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Materiais preparatórios para o artigo Razão e Lógica na obra de Marx: crítica ao estatuto

científico da modernidade.

SEÇÃO 1. MATERIALISMO, HUMANISMO, SOCIALISMO E COMUNISMO

Estudo sobre a obra Sagrada Família de Marx e Engels.


Parte escrita de Marx

“d) Batalha Crítica contra o Materialismo Francês”

O iluminismo francês do século XVIII, especialmente, o materialismo francês:


- “luta contra as instituições políticas existentes e contra a religião e teologia imperantes”
- “luta aberta e marcada contra a metafísica do século XVIII”
- “contra toda a metafísica, especialmente contra de Descartes, Malebranche, Spinoza e Leibniz.
[...]”

Uma orientação de Marx acerca do método de análise das formas de consciência, neste caso
específico, sobre as batalhas do materialismo francês contra a metafísica:
“[...] assim o colapso da metafísica do século XVII pode ser explicado pela teoria materialista do
século XVIII apenas na medida em que se explica esse movimento teórico partindo da conformação prática
da vida francesa de então. Essa vida era orientada para as exigências diretas do presente, para o gozo do
mundo e dos interesses seculares, para o mundo terreno. À sua prática antiteológica e antimetafísica, à sua
prática antimaterialista tinham necessariamente de corresponder teorias antiteológicas, antimetafísicas,
materialistas. A metafísica havia perdido praticamente todo o seu crédito. Aqui, nos interessa apenas sugerir
de maneira breve a trajetória teórica.”

“A metafísica do século XVII”:


- “derrotada pelo Iluminismo francês, concretamente, pelo materialismo francês do século XVIII”
- “restauração vitoriosa e pletórica na filosofia alemã, especialmente na filosofia alemã especulativa
do século XIX”; neste ponto Marx se refere a Hegel que fundiu: “a metafísica anterior” e “idealismo
alemão”. Instaurou “um sistema metafísico universal”. A derrota desta restauração da metafísica no
idealismo alemão, se deu, primeiramente, segundo Marx: “Feuerbach”. Importante notar que a crítica de
Feuerbach, considerado como empreitada teórica contra o idealismo alemão de Hegel corresponde ou se
equivale na prática ao humanismo, socialismo e comunismo francês e inglês.

Antes de avançar nestes aspectos das vitórias do materialismo francês e inglês contra a filosofia
especulativa e toda metafísica, Marx apresenta de forma sumária a gênese filosófica do materialismo
francês.

“[...] duas tendências no materialismo francês [...]”. Importante destacar que estas duas “[...]
tendências se entrecruzam no curso do desenvolvimento. [...]”

1 - “[...] uma provém de Descartes [...]


“[...] materialismo mecânico, acaba se perdendo naquilo que poderíamos chamar de ciências
naturais. [...]”
“[...] Em sua física, Descartes havia concedido à matéria força autocriadora; além disso havia
concebido o movimento mecânico como a obra de sua vida. Ele havia separado totalmente sua física de sua
metafísica. Dentro de sua física, a única substância, o fundamento único do ser e do conhecimento é a
matéria.”

“No século XVII, a metafísica (basta pensar em Descartes, Leibniz, etc.) ainda parecia mesclada
com um conteúdo positivo, profano. Ela faz descobertas nos campos da matemática, da física e de outras
ciências exatas, que pareciam fazer parte de seu campo de estudos. [...]”

Esta separação realizada por Descartes de sua física e metafísica, tornou-se, posteriormente, numa
“contraposição”. Os discípulos de Descartes tornaram-se antimetafísicos, ou seja, tornaram-se físicos.
Algumas referências destacadas por Marx:
- o médico Le Roy, o médico Cabanis (obra “Relações do físico e do moral do homem” e o médico
La Metrie. “[...] explicando a alma como uma modalidade do corpo e as ideias como movimentos
mecânicos. [...]”

Outra observação importante: “[...] grandes resultados nas ciências naturais mecânicas [...]”.

Mas, como já foi dito na introdução deste trabalho, o materialismo francês do século XVIII se opõe
a toda metafísica, inclusive de Descartes. Curioso esta duplicidade da obra de Descartes, que desenvolve o
seu materialismo (física) num antagonismo com a sua metafísica, uma antagonismo recíproco entre
metafísica cartesiana e materialismo cartesiano.

