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Unidade 1: A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA

Aula I - Ciência e Senso Comum

Antes de iniciarmos o estudo da Psicologia (nosso propósito neste


trabalho), mostra-se importante apresentarmos de forma breve uma visão básica
sobre ciência, para que possamos compreender a Psicologia como ramo
científico.

Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou


fenómeno qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiências
que acumulamos em nossa vida quotidiana, através de experiências, dos
relacionamentos interpessoais, das leituras de livros e artigos diversos.

Entre todos os animais, nós, os seres humanos, somos os únicos


capazes de criar e transformar o conhecimento; somos os únicos capazes de
aplicar o que aprendemos, por diversos meios, numa situação de mudança do
conhecimento; somos os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como
a linguagem, e com ele registar nossas próprias experiências e passar para
outros seres humanos. Essa característica é o que nos permite dizer que somos
diferentes dos gatos, dos cães, dos macacos, dos leões, e outros animais
considerados irracionais; precisamente porque não têm a capacidade pensante,
que caracteriza o homem.

Ao criarmos este sistema de símbolos, através da evolução da espécie


humana, permitimo-nos também ao pensar e, por consequência, a ordenação e
a previsão dos fenómenos que nos cerca.

Existem diferentes tipos de conhecimentos:

O senso comum: conhecimento da realidade


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Existe um modo de vida que pode ser entendido como a vida por
excelência: é a vida do quotidiano. É no quotidiano que tudo flúi, que as coisas
acontecem, que nos sentimos vivos, que sentimos a realidade.

Quando fazemos ciência baseamo-nos na realidade quotidiana e


pensamos sobre ela. O conhecimento do quotidiano (senso comum) e o
conhecimento científico aproximam-se e afastam-se contemporaneamente.
Aproximam-se enquanto a ciência se refere á realidade e afastam-se
enquanto a ciência abstrai a realidade para compreender melhor, isto é,
transforma a realidade em objecto de investigação permitindo a
construção do conhecimento científico sobre o real.

Sem o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativa e erros, a nossa


vida quotidiana não teria o devido sentido, de vida.

A esta experiência acumulada no quotidiano chamamos de senso


comum, ou seja, é o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros
que facilitam a nossa vida no dia-a-dia. (imaginemos ter que pensar sempre que
atirando algo da janela cai; que o carro em velocidade se aproxima, etc.). Esta
experiência torna-se hábito e passa de geração em geração e assim o
senso comum vai construindo suas «teorias» médicas, físicas,
psicológicas (poder de persuasão de um vendedor, um amigo que escuta bem,
etc.).

O conhecimento intuitivo não é suficiente para as exigências do


desenvolvimento humano;

Os gregos, por volta do século 4 a.C. já dominavam complicados cálculos


matemáticos, ainda hoje difíceis, mas eles precisavam entender para resolver
problemas arquitectónicos, navais, agrícolas, etc. Com o tempo tais
conhecimentos especializaram-se, até atingirem um nível de satisfação que
permitiu ao Homem de atingir a lua. A este tipo de conhecimento, que
definiremos com mais cuidado logo adiante, chamamos de Ciência. Deste modo
foram-se constituindo várias áreas de conhecimento, entre as quais podemos
citar:
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 Filosofia - Forma mais geral de perceber e compreender a


natureza.. A especulação em torno deste tema forneceu um corpo de
conhecimentos denominados de filosofia. A Filosofia é fruto do raciocínio
e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo sobre fenómenos,
gerando conceitos subjectivos. Busca dar sentido aos fenómenos gerais
do universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Leis mais gerais
sobre os componentes do conhecimento, por exemplo os gregos se
preocuparam com a origem e o significado da existência humana

 Religião - Formulação de um conjunto de conhecimentos sobre a origem


do Homem, seus mistérios, princípios morais. A fonte destas tradições e
crenças é a Bíblia (registo do conhecimento religioso judaico-cristão),
base da conduta para muitos, diferente da história. É um conhecimento
revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem, ser
confirmado ou negado. Depende da formação moral e das crenças de
cada indivíduo.

 Ciência (Conhecimento Científico) - procura conhecer, além dos


fenómenos, suas causas e leis. É o conhecimento racional, sistemático,
exacto e verificável da realidade. Sua origem está nos procedimentos de
verificação baseados na metodologia científica.

 Arte - traduz a emoção, o belo e a sensibilidade, na pré-história


encontramos desenhos do corpo humano nas paredes das cavernas que
exprimiam tal sensibilidade e emoção.

 Ética (moral) - valores morais, normas de conduta.

Ciência, Arte, Ética, Religião, Filosofia, e Senso Comum são domínios do


conhecimento humano. Nosso objectivo é definir a Psicologia como ciência.
Para tal constitui imperativo analisar o que é ciência?”, para que possamos
compreender a psicologia como ciência.
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Aula 2- Evolução da Ciência Psicológica

1. Os Grandes Períodos de Evolução da


Psicologia

Pode-se considerar três grandes períodos/fases da evolução da


psicologia.

Fase filosófica

É a fase relacionada com a Ética e a Filosofia. Compreendia o estudo da


natureza dos reflexos da mente e da alma. Era um saber especulativo, de
carácter racional. Os filósofos explicavam os fenómenos da natureza (formação
de cosmos e origem do próprio Homem) de forma mitológica. O saber
psicológico estava envolto à vasta área do conhecimento filosófico, portanto,
classificado como especulativo, por não poder provar suas conclusões.

Fase pré-científica (psicologia empírica)

Dedicava-se ao estudo dos factos psíquicos que eram interpretados com


base na experiência do dia-a-dia, isto é, do quotidiano vivido. É nesta fase que
se abre o caminho para a cientificidade da psicologia. A interpretação e
consequente conhecimento dos fenómenos psíquicos era fundamentada em
parte pelo saber filosófico, influenciado pela experiência quotidiana (social e
reflexão sistemática) dos cientistas.

Fase científica

Estuda os fenómenos e processos psíquicos, descreve-os, explica e


estabelece as relações causa-efeito. Nesta fase a psicologia torna-se ciência
autónoma: define o seu objecto de estudo, métodos e técnicas próprias, leis e
princípios que regem o estudo da psicologia, utiliza uma linguagem rigorosa e
determina os seus objectivos e finalidades.

Contribuiu de forma marcante para a cientificação da Psicologia a


institucionalização, pelo psicofisiologista alemão Wilhelm Wundt, em 1879, de
um laboratório de Psicologia, na cidade alemã de Leipzig. O laboratório permitiu
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o desenvolvimento de métodos de estudo próprios, a reverificação do objecto de


estudo, e consequente afirmação de seu conceito como ciência que estuda os
fenómenos psíquicos, ou simplesmente, estudo do comportamento.

2. O Pensamento Psicológico Antes e Depois do Século XVIII

Psicologia e História

Por de trás de qualquer produção humana material ou espiritual (cadeira,


computer, religião), existe sempre uma história

Cada um tem uma história pessoal, longa ou curta, a psicologia tem cerca
de dois mil anos de história

Para compreender a psicologia é necessário compreender a sua história,


história essa que está ligada a cada momento histórico, ás exigências do
conhecimento da humanidade, as demais áreas de conhecimento humano e aos
novos desafios colocados pela realidade económica e social e pela insaciável
necessidade do Homem de compreender a si mesmo.

A Psicologia entre os Gregos

É entre os filósofos gregos que surge a primeira tentativa de sistematizar


uma psicologia. De facto, os avanços permitem que os cidadãos se ocupem de
coisas do espírito, como a filosofia e a arte – homens como, Sócrates, Platão,
Hipócrates e Aristóteles dedicam-se a compreender esse espírito empreendedor
do conquistador grego, ou seja, a Filosofia começou a especular o Homem e a
sua interioridade. O próprio termo Psiché= alma e logos= logos (razão),
portanto etimologicamente Psicologia significa estudo da alma.

Filósofos pré-socráticos - preocupam-se em definir a relação do


Homem com o mundo através da PERCEPÇAO = o mundo existe porque o
Homem o vê ou o Homem vê o mundo que já existe – oposição entre idealistas
( a ideia forma o mundo) e materialistas (a matéria que forma o mundo já dada
para a percepção).
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Sócrates (496-399 a.C.)

Com ele a Psicologia na antiguidade ganha consistência: segundo


Sócrates o que distingue o Homem do animal é a RAZÃO porque permite ao
Homem de sobrepor-se aos instintos, que seriam a base da irracionalidade –
definindo a razão como essência e peculiaridade do Homem, Sócrates abre um
caminho que será explorado pela Psicologia: fruto desta reflexão são por
exemplo, as Teorias da consciência que de certa forma são resultado desta
sistematização na Filosofia.

Platão (427-347 a.C.)

Discípulo de Sócrates, procura o «lugar» para a razão no nosso corpo


(cabeça), onde se encontra a ALMA do Homem. A medula será o elemento de
ligação da alma com o corpo - este elemento era necessário porque Platão
concebia a alma separa do corpo (dualismo). Quando alguém morria a matéria
(corpo) desaparecia, mas a alma ficava livre para ocupar outro corpo
(reincarnação).

Hipócrates e a Teoria dos Humores (496-361 a.C.)

Uma análise mais acurada das diferenças individuais, estreitamente


ligadas a uma reflexão mais sistemática na relação mente-corpo, foi feita com
Hipócrates de Cosmes. Médico e a sua ciência era finalizada á medicina, mas,
enquanto filósofo, funda uma verdadeira e própria ciência do Homem onde
confluíram observações sociológicas, psicológicas e fisiológicas. O contínuo
esforço de síntese e de sistematização de tais observações não tiveram
precedentes na história do pensamento humano e permanecerão em seguida
apreciados por um período de 20 séculos.

Todavia, a medicina hipocrática passou na história como aquela que se


baseava na teoria dos quatro humores.

Hipócrates defende que existem 4 humores no corpo humano: o sangue,


a fleuma, a bílis amarela e a bílis preta. Segundo a prevalência de cada um
destes elementos sobre o outro a pessoa desenvolverá um certo temperamento
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que poderá ser respectivamente: sanguíneo, fleumático, colérico e


melancólico e também vários tipos de predisposições á doença. O Homem é
«são» quando estes humores estão «reciprocamente bem temperados por
propriedade e quantidade» e a mistura é completa. Contrariamente a isto o
Homem é doente quando existe excesso ou defeito destes elementos.

Mais importante ainda são os seus estudos neurológicos. Numa das suas
obras afirma que o cérebro é o órgão mais potente do corpo e que os órgão de
sentido actuam em base á sua capacidade de discernimento. Ainda nesta obra
Hipócrates descreve os delírios e alucinações e afirma na dependência de
anomalias das faculdades intelectuais dos traumas crânicos.

Com estas afirmações, Hipócrates põe em relevo uma concepção que se


está afirmando no pensamento grego, isto é, que o Homem é parte da natureza
e pode ser estudado com os métodos da ciência natural. Esta concepção
encontrou a sua expressão mais forte em Aristóteles.

Aristóteles (384-322 a.C.)

Discípulo de Platão, foi um dos mais importantes pensadores da história


da filosofia – superou o dualismo da dissociação entre a alma e o corpo
(inovação). Para ele a psyché era o princípio activo da vida, isto é, tudo aquilo
que cresce, se reproduz e alimenta possui a sua psyché ou alma (vegetação,
animais, Homem, possuem alma:

 alma vegetativa – vegetais: função reprodutiva e alimentar

 alma sensitiva – animais: função de percepção e movimento

 vegetativa, sensitiva + racional – função pensante

Aristóteles estuda as diferenças entre a razão, percepção e sensações,


estudo sistematizado no “Da Anima” o qual pode ser considerado o primeiro
tratado de Psicologia.

Portanto, 2300 anos antes do advento da Psicologia Científica, os gregos


já haviam formulado duas “Teorias”: Platónica – que postulava a imortalidade
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da alma e a concebia separada do corpo, e a Aristotélica – que afirmava a


mortalidade da alma e a sua relação de pertecimento ao corpo.

A Psicologia no Império Romano

O império romano nasce ás véspera da era cristã, domina parte da


Grécia, Europa e do Oriente Médio

Característica deste período é o advento do cristianismo. Força religiosa


que passa á força política dominante que não obstante as invasões barbarias
de 400 d.C., que levam á degradação territorial e económica, o cristianismo
sobrevive e até se fortalece, tornando-se a religião principal da Idade Média,
período que então se iniciara:

Falar da psicologia neste período é relacionada ao conhecimento


religioso, o qual dominando o poder económico e político monopolizava também
o saber e, consequentemente o estudo do psiquismo.

Santo Agostinho (354-430 d.C.)

Inspirado em Platão faz cisão entre corpo e alma, a diferença para ele é
que a alma, não é somente a sede da razão mas também a prova de uma
manifestação divina no Homem. A alma era imortal por ser o elemento que liga o
Homem á Deus e sendo a alma também a sede do pensamento a Igreja passa a
se preocupar também com a sua compreensão.

São Tomás de Aquino (1225-1274)

Vive numa período que preanuncia a ruptura da Igreja católica, o advento


do protestantismo – época que prepara a transição para o capitalismo, com a
revolução francesa e a revolução industrial na Inglaterra. Perante esta crise
social e económica a Igreja devia encontrar novas justificações em relação ao
conhecimento como a relação com Deus e o Homem. São Tomas d’Áquino foi
buscar em Aristóteles a distinção entre essência e existência – como Aristóteles,
ele considera que o Homem, na sua essência, busca a perfeição através da sua
existência mas introduzindo o ponto de vista religioso, ao contrario de
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Aristóteles, afirma que somente Deus seria capaz de reunir a essência e a


existência, em termos de igualdade. Portanto, a busca da perfeição do Homem
seria a busca de Deus.

S. Tomás encontra argumentos racionais para justificar os dogmas da


Igreja e continua garantindo para ela o monopólio do estudo do psiquismo.

A Psicologia do Renascimento

+ 1200 depois da morte de S. Tomás inicia uma época de transformações


radicais no mundo europeu: RENASCIMENTO ou RENASCENCA – o
mercantilismo, e a descoberta de novas terras (América, Índia, Rota pacífica)
propicia a acumulação das riquezas para a Franca, Itália, Inglaterra, Franca,
Espanha. Na transição para o capitalismo emerge nova forma de organização
social e económicas, dá-se também um processo de valorização do Homem.

As transformações ocorrem no sector humano:

+ 1300 Dante escreve a “Divina Comédia”

+ 1475-1478 - Leonardo da Vinci pinta o ”quadro da Assunção”

+ 1513 – Maquiavel escreve o “Príncipe”, obra clássica da política

 Alguns marcos que definiram o avanço da ciência:

 1543 – Copérnico mostra que o nosso planeta não é o centro do


universo

 1610 Galileu estuda a queda dos corpos, realizando as primeiras


experiências da física moderna – avanço que principia o inicio da
sistematização do conhecimento científico - começam a estabelecer-se
métodos e regras básicas para a construção de conhecimento
cientifico.

René Descartes (1596-1659)


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um dos filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência postula a


separação entre a mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o Homem
possui uma substancia material e uma substancia pensante e que o corpo,
desprovido do espírito era somente uma máquina - dualismo corpo e mente
que torna possível o estudo do corpo humano morto, o que era impensável nos
séculos anteriores (o corpo era considerado sagrado pela Igreja, por ser a sede
da alma) e dessa forma possibilita o avanço da anatomia e da fisiologia que
inicia a contribuir muito para o progresso da Psicologia.

A Origem da Psicologia Científica

No século XIX, o papel da ciência torna-se necessário devido ao


crescimento na ordem económica – CAPITALISMO que traz a
INDUSTRIALIZAÇAO. A ciência deve dar novas respostas e soluções práticas
no campo da técnica. Para melhor compreensão, analisemos as características
da sociedade nalgumas fases do desenvolvimento influenciadas pela política
social e económica:

PERÍODO FEUDAL:

Caracteriza-se pela:

 Produção de subsistência

 Relação Senhor feudal – servo

 Sociedade estável

 Papéis eram baseados no sexo

 Hierarquia – base de verdade; centralização do poder;

Esse mundo fechado é o universo finito, reflectia e justificava a hierarquia


social inquestionável do fundo.

PERÍODO CAPITALISMO
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Põe o mundo em movimento com a necessidade de abastecer os


mercados e produzir mais. algumas características desta fase:

 Buscou nova matéria – prima na natureza

 Criou novas necessidades; questiona as hierarquias para derrubar


a nobreza e o clero dos seus lugares há séculos estabelecidos

 O universo também foi posto em movimento, o sol tornou-se o


centro do universo, que passou a ser visto sem hierarquização;

 Superou-se o antropocentrismo (o Homem – centro do universo),


passando a ser visto um ser livre, capaz de construir o futuro;

 O servo, liberto do seu vínculo com a terra pode escolher seu


trabalho e seu lugar social

 o capitalismo torna todos os Homens consumidores, em potências


das mercadorias produzidas

 O conhecimento tornou-se livre, independente da fé, os dogmas


da Igreja foram questionados e a racionalidade do Homem apareceu
como a grande possibilidade de construção do conhecimento.

A BURGUESIA:

O Capitalismo traz como consequência a formação de uma nova classe, a


burguesia, com as seguintes características:

 Disputa o poder e surge como nova classe social e económica

 Defende a emancipação do Homem para emancipar-se também

 Era preciso quebrar a ideia do universo estável, para poder


transformá-lo, era preciso questionar a NATUREZA para viabilizar a
sua exploração em busca de matérias primas – condições materiais
para o desenvolvimento da ciência moderna: CONHECIMENTO COMO
FRUTO DA RAZÃO
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 Possibilidade de desvendar a natureza e leis de observação


rigorosa e objectiva – não mais submetidos a leis ou dogmas religiosos
ou pela actividade eclesial e portanto sentiu-se a necessidade da
ciência:

A possibilidade de realizar trabalhos de pesquisa mais aprofundados, que


exigiam algum tipo de suporte financeiro (só possível com a classe dos
burgueses) fez com que surgissem novos contornos nas diversas áreas do
saber. São exemplos disso:

 Surge Charles DARWIN – enterra o antropocentrismo com a sua


tese evolucionista. (teoria da evolução das espécies – selecção
natural).

 HEGEL – sublinha a importância da história para a compreensão


humana – a ciência avança e se torna referencial para o mundo –
verdade procurada na ciência; a própria filosofia adapta-se aos tempos.

 Augusto COMTE - com o seu Positivismo, postula a necessidade


de maior rigor científico na construção dos conhecimentos nas ciências
humanas, desse modo propunha o método das ciências naturais:
física, como modelo de construção do conhecimento

Consequências

Na metade do século XIX temas e problemas até então estudados pelos


filósofos passam a ser estudados pela fisiologia, neurofisiologia em particular –
formulação de teorias dobre o SNC, demonstrando que o pensamento, as
percepções e os sentimentos humanos eram produtos deste sistema.

O capitalismo trouxe uma “máquina” - criação fantástica que determinou


a forma de ver o mundo ( o mundo visto como uma máquina), o mundo como um
relógio, todo o universo como se fosse uma máquina, isto é, que podemos
conhecer o seu funcionamento, a sua regularidade, as suas leis, uma forma de
pensar que atingiu as ciências humanas, facto que, para se conhecer o
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psiquismo humano passa a ser necessário compreender o mecanismo e o


funcionamento da máquina de pensar do Homem: o CÉREBRO!

Assim a psicologia começa a trilhar os caminhos da fisiologia, da


neuroanatomia e da neurofisiologia.

