


estruturada a partir do Modelo Curitibano de Ajuda em Parapsicologia (MCAP) dos
relatos de experiências sugestivas de psi, onde o foco do parapsicólogo é
considerar, o indivíduo e seu relato.
Através do MCAP é possível se utilizar de vários elementos para a
verificação da experiência e a forma que o cliente se relaciona com a mesma.
Perceba que no MCAP o enfoque não é a confirmação da experiência e sim como o
indivíduo percebe, articula, a forma ou o conteúdo da experiência, e reage a mesma
levando em consideração sua visão de mundo, crenças além de suas necessidades
para o desecadeamento da psi.
No caso estudado de T. M. C. A. ficou evidente que o Fator de
Predisposição deve ser bastante considerado pois o fator genético, social é presente
diversas vezes ao longo do relato.
Outro fator que chama a atenção é o Fator Desencadeante, pois devido à
uma forte hemorragia a entrevistada relatou a EFC.
O Estado de Consciência pode ser identificado como letargia ou consciência
expandida pois são estados de consciência condizentes com a debilitação física
relatada.
A experiência psi relatada foi a EFC, com vários elementos característicos
tais como, ver o próprio corpo se percebendo fora dele, sentir-se lucido, sensação
de choques elétricos, orientação recebida por seres dóceis sobre assuntos
mediúnicos etc.
A reação da entrevistada foi no primeiro momento de agitação a
necessidade de relatar para as pessoas a sua volta o que lhe aconteceu, no entando
devido ao seu estado de saúde delicado a experiência foi até desacreditada pelas
pessoas a sua volta, mesmo tendo uma abertura para assuntos dessa natureza em
seu meio social. Porém na sequência após sua melhora física a reação a
experiência se deu de forma positiva pois T.M.C.A resolveu estudar os temas que
acretidou ser relevantes para o prósito que se viu ‘chamada’ a atender.

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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com esse estudo foi possível notar a importância de ouvir e perceber


atentamente o indivíduo e seu relato onde o MCAP se faz um instrumento facilitador
no trabalho do parapsicólogo que pode compreender a dinâmica da experiência psi
relatada pelo cliente e elaborar a melhor forma de ajudar, a partir de suas
necessidades.

O trabalho de ajuda em parapsicologia tem o diferencial de não julgamento


da veracidade da experiência psi e sim o foco no indivíduo e seus anceios para que
ele entenda a dinâmica da psi e integre a experiência à sua vida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MACHADO, Cesar de Souza. Experiências Fora do Corpo: Fundamentos. Cesar


de Souza Machado. Brasília: 2012.

GROF, Satanislau, A aventura da autodescoberta; tradução Sônia Augusto – São


Paulo: Summus, 1997.

TART, Charles, O fim do materialismo: como as evidências cientificas dos


fenômenos paranormais estão unindo ciência e espiritualidade. – São Paulo:
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2000.

17
ANEXOS

ANEXO ‘A’ – FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DO CLIENTE


ANEXO ‘B’ - CONSENTIMENTO PARA PESQUISA

19
ANEXO ‘C’ - CONSENTIMENTO PARA GRAVAÇÃO E FILMAGEM

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