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Capítulo 7

Catequese e compromisso
sociocaritativo
A função eclesial da “diaconia” ou do serviço-caridade compreende
uma vasta gama de expressões do amor cristão ao próximo:
solidariedade, auxílio, assistência, educação, promoção humana,
voluntariado, compromisso social e político etc. Também a esse
respeito surge a questão da relação com à evangelização e à
catequese. Em que sentido e até que ponto se integram
evangelização, catequese e diaconia? Pode-se falar de uma dimensão
diaconal da catequese?

1. EVANGELIZAÇÃO, CATEQUESE E DIACONIA: ASPECTOS DO PROBLEMA

Muitas vezes lamenta-se, na práxis pastoral, a falta de coordenação entre setores


operativos que parecem caminhar de forma independente: pastoral litúrgica, catequese, ação
caritativa e social, militância política etc. Em especial, e no que se refere à catequese,
apontamos algumas maneiras de resolver o problema.

1.1 Separação entre catequese e compromisso sociocaritativo

Às vezes se acentua de tal forma a especificidade da função catequética como anúncio


da palavra e experiência de fé que se exclui uma ligação orgânica entre catequese e diaconia.
São várias as formas concretas dessa atitude na catequese: insensibilidade aos problemas
sociais e políticos; marginalização da doutrina social da Igreja; desinteresse pelos pobres e
excluídos; esquecimento da dimensão social da fé; fechamentos espiritualistas etc.1
Também são vários os motivos apresentados para justificar essas posições: o
primado da evangelização na Igreja; o caráter “espiritual” e “religioso” da catequese; o
perigo de confusão entre educação da fé e compromisso sociopolítico etc. Muitas vezes
resulta daí um sentimento de desconfiança generalizado em relação a toda forma de
compromisso que implique o risco de desviar a catequese de sua identidade e missão
específicas.

1
Cf. Ásia (Cingapura, 1995) II B4; México GP, n. 85; M. Toso, Dottrina sociale oggi: evangelizzazione, catechesi e
pastorale nel più recente Magistero sociale della Chiesa. Turim, SEI, 1996.
239
1.2 Identificação da catequese com o compromisso sociopolítico

Outros, ao contrário, destacam a dimensão “horizontal” da experiência cristã e a


urgência do testemunho das obras. Preocupados sobretudo em superar a ineficácia das
palavras e a crise de credibilidade da palavra eclesial, insistem na tarefa promocional e
solidária como chave da evangelização e da catequese. Entre as razões que se costumam
apontar encontramos: a dimensão libertadora da fé; o conceito de salvação como
transformação da sociedade; o Evangelho como mensagem promocional e como
compromisso histórico etc. Nessa perspectiva, reduz-se a catequese à ação, e a fé às suas
consequências temporais, caindo-se no horizontalismo e na perda de identidade.

1.3 Relação estreita entre catequese e diaconia eclesial, manifesta em sua distinção

Mais convincente é a rica gama de posições que reconhece o laço existente entre
diaconia e função evangelizadora na Igreja, mas sem reducionismos ou polarizações
unilaterais. Como se verá a seguir, são posições que apreendem a urgência de um tema que
envolve a credibilidade da Igreja e a eficácia do anúncio evangélico. A dialética se concentra
na tensão entre “horizontalistas” e “verticalistas”, entre defensores do “compromisso” e
defensores da “espiritualidade”. E a discussão envolve também os agentes e responsáveis
pela catequese.
Para uma elucidação do problema, parece-nos necessário responder a duas questões
fundamentais:
 a existência e o alcance da função diaconal na Igreja. Se existe tal missão de serviço
ou diaconia, a catequese tem todo o interesse nela, dada a sua tarefa de iniciação e
de educação para as diversas formas de vida e de ações eclesiais;
 a relação entre educação da fé e testemunho da caridade: o grau dessa
relação determina necessariamente a identidade e a tarefa da catequese, enquanto
mediação eclesial para o amadurecimento da fé.

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2. NOVAS PERSPECTIVAS DO SERVIÇO E DA CARIDADE NA IGREJA
(o aspecto renovado do sinal da diaconia)

Um primeiro ponto a precisar é o significado e os conteúdos que hoje assume a


“diaconia” como função eclesial, no contexto da práxis pastoral da Igreja. Lembraremos alguns de
seus aspectos significativos, evocando o passado e a situação atual da consciência eclesial.

2.1 Um olhar para o passado: o exercício da caridade na tradição da Igreja

Se o exercício da caridade é constante na experiência cristã, dada a centralidade evangélica do


preceito do amor, são bem diversas as formas concretas que ele assumiu ao longo da história, de
acordo com os condicionamentos culturais e históricos de cada época. Nesse sentido, encontramos
expressões e ênfases diferentes no exercício da “diaconia” na história da Igreja:2
 na Igreja apostólica: partilha dos bens, caridade organizada para com os pobres, ajuda
fraterna, solidariedade entre as Igrejas;
 na época patrística: exercício da caridade individual e da esmola; trinômio ascético: jejum,
oração, esmola;
 na Idade Média e época moderna: exercício da beneficência, da assistência, “obras de
misericórdia”, instituições de ajuda aos pobres, aos doentes, aos presidiários etc.;
 na época moderna e contemporânea: instituições e obras de educação, de promoção, de
alfabetização, de cooperação etc.
Essas breves indicações encerram o testemunho complexo e riquíssimo da caridade eclesial no
curso da história. Cumpre, porém, assinalar como determinados traços característicos dessa
atividade são hoje repensados e submetidos a uma revisão.3

2
Cf. S. Burgalassi, “La carità nei secoli”, in: Pont. Opera di Assistenza (ed.), Teologia e storia della carità. Roma,
Caritas, 1965, p. 293-328; M. Farina, Chiesa di poveri e Chiesa dei poveri. Roma, LAS, 1988.
3
Cf. a respeito G. Pasini, “Carità”, in: V. Bo et al. (eds.), Dizionario di pastorale della comunità cristiana. Assis,
Cittadella, 1980, p. 109-20.
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Por exemplo:
– o caráter predominantemente individualista, assistencial e estático do exercício da caridade
eclesial. Responde-se às necessidades reais das pessoas, sem pensar nas causas estruturais e
sociais das situações de indigência. As obras caritativas e assistenciais nem sempre atuam no
sentido da transformação da sociedade e nem sempre têm um efeito libertador sobre as
pessoas.
– a funcionalização (e quase instrumentalização) de algumas formas de serviço e de
promoção tendo em vista o anúncio e a vida sacramental-litúrgica.
– o exercício – talvez legítimo em sua época – de suplência em relação à sociedade civil.
– a política – por vezes necessária – de oposição e de fechamento diante das instituições
civis.