Resultado disso, em 1846, a Neurologia descobre que a doença mental


é fruto da acção directa ou indirecta de diversos factores sobre as células
cerebrais; Neuroanatomia descobre que a actividade motora nem sempre está
ligada á consciência para não estar necessariamente na dependência dos
centros cerebrais superiores, p.ex. quando alguém queima a mão na chapa
quente, primeiro tira a mão para depois perceber o que aconteceu, fenómeno
denominado reflexo, e o estímulo que chega a medula espinhal, antes de
chegar aos centros cerebrais superiores, recebe uma ordem para a resposta,
que é tirar a mão; caminho natural dos fiosologistas, estudo da fisiologia do olho
e a percepção das cores – fenómenos psicológicos. Foram importantes os
estudos do psicofisiologista russo Ivan PAVLOV sobre o reflexo condicionado.

Em 1860 é formulada uma lei no campo da psicofísica, a lei de


Fechner–Weber que estabelece a relação estímulo – sensação, permitindo a
sua mensuração – aumento da intensidade de uma luz e o seu efeito – com esta
lei os fenómenos psicológicos vão adquirindo status científicos, porque, para a
concepção da ciência da época o que não era mensurável, não era possível de
estudo científico

Wilhelm Wundt (1832-1926), da Universidade de Leipzig, na Alemanha,


cria um laboratório para realizar experimentações na área da psicofísiologia –
por este facto e da extensa produção teórica na área é considerado o Pai da
Psicologia Moderna, Psicologia científica.

Em resultados de seus estudos Wundt desenvolve a concepção de:

 Paralelismo psicofísico: aos fenómenos mentais correspondem


fenómenos orgânicos, por exemplo, estimulação física: picada de
agulha na pele teria uma correspondência na mente deste indivíduo.
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 Método: para explorar a mente ou a consciência do indivíduo,


Wundt, cria um método que denomina introspecionismo – o
experimentador pergunta ao sujeito, especialmente treinado para a
auto-observação, os caminhos percorridos no seu interior por uma
sensorial (a picada de agulha por exemplo).

A CIÊNCIA

Como as explicações mágicas, baseadas no senso comum, não


bastavam para compreender os fenómenos, os seres humanos evoluíram para a
busca de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados.
Desta forma, nasceu a ciência, metódica, que procura sempre uma aproximação
com a lógica.

O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar.


Esta característica permite que os seres humanos sejam capazes de reflectir
sobre o significado de suas próprias experiências. Assim sendo, é capaz de
novas descobertas e de transmiti-las a seus descendentes.

O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado


à sua característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é
transmitido a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro.
Assim evolui a ciência.

Ciência: do latim «scire» que significa conhecimento, pode ser definida


como o conjunto de conhecimentos sobre factos ou aspectos da realidade
(objecto de estudo) expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa.
Esses conhecimentos devem ser obtidos de forma:
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Características da Ciência

A Ciência é racional, sistemático, exacto e verificável da realidade. Sua origem


está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia científica.
Podemos então dizer que o Conhecimento Científico:

- É racional e objectivo.
- Atém-se aos fatos.
- Transcende aos fatos.
- É analítico.
- Requer exactidão e clareza.
- É comunicável.
- É verificável.
- Depende de investigação metódica.
- Busca e aplica leis.
- É explicativo.
- Pode fazer predições.
- É aberto.
- É útil (Galliano, 1979, apud Paiva Bello, 2004;s/p).

A ciência é um processo; facto que um novo conhecimento é produzido


sempre a partir de algo anteriormente desenvolvido onde negam-se, reafirmam-
se, descobrem-se novos aspectos, e assim a ciência avança;

A Ciência deve verificar a objectividade; suas as conclusões devem ser


passíveis de verificação e isentas de emoções, para tornarem-se válidas para
todos.

A Ciência possui objecto específico, linguagem rigorosa/técnica; possui


métodos e técnicas específicas,

O processo cumulativo do conhecimento, objectividade fazem da


ciência uma forma de conhecimento que supera em muito o senso comum =
características que permitem que denominemos científico a um conjunto de
conhecimentos.
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Não existe um divisor nítido entre o conhecimento empírico e científico,


visto que a pesquisa científica não se realiza no «vácuo intelectual», mas
sempre está mergulhada em um contexto – o conhecimento científico nasce, em
ultima instância, de problemas observados e acontecimentos encontrados na
experiência humana.

Objectivos/propósitos da Ciência

1. oferecer uma explanação objectiva, factual e útil do universo.


Neste caso, ela procura uma explanação verificável dos fenómenos
naturais e sociais, diferentes, pois, da abordagem artística, religiosa, etc.
(central)

2. Controlar – controle prático da natureza e vida social (ervas


daninhas-agricultura; inseminação artificial, clonação (pecuária)....

3. Descrever, compreender o mundo - curiosidade natural do


Homem, compreender o mundo, tornando-o inteligível é uma
necessidade, é possível compreender o mundo somente se conhecemos
a relações e inter-relações das variáveis dos fenómenos estudados –
como controlar a malária, por exemplo, se não forem descritas as suas
características ou os seus sintomas, se não for conhecida a causa e a
evolução da doença?

4. Prever: a sistematização objectiva da ciência permite uma


generalização no espaço e no tempo e graças a este objectivo muitas
vidas tem sido salvas de terramotos, maremotos, vendavais, etc.

A PSICOLOGIA CIENTÍFICA

O berço da Psicologia moderna foi a Alemanha de final do século 19.


Wundt, Weber e Fechner trabalharam juntos na Universidade de Leipzing –
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seguiram para aquele País muitos estudiosos dessa nova ciência; como o inglês
Edward B. Titchner e o americano William James.

Seus status de ciência é obtido a medida que se “liberta” da filosofia, que


marcou a sua história até aqui e atrai novos estudiosos e pesquisadores , que
sob novos padrões de produção de conhecimento, passam a:

 Definir seu objecto de estudo (comportamento, a vida psíquica, a


consciência)

 Delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas de


conhecimento como a Filosofia, Fisiologia

 Formular métodos de estudo deste objecto

 Formular teorias enquanto um corpo consistente de conhecimento na


área

A Psicologia científica nasce na Alemanha mas se desenvolve, cresce


rapidamente nos Estados Unidos como resultado de grande avanço económico
colocado na vanguarda do sistema capitalista. É ali que surgem as primeiras
abordagens ou escolas em psicologia, as quais deram origem ás enumeras
teorias que existem actualmente. Essas abordagens são:

O Funcionalismo, de William James (1842-1910)

O Estruturalismo, de Edward Titchner (1867 – 1927)

O Associacionismo, de Edward Thorndike (1874-1949)

As Primeiras Abordagens Teóricas da Psicologia

As primeiras abordagens ou escolas em psicologia, as quais deram


origem às enumeras teorias que existem actualmente são consideradas como
tendo sido as seguintes:
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O Funcionalismo (Escola funcionalista)

Primeira sistematização genuinamente americana de conhecimentos em


Psicologia – numa sociedade que exigia o pragmatismo para o seu
desenvolvimento económico acaba por exigir dos cientistas americanos o
mesmo espírito. Portanto, para a escola funcionalista de James importa
responder “o que fazem os homens e “por que o fazem”. Para responder a isto,
James elege a consciência como o centro de suas preocupações e bisca a
compreensão do seu funcionamento, na medida em que o Homem usa para
adaptar-se á realidade.

O Estruturalismo

Começa com Wundt e continua com Titchner, os quais definem como o


objecto de estudo da psicologia também mas focalizando os seus aspectos
estruturais, isto é os estados elementares da consciência como estrutura do
SNC. Inaugurada por Wundt mas somente o seu seguidor Titchner usa o termo
estruturalismo pela primeira vez para diferenciá-lo do funcionalismo. O método
de observação de Titchner, assim como o de Wundt, é o introspeccionismo, e os
conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais, isto
é, produzidos a partir do laboratório.

O Associacionismo

Edward Thorndike, primeiro fundador de uma teoria de aprendizagem na


Psicologia de aprendizagem na Preocupação da aplicação prática da psicologia
e não só especulação filosófica.

Associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá


por processo de associação das ideias mais simples ás mais complexas. Assim
para aprender algo complexo precisamos de aprender as ideias simples
associadas aquele conteúdo.

Thorndike formula a “lei de efeito” que seria de grande importância na


psicologia comportamentalista. De acordo com essa lei “todo o comportamento
de um organismo vivente tende a se repetir, se nós o recompensarmos (efeito)
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o organismo assim que repetir/emitir o comportamento. Por outro lado o


comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado (efeito)
após a sua ocorrência. (ex. se apertarmos o botão da rádio formos premiados
pela música, em outras oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem como
generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos, como toca discos,
gravadores, etc.

As Principais Teorias da Psicologia do Século XX

A psicologia enquanto ramo da Filosofia estuda a alma, a psicologia


científica que Wundt preconiza, a “psicologia sem alma”, o conhecimento
científico produzido no laboratório com uso de instrumentos de
medição/mensuração. Da subordinação á Filosofia a Psicologia se liga á
medicina, usando o método de investigação das ciências naturais como critério
rigoroso da construção do conhecimentos.

A psicologia científica, que se constituiu de 3 escolas (Associacionismo,


Estruturalismo e Funcionalismo) foi substituída neste século XX, por novas
Teorias.

As três mais importantes tendências teóricas da psicologia neste século


consideradas por enumeros autores são: Behaviorismo, Gestaltismo e a
Psicanálise.

O Behaviorismo ou Comportamentalismo

O Comportamentalismo, ou Teoria S-R do inglês Stimuli – Response,


nasce com o americano Watson e se desenvolve na América em função das
aplicações práticas, tornou-se importante por ter definido o facto psicológico de
modo concreto a partir da noção de comportamento (behavior).

Em 1913, o americano John Watson numa revista intitulada “Psicologia –


como os behavioristas a vêm”, inaugura o termo behaviorismo. Behavior,
comportamento postulado por Watson como objecto da Psicologia, dá á
psicologia a consistência procurada por séculos: objecto observável, mensurável
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cujos experimentos poderiam ser reproduzidos em diferentes condições e


sujeitos.

O carácter observável do objecto contribui para o alcance de status da


ciência da psicologia, ou seja para a ruptura “definitiva” com a filosofia. Watson
defende uma perspectiva funcionalista para a psicologia, isto é, o
comportamento deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio.

Watson busca uma psicologia sem alma e sem mente, livre de conceitos
mentalistas e métodos subjectivos e que tenha a capacidade de prever e
controlar.

R – S + para referir-se ao que o organismo faz e as variáveis ambientais


que interagem com8 o sujeito

Comportamento – unidade básica de descrição = ponto de partida para o


desenvolvimento da ciência do comportamento

O comportamentalismo nega o estudo da consciência: o


comportamentalismo representa uma reviravolta radical no que se refere ao
objecto de estudo da psicologia, do momento em que se limita ao estudo do
comportamento observável e nega o estudo da consciência. Watson afirmou
que a psicologia deve considerar-se a ciência do comportamento, pois a
“consciência” e a alma são objectos de pesquisa inconsistentes para uma
ciência empírica. Segundo Watson, a tarefa da psicologia consistia no estudar
as relações cientificamente determinadas entre as situações estimulantes (S) e a
reacção provocada (R):

 Paradigma comportamentalista: Estímulo (S) Resposta (R)

Estudadas as conexões, os seus mecanismos, e identificadas as leis,


pode-se explicar cada uma das reacções como resultado de um determinado
estímulo e poder prever qual reacção pode seguir uma determinada situação
estimulante.

Os comportamentalistas admitem entre o estímulo e a resposta esteja


presente a actividade do cérebro e do SNC, mas afirma que tal actividade está
24

fora do alcance e que a psicologia não deve interessar-se daquilo que acontece
dentro do organismo (processos neurofisiológicos,
processos inconscientes, etc.). Concessão esta dita “black
box” sustenta que a psicologia deve interessar-se daquilo que
entra (input) na “caixa preta” e daquilo que sai (output) sem ter que se ocupar
necessariamente da complexa actividade desenvolvida pelo cérebro no seu
interior. Deste modo os comportamentalistas reduzem o âmbito da psicologia
somente ao estudo do comportamento observável mediante o uso dos métodos
objectivos de verificação, estudando a regularidade do comportamento
independente dos correlatados neurofisiológicos.

“Black Box”

Estimulo(R)
Resposta (R)

Processos neurofisiológicos

Processos inconscientes

O quadro negro representa a “blac box” ou seja simboliza tudo aquilo que
não é do interesse para o estudo do psicólogo comportamentalista.

Análise experimental do comportamento

Frederik SKINNER (1904-1990), americano, é considerado o mais


importante sucessor de Watson. A sua teoria tem até hoje uma influência.
Inaugura o behaviorismo radical, termo cunhado pelo próprio Skinner em 1945,
para designar uma filosofia da ciência do comportamento (que ele se propôs
defender) por meio da análise experimental do comportamento. Algumas noções
importantes no behaviorismo de Skinner são:
25

COMPORTAMENTO OPERANTE: base da corrente formulada por


Skinner, entendendo este conceito é necessário retroceder aos conceitos de
comportamento reflexo ou respondente.

1) Comportamento respondente: usualmente chamada de “não voluntário”e


inclui as respostas que são (“produzidas”) por estímulos antecedentes
do ambiente --- interacção estímulo –resposta (ambiente – sujeito)
incondicionadas (não dependem da aprendizagem (limão -salivação; ou
as famosas “lágrimas de cebola”, etc.

Reflexos condicionados – estímulos acompanhados/pareados com outros que


produzem resposta.

2) Comportamento operante ( tem efeito sobre o mundo: ex: tocar um


instrumento musical)

Nos anos de 1930, na Universidade de Haward (EUA), Skinner


desenvolvendo o seu trabalho de estudo do comportamento respondente,
teoriza sobre um outro tipo de relação indivíduo-ambiente, a qual viria a ser
nova unidade de análise da ciência: comportamento operante, o qual teria a
maioria das nossas interacções com o ambiente – comportamento operante
opera sobre o mundo, por assim dizer, quer directa quer indirectamente e
abrange um leque amplo de actividade humana, da actividade do recém nascido
(balbuciar, acatar-se a um objecto, etc.) aos mais sofisticados apresentados pelo
adulto.

Para Keller o comportamento operante inclui todos os movimentos de um


organismo dos quais se possa dizer que, em algum momento, têm efeito sobre
ou fazem algo ao mundo em redor. O comportamento operante opera sobre o
mundo, por assim dizer, quer directa, quer indirectamente”.

A Psicologia da Forma: A Escola da Gestalt

Gestalt é um termo alemão que se pode traduzir como «forma»; «figura»;


«configuração»; entendendo também um aspecto de organização da que se
entende melhor quando se fala da percepção visível;
26

As principais figuras da Gestalt são os alemães: Max Wertmeir,


Wolfgang Kohler e Kurt Kofka.

A Gestalt nega decompor a consciência nos seus elementos mais


elementares, nega a concepção e métodos que descendem deste estudo e que
tendem a uma teoria elementista

Os psicólogos da gestalt estudam em particular os processos cognitivos


em particular a percepção visual e o pensamento

Conceito fundamental da psicologia da forma é o aforisma: «o todo é


mais da soma das partes» atravessa todos os escritos da Gestalt

A B

As leis da percepção visiva: são leis sobre a constituição das


totalidades perceptivas que eram chamadas Gestalten ou factores estruturantes.
Essas leis afirmam que as partes de um campo perceptivo tendem a construir
outras gestalts (formas unitárias) que são de tal forma coerentes e unidas,
quanto mais os elementos são
1. Vizinhos (lei da aproximação)
2. Semelhantes (lei da semelhança)
3. Tendem a forma formas fechadas (lei do fechamento)
4. Dispostos ao longo duma mesma linha (lei da continuação)

A Psicanálise/Freud

Sigmund FREUD (1856-1939), médico vienense (Áustria), alterou,


radicalmente, o modo de pensar a vida psíquica. Freud ousou colocar os
“processos misteriosos” do psiquismo”, suas “regiões obscuras”, isto é as
27

fantasias, os sonhos, os esquecimentos, a interioridade do homem, como


problemas científicos. A investigação sistemática destes problemas levou Freud
á criação da Psicanálise.

Freud emprega o termine Psicanálise pela primeira vez em 1896. A


Psicanálise constituiu-se como método e como teoria, e ainda como terapia.
Como método consiste na interpretação e busca do significado oculto daquilo
que é manifesto por meio de palavras ou acções e como teoria pode ser definida
como um conjunto de conhecimentos, sistematizados sobre o funcionamento da
vida psíquica.

Freud, como hebreu, herdou uma rica tradição do pensamento hebraico,


e por outro lado, de formação clássica (filosofia antiga) e perito linguista, ele veio
a contacto com a literatura antiga e moderna. Sobre esta base assentaram-se
os seus estudos de medicina e ciências naturais, no campo da fisiologia,
neurofisiologia e farmacologia. Teve o mérito de ter descoberto a sexualidade
(base fundamental de seus estudos), embora este fosse um tema debatido antes
da publicação do sua obra intitulada ”os três ensaios sobre a teoria sexual”.

Freud postula o inconsciente como objecto de estudo da Psicologia, da


mesma forma que quebra a tradição da psicologia como uma ciência da
consciência e da razão.

A Teoria da Personalidade segundo Freud

Freud considerava a personalidade constituída de três grandes


sistemas/estruturas cada um com sistemas próprios mas integrados: ID, EGO e
SUPEREGO.

O Id

O ID ou incosciente (infra-eu) é o núcleo primitivo da personalidade. Não


sofre as influências das forças sociais e conscientes que forma o indivíduo. A
sua preocupação é satisfazer as necessidades instintivas de acordo com o
princípio de prazer. O Id é a estrutura original básica e mais central. As leis
lógicas do pensamento não se aplicam ao Id O Id é a sede das pulsões e dos
28

desejos recalcados e representações recalcadas (recalcamento = processo


mental pelo qual pensamentos insuportáveis ao eu consciente são reprimidos)
(agressivas e sexuais). Não conhece juízos de valor, nem o bem do mal,
nenhuma moralidade. Os conteúdos do Id são quase todos inconscientes, assim
como o material que foi considerado inaceitável pela consciência. O Id não
suporta energia de muita tensão e o seu objectivo é reduzir a tensão dolorosa
aos baixos níveis possíveis. O Id é baseado no princípio do Prazer.

Ego (Eu)

O Ego é a consciência propriamente dita . É a personalidade enquanto


actua no momento presente. Caracteriza-se pela actividade consciente
(percepções exteriores e elaboração de processos intelectuais) e a capacidade
para estar em contacto com a realidade exterior. O Ego é dominado pelo
princípio da realidade (pensamentos objectivos, actos socializados, actividade
racional e verbal). Também caracteriza-se pelo estabelecimento de
mecanismos de defesa contra as invasões da pulsão. As funções básicas do
Ego são: percepção, memória, sentimento, pensamento. Em suma, o Ego
tem a função de ajustar o homem ao meio da realidade física e social em que
vive. É um instrumento de adaptação do indivíduo ao meio. O Ego é baseado
no princípio do Realidade.

O Ego, orientado à realidade do mundo que o circunda, é a chave da


adaptação que procura de mediar as pressões ditadas pelo princípio de prazer,
a busca do prazer e da gratificação imediata, com as exigências impostas pelo
principio da realidade, provenientes do mundo externo. O Ego utiliza a angústia
como sinal de alarme diante dos perigos do mundo interno (pulsional), por outro
lado, organiza mecanismos de defesa que consentem de moderar as exigências
do Id com aquelas do mundo externo.

