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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA

USINA HIDROELÉTRICA BELO MONTE

PROGRAMA MÉDIO XINGU

VOLUME I

Coordenação:
Isabelle Vidal Giannini
Regina Pollo Müller
Sônia Lorenz

Maio de 2011
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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SUMARIO

VOLUME I

SUMARIO 2
1. CARACTERIZAÇÃO GERAL DO EMPREENDIMENTO 21
1.1. Informações Gerais 21
1.1.1. Nome do Empreendimento 21
1.1.2. Localização do Empreendimento 21
1.1.3. Dados do Empreendedor 23
1.2. Caracterização do Empreendimento 23
1.2.1. Arranjo Geral do Projeto 23
1.2.2. Justificativa de Mudanças no Projeto Inicial 23
1.3. Planejamento da Construção 38
1.3.1. Planejamento do Canteiro de Obras 39
1.3.2. Planejamento Construtivo 40
1.3.3. Fases de Construção e Montagem 41
1.3.4. Cronograma Físico 43
2. CARACTERIZAÇÃO GERAL DO PROGRAMA MÉDIO XINGU 50
2.1. Introdução 50
2.2. Justificativa 51
2.3. Atendimento a Requisitos Legais 52
2.4. Objetivo Geral 52
2.5. Objetivos Específicos 52
2.6. Procedimentos Metodológicos 53
3. PLANO DE GESTÃO DO PBA-CI/PMX 68
3.1. Introdução e justificativas 68
3.2. Objetivos do Plano de Gestão do PBA-CI/PMX 70
3.2.1. Objetivo geral do Plano de Gestão do PBA-CI/PMX 71
3.2.2. Objetivos específicos do Plano de Gestão do PBA-CI/PMX 71
3.2.3. Diretrizes básicas 71
3.3. Componentes do Plano de Gestão do PBA-CI/PMX 72

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3.3.1. Arranjo de Gestão 73


3.3.2. Instâncias executivas 74
3.3.3. Instâncias deliberativas 78
3.3.4. Mecanismos de Monitoramento e Assessoria Estratégica 82
3.4. Procedimentos gerais da gestão administrativo-financeira do PMX 83
3.4.1. Cenários 84
3.5. Prazo e Orçamento 85
3.6. Responsáveis técnicos pela elaboração 85
4. PROGRAMA DE FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL 86
4.1 Introdução e Justificativas 86
4.2. Objetivos 89
4.2.1. Objetivo Geral 89
4.2.2. Objetivos Específicos 89
4.3. Metodologia 90
4.4. Base Legal e Normativa 101
4.5. Atividades a serem desenvolvidas: 102
4.6. Elementos de custo 110
4.7. Cronograma 117
4.8. Responsáveis técnicos pela elaboração 120
5. PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO PARA NÃO INDÍGENAS 121
5.1. Introdução e Justificativa 121
5.2. Objetivos 122
5.2.1. Objetivo Geral 122
5.2.2. Objetivos Específicos 122
5.3. Metodologia 123
5.3.1. Público-Alvo 123
5.3.2. Curso de Introdução a Temática Indígena 124
5.3.3.1 Elaboração de material Informativo 127
5.3.3.2 Infraestrutura e Logística 128
5.4. Base Legal e Normativa 128
5.5. Atividades a serem desenvolvidas 129
5.6. Elementos de Custo 134
5.7. Cronograma 137

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5.8. Responsáveis Técnicos pela Elaboração 139


6. PROGRAMA GESTÃO TERRITORIAL INDÍGENA 140
6.1. Introdução 140
6.2. Objetivo Geral 147
6.3. Base Legal e Normativa 147
6.4. Projetos 149
6.4.1. Projeto Planejamento Territorial e Gestão Socioambiental Compartilhada 150
6.4.1.1 Introdução e Justificativas 150
6.4.1.2 Objetivos 153
6.4.1.3 Metodologia 153
6.4.1.4 Legislação específica 172
6.4.1.5 Atividades a serem desenvolvidas 173
6.4.1.6 Elementos de custo 180
6.4.1.7 Cronograma 194
6.4.2. Projeto Monitoramento Territorial 195
6.4.2.1 Introdução e Justificativas 195
6.4.2.2 Objetivos 198
6.4.2.3 Metodologia 198
6.4.2.4 Legislação específica 226
6.4.2.5 Atividades a serem desenvolvidas 228
6.4.2.6 Elementos de Custo 234
6.4.2.7 Cronograma 251
6.4.3. Projeto Conservação Territorial 252
6.4.3.1 Introdução e Justificativas 252
6.4.3.2 Objetivos 256
6.4.3.3 Metodologia 256
6.4.3.4 Legislação específica 266
6.4.3.5 Atividades a serem desenvolvidas 267
6.4.3.6 Elementos de Custo 271
6.4.3.7 Cronograma 277
6.5. Responsáveis Técnicos pela Elaboração 278
7. PROGRAMA DE EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA 279
7.1. Introdução 279

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7.2. Objetivo geral 283


7.3. Projetos 283
7.3.1. Projeto de Estabelecimento de Política de Educação Escolar Indígena para a
Região do Médio Xingu 283
7.3.1.1 Objetivos 283
7.3.1.2 Metodologia 284
7.3.1.3 Legislação específica 284
7.3.1.4 Atividades a serem desenvolvidas 291
7.3.1.5 Elementos de Custo 317
7.3.2. Projeto de Estruturação das escolas indígenas de Ensino Básico, que incluem
ensino Fundamental e Médio, e contribuição com os cursos de formação em nível
superior e técnico. 329
7.3.2.1 Objetivos 329
7.3.2.2 Metodologia 330
7.3.2.3 Legislação específica 333
7.3.2.4 Atividades a serem desenvolvidas 334
7.3.2.5 Elementos de custo 362
7.3.3. Projeto de formação de professores indígenas, elaboração de materiais
didáticos e estruturação de projetos demonstrativos. 369
7.3.3.1 Objetivos 369
7.3.3.2 Metodologia 370
7.3.3.3 Legislação específica 371
7.3.3.4 Atividades a serem desenvolvidas 375
7.3.3.5 - Elementos de custo 395
7.3.3.6 Responsáveis técnicos pela elaboração 400

VOLUME II

8. PROGRAMA INTEGRADO DE SAÚDE INDÍGENA 401


8.1. Introdução 401
8.2. Objetivos 410
8.3. Base Legal e normativa 410
8.4. Projetos 411

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8.4.1. Projeto de Incentivo à reestruturação da atenção à Saúde Indígena 411


8.4.1.1 Introdução e Justificativa 411
8.4.1.2 Objetivos 419
8.4.1.3 Metodologia 419
8.4.1.4 Legislação Específica 435
8.4.1.5 Atividades a serem desenvolvidas 437
8.4.1.6 Elementos de custo 446
8.4.1.7 Cronograma 452
8.4.2. Projeto de Vigilância em Saúde 453
8.4.2.1 Introdução e Justificativa 453
8.4.2.2 Objetivos 455
8.4.2.3 Metodologia 456
8.4.2.4 Legislação Específica 466
8.4.2.5 Atividades a serem desenvolvidas 467
8.4.2.6 Elementos de custo 473
8.4.2.7 Cronograma 477
8.4.3. Projeto de Educação em Saúde 478
8.4.3.1 Introdução e Justificativa 478
8.4.3.2 Objetivos 479
8.4.3.3 Metodologia 480
8.4.3.4 Legislação Específica 489
8.4.3.5 Atividades a serem desenvolvidas 490
8.4.3.6 Elementos de custo 497
8.4.3.7 Cronograma 520
8.4.4 Projeto de Sistemas Indígenas de Saúde 521
8.4.4.1 Introdução e justificativa 521
8.4.4.2 Objetivos 524
8.4.4.3 Metodologia 525
8.4.4.4 Legislação especifica 531
8.4.4.5 Atividades a serem desenvolvidas 532
8.4.4.6 Elementos de custo 542
8.4.4.7 Cronograma 551
8.5 Responsáveis Técnicos pela Elaboração 552

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9. PROGRAMA DE ATIVIDADES PRODUTIVAS 553


9.1. Introdução 553
9.2. Objetivos 559
9.3. Base Legal e Normativa 559
9.4. Projetos 562
9.4.1. Projeto de Subsistência Indígena 563
9.4.1.1 Introdução e Justificativa 563
9.4.1.2 Objetivos 566
9.4.1.3 Metodologia 567
9.4.1.4 Atividades a serem desenvolvidas 568
9.4.1.5 Elementos de custo 581
9.4.1.6 Cronograma 583
9.4.2. Projeto de Desenvolvimento de Atividades Produtivas e Comercialização 585
9.4.2.1 Introdução e Justificativa 585
9.4.2.2 Objetivos 588
9.4.2.3 Metodologia 589
9.4.2.4 Atividades a serem desenvolvidas 591
9.4.2.5 Elementos de custo 786
9.4.2.6. Cronograma 796

VOLUME III

10. PROGRAMA DE PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL E IMATERIAL 801


10.1. Introdução 801
10.2. Objetivo 802
10.3. Base Legal e Normativa 802
10.4. Projetos 804
10.4.1. Projeto de Apoio à Produção Artística e Cultural 804
10.4.1.1 Introdução e Justificativas 804
10.4.1.2 Objetivos 805
10.4.1.3 Metodologia 806
10.4.1.4 Legislação específica 809
10.4.1.5 Atividades a serem desenvolvidas 809

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10.4.1.6 Elementos de custo 817


10.4.1.7 Cronograma 825
10.4.2. Projeto de Formação em Patrimônio Cultural 827
10.4.2.1 Introdução e Justificativas 827
10.4.2.2 Objetivos: 828
10.4.2.3 Metodologia 828
10.4.2.4 Atividades a serem desenvolvidas 832
10.4.2.5 Elementos de custo 836
10.4.2.6 Cronograma 841
10.4.3. Projeto de Reestruturação do Museu do Índio de Altamira 842
10.4.3.1 Introdução e Justificativas 842
10.4.3.2 Objetivos 842
10.4.3.3 Metodologia 843
10.4.3.4 Legislação específica: 846
10.4.3.5 Atividades a serem desenvolvidas 846
10.4.3.6 Elementos de custo 853
10.4.3.7 Cronograma 860
10.4.3.8 Equipe técnica 862
10.5 Responsáveis Técnicos pela Elaboração 862
11. PROGRAMA DE INFRAESTRUTURA 863
11.1. Introdução 863
11.2. Objetivo 865
11.3. Base Legal e Normativa 865
11.4. Projetos 865
11.4.1. Projeto de Sistema Viário - Acessibilidade e Mobilidade (PSV/AM) 866
11.4.1.1 Introdução e Justificativas 866
11.4.1.2 Objetivos 868
11.4.1.3 Metodologia 868
11.4.1.4 Legislação Específica 869
11.4.1.5 Atividades a serem desenvolvidas 869
11.4.1.6 Elementos de custo 873
11.4.1.7 Cronograma 875
11.4.2. Projeto de Abastecimento de Água (PAA) 876

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1.4.2.1 Introdução e Justificativas 876


11.4.2.2 Objetivos 877
11.4.2.3 Metodologia 877
11.4.2.4 Legislação Específica 879
11.4.2.5 Atividades a serem desenvolvidas 879
11.4.2.6 Elementos de custo 884
11.4.2.7 Cronograma 886
11.4.3. Projeto Esgotamento Sanitário (PES) 887
11.4.3.1 Introdução e Justificativas 887
11.4.3.2 Objetivos 888
11.4.3.3 Metodologia 888
11.4.3.4 Legislação Específica 889
11.4.3.5 Atividades a serem desenvolvidas 889
11.4.3.6 Elementos de custo 894
11.4.3.7 Cronograma 896
11.4.4. Projeto Drenagem Pluvial (PDP) 897
11.4.4.1 Introdução e Justificativas 897
11.4.4.2 Objetivos 897
11.4.4.3 Metodologia 898
11.4.4.4 Legislação Específica 899
11.4.4.5 Atividades a serem desenvolvidas 899
11.4.4.6 Elementos de custo 903
11.4.4.7 Cronograma 905
11.4.5. Projeto Coleta e Destino Final de Resíduos (PCDFR) 906
11.4.5.1 Introdução e Justificativas 906
11.4.5.2 Objetivos 907
11.4.5.3 Metodologia 907
11.4.5.4 Legislação Específica 908
11.4.5.5 Atividades a serem desenvolvidas 908
11.4.5.6 Elementos de custo 913
11.4.5.7 Cronograma 915
11.4.6. Projeto Energia Elétrica e Iluminação Pública (PEEIP) 916
11.4.6.1 Introdução e Justificativas 916

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11.4.6.2 Objetivos 917


11.4.6.3 Metodologia 917
11.4.6.4 Legislação Específica 918
11.4.6.5 Atividades a serem desenvolvidas 919
11.4.6.6 Elementos de custo 924
11.4.6.7 Cronograma 925
11.4.7. Projeto Melhorias e/ou Construção de Equipamento de Saúde e Educação
(PMCES) 926
11.4.7.1 Introdução e Justificativas 926
11.4.7.2 Objetivos 927
1.4.7.3 Metodologia 928
11.4.7.4 Legislação Específica 929
11.4.7.5 Atividades a serem desenvolvidas 929
11.4.7.6 Elementos de custo 935
1.4.7.7 Cronograma 937
11.5. Considerações Gerais para a Elaboração das Estimativas de Custos 938
11.6. Responsáveis Técnicos pela Elaboração 941
12. PROGRAMA DE REALOCAÇÃO E REASSENTAMENTO DOS ÍNDIOS
MORADORES DE ALTAMIRA E DA VOLTA GRANDE DO XINGU 942
12.1. Introdução 942
12.2. Objetivos 943
12.3. Justificativa e conceitos gerais 945
12.4. Base Legal e Normativa 950
12.5. Projetos 954
12.5.1. Projeto de Identificação e Cadastro das famílias indígenas atingidas 955
12.5.1.1. Atividade de Cadastramento Socioeconômico e Fundiário Rural 961
12.5.1.2 Atividade de Cadastramento Socioeconômico e Fundiário Urbano 976
12.5.2. Projeto de Negociação e Aquisição de Terras e Benfeitorias na Área Rural 991
12.5.2.1. Atividade de Regularização Fundiária Rural 993
12.5.2.2. Atividade de Indenização e Aquisição de Terras e Benfeitorias na área
Rural 1003
12.5.2.3. Atividade de Reassentamento Rural 1026
12.5.2.4. Atividade de Monitoramento Rural - Volta Grande do Xingu/TVR 1042

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12.5.3. Projeto de Negociação e Aquisição de Terras e Benfeitorias na Área Urbana 1051


12.5.3.1 Atividade de Regularização Fundiária Urbana 1052
12.5.3.2. Atividade de Indenização e Aquisição de Terras e Benfeitorias Urbanas 1067
12.5.3.3. Atividade de Reassentamento Urbano 1095
12.6. Responsáveis Técnicos pela Elaboração do Programa de Realocação e
Reassentamento dos Índios Moradores da Cidade de Altamira e da Volta Grande do
Xingu 1116
13. PROGRAMA DE SUPERVISÃO AMBIENTAL DO MEIO FÍSICO E BIÓTICO 1117
13.1. Introdução 1117
13.2. Objetivos 1117
13.3. Base Legal e Normativa 1118
13.4. Projetos 1120
13.4.1. Projeto de coordenação da supervisão ambiental 1121
13.4.1.1 introdução e justificativas 1121
13.4.1.2 Objetivos 1122
13.4.1.3 metodologia 1122
13.4.1.4 Atividades a serem desenvolvidas 1125
13.4.1.5 Elementos de custo 1129
13.4.1.6. Cronograma 1130
13.4.2. Projeto de Acompanhamento do Plano de Conservação dos Ecossistemas
Terrestres 1132
13.4.2.1 Introdução e Justificativas 1132
13.4.2.2 Objetivos 1133
13.4.2.3 Metodologia 1134
13.4.2.4 Atividades a serem desenvolvidas 1136
13.4.2.5 Elementos de custo 1139
13.4.2.6 Cronograma 1140
13.4.3. Projeto de Acompanhamento do Plano de Conservação dos Ecossistemas
Aquáticos 1142
13.4.3.1 Introdução e Justificativas 1142
13.4.3.2 Objetivos 1142
13.4.3.3 Metodologia 1143
13.4.3.4 Atividades a serem desenvolvidas 1145

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13.4.3.5 Elementos de custo 1148


13.4.3.6 Cronograma 1149
13.4.4. Projeto de Acompanhamento do Plano de Gestão de Recursos Hídricos 1150
13.4.4.1 Introdução e Justificativas 1150
13.4.4.2 Objetivos 1150
13.4.4.3 Metodologia 1151
13.4.4.4 Atividades a serem desenvolvidas 1154
13.4.4.5 Elementos de custo das atividades 1158
13.4.4.6 Cronograma 1159
3.4.5. Projeto de Acompanhamento do Plano de Gerenciamento Integrado da Volta
Grande do Xingu 1161
13.4.5.1 Introdução e Justificativas 1161
13.4.5.2 Objetivos 1161
13.4.5.3 Metodologia 1162
13.4.5.4 Atividades a serem desenvolvidas 1164
13.4.5.5 Elementos de custo 1169
13.4.5.6 Cronograma 1170
13.4 Responsáveis Técnicos pela Elaboração 1172
14. EQUIPE RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO DO PBA - CI - PMX 1173
15. BIBLIOGRAFIA 1175
15.1. Bibliografia do Programa de Fortalecimento Institucional 1175
15.2. Bibliografia do Programa de Comunicação para Não Indígenas 1176
15.3. Bibliografia do Programa de Gestão Territorial 1176
15.4. Bibliografia do Programa de Educação Escolar Indígena 1181
15.5. Bibliografia do Programa Integrado de Saúde Indígena 1184
15.6. Bibliografia do Programa de Atividades Produtivas 1188
15.7. Bibliografia do Programa de Patrimônio Cultural Material e Imaterial 1200
15.8. Bibliografia do Programa de Infraestrutura 1200
15.9. Bibliografia do Programa de Realocação e Reassentamento dos Índios
Moradores da Cidade de Altamira e da Volta Grande do Xingu 1203
15.10. Programa de Supervisão Ambiental do Meio Físico e Biótico 1206

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VOLUME IV

Anexo 1 Relatório Final da Análise de Sinergia com Plano e Programas para a


Região do Xingu, do PBA - UHE BM.

Anexo 2 Memórias de reuniões de apresentação do PBA-CI/PMX nas aldeias.

Anexo 3 Genealogias das principais famílias indígenas/etnia em Altamira e VGX.

Anexo 4 Área Física das Edificações das Unidade de Saúde.

Anexo 5 Lista dos Equipamentos das unidades de Saúde.

Anexo 6 Lista de elementos de custo para o PISI.

Anexo 7 Lista de Atividades Produtivas apontadas pelos indígenas como de


interesse/prioridade, durante oficina de trabalho.

Anexo 8 Mapa com localização das aldeias e respectivas lideranças indígenas que
participaram da oficina de trabalho.

Anexo 9 Reivindicações de infraestrutura pelos representantes indígenas na


oficina de trabalho.

Anexo 10 Padrões internacionais aplicáveis a projetos de desenvolvimento em TIs.

Anexo 11 Ofício, de aprovação da Atividade de Cadastramento Socioeconômico


Indígena/FUNAI/CGGAM - 17/03/2011.

Anexo 12 Memória de Reunião INCRA, 19 de julho de 2010; INCRA/Empreendedor


representado por CNEC .

Anexo 13 Memória de Reunião ITERPA, 19 de julho de 2010.


INTERPA/Empreendedor representado por CNEC.

Anexo 14 Nota Técnica ao Anteprojeto de Lei Complementar do Plano Diretor do


Município de Altamira.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Índice Figuras

Figura 1: Terras Indígenas na Área de Influência da UHE BM. 20

Figura 2: Comparação entre os Arranjos Gerais dos Estudos de Viabilidade e do


27
Projeto Básico de Engenharia

Figura 3: Proposição do Hidrograma Ecológico de Consenso apresentado no EIA 29

Figura 4: Dispositivo Provisório para Transposição de Embarcações no Sítio Pimental 33

Figura 5: Dispositivo Definitivo para Transposição de Embarcações no Sítio Pimental 34

Figura 6: Zona de Influência Regional nas Tis. 202

Figura 7: Terras Indígenas na Área de Influência na AHE BM 398

Figura 8: Municípios de abrangência do DSEI-Altamira e Organização da Rede de


411
Referência da Região

Figura 9: Gráfico da Pirâmide etária dos indígenas atendidos pelo DSEI-Altamira em


413
2010.

Figura 10: Fluxo de estratégias e intervenções 460

Figura 11: Ouriço da castanheira. 587

Figura 12: Abertura dos ouriços para seleção das castanhas. 590

Figura 13: Transporte manual das castanhas coletadas. 590

Figura 14: Seleção das castanhas dispostas sobre mesa de secagem. 592

Figura 15: Criação de suínos. 635

Figura 16: Meliponário. 685

Figura 17: Detalhe interno do modelo de caixa para criação de Melipona flavolineata. 686

Figura 18: Potes preenchidos com mel. 687

Figura 19: Extração do mel com auxílio de seringa. 688

Figura 20: Bomba à vácuo e recipiente com mel, pronto para comercialização. 688

Figura 21: Cestos usados para acondicionamento de frutos do açaizeiro. 696

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Figura 22: Colheita de frutos maduros com a utilização do instrumento podão. 717

Figura 23: Cutelo utilizado na quebra do cacau e remoção das sementes. 718

Figura 24: Massa de sementes estocadas em cochos e cobertas com folha de


718
bananeira.

Figura 25: Modelo de barcaça utilizada no processo de secagem natural. 719

Figura 26: Revolvimento das amêndoas dispostas na barcaça, durante a secagem


719
natural.

Figura 27: Mandioca descascada. 735

Figura 28: Mandioca já lavada e escovada. 735

Figura 29: Tipiti - utensílio usado para prensagem da massa de mandioca. 736

Figura 30: Extração de látex em seringueira. 747

Figura 31: Fruto de Urucuzeiro. 762

Índice Tabelas
Tabela 1: Alterações do Arranjo Geral e de Premissas do Projeto 22

Tabela 2 - Vazões Médias Mensais a serem mantidas no TVR, em m³/s 28

Tabela 3: Condicionante 2.1 Aplicada ao Cronograma da UHE BM 30

Tabela 4: Monitoramento da Largura, Profundidade e Velocidade em Seções do TVR 32

Tabela 5: Projeto de Monitoramento do Dispositivo de Transposição de Embarcações e


35
Projeto de Monitoramento da Navegabilidade e Escoamento da Produção

Tabela 6: Tipos e Números de Embarcações e Número Estimado de Travessias 36

Tabela 7: Áreas de Intervenção para Implantação dos Canteiros dos Sítios Pimental e
39
Belo Monte

Tabela 8: Cronograma físico para a implantação da UHE BM 44

Tabela 9: Situação das escolas indígenas do Médio Rio Xingu. 280

15
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Tabela 10: Quadro sinóptico de impactos na saúde das populações indígenas na Área
399
de Influência da AHE BM

Tabela 11: Número de aldeias e população territorializadas por Pólos-Base 421

Tabela 12: Recursos humanos em saúde indígena para o DSEI-Altamira 428

Tabela 13: Local de instalação de posto de saúde e população beneficiada 431

Tabela 14: Relação de veículos para o DSEI-Altamira 434

Tabela 15: Núcleo de Vigilância em Saúde, seus departamentos e quadro de


455
profissionais

Tabela 16: Profissionais de contratação temporária necessários para elaboração e


456
implementação do Sistema de Informação de Saúde Indígena regionalizado

Tabela 17: Ações de controle da Malária 459

Tabela 18: Possíveis impactos decorrentes das ações de implantação do AHE BM e


543
sobre as populações indígenas

Tabela 19: Valor Nutritivo do Cacau. 721

Tabela 20: Organização esquemática do arranjo produtivo da borracha indígena 749

Tabela 21: Especificações técnicas dos grãos de urucum 766

Tabela 22: Curso de Formação em Patrimônio Cultural 825

16
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Programas do PBA-CI/PMX

PCI – Plano de Comunicação Indígena


PCNI – Programa de Comunicação para Não Indígenas
PEEI – Programa de Educação Escolar Indígena
PFI – Programa de Fortalecimento Institucional
PG – Plano de Gestão do PBA-CI/PMX
PGTI – Programa de Gestão Territorial Indígena
PIE – Programa de Infraestrutura
PISI – Programa Integrado de Saúde Indígena
PPC – Programa de Patrimônio Cultural Material e Imaterial
PRR - Programa de Realocação e Reassentamento dos índios moradores da cidade de
Altamira e da VGX
PSA - Programa de Supervisão Ambiental do Meio Físico e Biótico

Siglas e Abreviações

AAR - Área de Abrangência Regional


ACIAP – Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Altamira.
ADA – Área Diretamente Afetada
AHE BM – Aproveitamento Hidroelétrico Belo Monte
AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
AIS - Agentes Indígenas de Saúde
AIs – Área(s) Indígena(s)
AISAN - Agentes Indígenas de Saneamento Ambiental
ANA – Agência Nacional das Águas
APPCC – Análise de Perigos e Pontos Críticos de controle
APPs – Área(s) de Preservação Permanente
ASB - Auxiliar de Saúde Bucal
BD – Banco de Dados
BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento
BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
CASAI - Casa de Saúde do Índio
CDDPH - Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica; Entidades privadas, ONGs, Universidades
CEI - Coordenadoria de Educação Indígena
17
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

CEPLAC – Comissão Executiva do Plano de Lavoura da Cacaueira


CF – Constituição Federal
CLT - Consolidação das Leis do Trabalho
CMI - Coeficiente de Mortalidade Infantil
CMS - Conselho Municipal de Saúde
CNE - Conselho Nacional de Educação
CNEEI – Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena
CNPI - Comissão Nacional de Política indigenista
CNS - Conferência Nacional de Saúde
CNSPI - Conferência Nacional de Saúde dos Povos Indígenas
COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.
CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente
CONDISI – Conselho Distrital de Saúde (integrante do SESAI)
CPTEC - Centro de Prevenção de Tempo e Estudos Climáticos (do INPE)
CSE – Cadastro socioeconômico
CTL – Coordenação Técnica Local (integrante da FUNAI)
DSEI-Altamira - Distrito Sanitário Especial Indígena de Altamira
DST ou DSTs – Doença(s) Sexualmente Transmitida(s)
EIA/RIMA – Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto ao Meio Ambiente
EJA - Educação de Jovens e Adultos
EJAI - Educação de Jovens e Adultos Indígenas
EMATER - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EMSI - Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena
EPIs – Equipamento(s) de Proteção Individual
Escolas de ensino Fundamental e Médio
ETSUS – Escolas Técnicas do Serviço Único de Saúde
FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
FUNAI – Fundação Nacional do Índio
FUNASA - Fundação Nacional de Saúde
FVPP - Fundação Viver Produzir e Preservar
GGS - Grupo Gestor de Saúde
GRPU-PA - Gerência Regional do Patrimônio da União do Estado do Pará
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
ICMBio – Instituto Chico Mendes
IMAZON - Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia
INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
18
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

INCRA-PA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Regional do Pará)


INPE - Instituto de Pesquisas Espaciais
IPA - Índice Parasitário Anual
IPAM - Instituto de Pesquisas da Amazônia
ISA - Instituto Socioambiental
ITERPA - Instituto de Terras do Pará
LI – Licença de Instalação
LO – Licença de Operação
LP – Licença Prévia
LT – Linha de Transmissão de energia elétrica
LTA – Leishmaniose Tegumentar Americana
MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário
MDS – Ministério do Desenvolvimento Social
MEC – Ministério da Educação
MMA – Ministério do Meio Ambiente
NASA - Agência Espacial Norte-Americana
NESA - Norte Energia S.A
NESA/SAI – Norte Energia S.A./Superintendência de Assuntos Indígenas
OIT - Organização Internacional do Trabalho
OIT - Organização Internacional do Trabalho
ONG – Organização Não-Governamental
PBA – Projeto Básico Ambiental
PBA-CI/PMX - Plano Básico Ambiental – Componente Indígena / Programa Médio Xingu
PIX - Parque Indígena do Xingu
PMX – Programa Médio Xingu
PNASPI - Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas
PNE - Plano Nacional de Educação
PNGATI - Política Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas
PPPs - Projetos Políticos Pedagógicos
Prefeitura Municipal de Altamira;
ProAE - Programa de Monitoramento de Áreas Especiais (do SIPAM)
PSO – Procedimentos Sanitários Operacionais
PTA – Plano de Trabalho Anual (mecanismo do PBA-CI/PMX)
RL – Reserva Legal
SAD - Sistema de Alerta de Desmatamento (do IMAZON)
SAFs – Sistema(s) Agroflorestai(s)
SAGRI-PA – Secretaria de Agricultura do Estado do Pará
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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

SAI - Superintendência de Assuntos Indígenas (da NESA)


SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas;
SEDUC-PA - Secretaria de Educação do Estado do Pará
SEMA-PA - Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Pará
SEMEC - Secretaria Municipal de Educação de Altamira
SEMSA - Secretaria Municipal de Saúde
SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial;
SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial;
SEPAq – Secretaria do Estado de Pesca e Aquicultura
SESAI - Secretaria de Saúde Indígena
SESPA - Secretaria Estadual de Saúde
SIPAM - Sistema de Proteção da Amazônia
SISBOV – Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos
SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação
SUS - Sistema Único de Saúde
TIs – Terra(s) Indígenas(s)
TPD - Técnico em Prótese Dentária
TVR – Trecho de Vazão Reduzida (refere-se ao trecho do Rio Xingu ao longo da Volta Grande
que terá a vazão reduzida quando da implantação do empreendimento)
UCs – Unidade(s) de Conservação
UFPA - Universidade Federal do Pará
UHE BM - Usina Hidrelétrica Belo Monte
URE - Unidade Regional de Educação
VGX – Volta Grande do Xingu

20
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

1. CARACTERIZAÇÃO GERAL DO EMPREENDIMENTO


Esta caracterização tem como referência o Projeto Básico Ambiental (PBA) da Usina
Hidrelétrica Belo Monte - Plano, Programas e Projetos, volumes 1 a 7, datado de setembro de
2010, elaborado para a Norte Energia, pela LEME e CNEC Worley Parsons – Resources &
Energy.

1.1. Informações Gerais

1.1.1. Nome do Empreendimento

Usina Hidrelétrica Belo Monte (UHE BM).

Registro no IBAMA Processo n°. 02001.001848/2006-75 e na FUNAI Processo n°.


08620.2339/2000. Empreendimento com duas licenças emitidas pelo IBAMA: a Licença Prévia
(LP) no. 342/2010, datada de 10 de fevereiro de 2010 e LI n°. 770/2011, datada de 26 de
janeiro de 2011. Para ambas as licenças a FUNAI foi consultada e se manifestou através do
ofício n°. 302/209/Pres-FUNAI, datado de 14 de outubro de 2009 e do ofício n°. 013/2011/GAB-
FUNAI, datado de 20 de janeiro de 2011.

1.1.2. Localização do Empreendimento

A UHE BM será construída no rio Xingu, nos municípios de Altamira e Vitória do Xingu, no
Estado do Pará, sendo que uma pequena parcela do Reservatório do Xingu afetará
diretamente áreas do município de Brasil Novo (Figura 1).

21
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Figura 1: Terras Indígenas (TIs) na Área de Influência da UHE BM.


22
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

1.1.3. Dados do Empreendedor

Norte Energia S.A. (NESA), CNPJ 12.300.288/0001-07; CTF 5. 074.556, com sede em Brasília
– DF no endereço: SCN Quadra 04, Bloco B, Salas 904 e 1004 – Centro Empresarial Varig -
CEP: 70714-900.

1.2. Caracterização do Empreendimento

1.2.1. Arranjo Geral do Projeto

A concepção da UHE BM está relacionada com o aproveitamento de cerca de 90m de desnível


natural existente ao longo de 150km da Volta Grande do Xingu (VGX), entre a cidade de
Altamira e as localidades de Belo Monte, no município de Vitória do Xingu, e Belo Monte do
Pontal, no município de Anapu.

O arranjo geral deste Empreendimento se configura por um reservatório com dois setores: o do
Xingu, na calha do rio, e outro fora da calha, situado na margem esquerda do rio. O trecho do
rio Xingu, ao longo da VGX, com 100km de extensão, será submetido, durante a operação do
Empreendimento, a um regime de restrições de vazão determinado por um hidrograma
ecológico, o Trecho de Vazão Reduzida (TVR). A UHE BM apresentará sítios de obras, desde
as obras do barramento propriamente dito do rio Xingu, no Sítio Pimental, até o Sítio Belo
Monte, onde será construída a Casa de Força Principal.

No Sítio Belo Monte, situado em Vitória do Xingu, serão construídos a Casa de Força e a
Tomada de Água Principais e o Canal de Fuga, e no Sítio Pimental, situado nos municípios de
Vitória do Xingu e Altamira, serão construídos o barramento principal do rio Xingu, o
Vertedouro e a Tomada de Água e Casa de Força Complementares.

1.2.2. Justificativa de Mudanças no Projeto Inicial

O arranjo geral definido nos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental da UHE
BM sofreram alterações, sendo as principais expostas resumidamente a seguir, na Tabela 1 e
na Figura 2.

23
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Tabela 1: Alterações do Arranjo Geral e de Premissas do Projeto

Arranjo estabelecido Principais alterações introduzidas no Projeto Básico de


Sítios Consequência da
no Estudo de Engenharia em relação ao arranjo estabelecido no Estudo Motivo da alteração
construtivos alteração
Viabilidade de 2002 de Viabilidade de 2002
Ajuste das seções típicas das barragens e ensecadeiras. Otimizar os taludes e
volumes de aterros.
Alteração das dimensões e do número de comportas do Eliminação do
Vertedouro Principal, sendo essa estrutura dimensionada para Vertedouro
escoar integralmente a vazão decamilenar de 62.000m³/s. É Complementar no
provida com 20 vãos com comportas com 20m de largura e Sítio Bela Vista.
crista da ogiva na Elevação 75,20. Para ajustar-se ao esquema
de manejo do rio durante a Etapa de Implantação, o Vertedouro
Principal foi dividido em dois conjuntos de 8 e 12 comportas,
separados por um trecho de barragem de concreto à gravidade.
Alteração da potência instalada da Casa de Força Modificação geral na
Complementar para 233,1MW, passando a contar com 6 configuração da Casa
unidades geradoras. de Força
Sítio Pimental Complementar.
Eliminação da ponte provisória no braço esquerdo do rio Xingu. Acelerar o acesso, durante a
construção, ao canteiro
principal e à região das
estruturas principais (Casa
de Força Complementar e
Vertedouro Principal).
Compatibilização dos tempos de recorrência das cheias
estabelecidos tanto para o desvio de 1ª fase como de 2ª fase,
com os riscos a elas associados. Em linhas gerais, houve
aumento nas vazões e das cotas de proteção associadas.

Escada de peixe. Consideração de um Sistema de Transposição de Peixes Compatibilizar os resultados


24
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

constituído por um canal de derivação disposto paralelamente e recomendações do EIA.


ao pé da barragem, localizado à esquerda do Canal de Fuga da
Casa de Força Complementar.
Alteração do hidrograma de vazões mínimas a serem mantidas Compatibilizar com o
no TVR, aumentando as vazões a serem descarregadas neste hidrograma ecológico
trecho. proposto no EIA e com as
restrições complementares
ditadas na Condicionante 2.1
da LP IBAMA nº 342/2010.
Eliminação do Vertedouro Complementar e das barragens
laterais associadas, possibilitando a realocação dos diques 19,
20, 23, 24, 25 e 26. Esses diques foram substituídos por
aqueles de números 19B, 19C, 19D e 19E, formando um
Reservatório Intermediário um pouco menor que o contemplado
nos Estudos de Viabilidade.
Sítio Bela Largura das cristas Redução da largura das cristas dos diques para 7,0m, tendo Otimizar os taludes dos
Vista e Diques dos diques de 10,0m sido a cota de coroamento dos mesmos definidos na El. 100,00. diques em decorrência de
estudos geotécnicos
específicos.
Foram concebidas galerias de desvio e sistemas de vazão Possibilitar a restituição de
sanitária para os diques que estão dispostos sobre os córregos água a jusante dos diques,
principais de acordo com as
recomendações do EIA.
A ligação entre os 2 Na atual configuração, a ligação entre o Reservatório do Xingu e
Canais de setores do o Reservatório Intermediário é efetuada por um Canal de
Derivação e reservatório da UHE Derivação único, que no seu trecho de montante acompanha o
de BM era feita por meio leito do córrego Galhoso, sendo que no trecho final segue
Transposição de 2 canais. aproximadamente pelo córrego Paquiçamba. No trecho inicial,
no com extensão de cerca de 16,7km, o fundo do canal será
Reservatório revestido com concreto compactado com rolo, ao passo que nas
Intermediário laterais é revestido com enrocamento. O trecho final do canal
(cerca de 3,5km) apresenta o fundo revestido com enrocamento.

25
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Os canais foram redimensionados, alterando as cotas de fundo Mudança na configuração


e larguras da base das seções ao longo dos mesmos. Em geral do Canal de Derivação,
linhas gerais houve significativa redução dos volumes de no tipo de revestimento e
escavação dos canais. das informações geológicas
obtidas na presente fase.
Para redução dos volumes de escavação e demais obras Verificação que as perdas de
associadas, as perdas de carga no Canal de Derivação e carga no Canal de Derivação
Reservatório Intermediário de carga foram aumentadas. Isso foi e Reservatório Intermediário
possível em decorrência da diminuição das perdas de carga no contempladas nos Estudos
restante do circuito de adução à Casa de Força Principal de Viabilidade oneravam
(condutos e Canal de Fuga) e pela adoção de melhores demasiadamente os custos
rendimentos dos equipamentos de geração da Casa de Força associados ao circuito de
Principal. No Projeto Básico de Engenharia passou-se a adução.
considerar uma perda de carga total no aproveitamento de
3,58m, atribuindo-se 2,23m para o Canal de Derivação e
Reservatório Intermediário.
Elevação 96,00. O aumento das perdas de carga no Canal de Derivação e no
Reservatório Intermediário resulta em um nível mínimo normal
de operação do Reservatório Intermediário, junto à Tomada de
Água Principal, na Elevação 94,77.
Reestruturação dos Canais de Transposição, sendo que no
Projeto Básico conta-se com 5 canais escavados no
Reservatório Intermediário, 3 fazendo a transposição entre as
bacias dos córregos Paquiçamba e Ticaruca, e 2 entre as bacias
dos córregos Santo Antonio e Cobal.
20 unidades Redução do número de unidades geradoras na Casa de Força
geradoras na Casa de Principal para 18. A potência instalada total de 11.000MW foi
Sítio Belo Força Principal. mantida. A potência unitária foi alterada para 611,1MW.
Monte e
Barragem de
Santo Antonio

26
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Subdivisão da Casa de Força e da Tomada de Água Principais


em 2 grupos, um com 10 unidades e outro com 8, possibilitando
a antecipação da geração do primeiro conjunto de unidades
antes da conclusão da construção do segundo. Para tanto, foi
criado um muro de separação entre os grupos de tomadas de
água, sendo que, a jusante, o Canal de Fuga foi seccionado em
2 com a manutenção de um septo de rocha.
Alterações significativas de concepção (posição de galerias,
pontes rolantes, paredes entre blocos etc.) na Casa de Força e
na Tomada de Água Principais, com redução significativa no
volume de concreto dessa estrutura. Em função do cronograma
de entrada em operação das unidades geradoras, as dimensões
da área de montagem foram aumentadas para que esta fosse
tornada compatível com o intervalo entre unidades geradoras.
O Canal de Fuga foi redimensionado. Aumento de
escavações, porém
reduzindo as perdas
de carga associadas a
esse trecho.
Reavaliação da Barragem de Santo Antonio e das barragens de Esse novo
fechamento da Tomada de Água Principal, levando em conta as dimensionamento
características geomecânicas bastante reduzidas das fundações resultou em um
de solos residuais e rochas sedimentares que ocorrem no local. aumento significativo
dos volumes de
aterro.

Fonte: PBA Geral/setembro de 2010.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Figura 2: Comparação entre os Arranjos Gerais dos Estudos de Viabilidade e do Projeto Básico de Engenharia.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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No atual arranjo do Projeto Básico de Engenharia foram respeitadas as condicionantes da


Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica - Resolução da Agência Nacional das Águas
(ANA) nº 740, de 06 de outubro de 2009, que definiram as condições gerais de vazões mínimas
a transitar pelo Reservatório Intermediário e as vazões médias mensais a serem mantidas no
TVR, sendo elas:

Vazão mínima a ser mantida no Reservatório Intermediário de 300m³/s;

Vazões médias mensais a serem mantidas no TVR (Tabela 2), alternando-se os


hidrogramas A e B em anos consecutivos, e atendendo às seguintes premissas:

Caso, em dado mês, a vazão afluente seja inferior à prescrita para os hidrogramas A e B,
deve ser mantida no TVR vazão igual à afluente;
A vazão instantânea no mês de outubro no TVR não poderá ser inferior a 700m³/s, exceto
se a vazão afluente o for;
Nos meses de ascensão do hidrograma, a vazão instantânea no TVR não deverá ser
inferior à vazão média prescrita para o mês anterior, exceto caso a vazão afluente o seja;
Nos meses de recessão do hidrograma, a vazão instantânea no TVR não deverá ser
inferior à vazão média prescrita para o mês seguinte, exceto caso a vazão afluente o seja.

Tabela 2: Vazões Médias Mensais a serem mantidas no TVR, em m³/s

Hidrograma Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

A 1100 1600 2500 4000 1800 1200 1000 900 750 700 800 900

B 1100 1600 4000 8000 4000 2000 1200 900 750 700 800 900

Fonte: PBA Geral/setembro de 2010.

A Figura 3 ilustra a proposição do hidrograma utilizado no estudo de viabilidade (identificada


como proposta de viabilidade) e a proposição do hidrograma de consenso apresentado no EIA
(alternância entre 4.000m3/s e 8.000m3/s).

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Figura 3: Proposição do Hidrograma Ecológico de Consenso apresentado no EIA.


Fonte: PBA Geral/setembro de 2010.

O NA (nível d‟água) mínimo do reservatório poderá ser reduzido para atender


simultaneamente às condições expressas, quando a vazão afluente for inferior à vazão
prescrita para o TVR somada a 300m³/s;

O início do enchimento do reservatório deverá ocorrer entre os meses de janeiro e junho,


mantendo-se nesse período, no TVR, as vazões mínimas do Hidrograma B.

Foram consideradas também, as condicionantes da LP IBAMA nº 342/2010, de 01 de Fevereiro


de 2010, relativas ao hidrograma ecológico e à navegabilidade, sendo elas:

1 - Hidrograma ecológico

Os Hidrogramas definidos na Resolução no 740 da ANA deverão ser testados após a


conclusão da instalação da plena capacidade de geração da Casa de Força Principal. Os
testes deverão ocorrer durante 6 anos associados a um robusto plano de monitoramento,
com a identificação dos impactos resultantes. Entre o início da operação e a geração com
plena capacidade deverá ser mantido no TVR, minimamente, o Hidrograma B (Tabela 3). A
condicionante 2.1 ainda estabelece que “a identificação de importantes impactos poderá
ocasionar alterações nas vazões estabelecidas e a retificação na licença de operação”.

30
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Tabela 3: Condicionante 2.1 Aplicada ao Cronograma da UHE BM

Condicionante
UHE Belo Monte
2.1 aplicada ao cronograma da UHE BM (PBA)
Atividade Garimpeira
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020
ATIVIDADE
3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
das Frentes de Garimpo
s
dos Trabalhadores
m a Atividade Garimpeira
nto da Evolução dos
erários na Região da Volta

da Atividade Garimpeira na
a Grande

o DNPM e Apoio às Ações


o da Atividade Garimpeira
e

os Órgãos de Controle

Resultados Obtidos com a


rojeto
as I II III IV V VI VII VIII IX X
Instalações dos Canteiros Hidrograma “B” Hidrograma de Consenso
Obras Civis
apa de instalação dos canteiros
Desvio do rio pelo Vertedouro Início da geração na CF Entrada da última máquina
o Rio pelo vertedouro
Principal na CF Principal
Enchimento do Reservatório do Rio Xingu
eração na casa de força complementar Início da geração na CF Entrada da última máquina
a última máquina na casa de força complemetar Complementar na CF Complementar
Enchimento do Reservatório Intermediário
eração na casa de força principal
Fonte: PBA Geral/setembro de 2010.
a última máquina na casa de força principal

31
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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2 – Navegabilidade no trecho do rio Xingu submetido à vazão reduzida e no rio Bacajá

Quanto à navegabilidade, a LP impõe como condição adotar soluções de engenharia que


permitam a continuidade da navegação durante todo tempo de construção e de operação da
Usina, no trecho do rio Xingu submetido à vazão reduzida e no rio Bacajá. Admitindo - se
como exceção as famílias residentes nos primeiros 10km a jusante do barramento principal, na
margem esquerda do rio Xingu (comunidade São Pedro e habitantes das ilhas), consideradas
atingidas com perdas imobiliárias. Exige também a adoção de medidas para prevenir,
minimizar, indenizar ou compensar os impactos na navegação, previamente à sua ocorrência e
evitar a substituição do transporte fluvial por terrestre. Assim como o detalhamento do
mecanismo de transposição de embarcações no barramento no Sítio Pimental.

Para conhecimento mais detalhado das condições atuais de navegabilidade no rio Bacajá,
serão realizadas 4 campanhas junto aos Xikrin residentes em 5 aldeias da TI Trincheira Bacajá,
em período de cheia, vazante, seca e enchente, com os seguintes objetivos:

Mapear as rotas de deslocamento no rio Bacajá desde as aldeias da TI Trincheira Bacajá


até a sua foz e desta até a cidade de Altamira;

Caracterizar as condições de escoamento da produção e uso do rio Bacajá pelos Xikrin nos
deslocamentos internos a TI, para a VGX e Altamira;

Caracterizar as condições de transporte de pessoas: famílias em trânsito; pessoas


envolvidas em atividades produtivas – caça, pesca, coleta, trânsito para as roças; servidores
atuantes nos equipamentos de saúde e educação das aldeias; equipe multidisciplinar de
saúde indígena; equipes de vigilância sanitária; doentes em remoção para a Casa de Saúde
do Índio ou para equipamentos de saúde de maior complexidade em Altamira;

Identificar e mapear locais que apresentem dificuldade ou mesmo restrição à navegação ao


longo do rio Bacajá, com obstáculos que comprometam o tráfego de pessoas e o
escoamento da produção (agropecuária e/ou extrativista) e que poderão sofrer restrições
adicionais com a implantação do Empreendimento;

Detalhar prognóstico quanto às alterações na navegabilidade do rio Bacajá frente à


operação da UHE BM, considerando a liberação do hidrograma ecológico na VGX.

O estudo em curso (1ª campanha – março, abril/11) subsidiará as decisões quanto às


propostas para minimizar e/ou compensar os possíveis impactos negativos que venham a
prejudicar a navegação e acessibilidade pelos Xikrin nos seus deslocamentos internos a TI,
para a VGX e Altamira. A seguir é apresentado o cronograma de monitoramento da largura,
profundidade e velocidade em seções do TVR, proposto no PBA Geral (Tabela 4).

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Tabela 4: Monitoramento da Largura, Profundidade e Velocidade em Seções do TVR

UHE Belo Monte


Monitoramento da Largura, Profundidade e Velocidade em Seções do TVR
ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 ANO 7 ANO 8 ANO 9 ANO 10 ANO 11 ANO 12 ANO 13 ANO 14 ANO 15
ATIVIDADE
3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
Monitoramento Hidráulico, Hidrológico e
Hidrossedimetológico Permanente
Monitoramento Hidráulico, Hidrológico e
Hidrossedimetológico Sazonal
Reavaliação periódica das variáveis
monitoradas, complementada pela
simulação matemática do TVR

Elaboração e Emissão de Relatório


Consolidado para o IBAMA

Etapas Construtivas I II III IV V VI VII VIII IX X


I Inicio das Instalações dos Canteiros

II Inicio das Obras Civis


III Final da etapa de instalação dos canteiros
IV Desvio do Rio pelo vertedouro

V Inicio do Enchimento do Reservatório do Rio Xingu

VI Inicio da geração na casa de força complementar

VII Entrada da última máquina na casa de força complemetar

VIII Inicio do Enchimento do Reservatório Intermediário

IX Inicio da geração na casa de força principal

X Entrada da última máquina na casa de força principal

Fonte: PBA Geral/setembro de 2010.

O Cronograma das atividades de monitoramento sazonal e reavaliação periódica das variáveis monitoradas repetir-se-à:
Nos anos 6 e 7 (dois primeiros ciclos hidrológicos de aplicação do Hidrograma B).
Nos anos 9 e 10 (dois primeiros ciclos hidrológicos de aplicação do Hidrograma de Consenso).
Nos anos 13 e 14 (dois últimos ciclos hidrológicos do período de monitoramento de 6 anos – condicionante 2.1).

33
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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3 - Transposição de embarcações

Quanto aos mecanismos de transposição de embarcações do Sítio Pimental, o PBA Geral,


datado de setembro de 2010, detalha 2 sistemas: (i) o provisório, que funcionará por cerca de 1
ano até que o definitivo esteja concluído, e (ii) o definitivo, cuja finalidade é mitigar o impacto da
UHE BM sobre a navegação de pequenas embarcações, permitindo o acesso das populações
à jusante do Sítio Pimental até Altamira e vice-versa.

Durante a construção das estruturas do Sítio Pimental, quando já não for possível navegar pelo
rio Xingu, deverá ser colocado em prática um procedimento provisório de transposição de
embarcações. Este constará de 2 atracadouros, sendo um a montante e outro a jusante do
barramento, situados na margem direita do rio Xingu e localizados fora das áreas de segurança
das obras e dos trechos do rio onde ocorrerão aumentos das velocidades.

Eles serão formados por rampas direcionadas para o rio e escavadas no terreno natural. Uma
carreta tipo prancha, que disporá de carretilha para puxar a embarcação, fará o translado das
embarcações e ficará fazendo o trajeto entre os dois atracadouros, durante a luz do dia,
através de uma via de ligação a ser aberta (Figura 4).

Figura 4: Dispositivo Provisório para Transposição de Embarcações no Sítio Pimental.


Fonte: PBA Geral/setembro de 2010.
34
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Em épocas de vazões baixas, quando as velocidades no canal de desvio forem compatíveis


com as embarcações que circulam na região, não haverá necessidade de transposição.

O mecanismo de transposição definitivo de pequenas embarcações estará localizado na


ombreira direita do barramento e será constituído por uma via permanente em plano inclinado,
dividido em 2 ramais: o ramal de montante, ligando a crista do barramento com o Reservatório
do Xingu, e o ramal de jusante, ligando a crista com o leito do rio.

A embarcação será fixada em uma carreta, dimensionada para carga de 5.000Kgf, que correrá
sobre trilhos da via permanente, içada por guincho ligado por cabo de aço até o sistema de
elevação motorizado, instalado na casa de máquinas. O cabo de aço, quando totalmente
desenvolvido ao longo da via, ficará apoiado em roletes de eixo horizontal, nos trechos de
mudança vertical e por roletes de eixo vertical, nos trechos de curvas horizontais. Após passar
pelo aparelho de mudança de via, o conjunto carreta/embarcação será baixado em segurança
pelo mesmo sistema motorizado até o lado oposto do içamento (Figura 5).

Figura 5: Dispositivo Definitivo para Transposição de Embarcações no Sítio Pimental.


Fonte: PBA Geral/setembro de 2010.

O projeto de Monitoramento do dispositivo de transposição de embarcações proposto no PBA


Geral tem como objetivos principais:

Avaliar a funcionalidade do sistema a ser implantado para viabilizar a continuidade na


navegação entre os trechos a montante e a jusante do barramento principal;

Verificar se o sistema está atendendo às expectativas e demandas da população indígena


e não indígena, em relação à navegação fluvial.

Para tanto se propôs as seguintes atividades associadas ao cronograma da Obra (Tabela 5):
35
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Tabela 5: Projeto de Monitoramento do Dispositivo de Transposição de Embarcações e Projeto de Monitoramento da Navegabilidade e


Escoamento da Produção
UHE Belo Monte
Projeto de Monitoramento do Dispositivo de Transposição de Embarcações e Projeto de Monitoramento da Navegabilidade e Escoamento da Produção
ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 ANO 7 ANO 8 ANO 9 ANO 10 ANO 11 ANO 12 ANO 13 ANO 14 ANO 15
ATIVIDADE
3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Levantamento de Referência para o Projeto


de Monitoramento das Condições de
Navegabilidade e Escoamento Produção

Repase de Informações para o setor Técnico


Responsável pela Concepção do Sistema de
Transposição

Realização de Workshops, Consolidação e


Protocolo junto ao Ibama do Primeiro Relatório
de Monitoramento das Condições de
Navegabilidade e de Escoamento Produção

Levantamentos Periódicos do Projeto de


Monitoramento das Condições de
Navegabilidade e de Escoamento Produção
(incluindo o período de funcionamento do
sistema provisório)
Realização de Reuniões de Avaliação,
Consolidação e Protocolo, junto ao Ibama, de
Relatórios dos Levantamentos Periódicos do
Projeto de Monitoramento das Condições de
Navegabilidade e Escoamento Produção
Elaboração do Estudo para a Proposição de
uma Rede Básica de Transporte Intra-
regional
Implantação de Soluções Mitigadoras para
Dificuldades à Navegabilidade e ao
Escoamento Produção e adequação do
projeto do dispositivo de transposição
Levantamentos Periódicos da Operação do
Dispositivo (provisório e permanente),
Realização de Reuniões de Avaliação e
Elaboração de Relatórios para Ibama
Realização de Reuniões de Avaliação,
Consolidação e Protocolo, junto ao Ibama, de
Relatórios dos Levantamentos Periódicos do
Projeto de Monitoramento das Condições de
Navegabilidade e Escoamento Produção

Elaboração de Plano de Contingência para as


Situações de parada do Dispositivo de
Transposição ou Acidentes

Implantação de Melhorias na Operação do


Dispositivo de Transposição de
Embarcações
Etapas Co nstrutivas I II III IV V VI VII VIII IX X
I Inicio das Instalaçõ es do s Canteiro s

II Inicio das Obras Civis


III Final da etapa de instalação do s canteiro s
IV Desvio do Rio pelo vertedo uro

V Inicio do Enchimento do Reservató rio do Rio Xingu

VI Inicio da geração na casa de fo rça co mplementar

VII Entrada da última máquina na casa de fo rça co mplemetar

VIII Inicio do Enchimento do Reservató rio Intermediário

IX Inicio da geração na casa de fo rça principal

X Entrada da última máquina na casa de fo rça principal

Notas: 1) Considerou-se, a princípio, a implementação no período de vazante e estiagem de ações para fazer frente aos impactos detectados relativos à navegabilidade e ao escoamento da produção, em especial aquelas ações que impliquem em intervenções de engenharia.
2) Conforme explicitado anteriormente, considerou-se a implementação do Projeto em tela por um período de até 3 (três) anos após a entrada em operação comercial de todas as dezoito unidades geradoras da Casa de Força Principal. Após esse período, e com base, em especial, no último relatório consolidado elaborado, deverão ser analisados os resultados para verificar a necessidade de continuidade do
Projeto.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Com a finalidade de identificar e avaliar quali-quantitativamente a população que hoje utiliza o


trecho do rio Xingu onde será construída a barragem, inclusive em termos dos fins, origens e
destinos desse fluxo, foi iniciado, em 2011, um levantamento de campo, ainda em execução,
que faz parte do Programa de Monitoramento da Navegabilidade e das Condições de Vida na
VGX e que pretende identificar os principais tipos de embarcações utilizadas, as rotas mais
freqüentes, o perfil do usuário do transporte fluvial, o número de embarcações e de viagens
neste trecho do rio.

Em sua continuidade, o Programa de monitoramento contemplará, ainda, novos levantamentos


em observância ao regime hidrológico do Xingu e do Bacajá, que afeta de maneira diferente a
navegação conforme a época do ano.

A Tabela 6 apresenta os resultados de relatório preliminar sobre a estimativa atual da


Transposição de Embarcações no trecho do Barramento da UHE BM por tipo de embarcação,
com relação às freqüências de viagens entre Altamira e a região da VGX, considerando os
tipos de embarcações encontradas na região.

Tabela 6: Carcterísticas das embarcações e travessias no trecho do barramento da UHE BM

Número Estimado de
Tipos de Número de travessias entre montante e
Embarcação embarcações jusante do Barramento da
UHE BM *
Barcos de Madeira de 0,10 a 3t 150 15/dia
Barcos de Madeira de 4,0 a 15t 23 3/dia
Voadeiras 30 10/dia
Balsas 5 1/semana
Canoas de Um Pau Só 30 5/dia*
Catráias 20 2/semana*
Barco de Ferro 1 1/semana
* Números estimados que serão consolidados a partir do resultado final da pesquisa em andamento.
Fonte: Relatório parcial/LEME - março de 2011.

O relatório não evidencia as embarcações que circulam no rio Bacajá e no rio Xingu sem
que haja necessariamente a transposição do Sítio Pimental. E, tais dados são
importantes para se definir a continuidade das atividades sociopolíticas e econômicas
da população ribeirinha, indígena ou não, e avaliar se no decorrer do processo de
construção e operação do Empreendimento haverá mudanças significativas nas
relações destas comunidades.
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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Em ata de reunião do Workshop PBA UHE BM, datada de 28/02/2011, ficou estabelecido que
no âmbito do Projeto de Monitoramento do Dispositivo de Transposição de Embarcações e do
Projeto de Monitoramento da Navegabilidade e Condições de Escoamento da Produção, o
empreendedor deverá “Apresentar cronograma de entrega dos projetos de transposição de
embarcações provisório e definitivo. Contemplar um plano preliminar de contingência.
Especificar que as ações mitigadoras devam ser feitas à medida que se identifique os
problemas do sistema de transposição. Realizar reuniões de avaliação do mecanismo, sendo
que nos primeiros seis meses essa freqüência deverá ser mensal. Serão incorporadas
atividades de discussão freqüente que não, necessariamente, precisam ser por meio de
reuniões. Foi recomendada, ainda, a elaboração de uma proposta para integrar todas as
formas de comunicação. Foi sugerido que seja considerada de forma integrada essa gestão em
conjunto com o Plano de Comunicação. Apresentar justificativas técnicas para o funcionamento
do mecanismo de transposição apenas no período do dia – excluindo o período da noite.
Apresentar soluções para aqueles que porventura necessitem de transitar no rio Xingu durante
a noite”.

Da parte desta coordenação, alertamos a NESA quanto a possibilidade de se inviabilizar


a transposição do Sítio Pimental dentro do sistema de transposição, tanto provisório
como definitivo, proposto no PBA Geral (setembro de 2010) e mantido no PBA Geral
(março de 2011), dado às dificuldades de agilidade e velocidade deste sistema,
prejudicando as atividades produtivas, a vida social e, principalmente, as emergências
de saúde na VGX e na TI Trinceira Bacajá. De nosso ponto de vista, a manutenção do
sistema proposto de transposição não atende ao condicionante do IBAMA, podendo
trazer grandes transtornos para a região.

1.3. Planejamento da Construção

O EIA/RIMA estabelece macro períodos de tempo nos quais se dará a implantação do


Empreendimento, quais sejam:

Planejamento

Construção

Enchimento

Operação

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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A LI refere-se a autorização para a consolidação da etapa de construção que se subdivide em


duas:

Implantação de obras de infraestrutura de apoio para a construção – canteiros,


alojamentos, acessos, linha de transmissão para os canteiros, portos;

Implantação das obras principais – Sítio Pimental, Sítio Belo Monte, canais e diques,
dispositivos de transposição de peixes, dispositivos para transposição de pequenas
embarcações.

1.3.1. Planejamento do Canteiro de Obras

As obras de infraestrutura de apoio constituem-se em intervenções iniciais, imprescindíveis


para o cumprimento do cronograma da construção das obras principais da UHE BM:

Canteiro industrial e acampamento do Sítio Belo Monte;

Canteiro industrial pioneiro e acampamento do Sítio Pimental, situados na margem


esquerda do rio Xingu;

Estrada de acesso do Travessão 27 até o Sítio Pimental e o Acampamento da Eletronorte;

Acesso viário interligando a BR-230 (Rodovia Transamazônica) à área de terraplenagem


para implantação do porto da obra;

Área de terraplenagem para implantação do porto da obra;

Áreas de estoque de solo e madeira (uma no Sítio Pimental e outra do Sítio Belo Monte);

Linha de Transmissão (LT) de 69kV para suprimento de energia elétrica aos canteiros
industriais e acampamentos das obras, contemplando a faixa de servidão desta LT. A
referida LT fará a interligação da Subestação Altamira (atualmente em operação) com os
Sítios Belo Monte e Pimental; e

Subestações para a entrada da LT 69kV.

Para execução das obras foi prevista a construção de 4 canteiros principais e 4 alojamentos
nos sítios definidos, a saber:

Canteiro e Alojamento de Belo Monte;

Canteiro e Alojamento de Bela Vista;

Canteiro e Alojamento de Canal de Derivação;

39
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Canteiro e Alojamento de Pimental.

A Tabela 7 apresenta as áreas de intervenção para os canteiros dos Sítios Pimental e Belo
Monte.