Seguindo, as tendências de continuidade do materialismo de Descartes em contraposição a sua


metafísica, Marx destaca:
- “Gassendi, o restaurador do materialismo epicurista. O materialismo francês e inglês se achou
sempre unido por laços estreitos a Demócrito e Epicuro. [...]”
- “[...] no materialismo inglês Hobbes”

Importante observar que a derrota da metafísica no século XVIII se dá, também, pelo processo de
separação das “ciências positivas” de toda metafísica. Um processo de separação do reflexo
desantropomorfizador científico da metafísica. De acordo com Marx:

“[...] Toda a riqueza metafísica já se limitava apenas a entes especulativos e a objetos celestiais,
precisamente no momento em que as coisas terrenas começavam a absorver e concentrar todo o interesse. A
metafísica havia se tornado insossa. No mesmo ano em que morriam os últimos grandes metafísicos
franceses do século XVII, Malebranche e Arnauld, vinham ao mundo Helvetius e Condillac.”

Destaque para “Pierre Bayle” de transição da riqueza da metafísica para a abertura do materialismo
do século XVIII na França:
- “[...] a dúvida religiosa impulsionou Bayle à dúvida em relação à metafísica, que servia de esteio
para essa crença. Por isso ele submete a metafísica, em toda sua trajetória histórica, à crítica. Ele tornou-se
seu historiador a fim de escrever a história de sua morte. E refutou, prioritariamente, Spinoza e Leibniz.”
- “[...] Ele anunciou a sociedade ateia, que logo começaria a existir, mediante a prova de que podia
existir uma sociedade em que todos fossem ateus, de que um ateu podia ser um homem honrado e de que o
que desagrada ao homem não é o ateísmo, mas sim a superstição e a idolatria.”

2 - “[...] a outra tem sua origem em Locke [...]”


[...] um elemento da cultura francesa e desemboca de forma direta no socialismo. [...]”
“Além da refutação negativa da teologia e da metafísica do século XVII, era necessário um livro
que elevasse a sistema e fundasse teoricamente a prática de vida da época. A obra de Locke “Ensaio sobre o
entendimento humano” veio bem a calhar, saída do outro lado do Canal. E foi acolhida com grande
entusiasmo, como o convidado ao qual se aguarda com paciência.”

Antes de apresentar com esta segunda tendência do materialismo francês, provida do inglês Locke,
é necessário fazer algumas observações introdutórias e gerais sobre a origem deste materialismo inglês.

“O materialismo é o filho inato da Grã-Bretanha. [...]”

Primeiro. O nominalismo.
- “[...] Escolástico Duns Escoto se perguntava ‘se a matéria não podia pensar’.” [...] ele obrigou a
própria teologia a pregar o materialismo.”
- “[...] O nominalismo é um dos elementos principais dos materialistas ingleses, da mesma maneira
que é, em geral, a primeira expressão do materialismo.”

Segundo. Francis Bacon.


- “[...] patriarca do materialismo inglês e de toda ciência experimental moderna”;
- “[...] ciência da natureza é, para ele, a verdadeira ciência, e a física sensorial a parte mais
importante da ciência da natureza. [...]”
- Algumas referências ou inspirações: “Anaxágoras, com suas homeomerias, e Demócrito, com
seus átomos. [...]”

A doutrina:
- “[...] os sentidos são infalíveis e a fonte de todos os conhecimentos. [...]”
- “[...] a ciência da experiência [...]”
- “[...] aplicar um método racional àquilo que os sentidos nos oferecem. [...]”

O que seria este método racional?


- “indução;
- análise;
- comparação;
- observação;
- experimentação”.

A concepção das “qualidades inatas da matéria”:


- “[...] primeira e primordial é o movimento, não apenas enquanto movimento mecânico e
matemático, mas, também, e mais ainda, enquanto impulso, espírito de vida, força de tensão ou tormento –
para empregar a expressão de Jacob Böhme – da matéria. [...]”
- “[...] As formas primitivas desta são forças essenciais vivas, individualizadoras, inerentes a ela, e
que produzem as diferenças específicas.”

Duas considerações importantes sobre Francis Bacon.