Os mecanismo de defesa: são mecanismos que o indivíduo usa para


deformação da realidade, ou melhor, são processos realizados pelo ego e são
inconscientes, isto é, ocorrem independentemente da vontade do indivíduo. Os
mais comuns são:
29

o Recalcamento
o Formação reactiva
o Regressão
o Projecção
o Racionalização
o Sublimação
o Negação

Super-Ego (super-eu)

O superego é o resultado da interiorização de censuras que a criança faz


suas (identificação) e que lhe vêm dos pais ou do meio ambiente. O conteúdo
do superego refere-se a exigências sociais e culturais. Representa o ideal do
que é real. É defensor dos impulsos rumo a perfeição. Origina-se com o
complexo de Édipo, a partir da interiorização das proibições, dos limites e da
autoridade. O superego é o depósito das normas morais e modelos de conduta.
As suas funções são a consciência, a auto-observação e a formação das ideias.
Podemos afirmar que o Superego é baseado no princípio da
Moralidade/sociabilidade.

A combinação das três camadas, segundo Freud constitui factor


importante para a formação e estruturação da Personalidade.

As investigações sobre os conteúdos do Id, conduziram Freud à


formulação duma doutrina geral das pulsões nas quais a libido exprime-se
percorrendo as zonas eróticas, cada uma das quais representa uma
determinada fase de evolução (os estádios do desenvolvimento psicosexual). O
desenvolvimento da libido pode acontecer naturalmente ou enfrentar bloqueios
por interferência da fixação o da regressão que bloqueiam o desenvolvimento
psíquico e o reconduzem a fases precedentes, com consequências na formação
de sintomas nevróticos. Esta postulação chamou-se de teoria das pulsões.

O princípio do Prazer e o principio da Realidade


30

Contudo, segundo Freud, o bebé no nascimento é dominado duma única


estrutura de personalidade, o Id, fonte originaria de todas as motivações e
energias. Ele procura de realizar esta descarga de energia sem preocupar-se
daquilo que é realizável o socialmente aprovável. O seu modo de funcionamento
e regulado pelo principio de prazer, que procura a gratificação imediata e
completa das pulsões. Mas desde o inicio dos primeiros meses de vida estas
tentativas de obter uma gratificação imediata são frustradas ou punidas. Estas
experiências contribuem para a formação do ego (eu), o qual é governado pelo
principio de realidade.

Conceito de Psicologia

Depois desta breve alusão geral à noção de Ciência, iniciemos agora o


estudo da Psicologia.

O termo Psicologia é de origem grego-latino, e etimologicamente pode


traduzir-se no seguinte: psiychè = alma; logia= logos= estudo ou ciência.
Assim, a palavra Psicologia significa estudo da alma ou ciência da alma, ciência
que estuda as ideias, sentimentos, e determinações cujo conjunto constitui o
espírito humano.

Esta definição permaneceu até aos meados do séc. XIX devido ao seu
desenvolvimento condicionado com a Filosofia.

Como uma ciência autónoma com um objecto de estudo e métodos


próprios de investigação, ela é definida como ciência que estuda o
comportamento do homem e dos outros animais.

A psicologia supõe-se a outras ciências sociais, especialmente a


sociologia. Mas, enquanto a sociologia concentra sua atenção nos grupos,
processos grupais e forças sociais os psicólogos sociais concentram-se nas
influências que os grupos e a sociedade exercem sobre os indivíduos. A ênfase
da psicologia está no ser humano a diferença dos fisiólogos (biologia ) que se
concentram no sistema nervoso, cérebro, memória, atenção, movimento, fome,
impacto das drogas, etc..
31

Actualmente a psicologia é definida como a ciência que se concentra no


comportamento e nos processos mentais – de todos os animais.

o Ciência: enquanto a ciência oferece procedimentos disciplinados e


racionais para a condução de investigações válidas e a construção de um
corpo de informações coerentes e coesas.

o Comportamento: abrange tudo o que pessoas e animais fazem: conduta,


emoção, formas de comunicação, processos de desenvolvimento.

Assim, o objecto de estudo da Psicologia é o comportamento dos seres


vivos especificamente homens e animais, isto é, a Psicologia estuda a
resposta ou conjunto de respostas observáveis de um individuo ou de um grupo,
a uma situação ou estímulo.

o Processos mentais - incluem formas de cognição ou formas de


conhecimento, de entre elas: perceber, participar, lembrar, raciocinar, ou
resolver problemas. Sonhar, fantasiar, desejar, ter esperança são também
processos mentais.

Importância da Psicologia

Por ser uma ciência multiperspectiva e se aplicar em todas as áreas da


vida humana, tais como no Ensino, na Saúde, na Família, no Comércio, no
Desporto, etc., a Psicologia possui uma vasta importância.

 No ensino permite ao professor conhecer as particularidades individuais


dos alunos para melhor planificar e administrar as aulas, identificar e
resolver os problemas de aprendizagem segundo o desenvolvimento dos
alunos e fazer uma avaliação do processo de ensino e aprendizagem.

 Na saúde permite ao profissional de saúde estabelecer uma melhor


comunicação com o paciente e vice-versa.

 Para os governantes a Psicologia permite uma óptima comunicação com


as massas.
32

 Também permite ao Homem conhecer-se a si próprio e a natureza de


diferenciação dos outros Homens; ajuda o Homem a resolver os seus
problema s do dia-a-dia, conhecer a forma de agir de cada um, as
tendências compartimentais, as atitudes, as motivações dos outros
Homens.

Objecto de Estudo da Psicologia

O objecto ou assunto de estudo de uma determinada ciência é a


realidade ou o aspecto da realidade que ela se propõe a estudar, descrever ou
explicar.

Para compreender o objecto de estudo da Psicologia é preciso


compreender a diversidade de objectos definidos por várias correntes
psicológicas;

A diversidade dos objectos de estudo da psicologia

 Behaviorismo ou comportamentalismo: segundo estes teóricos o


objecto de estudo da Psicologia é o comportamento ;

 Psicanálise: para esta escola o objecto de estudo da psicologia é o


inconsciente.

 Outros psicólogos: o objecto de estudo da psicologia é a consciência ou


ainda a personalidade humana.

Razões da dificuldade de definição do objecto

 Por ser uma área de conhecimento cientifico que se constituiu


recentemente (final do séc. 19) não obstante a sua existência dentro da
filosofia como preocupação humana;

 Outro motivo que dificulta a definição do objecto de estudo da Psicologia


é o facto do cientista – o pesquisador confundir-se com o objecto a ser
33

pesquisado – a concepção do Homem contamina inevitavelmente a sua


pesquisa;

 Em terceiro lugar esta dificuldade justifica-se pelo facto dos fenómenos


psicológicos serem tão diversos, que não podem ser acessíveis ao
mesmo nível de observação, não podem ser sujeitos aos memos padrões
de descrição, medida, controle e interpretação.

A Subjectividade como objecto de estudo da Psicologia

Considerando toda esta dificuldade na definição única do objecto da


psicologia, podemos considerar como objecto a subjectividade.

A identidade da Psicologia é o que diferencia dos demais ramos das


ciências humanas, e pode ser obtida considerando que cada um desses ramos
invoca o Homem de maneira particular (economia, política, história) trabalham
essa matéria-prima de maneira particular, construindo conhecimentos distintos e
específicos a respeito dela. A psicologia colabora com o estudo da
subjectividade: é essa a sua forma particular, específica de contribuição para a
compreensão da totalidade da vida humana.

A subjectividade é a síntese singular e individual que cada um de nós


vai construindo conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando as
experiências da vida social e cultural. É a síntese que nos identifica por ser
única e nos igual a medida em que os conhecimentos que a constituem são
experienciados no campo comum da objectividade social. É o mundo de ideias,
significados, emoções, construído inteiramente pelo sujeito a partir das suas
relações sociais, suas vivências e sua constituição biológica. É a fonte das
manifestações afectivas. A subjectividade é a maneira de sentir, pensar,
fantasiar, sonhar, amar, e de fazer de cada um. É o nosso modo de ser.

Entretanto a subjectividade não é inata. Ela se constrói, apropriando-se


do material do mundo social e cultural.
34

A subjectividade em Psicologia é vista em dois níveis: subjectividade


social e individual. A subjectividade individual representa o espaço pessoal
dos sentidos que se atribui ao mundo real (valor, cultura, experiência, ideias) e a
subjectividade social é comparável com o sentido que a sociedade atribui ao
mundo real.

Estrutura e Tarefas da Psicologia

Psicologia industrial: estuda a estruturação do trabalho, a conduta dos


trabalhadores, a selecção dos trabalhadores, o incremento da produção e da
produtividade, a avaliação dos funcionários e as greves dos trabalhadores.

Psicologia pedagógica (escolar) ou de aprendizagem: estuda as leis


psicológicas de ensino e de educação do Homem. Estuda a formação do
raciocínio dos alunos, os problemas do governo do processo de assimilação
dos meios e dos hábitos da actividade intelectual, revela os factos psicológicos
que influenciam o processo de aprendizagem, as relações dentro da
colectividade de alunos, as diferenças psicológico individuais dos alunos, as
particularidades psicológicas da educação e do ensino das crianças com
desenvolvimento psiquismo anormal.

Em suma: estuda a problemática psicológica no quadro escolar. Tenta


compreender os problemas de adaptação, de relações e de aprendizagem.

Psicologia clínica: dedica-se a prevenção e terapia dos


desajustamentos de conduta qualquer que seja o seu grau de gravidade.

Psicologia social: estuda a conduta humana na perspectiva de grupos


de colectividades. Investiga o processo de interacção entre membros do grupo
e as influências grupais sobre a dinâmica dos individuais.

Psicologia jurídica: analisa as questões psicológicas relacionadas com a


realização do sistema do direito
35

Psicologia militar: estuda a conduta do Homem no campo de combate,


os aspectos psicológicos das relações entre os chefes e os subalternos, os
problemas psicológicos de uso de materiais de guerra.

Psicologia experimental: estuda os princípios psicológicos básicos;


sensação, percepção, atenção, motivação, memória, pensamento, pensamento
e (emoções) em situação laboratorial visando a solução de problemas práticos
de dia-a-dia da humanidade.

Psicologia do desporto: analisa as particularidades psicológicas do


indivíduo e da actividade dos desportistas, as condições e os métodos da sua
preparação psicológica, os parâmetros psicológicos de preparação e da
capacidade do desportista e os factores psicológicos relacionados com a
organização de competições.

Métodos da Psicologia

O estudo da Psicologia como ciência pressupõe o uso de métodos, que


possa facilitar a análise do seu objecto de estudo, os fenómenos psíquicos
(memória, percepção, a sensação, o pensamento, assim como a imaginação)
que numa só linguagem são reduzidos em comportamentos.
Método: na perspectiva psicológica é o caminho ou via utilizado para
esclarecer as manifestações ou causas de um comportamento, de
manifestações psíquicas.
Em psicologia, o conjunto dos métodos específicos engloba todos
aqueles que frequentemente são usados pelos psicólogos como:

a) Introspecção ou método introspectivo

Descrição cuidadosa dos fenómenos psíquicos que os estados da


consciência acusavam, mas feita pelo próprio indivíduo. Consiste na orientação
da consciência reflexiva para aquilo que se passa em nós, ou seja, concentração
do espírito sobre si mesmo para analisar os fenómenos que o indivíduo
experimenta.
36

É a observação e a descrição que o indivíduo faz dos seus estados


psíquicos. Supõe um desdobramento do sujeito que é ao mesmo tempo
observador e observado. O sujeito é o próprio objecto.

A introspecção pode ser pessoal ou laboratorial. A introspecção pessoal


consiste na auto-análise, isto é na observação interior e análise. Na
introspecção laboratorial o experimentador (sujeito) estabelece as condições de
experiência, anota e interpreta os resultados.

a) Extrospecção ou método extrospectivo (de Expressão)

Consiste na observação, descrição e explicação dos comportamentos


dos outros. Portanto, as manifestações exteriores do sujeito, são devidamente
anotadas por um observador.

b) A observação (Método de observação)

A observação como método em psicologia consiste na percepção directa


ou indirecta, atenciosa, racional, planificada e sistemática, das manifestações do
comportamento nas suas condições naturais, com o objectivo de dar uma
explicação científica da sua natureza.

c) A experimentação (Método experimental)

Consiste na relação entre o objecto de investigação e a situação


experimental com o objectivo de descobrir a natureza dessa relação e as
variáveis das quais ela depende. Pressupõe a possibilidade de intromissão
activa do pesquisador na actividade da pessoa submetida a experiência.

Ë a actividade na qual o investigador provoca o fenómeno a estudar e


controla os possíveis factores e condições que podem incidir na sua produção e
desenvolvimento com o objectivo de conhecer a natureza interna do processo
psíquico e desta forma descobrir as leis objectivas que o explicam.

A experimentação como método em psicologia usa-se geralmente em


estudo de casos ao nível animal porque é difícil manipular o comportamento
humano, por razões morais, éticas até mesmo razões ligadas á saúde.
37

d) Método estatístico

Usa-se para fazer o estudo ao nível dos grupos maiores, isto é, para a
compreensão de fenómenos de massa.

e) Método de entrevista

É uma conversação entre investigador e o sujeito investigado através da


qual o investigador obtém informações sobre o psiquismo. Geralmente se utiliza
para enriquecer e aprofundar a informação obtida a partir da observação e
experimentação. Ela permite a obtenção directa dos dados. O investigador faz a
pergunta e o entrevistado apenas responde a pergunta.

f) Questionário

Consiste num conjunto de perguntas cujo conteúdo e extensão dependem


dos objectivos da investigação e se aplica como substituto da entrevista quando
se trabalha com amostras grandes.

g) Método comparativo

Serve para fazer extrapolação de uma conclusão feita sobre o estudo de


um animal para relacionar ao Homem, permite a formação de um perfil
comportamental.

h) Método analítico ou psicanalítico

É um método interpretativo que busca o significado oculto, isto é, que


torna claro o significado daquilo que é manifestado por meio das palavras e
acções.

i) Testes psicológicos

Consistem num sistema de tarefas, perguntas, seleccionadas, que tem


como objectivo a avaliação e comparação de sujeitos quanto a qualidade da
personalidade, habilidades, nível de desenvolvimento intelectual, efectuando-se
esta comparação sobre a base de normas estabelecidas previamente.

Existem testes psicológicos para medir tanto aspectos cognitivos como


aspectos afectivos da personalidade.
38

Os testes psicológicos não consistem em obter dados novos que serão


necessários para o aprofundamento dos conhecimentos científicos, mas sim em
estabelecer as qualidades psicológicas da pessoa submetida á experiência para
se analisar se corresponde ou não as normas ou padrões revelados
anteriormente

Este grupo de testes é utilizado para revelar a existência ou a ausência


de certas capacidades, aptidões, caracterizar com o máximo de precisão certas
qualidades do indivíduo para exercer certa profissão, etc. Podem ser: testes de
inteligência, de capacidades, de aptidões, de personalidade.

j) Métodos de estudo individual ou histórico do caso

Neste método são empregue muitos métodos e técnicas combinadas.


Para se estudar o comportamento de um indivíduo importa conhecer o maior
número possível de factos sobre o mesmo, a fim de que possam ser
compreendidas as principais forças e influências que orientam seu
desenvolvimento.

O estudo do caso é frequentemente empregue pelo orientador educativo,


visando ajudar os alunos na solução de seus problemas.

Podemos citar também alguns métodos particularmente usados na


Psicologia de desenvolvimento, que é um ramo da Psicologia; através do qual se
estuda o desenvolvimento humano

k) Métodos longitudinais

É um processo de observação que se faz no sentido de duração. Os


estudos longitudinais têm fornecido informações excelentes e decisivas para a
explicação e compreensão do desenvolvimento humano, quer relativamente ao
crescimento físico e desenvolvimento dos processos cognitivos, quer sobre a
evolução da personalidade e a aquisição da linguagem. Este método procura
seguir os sujeitos, em intervalos de tempo convenientemente escolhidos, para
determinar a curva ou lei de crescimento e desenvolvimento.
39

O Método longitudinal estuda, no tempo, em períodos mais ou menos


espaçados, o comportamento dos sujeitos ou amostragens de sujeitos.

l) Métodos de corte ou de selecção transversal

Trata-se de um tipo de observação que pode estudar um grande número


de sujeitos num espaço de tempo relativamente curto. Por exemplo, no mesmo
espaço de tempo, o investigador pode observar diferentes ou vários aspectos da
estrutura do sujeito em diferentes faixas etárias através de amostragens
significativas. Pode observar crianças dos 0 aos 2 anos, de 1 aos 3 anos, dos 2
aos 4 anos sob um determinado número de aspectos da sua personalidade e
estabelecer curvas de desenvolvimento através de processos estatísticos de
cada um desses aspectos e do seu conjunto como integrantes ou componentes
de uma mesma estrutura, a estrutura da personalidade.

m) Métodos mistos (perspectiva eclética)

Esta perspectiva de uso de métodos é baseada particularmente no


recurso a diversos e variados métodos de estudo. São aplicados
simultaneamente um tipo de método em conjugação com outros métodos. Os
métodos são usados em forma de complementaridade entre um e outros,
permitindo o alcance de vários resultados.

Relação da Psicologia com outras Ciências

A Filosofia, a Antropologia, a História, a Sociologia e a Biologia, estão


entre as ciências que contribuem para a compreensão do comportamento
humano, em particular. Vejamos a possível relação que se estabelece:

Filosofia: a correlação que existe entre o corpo e a alma na Filosofia vai


permitir de modo que a psicologia especule e forneça hipóteses empiricamente
testados. Neste sentido, pode-se afirmar que a Filosofia forneceu á psicologia
os primeiros quadros conceptuais.

Antropologia: interessa-se pelas formas culturais dos povos. Esses


dados são importantes porque dão ao psicólogo a consciência da relatividade
40

cultural dos valores, dos motivos, das aspirações dos indivíduos, o que obriga a
ter presente a influência da cultura no comportamento do indivíduo.

História: permite-nos conhecer o desenvolvimento do Homem através


dos tempos e compreender a partir dessa evolução as características actuais
das várias realidades sociais que influenciam no comportamento do indivíduo.

Sociologia: estuda a sociedade, as instituições sociais, a estrutura dos


grupos e o seu funcionamento. Estuda, também, o comportamento humano na
perspectiva dos grupos.

Biologia: estuda o funcionamento e a estrutura do Sistema Nervoso, as


glândulas secretoras e o seu funcionamento. O sistema nervoso capta
estímulos, os organiza e emite respostas ou actos de conduta e, a secreção de
hormonas permite que Sistema Nervoso fique estimulado numa determinada
direcção. Um dos principais ramos da Biologia que se relaciona com a
Psicologia é a Genética. A Genética estuda os processos hereditários
subjacentes ao comportamento. Esquematicamente:

FILOSOFIA
Estudo do Homem

BIOLOGIA
HISTÓRIA Estudo do S.N. e glândulas
Importância do factor
PSICOLOGIA
secretoras; Processos
tempo e espaço social Estudo do hereditários no
comportamento comportamento

ANTROPOLOGIA SOCIOLOGIA
Influência da cultura no Influências sociais no
comportamento comportamento

Unidade 2:
O DESENVOLVIMENTO PSIQUICO E DA CONSCIÊNCIA HUMANA

(Evolução psíquica dos indivíduos)


41

A evolução psíquica dos indivíduos depende da maturação e do


desenvolvimento genético; dos estímulos sociais e afectivos.

