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FACULDADE SÃO LUIZ

Filosofia da Religião
Professor: Vitot Galdino Feller
Acadêmicos: Maria de Lurdes e Rhendel Rodrigues
31 de jul. 2017

1. Defina, caracterize e exemplifique o pensamento pré-lógico em contraposição


aos princípios do pensamento lógico.
Chama-se pré-lógico (ou analógico, ou falseado), o pensamento com operações
defeituosas, ora por causa de omissões, ora por confundir o analógico com o unívoco.
Este pensamento pré-lógico prejudica notoriamente a religião, porque seu modo
incorreto de conduzi-la, resulta em ingenuidades, incoerências, aberrações, superstições,
interpretações mágicas.
A precisão lógica falta costumeiramente nos homens religiosos, em alguns em
grau maior, em outros menor. O pensamento pré-lógico é a regra geral em assuntos de
religião.
Do ponto de vista da idade o pensamento pré-lógico principia pelo chamado
pensamento primitivo da criança de 1 a 2 anos. A segunda etapa do pensamento pré-
mágico é aquele típico da criança de 2 a 3 anos. Dá-se relativamente autônomo do
mundo exterior.
Pode-se observar o pensamento pré-mágico nos momentos que precedem o
sono, ou seguem imediatamente após. Acontece também nos adultos, quando sob a ação
dos tóxicos (ácido lisérgico, e outras drogas).
Destaca-se como importante o pensamento mágico, aquele próprio da crianças
de 3 a 6 anos. Ele é um elemento de interesse explicativo das religiões em sua fase
primária, porque seus traços se conservam na vida posterior de um grande número de
indivíduos, generalizando-se até na massa ignara.
Do ponto de vista formal, os pré-logismos infletem basicamente contra dois
princípios, que são os fundamentos de todo o saber, o princípio de razão suficiente
(causalidade) e o princípio de contradição. Dali resultam dois grandes gêneros de pré-
logismo.
Os pré-logismos também ocorrem aqui, porquanto as mentes pouco exercitadas
confundem rapidamente o idêntico com o analógico.
Em contraste, é pensamento lógico, aquele que é operado dentro das normas
formais, que guiam o procedimento, operando as deduções de acordo com as normas
que regem a síntese dos silogismos, e as induções com as regras da análise.
No curso da história as primeiras religiões conduziram-se no clima do
pensamento pré-lógico, criando-se sobretudo na forma de mitos e na forma de ritos ex
opere operato, ou seja, simplesmente por força das ações destes ritos.
Somente o estudo e o hábito asseguram o pensamento lógico.