2.2 A nova consciência eclesial do significado da diaconia

Alguns fatores decisivos das últimas décadas levam a uma nova concepção da tarefa da
caridade eclesial:
 As profundas transformações da sociedade e novos condicionamentos culturais
(globalização, consciência social e política, autonomia do temporal, afirmação dos direitos
humanos, movimentos vários de libertação etc.) obrigam a uma profunda reavaliação
da tarefa do serviço ao mundo e do testemunho da caridade.
 Novos instrumentos de análise e de interpretação permitem hoje uma visão mais objetiva e
aprofundada das situações e dos problemas ligados à pobreza e à justiça.
 O desenvolvimento da doutrina social da Igreja ampliou enormemente o horizonte da
atuação cristã e criou uma nova sensibilidade para as novas dimensões da tarefa da
diaconia.
 A reflexão teológica aprofundou alguns temas de grande importância para a compreensão
da diaconia eclesial:
– a unidade entre ordem da criação e ordem da redenção, entre história humana e história
da salvação;
– a nova concepção da salvação, em sentido integral, superando as resistências
espiritualistas e meta-históricas da visão tradicional;4
– a superação dos tradicionais dualismos entre ordem “espiritual” e ordem “temporal”,
entre sagrado e profano, entre Igreja e mundo;5

4
Luís Gallo, Uma igreja a serviço dos homens: contribuições para uma compreensão atual da Igreja. São Paulo,
Salesiana, 1984.
5
Uma concepção inadequada da natureza “espiritual” ou “religiosa” (GS n. 42) da missão da Igreja muitas vezes
levou a formas de evasão alienante, a concessões duvidosas ao “temporal” e à dissociação prática entre fé e vida.
Se tem sentido afirmar – como faz o Concílio – que a missão da Igreja “não é de ordem política, econômica e social”,
mas “de ordem religiosa” (GS n. 42), também é verdade que a Igreja não aceita “circunscrever a própria missão
exclusivamente ao campo religioso, desinteressando-se dos problemas temporais do homem” (EN n. 34).
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– a superação do dualismo discriminador entre hierarquia e laicato, com a identificação, na
prática, da Igreja com a primeira, relegando para o segundo as tarefas terrenas ou temporais,
consideradas de importância secundária.

Todos esses fatores contribuíram para re-situar o sinal da caridade e do


empenho no próprio coração da missão da Igreja, não mais à margem ou como
realidade derivada da atitude de fé. E ampliaram consideravelmente o âmbito de
atuação, superando seus limites individuais e assistenciais e abrindo-se ao horizonte
da promoção integral do ser humano e da transformação da sociedade, nos diversos
níveis familiar, social, cultural, político, internacional etc.

Podemos resumir o resultado dessa reavaliação em alguns pontos e características mais


significativas, em geral, partilhadas nos dias de hoje:
 A promoção integral da pessoa e a transformação da sociedade fazem parte, de forma
essencial, da missão da Igreja, que é toda “diaconal”. A necessidade diz respeito não
apenas ao sinal da diaconia, mas também ao compromisso fundamental e ao objetivo final
do agir eclesial, isto é, o serviço do Reino, que tem entre suas metas a promoção integral
do ser humano e da sociedade: A Igreja, tanto no ato de dar ajuda ao mundo como no
receber muito deste, visa apenas a isto: a vinda do Reino de Deus e a salvação de toda a
humanidade (GS n. 45).
 O preceito do amor inclui também a atuação no mundo: O cristão que negligência suas
tarefas temporais, negligencia seus deveres para com o próximo, e também para com o
próprio Deus, e põe em risco sua própria salvação eterna (GS n. 45).
 A promoção integral da pessoa humana e a transformação da sociedade são parte
constitutiva da evangelização. Talvez a formulação mais decisiva desse tema se encontre,
em termos de Igreja universal, nas famosas palavras do II Sínodo dos bispos, de 1971:

243
O agir pela justiça e o participar na transformação do mundo se nos afiguram claramente como
dimensão constitutiva da pregação do Evangelho, isto é, da missão da Igreja para a redenção do
gênero humano e a libertação de todas as situações de opressão.6

Em termos muito semelhantes se exprimiam o Sínodo de 1974, em que a luta pela libertação
e pelo progresso é considerada “parte integrante” da ação evangelizadora, 7 bem como a
exortação Evangelii Nuntiandi (EN n. 31). E são bastante conhecidas, a esse respeito, as claras e
corajosas resoluções da Assembleia episcopal de Puebla:
[A libertação de Cristo fica mutilada] se esquecemos o eixo básico da evangelização
libertadora, o é como tal porque transforma o ser humano em sujeito de seu
desenvolvimento, individual e comunitário (Puebla n. 485);

(...) o melhor serviço ao irmão é a evangelização que o prepara para realizar-se como filho de
Deus, liberta-o da injustiça e o promove integralmente.8

 O mundo atual, dominado pelas divisões e pela injustiça, é um mundo dominado por
“estruturas de pecado”9 e por mecanismos “que só podemos qualificar como
perversos”.10 Essa situação de injustiça, brado de um povo que sofre e pede justiça,
é um desafio à evangelização (Puebla nn. 87; 90).
 No centro da missão salvífica da Igreja encontra-se a libertação integral das pessoas, que é
a libertação de toda a escravidão para o crescimento e a comunhão (Puebla n. 141;
482). Daí a necessidade da opção pela evangelização libertadora (Puebla n. 485-487).
 A missão evangelizadora exige hoje, como sinal de fidelidade a Cristo, a opção
preferencial pelos pobres,11 que são os primeiros destinatários da missão e possuem um
grande potencial evangelizador (Puebla n. 1.142; 1.147).

6
“A justiça no mundo”, Introdução: Enchiridion Vaticanum, vol. 4. Bolonha, Dehoniane, 1978, p. 803.
7
Cf. G. Caprile, “Il Sinodo dei Vescovi: terza assemblea generale” (27 de set.-26 de out. 1974). Roma, La Civiltà
Cattolica, 1975, p. 331.
8
Puebla n. 1145. Cf. outras expressões semelhantes nos n. 90, 476.
9
João Paulo II, Encíclica Sollicitudo Rei Socialis (30/12/1987), n. 36 e 37.
10
Ibid, n. 17.
11
Essa opção, formulada claramente em Puebla (n. 1134-1165), foi estendida explicitamente a toda a Igreja
no Sínodo extraordinário de 1985 e na encíclica Sollicitudo Rei Socialis, n. 42. Em todas as Diretrizes gerais da ação
evangelizadora da Igreja no Brasil, que se renovam de 4 em 4 anos, o episcopado brasileiro tem mantido desde 1979
esta expressão nos planos pastorais: Evangelizar [...] à luz da evangélica opção pelos pobres. Cf. CNBB, Diretrizes
gerais 2003-2006. São Paulo, Paulinas, 2003, “Objetivo geral”, p. 5.

244
2.3 A nova face da diaconia eclesial

De todas essas instâncias emergem de algum modo, o aspecto renovado da ação caritativa
da Igreja, os novos traços característicos do sinal da diaconia:12

2.3.1 Horizonte universal

A diaconia não se fecha no âmbito intraeclesial (isto é, reduzida aos membros da


Igreja), mas é serviço para o mundo, para todas as pessoas, “sem discriminações raciais, sociais
ou religiosas” (AG n. 12), especialmente aos mais pobres e necessitados (ibid.). Ela deve envolver
todos os níveis de atuação e de participação: pessoal, familiar, social, econômico, ecológico,
político, internacional. Cada um desses níveis tem seu alcance específico e compromete os
indivíduos e a comunidade de modo diverso, a ser determinado à luz do Evangelho e com as
devidas mediações culturais.