O Homem como Unidade bio-psico-socio-cultural

Todo ser humano à nascença já constitui-se como indivíduo, com


qualidades de integridade próprias, particularidades que o distinguem dos
outros. O mesmo não se pode dizer em relação à Personalidade. O ser humano
forma sua personalidade em resultado da sua constituição biológica
(características herdadas), das influências do meio social e cultural do contexto
em que se encontra (aquisições do meio), assim como das experiências de vida
(desenvolvimento), e sempre considerando seu desenvolvimento psicológico
(estabilidade emocional, de sentimentos). Por tal se diz ser uma unidade bio-
psico-social.

Alguns termos importantes para compreender o desenvolvimento


humano:

Desenvolvimento: é o conjunto de fases pelas quais o indivíduo passa


ao longo do seu ciclo de vida. É um processo multidimensional que engloba os
aspectos físicos (crescimento); fisiológicos (maturação), psicológicos (cognitivos
e afectivos), sociais (socialização), e culturais (aquisição de valores, normas).

Maturação : é a dimensão fisiológica do desenvolvimento. Refere-se ao


grau de prontidão funcional dos diversos sistemas do organismo,
nomeadamente do sistema nervoso. É que torna possível determinado padrão
de comportamento. (por exemplo, a alfabetização das crianças depende da
maturação neurofisiológica para manejar o lápis, e segurá-lo com as mãos é
necessário um desenvolvimento neurológico o que a criança de 1 ou 2 anos não
possui ainda.

Maturidade: é o estádio de desenvolvimento do indivíduo indispensável


para a execução de determinada tarefa, actividade ou função.

Estado etário: fase de maturação e estruturação (anatómica, fisiológica,


psíquica) correspondente a idade ou nível de desenvolvimento do indivíduo.
42

A Vida Antes do Nascimento (o Desenvolvimento Pré-Natal)

O desenvolvimento pré-natal (gestação) é o período compreendido entre


a fecundação e o parto. Este pode ser dividido em três períodos:

O zigoto

O zigoto forma-se após a fecundação e flutua livremente no fluido do


útero. Ao fim de cerca de duas semanas, o zigoto (ovo) fixa-se na parede do
útero recebendo oxigénio e alimentação do corpo da me. Dois ou três dias a sua
implantação no útero o novo ser passa a chamar-se embrião.

Embrião

O segundo estádio do desenvolvimento pré-natal é o estádio embrionário.


Este estádio começa cerca de duas semanas depois da fecundação, na altura
em que o zigoto (ovo) se fixa á parede uterina.

O estádio embrionário dura cerca de oito semanas depois da concepção.


As primeiras fases de vida do embrião humano apresenta características
semelhantes com os outros mamíferos. A cabeça do embrião é muito grande
em relação ao resto do corpo e membros não são diferenciados. No final deste
período o organismo é claramente identificável como humano (tem face, olhos,
nariz) e passa a se designar feto.

Feto

A partir da oitava semana até ao nascimento o novo ser passa a chamar-


se feto. O feto é capaz de ouvir, movimentar os dedos (dar pontapés, fazer
punho, levar o polegar a boca, escolher a posição de dormir, etc.) sentir sabor,
etc. O desenvolvimento do feto culmina com o nascimento.

Nascimento
43

O nascimento é conjunto de fenómenos físicos que tem como finalidade


expulsar o feto para o exterior. Quando a criança nasce pesa normalmente
2500 gramas e a placenta para de introduzir alimentos. Crianças com um
período de gestação reduzido e peso inferior a 25000 gramas são consideradas
prematuras.

A primeira respiração imediatamente após o parto é difícil devido o


oxigénio do ambiente que a criança recebe, pois tem inicio a respiração
pulmonar. Se o pequeno cérebro não recebe oxigénio dentro de 8 (oito) minutos
pode contrair lesões.

Por regra, a primeira respiração é acompanhada por grito. O grito


converte-se em breve numa forma de manifestação de dissabores ou
transtornos (indisposição, desconforto, mal estar, alerta á mãe para acções de
cuidado, isto é, um estímulo chave da mãe.

Em cada dor do parto, a criança está exposta a uma pressão com cerca
de 25kg. Por isso, partos muito prolongados ou complicados colocaram a
criança provavelmente numa situação de indisposição intensiva. O acto do
nascimento por si só é uma lesão psíquica, o que serve de base para o medo
original do homem, segundo a psicanálise.

Fundamentos biológicos da conduta

Hereditariedade e comportamento: mecanismos básicos

Em última instância, as diferenças entre as espécies dependem da


hereditariedade, ou herança física . A hereditariedade compartilhada por todas
as pessoas permite uma série de actividades humanas distintas. Por termos
herdados polegares opostos e dedos móveis, aprendemos facilmente a
manipular ferramentas. A heranças de imensos córtices cerebrais permite-nos
processar vasta quantidade de informação.

Além das estruturas influenciadoras e dos comportamentos comuns a


todas as pessoas, a hereditariedade modela o que é exclusivo a cada pessoa.
44

Seus genes tem algo a dizer sobre uma capacidade de aprendizagem e se


somos ou não propensos á depressão.

Genética do comportamento

A genética do comportamento, um ramo da psicologia e também da


genética, estuda as bases herdadas da conduta e da cognição. Abrange
diferenças individuais e de espécie (evolutivas).

Os geneticistas do comportamento pressupõem que tudo o que as


pessoas fazem depende, em algum grau, das estruturas físicas subjacentes.
Sua tarefa é definir exactamente quanto de um determinado acto é modelado
pela hereditariedade e quanto o é pelo ambiente. Eles pesquisam também os
mecanismos biológicos pelos quais os genes afectam o comportamento e a
cognição.

O papel da hereditariedade e do meio na conduta

Hereditariedade e do ambiente: uma parceria permanente

Estará tudo nos genes?

De acordo com Robert Plomin (1993) , talvez o principal sobre a


genética do comportamento na última década, o que os cientista verificaram
a repetidas vezes foi que hereditariedade e experiência influenciam
conjuntamente muitos aspectos do comportamento. Além disto seus efeitos
são interactivos – elas jogam uma com a outra. Por exemplo, em relação a
esquizofrenia, embora a evidencia indique que factores genéticos
influenciam o desenvolvimento da esquizofrenia, do outro lado não parece
que alguém herde directamente o distúrbio mas um certo grau de
vulnerabilidade a ela. Portanto, se a vulnerabilidade vai ou não se
transformar num distúrbio real, isso dependerá das experiências de cada
pessoa na vida.
45

O herdado e o meio: qual interacção?

O organismo e o ambiente fazem parte de um todo no qual são inter-


relacionados e em constante interacção. O meio mobiliza ou favorece
disposições hereditárias, mas por sua vez a acção do meio não é
independente dessas disposições.

Por um lado, qualquer factor hereditário opera de modo diferente


quando as condições do meio ambiente variam. Por outro lado, as condições
do meio ambiente exercem diferentes influências sobre as características
hereditárias.

As disposições hereditárias traçam o marco do desenvolvimento e


oferecem-nos um plano de construção do organismo. Os genes exercem um
papel ou acção directiva nos fenómenos do desenvolvimento embrionário e,
especialmente, dos primeiros anos de vida, isto é, não se transmitem
qualidades já desenvolvidas, mas apenas disposições ou possibilidades para
configurar essas qualidades. Por exemplo, a estatura de um indivíduo
depende de toda a carga genética, mas além disso, variará, entre outros
factores de acordo com a alimentação recebida nos primeiros anos de vida e
com as vicissitudes do desenvolvimento glandular posterior.

Herança e meio são factores que contribuem para a formação do


novo ser e se misturam de tal modo que é difícil distinguir o que
corresponde a um e ao outro;

Não podem ser considerados opostos ou antagónicos mas


complementares;

Era comum considerar a herança é rígida, fixa, imutável,


irreversível algo como código ou lista de instruções e procedimentos que
não admite modificações e na qual cada “instrução” age de modo
46

independente das demais mas hoje tal posição não se sustenta por que
também os genes podem sofrer uma mutação, brusca ou não.

Portanto, Dizer que um os “genes influenciam x ou y” não quer dizer que


os “genes determinam x ou y”. Tão pouco quer dizer que o ambiente tenha
pouca influência sobre a qualidade em questão. Do início até ao fim da vida, os
organismo estão denso constantemente moldados tanto pela hereditariedade
como pelo ambiente. A natureza e a extensão de uma influência sempre
depende da contribuição da outra.

Princípio fundamental da psicologia

O princípio fundamental e o seu axioma principal é o de que o


organismo é produto da hereditariedade em interacção com o meio e com o
tempo, isto é, o comportamento não é resultado de uma única causa , mas
sim de causas múltiplas (biológicas, sociais, culturais, ...). é o resultado da
hereditariedade a interagir com o meio e com o tempo.

O nosso potencial hereditário pode ser enriquecido ou empobrecido


dependendo do tipo, quantidade e qualidade dos nossos encontros com o meio
e depende do momento em que estes encontros ocorrem. É pela interacção
entre determinantes da hereditariedade e a influência do meio que o indivíduo se
forma, desenvolve e realiza.

Não se pode limitar aos aspectos educativos e os sócio-culturais pós-


natais, os aspectos físicos, biológicos (alimentares, etc.), e psico-afecivos
(emocionais) dos primeiros tempos da vida, nomeadamente pré-natais e
perinatais são fundamentais na formação de todas as características do
indivíduo.

Psicofisiologia do sistema nervoso


47

A comunicação no sistema nervoso é central para o comportamento.


Em breves anotações examinaremos a organização do sistema nervoso.

Especialistas acreditam que há de 85 a 180 biliões de neurônios no


cérebro humano. Obviamente isto é apenas uma estimativa. Se os
contássemos sem parar a proporção de um por segundo, estaríamos contando
por cerca de 6 mil anos! Multidões de neurônios no sistema nervoso têm de
trabalhar junto para manter a informação fluindo eficientemente. Para fazer
isso, eles estão organizados em equipes, várias das quais têm funções e
deveres especializados que dependem, antes de tudo, de sua localização.

Sistema nervoso central

O sistema nervoso central (SNC) é a porção do sistema nervoso que fica


dentro do crânio e da coluna espinhal. Assim, o SNC compreende o cérebro e
a medula e a medula espinhal. O SNC é banhado na sua “sopa” nutritiva
especial chamada fluido cérebro-espinhal (FCE). Este fluido alimenta o
cérebro e fornece-lhe uma protecção. Embora derivado do sangue, o FC é
cuidadosamente filtrado.

Para entrar no FCE, as substâncias do sangue têm de passar pela


barreira cérebro-sanguínea, um mecanismo membranoso semipermeável
que impede a passagem de certas substâncias químicas entre a corrente
sanguínea e o cérebro. Esta barreira evita que algumas drogas entrem no FCE
e afectem o cérebro.

A medula espinhal

A medula espinhal liga o cérebro ao resto do corpo através do sistema


nervoso periférico. Embora se pareça com um cabo do qual os nervos
somáticos saem, ela é parte do sistema nervoso central e vai desde a base do
cérebro até um nível abaixo da cintura, abrigando aglomerados axónios que
carregam os comandos do cérebro aos nervos periféricos e conduzem
48

sensações de periferia do corpo cérebro. Muitas formas de paralisia resultam de


danos na medula espinhal, facto que ressalta o papel crítico que ela representa
na transmissão de sinais do cérebro aos neurónios que movem os músculos do
corpo.

O cérebro

Evidentemente, a glória suprema do sistema nervoso central é o cérebro,


que, anatomicamente, é a parte do sistema nervoso central que preenche a
porção superior do crânio. Embora pese apenas cerca de 2 quilos e possa ser
carregado em uma das mãos, ele contém bilhões de células que interagem,
integram informação de dentro, coordenam as acções do corpo e nos capacitam
a falar, pensar, recordar, planear, criar e sonhar.

O Sistema Nervoso Periférico

O primeiro e mais importante corte separa o sistema nervoso central


(cérebro e medula espinhal) do sistema nervoso periférico . o sistema nervoso
periférico é formado por todos os nervos que ficam fora do cérebro e da
medula espinhal. Nervos são aglomerados de fibras de neurônios
(axônios) que estão no sistema nervoso periférico. Essa porção do sistema
nervoso é exactamente o que parece, a parte que se estende para a periferia
(parte de fora) do corpo. O sistema nervoso periférico pode ser subdividido em
dois : somático e autônomo.

Sistema nervoso somático

O sistema nervoso somático é formado por nervos que se conectam


aos músculos esqueléticos voluntários e aos receptores sensoriais. Estes
nervos são os cabos que carregam informação dos receptores na pele,
músculos e juntas ao sistema nervoso central e também ordens do sistema
nervoso central aos músculos. Estas funções requerem dois tipos de fibras
nervosa:
49

Aferentes, que são axônios que carregam informação para dentro do


sistema nervoso central da periferia do corpo;

Os eferentes, que são axônios que carregam informações para fora do


sistema nervoso central para a periferia do corpo.

O sistema nervoso somático permite que nos sintamos e movamos no


mundo.

Sistema nervoso autônomo

O sistema nervoso autónomo é formado de nervos que se ligam ao


coração, aos vasos sanguíneos, aos músculos lisos, e ás glândulas.

Como o próprio nome indica, é um sistema separado (autónomo), embora


seja principalmente controlado pelo sistema nervoso central. O sistema nervoso
autónomo controla funções automáticas , involuntárias, em que normalmente as
pessoas não pensam, como a batida cardíaca , a digestão e a transpiração. Ele
intermédia muito do despertar fisiológico, que ocorre quando as pessoas
experimentam emoções. Imagine-se, por exemplo, caminhando para casa
sozinho a noite, quando uma pessoa, de aparência pobre aparece atrás de nós
e começa a seguir-nos. Caso sintamo-nos ameaçados, a nossa batida cardíaca
e respiração intensifar-se-ão. A nossa pressão sanguínea poderá subir,
possivelmente sentiremos arrepios, e as palmas das mãos poderão começar a
transpirar. Estas reacções difíceis de controlar são aspectos do despertar
autónomo.

O sistema nervoso autónomo pode ser dividido em dois ramos: simpático


e parassimpatico.

Sistema nervoso simpático

É o ramo do sistema nervoso autónomo que mobiliza os recursos do


corpo para a emergência. Ela cria a reacção de luta ou fuga. A activação deste
sistema desacelera processos digestivos e drena o sangue da periferia,
diminuindo o sangramento em caso de ferimento.
50

Os nervos simpáticos principais enviam sinais ás glândulas supra-renais,


liberando as hormonas que preparam o corpo para o esforço.

Sistema nervoso parassimpático

É o ramo do sistema nervoso autónomo que geralmente conserva os


recursos corporais. Ela activa processos que permitem ao corpo economizar e
armazenar energia. Por exemplo, acções dos nervos parassimpáticos diminuem
o ritmo cardíaco, reduzem a pressão sanguínea e promovem a digestão.

Desenvolvimento filogenético do psíquico

Dependência da psique ao meio

A extraordinária variedade que o meio ambiente tem (clima, condições


de vida) suscitou a diferenciação dos organismos (na terra vivem milhões de
espécies de animais). Entre toda a multiplicidade de fenómenos terrestres,
existem suas mudanças cíclicas anuais, a mudança do dia e da noite, as
mudanças de temperatura etc., e todo o organismo vivente adapta-se as
condições existentes.

Uma modificação brusca do ambiente provoca no animal ou o seu


desaparecimento. O meio e a condição de existência do organismo vivo, e o
factor mais importante para determinar a vida dos seres viventes, ou seja, dito
em outras palavras, a existência dos organismos viventes esta
condicionada causalmente pelo meio ambiente. Quanto mais alta e a
capacidade do reflexo dentro de um determinado meio, mais livre e a espécie do
influxo do meio.

A psique e a evolução do sistema nervoso

Para que haja um reflexo adequado e necessário antes de mais uma


estrutura dos órgãos de sentido e do sistema nervoso. O grau de
51

desenvolvimento dos órgãos de sentido e do sistema nervoso determina


constantemente o grau e a forma do reflexo psíquico.

Em corresponderia com o desenvolvimento do sistema nervoso se tem


mais completas as formas do reflexo psíquico ou seja quanto mais completo e o
sistema nervoso tanto mais perfeita e a psique.

A evolução da psique não ë linear, ate que se aperfeiçoe em diferentes


direcções. Num mesmo meio habitam animais com os mais variados níveis de
reflexo e ao contrario, em meios diferentes podem-se encontrar diferentes tipos
de animais com níveis de reflexo semelhantes.

O meio, como a matéria, não e invariável, ele evolui. A este meio em


evolução adapta-se a espécie animal que nele habita. Pode acontecer, sem
duvidas, que o meio radicalmente se modifique para alguns animais e isto
influencia no desenvolvimento das funções psíquicas, ao mesmo tempo, a
mudança ocorrida não exerce uma influencia determinante no desenvolvimento
das funções dos outros animais.

O Surgimento da consciência no processo da actividade humana

Consciência

A psique como conjunto de reflexos da realidade no cérebro dos homens


caracteriza-se por possuir diferentes níveis.

O mais alto nível da psique, que é próprio do Homem, forma a


consciência. A consciência e a forma superior integrante da psique do Homem
que se forma como resultado das condições historico-sociais na actividade
laboral e na permanente comunicação oral com as demais pessoas. Neste
52

sentido, pode-se dizer que a consciência e em ultima instancia (como dizem os


clássicos marxistas) um produto social, a consciência e a existência consciente.

Diferença entre psique humana e psique animal

Sem duvidas existe uma imensa diferença qualitativa entre a psique


humana mais altamente organizada e a psique animal. Assim não e possível
fazer uma comparação entre “linguagem” dos animais e a linguagem
humana, pois enquanto o animal com a sua linguagem pode somente emitir
sinais a seus congéneres, em relação a fenómenos limitados por uma
situação imediata, directa, pelo contrario o Homem pode informar a outras
pessoas com ajuda da linguagem, sobre o passado, o presente, o futuro e
transmitir aos outros a experiência social.

Mediante muitas pesquisas os investigadores mostraram que o


pensamento pratico e somente próprio aos animais superiores. Nenhum
investigador observou a forma abstracta do pensamento no estudo da psique
dos animais. O animal pode somente actuar dentro das marcas duma situação
visivelmente percebida, da qual não pode abstrair e da qual não pode assimilar
os princípios abstractos. O animal e escravo da situação percebida de forma
imediata. A conduta do Homem caracteriza-se pela sua capacidade de
abstrair-se ou afastar-se duma situação concreta dada e prever as
consequências que podem surgir em relação a dita situação.

Desta forma, o pensamento concreto ou pratico dos animais e somente a


sua impressão directa sobre a situação dada, enquanto que a capacidade do
Homem de pensar abstractamente supera a dependência directa da situação
dada. O Homem e capaz de enfrentar não somente as influencias directas
do meio, mas também pode prever aquelas que podem suceder. O Homem
tem a capacidade de abstrair em correspondência com a necessidade
conhecida, ou seja conscientemente. Esta e a primeira distinção entre a
psique humana e a psique animal;
53

- A outra diferença e que o Homem tem a capacidade de


criar e conservar ferramentas. O animal cria instrumentos ou ferramentas
numa situação concreta. Fora desta dada situação concreta o animal nunca
identifica os instrumentos, nem se aproveita deles, uma vez que o instrumento
joga um papel naquela dada situação, que mediatamente deixa de existir para
as outras situações;

- Os homens criam instrumentos de acordo com um plano


previsto anteriormente, utiliza estes instrumentos segundo o fim a que estão
destinados, e os conserva; e todo o homem adquire experiência com os outros
homens no uso destes instrumentos;

- A transmissão das experiências sociais, caracteriza o


homem o qual dispõe duma experiência acumulada pelas gerações
anteriores. As experiências sociais transmitidas ao homem desenvolvem-se em
grande parte na psique. Desde a mais tenra idade a criança aprende a dominar
as formas de utilização dos instrumentos e as formas de trata-los. As funções
psíquicas do homem mudam qualitativamente graças ao domínio de cada
sujeito em particular sobre os instrumentos do desenvolvimento cultural
da humanidade. E no homem se desenvolvem as funções superiores
propriamente humanas (linguagem, memória, pensamento atenção).