2. Identifique, com exemplos, os pensamentos animista, mágico e mítico,


mostrando as aproximações e diferenças entre si.
A religião do homem primitivo encontra-se cheia de superstições, cuja origem
poderá ter sido a falsa observação de relações de causa e efeito.
Pensamento animista é aquele que conhece apenas a causa de arbítrio, ou
seja, a causa volitiva. Sendo a vontade atribuída a uma alma, que se suporia existir
dentro de cada objeto, o referido pensamento se diz animista.
Por desdobramento do pensamento animista se geram divindades, como Deus
da água, Deus do mar, Deusa da vida, Deus do amor, Deusa da sabedoria, etc.
O pensamento mágico tem como nuance que as forças da natureza,
consideradas de maneira animista, são capazes de ser dominadas pela vontade do ser
inteligente.
Também a magia da vontade é entendida como capaz de fazer coisas como criar o
mundo, ou como transformá-lo. O fundo é sempre o de uma vontade como causa
arbitrária, que, por decisão pura e simples de sua vontade, decide e realiza, sem que para
isso importa ser uma causa física.
Para o pensamento mágico (como para o animista) somente há causas volitivas.
As verdadeiras causas não são apreendidas por este tipo deficiente de pensar.
O pensamento mítico é mais uma nuance do pensamento pré-lógico referente
à percepção imprecisa das causas. Supõe haver entidades iminentemente superiores, e
que regem pela vontade e arbítrio a natureza.
Em outras palavras, é o pensamento mítico o pensamento animista transposto
para os deuses. As forças da natureza não seriam outra coisa que as decisões constantes
da divindade.
O mito predomina no pensamento religioso primitivo. Nada acontece senão por
obra exterior da vontade divina. Tanto a criação inicial teria saído da palavra mágica de
Deus, em vez de sua potência como ainda tudo o mais que foi acontecendo, dela
resultou.
3. A partir do pensamento lógico, aponte, com exemplos, quatro pontos
críticos sobre o pensamento animista, mágico e mítico.
A partir desses pensamentos, decorrem alguns pontos críticos.
O primeiro diz respeito à deficiente interpretação das relações da causa e
efeito. Quer se trate da superstição, quer do animismo, da magia, do mito, - todas estas
formas de pensamento pré-lógico são nuances, como já se adiantou, do mesmo gênero, e
todas costumam acontecer em consequência da deficiente interpretação das relações da
causa e efeito.
Há também o diálogo com as causas mágicas. Um processo falseado se põe
logo em curso no comportamento do indivíduo dominado pelo pensamento mágico. Ele
dialoga, pede, negocia, agradece, faz promessas e também vitupera, xinga e blasfema. A
suposição de que as causas mágicas são inteligentes e dotadas de arbítrio abre a
oportunidade do dialogo entre ele e aquele mágico-anímico. Tem origem então as mais
variadas espécies de oração. O pensamento mágico por vezes é brutal. É este o caso do
o caso do indivíduo que reage às pedras, em que ele mesmo tropeça, ou às coisas que o
obstaculam, dialogando com elas pela xingação, insulto e nomes feios. Este tipo de
comportamento pressupõe uma comparação pré-lógica animista de quem a exerce; então
ele encara as coisas como se oferecessem uma presença personificada contraposta à
dele.
Devemos vencer-se ao pensamento pré-lógico, supersticioso, animista, mágico
e mítico. Libertar o homem deste espírito aprendendo que há leis naturais intrínsecas às
mesmas coisas. Ensinar-se que a natureza total é um sistema perfeito, e que não requer a
parafernália do animismo, da magia, dos mitos. A libertação do homem frente ao
pensamento pré-lógico se faz pelo estudo e pela ciência.
Outro ponto é a avaliação das interpretações sobrenaturalistas. Reduz-se ao
horizonte do pensamento mágico a interpretação sobrenaturalista dos fenômenos
parapsicológicos raros. A sugestão, as visões, as línguas estranhas, as inspirações, as
revelações, etc., costumam ter uma causa externa ao homem.
Que tais fenômenos possam surgir naturalmente do subconsciente é uma
hipótese que sequer pode ocorrer ao homem simples, muito menos a poderá
compreender. Por isso os visionários, e não os sábios, dominaram as religiões
tradicionais.
4. Identifique, com exemplos, o pensamento conjuntural, o pensamento
totêmico e o pré-logismo moral.
MARIA DE LURDES

5. A partir do pensamento lógico, aponte, com exemplos, três pontos


críticos sobre o pensamento conjuntural, o pensamento totêmico e o pré-logismo
moral.
O pensamento lógico não é contrário à religião, mas às suas extravagâncias
pré-lógicas de todo o tipo.
A desordenação pré-lógica do pensamento, - quer mágico, mítico, animístico,
quer conjuntural e totêmico, - reterá o homem em suas deficiências mentais poluentes.
Estas poluições culturais poderão alcançar por vezes alguma beleza e poesia, mas nunca
a verdade e o bom caminho.
Ocorrem, por conseguinte, duas modalidades sociológicas ou culturais de
religião, - a que é perfeitamente racional (de acordo com o pensamento lógico) e a que
se exerce com as limitações do pensamento pré-lógico, dominado pelas suas
deficiências.
A sociologia, em sua condição de ciência positiva, não emite julgamentos de
valor, porquanto estes são filosóficos. Indiferentemente examina, tanto ao pensamento
alógico, quanto ao pensamento lógico. Num e noutro caso ocorre um processo cujas
interações importam ser examinadas.
Também, a história das religiões é geralmente apologética - como não deveria
ser- quando se ocupa das instituições oficiais dedicadas ao culto e dos sucessos das
jerarquias dirigentes.
Tais histórias são redigidas com intenção promocional. Os eruditos as lêem
com cuidado. Os simples podem prejudicar-se com as mesmas. A história das religiões
deverá ser objetiva.

6. Aponte, justificando-os, alguns valores do pensamento pré-lógico das


religiões.

7. Aponte, justificando-os, três desafios do pensamento lógico (filosófico)


diante do pensamento pré-lógico (religioso).
8. Apresente um parecer global sobre o texto estudado: pontos positivos,
pontos negativos, perspectivas abertas.

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