Tabela 7: Áreas de Intervenção para Implantação dos Canteiros dos Sítios Pimental e Belo
Monte

Áreas de Intervenção Extensão (km) / Área (ha)


Acesso Projetado/Melhorado 58,5km / 116,9ha ***
LT 69kV - SE Altamira - Sítio Belo Monte (*) 43,4km
LT 69kV - Sítio Belo Monte - Sítio Pimental 45km / 135,3ha (**)
Acampamento / Canteiro Industrial Pioneiro Sítio Pimental 224,5ha ***
Acampamento do Sítio Belo Monte 115,0ha ***
Canteiro Industrial Belo Monte 85,0ha ***
Área de Estoque de Solo e Madeira (Sítio Pimental) 12,5ha ***
Área de Estoque de Solo e Madeira (Sítio Belo Monte) 35,0ha ***
Área de Terraplenagem para implantação do Porto da Obra 2,4ha
(*) Essa LT estará localizada ao longo da rodovia Transamazônica e da área de servidão
da LT de 230kV existente.
(**) Faixa de servidão com 30m de largura.
(*) Intervenções autorizadas pela emissão da LI no. 770/2011 de 22 de janeiro de 2011.
Fonte: PBA Geral/setembro de 2010.

1.3.2. Planejamento Construtivo

No PBA Geral os períodos mais propícios para execução de determinados serviços foram
estabelecidos da seguinte forma:

serviços de escavação obrigatória comum e aterro: entre junho e dezembro;

nas demais atividades: foi prevista a execução de serviços nos meses de chuva com um
índice de produção de cerca de 50 a 85% do normal;

serviços de escavação comum: os prazos para execução foram fixados de modo a se


ajustarem ao reaproveitamento desses materiais para execução de aterro nas obras de
barragens, diques, ensecadeiras e aterros para canteiros.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

As escavações serão aproveitadas conforme segue:

todas as escavações obrigatórias comuns do Canal de Derivação que se encontrarem a


uma distância de transporte de até 3,0km serão reaproveitadas em aterros de diques;

para a escavação de rocha desse canal, todo material escavado, até a distância de
transporte de 10,5km, será reaproveitado como proteção de talude e transição nos diques;

na escavação do Canal de Fuga da Casa de Força Principal, grande parte do material será
reaproveitado na seção da Barragem do Santo Antônio. Do restante, parte irá para estoque
intermediário e parte será utilizado como agregado de concreto;

o material aluvionar proveniente de escavação da área ensecada do Vertedouro será


utilizado como agregado fino de concreto e filtro para barragens e ensecadeiras no Sítio
Pimental. Para os outros sítios, os materiais arenosos serão provenientes das dragagens
das jazidas no leito do rio e transportados para as áreas de aproveitamento ou
beneficiamento.

O histograma de lançamento e/ou compactação de aterro está previsto para seguir uma
distribuição de acordo com o regime de chuvas da região e com a trabalhabilidade do material
terroso.

O material rochoso lançado ou compactado acompanhará a escavação obrigatória de rocha a


céu aberto ou de pedreira. As proteções a montante de diques e barragens serão efetuadas
com materiais provenientes de estoques. Está previsto o reaproveitamento de material
proveniente da remoção de diversas ensecadeiras.

Os grandes volumes de escavação em solo e em rocha a serem realizados nos canais,


notadamente para o Canal de Derivação, exigirão cuidados especiais na sua disposição nos
botafora, tendo em vista que constituirão novos elementos importantes na paisagem local. A
localização dos botaforas deverá buscar a minimização das distâncias de transporte e áreas de
desapropriação e deverão assegurar uma obra ambientalmente adequada.

1.3.3. Fases de Construção e Montagem

Dos sítios que compõem as obras da UHE BM, apenas o Sítio Pimental está situado na calha
do rio Xingu. Para as atividades de construção deste sítio será necessário o desvio do rio,
previsto para ser feito em 2 fases principais.

Na primeira fase, com duração de 34 meses após a emissão da ordem de serviço, o rio
escoará pelos canais à direita da Ilha da Serra, e, nesta fase, serão construídas as estruturas
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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

de concreto do Vertedouro, Muros, Tomada de Água/Casa de Força Complementares e a


Barragem Lateral Esquerda. Na segunda fase, com duração de 10 meses, o escoamento está
previsto para ocorrer por 12 vãos do Vertedouro concluídos na 1ª fase, estando o canal direito
ensecado, para a construção da Barragem Lateral Direita.

A seqüência construtiva para a primeira fase consistirá em:

Execução de acesso entre margem esquerda e canteiro;

Fechamento do Canal Central no período seco;

Com o Canal Central ensecado, terão início as atividades para a execução das estruturas
do Vertedouro, Barragem de Concreto e Casa de Força Complementar compreendendo:
esgotamento, escavações, Canais de Aproximação e de Restituição, tratamentos de
fundação, concretagem e montagem eletromecânica;

Após a construção da Barragem de Concreto entre os dois grupos de comportas do


Vertedouro deverão ser construídas as ensecadeiras de montante e jusante, no Canal
Central, paralelas ao fluxo;

Para a construção da Barragem Lateral Esquerda, entre a Ilha do Forno e a Ilha Pimental,
poder-se-á optar pela execução no primeiro período seco paralelamente com o
ensecamento do Canal Central, ou no segundo período seco, juntamente com outras
atividades de construção;

Considerou-se a execução da Barragem Lateral Esquerda na Ilha Pimental em período


seco, protegida por septos naturais, de forma que a mesma possa ser executada a seco,
sem a necessidade de lançamento de ensecadeira por montante;

Concluídas as obras do grupo de 12 vãos do Vertedouro e da Barragem de Ligação com a


Ilha da Serra, poder-se-á iniciar a remoção das ensecadeiras do Canal Central e o arranque
das ensecadeiras no Canal Direito para início da segunda fase de desvio do rio.

Durante a segunda fase, o rio passará a escoar através dos 12 vãos do Vertedouro executados
na primeira fase, permitindo assim a execução das obras da Barragem do Canal Direito.

O início do enchimento do Reservatório do Xingu, a partir da conclusão das obras no Sítio


Pimental, poderá ser programado para dezembro de 2014.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Para o início das obras do Reservatório Intermediário, incluindo o trecho de jusante do Canal
de Derivação, será necessária a execução de 30km de novos acessos e de melhorias em
outros 12km existentes, a partir da rodovia Transamazônica, à altura do Sítio Belo Monte e por
melhorias no Travessão 27.

O Canal de Derivação foi dividido em 8 trechos que serão executados de forma consecutiva,
mas independentes. As áreas de disposição dos botaforas estarão localizadas nos vales dos
igarapés e está planejada a execução de um sistema secundário de canais e pequenos
vertedouros para conduzir, de forma controlada, as vazões dos igarapés cortados e as vazões
devido a chuvas, para o leito do rio Xingu e para o leito dos igarapés na área do Paquiçamba.

A conclusão das obras no Reservatório Intermediário/Canal de Derivação liberará o


enchimento final desse reservatório, possibilitando a entrada em operação das unidades
geradoras do Sítio Belo Monte. As obras neste sítio estão previstas para serem executadas no
prazo de 95 meses, compreendidos entre a emissão da ordem de serviço e a entrada em
operação da 18ª Unidade.

Para a primeira Unidade Geradora entrar em operação comercial é previsto 61 meses após a
emissão da ordem de serviço.

1.3.4. Cronograma Físico

A Tabela 8 apresenta o cronograma físico, destacando-se os seguintes marcos principais:

Início das instalações dos canteiros (intervenções iniciais): final do 3º trimestre do ano
“zero” do cronograma;

Início das obras civis: meados do 2º trimestre do ano II;

Final da etapa de instalação dos canteiros: meados do 2º trimestre do ano IV;

Desvio do rio pelo Vertedouro: 3º trimestre do ano IV;

Enchimento do Reservatório do Xingu: 1º trimestre do ano VI;

Início da geração na Casa de Força Complementar: 1º trimestre do ano VI, vinculado ao


enchimento do Reservatório do Xingu;

Entrada em geração da última (6ª) unidade da Casa de Força Complementar: final do último
trimestre do ano VI;

Início do enchimento do Reservatório Intermediário: início do 1º trimestre do ano VII;

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Início da geração da primeira unidade da Casa de Força Principal: início do 1º trimestre do


ano VII, vinculado ao enchimento do Reservatório Intermediário; e

Entrada em geração da última (18ª) unidade da Casa de Força Principal, caracterizando o


início da operação a plena carga da UHE BM: 1º trimestre do ano X.

Em ata de reunião PBA Belo Monte – workshop, datada de 01 de março de 2011, sugeriu-se os
seguintes encaminhamentos gerais ao PBA Geral e que pode levar à necessidade de
atualizações posteriores no contexto do que está sendo elencado neste documento:

Rever e reapresentar todos os cronogramas dos projetos utilizando-se uma base única com
os marcos do cronograma físico da obra a fim de integrá-los, facilitando a compreensão das
etapas de execução de cada projeto frente à obra;

Os relatórios e os bancos de dados deverão ser padronizados, consolidados e


complementados pelo Plano de Gestão Ambiental;

Apresentar o programa de desmobilização de mão-de-obra, previsto nas complementações


ao EIA;

Apresentar um novo PBA com as alterações solicitadas nas oficinas em substituição ao


PBA completo protocolado em 2010.

Desta forma, após a definição do cronograma físico da obra será necessário que sejam
verificados, revistos e apresentados os cronogramas atualizados dos projetos componentes do
PBA-CI/PMX e o plano de gestão dos mesmos, de forma integrada e estratégica, sendo essa a
primeira atividade a ser executada pelo PMX se a LI for emitida.

Para a elaboração deste documento, toma-se como base o cronograma físico para a
implantação da UHE BM apresentado no PBA Geral, datado de setembro de 2010.

A Tabela 8, a seguir, apresenta o cronograma físico para a implantação da UHE BM e foi


extraída do PBA Geral, datado de março de 2011.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Tabela 8: Cronograma físico para a implantação da UHE BM

Fonte: PBA – AHE BM – março de 2011..

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Os mapas a seguir apresentam a situação atual do local onde será instalado o


Empreendimento UHE BM até a sua instalação definitiva, destacando-se algumas fases
intermediárias relacionadas à construção física:

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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_____________________________________________________________________________________________

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_____________________________________________________________________________________________

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

2. CARACTERIZAÇÃO GERAL DO PROGRAMA MÉDIO XINGU

2.1. Introdução

Este documento apresenta o Plano Básico Ambiental – Componente Indígena - Programa


Médio Xingu (PBA-CI/PMX), integrante do processo de licenciamento ambiental, relativo às
obras de implantação e operação da UHE BM, Empreendimento projetado para o rio Xingu,
Município de Vitória do Xingu, Estado do Pará.

O PBA se constitui em etapa do processo de licenciamento ambiental, conforme determina a


legislação em vigor, para a obtenção da LI junto ao IBAMA.

Para tanto, a Empresa Norte Energia S.A. (NESSA), concessionária do Empreendimento 1 ,


elaborou, através de equipe de consultoria especializada, contratada pela empresa Biolaw
Consultoria Ambiental Ltda. o presente PBA-CI/PMX, que se baseou nos Estudos
Etnoecológicos do EIA/RIMA AHE BM2, contidos no vol.35 deste documento, observando-se as
condições específicas da LP no. 342/2010, de 1º. de fevereiro de 2010, do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA(Processo
02001.001848/2006-75) e do Parecer Técnico no.21/CMAM/CGPIMA-FUNAI, Análise do
Componente Indígena dos Estudos de Impacto Ambiental (Processo 08620 2339/2000-DV).

Os Programas constitutivos deste PMX, ora apresentados e detalhados, foram elaborados por
uma equipe multidisciplinar de consultores, de acordo com os eixos temáticos estabelecidos a
partir do estudo que a coordenação geral realizou sobre o EIA/RIMA, volume 35, no tocante a
responder as demandas indicados na conclusão do mesmo.

O PBA-CI/PMX inclui as Terras Indígenas (TIs) da Área de Influência da UHE BM - TI


Paquiçamba (Juruna), TI Arara da VGX (Arara), Área Indígena (AI) Juruna do km 17 (Juruna),
TI Koatinemo (Asuriní do Xingu), TI Araweté Igarapé Ipixuna (Araweté), TI Apyterewa
(Parakanã), TI Arara (Arara), TI Cachoeira Seca (Arara), TI Trincheira Bacajá (Xikrin do
Bacajá), TI Kararaô (Kararaô), TI Xipaya (Xipaya), TI Kuruaya (Kuruaya), índios de Altamira e
índios da VGX.

Conforme recomendação do EIA/RIMA, encontram-se em curso estudos para a


complementação do levantamento de famílias indígenas ribeirinhas afetadas pelo
Empreendimento. Somente após a conclusão destes estudos, serão avaliadas as formas de se

1
Contrato de concessão de uso de bem público para geração de energia elétrica, no. 01- 2010- MME-
UHE BM (processo n°. 48500.003805/2010-81)
2
Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) elaborados pelo
consórcio Eletrobrás/Eletronorte, Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Odebrecht, através da Leme
Engenharia, cabendo às empresas Themag Engenharia e Gerenciamento Ltda., Engevix Engenharia
S.A. e Intertechne Consultores Associados S/C Ltda. a responsabilidade técnica pelos Estudos
Etnoecológicos referente ao AHE BM,contidos no vol. 35 do EIA/RIMA.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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integrar ao escopo deste PBA-CI/PMX, as famílias moradoras do trecho entre Altamira e a


cachoeira do Jaboti, a montante da cidade, e as famílias moradoras a jusante das TIs
Paquiçamba e Arara da VGX.

Prazos de Execução do PMX

O prazo de execução do PMX é de 35 anos, prazo do contrato de concessão entre a União e o


Empreendedor (contrato no. 01- 2010- MME-UHE BM, cláusula segunda).

Os Programas e Projetos apresentados neste PMX estabelecem um período de execução


máximo de cinco anos, entendendo-se, entretanto, que suas atividades se estendem pelas
diversas etapas do Empreendimento (construção das obras, enchimento do reservatório e/ou
operação) no prazo de 35 anos. Cada Programa apresenta também um cronograma mais
detalhado e Elementos de Custo para o prazo de 1 ano, o primeiro ano de sua implementação,
descrevendo-se as ações pelos meses do ano.

Dependendo do Programa e das TIs/comunidades contempladas com as ações, os prazos das


atividades se relacionam a etapas do Empreendimento, como no caso das TIs Juruna-km 17,
TI Paquiçamba, TI Arara da VGX, TI Trincheira Bacajá, famílias indígenas moradoras da cidade
de Altamira, da VGX, particularmente no que se refere à supervisão ambiental, ao atendimento
à saúde, à gestão territorial, infraestrutura e realocação, considerando-se que os impactos das
etapas de construção, enchimento e operação incidem diretamente sobre as mesmas.

A cada período de 5 anos, será realizado balanço da efetividade do Programa/Projeto e uma


reavaliação para se propor a continuidade das ações, cronogramas das atividades e
detalhamento de elementos custo .

2.2. Justificativa

A LP nº. 342/2010, de 1º de fevereiro de 2010, do IBAMA (Processo 02001.001848/2006-75)


determina que para a obtenção, pelo empreendedor, da LI, deve-se apresentar o PBA,
contendo o detalhamento dos programas e projetos socioambientais previstos no EIA/RIMA e
suas complementações, considerando as recomendações do IBAMA, exaradas pelos
pareceres nº. 105/2009, nº. 114/2009, nº. 06/2010-COHID/CGENE/DILIC/IBAMA.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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2.3. Atendimento a Requisitos Legais

Artigo 225º Da CF promulgada em 1988 – “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações”.

Artigo 2º da Lei Federal nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981 que estabelece que a Política
Nacional do Meio Ambiente tenha como objetivo “a preservação,melhoria e recuperação da
qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no país, condições de
desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da
dignidade da vida humana”.

Artigo 10º, Parágrafo 1º da Lei Federal nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981 e Resolução
CONAMA nº 006/86 que dispõe sobre a concessão da LP.

Condição específica de validade 2.6 da LP nº. 342/2010/IBAMA - “Apresentar o PBA, contendo


o detalhamento dos planos, programas e projetos previstos no EIA e suas complementações,
considerando as recomendações do IBAMA exaradas por meio dos pareceres nº. 105/2009, nº.
114/2009 e nº. 06/2010-COHID/CGENE/DILIC/IBAMA”.

Condição específica de validade 2.28 da LP nº. 342/2010/IBAMA que esclarece que a FUNAI
deverá se manifestar quanto à aprovação dos programas voltados aos indígenas e
cumprimento das demais condições elencadas no Parecer Técnico no. 21/CMAM/CGPIMA-
FUNAI.

2.4. Objetivo Geral

O PBA-CI/PMX visa apresentar as soluções técnicas e ações para mitigar e/ou compensar
impactos ambientais das obras de implantação e respectiva operação do Empreendimento, de
acordo com o que determina a referida LP, Parecer Técnico Conclusivo nº.
001/2010/DILIC/IBAMA/MMA e Parecer Técnico nº. 21/CMAM/CGPIMA-FUNAI.

2.5. Objetivos Específicos

constituir-se como uma etapa do processo de licenciamento da UHE BM e da definição da


relação entre empreendedor e as comunidades indígenas, com acompanhamento do órgão
indigenista oficial;

resgatar os impactos do Empreendimento sobre as comunidades indígenas, identificados


pelo EIA/RIMA do Aproveitamento Hidroelétrico Belo Monte (AHE BM);

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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apresentar princípios e diretrizes gerais do PMX, acordados com as comunidades


indígenas;

apresentar os Programas, Projetos e Atividades a serem realizados, de acordo com sua


correspondência aos impactos do Empreendimento e acordados com as comunidades
indígenas;

apresentar um Plano de ação, definindo para cada atividade, suas ações, metas,
indicadores, público alvo, prazos, responsáveis, interfaces com outros programas ou
projetos do PBA Geral do processo de licenciamento;

apresentar elementos de custo e cronograma das atividades;

esclarecer sobre os próximos passos e encaminhamentos relativos ao Componente


Indígena do processo de licenciamento da UHE BM.

2.6. Procedimentos Metodológicos

Inicialmente foram analisados todos os materiais disponíveis para a formulação preliminar dos
programas específicos, preparação das atividades de campo e visitas a instituições envolvidas
na implementação do PMX, bem como a definição das suas ações e princípios gerais.

Os consultores especialistas avaliaram o grau de informações disponíveis nos Estudos


Etnoecológicos do EIA/RIMA, volume 35, propuseram e buscaram complementações para o
pleno cumprimento do detalhamento do programa.

Com base nas informações disponíveis nos estudos, no levantamento diagnóstico


complementar, na experiência e contribuição dos coordenadores de programas e na
contratação de mediadores/facilitadores, especialistas em metodologia participativa com
população indígena, foram elaborados materiais e plano metodológico para a realização de
oficinas participativas, com acompanhamento da FUNAI, voltadas para discussão e definição
com as comunidades indígenas das ações contempladas no PMX. Foram realizadas oficinas
participativas com representantes das comunidades indígenas de 21 a 25 de fevereiro de 2011,
no Centro de Formação em Política Indigenista/FUNAI, em Sobradinho-DF. Foram realizadas
reuniões entre os coordenadores de cada programa do PMX, antropólogos coordenadores dos
Estudos Etnoecológicos do EIA/RIMA do AHE BM e antropólogos pesquisadores dos povos
indígenas da Área de Influência, os quais também participaram das oficinas participativas para
discussão e definição das ações do PMX.

As atividades, projetos e programas do PMX foram propostos levando-se em consideração a


diversidade dos povos indígenas da Área de Influência do Empreendimento, uma vez que há
um gradiente entre comunidades indígenas, seja com relação à sua localização, próximas ou

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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mais distantes das obras do Empreendimento, seja com relação ao tempo de contato com a
sociedade nacional.

Outra base para elaboração dos programas foi a análise de sinergia com planos e programas
para a região do Xingu, elaborado por Carmen Figueiredo para o PBA-CI/PMX (Anexo 1).

Conforme acordado com as lideranças na Oficina Indígena citada, a Coordenação do PMX


apresentou os programas, projetos e ações para discussão com as comunidades em todas as
TIs, Altamira e VGX, de 25 de abril a 9 de maio de 2011, e as manifestações dos índios foram
registradas pela FUNAI em Memórias de reuniões (Anexo 2).

As principais manifestações das comunidades indígenas com relação ao PBA-CI/PMX a elas


apresentado e que acrescentam recomendações na proposta de sua implementação e
desenvolvimento foram as seguintes:

TI Apyterewa/Parakanã

Aldeia Apyterewa: garantia de cumprimento do PBA apresentado, pois aqueles que


participaram das oficinas do PBA em Brasília e que fizeram a tradução da apresentação na
aldeia para a língua indígena são cobrados pelos mais velhos e por toda comunidade; garantia
de que o Polo Base do PISI não venha a ter suas atividades interrompidas;, garantia de
controle de vetores devido à proliferação de insetos decorrente da construção da barragem;
alojamento adequado aos professores não indígenas; demanda de remuneração para os
indígenas que passaram por capacitação do Programa de Comunicação Social e irão atuar no
rádio.

Aldeias Xingu e Kwaray apya (Raio de Sol): garantia de que as ações sejam realizadas no
período de 35 anos, evitando sua interrupção; urgência na melhoria das condições de
oferecimento da educação nas aldeias com o aumento do número de salas de aula e de
professores; considerar as práticas existentes (pesca, criação de galinhas e roça) quanto às
atividades produtivas; urgência no apoio contra ameaças de morte por posseiros.

TI Araweté Igarapé Ipixuna /Araweté

Aldeia Paratatin: os mais velhos enfatizaram a produção de urucum com relação às atividades
produtivas; urgência na construção de poço para abastecimento de água potável;

Aldeia Juruãti: construção de edificação escolar; educação formal oferecida na língua


Araweté; enfatizaram criação de galinhas, pedindo apoio para produção de milho para
alimentá-las, coleta de castanha e produção de urucum para comercialização;

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Observação: na aldeia Juruãti foram realizadas duas reuniões, pois um grupo está se mudando
para uma nova aldeia (Ta’akati). Na reunião com este grupo enfatizaram a produção de
urucum, cacau e mel para comercialização.

Aldeia Pakanã: garantia de cumprimento do PBA apresentado; urgência na construção do


Posto de Saúde; placa de luz solar para geração de energia elétrica; permanência dos
missionários evangélicos na aldeia para a educação escolar; construção de edificação escolar
em alvenaria e com dimensões maiores que as da atual escola;

Aldeia Ipixuna: solicitação de Casa do Índio exclusiva para os Araweté, pois não fazem uso de
bebida alcoólica de origem externa, diferentemente das demais etnias e têm medo dos Kayapó
com bordunas; Museu exclusivo para os Araweté;

Aldeia Aradity: urgência quanto ao problema do ataque de morcegos às galinhas na aldeia


ameaçando a saúde da comunidade; urgência na melhoria das instalações do Posto de Saúde
e na drenagem de água no solo da aldeia e providência urgente para o abastecimento de água;
placa de luz solar para geração de energia elétrica; solicitação de embarcação fluvial para que
os próprios índios façam a fiscalização do território, principalmente no controle da pesca ilegal
que vem aumentando; urgência na construção de edificação escolar e garantia de
remuneração aos professores indígenas; verificação da possibilidade de confecção de objetos
com penas e ossos de animais.

TI Koatinemo/Asuriní do Xingu

Urgência no controle da incidência do inseto transmissor da malária ( “carapanã”), atualmente


em grande quantidade na aldeia, com a ausência de campanhas de borrifação há mais de três
anos; enfatizaram atividade de manejo de frutas nos quintais com fornecimento de mudas;
necessidade apontada pela professora de construção de sala com estrutura específica para
receber o projeto Escola Ativa (computadores); urgência na solução de destinação do lixo que
vem acarretando a infestação de ratos na aldeia.

TI Kararaô/Kararaô

Questionamento quanto à remoção de pacientes por via fluvial na época da seca, apontando –
se necessidade de remoção aérea; urgência nas medidas de controle da incidência do inseto
transmissor da malária, em grande quantidade atualmente na aldeia; importância de se fazer
intercâmbios com outras aldeias kayapó para realizar intercâmbio com os professores e os
próprios índios sobre educação indígena; solicitação de melhora na qualidade e quantidade
da merenda escolar; solicitação de aprendizado no uso da “internet”; primeira oficina do
Programa de Patrimônio Cultural Material e Imaterial (PPC) deverá ser de confecção de arco e

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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flecha; questionamento sobre a permissão para a venda de objetos de arte indígena que
contenham pena de aves, como flecha e capacete; solicitação de placa de luz solar para
geração de energia; não desejam pista de pouso para evitar assédio à aldeia; solicitação de
garantia no PBA de manutenção de embarcações e de combustível; remuneração dos índios
que atuarem no Programa de Comunicação Social; capacitação para obtenção de carteira de
motorista; compra de um veículo de uso coletivo da aldeia que ficaria baseado em Altamira
para dar suporte aos índios que estiverem na cidade para resolver problemas da aldeia,
atendimento de saúde ou para o escoamento da produção; inclusão de construção de casas no
PBA porque tanto a palha quanto a madeira encontram-se muito distantes da aldeia, e às
vezes precisam usar barco para buscar esses recursos; instalação de 3 orelhões, pois é
perigoso fazer denúncias via rádio, onde várias pessoas podem ouvir a freqüência; queixa da
demora de se dar início aos projetos e solicitação de garantia de que o PBA apresentado seja
implementado na íntegra.

Indíos da VGX (reunião na Ilha da Fazenda)

Questionamento baseado na incredulidade sobre a garantia de navegabilidade e vazão do rio


Xingu no TVR que permita acessibilidade a outros locais e condições mínimas de qualidade de
vida dos moradores dessa região, com a construção da barragem; decorrente desse, outro
questionamento abordou a condição desse moradores com relação ao Programa de
Realocação e Reassentamento dos índios moradores da cidade de Altamira e da VGX (PRR)
voltado, na região, aos afetados pelo enchimento do reservatório; solicitação de apoio à venda
produção de farinha e do pescado, apesar de detectarem a diminuição da pesca na
região;questionamento sobre a participação no Conselho Distrital de Saúde pois o local se
encontra no município de Senador José Porfírio; solicitação de melhoria na estrada de acesso
à Altamira, já existente; manifestação de desconfiança de que as ações do PBA no local sejam
implementadas.

TI Arara/Arara

Aldeia Laranjal: questionamento sobre a veracidade da informação de que a área de


inundação do Reservatório do Xingu termina na Cachoeira do Jabuti; relato de que os estudos
foram realizados apenas no verão, não abrangendo o inverno e os igarapés até suas
nascentes; necessidade de pesquisa que garanta o mercado para compra de sementes de
mogno e babaçu com relação ao Programa Atividades Produtivas; inclusão de construção e
melhoria das moradias da aldeia no Programa de Infraestrutura (PIE); exigência de energia
elétrica na aldeia.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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TI Cachoeira Seca/Arara e Xipaya

Aldeia Cojubim/Xipaya: discussão a respeito da existência de uma aldeia Xipaya dentro da TI


Cachoeira Seca/ Arara com relação ao Programa Gestão Territorial; solicitação de elaboração
de documento pela FUNAI que normatize o uso compartilhado da TI Cachoeira Seca pelos
Arara e Xipaya da família de Maria Yavaidu, filha de Manoel Bitatá do Cojubim e esposa de
Alberto Nãe, moradora do local antes da presença dos Arara na década de 1970, segundo
depoimentos; normatização compreendendo direito de participação no PMX; demanda de
remuneração dos membros da aldeia que são operadores de rádio do Programa de
Comunicação Social do Empreendimento.

Aldeia Arara: questionamento pelo cacique Mobu-Odo e a liderança Tembéktodem sobre


exequibilidade e garantia de realização do PMX com a implantação da UHE BM;
questionamento sobre a modelo de funcionamento do Polo Base do PISI, nos moldes da
CASAI que apresenta muita “confusão”; desconhecimento de sistema de coleta e destinação
do lixo na aldeia e necessidade de capacitação para esta atividade no Programa Infraestrutura;
descontentamento com a demora na demarcação da TI e exigência de que seja concluída
antes da implantação da UHE; pronunciamento sobre as dificuldades de execução do PMX
sem a demarcação da TI.

TI Xipaya/Xipaya

AldeiaTukamã: inclusão de construção e melhoria das moradias da aldeia no Programa


Infraestrutura; solicitação de motores de embarcação fluvial para participação da comunidade
no Programa Gestão Territorial Indígena; destaque e solicitação de intercâmbio com membros
de outras aldeias para acelerar “resgate cultural” e contribuir para diminuição de casamentos
com parentes próximos, com relação ao Programa Patrimônio Cultural; solicitação de
esclarecimentos , com relação ao Programa de Fortalecimento Institucional (PFI), sobre a
veracidade das informações promovidas por associações indígenas existentes de que só
teriam direito ao Plano Emergencial e ao PBA-CI aqueles que estivessem filiados a uma
associação; questionamento sobre o funcionamento do sistema de radiofonia do Programa de
Comunicação Social do Empreendimento, com crítica ao fato de que outras aldeias não
alcançam Altamira e estão utilizando Tukamã como ponte para a comunicação,desorganização
e excesso de comunicação, prejudicando o entendimento das mensagens, dificuldade da
agente de saúde Maria Lucia Xipaya operar a radiofonia conjuntamente com suas atividades
de agente de saúde indígena.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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AldeiaTukayá: solicitação de que no PISI, a borrifação contra insetos fique a cargo de cada
aldeia, não dependendo da vinda de pessoal de fora; relato de vários casos de malária entre os
habitantes da aldeia; inclusão de plantio e beneficiamento da pimenta do reino, café e
produção de medicamentos com ervas medicinais – as “garrafadas” no Programa de Atividades
Produtivas (PAP).

TI Kuruaya/Kuruaya

Aldeia Cajueiro: exigência de solução para a transposição de embarcações e animais (não


apenas os peixes) no eixo do barramento, preocupação devido ao parentesco entre membros
da aldeia e moradores da VGX; preferência por energia solar no PIE; garantia de continuidade
de intercâmbio com membros de comunidades Munduruku para “reavivar tradições”; exigência
de garantia de mercado para a venda da produção

Indíos de Altamira, incluindo a região a montante, até a Cachoeira do Jabuti (reuniões no


Centro de Convenções de Altamira).

Inclusão de piscicultura em tanques, criação de galinhas em granjas e hortas comunitárias no


PAP; inclusão de bolsas de estudo para alunos de nível superior no Programa de Educação;
solicitação de educação indígena em escolas diferenciadas; expansão da oferta de vagas na
rede pública de ensino; exigência dos alunos participarem do planejamento e execução dos
programas do PBA-CI, recebendo bolsas para esta atividade; garantia de moradia para
estudantes com a criação da Casa do Estudante; disponibilização de laboratórios de
informática; solicitação de transporte escolar na área rural e urbana; exigência de construção
do Bairro Indígena com relação ao PRR; necessidade de se distinguir os inquilinos e
proprietários no cadastramento e garantia de indenização em ambos os casos; com relação ao
PFI, exigência de construção de sede para as associações e construção do Instituto de
Formação Indígena do Médio Xingu; solicitação de remuneração dos operadores de rádio do
Plano de Comunicação Indígena (PCI) do Empreendimento;

AI Juruna do Km 17/Juruna

Manifestação contrária à assinatura da lista de presença e participação na discussão sobre o


PBA-CI, com a negativa de que o mesmo fosse apresentado, com as seguintes justificativas:

- sendo a elaboração do PBA-CI uma condicionante para a obtenção da LI do


Empreendimento, a participação na sua discussão comprometeria a posição da comunidade
contra a construção da UHE BM;

- não está sendo respeitada a lei e não foi realizada a Oitiva Indígena;

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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- os projetos emergenciais que estão paralisados devem ser iniciados antes de se discutir o
PBA-CI;

- o território indígena deve ser assegurado antes de se discutir o PBA-CI, com relato de que a
antropóloga Maria Elisa Guedes retornaria em 20/05 para dar continuidade a este processo;

- PBA-CI foi elaborado por uma equipe não escolhida pela comunidade;

- os programas de Saúde e Educação contêm ações que são obrigações do Estado e não do
empreendedor.

Nesta comunidade também foi exigida remuneração dos operadores de rádio do PCI do
Empreendimento e abertura de mais frequências para comunicação com o PIX.

TI Paquiçamba/Juruna

Aldeia Paquiçamba: garantia de cumprimento do PBA apresentado, com o questionamento


pela comunidade sobre a exeqüibilidade do mesmo diante das dificuldades já existentes na
execução do Plano Emergencial/FUNAI/NESA; garantia de continuidade do PBA-CI – PMX
após os 35 anos do prazo estabelecido, ou seja, solicitação de que seja realizado de modo
permanente; garantia quanto à demarcação da TI; preocupação com a possibilidade de outras
etnias terem interesse em morar em seu território; preocupação com a ocupação por não índios
das ilhas que reivindicam como seu território, os quais vêm desmatando e construindo casas,
devendo ser, portanto, regularizadas com urgência para evitar o desmatamento; garantia de
melhoria na proposta de transposição do barramento do Sítio Pimental uma vez que na
proposta atual ocorrerá demora e quebra dos barcos; a nova proposta deverá garantir a
navegação e uma transposição segura e eficaz bem como o estabelecimento de locais, acima
e abaixo do barramento, para guardar os barcos com segurança; relato de que na seca é
possível navegar na VGX apenas de “rabeta” e, somente na cheia, com barco grande e de
que no Reservatório do Xingu, haverá risco de marolas e ondas que podem naufragar
embarcações de porte menor; necessidade de se ter embarcações menores para navegação
no canal da VGX, a jusante do barramento Pimental, e embarcações maiores para a
navegação no Reservatório do Xingu, a montante do barramento; reclamação sobre a
instalação do rádio pelo Programa de Comunicação Social do Empreendimento quanto à
freqüência e localização de uso, em uma residência e não num local apropriado; demanda de
remuneração para os indígenas que passaram por capacitação do Programa de Comunicação
Social e que irão atuar no rádio e serão responsáveis pela comunicação do Empreendimento,
quanto às etapas de construção, enchimento e operação da Usina e à execução do PBA Geral
e PBA-CI – PMX; necessidade de acesso ao “Programa Luz Para Todos”; inclusão de
reforma/construção de moradias; participação como mão de obra remunerada na execução do
PBA-CI – PMX.

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Aldeia Muratu: relato pela comunidade de que na seca não é possível sair da aldeia de
“rabeta”, barco pequeno, pois o canal em frente perde a navegabilidade; exigência de que se
garanta o acesso terrestre à aldeia; exigência de Postos de Vigilância na estrada; relato da
inviabilidade de transposição de barcos através de caminhão, pois as embarcações não
resistirão a duas viagens; relato da prática cotidiana de deslocamento por família o que deverá
se tornar impossível devido ao transito de várias embarcações, transpondo ao mesmo tempo o
barramento do Sítio Pimental; garantia de revisão dos limites da TI Paquiçamba até o
reservatório do Xingu, incluindo também os locais das aldeias antigas e ilhas no rio Xingu;
garantia de água potável através de um poço artesiano; geração de energia elétrica através do
“Programa Luz Para Todos” ou geração de energia alternativa; necessidade de remuneração
durante o período de instalação da obra ou até que a comunidade consiga gerar renda através
dos projetos de atividades produtivas pois alega-se perda de renda familiar, baseada
exclusivamente no comércio de peixes (ornamentais e consumo); reclamação quanto ao rádio
instalado pelo Programa de Comunicação Social pois apresenta falha no funcionamento e se
encontra em local não adequado para sua instalação/funcionamento; demanda de ajuda de
custo para os operadores do rádio e responsáveis pela transmissão da comunicação relativa
ao Empreendimento; participação como mão de obra remunerada na execução do PMX.

TI Terrãwangã/Arara do Maia

Solicitação de um estudo sobre indenização por danos causados à comunidade por m³ de água
da vazão reduzida; garantia de acesso terrestre às demais localidades com condições de ir e
vir com liberdade; pista de pouso para remoção de doentes graves; reprovação da proposta
atual de transposição do barramento Pimental e solicitação de nova proposta pela NESA que
seja adequada; pronunciamento de seu Leôncio, cacique mais velho da comunidade de que
“até agora somos libertos, com a hidrelétrica seremos controlados sem poder ir e vir quando
quisermos”; inclusão de “Saberes Tradicionais” (imateriais) no PPC; início do Projeto de
educação profissionalizante com um curso de corte e costura para as mulheres capacitando-
as para a geração de renda; projeto de Inclusão Digital (com internet e telefone rural); inclusão
de construção de nova aldeia com habitações, posto de saúde, escola, alojamento para os
técnicos não – índios, casa do rádio e de inclusão digital, casa de reunião, energia alternativa,
poço artesiano e caixas d´água no PIE; barcos adequados à navegabilidade do TVR e
veículos adequados à acessibilidade via terrestre; ressarcimento do Seguro Defesa (dado aos
pescadores associados à colônia de pesca durante o período da desova quando é proibido
pescar) caso a atividade de pesca seja alterada por conta da vazão reduzida no rio Xingu;
capacitação para vigilância territorial, intercâmbio com outras etnias atingidas pela UHE BM;
agilização pela FUNAI junto ao DNIT para elaboração do PBA da BR 230, salientando que os

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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dois processos (asfaltamento da BR 230 e instalação da UHE BM) devem andar juntos, pois
estão interligados.

TI Trincheira Bacajá/Xikrin

Aldeia Pykajaká: pronunciamento de Tucum, cacique da aldeia, sobre seu conhecimento a


respeito do PBA-CI – PMX, através de sua neta Rafaela, presente na oficina indígena realizada
no Centro de Treinamento da FUNAI, em Sobradinho/Brasília, manifestando acordo quanto aos
programas e posição contrária à proposta de transposição de embarcações no Sítio Pimental,
através de caminhão; demais pronunciamentos sobre a inadequação desta proposta pela
impossibilidade de transposição de embarcações com cargas, risco de desorganização,
danificação das embarcações e demora excessiva por este mecanismo, devido ao volume de
embarcações, causando graves problemas no tocante principalmente à remoção de doentes;
posição contrária tanto em relação à proposta da transposição provisória quanto à definitiva,
através de trilhos; solicitação de revisão da proposta e de abertura de acesso terrestre, com
disponibilidade de veículos, de modo a se reduzir os riscos e os problemas levantados quanto
ao deslocamento e transporte da aldeia à Altamira. Aldeia Mrotidjam
Aldeia Pat-krô: comunidade já informada quanto ao PBA-CI – PMX, apresentando muitas
dúvidas quanto à navegabilidade do rio Bacajá e rio Xingu e à transposição do barramento
Pimental; questionamento quanto à manutenção, nestes rios, dos peixes e outras espécies,
como no caso citado dos tracajás entre outros; relato de que devido ao aquecimento da água
no rio Bacajá, os peixes e os tracajás não retornarão, procurando águas mais frias, com grande
prejuízo para os indígenas das aldeias; garantia de transposição das inúmeras cachoeiras do
rio Bacajá; questionamento sobre a transposição dos peixes que migram do rio Xingu para o rio
Bacajá ; garantia de abertura de acesso terrestre, da continuidade do diagnóstico do rio Bacajá
e, depois do monitoramento anual durante a instalação e operação do Empreendimento.

Aldeia Kamokti-Kô: solicitação de abertura de estrada até a aldeia; posição contrária à


proposta de transposição do barramento Pimental e solicitação de que seja revista; demanda
do “Programa Luz para Todos” na aldeia ou geração de energia alternativa.

Aldeia Pytótkô: relato de preocupações com relação ao rio Bacajá e rio Xingu assim como
com a transposição do barramento do Sítio Pimental; o cacique Onça solicita que as ações de
melhoria para a comunidade venham antes de a barragem ser construída; solicitação de
abertura de acesso terrestre até a aldeia e pista de avião para os casos emergenciais;
exigência de cumprimento das obrigações por parte da NESA para se estabelecer
relacionamento adequado com a comunidade; solicitação de sala informatizada para instalação
e uso de computadores; Inclusão Digital e acesso à internet; solicitação de telefones e pára-
raios na aldeia; remuneração do operador do rádio instalado pelo Programa de Comunicação
Social do Empreendimento.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Aldeia Bacajá: reprovação da proposta de transposição provisória de embarcações através de


caminhão e da proposta definitiva através de trilhos; solicitação de apresentação de nova
proposta pela NESA; exigência de que as ações na aldeia devem começar antes da instalação
da UHE BM, principalmente a abertura de acesso terrestre até a aldeia; garantia de execução
das ações propostas; aprovação dos programas do PMX, com pronunciamento de que
poderiam “ficar ricos” com a implantação da UHE BM, mas que, ao contrário, percebem com a
apresentação desse PBA que terão muitos problemas e terão de trabalhar em projetos para
terem renda; preocupação quanto à navegabilidade do rio Bacajá e do rio Xingu e à
exeqüibilidade das ações propostas no PBA-CI – PMX; solicitação de fiscalização contra a
pesca predatória no rio Bacajá; solicitação de energia alternativa na aldeia; questionamento
quanto à falta de local apropriado para a instalação do rádio do Programa de Comunicação
Social do Empreendimento; demanda de remuneração para o operador do rádio;
pronunciamento de que se não forem executadas as ações para a melhoria da vida das
comunidades, irão lutar contra a UHE; solicitação de continuidade do diagnóstico do rio Bacajá
(estudos complementares) e o posterior monitoramento durante as fases de instalação e
operação.

Aldeia Mrotidjam: preocupação com a navegabilidade do rio Bacajá e do rio Xingu, com a
transposição do barramento Pimental e com as conseqüências de um ressecamento para a
ictiofauna e outras espécies e para alimentação dos índios; solicitação de que sejam
finalizados os estudos complementares do rio Bacajá e garantia do monitoramento durante as
fases de instalação e operação do Empreendimento; manutenção imediata do acesso terrestre;
garantia de execução das propostas de infraestrutura (energia para todos sem o pagamento de
contas), de melhoria na educação, com a implantação da 5ª a 9ª série nas aldeias e de
fortalecimento dos postos de saúde nas aldeias; necessidade de discussão com a equipe de
saúde e todas as aldeias da TI Trincheira Bacajá para decidir a localização do Pólo base de
saúde; solicitação da presença do Presidente da NESA nas aldeias; solicitação de participação,
através do comitê indígena, do ato de assinatura do Convênio.

Eixos Temáticos e Programas

A partir do estudo dos Estudos Etnoecológicos do EIA/RIMA, volume 35, AHE BM, foram
estabelecidos Eixos temáticos que compreendem ações cujo objetivo é o de mitigar e/ou
compensar os impactos socioambientais decorrentes da implantação do Empreendimento.
Esta sistematização permitiu determinar os especialistas a serem contratados para a
formulação dos programas e projetos integrantes de cada Eixo.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Neste estudo, foram definidos impactos relacionais, ambientais, socioeconômicos e territoriais


e foram estruturados, então, 4 Eixos temáticos a eles relacionados. Tais Eixos foram definidos
da seguinte maneira:

Eixo Relacional

O Eixo Relacional se organiza em torno de ações que visam garantir o fortalecimento


organizacional participativo das comunidades indígenas na implantação de programas
destinados a minimizar os impactos advindos da implantação da UHE BM, de modo a garantir
a gestão sustentável dos territórios e o cumprimento dos direitos indígenas.

Este Eixo compõe-se de um conjunto de programas que trabalham com a interface entre os
povos indígenas e a sociedade nacional, como são exemplos as ações que resguardam os
direitos indígenas, criação de associações e cooperativas, o monitoramento da execução dos
programas do PMX, capacitação para participação em conselhos e comitês, além de um
Programa de Comunicação específico.

Tal Eixo previa a criação e estruturação de rede de comunicação entre/para as comunidades


indígenas, localizadas na Área de Influência do Empreendimento, o empreendedor, o órgão
indigenista oficial e outras instituições envolvidas. Uma vez que houve o entendimento por
parte da FUNAI e da NESA de que este Programa de Comunicação diz respeito a uma das
condicionantes do Parecer Técnico nº. 21/FUNAI –“Criar plano de comunicação com as
comunidades indígenas, que contenha informações sobre as fases do Empreendimento, do
licenciamento e sobre todas as atividades relacionadas ao AHE BM” – decidiu-se pela
implantação do mesmo antes da elaboração e implementação do PMX, para cumprimento por
parte do empreendedor, de condicionante sob sua responsabilidade. Desse modo, não consta
no presente PBA-CI/PMX um Programa de Comunicação voltado às comunidades indígenas, já
em andamento, sob a coordenação de Carmen Figueiredo junto à NESA, mas sim, um
Programa de Comunicação que conta com uma capacitação específica dos técnicos e
operários envolvidos na implantação e operação da UHE BM e PMX.

Mais particularmente, o Eixo Relacional dedica-se ao relacionamento entre os povos indígenas


da Área de Influência da UHE BM com os protagonistas do processo de licenciamento, a saber:
Coordenação do PMX, FUNAI, NESA, Eletronorte, Eletrobrás, IBAMA e demais instituições
envolvidas.

O trabalho inaugural do Eixo Relacional será a definição da proposta de gestão do PMX, com
estatura para regular sua implantação e executá-lo. Este Eixo compreende 2 programas:

1) Programa de Fortalecimento Institucional (PFI);

2) Programa de Comunicação para Não Indígenas (PCNI).

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Eixo Territorial

Todos os estudos do EIA/RIMA do AHE BM - Componente Indígena recomendam como


indispensável concluir os processos de regularização fundiária e de desintrusão das TIs que se
encontram na Área de Influência do Empreendimento.

A magnitude dos impactos causados pelo fluxo migratório esperado na região, em torno de
96.000 pessoas, por si só requer que os processos de regularização e desintrusão das TIs
ocorram antes da instalação das obras principais, dado a fragilidade das TIs da VGX, e das
demais TIs que já vivem processos invasivos de grande porte, como é o caso das TIs
Apyterewa, Cachoeira Seca e Arara da VGX.

Foi considerada neste Eixo e apresentada na proposta inicial do trabalho de elaboração do


PBA-CI/PMX, a sugestão de se implementar um Programa de Fiscalização de Fronteiras das
TIs, com a contratação de empresa de fiscalização por ronda, considerando-se este programa
emergencial para conter as invasões que já vem ocorrendo e para impedir que novas invasões
aconteçam nas TIs que forem sendo desintrusadas e regularizadas.

Houve entendimento por parte da FUNAI e NESA sobre a responsabilidade de execução da


fiscalização das fronteiras das TIs pelo Estado, tendo o órgão indigenista já elaborado e
colocado em execução o Plano Emergencial de Proteção às TIs, apoiado pela NESA.

Quanto ao Programa de Aquisição e Ampliação de TIs proposto inicialmente neste Eixo, devido
à emergência das ações, no caso da AI Juruna do Km 17, o empreendedor já contratou os
estudos necessários para sua realização. No caso da TI Paquiçamba, encontra-se em
andamento um acordo entre FUNAI e NESA para a colaboração desta última em fornecer
subsídios para a revisão dos limites da TI, sob responsabilidade do órgão indigenista.

Desse modo, este Eixo no presente PBA-CI/PMX é o Programa Gestão Territorial Indígena
(PGTI), monitoramento, vigilância e recuperação das fronteiras e entorno de TIs.

Propôs-se implantar este Programa de forma articulada com os Eixos Socioeconômico Cultural
e Ambiental, com ênfase na participação das comunidades indígenas.

Eixo Ambiental

Sendo a questão ambiental, a navegabilidade e a transposição do Sítio Pimental aspectos


críticos para os povos indígenas da região e sobre os quais incidem diversos impactos reais e
potenciais do Empreendimento, foi fundamental definir e operacionalizar, no âmbito do PMX,
um Programa de Supervisão Ambiental (PSA) que terá como função inicial acompanhar e
verificar as propostas de programas detalhadas pela LEME Engenharia, assim como verificar o
cumprimento de condicionantes voltadas para os estudos complementares/ diagnósticos. Este
Programa deverá incorporar as recomendações de monitoramento do meio físico e biótico

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elencados no estudo etnoecológico da TI Trincheira Bacajá do EIA/RIMA, volume 35 da AHE


BM, e dos estudos complementares em andamento durante o ano de 2011.

Este Programa visa atender a demanda, em todos os estudos do componente indígena, de


extensão aos territórios indígenas de programas e projetos ambientais na área de conservação
dos ecossistemas terrestres, ecossistemas aquáticos, gestão de recursos hídricos (limnologia,
qualidade da água, monitoramento hidráulico, hidrológico e hidrossedimentológico,
monitoramento de águas subterrâneas, manutenção das condições de navegabilidade do rio
Xingu e rio Bacajá e transposição do Sítio Pimental) e acompanhamento das atividades
minerárias.

Por outro lado, o Programa deverá propor e detalhar mecanismos e ações de prevenção e
medidas de monitoria e controle ambiental. As ações de acompanhamento, monitoramento e
supervisão deste Programa devem ser norteadas pela antecipação de possíveis tendências
adversas e é uma proposta de consultoria independente de acompanhamento, voltada para
manter informados os índios e o Comitê Gestor sobre as ações da LEME Engenharia e/ou
empresa responsável pela execução dos programas ambientais do meio físico e biótico.

Este Eixo compreende, portanto, 1 Programa: PSA.

Eixo Socioeconômico Cultural

Neste Eixo foram agrupados os programas de Educação, Saúde, Atividades Produtivas,


Patrimônio Cultural, Infraestrutura e Realocação, a partir do exame e organização dos
resultados dos Estudos Etnoecológicos do EIA/RIMA, vol.35, AHE BM.

Encontra-se já em execução parte do PRR, referente à complementação do cadastro


socioeconômico dos índios moradores da cidade de Altamira e da VGX, realizado pelos
estudos do EIA/RIMA. Encontra-se também em execução o cadastro socioeconômico e
fundiário das famílias indígenas nas localidades próximas ao Sítio Pimental, uma vez que este
cadastramento está sendo realizado pela Superintendência de Assuntos Fundiários da NESA
junto à população não indígena, tornando-se necessário acompanhar o trabalho desta equipe
para se evitar sobreposições e problemas na condução do cadastramento quanto à
identificação étnica. Além disso, trata-se de atender a condicionante 2.17 da LP, de modo
concomitante à elaboração do Programa: “Apresentar no PBA o Cadastro Socioeconômico-
CSE dos grupos domésticos da Área Diretamente Afetada - ADA, incluindo os moradores e
demais pessoas que utilizem o trecho da VGX em suas atividades; os pescadores de peixes
ornamentais e demais pescadores comerciais - tanto a montante como a jusante de Altamira;
os trabalhadores ligados às atividades de praia incluindo comerciantes, barqueiros e outras
funções relacionadas a atividades exercidas nesses locais, com identificação de geração de
trabalho e renda, bem como os oleiros e trabalhadores de atividades minerarias e extrativistas”.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Para a elaboração deste Programa foram ainda cadastradas as famílias indígenas moradoras
ribeirinhas entre Altamira e a Cachoeira do Jabuti e complementadas as genealogias das
principais famílias indígenas/etnia em Altamira e VGX, realizadas pelos estudos do EIA/RIMA
(Anexo 3).

Este Programa, baseado em análise e estudo das reivindicações dos índios de Altamira, bem
como dos demais povos indígenas atingidos pela construção e enchimento dos reservatórios e
pelo ressecamento do rio Xingu na VGX, visa apresentar metodologia de elaboração de
propostas de realocação/remanejamento da população indígena diretamente atingida.

O Programa de Educação Escolar Indígena deve contribuir para a implantação de um


sistema de educação que atenda as aspirações das comunidades indígenas, que valorize suas
culturas, suas línguas e seus processos próprios de ensino e aprendizagem, além de contribuir
para a gestão sustentável de seus territórios. Neste sentido, propõe-se fundamentalmente
promover a readequação dos serviços de educação para a construção de um modelo de
ensino voltado aos interesses das comunidades.

É parte deste Eixo, o Programa de Patrimônio Cultural Material e Imaterial das


comunidades indígenas visando à proteção dos seus conhecimentos tradicionais, apoio à
sustentabilidade através da comercialização da produção artística e cultural e a reestruturação
do Museu do Índio em Altamira. Ações e projetos direcionados a estes objetivos estão
articulados aos demais projetos do Eixo Socioeconômico Cultural.

O Programa Integrado de Saúde Indígena visa mitigar os graves impactos sobre a saúde das
comunidades indígenas causados, dentre outros fatores, pelo grande afluxo populacional à
região de Altamira. Desse modo, na área de saúde, o Programa propõe ações estratégicas de
apoio aos prestadores de serviço de atenção à saúde dos povos indígenas da Área de
Influência do Empreendimento e à Secretaria de Saúde Indígena e seus conveniados e
parceiros. Trata-se de ações coordenadas de medicina preventiva e atenção à saúde primária,
secundária e terciária, fortalecimento da medicina tradicional indígena e valorização de seus
conhecimentos e práticas tradicionais.

O Programa de Atividades Produtivas resultou de um aprofundamento de projetos


específicos de geração de renda junto às comunidades indígenas, definindo-se melhor o tipo
de projeto que se quer desenvolver, sendo este um dos elementos que foram discutidos e
tratados nas oficinas indígenas.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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O Programa de Infraestrutura compreenderá serviços de urbanização e saneamento, além de


propostas de encaminhamento de realização de projetos arquitetônicos de edificações (casas,
escolas, postos de saúde, etc.) que deverão atender, em escala distinta, as TIs, as famílias
indígenas moradoras da VGX e da cidade de Altamira, além das famílias que deverão ser
incluídas a partir dos resultados do cadastramento socioeconômico em andamento.

O Programa de Realocação e Reassentamento dos índios moradores da cidade de


Altamira e da VGX apresenta soluções que consideram as expectativas e demandas da
população indígena atingida pelo deslocamento compulsório.

Assim, este Eixo é composto, portanto, de 6 Programas:

1) Programa Educação Escolar Indígena (PEEI);

2) Programa Integrado de Saúde Indígena (PISI);

3) Programa Atividades Produtivas (PAP);

4) Programa Patrimônio Cultural Material e Imaterial (PPC);

5) Programa de Infraestrutura (PIE);

6) Programa de Realocação e Reassentamento dos índios moradores da cidade de Altamira e


da VGX (PRR).

Quanto ao Programa de Supervisão dos Aspectos Socioeconômicos do PBA não indígena,


todas as ações previstas estão contempladas em diversos programas do PMX como Gestão
Territorial, Saúde e Realocação.

Plano de Gestão do PBA-CI/PMX

O Plano de Gestão do PBA-CI/PMX (PG) foi definido de forma complementar aos Eixos
Temáticos do PMX, procurando contemplar o conjunto de complexidades (territorial,
sociocultural, institucional e temática) inseridas no processo de implementação do mesmo.

Este Programa trata dos elementos necessários para que seja definida a instituição
implementadora do PMX, de acordo com condicionantes do parecer n°. 21 da FUNAI e
LP/IBAMA, bem como a estrutura de governança indígena.

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3. PLANO DE GESTÃO DO PBA-CI/PMX

3.1. Introdução e justificativas

O presente documento tem por objetivo sistematizar uma proposta para o PG, voltado para a
implementação do Programa Médio Xingu, uma das condicionantes do processo de
licenciamento do Empreendimento UHE BM.

A necessidade de elaboração de um item específico, destinado ao PG, se justifica a partir de


determinações institucionais, tanto por parte da FUNAI como do IBAMA. No Parecer 21 da
FUNAI, fica explicitado que deve haver a:

“...criação de uma instância específica para acompanhamento da questão indígena


pelo empreendedor, com equipe própria, evitando assim, a pulverização das ações
indigenistas entre os demais Planos de Gestão Ambiental.”

O IBAMA, por sua vez, no item 2.6 da LP, determina que:

“O PBA deverá ser entregue em versões impressa e digital, apresentando instituições


envolvidas, responsáveis técnicos e programa físico de implantação.”

O PG é definido de forma complementar aos Eixos Temáticos do PMX, que incluem todas as
ações necessárias para mitigar e /ou compensar os impactos socioambientais decorrentes da
implantação da UHE BM. Foram definidos os seguintes Eixos Temáticos: Relacional,
Territorial, Socioeconômico e Ambiental.

Enquanto nos Eixos Temáticos serão definidas as ações e atividades específicas para cada
área, assim como as equipes técnicas e projetos necessários, o PG imprime, necessariamente,
de uma visão mais global, procurando definir como e por quem deve ser articulado e executado
o conjunto global destas atividades.

Este PG foi definido buscando contemplar o conjunto de complexidades inseridas no processo


de implementação do PMX:

Complexidade territorial: Em primeiro lugar, o PMX possui uma vasta abrangência em termos
territoriais, pois são onze TIs e uma AI (totalizando 26 aldeias) que no seu conjunto somam
5.121.452ha de áreas descontínuas, entremeadas por região cuja pressão territorial e por
exploração de recursos naturais tende a crescer com a implementação da UHE BM. A maior
parte das TIs está localizada em região de difícil acesso, com precária infraestrutura de
comunicação e transporte. O PMX abrange ainda os índios moradores da cidade de Altamira e
da VGX.

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Complexidade sociocultural: O PMX deverá contemplar um conjunto de vários povos


indígenas (Xipaya, Kuruaya, Juruna, Arara, Xikrin, Kayapó, Parakanã, Araweté e Asuriní), que
envolvem uma expressiva diversidade étnica e cultural. São povos indígenas de diversas
afiliações étnicas, falantes de distintas línguas ligadas a diferentes troncos lingüísticos (Tupi,
Jê, Karib) e com modos de vida variados. Além disso, possuem processos históricos
diferenciados e distintas formas de relacionamento com a sociedade regional. Na região,
existem desde os povos indígenas que estão em processo de recuperação de sua identidade
étnica, os índios “citadinos”, até povos indígenas com pouco contato com a sociedade regional.
Há, inclusive, referências a povos em “isolamento voluntário”, também chamados de “índios
isolados”.

Complexidade institucional: É também muito grande a diversificação de atuação institucional


junto aos povos indígenas da região. A FUNAI, que sempre teve o papel mais significativo
junto aos povos da região, está em processo de reestruturação. O atendimento à saúde
indígena também se encontra em processo de transformação, através da transferência para a
Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), o que acarretará em mudanças também no âmbito
local e regional. A educação indígena envolve municípios, governo do estado e Ministério de
Educação e Cultura - MEC e a política em implantação dos territórios etnoeducacionais. Os
movimentos sociais da região tem se articulado cada vez mais, incluindo a inserção de povos
indígenas. Com a implantação da UHE BM, a empresa e outros atores passarão a ter
destaque regional.

Complexidade temática: Além de todos os aspectos acima indicados, o PMX ainda deverá
lidar e executar ações dentro de uma ampla diversidade temática, tais como saúde, educação,
gestão e proteção territorial, sustentabilidade, etc.

Neste sentido, considerando todo este amplo conjunto de complexidades, fica evidente a
necessidade de estabelecer claramente as diretrizes e premissas para a implementação do
Programa, o que constitui o objetivo deste PG.

Este Plano apresentará sugestões e recomendações de como seria implementado o processo


de decisão e o planejamento do PMX, assim como a estrutura necessária para sua execução e
gestão.

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3.2. Objetivos do Plano de Gestão do PBA-CI/PMX

Considerando as complexidades acima apontadas e ainda:

- que a identificação de uma instância específica implica, necessariamente, na identificação de


uma instituição única, que assuma a gestão do PMX;

- que a gestão do PMX envolverá um enorme e complexo conjunto de atividades e


movimentação de recursos;

- que esta complexidade requer uma instituição com forte capacidade e experiência de gestão;

- que dificilmente a FUNAI poderia assumir a execução do PMX, dadas suas especificidades
institucionais e procedimentos administrativos e burocráticos;

- que não existe instituição (Organização Não-Governamental - ONG ou organização indígena)


que atue na região, com o perfil e a disponibilidade para assumir a complexa gestão do PMX;

- que a criação de uma nova instituição demandaria um longo processo de discussão e


planejamento;

- que o vulto dos impactos a serem gerados pela UHE BM sobre os povos indígenas implica no
caráter de urgência através do qual o PMX precisa ser operacionalizado;

- que a NESA já está implementando o Plano Emergencial acordado com a FUNAI, através de
pessoal especializado inserido em seus quadros institucionais;

- que a implementação do PMX é uma responsabilidade e condicionante para a própria NESA;

- que é viável que a NESA incremente a sua já criada Superintendência de Assuntos Indígenas
para assimilar a execução do programa;

- que o caráter participativo do PMX é suficientemente garantido com o estabelecimento de um


Conselho Deliberativo que acompanha e delibera sobre a gestão do Programa;

- que a participação dos povos indígenas nas decisões estratégicas do PMX será garantida
com sua presença neste Conselho Deliberativo;

- que esta participação será explicitada em documento que formaliza a implementação do


Programa (Convênio);

- que neste documento também devem ser estabelecidos os mecanismos de


acompanhamento, controle e decisão dos povos indígenas e FUNAI sobre a gestão do Plano, e

- que com o passar do tempo, de acordo com o andamento das atividades e evolução da
caracterização institucional da região, as definições sobre o arranjo de gestão do PMX podem
ser revistas;

Conclui-se que a instância executora do PMX mais adequada e viável é a própria NESA.