- A quinta distinção entre a psique humana e animal são os


sentimentos: para o homem e animais superiores o sentimento e mais daquilo
que ocorre em seu redor, os objectos e os acontecimentos podem suscitar nos
animais e homens determinados tipos de reacções dependendo daquilo que os
influencia, ou emoções positivas e negativas. Sem duvidas somente no
homem pode existir a capacidade de sentir pena ou alegria sobre o outro
Homem, somente o homem pode experimentar determinados sentimentos
ao tomar consciência de algum aspecto vital nisto.

Terorias de Desenvolvimento do Psiquico


54

Teoria: forma de explicação dos factos, de forma unitária, coerente, livre de


contradições internas e que conduza a descoberta de novos factos.

A questão da abordagem do desenvolvimento do psíquico, é ainda, polémica


pela existência de várias teorias do mesmo desenvolvimento, que estão
divididas em grupo.

Teorias endogénicas

O desenvolvimento psíquico é feito dependentemente de factores


biológicos: a hereditariedade e as predisposições inatas tornam lugar de relevo.
O desenvolvimento do Homem está programado e preformado pelas
disposições. Segundo esta teoria, os factores do meio ambiente são apenas um
atributo subordinado, as aptidões e qualidades psicológicas da personalidade
são reduzidas aos instintos inatos de acordo com Mendel, Weisman e Morgan.

Teorias exogénicas

O Homem seria no momento do nascimento uma tábua rasa, pelo adestramento


e hábito poder-se-ia fazer-se tudo quando são aplicados os métodos
respectivos. Este grupo de terias acentua o meio ambiente em que decorre o
desenvolvimento comparativamente aos outros factores como força
determinante de desenvolvimento psíquico.

O desenvolvimento é mais ou menos directamente reduzido á educação e


formação. Contudo a criança e o jovem são considerados como objectos
positivos das influencias externas e deste modo expostos a métodos mecânicos
de educação, segundo Watson.

Teorias de convergências

O desenvolvimento do psíquico é resultado de uma convergência de factores


hereditários e factores ambientais. Logo, o desenvolvimento do psíquico da
55

criança e do jovem é resultado de forças desiguais da hereditariedade e do meio


ambiente. Significa que, o desenvolvimento do psíquico é determinado pela
cooperação de dois factores principais: hereditariedade e meio ambiente (Stern).

Estas teorias defendem que, no desenvolvimento do psíquico deve-se distinguir


os processos de maturidade e os processos de aprendizagem. Os processos de
maturidade são biologicamente condicionados. Enquanto que os factores de
aprendizagem estão sujeitos a regularidades sociais. Portanto, o
desenvolvimento psíquico seria condicionado pelos factores biológicos e de
assimilação.

UNIDADE 3. PSICOLOGIA EVOLUTIVA E DA PERSONALIDADE

3.1. PSICOLOGIA EVOLUTIVA

O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental e ao


crescimento orgânico. O desenvolvimento mental e uma construção continua,
que se caracteriza pelo aparecimento gradativo de estruturas mentais. Algumas
dessas estruturas permanecem ao longo de toda a vida (...)

Conceito de desenvolvimento

Tradicionalmente, na literatura psicológica encontramos definidos:

o desenvolvimento: como o processo de crescimento e diferenciação


continuadas no tempo, resultado da maturação biológica e da interacção
com o ambiente e

a psicologia do desenvolvimento: de consequência, como aquele sector


da psicologia que estuda o processo e organização do indivíduo desde o
nascimento ate a idade adulta.

Durante o arco da vida a personalidade vai adquirindo, atrevas de processos


evolutivos seja biológicos que psicológicos, uma maior e mais eficiente
56

harmonização das energias que se dispõem, com uma crescente possibilidade


seja de autonomia e de novos de compreensão seja de participação afectiva e
de socialização com o mundo.

Uma das consequências desta afirmação e que os seres humanos tornam-se


sempre mais complexos na medida em que se desenvolvem. Não só, mas se o
Homem e uma criatura admiravelmente complexa, não menos surpreendente o
e também a pequena criatura, que e o recém nascido, desde os primeiros
instantes em que vê a luz.

Factores que influenciam o desenvolvimento e crescimento humano

Vários factores indissociados e em permanente interacção afectam todos os


aspectos do desenvolvimento. São eles:

 Hereditariedade

A carga genética estabelece o potencial do indivíduo, que pode ou não


desenvolver-se. Existem pesquisas que comprovam os aspectos genéticos da
inteligência. No entanto, a inteligência pode desenvolver-se aquém ou alem do
seu potencial, dependendo das condições do meio que encontra.

 Crescimento orgânico

Refere-se ao aspecto fisco. O amadurecimento de altura e o


estabilização do esqueleto permite ao indivíduo comportamentos e um
domínio do mundo que antes não existiam. Pense nas possibilidades de
descobertas de uma criança, quando comera a engatinhar e depois de andar,
em relação a quando uma criança estava no berço com alguns dias de vida.

 Maturação neurofisiológica
57

E ‘ o que torna possível determinado padrão de comportamento. A


alfabetização das crianças, por exemplo, depende dessa maturação. Para
segurar o lápis e maneja-lo como nos, e necessário um desenvolvimento
neurológico que a criança de 2, 3 ano não tem. Observe como ela segura o
lápis.

 Meio

O conjunto de influencias e estimulações ambientais altera os padrões


de comportamento do indivíduo. Por exemplo, se a estimulação verbal for
muito intensa, uma criança de 3 anos pode ter um repertório verbal muito
maior do que a media das crianças de sua idade, mas, ao mesmo tempo,
pode não subir e descer com uma facilidade uma escada, porque esta
situação pode não ter feito parte de uma experiência de vida.

Aspectos do desenvolvimento humano

O desenvolvimento humano deve ser entendido com uma globalidade,


mas, para efeito de estudo, tem sido abordado a partir de 4 aspectos básicos.

 Aspecto fisico-motor – refere-se ao crescimento orgânico,


a maturação neurofisiológica, a capacidade de manipulação de
objectos e de exercício do próprio corpo. (ex: a criança aos 7 meses
consegue levar a chupeta a boca porque já tem uma certa
concordância no movimento das mãos).

 Aspecto intelectual – e a capacidade de pensamento,


raciocínio. Por exemplo, a criança de 2 anos, que usa um cabo de
vassoura para puxar um brinquedo que esta debaixo de um móvel ou o
jovem que planeja seus gastos a partir de sua mesada ou salário.
58

 Aspecto afectivo-emocional – e o modo particular de o


indivíduo integrar as suas experiências. E’ o sentir. A sexualidade faz
parte deste aspecto. Exemplos: a vergonha que sentimos em algumas
situações, o medo em outras, a alegria de rever um amigo querido, etc.

 Aspecto social – e a maneira como o indivíduo reage


diante das situações que envolvem outras pessoas. Por exemplo, em
um grupo de crianças, no parque, e possível observar que algumas
espontaneamente buscam outras para brincar, e algumas que
permanecem sozinhas.

Analisando cada um destes aspectos descobrimos que todos os aspectos


estão presentes em cada um dos casos. Não e possível encontrar um exemplo
“puro”, porque todos estes aspectos relacionam-se permanentemente. Por
exemplo, uma criança tem dificuldade de aprendizagem , repete o ano, via-se
tornando cada vez mais “tímida” ou “agressiva”, com poucos amigos e, um dia,
descobre-se que as dificuldades tinham origem em uma deficiência auditiva.
Quando isso é corrigido todo o quadro reverte-se. A historia pode também não
ter um final feliz, se os danos forem graves.

Todas as teorias do desenvolvimento humano partem do pressuposto de


que estes quatro aspectos são indissociados, mas elas podem enfatizar
aspectos diferentes, isto é, estudar o desenvolvimento global a partir da ênfase
em um dos aspectos. A Psicanálise, por exemplo, estuda o desenvolvimento a
partir do aspecto afectivo-emocional, isto é, do desenvolvimento da sexualidade.
Jean Piaget enfatiza o desenvolvimento intelectual.

A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Jean Piaget:


59

A influencia de Jean Piaget não tem andado longe da Freud. Nascido em


Suécia em 1896, Piaget passou a maior a parte da sua vida dirigindo um instituto
de desenvolvimento infantil em Genebra. Publicou um numero extraordinário de
obras e trabalhos científicos, não apenas sobre o desenvolvimento da criança,
mas também sobre educação, historia do pensamento, filosofia e lógica, e
manteve a sua prodigiosa produção ate a data da sua morte em 1980.

Embora Freud tenha dado tanta importância, nunca estudou directamente a


criança. A sua teoria foi desenvolvida a partir de observações feitas no decurso
de tratamento de pacientes adultos em sessões de psicoterapia. Piaget, pelo,
contrario, passou, passou a maior parte da sua vida observando o
comportamento de bebes, crianças e adolescentes. Baseou-se muito do seu
trabalho em observações minuciosas de um numero limitado de indivíduos, mais
do que no estudo de grandes amostras. Não obstante, defendia que a maioria
das suas das suas principais descobertas eram validas para o desenvolvimento
das crianças de todas as culturas.

O desenvolvimento cognitivo (desenvolvimento do pensamento)

De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo é produto do


equilíbrio entre o organismo e o meio, porque a aquisição ou assimilação de
conhecimentos é um processo evolutivo de construção, na teoria epistemológica
de conhecimento ou epistemologia genética.

No desenvolvimento cognitivo colocam-se as questões como: “ como é


possível o conhecimento”? como é que os conhecimentos aumentam,
(compreensão? extensão)? quer dizer em quantidade como em qualidade.

Um conhecimento é construído com base nos conhecimentos anteriores


organizando-se em processos cognitivos segundo a adaptação do organismo ao
meio. A ideia piagetiana é estrutural ou construcionista quando evidencia a
construção ou organização de estruturas mentais ou processos cognitivos. Por
60

outro lado, é funcional ou psicobiológica devido a adaptação orgânica e


intelectual ao meio como condições funcionais no sentido de surgir uma
organização das estruturas cognitivas. Assim, o desenvolvimento cognitivo
surge das funções de organização e de adaptação.

O desenvolvimento leva as mudanças progressivas e sequenciais


na estrutura da organização dos processos cognitivos por causa da dialéctica ou
interacção a organização e adaptação. A progressiva adaptação orgânica e
intelectual ao meio conduz ou leva a uma progressiva mudança na sequência
das estruturas cognitivas, tendo um estado mutável e não rígido.

Assim, o processo de adaptação realiza-se por meio de equilíbrio entre


assimilação e acomodação. O equilíbrio leva a aquisição de estruturas
cognitivas (o desenvolvimento cognitivo). As estruturas cognitivas se resumem
em dois tipos: esquemas e conceitos.

Um esquema é um conjunto de regras que define um género especifico


de comportamento (actividades de chuchar, apalpar, olhar, etc.) como parte da
estrutura cognitiva da criança. Quando mais cresce, vai conhecendo o seu
meio, também vai desenvolvendo estruturas mentais (conceitos segundo
Piaget), referindo aquelas normas que descrevem acontecimentos ambientais,
relações entre conceitos, seus efeitos. Pois, a adaptação ao meio ambiente faz-
se através do processo de assimilação e acomodação.

Assimilação como processo espontâneo da criança consiste em integrar


ou interiorizar a experiência do meio ambiente onde esta inserido (processo).
Consiste em acrescentar novos elementos a um conceito ou a um esquema.
Enquanto, a acomodação refere o ajustamento desses elementos a nova
situação. O ajustamento que o indivíduo faz ao incorporar a realidade externa.
Se a assimilação consiste na capacidade do sujeito interiorizar e conceptualizar
as suas experiências do meio, a acomodação é a resposta do sujeito as
exigências imediatas e constrangedoras do meio, e o grau de adaptação aos
61

estímulos externos , mediante a reorganização cognitiva, em vez de respostas


mecânicas.

Os estádios do desenvolvimento cognitivo

Piaget divide os períodos do desenvolvimento humano de acordo com o


aparecimento de novas qualidades do pensamentos, o que, por suas vez,
interfere no desenvolvimento global.

Piaget acentua bastante a capacidade da para entender activamente o mundo.


As crianças não observam de uma forma passiva a informação, mas
seleccionam e interpretam o que vêem, ouvem e sentem acerca do mundo que
as rodeia. A partir dos estudos e de numerosas experiências que efectuou
sobre as formas de pensar da criança, chegou a conclusão de que os seres
humanos atravessam vários estádios distintos de desenvolvimento cognitivo –
ou seja, vão aprendendo a pensar sobre eles próprios e mundo a sua volta.
Cada estádio implica a aquisição de novas capacidades e esta dependente de
uma de uma conclusão bem sucedida da fase anterior.

Estádio sensório-motor (0 a 2 anos de idade)

Ate uma idade máxima de quatro meses, um bebe não consegue


diferenciar-se do que o rodeia. O desaparecimento do objecto no campo visual
da criança perde todo interesse por ele (não existe/nunca existiu); por exemplo a
criança não entende que são os próprios movimentos que provocam o ranger do
berço e não diferencia entre objectos e pessoas. A actividade cognitiva e
comportamental. Pensar e agir. Irreversibilidade. O bebe não tem noção de que
existe algo fora do seu campo de visão. Como demonstram alguns estudos, os
bebes aprendem de forma gradual a, a distinguir as pessoas dos objectos,
começando a perceber que ambos tem uma existência independente das suas
percepções mais imediatas. Aos 6 meses de idade, a criança investida as
características do objecto. Procura o objecto escondido, continua a existir.
62

Piaget chama a este primeiro estádio sensorio-motor, pois as crianças


aprendem usando os seus diferentes sentidos, sobretudo tocando objectos,
manipulando-os e explorando fisicamente o meio ambiente. De 1 ano e meio o
pensamento da criança esta ligado a linguagem, esquemas motores e a
conceitos de objectos e das suas características. A principal conquista neste
estádio e que, no fim, a criança já entende que o meio ambiente tem
propriedades próprias e imutáveis.

Estádio pre-operatório (2-7 anos de idade)

Foi aquele que Piaget dedicou grande parte da sua investigação. Nesta
fase desenvolvem-se outras estruturas cognitivas: a criança e capaz de
distinguir o “eu” do objecto; adquire noção de tempo e espaço. Tem inicio a
reversibilidade. A criança já domina a linguagem e se torna capaz de usar
palavras para, de uma forma simbólica, representar objectos e imagens. Uma
criança de quatro anos, por exemplo, pode usar a mão em movimento para
representar o conceito de “avião” . Inicio da aquisição de noção de conservação
da massa e volume (quantidade) Piaget apelida este estádio de pré-operacional,
pois as crianças ainda não são capazes de usar, de uma forma sistemática, as
suas capacidades mentais em desenvolvimento. A maneira de ver o mundo
característica destas crianças e o egocentrismo, ela acredita que as pessoas
vêem o mundo exactamente como ela vê, p. Ex: ao contar um facto, omite
pormenores importantes “julgando” que os outros tem a mesma visão do facto.
Este conceito não se refere a egoísmo mas a tendência da criança interpretar o
mundo exclusivamente em função da sua própria posição. (ex. pedir explicação
de uma ilustração enquanto o livro esta virado para si. A criança não entende
que o outro não vê); as crianças falam ao mesmo tempo mas não com a outra,
como os adultos fazem; não tem categorias de pensamento que os adultos tem,
as crianças não tem conceitos de causalidade, velocidade, peso ou numero
(mesmo se a criança observar alguém a deitar agua num recipiente alto e
estreito para o outro mais baixo e largo, não entende que o volume continua o
mesmo – mas conclui que há mais agua no segundo recipiente, porque o nível
da agua esta mais abaixo.
63

Estádio de operações concretas (7-12 anos de idade)

Existe um equilíbrio estável entre assimilação e acomodação. Durante


esta fase as crianças dominam noções lógicas e abstractas. São capazes de,
sem grandes dificuldade, lidar com ideias como a de causalidade. Uma
criança nesta fase de desenvolvimento e capaz de reconhecer o raciocínio
falso implícito na ideia de que o recipiente mais largo continha menos agua
do que o mais estreito, mesmo que os níveis da agua sejam diferentes.
Torna-se capaz de efectuar operações matemáticas, como a multiplicação, a
subtracção ou divisão. As crianças neste período são muito menos
egocêntricas. Se perguntar a criança quantas irmãs tem ela dirá uma, mas
se perguntar quantas irmãs tem a tua irmã ela provavelmente dirá “nenhuma”
porque não e capaz de se colocar na posição da irmã, não e capaz de
raciocinar em termos hipotéticos.

Estádio das operações formais (12 –18 anos de idade)

Desenvolvimento das capacidades lógicas, de representação


simbólica. Criação de hipóteses e sua verificação. Pensamento abstracto,
dedutivo (processo de transição do geral ao particular) e indutivo. Raciocínio
formal segundo a cultura. Quando deparam com um problema, as crianças
nesta fase são capazes de rever todas as formas possíveis de resolver,
examinando-o teoricamente de maneira a chegar a uma solução. Um jovem
na fase operacional, e capaz de entender porque e que algumas questões
são traiçoeiras.

De acordo com Piaget os primeiros três estádios de


desenvolvimento são universais; mas nem todos os adultos alcançam o
estádio operacional formal. O desenvolvimento deste tipo de pensamento
esta dependente, em parte, dos processos de escolaridade. Os adultos com
64

uma educação limitada tendem a continuar a pensar em termos mais


concretos e reter largos traços de egocentrismo.

O Desenvolvimento Psicossexual Segundo a Teoria Psicanalítica

Sigmund Freud (1859-19390, fundador da Psicanálise. Interpretou os sonhos,


porque tem sentido simbólico, de acordo com eles, os sonhos estão cheios de
significados. Defendeu que as imagens sonhadas são consequência, a
realização simbólica, substitui um desejo sexual recalcado (inibido pela
interdição moral).

Freud dividiu a vida psíquica em dois níveis: o inconsciente e o


consciente. O inconsciente considerou-o mais importante, é a camada mais
profunda e responsável por grande parte de nossas manifestações. A vida
psíquica se centra na libido (pulsões sexuais), responsável pela agressividade
como de origem sexual. Segundo a concepção libidinal, dividiu a personalidade
em três instâncias: Id; Ego; Superego (ver no capitulo anterior).

A psicanálise descreveu seja a estrutura da mente (ID, EU, Super-EU), seja o


desenvolvimento dos processos psíquicos dos primeiros anos de vidas. Este
desenvolvimento é decisivo porque nele se deitam os fundamentos da vida
psíquica do futuro indivíduo adulto e os traços persistentes da personalidade.
O aspecto mais evidente da teoria freudiana e aquele das fases do
desenvolvimento psicosexual. Segundo Freud a área do prazer sexual
desloca-se duma zona erótica do corpo a outra, segundo uma sequência
determinada biologicamente na medida em que a criança cresce. De
consequência os distúrbios psíquicos do indivíduo adulto dependeriam dum
desenvolvimento não regular das varias fases da sexualidade infantil.