2.3.2 Estilo evangélico e inspiração cristã

A diaconia eclesial deve mostrar os traços do amor evangélico, e traduzir-se, assim, em


compartilhamento, serviço, libertação, participação e amor universal (cf. AG n. 12). Como tal,
é um amor que privilegia os mais pobres e se identifica com os mais pobres, não em sentido
paternalista (ajuda aos pobres), mas reconhecendo sua dignidade e seu protagonismo eclesial.
Importância especial adquire a atenção às pessoas com necessidades especiais e marginalizadas da
comunidade.
Nessa tarefa deve haver uma preocupação com o caráter específico da inspiração cristã.
Exclui-se, portanto, toda atividade incompatível com o espírito evangélico, que se
caracteriza, em termos concretos, mais que pela própria natureza das ações empreendidas
(que também podem ser comuns aos não cristãos), pelo horizonte de motivações e ideais em que
se inspira e pela função crítico-profética da fé no interior da práxis histórica.

12
Cf. P. Jurio, “Diaconía”, in: C. Floristan - J. J. Tamayo (eds.), Conceptos fundamentales de pastoral. Madri,
Cristiandad, 1983, p. 230-237.
245
E é importante respeitar também a autonomia do temporal e a multiplicidade das
competências, num espírito de diálogo e de sincera colaboração.

2.3.3 Corresponsabilidade comunitária

O testemunho da caridade eclesial não pode ser deixado exclusivamente à iniciativa


individual ou à boa vontade de alguns cristãos. Ele é tarefa de toda a comunidade eclesial, à qual
cabe a responsabilidade global, e não apenas apanágio de alguns membros especializados ou
“dedicados ao trabalho”. E se alguns serviços requerem pessoas particularmente generosas ou
capazes, estas devem ter todo o apoio da comunidade.

2.3.4 Qualificação pastoral plena e evangelização do sinal da diaconia

A diaconia eclesial não se limita a simples instrumento auxiliar na busca de objetivos


pastorais considerados mais importantes (como a catequese ou a frequência dos
sacramentos). O exercício da caridade eclesial pertence por direito próprio à missão pastoral da
Igreja, e é ela própria ação pastoral, enquanto sinal e testemunho dos valores do Reino.13

2.3.5 Critério de autenticidade evangelizadora

A centralidade evangélica do mandamento do amor confere à diaconia eclesial


um certo primado entre as funções pastorais e constitui, em relação a estas, um critério
de autenticidade: “O serviço ao irmão e a diaconia caritativa são as premissas para que as
outras expressões da vida da comunidade funcionem; são o critério de sua autenticidade”.14
Diante da grave crise de credibilidade da Igreja atual, apenas o testemunho efetivo do
amor se faz convincente: “A diaconia se torna critério decisivo para se poder
distinguir, na práxis eclesial, entre autoafirmação (institucional) e solidariedade, entre fé e
ideologia, entre amor e poder, entre libertação e posse, entre Baal e Javé”.15

13
O Documento Catequese Renovada da CNBB em sua quarta parte mostra como, na caminhada da comunidade, vão
crescendo juntos e se desenvolvendo a caridade e a diaconia num fluxo mútuo e salutar. Esse processo é descrito em
quatro passos (cf. n. 288-310). Particularmente no n. 301, comentando o último passo, diz: “Em nome do Evangelho, a
comunidade eclesial deve iluminar pela fé os projetos históricos, políticos, econômicos, culturais do mundo,
promovendo a inviolável dignidade do homem, sua responsabilidade em face do bem comum”. E faz esta ressalva: “Mas
a comunidade, enquanto Igreja, não se liga diretamente a um projeto histórico, especialmente na política. Pelo
anúncio do Evangelho, ela se evidencia como portadora de critérios que a colocam acima de qualquer projeto” (Brasil,
CR n. 301). Cf. também a bela apresentação da virtude evangelizadora da caridade em AG n. 12.
14
R. Völkl, Diaconia e carità. Bolonha, Dehoniane, 1978, p. 64. O autor afirma mais adiante: “Serviço ao irmão e
diaconia caritativa são, além disso, critério determinante para a verdadeira pertença do indivíduo à comunidade”, ibid., p.
65.
15
O. Fuchs, “Chiesa per gli altri”, Concilium 24 (1988), n. 4, p. 548. Sobre esse tema, cf. as luminosas reflexões de J.
Martin Velasco, “Presencia evangelizadora y compromiso de los cristianos”, Teologia y Catequesis (1987), n. 23-24, p.
525-44.

246
Essa descrição do sinal da diaconia, em seu significado atual, reflete a necessidade urgente
da passagem de uma pastoral predominantemente cultural e “religiosa” a uma opção
evangelizadora na promoção humana e a partir dos pobres.16 É uma opção que envolve
também o exercício da catequese. E tudo leva a crer que é nessa direção que se deve
caminhar rumo ao futuro.

3. CATEQUESE E DIACONIA ECLESIAL: DIMENSÃO DE COMPROMISSO E


PROMOCIONAL DA CATEQUESE

A nova consciência eclesial do significado da diaconia reflete-se no modo de conceber a


identidade e as tarefas da ação catequética. A postulação foi recebida, de forma mais ou menos
consistente, na reflexão catequética e nos principais documentos da catequese pós-conciliar,
como se vê na mensagem final do Sínodo de 1977,17 em Catechesi Tradendae (CT n. 29) e no
novo Diretório (DGC n. 103-104). Também nos documentos de âmbito nacional se ressalta a
dimensão de compromisso da catequese: entre esses destaca-se o Diretório Nacional dos Estados
Unidos, que dedica todo um capítulo ao compromisso social da catequese,18 e diversos
documentos latino-americanos.19
Se quisermos explicitar sinteticamente a relação entre catequese e diaconia eclesial, eis
alguns dos aspectos mais significativos:

16
É a opção pastoral já formulada no capítulo 2, item 3.2.
17
Mensagem do Sínodo de 1977, n. 10. Pode-se dizer que este é o espírito que perpassa também todo o documento
Catequese Renovada, como outros documentos complementares, publicados na Coleção Estudos da CNBB, como:
Textos e manuais de catequese: orientações para sua elaboração, análise e avaliação (n. 53, 1987); Primeira
Semana Brasileira de Catequese (n. 55, 1987); Formação de catequistas: critérios pastorais (n. 59, 1990);
Orientações para a catequese de crisma (n. 61, 1991); Catequese para um mundo em mudança (n. 73, 1994); O hoje de
Deus em nosso chão (n. 78, 1998); Com adultos catequese adulta (n. 80, 2001); Segunda Semana Brasileira de
Catequese (n. 84, 2002).
18
USA (NCD) cap. VII: Catechesi per il ministerio sociale.
19
Cf. CAL n. 24; Brasil CR desenvolve o tema da responsabilidade social e política do cristão (n. 252-80) e a
importância do compromisso no caminho de crescimento da comunidade catequizante (n. 288-316). México GP n. 83-
86. Cf. também RdC n. 96; Alemanha KWK A3.3.-34; Espanha CC n. 92.
247
3.1 Catequese voltada para a promoção

A catequese hoje deve assumir a opção pastoral pela evangelização na promoção


humana e a partir dos pobres, no interior de uma Igreja em estado de serviço à humanidade. Esse
é o horizonte de uma catequese em sintonia com a natureza diaconal de toda a Igreja. Nesse
contexto, a catequese se encarna profundamente na realidade concreta das pessoas que dela
participam:

A catequese atual deve assumir totalmente as angústias e as esperanças do homem de hoje, para lhe
dar a possibilidade de uma libertação plena: as riquezas de uma salvação integral no Senhor Jesus
Cristo. Por isso deve ser fiel à transmissão não apenas da mensagem bíblica em seu conteúdo
20
intelectual, mas também à realidade vital encarnada nos fatos da vida do homem de hoje.