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3.2.1. Objetivo geral do Plano de Gestão do PBA-CI/PMX

O objetivo geral do PG, que está sendo aqui apresentado, é proporcionar os elementos
necessários para que seja definido o processo de gestão para a implementação do PMX a ser
executado pela NESA. Este Plano apresenta as premissas necessárias para sua gestão, de
forma independente dos demais programas que a empresa executará em vista do processo de
licenciamento da UHE BM, de modo a atender a condicionante imposta pela FUNAI, já
mencionada, e representa o detalhamento da forma de atuação da instância específica que
ficará responsável pela execução e acompanhamento do PMX.

3.2.2. Objetivos específicos do Plano de Gestão do PBA-CI/PMX

Para que se garanta a consolidação das diretrizes gerais, a serem contempladas pela
instituição implementadora do PMX no seu processo de gestão, é necessário estabelecer
premissas básicas que se configuram como os objetivos específicos deste PG:

- Definir o arranjo institucional necessário para a tomada de decisão, planejamento e execução


das ações, envolvendo NESA, FUNAI, povos indígenas e outras instituições relevantes, para
que sejam plenamente atendidos os requisitos de execução do PMX;

- Apresentar os principais elementos necessários para a estrutura de gestão do Plano, que


inclui instâncias de cunho deliberativo, executivo e de acompanhamento/monitoramento das
atividades;

- Definir os mecanismos para a efetiva participação indígena no processo decisório e de


implementação das atividades previstas para o PMX.

3.2.3. Diretrizes básicas

A seguir são elencadas diretrizes básicas importantes tanto para a consolidação do PG como
para a gestão do PMX:

- a implementação e operacionalização do PMX por parte da NESA deve ser centralizada e


coordenada por uma única instituição a ser designada para esta finalidade, cumprindo,
portanto, o papel de “Agência Implementadora” do PMX. A recomendação é que a própria
NESA assuma este papel;

- a NESA é a principal responsável pelo cumprimento das condicionantes relativas aos povos
indígenas afetados pelo Empreendimento UHE BM, atuando como a “Agência Implementadora”
do PMX;

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- a NESA deve proporcionar os recursos necessários para que seja garantida a estrutura,
pessoal qualificado e recursos suficientes para a realização das inúmeras atividades a serem
definidas em cada um dos componentes dos Eixos Temáticos e no PG;

- para a condução das atividades do PG, poderão ser realizadas parcerias estratégicas,
convênios, tratados e outros instrumentos de colaboração institucional, visando a mesma
finalidade descrita, ou seja, potencializar e aprimorar a execução do PMX;

- devem ser integralmente de responsabilidade da NESA os custos de detalhamento e


consolidação da instância responsável pela implementação do PMX;

- apesar da implementação do PMX ser uma responsabilidade institucional da NESA, o mesmo


deverá ser co-executado com os povos indígenas e a FUNAI, tanto no que diz respeito ao
processo decisório estratégico quanto às atividades por executar;

- as ações previstas no PMX não devem substituir a ação das instituições governamentais, no
que for responsabilidade do Estado para com povos indígenas, mas atuar de forma
complementar e estratégica.

3.3. Componentes do Plano de Gestão do PBA-CI/PMX

Definir o PG é de suma importância, pois representa o elemento central que garantirá a


efetividade da aplicação dos recursos repassados visando mitigar e/ou compensar os impactos
causados sobre os povos indígenas pela implementação da UHE BM.

Existem alguns elementos que devem ser contemplados para que os objetivos do PMX sejam
alcançados e as diretrizes atendidas. O principal é garantir que todo o processo de gestão seja
contemplado, incluindo os processos de tomada de decisão (deliberativos), implementação das
ações e projetos (executivo), acompanhamento e monitoramento do andamento das atividades
e verificação do atendimento aos objetivos gerais. Neste sentido, serão apresentados os
seguintes elementos:

- Arranjo de gestão;

- Instâncias deliberativas

- Instâncias executivas e

- Instâncias de acompanhamento.

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3.3.1. Arranjo de Gestão

No arranjo de gestão são definidas as diversas partes envolvidas, qual sua participação e
responsabilidade no processo. Este arranjo visa garantir que todos os interesses e
perspectivas dos entes envolvidos com o PMX (NESA, Povos indígenas e FUNAI) sejam
contemplados no processo de tomada de decisão e execução das atividades.

Para tanto, é necessário prever instâncias e mecanismos que garantam a participação e o


engajamento dos povos indígenas e das instituições no planejamento, acompanhamento,
controle e avaliação das atividades realizadas com os recursos contemplados pelo Programa.

NESA: Responsável principal pela consolidação e manutenção financeira do PMX, assim como
pela operacionalização de sua agência/instância interna que o implementará. Em termos do
arranjo interno, recomenda-se que o PMX seja alocado na Superintendência de Assuntos
Indígenas (SAI) da NESSA, cujo responsável será o interlocutor entre a Coordenação
Executiva do PMX (locada em Altamira, como se verá adiante) e a direção da empresa, e o
orçamento anual do PMX comporá o orçamento geral da SAI;

Povos indígenas do Médio Xingu: São os principais beneficiários do PMX, tendo em vista
que serão impactados pela UHE BM. Considerando os princípios do etnodesenvolvimento e da
valorização do protagonismo indígena, os povos indígenas envolvidos no PMX devem
participar ativamente, observadas suas especificidades étnicas e culturais, de todo o processo
decisório e acompanhar de perto a execução das ações do Programa. Esta participação pode
ser vista como uma oportunidade de fortalecimento de sua organização e articulação política,
desafio a ser enfrentado pelo componente fortalecimento institucional.

FUNAI: Órgão indigenista oficial, que articula a política nacional voltada para os povos
indígenas, é o responsável pela orientação e acompanhamento de todas as atividades
concernentes ao PMX. Deve participar integralmente do processo decisório do PMX, da co-
execução de algumas das suas ações e do acompanhamento destas ações. A partir de sua
reestruturação, a FUNAI tem reorganizado os processos de planejamento e decisão nas
aldeias e gerências regionais, e está em vias de oficializar o Comitê Regional da Coordenação
Regional de Altamira, instância criada na nova estrutura do órgão e onde se discutirá a política
do órgão para a região, com a participação plena dos índios. A execução do Programa deve
aproveitar e potencializar este Comitê, evitando criar estruturas paralelas de decisão.

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Outras instituições: Como os Eixos de atuação do PMX envolverão ações estratégicas e


complementares de saúde e educação, as instituições do Estado responsáveis legais por estas
ações junto aos povos indígenas, deverão ser interlocutores relevantes: a SESAI e a Secretaria
de Educação e Cultura - SEDUC-PA (e complementarmente, as secretarias municipais de
educação); outras instâncias de governo (federal e estadual) também deverão ter interlocução
com PMX posto que desenvolvem programas ou linhas de apoio junto aos povos indígenas
(Ministério do Meio Ambiente - MMA, Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA, Ministério
do Desenvolvimento Social - MDS), além de organizações da sociedade civil.

3.3.2. Instâncias executivas

Para a execução do complexo e amplo conjunto de atividades previstas nos programas dos
Eixos Temáticos do PMX, a NESA deverá compor um corpo técnico e administrativo específico,
capacitado, suficientemente dimensionado e locado em Altamira. Esta equipe profissional
deverá estar dedicada em regime permanente e integral às atividades do PMX e poderá contar
com assessorias e consultorias específicas, quando necessário. A definição da estrutura
organizacional desta instância executiva na NESA deve considerar alguns pontos básicos:

- Foco exclusivo nas atividades do PMX;

- Atendimento a todos povos e TIs contemplados no PBA-CI/PMX;

- Primar pelo diálogo próximo com as comunidades indígenas e com os órgãos legalmente
instituídos para atender tais comunidades e também com outros entes (governamentais ou
não) que atuam no Médio Xingu;

- Contemplar as áreas temáticas das atividades definidas para o PMX (correspondentes aos
Eixos Temáticos);

- Não execução pelo PMX de ações de obrigação do Estado (saúde, educação, saneamento
básico), mas apoio à ações complementares, de modo que os serviços do Estado possam ser
potencializados para a melhoraria de sua qualidade;

- Contratação de profissionais com experiência técnica comprovada no trabalho com povos


indígenas e implementação de projetos. Esta contratação deve ser baseada em critérios
técnicos, orientada por Termos de Referência para cada um dos cargos. É recomendável que
nesta contratação seja considerado preferencial o envolvimento prévio com os povos indígenas
da região e fundamental o envolvimento com o processo de elaboração do PBA-CI. Sugere-se
pquanto à estrutura para a Coordenação Executiva do PMX, o seguinte:

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_____________________________________________________________________________________________

Coordenador geral: Responsável geral pela execução das ações previstas para o PMX dentro
da NESA. É quem coordenará toda a equipe e ficará responsável pela interlocução externa
com as instituições relevantes, bem como com o Conselho Deliberativo. Deve ser elaborado
Termo de Referência para sua contratação, cuja escolha deve ser realizada pelo Conselho
Deliberativo do PMX. Preferencialmente este cargo deverá ser ocupado por um antropólogo-
indigenista com trabalhos na região.

Assessoria Jurídica: Diante da complexidade e extensão das ações, a NESA deverá


providenciar Assessoria Jurídica para a Coodenação Geral.

Assessoria Indigenista e Antropológica: Dada a complexidade da conjuntura


interétnica que está envolvida no PMX, será importante que a coordenação geral tenha
uma assessoria indigenista permanente, que possa apoiar o processo de articulação
com os povos indígenas, devendo ainda contar com horas de prestação de serviços nos
Planos de Trabalho Anuais para antropólogos especialistas nas etnias envolvidas no
PMX para consultorias ad hoc.

Coordenador administrativo: O PMX envolverá a gestão de altos valores financeiros, assim


como de um conjunto complexo e diversificado de atividades. O profissional que assumir o
cargo de Coordenador Administrativo do PMX deve ter grande experiência em gestão
organizacional e de projetos. A ele devem estar vinculados os seguintes profissionais:

Gestor financeiro: Gestor exclusivamente dedicado à administração financeira, que inclui


movimentação bancária, organização contábil, acompanhamento permanente entre o
planejado e realizado em termos financeiros, preparação de prestação de contas da
instituição, aplicação financeira, etc.

Coordenação de logística: O processo de gestão da instituição envolverá


necessariamente um pesado investimento de gestão logística, principalmente para o
acesso àa áreas indígenas. O responsável pela logística deve manter permanente atenção
aos veículos necessários para esta logística, otimizar o transporte, articular com outras
instituições para compartilhar esforços, prestar apoio aos coordenadores técnicos e pessoal
de campo.

Apoio administrativo geral (secretaria, etc): Apoio geral para o processo administrativo,
incluindo redação de documentos, organização de agenda, contatos telefônicos, pequenos
serviços no comércio, levantamento de preços etc. Pode ser exercido por uma secretária e
um auxiliar administrativo.

Assessoria de comunicação: A comunicação será aspecto crítico da implementação do


PMX, tanto internamente (para os povos indígenas) como externamente (instituições
relevantes).

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_____________________________________________________________________________________________

Coordenação técnica: Para a execução das atividades e projetos previstos pelo PMX,
deverão ser contratados Assistentes Técnicos, responsáveis pelos diversos Eixos
temáticos. Estes assistentes, que devem ser especialistas nas áreas de trabalho,
trabalharão sob a supervisão e orientação geral de um coordenador técnico. Além disso,
em cada uma das áreas temáticas, existe um conjunto de articulações institucionais (com
FUNAI, instituições de ensino, saúde, assistência técnica) que precisa ser assumido pelas
coordenações técnicas. Abaixo, sugere-se a forma de organização e otimização dos Eixos
temáticos em torno de algumas coordenações técnicas.

a) Educação e cultura;

b) Saúde e saneamento;

c) Gestão territorial

d) Sustentabilidade

e) Fortalecimento Insitucional das organizações indígenas

f) Infraestrutura

g) Supervisão Ambiental

h) Realocação

A base para a execução das atividades por parte da Coordenação Executiva serão as tratativas
estabelecidas no documento do PMX. Este documento dará a orientação geral em termos de
objetivos, metas, resultados e atividades a serem trabalhados.

O papel da Coordenação Executiva é o de implementar um conjunto de decisões e projetos


estabelecidos entre representantes indígenas, da FUNAI e da NESA. Portanto, outros
instrumentos de gestão precisam auxiliar e detalhar mais estas decisões.

Um destes instrumentos poderá ser o Plano de Metas Quinquenal, que detalha para o
período de 5 anos, as atividades, metas e projetos que devem ser realizados.

O micro-detalhamento, com os elementos de despesas e já com os ajustes necessários ao


Plano de Metas, deve ser estabelecido através de Planos Anuais de Trabalho, que devem
detalhar ao máximo, o planejamento anual das atividades, servindo de suporte para o
monitoramento e avaliação da execução das atividades.

Estes Planos de Trabalho devem ser elaborados em conjunto com representantes indígenas e
articulados com as instituições locais, devendo ser submetido ao Conselho Deliberativo do
Programa para aprovação, como se verá adiante.

Com base neste Plano, a instituição também deverá elaborar Relatórios Financeiros
(mensais) e Relatórios Técnicos (trimestrais), em formatos padrões a serem sugeridos pela

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_____________________________________________________________________________________________

Coordenação Geral e aprovados pelo Conselho Deliberativo do PMX, apresentando as


informações de movimentação financeira e de execução técnica das atividades. Esses
relatórios serão analisados pelo Conselho Deliberativo.

Parte da execução das ações previstas pelo PMX podem, eventualmente, ser compartilhadas
com organizações indígenas, através de convênios específicos entre estas e a NESA. Estes
convênios deverão ser parte integrante do Fortalecimento Institucional / Eixo Relacional e
atender a demandas específicas dos povos indígenas envolvidos no PBA-CI/PMX. Esta
“terceirização”, entretanto, não exime a NESA pelas responsabilidades das ações.

Organograma das Instâncias Executivas

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3.3.3. Instâncias deliberativas

O objetivo central desta instância é o de compartilhar decisões e repartir responsabilidades


entre a NESA, FUNAI e os povos indígenas do Médio Xingu, assegurando o cumprimento das
obrigações da NESA diante do processo de licenciamento, atendendo a legítima participação
dos povos indígenas e as responsabilidades institucionais do órgão oficial condutor da política
indigenista do país. Para tanto, são propostos alguns mecanismos:

Plenárias Comunitárias:

As Plenárias Comunitárias deverão ser realizadas em cada uma das aldeias existentes nas TIs
afetadas pela UHE BM, além dos moradores da VGX e cidade de Altamira.

A representatividade indígena, tomando como base as aldeias e a cidade de Altamira já tem


sido utilizada como critério no Conselho Distrital de Saúde (CONDISI - parte da estrutura da
SESAI), assim como no processo de elaboração e discussão do PBA-CI/PMX. Este critério
“por aldeia” foi enfaticamente exigido pelos índios na Oficina de Discussão sobre o componente
indígena, realizada em Brasília, entre 21 e 25 de fevereiro de 2011.

Além disso, também deve haver momentos em que se reúnam as diversas aldeias de uma
mesma TI, para apresentação de demandas conjuntas para o território como um todo ou para
se eleger representantes da TI para conselhos maiores (deliberativo, etc), com o devido
acompanhamento da Coordenação Geral. Por fim, como o sistema de assistência às aldeias
da região está todo organizado através de “Rotas” (calhas dos rios), também devem ser
garantidas as condições necessárias para que as comunidades e povos indígenas de uma
mesma rota se reúnam e deliberem sobre assuntos coletivos.

Todo este processo decisório deve ser financeiramente suportado pela NESA/PMX, mas pode,
e deve, servir de base para o planejamento, controle social e discussão com outras instituições
(SESAI, Governo do Estado, prefeituras, etc).

Estas Plenárias devem representar a instância fundamental de formulação das ações e de


controle social do PMX e ser organizadas de tal forma a obedecer às estruturas sociopolíticas
dos povos indígenas do Médio Xingu e, também, garantir a efetiva participação de um amplo
conjunto de setores das sociedades indígenas nas decisões, incluindo mulheres, jovens, etc.

Além dos representantes indígenas, devem participar destas Plenárias, obrigatoriamente, o


Coordenador Geral e o corpo técnico das áreas temáticas do PMX, representantes da FUNAI
local (Coordenador técnico local - CTL) e, quando convidados, representantes e assessores de
associações indígenas, além de outras instituições relevantes para os assuntos a serem
discutidos, convidadas para esse fim, à critério dos índios. Sendo realizadas em cada uma das

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aldeias, as Plenárias permitirão uma adequação das discussões e deliberações à realidade


específica de cada comunidade.

Nestas plenárias deverão ser formulados os Planos de Trabalho e apresentados, discutidos e


avaliados os resultados das atividades executadas no período anterior, configurando um
diagnóstico participativo, que deve ser sistematizado através de um documento (relatório).
Também serão apresentadas, analisadas e avaliadas as prestações de contas, visando
garantir transparência e controle social das comunidades sobre seus recursos.

A periodicidade ideal para as plenárias é semestral, sendo uma reunião anual de avaliação e
planejamento, ao final do ano, e outra de avaliação preliminar e eventuais correções, no meio
do ano. Porém, é provável que no início deva ocorrer um número maior de Plenárias, para
consolidar o processo de implementação do Programa, assim como realizar eventuais ajustes
aos arranjos previstos.

Por fim, é nestas Plenárias que, com base no diagnóstico do período anterior, as comunidades
estabelecerão as diretrizes e prioridades de ação em cada uma das linhas temáticas,
fornecendo subsídios para que as coordenações técnicas possam elaborar os Planos de
Trabalho Anuais para o período posterior. Cabe salientar a importância da utilização de
metodologia e abordagem adequadas à realidade das comunidades indígenas.

Conselho Deliberativo do PMX:

Este deve ser a instância decisória central do PMX, integrado por representantes das aldeias
indígenas de todos os povos indígenas contemplados no PBA-CI/PMX, NESA e FUNAI. O
representante da FUNAI será indicado pelo presidente do órgão e da NESA será o
Coordenador Geral do PMX.

As atribuições principais do Conselho Deliberativo serão:

definir e acompanhar a aplicação dos recursos financeiros disponibilizados pela NESA;

aprovar os Planos Quinquenais do PMX;

aprovar os Planos de Trabalho Anuais, com base nas diretrizes estabelecidas nas
Plenárias;

aprovar os Termos de Referência para a contratação do corpo técnico do PMX;

discutir outros assuntos de ordem estratégica para o Programa.

O Conselho Deliberativo deve se reunir em Altamira a cada 6 meses. Porém, reuniões


extraordinárias podem ser agendadas, assim como esta periodicidade pode ser ajustada de
acordo com o processo de implementação do Programa.

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Comitê Indígena:

Em relação à representatividade indígena, considerando que ainda não existe nenhuma


estrutura de governança (organização, associação ou conselho) que envolva todos os povos
do Médio Xingu, o ideal é que seja institucionalizado pelo PMX um “Comitê Indígena”, que seria
o responsável pela participação oficial dos povos indígenas no Conselho Deliberativo do PMX e
pelo acompanhamento da execução do Programa, participando em reuniões, planejamentos e
outros de seus eventos gerais.

O critério também deve ser o de representantes por cada uma das aldeias da região
(atualmente 26 aldeias), além de representantes das famílias indígenas moradoras de Altamira,
da VGX e do trecho entre Altamira e a Cachoeira do Jabuti. Os representantes indígenas
devem ser indicados pelas Plenárias Comunitárias e é para elas que devem prestar contas.
Podem ter um caráter rotativo, ou seja, dependendo da deliberação das Plenárias, o
representante no Comitê pode ser alterado a qualquer momento.

Outras Instâncias:

No âmbito do PMX devem ser criados também a Comissão Externa de Acompanhamento e


Avaliação. Integrariam esta Comissão um representante do Ministério Público Federal de
Altamira; um representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira (COIAB) e representantes de organizações da sociedade civil não indígenas que
atuem no médio Xingu. Dentre as atribuições desta Comissão destacam-se:

analisar as prestações de contas dos recursos aplicados na execução das ações do


PMX;

avaliar os relatórios de Perícia Contábil Independente, que podem eventualmente ser


contratada pelo PMX;

analisar os resultados alcançados com o desenvolvimento das ações do Programa, seja


através de relatórios de atividades e avaliações independentes eventualmente
contratadas ou visitas nas comunidades para averiguação in loco dos projetos;

recomendar ajustes na gestão e/ou nos projetos consubstanciados nos Planos de


Trabalho Anuais do PMX.

Com a indicação e composição do Conselho Deliberativo do Programa Médio Xingu os seus


membros deverão instituir o Regimento Interno, definindo claramente as normas de
funcionamento das instâncias de gestão e implementação do Programa.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Organograma das Instâncias Deliberativos

NESA

FUNAI Conselho Comitê


indígena
Deliberativo

Equipe
técnica

Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias


comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias

Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias


comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias

Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias


comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias

Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias


comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias

Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias Plenárias


comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias comunitárias

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

3.3.4. Mecanismos de Monitoramente e Assessoria Estratégica

É importante que o Programa contemple a consolidação de Sistema de Monitoramento e


Avaliação permanente, para assegurar a boa aplicação dos recursos e qualidade dos
resultados dos projetos.

A base deste sistema deve ser proporcionada pela orientação estratégica mais ampla do PMX,
proporcionada por sua Matriz Lógica, bem como seus objetivos gerais e metas e indicadores
para cada um dos Eixos Temáticos - Programas.

Este sistema, baseado nas premissas do monitoramento participativo, deve aliar qualidade no
acompanhamento, mas ao mesmo tempo ser apropriado e factível.

O processo de monitoramento participativo deverá ser implementado de forma a propiciar a


coleta de informações que permitam o acompanhamento permanente das ações e atividades
estratégicas desenvolvidas no âmbito do PMX. Será desenvolvido um conjunto de atividades e
a adoção de instrumentos específicos. Os resultados do monitoramento participativo serão
fundamentais para a apreciação do Conselho Deliberativo, do Conselho Fiscal e Comitê de
Avaliação, e em particular, para as discussões durante as Plenárias Comunitárias, sobre os
resultados alcançados com o desenvolvimento das ações e atividades estratégicas do
Programa.

O monitoramento participativo permitirá também a adoção de medidas corretivas capazes de


solucionar os possíveis problemas de execução do Programa. A avaliação permitirá identificar
os resultados alcançados e os impactos gerados a partir da implementação do Programa, por
meio de:

- relatórios técnicos periódicos, que sistematizem as informações referentes ao


andamento das atividades;

- relatórios financeiros mensais padronizados, com regras claras para a aplicação dos
recursos;

- visitas de acompanhamento técnico das atividades no local.

A Matriz apresentada a seguir sintetiza estes instrumentos, seus responsáveis, a periodicidade


e a finalidade principal.

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_____________________________________________________________________________________________

Tabela 9- Instrumentos de monitoramento

Instrumento Responsáveis Período Finalidade Principal

Assistentes - Sistematizar informações sobre a


técnicos, mas execução das atividades programadas e
Relatório identificação dos ajustes necessários.
consolidadas pelo Trimestral
Técnico
Coordenador - Base para análise do Conselho
Técnico Deliberativo.
- Apresentar a prestação de contas da
Coordenador aplicação dos recursos financeiros
Administrativo, mas repassados para a execução das atividades
Relatório sob programadas.
Mensal
Financeiro responsabilidade
do Coordenador - Base para Auditoria Contábil e
geral acompanhamento e análise do Conselho
Deliberativo.
- Verificar a regularidade da aplicação dos
recursos financeiros aplicados no
desenvolvimento das atividades
Relatório da programadas.
Consultoria
Perícia Semestral - Produzir parecer contábil sobre a aplicação
Independente
Contábil dos recursos.
- Base complementar para
acompanhamento e análise do Conselho
Deliberativo.
- Produzir uma reflexão independente sobre
os resultados obtidos com a implementação
do Programa e realizar avaliação de
Relatório de Consultoria resultados.
Anual
Avaliação Independente - Propor recomendações para um melhor
alcance dos resultados do Programa.
- Base para avaliação do Conselho
Deliberativo e planejamentos anuais.

3.4. Procedimentos gerais da gestão administrativo-financeira do PMX

A execução do PMX implicará na realização de uma vasta gama de atividades, assim como na
movimentação de um expressivo volume de recursos, o que demandará um sistema de
gerenciamento administrativo e financeiro complexo e eficiente.

Na prática, o formato exato deste sistema, dependerá da política institucional e do formato


organizacional mais adequado para a NESA. Porém, é possível vislumbrar ao menos 2
cenários, detalhados na sequência, indicando os aspectos positivos e negativos associados.

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_____________________________________________________________________________________________

O importante é frisar a necessidade de que as decisões estratégicas sobre a aplicação destes


recursos seja balizada pelo documento base do PMX (formalizado no PBA-CI/PMX) e nas
decisões tomadas em conjunto pelo Comitê Deliberativo (NESA, FUNAI e Comitê Indígena).

Além disso, é preciso garantir também mecanismos claros para o acompanhamento da


execução financeira do Programa, através de prestações de conta e acesso transparente às
informações.

3.4.1. Cenários

A) Toda a gerência administrativo-financeira do PMX fica no escritório da NESA/SAI em


Brasília – neste cenário, aprovado o Plano de Trabalho Anual (PTA) pelo Conselho Deliberativo
em Altamira, o Coordenador Geral repassa o orçamento de custos para o superintendente da
SAI que, por meio do Coordenador Administrativo do PMX, o executará. Como este orçamento
geral estará organizado por aldeia/ linha temática, é possível ter-se um resumo executivo total
por elemento de despesa, de forma que se possa realizar as compras de forma global, com
pagamento direto ao fornecedor de bens e serviços.

Exemplo do PTA:

Aldeia Paquiçamba – Linha Temática Educação e Cultura – Ações - ... construção de xxm2 de
classes escolares – custos mão-de-obra e materiais.

Aldeia Koatinemo – Linha Temática Educação e Cultura – Ações - ... construção de xxm2 de
classes escolares – custos mão-de-obra e materiais.

E assim para todos os elementos dos diversos Projetos. Os técnicos auxiliares da


Coordenação Administrativa locados em Altamira fazem as devidas tomadas de preços ou
licitações para o global destes serviços e materiais que, analisados e aprovados pelo
Coordenador Geral, são encaminhados por este à SAI para os procedimentos de contratação e
pagamento direto aos fornecedores.

B) Toda a equipe da Coordenação Administrativa do PMX fica locada em Altamira e os


repasses da NESA/SAI são feitos tri ou semestralmente para a conta do PMX de Altamira de
acordo com os PTAs, e os procedimentos, anteriormente descritos, são operados localmente.

O cenário A) diminue os custos da NESA e ao mesmo tempo assegura o controle financeiro


global do PMX em uma instância (a SAI). O cenário B), por outro lado, diminue a burocracia e
agiliza os procedimentos para a execução das ações.

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3.5. Prazo e Orçamento

O horizonte de planejamento do PMX deve coincidir com o horizonte temporal do PMX,


inicialmente, de 35 anos.

Quanto aos recursos, o conjunto de projetos a serem elaborados pelos coordenadores de


Eixos Temáticos deve apresentar uma previsão geral, que vai ser determinante para o
dimensionamento mais preciso dos custos do PMX.

Outro ponto importante é definir um grande aporte inicial de recursos para o PMX, por parte da
NESA, garantindo seu funcionamento por pelo menos 5 anos. Isso dará maior tranqüilidade à
Coordenação Executiva, funcionamento das atividades programdas e consolidação do PMX.

- Recursos: É preciso estimar, ainda que preliminarmente, o quadro de funcionários e a


infraestrutura de gestão geral do PMX, para se ter uma previsão geral do custo de
gestão/administração. Essa previsão, entretanto, depende muito dos programas construídos
pelos Eixos temáticos. Recomenda-se que os valores globais do PMX sejam previamente
acordados com a NESA e FUNAI, para que não se gere futuros impasses depois do programa
finalizado pela equipe de consultoria.

3.6. Responsáveis técnicos pela elaboração

Gilberto Azanha
Antropólogo, M.Sc.

Cássio Inglez de Sousa


Administrador de empresa e Antropólogo, M.Sc.

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4. PROGRAMA DE FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL

4.1 Introdução e Justificativas

O Fortalecimento Institucional das organizações indígenas, sejam elas associações,


cooperativas, ou outras, tradicionais ou institucionalmente formalizadas, emergiu como
demanda dos povos indígenas da região impactada pelo AHE BM e foi incorporado como
recomendação da Equipe Técnica responsável pelos EIAs, em especial das TIs Arara da VGX,
Juruna do km 17, Paquiçamba e Trincheira Bacajá, além dos índios de Altamira e da VGX,
fazendo parte dos Planos, Programas e Projetos adequados a cada TI. Com relação às
demais TIs, o EIA - CI não apresenta detalhadamente as demandas para um PFI, o que foi
feito durante a oficina com lideranças indígenas para a elaboração participativa do PMX.

Os estudos feitos também assinalam a importância de se criar condições para assegurar a


participação indígena no PBA e nas diferentes etapas de sua implementação.

Nesse sentido, ”sugeriu-se a formação de uma Comissão Gestora dos Planos Indígenas,
formada tão logo a LP seja emitida, com vistas a viabilizar a execução das condicionantes da
FUNAI e do IBAMA. A comissão terá como finalidade apoiar e acompanhar o andamento do
planejamento, a implementação dos programas e projetos propostos para a população
indígena, bem como acompanhar e realizar o monitoramento dos programas estabelecidos.
Terá o poder de interferir, por ocasião da identificação de problemas, especialmente no que se
refere à não execução, execução parcial das atividades propostas e necessidade de
readequação de atividades ou projetos. Será composta por representantes indígenas,
empreendedor, FUNAI e pela Coordenação Técnica, tendo assim caráter consultivo e
deliberativo”.

Ainda, no mesmo Parecer 21, a FUNAI recomenda criar um Comitê Gestor Indígena para
controle e monitoramento das ações referentes aos Programas, que inclua mecanismos de
acompanhamento, preferencialmente nas TIs, além de treinamento e capacitação, com ampla
participação das comunidades (pg. 97).

Nesta perspectiva, o PBA-CI/PMX prevê um PFI e Direitos Indígenas destinado aos índios que
vivem nas áreas de influência da UHE BM, como uma de suas prioridades. Este plano inclui 2
programas:

1. Programa de Fortalecimento das Instituições Indígenas, que tem como objetivos:

Apoio à estruturação de associações indígenas;

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Capacitação das comunidades para o desenvolvimento e gestão de projetos,


associativismo e cooperativismo, prestação e controle de contas, direitos indígenas,
etc.;

Troca de experiências entre associações indígenas;

Fomento ao desenvolvimento de parceria com a FUNAI para solução de problemas de


regularização de terras, ampliação de limites e outros.

2. Programa de Acompanhamento da Implementação dos Planos, Programas e Projetos


Ambientais e Etnoecológicos, que tem por objetivo a garantia da implementação das
medidas propostas no EIA e no PBA, com o acompanhamento dessa pelas populações
indígenas.

Para que a participação indígena no Acompanhamento da Implementação dos Planos,


Programas e Projetos Ambientais e Etnoecológicos seja efetiva, além da escolha dos
representantes dos respectivos povos, é preciso capacitá-los para que possam participar de
forma qualificada, dando-lhe instrumentos para a compreensão dos planos, projetos e
programas, relatórios e demais informações sobre sua implementação. Também é
fundamental que as comunidades indígenas sejam informadas, avaliem e façam propostas
durante todo o período de execução para que a representação não seja apenas formal, mas
sim que os integrantes do Comitê Indígena seja, de fato, porta-vozes de suas comunidades.

Além das formas tradicionais de organização e tomada de decisões, que devem ser
dinamizadas com reuniões e assembléias para acompanhar e avaliar ações relativas ao PBA e
outros financiadores, cabe às organizações indígenas um importante papel na implementação
da participação indígena no Comitê Gestor Indígena, no acompanhamento, execução e gestão
de atividades de geração de renda, processos de diagnóstico e planejamento da gestão do
território e participação em instâncias consultivas ou deliberativas de políticas fundamentais
como educação e saúde, entre outras. São estas organizações, através dos membros eleitos
pela comunidade, que fazem “a ponte” entre as culturas indígenas e não indígena, tornando
acessível a seus pares, os códigos da chamada sociedade envolvente e, ainda, tornam
compreensível a seus interlocutores governamentais e privados, o modo de pensar e a vontade
do povo a quem representam.

É reconhecida a fragilidade organizacional e política formal nas TIs a serem impactadas pela
UHE BM. No que diz respeito às associações indígenas, em alguns casos, estas foram criadas
sem sequer ter-se definido seu propósito. No estudo recente “Análise de Sinergia com Plano e
Programas para a Região do Xingu” foram mapeadas 15 associações indígenas, sendo que
apenas 2 se encontram com documentação regular, 4 não possuem os registros necessários,
funcionando informalmente, 7 estão inadimplentes e de 2 não foram obtidas informações neste
sentido.

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De forma geral, no Brasil as associações indígenas acumulam os múltiplos papéis, tais como:
reivindicação e participação em conselhos consultivos e deliberativos de políticas públicas;
gestão de projetos financiados por órgãos governamentais e privados (preservação ambiental,
revitalização da cultura tradicional, atividades produtivas, etc); interlocução com diferentes
atores que de alguma forma se relacionam com os povos indígenas ou impactam seus
territórios (incluindo grandes Empreendimentos como estradas, usinas hidrelétricas, LT, etc).

Para desempenhar seu papel à contento, as associações devem estar legalizadas e com
condições operacionais e políticas, de acordo com o estabelecido no Código Civil. Uma
associação não é somente uma sede e uma licença de funcionamento. Ainda é preciso
identificar e formar lideranças e quadros intermediários para atender a diferentes funções.
Para empreender ações no sentido de garantir direitos em uma situação adversa é preciso
desenvolver capacidades de avaliar o contexto de forma crítica e criativa, de escolher parcerias
e criar habilidades para decisões, de promover a sinergia na TI e de articulação com outras TIs.

Faz-se necessário um diagnóstico mais apurado, das condições de funcionamento de cada


uma dessas associações, além da identificação das demandas por outras associações que
representem povos ou aldeias que ainda não possuem sua organização formal. As atividades
econômicas em andamento ou planejadas demandam, em alguns casos, uma organização
mais adequada, como a cooperativa, por exemplo.

É sensível a precariedade de informações e a pouca compreensão dos índios a respeito das


características, exigências e formas de funcionamento desses tipos de organização e um
mínimo de domínio sobre o tema é necessário para que possam decidir pela forma mais
adequada a seus objetivos e seu gerenciamento após criadas. Oficinas ou cursos rápidos não
são suficientes para que assimilação, incorporação desses conhecimentos e capacitação, uma
vez que são formas de organizações muito distantes de sua cultura tradicional. Assim, é
necessário dar continuidade aos aprendizados dos cursos, com acompanhamento e
assistência técnica durante a formulação e execução de procedimentos administrativos e
processos de gestão, até que os indígenas estejam mais familiarizados e aptos à auto-gestão.

Tanto a associação como a cooperativa são organizações coletivas, de forma que o fomento
de processos participativos com toda a comunidade ou comunidades precisa ser orientado
para ser eficaz. Se eficaz, contribui ainda, para diminuir o distanciamento cultural, tornando
tais organizações mais orgânicas e menos estranhas a esses povos.

A troca de experiências, inclusive através de intercâmbios para conhecimento de experiências


bem sucedidas entre os povos indígenas, é uma ferramenta metodológica de grande
importância para que seus efeitos sejam multiplicados e gerem um círculo virtuoso de
fortalecimento de um conjunto de organizações. Da mesma forma, a articulação com outras
organizações governamentais e ONGs da região poderá potencializar a atuação de todas.

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Assim, o fortalecimento organizacional, transversal a todo o PBA, será essencial para a


consecução dos objetivos dos diferentes componentes do PMX ao longo de todo o período.

Este Programa conta com plano inicial de atividades e uma previsão orçamentária de 5 anos,
devendo ter continuidade após esse período, uma vez que a dinâmica da organização social,
política e econômica destes povos exigirá aprimoramento constante de suas organizações, que
enfrentarão, a cada momento, desafios diferentes e mais complexos, necessitando de estrutura
física, material, organizacional e administrativa condizente.

Ao final deste primeiro período, após avaliação dos resultados alcançados, deverão ser
encaminhados processos participativos de planejamento para a etapa seguinte, conforme
descrito no item metodologia.

4.2. Objetivos

4.2.1. Objetivo Geral

Fortalecer as associações e demais organizações indígenas para atuar, de maneira efetiva e


qualificada, na consecução de seus objetivos de defesa dos direitos e melhoria da qualidade de
vida dos povos que representam.

4.2.2. Objetivos Específicos

1. Capacitar os integrantes indígenas para participar, de forma qualificada, no Comitê


Indígena do PMX;

2. Favorecer a articulação nas aldeias ou TIs, VGX e Altamira, para manter ativa a
interlocução com o Comitê Indígena;

3. Diagnosticar a situação legal e organizacional das associações existentes e as demandas


para o fortalecimento dessas organizações;

4. Orientar os dirigentes e viabilizar a regularização legal das associações;

5. Fortalecer a participação dos povos indígenas nos conselhos de políticas públicas (saúde,
educação, UCs, etc.);

6. Construir, de forma participativa, os Planos de Vida dos povos indígenas em suas terras, na
VGX e em Altamira;

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7. Capacitar equipes dos diferentes povos indígenas e associações sobre associativismo,


cooperativismo, diagnóstico, planejamento, diferentes formas de captação de recursos,
elaboração e gestão de projetos, organizações e Empreendimentos comunitários;

8. Orientar o processo de criação de novas associações e cooperativas;

9. Facilitar processos in loco de fortalecimento e dar apoio à estruturação das organizações


de forma a que tenham uma governança e funcionamento eficientes, eficazes e
transparentes na consecução de seus objetivos;

10. Estimular a troca de experiências de desenvolvimento institucional entre as organizações


indígenas e a sua atuação em rede;

11. Fomentar parcerias com órgãos governamentais e organizações da sociedade civil para a
consecução de objetivos comuns;

12. Planejar, de forma participativa, a continuidade do PFI.

4.3. Metodologia

O PFI tem um forte caráter de capacitação. É fundamental para que as organizações


indígenas se fortaleçam, que seus dirigentes, funcionários e demais envolvidos se apropriem
das formas de organização, funcionamento, exigências legais, administrativas e financeiras e
como torná-las ferramentas eficientes e eficazes na defesa dos direitos e melhoria da
qualidade de vida dos povos que representam. “Associação é como uma ferramenta de
trabalho - mas é ferramenta de trabalho dos brancos, que precisa ser melhor entendida pelos
indígenas para que possa usá-la corretamente e se fortaleçam cada vez mais”. Isso só será
possível se os próprios indígenas conquistarem, pelo conhecimento e prática, a autonomia na
gestão de suas organizações.

Um dos pressupostos metodológicos é o da participação, entendida aqui como um processo


mediante o qual se toma parte no planejamento, na produção, na gestão e no usufruto dos
benefícios gerados ou conseguidos por uma comunidade. Para tanto, é preciso melhorar as
condições na tomada de decisão e ações coletivas, elevar a corresponsabilidade dos atores
sociais com relação às atividades dos projetos e Empreendimentos e aperfeiçoar as formas de
articulação e representação de interesses. Outro pressuposto é o do respeito e valorização
das formas tradicionais de organização dos povos indígenas envolvidos nos processos
decisórios e execução de atividades. Associações, cooperativas e conselhos já são por si só,
formas organizativas estranhas àquelas culturas. Segundo Gersem Luciano, índio Baniwa do
Alto Rio Negro-AM, “Cada comunidade ou povo indígena apresenta sua organização social,
política, econômica e jurídica própria. Não existe um modelo único. As organizações
tradicionais seguem orientações e regras de funcionamento e de controle social a partir das

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tradições de cada povo. Isso permite às organizações tradicionais uma dinâmica, uma
agilidade e uma flexibilidade próprias. As decisões são tomadas de forma coletiva ou por meio
de acordos entre os subgrupos que compõem o povo.“ É preciso, no máximo possível,
incorporar esses mecanismos tradicionais às novas formas de organização para que estas
façam sentido e funcionem efetivamente para esses povos.

Por fim, as associações, cooperativas, conselhos gestores de programas e de políticas


públicas, entre outros, como a gestão territorial e o desenvolvimento de atividades econômicas,
devem ser entendidos como novos mecanismos para a conquista da subsistência em suas
terras, em um novo contexto criado pelo contato forçado desses povos com a sociedade não
indígena. Tradicionalmente, têm a sua forma de organização e gestão de seu território
garantindo, de forma autônoma, sua subsistência. O contato trouxe não só novas demandas
de produção e consumo, como também novas exigências de conhecimento e competências de
negociação. “O desafio é recuperar a auto-estima e a capacidade de auto-sustentação, a partir
dos conhecimentos tradicionais e dos recursos naturais e humanos locais, eventualmente
complementados pelos conhecimentos e tecnologias do mundo moderno.”

Neste sentido, as organizações indígenas cumprem um importante papel no planejamento,


implementação, monitoramento e avaliação das ações de outros Programas, tais como o de
Saúde, Educação, Gestão Territorial e Atividades Produtivas. Assim, os trabalhos previstos
para o PFI devem ser integrados e realizados por equipes multidisciplinares deste e de outros
programas, de forma a desenvolver ações conjuntas nas comunidades indígenas, otimizando
os resultados.

Atividade: Participação no Comitê Indígena do PMX

Ação: Reuniões com os conselheiros indígenas para explicar o PBA, o


funcionamento do Comitê Indígena e como acompanhar a implementação dos
Programas

As reuniões serão feitas pelo técnico do Programa com os representantes indígenas do Comitê
Indígena do PMX. Será apresentado e explicado o PBA-CI/PMX e o funcionamento do Comitê
Indígena para orientar os participantes indígenas quanto à forma de acompanhar e intervir,
quando necessário, na implementação do Programa. Sendo representantes de seus povos,
devem fazer o papel de “tradutores” para os seus pares, sobre o que vem sendo discutido no
Comitê e, ao mesmo tempo, para o Comitê, levando a forma de pensar e os desejos de suas
comunidades.

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Ação: Reuniões por aldeia, Altamira e VGX para explicar o PBA e o funcionamento
do Comitê e definir como a comunidade vai monitorar e opinar na implementação
dos Programas

Para que os integrantes do Comitê Indígena sejam de fato representantes de seus povos, os
técnicos do Programa deverão ser facilitadores do processo de articulação em que as
comunidades recebam e discutam as informações sobre a implementação do PBA e, sua
avaliação chegue ao Comitê. O número de participantes e mecanismos de participação
deverão ser definidos de acordo com a tradição de cada povo ou outra maneira indicada pelas
lideranças tradicionais de cada comunidade. Por isso, o papel dos técnicos não é o de levar
uma forma de organização pronta e exógena, mas partindo da organização tradicional de cada
povo, ajudá-los a criar ou utilizar seus mecanismos próprios de participação.

Atividade: Participação em Conselhos

Ação: Identificar os Conselhos que têm representantes indígenas

Os técnicos do Programa deverão pesquisar junto aos demais Programas do PMX, órgãos
governamentais e mesmo às lideranças indígenas, sobre os Conselhos de políticas públicas
que os indígenas têm assento ou tem direito a ter e não estão participando por
desconhecimento ou negação do direito por parte do órgão ou instância de governo. A
participação em Conselhos é uma forma privilegiada de controle social, intervenção e
reivindicação de políticas públicas. Sempre que necessário, os indígenas devem ser alertados
sobre a importância dessa participação de forma qualificada.

Ação: Oficinas por TI, Altamira e VGX sobre o funcionamento do Estado Brasileiro
e os Conselhos em que os índios têm assento

É muito freqüente a participação formal de representantes indígenas em Conselhos, sem que


isso resulte em uma intervenção efetiva e melhoria do atendimento dessas políticas públicas
para suas comunidades, por falta de conhecimento da legislação e dos seus direitos, da forma
de funcionamento de cada Conselho e timidez diante do comportamento mais assertivo de
outros integrantes. Os técnicos do Programa, juntamente com técnicos dos Programas
relacionados às políticas públicas em questão, como Saúde, Educação, entre outros, devem
sensibilizar as lideranças e comunidades e agendar as oficinas previamente, definindo também
quem são as pessoas que devem participar. Tal contato preliminar e conhecimento das
pessoas e região facilita a logística para o especialista facilitador da oficina, onde deverão ser
fornecidas as informações iniciais para compreensão da estrutura do Estado Brasileiro, dos
Conselhos e a importância da participação indígena, utilizando-se linguagem simples e com o
máximo de interatividade - duração de 2 dias e carga horária de 16 horas.

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Ação: Reuniões para capacitar os integrantes indígenas para participação


qualificada nos Conselhos

As reuniões serão feitas por um técnico do Programa e técnicos de outros Programas que
tratam especificamente da política pública em questão, quando for o caso, e com os
representantes indígenas de cada Conselho. Serão apresentados e debatidos a legislação
específica e o regimento interno do Conselho para que os indígenas possam participar, de
forma qualificada, acompanhando e intervindo, quando necessário, na implementação e/ou
melhoria do serviço. Sendo representantes de seus povos, devem fazer o papel de
“tradutores” para os seus pares do que vem sendo discutido no Comitê e, ao mesmo tempo,
para o Comitê, levando a forma de pensar e os desejos de suas comunidades.

Ação: Favorecer a articulação nas TIs, Altamira e VGX para manter ativa a
interlocução com os Conselhos

Para que os integrantes dos Conselhos sejam de fato representantes de seus povos, os
técnicos do Programa deverão ser facilitadores de um processo de articulação em que as
comunidades recebam e discutam as informações sobre a implementação das referidas
políticas públicas e que sua avaliação chegue até os Conselhos. O número de participantes e
os mecanismos de participação deverão ser definidos de acordo com a tradição de cada povo
ou outra maneira indicada pelas lideranças tradicionais de cada comunidade ou povo. Por
isso, o papel dos técnicos não é o de levar uma forma de organização pronta e exógena, mas
partindo da organização tradicional de cada povo, ajudá-los a criar ou utilizar seus mecanismos
próprios de participação.

Atividade: Elaboração participativa do Plano de Vida

Ação: Oficinas por aldeia, na VGX e em Altamira para a elaboração participativa


do Plano de Vida

O processo de elaboração dos Planos de Vida de cada TI, Altamira e VGX deverá ser iniciado
após a conclusão dos diagnósticos etnoambientais pelo PGTI. Os técnicos do Programa
deverão articular, em cada aldeia, a realização da oficina, que serão moderadas por um
especialista. Os aspectos a serem contemplados devem ser definidos pelos próprios indígenas
que, de forma participativa, apresentarão sua perspectiva futura e estratégias de como atingí-
la. Técnicos de outros Programas do PBA deverão participar do processo de planejamento e
elaboração dos Planos de Vida, que contemplarão as temáticas dos diferentes Programas,
contribuindo para os debates e sistematização. Os participantes serão definidos, conforme o
costume e tradição local, em acordo com as lideranças. Cada oficina terá a duração de 2 dias,
com 16 horas de trabalho.

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Ação: Seminários por TI, VGX e Altamira para a validação do Plano de Vida

Elaborados os Planos de Vida de cada aldeia ou localidade, um oficina em cada TI, Altamira e
VGX deverá ser realizada para consolidar e validar o referido Plano. Também os seminários
deverão contar com a participação ativa de técnicos dos demais Programas do PMX. O Plano
de Vida resultará na base para o planejamento das atividades futuras de cada comunidade.
Cada seminário deverá ter a duração de 2 dias, com 16 horas de trabalho. O número de
participantes será definido em conjunto com o especialista, utilizando critérios próprios de cada
povo.

Atividade: Diagnóstico e regularização das Associações existentes

Ação: Visitas a cada uma das 15 Associações existentes (10 formalizadas e 5 não
formalizadas) para análise documental e conversa com as lideranças

Esta será a primeira atividade da rotina que os técnicos do Programa terão nas Associações,
em seu processo de fortalecimento. Depois de feitos contatos preliminares, se reunirão com os
dirigentes de cada organização, em sua sede ou outro local onde estejam os documentos da
Associação para fazer sua análise e identificar pendências cartoriais ou com órgãos fiscais e
trabalhistas. Deverão também fazer um breve diagnóstico da situação organizacional da
Associação: atuação dos dirigentes, organização da equipe interna, procedimentos
administrativos, funcionamento do Conselho Fiscal, quando houver, regularidade de reuniões
da Diretoria, Conselho e associados, práticas de diagnóstico, planejamento, avaliação e
prestação de contas, uma vez que práticas de deliberação coletiva e prestação de contas para
a comunidade devem fazem parte da essência deste tipo de organização. Este breve
diagnóstico documental e organizacional será o ponto de partida para as atividades futuras de
assessoria a serem executadas pela equipe de técnicos. A equipe local da FUNAI, integrantes
da Coordenação Técnica Local de Etnodesenvolvimento e Gestão Ambiental da Coordenação
Regional-PA, sediada em Altamira, já iniciou o trabalho de regularização fiscal de algumas
Associações. Devem ser consultados os passos dados e planejar em conjunto os passos
seguintes, de forma a otimizar os esforços do PMX e do órgão indigenista.

Ação: Reuniões com as lideranças, contador e órgãos oficiais e encaminhamento


dos processos de regularização legal das Associações

Esta atividade é uma continuidade da anterior, no sentido de esclarecer os dirigentes das


Associações sobre as obrigações legais não cumpridas e dar os encaminhamentos
necessários para a solução. O contador da Associação deve ser integrado a esta ação. Caso
a Associação não tenha contratado um, o técnico do Programa deve alertar os dirigentes sobre
essa necessidade. Considerando que a capacitação é um forte componente do Programa e o

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empoderamento das lideranças indígenas uma condição para o fortalecimento dessas


organizações, o técnico deve orientar e acompanhar os responsáveis nos processos de
regularização. Nunca fazê-lo sozinho ou à revelia dos dirigentes indígenas, que devem
participar ativamente das decisões. Esta atividade deve ser oportunidade para familiarização
com as exigências e formas de negociação com os órgãos oficiais. Processos de
fortalecimento organizacional devem ser sugeridos, mas não impostos, respeitando “o tempo”
de cada liderança ou povo, ou seja, o momento e a forma mais adequados para a efetivação
desses processos.

Atividade: Fortalecimento/criação de Associações e Cooperativas

Ação: Uma oficina em cada TI, na VGX e para os moradores de Altamira sobre
aspectos legais e organizacionais de Associações e Cooperativas

Boa parte das TIs, além dos moradores em Altamira, possui pelo menos uma Associação. Em
alguns casos existe a perspectiva de criação de cooperativas como forma de viabilizar
atividades produtivas. É imperioso que essas formas de organização sejam bem conhecidas
antes da decisão pela sua criação. É comum que Associações sejam criadas sem que a sua
natureza e funcionamento sejam adequadamente explicados. As oficinas, a serem facilitadas
por especialistas, com apoio e participação dos técnicos do Programa, terão a importância de
melhorar a compreensão dos associados e dirigentes das Associações existentes e tornar mais
claros e qualificados os processos de criação de novas organizações. Os participantes
deverão ser em número não maior que 30 pessoas, escolhidas a partir de critérios próprios de
cada aldeia ou povo. A duração será de 3 dias e 24 horas de trabalho.

Ação: Uma oficina em cada Associação sobre diagnóstico, planejamento e


captação de recursos

Esta oficina será voltada aos dirigentes e funcionários das Associações, para lideranças e
jovens que julguem importante a formação para assumir futuros postos em suas organizações.
Durante os contatos preliminares para agendar as oficinas, os técnicos do Programa devem
aproveitar para alertar as lideranças e comunidades, sobre a importância estratégica do
diagnóstico e planejamento participativo, antes da elaboção de projetos e realização das
ações. Este contato preliminar sensibiliza e facilita a logística. A oficina será estruturada em 3
momentos: diagnóstico (identificação de potenciais e problemas); planejamento (programação
do futuro com base no presente) e captação de recursos (atração; conquista com trabalho e
esforço). Serão apresentadas e praticadas ferramentas de Diagnóstico Rápido Participativo,
que podem ser apropriadas com relativa facilidade e executadas sem grandes despesas por
pessoas das comunidades. No que se refere ao planejamento, deve-se fazer um exercício de

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reflexão, com base do resultado do Diagnóstico, para definir as prioridades, limites e potenciais
da organização para implementar as propostas e, se as atividades realmente vão levar aos
resultados esperados. Sobre a captação de recursos deve-se sensibilizar os participantes que
não é somente o dinheiro que se constitui em recursos para realizar planos e projetos, sendo
que antes de buscar financiamento, devem considerar: a) o levantamento dos recursos
próprios da comunidade, já existentes e que pode ser gerados pela comunidade, com
criatividade (ex.: pequenas mensalidades pagas pelos associados, em especial os
assalariados, etc.); b) a realização de parcerias com outras organizações que apoiam a causa
indígena e podem oferecer recursos, muitas vezes não financeiros; c) os financiamentos serão
necessários para custear o que falta. O número de participantes não deverá exceder 30 em
cada oficina e sua duração será de 5 dias, perfazendo 40 horas.

Ação: Uma oficina em cada Associação sobre gestão de Associações, projetos e


Empreendimentos comunitários

Voltada também para os dirigentes e funcionários das Associações, lideranças e jovens, deve
preferencialmente contemplar o mesmo grupo participante da oficina anterior, de maneira a
constituir um grupo de gestores com uma formação sobre os vários aspectos relevantes deste
tipo de organização. Deverá ser baseada em metodologias participativas e apresentar
atividades práticas, pautadas no cotidiano das Associações. Muito se fala da importância da
gestão para as Associações, mas na prática, pouco tempo (da parte de lideranças e dirigentes)
e recursos (da parte de financiadores) se dedica à esta atividade, muitas vezes invisível, mas
fundamental para a sustentabilidade das Associações e Cooperativas, como também para o
sucesso de Empreendimentos comunitários produtivos, culturais ou outros. Desse modo, nos
contatos preliminares para agendar as oficinas, os técnicos do Programa devem sensibilizar as
lideranças e comunidades sobre a importância da gestão para que se alcance a
sustentabilidade das organizações, projetos e Empreendimentos, criando as condições para a
construção da autonomia dessas organizações. Nas Associações é necessário que o gestor
esteja preparado para orientar e acompanhar a gestão dos recursos humanos, materiais e
financeiros e ter total transparência sobre as atividades realizadas e os recursos utilizados,
sendo um administrador dos recursos da Associação e um representante da sua comunidade e
não o dono da Associação. Práticas de deliberação coletiva e prestação de contas à
comunidade devem ser mantidas e valorizadas. Executar um projeto, considerando todo o seu
ciclo e de forma participativa com a comunidade, é um grande aprendizado de diagnóstico,
planejamento, negociação, gestão, discussão e decisão comunitária, além do relacionamento
com técnicos, organizações apoiadoras e financiadoras, que propicia um fortalecimento da
comunidade, das lideranças e da própria Associação e capacitação prática dos gestores

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indígenas. O número de participantes não deverá exceder 30 em cada oficina e sua duração
será de 5 dias, perfazendo 40 horas.

Ação: Reuniões com lideranças e comunidade para definição de objetivos e


estrutura de funcionamento, elaboração de estatuto, realização de assembléia e
legalização de associações e cooperativas demandadas pelos povos indígenas

A realização dessas reuniões está condicionada à demanda pela criação de associações ou


cooperativas por lideranças de uma ou mais aldeias ou grupo de moradores de Altamira e
VGX. Diferente do que ocorre em boa parte dos casos, um amplo processo de discussão deve
definir os elementos básicos que as constituem e que devem estar expressos no Estatuto
Social. Mais do que uma formalidade, o momento de elaboração do Estatuto deve ser de
ampla discussão e pactuação entre aqueles que se dispõe a fundar a Associação para definir
sua atuação e funcionamento, processo este que será facilitado pelos técnicos do Programa,
que também acompanharão e contribuirão para a realização da assembléia de fundação e
registros necessários.

Devem ser valorizadas, sempre que possível, as formas tradicionais de tomada de decisão e de
organização para a execução de atividades. O conhecimento do Código Civil, no que se refere
a constituição e funcionamento das associações é fundamental para que se possa conciliar as
exigências para a criação e funcionamento das associações, estranhas à cultura indígena, das
quais não se pode fugir, com um formato para deliberação, gestão e funcionamento da
Associação baseado na cultura tradicional. Assim, os próprios associados saberão como fazê-
la funcionar, pois tais processos serão análogos ao modo tradicional de organização e ação.

O número de reuniões, sua duração e de participantes será de acordo com cada grupo
envolvido, uma vez que é fundamental que as deliberações sejam tomadas após exaustivo
esclarecimento e discussão entre os participantes.

Ação: Consultorias de 5 dias para cada Associação e suas comunidades a cada 2


meses

Os processos de formação em cursos e oficinas tem o limite de apenas simular a realidade.


Em muitos casos, lideranças e jovens indígenas declaram ter aprendido no curso, mas não se
sentem seguros a implementar em sua comunidade ou Associação, o que se aprendeu. Essas
consultorias tem o caráter de capacitação em serviço, onde processos administrativos ou
organizacionais serão orientados pelos técnicos do Programa, dando cada vez mais
empoderamento e segurança para a execução do aprendizado. Para que isso ocorra, é muito
importante que o técnico mantenha sua postura de facilitador e não de executor das atividades.

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Neste sentido, a duração limitada de cada consultoria contribui para que não seja criada uma
dependência em relação à sua atuação.

Este trabalho deverá ser feito dentro da rotina de funcionamento das Associações e
direcionados às pessoas diretamente envolvidas com a atividade em questão, quando se tratar
de ações relacionadas aos processos administrativos ou organizacionais internos das
Associações. O mesmo procedimento deve ser adotado quando se tratar de atividades a
serem desenvolvidas nas aldeias para aprimorar a participação dos associados.

Ação: Aluguel ou compra de sede, equipamentos e materiais para o


funcionamento das Associações, definidos em conjunto com os dirigentes da
Associação

Criação de um fundo anual para a aquisição de infraestrutura, móveis, equipamentos e


materiais para o bom funcionamento das Associações. O momento da aquisição e a dimensão
das instalações, equipamentos e materiais a serem adquiridos devem ser decididos pelos
dirigentes das organizações e lideranças, sob a orientação dos técnicos do Programa. Essas
aquisições não devem ser entendidas como objetivo, nem demonstração do fortalecimento das
organizações, mas apenas como condições materiais necessárias para o desenvolvimento de
suas atividades. Devem ser estimuladas formas próprias de captação de recursos para suprir
essas necessidades. O uso deste apoio deve ser feito em situações em que a necessidade é
premente e as outras possibilidades não se apresentem em curto prazo.

Ação: Um encontro a cada dois anos (anos 1, 3 e 5) com os dirigentes de


organizações para trocas de experiências e definição de ações conjuntas

A troca de experiências é uma forma privilegiada de aprendizado e estímulo para o


fortalecimento institucional. Ao serem relatadas em um encontro onde os palestrantes são as
próprias lideranças indígenas, possibilita não só a socialização de estratégias que deram certo,
como promovem condições concretas de fortalecimento da auto confiança e empoderamento.
Com tal ferramenta, é possível evitar a repetição de erros, ao mesmo tempo em que os
resultados positivos podem indicar novos caminhos. Por outro lado, neste espaço também os
dirigentes podem debater soluções para problemas comuns, com troca de reflexões de acordo
com suas vivências e, a partir daí, procurarem soluções adequadas às suas necessidades e
possibilidades. As trocas de experiências também colaboram para que haja mais interação e
inter-relação entre as TIs, o que se constitui em um fator de fortalecimento de sua organização.
Devem participar por volta de 3 dirigentes das organizações e lideranças. A pauta deve ser
definida em conjunto com os indígenas e a duração de cada encontro será de 3 dias. Os
encontros serão moderados pelos técnicos do Programa.

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Ação: Um intercâmbio a cada ano para conhecimento de uma experiência


significativa em gestão de organização indígena

As atividades de intercâmbio constituem-se em uma modalidade de troca de experiências,


onde um grupo se desloca para outra comunidade, a fim de vivenciar uma experiência exitosa.
Aprendem não só ouvindo a história do sucesso (como se organizaram, como conseguiram e
administraram os recursos, etc) mas também compartilhando, por um período, a prática de
implementação e gestão da experiência. A troca de experiências também se constitui em um
poderoso fator de etnodesenvolvimento. Dependendo do objetivo do intercâmbio, programas
como o de Atividades Produtivas, Saúde, Educação e Gestão Territorial poderão compartilhar a
atividade. Cabe aos técnicos planejar juntamente com as lideranças indígenas e acompanhar
o intercâmbio e, ao final, avaliar com os participantes, os resultados obtidos. Participarão de
cada intercâmbio, 2 representantes de cada organização.

Atividade: Criação de espaços públicos socioambientais

Ação: Reuniões para formação e funcionamento de espaços públicos de


articulação das organizações da sociedade civil, incluindo as indígenas, órgãos
do governo e iniciativa privada, em cada cidade da região, para discussão e
definição de ações conjuntas de desenvolvimento sustentável

Em vários lugares do Brasil a criação desses espaços tem trazido grandes avanços na gestão
compartilhada de municípios ou regiões, precedidos por negociações entre os diferentes atores
sociais, provocando uma aproximação entre setores conflitantes e garantindo uma
continuidade das políticas públicas. Na estrutura organizacional em rede - horizontal – todos
têm o mesmo poder de decisão. Não há dirigentes nem dirigidos, ou os que mandam mais e
os que mandam menos. Todos têm o mesmo nível de responsabilidade, que se transforma em
co-responsabilidade, na realização dos objetivos da rede. Os técnicos do Programa devem
estimular as lideranças indígenas sobre a importância desta estratégia, viabilizar os contatos
necessários e moderar ao menos os primeiros encontros. Deverão ser feitas reuniões
bimestrais com a presença de 1 técnico e uma liderança indígena de cada TI.