As fases do desenvolvimento psicossexual segundo Freud

Freud preconiza cinco estádios do desenvolvimento psicosexual .


65

a) Fase oral (o –2 anos) : nos primeiros meses da vida ate cerca de


2 anos de vida, a libido esta concentrada na zona oral (boca): o bebe tira prazer
através da zona erótica da boca, dos lábios e da língua, e nos actos de sucção,
mordedura e mastigação. No adulto, a fixação formas da sexualidade oral pode
exprimir-se em comportamentos com a sucção do próprio dedo, comer-se as
unhas, comer excessivamente, etc.

b) Fase anal (2-3anos): nesta fase o ponto focal da libido desloca-se


e as principais fontes de prazer sexual tornam as actividades esfintericas. Esta
presente seja a exigência de satisfação da necessidade (defecar) seja de
aprender o controlo fisiológico em relação as regras ditadas pelos pais e as
convenções sociais. Conter as fezes significa, duma parte, bloquear a satisfação
de uma necessidade e da outra parte, significa realizar ou cumprir as regras dos
pais, que a sua volta são fonte de gratificação quando a norma vem respeitada
pela criança. A compresenca de exigências contrastantes, o conflito,
relacionado a fase anal poderá manifestar-se no adulto em comportamentos de
excessiva limpeza, pontualidade, obstinação, etc.

c) Fase fálica ( 3-5 anos) – entre 3 a 5 anos a libido desloca-se para as


zonas genitais a procura do prazer. O rapaz e a menina tocam os próprios
órgãos genitais, tornam-se curiosas em relação as diferenças entre os dois
sexos. Os pais muitas vezes proíbem o comportamento sexual das crianças
desta idade pensando ou considerando que são formas adultas da actividade
sexual, enquanto normalmente exprimem a exigência das crianças de conhecer
o próprio e o outro aparato sexual. Nesta fase manifesta-se o assim chamado
complexo de Edipo, do nome do da personagem da tragédia grega Edipo rei de
Sofocle (na tragédia grega, Edipo mata o pai sem conhecer a identidade e casa-
se com a mãe). O menino chegando nesta fase do desenvolvimento
psicosexual, experimenta um desejo de hostilidade para o pai e um desejo de
amor para com a mãe. Estes dois desejos compresentes , numa forma
66

geralmente inconsciente, são vividos como um conflito. Por outro lado, o pai
representa para o menino a fonte da punição (vivida como castração dos
próprios órgãos) por causa do amor dirigido a mãe. O menino pode superar este
conflito atraves de um processo de identificação com o pai, mediante o qual ele
assimila e faz seu o comportamento paterno. Durante o processo de
identificação , os meninos introjectam no Super-Io grande parte das regras
sociais e dos valores partilhados e derivados da figura dos pais. Na menina
verifica-se um processo em parte análogo, primeiro de hostilidade para com a
mãe e amor para com o pai e, portanto, em seguida, de identificação com a
figura materna ( tal processo e denominado de Eletra).

d) Fase da latencia (6 – inicio da adolescência): durante esta fase


a actividade da libido perde intensidade, consentindo ao “Eu” uma trégua
para consolidar o desenvolvimento anterior enquanto a criança orienta ou
dirige os próprios interesses no ambiente.

e) Fase genital (....fim da adolescência): o culmine do


desenvolvimento psicosexual verifica-se no fim da adolescência, na fase
genital. O rapaz e a rapariga completam o desenvolvimento psicosexual e
orientam o próprio comportamento sexual aos partner. Elemento
característico desta fase e o surgimento de um interesse de relação
reciprocamente gratificante com os outros. O indivíduo que se encontra
nesta fase genital, esta em grau de manifestar o interesse para com os
outros, desejo de partilhar as experiências significativas e solicitude para o
seu bem estar: este empenho a reciprocidade não e alcançado por todos.
67

O Desenvolvimento Psicossocial: A Teoria Do Desenvolvimento


Psicosocial Segundo Erick Erickson

o desenvolvimento psicológico, seja na dimensão cognitiva como na


emotiva, não termina com a idade adulta. Os primeiros anos de vida e o período
da adolescência são etapas fundamentais para a construção do mundo psíquico
do adulto, mas a obra da reelaboração e da reorganização da própria vida
psíquica continua incessantemente por toda a existência humana.

A ideia de que o desenvolvimento psíquico dura toda a vida e que seja


estreitamente legada as relações sociais foi elaborada por Erik Erickson.
Erikson, nasce em Frankfurt – Alemanha.

Enquanto Freud atribuía mais importância ao inconsciente , Erickson


focalizava a sua atenção no papel desenvolvido pelo “Eu” quando se devem
enfrentar problemas nos diferentes períodos da vida.

A teoria de Erikson (1950, 1968) afirma que o desenvolvimento


psicossocial atravessa oito estádios, em cada um do qual o indivíduo deve
enfrentar uma série de problemas, ou a assim chamada crise do estádio, para
poder passar ao estádio sucessivo. Segundo Erikson, na medida em que uma
criança resolve positivamente os problemas de cada estádio, determina-se a sua
possibilidade de tornar-se uma pessoas adulta dotada de capacidade de
adaptação.

Fases de Desenvolvimento Psicossocial Segundo Erikson

Estádio sensorio-oral (0-1): crise entre a confiança e desconfiança . A


criança põe-se o problema de ter confiança o não ter confiança na pessoa que
toma cuidado ou se ocupa dela (geralmente a mãe), se recebe ou não nutrição e
68

afecto. Da confiança para com a figura materna desenvolvera a confiança para


com o ambiente externo e outras pessoas. Se a criança não contar com o
afecto e os cuidados maternos, perdera a confiança para com as outras pessoas
e pensará que o ambiente externo não lhe pode dar confiança.

Estádio muscular-anal (1-2 anos): crise entre autonomia-duvida\vergonha, a


criança começa a explorar o mundo e a entrar em relação com outras pessoas.
Na medida em que conquista autonomamente as habilidades principais, por
exemplo aprender a caminhar, deve também não duvidar de si quando não
consegue padronizar esta tal capacidade imediatamente. A criança deve
escolher se ser autónoma em tal situação e continuar de modo independente, ou
então enfrentar o futuro com duvidas.

Características: afirmação da vontade: a criança desenvolve a


capacidade de escolha, a possibilidade de auto-domínio; sentimentos de
autonomia e de amor – próprio. Pode desenvolver-se sentimentos de perca de
auto-domínio, a vergonha e duvidas quanto ao exercício da vontade.

Estádio locomotorio-genital (3 –5 anos): crise de iniciativa/sentimento de


culpa. Desenvolvem-se as estruturas anteriores e a criança encontra-se a ter
que resolver o conflito existente entre o tomar iniciativa em actividades e
apreciar os resultados ou sentir-se culpado por ter ultrapassado os limites, neste
caso surge o medo de punições ou de castigo, criticas e de consequência o
sentimento inibitório( a criança pode perder a capacidade de tomar novas
iniciativas e sente-se em culpa pelos seus falimentos).

Estádio de latência ( de 6 anos – a puberdade): crise da diligencia e


complexo de inferioridade. Nesta fase adquirem as regras fundamentais sobre
o mundo externo e as primeiras regras de comportamento social graças ao facto
de frequentar a escola e o grupo dos pares. As próprias competências podem
69

ser desenvolvidas e reforçadas, ou então podem ser bloqueadas. O insucesso


na escola ou nas relações sociais em geral podem gerar um sentido de
inferioridade que bloca ulteriormente o desenvolvimento cognitivo e emotivo.

Adolescência: a crise por superar é entre a identidade e confusão a cerca do


papel a desempenhar (confusão de identidade). O adolescente deve
desenvolver o sentido de identidade de si mesmo, tornar-se um indivíduo com a
sua própria personalidade distinta daquela dos parceiros e dos adultos, com
próprias normas sociais e próprios valores morais. O falimento na construção da
identidade manifesta-se na “confusão de papeis”, facto pelo qual o adolescente
não consegue encontrar um papel adequado para a sua personalidade no
contexto social.

Primeira idade adulta( 20 –30 anos):. Nesta fase a crise é entre intimidade
ou amor/isolamento a pessoa enfrenta a escolha entre uma vida caracterizada
de relações de intimidade (capacidade de amizade e amor), encontrar-se em
companhia, amar alguém e a ausência de relações afectivas, e transformar-se
num isolado, evitando compromisso de amor ou amizade. É o estádio da vida
em que se põe também a problema da escolha profissional que permite a
inserção na sociedade. As duas escolhas cruzam-se, originando as vezes
conflitos, sobretudo na mulher pela qual a profissão pode contrastar com o papel
de mulher e de mãe.

Meia idade (40-60 anos): a crise situa-se entre a criatividade ou


interesse/estagnação ou auto-absorção. Regista-se a consolidação do amor e
da amizade: aumento do interesse profissional, aumento da atenção para com
os filhos mas pode viver em debilidade no relacionamento, em depressão, sem
interesse. Para essa fase contribui muito a tipo de escolha profissional feito, em
particular em relação a constatação feita no que diz respeito aos objectivos ou
70

propósitos alcançados ou não segundo a plano traçado na juventude. O sentido


do insucesso pode muitas vezes estimular a novos interesses e opções ou a
uma nova ou mais lúcida consciência das próprias capacidades.

Velhice (dos 60 anos em diante): a crise observa-se entre o sentimento de


integração e calma/ desespero. Nesta fase emerge uma outra situação de
conflito, aquela concernente a aquisição de um sentido de integridade, que se
experimenta quando se considera que a própria vida foi completada, dando-lhe
um sentido, ao qual se contrapões o desespero, se se pensa de não ter
alcançado os objectivos que anteriormente se tinham proposto ou de não ter
integrado as próprias experiências.

A pessoa pode tornar-se sabia: não se preocupa ansiosamente pela vida


porque descobriu o seu sentido e o da dignidade da sua vida; há aceitação da
morte. Mas pode não alcançar a sabedoria, ao fazer o balanço da sua vida ou a
valição do seu passado e verifica que não fez nada que valesse a pena, logo
surge um sentimento de desgosto pela vida e de desespero perante a morte.

Cada vez mais está a crescer o numero de anciãos que fica inactivo
depois da reforma e marginalizados em relação as decisões da colectividade. A
psicologia deve ser em grau de afrontar esta nova problemática para a
integração dos anciãos na sociedade.

O DESENVOLVIMENTO MORAL

O Desenvolvimento Moral Piaget

Segundo Piaget, o desenvolvimento moral dá-se em dois estádios


principais:
71

 realismo moral caracterizado pelo egocentrismo e pela


obediência cega ás regras;

 moralidade de cooperação caracterizado pela empatia e


pela compreensão do facto que uma acção vale pelos efeitos que possa
ter nos outros. Significa que as crianças entendem e seguem os
princípios morais, existe a génese da moral, embora agimos contra os
nossos princípios morais.

 Outros estudos, preocupam-se com os factores que


influenciam as acções morais. Na vida, as regras morais começam pela
imposição exterior sobre a criança, passando pela interiorização. O
reforço negativo ou punitivo (o medo pelo castigo) é um dos aspectos
mais importantes para o comportamento moral, ou o apontar bons
exemplos, ou a atribuição de culpa á criança (indução do sentimento de
culpa).

O Desenvolvimento Moral Segundo Lawrence Kohlberg

No desenvolvimento da personalidade joga um papel fundamental a


aquisição de regras de comportamento que reflectem os valores da cultura e da
sociedade em que o individuo vive. Lawrence Kohlberg, fortemente influenciado
pela teoria de Piaget, hipnotizou que o aspecto moral desenvolve-se
gradualmente por estádios.

Kohlberg introduz uma perspectiva desenvolvimentista, isto significa que


revolucionou a compreensão sobre o desenvolvimento moral, descobriu que as
pessoas não podem ser agrupadas em compartimentos definidos com rótulos
simplicistas:

o Este grupo é honesto

o Este grupo é aldrabão


72

o Este grupo é reverente

Segundo Kohlberg, o carácter moral das pessoas se desenvolve.


Significa que o crescimento moral se faz de acordo com uma sequência do
desenvolvimento.

Para o desenvolvimento do carácter, “dizer as crianças e


adolescentes para adoptarem determinadas virtudes ou manipulá-las até
que digam palavras certas não produz um desenvolvimento pessoal ou
cognitivo significativo). (Sprinthal, 1993: 170).

Segundo KOHLBERG, o desenvolvimento ocorre de acordo com uma


sequência específica de estádios, independentemente da cultura, subcultura,
continente ou país, raça.

Moral refere-se as normas e regras da conduta social que caracterizam


as concepções a respeito da justiça e injustiça, do bem e do mal. São mantidas
ou cultivadas pela força da opinião pública, hábitos, costumes e educação.

Em 1964 Kohlberg identificou seis estádios fundamentais do


desenvolvimento moral.

Os seis estádios do desenvolvimento moral de Kohlberg

Níveis Estádios Características


73

A obediência e as decisões morais são


baseadas em formas de poder muito
simplicistas, de tipo físico e material Aqui
o comportamento baseia-se na
recompensa e no desejo de evitar a
punição física severa por parte de um
poder superior, “poder da razão”, “a
sobrevivência dos mais fortes”. P. Ex. as
Moralidade pré- acções são julgadas em termos das suas
convencional ou pré- consequências físicas. O medo da
moral (0 –7/8 anos) I punição domina os motivos da criança.

As acções baseiam-se amplamente na


satisfação das necessidades pessoais
do indivíduo. O motivo básico das
pessoas é satisfazer as próprias
necessidades. Não consideram as
necessidades das outras pessoas.
II Envolve a percepção do poder do
negócio/trocas de favor. “coça-me as

costas e eu coço as tuas”...mas obtendo


pequena vantagem em cada negócio.
Há uma orientação materialista, na qual
as discussões morais se expressam em
termos instrumentais e físicos. Este
nível aceita o uso de influências para
resolver qualquer delito. Ex: se a
personalidade é encontrada a roubar um
74

carro a punição está determinada pelo


custo do carro. Admite falsificar
assinaturas, subornos, aldrabar o patrão
ou cometer outros delitos semelhantes,
desde que a pessoa escape impune.
Filosoficamente, esta categoria de
pensamento moral é designada de
hedonismo instrumental: falta de respeito
humano pelas outras pessoas.
O conformismo social: fazer o apropriado
e o que agrada os outros, rejeita as
decisões do ego. Há um relacionamento
duplo. O motivo da criança é ser bom
III rapaz para ser aceite.
Cumprem-se somente as acções que
Moralidade são aceites pelos parceiros, professores
convencional ou de e pais. O “justo” e o “injusto” não vem
conformidade avaliado em base as punições físicas ou
(dos 7/8 – recompensas (doces, brinquedos) mas
adolescência) em relação a avaliação que os outros
fazem do próprio comportamento e ás
exigências de oferecer uma boa imagem
de si mesmo. Obedece-se as regras
para evitar o sentido de culpa derivante
da censura da autoridade.
Tomada de decisões de acordo com os
IV códigos legais existentes, em todas
situações dilemáticas (preservação da
sociedade). A tendência é de ser melhor
e não apenas o cumprimento das
normas.
75

Agir de acordo com o contrato social: Da


V adolescência em diante , a pessoa
interiorizou regras abstractas de
comportamento social que são muitas
Moralidade Pós- vezes em
contraste com as próprias convicções.
convencional ou dos
princípios (da VI
. Os adultos que atingem esta fase,
adolescência em
estão em grau de reflectir sobre os
diante)
princípios éticos e universais, tais como
a justiça, a igualdade, dignidade de
todas as pessoas, o bem comum, a
sacralidade da vida, o altruísmo, etc.
Esta fase é caracterizada duma
moralidade da consciência, facto pelo
qual as pessoas tendem a ver o
comportamento ético como um equilíbrio
entre o bem estar do indivíduo e aquele
da sociedade e a creditar na aplicação
das regras sociais em virtude dos seus
princípios, mas não em prejuízo dos
direitos individuais. O indivíduo,
portanto, obedece as regras em base a
convicções amadurecidas e
considerações objectivas.
76

TEMA: 4

PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE

TEORIAS DA PERSONALIDADE

1. Génese e formação da Personalidade

Nenhum Homem nasce como personalidade. Entretanto, cada um de nós


nasce como um projecto (esboço) da personalidade, quer dizer, cada indivíduo
ao nascer é um centro de iniciativas, de buscas e de construções de boas
qualidades. Isto significa que cada indivíduo permanentemente deve trabalhar
para a formação da sua personalidade.

A personalidade do Homem constrói-se pelos sinais complexos e


estáveis: temperamento, conduta, moral, interesse bem como as
necessidades que definem as propriedades dos sentidos e do comportamento
do mesmo Homem. A personalidade capacita-se ás diversas situações da vida,
aí se define a sua totalidade pelas influencias sócio - genéticas e sócio
-culturais.

 Conceito de personalidade

A personalidade exprime a totalidade de um ser, tal como aparece


aos outros e a si próprio, na sua unidade, na sua singularidade e na sua
continuidade. É o modo relativamente constante e peculiar de perceber,
pensar, sentir, e de agir do indivíduo. Inclui as atitudes, habilidades,
crenças, emoções, desejos, o modo de se comportar e, inclusive os
aspectos físicos do indivíduo.
77

Em suma, a personalidade é o nosso ser global, inclui o consciente e


o inconsciente na sua relação com o mundo exterior.

Estrutura da personalidade

Fazem parte da estrutura da personalidade as particularidades


relativamente constantes e viáveis da própria personalidade (do sujeito).

As componentes principais da personalidade são a estrutura


endopsiquica e a exopsiquica.

Exopsiquica: determina a atitude do homem em relação ao meio


externo. O exopsiquismo contempla a experiência social (conhecimentos,
hábitos, habilidades) e a orientabilidade do indivíduo (inclinações, interesses,
motivos, ideias, convicções, sentimentos, etc.).

A exopsíquica está condicionada socialmente, é adquirida das forças do


meio, não é biologicamente determinada.

Endopsiquica: manifesta a dependência interna mútua dos elementos e


das funções psíquicas. É identificada com a actividade psico-nervosa do
homem. Relaciona-se com os traços da personalidade como a receptividade,
peculiaridade da memória, percepção, vontade, pensamento, imaginação, etc. A
endopsiquica está condicionada biologicamente, é inata, não depende das
forças do meio.

Teorias da Personalidade

A conduta humana é reconhecida como complexa. Assim, o


comportamento não é determinado por um único factor, mas sim por muitos
78

factores, de natureza diversa. Diante de tão complexo campo de investigação,


diferentes grupos de estudiosos enfatizam diferentes grupos de aspectos de
comportamento. Alguns concentram-se em hereditariedade e outros em
influencias ambientais. Outros ainda, favorecem a formação de um conjunto de
leis gerais, entendendo o Homem como ser social e ao mesmo tempo biológico.
As teorias da Personalidade que merecem distinção especial são: o
Behaviorismo, o Gestaltismo, a Psicanálise, a Disposicional, A humanista,
A Fenomenológica, a cognitiva, a Biológica, a Evolucionista, etc.

Behaviorismo

O termo “Behaviorismo” que em Inglês “behavior” significa


comportamento, foi inaugurado pelo americano John Watson. Watson postulava
o comportamento como objecto de estudo da psicologia e defendia que este
(comportamento) devia ser estudado em função de certas variáveis do meio.

Para entender a personalidade (comportamento) deve-se analisar


as relações funcionais entre acções visíveis e suas consequências também
visíveis.

