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Q2

COMUNICAÇÃO E
GLOBALIZAÇÃO
2º Semestre | 1º ano

Patrícia Gomes
Fases históricas de globalização
Cada uma das fases possui:
× Uma conjuntura particular
× Características espaço-temporais
× Características organizacionais específicas

4 fases:

1. Globalização pré-moderna
2. 1ª Globalização moderna
3. 2ª Globalização moderna
4. Globalização contemporânea

Globalização pré-moderna
× Ocorreu com a expansão marítima europeia
× Antes não havia globalização pois as economias das sociedades eram relativamente
autônomas e pouco ou nada integradas entre si.
× O avanço das navegações europeias levou à integração dos mercados internacionais.
× A procura de novas matérias-primas incentivou oos navegadores a procurarem
expandir o seu mercado.
× Principal característica: formação das colónias europeias na América, na África e na
Ásia, tornando o “velho continente” como percursor e articulador da globalização.

1ª Globalização Moderna
× Surgiu com os Descobrimentos Portugueses (Era Gâmica) entre 1500 e 1850.
× Formação do capitalismo industrial
× Formação das bases para a instauração do capitalismo financeiro
× Com o desenvolvimento dos transportes, o mundo foi-se interligando mais. Embora a
interligação obedece a uma hierarquia de dominação e dependência socioeconómica.
× Ascensão do ocidente (as grandes potências eram ocidentais).
× Emergência de instituições chave da modernidade europeia.
× Aquisição por parte de povos europeus de importantes tecnologias (apesar de serem
importadas).
× Criação de impérios (começam a aparecer muito fortes e espalhados pelo mundo).

2ª Globalização Moderna
× Profundas transformações estruturais- económicas e políticas.
× Formação de 2 grandes blocos de poder: EUA (capitalistas) e URSS (socialistas)
× Os avanços na área tecnológica (corrida armamentista e corrida espacial) permitiram
um desenvolvimento dos conhecimentos científicos.
× Os instrumentos existentes foram aperfeiçoados e foram criados novos meios de
comunicação e de deslocamento, promovendo uma maior integração mundial (níveis
desiguais de desenvolvimento pelo mundo).
× Continuação e afirmação da expansão imperial europeia.

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Globalização Contemporânea
× O avanço do sistema capitalista de todo o mundo, incluindo os países de “segundo
mundo”, a Globalização passou a um novo estágio
× Consolidação total do sistema de globalização por meio da mundialização integral do
capitalismo.
× Encurtamento das distâncias (os meios de transporte alcançam grandes distâncias em
pouco tempo).
× Aceleração do tempo (velocidade com que novas tecnologias surgem, são substituídas
e melhoradas).

Conclusão
× A globalização relaciona-se com:
 Cosmopolitismo (associado à noção de cidade; temos um mundo dentro de
nós)
 Internacionalismo
 Universalismo
 Mundialismo
× Não há uma única definição consensual para o conceito de “Globalização”.
× Perceção generalizada: crescente amplitude, profundidade e celebridade das
interações mundiais em todos os aspetos da vida social contemporânea.

3 grandes escolas de pensamento


Hiperglobalistas
× A globalização é um fenômeno essencialmente econômico, que promove a integração
cada vez maior entre os mercados e culmina numa economia global sem fronteiras.
× Os mercados funcionariam melhor sem a intervenção estatal e, assim, Estado e
mercado deveriam ser tratados como áreas distintas e independentes.
× Os bancos e corporações transnacionais seriam os principais agentes da globalização.
× Surgimento e reconhecimento de novos atores (que questionam o Estado):
Organizações internacionais; ONG’s (organizações não-governamentais);
Multinacionais
× Novos canais que ultrapassam os limites territoriais e livres de constrangimentos
políticos.
× O mundo deixa de ser guiado por nações para ser comandado por empresas.
× Os Estados serviriam apenas para garantir o funcionamento da lógica do mercado. É o
tipo de tratamento dado à globalização que lhe imputa o caráter de ideologia; isto é, a
visão de que a globalização é inevitável e de que ‘não há alternativa’.

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Céticos
× Existe um exagero nas ideias relacionadas à globalização. Portanto, o objetivo desta
escola é desvendar as ideias ou desmascarar os mitos que sustentam a globalização.
× Internacionalização refere-se ao crescente fluxo comercial entre diversas economias
nacionais; a globalização ocorre apenas quando existe a integração perfeita dos
mercados internacionais.