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Atividade: Planejamento da continuidade do PMX

Ação: Oficinas por aldeia, VGX e Altamira para planejamento da continuidade do


PMX

Os planos também têm um ciclo de vida. Na última etapa é avaliado se o projeto mudou a
realidade como havia sido planejado. A nova realidade trazida por esse conjunto de ações
mostra outros problemas a serem resolvidos e conquistas a serem feitas, o que dará origem a
um novo processo, a um novo Ciclo de Vida do Plano. Além disso, a própria evolução do
Empreendimento pode apresentar novos desafios. Esses elementos serão a matéria prima
para se construir o PMX dos próximos 5 anos.

Os Planos de Vida, elaborados de forma participativa, deverão orientar esses próximos passos.
Os técnicos do Programa deverão articular a realização dessas oficinas junto às lideranças
indígenas e moderar a sua realização. O número de pessoas será definido pelas lideranças de
cada aldeia. A sua duração também será definida com as lideranças. Técnicos de todos os
programas participarão da organização e execução desta ação.

Ação: Encontro com lideranças das aldeias, VGX e Altamira para a validação do
Plano

Dois representantes das aldeias, de Altamira e VGX se reunirão durante 3 dias para apresentar
seus respectivos planejamentos para que sejam consolidados e validados, sob a moderação
dos técnicos do Programa e com a presença da Coordenação geral e dos Coordenadores dos
Programas. Dessa forma, será elaborada uma estratégia regional, que contemplará também
as particularidades e anseios das diferentes comunidades.

Monitoramento e Avaliação

Os técnicos contratados para os cursos e oficinas apresentarão seus relatórios logo após a
realização dos mesmos. Os técnicos do Programa apresentarão à Coordenação, relatórios
mensais relatando as atividades realizadas e os resultados alcançados. Durante a realização das
atividades, os técnicos deverão avaliar, de forma contínua, o andamento e os resultados
alcançados, em conjunto com os indígenas participantes, de forma a orientar os passos da
sequência. Com base nos relatórios, o Coordenador do Programa deverá orientar os técnicos
quanto à estratégia de trabalho a ser adotada e os resultados alcançados, tendo em vista as
metas estabelecidas.

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O Coordenador do Programa deverá verificar in loco o andamento dos trabalhos, pelo menos uma
vez/ano em cada TI, Altamira e VGX, acompanhando o trabalho dos técnicos, conversando com
dirigentes das organizações, lideranças e instituições parceiras.

Semestralmente, o Coordenador do Programa se reunirá com a equipe de técnicos para a


avaliação, tendo como base as metas e indicadores definidos, devendo ser elaborado um relatório
de execução do Programa. No 4º ano será feita uma avaliação geral do Programa para a aferição
do cumprimento das metas estabelecidas, sendo elaborado um relatório consolidado.

4.4. Base Legal e Normativa

Não existe legislação específica que regulamente ou normatize a realização de atividades de


fortalecimento de organizações indígenas. A criação e funcionamento de Associações e
Cooperativas devem ser regidos pela legislação que contempla qualquer população ou grupo
no território nacional:

Constituição Federal de 1988 (CF);

Código Civil Brasileiro;

Código Tributário Nacional;

Normas Brasileiras de Contabilidade;

Normas específicas da Organização das Cooperativas Brasileiras e da Organização das


Cooperativas Brasileiras – Pará.

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4.5. Atividades a serem desenvolvidas:

Atividade: Participação no Comitê Indígena do PMX


Responsáveis pelas ações Interface com
outros
Prazo/etapa do
Público Programas
Ações Metas Indicadores Empreendiment Equipe Técnica
Alvo Parceiros e/ou Projetos
o (empreendedor) do PMX e
PBA
Reuniões com os conselheiros Todos os Presença e Integrantes 5 primeiros anos PFI. FUNAI.
indígenas para explicar o PBA- integrantes intervenção dos do a partir da LI
CI/PMX, o funcionamento do indígenas do integrantes Conselho
Comitê Indígena e como Comitê Indígena indígenas nas Gestor do
acompanhar a implementação participando de reuniões do PMX.
dos Programas. forma qualificada. Comitê
Indígena.
Reuniões por aldeia, Altamira As 26 aldeias, Número de Indígenas 5 primeiros anos PFI. FUNAI.
e VGX para explicar o PBA- moradores de presentes nas das aldeias, a partir da LI.
CI/PMX e o funcionamento do Altamira e da VGX reuniões, Altamira e
Comitê e definir como a articulados, compreensão e VGX.
comunidade vai monitorar e acompanhando e intervenção na
opinar na implementação dos interferindo na implementação
Programas. implementação dos dos Programas
programas através do PMX.
de seus
representantes.

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Atividade:Participação em Conselhos
Responsáveis pelas ações Interface com
outros
Prazo/etapa do
Público Programas
Ações Metas Indicadores Empreendimen Equipe Técnica
Alvo Parceiros e/ou Projetos
to (empreendedor) do PMX e
PBA
Identificar os Todos os Conselhos Porcentagem Lideranças 5 primeiros anos PFI. FUNAI. Programas de
Conselhos que tem identificados. de Conselhos e a partir da LI. Saúde e
representantes Identificados. conselheiro Educação.
indígenas. s indígenas.
Oficinas por TI, Comunidades indígenas Número de A critério 5 primeiros anos PFI. FUNAI. Programas de
Altamira e VGX esclarecidas sobre o comunidades das a partir da LI. Saúde e
sobre o funcionamento do Estado indígenas lideranças Educação.
funcionamento do Brasileiro, a inserção dos capacitadas. indígenas.
Estado Brasileiro e Conselhos nessa estrutura e
os Conselhos em como os índios podem
que os índios tem participar da implementação
assento. de políticas públicas.
Reuniões para Todos os Conselheiros Participação e Integrantes 5 primeiros anos PFI. FUNAI. Programas de
capacitar os capacitados. interferência indígenas a partir da LI. Saúde e
integrantes dos dos Educação.
indígenas para conselheiros na Conselhos.
participação implementação
qualificada nos de políticas
Conselhos. públicas.
Favorecer a As 26 aldeias, moradores de Participação e A critério 5 primeiros PFI. FUNAI. Programas de
articulação nas TIs, Altamira e da VGX interferência das anos a partir da Saúde e
Altamira e VGX para articulados, acompanhando e das lideranças LI. Educação.
manter ativa a interferindo na comunidades na indígenas.
interlocução com os implementação das políticas implementação
Conselhos. públicas na região. de políticas
públicas.

103
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Atividade: Elaboração participativa do Plano de Vida


Responsáveis pelas ações Interface com
Prazo/etapa do outros
Público
Ações Metas Indicadores Empreendimen Equipe Técnica Programas
Alvo Parceiros
to (empreendedor) e/ou Projetos
do PMX e PBA
Oficinas por aldeia, Planos de Vida Número de A critério 5 primeiros PFI. FUNAI. Todos os
na VGX e em construídos de oficinas das anos a partir da Programas do
Altamira para a forma participativa realizadas e de lideranças LI. PMX.
elaboração nas TIs, Altamira e participantes. indígenas.
participativa do VGX.
Plano de Vida.
Seminários por TI, Planos de Vida Número de A critério 5 primeiros PFI. FUNAI. Todos os
VGX e Altamira para construídos de Planos de Vida das anos a partir da Programas do
a validação do forma participativa elaborados. lideranças LI. PMX.
Plano de Vida. nas TIs, Altamira e indígenas.
VGX.

104
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Atividade: Diagnóstico e regularização das Associações existentes


Responsáveis pelas ações Interface com
outros
Prazo/etapa do Programas
Ações Metas Indicadores Público Alvo Equipe Técnica
Empreendimento Parceiros e/ou Projetos
(empreendedor) do PMX e
PBA
Diagnóstico das Diagnóstico Número de Dirigentes das 5 primeiros anos a PFI. FUNAI.
15 Associações realizado em Associações Associações. partir da LI.
existentes (10 todas as diagnosticadas.
formalizadas e 5 Associações
não formalizadas) indígenas da
para análise região.
documental e
conversa com as
lideranças.
Reuniões com as Todas as Número de Dirigentes das 5 primeiros anos a PFI. FUNAI.
lideranças, Associações com Associações organizações. partir da LI.
contador e a documentação regularizadas.
órgãos oficiais e regularizada.
encaminhamento
dos processos de
regularização
legal das
Associações.

105
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Atividade: Fortalecimento/criação de Associações e Cooperativas


Responsáveis pelas ações Interface com
outros
Prazo/etapa do
Ações Metas Indicadores Público Alvo Equipe Técnica Programas
Empreendimento Parceiros
(empreendedor) e/ou Projetos
do PMX e PBA
Uma oficina em Equipes indígenas Número de A critério das 5 primeiros anos PFI. FUNAI.
cada TI, na VGX e de todas as TIs e participantes lideranças a partir da LI.
para os moradores das Associações nas oficinas. indígenas.
de Altamira sobre capacitadas em
aspectos legais e Associativismo,
organizacionais de Cooperativismo.
Associações e
Cooperativas.
Uma oficina em Equipes indígenas Número de Dirigentes e 5 primeiros anos PFI. FUNAI.
cada Aldeia sobre de todas as TIs e participantes funcionários a partir da LI.
diagnóstico, das Associações nas oficinas. das
planejamento e capacitadas em Associações,
captação de diagnóstico, lideranças e
recursos. planejamento, jovens.
diferentes formas
de captação de
recursos.
Uma oficina em Equipes indígenas Número de Dirigentes e 5 primeiros anos PFI. FUNAI. PAP.
cada Aldeia sobre de todas as TIs e participantes funcionários a partir da LI.
gestão de das Associações nas oficinas. das
Associações, capacitadas em Associações,
projetos e gestão de projetos, lideranças e
Empreendimentos organizações e jovens.
comunitários. Empreendimentos
comunitários.

106
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Reuniões com lideranças Associações ou Porcentagem de A critério das 5 primeiros anos PFI. FUNAI.
e comunidade para a Cooperativas demandas por lideranças a partir da LI.
definição de objetivos e demandadas criação de indígenas.
estrutura de pelas Associações e
funcionamento, comunidades Cooperativas
elaboração de estatuto, indígenas criadas atendidas.
realização de assembléia e regularizadas.
e legalização de
Associações e
Cooperativas
demandadas pelos povos
indígenas.
Consultorias de 5 dias Associações e Número de Dirigentes e 5 primeiros anos PFI.
para cada Associação e Cooperativas Associações e funcionários a partir da LI.
suas comunidades a cada funcionando com Cooperativas das
2 meses. maior eficiência, desenvolvendo Associações
eficácia e atividades, atingindo e
transparência. objetivos, com associados,
funcionamento conforme o
regular de seus caso.
órgãos deliberativos
e consultivos e com
compromissos em
dia.
Aluguel ou compra de Todas as Número de Dirigentes e 5 primeiros anos PFI.
sede, equipamentos e Associações com associações com funcionários a partir da LI.
materiais para estrutura física, estrutura física, das
funcionamento das equipamentos e equipamentos e Associações
Associações, definidos materiais materiais adequados e lideranças
em conjunto com os adequados ao ao seu
dirigentes da Associação. seu funcionamento.
funcionamento.

107
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Um encontro a cada 2 Fortalecimento Intensidade e Dirigentes de 5 primeiros PFI. FUNAI.


anos (anos 1, 3 e 5) com Institucional freqüência das trocas organizações anos a partir
os dirigentes de potencializado pela de experiências e indígenas. da LI.
organizações para trocas troca de experiências e atuação conjunta das
de experiências e pela atuação em rede. organizações
definição de ações indígenas.
conjuntas.
Um intercâmbio a cada Fortalecimento Intensidade e Dirigentes de 5 primeiros PFI.
ano para conhecimento Institucional freqüência das trocas organizações anos a partir
de uma experiência potencializado pelo de experiências e indígenas. da LI.
significativa em gestão de conhecimento de novas atuação conjunta das
organização indígena. experiências bem organizações
sucedidas. indígenas.

Atividade: Criação de espaços públicos socioambientais


Responsáveis pelas ações Interface
com outros
Indicadore Público Prazo/etapa do Programas
Ações Metas Equipe Técnica
s Alvo Empreendimento Parceiros e/ou
(empreendedor) Projetos do
PMX e PBA
Reuniões para formação e Espaços públicos de Número de Lideranças 5 primeiros anos a PFI. FUNAI.
funcionamento de espaços desenvolvimento espaços e atores partir da LI.
públicos de articulação das sustentável criados públicos sociais do
organizações da sociedade e atuantes na criados e município
civil, incluindo as indígenas, implementação de atuantes. ou região.
órgãos do governo e iniciativa ações conjuntas
privada em cada cidade da entre a sociedade
região, para discussão e civil, iniciativa
definição de ações conjuntas privada e órgãos
de desenvolvimento governamentais.
sustentável.

108
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Atividade: Planejamento da continuidade do PMX


Responsáveis pelas ações Interface com
outros
Prazo/etapa do Programas
Ações Metas Indicadores Público Alvo Equipe Técnica
Empreendimento Parceiros e/ou Projetos
(empreendedor) do PMX e
PBA
Oficinas por aldeia, Planejamento dos anos Número de A critério das 5 primeiros anos a PFI. FUNAI. Todos os
VGX e Altamira seguintes do PFI oficinas lideranças partir da LI. Programas do
para planejamento elaborado realizadas e indígenas. PMX.
da continuidade do participativamente. de
PMX. participantes.
Encontro com Planejamento dos anos Plano Representantes 5 primeiros anos a PFI. FUNAI. Programas de
lideranças das seguintes do PMX elaborado e das aldeias. partir da LI. Atividades
aldeias, VGX e elaborado participação Produtivas,
Altamira para a participativamente. das Saúde e
validação do comunidades Educação.
Plano. indígenas
efetivadas.

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4.6. Elementos de custo

Elementos de custo
Atividade: Coordenação
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviço de terceiro Construção
Civil
Coordenador do Programa, Sênior, com nível superior
Monitoramento in loco das na área de humanas ou administração, com amplo 10 passagens aéreas para Altamira.
atividades desenvolvidas pelo conhecimento e experiência em desenvolvimento 65 deslocamentos para as TIs, e VGX.
Programa. institucional e comunitário, em especial com povos Alimentação para 200 dias.
indígenas, durante toda a execução do Programa.
100 passagens aéreas para São Paulo.
Reuniões com a equipe para 200 diárias de hospedagem.
monitoramento e avaliação. 200 diárias de alimentação.
Local para as 10 reuniões, 2 dias cada.

Elementos de custo
Atividade: Participação no Comitê Indígena do PMX
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviço de terceiro Construção
Civil
Deslocamento dos conselheiros para Altamira.
10 técnicos, júnior, com nível superior na área de Cópias resumidas do PMX e material sobre o
Reuniões com os conselheiros humanas ou administração, com conhecimento e funcionamento do Comitê Indígena.
indígenas para explicar o PBA, experiência em desenvolvimento institucional e Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
o funcionamento do Comitê comunitário, em especial com povos indígenas, por 20 atômicos).
Indígena e como acompanhar a dias/mês em campo, para o desenvolvimento das 10 Lap tops e 10 Data Shows (a serem utilizados
implementação dos Programas. atividades junto às organizações e comunidades nas diversas reuniões e oficinas).
indígenas, durante toda a execução do Programa. Hospedagem.
Alimentação.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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25 deslocamentos dos técnicos para as aldeias e


Reuniões por aldeia, Altamira e VGX.
VGX para explicar o PBA e o Cópias resumidas do PMX e material sobre o
funcionamento do Comitê e funcionamento do Comitê Indígena.
definir como a comunidade vai
monitorar e opinar na Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
implementação dos Programas. atômicos).
Alimentação para os técnicos.

Elementos de custo
Atividade: Participação em Conselhos
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviço de terceiro Construção
Civil
10 técnicos, júnior, com nível superior na área de
humanas ou administração, com conhecimento e
Identificar os Conselhos experiência em desenvolvimento institucional e
que tem representantes comunitário, em especial com povos indígenas, por
indígenas. 20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das
atividades junto às organizações e comunidades
indígenas, durante toda a execução do Programa.
1 técnico júnior com nível superior na área de
humanas, preferencialmente sociologia ou ciências
políticas, com amplo conhecimento sobre a estrutura
13 deslocamentos do especialista e um dos técnicos
e funcionamento do Estado Brasileiro, políticas
da equipe para as TIs e VGX.
Oficinas por TI, Altamira e públicas e controle social para as oficinas sobre este
tema. Cópias de materiais de consulta e trabalho a serem
VGX sobre funcionamento indicados pelo facilitador.
do Estado Brasileiro e os 10 técnicos, júnior, com nível superior na área de
Conselhos em que os Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
humanas ou administração, com conhecimento e atômicos).
índios tem assento. experiência em desenvolvimento institucional e
Alimentação para os técnicos e participantes da
comunitário, em especial com povos indígenas, por
oficina (2 dias cada).
20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das
atividades junto às organizações e comunidades
indígenas, durante toda a execução do Programa.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

10 técnicos, júnior, com nível superior na área de Deslocamento dos conselheiros para Altamira.
humanas ou administração, com conhecimento e Cópias de materiais de consulta e trabalho sobre as
Reuniões para capacitar os
experiência em desenvolvimento institucional e políticas públicas e regimentos dos conselhos.
integrantes indígenas para
comunitário, em especial com povos indígenas, por
participar, de forma Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das
qualificada, dos Conselhos. atômicos).
atividades junto às organizações e comunidades
indígenas, durante toda a execução do Programa. Hospedagem e alimentação.

10 técnicos, júnior, com nível superior na área de 65 deslocamentos dos técnicos para as aldeias e
humanas ou administração, com conhecimento e VGX.
Favorecer a articulação nas Cópias de materiais de consulta e trabalho sobre as
experiência em desenvolvimento institucional e
TIs, Altamira e VGX para políticas públicas e regimentos dos Conselhos.
comunitário, em especial com povos indígenas, por
manter ativa a interlocução
20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
com os Conselhos.
atividades junto às organizações e comunidades atômicos).
indígenas, durante toda a execução do Programa. Alimentação para os técnicos.

Elementos de custo
Atividade: Elaboração participativa do Plano de Vida
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviço de terceiro Construção
Civil
10 técnicos, júnior, com nível superior na área de 26 deslocamentos dos técnicos para as aldeias e
humanas ou administração, com conhecimento e VGX.
Oficinas por aldeia, na VGX
experiência em desenvolvimento institucional e
e em Altamira para a Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
comunitário, em especial com povos indígenas, por
elaboração participativa do atômicos).
20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das
Plano de Vida. Alimentação para os técnicos e participantes (2 dias
atividades junto às organizações e comunidades
indígenas, durante toda a execução do Programa. em cada local).
10 técnicos, júnior, com nível superior na área de
humanas ou administração, com conhecimento e 13 deslocamentos dos técnicos para as TIs e VGX.
Seminários por TI, VGX e experiência em desenvolvimento institucional e Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
Altamira para a validação comunitário, em especial com povos indígenas, por atômicos).
do Plano de Vida. 20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das Alimentação para os técnicos e participantes (2 dias
atividades junto às organizações e comunidades em cada local).
indígenas, durante toda a execução do Programa.

112
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Elementos de custo
Atividade: Diagnóstico e regularização das Associações existentes
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviço de terceiro Construção
Civil
10 técnicos, júnior, com nível superior na área de
Visitas a cada uma das 15
humanas ou administração, com conhecimento e
Associações existentes (10 13 deslocamentos dos técnicos para as
experiência em desenvolvimento institucional e
formalizadas e 5 não aldeias e VGX.
comunitário, em especial com povos indígenas, por
formalizadas) para análise
20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das Alimentação para os técnicos.
documental e conversa com as
atividades junto às organizações e comunidades
lideranças.
indígenas, durante toda a execução do Programa.
10 técnicos, júnior, com nível superior na área de
humanas ou administração, com conhecimento e
experiência em desenvolvimento institucional e Deslocamento das lideranças para
Reuniões com as lideranças, comunitário, em especial com povos indígenas, por Altamira.
contador e órgãos oficiais e 20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das Hospedagem.
encaminhamento dos atividades junto às organizações e comunidades
processos de regularização Alimentação.
indígenas, durante toda a execução do Programa. Pagamento de taxas, multas e outras
legal das Associações.
despesas para a regularização.
Contratação de escritório de contabilidade para as
Associações que não os tiver.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Elementos de custo
Atividade: Fortalecimento/criação de Associações e Cooperativas
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviço de Construção
terceiro Civil
Uma oficina em cada TI, na VGX e 10 técnicos, júnior, com nível superior na área de 13 deslocamentos dos técnicos para as
para os moradores de Altamira humanas ou administração, com conhecimento e TIs e VGX.
sobre aspectos legais e experiência em desenvolvimento institucional e Cópias de materiais para consulta e
organizacionais de Associações e comunitário, em especial com povos indígenas, por trabalho.
Cooperativas. 20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das Materiais (papel, caneta, papel craft,
atividades junto às organizações e comunidades pincéis atômicos).
indígenas, durante toda a execução do Programa.
Alimentação para os técnicos e
participantes (3 dias em cada local).
Uma oficina em cada Associação Um técnico júnior, com nível superior na área de
sobre diagnóstico, planejamento e humanas ou administração, com conhecimento e 13 deslocamentos dos técnicos para as
captação de recursos. experiência em processos de diagnóstico e TIs e VGX.
planejamento comunitários para as oficinas sobre
este tema. Cópias de materiais para consulta e
trabalho.
Materiais (papel, caneta, papel craft,
Um técnico júnior, com nível superior na área de pincéis atômicos).
humanas ou administração, com conhecimento e
experiência em captação de recursos, incluindo Alimentação para os técnicos e
elaboração de projetos, para as oficinas sobre este participantes (5 dias em cada local).
tema.
Uma oficina em cada Associação 13 deslocamento dos técnicos para as
sobre gestão de Associações, TIs e VGX.
projetos e Empreendimentos Um técnico com nível superior na área de humanas Cópias de materiais para consulta e
comunitários. ou administração, com conhecimento e experiência trabalho.
em gestão administrativa e financeira de
Associações, Cooperativas e Empreendimentos Materiais (papel, caneta, papel craft,
comunitários, para as oficinas sobre este tema. pincéis atômicos).
Alimentação para os técnicos e
participantes (5 dias em cada local).

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Reuniões com lideranças e Deslocamento dos técnicos para as TIs e


10 técnicos, júnior, com nível superior na área de
comunidade para a definição de VGX.
humanas ou administração, com conhecimento e
objetivos e estrutura de Cópias de materiais para consulta e
experiência em desenvolvimento institucional e
funcionamento, elaboração de trabalho.
comunitário, em especial com povos indígenas, por
estatuto, realização de assembléia
20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das Materiais (papel, caneta, papel craft,
e legalização de Associações e
atividades junto às organizações e comunidades pincéis atômicos).
Cooperativas demandadas pelos
indígenas, durante toda a execução do Programa. Alimentação.
povos indígenas.
10 técnicos, júnior, com nível superior na área de
humanas ou administração, com conhecimento e 600 passagens aéreas para os técnicos
Consultorias de 5 dias para cada experiência em desenvolvimento institucional e dos Programas até Altamira.
Associação e suas comunidades a comunitário, em especial com povos indígenas, por 450 deslocamentos dos técnicos para as
cada 2 meses. 20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento das TIs e VGX.
atividades junto às organizações e comunidades Alimentação para os técnicos.
indígenas, durante toda a execução do Programa.
Aluguel ou compra de sede (a serem
Aluguel ou compra de sede, doados para as Associações, no caso de
equipamentos e materiais compra).
necessários para o funcionamento Mesas, cadeiras e arquivos (a serem
das Associações, definidos em doados para as Associações).
conjunto com os dirigentes da Computadores e impressoras (a serem
Associação. doados para as Associações).
Materiais de escritório.
135 deslocamentos de lideranças para
Um encontro a cada 2 anos (anos Altamira.
1, 3 e 5) com os dirigentes de 405 diárias de hospedagem.
organizações para trocas de 3 técnicos da equipe já citada na atividade anterior
experiências definição de ações 430 diárias de alimentação.
conjuntas. Materiais (papel, caneta, papel craft,
pincéis atômicos).
Um intercâmbio a cada ano para 165 Passagens aéreas e terrestres.
conhecimento de uma experiência
825 diárias de hospedagem.
significativa em gestão de
organização indígena. 825 diárias de alimentação.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Elementos de custo
Atividade: Criação de espaços públicos socioambientais
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviço de Construção
terceiro Civil
Reuniões para formação e funcionamento 10 técnicos, júnior, com nível superior na área de 480 deslocamento dos técnicos
de espaços públicos de articulação das humanas ou administração, com conhecimento e lideranças para as cidades.
organizações da sociedade civil, incluindo experiência em desenvolvimento institucional e 480 diárias de alimentação.
as indígenas, órgãos do governo e comunitário, em especial com povos indígenas, por
iniciativa privada, em cada cidade da 20 dias/mês em campo, para o desenvolvimento
região, para discussão e definição de das atividades junto às organizações e
ações conjuntas de desenvolvimento comunidades indígenas, durante toda a execução
sustentável. do Programa.

Elementos de custo
Atividade: Planejamento da continuidade do PMX
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviço de terceiro Construção
Civil
13 deslocamento dos técnicos para as TIs e VGX
Cópias de materiais para consulta e trabalho
Oficinas por aldeia, VGX e Altamira para
planejamento da continuidade do PMX. Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
atômicos)
Equipe de técnicos já citada na Alimentação para os técnicos e participantes
atividade anterior Deslocamento de 50 lideranças para Altamira.
Encontro com lideranças das aldeias, Cópias de materiais para consulta e trabalho.
VGX e Altamira para a validação do Materiais (papel, caneta, papel craft, pincéis
plano atômicos).
186 diárias (hospedagem/alimentação)

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

4.7. Cronograma

PROJETO
Ano/Semestre
Atividades Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano XX
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
Atividade: Participação no Comitê Indígena do PMX
Reuniões com os conselheiros indígenas para explicar o
PBA, o funcionamento do Comitê Indígena e como
acompanhar a implementação dos Programas.
Reuniões por aldeia, Altamira e VGX para explicar o PBA e o
funcionamento do Comitê e definir como a comunidade vai
monitorar e opinar na implementação dos Programas.
Atividade: Participação em Conselhos
Identificar os Conselhos que tem representantes indígenas.
Oficinas por TI, Altamira e VGX sobre funcionamento do
Estado Brasileiro e os Conselhos em que os índios tem
assento.
Reuniões para capacitar os integrantes indígenas para
participar, de forma qualificada, dos Conselhos.
Favorecer a articulação nas TIs, Altamira e VGX para manter
ativa a interlocução com os Conselhos.
Atividade: Elaboração participativa do Plano de Vida
Oficinas por aldeia, na VGX e Altamira para a elaboração
participativa do Plano de Vida.
Seminários por TI, VGX e Altamira para a validação do Plano
de Vida.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Atividade: Diagnóstico e regularização das Associações


existentes
Visitas a cada uma das 15 Associações existentes (10
formalizadas e 5 não formalizadas) para análise documental
e conversa com as lideranças.
Reuniões com as lideranças, contador e órgãos oficiais e
encaminhamento dos processos de regularização legal das
Associações.
Atividade: Fortalecimento/criação de Associações e
Cooperativas
Uma oficina em cada TI, na VGX e para os moradores de
Altamira sobre aspectos legais e organizacionais de
Associações e Cooperativas.
Uma oficina em cada Associação sobre diagnóstico,
planejamento e captação de recursos.
Uma oficina em cada Associação sobre gestão de
Associações, projetos e Empreendimentos comunitários.
Reuniões com lideranças e comunidade para a definição de
objetivos e estrutura de funcionamento, elaboração de
estatuto, realização de assembléia e legalização de
Associações e Cooperativas demandadas pelos povos
indígenas.
Consultorias de 5 dias para cada Associação e suas
comunidades a cada 2 meses.
Aluguel ou compra de sede, equipamentos e materiais
necessários para o funcionamento das Associações,
definidos em conjunto com os dirigentes da Associação.
Um encontro a cada 2 anos (anos 1, 3 e 5) com os dirigentes
de organizações para trocas de experiências definição de
ações conjuntas.
Um intercâmbio a cada ano para conhecimento de uma
experiência significativa em gestão de organização indígena.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Atividade: Criação de espaços públicos socioambientais


Reuniões para formação e funcionamento de espaços
públicos de articulação das organizações da sociedade civil,
incluindo as indígenas, órgãos do governo e iniciativa
privada, em cada cidade da região, para discussão e
definição de ações conjuntas de desenvolvimento
sustentável.
Atividade: Planejamento da continuidade do PMX
Oficinas por aldeia, VGX e Altamira para planejamento da
continuidade do PMX.
Encontro com lideranças das aldeias, VGX e Altamira para a
validação do Plano.

119
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

4.8. Responsáveis técnicos pela elaboração

José Strabeli
Cientista Social

Hilda Fadiga
Estatística e Cientista Social

120
PROGRAMA MÉDIO XINGU - PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE
_____________________________________________________________________________________________

5. PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO PARA NÃO INDÍGENAS

5.1. Introdução e Justificativa

A AAR da UHE BM compreende uma região onde estão localizadas 11 TIs e 1 AI, além dos
índios de Altamira e da VGX. Desta maneira, as populações indígenas da região estarão
sujeitas, ao longo de todo o ciclo de vida do Empreendimento, aos seus impactos diretos e
indiretos.

Estudos demográficos demonstraram que 96.000 pessoas serão mobilizadas pelo


Empreendimento e possivelmente 74.000 (77%) serão migrantes atraídos de outros municípios
e Estados. Serão 5 os municípios (Altamira, Vitória do Xingu, Anapu, Senador José Porfírio e
Brasil Novo) que deverão receber o maior contingente populacional migrante, o que significa,
de acordo com contagem populacional do IBGE - 2007, um incremento populacional total de
48% nessa área. Destes, um percentual significativo será de pessoas diretamente alocadas
nas obras no auge da demanda de operários e, a grande maioria, será de pessoas que atuarão
indiretamente, em especial no ramo de comércio e serviços, além do quadro especializado de
profissionais técnicos a serem envolvidos na adoção das medidas preventivas, mitigadoras e
compensatórias do Empreendimento, realizando as ações nos 11 Programas previstos 3 ,
durante a execução do PBA-CI/PMX.

Este significativo incremento populacional na região ocasionará uma série de impactos


negativos na dinâmica socioeconômica e ambiental regional, na qual os povos indígenas
tendem a ser mais vulneráveis no transcorrer deste processo. As diferentes aldeias indígenas,
apesar de apresentarem especificidades entre si, possuem em comum o fato de constituírem
dinâmica social e produtiva divergente das particularidades da sociedade dominante, em
função de sua íntima relação com a terra e seus recursos naturais e o universo cultural
singular, aspectos esses que contribuem de maneira significativa para a construção de sua
identidade.

3
Os referidos Programas são: PISI, PEEI, PFI, PGTI, PIE, PAP, PPC, PSA, PG, PRR, PCI e o presente
PCNI.

121
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Inserido em tal contexto, o presente Programa, tem como premissa a informação e orientação
da nova comunidade que conviverá na região Xinguana quanto aos possíveis impactos
conseqüentes das singularidades culturais a que serão expostos os povos indígenas com a
chegada da população migrante e trabalhadores da UHE BM na região, além do convívio
intenso com os técnicos que implementarão os programas compensatórios. Como exemplo,
riscos por exposição a vícios sociais (álcool e jogos), doenças infectocontagiosas, escassez de
recursos naturais e conflitos interétnicos nas áreas ocupadas, dentre outros

Frente ao exposto, o referido Programa justifica-se como forma de mitigar e compensar os


possíveis impactos negativos de ordem socioeconômica e ambiental nas comunidades
indígenas da região, por meio de medidas preventivas de formação e informação para a
população migrante, mão-de-obra e técnicos da UHE BM.

5.2. Objetivos

5.2.1. Objetivo Geral

Conscientizar a população migrante, mão-de-obra contratada pela UHE BM e técnicos


implementadores do PBA-CI/PMX, acerca das particularidades que envolvem as organizações
sociais, econômicas, políticas, e culturais dos povos indígenas da região.

5.2.2. Objetivos Específicos

Informar a população migrante, os trabalhadores da UHE BM e os técnicos do PBA-


CI/PMX, sobre os direitos (constitucionais ou não) dos povos indígenas a respeito de
suas terras e recursos naturais;

Prevenir a população migrante, trabalhadores da UHE BM e técnicos do PBA-CI/PMX,


quanto às consequências da exposição das populações indígenas a vícios sociais;

Prevenir a população migrante, trabalhadores da UHE BM e técnicos do PBA-CI/PMX,


quanto as consequências associadas à ocupação de territórios indígenas;

Prevenir a população migrante, trabalhadores da UHE BM e técnicos do PBA-CI/PMX,


quanto à ilegalidade da exploração de recursos naturais utilizados pela população
indígena, assim como os conflitos gerados pelo seu uso;

Prevenir a população migrante, trabalhadores da UHE BM e técnicos do PBA-CI/PMX,


quanto aos riscos de transmissão de doenças infectocontagiosas às populações
indígenas;

122
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Prevenir conflitos, contribuindo com o bom andamento social e econômico das obras do
Empreendimento e com a convivência pacífica entre a população indígena e não
indígena.

5.3. Metodologia

5.3.1. Público-Alvo

Serão dois os públicos-alvo enfocados de maneira distinta ao longo do Programa:

População Migrante

Este Programa deverá atuar de maneira mais pontual com esse contingente populacional pela
informação acerca dos principais aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais dos povos
indígenas da região.

Mão-de-Obra contratada

Para o dimensionamento do número de pessoas que participarão do Programa, no que diz


respeito ao público-alvo, mão-de-obra absorvida, adota-se os cálculos estabelecidos pelo
Programa de Capacitação de Mão-de-Obra, no qual se trabalha com a variação de mão-de-
obra por nível e/ano, demandada pelo Empreendimento.

Desse modo, é prevista a formação de 18.6974 pessoas, ao longo dos 3 primeiros anos de
implantação do Empreendimento, conforme demonstrado a seguir.

Tabela 10- Demanda por formação:

Nível/Ano 1 2 3 Total
N1 2.095 2839 1049 5.983
N2 2.946 3993 1475 8.414
N3 753 1020 377 2150
N4 524 710 262 1496
N5 144 195 72 411
N6 85 115 43 243
Total Anual 6.547 8872 3278 18.697

Após os 3 primeiros anos, as variações de mão-de-obra passam a ser negativas


(desmobilização de pessoal), devendo então ser consideradas a partir do quarto ano apenas as
formações oriundas da Rotatividade Anual de Empregados.

4
O número total de 18.697 pessoas a passar pelo Curso de Introdução à Temática Indígena pode sofrer
acréscimo de até 9.233 formações em função da estimativa de Rotatividade Anual de Empregados, bem
como acréscimo ainda não definido, em função de técnicos de trabalhos de campo que possivelmente
terão contato direto com povos indígenas.

123
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Para fins da formação prevista neste Programa será necessária a formação relativa aos
aspectos indigenistas para todos os níveis profissionais da mão-de-obra absorvida pelo
Empreendimento (N1 a N6). Serão trabalhadas, com este público-alvo, além da formação
presencial em sala de aula (descrita a seguir), também as informações de caráter mais pontual
pela distribuição de cartilhas.

Técnicos do PBA-CI/PMX

Este Programa deverá atuar de maneira mais pontual com a equipe técnica envolvida
diretamente na implementação dos programas previstos no PBA-CI/PMX, uma vez que estes
terão contato direto e permanente com os indígenas dentro e fora das TIs devendo, portanto,
receber treinamento diferenciado e específico sobre normas de conduta na interação com os
indígenas, especificidades culturais de cada etnia e do tema e projeto a ser desenvolvido por
cada técnico.

5.3.2. Curso de Introdução a Temática Indígena

A formação consistirá de quatro módulos presenciais de um dia cada (8h/aula), perfazendo um


total de 32h/aula. Os módulos deverão constar das seguintes atividades:

Oficinas “presenciais”, atividades “virtuais” e tarefas individuais - considerando o público


alvo do curso e a carga de trabalho cotidiano, os momentos “presenciais” serão
fundamentais para que haja um momento de concentração no tema; além disso,
poderão ser organizadas atividades complementares, através do contato via internet ou
tarefas individuais.

Palestras interativas - o curso deve ter um caráter dinâmico e estimulante, valorizando o


“despertar” dos participantes para o tema e suas principais questões; é importante que
o formato das oficinas seja de apresentação de elementos que estimulem reflexões e
debates.

Certificado - deverá ser emitido um certificado de participação no Curso de Introdução à


Temática Indígena.

Na sequência, as diretrizes e linhas gerais do conteúdo programático 5 associado ao Curso de


Introdução a Temática Indígena.

5
O conteúdo programático poderá sofrer alterações conforme adequação ao cronograma dos cursos de
segurança básica no trabalho e comportamento ambiental.

124
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Tabela 11 - Conteúdo Programático dos Módulos:

Módulo 1
Atividade/Aula Descrição
Trabalhar conceitos básicos, tais como o conceito de
cultura, diversidade sócio-cultural, dinâmica cultural,
identidade étnica, etnicidade, tradicionalidade,
Interculturalidade etnocentrismo, evolucionismo, etc. para então realizar
uma auto-reflexão sobre a diversidade cultural e a
relação estabelecida com comunidades tradicionais
diversas.
Panorama geral e sintético sobre as principais linhas de
pesquisa, abordagens e temas importantes para a
Antropologia Elementar Antropologia: organização social, parentesco,
etnoconhecimento, contato interétnico, relação com o
meio.
Panorama geral sobre os povos indígenas brasileiros:
população, diversidade étnica, situação fundiária,
Povos Indígenas
diversidade histórica e política. Breve comparação com a
situação de outros países.
Apresentar os povos indígenas com os quais a UHE
Povos Indígenas na Área de Abrangência da UHE Belo Monte Belo Monte se relaciona e estabelecer relações com a
apresentação geral feita anteriormente.

Módulo 2
Atividade/Aula Descrição
Apresentar e discutir principais direitos garantidos aos
Direitos Indígenas povos indígenas a nível nacional e Internacional
(Declaração da ONU, Convenção 169 da OIT etc).

Detalhar responsabilidades do Estado para com povos


indígenas nas áreas de saúde, educação, demarcação
territorial, gestão ambiental, cultura etc. Apresentar
Políticas Públicas e Quadro Institucional
instituições relevantes: CNPI, FUNAI, MPF, FUNASA,
MEC, MMA, MDA, Minc, etc. Falar do papel das
ONGs.

Com base na idéia do “protagonismo” indígena,


apresentar histórico de organização, diferenças
regionais e os principais processos em andamento
Movimento Indígena Organizado
Discutir a relação entre movimento indígena
organizado e organização sociopolítica indígena
interna.

125
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Módulo 3
Atividade/Aula Descrição
Apresentar, numa perspectiva histórica, a
relação entre povos indígenas brasileiros e a
exploração econômica do território brasileiro e
Relação entre Povos indígenas e o Desenvolvimento seus recursos. Apresentar e discutir os
paradigmas do desenvolvimento,
desenvolvimento sustentável e
etnodesenvolvimento.
Discutir, na perspectiva das demandas indígenas
e políticas públicas, os principais temas e
questões importantes para os povos indígenas
Temáticas e desafios contemporâneos dos Povos
brasileiros como a garantia fundiária, educação
indígenas
escolar diferenciada, saúde específica, gestão
territorial indígena, fortalecimento institucional,
protagonismo político, etc.
Apresentar e discutir, na lógica do “mercado de
projetos” o envolvimento entre povos e
Gestão de Projetos organizações indígenas, bem como seus
principais desafios. Apresentar casos concretos
de programas de apoio e projetos indígenas.

Módulo 4
Atividade/Aula Descrição
Numa perspectiva histórica, apresentar as tensões e os
conflitos entre o setor privado e povos indígenas, bem
como, apresentar as novas conjunturas de aproximação
Histórico das relações
e articulação e os desafios e oportunidades colocadas.
Discutir tanto impactos de empreendimentos como
“parcerias” comerciais.

Apresentar e discutir, no âmbito da “responsabilidade


Padrões Internacionais social” do setor privado, as principais diretrizes e
iniciativas em curso: Princípios do Equador, Performance
Standards do IFC, Banco Mundial, ICMM, etc.

A partir de experiências concretas, discutir os papéis e


Reflexão sobre o papel do gestor indigenista no setor privado responsabilidades dos profissionais envolvidos com
trabalho junto a povos indígenas. Fortalecer discussão
da Política Institucional e Guia de Relacionamento.

Ressalta-se que tal conteúdo poderá sofrer alterações ou ainda vários níveis de detalhamentos
e aprofundamentos em função das características de cada público alvo, escolaridade e
conhecimento prévio do assunto.

126
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

5.3.3.1 Elaboração de material Informativo

Conforme já mencionado previamente, deverá ser elaborado material informativo acerca dos
principais aspectos relacionados aos povos indígenas da região. O material informativo deverá
ser confeccionado em formato de cartilha e deverá atender aos dois públicos-alvo foco deste
Programa (população migrante e mão-de-obra contratada pelo Empreendimento -
trabalhadores e técnicos do PBA-CI/PMX).

Somando-se a estimativa de população migrante indicada pelo Estudo Demográfico, com a


estimativa do número de pessoas a passarem pelo Curso de Introdução à Temática Indígena
(toda a mão-de-obra absorvida pelo Empreendimento), deverão ser impressas um total
aproximado de 95.000 cartilhas, as quais deverão conter basicamente, a título de
conteúdo/informação:

Introdução aos povos indígenas brasileiros;

Introdução ao histórico de relação entre povos indígenas e exploração econômica no


Brasil;

Mapa com localização das Terras e Áreas Indígenas da região de abrangência do


Empreendimento;

Considerações principais acerca das particularidades sociais, econômicas, políticas e


culturais de cada um dos povos indígenas localizados na AAR da UHE BM;

Esclarecimento da questão dos direitos adquiridos pelos povos indígenas sobre suas
terras e recursos naturais;

Indicação dos princípios básicos para o estabelecimento de um bom relacionamento


com os povos indígenas.

Considerando-se a heterogeneidade principalmente da população migrante, bem como


prevendo um percentual de analfabetos dentro deste contingente, as cartilhas deverão adotar
também elementos ilustrativos que possibilitem a transmissão de informação pela linguagem
visual.

Ainda para um possível contingente de analfabetos e visando também ampliar os mecanismos


de divulgação de informação para a população migrante e local deverão ser estabelecidas
parcerias com as rádios locais, a fim de possibilitar a divulgação de informações propostas pelo
Programa, via linguagem oral.

127
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

5.3.3.2 Infraestrutura e Logística

Para o presente Programa será utilizada a mesma estrutura física proposta para os Centros de
Capacitação do Programa de Capacitação de Mão-de-obra, sendo que os módulos de
Comunicação serão também componentes das atividades de cursos propostos pela
Capacitação.

Dessa maneira, a divulgação de informação à população migrante, via distribuição de material


informativo (cartilhas), deverá ser realizada através dos 3 Centros de Capacitação (satélites)
localizados nos municípios de Pacajá, Porto Moz e Uruará, que são as localidades que
representam os principais “portões de entrada” na Área de Influência Indireta, por imigrantes
oriundos do Oeste e do Leste pela BR 230 – Transamazônica e do Norte, por via fluvial e pela
rodovia PA 167. Além desses, a distribuição de material informativo à população migrante
também ocorrerá por meio do Centro de Capacitação principal, localizado em Altamira, que se
caracteriza por ser a maior cidade da região e local de base para a sede regional do
Empreendimento.

Assim, o conteúdo programático do Curso de Introdução à Temática Indígena deverá ser


integrado ao conteúdo programático dos cursos de Segurança Básica do Trabalho, e de
Comportamento Ambiental, obrigatórios a todos os níveis.

5.4. Base Legal e Normativa

No que se refere às bases legais e normativas que norteiam os objetivos específicos deste
Programa, e que, de alguma forma poderão ser abordadas no Curso de Introdução a Temática
Indígena, destacam-se:

Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas;

Pacto Internacional Direito Civis e Políticos - ONU, Decreto nº 592 de 06 de julho de


1992;

Pacto Internacional dos direitos econômicos, sociais, e culturais – ONU, Decreto nº 591
de 06 de julho de 1992;

Convenção 169 da OIT, Decreto nº 5051 de 19 de abril de 2004;

Constituição Federal de 1988 (CF);

Estatuto do Índio, Lei nº 6001 de 19 de dezembro de 1973;

Resolução CGEN nº 09/03 – Estabelece diretrizes para a obtenção de anuência prévia


junto a comunidades indígenas e locais, a fim de acessar componente do patrimônio
genético para fins de pesquisa científica sem potencial ou perspectiva de uso comercial;

128
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Medida Provisória nº. 2.186-16/01 – Dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a


proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado;

Decreto nº 5.459/05 – Dispõe sobre as sanções aplicáveis às condutas e as atividades


lesivas ao patrimônio genético ou ao conhecimento tradicional associado;

Resolução MS/CNS nº 304/00 – Aprova as normas para pesquisa envolvendo seres


humanos – Área de Povos indígenas;

Instrução Normativa FUNAI nº 01 de 29/11/95 – Aprova as normas que disciplinam o


ingresso em TIs com finalidade de desenvolver pesquisa científica;

Portaria MS nº 254/02 – Aprova a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos


indígenas;

Decreto nº 1.141/94 – Dispõe sobre as ações de proteção ambiental e apoio às


atividades produtivas para as comunidades indígenas;

Decreto nº 1.775/96 – Dispõe sobre o procedimento administrativo de demarcação das


TIs.

5.5. Atividades a serem desenvolvidas

Seguem descritas as principais atividades a ser desenvolvidas no âmbito deste Programa.

129
PROGRAMA MÉDIO XINGU - PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE
_____________________________________________________________________________________________

Atividade: Curso de Introdução à Temática Indígena

Responsáveis pelas ações Interface com


Prazo / Etapa do outros
Ações Metas Indicadores Público-Alvo
Empreendimento Programas
Equipe Técnica Parceiros
e/ou Projetos

Ajustar o cronograma do Coordenador do


curso de Introdução a A partir do1º ano Projeto de
Temática Indígena ao /1º semestre da Comunicação Programa de
Adequação de cronograma dos cursos execução do PBA- não Indígena – Capacitação da
cronograma. de Segurança no CI/PMX. Especialista
Indicador de serviço: Mão-de-obra.
Trabalho e Sênior (alocado
Comportamento Aproveitamento e Prazo de 1 mês. minimamente
Ambiental. permanência no durante os 3
curso; avaliação do primeiros anos
curso feita pelos A partir do 1º ano do PBA-
alunos. /1º semestre da CI/PMX).
Seleção e Selecionar e treinar
execução do PBA-
Treinamento de equipe técnica Mão-de-obra
Indicador de CI/PMX. Consultor Pleno
equipe. responsável. absorvida e
processo: – Antropólogo/
Equipe técnica
Quantidade de mão- Prazo de 1 mês. Indigenista
do PBA-
de-obra contratada CI/PMX. Consultor Pleno PISI
Elaboração e pelo – Educador.
PEEI
impressão de Elaborar e imprimir todo Empreendimento X
material didático material didático e Número de Profissionais PFI
A partir do 1º ano
para o curso e informativo necessário certificados emitidos contratados pelo
/2º semestre da PGTI
para técnicos para atender, pelo Curso de empreendedor,
execução do PBA-
Introdução à minimamente PAP
especializados e qualitativamente e CI/PMX.
público em geral e quantitativamente a Temática Indígena. pelos 3 primeiros PPC
elaboração de demanda/público alvo Prazo de 2 meses. anos, moradores PSA
material do Programa. em Altamira ou
informativo. outras cidades- PRR
base do curso. PCI.

130
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

A partir do 2º ano
Formar 100% da mão- /1º semestre da
de-obra absorvida pelo execução do PBA-
Empreendimento. CI/PMX.
Início dos cursos
de formação. Formar 100% dos A continuidade /
técnicos especializados reestruturação da
na implementação do ação será
Programas de:
PBA-CI/PMX. avaliada
Capacitação da
anualmente.
mão-de-obra,
Indicador de serviço: PISI
Aplicação de PEEI
questionário mensal PFI
e amostral junto às
Avaliar e monitorar os A partir do 1º ano PGTI
chefias imediatas da
resultados obtidos nos /2º semestre da PAP
mão-de-obra
Cursos de Introdução a execução do PBA-
absorvida pelo PPC
Temática Indígena. CI/PMX.
Empreendimento.
Avaliação e PSA
Elaboração de relatório Realização
Monitoramento. Indicador de PRR
semestral de minimamente
processo:
acompanhamento e durante os 3 PCI.
proposição de Percepção qualitativa primeiros anos da
mudanças no Programa, junto às lideranças execução do PBA-
caso necessário. indígenas quanto ao CI/PMX.
relacionamento com
os trabalhadores e
migrantes oriundos
da UHEM.

131
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Atividade: Aumento do acesso à informações

Responsáveis pelas ações Interface com


Prazo / Etapa do outros
Ações Metas Indicadores Público-Alvo
Empreendimento Programas
Equipe Técnica Parceiros e/ou Projetos

Elaborar e imprimir todo Indicador de Coordenador do


A partir do 1º ano
material didático e serviço:
Elaboração e /2º semestre da Programa,
informativo necessário a
Impressão de Número de pessoas execução do PBA- especialista
atender qualitativamente
material didático e encaminhadas aos CI/PMX. Sênior (alocado
e quantitativamente a
informativo. Balcões de minimamente
demanda/público-alvo Prazo de 2 meses. durante os 3
do Programa. Atendimento
(demanda) X primeiros anos
Número de Material A partir do 1º ano do PBA-
Informativo /2º semestre da CI/PMX).
Ampliar o acesso às
informações ao entregue e execução do PBA-
População Consultor Pleno
disponível.
Divulgação de contingente migrante, local, e CI/PMX. – Antropólogo/
informação oral populacional migrante e mão-de-obra Realização Indigenista.
via mídia local, bem como, Indicador de
absorvida. minimamente
radiofônica. garantir o acesso de processo:
durante os 3 Consultor Pleno
informação às pessoas Percepção primeiros anos da – Educador.
não alfabetizadas. qualitativa junto às execução do PBA-
lideranças CI/PMX. Consultor Pleno
indígenas quanto – Comunicador.
Estabelecer parceria ao relacionamento A partir do 1º ano Programa de
Estabelecimento com os /2º semestre da
com rádios locais para Profissionais Orientação e
de parcerias com trabalhadores e execução do PBA- contratados pelo
divulgação de Monitoramento
a mídia migrantes oriundos CI/PMX.
informação via empreendedor, da População
radiofônica. da UHE BM.
linguagem oral. Prazo de 2 meses. minimamente Migrante.

132
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

A partir do 1º ano pelos 3 primeiros


/2º semestre da anos, moradores
execução do PBA- em Altamira ou
Distribuição de cartilhas CI/PMX. outras cidades-
Distribuição de a 100% das pessoas base do curso.
material que se dirigirem ao Realização
informativo. Balcão de Atendimento minimamente
da UHE BM. durante os 3
primeiros anos da
execução do PBA-
CI/PMX.

Avaliar e monitorar os
A partir do 1º ano
resultados obtidos junto
/2º semestre da
a prestação de
execução do PBA-
informação sobre a
CI/PMX.
temática indígena à
Avaliação e população migrante de
Realização
monitoramento. modo geral. Elaboração
minimamente
de relatórios semestrais
durante os 3
de acompanhamento e
primeiros anos da
proposição de
execução do PBA-
mudanças no Programa,
CI/PMX.
caso necessário.

133
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

5.6. Elementos de Custo

Elementos de custo

Atividade: Curso de Introdução à Temática Indígena

Recursos Materiais / Construção


Atividade Recursos Humanos
Serviço de terceiros Civil
Transporte aéreo: 1 viagem = 1 passagem
Adequação de Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado ida/volta, origem desconhecida-Altamira.
cronograma. minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX). Estadia/alimentação na cidade: 1 visita x
30 dias = 30 diárias.
Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado
minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX).
5 Consultores Plenos – Antropólogos/Indigenistas (alocados Utilizando
Seleção e treinamento
minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX). mesma
de equipe responsável
estrutura do
pela aplicação do curso 10 Consultores Plenos – Educadores (alocados Programa de
de Introdução à minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX). Capacitação de
Temática Indígena.
Profissionais contratados pelo empreendedor, minimamente Mão-de-obra.
durante os 3 primeiros anos, moradores em Altamira ou
outras cidades-base do curso.
Transporte aéreo: 1 viagem = 10
Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado passagens ida/volta, origem
minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX). desconhecida-Altamira.
Elaboração e 2 Consultores Plenos – Antropólogos/Indigenistas Estadia/alimentação na cidade: 2 visitas x
impressão de material 5 dias = 50 diárias.
Durante 30 dias.
didático e informativo.
2 Consultores Plenos – Educadores Serviços gráficos de edição e impressão
Durante 30 dias. de todo o material.
(18.697 apostilas didáticas)

134
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado 18.697 kits para o curso (apostilas
minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX). didáticas, caderneta, lápis, borracha e
caneta esferográfica).
2 Consultores Plenos – Antropólogos/Indigenistas
Locação de sala e material didático para
(alocados minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-
elaboração de cursos para os técnicos
CI/PMX).
Execução dos cursos especializados do PBA-CI/PMX.
presenciais. 10 Consultores Plenos – Educadores
Transporte aéreo: 1 viagem para todos os
(alocados minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA- técnicos, coordenadores, educadores e
CI/PMX). antropólogos - passagem ida/volta, origem
Profissionais contratados pelo empreendedor, minimamente desconhecida-Altamira.
pelos 3 primeiros anos, moradores em Altamira ou outras Estadia/alimentação na cidade: 1 visita x 7
cidades-base do curso. dias = XX diárias.
Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado
minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX).
2 Consultores Plenos – Antropólogos/Indigenistas
(alocados minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-
Serviços de edição e impressão gráfica de
CI/PMX).
Avaliação e questionários e certificados.
Monitoramento 10 Consultores Plenos – Educadores
18.697 questionários de avaliação e
(alocados minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA- certificados de conclusão do curso.
CI/PMX).
Profissionais contratados pelo empreendedor, minimamente
durante os 3 primeiros anos, moradores em Altamira ou
outras cidades-base do curso.

135
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Elementos de custo
Atividade: Aumento do acesso a informações
Recursos Materiais / Construção
Atividade Recursos Humanos
Serviço de terceiros Civil
Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado
Elaboração e Serviços gráficos de edição e impressão
minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX).
impressão de de todo o material.
material didático e 2 Consultores Plenos – Antropólogos/Indigenistas. Durante 30 dias.
informativo. (95.000 cartilhas)
2 Consultores Plenos – Educadores durante 30 dias.
Transporte aéreo: 3 viagens = 3
passagens ida/volta, origem
Estabelecimento de Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado desconhecida-Altamira.
parcerias. minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX).
Estadia/alimentação na cidade: 3 visitas x
10 dias = 30 diárias.
Distribuição de Prevendo utilização de mão-de-obra já alocada para o Programa de
material informativo. Capacitação de mão-de-obra da UHE BM.
Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado
Divulgação de minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX. Profissional contratado pelo
informação oral (via empreendedor, minimamente pelos 3
mídia radiofônica). Consultor Pleno – Comunicador (alocado minimamente durante os 3 primeiros anos, morador em Altamira.
primeiros anos do PBA-CI/PMX).
Coordenador do Programa, especialista Sênior (alocado
minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX).
2 Consultores Plenos – Antropólogos/Indigenistas (alocados
minimamente durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX). Serviços de edição e impressão de
Avaliação e questionários e certificados em gráfica.
Monitoramento. 10 Consultores Plenos – Educadores (alocados minimamente
durante os 3 primeiros anos do PBA-CI/PMX. 18.697 questionários de avaliação.
Profissionais contratados pelo empreendedor, minimamente pelos 3
primeiros anos, moradores em Altamira ou outras cidades-base do
curso.

136
PROGRAMA MÉDIO XINGU - PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE
_____________________________________________________________________________________________

Ressalta-se, quanto aos dados apresentados nos quadros anteriores, que:

* O dimensionamento do número de educadores deverá ser detalhado a partir da adequação


de cronograma com os cursos de Segurança Básica no Trabalho e Comportamento Ambiental,
** O dimensionamento de recursos materiais é uma estimativa para os três primeiros anos
deste Programa, podendo sofrer alterações em função da inserção da Taxa de Rotatividade e
inserção dos trabalhadores técnicos especializados.

5.7. Cronograma

O cronograma físico apresentado a seguir foi elaborado a partir do início previsto para os
cursos que serão fornecidos pelo empreendedor no âmbito do Programa de Capacitação de
Mão-de-obra, apresentado no PBA Geral (setembro de 2010). Dessa maneira, o mês de
agosto de 2011 será o mês zero para o início dos Cursos de Introdução à Temática Indígena,
devendo este Programa, portanto, ter o seu início imediato no mês de maio de 2011. Mesmo o
cronograma tendo sido feito com base nos 5 primeiros anos de implantação do
Empreendimento, o Programa deverá ter abrangência minimamente durante os 10 anos
previstos de implantação e ser reavaliado quanto à continuidade durante a operação/vida útil
do Empreendimento. A cada ano de execução do Programa, este deverá ser reavaliado para
adequações a serem incorporadas ao período seguinte.

137
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

2011 (detalhado mensal) 2012 (trimestral) 2013 (trimestral) 2014 (trimestral) 2015 (trimestral)
ATIVIDADE
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
Ajuste de cronograma: Programa de Capciatação de Mão de Obra

Seleção e treinamento de equipe técnica

Elaboração e Impressão de material informativo (cartilhas)

Elaboração e Impressão de material didático para os cursos

Estabelecimento de parceria com rádios locais

Distribuição de cartilhas

Divulgação oral de informação (rádios locais)

Início dos cursos presenciais

Avaliação de Monitoramento

II III IV V VI VII

Etapas Construtivas
II Início das Instalações dos Canteiros
III Final da estapa de instalação dos canteiros
IV Desvio do Rio pelo vertedouro
V Início do enchimento do reservatório do Rio Xingu
VI Início da geração na casa de força complementar
VII Início do enchimento do reservatório intermediário

138
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

5.8. Responsáveis Técnicos pela Elaboração

Isabelle Vidal Gianinni - Bióloga/Antropóloga

Sandra Pavan Fruehauf - Enga. Florestal

Daniel de Renzo Barretti - Bacharel em Turismo

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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6. PROGRAMA GESTÃO TERRITORIAL INDÍGENA

6.1. Introdução

O Empreendimento UHE BM, a ser implantado no Pará, na região da VGX, tem sua Área de
Influência sobre os municípios de Altamira, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Porto de
Moz, Gurupá, Anapu, Pacajá, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará e Placas (PATRICIO et al.,
2009).

A Área de Abrangência Regional (AAR), que compreende toda a Bacia Hidrográfica do Xingu,
totaliza cerca de 51 milhões de hectares, abrangendo 35 municípios dos estados do Mato
Grosso e do Pará, 21 TIs, 24 povos indígenas e 10 UCs. A região desta Bacia na qual se
localizam as TIs contempladas pelo Componente Indígena do PBA é conhecida como Médio
Xingu, na qual se encontra o chamado Corredor de Sociobiodiversidade Xingu, com extensão
de 28 milhões de hectares de áreas protegidas (PATRICIO et al., 2009; JUNQUEIRA;
GRUPIONI, 2010).

O mosaico etnográfico que caracteriza o Médio Xingu, também conhecido como “grande
província multiétnica” (PDRS Xingu, 2011) é, conforme descreveu Nimuendaju (apud
CORBISIER et al., 2009), composto por povos canoeiros, os Juruna e Xipaya; povos do centro
da floresta, os Kuruaya, Arara e Assurini; e povos das savanas que eventualmente invadem a
zona de floresta, os Kayapó do Norte, da família linguística Jê, a qual pertencem os Kararaô e
os Xikrin e, por fim, os Araweté, desconhecidos à época dos estudos6. Esses povos habitam
atualmente a AI Juruna do Km 17 e as TIs Paquiçamba, Arara da VGX, Trincheira Bacajá,
Apyterewa, Koatinemo, Araweté/Igarapé Ipixuna, Kararaô, Arara, Cachoeira Seca, Xipaya e
Kuruaya, cujos territórios totalizam aproximadamente 5,47 milhões de hectares, nos municípios
de Altamira, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Vitória do Xingu, São Félix do Xingu, Senador
José Porfírio, Anapu e Placas.

A dinâmica de ocupação da região, que até o momento teve sua expressão máxima na rodovia
BR-230, a Transamazônica, se caracteriza por um processo negativo de grilagem de terras
públicas, abertura de estradas clandestinas, exploração predatória dos recursos naturais e
penetração da pecuária, facilitada pelo desmatamento e pelas estradas abertas pelos
madeireiros. Como principais conseqüências estão o acirramento dos conflitos fundiários; a
especulação imobiliária; a concentração fundiária e de renda; o desrespeito à legislação
ambiental, principalmente no que tange à manutenção das Áreas de Preservação Permanente
6
Os povos Arupaí e Tacunyape, que também habitavam a região na ocasião dos estudos, foram extintos
(CORBISIER et al., 2009).
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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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(APPs) e de Reserva Legal (RL) nos imóveis rurais; a expansão das áreas ocupadas por
pastagens; o agravamento de endemias, propiciado pelo desmatamento; e a invasão de terras
ocupadas pela população ribeirinha (MENEZES et al., 2009).