Primeira: “[...] o materialismo ainda esconde de um modo ingênuo os germens de um
desenvolvimento omnilateral. A matéria ri do homem inteiro num brilho poético-sensual. [...]”
Segunda: “[...] A doutrina aforística em si, ao contrário, ainda pulula de inconsequências
teológicas.”
Hobbes.
Este materialismo com “germens de um desenvolvimento omnilateral” torna-se num materialismo
“unilateral”. A sistematização deste materialismo unilateral se encontra na obra de Hobbes: “[...] o
sistematizador do materialismo baconiano. [...]”
Importante esta crítica de Marx sobre esta conversão do materialismo omnilateral em unilateral
como um processo de perda:
- “[...] A sensualidade perde seu perfume para converter-se na sensualidade abstrata do geômetra.
[...]”
- “[...] O movimento físico é sacrificado ao mecânico ou matemático [...]”
- “[...] a geometria passa a ser proclamada como a ciência principal. [...]”
- “[...] O materialismo torna-se misantrópico. [...]”

Este materialismo unilateral de Hobbes torna-se “misantrópico”, o que significa a perda da


centralidade dos interesses e necessidades humano-sociais, isto é, ergue-se uma barreira para a conexão do
domínio do gênero humano entre natureza e ser social.

Quais as consequências?
- “[...] a fim de poder dominar o espírito misantrópico e descarnado em seu próprio campo, o
materialismo tem de matar sua própria carne e tornar-se asceta. [...]”
- “[...] Ele se apresenta como um ente intelectivo, mas ele desenvolve também a consequência
insolente do intelecto.”

A sistematização de Hobbes:
- “[...] os sentidos fornecem ao homem todos os conhecimentos [...]” – continuidade da doutrina de
Bacon;
- “[...] a intuição, o pensamento, a representação etc. [...] fantasmas do mundo corpóreo mais ou
menos despojado de sua forma sensível. [...]” – princípio da sistematização;
- “[...] A única coisa que a ciência pode fazer é nomear esses fantasmas. Um nome pode ser usado
para mais de um fantasma. Pode haver, inclusive, nomes de nomes. [...]” – referência ao nominalismo.

A contradição entre a representação e conceituação do mundo dos sentidos e o mundo objetivo,


real:
- “[...] todas as ideias encontrem sua origem no mundo dos sentidos [...]”
- “[...] uma palavra seja algo mais do que uma palavra, que além das entidades sempre concretas
que representamos existam ainda entidades gerais. [...]”

O problema: A representação ideal, o conceito é, ao mesmo tempo, “[...] Uma substância


incorpórea representa, muito antes, a mesma contradição representada por um corpo incorpóreo. [...]”

Resolução:
- “[...] Corpo, ser, substância são uma e única ideia real. [...]”
- “[...] Não é possível separar o pensamento da matéria que pensa. [...]”

Quem é a “matéria que pensa”?


Resposta: “[...] o sujeito de todas as mudanças. [...]”. Por exemplo, a palavra e o conceito de
infinito.
“[...] A palavra infinito é carente de sentido, caso não significar a capacidade de nosso espírito para
acrescentar sem fim. E, como só o material é perceptível e suscetível de ser sabido, não se sabe nada da
existência de Deus. Só a minha própria existência é certa. [...]”

Importante destacar: “Só a minha própria existência é certa”!

Desenvolvimentos ou consequências:
- “[...] Toda paixão humana é um movimento mecânico que termina ou começa. [...]”
- “[...] Os objetos dos impulsos são o bem. [...]”
- “[...] O homem está submetido às mesmas leis que a natureza. [...]”
- “[...] Poder e liberdade são idênticos.”

Locke é o que fundamenta os princípios de Bacon e a sistematização de Hobbes.


Derivações desta fundamentação de Locke, inclusive numa crítica ao que Marx reconheceu como
“barreira teológica do sensualismo lockeano”, foram:
- Collins;
- Dodwell;
- Coward;
- Hartley;
- Priestley.

Como o materialismo de Locke influenciou e tornou-se referência para o materialismo francês?


Primeiro. Condillac, a obra “Essaio sobre a origem da consciência humana”.
- “O discípulo direto e intérprete francês de Locke”
- “[...] refutação dos sistemas de Descartes, Spinoza, Leibniz e Malebranche.”
- “[...] demonstrou que não apenas a alma, mas também os sentidos, não apenas a arte de fazer
ideias, mas também a arte da captação sensorial eram obra da experiência e do hábito. [...]”