× O que nós estamos a assistir não é um processo de globalização, mas sim um processo
de internacionalização. A globalização é quase um ideal e, como tal, nunca existiu.
× Governos nacionais permanecem muito poderosos, e consideram que é aí que deve
estar e permanecer o poder.
× Há uma predominância de alguns países (ou zonas) nos fluxos (comerciais,
investimento e financeiros) e estas potencias teriam a oportunidade de coordenar a
política internacional e de exercer pressões sobre os mercados financeiros.
× Os céticos são bastantes críticos dos hiperglobalistas.
× Um ponto de inflexão entre as duas teses é a questão da regionalização.
× Os céticos chamam a atenção para os processos de regionalização, entendidos como
um movimento oposto ao da globalização. As tendências de formação de blocos
acabam por criar zonas de isolamento e não de integração.
× Não acreditam em cultura ou governança globais.
× O ressurgimento de nacionalismos e conflitos étnicos contradizem a ideia de
homogeneização cultural.
Desigualdades- crescente marginalização económica de muitos Estados do ‘terceiro mundo’
por oposição à intensificação da circulação do comércio e investimento no seio dos países (por
exemplo do Norte).
× Uma questão permanece em aberto:
 Quais são os Estados capazes de, efetivamente, exercer o poder num âmbito
de atuação à escala global?
 Todos- como deveria ser
 Alguns (poucos)- como é- EUA; Rússia, China, Japão, Reino Unido, França e
Alemanha.

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Transformacionistas
× O processo contemporâneo de globalização não tem precedentes históricos.

× Caracteriza-se pela dificuldade em distinguir os limites do doméstico e internacional,


pelas transformações na política internacional e pela mudança no poder estatal.
× Encaram a globalização como uma força condutora nos bastidores das rápidas
mudanças sociais, políticas e económicas que estão a redefinir as sociedades
contemporâneas (Rosenau, Giddens, Scholte, Castells).
× Necessidade de adaptação dos governos por ausência do interno ou externo.

× Crescimento dos negócios ‘intermésticos’ (negócios que não são domésticos)


× Globalização como processo de contradições
 Fragmenta e integra
 Leva à cooperação e ao conflito
 Universaliza e particulariza
× Não se sabe como será o futuro porque não tem antecedentes históricos.
× A trajetória das transformações globais seria:
 Indeterminada
 Incerta
× Não defendem (como os hiperglobalistas) o aparecimento de sociedades e economias
globais, mas sim numa nova estratificação com:
 Incluídos
 Excluídos (marginais)

A Génese

INTERNET- As origens

A partilha de recursos foi um dos primeiros fatores que levaram ao aparecimento da internet.

× Licklider fala-nos de um sistema acoplado (Anos 50):


A larva do inseto vive na figueira onde obtém o seu alimento. A árvore e o inseto são, portanto,
bastantes independentes: a árvore não pode reproduzir-se sem experienciar
compreensivamente o inseto e o inseto não se podem alimentar sem experienciar
compreensivamente a árvore. Em conjunto, eles não constituem apenas uma entidade viável,
mas igualmente uma pareceria produtiva. Este cooperativo “viver em conjunto em íntima
associação, ou união íntima, de dois organismos dissimilares” chama-se «simbiose»

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Esta simbiose foi trazida para a interação entre o Homem e a Máquina

Espera-se que a simbiose Homem-Computador venha a ser um desenvolvimento na interação


entre o Homem e os computadores eletrónicos. Ela envolverá um acoplamento muito estreito
entre os Homens e os membros eletrónicos desta parceria. Os objetivos principais são:

1) facilitar o pensamento formulativo tal como atualmente eles facilitam a


resolução de problemas já formulados;

2) permitir que os Homens e os computadores cooperem na determinação de


decisões e no controle de situações complexas sem uma dependência inflexível
em relação a programas predeterminados.

Dentro de não muitos anos, os cérebros humanos e as máquinas de computação estarão


estreitamente acoplados, e a parceria que daí resultar pensará como nenhum homem pensou,
assim como processará dados de uma forma que nem sequer é aproximada pelas máquinas de
manipulação da informação que nós hoje conhecemos.

× Olhar os computadores como Sistemas Abertos:

O computador era uma unidade independente que não comunicava com quem utilizava, mas
apenas com que o programava.