Os grandes Empreendimentos implantados na região e suas decorrentes transformações


socioambientais têm alterado radicalmente a dinâmica social e espacial dos povos indígenas,
cada qual reagindo à sua maneira, em uma complexa equação de fatores como traços
culturais, eventos do contato e grau de presença de atores externos, de forma que cada povo
exibe uma realidade e situação particulares, que se refletem também no modo de gestão dos
recursos naturais e do território (MENEZES et al., 2009).

A implantação da UHE BM irá agravar este contexto da ocupação da região. Conforme


o
explicitado no Parecer Técnico n 21, ocasionará 2 vetores principais de impactos: o antrópico,
em decorrência do adensamento populacional em busca de trabalho e renda; e o físico biótico,
em conseqüência do desmatamento e da redução da vazão do rio Xingu na região da VGX e
proximidades (CMAM/CGPIMA-FUNAI, 2009). Estes impactos incidirão sobre a reserva
hídrica, florestal e faunística da região, podendo comprometer os modos de vida e os padrões
tradicionais de gestão territorial pelos povos indígenas.

Especificamente com relação aos impactos que o adensamento populacional na região pode
provocar no modo de vida indígena, o EIA do AHE BM - Volume 35 e o Parecer Técnico no 21
destacam:

A ocupação desordenada do entorno das TIs, com provável aumento da especulação


imobiliária, grilagem de terras7 e incremento de atividades ilegais de extração mineral e
madeireira, gerando aumento das invasões e da pressão sobre os territórios indígenas
e seus recursos, podendo significar o acirramento dos conflitos interétnicos (VIEIRA et
al., 2009a; PATRÍCIO et al., 2009; GIANNINI et al., 2009; MULLER et al., 2009) ou o
aliciamento de indígenas em decorrência da intensificação do relacionamento com não
indígenas e das novas demandas econômicas (MULLER et al., 2009);

A ampliação e melhoria das estradas, aumentando drasticamente a pressão sobre os


recursos naturais das TIs (PATRÍCIO et al., 2009);

7
Nas TIs Arara da Volta Grande do Xingu, Cachoeira Seca, Arara, Araweté/Igarapé Ipixuna e Apyterewa
e no entorno da TI Trincheira Bacajá, Paquiçamba, e AI Juruna do Km 17.
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O possível aumento da pressão sobre os recursos naturais nas cabeceiras dos


tributários dos principais rios, principalmente em áreas de mata ciliar, podendo provocar
efeitos negativos na regularização da vazão dos cursos d'água, reduzindo a
disponibilidade hídrica, elevando os níveis de assoreamento e até o esgotamento
hídrico de mananciais nas TIs e entorno (PATRÍCIO et al., 2009 e GIANNINI et al.,
2009);

A redução das espécies e populações de fauna, que induzirão alterações nos padrões e
áreas de caça e pesca na Área de Influência da UHE BM e acirramento de conflitos
entre os povos que dela se utilizam, tornando-se necessário o estabelecimento de
acordos para garantir o compartilhamento desses recursos de subsistência (VIEIRA et
al., 2009a e PATRÍCIO et al., 2009).

Estes impactos prevêem, portanto, o aumento da pressão sobre os recursos naturais


existentes nas TIs e no entorno e o acirramento dos conflitos interétnicos, ameaçando a
manutenção da qualidade e das condições de vida dos povos indígenas na região.

Com relação à cadeia de impactos físico e bióticos decorrentes da redução da vazão do rio
Xingu na VGX e adjacências, o EIA do AHE BM - Volume 35 Tomo 3 (PATRICIO et al., 2009)
detalha que:

A umidade dos solos marginais aos rios se reduzirá e, por conseqüência, também a das
matas ciliares dos rios Xingu, Bacajá e Bacajaí e das ilhas que sofrem inundação parcial,
podendo causar severas alterações na composição florística;

Poderá haver rebaixamento do lençol freático, especialmente nas vizinhanças do rio


Xingu, afetando os tributários dos rios Bacajá e Bacajaí mais próximos de sua foz,
comprometendo a permanência da floresta e de toda a área adjacente;

Os pedrais do rio Xingu sofrerão impactos severos, pois além do ressecamento,


perderão os depósitos de sedimentos trazidos pelo rio Xingu, que deverão se acomodar
no fundo do futuro lago;

A alteração nos padrões de floração e frutificação da vegetação dos pedrais afetará a


cadeia alimentar aquática;

As alterações nas praias poderão afetar as áreas de desova dos tracajás e também
acarretar no aumento da predação desta espécie, podendo comprometer seu ciclo
reprodutivo;

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Aquelas espécies presentes na floresta aluvial e adaptadas ao regime de enchente


terão perda do ciclo vital, resultando em perda de alimentos para a fauna e
conseqüente diminuição das espécies desses ambientes, o que poderá provocar a
alteração dos padrões de pesca e o conseqüente aumento do seu esforço;

A alteração no tipo de vegetação nas áreas inundáveis (planícies aluviais) e nas


proximidades dos igarapés que irão secar poderão provocar a mudança de habitat para
a fauna;

O efeito de remanso irá se reduzir nas imediações da foz dos tributários do rio Xingu
(Bacajá e Bacajaí) e será prejudicial para a piracema.

O que se anuncia, portanto, por conta da drástica redução do volume de água é a alteração na
composição das espécies da fauna e da flora na região da VGX, comprometendo a
manutenção da base alimentar dos povos que ali habitam. Isso, somado aos impactos
decorrentes do adensamento populacional, pode acarretar profundas alterações nos modos de
vida destes povos indígenas.

Visando mitigar e/ou compensar os impactos provocados pela UHE BM e apoiar os povos
indígenas no enfrentamento dos desafios impostos neste novo arranjo sociopolítico, econômico
e ambiental da região e também das TIs, o EIA do AHE BM Volume 35 (VIEIRA et al., 2009a;
PATRÍCIO et al., 2009; VIEIRA et al., 2009b; GIANNINI et al., 2009 e MULLER et al., 2009) e o
Parecer Técnico nº 21 (MENEZES et al., 2009) apontam uma série de recomendações
relacionadas à gestão dos territórios indígenas e dos recursos naturais importantes para estes
povos.

O Programa Gestão Territorial Indígena (PGTI) deve atender a estas recomendações, mais
especificamente ao compilado de Planos, Programas e Projetos a seguir:

“Programa de Integridade e Segurança Territorial”: projeto “Ampliação da


Disponibilidade dos Recursos Naturais” para desenvolver estudos e aumentar a
disponibilidade de recursos naturais, apoiar a criação do Corredor Fluvial da VGX e
desenvolver atividades que ajudem a estabelecer, com os vizinhos da TI, o uso mais
sustentável dessas áreas (VIEIRA et al., 2009a); o projeto “Segurança Territorial e
Proteção Ambiental” ou “Programa de Segurança Territorial em TIs” para apoiar a
fiscalização dos limites da TI por meio da capacitação de agentes de fiscalização
indígena no uso de mapas, GPS e outras ferramentas úteis à proteção ambiental
(PATRÍCIO et al., 2009; VIEIRA et al., 2009a);

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“Programa de Proteção Ambiental e Fiscalização dos Limites” com o processamento


de imagens de satélites, a difusão de informações para a população regional, a
participação contínua dos indígenas nas atividades de avaliação e gerenciamento da
informação e o incentivo à recomposição das matas ciliares (GIANNINI et al., 2009);

“Programa de Sustentabilidade Etnoambiental e Etnozoneamento” para inventariar a


ocorrência de recursos naturais e quantificar estoques de espécies potenciais visando
gerar subsídios para o etnozoneamento e o planejamento das atividades produtivas, por
meio de estudos etnoecológicos, com participação da comunidade, com vistas a
viabilizar projetos sustentáveis e de interesse da comunidade (VIEIRA et al., 2009a);

“Programa de Monitoramento Etnoambiental” com o projeto “Monitoramento da


Qualidade de Vida da População” por meio do acompanhamento das taxas de
desmatamento e modificações de habitat do entorno da TI e áreas de uso (VIEIRA et
al., 2009a); o projeto “Monitoramento de Atividades Pesqueiras, Extrativismo Vegetal,
Caça e Agricultura”, para desenvolver táticas de manejo dos recursos naturais conforme
as alterações ambientais decorrentes do Empreendimento e atores envolvidos
(comunidade indígena, comunidade não indígena x órgãos ambientais x instituições) e
desenvolver base de dados que reúna todas as informações disponíveis acerca dos
recursos naturais presentes nas TIs; e os projetos “Monitoramento de Ambientes
Terrestres da TI e Entorno” e “Monitoramento dos Ambientes Aquáticos” das áreas de
uso indígena (VIEIRA et al., 2009a);

“Plano de Gestão de Recursos Hídricos” que, além de planejar e orientar a


implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, propõe a gestão participativa
e compartilhada desses recursos e a adequação das políticas públicas relacionadas ao
tema (PATRÍCIO et al., 2009);

“Plano de Comunicação e Interação Social”, com projeto de “Educação Ambiental”


voltado para a população indígena e sensibilização acerca da dimensão socioambiental
e capacitação para evitar o sobreuso de alguns recursos em função do acirramento das
pressões (PATRÍCIO et al., 2009);

“Programa de Sustentabilidade Econômica da População Indígena” com projeto de


capacitação da população indígena para desenvolvimento de atividades, tais como
administrar, recuperar, utilizar e conservar os recursos naturais da área indígena, e de
troca de experiências de projetos com outros grupos indígenas da região em atividades
de produção; Projeto de Recuperação e Reincorporação Produtiva das Áreas
Degradadas (VIEIRA et al., 2009b);

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“Plano de Conservação dos ecossistemas terrestres” com monitoramento da caça e


acordos de caça (PATRÍCIO et al., 2009); com “Programa de Proteção e Recuperação
de Área de Preservação Permanente dos Reservatórios”, com incentivo à recomposição
de mata ciliar dos rios e igarapés tributários do rio Bacajá; e Programa de
Compensação Ambiental, com o Projeto de Criação de UC de Proteção Integral na
margem direita do rio Xingu, margem direita do rio Bacajá e entre as TIs Koatinemo e
Trincheira Bacajá (GIANNINI et al., 2009);

“Plano de conservação dos ecossistemas aquáticos” com Programa de


Monitoramento da Flora, demandando projetos de monitoramento de espécies
relacionadas aos usos indígenas (GIANNINI et al., 2009); com monitoramento da pesca,
acordos de pesca e incentivo à pesca sustentável (PATRÍCIO et al., 2009);

“Plano de gerenciamento integrado da Volta Grande do Xingu” com


acompanhamento das atividades minerárias (PATRÍCIO et al., 2009).

É para atender ao conjunto das demandas apontadas acima e ao desafio de garantir a


manutenção da qualidade e dos modos de vida dos povos indígenas afetados pela UHE BM,
que o empreendedor deverá implementar este Programa.

A estratégia do Programa parte do pressuposto que a gestão territorial deve contribuir para a
proteção dos territórios e das condições ambientais necessárias à sobrevivência física e
cultural e ao bem-estar das comunidades indígenas, não se restringindo à área interna
delimitada pelo perímetro da TI, mas atuando também sobre o seu entorno e sobre as
atividades externas que promovem impactos nas condições de vida da população indígena
(VERDUM, 2006). Assume-se, como TIs a definição disposta no Art. 23, §1º da CF, que
estabelece que:

são terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter
permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à
preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a
sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.

Considerando que o território indígena ultrapassa as fronteiras temporais e físicas das TIs
(SALGADO, 2007), a gestão territorial indígena deve ser ampla e representa um grande
desafio, para o qual é necessária a construção de novos mecanismos de diálogo e de ação
que, para serem eficazes, devem funcionar em diversas escalas, abrangendo desde as ações
locais até articulações internacionais (MILLER, 2008).

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Este Programa foi estruturado a partir de uma perspectiva multiescalar, que envolve da aldeia
ao contexto político nacional; integrada, já que os projetos constroem resultados
complementares; participativa, considerando as comunidades indígenas como co-gestoras do
Programa; e intercientífica, integrando os saberes tradicionais e ocidentais.

Propõe-se a discussão com os indígenas, sobre os impactos previstos com a implantação da


UHE BM, a partir de um diagnóstico da situação socioambiental atual e das perspectivas de
transformações vindouras, e acompanhamento destas alterações junto com as comunidades
indígenas, por meio do monitoramento remoto e local, participativo, refletindo e
compreendendo a natureza das novas pressões e transformações. Propõe-se, também, a
construição de respostas pragmáticas aos desafios que vierem a se impor sobre os territórios
indígenas, atuando na recuperação dos passivos ambientais atuais e no desenho de
estratégias de mitigação das transformações previstas. Pretende-se, por fim, articular a gestão
territorial indígena às iniciativas não indígenas regionais - civis, públicas e comunitárias – de
gestão dos territórios e ambientes, fomentando o espaço para a construção da gestão
socioambiental compartilhada na região.

Para concretizar esta estratégia de ação, este Programa apresenta 3 projetos com abordagens
complementares: “Planejamento Territorial e Gestão Socioambiental Compartilhada”,
“Monitoramento Territorial” e “Conservação Territorial”. Será desenvolvido em longo prazo,
sendo realizado desde a fase de instalação do Empreendimento até o fim de sua operação.

Abrangerá as 13 áreas e TIs da Região do Médio Xingu. Estes territórios integram os


mosaicos de áreas protegidas do Pará e são considerados barreiras eficazes ao
desmatamento, apresentando alta relevância estratégica para o ordenamento territorial regional
(SEMA, 2011). Considerando os diversos desafios atuais à integridade destes territórios, e a
perspectiva de incremento demográfico e acirramento na pressão sobre os ambientes no
contexto da UHE BM, a alternativa efetiva é a gestão compartilhada, aliando ribeirinhos,
extrativistas, pescadores e povos indígenas (SILVA, 2005). Tal perspectiva se fundamenta
legalmente no disposto no Capítulo IV art. 26 da Lei nº 9.985/2000, referente ao Sistema
Nacional de Unidades de Conservação (SNUC):

quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou


não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou
privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma
integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação,
de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da
sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional.

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Promover a gestão territorial indígena e a governança socioambiental compartilhada na região


do Médio Xingu é, portanto, prioritário.

6.2. Objetivo Geral

Garantir aos povos indígenas do Médio Xingu as condições para a gestão plena de seus
territórios frente aos impactos decorrentes da UHE BM.

6.3. Base Legal e Normativa

Lei nº 4.771 de 1965 - Institui o novo Código Florestal, que regula o uso da vegetação
nativa em propriedades rurais.

Lei nº 6.938 de 1981 - Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.

Artigo 24 da Lei nº 6.001, de 19 de Dezembro de 1973 – Dispõe sobre o Estatuto do


Índio.

Artigo 170 da CF – Prevê o tratamento diferenciado de serviços e produtos de acordo


com seu impacto ambiental.

Artigos 231 e 232 da CF – reconhecem aos povos a titularidade do usufruto exclusivo e


da posse permanente da suas terras.

Artigo 225 da CF – Dispõe sobre o direito original sobre as terras tradicionalmente


ocupadas por povos indígenas e estabelece como dever do Estado assegurar o
reconhecimento desse direito através da demarcação e homologação das TIs.

Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1989 – Relativa


aos povos indígenas e tribais em países independentes.

Decreto Legislativo nº 2 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) de 1994 -


Aprova o texto da Convenção sobre Diversidade Biológica e dispões sobre a Utilização
Sustentável de Componentes da Diversidade Biológica e a Avaliação de Impacto e
Minimização de Impactos Negativos.

Decreto nº 1.141 do Ministério do Meio Ambiente (MMA) de 5 de maio de 1994 - Dispõe


sobre as ações de proteção ambiental, saúde e apoio às atividades produtivas para as
comunidades indígenas.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Lei nº 9.433 de 08 de janeiro de 1997 - Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos,


cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso
XIX do art. 21 da CF, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que
modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.

Resolução CONAMA 237 de 19 de dezembro 1997 – Dispõe sobre licenciamento


ambiental; competência da União, Estados e Municípios; listagem de atividades sujeitas
ao licenciamento; Estudos Ambientais, Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de
Impacto Ambiental.

Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999 - Institui a Política Nacional de Educação Ambiental


e dá outras providências.

Lei nº 9.985 de 18 de julho de 2000 - Institui o Sistema Nacional de Unidades de


Conservação da Natureza (SNUC).

Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000 - Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII
da CF, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e
dá outras providências.

Medida Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001 - Altera a Lei nº 4.771/65


(Código Florestal).

Decreto nº 4.297 de 2002 – Zoneamento Econômico Ecológico.

Decreto nº 5.051, de 19 de abril de 2004 – Promulga a Convenção nº 169 da


Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos indígenas e Tribais.

Decreto Legislativo nº 788, de 14 de julho de 2005 - Autorizou ao Poder Executivo a


implantar o Aproveitamento Hidrelétrico (AHE) de Belo Monte

Lei nº 11.284 de 2006 – Dispõe sobre a Gestão de Florestas Públicas e estabelece a


possibilidade dos povos indígenas participarem do Fundo Nacional de Desenvolvimento
Florestal.

Artigo 4 da Resolução CONAMA nº 378 de 19 de outubro de 2006 – Regulamenta o


licenciamento de exploração de florestas e formas sucessórias em imóveis rurais e
define o critério de distância de uma faixa de 10 km no entorno de TI demarcada para
efeitos de considerar a existência de impacto.

Decreto Federal nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007 - Política Nacional para o


Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Regulamenta
direitos coletivos dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Decreto nº 6.047, de 22 de fevereiro de 2007 - Institui a Política Nacional de


Desenvolvimento Regional - PNDR e dá outras providências.

Projeto de Lei do Estatuto dos Povos indígenas - Proposta da Comissão Nacional de


Política Indigenista, Brasília, 5 de junho de 2009, aprovado no âmbito da Comissão
Nacional de Política Indigenista (CNPI), em tramitação no Congresso Nacional.

Decreto nº 7.340, de 21 de outubro de 2010 - Institui o Plano de Desenvolvimento


Regional Sustentável (PDRS do Xingu), o seu Comitê Gestor e dá outras providências.

Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial das TIs (PNGATI) – Em tramitação.

Decreto nº 6.321, de 21 de dezembro de 2007 - Dispõe sobre ações relativas à


prevenção, monitoramento e controle de desmatamento no Bioma Amazônia, bem
como altera e acresce dispositivos ao Decreto no 3.179, de 21 de setembro de 1999,
que dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades
lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

6.4. Projetos

Projeto Planejamento Territorial e Gestão Socioambiental Compartilhada

Projeto Monitoramento Territorial

Projeto Conservação Territorial

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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6.4.1. Projeto Planejamento Territorial e Gestão Socioambiental Compartilhada

6.4.1.1 Introdução e Justificativas

A história dos povos indígenas do Médio Xingu vem sendo marcada, desde o começo do
século XVII, por um contínuo processo de perda de territórios, declínio demográfico,
assimilação forçada pela sociedade envolvente ou fuga para os interflúvios e cabeceiras dos
seus principais rios e afluentes.

A partir da década de 70, a ocupação na região vem se desenvolvendo de maneira


desordenada, resultando em atividades econômicas irregulares, bem como grilagem e
sobreposições de terras, que geram imensos conflitos fundiários entre grandes, médios e
pequenos Empreendimentos, assentamentos, ribeirinhos e povos indígenas. No entorno das
TIs, o padrão de ocupação também tem sido desordenado e sem infraestrutura e muitas destas
terras sofrem invasões regulares ou intermitentes e grande assédio a seus recursos naturais.

É em um contexto de fragilidade fundiária, de pressão sobre as TIs e seus recursos, de


desmatamento ou assoreamento das cabeceiras de rios e igarapés e, justamente no epicentro
do “Arco do Desmatamento”, que será implantada a UHE BM (CMAM/CGPIMA-FUNAI, 2009).

A dimensão dos impactos do Empreendimento e a rapidez das transformações que


desencadearão serão ímpares na história da região e os povos indígenas do Médio Xingu terão
de compreender a dimensão e a complexidade das transformações sociais, ambientais,
econômicas e demográficas para poderem conceber novas estratégias de gestão territorial que
sejam adequadas aos desafios vindouros.

O projeto Planejamento territorial e gestão socioambiental compartilhada tem o desafio de


fortalecer os povos indígenas afetados pela UHE BM na gestão dos seus territórios, garantindo,
desta forma, os direitos preconizados pelo art. 7 parágrafo 1º da Convenção nº 169 sobre
Povos indígenas e Tribais da Organização Internacional do Trabalho, de

escolher suas próprias prioridades no que diz respeito ao processo de


desenvolvimento, na medida em que ele afete as suas vidas, crenças, instituições e
bem-estar espiritual, bem como as terras que ocupam ou utilizam de alguma forma, e
de controlar na medida do possível o seu próprio desenvolvimento econômico, social e
cultural. Além disso, esses povos deverão participar de formulação, aplicação e
avaliação dos planos e programas de desenvolvimento nacional e regional suscetíveis
de afetá-los diretamente.

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Para alcançar este desafio e atender às demandas do EIA do AHE BM - Volume 35 e do


Parecer Técnico no 21, o presente projeto propõe 3 eixos de intervenção, que se integram às
outras ações do Programa Gestão Territorial Indígena: colaborar com as populações indígenas
no esclarecimento sobre a situação territorial regional e os impactos esperados em decorrência
da UHE BM, trazendo subsídios para um posicionamento proativo frente às pressões sobre
seus territórios; fortalecer as posições indígenas em sua teia de relações regionais, propondo o
diálogo intercultural e garantindo que as prioridades indígenas sejam consideradas nas
decisões relativas a seus territórios; e realizar a articulação entre a gestão territorial indígena e
outras iniciativas regionais e nacionais, públicas ou civis, relacionadas à gestão dos territórios,
contribuindo para a eficiência e efetividade das iniciativas. Estes Eixos correspondem a 3
atividades: Planejamento territorial; Governança indígena das relações locais e Arranjos
institucionais e políticos para a gestão socioambiental compartilhada.

As atividades “Planejamento territorial” e “Governança indígena das relações locais” atendem a


9 recomendações do EIA: (i) garantir a participação contínua e direta dos índios nas atividades
de monitoramento, avaliação, gerenciamento das informações e fiscalização (GIANNINI et al.,
2009); (ii) implementar um sistema de monitoramento da execução, avaliação periódica e
readequação, quando necessário, das ações do Plano Indígena previamente elaborado
(VIEIRA et al., 2009a); (iii) sensibilizar acerca da dimensão socioambiental e capacitação para
evitar sobreuso de alguns recursos em função do acirramento das pressões (PATRÍCIO et al.,
2009); (iv) apoiar atividades que ajudem a estabelecer, com os vizinhos da TI, discussões
relacionadas às suas respectivas áreas limítrofes, que levem ao uso mais sustentável das
mesmas (VIEIRA et al., 2009a); (v) construir acordo de pesca entre as famílias e com a
população local/regional de pescadores (VIEIRA et al., 2009a; PATRÍCIO et al., 2009); (vi)
contribuir para a difusão de informações para a população regional, promovendo o respeito às
diferenças culturais indígenas e seu território; (vii) contribuir para as ações de vigilância e
proteção da TI (GIANNINI et al., 2009); (viii) capacitar agentes de fiscalização indígena da
comunidade no uso de mapas, GPS e outras ferramentas úteis à proteção ambiental (VIEIRA
et al., 2009a) e (ix) promover intercâmbio das organizações constituídas nas TIs para a gestão
compartilhada do território e das águas e a garantia dos direitos indígenas (PATRÍCIO et al.,
2009).

A atividade “Arranjos institucionais e políticos para a gestão socioambiental compartilhada” visa


atender aos projetos e ações previstos no EIA do AHE BM e no Parecer Técnico n o 21 que se
referem a buscar, junto ao poder público, formas de prevenir ou minimizar impactos e pressões
sobre as TIs. No conjunto de suas ações, esta atividade deve: (i) desenvolver junto ao poder
público formas para o controle da possível extração ilegal de areia nos grotões, igarapés e rios

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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da bacia do rio Bacajá (GIANNINI et al., 2009); (ii) apoiar na constituição de UC ligando as TIs
Paquiçamba, Arara da VGX e Trincheira Bacajá, incluindo ambientes aquáticos existentes
entre elas, em um corredor de biodiversidade, podendo priorizar a recuperação de matas
ciliares (PATRÍCIO et al., 2009); (iii) elaborar projetos de proteção ao meio ambiente das TIs
buscando parcerias com Órgãos Federais, Estaduais, Municipais e entidades ligadas à questão
(GIANNINI et al., 2009); (iv) apoiar a discussão referente à criação do Corredor Fluvial da VGX,
englobando as áreas de uso fluvial dos Juruna da TI Paquiçamba, dos Arara da TI VGX, dos
Xipaya e Kuruaya dispersos pela VGX e dos ribeirinhos; (v) apoiar a criação de um comitê
indígena da bacia hidrográfica do rio Xingu (VIEIRA et al., 2009a); (vi) estabelecer restrições de
uso nas áreas do entorno da TI Arara, evitando a instalação e crescimento de loteamentos e
outras formas de ocupação (PATRÍCIO et al., 2009); (vii) promover a criação de áreas de caça
às margens do Bacajá; (viii) apoiar a criação de faixa de UC do lado esquerdo do rio Bacajaí
para proteção da “zona de amortecimento” nesta região (CMAM/CGPIMA-FUNAI, 2009;
VIEIRA et al., 2009a) e; (ix) buscar formas, junto a outros atores locais, para incentivar a
recomposição da mata ciliar dos rios e igarapés (GIANNINI et al., 2009).

Além das 3 atividades acima descritas, integra este projeto também a atividade da
coordenação geral do PGTI. Por ser o projeto Planejamento territorial e gestão socioambiental
compartilhada o mais abrangente do PGTI, em termos do número e complexidade de ações, a
coordenação geral do programa entrea como uma de suas atividades, embora seja referente a
todos os projetos que compõem o Programa.

O presente projeto está em consonância com os objetivos e as diretrizes da PNGATI que


envolvem ações formativas dos povos indígenas e estratégias de gestão compartilhada, assim
resumidos: (i) promover a formação continuada das comunidades indígenas na política de
gestão territorial de TIs; (ii) instrumentalizar as comunidades indígenas para exercer a
governança sobre as políticas relacionadas ao desenvolvimento local, regional e nacional; (iii)
desenvolver o etnozoneamento das TIs, abrangendo as faixas de segurança etnoambiental,
como instrumento de planejamento e gestão territorial, com a participação e controle diretos
dos povos indígenas; (iv) promover e estimular intercâmbios nacionais e internacionais entre os
povos indígenas para troca de experiências em gestão territorial e outros temas pertinentes; (v)
apoiar o acesso dos povos indígenas aos recursos naturais que tradicionalmente utilizam
localizados fora dos limites das TIs, mediante o estabelecimento de acordos e instrumentos
legais similares, mediados pela FUNAI, Ministério Público Federal e Ministério do Meio
Ambiente e outros órgãos competentes; (vi) sensibilizar os órgãos competentes para a
realização do monitoramento da qualidade da água das TIs, assegurando aos povos indígenas
a participação e o acesso aos resultados; e (vii) promover a interface das TIs com outras áreas

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legalmente protegidas e a sua interação com instrumentos nacionais e internacionais de gestão


territorial da diversidade biológica e sociocultural, tais como: mosaicos, corredores ecológicos e
reservas da biosfera (SCHMIDT et al., 2010).

A longo prazo, o projeto Planejamento Territorial e Governança Socioambiental Compartilhada


visa potencializar os resultados da gestão territorial indígena promovendo o gerenciamento
compartilhado entre as TIs, seus vizinhos e as UCs da região do Médio Xingu.

6.4.1.2 Objetivos

Objetivo Geral

Apoiar as estratégias comunitárias de gestão territorial das TIs do Médio Xingu e colaborar
para a gestão socioambiental compartilhada entre TIs, vizinhos e UCs, fortalecendo a
conservação etnoambiental frente às pressões ocasionadas pela UHE BM.

Objetivos Específicos

Possibilitar o acesso dos povos indígenas aos novos referenciais sobre gestão de TIs
para que possam criar planos de uso sustentável dos territórios e garantir a qualidade
de vida das gerações futuras;
Possibilitar aos povos indígenas o exercício da gestão territorial por meio de
mecanismos “híbridos” - indígenas e não indígenas - de diagnóstico, zoneamento,
monitoramento e avaliação dos métodos, processos e resultados;
Promover a troca de experiências e o diálogo entre indígenas, parceiros institucionais e
atores locais para o exercício da gestão compartilhada dos territórios;
Acompanhar e influenciar políticas públicas de ordenamento territorial, adequação
socioambiental e outras que interfiram no uso e na ocupação do solo no entorno das TIs
ou que possam prevenir e minimizar impactos aos territórios indígenas;
Estabelecer arranjos institucionais e políticos para a viabilização da gestão territorial
indígena;
Coordenar as equipes e os consultores, gerir o Programa Gestão Territorial Indígena e
promover sua integração com todos os programas do PMX.

6.4.1.3 Metodologia

O Planejamento Territorial e Governança Socioambiental Compartilhada, por ser o projeto mais

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amplo do Programa Gestão Territorial Indígena, incorpora a atividade de Coordenação do


Programa. Além desta, para atingir os objetivos propostos, o presente projeto apresenta outras
três atividades, com escalas de abordagem complementares, desde a aldeia ao o cenário
internacional: Planejamento territorial indígena, focado nas ações reflexivas e normativas da
gestão territorial no âmbito das populações de cada aldeia; Governança indígena das relações
locais, que se amplia para além dos limites das TIs, promovendo a articulação dos povos com
seus vizinhos indígenas e não indígenas; e Arranjos institucionais e políticos para a gestão
socioambiental compartilhada, que promove uma articulação em escala regional e acompanha
políticas públicas locais, nacionais e internacionais.

As atividades “Planejamento Territorial” e “Governança Indígena das Relações Locais” se


relacionam a 2 Eixos da gestão territorial, o analítico e o decisório. Partem da “reflexão por
parte de indivíduos e comunidades sobre o uso dos recursos naturais e da forma em que as
pressões humanas podem afetar a sustentabilidade deste uso” (MILLER, 2008) para
cumprirem a função de planejar, controlar, coordenar e formular ações para atingir os objetivos
(CORREIA; BARRETTO FILHO, 2009). A reflexão e o planejamento terão sempre como base
a forma tradicional de uso dos recursos, por um lado, e os impactos e transformações locais,
por outro.

Ainda, a atividade “Governança Indígena das Relações Locais”, propõe a aproximação com os
diferentes segmentos sociais do entorno, com as diversas iniciativas regionais no âmbito da
gestão territorial, e com os propósitos de conservação das UCs da região.

Diversos povos indígenas na Amazônia vêm percebendo a importância de uma gestão ampla
e, apoiados por instituições indigenistas não governamentais, vêm ampliando suas estratégias
de articulação com o entorno, que se dividem em duas frentes: a aproximação técnica, a troca
de experiências locais e a articulação política.

A aproximação local se dá pelo diálogo e pela troca de idéias com os vizinhos e com as
autoridades, por meio de intercâmbios de experiências em desenvolvimento sustentável, ações
de conscientização e mobilização em temas socioambientais e encontros de lideranças
(JUNQUEIRA; GRUPIONI, 2010). Uma proposta que merece destaque é o Centro Yorenka
Ãtame, criado pelo povo Ashaninka com o objetivo de exportar os seus conhecimentos e sua
experiência em governança ambiental para fora dos limites da TI Ashaninka do Rio Amônia
(JUNQUEIRA; GRUPIONI, 2010).

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A articulação política busca influenciar políticas públicas e estabelecer arranjos institucionais e


políticos para a viabilização da gestão territorial indígena (CPI/AC, 2009; JUNQUEIRA;
GRUPIONI, 2010). Além disso, em algumas regiões da Amazônia já se iniciam experiências
inovadoras de gestão socioambiental compartilhada entre as TIs e o contexto local. É o caso
do Acre e do Oiapoque. No Acre, a interação com o Governo do Estado é grande e os planos
de gestão das TIs foram incorporados como políticas públicas (JUNQUEIRA e GRUPIONI,
2010). Já no Oiapoque vem se constituindo um mosaico formado por agricultores familiares,
assentamentos, e áreas legalmente protegidas, ou seja, as TIs e UCs (IEPÉ, 2010).

Estas experiências são referências positivas, cujas bases poderão ser seguidas na atuação do
Programa Gestão Territorial Indígena.

Estas duas atividades serão realizadas por uma equipe de 12 profissionais plenos, sendo 1
para cada uma das 11 TIs e 1 para a AI Juruna do Km 17. Estes profissionais deverão ter
formação superior e preferencialmente com experiência com povos indígenas. Assim que
contratados, participarão de um treinamento com consultores especializados – indigenistas e
antropólogos – para tomarem conhecimento sobre a configuração sociopolítico-econômica do
Médio Xingu e as questões prioritárias de cada território.

Em seguida, juntamente com os coordenadores do Programa, deverão formular seus planos de


trabalho, que em função das peculiaridades contextuais e diferenças culturais entre os povos
indígenas, seguirão propostas e planejamentos específicos para cada TI, formulados de forma
compartilhada entre os técnicos do projeto e as aldeias indígenas, durante as oficinas de
planejamento territorial.

Além das ações diretas com os povos indígenas, para se atingir os objetivos da gestão
territorial indígena deve-se promover também a articulação técnica e política em escalas
regional e nacional. As ações de articulação estão contempladas dentro da atividade Arranjos
institucionais e políticos para a gestão socioambiental compartilhada. O responsável por esta
atividade será um profissional sênior com formação superior e, preferencialmente, pós-
graduação, com experiência mínima de cinco anos em conservação ambiental, políticas
públicas e extensão rural, bem como em elaboração e gestão de projetos. Este profissional
deverá ser um bom articulador e possuir conhecimento sobre o contexto sociopolítico e
econômico da região do Médio Xingu. O coordenador geral do Programa Gestão Territorial
Indígena deverá apoiar este profissional sênior nas ações de articulação.

Todas as ações deste Programa foram planejadas a partir das especificidades de cada TI,
levando em consideração seus contextos interno e externo, o grau de vulnerabilidade, o nível
de relação de seu povo com a sociedade mais abrangente e a fluência em português. A

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coordenação será responsável por garantir que: (i) a implementação das ações do Programa
considere as especificidades de cada povo e aldeia; (ii) a participação indígena seja efetiva em
todas as etapas, do planejamento das ações à avaliação dos resultados; (iii) o calendário
sazonal de cada povo seja respeitado pela equipe; (iv) os indígenas não sejam
sobrecarregados pelo excesso de atividades e (v) os objetivos do Programa e o plano de
trabalho sejam pactuados com cada aldeia.

Coordenação do Programa Gestão Territorial Indígena

As atividades do Programa Gestão Territorial Indígena foram planejadas para incorporar a


participação indígena em todas as suas etapas, do planejamento das ações à avaliação dos
resultados. No primeiro ano de execução, as atividades planejadas deverão ser apresentadas
e pactuadas com as aldeias e, periodicamente, deverão ser reavaliadas e repactuadas. No 5º
ano de execução do PMX e a cada 5 anos, os resultados do Programa deverão ser avaliados
pela equipe do PGTI, em conjunto com as comunidades envolvidas, para subsidiar a
adequação da proposta de trabalho do Programa para o próximo quinquênio que, por sua vez,
deve ser novamente pactuada com as comunidades indígenas.

O Programa Gestão Territorial Indígena é composto por 11 atividades e 41 ações, que deverão
mobilizar os 16 membros do Programa: a equipe de campo, composta por 12 profissionais
plenos, sendo um para cada uma das 11 TIs e um da AI Juruna do Km 17; o profissional sênior
da articulação política e a equipe de geoprocessamento, que contém um profissional pleno e
dois profissionais juniores. Além das equipes fixas, serão contratados diversos consultores
para atenderem às atividades do projeto “Conservação Territorial” e a algumas ações do
presente projeto e do projeto “Monitoramento Territorial”.

Considerando-se o tamanho do Programa, em volume de ações e número de profissionais


envolvidos, o grande número de aldeias abrangidas e a dificuldade de acesso a elas, bem
como a importância da coordenação manter uma relação próxima com as comunidades
indígenas e com outras instituições locais, o desafio de coordenar e gerir o Programa é grande.
Para garantir bons resultados, a coordenação deverá ser realizada por 2 profissionais sêniores,
que atuarão de forma integrada: o Coordenador Geral do Programa conjuntamente com o
Coordenador Adjunto de Campo.

O Coordenador Geral deverá ter formação superior, preferencialmente em ciências naturais,


com pós-graduação e experiência em coordenação de projetos e em ações de gestão territorial
ou ambiental em TIs e que possua no mínimo 5 anos de trabalho em áreas indígenas. Entre
suas atribuições estará o relacionamento com os parceiros institucionais, com os agentes do

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entorno e toda a articulação necessária para a realização das atividades e ações. Sua função
estará mais relacionada com a implementação das atividades previstas no projeto, o
cumprimento dos seus objetivos, o monitoramento de toda a gestão do projeto, financeira e
técnica.

O Coordenador adjunto deverá ter uma formação superior, preferencialmente em antropologia


ou ciências sociais, com pós-graduação e experiência em coordenação de projetos e em ações
de gestão territorial ou ambiental em TIs e que possua no mínimo 5 anos de trabalho em áreas
indígenas e deverá residir em Altamira. Por se realizar junto às diferentes comunidades
indígenas de 11 TIs e uma AI, o adjunto deverá apoiar a interlocução com as lideranças e
comunidades indígenas, além de contribuir com avaliações antropológicas do processo. Este
poderá apoiar também as equipes técnicas, a fim de garantir um bom envolvimento dos povos
indígenas, adequando cada estratégia de ação com as formas de organização local.

A Coordenação do Programa Gestão Territorial está organizada em 3 ações: Seleção e


treinamento da equipe; Gestão do Programa e das equipes; e Avaliação integrada do
Programa.

É importante ressaltar que o Programa foi elaborado considerando-se o número atual de


aldeias nas TIs do Médio Xingu – 26 aldeias, porém, é esperado um aumento populacional e
do número de aldeias indígenas nos próximos anos e, portanto, deve-se prever uma margem
de 30% de recursos financeiros em todas as oficinas nas aldeias. Esta margem, deve-se
ressaltar, não está incorporada nos cálculos do orçamento apresentado nesta proposta do
Programa.

Seleção e treinamento das equipes

A Coordenação geral deverá elaborar o Termo de Referência para seleção dos profissionais e
dos consultores do projeto, contendo em linhas gerais, as características do PMX no contexto
da UHE BM, os objetivos e ações relacionadas em cada projeto do PGTI. Também deverá
organizar e executar o processo de seleção dos consultores, em análises curriculares e
entrevistas dos candidatos.

Antes do início da implementação em campo do Projeto, a equipe da coordenação deverá criar


um programa de treinamento inicial direcionado para os técnicos contratados, buscando o
nivelamento da equipe em relação a princípios e diretrizes, além da forma pela qual as
atividades e ações deverão acontecer nas TIs. Nesta ocasião, os membros da equipe
receberão informações e capacitação quanto ao contexto sócio-político-econômico da região;
noções antropológicas sobre os povos indígenas do PMX; técnicas de levantamentos
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participativos e etnobiológicos e técnicas de gestão colaborativa intercultural. Para contribuir


no treinamento deverá ser contratado, por 15 dias, um consultor sênior com habilitação em
Antropologia, além de possuir experiências em processos de gestão territorial em TIs da região
amazônica.

Em resumo, com relação à seleção e ao treinamento da equipe, a Coordenação do Programa


deverá: (i) elaborar os critérios para a seleção da equipe técnica que deverá realizar as
atividades previstas; (ii) recrutar os profissionais e garantir a capacitação; (iii) coordenar o
planejamento anual das atividades de campo de acordo com a realidade de cada TI e (iv)
garantir o suporte logístico para execução de todas as atividades do Programa.

Gestão do Programa e das equipes

Com relação ao gerenciamento das equipes e das atividades de campo do Programa, o


Coordenador Adjunto deverá: (i) promover o planejamento semestral conjunto das atividades;
(ii) garantir o suporte logístico, de material e de equipamentos para as equipes de campo; (iii)
acompanhar a condução do desenvolvimento de todas as ações nas 11 TIs e na AI e manter
espaço permanente de diálogo com as comunidades; (iv) garantir a incorporação dos dados
levantados pelas equipes do PMX no Banco de Dados (BD) e (v) elaborar relatório anual
consolidando as principais informações dos relatórios elaborados pelos profissionais da equipe
e pelos consultores.

No que tange à gestão geral do Programa, o Coordenador Geral deve: (i) manter a integração
do Programa Gestão Territorial Indígena com os outros programas do PMX; (ii) estabelecer
parcerias para viabilizar o desenvolvimento ou a ampliação das atividades do Programa, como
a “Formação de brigada indígena”; (iii) captar recursos financeiros complementares aos
recursos do empreendedor; (iv) contribuir na agenda de articulação do profissional sênior
responsável pela atividade “Arranjos institucionais e políticos para a gestão socioambiental
compartilhada”; (v) manter espaço permanente de diálogo com instituições e atores locais e
regionais e estimular a integração de ações semelhantes, visando a otimização do uso dos
recursos humanos e financeiros e a potencialização dos resultados do Programa e (vi)
acompanhar discussões de temas que se relacionam com gestão territorial indígena, como o
pagamento por serviços ambientais.

Articular todas estas ações de maneira que os objetivos sejam atendidos e as atividades
realizadas conforme o cronograma de execução demandará um grande esforço de
coordenação, tanto de comunicação como para os entendimentos múltiplos que deverão ser
consolidados, principalmente entre as comunidades indígenas e as equipes técnica de campo.

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Para tanto, deverão ser realizadas reuniões semestrais em todas as aldeias das 11 TIs e na AI,
com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a realidade local, as carências e
potencialidades de cada área.

Existe também todo um esforço de logística para adquirir os materiais permanentes e de


consumo para a execução das atividades e ações. Cada atividade prevista deverá mobilizar a
compra de materiais e alimentos na cidade, além da compra de alimentos nas comunidades e
o transporte de equipes e de combustível para as TIs. O Coordenador adjunto fará os
encaminhamentos necessários para que as questões logísticas e de apoio sejam adequadas.

Avaliação integrada do Programa

Visando agilizar o fluxo de informações dos projetos e ações entre os profissionais da equipe, a
Coordenação do PGTI deverá criar um sistema de monitoramento das atividades realizadas,
visando prioritariamente a comunicação com as comunidades indígenas e interlocutores do
projeto, tanto nas TIs quanto do entorno. Este deverá ser um dos principais desafios no que se
relacionam com o envolvimento ativo das comunidades indígenas. Neste aspecto, quanto
maior a rapidez de acesso aos dados gerados com o desenvolvimento do projeto, mais ágil
será também o processo de organização e sistematização destas atividades e ações, que
deverão alimentar o BD do PGTI. Esta será uma das principais ferramentas para o
acompanhamento do cumprimento de objetivos do Programa e avaliação crítica de indicadores
de resultados do PGTI.

A coordenação deverá implementar um sistema de avaliação contínua do Programa, com


objetivo de identificar demandas ou potencialidades para que estas sejam consideradas e
incorporadas na estratégia do PGTI, prevendo uma melhoria constante na eficiência
operacional e técnica das equipes.

A cada oficina, os consultores e assessores de referência terão um prazo definido para a


entrega dos relatórios técnicos e deverão preencher um quadro síntese de ações que
contenham no mínimo as seguintes informações: (i) resumo das ações realizadas por aldeia e
dos temas abordados; (ii) a relação dos responsáveis indígenas e não indígenas e dos
participantes; (iii) a relação das ações com o sistema de conhecimento local; (iv) os resultados
obtidos e (v) os encaminhamentos necessários e próximas ações planejadas. O Coordenador
também deve assegurar que as informações coletadas pelas equipes sejam incorporadas ao
BD para serem analisadas.

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Periodicamente deverão ser realizadas reuniões com os povos indígenas nas TIs com objetivo
de capturar suas impressões sobre o andamento das atividades, bem como a apreensão dos
resultados e propostas de melhorias ou adequações no modo como as ações vem sendo
realizadas. Também se considera o planejamento de ações e a organização das equipes
locais que deverão participar ativamente do projeto. Será fundamental proporcionar estes
espaços de diálogo e entendimento, a fim de flexibilizar cronogramas e formas de ações para o
desenvolvimento das atividades.

Em resumo, o processo de Avaliação Integrada do Projeto visa principalmente: (i) realizar


avaliações qualitativas e quantitativas dos resultados das atividades e ações empregadas,
além de medir o grau de envolvimento e entendimento dos povos indígenas no processo de
gestão colaborativa 8 ; (ii) incorporar dados ao BD e elaborar análises de cumprimento de
objetivos do Programa; (iii) avaliar como as atividades estão sendo construídas com as
comunidades e são adequadas à realidade local; (iv) se atendem aos objetivos ou se
respondem aos resultados previstos na estratégia do PGTI; (v) garantir a pactuação do PGTI
com as comunidades e a contínua avaliação do PGTI. A Coordenação deverá priorizar a
construção de espaços de diálogo com as comunidades, garantindo uma estratégia
participativa de forma que as atividades previstas possam ser adequadas a cada realidade.

Planejamento territorial indígena

Esta atividade parte de um olhar de dentro das TIs, para os recursos disponíveis e seus usos
pelos indígenas, construído nas atividades de diagnóstico do projeto “Monitoramento
Territorial”, e de um olhar para fora, aprofundando a compreensão da ocupação do território e
do diagnóstico do entorno, para a explicitação das vulnerabilidades presentes e vindouras e a
definição ou reformulação de estratégias de gestão do território frente aos desafios
identificados nesta realidade. Novos subsídios procuram fortalecer esta síntese, como o
acesso a experiências de outros povos que já vivenciaram realidades parecidas.

Incorpora, portanto, formas de pensar que sintetizam as formas tradicionais de utilização e


manutenção dos recursos base, por meio dos etnomapeamento, etnodiagnóstico e
etnozoneamento e das tecnologias ocidentais como monitoramento remoto, sistemas de BD e
outros, como “instrumentos „híbridos‟, com elementos da sociedade ocidental e indígenas”
(LITTLE, 2006), para planejar ações de intervenção voltadas à gestão do território.

8
Gestão colaborativa dos recursos naturais – ações que se realizam com a anuência prévia da
comunidade ao projeto, a qual cria espaços de diálogo entre pesquisadores e comunidades em um
processo de valorização e empoderamento destas, para a tomada de decisões (ver SOUZA et al., 2007).
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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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A consecução da atividade Planejamento Territorial Indígena pressupõe 3 ações com formatos


básicos de oficinas que serão realizadas individualmente em cada aldeia, e a quarta e última
ação, a ser realizada por meio de intercâmbios entre povos e organizações indígenas e
indigenistas.

Será necessário um esforço constante para que os povos indígenas consigam se apropriar do
desenvolvimento das ações e contribuir para a readequação das atividades seguintes.

Elaboração dos planos de trabalho e avaliação de resultados

Serão realizadas oficinas anuais em cada aldeia, no início de cada ano de execução do PMX,
com o objetivo de planejar as ações do ano de acordo com as prioridades e demandas das
comunidades frente às pressões e desafios territoriais e, a partir do 2º ano, avaliar as
atividades realizadas pelo PGTI no ano anterior.

No início do 1º ano, a primeira destas oficinas será o momento de aproximação entre os


profissionais plenos e as comunidades. Por cerca de 1 mês, o profissional estará envolvido em
ações do projeto “Monitoramento Territorial” - a Elaboração do calendário sazonal, o
Diagnóstico socioeconômico e de infraestrutura das aldeias e o Levantamento dos recursos e
ambientes chave. Esses instrumentos metodológicos descritos no referido projeto subsidiarão
o plano de trabalho do Ano 1, específico para cada TI.

A partir do Ano 2, a elaboração dos planos de trabalho irá partir dos resultados identificados na
ação seguinte. Será reeditada a oficina, onde deverão analisar as atividades desenvolvidas e
estratégias utilizadas, os resultados obtidos e as expectativas de continuidade ou ajustes
necessários ao novo plano de trabalho do PGTI. Estas Oficinas ocorrerão anualmente em
cada uma das 26 aldeias, entre os Anos 1 e 5, com duração de 5 dias e participação de 25
pessoas cada, sempre no primeiro semestre.

Oficinas síntese de monitoramento e estabelecimento de acordos

Espaço de socialização e discussão das informações levantadas nos diagnósticos e


monitoramentos ambientais realizados no âmbito do projeto “Monitoramento Territorial”, estas
oficinas anuais terão dois momentos: um de socialização, discussão e compreensão das
informações dos monitoramentos (em campo e remoto), refletindo sobre as pressões em curso
nos territórios, quando serão analisados os dados e variações de ordem ambiental, topográfica
e socioeconômica, facilitando a percepção e revisão de necessidades e prioridades; e outro de
proposição de acordos comunitários sobre o uso dos recursos e definição de estratégias e

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posicionamentos frente a prováveis ameaças, como invasões, desmatamento, incêndios,


redução de recursos e outros.

Essa estratégia deverá tornar perceptíveis as vulnerabilidades dos territórios, bem como suas
potencialidades e oportunidades para superação de adversidades, definir mecanismos de
controle social sobre os acordos e preparar o etnozoneamento e plano de uso sustentável a ser
consolidado na etapa seguinte do processo de gestão territorial, a ação de Consolidação do
etnozoneamento e plano de uso sustentável.

As oficinas serão realizadas no primeiro semestre de cada ano a partir do Ano 2 de execução
do PMX, durante a fase de construção da usina, e deverão permanecer anualmente nas fases
de enchimento e operação da usina, dada a importância do acompanhamento comunitário das
informações dos monitoramentos ambientais. Ocorrerão em cada uma das 26 aldeias, com
duração de 4 dias e participação de 25 pessoas em cada.

Consolidação do etnozoneamento e plano de uso sustentável

O etnozoneamento, conforme descrito no EIA do AHE BM (VIEIRA et al., 2009):

tem como objetivo definir as melhores formas de utilização de seu ambiente, a fim de,
juntamente com os estudos etnoecológicos, apontar os locais de acesso interno e
externo, guaritas de segurança, portos, aldeias, roças, pastos, pesca, piracemas,
caça, coleta, áreas não manejadas ou de descanso (praias dos tracajás, reprodução
das caças, matrizes vegetais para reprodução e alimento da fauna, entre outras),
objetivando à disponibilidade dos recursos ao longo do tempo. A quantificação dos
recursos (estoques produtivos das espécies potenciais) e a definição dos locais mais
adequados para cada atividade produtiva subsidiarão a elaboração do Plano de Uso
dos Recursos Naturais existentes na área indígena.

Desta forma, partindo da compreensão sobre as vulnerabilidades territoriais e dos acordos


estabelecidos na ação específica, serão consolidadas as deliberações normativas sobre o uso
e a ocupação do território. A partir de mapas mentais e imagens georreferenciadas, para
localização dos recursos prioritários e regiões que demandem proteção, serão sintetizadas as
estratégias de gestão territorial novas e/ou tradicionais em uma organização do território.
Serão definidas áreas etnoambientais e funções a que estas correspondem dentro da
necessidade de reprodução física e cultural dos grupos.

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Junto com o etnozoneamento será elaborado o plano de uso sustentável dos recursos,
compreendendo acordos sobre as formas de usos e as regras comunitárias de extrativismo da
flora e fauna. Após toda a comunidade ter se envolvido em ampla formulação dos caminhos
para enfrentamento dos desafios propostos, grupos de trabalho eleitos pelas comunidades
serão orientados a elaborar os planos de trabalho e capacitados para implementá-los.

Essas orientações estão programadas nos outros projetos e ações do PGTI e procurarão dar
conta de questões como: o etnomonitoramento de áreas vulneráveis; o combate a incêndios; a
recuperação de áreas degradadas e matas ciliares; o manejo de recursos naturais prioritários;
e a articulação com o entorno. Esta última será detalhada na atividade Governança indígena
das relações locais, componente deste projeto.

O etnozoneamento e o plano de uso sustentável dos recursos ambientais serão abordados em


uma oficina de cerca de sete dias que ocorrerá no primeiro semestre do 4º ano de execução do
PMX. O PG deverá ser reelaborado ao final de cada ciclo de gestão, conforme diretrizes
metodológicas de ordenamento territorial local (LITTLE, 2006), em revisões trienais.

Os resultados dos diagnósticos e do etnozoneamento poderão ser incorporados nos trabalhos


realizados nas escolas indígenas e pela FUNAI, como vem ocorrendo em algumas TIs no AM e
RO (KANINDÉ, 2011).

Intercâmbios de referência em gestão territorial indígena

A dinamização demográfica e econômica do entorno das TIs prevista na esteira dos impactos
da UHE BM irá impor aos povos indígenas desafios de gestão territorial para os quais terão de
elaborar respostas em curtos espaços de tempo. Desta forma, deverá ser-lhes garantida a
troca de experiências e o acesso a novos referenciais junto a povos com experiências
reconhecidas na proposição de alternativas frente a pressões das fronteiras econômicas
nacionais. Para isso, estão previstos 2 tipos de intercâmbios entre povos indígenas, os
coletivos e os específicos, que deverão facilitar a análise de modelos eficientes de gestão
territorial indígena, fornecer parâmetros para o enfrentamento dos novos desafios e subsidiar a
reformulação das estratégias de gestão territorial indígena.

Os intercâmbios coletivos deverão contar com a participação de 2 representantes de cada TI


abrangida pelo PMX, que visitarão 2 regiões selecionadas em função do acúmulo que as
comunidades indígenas e instituições parceiras produziram com relação à gestão territorial: o
Parque Indígena do Xingu e as TIs do Acre. O primeiro intercâmbio está previsto para o 2º
semestre do Ano 2 de execução do PMX e o segundo para o 2º semestre do Ano 4. Ambos
terão duração de 20 dias cada.
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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Os intercâmbios específicos foram solicitados pelos indígenas durante a realização da Oficina


Indígena, ocorrida em fevereiro de 2011, em Brasília. Cada TI pretende visitar povos que
sejam referências específicas para seus desafios particulares. Estes intercâmbios específicos
terão duração de 15 dias e participação de 5 representantes de cada TI, totalizando 12
pequenos intercâmbios, um por TI.

Governança indígena das relações locais

As ações desta atividade visam a compreensão indígena da ocupação regional, a prevenção


de conflitos territoriais, o fortalecimento das posições indígenas nas interlocuções que
estabelecem com atores e instituições locais - que de alguma forma influenciam ou determinam
a gestão de seus territórios - e a promoção da gestão compartilhada das TI do Médio Xingu.

Para isso, buscam o diálogo e a negociação sobre os usos e concepções acerca dos territórios
para estabelecer acordos interétnicos, mediar os conflitos territoriais já existentes e prevenir a
evolução de novos embates, previstos em um cenário de estreitamento de relações entre
indígenas e não indígenas.

O incremento demográfico causado pela UHE BM aumenta estas disputas, dada a crescente
demanda econômica regional. Considerando que estes conflitos fundiários se constituem
como ameaças concretas à integridade dos ambientes das TIs, se justifica uma ação
preventiva e paliativa frente a este cenário de conflitos.

Além destes diálogos com grupos sociais localizados na região, se propõe também a
aproximação entre indígenas e instituições para o avanço de formulações sobre a gestão dos
territórios. No mosaico da ocupação regional, algumas TIs fazem fronteiras com unidades
administradas por instituições como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(INCRA) e o Instituto Chico Mendes (ICMBio), entre outras. Devem ser promovidos espaços
transparentes de diálogo interétnico e interinstitucional para a solução de questões que
demandem e fortaleçam posições institucionais com influência sobre a gestão dos TIs.

Por último, se propõe a promoção da gestão compartilhada de TIs limítrofes, localizadas nos
eixos dos rios Iriri (Kuruaya, Xipaya, Cachoeira Seca, Arara e Kararaô), Xingu (Apyterewa,
Araweté/Igarapé Ipixuna e Koatinemo) e Bacajá (Trincheira Bacajá, Arara da VGX,
Paquiçamba), agregando-se ao último grupo, a AI Juruna do Km 17, pela proximidade.
Propõe-se a aproximação das lideranças em torno da discussão de desafios territoriais e
oportunidades comuns, e de estratégias consensualizadas para a gestão de blocos de TIs. Tal
ação complementa as demais atividades no sentido de fortalecer o controle e gestão indígena
sobre seus territórios. Além dos objetivos específicos à que responde, estará também
164
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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construindo articulações que contribuirão para discussões futuras sobre a conservação e uso
dos ambientes no médio e longo prazo.

Oficinas sobre ocupação territorial regional

Partindo-se do conhecimento histórico das comunidades sobre as trajetórias étnicas de


ocupação, e dos primeiros contatos com não indígenas diante do processo de colonização da
região, serão aportadas às comunidades informações históricas de outras fontes e informações
sobre a atual configuração de ocupação e uso do solo na região, podendo-se para tanto utilizar
a “linha do tempo” como recurso metodológico.

Por meio de recursos visuais como desenhos, fotografias e vídeos, pretende-se construir
entendimento sobre a complexidade da colonização do Médio Xingu, como passo necessário
para a compreensão das pressões previstas sobre os territórios indígenas para após o início
das obras da UHE BM. Sugere-se, entre outros temas pertinentes à realidade de cada
território, abordar os ciclos econômicos, as grandes obras de infraestrutura, fontes e formas de
produção de energia, e a legislação territorial e ambiental vigente.

É prevista a realização de 1 oficina, com duração de 5 dias, no 2º semestre do Ano 1, em cada


uma das 26 aldeias. Esta ação será a base para a ação seguinte.

Etnodiagnóstico do entorno

Partindo dos conhecimentos construídos na ação anterior, esta ação visa identificar com as
comunidades a situação socioambiental do entorno das TIs, levantando aspectos relacionados:
ao estado de conservação ou degradação dos ambientes; às atividades econômicas
desenvolvidas e aos grupos sociais presentes. Estas informações, somadas à análise do
levantamento fundiário realizado pelo projeto “Monitoramento Territorial” poderão ser
empregadas na construção de um mapa de relações dos indígenas com o entorno. Uma das
técnicas mais empregadas neste tipo de levantamento é o “Diagrama de Venn”, que é uma das
técnicas de Diagnóstico Rural Participativo (Participatory Rural Appraisal) (CHAMBERS, 1994).
O diagrama permite mapear as relações e também enfatizar a intensidade destas.

As informações deste mapeamento cognitivo poderão ser complementadas com dados


levantados em campo durante as expedições realizadas pelos indígenas em outras ações do
PBA-CI/PMX, como as expedições de coleta de recursos prioritários (projeto Conservação
territorial), de visita a sítios históricos (Programa Patrimônio Cultural) ou de etnomonitoramento
da fauna, caça, pesca ou florestas (projeto “Monitoramento Territorial”). Para isso, deverão ser

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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realizadas oficinas preparatórias com duração de cerca de 5 dias, para instrumentalização dos
indígenas no uso de GPS, na leitura cartográfica e na produção de registros visuais e escritos.

Este conjunto de informações permitirá identificar os atores que de alguma forma influenciam
ou determinam a gestão indígena sobre o território e/ou seus recursos, e a situação qualitativa
destas relações. O foco será a identificação das relações sobre as quais o projeto possa
propor facilitações ou intervenções de forma a fortalecer os indígenas na garantia de seus
direitos territoriais e ambientais.

Os resultados do etnomapeamento do entorno subsidiarão o planejamento das ações de


intervenção no entorno, ligadas à educação ambiental, à orientações sobre os limites da TI e
sua importância para o meio ambiente e de resolução de conflitos ou estabelecimento de
“acordos de boa vizinhança”.

O mapeamento das relações interétnicas será objeto de 2 oficinas de cerca de 5 dias, que
serão realizadas no segundo semestre do 1º e 4º anos do PMX.

Reuniões entre lideranças indígenas de territórios contíguos

Dentre as TIs afetadas pela UHE BM, algumas delas possuem territórios contíguos,
compartilhando ambientes e longas faixas de fronteira. Dessa forma, para a proteção e gestão
efetiva destes blocos é imprescindível a integração entre estas comunidades, no sentido de
discutir os desafios e oportunidades comuns, além de socializar posições e estratégias. Tal
proposta visa integrar ações indígenas de gestão territorial e fortalecer os grupos indígenas
vizinhos frente a pressões comuns a que seus territórios se expõem no novo contexto regional.

Serão promovidos, a partir do 2º ano do PMX, encontros anuais entre as lideranças indígenas
de áreas vizinhas, sendo 3 encontros para cada rota - Iriri, Xingu e Bacajá - após a discussão
com cada comunidade sobre as possíveis pautas, potencialidades e desafios dos encontros.

Poderão também ser aproveitadas ocasiões de festas ou outros eventos para troca de
experiências e palestras de interesse comum, identificadas previamente pelos profissionais
plenos junto aos povos indígenas, desenvolvendo temas focais para a aproximação entre as
comunidades. Essas palestras poderão ser proferidas por indígenas que acumularam
experiência nos temas propostos ou por consultores plenos não indígenas.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Encontros entre lideranças indígenas e atores locais

Espaço de interlocução com diferentes atores sociais, com interesses diversos e por vezes
conflituosos, com os quais os indígenas mantenham relações, especialmente os vizinhos que
fazem limites com as TIs - e que, portanto, são corresponsáveis pela fronteira - e os que
influenciam a gestão de seus territórios, como os assentamentos e os ribeirinhos - com os
quais os indígenas compartilham recursos -, entre diversos outros.