A essência de todo o behaviorismo é ser a ciência do par Estímulo-


Resposta. Todo o comportamento pode ser modificado pelo meio ambiente, de
tal forma que o controle das condutas é possível e os fenómenos psíquicos são
previsíveis.

A influência do meio ambiente predetermina o comportamento.


Não se interessa pelos fenómenos como a consciência, a hereditariedade, o
prazer e a dor.

O homem é considerado vítima passiva do meio ambiente. O ensino e a


experiência são blocos de construção da personalidade.

O Gestaltismo
79

Os fundadores da escola da Gestalt foram WERTHEIMER (1880-1943),


KURT KOFFKA (1886-1941) e WOLFGANG KOHLER (1887-1967). Todos eles
negam a fragmentação entre acções e processos humanos, defendendo o
principio de determinação relacional, isto é, que as propriedades das partes
dependem do lugar, papel e função que têm no todo. Sustentam ainda que a
maior parte das configurações, o todo não é igual á soma das partes
demonstrando-se que o estímulo deve ser considerado como uma totalidade. A
Gestalt Orienta-se pelos seguintes princípios:

 O todo é percebido antes das partes que o compõe;

 O todo é definido pelas interacções e interdependências das


partes;

 As partes de uma configuração não mantém sua identidade


quando estão separadas da sua função e lugar no todo

A PSICANALISE (ver nas lições anteriores)

OS RESULTADOS DA REVISÃO (RECONSTRUÇÃO) PSICODINÂMICA


(ALFRED ADLER E CARL JUNG).

. A Psicologia Analítica de Carl Jung

 Breves linhas biográficos

Carl Gustav Jung, nasceu em 1875 na Suíça e, vem perder a vida em 1961. Foi
formado em medicina (psiquiatria). Trabalhou seis (6) anos com Freud,
nascendo assim, o interesse para o comportamento humano. Separa-se de
Freud em 1913 e elabora a sua teoria denominada Psicologia Analítica ou
dos complexos. A sua psicologia designou ……..Analítica porque e uma
psicologia que não procura de isolar funções singulares mas de ocupar-se dos
fenómenos que caracterizam a personalidade na sua totalidade.
80

Construtor da psicologia analítica, é optimista em relação ao Homem. Significa


que o Homem pode ser orientado no sentido de desenvolver os suas potências
realizando-se como eu.

 Pontos de divergência com Freud

1) Aceita a concepção da libido mas como energia psíquica neutra sem


conotação sexual; nega o papel fundamental da libido na origem da
sexualidade.

1) Do ponto de vista metodológico, Jung e mais ou menos ecléctico, ou seja,


usa elementos psicológicos, mitológicos, que segundo o autor , esses
devem ser considerados porque encontram representações a nível
psíquico.

2) Separa-se ainda de Freud porque segundo Jung, não e necessário


considerar somente a nível psíquico um dinamismo causal mas também
finalístico, ou seja, é necessário considerar que no comportamento existe
uma meta a alcançar.

 Objecto de estudo da psicologia analítica

O conjunto de todos os processos psíquicos : conscientes e inconscientes.

 Ideia fundamental: no que diz respeito a realidade psíquica ele sublinha a


autonomia da realidade psíquica em relação ao fenómeno fisiológico mesmo se
não possível uma separação nítida entre as duas esferas. Ele fala também da
realidade fisiológica como sendo subjectiva enquanto incide somente para um
enquanto a realidade psíquica é objectiva no sentido de que algumas ideias são
partilhadas, por exemplo: simbolismo, arquétipos, etc.
81

Jung acreditava que somos moldados por nossas metas, esperanças,


aspirações em relação o futuro bem como do nosso passado.

A personalidade integral (psique), segundo Jung, compõe-se de três


sistemas: consciência, Inconsciente pessoal e inconsciente colectivo.

1) Consciência: é a actividade que mantém relação entre os conteúdos


psíquicos (conscientes) . Na consciência Jung focaliza o eu porque este é o
sujeito da consciência. Ele entende o eu como um conjunto de representações
que constituem o centro do campo da consciência.

 Funções do eu: pensamento, sentimento; sensação e intuição

2) O inconsciente pessoal: localiza-se abaixo da consciência, pertence ao


indivíduo. Consiste em todas as lembranças, desejos e outras experiências da
vida da pessoa que foram reprimido ou esquecidas.

3) Inconsciente colectivo: localiza-se abaixo do inconsciente pessoal. O


inconsciente colectivo compreende conteúdos que segundo Jung constituem o
deposito de modos reagir típicos da humanidade, por exemplo, medo do mal,
relação entre os sexos, entre pais e filhos, situações típicas que o indivíduo
enfrenta ao longo da sua existência.

Segundo Jung, em base as modalidades como se enfrentam estes


problemas constitui-se um deposito colectivo de predisposição ou reacção
diferente, estas situações são independentes da cultura.

Jung afirma ainda que o inconsciente pode-se alcançar directamente mas


através de manifestações: Símbolos ou Arquétipos etc.

Arquétipos
82

São determinantes inatos da vida mental que dispõe a pessoa a se


comportar de modo semelhante ao dos ancestrais que si viram diante da
situação análoga. Referem-se a símbolos que tem características semelhantes
independentemente das diferenças culturais: mãe terra, herói, luta contra o bem
e o mal. São formas universais de pensamento dotadas de conteúdo afectivo
que cria determinada imagem de cada indivíduo.

Persona

É a mascara da personalidade que usamos no contacto com os outros,


representando-nos tal com o queremos aparecer na realidade. A persona pode
não corresponder a verdadeira personalidade. Inclui nossos papeis pessoais, o
tipo de roupa que usamos, o nosso estilo de expressão pessoal, etc.

Sombra

É a parte mais primitiva e animalesca da pessoa. É o núcleo do material


reprimido na consciência. Ou seja, é a parte da personalidade que se ignora,
geralmente contém material desagradável, ela contem todos os desejos e
actividades imorais e inaceitáveis. A sombra nos impele a emitir
comportamentos que normalmente não nos permitiríamos.

Anima e animus

Reflectem a ideia de que cada pessoa de um sexo exibe algumas


características do outro. Anima se refere as características femininas presentes
no homem e animus as características masculinas presentes na mulher. Estas
características estão ligadas à imagem ideal do homem ou mulher que cada um
de nós tem em si.

Self
83

É o arquétipo responsável pela integridade ou estabilidade da


personalidade. O Self é o processo central, um impulso para a individuação
(realização de si mesmo) ou aspiração a auto realização.

O processo de realização (individuação) e integração das componentes


psíquicas

Antes de tudo temos que considerar que segundo Jung todo o indivíduo
possui a libido, ou seja esta energia fundamentalmente biológica, mas é neutra,
ela tende à integração dos elementos conscientes e inconscientes. Neste caso
emerge a aqui a concepção finalística da libido em vez da função causal.

Auto realização

Integrando as componentes conscientes e inconscientes, segundo Jung a


vida psíquica é racional que irracional. A energia libidica dá aquele estimulo
para procurar sintetizar os elementos que são em contradição. Segundo Jung, a
libido tem uma direcção que tende a realizar o indivíduo mas quando a libido
encontra um obstáculo que bloqueia o seu fluir a pessoa percebe um certo tipo
de mal estar psíquico, ou seja, desequilíbrio, mesmo se iste bloqueio pode ser
positivo no sentido de que ajuda a pessoa a enfrentar o momento e sintetizar a
sua vida.

Por outro lado, a actualização de si realiza-se através deste processo de


individuação (tornar-se a pessoa própria, o actuar-se como pessoa, mesmo
como dever moral de cada pessoa). A meta ideal para tornar-se “humano” é
alcançar a conciliação entre o consciente e o inconsciente mesmo se,
obviamente, um desequilíbrio pode criar dinamismo no próprio crescimento.

Jung desenvolveu um trabalho sobre atitudes que constituem o modo


como a pessoa reage aos estímulos que chegam, são modalidades de acção e
existem dois modos fundamentais: introversão e extroversão . Na primeira
84

atitude o sujeito dirige a sua energia para a seu próprio interior, tende a ser
introspectivo, é guiado por referencias de tipo interior enquanto que o
extrovertido dirige a sua energia para o fora do eu, para eventos e pessoas do
mundo exterior.

Alfred Adler e a Psicologia Individual

 Breves considerações biográficas

Nasce em Viena , em 1870, de família hebreia e morre em 1937. O segundo


entre 6 filhos, relativamente gracioso e sofria de uma forma de raquitismo e de
criança desenvolveu uma forma de competição com o primeiro irmão que era
génio e sofria também pela limitação física, por isso desenvolveu uma certa
sensibilidade para com os mais necessitados.

De formação era médico, neurólogo, psiquiatra, sociólogo. A sua atitude


diante dos doentes era especial, e rejeitava o facto de mandar os doentes ao
neurólogos enquanto este não tinha nenhuma lesão e neste caso o neurólogo
não tinha instrumentos necessários para resolver o problema.

A obra fundamental escrita por Adler foi intitulada de “o temperamento nervoso” .


Nesta obra evidencia a mal estar ou distúrbio psíquico como sendo
consequência de uma atitude errada que o indivíduo adopta diante da lógica no
enfrentar a vivência social. Segundo o autor, existe oposição entre o indivíduo e
a sociedade.

 Causas da divergência com Freud

Adler entrou também em contacto com Freud em 1911, mas diverge com o
Freud porque não concorda que com a ideia de que a libido seja a única
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fonte do distúrbio psíquico da própria personalidade mas diz que a distúrbio


psíquico é resultado da afirmação exagerada de si.

 Método

Estudo de historias de indivíduos que vem reconstruídas gradualmente


através da recordação da própria infância, o conhecimento da situação social do
indivíduo. Assume particular atenção o conhecimento com a posição em que o
indivíduo ocupa em termos de nascimento. Este método tendia a ajudar o
indivíduo a compreender porque reage num certo modo, as causas da sua
inferioridade e depois a procurar um equilíbrio a nível emotivo, por exemplo
através do amadurecimento duma coragem, confiança que até pode conduzir o
indivíduo a inserir-se na sociedade.

 Aspectos fundamentais da psicologia individual

- Adler é autor da psicologia individual (porque quer sublinhar que o indivíduo


é único, irrepetível e que não é possível isolar um acto, ou acção da totalidade
da personalidade) ou Teoria da unidade do indivíduo indivisível e livre,
consciente dos seus próprios objectivos, responsável nas suas acções.

- Adler acredita que o comportamento humano é determinado por forças


sociais e não biológicas e sugeria que só podemos compreender a
personalidade investigando os relacionamentos sociais e as atitudes que a
pessoa tem com os outros.

- Adler considerava a motivação humana um esforço para atingir a sua


superioridade, o poder. Assim, um sentimento generalizado de inferioridade é a
força determinante do comportamento. Somos mais influenciados por aquilo que
o futuro nos reserva.

- Adler também se concentrava na família como factor de desenvolvimento


da personalidade. Crianças com deficiências podem se considerar um fracasso ,
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mas, por meio da compensação e com, a ajuda de pais compreensivos, podem


transformar inferioridade em forças.

- segundo Adler, o ser humano tende a realizar a própria personalidade, a


própria unidade e tudo aquilo que o estimula a realizar como unidade é uma
necessidade de conservação (biológica e psicológica) e de realização de si.

- A auto realização é a necessidade fundamental e é vivida na criança


como complexo de inferioridade, neste caso a criança recolhe a sua energia
para poder afirmar-se;

- o ambiente é um factor que condiciona a inserção adequada na


sociedade, as circunstâncias concretas onde o indivíduo actua o seu plano, o
estilo de vida ou o projecto existencial.

- Para entender a pessoa, segundo Adler, é necessário entender o fim a


que as próprias actividades tendem. Para entender o fenómeno psíquico
precisa entender o fim concreto que a pessoa está a perseguir.

A Teoria Disposicional

A orientação disposicional na teoria da personalidade está ligada a


psicólogos anglo-americanos: ALLPORT, CATTELL e EYSENICK.

A sua base de orientação é que o homem possui conjunto de


predisposições para reagir de modo determinado nas diferentes situações, isto
é, a personalidade tem um grupo de traços estáveis. Significa que o homem
demonstra estabilidade determinada nos seus procedimentos, pensamentos,
emoções independentemente do tempo e da experiência.

A Psicologia Humanista

Liderados por Abraham Maslow e Carl Rogers, os psicólogos humanistas


enfatizam o potencial de crescimento de pessoas saudáveis.
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Nesta corrente confluem várias expressões da psicologia que partilham a


insatisfação dos pressupostos deterministas e reducionistas da Psicanálise e do
comportamentalismo. A psicologia humanista constitui-se como terceira força
(como foi chamada por Maslow) em oposição ás duas correntes (acima citadas)
que então dominavam. Da psicanálise foi rejeitado o determinismo biológico, na
dinamicidade das pulsões que supera a espontaneidade e a livre conduta
individual enquanto o comportamentalismo foi rejeitado o elementarismo e pelo
objectivismo , que anula aquilo que na esfera da pesquisa psicológica concerne
a totalidade e a subjectividade.

O humanismo é uma orientação teórica que enfatiza as qualidades únicas


dos seres humanos, especialmente sua liberdade e potencial de
crescimento pessoal.

Pressupostos teóricos da psicologia humanista

 A teoria humanista, é uma abordagem centrada no estudo de pessoas


saudáveis e criativas destacando o carácter único da personalidade
humana, a busca de valores e sentido de existência alem da liberdade de
que demonstra a auto direcção e auto aperfeiçoamento. O
comportamento depende do meio social na interacção com os factores
internos

 Acentua o carácter da irruducional e unitário do Homem, onde as


motivações da acção não são as pulsões, mas são promovidas por tendências
não quantificáveis como a necessidade da exploração, a criatividade, a visão
do mundo em que se exprime a própria identidade, a qualidade das relações
com os outros e sobretudo a auto realização.

 Pela sua natureza o Homem tem capacidade para auto


aperfeiçoamento ou auto actualização (uso e explorarão plenos de talentos,
capacidades, potencialidades).

Os psicólogos humanistas:
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 Consideram os seres humanos fundamentalmente bons e as


psicopatologias sub entram quando ao Homem é impedido de seguir as
inclinações naturais;

 Negam a teoria freudiana segundo a qual o comportamento adulto é


inevitavelmente o produto das experiências passadas.

 Defendem que a personalidade pode modificar-se também, na idade


adulta;

 Afirmam que as pessoas possuem a liberdade e a capacidade de modelar


o próprio futuro, sobretudo se aceitam as experiências do aqui e agora.

Maslow e a Teoria da Auto Realização

Abraham MASLOW (1908-1970), em 1962, em Broohklin Colleg nos


Estados Unidos deu inicio oficialmente a psicologia humanista.

 Maslow descreveu a auto realização como a necessidade de tornar-se


sempre mais aquilo que cada um é, de tornar-se tudo aquilo que se é capaz de
ser.

 Como fundador da psicologia humanista põe uma incondicionada


confiança nas potencialidades da natureza humana que é boa, onde a doença,
a maldade ou as forças destrutivas são resultado da sua frustração e da
perversão da natureza humana (insatisfação de necessidades importantes), não
há traços negativos inatos.

 Segundo Maslow a pessoa é portadora de necessidades e desejos. Para


compreender a sua personalidade e o seu comportamento devem ser analisadas
as necessidades que orientam a relação da pessoa no seu ambiente. Nisto,
Maslow realizou uma organização hierárquica de cinco necessidades (a
pirâmide das necessidades segundo Maslow) que progressivamente tem sido
satisfeitas para favorecer o crescimento e a maturação da pessoa, começando
pela satisfação das necessidades fisiológicas ligadas à sobrevivência chegando
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a auto realização e são estas necessidades que constituem a base da


motivação do Homem.

1) necessidades fisiológicas: ligadas a sobrevivência, e tem um nível alto


de intensidade no nascimento: respirar, beber, comer, o sono, a higiene,
etc.;

2) necessidade de segurança: emergem depois da satisfação das


necessidades fisiológicas, e compreendem a necessidade da
estabilidade, da dependência, da protecção, da liberdade do medo, da
ânsia e do caos, a necessidade de ordem e de lei, etc. Necessidade de
sentir que o mundo é organizado e previsível; necessidade de se
sentir a salvo, seguro e estável.

3) necessidade de pertença e afecto (afiliação e de amor):

Necessidade de amar e ser amado, de pertencer e ser aceite;


necessidade de evitar a solidão e a alienação. A pessoa deseja relações
de afecto com as pessoas em geral, deseja um lugar no seu grupo ou na sua
família e procura realizar este objectivo;

4) necessidade de auto estima e estima: depois da satisfação da


necessidade de afecto, nasce o desejo de estima de si mesmo (auto
estima) e da parte dos outros (desejo de prestigio, de fama, de gloria);

5) necessidade de auto realização: reflectem a tendência a realizar aquilo


que se ‘e, tornar-se aquilo que se ‘e capaz de ser, trata-se da
tendência a realizar a própria personalidade na totalidade.

Necessidade de corresponder o seu potencial pleno e singular. Neste nível o


homem orienta-se a aqueles valores que Maslow chamou de valores do ser
(being) e que incluem a beleza, a justiça, a lealdade. A satisfação destas
necessidades dá saúde, enquanto a privação orienta a patologia.
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Carl Rogers e a Perspectiva Centrada na Pessoa

O psicólogo humanista Carl Rogers concordava com muito do que Maslow


pensava. Rogers considerava que as pessoas são basicamente boas
dotadas de tendências para a auto realização. Cada um de nós é como uma
semente, pronta para o crescimento e a realização, a menos que seja
frustrado por um ambiente que inibe o desenvolvimento.

A contribuição teórica de Rogers, tem sido denominada de fenomenológica.


Este estudioso parte da descrição do Homem considerando o quadro de
referencia do indivíduo; descreve o indivíduo partindo deste seu mundo
fenomenológico, daquilo que o indivíduo percebe

A teoria fenomenológica, orienta-se com base nos seguintes princípios

O comportamento duma pessoa pode ser visto:

 Do ponto de vista do observador, daquela pessoa que vê do externo o


comportamento de um determinado indivíduo;

 Do ponto de vista do sujeito que actua num determinado comportamento,


sublinhado deste modo o aspecto subjectivo (reacção do sujeito ‘a
percepção duma determinada situação assim como ele a percebe).

O campo fenomenológico ou de percepção é constituído não tanto pela


realidade objectiva, mas do mundo (seja interno que externo) como é
percebido pelo sujeito. Este campo fenomenológico dependendo dos
autores, é exclusivamente consciente ou compreende elementos
conscientes e subconscientes; para todos é todavia muito importante e é a
verdadeira realidade do sujeito.

Rogers, (1902-1987), na base das suas observações clínicas (1961)


refutou a concepção psicanalítica do conflito de natureza sexual a favor duma
concepção positiva do indivíduo.
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O indivíduo, denominado de organismo por Rogers, tende em maneira


natural á sua própria realização, de que o organismo é portador, representa o
carácter motivacional mais importante da teoria rogeriana, seja no que diz
respeito ao desenvolvimento da personalidade, seja pela importância no
processo terapêutico.

O homem é visto como um ser constituído por varias partes integradas e, por
isso, relacionadas entre si. Rogers parte do conceito de eu (self) para explicar a
personalidade humana;

O conceito do “eu” exprime” um modelo interno que se vai formando a partir


das interacções que as pessoas tem com os vários contextos onde se movem.
E’ um padrão organizado de percepções, sentimentos, atitudes que o indivíduo
acredita ser exclusivamente seu.

O “eu” como objecto de consciência: inclui o conceito de si, o conceito do


próprio esquema corpóreo, o conceito das próprias qualidades, tudo aquilo
que o indivíduo sente como seu.