O computador é concebido como, em primeiro lugar, um instrumento de cálculo e, em segundo


lugar, como uma máquina suscetível de produzir a “inteligência artificial”, tornando-se então
um processador de informação simbólica. (Rosa, António Machuco, 2003)

Eles deverão ser altamente interativos, deverão suplementar as nossas capacidades em vez de
com eles competir, ser capazes de representar progressivamente ideias mais complexas sem
existir a necessidade de mostrar todos os níveis da sua estrutura. (Lickider, 1960), (Rosa,
António Machuco, 2003)

Quem inspirou Lickider? Wiener


Entropia: maior estado de desorganização que um sistema pode ter; é natural

Wiener diz que existe um estado de tendência para o aumento global da entropia e que esse
estado poderá ser contrariado.

Com estas ideias nasce o projeto de Wiener que consiste em criar mecanismos capazes de
contrariar a tendência para a entropia.

A “mensagem”, se bem que contingente, procura contrariar a tendência da natureza para a


desorganização.

As mensagens chegam até nós através dos sentidos. Os órgãos dos sentidos fazem diminuir
entropia, porque tem mensagem e tem informação.

Sustento que o funcionamento do indivíduo vivo e de certas máquinas recentes de tratamento


de informação são paralelos nos seus esforços para contrariar a entropia.

Temos então duas linhas:

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1) Máquinas digitais como instrumentos para a simulação e reprodução da
inteligência;

2) Máquinas digitais ao serviço de um ideal de comunicação enquanto sistemas


abertos. Temos a origem de uma grade tendência para aquilo que se
desenvolveu nas ciências da computação: comunicação Homem-Máquina;
Comunicação entre os Homens através dos computadores.

Voltamos a Licklider, porque este autor antevê a existência de um instrumento capaz


de introduzir o ideal comunicativo- falamos de computadores ligados em rede.
Visualiza-se que a existência de um novo media que tem como principal objetivo os
fundamentos da comunicação.

A nova tecnologia dos computadores ligados em rede enquanto media realizaria


assim o ideal de indivíduos comunicativamente ativos, tendo-se, pois, uma tecnologia
potencialmente emancipadora. É nesse sentido que, para Licklider, como para
Wiener, tal como já citámos, seria o progresso tecnológico a salvar a humanidade
(Machuco).

WEB 2.0

WEB- Espaço para novas interatividades


Exemplos (WEB 2.0)
× Nome adotado para uma segunda geração de serviços e comunidade
× Conceito de web como plataforma (wikis, redes sociais)

× Marcas
× Meios tradicionais- estáticos
× Meios em contexto web 2.0- interação

Interatividade

O que está a acontecer?

Online social networking Partilha localização geográfica


Partilhamos os momentos da nossa vida Partilhamos localizações e locais
Mobilidade dos smartphones Mensagens rápidas realtime
Que utilizamos em diferentes facetas da vida Partilha de instantes rápidos

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Os Media de interação social

Partilha de Autenticidade
informação

Media
Rede Interatividade
Social

Online e o
Conversação
Offline

As fases

1- Definição de objetivos
2- Target que se pretende atingir
3- Plataformas a utilizar
4- Conteúdos a comunicar
5- Processos
6- Promoção
7- Integração
8- Dia D
9- Análise
10- Voltar ao início

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Definição de objetivos

Definir os objetivos que se pretendem atingir com a presença nas web 2.0

Informação- fornecer informação a um determinado tipo de público. Que tipo de informação e


para que públicos

Awareness- marcar presença para aumentar a notoriedade da marca

Leads- para ter seguidores e ter presença no espaço 2.0

Vendas- as plataformas 2.0 não são canais de vendas, mas poderão contribuir para o aumento
das mesmas.

Target que se pretende atingir

Depois e estarem definidos os nossos objetivos é necessário definir quem são as ‘pessoas a
atingir’:

A definição apresenta os fares de uma segmentação, mas neste caso os mais utilizados são:

× Interesses comuns
× Idade
× Formação
× Região

× Plataformas a utilizar

Onde estar presente?

× Facebook
× Twitter
× Linkedin
× Youtube
× Google +
× Instagram
× Etc.

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× Conteúdos a comunicar

O que quero comunicar? Que conteúdos?

Podem ser colocados vários tipos de conteúdos:

× Guidelines;
× Q&A;
× Tom que se quer dar à comunicação;
× Fotografias. Têm de ser de boa qualidade e com cor e ter o formato adequado;
× Vídeo. Tal como as fotografias também devem ter uma boa qualidade e devem ter
interesse para o target. É preciso ter cuidado para não colocar um vídeo com 5
minutos onde a informação desejada está nos últimos 30 segundos. O tempo é muito
importante e no Youtube um dos fatores de escolha para o visionamento de um vídeo
é o tempo;
× Infografia (querer passar uma mensagem através de um gráfico).