A catequese, conquistando discípulos para o Senhor Jesus, realiza obras de conscientização e de


libertação orientadas para a luta por um mundo conforme ao projeto de Deus. É o aspecto de
compromisso e promocional da catequese (CAL n. 24).

Em meio a tantas forças desumanizantes e tantas mortes em muitos países asiáticos, nossa catequese
deve promover a vida. Ela deve chamar a atenção de todos os setores da Igreja para o grito
agonizante de Deus em meio ao seu povo, que espera de todos uma resposta de vida.21

A assunção plena da opção preferencial pelos pobres representa hoje, para a catequese, um
desafio e um critério de autenticidade.22 Surge nesse clima uma nova catequese, profundamente
renovada em seus conteúdos e métodos, aberta também à participação de novos sujeitos e plena
de tensão evangelizadora.23 Ela constitui um verdadeiro fator de promoção integral do ser
humano, uma defesa de sua dignidade e realização, um instrumento de libertação.24

20
Medellín (Catechesi), n. 6. Este clássico texto de Medellín é citado três vezes em Brasil CR: n. Cinapura 73-74,
101; cf. n. 69-70, 93, 116.
21
Ásia (1995), III.
22
Cf. DGC n. 104. A. Fossion, La catéchèse dans le champ de la communication.: ses enjeux pour l´inculturation de la
foi. Paris, Cerf, 1990, p. 338; A. Mejía Pereda, “Pobres, opción preferencial por los”, Nuevo Dic. Cat., p. 1849-63.
23
Cf. Puebla n. 100, 1147.
24
Medellín (Catechesi), n. 7. Cf. CAL 20. Brasil CR n. 20, 30, 73-74, 93, 104, 114, 138, 190, 222, 257 etc.
248
3.2 Catequese e educação para o serviço sociocaritativo

A catequese tem a tarefa de educar para o exercício da caridade eclesial em todas as suas
implicações e níveis de atuação. Trata-se de um objetivo que admite várias formulações, mas que é
absolutamente consensual:

A catequese eclesial tem implicações em todo o âmbito de ação dos cristãos e da Igreja. Ela deve abrir
25
perspectivas e motivações que possam estimular a paz, a justiça e a humanização.

Uma das tarefas fundamentais da catequese moderna consiste em suscitar e estimular novas formas de
compromisso, sobretudo no campo da justiça.26

Trata-se, portanto, para a catequese, de uma tarefa de verdadeira educação para a diaconia:
— educação, isto é: informar e envolver, dar motivações, desenvolver o senso crítico, sugerir
chaves de interpretação, orientar a ação, promover vocações específicas no âmbito do empenho
e do serviço;
— para diaconia eclesial, que implica diversas atitudes a promover: compartilhamento,
solidariedade, compromisso, participação, denúncia, responsabilidade etc., para a promoção
dos valores do Reino: o amor, a fraternidade, a justiça, a paz, a liberdade.27
Na práxis catequética concreta, seria possível citar muitas realizações e experiências que
dão um espaço relevante à dimensão “diaconal” da catequese.28

25
Alemanha KWK A 3.4. Cf. Brasil CR n. 239, 240, 243, 248, 274, 275 etc.
26
Mensagem do Sínodo de 1977, n. 10.
27
Cf. USA (NDC), n. 170.
28
Por exemplo: as Comunidades Eclesiais de Base, na América Latina; a Campanha da Fraternidade, no Brasil; o
projeto “Chantier”, no Canadá (cf. L. V. Perrelli, “Il progetto ‘Chantier’”, Catechesi 48 [1979], n. 13, p. 35-42); o
projeto vienense de textos de religião para as escolas austríacas (cf. E. J. Korherr, “Katechese und caritas”,
Christlich Pädagogisch Blätter 94 [1981], n. 5, p. 326-38); o modelo escolástico de Lumen Vitae: Comment parler du
tiers monde? Bruxelas, Lumen Vitae, 1981. Cf. também E. García Ahumada, “Lo social en la catequesis de niños,
adolescentes e adultos”, Sinite (1987), n. 86, p. 431-58.
249
3.3 A diaconia no âmago do ato catequético

Mas é também no âmago do próprio caminho do crescimento na fé que o momento do


empenho e do amor ativo desempenha um papel indispensável:
 A diaconia é de fato momento constitutivo do anúncio e do testemunho do Evangelho por
parte das comunidades eclesiais. Enquanto tal, faz parte do processo da catequese, não
apenas como condição ou pré-requisito do anúncio cristão, mas como parte do próprio
anúncio:

A catequese assume especial valor educativo quando é ligada ao exercício da caridade, que oferece
um fundamento válido para que se acolha e se traduza em prática a visão cristã das realidades sociais,
29
econômicas, políticas, culturais.

Sabemos que a dimensão operativa é componente essencial da atitude da fé e que a


meta da maturidade inclui também os traços do dinamismo operativo e da coerência.30
Portanto, a interiorização da fé implica também o exercício do empenho e da caridade.
 O exercício da diaconia constitui para a catequese um critério de autenticidade,
especialmente quando se vive a opção preferencial pelos mais fracos e mais pobres: A
solicitude para com todas essas categorias de pessoas é um sinal de autenticidade da
catequese (RdC n. 126).
Portanto, pode-se concluir que o momento caritativo é parte essencial do processo
catequético: a fé não cresce e não amadurece se não se tornar diaconia.

3.4 Diaconia e atenção aos últimos

A dimensão promocional da catequese e a opção preferencial pelos pobres devem-se


traduzir, no exercício concreto da catequese, em uma atenção especial a todos os desfavorecidos e
sofredores no âmbito da comunidade cristã. E entre esses merecem uma atenção particular as
pessoas com necessidades especiais e marginalizados.
 Em sua relação com o mundo das pessoas com necessidades especiais, em suas diversas
formas, a comunidade cristã deve demonstrar uma solicitude especial e respeitosa, com
uma atitude de acolhimento e de particular atenção:

Toda comunidade cristã considera como pessoas prediletas do Senhor aquelas que, especialmente
entre os menores, sofrem de deficiência física, mental, e de outros tipos. Uma maior consciência
social e eclesial e os inegáveis progressos da pedagogia especial fazem que a família e outros
lugares de formação possam hoje dar a essas pessoas uma catequese adequada, a que têm direito
como batizados (DGC n. 189).

29
Proposta 4 do Sínodo de 1977: cf. M. Matos, “Sinopsis para un estudio comparativo de la ´Catechesi Tradendae´ con
sus fuentes”, Actualidad Catequética (1980), n. 96, p. 97-144.
30
Ver capítulo 5 deste livro, itens 3.2.2 e 3.4.4. O documento brasileiro CR fala de “atividades
transformadoras” (n. 135) ou “atividades educativas da fé” (n. 156) e “atividades transformadoras e educativas” (n. 157).
No documento Textos e manuais de catequese que aprofunda alguns aspectos de CR, particularmente na dimensão
metodológica, retoma este tema usando a expressão mais exata de “ações evangélico-transformadoras”: cf. CNBB,
Textos e manuais de catequese. São Paulo, Paulus, 1987, n. 125-136; 189-195 (Estudos da CNBB n. 53). Para um
aprofundamento deste tema cf. L. Alves de Lima, A face brasileira da catequese, op. cit., p. 433-35.