O “eu” como centro da motivação: a estrutura perceptiva do eu em


determinados momentos vem estimulada; o sujeito sente, por exemplo, que a
execução daquela determinada tarefa é muito importante para si, e portanto,
neste caso quando o eu é percebido como o centro de motivação este eu é
muito co-ligado ao sentido do valor pessoal porque quando existe este aspecto
da motivação o alcance duma determinada finalidade importante para o sujeito
dará um sentido de valor pessoal, de satisfação, de sucesso.

Para alem do eu, o sujeito organiza uma estrutura: o eu ideal (conjunto de


características que a pessoa gostaria de ser);

Rogers acredita que os seres humanos tem uma tendência natural para a
“realização”, esforço no sentido de congruência entre “eu” e experiência.

As interacções entre as pessoas são as que proporcionam o


crescimento e o desenvolvimento do Homem; a auto realização e é a principal
força motivadora.
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Na visao de Maslow e Rogers, um aspecto central da personalidade é o auto-


conceito, todos os pensamentos e sentimentos que temos em resposta à
indagação “ Quem sou eu?” Se nosso auto conceito é positivo, tendemos a agir
e perceber o mundo de maneira positiva. Se é negativo – se a nossos próprios
olhos ficam aquém do “eu ideal” sentimo-nos insatisfeitos e infelicidade.

Unidade 5 - PROCESSOS PSÍQUICOS/COGNITIVOS

Processos Cognitivos são processos que tem como característica mais


saliente representar o sujeito, um objecto ou fenómeno, em geral, exterior
ao próprio sujeito. O seu conjunto constitui a vida cognitiva ou intelectual.
Os processos cognitivos possibilitam o Homem realizar a actividade
mental como a inteligência, capacidades, habilidades, etc. O seu mau
funcionamento compromete a actividade mental.

São processos cognitivos:

 Sensação: fenómeno elementar da consciência resultante da


excitação de um órgão dos sentidos provocados por um estimulo
interno ou externo. Consiste em reflectir as características
(propriedades) isoladas dos objectos.

Importância: Tomamos conhecimento do mundo em redor (sons, cores,


cheiro, tamanho), graças aos órgãos dos sentidos. São os primeiros
elementos que nos põem em contacto com a realidade e facilitam a
apreensão da mesma. Os órgãos dos sentidos recebem, seleccionam e
acumulam a informação e, transmitem ao cérebro, surgindo o reflexo
adequado do mundo circundante e ao próprio organismo.

 Percepção: acto de organização de dados sensoriais pelo qual


conhecemos “a presença actual de um objecto exterior”: temos
consciência da existência do objecto e suas qualidades.
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Importância: A percepção no PEA está relacionada com a compreensão


e interpretação, análise intelectual do aprendido. A percepção ajuda a
compreensão , análise aprofundada do fenómeno e a chegar a
conclusão sobre o mesmo.

A percepção está ligada a atenção. A atenção constitui a fase inicial da


percepção e a principal forma de organização da actividade cognitiva. A
atenção é indispensável à percepção, interpretação, compreensão,
imaginação, assimilação, recordação e reprodução. Durante a aula, a
atenção ajuda a compreensão da essência das tarefas, ajuda a sua
resolução e verificação.

 Memória: capacidade de lembrar o que foi de algum modo vivido. Ela


corresponde as seguintes operações ou processos: a aquisição, a
fixação, a evocação, o reconhecimento e a localização das
informações resultantes de percepções e aprendizagem. A memória
facilita a organização, fixação e retenção do aprendido, assim como
a sua evocação., quando essa informação for necessária. Não
haveria evolução dos nossos conhecimentos se na medida que os
adquiríssemos, os perdêssemos. A memória conserva o passado e
permite incorporá-lo na estrutura cognitiva do sujeito.

Processos da Memória

Aquisição: consiste no contacto com a informação.

Fixação: para a fixação exige além da adequada aquisição, a repetição.

Evocação ou reprodução: consiste na lembrança do material fixado. É a


reaparição na consciência de um fenómeno passado. As informações
armazenadas tentam a ser evocadas junto das informações falsas.

Reconhecimento: identificação e uso de informações correctas, e as que


vierem unidas são rejeitadas. Consiste em referir ao passado as nossas
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lembranças, enquadrando-as num contexto de factos da nossa experiência


pessoal.

Localização: consiste em situar as recordações no trama da nossa história


interior, em dispô-las umas às outras, de forma a marcar-lhes o local
próprio no tempo e no espaço, para estabelecer a sua cronologia íntima e
pessoal.

A fixação e a evocação serão tanto maiores quanto maior for o significado


do material. Diferentes partes da matéria devem ser relacionadas, matérias
diferentes devem ser articuladas.

- A memória é condição do progresso intelectual: não haveria evolução


dos nossos conhecimentos se à medida que os adquiríssemos, os
perdêssemos;

- A linguagem seria impossível sem a memória, porque para falar é


necessário reter as palavras e o seu sentido;

- Permite aperfeiçoar os nossos actos;

- A personalidade não existiria sem memória, pois é ela que conserva o


nosso passado e permite incorporar no “eu” o que se vai leccionando,
para organização da personalidade.

Quando o aluno não armazena o material aparece o esquecimento. O


esquecimento é o fracasso do esforço evocativo ou impossibilidade de
reproduzir o passado.

Factores do esquecimento:

 Vastidão da matéria

 Irrelevância do conteúdo

 Falta de interesse
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 Doenças da memória

 O tempo (as repetições devem ser curtas): a primeira repetição


deve ser na aula.

 Cansaço.

 Pensamento: processo cognitivo que permite a resolução de tarefas (


processo de análise e síntese) . Permite reflectir de forma
generalizada a realidade objectiva sob a forma de conceitos, leis,
teorias e suas relações.

Importância:

- Ajuda o indivíduo a superar as suas dificuldades desde as mais triviais


até as mais complexas;

- Planificação e organização lógica dos procedimentos a ter em conta


na aula;

- Reflexão sobre uma tarefa para encontrar as mais adequadas


soluções;

- Mudança de métodos habituais de resolução de tarefas colocadas;

- Avaliação de diversas variantes de resolução para encontrar um


resolução mais racional;

- É um factor de ligação entre o concreto e o abstracto.

O Pensamento e Linguagem

O pensamento está socialmente condicionado e ligado


indissoluvelmente com a linguagem, a fala. O pensamento humano é
impossível sem a língua. Qualquer pensamento surge e se desenvolve
em ligação indissolúvel com a linguagem. Quando mais profundo e bem
ponderado é um certo pensamento, tanto mais clara e precisa é a sua
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expressão em palavras. O homem quando resolve um problema pensa


de si para si como se estivesse a conversar consigo mesmo.

Imaginação: é o processo psíquico cognitivo, exclusivo ao homem,


mediante o qual se criam (elaboram) imagens e noções que não
existiam na experiência anterior, ou seja, a habilidade que os indivíduos
possuem de formar representações, construir imagens mentais a cerca
do mundo real ou mesmo de situações não directamente vivenciadas.

A base da imaginação é noções da memória que se completam por


novas percepções, transformando-se em novas percepções e noções.

Importância:

a. Permite conceber o resultado do trabalho antes do início;

b. Alarga os horizontes da memória e percepção;

c. Permite antecipar e construir o futuro e o nível de


desenvolvimento da capacidade inventiva. É parte do
processo técnico-científico, literário.

d. Permite ao aluno estudar processos, fenómenos


inacessíveis para a observação directa, sua interpretação
no quadro de diversas ligações e relações;

e) Desenvolve nos alunos a atitude criadora através e da análise e


compreensão do actual estado da ciência
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Unidade 6- ESFERA EMOCIONAL, SENTIMENTAL E VOLITIVA DA


PERSONALIDADE

6.1. Emoções

As emoções são fenómenos afectivos complexos ligados, como os sentimentos,


a elementos de ordem representativa, mas acompanhados por um abalo mais
ou menos profundos.

Podemos definir as emoções como estados afectivos intensos e complexos, mas


passageiros, provenientes de reacções psíquicas violentas perante excitantes
físicos ou morais. A alegria, o medo, a cólera, a angústia, a tristeza, etc, são
estados que apresentando as características emocionais provocadas por
desordens de tendências, permitem contudo estabelecer distinção quanto à
maneira como as emoções surgem na consciência.

Tipos de emoções

Segundo as condições em que se produzem e as características que


apresentam, as emoções podem classificar-se da seguinte maneira:

 A emoção-choque: caracterizada pelo quebrar brusco e violento do ritmo


da consciência, pela substituição da sequência normal das
representações e das ideias por outra absolutamente inesperada.

O principal elemento da emoção-choque é a surpresa que provoca uma


desadaptação, uma queda de nível mental, perante acontecimentos imprevistos
que surgem bruscamente e não podemos dominar.

A emoção-choque não se prolonga ou desaparece em virtude de uma nova


adaptação ou se transforma em emoção-sentimento.

 A emoção-sentimento: é mais intelectualizada do que a precedente,


mais rica de elementos representativos. Muitas vezes representa a
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persistência dos efeitos da emoção-choque mas já mais fracos,


constituindo emoções de carácter moderado, mais intensas do que os
sentimentos simples, mas perdido o aspecto tumultuário causado na
consciência pela surpresa.

São emoções finas, sujeitas à acção da imaginação que, juntando algumas


vezes elementos novos a um sentimento a principio moderado, acaba por faze-
lo atingir uma alta intensidade, dando-lhe o aspecto emocional.

Exemplo: A notícia do falecimento de uma pessoa conhecida, provoca-nos um


sentimento de pesar.

No entanto, a emoção-sentimento é mais durável, mais sujeita a acção da


imaginação e da vontade e, com uma dignidade moral inerente ao sentimento
que representa.

Bases fisiológicas das emoções

Como estados afectivos intensos e complexos, nas emoções entram factores de


ordem psíquica e fisiológica aos quais tem sido atribuídas importância e ordem
diferentes, a referir:

a) Factores de natureza psíquica: constituídos pelas representações, pelas


ideias que a emoção provoca, pelo exercício da imaginação que sobre ele
actua e desenvolve, como na emoção-sentimento, ou pelas novas
representações que surgindo bruscamente, provocam a desadaptação e
o desequilíbrio, a perda de adaptação à realidade, como na emoção-
choque.

b) Factores de natureza fisiológica: representam a comparticipação,


largamente constatada, do organismo na formação dos estados emotivos.
Tais como: as excitações e inibições secretoras, alterações na circulação
sanguínea provocando o rubor ou a palidez, no ritmo respiratório
provocando oprossões, no aparelho digestivo provocando perturbações
intestinais, nas reacções motoras, com o predomínio, como dissemos, de
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reacções de carácter instintivo. Os gritos, os soluços, as sincopes, o


tremor, constituem expressões miméticas da emoção.

O estado emocional é por vezes acompanhado de um excesso de energia


nervosa que nas chamadas emoções esténicas ou exaltantes, se propaga a todo
o organismo, irradiando pelas linhas de menor resistência constituindo o que
Spencer chamou lei de difusão da descarga nervosa, provocando também, as
chamadas reacções difusas, como os tremores e os movimentos
desordenados.

Verifica-se assim, que o estado emotivo se encontra dependente ao mesmo


tempo do espírito e do corpo, constituindo um conjunto psicofisiologico.

A ordem dos elementos psíquicos e dos fisiológicos na formação dos


estados emotivos

No conjunto psico-orgânico, que é o estado emotivo, a ordem e importância de


um ou outro dos elementos tem sido encarada de forma diferente. Seguindo o
método que temos adoptado, exporemos os pontos de vista mais característicos:

1. Interpretação Intelectualista ou Psicológica (Herbart): é a interpretação


clássica. Dá o predomínio aos elementos de natureza psíquica na
produção do estado emocional, considerando a ordem seguinte: i)
fenómeno representativo – é o conhecimento de uma situação que surge
perante o espírito; ii) fenómeno afectivo – que é a emoção proveniente da
tomada de consciência da insuficiência do sujeito para dominar a situação
apresentada (emoção-choque) ou das consequências que a nova
situação acarreta (emoção-sentimento); iii) perturbações orgânicas –
representam as expressões somáticas e fisiológicas da emoção,
constituindo o quadro orgânico por meio do qual ela se manifesta
exteriormente.

2. Teoria fisiológica ou periférica (Cartesianos, Sergi, Langi e William


James): supõe que o estado afectivo é posterior e provocado pela
100

constatação dos fenómenos fisiológicos. O que se chamou a expressão


da emoção seria na realidade a sua verdadeira causa.

Segundo James “sem os fenómenos orgânicos que a seguem imediatamente, a


representação não passaria de um fenómeno puramente cognitivo, pálido, frio,
sem calor emocional.”

Como já dissera Ribot - “a emoção é uma expressão psicológica da vida


vegetativa”. Além das condições de enervação admitidas por William James,
ainda moderadamente outros psicólogos puseram em relevo o papel pelas
glândulas secretoras, exócrinas e endócrinas. Todos estados emotivos são
acompanhados e seria até precedidos e condicionados por fenómenos de
inibição e excitação glandular.

A ordem dos elementos no estado emotivo seria então: i)fenómeno


representativo; ii) perturbações orgânicas; iii) emoção como consequência das
perturbações.

A emoção seria a representação da consciência, das modificações orgânicas


experimentadas e que se seguiriam imediatamente a representação do objecto.

6.2. Sentimentos

Os sentimentos são fenómenos afectivos mais complexos, nos quais já


predomina a actividade moral que nos vai enriquecendo com os elementos
representativos que a imaginação junta ao elemento inicial que serve de
estimulo e que é também de natureza psíquica e não física como na sensação.

Contrariamente as sensações, os sentimentos são muito subjectivos e variáveis,


dependem das nossas tendências, da delicadeza da consciência e da
imaginação. Estão mais sujeitos a acção da vontade e, envolvendo já
representações do bem e do mal, possuem uma dignidade moral que as
sensações não têm.
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Relação entre Sensação e Sentimento

Toda a sensação que se idealiza pode passar a sentimento. Com sensações a


arte provoca sentimentos e, toda a sensação agradável está; ligada alegria,
como a desagradável à tristeza.

O sentimento por sua vez, ligado à sensações podendo provoca-las e


determina-las, visto que, a dor moral tem repercursoes de natureza orgânica.

Os sentimentos de cólera, de vergonha, de medo constituindo já pela sua


intensidade, formam estados emotivos que provocam fenomenos fisiológicos
como, opressões, palpitações, alterações circulatórias e respiratórias Vaso-
constrições.

Tipos de sentimento

1. O medo – reação emocional motivada por situação de insegurança ( perigos


ou males possíveis). Ex: nas suas formas atenuadas é: apreenção, susto, receio
inquietação,. Nas formas extremas: espanto, terror, pavor, pánico.

2. A cólera – impulsão a inflingir dano, ou sofrimento, a quem nos ofende, ou


contraria. Admite, também, graus: inpaciência, irritaç~ao, exaltação (formas
atenuadas), ira, fúria, raiva (formas extremas).

3. A alegria – é o estado de satisfação motivado por um bem que se desejou e


alcançou (posse), ou que se usufrui sem receio de perder (segurança).

4. A tristeza – reverso de alegria, é um estado emocional desejosa de um bem,


que não pode alcançar, ou privada de um bem, que não pode recuperar. Em
qualquer caso, resulta sempre de uma perda de valor, lesão no universo moral.

5. O amor - é a afeição pelo que consideramos ser um bem. Designa o conjunto


dos impulsos atrativos, ou aprovativos (zona do sim). Toma expressões
diferentes conforme o objecto para que se orienta. Há o amor próprio (egoímo),
o amor do próximo (altruísmo), o amor-da-pátria (patriotísmo), o amor-de-Deus
(misticísmo).
102

6. O ódio – oposto do amor, a aversão pelo que consideramos ser um mal. Ao


passo que o amor tende sempre a exaltar o seu objecto, o ódio nunca se cansa
em denigrí-lo ou destruí-lo. Designa, assim, o conjunto dos impulsos agressivos
ou repulsivos (zona do não)

7. A inquietação – etimologicamente, a impossibilidade para o espírito de


permanecer tranquilo. É um sentimento de mal estar causado pela esoectativa
de acontecimentos desagradáveis.

8. A angústia – etimologicamente “aperto” é um estado dupla e


acentuadamente orgânico e psíquico. Caracteriza-se:

Organicamente, por fenomenos de constrição: laríngea (nó na garganta),


taráxica (sensação de asfixia próxima), abdominal (compressão no baixo
ventre), genital (aperto na uretra, dificuldade minotória).

Psiquicamente, por uma sensação de medo sem causa, que pode ir, e
intensidade, da simples preocupação passar pela ansiedade, at’e atingir
momentos de aflição e verdadeiro pánico.

9. Esperança – espectativa confiante em bens futuros, que muito desejamos,


mas cuja produção não depende de nós, ou só parcialmente depende.

6.3. A Vontade

Entende-se por vontade o exercício de uma actividade intencional, reflectida,


deliberada, orientada para um determinado fim previamente proposto pela
inteligência conhecendo e escolhendo livremente os meios para o atingir.

Este poder de se determinar e agir após reflexão, com consciência e


inteligência, é a forma superior que caracteriza a actividade humana. É pela
vontade que se manifesta a personalidade.
103

Significado psicologico da Vontade.

A Vontade é indissociável da inteligência (que descrimina os valores), no entanto


a vontade pode se definir como capacidade de opção entre respostas de valores
diferentes. Assim, a vontade se afirma optando pelo valor que a inteligência
reconhece como mais elevado. Ela comporta-se psicologicamente como um
regulador de energia, que favorece umas respostas em determento de outras.

A vontada quando confrontada a escolher entre a emoção e a inteligência, ela


opta pela inteligência. Porque a moção é a espontaneidade, portanto a
facilidade. A espontaneidade é preguiçosa. Ora a vontade não pergunta se é
fácil ou difícil, mas se vale ou não a pena.

Olhando os aspectos acima descritos encontaramos vários tipos de vontade:


vontade de comer, de beber, de dormir, de cozinhar, de estudar, de fazer sexo, ir
a praia, etc.

A natureza da Vontade

Depende da maior ou menor importância dada aos factores que influem na


escolha do procedimento. Se os factores preponderantes são de ordem
intelectual (motivos) a vontade liga-se a faculdade de julgar se esses factores
preponderantes são de ordem afectiva (móbeis) a vontade é o predomínio de um
desejo ou a satisfação de uma tendência.

Teorias da vontade

a) Teoria intelectual da vontade (Sócrates, Platão, Descartes, Spinosa,


Herbart, Fouillée): supõe que o exercício da vontade est’a ligado a clareza das
representações. Toda a ideias clara, todo o juízo distinto, faz nascer a tendência
para a acção. A vontade assim como uma forca inerente as ideias.
104

A moral socrática, afirmando que “ninguém é voluntariamente mão”, como os


cartesianos, supondo que “omnis peccans est ignorans” admitem que a ideia
clara do bem, o elemento representativo, tem já em si o poder motor suficiente
para arrastar a vontade, levando a decisão e a execução.

b) Teoria afectiva da vontade: liga a vontade ao desejo, as tendências, aos


elementos de ordem afectiva que supõe serem os predominantes no momento
da deliberação. Para os sensualistas como Condillac, a vontade representa o
desejo mais vivo e intenso.

Outros psicólogos como Wundt, reduzem a vontade a afectividade, dando o


predomínio aos elementos de ordem afectiva, aos móbeis, sobre os motivos.

Bibliografia
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