O enfrentamento dos impactos da UHE BM exige esforços para construção de consensos


sobre o uso e a ocupação do território que minimizem ou compensem os efeitos negativos,
prevenindo a tendência de acirramento dos conflitos existentes. Propõe-se a criação de
espaços de diálogo e compreensão mútua, por meio da realização de encontros e reuniões,
com pautas definidas previamente entre as partes, para a mediação de situações nas quais os
povos indígenas estejam vulneráveis, propondo acordos de uso de recursos (zonas de
amortecimento ou faixas de segurança etnoambiental, áreas para restauração florestal ou
períodos e zonas de caça e pesca), assim como a definição de melhores práticas de manejo
sustentável.

Além de encontros com segmentos populacionais regionais, poderão ser identificadas


potenciais aproximações com instituições com as quais os indígenas tenham questões a
discutir, como no caso de contigüidade entre TIs e UC.

Nos casos onde predominem relações conflituosas propõe-se a mediação de instituições


legitimadas (INCRA, o IBAMA e a FUNAI), de forma que se possa proceder a proposições que
efetivamente apontem soluções de conflitos ambientais, fundiários e territoriais.

Embora tenha o objetivo pragmático de facilitação da governança indígena nas relações locais,
esta ação visa também colaborar com a criação futura de articulações mais abrangentes e
sólidas, como redes e comitês regionais, cuja criação já está sendo discutida na região.

Estão programados 3 encontros para os representantes de cada TI, em Altamira, entre o 2º e


4º ano de execução do PMX, participando 5 representantes indígenas em cada encontro.

Arranjos institucionais e políticos para a gestão socioambiental compartilhada

Esta atividade será realizada pelo profissional sênior responsável pela agenda de articulação
do “Programa gestão territorial indígena” e visa promover a aproximação e a integração do
Programa com os fóruns, instituições e redes locais e acompanhar as políticas públicas que
interferem direta ou indiretamente sobre os povos indígenas, seus territórios e os recursos
hídricos essenciais a estes povos. Para tanto, são previstas 3 ações:

167
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Aproximação técnica e fortalecimento de redes e fóruns

A região do Médio Xingu é caracterizada por diversas ONGs que atuam com objetivos e ações
semelhantes aos deste Programa, podendo-se destacar: a Fundação Viver Produzir e
Preservar (FVPP), o Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM) e o Instituto Socioambiental
(ISA). Estas e outras instituições regionais vêm, nos últimos anos, buscando uma maior
cooperação e integração técnica e um destes espaços é a Rede Terra do Meio. Esta Rede,
composta pelas instituições supra citadas e por órgãos do governo, como a FUNAI, o Ministério
Público (MP) e o ICMBio, tem como objetivos a comunicação sobre os projetos em andamento
nas diversas áreas protegidas da Terra do Meio e no entorno, o alinhamento de ações
realizadas, o intercâmbio de práticas e a conseqüente otimização de recursos humanos e
técnicos aplicados na região.

Propõe-se na presente ação que este Programa venha somar-se a esta e a outras iniciativas
na região voltadas à governança e à conservação territorial e ambiental, visando formar, ou
potencializar, um sistema de atores de entidades públicas e privadas que produzirão e
compartilharão informações qualitativas e quantitativas a respeito do espaço social e territorial
do Médio Xingu e aspectos técnicos de projetos de promoção da qualidade de vida ou da
sustentabilidade das populações locais. Deve-se buscar descobrir e encorajar as
potencialidades humanas, técnicas e científicas como forma de desenvolver processos que
promovam a geração e a integração de informações e a gestão socioambiental compartilhada
na região do Médio Xingu.

Em primeiro lugar, o profissional sênior deverá identificar os interlocutores – órgãos de


governo, organizações não governamentais e movimentos da sociedade civil – e estabelecerá
a aproximação por meio da participação nos fóruns existentes, para diagnosticar o estágio de
integração entre os projetos, as dificuldades enfrentadas e respectivas abordagens. A partir
desse levantamento inicial, deverá formular uma proposta de contribuição efetiva, seja por
meio de estratégia de intervenção nos projetos, seja por meio da capacitação do seu corpo
executivo e deliberativo.

Esse plano estratégico deverá ser discutido com os atores regionais nos fóruns existentes de
maneira a responder as demandas e consensos por eles formulados. E, a partir de então, o
profissional sênior do Programa deverá promover uma ampla mobilização em busca de
recursos humanos, materiais e financeiros para viabilizá-lo.

Dentro do plano, o profissional sênior deverá contemplar: o incentivo a ações integradas entre
diferentes atores e instituições no corredor de TIs e UCs do Médio Xingu; o apoio à viabilização
do Comitê de Bacia Hidrográfica do Xingu e o estabelecimento de parcerias com instituições do

168
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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governo ou ONGs que realizem projetos que possam reduzir as pressões sobre as TIs e os
recursos naturais do entorno ou combater os incêndios florestais.

No 1º ano será realizado o mapeamento das redes, no segundo será formulado o plano
estratégico e no Ano 3 será feita a articulação e mobilização para viabilização do plano. Nos
anos subseqüentes o plano será implementado.

Articulação e apoio estratégico ao poder público local

O Pará foi o estado que mais desmatou nos anos de 2009 e 2010 e, dois dos municípios da
região do Médio Xingu - São Feliz do Xingu e Altamira - foram os campões de desmatamento
na Amazônia em 2010 (GLOBO AMAZÔNIA, 2010). Esta região é marcada por grandes
conflitos fundiários (CMAM/CGPIMA-FUNAI, 2009; PDRS Xingu, 2011), pela falta de
regularização fundiária – menos de 40% das propriedades estão cadastradas - e por uma
economia baseada nas atividades agrícola e pecuária de baixa produtividade, com crescente
pressão sobre a floresta (PDRS Xingu, 2011).

Conforme apontado no EIA do AHE BM - Volume 28, a atuação do Estado nessa região é
ambígua com relação ao uso insustentável dos recursos naturais na região, pois ao mesmo
tempo em que promove ações que incentivam o processo de uso e ocupação da região, realiza
ações de controle dos seus efeitos, dificultando a previsão dos seus impactos sobre a AII do
AHE BM (LEME, 2009):

A resultante socioeconômica desse conjunto de esforços dependerá, em grande parte,


da efetividade das medidas previstas, especialmente as voltadas ao desenvolvimento
de atividades produtivas em bases sustentáveis, ao ordenamento territorial, ao
monitoramento e repressão de atividades ilegais, e à regularização fundiária.

Considerando-se, portanto, a necessidade de ordenamento territorial, regularização fundiária e


adequação socioambiental das propriedades do entorno das TIs, o agravamento da situação
decorrente do adensamento populacional provocado pela construção da UHE BM e a
impossibilidade de previsão exata dos impactos, o empreendedor é responsável por investir em
ações de prevenção e minimização de impactos nas TIs.

O cenário político, contudo, vem se tornando cada vez mais favorável. Nos últimos anos, e
especialmente após o Decreto nº 6.321 de 2007, vêm crescendo as iniciativas governamentais
que visam à redução do desmatamento e a regularização fundiária e ambiental na Amazônia
Legal. Entre estas iniciativas pode-se citar: o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do

169
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Desmatamento na Amazônia Legal9; a criação do Fundo Amazônia; a Rota Verde (MDA, 2011);
o Boi Guardião 10 (PDRS Xingu, 2011); os programas BNDES Florestal e Compensação
Florestal (MARCOVITCH, 2011); e o projeto Municípios Verdes (GUIMARÃES et al., 2011).

Estas iniciativas governamentais, ao mesmo tempo em que promovem resultados ambientais


positivos, apresentam uma série de vantagens aos proprietários rurais e aos municípios
envolvidos (GUIMARÃES et al., 2011). Dentre estas estratégias do tipo win-win, isto é, em que
todos os envolvidos são beneficiados, no Estado do Pará pode-se destacar o projeto
Municípios Verdes, que visa o desmatamento zero até 2014.

O envolvimento dos municípios neste projeto implica na regularização fundiária – via o


cadastramento de ao menos 80% do território - na regularização ambiental das propriedades,
na redução do desmatamento, no estímulo à restauração de APPs e RLs e na adoção de boas
práticas agropecuárias (GUIMARÃES et al., 2011), o que afeta positivamente o uso e a
ocupação do solo no entorno das TIs, reduzindo a pressão sobre estas terras e os recursos
hídricos importantes para os povos indígenas. Para que estes resultados positivos sejam
atingidos, é importante estimular a participação de todos os 9 municípios abrangidos pelas TIs
do Médio Xingu11.

As experiências dos municípios que já aderiram ao projeto Municípios Verdes recomendam o


envolvimento de organizações da sociedade civil, entre elas as organizações não
governamentais, de forma a potencializar os resultados (GUIMARÃES et al., 2011). O
envolvimento da sociedade civil organizada também é recomendado pelo Plano de
Desenvolvimento Regional Sustentável Xingu (PDRS Xingu, 2011).

O profissional sênior deverá identificar estas e outras oportunidades nas políticas públicas para
a implementação de ações de manutenção ou recuperação dos ecossistemas terrestres e
aquáticos – entre elas as ações de restauração de matas ciliares – e para o estabelecimento
de mosaicos e/ou corredores ecológicos, UCs e zonas de amortecimento – ou faixa de
segurança etnoambiental - e serviços ambientais apontados no EIA.

A identificação das oportunidades será realizada no 1º ano de execução do PMX, por meio do
levantamento, presencial e em fontes secundárias, junto a órgãos dos governos municipais e
estadual responsáveis pelas políticas socioambientais e indigenistas e da identificação dos

9
Entre seus objetivos estão ações de criação de novas UCs, homologação de TIs e criação de redes de
pesquisa em gestão ambiental na Amazônia.
10
Elaborado pelo MAPA e o governo estadual, este programa tem como proposta, o desmatamento zero
e o controle do rebanho em tempo real.
11
Até o início de 2011, 75 municípios paraenses tinham assinado o Termo de Compromisso com o
governo do estado e o Ministério Público Federal (DIÁRIO DO PARÁ, 2011).
170
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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estudos diagnósticos e dos planos, programas, políticas e projetos existentes. Com base neste
levantamento e nestes estudos deverá ser elaborado o mapeamento de desafios e
oportunidades, que integrará o plano estratégico de atuação política, a ser elaborado no
segundo ano do PMX.

A partir de então, o profissional sênior deverá continuar sua agenda de articulação política.
Nesta, deverão constar ações já identificadas, entre elas: (i) apoiar a viabilização do Comitê de
Bacia Hidrográfica do Xingu; (ii) acompanhar as políticas públicas de ordenamento territorial e
adequação socioambiental que interferem no uso e ocupação do solo no entorno das TIs, como
o Planejamento territorial participativo do “Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável
(PDRS) do Xingu; a “Política Municipal de Meio Ambiente de Altamira” e (iii) estimular o
envolvimento de todos os municípios abrangidos pelas TIs do Médio Xingu 12 no projeto
Municípios Verdes.

A presente ação prepara o cenário para a realização da ação “Incentivo à recomposição de


matas ciliares fora das TIs”, prevista no projeto “Conservação Florestal”, que também integra o
presente Programa.

Seminário para avaliação dos impactos da UHE BM

Para finalizar o primeiro ciclo de 5 anos deste Programa, propõe-se a realização de um


seminário regional em parceria com os atores regionais identificados e vinculados ao presente
projeto, e envolvendo os diferentes setores da sociedade local para um encontro de 3 dias ao
final do segundo semestre do 5º ano do PMX.

Propõe-se analisar os resultados dos monitoramentos socioambientais do período, como: a


situação da vazão e da qualidade da água no TVR; a situação do meio físico-biótico da Área de
Influência; as mudanças no padrão de uso do solo; a situação das APPs e outros impactos
observados, bem como as medidas utilizadas pelo empreendedor para minimizá-los.

Pretende-se convidar especialistas para abordar alternativas coletivas de enfrentamento dos


problemas ambientais identificados ao longo dos 5 anos de execução do PMX, visando
contribuir para a formulação de novas estratégias de enfrentamento dos impactos observados.

A princípio, pensa-se abordar temas e ações previamente indicados no EIA, tais como: zonas

12
Altamira, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Vitória do Xingu, São Félix do Xingu, Senador José
Porfírio, Anapu e Placas.
171
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de amortecimento - faixas de segurança etnoambiental -, corredores ecológicos, áreas de uso


exclusivo e UCs; campanha para recuperação de nascentes, matas ciliares e reservas legais, e
técnicas sustentáveis de manejo florestal. Essas abordagens deverão contribuir para apontar
um futuro de integração da gestão territorial de diferentes componentes geográficos da região,
como indígenas, agricultores, instituições variadas, pescadores, comunidades tradicionais.

O seminário deverá contar com a participação de cerca de 300 pessoas entre as equipes do
PMX, profissionais dos setores público e privado e representantes indígenas. Será planejado
pela equipe técnica do Programa e contará com a participação de consultores especializados
para as palestras e elaboração dos documentos de apoio. Além disso, para o período do
evento, serão contratados assessores pontuais para logística, mediação, relatoria e gravação
em vídeo.

6.4.1.4 Legislação específica

Decreto nº 6.321, de 21 de dezembro de 2007 - Dispõe sobre ações relativas à


prevenção, monitoramento e controle de desmatamento no Bioma Amazônia, bem
como altera e acresce dispositivos ao Decreto no 3.179, de 21 de setembro de 1999,
que dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades
lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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6.4.1.5 Atividades a serem desenvolvidas

Atividade: Coordenação do Programa Gestão Territorial Indígena


Responsáveis pelas ações Interface com
Prazo/etapa do outros
Ações Metas Indicadores Público Alvo Empreendi- Equipe Técnica Programas e/ou
Parceiros
mento (empreendedor) Projetos do PMX
e PBA
12 profissionais plenos
1 Coordenador
das TIs experientes
geral sênior.
contratados.
Etapa de 1 Coordenador
Seleção e 1 profissional sênior da construção. Coordenação do
Equipe qualificada para o Profissionais do técnico sênior de
treinamento articulação política PBA-CI/PMX;
trabalho. PGTI. 1º semestre do campo (adjunto).
das equipes. experiente contratado. projetos do PGTI.
Ano 1 do PMX. 1 Consultor sênior
Treinamento realizado
(antropólogo e/ou
para os 12 profissionais
indigenista).
das TIs.
Equipes niveladas em
Estratégia de comunicação
relação aos objetivos do Etapas de
eficiente com equipe e FUNAI,
projeto. construção e 1 Coordenador
Gestão do parceiros. Profissionais do operação. IBAMA,
Relatórios dos encontros geral sênior.
programa e das Planejamento de ações com PGTI, consultores ONGs e Projetos do PGTI.
com os interlocutores Permanente, 1 Coordenador
equipes interlocutores locais. e parceiros. Associações
locais. enquanto a UHE adjunto sênior.
Planejamento semestral das Indígenas.
13 planos semestrais de BM operar.
ações nas TIs e entorno.
trabalho elaborados.
Coordenador Equipe de Desde o 1º ano de
Ações quantificadas e FUNAI,
acompanhando as
avaliadas segundo consultores e desenvolvimento 1 Coordenador Projetos do PGTI,
Avaliação IBAMA,
atividades.
critérios técnicos. assessores, do projeto / Fases geral sênior. PAP,
integrada do ONGs e
Avaliação quali e lideranças e grupo de instalação, 1 Coordenador Conservação
Programa. Participação das Associações
quantitativa dos dados de realizadores enchimento e adjunto sênior territorial.
comunidades avaliada. Indígenas.
produzidos pelo PGTI. das TIs. operação.

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Atividade: Planejamento territorial indígena


Responsáveis pelas ações Interface com
Prazo/etapa do Equipe outros
Ações Metas Indicadores Público Alvo Empreendi- Técnica Programas e/ou
Parceiros
mento (empreen- Projetos do PMX
dedor) e PBA
Etapas de
Planejamento dos trabalhos
Plano anual de trabalho construção,
Elaboração dos construído com as
por aldeia. enchimento e
planos de comunidades indígenas.
Relatório anual das Comunidades operação. 12 profissionais
trabalho e Planejamento anual pautado Projetos do PGTI.
atividades desenvolvidas indígenas. 1º semestre dos plenos das TIs.
avaliação de por indicadores étnicos e
resultados. com evolução dos Anos 1, 2, 3, 4, 5,
técnicos e focado nos
resultados. enquanto operar a
resultados.
usina.
Socialização e compreensão
das informações fornecidas
pelo monitoramento das TIs. Etapas de
Estabelecimento de acordos construção, 12 profissionais
Oficinas síntese comunitários de uso dos enchimento e plenos das TIs
do monitoramento recursos. Relatórios das oficinas.
Comunidades operação. Consultores do
territorial e Acordos definidos. Projetos do PGTI
indígenas.
estabelecimento Definição de estratégias 1º semestre dos projeto
de acordos. comunitárias frente ameaças ao Acordos cumpridos. Anos 1,2,3,4,5, Monitoramento
território. enquanto operar a Territorial.
Construção de subsídios para o usina.
etnozoneamento/plano de uso
dos recursos.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Etapas de
construção,
Consolidação do enchimento e Profissionais
Consolidação do etnozoneamento das TIs. Etnozoneamento produzido em operação. plenos das TIs.
etnozoneamento Consolidação dos planos cada TI. Comunidades 1º semestre do Consultores do Projetos PGTI.
e plano de uso de uso sustentável dos Deliberações dos planos de indígenas. Ano 4 de PGTI. PAP.
sustentável. recursos e ocupação das uso sustentável das TIs. execução do PBA- Consultor
TIs. CI/PMX, ciclos pleno.
trienais, enquanto
operar a usina.
Associações
Relatórios dos intercâmbios. Lideranças indígenas do
indígenas do Profissionais PIX e do
Conhecimento de modelos Registros em vídeo e plenos das TIs. Acre.
PMX.
exitosos de gestão fotografias das atividades Etapa de
territorial indígena. Povos/ Relator. Organizações
Intercâmbios de desenvolvidas. construção.
lideranças Técnico indigenistas, Projetos do PGTI.
referência em Estabelecimento de Novas experiências 2º semestre dos
indígenas do audiovisual ISA e
gestão territorial parâmetros para gestão implantadas nas aldeias (ao Anos 2, 3 e 4 de
PIX. indígena. Comissão Pró PAP, PFI e PPC.
indígena. territorial indígena. final do projeto). execução do
Troca de experiências
Povos/ PBA-CI/PMX. Prestadores de Índio do Acre.
Novas estratégias de proteção lideranças FUNAI; MMA;
entre povos indígenas. serviços
implementadas nos territórios indígenas do MJ; MDS;
indígenas.
(ao final do projeto). Acre. MDA; MINC;
MCT e outros.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Atividade: Governança indígena das relações locais


Responsáveis pelas ações Interface com
Prazo/etapa do outros
Público Equipe Técnica
Ações Metas Indicadores Empreendi- Programas e/ou
Alvo (empreen- Parceiros
mento Projetos do PMX
dedor)
e PBA
Relatórios das oficinas com
Oficina sobre a Compreensão da ocupação programação e conteúdos Etapa de
Comuni- Projetos do PGTI.
ocupação regional. abordados. construção. Profissionais
dades Programas do
territorial Compreensão sobre os 2º semestre do plenos das TIs.
Registros em fotografias. indígenas. PMX.
regional. impactos da UHE BM. Ano 1 do PMX.
Relação de participantes.
Caracterização dos atores e Etapas de
Identificação da situação instituições de relacionamento das construção,
socioambiental do entorno Projeto
TIs. enchimento e
das TIs. Monitoramento
Lideranças operação. Profissionais
Relação de temas a serem Territorial.
Etnodiagnóstic Mapeamento das relações indígenas. 2º semestre dos plenos das TIs. FUNAI e
abordados por cada TI com os outros a Coordenação
o do entorno. indígenas. atores/instituições locais. Associações Anos 1 e 4 de Consultores do definir.
Regional de
Capacitação de lideranças indígenas. execução do PGTI.
Relatório da capacitação. Altamira –
indígenas para leitura PMX, ciclos
Relação de indígenas PA/FUNAI.
cartográfica e uso de GPS. trienais enquanto
capacitados. operar a usina.
Ações de preservação, manejo e
recuperação de recursos naturais Etapa de
Proteção territorial desenvolvidas. construção e
Reuniões entre compartilhada entre os Lideranças etapas de
lideranças Ações de proteção territorial Projetos do PGTI.
povos indígenas. implantadas pelos povos indígenas. enchimento e Profissionais
indígenas de operação. PAP.
Uso sustentável dos indígenas. Associações plenos das TIs.
territórios PFI.
contíguos. recursos naturais no entorno Acordos firmados entre povos. indígenas. Anos 2, 3, 4, 5,
das TIs. enquanto operar
Registro da evolução dos conflitos a usina.
Atas de 9 encontros realizados.

176
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Ações de preservação, manejo


e recuperação de recursos
naturais planejadas. Lideranças Etapa de
Proteção territorial indígenas. construção e
Encontros compartilhada entre Ações de proteção territorial Mediações Projetos do PGTI.
povos indígenas e implementadas pelos povos Associações etapas de
entre institucionais: PAP.
atores instituições indígenas e atores locais. indígenas. enchimento e Profissionais
lideranças operação. INCRA, Programas do
atuantes ao nível local. Acordos firmados entre os Atores locais plenos das TIs.
indígenas e FUNAI, Eixo Relacional do
atores locais. e suas Anos 2, 3, 4, 5,
Redução dos conflitos povos. IBAMA, PF. PMX.
entre as TIs e o entorno. Registro da evolução dos representaç enquanto operar
ões. a usina.
conflitos.
Atas dos ncontros realizados

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Atividade: Arranjos institucionais e políticos para a gestão socioambiental compartilhada


Responsáveis pelas ações Interface com
Prazo/etapa Equipe outros
Ações Metas Indicadores Público Alvo do Empreen- Técnica Programas e/ou
Parceiros
dimento (empreen- Projetos do PMX
dedor) e PBA
Interlocução do PGTI Cadastro dos interlocutores regionais Etapa de
Aproximação com redes/fóruns locais. com linhas de ação e projetos em construção, Profissional Redes e fóruns
técnica e Mobilização das redes desenvolvimento. enchimento e sênior da locais; FUNAI;
Redes e fóruns operação. Projetos do PGTI;
fortalecimento em torno do Plano Cadastro das redes que atuam na agenda de MP; ICMBio;
locais. PAP; PSA.
de redes e estratégico formulado. região e suas agendas. Anos 1, 2, 3,4, articulação do FVPP; IPAM e
fóruns. Fortalecimento das Plano estratégico junto às redes e 5, enquanto PGTI. ISA.
redes e fóruns locais. fóruns locais. operar a usina.
Poder público
Relação dos desafios local (SEMA-PA,
socioambientais dos municípios de prefeituras, Incra,
localização das TIs. Etapa de Iterpa,
Interlocução do PGTI
Articulação e com iniciativas do poder Relação dos programas dos construção, Profissional Coordenação
governos municipais que respondem Órgãos do enchimento e sênior da Regional de Coordenação do
apoio público estadual e
aos desafios socioambientais. Altamira – PGTI e
estratégico ao municipal. poder público operação. agenda de
Coordenação do
poder público Relação das ONGs que atuam com local. Anos 1, 2, 3, 4, articulação do PA/FUNAI, etc.). PMX.
local. Apoio estratégico aos PGTI.
os governos municipais para 5, enquanto Organizações
municípios.
superação dos desafios ambientais. operar a usina. parceiras dos
Plano estratégico do PGTI para governos
atuação junto a cada município. municipais (IPAM,
etc).

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Organizações
públicas e civis Coordenadores
Análise dos impactos que atuam no Etapas de geral do PGTI.
meio construção e Profissional
socioambientais
sofridos no período, na socioambiental. operação. sênior da
Seminário região de abrangência Relatório do evento. Profissionais 2º semestre do agenda de Organizações
para da UHE BM. Registro em vídeo do evento. da área Ano 5 de articulação do parceiras Projetos do PGTI
avaliação dos socioambiental. execução do PGTI. e programas do
Construção de Relação de participantes. vinculadas ao
impactos da PMX e a cada Relator. PMX.
estratégias coletivas p/ Agenda do PGTI repactuada. Lideranças PGTI/PMX.
UHE BM. 5 anos, durante
minimizar ou compensar indígenas. Consultores
toda a
os impactos da UHE Comunidades operação da especializados.
BM. atingidas pelos usina. Consultores
impactos da junior.
UHE BM.

179
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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6.4.1.6 Elementos de custo

Elementos de custo
Atividade: Coordenação do Programa de Gestão Territorial Indígena
Construção
Ação Recursos Humanos Recursos materiais / serviços de terceiros
civil
1 profissional sênior com
formação superior,
preferencialmente em,
antropologia ou ciências Materiais de consumo e Equipamentos:
sociais, com pós-graduação, - 10 kits de material de papelaria – R$300,00x10
preferencialmente sensu - Material de trabalho dos 16 profissionais da equipe PGTI:
stricto, e experiência em - 16 notebooks com processador corel 2 Duo, 2.10GHz, 4GB Memoria Ram, HD 320GB,
coordenação de projetos e em sistema operacional 64 Bits, Leitor/gravador DVD, placa de vídeo 512MB.
ações de gestão territorial ou - 13 Câmeras fotográficas com GPS integrado, mínimo 8 Mega Pixels, fonte de energia
ambiental em TIs e que Baterias recarregáveis, memória interna mínima 26 MB.
possua no mínimo 5 anos de - 3 câmeras fotográficas digitais mínimo de 8 Megapixels, fonte de baterias recarregáveis
trabalho em áreas indígenas. e memória interna mínima de 26 MB.
1 profissional sênior com - 13 Aparelhos de GPS a prova d´agua, com 1000 Waypoints, modo TRckBack, mínimo
Seleção e 250 trilhas com mínimo de 50 pontos cada.
formação superior,
treinamento - 16 HDs externos com capacidade mínima de 500 GB.
preferencialmente em ciências
das - 13 gravadores de áudio digitais compactos de 2 canais.
naturais, com pós-graduação
equipes - 1 Filmadora HDD com tela LCD e baterias recarregáveis com cartão de memória de no
preferencialmente sensu
stricto, e experiência em mínimo 5 GB.
coordenação de projetos e em - 12 carrinhos de mão para transporte de caixas e equipamentos.
ações de gestão territorial ou Serviços de Terceiros:
ambiental em TIs e que - 16 Ajuda de Custo para aquisição de material de campo (R$400,00 cada).
possua no mínimo 5 anos de - Impressão colorida de sulfite A4: 1000 páginas.
trabalho em áreas indígenas. - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 25 fotos.
- 15 dias de trabalho de 1 - Impressão de mapas colorida A3: 75 páginas.
Consultor Sênior em Deslocamentos e Transportes:
Antropologia e experiência em - 1 Passagem aérea origem do consultor/ Altamira/ origem do consultor.
trabalho indigenista na região
abrangida pelo PBA para
capacitação inicial.

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Materiais de Consumo e Equipamentos:


- 100 diárias em Brasília
- 250 diárias em Altamira
- 150 diárias aluguel veículo (30 dias/ano) e combustível (25l/30 dias/ano/5anos) = 3.750l
Deslocamentos e Transportes:
- 9 passagens aéreas origem do consultor/ Altamira/ origem do consultor
- 40 x SP/Altamira/SP (8 viagens/ano)
- 20 x SP/Brasília/SP (2 viagens/ano x 2 coordenadores)
2 Fretes terrestres/ano: (inclui 1 frete para materiais)
- 15fretes Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira
2 trechos fluviais/ano: (inclui 1 frete para materiais)
- 10x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
O profissional sênior - 10x Altamira - TI Arawete/Igarapé Ipixuna (desloc. p/ 5 aldeias) - Altamira
coordenador do PGTI. - 10x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 10x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira
O profissional sênior - 10x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
coordenador adjunto do PGTI. - 10x Altamira - TI Arara (1 aldeia) - Altamira
Gestão do
Programa e - 10x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) - Altamira
45 diárias em Altamira de 1 - 10x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
das
Consultor sênior em - 10x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) - Altamira
equipes.
Antropologia e experiência em - 10x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
trabalho indigenista na região - 10x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira
abrangida pelo PMX, 5 dias
Materiais para 8 dias de reuniões/ano em 25 aldeias/5 anos
em cada uma das 9 reuniões
-125 kits materiais de apoio e limpeza (pilha, lanterna, fósforo, vela, sabão, esponja, faca)
semestrais.
-125 kits de papelaria e escritório
-125 kits de materiais de pesca
-alimentos das comunidades - 1000 dias (25 oficinas x 8 dias X 5 anos) - 30 pessoas/dia.
-alimentos da cidade para 1000 dias (25 oficinas x 8 dias X 5 anos) - 30 pessoas/dia.
-1000 diárias de 4 pescador e 4 cozinheira e 1 gerente
*AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever alternativa de carne (frango congelado)
Serviços e despesas de escritório: (apoio às atividades de campo)
impressão/cópia P&B de sulfites A4 (125.000 Páginas);
impressão/cópia colorida de sulfite A4 (30.000 páginas);
encadernação de para 500 documentos com 200 páginas A4;
despesas com correio e serviços de entrega;
despesas com comunicação (telefone, skype, celular);

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Materiais de escritório: (operacional):


3 kits ano (2000 papel A4, 10 cadernos capa dura, 1 cx de lápis, 1 cx de caneta, 100
clips,3 grampeador e grampos, 3 tubos de cola, 10 rolos de fita adesiva larga, 2
tesouras,10 pastas, 500 envelopes, suprimentos de informática (2 cartucho e toner), 20
CDs,20 DVDs,10 mini Dvs, 600 etiquetas, 3 réguas.
Materiais de consumo e Equipamentos:
20 DVD´s 4 GB
Serviços de Terceiros:
- Impressão colorida de sulfite A4: 1000 páginas;
- Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 90 fotos;
- Impressão de mapas colorida A3: 90 páginas;
Materiais de Consumo e Equipamentos:
2 mouse sem fio
2 Fones de ouvido
2 Pendrive de 4 GB
1 estabilizador de corrente e 1 filtro de linha com extensão
2 câmera fotográfica com GPS embutido (Nikon Coolpix 6000);
2 computadores DELL desktop com monitor LED, teclado, mouse e caixas de som (ver
especificações dos componentes todos);
1 impressora com scanner e copiadora
4 aparelhos telefônicos e 1 fax
1 kit de material de campo no valor mínimo de R$ 400,00;
1 datashow
30 caixas pretas Marfinite, com encaixe à prova de chuvas. Mod. 1040 de 25,5 l.
Diversos:
Seguro (escritório, veículos)
Despesas com internet (servidor)
manutenção de equipamentos e de softwares
manutenção da sede
material de limpeza
alimentação (água e café)
aluguel
água, luz, gás

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Materiais de Consumo e Equipamentos:


100 diárias em Altamira
75 diárias de aluguel de veículo (15 dias/ano) e combustível (25 l/15 dias/5 anos) -1.875l.
Deslocamentos e Transportes:
2 Fretes terrestres/ano: (inclui 1 frete para materiais)
10 fretes Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira
2 trechos fluviais/ano: (inclui 1 frete para materiais)
- 10x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
- 10x Altamira - TI Arawete/Igarapé Ipixuna (deslocamento para 5 aldeias) - Altamira
O profissional - 10x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
sênior - 10x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira
coordenador - 10x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
do PGTI. - 10x Altamira - TI Arara (1 aldeia) - Altamira
O profissional - 10x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) - Altamira
sênior - 10x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
coordenador - 10x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) - Altamira
Avaliação adjunto do - 10x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
integrada PGTI - 10x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira
do - 10x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira
Programa Os
profissionais Materiais para 4 dias de reuniões/ano em 25 aldeias/5 anos
plenos de -125 kits materiais de apoio e limpeza (pilha, lanterna, fósforo, vela, sabão, esponja, faca)
cada TI. -125 kits de papelaria e escritório
O profissional -125 kits de materiais de pesca
sênior da -alimentos das comunidades p/ 500 dias (25 oficinas x 4 dias x 5 anos) - 30 pessoas/dia.
articulação -alimentos da cidade para 500 dias com 30 pessoas/dia
política. Serviços nas aldeias
-500 diárias de 4 pescador e 4 cozinheira e 1 gerente
*AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever alternativa de carne (frango congelado)
Serviços e despesas de escritório: (apoio às atividades de campo)
impressão/cópia P&B de sulfites A4 (20.000 pgs.) e impressão/cópia colorida de sulfite A4 (5.000 pgs.)
encadernação de para 100 documentos com 200 páginas A4
Materiais de escritório:
3 kits ano (2000 papel A4, 10 cadernos capa dura, 1 cx de lápis, 1 cx de caneta, 100 clips, 3 grampeador e
grampos, 3 tubos de cola, 10 rolos de fita adesiva larga, 2 tesouras,10 pastas, 500 envelopes, suprimentos
de informática (2 cartucho e toner, 20 CDs, 20 DVDs,10 mini Dvs, 600 etiquetas, 3 réguas).

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Elementos de custo
Atividade: Planejamento territorial indígena
Construção
Ação Recursos Humanos Recursos materiais / serviços de terceiros
civil
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 125 kits de material de apoio/limpeza – R$ 150,00x125
- 125 kits de material de escritório – R$ 300,00x125
- 125 kits de material de pesca – R$ 400,00x125
- alimentos das comunidades: 625 dias para 25 pessoas
- alimentos da cidade: 625 dias para 25 pessoas
- 35 DVDs 4 GB
- 12 profissionais plenos com Serviços de Terceiros:
nível universitário, especialista - 625 diárias de cozinheira
em conservação da natureza, - Impressão colorida de sulfite A4: 1800 páginas
Elaboração - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 625 fotos
experiência de dois anos com
dos planos - Impressão de mapas colorida A3: 700 páginas
políticas públicas e extensão
de trabalho e
rural e preferivelmente com Deslocamentos e Transportes:
avaliação de
conhecimento sobre Trechos fluviais: - 5x Altamira / TIs Xipaya e Kuruaya / Altamira
resultados.
comunidades indígenas e com - 5x Altamira / TI Cachoeira Seca / Altamira
disponibilidade para residir em - 5x Altamira / TI Arara / Altamira
Altamira. - 5x Altamira / TI Kararaô / Altamira
- 5x Altamira / TI Apyterewa / Altamira
- 5x Altamira / TI Araweté/Igarapé Ipixuna / Altamira
- 5x Altamira / TI Koatinemo / Altamira
- 5x Altamira / TI Paquiçamba / Altamira
- 5x Altamira / TI Arara da VGX / Altamira
- 10x Altamira / TI Trincheira Bacajá / Altamira
Trecho Terrestre: 5x Altamira / AI Juruna do KM 17 / Altamira

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Materiais de Consumo e Equipamentos:


- 20 DVD´s 4 GB
- alimentos das comunidades: 400 dias para 25 pessoas
- alimentos da cidade: 400 dias para 25 pessoas
Serviços de Terceiros:
- 400 diárias de cozinheira
- Impressão colorida de sulfite A4: 500 páginas
Oficinas
- Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 125 fotos
síntese de
- Impressão de mapas colorida A3: 325 páginas
monitora-
mento - O profissional pleno de cada Deslocamentos e Transportes:
territorial e TI Trechos fluviais: - 4x Altamira / TI´s Xipaya e Kuruaya / Altamira
estabeleci- - 4x Altamira / TI Cachoeira Seca / Altamira
mento de - 4x Altamira / TI Arara / Altamira
acordos. - 4x Altamira / TI Kararaô / Altamira
- 4x Altamira / TI Apyterewa / Altamira
- 4x Altamira / TI Araweté/Igarapé Ipixuna / Altamira
- 4x Altamira / TI Koatinemo / Altamira
- 4x Altamira / TI Paquiçamba / Altamira
- 4x Altamira / TI Arara da VGX / Altamira
- 8x Altamira / TI Trincheira Bacajá / Altamira
Trecho Terrestre: - 4x Altamira / AI Juruna do KM 17 / Altamira
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 3 consultores senior com - 25 kits de material de apoio/limpeza – R$ 150,00x25
nível superior e experiência - 25 kits de material de escritório - R$ 300,00x25
com iniciativas de - 25 kits de material de pesca – R$ 400,00x25
etnozoneamento (um para - 20 DVD´s 4 GB
Consolida- cada calha). - alimentos das comunidades: 175 dias para 25 pessoas
ção do
A) Assessor rota Bacajá: 80 - alimentos da cidade: 175 dias para 25 pessoas
etnozonea-
dias em campo (10 aldeias) Serviços de Terceiros:
mento e
B) Assessor rota Xingu: 70 - 625 diárias de cozinheira
plano de uso
dias em campo (8 aldeias) - 50 diárias de pescador
sustentável.
C) Assessor rota Iriri: 60 dias - Impressão colorida de sulfite A4: 2000 páginas
em campo (7 aldeias). - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 180 fotos
- O profissional pleno de cada - Impressão colorida de mapas A3: 150 páginas
TI - 25 mapas com mosaico de imagens de satélite impresso ( tamanho 2,5m x 2,0m)
Deslocamentos e Transportes:

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Trechos Fluviais: - Altamira/6 aldeias TI Trincheira Bacajá/TI Arara da VGX /TI


Paquiçamba/Altamira
- Altamira/TI Apyterewa/TI Arawete/Igarapé Ipixuna/TI Koatinemo/Altamira
- Altamira/TI Xipaya/TI Kuruaya/TI Cachoeira Seca/TI Arara/Altamira
Trecho terrestre: Altamira/ AI Juruna do KM 17/Altamira
Trechos Aéreos: - 3x origem dos assessores /Altamira/origem dos assessores
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 5 kits de material de apoio/limpeza – R$ 150,00x5
- 5 kits de material de escritório - R$ 300,00x5
- 5 kits de material de pesca – R$ 400,00x5
- 20 DVD´s 4 GB
- alimentos das comunidades: 15 dias para 50 pessoas
- alimentos da cidade: 15 dias para 50 pessoas
Intercâmbio no Parque Serviços de Terceiros:
indígena do Xingu. - 15 diárias de cozinheira
Intercâmbios (Semestre 2 do Ano 2). - 30 diárias de pescador
de referência - Coordenação Programa. - Hospedagem: 3 dias em Canarana ou São José do Xingu – 37 pessoas
em gestão - O profissional pleno de cada - Impressão colorida de sulfite A4: 1000 páginas
territorial TI. - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 200 fotos
indígena. - 2 representantes de cada TI: - Impressão de mapas colorida A3: 75 páginas
24 indígenas. - 3 Mapas com mosaico de imagens de satélite impresso em tamanho 2,5m x 2,0m
Deslocamentos e Transportes:
Frete terrestre: Altamira/Canarana ou São José do Xingu/Altamira - 37 pessoas
Trecho fluvial: - Altamira/Rota Bacajá/Altamira - 7 Pessoas
- Altamira/Rota Xingu/Altamira - 7 Pessoas
- Altamira/Rota Iriri/Altamira - 11 Pessoas
- Canarana ou São José do Xingu/ Parque Indígena do Xingu/Canarana ou São José do
Xingu – 37 pessoas por 15 dias

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Materiais de Consumo e Equipamentos:


- 5 kits de material de apoio/limpeza – R$ 150,00x5
- 5 kits de material de escritório - R$ 300,00x5
- 5 kits de material de pesca – R$ 400,00x5
- 20 DVD´s 4 GB
Serviços de Terceiros:
- alimentos das comunidades: 15 dias para 50 pessoas
Intercâmbio Territórios - alimentos da cidade: 15 dias para 50 pessoas
indígenas do Acre. - 15 diárias de cozinheira
(Semestre 2 do ano 4) - 30 diárias de pescador
- Coordenação Programa - Hospedagem em Rio Branco/AC - 37 pessoas, 4 dias
- O profissional pleno de cada - Impressão colorida de sulfite A4: 1000 páginas
TI. - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm – 200 fotos
- 2 representantes de cada TI: - Impressão de mapas colorida A3 – 75 páginas
24 indígenas. - 3 Mapas com mosaico de imagens de satélite impresso em tamanho 2,5m x 2,0m
Deslocamentos e Transportes:
Trecho Aéreo: - Altamira/Rio Branco/Altamira - 37 pessoas
Trecho fluvial: - Altamira/Rota Bacajá/Altamira - 7 pessoas
- Altamira/Rota Xingu/Altamira - 7 pessoas
- Altamira/Rota Iriri/Altamira - 11 pessoas
- Rio Branco/TIs Ashaninka, Kaxinawá e Yawanawá/Rio Branco – 15 dias
Trecho terrestre: - Altamira/ AI Juruna do KM 17/Altamira

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Materiais de Consumo e Equipamentos:


- 12 kits de material de apoio/limpeza – R$ 150,00x12
- 12 kits de material de escritório - R$ 300,00x12
- 12 kits de material de pesca – R$ 400,00x12
- 20 DVD´s 4 GB
- alimentos das comunidades: 10 dias para 72 pessoas
- alimentos da cidade: 10 dias para 72 pessoas
Serviços de Terceiros:
- 84 diárias de cozinheira (7 dias X 12 grupos)
Intercâmbios específicos de - 72 diárias de pescador (2 pescadores X 3 dias X 12 grupos)
cada TI. - Impressão colorida de sulfite A4: 1000 páginas
(12 viagens de 6 pessoas no - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 25 fotos
segundo semestre do ano 3). - Impressão de mapas colorida A3: 75 páginas
Deslocamentos e Transportes:
- 5 Representantes de cada TI Trechos fluviais: - TIs Xipaya e Kuruaya/Altamira/TIs Xipaya e Kuruaya
+ 1 profissional pleno da TI X - TI Kararaô/Altamira/TI Kararaô
12. - TIs Arara e Cachoeira seca/Altamira/TIs Arara e Cachoeira Seca
- TI Apyterewa / Altamira / TI Apyterewa
- TI Araweté/Igarapé Ipixuna / Altamira / TI Araweté/Igarapé ipixuna
- TI Koatinemo / Altamira / TI Koatinemo
- TI Arara da VGX / Altamira / TI Arara da VGX
- TI Paquiçamba / Altamira / TI Paquiçamba
- TI Trincheira Bacajá / Altamira / TI Trincheira Bacajá
Trechos Terrestres: - AI Juruna do KM 17 / Altamira / AI Juruna do KM 17
Outros deslocamentos para localidades visitadas: A) Altamira / Local do intercâmbio /
Altamira X 12 grupos de 6 pessoas

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Elementos de custo
Governança indígena das relações locais
Construção
Ação Recursos Humanos Recursos materiais / serviços de terceiros
civil
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 25 kits de material de apoio/limpeza – R$150,00x25
- 25 kits de material de escritório - R$300,00x25
- 25 kits de material de pesca – R$400,00x25
- 25 DVD´s 4 GB
Oficinas sobre a Serviços de Terceiros:
- O profissional pleno de
ocupação territorial - 25 mapas com mosaico de imagens de satélite impresso (2,5m x 2,0m)
cada TI.
regional. - alimentos das comunidades - 125 dias para 25 pessoas
- alimentos da cidade - 125 dias para 25 pessoas
- 125 diárias de cozinheira
- Impressão colorida de sulfite A4: 1000 páginas
- Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 250 fotos
- Impressão de mapas colorida A3: 250 páginas
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 50 kits de material de apoio/limpeza – R$150,00x50
- 50 kits de material de escritório - R$300,00x50
- 50 kits de material de pesca – R$400,00x50
- 25 DVD´s de 4 GB
- Serviços de Terceiros:
- 50 mapas com mosaico de imagens de satélite impresso (2,5m x 2,0m)
- Impressão colorida de sulfite A4: 1000 páginas
- Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 250 fotos
Etnodiagnóstico do - O profissional pleno de
- Impressão de mapas colorida A3: 250 páginas
entorno cada TI.
- alimentos das comunidades: 250 dias para 25 pessoas
- alimentos da cidade: 250 dias para 25 pessoas
- 250 diárias de cozinheira
Deslocamentos e Transportes:
Trechos fluviais:- 2x Altamira / TI´s Xipaya e Kuruaya / Altamira
- 2x Altamira / TI Cachoeira Seca / Altamira
- 2x Altamira / TI Arara / Altamira
- 2x Altamira / TI Kararaô / Altamira
- 2x Altamira / TI Apyterewa / Altamira

189
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

- 2x Altamira / TI Araweté/Igarapé Ipixuna / Altamira


- 2x Altamira / TI Koatinemo / Altamira
- 2x Altamira / TI Paquiçamba / Altamira
- 2x Altamira / TI Arara da VGX / Altamira
- 4x Altamira / TI Trincheira Bacajá / Altamira
Trecho Terrestre: - 2x Altamira / AI Juruna do Km 17 / Altamira
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 9 kits de material de apoio/limpeza – R$ 150,00x9
- 9 kits de material de pesca – R$ 400,00x9
- 25 DVD´s 4 GB
Serviços de Terceiros:
- 10 mapas com mosaico de imagens de satélite impresso (2,5m x 2,0m)
- Alimentos da comunidade: 105 dias para 15 pessoas
- Alimentos da cidade: 105 dias para 15 pessoas
Reuniões entre - 105 diárias de cozinheira
lideranças - Impressão colorida de sulfite A4: 1000 páginas
- O profissional pleno de
indígenas de - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 250 fotos
cada TI.
territórios - Impressão de mapas colorida A3: 250 páginas
contíguos. Deslocamentos e Transportes:
Trechos fluviais: - 3x TIs Xipaya e Kuruaya / TI Kararaô / TIs Xipaya e Kuruaya
- 3x TIs Cachoeira Seca / TI Kararaô / TI Cachoeira Seca
- 3x TI Apyterewa / TI Araweté/Igarapé Ipixuna / TI Apyterewa
- 3x TI Koatinemo / TI Araweté/Igarapé Ipixuna / TI Koatinemo
- 3x TI Arara da VGX / TI Trincheira Bacajá / TI Arara da VGX
- 3x TI Paquiçamba / TI Trincheira Bacajá / TI Paquiçamba
Trechos terrestres:
- 3x AI Juruna do km 17 – TI Paquiçamba – AI Juruna do km 17

190
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Materiais de Consumo e Equipamentos:


- 30 kits de material de escritório – R$300,00x30
- Alimentação da cidade: 118 dias para 15 pessoas
- 25 DVD´s 4 GB
Serviços de Terceiros:
- Hospedagem em Altamira: 118 Pernoites para 15 pessoas
- Impressão colorida de sulfite A4 – 1000 páginas
- Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm – 250 fotos
- O profissional pleno de - Impressão de mapas colorida A3 – 250 páginas
Encontros entre cada TI. Deslocamentos e Transportes:
lideranças - 120 dias de trabalho de Trechos fluviais: A) TIs Xipaya e Kuruaya / Altamira / TIs Xipaya e Kuruaya – 3
indígenas e atores consultor júnior habilitado viagens
locais. para registro audiovisual. B) TI Cachoeira Seca / Altamira / TI Cachoeira Seca – 3 viagens
C) TI Arara / Altamira / TI Arara – 3 viagens
- Apoio FUNAI.
D) TI Kararao / Altamira / TI Kararao – 3 viagens
E) TI Apyterewa / Altamira / TI Apyterewa – 3 viagens
F) TI Arawete/Igarapé Ipixuna/Altamira/ Arawete/Igarapé Ipixuna – 3 viagens
G) TI Koatinemo / Altamira / TI Koatinemo – 3 viagens
H) TI Trincheira Bacajá / Altamira / TI Trincheira Bacajá – 3 viagens
I) TI Arara da VGX / Altamira / TI Arara da VGX – 3 viagens
J) TI Paquiçamba / TI Trincheira Bacajá / TI Paquiçamba – 3 viagens
Trechos terrestres: A) AI Juruna do Km 17 – Altamira – AI Juruna do Km 17 – 3
viagens

191
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Elementos de custo
Arranjos institucionais e políticos para a gestão socioambiental compartilhada
Construção
Ação Recursos Humanos Recursos materiais / serviços de terceiros
civil
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 10 kits de material de escritório – R$300,00x10
Um profissional senior com - 250 DVD´s 4 GB
formação superior e, Serviços de Terceiros:
preferencialmente, pós- - Impressão colorida de sulfite A4: 7500 páginas
Aproximação
graduação, com experiência - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 1000 fotos
técnica e
mínima de cinco anos em - Impressão de mapas colorida A3: 500 páginas
fortalecimento de
políticas públicas e conservação - Hospedagem em São Felix do Xingu – 1 pessoa 180 dias
redes e fóruns.
ambiental, com habilidade para - Hospedagem em Senador José Porfírio – 1 pessoa 180 dias
articulação e disponibilidade para - alimentação em São Felix do Xingu e Sem. José Porfírio–1 pessoa/360 dias
residir em Altamira. Deslocamentos e Transportes:
- 60 X Altamira / São Félix do Xingu / Altamira
- 60 X Altamira / Senador José Porfírio / Altamira
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 250 DVD´s 4 GB
Serviços de Terceiros:
- Impressão colorida de sulfite A4: 7500 páginas
Articulação e apoio - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 1000 fotos
estratégico ao - O profissional sênior da - Impressão de mapas colorida A3: 500 páginas
poder público articulação política. - Hospedagem em São Felix do Xingu – 1 pessoa 180 dias
local. - Hospedagem em Senador José Porfírio – 1 pessoa 180 dias
- alimentação em S. Felix do Xingu e Sem. J. Porfírio – 1 pessoa 360 dias
Deslocamentos e Transportes:
Trechos terrestres mensais: - 60 X Altamira / São Félix do Xingu / Altamira
- 60 X Altamira / Senador José Porfírio / Altamira

192
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

- Profissional sênior da
articulação política
- Coordenação PGTI
- Profissionais plenos de cada TI Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 5 dias de trabalho de 20 - 10 kits de material de escritório – R$300,00x10
consultores senior com a função - 50 DVD´s 4 GB
de palestrantes e mediadores das Serviços de Terceiros:
mesas do seminário, com - Alimentação da Cidade: 5 dias para 24 indígenas
experiência reconhecida em - Hospedagem em Altamira: 5 pernoites para 24 indígenas / 5 pernoites para
gestão pública, antropologia, 10 consultores sênior
conflitos fundiários, indigenismo, - Locação de local para realização de seminário, com capacidade para 300
recuperação de área degradadas, pessoas, por 5 dias
impactos de Empreendimentos, - Serviço de Buffet – Água, café e lanche leve, por 5 dias, para 300 pessoas
entre outros. - Aluguel de datashow por 5 dias
(10 consultores locais e 10 de - Impressão de boletim informativo sobre conclusões do seminário para
outras localidades) circular na região: 1000 cópias
Seminário para - 8 dias de trabalho de 2 - Impressão de 300 convites
avaliação dos consultores júnior com - Impressão colorida de sulfite A4: 8000 páginas
impactos da AHE experiência em registro - Impressão de Banner
BM. audiovisual e edição de imagens - Impressão de fotos coloridas tamanho 10 x 15 cm: 1000 fotos
- 4 dias de trabalho de consultor - Impressão colorida A3: 600 páginas
júnior com experiência em Deslocamentos e Transportes:
diagramação gráfica Trechos fluviais: - TI Kuruaya / Altamira / TI Kuruaya
- 90 dias de consultor júnior com (trazendo 2 representantes de cada TI da Rota Iriri)
experiência em secretariado, com - TI Trincheira Bacajá / Altamira / TI Trincheira Bacajá
a função de assessorar o (Trazendo 2 representantes de cada TI da Rota Bacajá)
consultor da atividade 3 na - TI Apyterewa / Altamira / TI Apyterewa
organização e produção do (Trazendo 2 representantes de cada TI da Rota Xingu)
seminário. Trechos aéreos: 10x local de origem dos 10 consultores máster / Altamira /
- 3 Consultores júnior, 30 dias de local de origem dos 10 consultores máster
trabalho cada, com experiência Trechos terrestres: TI Juruna do km 17 / Altamira / TI Juruna do km 17
em produção de eventos e (trazendo 2 representantes Juruna)
mobilização, com a função de
atuar na logística da produção do
seminário.

193
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

6.4.1.7 Cronograma

Projeto Planejamento Territorial


Ano /Semestre
Atividades e Ações Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano XX
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
Coordenação do Programa Gestão Territorial Indígena
Seleção e treinamento da equipe
Gestão do Programa e das equipes
Avaliação integrada do Programa
Planejamento territorial
Elaboração dos planos de trabalho e avaliação de resultados
Oficinas síntese do monitoramento e estabelecimento de acordos
Consolidação do etnozoneamento e plano de uso sustentável Ano 7 Ano 10
Intercâmbios de referencia em gestão territorial indígena
Governança indígena das relações locais
Oficinas sobre ocupação territorial regional
Etnodiagnóstico do entorno e mapeamento das relações interétnicas Ano 7 Ano 10
Reuniões entre lideranças indígenas de territórios contíguos
Encontros entre lideranças indígenas e atores locais
Arranjos institucionais e políticos para a gestão socioambiental
compartilhada
Aproximação técnica e fortalecimento de redes e fóruns
Articulação e apoio estratégico ao poder público local
Seminário para avaliação dos impactos da UHE BM

194
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

6.4.2. Projeto Monitoramento Territorial

6.4.2.1 Introdução e Justificativas

A região do Médio Xingu situa-se geomorfologicamente na Depressão da Amazônia Meridional,


caracterizada pela predominância da floresta ombrófila. Entretanto, a presença de morros
residuais sobre essa superfície deprimida proporciona uma heterogeneidade fisiográfica de
grande importância do ponto de vista ecológico (ELETROBRÁS, 2009). Esta região é
reconhecida também por ser o centro hipotético de diversificação de recursos genéticos da
Amazônia central para espécies como a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), o cupuaçu
(Theobroma grandiflorum) e o açaí (Euterpe oleracea) (Clement et al., 2010).

Os recursos naturais advindos de todas as fisionomias florestais, tanto das áreas de terra firme
quanto das ilhas fluviais existentes no leito do rio Xingu, são extremamente importantes para os
povos indígenas da região do Médio Xingu, que os utilizam de forma diversificada para coleta
de frutos, sementes, madeira, lenha e palhas, entre outros (VIEIRA et al., 2009a; PATRÍCIO et
al., 2009; VIEIRA et al., 2009b; GIANNINI et al., 2009).

O EIA do AHE BM Volume 35 aponta que a construção do Empreendimento energético


acarretará no aumento do fluxo migratório para a região, com a possibilidade de ocorrer uma
intensificação da ocupação do entorno das TIs, provocando uma dinâmica alteração da
paisagem. Estas novas configurações na ocupação do espaço deverão pressionar os
ambientes e recursos naturais no entorno e dentro das TIs, especialmente caça, pesca e
recursos extrativistas vegetais, e poderão se configurar em uma situação de perda de recursos
importantes para a subsistência indígena. E, conforma aponta o Parecer Técnico FUNAI no 21,
“o maior risco às TIs se encontra na dinamização da pressão sobre recursos naturais,
exacerbando os processos e problemas já existentes na região” (CMAM/CGPIMA-FUNAI,
2009). Existe também a preocupação de que ocorra uma alteração em padrões fenológicos
das espécies vegetais, principalmente nas planícies aluviais e nos pedrais na região da VGX,
provocados pela diminuição da vazão.

Visando garantir a manutenção da integridade dos territórios e dos recursos necessários para
os povos indígenas, o presente projeto deverá monitorar todas as transformações
socioambientais acarretadas pelo Empreendimento dentro das TIs e no seu entorno, nas
diversas fases da implantação do Empreendimento (Planejamento, Construção e Operação).
Além dos impactos previstos no EIA, o projeto deve monitorar aqueles que não tenham sido
devidamente dimensionados, especialmente os relacionados à grande perda da biodiversidade
e de recursos para os povos indígenas da VGX, que podem afetar sua alimentação e sua
economia (VIEIRA et al., 2009a).

195
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Os monitoramentos serão realizados por meio de levantamentos fundiários, sensoriamento


remoto e etnomonitoramentos e todas as informações geradas serão armazenadas em uma
base de dados integrada, que será disponibilizada aos públicos devidos.

A preocupação com a questão fundiária é apontada freqüentemente no EIA do AHE BM


Volume 35: em relação à expansão de projetos de assentamentos no entorno das TIs ou pela
demanda por desintrusão das TIs Apyterewa e Cachoeira Seca (MULLER et al., 2009); no
“Projeto de Regularização Fundiária e Proteção Ambiental”, que tem o objetivo de “apoiar a
regularização fundiária da AI Juruna do Km 17 e a realização de estudos de ampliação da área,
bem como a aquisição de terras objetivando garantir a reprodução física e cultural do grupo e a
proteção ambiental da área” (VIEIRA et al., 2009b); ou no projeto “Ampliação da disponibilidade
dos recursos Naturais”, especificamente na atividade ”Apoiar a continuidade dos estudos para
regularização fundiária em articulação com a FUNAI” (VIEIRA et. al., 2009a). A ação estaria
ligada também a orientações do EIA da TI Arara da VGX (PATRÍCIO et al., 2009), que, além de
não ter seu território regularizado, sofre com a proximidade de assentamentos rurais. Cabe
lembrar ainda a redefinição dos limites da TI Paquiçamba garantindo acesso ao reservatório
no Parecer Técnico FUNAI no 21.

O diagnóstico e o acompanhamento remoto do uso do solo das TIs são demandados pelo EIA
do AHE BM Volume 35 Tomos 2, 5 e 6, por meio dos projetos denominados “Programa de
monitoramento das fronteiras” (MULLER et al., 2009), “Programa de Proteção Ambiental e
Fiscalização dos Limites” – especificamente a atividade “Contribuir para o controle e
fiscalização dos limites, de forma preventiva, da TI Trincheira Bacajá por meio do
processamento de imagens de satélite” (GIANNINI et al., 2009) e do “Projeto de monitoramento
com vistas ao estabelecimento do marco zero e indicadores ambientais” (VIEIRA et al., 2009a).

A partir dos diagnósticos etnoecológicos previstos nas ações deste projeto, espera-se construir
parâmetros, considerando alguns indicadores ambientais de referência, que serão empregados
em ações de outros projetos, como para a restauração de áreas degradadas e de matas
ciliares no interior das TIs e em seus entornos. Estes indicadores seriam identificados junto
com os povos indígenas a partir de seus conhecimentos a respeito das alterações dos
territórios provocadas pelos impactos do Empreendimento nos seus recursos e ambientes.

A atividade “Monitoramento remoto das TIs e do entorno” está relacionada diretamente a uma
das linhas de ação da PNGATI (SCHMIDT et al., 2010) para implementar e melhorar a gestão
territorial e ambiental das TIs, que refere-se à proteção territorial e ambiental em TIs otimizadas
13
pelo uso de sistema de monitoramento em tempo real e pelo apoio de indígenas

13
O monitoramento de focos de calor ocorre de forma muito próxima ao que usualmente denomina-se
“monitoramento em tempo real”, porém atividades de monitoramento de mudanças no uso do solo são
realizadas em períodos de tempo determinados (mensais, semestrais, anuais), pois os procedimentos de

196
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

instrumentalizados e qualificados nas áreas de monitoramento e de gestão, por meio de


metodologias inovadoras para o monitoramento ambiental de TIs, tal como o uso de imagens
de satélite em tempo real e da capacitação técnica de povos indígenas para realizar o
monitoramento dos limites de TIs.

Visando contemplar esta linha de ação e atender à demanda do EIA do AHE BM Volume 35
Tomos 2, 3 e 5 (VIEIRA et al., 2009a; PATRÍCIO et al., 2009; GIANNINI et al., 2009) por
capacitação técnica para os indígenas, o projeto prevê a capacitação de um profissional
indígena júnior para auxiliar no monitoramento de focos de calor e na manutenção do BD.

Para acompanhar os efeitos do Empreendimento sobre a floresta e sobre as atividades de caça


e pesca indígena, estão previstas neste projeto ações de etnomonitoramento, conforme
indicado no EIA do AHE BM Voume 35 Tomos 2 e 3 (VIEIRA et al., 2009a; PATRÍCIO et al.,
2009).

A estrutura do PBA-CI/PMX é composta de programas e projetos que são interligados e,


portanto, a criação e manutenção de um Banco de Dados (BD) Geoespacial é imprescindível
para subsidiar e acompanhar as ações de forma integrada, oferecendo um panorama geral da
evolução desses programas e permitindo o acompanhamento dos seus resultados pelo
empreendedor e pelos povos indígenas. Esta ação atende à solicitação do EIA do AHE BM
Volume 35 Tomo 2 (VIEIRA et al., 2009a) e a disponibilização destas informações por meio de
portal justifica-se também por estar ligada ao seguinte objetivo da PNGATI (SCHIMIDT et al.,
2010):

promover a criação e implementação de um banco de dados das espécies da fauna, flora


e saberes tradicionais com a participação da comunidade local e identificando o direito
dos povos indígena, com acesso restrito aos povos que detenham estes conhecimentos,
assegurando o seu direito de propriedade intelectual coletivo, inclusive sobre o patrimônio
genético que se encontra em instituições diversas.