250
A catequese das pessoas com necessidades especiais fez enormes progressos nas
últimas décadas e doravante pode contar com reflexões e experiências de grande valor
pedagógico e pastoral. Mas ainda existe muito a fazer para criar uma mentalidade adequada, para
evitar que a cura pastoral dessas pessoas fique à margem da pastoral comunitária (DGC n. 189),
para valorizar realmente todos os recursos que este segmento possui. O trabalho catequético com
as pessoas com necessidades especiais é rico de possibilidades e de recursos, e tem muitas
lições a dar, mesmo em comparação com a catequese dos chamados “normais”.31

 A pastoral e a catequese devem dar uma atenção especial ao vasto mundo dos
marginalizados, dos novos pobres, e também programar uma atividade — tão importante
quanto difícil — para atender a esse grupo:

Na mesma perspectiva considera-se a catequese de pessoas em situações de marginalidade, ou


próximas disso, ou já mergulhadas totalmente na marginalidade, como imigrantes, refugiados,
nômades, pessoas sem moradia fixa, doentes crônicos, dependentes de drogas, prisioneiros... A
palavra solene de Jesus, que considera como dirigido diretamente a ele qualquer gesto feito aos
“irmãos mais pequeninos” (Mt 25,40; 45), assegura a graça de bem agir em situações difíceis (DGC
n. 190).
E aqui nós temos uma verdadeira pedra de toque da autenticidade da nossa catequese.
Aqui se abrem muitos campos para iniciativas muito absorventes, que exigem agentes
catequéticos corajosos e especializados. Nem todos serão capazes de inserir-se de forma efetiva
nesses segmentos específicos, mas é importante que toda a comunidade se sinta solidária e
corresponsável nessa obra altamente evangelizadora (DGC n. 190).

31
Para um aprofundamento do tema, ver a bibliografia no fim do capítulo.
251
3.5 Diaconia e revisão dos conteúdos catequéticos

A dimensão de compromisso e libertadora da catequese implica uma revisão adequada


dos próprios conteúdos. Entre esses, a doutrina social da Igreja32 e sobretudo os aspectos e as
exigências da libertação integral do homem:

A teologia, a pregação, a catequese, para serem fiéis e completas, devem ter em mira toda a
pessoa e todas as pessoas, e comunicar, oportunamente, “uma mensagem especialmente vigorosa
para nossos dias, sobre a libertação (EN n. 29)” (Puebla n. 479).

Daí também o cuidado que a catequese deverá ter em não omitir, mas antes esclarecer, como
convém – em seu esforço de educação para a fé –, algumas realidades, como a ação da
pessoa para a sua libertação integral, a busca de uma sociedade mais solidária e fraterna, as lutas
pela justiça e pela construção da paz (CT n. 29).

Essa exigência geral se traduz numa multiplicidade de temas que fazem parte do
conteúdo da catequese como, por exemplo: o serviço pela paz e pela compreensão entre os
povos, a humanização do mundo do trabalho, a responsabilidade política, o respeito à vida e à
criação, os problemas sociais e econômicos, as diversas formas de marginalização e de
discriminação etc.33
Além disso, não se deve esquecer uma outra exigência importante do conteúdo da
catequese, isto é, explicitar a dimensão de compromisso e social dos diversos conteúdos da
fé, de modo a estimular uma experiência de vida cristã aberta à responsabilidade operativa
em todos os níveis.34

32
Cf. CT n. 29; DGC n. 175; CAL n. 20; USA (NCD), n. 150-164; E. García Ahumada, “A dimensão social na
catequese de crianças, adolescentes e adultos”, Revista de Catequese 10 (1987), n. 40, p. 46-52; 11 (1988), n. 41, p.
34-37; 11 (1988), n. 42, p. 35-40; 11 (1988), n.43, p. 41-44; R. Mendes de Oliveira, “Catequese e política”, Revista de
Catequese 10 (1987), n. 38, p. 3-4. M. Toso, “Catechesi e dottrina sociale della Chiesa”, Orientamenti Pedagogici 37
(1990), n. 5, p. 959-91.
33
Cf. USA (NCD) 167-170; CAL 90; Alemanha KWK A 3.4; RdC 97.
34
Pense-se, por exemplo, nas novas perspectivas que se abrem, a essa luz, a temas como a eucaristia, a consciência
moral, os milagres de Jesus, a oração de súplica etc. Cf. L. Alves de Lima, “Dimensão política da catequese:
considerações pastorais”, Revista de Catequese 14 (1991), n. 55, p. 3-23 (publicado também como “Dimensión política
de la catequesis: consideraciones pastorales”, Medellín 16 (1990), n. 64, 492-515); J. I. Pimenta Teófilo, “Linhas
metodológicas de uma catequese libertadora”, Revista de Catequese 6 (1983, n. 23, p. 23-26.
252
3.6 Diaconia e método catequético

No exercício da diaconia eclesial, não basta confiar na improvisação ou na boa vontade:


é necessário o esforço do estudo e do planejamento. Também a catequese deve seguir as fases
de um correto processo metodológico, que nesse campo normalmente compreende:
— conhecimento e análise da realidade (situações e problemas, interpretação e busca das
causas);
— interpretação evangélica da situação, à luz da fé;
— crítica e denúncia dos aspectos desumanizantes na sociedade e na Igreja;
— orientação para a ação promocional e transformadora, no respeito da autonomia e
das realidades temporais e da especificidade do agir cristão.35
A extensão, os conteúdos e o tipo de envolvimento da dimensão diaconal dependem das
circunstâncias de cada projeto de catequese. Na verdade, são muitos e diversos os fatores
determinantes: estado e condição dos participantes, contexto cultural e sociopolítico, circunstâncias
históricas etc. São muito diferentes as condições em que se encontram, por exemplo, um grupo de
crianças ou uma comunidade de base, no campo ou na cidade, num bairro operário ou de classe
média etc. A catequese deve levar isso em conta no momento de planejar objetivos, conteúdos e
métodos no que se refere à sua tarefa de iniciação à diaconia da Igreja para o crescimento e o
amadurecimento da fé.

4. UM PROBLEMA PARTICULAR: CATEQUESE E POLÍTICA

Merece especial atenção um setor muito importante da atuação dos cristãos: o da


ação política. As relações entre catequese e política foram muitas vezes objeto de discussões e
motivo de divergências. Já se disse de certas experiências de catequese que pecavam por
uma “politização” excessiva, por horizontalismo, ou até por serem francamente
instrumentalizadas em proveito de interesses ideológicos ou partidários; em outras situações, a
catequese é acusada de evasão espiritualista, de falta de realismo, de pretender uma neutralidade
36
que faz o jogo das forças dominantes etc.