× Processos

× Criação de uma timeline;


× Definição de responsabilidade entre agência e cliente (Quem faz o quê, pois a partir de
um certo momento já estamos a falar de questões técnicas para ambos os lados);
× Processo de respostas na plataforma (como se interage);
× Frequência (frequência com que atualizamos);
× Longevidade;
× Privacidade.

× Promoção

É necessário promover a presença da nossa organização na web 2.0.

As ferramentas disponíveis para o fazer são:

× Facebook ads;
× Linkdin ads;
× Google awards;
× Newsletter;
× Passatempos;
× Aplicações.

Para além dos meios tradicionais

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× Integração

Integração da presença da nossa organização na web 2.0 com outras ferramentas.

Em termos práticos é a criação de hyperlinks com outros suportes comunicacionais da


organização;
Ligações com:

× Email;
× Anúncios;
× Websites.

× Dia D

Deve de existir uma timeline que organiza os preparativos para o dia de ação

O dia D, i.e. o primeiro dia em que se verifica a nossa presença nas web 2.0 , é o dia em que
desejamos que o nosso público nos visite na web. Por isso é necessário que a organização
tenha reunidas as condições para que o visitante não se sinta frustrado.

Por exemplo, é necessário ter os conteúdos no espaço da nossa presença.

× Análise

Há que perceber se houveram reações positivas ou negativas.

Quantitativas (quotas de mercado…)

Qualitativas (em que momento consumo; como consumo…)

Iluminismo
Aconteceu entre 1680 e 1780, em toda a Europa, sobretudo na França (Iluminismo Francês).

Caracterizou-se pela importância dada à razão. A razão encaminharia o homem à sabedoria e à


verdade. A maior expressão de manifestação aconteceu com o Iluminismo Francês.

Nesse período a França era atormentada pelas contradições do antigo Regime e,


principalmente, pelo jugo de um sistema fundiário moroso, de carácter aguçado, que por fim
gerou insatisfação nos diversos setores da sociedade, especialmente entre a burguesia e os
pequenos camponeses.

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Os 4 pilares do Iluminismo (caudal do Iluminismo):

× Liberalização dos fluxos comunicacionais


× Revolução na linguagem
× Comunicação por sinais
× Padronização

× Liberalização dos fluxos comunicacionais

A comunicação enquanto ideal surge com pilares:

× Nas ideias de modernidade;


× De perfetibilidade das sociedades humanas.

ESPERANÇA NO FUTURO

O iluminismo traz essa esperança no futuro e traz também a ideia do comércio como gerador
de valores.

O antigo regime

Uma problemática com a comunicação associada a um espaço nacional.

× À formação de um mercado interno

Tentativa de domesticar a natureza

Corte com o antigo regime

A liberdade de pensamento a desafiar as fronteiras;

LIBERDADE DE PENSAMENTO

× Revolução na linguagem

Esta fase do iluminismo aspirava a uma ideia de universalização:

× Regra do direito;
× Circulação de dinheiro;
× Circulação de bens;
× Circulação de pessoas.

CONSTRUIR A SUA UNIDADE  FORJANDO UMA IDENTIDADE UNIVERSAL

Uma única nação, uma única lei, um só idioma.

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Ao suprimir a barreira linguística entre aqueles que, por sua condição, eram os únicos que
podiam comunicar-se fluentemente e todos os demais, tidos como ineptos para a comunicação
entre si, a política revolucionária de unificação linguística visava absorver as diferenças e
derrubar as barreiras dos particularismos remanescentes do feudalismo e das monarquias
absolutas.

Armand Mattelart

Defendia-se a universalização da língua (francesa)

× Acabar com os dialetos e adotar universalmente a língua francesa (título de um


relatório do abade Dom Gregório, em junho de 1794)

A política linguística dos “revolucionários” era encarada como a constituição de um modelo de


língua universal.

× Comunicação por sinais

O telégrafo visual exercia um fascínio sobre esta gente (pessoas do iluminismo).

Era a busca da língua por sinais que se apoiava na ideia “Quanto maior o número de sinais
disponíveis, menor será a quantidade utilizada e mais rápida será a transmissão”

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