Por fim, salienta-se que este projeto foi idealizado em consonância com um dos objetivos da
PNGATI (SCHIMIDT et al., 2010) que visa:

promover e garantir, com a participação dos povos indígenas, a elaboração, produção, a


sistematização e a divulgação de informações sobre a situação etnoambiental dos
territórios indígenas e do entorno, respeitando as especificidades de cada povo indígena
e garantindo o retorno dessas informações, prioritariamente, para os povos e
organizações.

aquisição (as imagens tem diferentes resoluções temporais), pré-processamento, classificação e edição
de imagens de satélite não permitem o chamado “monitoramento em tempo real”.

197
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

6.4.2.2 Objetivos

Objetivo Geral

Analisar as transformações no padrão de uso e ocupação do solo e na disponibilidade de


recursos prioritários no interior e no entorno das TIs, visando dimensionar o comprometimento
da qualidade socioambiental dos territórios indígenas e contribuir para a implantação de
medidas de mitigação e compensação dos impactos da UHE BM.

Objetivos Específicos

Estruturar e manter atualizada a base de dados geoespacial e o portal, com vistas a


subsidiar, acompanhar e divulgar os resultados dos monitoramentos e do Programa;
Realizar a caracterização fundiária das propriedades limítrofes às TIs do Médio Xingu
para subsidiar o monitoramento de suas fronteiras e a regularização fundiária da TI
Arara da VGX e da AI Juruna do Km17;
Realizar diagnóstico e acompanhamento remoto da situação do uso do solo das TIs e
entorno a fim de apoiar ações de monitoramento e vigilância territorial, controle de
incêndios e proteção de recursos florestais e hídricos;
Caracterizar os sistemas indígenas de uso, manejo e conservação territorial visando
subsidiar o etnozoneamento e a implementação de ações de gerenciamento ambiental
das TIs;
Estabelecer indicadores ambientais de referência intercientíficos, a partir dos
conhecimentos dos povos indígenas e da ciência ocidental, para acompanhar os
resultados do Programa Gestão Territorial Indígena e monitorar as transformações
ambientais nas TIs e no entorno ocorridas nas diversas fases do Empreendimento.

6.4.2.3 Metodologia

Os objetivos do presente projeto deverão ser alcançados por meio de 4 atividades:


Sistematização e disponibilização de informações sobre as TIs e o entorno; Caracterização das
TIs e do entorno; Monitoramento remoto das TIs e do entorno; e Monitoramento participativo
dos recursos e ambientes prioritários.

198
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Sistematização e disponibilização de informações sobre as TIs e o entorno

A realização desta atividade deverá oferecer uma importante ferramenta para intercâmbio de
informações e acompanhamento do cumprimento das metas pelas equipes que compõem o
PBA-CI/PMX. A divulgação das informações via criação de um portal na internet, também é
essencial para dar transparência ao processo, colocando a sociedade a par dos impactos
positivos e negativos da obra e dos programas do PBA-CI/PMX.

As ações descritas a seguir deverão ser desenvolvidas, em um primeiro momento, por meio de
um prestador de serviços, que será responsável pela construção do BD e a criação do portal na
internet. Nesta fase, já deverá ser contratado um profissional pleno que será responsável pela
coordenação da ação destinada a selecionar os temas que deverão compor o BD, atualização
e disponibilização dos dados no banco. A última ação, a publicação apresentando os
resultados prevê a contratação de um consultor.

As 3 primeiras ações deverão ser realizadas no 1º ano da etapa de construção e a 4ª ação


deverá iniciar-se após a conclusão das 3 anteriores e ocorrer de forma contínua durante toda a
operação da UHE BM. A ação será desenvolvida no segundo semestre do 5º ano.

As ações referentes a esta atividade são:

Seleção dos temas para o BD

Primeiramente deverá ser realizada a seleção dos temas que irão compor o BD a partir das
necessidades apontadas pelos diagnósticos do EIA (e outras verificadas pelas equipes) com
vistas a subsidiar a implantação e o monitoramento dos projetos propostos pelo PBA-CI/PMX.

Para que sejam compatibilizadas as necessidades das equipes técnicas às possibilidades de


armazenamento, correlações e representação dos dados que irão compor o BD, será realizada
uma reunião (no 1º semestre do 1º ano de construção) com a participação de todos os
Coordenadores dos Programas pertencentes ao PBA-CI/PMX e um representante da FUNAI
(Coordenação Regional de Altamira-PA FUNAI), que apresentarão os dados que serão
produzidos por suas respectivas atividades e que deverão compor o BD. A reunião será
coordenada pelo coordenador sênior do PGTI, o consultor da empresa contratada para
desenvolver o BD e o portal e o profissional pleno, responsável pela atualização e
disponibilização dos dados

Esta reunião poderá ser seguida de discussões, via correio eletrônico, para dirimir possíveis
pendências verificadas. A empresa prestadora de serviços deverá trabalhar visando encontrar
a melhor forma de atender às demandas estabelecidas pelos coordenadores do PBA-CI/PMX.

199
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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O fechamento dos temas e especificações do BD deve ocorrer em outra reunião presencial, no


2º semestre do 1º ano de execução do PBA-CI/PMX, na qual os mesmos componentes que
participaram da primeira reunião devem estar presentes. O consultor da empresa contratada
deverá, então, iniciar a implantação do sistema.

Além dos dados produzidos pelos projetos do PBA-CI/PMX, as informações e publicações


relativas a políticas públicas, ações de ONGs, institutos de pesquisa, universidades e outras
instituições, que ocorrem na área de abrangência do Programa, também deverão ser
consideradas na composição das informações a serem sistematizadas e disponibilizadas.
Representantes de instituições que já são importantes produtores e divulgadores de dados
sobre a região, também poderão ser convidados a participar das reuniões e discussões acerca
do desenvolvimento deste BD.

Criação de banco de dados

A partir das especificações levantadas na reunião (dados, correlações, forma de representação


e níveis de acesso) deverá ser desenvolvido um BD Geoespacial para armazenamento e
integração de dados. Este banco deverá ser compatível com o portal.

O BD Geoespacial deverá funcionar como um Arquivo de Mapas estruturado de acordo com


normas e padrões internacionais de banco de dados geográficos, vinculados à OGC (Open
Geospatial Consortium), contendo a funcionalidade de integração de dados com diversos
servidores de instituições Brasileiras e Estrangeiras, como por exemplo, o MMA, ANA e
Agência Espacial Norte-Americana (NASA), por meio do protocolo de comunicação WMS (Web
Map Service) (LATUF e PAIVA, 2009).

Entretanto, este BD não deverá organizar apenas dados geoespaciais, sendo capaz de
disponibilizar também dados tabulares, mapas no formato PDF, cartas imagens, relatórios,
dados em KML para visualização em Google Earth (além de outros formatos vetoriais), banco
de fotos, dentre outros produtos. Ou seja, o Arquivo de Mapas não somente terá a função de
servir informações espaciais, mas será utilizado como um banco de catalogação de metadados
do PBA-CI/PMX (LATUF; PAIVA, 2009).

200
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Criação de portal na internet

O nível de acesso mais abrangente dos dados deverá ocorrer por meio da criação de um portal
na internet. Este portal deverá ser interativo tendo como fundo imagens disponíveis no Google
Earth, e opção de camadas de sobreposição de dados vetoriais para visualização espacial dos
fenômenos. Cada feição espacial deve ser acompanhada de tabelas de atributos com as
informações relativas relacionadas. Como exemplo, cada polígono de TI deve conter todas as
informações relacionadas a ela, tais como, nome, municípios onde está inserida, grupos
étnicos, população, situação e etapa de regularização, título, documento (registro SPU,
memorando, portaria), data do documento, perímetro, área, etc.

O BD deverá possibilitar o gerenciamento de buscas e fornecer a oportunidade ao usuário de


escolher quais informações serão apresentadas na tela de interação (LATUF; PAIVA, 2009).

Deverá conter também gráficos e tabelas elaborados por meio da análise evolutiva dos dados,
como, por exemplo, escolaridade, registros de doenças, população, desmatamento, detecção
de focos de calor, área recuperadas, etc.

Os dados vetoriais, tabelas de atributos e documentos como mapas e relatórios em formato pdf
deverão ser disponibilizados para download, para todos os usuários da rede mundial de
computadores14.

A criação do BD e do portal deverá ser realizada por meio de uma empresa de prestação de
serviços contratada para estas duas finalidades. Deverá ser firmado também um contrato de
suporte técnico para manutenção e atualização do BD e do portal durante todo o período de
operação da UHE BM.

Atualização e disponibilização das informações

Os dados deverão ser atualizados constantemente e disponibilizados por meio de diferentes


níveis de acesso destinados a finalidades específicas, como a divulgação dos resultados dos
Programas para o público geral (incluindo populações indígenas), o acompanhamento das
ações de cada Programa e das interações entre duas ou mais atividades pela equipe executora
de cada Programa e, finalmente, ao armazenamento de dados sigilosos com restrições de
acesso.

14
Exemplos deste tipo de portal podem ser observados nos seguintes endereços eletrônicos:
http://siscom.ibama.gov.br/geoserver/www/sisfogo.html;
http://www2.sipam.gov.br/geonetwork/srv/br/main.home; http://www.imazongeo.org.br/imazongeo.php;
http://sigma.cptec.inpe.br/queimadas/.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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No primeiro nível deverão ser inseridas informações de interesse geral, como evolução dos
níveis de educação, população, desmatamentos, incêndios florestais e áreas recuperadas.
Será disponível para usuários da rede mundial de computadores por meio do portal
previamente criado.

O segundo e terceiro níveis também deverão ser disponibilizados no próprio portal, por meio de
uma área interna. Para tanto, todos os integrantes do PBA-CI/PMX deverão ser cadastrados e
receber uma senha com diferentes níveis de acesso. Os dados internos que não possuam
restrição, como os relatórios internos e trabalhos não concluídos, entre outros, serão
disponibilizados para todos os integrantes do PBA-CI/PMX, configurando o segundo nível de
acesso. O terceiro, com restrições, será composto de informações consideradas sigilosas pelos
povos indígenas e a estes dados terão acesso apenas profissionais e consultores (indígenas
ou não) cujo trabalho esteja diretamente ligado.

Os dados deverão ser atualizados e disponibilizados pelo profissional pleno, que contará com o
auxílio do profissional indígena júnior.

Publicação apresentando os resultados

No quinto ano de execução do PBA-CI/PMX será editada uma publicação que apresentará: os
resultados consolidados dos diversos monitoramentos realizados pelos projetos do PBA-
CI/PMX; os dados selecionados pelos Coordenadores dos Programas do PBA-CI/PMX e os
principais resultados do “Seminário de Avaliação dos Impactos da UHE BM”, que será
executado pelo Projeto Planejamento Territorial e Gestão Socioambiental Compartilhada.

Cada Coordenador de Programa será responsável por organizar a seleção, a compilação e a


análise dos principais dados produzidos por seu programa e a Coordenação do PBA-CI/PMX
será responsável por fornecer as diretrizes da publicação, apoiados pelo consultor pleno
contratado especificamente para esta ação no 2º semestre do 5º ano.

Deverão ser impressos 1.000 exemplares da publicação que serão entregues para os
participantes do seminário, as comunidades indígenas e as instituições parceiras. A publicação
deverá ser disponibilizada também em formato digital no Portal.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Caracterização das TIs e do entorno

A caracterização das TIs e do entorno será realizada em 3 abordagens: diagnóstico remoto,


levantamento técnico em campo e etnolevantamentos.

O diagnóstico remoto inicial das TIs deverá ocorrer no 1º ano de construção da usina e visa
estabelecer o marco zero (T zero) da situação das TIs e do entorno. O levantamento fundiário
será realizado no 1º ano, por meio de levantamento de dados secundários - realizados pela
mesma equipe da elaboração do BD e por um consultor, que deverá ser contratado para o 2º
ano da ação, quando estão previstas atividades de campo. Estas ações visam alcançar os
objetivos específicos e serão realizadas para todas as TIs do Médio Xingu e seus entornos.

A 3ª, 4ª e 5ª ações também serão desenvolvidas em todas as TIs e AI, entretanto, em função
do grande número de TIs inseridas no projeto e da complexidade logística que envolverá toda a
estratégia do PGTI, as ações deverão ser iniciadas de modo diferenciado para cada TI. Esta
distinção será apresentada na descrição metodológica das atividades e ações, conforme cada
caso. Os principais critérios de seleção das TIs para início imediato de atividades referem-se
ao grau de vulnerabilidade que esta estaria sujeita no decorrer das etapas de construção da
obra e à carência de informações relacionadas à caracterização ambiental.

A estratégia geral foi desenhada para os 5 primeiros anos do PBA-CI/PMX, que coincidem com
a etapa de construção da UHE BM. Entretanto, a partir do 5º ano as atividades e ações devem
ser replanejadas, junto com os povos indígenas, e reestruturadas e ampliadas, estendendo-se
para toda a fase de operação da UHE BM.

Os diagnósticos e monitoramentos participativos serão elaborados com a participação direta


das comunidades e com a equipe técnica específica para a realização de inventários e
pesquisas de campo. Mesmo considerando-se que a participação das comunidades em todas
as atividades é um princípio do PTI, reforça-se que deverá haver um investimento em ações
para que este princípio seja atingido.

Todas as atividades e ações deverão ser precedidas de reuniões com as comunidades levando
informações de maneira acessível e procurando considerar suas contribuições, tanto na fase
de planejamento como para o desenvolvimento das ações. A cada nova atividade, ou
programação de oficina a ser realizada, deverão ocorrer reuniões de planejamento com a
comunidade, onde deverá ser definida a forma como as atividades deverão acontecer, bem
como a indicação dos participantes conforme suas atribuições para melhor contribuir com o
projeto de monitoramento ambiental.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

O grupo que estará envolvido diretamente com o desenvolvimento das atividades e ações
previstas no projeto será aqui identificado como “grupo dos agentes realizadores”. Estes
deverão demonstrar interesse e comprometimento com a estratégia do projeto e serão
indicados pelas próprias comunidades.

Todas as atividades de levantamentos locais, bem como os monitoramentos ambientais


deverão ser precedidas de “oficinas preparatórias”, nas quais a equipe interventora atribui
função de sensibilizar os agentes realizadores para os métodos e as ações que deverão ser
desenvolvidas. Neste momento, objetivos das atividades e ações e sua relação com o PGTI e,
mais especificamente, com a atividade “Planejamento Territorial”, devem ser disponibilizados
de maneira acessível aos povos indígenas, favorecendo a reflexão e a construção do saber
intercientífico.

Entre as atividades iniciais do projeto, foram previstas ações que visam estudar a situação dos
ambientes e a disponibilidade dos principais recursos naturais, relevantes para os povos
indígenas. A isto, agrega-se também o reconhecimento dos recursos e tipos de ambientes
localizados no entorno destas TIs, que embora sejam utilizados por estas populações, poderão
encontrar-se em situações de risco de extinção local ou regional pelos impactos advindos com
o Empreendimento.

O método de caracterização de ambientes e recursos no interior das TIs considera


levantamentos junto às comunidades, a partir da lógica local, ou seja, da forma pela qual estes
povos indígenas reconhecem e classificam seu ambiente. Isto envolve a construção de
conceitos de territorialidade, o reconhecimento dos principais ambientes por eles utilizados e os
recursos naturais existentes e que constituem a base de sua subsistência e identidades
étnicas.

Espera-se formular, na lógica indígena, o diagnóstico e o mapeamento da situação e do


potencial das TIs de maneira a compreender o panorama inicial, o “marco zero”, a partir do
qual a equipe possa propor os “indicadores de referência” que deverão ser utilizados para os
monitoramentos previstos nas atividades posteriores. Será a partir destes indicadores que as
mudanças no ambiente poderão ser identificadas, bem como a forma como os indígenas usam
e se relacionam com o território, nas diferentes fases do Empreendimento.

As ações referentes a esta atividade são:

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Realização do diagnóstico inicial do uso do solo

A área considerada para realização do diagnóstico e monitoramento remoto, definida aqui


como Zona de Influência Regional nas TIs foi delimitada a partir de 2 critérios: (i) todas as
cabeceiras de sub-bacias dos rios que atravessam as TIs foram inseridas, exceto as dos rios
cujas nascentes encontram-se muito distantes das TIs mais ao sul - Kuruaya e Apyterewa -,
que são os rios Xingu, Iriri e Curuá (distâncias aproximadas respectivamente de 1000, 430 e
370km em linha reta); (ii) para as áreas de efluxo (onde os rios correm de dentro para fora das
TIs) considerou-se o limite do buffer de 30 km a partir do perímetro das TIs (Figura 6).

Esta Zona de Influência Regional nas TIs contempla todas as ameaças e impactos às TIs do
Médio Xingu apontadas no EIA.

Figura 6: Zona de Influência Regional nas TIs.

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O diagnóstico deverá ser realizado a partir da aquisição, composição colorida (RGB), registro e
classificação automática de imagens do sensor Advanced Visible and Near-Infrared
Radiometer – Type 2 (AVNIR-2) a bordo do satélite Advanced Land Observing Satellite
(ALOS).

A aquisição das imagens deve ocorrer em época seca, quando a cobertura de nuvens é
reduzida. No caso da imagem (do sensor AVNIR-2) apresentar cobertura de nuvens, os
procedimentos deverão ser realizados com imagens de outra data (do mesmo ano) ou de outro
sensor de média resolução espacial (Landsat, Cbers, Resourcesat ou outra imagem de média
resolução disponível gratuitamente pelo Instituto de Pesquisas Espaciais - INPE), de forma que
a classe nuvem seja totalmente eliminada.

O registro das imagens deve utilizar como referência o mosaico de imagens ETM+/Landsat-7
ortorretificadas (Geocover) disponibilizado pela NASA em formato Mrsid. O erro médio
quadrático (RMS) dos pontos de cada imagem deve ser menor que um pixel.

Na classificação automática deverão ser separados todos os polígonos de uso do solo,


identificáveis de acordo com a resolução espacial da imagem (10m no caso das imagens do
sensor AVNIR-2), das seguintes classes: (i) água; (ii) áreas não antropizadas (vegetação
nativa, áreas de pedrais, bancos de areia); (iii) desmatamento (solo exposto, agricultura,
pasto); (iv) vegetação degradada (por fogo ou exploração madeireira seletiva); (v) vegetação
secundária (capoeira); (vi) estradas possíveis de serem visualizadas e (vii) nuvens.

Após classificação automática de cada cena, deverá ser realizada uma edição matricial, onde
possíveis confusões geradas na classificação (ex. áreas de pedrais e bancos de areia
confundidas com desmatamentos) sejam detectadas e corrigidas. Esta edição deve ser
realizada na escala 1:50.000, compatível com a escala final de apresentação (1:100.000).
Nesta edição, dois parâmetros deverão ser usados para auxiliar no esclarecimento das
dúvidas: 1. Forma – em geral feições naturais não apresentam formas geométricas, que são
usualmente atribuídas a feições antrópicas ligadas a desmatamentos; 2. Temporalidade - a
comparação com imagens de anos anteriores (com mais de 15 anos de diferença) também é
um bom parâmetro, uma vez que feições geradas por ação antrópica tendem a apresentar uma
maior dinâmica espacial. Por exemplo, os pedrais permanecem sem alteração, enquanto
desmatamentos sofrem avanços e recuos (áreas de regeneração) constantes.

Durante a edição serão levantadas também dúvidas de classificação não solucionáveis em


gabinete.

No caso de ocorrência de nuvens na imagem do satélite AVNIR-2, imagens de outros satélites


e outras datas deverão ser processadas (aquisição, composição colorida (RGB), registro e
classificação automática de imagens) e a edição matricial deverá ser realizada, então, somente
para as áreas que foram classificadas como nuvem na primeira imagem (AVNIR-2). Este

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procedimento é importante para que nenhuma área deixe de ser considerada na classificação.

Após o término da classificação preliminar, em gabinete, deverão ser realizados sobrevôos


para validação da classificação. As dúvidas de classificação também serão checadas durante
estes sobrevôos.

Os sobrevôos deverão ocorrer somente sobre as áreas das TIs e entorno imediato (até 10km
de buffer). A partir das informações coletadas serão reeditadas as áreas cujas dúvidas foram
checadas.

Por fim, as classes de desmatamento (solo exposto, agricultura, pasto), vegetação degradada
(por fogo ou exploração madeireira seletiva), vegetação secundária (capoeira) e estradas
deverão ser usadas para geração de mapas (por TIs ou grupo de TIs vizinhas) na escala
aproximada de 1:100.000 (variável conforme tamanho da TI). Nesta etapa os polígonos
classificados como nuvens deverão ser substituídos pelo uso encontrado na outra imagem, do
mesmo ano, classificada. Deverá ser produzido também um mapa da “Zona de Influência
Regional nas TIs” em formato A0 (em escala 1:500.000).

Esses mapas deverão conter os mosaicos das imagens selecionadas (que apresentarem
menor cobertura de nuvens) como fundo. Os vetores de uso do solo antrópico deverão ser
inseridos, bem como limites municipais, das TIs, UCs e assentamentos, e informações pontuais
como sedes de municípios e aldeias.

A partir de então será possível gerar estatísticas com as porcentagens de cada tipo de uso nas
TIs e entorno. Os mapas, arquivos vetoriais e relatórios estatísticos deverão ser inseridos no
BD.

Estes procedimentos devem ser realizados utilizando um programa de processamento digital


de imagens que suporte a manipulação de grande volume de dados e um SIG para geração de
mapas (Layouts).

A equipe responsável por esta ação será composta por um profissional pleno (responsável
também pela execução da 1ª e 3ª atividades) e um profissional júnior especialista em
geoprocessamento.

Levantamento fundiário no entorno das Tis

A ação deverá ser iniciada pelo levantamento dos dados disponíveis nos órgãos oficiais ligados
à regularização fundiária para toda a “Zona de Influência Regional nas TIs”. As instituições
mais relevantes são: Instituto de Terras do Pará (ITERPA), Empresa de Assistência Técnica e
Extensão Rural do Estado do Pará (EMATER), Secretaria do Meio Ambiente do Estado do
Pará (SEMA-PA), INCRA - Regional do Pará e Gerência Regional do Patrimônio da União do

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Estado do Pará (GRPU-PA). Deve incluir também a consulta ao SIG da Amazônia, que está
sendo produzido pelo “Programa Terra Legal” do MDA.

O levantamento de dados secundários deve ser realizado por pesquisas via internet e contatos
por meio telefônico ou de correio eletrônico. Estão previstas também duas visitas às sedes
desses órgãos, na cidade de Belém, visando o contato pessoal com as instituições e acertos
necessários para firmar parcerias.

Esta etapa será importante para a discussão da abrangência da Faixa de Segurança


Etnoambiental, ao final do 1º ano de levantamentos, uma vez que os assentamentos e imóveis
rurais são importantes vetores de pressão de desmatamento e esgotamento de recursos
naturais no entorno das TIs.

No início do 2º ano será feita uma análise, baseada nos levantamentos realizados até então,
das mudanças verificadas no entorno e das demandas dos grupos indígenas a fim de levantar
as áreas prioritárias (mais vulneráveis) para realização de georrefenciamento de imóveis rurais.
Além das coordenadas das propriedades deverão ser levantados também outros dados, das
tais como, nome da fazenda, proprietário e atividades produtivas. Esse levantamento deve
priorizar as áreas limítrofes às TIs cujos proprietários são co-responsáveis pela fronteira.

Este georreferenciamento deve ser finalizado no 2º ano de construção da UHE BM e será


executado por um consultor contratado, que deverá realizar as atividades de campo
acompanhado de um representante de FUNAI.

Elaboração do calendário sazonal das TIs

O calendário sazonal permitirá aos consultores entender a distribuição das atividades anuais
que são desenvolvidas por todos os povos e os marcadores de tempo relacionados com estas,
como as atividades de subsistência, o calendário festivo, os calendários celestes que regem
épocas de coleta de recursos, os ciclos anuais de disponibilidade de recursos naturais e as
principais atividades culturais.

Sua construção deve ser feita em grupos focais, divididos por classe etária e gênero.

Será por meio desta ação que a equipe espera caracterizar os sistemas locais de uso, manejo
e conservação de recursos, além de proporcionar a construção de conceitos relacionados aos
indicadores ambientais de referência, segundo a lógica local. Os resultados do calendário
permitirão que os profissionais técnicos de todos os programas pertencentes ao PBA-CI/PMX
possam planejar suas atividades de forma a não concorrer com atividades tradicionais
importantes.

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O projeto também pretende promover formas para acessar técnicas e conceitos relacionados a
estas alterações ambientais, de maneira que os próprios indígenas estejam mais preparados
para avaliarem estas mudanças segundo seus próprios indicadores, proporcionando análises e
soluções mais próximas da realidade local.

As oficinas de calendário sazonal deverão acontecer em todas as aldeias das 11 TIs, além da
AI Juruna do Km 17, que hoje totalizam 26 aldeias: TI Apyterewa, TI Koatinemo, TI
Araweté/Igarapé Ipixuna, TI Kararaô, TI Cachoeira Seca, TI Arara, TI Paquiçamba, TI
Trincheira Bacajá, TI Arara da VGX, TI Xipaya e TI Kuruaya. As ações estão previstas para
acontecerem a partir do 1º semestre do 1º ano, com a duração prevista para 10 dias de oficina
em cada uma delas. As informações deverão ser registradas em áudio digital durante o
processo de levantamento e, posteriormente, em relatório técnico, cujas informações deverão
ser integradas ao BD do PBA-CI/PMX.

Os resultados deverão subsidiar a construção dos indicadores ambientais de referência para as


futuras análises de monitoramento ambiental. As oficinas de construção destes indicadores
estão descritas em ações subseqüentes neste projeto.

Realização de diagnóstico socioeconômico e de infraestrutura das aldeias

Os levantamentos socioeconômicos deverão ser realizados pelo profissional pleno de cada TI,
que poderá ter ajuda de alguns indígenas, como professores ou agentes de saúde, de
preferência que sejam alfabetizados, além de conhecerem a realidade local, facilitando o
contato com a comunidade. Entre as informações a serem levantadas nas aldeias das TIs,
estão previstas: (i) o censo populacional; (ii) a identificação das lideranças políticas, religiosas e
espirituais, como caciques, chefes de grupos de trabalho, pajés, raizeiros e membros das
associações; (iii) os representantes de conselhos, Agentes Indígenas de Saúde (AIS), Agentes
Indígenas de Saneamento Ambiental (AISAM), entre outros; (iv) a presença de escolas, dos
PPs e a situação dos alfabetizados (informações a serem levantadas junto à equipe do PEEI
do PBA-CI/PMX); (v) a infraestrutura e os equipamentos disponíveis nas aldeias (incluindo
estruturas físicas, transporte, comunicação, veículos, máquinas, barcos e motores), a ser
levantada junto aos profissionais da equipe do PIE do PBA-CI/PMX; (vi) as fontes de renda
(assalariados, aposentados, bolsistas, comercialização de produtos, entre outros); e (vii) os
projetos em andamento.

Valerá também identificar quais produtos são importantes para os diferentes povos/aldeias, e
quais são ainda utilizados no sistema de trocas locais. Outras informações mais
antropológicas poderão ser incorporadas e atualizadas ao longo do tempo, como a relação
entre os solteiros e casados, as regras de casamento, situação lingüística atual, aspectos de
sua organização social, regras de residência, grupos locais, relações de afinidade parentesco e

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consangüinidade, amizades e conflitos ou afinidades entre aldeias.

As oficinas de diagnóstico socioeconômico e de infraestrutura deverão acontecer em todas as


aldeias, com a duração prevista para 7 dias em cada uma delas. Esta ação está prevista para
acontecer no 1º ano do projeto, nas 11 TIs já indicadas, além da AI Juruna do Km 17, que
juntas totalizam 25 aldeias. Para apoiar os levantamentos, será elaborado um arquivo
contendo dados secundários, de cada TI, procedendo uma checagem de informações, a fim de
evitar questões que já haviam sido registradas em outros levantamentos, principalmente na
elaboração do EIA/RIMA. As informações levantadas deverão constar do BD Geoespacial do
PBA-CI/PMX.

Levantamento participativo dos recursos e ambientes prioritários

Esta ação visa realizar a caracterização preliminar os territórios indígenas, de modo a obter
dados que deverão subsidiar todas as ações de monitoramento. Ela se divide em 2 etapas: a
oficina de etnomapeamento e a oficina de construção e sistematização de indicadores.

O etnomapeamento das TIs será realizado com o apoio das comunidades, cujo objetivo está
em definir áreas de uso tradicional, áreas de uso potencial, locais com fragilidade ambiental e
sítios sagrados e históricos, entre outros aspectos que serão identificados previamente com as
outras equipes do PBA-CI/PMX e juntamente aos povos indígenas. O método de
etnomapeamento permitirá conhecer os principais tipos de ambientes no sistema de
classificação dos povos indígenas em relação a seus territórios. Num primeiro momento
deverão ser construídos mapas mentais, elaborados pelos agentes realizadores que deverão
participar das oficinas. Este mapa deverá ilustrar as impressões dos indígenas sobre o seu
território, partindo de seus próprios referenciais geográficos. Num segundo momento, os
ambientes já identificados no mapa mental deverão ser localizados e plotados em mosaico de
imagens de satélite, com escala variável de acordo com o tamanho de cada TI, impressos em
tamanho 2,5m x 2,0m. Neste grande mapa, além das informações levantadas no mapa mental,
deverão ser registradas todas as informações que os indígenas conseguirem apontar sobre
seus territórios, seguindo a toponímia na língua indígena.

Além da identificação destes tipos de ambientes, deverão ser levantados os principais recursos
por eles utilizados, a situação de abundância, raridade ou vulnerabilidade. Os levantamentos
de recursos prioritários deverão respeitar as formas de organização social dos povos das TIs,
considerando-as no planejamento junto com a comunidade. Deverão ser consideradas para a
realização desta ação, as formas de estruturas organizativas já existentes na comunidade.
Como exemplo, os alunos de escolas locais, a organização de grupos de jovens que
correspondam com suas expectativas por formação técnica em manejo de recursos naturais,
entre outras, dependendo das particularidades das TIs e aldeias correspondentes. Espera-se

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também envolver os mais experientes, os conhecedores ou anciões, que deverão participar


desde a concepção das ações, à execução e até a sua conclusão. Para tanto, planejar
conteúdos de forma acessível aos interlocutores não letrados será o maior desafio desta ação.

A oficina de etnomapeamento deverá acontecer em todas as aldeias, com a duração prevista


para 15 dias em cada uma delas. Esta ação está prevista para acontecer no 1º semestre do
Ano 1 do projeto, nas 11 TIs já indicadas, além da AI Juruna do Km 17, que juntas totalizam
256 aldeias, totalizando, portanto, 26 oficinas.

O etnomapeamento não se encerrará nesta primeira fase dos levantamentos, mas deverá
incorporar novas informações sobre ambientes e recursos durante os levantamentos da
vegetação, de caça e da pesca, que deverão acontecer nas etapas subseqüentes.

A oficina de construção e sistematização de indicadores ambientais de referência visa


proporcionar espaços de discussão para que os povos indígenas envolvidos no projeto possam
refletir e avaliar os impactos a partir de seus próprios referenciais, em relação aos ambientes e
recursos naturais. Isto se justifica, visto que existem conhecimentos acumulados em relação a
estes ambientes e seus territórios, que estariam relacionados principalmente com os diversos
tipos de plantas e animais ou fenômenos naturais, além da utilização de tecnologias
apropriadas para a caça, pesca, agricultura e silvicultura. Segundo Berkes (1983), o
conhecimento ecológico tradicional seria

[...] representações que codificam processos e que guiam sociedades humanas em suas
inúmeras interações com o meio natural. Estas desenvolveram diversas estruturas e
conteúdos; complexidade, versatilidade e pragmatismo, e padrões distintos de
interpretação ancorada em visões de mundo específicas. Pode ser, portanto, empírico e
objetivo, sagrado e intuitivo. O concreto e o espiritual, co-existem lado a lado, de maneira
complementar, enriquecendo suas interpretações.

Considerando as informações já levantadas durante a elaboração do calendário sazonal e na


oficina de etnomapeamento de recursos e ambientes das TIs, uma análise mais direcionada
para a construção de indicadores poderia contribuir, por exemplo, para que impactos que não
tenham sido devidamente dimensionados pelo EIA possam ser considerados e inseridos na
estratégia de monitoramento. Desta forma, a formulação dos “indicadores ambientais de
referência”, na lógica indígena, poderia indicar com maior precisão os impactos relacionados à
grande perda da biodiversidade e de recursos que são importantes para os povos indígenas do
Médio Xingu.

Será a partir destes indicadores que as mudanças no ambiente poderão ser identificadas, bem
como a forma como os indígenas usam e se relacionam com o território, nas diferentes fases
do Empreendimento. Estes dados deverão ser utilizados para os monitoramentos previstos
nas atividades posteriores.

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As oficinas terão duração de 10 dias e deverão envolver as 26 aldeias, nas 11 TIs e na AI


Juruna do Km 17. Esta ação foi prevista em dois momentos do projeto, sendo 26 oficinas no
final do 2º semestre do 1º ano, após as oficinas de calendário sazonal e do etnomapeamento, e
26 oficinas no início do 2º ano, antes do iniciar as ações relacionadas com o monitoramento.
As informações deverão ser registradas em áudio digital durante o processo de levantamento
e, posteriormente, em relatório técnico, cujas informações deverão ser integradas ao BD do
PBA-CI/PMX.

Monitoramento remoto das TIs e do entorno

O monitoramento remoto das TIs e do entorno será realizado por meio de 3 ações, sendo que
a primeira deve ser iniciada no início do 2º ano (seguido da conclusão da primeira ação) e deve
ser concluída após 6 meses (um ano e meio após início da execução do PBA-CI/PMX. A
segunda também deve ser iniciada após o término do diagnóstico remoto inicial e deve
estender-se para todo o período de operação da usina. A terceira ação deve ser implementada
no 1º ano e deve permanecer ocorrendo por toda a operação da usina.

Esta atividade deverá ser realizada pelo profissional pleno (responsável também pelas
atividades de Sistematização e disponibilização de informações sobre as TIs e o entorno; e
Caracterização das TIs e do entorno), por um profissional júnior em geoprocessamento, que
auxiliará a execução da ação de Monitoramento do uso e da ocupação do solo (mesmo que irá
executar a ação de diagnóstico inicial do uso do solo), e por um profissional indígena júnior
(treinado pelo profissional pleno) que será responsável pela execução da ação Monitoramento
dos focos de calor (o mesmo que deverá auxiliar na ação de Atualização e disponibilização das
informações).

Definição da faixa de segurança etnoambiental

Após o término do diagnóstico inicial da “Zona de Influência Regional nas TIs”, e do


levantamento de dados secundários da situação fundiária do entorno das TIs (ação Realização
do diagnóstico inicial do uso do solo e parte da ação Levantamento fundiário no entorno das
TIs), serão analisadas as potencialidades (vizinhança com UCs, cabeceiras de drenagem,
áreas de recursos prioritários, etc) e fragilidades (assentamentos, estradas, desmatamentos,
etc) para definição da Faixa de Segurança Etnoambiental de cada TI ou grupos de TIs.

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A definição desta faixa deverá ter em vista a criação e manutenção de mosaicos de


conservação na região do Médio Xingu, atendendo ao objetivo da PNGATI de gestão integrada
de TIs e UCs. A região do Médio Xingu é considerada de fundamental importância na
preservação do Bioma Amazônico, uma vez que, além de apresentar uma riquíssima
diversidade de ambientes naturais e culturais, esse mosaico composto por diversas TIs e UCs
fornece uma barreira ao avanço do arco do desmatamento da Amazônia Brasileira.

A Faixa de Segurança Etnoambiental não deverá ser proposta como um buffer regular ao redor
das TIs, mas como um polígono irregular que deverá levar em consideração os limites
encontrados após a análise criteriosa das potencialidades e fragilidades que circundam as TIs.
Como exemplo, a faixa deve seguir os limites do divisor de águas no caso de bacias
hidrográficas cujos rios são importantes para determinadas aldeias, como o rio Bacajá, por
exemplo.

Esta análise deverá ser feita por meio da realização de uma reunião com os Coordenadores de
todos os projetos do PBA-CI/PMX, para que as informações levantadas neste 1º ano de
execução do PBA-CI/PMX sejam levadas em conta na definição desta faixa.

Monitoramento do uso e da ocupação do solo

Os procedimentos de aquisição, composição colorida, registro, classificação de imagens e


edição matricial, sobrevôos para checagem de dúvidas em campo, reedição, mosaicagem e
geração de mapas, detalhados na ação específica, deverão ser repetidos anualmente para
toda a “Zona de Influência Regional nas TIs” considerada no diagnóstico inicial.

A sobreposição da classificação com o mapeamento realizado no ano anterior permitirá a


geração de relatórios anuais com estatísticas das áreas de incremento do desmatamento e
áreas restauradas ou em restauração. Além dos dados brutos (resultado da classificação)
estas informações devem ser apresentadas de forma espacial (mapas de vulnerabilidade),
onde os vetores de mudança de uso do solo deverão ser explicitados, indicando as áreas
críticas com relação ao desmatamento.

Esses relatórios e mapas deverão ser enviados, via internet, a todos os Coordenadores dos
Programas que compõem o PBA-CI/PMX, como também para órgãos governamentais como
FUNAI, IBAMA, entre outros e o empreendedor NESA, apresentando as mudanças detectadas
para verificação e controle de atividades que estejam impactando negativamente as TIs. Os
impactos positivos, especialmente os resultantes de projetos de restauração de áreas
degradadas e de matas ciliares, também serão apontados nos relatórios. Estes relatórios
serão inseridos no BD e disponibilizados no portal (incluindo mapas interativos da evolução do
uso do solo).

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As áreas de nascentes e matas ciliares (tanto no interior das TIs como no entorno) são
consideradas locais prioritários para o monitoramento, devendo ser detalhadas nos relatórios
por meio de representações em escalas maiores, em áreas consideradas críticas, e de análises
estatísticas separadas (por exemplo: porcentagem de desmatamento em APPs no ano X). A
equipe do Projeto de Conservação Territorial do PGTI deve receber informações específicas
relacionadas a essas áreas. Por outro lado, poderão auxiliar esta parte do monitoramento com
dados georreferenciados coletados em campo.

Os profissionais responsáveis por esta ação deverão também dar suporte à equipe do PSA
através da elaboração de mapas para expedições a sítios históricos e trabalhos de campo de
coleta de recursos. Após as expedições os dados levantados deverão ser utilizados como
informações auxiliares ao monitoramento remoto e incorporados ao BD.

O monitoramento do uso e ocupação do solo deve contar também com a análise dos dados do
sistema “Detecção de Desmatamento em Tempo Real” (DETER) produzido pelo INPE. Esse
programa foi desenvolvido de forma a apresentar uma maior frequência temporal, embora as
imagens utilizadas como base tenham resolução espacial baixa. Desta maneira, ocorrências
de novos desmatamentos podem ser visualizadas mensalmente, porém somente grandes
áreas são detectadas pelos sensores utilizados (DPI/INPE, 2011):

O DETER é um levantamento rápido feito mensalmente pelo INPE desde maio de 2004,
com dados do sensor MODIS do satélite Terra/Aqua e do Sensor WFI do satélite CBERS,
de resolução espacial de 250m. O DETER foi desenvolvido como um sistema de alerta
para suporte à fiscalização e controle de desmatamento. Por esta razão o DETER
mapeia tanto áreas de corte raso quanto áreas em processo de desmatamento por
degradação florestal”

Com auxílio deste programa (DETER) a ocorrência de grandes desmatamentos poderá ser
identificada e notificada aos órgãos competentes como o IBAMA/ICMBio e a Secretaria de
Meio Ambiente do Estado do Pará.

Outros programas que monitoram a Amazônia também devem ser considerados nas análises
de avanço do desmatamento, como o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), produzido
pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON) e o Programa de
Monitoramento de Áreas Especiais (ProAE) desenvolvido pelo Sistema de Proteção da
Amazônia (SIPAM).

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Monitoramento dos focos de calor

Para evitar ambiguidades de informações os termos queimada, incêndio florestal e focos de


calor são considerados neste projeto como:

- Queimada: A queimada é uma antiga prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de
forma controlada para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens [...] (Prevfogo/IBAMA,
2011).

- Incêndio Florestal: É o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação,
podendo tanto ser provocado pelo homem quanto por uma causa natural, como raios, por
exemplo (Prevfogo/IBAMA, 2011).

- Focos de Calor: A expressão focos de calor é utilizada para interpretar o registro de calor na
superfície do solo pelo sensor AVHRR, que viaja a bordo do satélite NOAA15. Esse sensor
capta e registra qualquer temperatura acima de 47ºC, portanto não é necessariamente um foco
de fogo ou incêndio (Prevfogo/IBAMA, 2011). Os focos de calor deverão ser serão
monitorados em todas as TIs e Faixa de Segurança Etnoambiental, a partir de relatórios
diários, disponibilizados pelo Centro de Prevenção de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto
de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE, 2011).

Os relatórios são enviados via e-mail, após cadastro, diariamente e sem qualquer custo.

Estes relatórios serão analisados imediatamente após o recebimento (que pode ocorrer mais
de uma vez por dia), por um profissional indígena júnior, que será responsável pelo
acionamento das Brigadas Indígenas de Incêndio (nas TIs onde serão implantadas), IBAMA
(PrevFogo) ou Corpo de Bombeiros a cada detecção de foco de calor no interior ou Faixa de
Segurança Etnoambiental das TIs. Esta ação dará suporte à atividade de controle de incêndios
do projeto de Conservação Ambiental.

As ocorrências de queimadas e incêndios florestais deverão ser inseridas no BD, além de


relatórios mensais apontando os vetores de tendência desses eventos. Relatórios anuais
também deverão ser gerados, explicitando as áreas mais vulneráveis e possíveis causas do
aumento dessas ocorrências.

No 1º ano, enquanto a Faixa de Segurança Etnoambiental não tiver sido definida, a ação deve
ser realizada em toda a “Zona de Influência Regional nas TIs”, posteriormente deve se
restringir às TIs e Faixa de Segurança Etnoambiental.

O profissional indígena júnior que irá auxiliar a atualização e disponibilização dos dados no BD
deverá ser treinado pelo profissional pleno também para desenvolver esta ação.

15
O Sistema de monitoramento de focos de calor do INPE dispõe de dados dos satélites GOES, MSG,
NOAA, AQUA e TERRA.

215
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Monitoramento participativo dos recursos e ambientes prioritários

Nesta etapa do projeto, as ações visam monitorar a situação dos ambientes e a disponibilidade
dos principais recursos naturais relevantes para os povos indígenas, aferindo as alterações nos
recursos naturais, e indicando a necessidade de intervenções, sobretudo a partir das
modificações causadas ao ambiente e suas conseqüências nas fases posteriores à construção
do Empreendimento.

A estratégia de monitoramento dos recursos será elaborada com a participação direta da


comunidade e com a equipe técnica específica para a sua realização. O monitoramento de
recursos e ambientes também deverá respeitar as formas de organização social dos povos das
TIs, considerando o planejamento junto com a comunidade. Deverá ser organizado um grupo
focal de diferentes faixas etárias, para participar das oficinas. Este grupo, formado por jovens e
conhecedores experientes, poderá estar envolvido em todas as ações de monitoramento,
conforme os quatro temas previstos, e que serão apresentados a seguir. Durante as oficinas
preparatórias, o grupo deverá receber orientações para o desenvolvimento destas ações. Os
mais experientes, no caso os conhecedores mais velhos, serão convidados a participar de
todas as etapas, desde os planejamentos, a definição dos métodos nas TIs e o
acompanhamento de ações no campo. Planejar conteúdos de forma acessível aos
interlocutores não letrados será o maior desafio desta ação.

Deverão ser revistos os indicadores ambientais de referência de modo que estes possam ser
traduzidos a uma linguagem acessível para o entendimento dos participantes das oficinas.
Somente desta maneira o método permitirá um envolvimento ativo e consciente em todo este
processo.

Deverão ocorrer ações de modo distinto, entre as TIs da região do Médio Xingu. Esta distinção
está relacionada principalmente com o nível de impacto, entre as que deverão ser diretamente
afetadas pelo Empreendimento e aquelas que serão também influenciadas, mas de maneira
indireta. Este procedimento também se justifica pela falta de diagnósticos realizados em
profundidade nos EIAs de algumas TIs, nas quais deverão ser previstos levantamentos mais
completos numa primeira fase, incluindo caracterização de sistemas e de recursos naturais.

As ações de monitoramento participativo estão organizadas em 5 etapas, entre as quais se


destaca a construção de indicadores ambientais de referência e a realização de oficinas de
monitoramento para 4 temas pré-estabelecidos, relacionados com (i) as fisionomias de
vegetação; (ii) o sistema agrícola; (iii) a caça e (iv) a pesca.

A construção de indicadores ambientais de referência deverá ocorrer no início do 2º ano, no 1º


semestre, antes de todas as ações de monitoramento previstas, e deverá ocorrer em todas as
11 TIs e na AI Juruna do Km 17, totalizando 25 oficinas com a duração de 10 dias. O método
já fora descrito acima, no final da atividade - Caracterização das TIs e do Entorno - sendo que

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nesta segunda etapa pretende-se retomar os dados obtidos, para que os indicadores
ambientais sejam consolidados e possam ser considerados nas oficinas de monitoramento.
Serão necessárias estas duas etapas para a obtenção de dados confiáveis e precisos,
próximos da realidade dos povos indígenas das TIs.

Para todas as ações de monitoramento, seguindo os temas pré-estabelecidos, serão realizadas


oficinas preparatórias, de modo a organizar a comunidade e realizar os levantamentos
necessários para iniciar esta estratégia de monitoramento em cada uma das TIs. Numa
segunda etapa, serão realizadas as oficinas de monitoramento para os mesmos temas já
indicados, ou seja, as fisionomias de vegetação, o sistema agrícola, a caça e pesca. As
informações deverão ser registradas em áudio digital durante o processo de levantamento e,
posteriormente, em relatório técnico, cujas informações deverão ser integradas ao BD do PBA-
CI/PMX.

De forma geral as oficinas preparatórias deverão se realizar a partir do 2º ano, com algumas
diferenças entre TIs, segundo o nível de aprofundamento dos levantamentos previstos nos
EIAs, conforme já descrito, além de prioridades estabelecidas pela equipe, baseadas nos
estudos de impactos, que podem variar para cada um dos quatro temas já indicados. As
oficinas de monitoramento, que seriam uma continuidade das preparatórias, também serão
realizadas de forma diferenciada para as mesmas TIs, devendo ser iniciadas a partir do 3º ano.
Um maior detalhamento destas etapas e as TIs nas quais as oficinas deverão se desenvolver
será apresentado a seguir, na descrição metodológica para cada um destes temas.

Esta metodologia foi desenhada para os 5 primeiros anos do PBA-CI/PMX e as ações aqui
descritas deverão ocorrer a partir do 2º ano. Entretanto, recomenda-se que, a partir do 5º ano,
as atividades e ações de monitoramento sejam avaliadas com os povos indígenas das TIs,
prevendo a sua readequação, caso necessário, podendo se estender para toda a fase de
operação da UHE BM.

Monitoramento das fisionomias de vegetação

Com a implantação do Empreendimento, existe a necessidade de diagnosticar os prováveis


impactos causados aos ambientes de terra firme, principalmente os danos às florestas da
região do Médio Xingu. A vegetação dos pedrais e das planícies aluviais também merece uma
atenção especial quanto às alterações fenológicas, fisionômicas e populacionais. Em função
das grandes alterações do regime hidrológico no TVR do rio Xingu, principalmente no que se
relaciona às TIs Paquiçamba, Arara da VGX, Trincheira Bacajá e às moradias da famílias
indígenas da VGX, muitos recursos florestais poderão sofrer um grande impacto.

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A partir dos dados de etnomapeamento e dos indicadores ambientais obtidos nas etapas
anteriores, e que serão sistematizados e representados em mapas de vegetação segundo a
classificação indígena, deverão ser realizadas visitas aos principais ambientes reconhecidos, e
dar-se início aos levantamentos de recursos prioritários.

Nestes ambientes selecionados, deverão ser marcados alguns indivíduos destas espécies,
sendo georreferenciados e localizados em mapa. Entre os resultados dos inventários de
ocorrência de recursos naturais nas TIs, espera-se quantificar os estoques das espécies
potenciais, ou de uso dos povos indígenas. No planejamento destas atividades serão
considerados os piques utilizados pelas comunidades indígenas para a coleta de recursos na
mata.

Com apoio de um consultor especialista em identificação botânica, deverá ser realizada a


caracterização destas fisionomias segundo a classificação indígena e a identificação das
espécies prioritárias para a cultura local. As espécies deverão ser fotografadas (tronco, folhas,
frutos e flor) e posteriormente identificadas. Estas informações serão organizadas em um
“Guia de Reconhecimento de Espécies da Flora”, que deverá contribuir para a identificação das
espécies existentes nas TIs e seu entorno. Os registros fotográficos poderão facilitar o
reconhecimento das espécies pelos seus usuários.

Este esforço para identificar estes recursos “chave” poderá ser compartilhado com as
atividades de coleta e manejo de sementes florestais para a sua multiplicação em outras áreas,
seja para a recuperação ou enriquecimento, em consonância com as atividades previstas no
Projeto Conservação Territorial. Esta seria complementar ao Programa Gestão Territorial
Indígena, além de também ter interface com o Programa Atividades Produtivas.

São previstas a realização de 10 oficinas preparatórias para o monitoramento das fisionomias


de vegetação em 3 TIs e na AI Juruna do km 17, a partir do 2º ano, com a duração de 10 dias
cada. Para o 1º semestre foram previstas 5 oficinas nas TIs Paquiçamba, TI Arara da VGX, em
uma aldeia da TI Trincheira do Bacajá e na AI dos Juruna do Km 17. Para o 2º semestre,
deverão ser finalizadas mais cinco oficinas na TI Trincheira Bacajá.

Os produtos gerados nesta estratégia são:

(i) Realização de estudos etnobiológicos visando à elaboração de um guia de reconhecimento


de espécies da flora existente nas TIs e seu entorno com registros visuais das espécies como
ferramenta de trabalho, tanto aos próprios índios como para a equipe técnica do PBA-CI/PMX.

(ii) Seleção de ambientes/áreas, marcação de indivíduos de espécies de plantas ou árvores


importantes para a subsistência/sistema cultural dos povos indígenas.

(iii) Dados de abundância de recursos florestais prioritários e estratégias de recuperação.

(iv) As oficinas de monitoramento das fisionomias de vegetação também terão caráter

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pedagógico e formativo para vegetação e deverão prever épocas de cheia, vazante, seca e
enchente do rio, obtendo uma amostragem representativa da floração e frutificação dos
recursos em diferentes épocas do ano.

Estes recursos seriam monitorados, considerando principalmente a fenologia de alguns


indivíduos, bem como os impactos em função das mudanças ambientais decorrentes do
Empreendimento. Este esforço para o monitoramento destes recursos “chave” poderá ser
compartilhado com as atividades de coleta e manejo de sementes florestal para a sua
multiplicação em outras áreas, previsto no Projeto de Conservação Territorial. No
planejamento de atividades deverão ser utilizados novamente os piques de coleta de recursos
na mata, tanto para as áreas de terra firme, como nas áreas dos pedrais e planícies aluviais.

As informações deverão ser registradas em áudio digital durante o processo de levantamento


e, posteriormente, em relatório técnico, cujas informações deverão ser integradas ao BD do
PBA-CI/PMX.

A partir do 3º ano até o 5º ano do PBA-CI/PMX deverão ser realizadas outras 10 oficinas
anuais de monitoramento das fisionomias de vegetação, com duração de 10 dias, para as
mesmas TIs, totalizando 30 para os três anos. Estas deverão seguir a mesma ordem, sendo 5
oficinas no 1º semestre, nas TIs Paquiçamba, TI Arara da VGX, em uma aldeia da TI Trincheira
Bacajá e na AI dos Juruna do Km 17. Para o 2º semestre, mais 5 oficinas na TI Trincheira
Bacajá.

Dentre os principais resultados gerados na 2º etapa estão: realização do monitoramento das


florestas e dos recursos prioritários e dados de monitoramento relacionados à fenologia de
espécies prioritárias, frutificação, dispersão e variabilidades genéticas das espécies florestais
afetadas pelo agravamento da fragmentação do entorno e diminuição da vazão no TVR.

Monitoramento do sistema agrícola

O levantamento do sistema agrícola deverá subsidiar ações para a segurança alimentar e visa
principalmente caracterizar as etapas, as práticas e técnicas relacionadas ao manejo das
roças. No monitoramento do sistema agrícola, deverá ser realizado um levantamento anual
das novas roças, sendo caracterizados os tipos de solo, a manutenção dos recursos cultivados
(tipo varietal/espécie), bem como a manutenção da agrodiversidade pelas famílias produtoras
em cada aldeia. Será importante avaliar qual o percentual de alimentos providos por estas
roças e o quanto provém de recursos externos, na dieta anual das famílias. Além disto,
acompanhar os fluxos de transmissão de conhecimentos sobre os plantios, os usos dos
recursos na culinária e a manutenção destas variedades cultivadas será também parte desta
estratégia.

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No segundo ano do PBA-CI/PMX, para o 1º e 2º semestre, foram previstas a realização de 2


oficinas preparatórias para o monitoramento do sistema agrícola, totalizando 50 oficinas anuais
e com duração de 10 dias cada. Estas serão realizadas em todas as TIs. A partir do 3º ano
(Ano 3 – 5), deverá ser realizada somente uma oficina de monitoramento do sistema
agrícola/ano, com duração de 10 dias, em épocas a serem definidas com as comunidades das
TIs, totalizando 75 oficinas para 3 anos.

Entre os temas a serem trabalhados nas TIs, são previstos:

(i) quantificação das roças totais/ano;

(ii) o ciclo de cultivo e recuperação das capoeiras;

(iii) os principais tipos de ambientes e terras;

(iv) a agrodiversidade e disponibilidade de recursos cultivados nas roças familiares;

(v) os aspectos de transmissão de conhecimentos e manutenção da diversidade agrícola entre


as famílias e

(vi) os aspectos da culinária associada a estes recursos.

As informações deverão ser registradas em áudio digital durante o processo de levantamento


e, posteriormente, em relatório técnico, cujas informações deverão ser integradas ao BD do
PBA-CI/PMX.

Monitoramento da caça

A relação dos povos indígenas com a atividade de caça será caracterizada pela realização de
oficinas preparatórias, em diferentes épocas do ano, segundo a elaboração do calendário
sazonal, durante as épocas de cheia, vazante, seca e enchente do rio, obtendo uma
amostragem representativa da atividade de caça e da disponibilidade de animais nestas
diferentes épocas do ano.

Para os levantamentos do sistema de caça e dos censos, descritos a seguir, deverão participar
principalmente os caçadores, visto que esta atividade está mais relacionada ao universo
masculino. No entanto, de maneira complementar, serão realizados levantamentos nas casas
das famílias, para a amostragem dos animais caçados por época/ano. Nesta fase, a
participação das mulheres será importante, pois são elas que preparam os alimentos. Espera-
se um universo amostral de casas que seja representativo para as aldeias de cada TI,
conforme as suas especificidades, atendendo os métodos já utilizados no EIA (VIEIRA et al.,
2009a; PATRÍCIO et al., 2009).

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Entre os métodos previstos, serão realizadas entrevistas estruturadas com caçadores,


acompanhamento das atividades de caça, censo da fauna, conversas informais, e a realização
de caçadas monitoradas. Espera-se com esta ação:

(i) conhecer os animais que são caçados por estes povos;

(ii) seus locais de preferência;

(iii) as estratégias utilizadas para o abatimento;

(iv) caracterização dos usos múltiplos da fauna;

(v) estimativas de etnoespécies de animais caçados/família/ano e

(vi) os usos medicinais, ritual, alimentar e comercial também deverão ser considerados nos
levantamentos.

Para os levantamentos da abundância relativa aos mamíferos de hábitos diurnos caçados nas
TIs, deverá ser utilizado o método de transecção linear, entrevistas semi-estruturadas e o
rastreamento de vestígios nas trilhas utilizadas dentro da TI e, quando necessário, nas áreas
do entorno.

O método de transecção linear é procedimento padrão para inventários sistemáticos de


mamíferos diurnos na Amazônia e em outras florestas tropicais, conforme as citações obtidas
na descrição dos métodos no EIA do AHE BM Volume 35 Tomos 2 e 3 (VIEIRA et al., 2009a;
PATRÍCIO et al., 2009). Este método consiste em percorrer cuidadosamente uma trilha
retilínea, a transecção ou transecto, a um ritmo uniforme, e registrar todos os encontros com as
espécies de interesse. A cada encontro (avistamento) com indivíduos ou grupos das espécies-
alvo são registrados: hora, localização na trilha, espécie, número de indivíduos e suas
respectivas classes, sexo/faixa etária, distância perpendicular animal-trilha. Também poderão
ser consideradas visualizações indiretas, considerando a identificação e quantificação de os
rastros e vestígios nas trilhas percorridas.

Deverá ser contratado um consultor técnico especializado em estudos de caça, para a


realização das oficinas em cada uma das 5 TIs.

Esta ação está dividida em diferentes fases, visto a carência de informações em determinadas
TIs:

- No 2º ano do projeto, deverão ser realizadas 2 Oficinas Preparatórias de Caça em 5 TIs. No


1º semestre serão realizadas 8 oficinas em 8 aldeias na TI Apyterewa, TI Cachoeira Seca, TI
Arara, TI Xipaya e TI Kuruaya. No 2º semestre do mesmo ano, deverão ser realizadas mais 8
oficinas nas mesmas TIs, totalizando 16 oficinas, com duração de 10 dias cada.

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- No 3º ano, são previstas a realização de 34 Oficinas Preparatórias sobre o Levantamento de


Caça em 7 TIs, com duração de 10 dias cada.

Serão 17 oficinas para 17 aldeias no 1º semestre e mais 17 oficinas para o 2º semestre, nas
mesmas TIs, sendo TI Koatinemo, TI Araweté/Igarapé Ipixuna, TI Kararaô, TI Arara da VGX, TI
Paquiçamba, TI Trincheira Bacajá, AI Juruna do Km 17.

Entre os principais métodos utilizados no levantamento de caça, são previstos os seguintes


indicadores:

Método Qualitativo: (i) Área de uso dos caçadores: Terra Firme e Ilhas; (ii) O calendário
ecológico da caça elaborada pelos povos indígenas das TIs da região do Médio Xingu; (iii)
Usos e importância da fauna para diversos fins; (iv) Segurança alimentar e restrições ao
consumo; (v) Estratégias de caça; (vi) Cadeias tróficas a partir do conhecimento tradicional; (vii)
Considerações gerais sobre a fauna das TIs e suas imediações e os principais impactos
relacionados.

Método Quantitativo: (i) Censo da fauna terrestre em trilha marcada (estação seca e estação
chuvosa); (ii) Quantidade estimada da caça abatida em algumas famílias indígenas
amostradas.

A partir do 3º ano deverá ser realizada somente 1 oficina de monitoramento da caça/ano, em


épocas a serem definidas com as comunidades das TIs. Estas oficinas deverão ter a duração
de 10 dias cada, e deverá contar também com um consultor técnico especialista em caça para
coordenar as atividades e a definição da estratégia de monitoramento da fauna. Esta oficina
também teria caráter pedagógico e formativo para estudos e manejo de caça e deverão ocorrer
durante as épocas de cheia, vazante, seca e enchente do rio, obtendo uma amostragem
representativa da fauna e das atividades de caça em diferentes épocas do ano.

Partindo do diagnóstico inicial, deverão ser iniciadas as ações de monitoramento da caça, a


partir da realização de censos de mamíferos, especialmente os mais caçados e/ou suscetíveis
à caça, tais como: ungulados (porcos, veados e antas), grandes primatas (cuxiú, coatá,
guariba) e roedores (cutia, capivara e paca), e dos animais indicadores de qualidade do
ambiente, como os de topo de cadeia alimentar (carnívoros: gatos, onças, procionídeos e
mustelídeos).

Os monitoramentos relativos à caça deverão ser realizados em 5 TIs da região do Médio Xingu,
sendo 1 Oficina de Monitoramento da Caça nas TI Apyterewa, TI Cachoeira Seca, TI Arara, TI
Xipaya e TI Kuruaya. Estas deverão ser realizadas em épocas alternadas, sendo no 1º
semestre no Ano 3, 2º semestre o Ano 4 e 1º semestre do 5º ano.

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Serão realizadas Oficinas de Monitoramento da caça para as outras 7 TIs, somente a partir do
4º ano, perfazendo somente 2 anos de monitoramento (Anos 4 e 5). As seguintes TIs serão
monitoradas de modo alternado, sendo 17 aldeias no 2º semestre do Ano 4 - TI Koatinemo, TI
Araweté/Igarapé Ipixuna, TI Kararaô, TI Arara da VGX, TI Paquiçamba, TI Trincheira Bacajá, AI
Juruna do Km 17 e novamente monitoradas no 1º semestre do 5º ano.

Entre as ações previstas para nas oficinas de monitoramento das atividades de caça e a
disponibilidade de animais nas cinco TIs, estão:

(i) Realizar oficinas de monitoramento através de censos de mamíferos terrestres que habitam
as florestas na região de uso dos povos indígenas das TIs;

(ii) Monitoramento das áreas específicas de florestas de terra firme, planícies aluviais, ilhas e
pedrais utilizadas pelos indígenas para fins de caça;

(iii) Monitorar a caça que chega às casas das famílias, durante períodos amostrais
estabelecidos.

As informações deverão ser registradas em relatório técnico e posteriormente integradas ao BD


do PBA-CI/PMX.