Desta última observação acerca da experiência e do hábito sobre a alma e os sentidos humanos
emerge a vinculação entre materialismo e socialismo, no seguinte modo:
- “[...] Da educação e das circunstâncias externas dependerá, por conseguinte, todo o
desenvolvimento do homem. [...]”
Isto coloca a análise e concepção da desigualdade, violência e outras expressões dos problemas
sociais modernos sobre a educação e as circunstâncias externas que os indivíduos tiveram em suas vidas.
Inclusive, daqui pode surgir a concepção da possibilidade do Estado de intervir para suprimir os problemas
sociais modificando a educação e as circunstâncias externas.
A sociedade aparece como algo externo ao indivíduo.
O indivíduo é o resultado da educação e das circunstâncias externas.
Modificando estas circunstâncias se modifica o indivíduo.

Segundo. Helvétius, a obra “Do homem, de suas faculdades intelectuais e de sua educação”
- “[...] concebe o materialismo em sua relação com a vida social. [...]”

O fundamento da moral dos indivíduos: “[...] As qualidades sensíveis e o amor-próprio, o gozo e o


interesse pessoal [...]”.
A igualdade entre os homens: “[...] igualdade natural das inteligências humanas [...]”. Nascemos
com a mesma capacidade de inteligência.
Os “momentos fundamentais de seu sistema”, consiste na “unidade entre”:
- “progresso da razão e o progresso da indústria”
- “bondade natural do homem e a onipotência da educação”.

“Como, segundo Helvétius, o que forma o homem é a educação, pela qual ele entende não apenas a
educação em seu sentido corrente, mas também o conjunto das relações de vida de um indivíduo, se é
necessária uma reforma que venha a superar a contradição entre o interesse particular e o interesse geral
humano, para poder levar a cabo essa reforma faz falta, por outro lado, transformar a consciência [...]”

Neste aspecto de transformação da consciência dos próprios indivíduos, o alvo é a “adoração


estúpida que os povos sentem pelas velhas leis e costumes” (Helvétius). É necessário acabar com
“ignorância”.
Em outras palavras, não basta a reforma do “conjunto das relações de vida de um indivíduo”
(educação), mas também, a consciência deste indivíduo que o prende a costumes, tradições e leis anteriores
(velho). A necessidade da formação de um novo indivíduo.

Como já foi dito anteriormente, as duas tendências do materialismo francês se entrelaçam, isto é, o
materialismo cartesiano e o materialismo inglês de Locke.
Algumas referências.

La Mettrie, na obra “O homem-máquina”.


- “[...] desenvolvimento que parte do protótipo cartesiano do animal-máquina. [...]”

Holbach, na obra “O sistema da natureza”.


- “[...] parte física é constituída também pela combinação entre o materialismo francês e o inglês
[...]”
- “[...] parte moral descansa, essencialmente, sobre a moral de Helvétius”.
No final deste texto, Marx coloca algumas passagens que demonstra o aspecto do indivíduo como
ser social, o encontro, a associação com os outros indivíduos como princípio desta parte moral. Importante a
afirmação de que a “moral religiosa não serviu jamais para tornar mais sociáveis os mortais”.

Alguns extratos destacados por Marx da obra de Holbach:


“Um homem sem paixões ou sem desejos deixaria de ser um homem [...] Totalmente
desinteressado de si mesmo, como é que se poderia movê-lo a se interessar pelos outros? Um homem
indiferente a tudo, privado de paixões, que se bastasse a si mesmo, não seria mais um ser sociável [...] a
virtude não é outra coisa que a comunicação do bem.”

“Amar aos demais [...] é confundir nossos interesses com os de nossos associados, a fim de
trabalhar em proveito comum [...] A virtude não é senão a utilidade dos homens reunidos em sociedade.”

Contradição no materialismo francês:


- Robinet na obra “Da natureza”, vincula o materialismo com a metafísica de Leibniz.

Síntese:
“Assim como o materialismo cartesiano acaba na verdadeira ciência da natureza, a outra tendência
do materialismo francês desemboca diretamente no socialismo e no comunismo.”
De Descartes as ciências da natureza, tal como de Isaac Newton.
De Locke ao socialismo e comunismo utópico.