35
Dois exemplos concretos: a encíclica Sollicitudo Rei Socialis segue esse roteiro metodológico, em âmbito universal; o
documento Brasil CR (n. 288-310) apresenta de forma bastante concreta o caminho de uma comunidade que cresce na
fé, integrando-a harmonicamente em um processo de conscientização e de compromisso operativo. Cf. J. L. Pérez
Álvarez, “Compromiso: orientaciones pedagógicas”, Nuevo Dic. Cat., p. 436-37.
36
Recorde-se, por exemplo, na época dos catecismos, a parte relativa à obediência e à reverência devida ao imperador e
aos príncipes, no contexto dos deveres do quarto mandamento: Cf. E. Germain, “Catechismo imperiale”, Diz.Cat., p.
122-23.
253
Não faltaram catequistas que, por causa de seu compromisso social, foram presos, torturados,
assassinados.37 Trata-se, sem dúvida, de um tema difícil e delicado, que merece todo esforço que
se faça visando ao seu esclarecimento.38

4.1 Ação política e mentalidade contemporânea

Esclareçamos primeiramente o significado que se deve dar ao termo “ação política”. É


bastante frequente, principalmente no âmbito da reflexão eclesial, distinguir duas acepções
principais do termo “política”:39
 Em sentido estrito, a política diz respeito à gestão do bem comum pelo do exercício do
poder, em suas diversas formas (legislativo, judiciário, executivo) e por meio das pessoas e
instituições que representam esse poder (governo, partidos, parlamento, órgãos
administrativos etc.).
 Em sentido lato, entende-se por ação política toda forma direta ou indireta de participação
na promoção e gestão do bem comum e no exercício do poder, por meio de variadas formas
de presença e de atividade (educação, animação cultural, opinião pública, atividade
pastoral, serviço social etc.). Nessa perspectiva, todas essas formas de atividade podem ter
uma inegável dimensão política, e muitas vezes são chamadas de “pré-políticas”.
Na nossa época é muito viva a consciência da importância da ação política para a vida
social e para o futuro da convivência humana. Na origem desse fato, de um ponto de vista
histórico e cultural, encontra-se sobretudo a secularização, que modificou a visão do homem e da
história. De uma atitude de passiva contemplação e de resignação ineficaz, passa-se à convicção
de que o mundo é uma realidade a construir e o futuro um amplo programa a gerir.

37
Cf. R. Viola, Visages de la catéchèse en Amérique Latine. Paris, Desclée, 1993, p. 12.
38
Cf. as indicações bibliográficas no fim do capítulo. Para uma visão sumária cf: E. Alberich, “Catechesi e
coscienza politica”, Catechesi 42 (1973), n. 175, A, p. 1-20. Como uma experiência neste campo pode-se consultar o
texto do bispo Antônio Soares Costa, “Educação política”, Revista de Catequese 5 (1982), n. 17, p. 39-48.
39
Cf. por exemplo: Puebla n. 521-523; Brasil CR 268, 301; B. Sorge, “Politica”, M. Midali - R. Tonelli (eds.),
Dizionario di Pastorale Giovanile. Leumann (Turim), Elledici 1989, p. 763-73.

254
O desenvolvimento científico e técnico oferece aos seres humanos amplas possibilidades de
intervenção e instrumentos válidos de análise para conhecer, interpretar e mudar a realidade
social. Nasce, assim, a convicção de que o destino da convivência humana e as condições de vida
não dependem tanto do destino cego da natureza ou de alguma estrutura social imutável, mas
principalmente do livre jogo das decisões humanas e da gestão responsável do bem comum.
Surge a consciência de que é possível tomar nas mãos o destino e as rédeas do próprio futuro. E,
se é possível, isso significa que se trata de um imperativo: desse modo a sensibilidade política
se torna também consciência política, isto é, conhecimento de um imperativo ético que
interpela o senso de responsabilidade e exige a assunção de determinados compromissos.40
O âmbito da ação política apresenta, pois, algumas características de grande relevância
moral e operativa. Vamos destacar três delas: a universalidade, a laicidade e o conflito.
 A universalidade: a ação política, longe de constituir apenas um campo especial de
atividade (ao lado da ação social, econômica, educacional etc.), tem um aspecto
globalizante, enquanto dimensão inerente a toda atividade de alcance social.41 Revela-se,
pois, ilusória a pretensão de assumir uma posição “neutra” ou “apolítica”, quando se trata
de uma atividade de ordem cultural ou social, que sempre se interliga, de um modo ou de
outro, com a densa trama do jogo político. E isso vale principalmente para as ações
que envolvem diversas instituições, civis ou religiosas, cujo peso político efetivo deve ser
conhecido, avaliado e, se for o caso, modificado.
 A laicidade: a política constitui um setor profano de atividade que tem sua autonomia e
suas próprias regras. Nesse sentido, não é possível deduzir as linhas concretas de
um projeto político inspirando-se diretamente na fé cristã:

40
Cf. Ph. Roqueplo, Esperienza del mondo: esperienza di Dio? Leumann (Turim), Elledici, 1972, p. 39.
41
Cf. Puebla n. 513. Como afirma R. Coste, “não se trata de uma forma secundária da atividade humana, mas de uma
das suas dimensões essenciais, uma vez que o político é uma superestrutura que abarca o econômico, o social, o
cultural, o familiar e finalmente o pessoal — uma vez que cada um é membro de uma comunidade —, e a política
concreta influencia, positiva ou negativamente, toda a estrutura que lhe é subjacente”: R. Coste, Vangelo e
politica. Bolonha, Dehoniane, 1970, p. 18. Cf. também B. Sorge, loc. cit., p. 764.
255
Esse conceito sadio de ‘laicidade’ impede que a ‘coerência’ com a fé, exigida dos cristãos
que atuam na política, degenere em confessionalismo ou em clericalismo; isto é, impede que a
política venha a servir a fins diferentes daqueles que lhe são próprios: o bem temporal da
comunidade civil. Não é lícito pôr a política a serviço dos interesses da Igreja ou considerá-la
como um instrumento para a evangelização e salvação das almas!42

 O caráter conflituoso: historicamente, a atividade política com frequência se caracteriza


pelo conflito social, pela injustiça e discriminação, pela violação de direitos humanos, por
formas variadas de autoritarismo e de abuso de poder. Diversos documentos eclesiais
descrevem a situação, em termos dramáticos, como injustiça estrutural, institucionalizada,
que divide os indivíduos e os grupos em dominadores e dominados, opressores e
oprimidos, participantes e excluídos na obra de promoção integral e de desenvolvimento
comunitário.43 Essa situação torna conflituosa e muitas vezes dramática a participação na
ação política.
Essas considerações mostram a complexidade e relativa ambiguidade do jogo político, que
por um lado obriga a mergulhar fundo e a “sujar as mãos”, e por outro implica sempre o risco da
instrumentalização e da conivência.

4.2 Fé cristã e opções políticas

A complexidade do fato político e a justa autonomia da ordem temporal tornam problemática


a relação entre a fé cristã e a opção pela atuação no campo político. Por outro lado, é necessário
superar toda forma de estranheza ou dualismo entre as duas esferas vitais. No âmbito do nosso
tema específico, eis algumas exigências que se devem ter presentes:44
 O cristão vê a fé envolta em suas opções políticas, dado que a salvação em que ele crê se
encarna também — ainda que de formas sempre inadequadas — em toda realização
histórica de autêntico progresso e promoção humana.