Alguns exemplos que confirmam as afirmações anteriores, principalmente, acerca desta vinculação
entre o materialismo francês e o socialismo e comunismo.
Por exemplo:
- “[...] bondade originária e a capacidade intelectiva igual dos homens [...]”
- “[...] a força onipotente da experiência, do hábito, da educação, da influência das circunstâncias
sobre os homens [...]”
- “[...] do alto significado da indústria, do direito ao gozo etc. [...]”

As sínteses deste materialismo francês com o humanismo, socialismo e comunismo:

Primeira síntese.
“[...] Se o homem forma todos seus conhecimentos, suas sensações etc. do mundo sensível e da
experiência dentro desse mundo, o que importa, portanto, é organizar o mundo do espírito de tal modo que o
homem faça aí a experiência, e assimile aí o hábito daquilo que é humano de verdade, que se experimente a
si mesmo enquanto homem.

Segunda síntese.
“[...] Se o interesse bem-entendido é o princípio de toda moral, o que importa é que o interesse
privado do homem coincida com o interesse humano. [...]”

Nesta segunda síntese, Marx destaca a unidade entre o interesse privado do homem na sociedade
burguesa, tal como, no mercado, na propriedade privada e o interesse humano como referência para se
pensar a sociedade burguesa como sociedade livre. E, nisto se coloca a crítica a esta sociedade burguesa,
exatamente por não possibilitar a unidade entre o interesse privado e interesse humano.
Este ponto, tem como exemplo, o crime! A violência urbana na sociedade burguesa, tal como,
roubar, matar, etc.
Continuando:

“[...] Se o homem não goza de liberdade em sentido materialista, quer dizer, se é livre não pela
força negativa de poder evitar isso e aquilo, mas pelo poder positivo de fazer valer sua verdadeira
individualidade, os crimes não deverão ser castigados no indivíduo, mas sim destruir as raízes antissociais
do crime e a dar a todos a margem social necessária para exteriorizar de um modo essencial sua vida. [...]”

Isto seria possível na sociedade burguesa? “fazer valer sua verdadeira individualidade”?

Se não é possível, é necessário transformar estas circunstâncias externas da sociedade burguesa.


Importante destacar, a sociedade aparece como algo externo aos indivíduos sociais.

“[...] Se o homem é formado pelas circunstâncias, será necessário formar as circunstâncias


humanamente. Se o homem é social por natureza, desenvolverá sua verdadeira natureza no seio da sociedade
e somente ali, razão pela qual devemos medir o poder de sua natureza não através do poder do indivíduo
concreto, mas sim através do poder da sociedade.”
A contraposição, polarização entre o poder do indivíduo e o poder da sociedade, entre as
circunstâncias externas e os indivíduos.

De acordo com Marx estas sínteses são encontradas na obra “Apologia do vício” de Mandeville,
nos escritos de Fourier e nos “babouvistas”.

Na Inglaterra, na obra de Bentham a partir de Helvétius desenvolve a polarização entre o interesse


geral humano na figura do interesse público do Estado e o interesse particular do indivíduo, defendendo a
liberdade e igualdade deste último.

E, “Owen, partindo de Bentham”.

A “doutrina do materialismo na condição de teoria do humanismo real e de base lógica do


comunismo”: Cabet, Dézamy, Gay e outros.

Estas considerações entram em conflito com a obra “História da Filosofia” de Hegel, ao apresentar
segundo a leitura de Marx: “o materialismo francês como sendo a realização da substância spinozista”

Anotações de Marx sobre os contratualistas. Principalmente, Rousseau.

Anotações de Marx sobre progresso e indústria moderna.

Anotações de Marx sobre civilização do capital. Mercado, dinheiro e capital. Forças


produtivas do trabalho social e acumulação de capital.

Anotações de Marx sobre o materialismo de Feuerbach e análise da razão e lógica de Hegel.

REFERÊNCIAS

BACON, Francis.

BAYLE, Pierre.

BENTHAM. Teoria das recompensas.

CABANIS, Pierre-Jean-Georges. Relações entre o físico e o moral do homem, 1802.

DESCARTES, René.

HELVÉTIUS, Claude-Adrien. Do homem, de suas faculdades intelectuais e de sua educação. 1773.


______. Do Espírito. 1758.

HOBBS.

HOLBACH. Sistema da natureza, ou das leis do mundo físico e do mundo moral. 1770.

LA METTRIE. O homem-máquina.
LEIBNIZ

LOCKE

MANDEVILLE. Apologia do vício.