42
B. Sorge, loc. cit., p. 766. B. Cansi, “O leigo catequista e o momento político”, Revista de Catequese 10 (1987, n.
39, p. 16-26.
43
Cf. as severas observações dos documentos de Medellín e Puebla (cf. Medellín [Paz}, introdução; Medellín
[Catequese] 7; Puebla n. 27-50) e da encíclica Sollicitudo Rei Socialis (n. 11-26). Cf. também Brasil CR n. 171.
44
Sobre esse tema, cf: B. Sorge, loc. cit., p. 767-70; E. Alberich, “Fede cristiana e scelte politiche”, Orientamenti
Pedagogici 22 (1975), n. 5, p. 847-64. L. Alves de Lima,“Dimensão política da catequese: considerações
pastorais”, Revista de Catequese 14 (1991), n. 55, p. 3-23 (publicado também como “Dimensión política de
la catequesis: consideraciones pastorales”, Medellín 16 (1990), n. 64, p. 492-515.
256
Da fé cristã não é possível extrair projetos políticos precisos. Ela constitui, porém, no
interior da ação política, um importante princípio de orientação, estímulo e avaliação,
principalmente oferecendo motivações, valores e um horizonte transcendente, que lhe
consagra o significado. É assim, por exemplo, que a consciência cristã canaliza para o
âmbito político algumas exigências de base como, por exemplo: “O respeito pelos
pobres, a defesa dos fracos, a proteção aos estrangeiros, a desconfiança em relação à
riqueza e a condenação do domínio exercido pelo dinheiro, a derrubada dos poderes
totalitários”.45
 A fé cristã tem uma função crítica de denúncia e de purificação frente às realizações
históricas concretas da práxis política. Os cristãos, mesmo aceitando o legítimo
pluralismo das opções políticas, encontram na fé motivos de incompatibilidade com
determinados projetos e ideologias políticas. E também no que se refere às próprias opções,
devem assumir uma atitude de contínua conversão e rever constantemente as próprias
posições, à luz do Evangelho.
 A atuação dos cristãos na vida política exige a mediação da análise científica da realidade e
a concretude das opções de atuação, que não se podem fazer provir diretamente da fé. Daí
a dificuldade e, por vezes, a dramaticidade das opções dos crentes que, ainda que fazendo
derivar da fé muitos motivos inspiradores, se encontram imersos, como todos, na busca
sofrida de opções de ação adequadas, para se manterem fiéis ao ideal de sociedade que
entreveem à luz do Evangelho.
 Dada a importância da ação política, o envolvimento responsável dos cristãos nesse campo
constitui um critério de autenticidade e de credibilidade do anúncio evangélico.
Assim se evita o perigo de refugiar-se em formas ambíguas de espiritualidade ou de
religiosidade que representam apenas evasão e descompromisso.46
Estamos diante de uma série de exigências que obrigam os indivíduos cristãos e as
comunidades eclesiais a uma contínua reflexão e a um dinamismo de conversão para traduzir em
opções políticas coerentes os imperativos fundamentais da mensagem evangélica.

45
“Por uma prática cristã da política” (documento dos bispos franceses de outubro de 1972). Il Regno documenti
17(1972) n. 21, p. 549.
46
“Se a mensagem cristã relativa ao amor e à justiça não demonstra sua eficácia na ação a favor da justiça no mundo,
será muito mais difícil conseguir que ela conquiste credibilidade junto aos homens de nosso tempo”: Sínodo dos Bispos,
La giustizia nel mondo (cf. Enchiridion Vaticanum. Vol. 4. Bolonha, Dehoniane, 1980, p. 817).
257
4.3 Comunidade cristã e ação política

Se, porém, das declarações de princípio se passar à determinação das tarefas concretas que,
na esfera política cabem aos cristãos enquanto indivíduos e enquanto comunidade, o problema se
torna mais delicado e mais complexo. Falando em termos gerais, podemos distinguir as etapas
características do processo metodológico, aplicadas ao momento político:
 conhecer bem a situação social e política concreta na qual se está inserido, usando
instrumentos adequados de análise e procurando chegar às causas estruturais que estão
em sua base;
 interpretar e avaliar a situação à luz da fé e da tradição eclesial, aprofundando os motivos
inspiradores do Evangelho, assumindo as atitudes e os critérios próprios da fé,
e fazendo as opções adequadas;
 fazer com coragem a denúncia profética dos aspectos desumanizantes da ordem
social e política, desmascarando o mal em todas as suas formas e todo atentado à
dignidade da pessoa humana;
 exercer também a autocrítica, à luz dos critérios evangélicos, nas relações com suas
próprias instituições e atividades;
 estar presente e participar ativamente nos diversos níveis de ação política,
respeitando-lhe a justa autonomia e levando-lhe o espírito próprio dos discípulos de Cristo.
No exercício da atuação política surgem problemas concretos relativos ao envolvimento
efetivo dos diversos níveis e funções eclesiais.
 diversa é a tarefa das comunidades enquanto tais, dos diversos grupos e associações e
dos indivíduos cristãos enquanto cidadãos que se movem à luz da fé.47 Em princípio, a
ação política no sentido estrito é própria dos indivíduos crentes, em sua qualidade de
cidadãos, enquanto que as comunidades como tais são chamadas antes a difundir os
valores evangélicos e a dedicar-se a obras de promoção em nível social e pré-político (cf.
GS n. 42).
 distinto é o grau de envolvimento dos diversos membros da comunidade eclesial, no
respeito à variedade dos ministérios e dos carismas. A atividade política em sentido estrito
é sobretudo tarefa dos leigos,48 enquanto os pastores e os religiosos têm, por norma, um
papel de animação comunitária e de serviço à comunhão dificilmente compatível com a
militância política em sentido estrito.49

47
Cf. GS p. 76; Puebla n. 521-24.
48
Cf. Puebla n. 524; Brasil CR n. 268.
49
Cf. Puebla n. 526-530. Brasil CR n. 303.
258
4.4 Catequese e ação política

À luz dessas premissas, podemos agora tentar indicar as principais exigências no que se
refere à tarefa da catequese para a ação política.

4.4.1 Dimensão política da catequese

A ação catequética tem sempre uma dimensão política que é analisada e gerida de
forma responsável. Com efeito, a catequese, por sua pertença à ação eclesial e por seu
alcance cultural e educativo, assume sempre um certo significado político, que pode ser
objeto de manipulações interesseiras (cf. Puebla n. 558). Por isso cumpre analisar adequadamente
seu significado e sua influência, para conhecer-lhe os aspectos positivos e negativos, e realizar as
mudanças necessárias.
Da mesma forma, faz parte também da tarefa promocional da catequese apresentar os
diversos conteúdos da mensagem cristã em sua relevância política, isto é, na sua dimensão social
e de compromisso, com toda a força inovadora e transformadora da práxis libertadora de Cristo e
da genuína experiência cristã.

4.4.2 A educação para a política, tarefa da catequese

A catequese, na sua qualidade de educação para a diaconia eclesial, deve ser também
educação para a atuação política das comunidades e dos cristãos. Com efeito, a ação política é
um momento integrante dessa diaconia. Isso quer dizer que também se aplicam à política as
exigências feitas à catequese no sentido de “suscitar e estimular novas formas de atuação,
sobretudo no campo da justiça”,50 e de “abrir perspectivas e criar motivações que possam levar
à paz, à justiça e à humanização”.51
Uma justa compreensão do significado da ação política e de seus diversos níveis
permitirá superar, na catequese, a recomendação habitual de não se ocupar da “política suja” 52
e aquela forma inadequada de entrar no terreno político que consiste em inculcar, de forma
passiva e acrítica, o respeito à autoridade e à ordem constituída.53 Existe pois, com relação a isso,
uma tarefa precisa de educação e de iniciação por parte da catequese. Destacamos a seguir alguns
de seus pontos mais importantes:

50
Mensagem do Sínodo de 1977, n. 10.
51
Alemanha KWK A. 3.4.
52
Cf. T. Filthaut, “Per un impegno politico: educhiamo a vivere nell´oggi”, Note di Pastorale Giovianile 5
(1971), n. 1, p. 17.
53
“Uma catequese desse tipo educa estudantes dóceis e obedientes, mas não indivíduos políticos; prejudica a fé e não
leva em conta a realidade política moderna. A fé exige que a pessoa aja livremente, como adulto e de forma responsável.
Assim deve comportar-se o crente, tanto no âmbito da Igreja como na sociedade humana: em ambas as comunidades ele
não deve ser reduzido ao papel de súdito”: T. Filthaut, art. cit. p.18.
259
Educar para uma consciência política inspirada no cristianismo
Trata-se sobretudo de ilustrar adequadamente o significado da ação política, as suas formas
e características, sua relação com a promoção integral do ser humano, e seus constantes perigos
de degeneração desumanizante. Significa aprofundar a relação entre fé cristã e opções políticas,
de modo a superar as posições dualistas ou integristas, e ajudar a interiorizar as atitudes cristãs
na política (respeito à autonomia do temporal, senso do pluralismo, aceitação dos valores
cristãos, espírito de colaboração etc.).
Educar para a consciência política significa também despertar “vocações”
diferenciadas para a atuação política.54 Visto que a Igreja, a serviço da libertação integral da
pessoa, “procura cada vez mais motivar muitos cristãos a se dedicarem à libertação dos outros”
(EN 38), a catequese tem um campo concreto de aplicação, para fazer que cada um encontre o
próprio lugar na sociedade, no respeito à diversidade dos carismas e dos ministérios eclesiais.

Educar para a ação política à luz da fé


Já mostramos a articulação do caminho metodológico tendo em vista a ação: conhecimento
e análise da situação, discernimento evangélico, denúncia profética do mal, planejamento e
intervenção. A práxis catequética é também chamada a fornecer motivações, critérios e
instrumentos para que essas diversas funções possam ser cumpridas com competência e
honestidade, em interação dinâmica com as atitudes cristãs da fé, esperança e amor, tornados
solicitude e paixão para a salvação integral dos irmãos.

4.4.3 A catequese, reflexão política à luz da fé

A catequese deve respeitar sempre sua identidade cristã e eclesial, evitando o risco de
instrumentalização política.
Não se devem ignorar os riscos, inerentes à ação política, de perder sua finalidade
humanizante e o risco, a que está exposta a comunidade eclesial, de invadir o terreno das
legítimas autonomias temporais. No terreno concreto da práxis catequética, pode existir o risco de
ideologização da fé ou de instrumentalização da educação religiosa a serviço de interesses
políticos particulares. Na catequese não se devem identificar as exigências evangélicas com
determinadas fórmulas ou programas políticos, e muito menos impor opções políticas em
sentido estrito. O respeito ao seu caráter de educação da fé para nós se afigura hoje essencial para
o desenvolvimento de uma catequese que, sem invalidar a originalidade e a pureza do anúncio
cristão, possa levar ao amadurecimento autêntico da atuação política dos cristãos.

54
“A catequese procurará também promover o surgimento de militantes nas organizações apostólicas leigas”:
Espanha CC n. 92 Cf. Brasil CR n. 300.
260
SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

O significado e o exercício da diaconia eclesial, sobretudo em relação ao problema da


promoção humana, foi e continua sendo objeto de inúmeros estudos e publicações. Quanto aos
documentos oficiais da Igreja, a produção é vastíssima. Para uma visão de conjunto, cf:
Le encicliche sociali: dalla Rerum Novarum alla Centessimus Annus. 3a ed. Roma, Paoline, 1992.
TOSO, M. Dottrina sociale oggi: evangelizzazione, catechesi e pastorale nel più recente
Magistero sociale della Chiesa. Turim, SEI, 1966.

Sobre a dimensão de compromisso e diaconal da catequese, cf. “Catechesi e giustizia


sociale”. Via Verità e Vita 36 (1987), n. 112.

ALVES DE LIMA, L. “Justicia y derechos humanos”. Nuevo Dic. Cat., p. 1327-43.


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1977.
DORÉ, J. “A ´dimensão social´ da nossa fé”. Revista de Catequese 22 (1999), n. 86, p. 56-59.
FACCI, R. E. “Opção Preferencial pelos Pobres”. Revista de Catequese 4 (1981), n. 14, p. 33-46.
GARCIA AHUMADA, E. “Lo social en la catequesis de niños, adolescentes y adultos”. Sinite
(1987), n. 86, p. 431-58.
. “A dimensão social na catequese de crianças, adolescentes e adultos”. Revista de
Catequese 10 (1987), n. 40, p. 46-52; 11 (1988), n. 41, p. 34-37; 11 (1988), n. 42, p. 35-40; 11
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. “Catequese social”. Revista de Catequese 7 (1984), n. 25, p. 46-53.
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264
Capítulo 8
Catequese e comunidade
A catequese em todas as formas em que é concebida ou sonhada,
está ligada por laços muito estreitos à comunidade cristã. A
referência à comunidade é fundamental: diz-se que não existe
catequese sem comunidade, que a comunidade é fonte, lugar e meta
da catequese (DGC n.158), que as novas formas de comunidade
oferecem possibilidades inéditas ao desenvolvimento da catequese.
É uma instância pastoral rica de promessas, mas não isenta de
dificuldades e problemas.

1. A DIMENSÃO COMUNITÁRIA DA CATEQUESE: ESPERANÇAS E PROBLEMAS

A exigência de que a toda catequese corresponda uma comunidade cristã autêntica muitas
vezes nos leva a uma constatação amarga: onde está essa comunidade? Onde estão hoje as
comunidades cristãs da fé adulta e do testemunho convincente?
 Hoje existe na Igreja um vasto movimento comunitário que assiste ao surgimento de
novas formas de comunidades desejosas de viver mais autenticamente a comunhão de fé
e de vida cristã. Nessas novas comunidades se desenvolve também um modo novo de
fazer catequese. Esse novo modo, porém, ao mesmo tempo em que goza de inúmeras
vantagens, padece de muitas problemas e tensões: problemas de comunhão entre as
novas comunidades e as paróquias e dioceses; problemas relacionados ao estatuto
eclesiológico, nem sempre claro, das novas experiências comunitárias: autenticidade
eclesial, critérios de discernimento, superação dos conflitos etc. É toda uma problemática
que também se reflete no terreno da catequese.
 Em especial, oferecem vantagens indiscutíveis, mas também dificuldades, as experiências
de alguns grupos e movimentos com uma tradição catequética própria, que, no entanto,
também suscitam dúvidas sobre sua autenticidade. Muitas vezes se cai num
“espontaneísmo” cheio de emotividade ou no subjetivismo; acontece também de surgir a
figura de um líder carismático que é seguido mais ou menos cegamente; ou então se
valoriza de forma unilateral o carisma do movimento. São situações que tornam
problemática a presença de uma catequese fiel à sua identidade eclesial e ao seu papel de
educação da fé.

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