Monitoramento da pesca

A relação dos povos indígenas com a pesca será caracterizada por meio de parâmetros
biológicos obtidos por diagnósticos realizados com a participação de um consultor técnico
especializado em levantamentos de ictiofauna e sistemas de pesca tradicional. Esta ação será
realizada em todas as TIs da região do Médio Xingu e deverá considerar participação das
comunidades locais, com seus conhecimentos tradicionais, utilizando-se de ferramentas
teóricas e metodológicas que caracterizam os levantamentos etnobiológicos, a respeito dos
recursos naturais e aquáticos.

Para os levantamentos do sistema de pesca, deverão participar principalmente os pescadores,


envolvendo os grupos focais por faixa etária, incluindo os homens mais experientes na pesca,
além de jovens que deverão ajudar em todo o planejamento e execução. Será considerado um
universo amostral de pescadores membros da comunidade que serão entrevistados sobre a
diversidade local dos peixes e sua dinâmica ao longo do tempo (área, época, espécies,
quantidade, tamanho).

Nesta etapa inicial, os levantamentos buscarão:

(i) conhecer as principais formas de interação entre os habitantes das TIs e os ambientes
aquáticos do local;

(ii) descrever os recursos pesqueiros (caracterização da ictiofauna);

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(iii) avaliar a tecnologia da pesca e espécies capturadas;

(iv) mapear as áreas de pesca e sazonalidade de uso, delimitados pelos conhecimentos


tradicionais dos pescadores.

De início, em cada aldeia, deverá ser realizado um planejamento das atividades, assim como a
organização dos índios pescadores que deverão participar da captura e identificação regional
dos peixes. Deverão ser consideradas as informações obtidas nas ações anteriores, como do
etnomapeamento e dos indicadores ambientais de referência. Estas informações serão
complementadas com dados mais acurados, elaborando-se um mapa da área de pesca, com
as ilhas, grotas, canais, furos, entre outros. Todos os pontos de pesca considerados de uso
pelos pescadores indígenas das TIs serão identificados em mapa, sendo anotadas as
coordenadas geográficas e outras informações, com vistas a compor o BD sobre os pontos de
pesca das TIs.

A partir da caracterização dos ambientes pesqueiros deverão ser selecionados os lugares mais
importantes para o início dos levantamentos, como nas margens dos rios, furos, nas ilhas,
“remansos” e/ou “barragens” dos igarapés. Deverão ser percorridas as áreas mais
freqüentadas por pescadores, tanto aquelas localizadas próximas, como aquelas mais
distantes da aldeia, onde deverão ser realizados os levantamentos da ictiofauna e das áreas de
uso tradicional.

Para a identificação da ictiofauna, os peixes amostrados serão classificados morfologicamente,


o que inclui a identificação preliminar da etnoespécie (táxon) no sistema de classificação local,
além de serem consultados diversos manuais e chaves de identificação de espécies, referentes
aos grupos taxonômicos observados e coletados.

A partir de atividades de pesca monitorada, será feita a identificação dos peixes, a medição do
peso (g), comprimento total (cm), sendo fotografados posteriormente. Todas as informações
biológicas e ambientais observadas serão preenchidas no caderno de campo e formulário
específico, segundo os levantamentos já previstos no EIA (VIEIRA et al., 2009a; PATRÍCIO et
al., 2009). Estas informações deverão ser organizadas em um guia de identificação de peixes
locais, reunindo todos os dados por espécie, com a identificação, dados etnoecológicos,
fotografias, aspectos do uso e alimentação.

É importante também destacar que, nos arredores da região da VGX, são encontradas várias
espécies consideradas endêmicas. Como exemplo o acari zebra (Loricariidae), e o pacu
capivara (Characidae), que já são consideradas espécies ameaçadas (SEMA, 2008; IBAMA,
2008 apud VIEIRA et al., 2009a). Os levantamentos com os pescadores deverão obter
registros sobre estas espécies endêmicas.

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Para esta caracterização inicial do sistema de pesca e a identificação dos tipos de peixes,
serão realizadas duas oficinas preparatórias, com a duração de 10 dias cada. Estas deverão
se realizar em 11 TIs e na AI Juruna do km 17, sendo 25 oficinas em 25 aldeias a cada
semestre, totalizando 50 oficinas no 2º ano. As oficinas acontecerão na TI Koatinemo, TI
Araweté/Igarapé Ipixuna, TI Apyterewa, TI Kararaô, TI Cachoeira Seca, TI Arara, TI Kuruaya, TI
Xipaya, TI Arara da VGX, TI Paquiçamba, TI Trincheira Bacajá.

Na AI Juruna do Km 17, por não haver rio piscoso, deverá ser realizada uma avaliação das
alternativas de criação de peixes.

Entre as principais ações a serem desenvolvidas no levantamento da Ictiofauna e do sistema


de pesca nas TIs estão:

(i) Espaços de pesca e estratégias de captura;

(ii) Caracterização das atividades e técnicas de pesca;

(iii) Conhecimento etnoictiológico;

(iv) Classificação etnobiológica e científica;

(v) Preferências e restrições alimentares entre as famílias;

(vi) Importância da pesca como fonte protéica;

(vii) Análise física e química de qualidade da água;

(viii) Estabelecimento de regras e acordos de pesca nas TIs.

A partir do 3º ano deverá ser realizada somente 1 oficina de monitoramento da ictiofauna e


pesca nas TIs a cada ano. As oficinas deverão acontecer em diferentes épocas, entre o
período de cheia e de seca, segundo a elaboração do calendário sazonal da pesca. Esta
também deverá se realizar em todas as 11 TIs e na AI Juruna, em épocas a serem definidas
com as comunidades. Também deverá ser contratado um consultor técnico especialista, para
coordenar as atividades e definir a estratégia de monitoramento junto com os participantes das
aldeias.

Deverá ser organizado novamente o grupo focal de diferentes faixas etárias, para participar das
oficinas de monitoramento das atividades de pesca e da disponibilidade de peixes nos rios das
TIs. Entre os temas abordados nestas oficinas de monitoramento, deverão ser considerados a
construção de estratégias de monitoramento de ictiofauna, indicadores ambientais, estudos de
estrutura populacional, composição específica, distribuição e abundância da ictiofauna nos
trechos do rio que abrangem as TIs.

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As oficinas de monitoramento da ictiofauna e pesca deverão ser realizadas a partir do 3º ano,


se estendendo até o 5º, sendo realizadas também em semestres alternados, no 1º semestre do
Ano 3, no 2º semestre do Ano 4 e no 1º semestre do Ano 5. Da mesma forma que as oficinas
preparatórias, as de monitoramento se realizarão na TI Koatinemo, TI Araweté/Igarapé Ipixuna,
TI Apyterewa, TI Kararaô, TI Cachoeira Seca, TI Arara, TI Kuruaya, TI Xipaya, TI Arara da
VGX, TI Paquiçamba, TI Trincheira Bacajá. Na AI Juruna do Km 17, por não haver rio piscoso,
deverá ser realizada uma avaliação das alternativas de criação de peixes.

As oficinas de monitoramento da ictiofauna e da pesca deverão considerar os seguintes


pontos, a serem melhor definidos junto aos povos indígenas:

(i) Monitorar as áreas de uso da comunidade indígena identificadas pelo etnozoneamento e/ou
“corredor fluvial” (cf. proposta de estudo para sua viabilidade), levando em conta a seleção de
áreas “controle”, principalmente de reprodução, alimentação e locais de desenvolvimento de
jovens da ictiofauna;

(ii) Monitorar a estrutura, composição específica, distribuição e abundância da ictiofauna do rio


Xingu;

(iii) Monitorar a pesca nas áreas identificadas pelo etnozoneamento e/ou corredor fluvial;

(iv) Monitoramento da produção pesqueira, incluindo a identificação, da etnoespécie pescada


por local/época do ano, peso dos peixes pescados.

As informações deverão ser registradas em relatório técnico e posteriormente integradas ao BD


do PBA-CI/PMX.

6.4.2.4 Legislação específica

Artigo 250 do Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de Dezembro de 1940 – Dispõe sobre o


enquadramento dos atos de incêndio no Código Penal.

Decreto nº 2.661, de 08 de julho de 1998 - Regulamenta o parágrafo único do art. 27 da


Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal) e estabelece normas de
precaução relativas ao emprego do fogo em práticas agropastoris e florestais e dá
outras providências.

Portaria IBAMA nº 94N, de 09 de julho de 1998 - Regulamenta a sistemática da queima


controlada.

Lei nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 - Dispõe sobre as sanções penais e


administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá
outras providências.

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_____________________________________________________________________________________________

Decreto nº 6.514 de 22 de julho de 2008 - Dispõe sobre as infrações e sanções


administrativas ao meio ambiente, estabelece o processo administrativo federal para
apuração destas infrações, e dá outras providências.

Lei Federal nº 11.959 de 29 de junho de 2009 – Dispõe sobre a Política Nacional de


Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca, regula as atividades
pesqueiras.

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6.4.2.5 Atividades a serem desenvolvidas

Sistematização e disponibilização de informações sobre as TIs e o entorno

Responsáveis pelas ações Interface com


Prazo/etapa do Equipe outros
Ações Metas Indicadores Público Alvo Empreendi- Técnica Programas
mento Parceiros e/ou Projetos
(empreended
or) do PMX e PBA
Coordenadore
Definição pelas FUNAI, IBAMA,
Dados que irão Etapa de s do PMX e
Seleção dos equipes do PMX Indígenas, NESA, IPAM, Todos os
compor o BD construção. consultor da
temas para o de todos os dados equipes do PMX FVPP, ISA, Programas do
definidos até o empresa de
BD. que deverão e sociedade civil. Ano 1. UFPA, IMAZON, PMX.
fim do 1º ano. geotecnologia
compor o BD. SIPAM.
contratada.
Criação de BD Dados Indígenas, Etapa de Consultor da
atendendo às selecionados e profissionais do construção. empresa de
Criação do BD.
especificações das BD criado até o PMX e sociedade geotecnologia
equipes. fim do 1º ano. civil. Ano 1. contratada.
Indígenas, Etapa de Técnico da
Criação de
Navegação no profissionais do construção. empresa de
Portal na Criação de Portal.
portal. PMX e sociedade geotecnologia
internet. Ano 1.
civil. contratada.
Informações Dados FFUNAI,
continuamente atualizados e
Atualização e Inicia após Ano Técnico pleno IBAMA, NESSA,
atualizadas e disponibilizados. Indígenas, Todos os
disponibili- 1 e se estende e profissional IPAM, FVPP,
disponibilizadas equipes do PMX Programas do
zação das Número de pela operação indígena ISA, UFPA,
aos públicos e sociedade civil. PMX.
informa-ções. acessos ao da usina. júnior. IMAZON,
pertinentes nos 3
portal. SIPAM.
níveis de acesso.
Etapa de Consultor FUNAI, IBAMA,
Indígenas,
Publicação pronta construção. contratado NESA, IPAM, Todos os
Publicação dos Publicação pronta profissionais do
e distribuída ao temporáriamen FVPP, ISA, Programas do
resultados. em 6 meses. PMX e sociedade 2º sem. do Ano
público-alvo. te (6 meses) UFPA, IMAZON, PMX.
civil. 5 do PMX. para ação. SIPAM.

228
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Caracterização das TIs e o entorno


Responsáveis pelas Interface com
Prazo/etap ações outros
a do Equipe Programas
Ações Metas Indicadores Público Alvo
Empreen- Técnica e/ou Projetos
Parceiros
dimento (empreen- do PMX e
dedor) PBA
UFPA, ISA,
Comunidades
IMAZON,
Diagnóstico inicial (T indígenas de 1º ano da
Diagnóstico inicial do uso 1 técnico SIPAM,
Realização do zero) completo do uso todas as TIs etapa de Todos os
do solo das TIs do Médio pleno e 1 ITERPA,
diagnóstico do solo das TIs do Médio do Médio construção Projetos do
Xingu e “Zona de Influência técnico em EMATER,
inicial do uso Xingu e da “Zona de Xingu, equipes do PGTI; PSA e
Regional nas TIs” realizado geoprocessa- SEMA-PA,
do solo. Influência Regional nas do PMX e Empreen- PAP.
até o fim do 1º ano. mento júnior. INCRA,
TIs”. sociedade dimento.
GRPU-MT,
civil.
GRPU-PA.
Levantamento secundário
Levantamento
dos Imóveis rurais
secundário dos Imóveis
localizados na “Zona de
rurais localizados na Comunidades
Influência Regional nas TIs” 1 profissional UFPA, ISA,
“Zona de Influência indígenas de
realizado até o fim do 1º pleno. IMAZON,
Regional nas TIs”. todas as TIs 1º ano da
ano. 1 consultor SIPAM,
Levantamen- Definição da área do Médio etapa de
Área prioritária para para ITERPA, Todos os
to fundiário no prioritária para Xingu, construção
realização do realização do EMATER, Projetos do
entorno das realização do profissio-nais e do
georreferencia-mento das georreferen- SEMA-PA, PGTI.
TIs. georreferenciamento das Coordena- Empreen-
propriedades rurais definida ciamento dos INCRA,
propriedades rurais. dores do PMX dimento.
no início do 2º ano. imóveis GRPU-MT,
Realização do e sociedade
Georreferenciamento de rurais. GRPU-PA.
georreferenciamento de civil.
imóveis rurais das áreas
imóveis rurais das áreas
prioritárias realizado no fim
prioritárias.
do 2º ano.

229
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Atividades acessadas
pelos participantes. 1 oficina de calendário
Elaboração do sazonal. Grupos focais O
Sistemas locais 10 dias / Todos os
calendário por gênero e profissional
caracterizados e 2 oficinas de avaliação e Ano 1 - 1º Programas do
sazonal das etário das 11 pleno de
indicadores ambientais indicadores ambientais semestre. PMX.
TIs. TIs e 1 AI. cada TI.
identificados. realizadas em 11 TIs e 1 AI.
11 TIs e 1 AI.
Realização de
diagnóstico Dados socioeconômicos Jovens O
1 Oficina socioeconômica 10 dias /
socioeconô- levantados para as alfabetizados e profissional
realizada para 11 TIs e 1 Ano 1 - 1º
mico e de aldeias das 11 TIs e 1 comunidade pleno de
AI. semestre.
infraestrutura AI. em geral. cada TI.
das aldeias.
Ambientes identificados
e delimitados. 15 dias /
25 Oficinas de Grupo focal
Levantamen- Ano 1 - 1º e PAP;
Recursos naturais etnomapeamento etário, jovens
to participativo 2º 1050 diárias Projeto de
localizados e realizadas; e
dos recursos e semestres. de consultor Conservação
sistematizados. 25 oficinas de indicadores conhecedores
ambientes 10 dias / pleno. Territorial do
Conceitos construídos e ambientais realizada em 25 indígenas das
prioritários. Ano 2 - 1º PGTI.
referenciados no sistema aldeias de 11 TIs e 1 AI 11 TIs e 1 AI
semestre.
local.

230
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Monitoramento remoto das TIs e do entorno

Responsáveis pelas ações Interface


com outros
Prazo/etapa do
Equipe Técnica Programas
Ações Metas Indicadores Público Alvo Empreendiment
(empreen- Parceiros e/ou
o
dedor) Projetos do
PMX e PBA
Definição da Faixa Faixa de Segurança Todas as TIs; Faixa
de Segurança Etnoambiental de de Segurança
Definição da Etnoambiental de todas as TIs ou Etnoambiental das 1,5 ano após o 1 técnico pleno UFPA,
Todos os
faixa de todas as TIs ou grupo de TIs TIs ou grupo de TIs início da Coordenadores ISA,
Programas
segurança grupo de TIs vizinhas inseridas vizinhas; técnicos e construção da dos projetos do IMAZON,
do PMX.
etnoambiental. vizinhas inserida na na região do Médio Coordenadores dos UHE BM. PMX. SIPAM.
região do Médio Xingu definida até o Programas do PMX
Xingu. final do 3º semestre. e sociedade.
Disponibilização de
Relatórios e mapas Todas as TIs; Faixa Inicia-se no 2º
Relatórios e mapas
inseridos no BD e de Segurança ano após o início
inseridos no BD.
Monitorament disponibilizados no Etnoambiental das da construção da 1 técnico pleno UFPA, Todos os
o do uso e da Elaboração e Portal anualmente. TIs ou grupo de TIs UHE BM e ISA, projetos do
1 técnico em
ocupação do impressão de mapas vizinhas; técnicos e estende-se até o IMAZON, PGTI. PSA e
Mapas elaborados e geoprocessame
solo. de apoio ao Coordenadores dos final da fase de SIPAM. PAP.
impressos de nto júnior.
“Programa Programas do PMX operação da
acordo com a
Patrimônio Cultural” e sociedade. usina.
demanda.
e a outros projetos.
Todas as TIs; Faixa
de Segurança
Inicia-se no 1º
Sistematização e Etnoambiental das 1 profissional Todos os
Monitorament Análises diárias e ano e estende-se
análise dos dados TIs ou grupo de TIs pleno e um CPTEC/ projetos do
o dos focos de relatórios mensais e por toda a fase
recebidos pelo vizinhas; técnicos e profissional INPE. PGTI, PSA e
calor. anuais realizados. de operação da
INPE. Coordenadores dos indígena júnior. PAP.
usina.
Programas do PMX
e sociedade.

231
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Monitoramento participativo dos recursos e ambientes prioritários


Responsáveis pelas
Interface com
ações
Prazo/etapa outros
Equipe
Ações Metas Indicadores Público Alvo do Empreendi- Programas
Técnica
mento Parceiros e/ou Projetos
(empreende
do PMX e PBA
-dor)
Fisionomias vegetação e
ambientes identificados no
sistema local. 10 Oficinas preparatórias –
Recursos selecionados e Fisionomias de vegetação Grupo focal 10 dias / Ano 2
inventariados. realizadas. / 1º e 2º PAP, Projeto
etário,
Monitoramento semestre. 2400 diárias de
conhecedores
das fisionomias Registros para o Guia de 30 oficinas de monitoramento da de consultor IFSP. Conservação
experientes e 10 dias / 1º ou
de vegetação. plantas iniciado - Impactos vegetação realizada em 3 TIs pleno. Territorial do
nos ambientes e (Paquiçamba, Trincheira Bacajá e jovens 2º semestre.
PGTI.
populações de recursos Arara da VGX) e na AI Juruna do km aprendizes. Anos 3, 4 e 5.
monitorados. 17 em 3 anos.
Dados de fenologia
registrados.
Sistema agrícola Grupo focal
caracterizado 50 Oficinas preparatórias no Ano 2. etário, gênero 10 dias / Ano 2
quali/quantitativamente. mulheres e - 1º e 2º
Monitoramento 75 oficinas de Monitoramento semestres. 2745 diárias
Roças abertas, recursos homens
do sistema realizadas. de consultor
cultivados, famílias agricultores 10 dias, Anos 3
agrícola. Sistema agrícola monitorado em 11 conhecedores, a 5 - 1º ou 2º pleno.
agricultoras, recuperação
de terra e controle de fogo TIs e 1 AI, anos 3-5. famílias e jovens semestres.
monitorados. aprendizes.

232
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

16 oficinas preparatórias sobre


levantamento da Caça (Ano 2 ) e 24
oficinas de monitoramento do
sistema de caça (Anos 3 a 5) em 5 10 dias / Ano 2
Sistema de caça Grupo focal
TIs (Apyterewa, Cachoeira Seca,
caracterizado. etário, caçadores - 1º e 2º
Arara, Xipaya e Kuruaya).
Espécies de uso, Índices conhecedores semestres.
2250 diárias
Monitoramento de abundância e consumo 34 oficinas preparatórias sobre o experientes e 10 dias / Anos
levantamento de caça (Ano 3) e 34 jovens de consultor
da caça. identificados - Quantidade 3 a 5 - 1º ou 2º
oficinas de monitoramento do aprendizes. pleno.
de animais visualizados, semestres.
sistema de caça (anos 4 e 5) em 7
abatidos e áreas de caça Famílias/mulhere 10 dias / Anos
TIs (Koatinemo, Arawete/Igarapé
monitoradas. s nas casas. 4 e 5.
Ipixuna, Kararaô, Arara da VGX,
Paquiçamba, Trincheira Bacajá, AI
Juruna do Km 17. Com duração de
10 dias cada
Áreas pesqueiras
mapeadas. Grupo focal 10 dias / Ano 2
50 Oficinas preparatórias e 75 etário,
Sistema de pesca - 1º e 2º
oficinas de monitoramento pescadores 2625 diárias
Monitoramento caracterizado. realizadas.
semestre.
conhecedores de consultor
da pesca. Ictiofauna identificada. 10 dias / Anos pleno.
Sistema de pesca e ictiofauna experientes e
Estrutura, composição e monitorados em 11 TIs e 1 AI. jovens 3, 4 e 5 - 1º ou
produção pesqueira anual aprendizes. 2º semestre.
monitoradas.

233
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

6.4.2.6 Elementos de Custo

Elementos de custo
Atividade: Sistematização e disponibilização de informações sobre as TIs e o entorno
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviços de terceiros Construção
Civil
1 profissional pleno: formação em geografia,
engenharia cartográfica ou áreas afins.
Serviços de Terceiros:
Conhecimentos avançados em sensoriamento
Seleção dos temas 70 diárias
remoto, geoprocessamento e levantamento
para o BD. fundiário. Deslocamentos e Transportes:
10 trechos aéreos SP/Altamira/SP
Todos os coordenadores dos programas do
PBA-CI/PMX.
Materiais de Consumo e Equipamentos:
1 profissional pleno: formação em geografia, 1 Servidor de BD
engenharia cartográfica ou áreas afins. 1Servidor de Imagens
Criação do BD. Conhecimentos avançados em sensoriamento Serviços de Terceiros:
remoto, geoprocessamento e levantamento Contratação de empresa de geotecnologias para criar o BD
fundiário. Contratação de suporte técnico para manutenção e
atualização do BD durante 5 anos
Materiais de Consumo e Equipamentos:
Mesmo material que a ação “Criação do BD”
Serviços de Terceiros:
Criação de Portal na Contratação de empresa de geotecnologias para criar o Portal
internet. Contratação de suporte técnico para manutenção e
atualização Portal durante 5 anos
* a empresa contratada para criar e dar suporte técnico ao BD e ao
Portal deve ser a mesma, pois os sistemas devem ser interligados.

234
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Materiais de Consumo e Equipamentos:


Computador Desktop com configuração mínima:
1 profissional pleno: formação em geografia, Memória: 4GB DDR2
engenharia cartográfica ou áreas afins. Hard disk: 1TB
Conhecimentos avançados em sensoriamento
Drives: DVD-RW
Atualização e remoto, geoprocessamento e levantamento
fundiário. Rede: 10/100 mbits
disponibilização das
informações. Monitor LCD 23" Widescreen
1 profissional indígena júnior: pertencente ao
Teclado: PS2 ABNT II padrão
grupo dos índios de Altamira, que tenha
ensino Médio completo e conhecimentos Mouse: óptico com padrão PS/2, dois botões com scroll
prévios de informática. Sistema operacional: Windows 7
1 estabilizador
1 filtro de linha
Materiais de Consumo e Equipamentos:
1 kit de material de escritório – R$300,00
1 profissional sênior – Coordenador do Serviços de Terceiros:
Publicação Programa (para selecionar o conteúdo da 10 diárias (para o profissional pleno)
apresentando os publicação). Edição e Impressão de 1000 exemplares de brochura em
resultados. 1 consultor pleno a ser contratado por 6 meses papel offset pigmentado 90 g/m2 - formato A3, colorido, com
para editar e diagramar a publicação. texto, mapas e figuras (100 páginas)
Deslocamentos e Transportes:
1 passagem aérea SP/Altamira/SP

235
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Elementos de custo
Atividade: Caracterização das TIs e do entorno
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviços de terceiros Constru-
ção Civil
Materiais de Consumo e Equipamentos:
1 kit de material de escritório
2 computadores Desktop com configuração mínima:
1 profissional pleno: formação Memória: 4GB DDR2
em geografia, engenharia
Hard disk: 1TB
cartográfica ou áreas afins.
Conhecimentos avançados em Drives: DVD-RW
sensoriamento remoto, Rede: 10/100 mbits
Realização do geoprocessamento e Monitor LCD 23" Widescreen e Teclado: PS2 ABNT II padrão
diagnóstico levantamento fundiário. Mouse: óptico com padrão PS/2, 2 botões com scroll
inicial do uso
do solo. 1 profissional júnior: formação Sistema operacional: Windows 7
em geografia, engenharia 2 licenças de Programas de Processamento de Imagens de Satélite (PDI) (sugestão
cartográfica ou áreas afins. ERDAS IMAGINE ou ENVI)
Conhecimento nas áreas de 2 licenças de programas de geração de mapas (SIGs) (sugestão ArcGIs – ArcInfo)
sensoriamento remoto e 58 cenas de imagens do Sensor AVNIR-2 (Satélite ALOS)
geoprocessamento.
2 estabilzadores e 2 filtros de linha
Serviços de Terceiros:
Contratação de 15h de sobrevôos para validação da classificação

236
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

1 profissional pleno: formação


em geografia, engenharia
cartográfica ou áreas afins.
Conhecimentos avançados em Materiais de Consumo e Equipamentos:
sensoriamento remoto, 10.000l de óleo diesel
Levantamento geoprocessamento e
fundiário no levantamento fundiário. Serviços de Terceiros:
entorno das 6 meses de aluguel de carro traçado
TIs. 1 consultor a ser contratado
por 1 ano: formação em Deslocamentos e Transportes:
geografia, engenharia 2 passagens Altamira/Belém/Altamira
cartográfica ou áreas afins,
com experiência em
georreferenciamento rural.
Materiais de Consumo e Equipamentos:
-25 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x25
-25 kits de papelaria e escritório – R$300,00x25
-25 kits de materiais de pesca – R$400,00x25
-alimentos das comunidades para 175 dias com 15 pessoas/dia
-alimentos das comunidades para 75 dias para mais 30 pessoas
-alimentos da cidade para 175 dias para 15 pessoas/dia
Serviços de terceiros:
Elaboração do -175 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira
calendário 12 profissionais já previstos
-75 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras
sazonal das para as oficinas em 12 TIs.
TIs. -75 diárias de 1 gerente
Deslocamentos e Transportes:
Trecho aéreo: 12x SP/Altamira/SP
Frete terrestre: 2x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira
Trecho fluvial:
2x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
2x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento à 5 aldeias)-Altamira
2x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
2x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira

237
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

2x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira


2x Altamira - TI Arara (1 aldeia) - Altamira
2x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) - Altamira
2x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
2x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) - Altamira
2x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
2x -Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira
2x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira
Materiais de Consumo e Equipamentos:
25 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x25
25 kits de papelaria e escritório – R$ 300,00x25
25 kits de materiais de pesca – R$400,00x25
alimentos das comunidades para 175 dias para 3 pessoas.
alimentos da cidade para 175 dias para 3 pessoas por dia
Serviços de terceiros:
125 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira
Deslocamentos e Transportes:
Realização de Trecho aéreo: 12x SP/Altamira/SP
diagnóstico
Frete terrestre: 2x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira
socioeconô- 12 profissionais já previstos
mico e de para atividades em 12 TIs. Trecho fluvial: (inclui 1 frete para materiais)
infraestrutura 2x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
das aldeias. 2x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento para 5 aldeias) - Altamira
2x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
2x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira
2x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
2x Altamira - TI Arara (1 aldeia) - Altamira
2x Altamira - TI Kuruaya (1 ald.)-Altamira 2x Altamira-TI Xipaya (desloc.. a 2 ald.)-Altamira
2x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) - Altamira
2x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
2x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira
2x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira

238
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Oficinas de etnomapeamento (25 aldeias)


Materiais de Consumo e Equipamentos:
-25 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x25
-25 kits de papelaria e escritório – R$300,00x25
-25 kits de materiais de pesca – R$400,00x25
- 6 câmeras fotográficas digitais com GPS Nikon Coolpix 6000
- 6 GPS Aparelhos de GPS a prova d´agua, com 1000 Waypoints, modo TRckBack,
mínimo 250 trilhas com mínimo de 50 pontos cada
-alimentos das comunidades para 175 dias (25 oficinas x 7 dias) com 15 pessoas/dia.
-alimentos das comunidades para 75 dias para envolvimento de mais 30 pessoas.
-alimentos da cidade para 175 dias (25 oficinas x 7 dias) com 15 pessoas/dia
Serviços de terceiros:
Oficinas de etnomapeamento -175 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira
Levantamento 6 consultores pleno / 60 dias -75 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras
participativo 1 consultor pleno / 15 dias *AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever frango
dos recursos - 75 diárias de 1 gerente
Consultor pleno com
e ambientes especialização em Deslocamentos e Transportes:
prioritários. mapeamentos participativos Trecho aéreo:
de recursos naturais. - 7x São Paulo/Altamira/São Paulo
Frete terrestre: - 2x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira
Trecho fluvial: - 2x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
-2x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento a 5 aldeias)-Altamira
- 2x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 2x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira
- 2xAltamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 2x Altamira - TI Arara (1 aldeia) - Altamira
- 2x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) - Altamira
- 2x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 2x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) - Altamira
- 2x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 2x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira

239
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

- 2x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira


Oficina de construção e sistematização de indicadores ambientais (25 aldeias)
Materiais de Consumo e Equipamentos:
-25 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x25
-25 kits de papelaria e escritório – R$300,00x25
-25 kits de materiais de pesca – R$400,00x25
-alimentos das comunidades para 175 dias para 15 pessoas/dia.
- serão utilizadas as máquinas digitais e GPS da oficina anterior
-alimentos das comunidades para 75 dias para envolvimento de mais 30 pessoas
-alimentos da cidade para 175 dias para 15 pessoas por dia
Serviços de terceiros:
Oficina de construção e
-175 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira
sistematização de indicadores
ambientais -75 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras.
*AI Km 17 não tem peixe, prever frango
6 consultores pleno / 60 dias
- 75 diárias de 1 gerente
1 consultor pleno / 15 dias Deslocamentos e Transportes:
1 consultor pleno com Trecho aéreo: - 7x SP/Altamira/SP
especialização em Frete terrestre: - 2x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira
levantamentos etnobiológicos, Trecho fluvial:
e manejo de recursos naturais - 2x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
na área de biologia ou
- 2x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento para 5 aldeias) - Altamira
engenharia florestal.
- 2x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 2x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira
- 2x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 2x Altamira - TI Arara (1 aldeia) - Altamira
- 2x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) - Altamira
- 2x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 2x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) - Altamira
- 2x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 2x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira
- 2x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira

240
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Elementos de custo
Atividade: Monitoramento remoto das TIs e do entorno
Constru-
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviços de terceiros
ção Civil
Serviços de Terceiros:
Definição da faixa de - 35 diárias
Mesma equipe da ação “Seleção dos
segurança
temas que deverão compor o BD” Deslocamentos e Transportes:
etnoambiental.
- 5 trechos aéreos SP/Altamira/SP
Materiais de Consumo e Equipamentos:
Mesmo material que a ação “Elaboração de diagnóstico inicial (T
zero) do uso do solo das TIs e entorno”
Mesma equipe da ação “Elaboração de
Monitoramento do uso e - 1 plotter para impressão de mapas em tamanho A0
diagnóstico inicial (T zero) do uso do
da ocupação do solo. - 20 bobinas de papel sulfite para plotter A0
solo das TIs e entorno”.
- 2 bobinas de papel glossy para plotter A0
- 20 cartuchos de tinta preta para plotter
- 20 kits de cartuchos coloridos para plotter
Monitoramento dos Mesma equipe da ação Materiais de Consumo e Equipamentos:
focos de calor. “Disponibilização das informações”. Mesmo material que a ação “Disponibilização das informações”

241
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Elementos de custo
Atividade: Monitoramento participativo dos recursos e ambientes prioritários
Constru-
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviços de terceiros
ção Civil
10 Oficinas Preparatórias
Materiais de Consumo e Equipamentos:
-10 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x10;
-10 kits de papelaria e escritório – R$300,00x10;
-10 kits de materiais de pesca – R$400,00x10;
- 24 EPIs (botas de borracha, meias, facão, lima, lanterna);
-alimentos das comunidades para 70 dias para 10 pessoas por dia;
-alimentos das comunidades para 30 dias para envolvimento de mais 30 pessoas;
-alimentos da cidade para 70 dias com 10 pessoas por dia.
Serviços de terceiros:
Oficinas Preparatórias: -70 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira;
4 consultores pleno / 30 dias; -30 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras;.
2 consultor pleno / 30 dias; *AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever frango;
2 consultor pleno / 15 dias. -30 diárias de 1 gerente.
Monitoramento das Consultor pleno com Deslocamentos e Transportes:
fisionomias de especialização em taxonomia Trecho aéreo: - 8x SP/Altamira/SP;
vegetação. botânica de campo e um Frete terrestre: - 2x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira;
consultor pleno com a Trecho fluvial:
especialização em - 2x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) – Altamira;
levantamentos etnoecológicos - 2x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamentoa 5 aldeias) – Altamira;
e sistemas de classificação de - 2x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
ambientes. - 2x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) – Altamira;
- 2x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 2x Altamira - TI Arara (1 aldeia) – Altamira;
- 2x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) – Altamira;
- 2x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) –Altamira;
- 2x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) – Altamira;
- 2x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 2x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira;
- 2x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira.

242
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

10 Oficinas de monitoramento
Materiais de Consumo e Equipamentos: Anos 3 a 5:
-30 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x30;
-30 kits de papelaria e escritório – R$300,00x30;
-30 kits de materiais de pesca – R$400,00x30;
- serão utilizados os mesmos EPIs da atividade anterior;
Oficinas de monitoramento -alimentos das comunidades para 210 dias para 10 pessoas por dia;
18 consultores pleno / 30 dias -alimentos das comunidades para 90 dias para envolvimento de mais 30 pessoas;
6 consultor pleno / 15 dias. -alimentos da cidade para 210 dias para 10 pessoas por dia.
Consultor pleno com Serviços de terceiros:
especialização em taxonomia -210 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira;
botânica de campo e um -90 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras;
consultor pleno com a *AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever frango;
especialização em -90 diárias de 1 gerente.
levantamentos etnoecológicos
e sistemas de classificação de Deslocamentos e Transportes:
ambientes. Trecho aéreo: - 24x SP/Altamira/SP;
Frete terrestre: - 6x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira;
Trecho fluvial:
- 6x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira;
- 6x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira.
50 Oficinas preparatórias
Oficinas preparatórias Materiais de Consumo e Equipamentos:
12 consultores pleno / 60 -50 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x50;
dias; -50 kits de papelaria e escritório – R$300,00x50;
1 consultor pleno / 30 dias. -50 kits de materiais de pesca – R$400,00x50;
- 24 EPIs (botas de borracha, meias, facão, lima, lanterna);
Monitoramento do Consultor Pleno com -alimentos das comunidades para 350 dias para 10 pessoas por dia;
sistema agrícola. especialização em sistemas -alimentos das comunidades para 150 dias para mais 30 pessoas da aldeia;
agrícolas tradicionais, -alimentos da cidade para 350 dias para 10 pessoas por dia.
conservação de
agrobiodiversidade, área Serviços de terceiros:
agronômica, biologia ou -350 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira;;
engenharia florestal. -50 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras
*AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever carne de frango congelada;
- 50 diárias de 1 gerente.

243
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

Deslocamentos e Transportes:
Trecho aéreo: -13x SP/ Altamira/SP;
Frete terrestre: - 3x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira;
Trechos fluviais:
- 3x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento a 5 aldeias) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Arara (1 aldeia) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 3x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira;
- 3x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira.
25 Oficinas de Monitoramento
Materiais de Consumo e Equipamentos: Anos 3 a 5:
-75 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x75;
-75 kits de papelaria e escritório – R$300,00x75;
-75 kits de materiais de pesca – R$400,00x75;
Oficina de Monitoramento - serão utilizados os mesmos EPIs da atividade anterior;
18 consultores pleno / 2 -alimentos das comunidades para 525 dias para 5 pessoas/dia;
meses; -alimentos das comunidades para 150 dias para mais 30 pessoas;
3 consultor pleno / 15 dias. -alimentos da para 525 dias para 5 pessoas por dia.
Consultor Pleno com Serviços de terceiros:
especialização em sistemas -525 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira;
agrícolas tradicionais, -150 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras;
conservação de *AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever frango;
agrobiodiversidade, área - 150 diárias de 1 gerente.
agronômica, biologia ou
engenharia florestal. Deslocamentos e Transportes:
Trecho aéreo: -21x SP/ Altamira/SP;
Trecho terrestre: - 6x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira;
Trechos fluviais:
- 6x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento a 5 aldeias) – Altamira;

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

- 6x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;


- 6x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Arara (1 aldeia) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira;
- 6x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira.
16 Oficinas preparatórias aldeias fase I
Materiais de Consumo e Equipamentos:
-16 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x16;
-16 kits de papelaria e escritório – R$300,00x16;
-16 kits de materiais de pesca – R$400,00x16;
- 24 EPIs (botas de borracha, meias, facão, lima, lanterna);
Oficinas preparatórias aldeias -alimentos das comunidades para 112 dias para 10 pessoas por dia;
fase I -alimentos das comunidades para 48 dias para envolvimento de mais 30 pessoas;
8 consultores pleno / 30 dias. -alimentos da cidade para 112 dias para 10 pessoas/dia.
Consultor Pleno com Serviços de terceiros:
especialização em -112 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira;
Monitoramento da levantamentos de fauna -48 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras;
caça. caracterização de sistemas de *AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever frango;
caça com comunidades -48 diárias de 1 gerente.
indígenas da Amazônia, Área
de biologia, ecologia, Deslocamentos e Transportes:
engenharia florestal, Trecho aéreo: - 8x SP/ Altamira/SP;
agronomia. Frete terrestre: - 4x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira;
Trecho fluvial:
- 4x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 4x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 4x Altamira - TI Arara (1 aldeia) – Altamira;
- 4x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) – Altamira;
- 4x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira.

245
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Oficinas preparatórias aldeias 34 Oficinas preparatórias aldeias fase II


fase II Materiais de Consumo e Equipamentos:
10 consultores pleno / 45 dias; -34 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x34;
2 consultores pleno / 30 dias. -34 kits de papelaria e escritório – R$300,00x34;
Consultor Pleno com -34 kits de materiais de pesca – R$400,00x34;
especialização em -alimentos das comunidades para 238 dias para 6 pessoas por dia;
levantamentos de fauna -alimentos das comunidades para 102 dias para envolvimento de mais 30 pessoas;
caracterização de sistemas de -alimentos da cidade para 238 dias para 6 pessoas/dia.
caça com comunidades Serviços de terceiros:
indígenas da Amazônia, Área -238 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira;
de biologia, ecologia, -102 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras;
engenharia florestal, *AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever frango;
agronomia. -102 diárias de 1 gerente.
Deslocamentos e Transportes:
Trecho aéreo: -12x SP/Altamira/SP;
Frete terrestre: - 4x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira (inclui 1 frete p/
materiais);
Trecho fluvial:
- 4x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) – Altamira;
- 4x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento para 5 aldeias) –Altamira;
- 4x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) – Altamira;
- 4x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) – Altamira;
- 4x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 4x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira;
- 4x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira.

246
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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24 Oficinas de Monitoramento aldeias fase I


Materiais de Consumo e Equipamentos: Anos 3 a 5
-24 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x24;
-24 kits de papelaria e escritório – R$300,00x24;
-24 kits de materiais de pesca – R$400,00x24;
Oficinas de Monitoramento -alimentos das comunidades para 168 dias para 6 pessoas por dia;
aldeias fase I -alimentos das comunidades para 72 dias para envolvimento de mais 30 pessoas;
6 consultores pleno / 60 dias. -alimentos da cidade para 168 dias para 6 pessoas por dia.
Consultor Pleno com Serviços de terceiros:
especialização em -168 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira;
levantamentos de fauna -72 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras;
caracterização de sistemas de *AI Juruna do Km 17 não tem peixe, prever frango;
caça com comunidades -72 diárias de 1 gerente.
indígenas da Amazônia, Área Deslocamentos e Transportes:
de biologia, ecologia, Trecho aéreo: - 6x SP/ Altamira/SP;
engenharia florestal, Frete terrestre: - 6 fretes Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira;
agronomia. Trecho fluvial:
- 6x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Arara (1 aldeia) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) – Altamira;
- 6x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) – Altamira.

247
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Oficinas de Monitoramento - 34 Oficinas de Monitoramento - aldeias fase II


aldeias fase II Materiais de Consumo e Equipamentos: Anos 4 e 5
8 consultores pleno / 60 dias -34 kits de materiais de apoio e limpeza – R$150,00x25
2 consultor pleno / 15 dias -34 kits de papelaria e escritório – R$300,00x25
-34 kits de materiais de pesca – R$400,00x25
Consultor Pleno com -alimentos das comunidades para 238 dias com 6 pessoas por dia.
especialização em -alimentos das comunidades para 102 dias para envolvimento de mais 30 pessoas
levantamentos de fauna -alimentos da cidade para 238 dias para 6 pessoas/dia
caracterização de sistemas de Serviços de terceiros:
caça com comunidades -238 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira
indígenas da Amazônia, Área -102 diárias 4 pescadores 4 cozinheiras
de biologia, ecologia, *AI Km 17 não tem peixe, prever frango
engenharia florestal, -102 diárias de 1 gerente
agronomia. Deslocamentos e Transportes:
Trecho aéreo: -10x SP/Altamira/SP
Frete terrestre:
- 4x Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira
Trecho fluvial:
- 4x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
- 4x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento para 5 aldeias) - Altamira
- 4x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira
- 4x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) - Altamira
- 4x Altamira - TI Paquiçamba (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 4x Altamira - TI Trincheira Bacajá (deslocamento para 6 aldeias) – Altamira
- 4x Altamira - AI Juruna do Km 17 (1 aldeia) – Altamira

248
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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50 Oficinas preparatórias
Materiais de Consumo e Equipamentos:
-50 kits de materiais de apoio e limpeza – R$ 150,00x50
-50 kits de papelaria e escritório – R$ 300,00x50
-50 kits de materiais de pesca – R$ 400,00x50
-50 kits de materiais de pesca extra para pescadores voluntários das oficinas - R$
400,00x50
- 24 EPIs (botas de borracha, meias, facão, lima, lanterna)
-alimentos das comunidades para 350 dias para 10 pessoas por dia
-alimentos das comunidades para 100 dias para envolvimento de mais 30 pessoas
Oficinas preparatórias -alimentos da cidade para 350 dias para 10 pessoas por dia
12 consultores pleno / 60 dias Serviços de terceiros:
2 consultor pleno / 15 dias -350 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira
Consultor Pleno com -100 diárias 4 pescadores e 4 cozinheiras
Monitoramento da especialização em sistemas *AI Km 17 não tem peixe, prever frango
pesca. de pesca tradicionais e - 100 diárias de 1 gerente
levantamento de ictiofauna Deslocamentos e Transportes:
dos rios amazônicos. Área de Trecho aéreo:
engenharia de pesca ou -14x São Paulo/Altamira/São Paulo
biologia Frete terrestre:
- 4x Altamira/Juruna do Km 17/Altamira: (inclui 1 frete para materiais)
Trechos fluviais: (inclui 1 frete para materiais)
- 4x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
- 4x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento para 5 aldeias) -
Altamira
- 4x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 4x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira
- 4x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 4x Altamira - TI Arara (1 aldeia) - Altamira
- 4x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) -

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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75 Oficinas de monitoramento
Materiais de Consumo e Equipamentos: anos III, IV e V
-75 kits de materiais de apoio e limpeza – R$ 150,00x75
-75 kits de papelaria e escritório – R$ 300,00x75
-75 kits de materiais de pesca – R$ 400,00x75
-75 kits de materiais de pesca extra para pescadores voluntários das oficinas – R$
400,00x75
-alimentos das comunidades para 525 dias para 5 pessoas por dia
-alimentos das comunidades para 150 dias para envolvimento de mais 30 pessoas
-alimentos da para 525 dias para 5 pessoas por dia

Oficinas de monitoramento Serviços de terceiros:


18 consultores pleno / 60 dias -525 diárias de 1 pescador e 1 cozinheira
3 consultor pleno / 15 dias -150 diárias 4 pescadores 4 cozinheiras
*AI Km 17 não tem peixe, prever frango
Consultor Pleno com - 150 diárias de 1 gerente
especialização em sistemas
de pesca tradicionais e Deslocamentos e Transportes:
levantamento de ictiofauna Trecho aéreo:
dos rios amazônicos. Área de -21x São Paulo/Altamira/São Paulo
engenharia de pesca ou Frete terrestre:
biologia. - 6x Altamira/Juruna do Km 17/Altamira
Trechos fluviais:
- 6x Altamira - TI Koatinemo (1 aldeia) - Altamira
- 6x Altamira - TI Araweté/Igarapé Ipixuna (deslocamento para 5 aldeias) -
Altamira
- 6x Altamira - TI Apyterewa (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 6x Altamira - TI Kararaô (1 aldeia) - Altamira
- 6x Altamira - TI Cachoeira Seca (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 6x Altamira - TI Arara (1 aldeia) - Altamira
- 6x Altamira - TI Kuruaya (1 aldeia) - Altamira
- 6x Altamira - TI Xipaya (deslocamento para 2 aldeias) - Altamira
- 6x Altamira - TI Arara da VGX (1 aldeia) – Altamira.

250
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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6.4.2.7 Cronograma

Projeto Monitoramento Territorial


Ano/Semestre
Atividades e ações Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano XX
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
Sistematização e disponibilização de informações sobre as TIs e o
entorno
Seleção dos temas para o BD
Criação do BD
Criação de Portal na internet
Atualização e disponibilização das informações
Publicação apresentando os resultados
Caracterização das TIs e do entorno
Realização do diagnóstico do uso do solo
Levantamento fundiário no entorno das TIs
Elaboração do calendário sazonal das TIs
Realização de diagnóstico socioeconômico e de infraestrutura das aldeias
Levantamento participativo dos recursos e ambientes prioritários
Monitoramento remoto das TIs e do entorno
Definição da faixa de segurança etnoambiental
Monitoramento do uso e da ocupação do solo
Monitoramento dos focos de calor
Monitoramento participativo dos recursos e ambientes prioritários
Monitoramento das fisionomias de vegetação
Monitoramento do sistema agrícola
Monitoramento da caça
Monitoramento da pesca

251
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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6.4.3. Projeto Conservação Territorial

6.4.3.1 Introdução e Justificativas

Na região de abrangência da UHE BM, o estabelecimento do contingente populacional


estimado em 100 mil pessoas poderá resultar em grande pressão antrópica sobre os recursos
naturais, especialmente sobre os recursos hídricos e florestais (PATRICIO et al., 2009; VIEIRA
et al., 2009a; VIEIRA et al., 2009b; GIANNINI et al., 2009; MULLER et al., 2009; MENEZES et
al., 2009). O desmatamento ou a perda de cobertura florestal destaca-se por ser um agente
causador de impactos ambientais de alta resiliência, ou seja, que persistem por muito tempo e
são difíceis de reverter, como as alterações locais e globais no ciclo da água (BERNER;
BERNER, 1987) e do carbono (DIXON et al., 1994; GRACE, 2004). Assim, estratégias
socioambientais de conservação da natureza – humana e ambiental – precisam ser
estabelecidas.

Historicamente, na Amazônia, o processo de ocupação e uso do solo está associado


principalmente à exploração de madeira e à produção agropecuária, tendo como principais
vetores o aumento da população e da malha de estradas. A melhoria viária na região de
abrangência da UHE BM poderá favorecer a invasão das TIs, levando a uma maior pressão
sobre os recursos naturais, especialmente os produtos madeireiros. Conforme o Parecer
o
Técnico n 21 (MENEZES et al., 2009), a melhoria viária também poderá influenciar o padrão
tradicional de ocupação e uso do solo nas TIs.

Os dados do “Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia” (PRODES, 2011),


indicam que a Amazônia e seus ecossistemas associados seguem sendo ameaçados: entre
2001 e 2010 foram desmatados 164.761km2 (16,5 milhões de ha). Geralmente os
desflorestamentos para a abertura de áreas agrícolas são seguidos de queimadas, que em
muitos casos tornam-se incêndios florestais, os quais segundo o Centro Nacional de
Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo, 2011) promovem graves danos ao
meio ambiente. Estes estariam relacionados principalmente com: a destruição da cobertura
vegetal; a destruição de húmus e a morte de microrganismos; a perda de nutrientes e o
ressecamento do solo; a destruição da fauna silvestre, especialmente os animais jovens; o
aumento de pragas; a eliminação de algumas espécies de sementes em estado de latência; a
debilitação de árvores jovens, tornando-as suscetíveis a pragas e doenças; a destruição de
belezas cênicas naturais; e a aceleração do processo de erosão e assoreamento de rios, lagos
e lagoas.

As APPs há muito tempo são contempladas no Art. 2º do Código Florestal Brasileiro, em


especial as matas ciliares. Além de trazer vantagens ecológicas, como a manutenção da

252
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

cobertura florestal e a manutenção do fluxo gênico animal e vegetal, a conservação das matas
ciliares traz vantagens para a sustentabilidade das comunidades indígenas. O resultado da
conservação de matas ciliares propicia a formação de corredores ecológicos por meio da rede
hidrográfica, que pode fortalecer a preservação da biodiversidade, principalmente em áreas
com mosaicos de UCs e TIs como é a região do Médio Xingu (SANDERSON et al., 2006;
TURNER, GARDNER, O‟NEILL, 2001).

Nas cabeceiras dos tributários do rio Bacajá, o possível aumento da pressão sobre os recursos
naturais, principalmente em áreas de mata ciliar, pode provocar efeitos negativos na
regularização da vazão dos cursos d'água, reduzindo a disponibilidade hídrica, elevando níveis
de assoreamento e até podendo levar ao esgotamento hídrico de mananciais (GIANNINI et al.,
2009). Vale destacar que este rio é o formador da principal e maior bacia hidrográfica que
deságua no trecho da VGX (GIANNINI et al., 2009), que poderá sofrer profundas
transformações com o ressecamento deste importante ecossistema (PATRICIO et al., 2009).

Na Area de Influência Direta da UHE BM, duas populações indígenas, os Juruna e os Arara,
podem enfrentar crises hídricas, associadas principalmente à escassez e à poluição da água, o
que pode ser agravado com a alteração da vazão de água da bacia do rio Bacajá. A esse
respeito, o EIA do AHE BM Volume 35 Tomo 5 (GIANNINI et al., 2009) aponta várias
necessidades a serem observadas na elaboração dos projetos, tais como, garantir a qualidade
socioambiental da TI Trincheira Bacajá e a manutenção da qualidade dos recursos hídricos na
região por meio da conservação do rio Bacajá e dos seus formadores da margem direita, além
de prevenir outras ameaças ao ambiente natural, principalmente às matas aluviares. Vale
acrescentar que, as TIs Apyterewa, Araweté/Igarapé Ipixuna, Arara e Cachoeira Seca e a AI
Juruna do Km 17, que possuem alguns igarapés tributários do rio Xingu e do rio Iriri,
apresentam áreas de cabeceiras com nascentes e matas ciliares desmatadas e degradadas.

A campanha “Y‟ Ikatu Xingu” desenvolvida no entorno do Parque Indígena do Xingu (PIX),
contemplando a cabeceira da bacia hidrográfica do rio Xingu no Estado do Mato Grosso, é
apontada no EIA do AHE BM Volume 35 Tomo 5 (GIANNINI et al., 2009) como referência para
as ações de conservação das nascentes do rio Bacajá. Esta campanha teve início em 2004 e
até hoje conseguiu viabilizar a restauração de 438,7ha de florestas em propriedades nas
cidades de Canarana, Querência, Água Boa, Nova Mutum, Gaúcha do Norte e São José do
Xingu. Suas ações articulam-se em 3 linhas: Restauração florestal, Educação agroflorestal e
Planejamento, Gestão e Ordenamento territorial. Por meio da linha transversal Articulações e
parcerias, os animadores da campanha agregam novos parceiros e articulam processos de
mobilização e captação de recursos que viabilizam os trabalhos (Y‟ IKATU XINGU, 2011).

Outra ação vem sendo implementada no município de São Félix do Xingu, município este que
abrange uma parte das cabeceiras dos formadores do rio Bacajá e que lidera o ranking das

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estatísticas de desflorestamento da Amazônia Legal (PRODES, 2011). Este município é alvo


do Pacto Municipal para a Redução do Desmatamento, uma ação coordenada pelo MMA e
apoiada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que faz
parte do projeto “Manejo Florestal, Apoio à Produção Sustentável e Fortalecimento da
Sociedade Civil na Amazônia Brasileira” (FAO, 2011).

Pela análise do EIA do Volume 35 (PATRICIO et al., 2009; VIEIRA et al., 2009a; VIEIRA et al.,
2009b; GIANNINI et al., 2009; MULLER et al., 2009), percebe-se que as comunidades
indígenas estão desprovidas de apoio institucional, fato que pode anular a capacidade de
contribuírem com os esforços para a mitigação e compensação dos impactos a serem gerados
e/ou ampliados pela UHE BM. Desta maneira, uma parte das atividades e ações deste projeto
visa apoiar, capacitar e instrumentalizar as comunidades indígenas vulneráveis aos impactos
socioambientais.

O presente projeto tem como finalidade mitigar e compensar os impactos socioambientais que
incidem sobre as comunidades indígenas e seus territórios, focando na manutenção dos
recursos naturais importantes para a qualidade de vida dos povos indígenas. Foram
considerados os impactos previstos nas etapas de construção e operação da UHE BM, bem
como as recomendações e os projetos descritos no Volume 35 do EIA do AHE BM e as
condicionantes e considerações do Parecer Técnico no 21 da FUNAI. Os impactos a serem
mitigados são: o aumento populacional e da pressão antrópica sobre os recursos naturais; a
maior possibilidade de invasões e perda de ambientes estratégicos; as transformações no uso
e na ocupação do entorno das TIs; e a vazão reduzida no trecho da VGX e a degradação de
matas ciliares.

Os projetos apresentados no Volume 35 do EIA do AHE BM que justificam a implementação do


projeto Conservação Territorial são: “Recuperação e reincorporação produtiva de áreas
degradadas” e “Recuperação de nascentes” da AI Juruna do Km 17; “Salvamento e
aproveitamento científico da flora e de formação de banco de germoplasma”, voltados para as
TIs Arara da VGX, Paquiçamba e Trincheira Bacajá; e “Controle de incêndios”, atividade
demandada para as TIs Arara, Arara da VGX, Paquiçamba, Trincheira Bacajá, Cachoeira Seca
e Juruna do Km 17.

Outras atividades recomendadas no EIA fazem parte da estratégia de ação deste projeto:

Incentivo à coleta de frutas e sementes nativas e plantas (quintais multiuso) (VIEIRA


et al., 2009a);

Capacitação para o aprimoramento de novas atividades e o aperfeiçoamento de


técnicas de plantio (VIEIRA et al., 2009a);

Capacitação em Sistemas Agroflorestais – SAFs (plantios de cacau, cupuaçu,

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copaíba, mandioca, entre outros consórcios) (VIEIRA et al., 2009a);

Instalação de Viveiro de Mudas Florestais (enriquecimento de espécies potenciais,


recuperação de áreas alteradas, SAFs, entre outras) (VIEIRA et al., 2009a);

Criação e manutenção de viveiro para produção de mudas para recuperação de


áreas (VIEIRA et al., 2009b) e;

Buscar formas, junto a outros atores locais, de incentivo à recomposição da mata


ciliar dos rios e igarapés, tributários do rio Bacajá (GIANNINI et al., 2009).

Buscando contemplar o solicitado nos documentos do processo de licenciamento e


implementação da UHE BM, o projeto Conservação Territorial propõe 3 linhas de ação. A
primeira tem a finalidade de identificar e selecionar as espécies e os ambientes florestais
importantes para as comunidades indígenas e visa subsidiar a segunda linha de ação, que visa
restaurar áreas degradadas e matas ciliares, com foco na conservação de recursos
estratégicos, bem como fornecer apoio técnico às ações de recomposição de matas ciliares. A
terceira linha tem como objetivo garantir a conservação de ambientes importantes na
sustentabilidade indígena, como as áreas de roçados, e minimizar os efeitos negativos das
queimadas nos limites das TIs.

As atividades do presente projeto estão alinhadas com as diretrizes do documento de apoio


para a construção da PNGATI (SCHMIDT et al., 2010), o qual se encontra em tramitação no
Congresso Nacional:

Realizar levantamentos e diagnósticos locais e regionais para identificar as espécies


nativas de importância cultural, de forma a apoiar e priorizar o seu uso em SAFs e
em plantios para a recuperação de paisagens em áreas degradadas;

Garantir a elaboração e a execução de planos de recuperação de áreas degradadas


nas TIs e nas faixas de segurança etnoambiental e;

Capacitar, equipar e conscientizar as comunidades indígenas para prevenção e


controle de queimadas e incêndios florestais.

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6.4.3.2 Objetivos

Objetivo Geral

Promover a manutenção dos recursos naturais e dos serviços ambientais das TIs e garantir
aos seus povos a disponibilidade de recursos prioritários para sua sobrevivência e sua cultura
material.

Objetivos Específicos

Conservar populações mínimas viáveis de espécies vegetais importantes para os povos


indígenas nas TIs;
Restaurar áreas degradadas, matas ciliares e ambientes estratégicos dentro das TIs;
Estabelecer acordos de uso do fogo e controlar incêndios dentro das TIs e nos seus
limites e;
Apoiar e incentivar a recomposição das matas ciliares dos rios e igarapés tributários do
rio Bacajá e de outros cursos d´água importantes para os povos indígenas da região.

6.4.3.3 Metodologia

A metodologia foi desenhada para os 5 primeiros anos de execução do PBA-CI/PMX, que


estão divididos em 2 fases: de 0 a 2 anos e de 2 a 5 anos. Na primeira fase, as atividades e
ações serão priorizadas para as TIs e a AI da VGX e para as TIs que terão áreas
desintrusadas, além da TI Xipaya, que durante a Oficina em Brasília (fevereiro de
2011) solicitou a inclusão das atividades 1 e 2 já na primeira fase do Empreendimento.
Na segunda fase, as ações serão ampliadas para todas as TIs da Área de Influência
Indireta e de Abrangência Regional. Estes primeiros 5 anos de atividades serão abrangidos
pela etapa de construção da UHE BM, entretanto, recomenda-se que as atividades e ações
sejam reestruturadas e ampliadas a partir do 5º ano, com a perspectiva de se estender durante
toda a fase de operação da UHE BM.

Como premissa assertiva tem-se que o envolvimento dos indígenas nas atividades do projeto
deve ser norteado pelos princípios apresentados pelo PGTI e pelo documento da PNGATI, que
se encontra em tramitação no Congresso Nacional. Além disso, as ações e os procedimentos
metodológicos para a implementação do presente projeto devem considerar as orientações
descritas nesta metodologia e atender ao Código Florestal Brasileiro e à Resolução CONAMA
no 429, que dispõe sobre as metodologias de recuperação de APPs.

Nas atividades e levantamentos participativos devem-se integrar diferentes métodos de


trabalho, sempre buscando entender o conhecimento local e, ao mesmo tempo, aplicando o

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saber “híbrido” – indígena e não indígena – sobre os recursos naturais trabalhados. Todas as
atividades devem envolver os participantes utilizando linguagem acessível e recorrendo aos
métodos visuais (fotos, mapas, desenhos, quadro negro, etc.). Outro ponto importante é
manter a atenção sobre como o trabalho se insere na comunidade, de forma que os
participantes sejam envolvidos nas ações de uma maneira ativa, desde sua concepção até a
obtenção dos resultados, inclusive tendo o direito de não dar prosseguimento as atividades ou
ações caso assim desejem.

Três atividades e suas respectivas ações foram planejadas e desenhadas para que se
alcancem os objetivos deste Projeto. Para a execução das ações será necessária uma equipe
de técnicos com habilidades e experiência em acessar os conhecimentos tradicionais de forma
participativa, em atividades de restauração ambiental e em extensão rural, sempre com o apoio
do profissional sênior de cada povo indígena. Após a realização das atividades, ações e
oficinas, ao fim de cada semestre, os responsáveis técnicos de cada atividade e do projeto
deverão elaborar um relatório detalhado, que deverá ser encaminhado ao Coordenador do
PGTI para monitorar o desenvolvimento e aferir as metas do presente projeto.

A seguir estão descritas as metodologias por atividade e ações.

Conservação de recursos naturais chave16, prioritários17 ou estratégicos18

Esta atividade tem por finalidade estabelecer a base de sustentação da atividade de


“Restauração de áreas degradadas e de matas ciliares”. Estas duas atividades serão
realizadas nas TIs Paquiçamba, Arara da VGX, Cachoeira Seca, Apyterewa, Xipaya, Kuruaya
e AI Juruna do Km 17. Em cada aldeia serão realizadas 2 ações: a “Identificação e seleção de
espécies chave e prioritárias” e a “Identificação e seleção de ambientes prioritários e
estratégicos”. Estas ações serão realizadas em oficinas específicas, com duração de
aproximadamente 3 dias cada (18h). Para a participação nas oficinas a comunidade deverá
selecionar 15 pessoas, especialmente os indígenas “conhecedores”, ou seja, detentores dos
conhecimentos tradicionais.

Na primeira ação pretende-se identificar e selecionar as espécies chave para iniciar os


processos de recuperação de ambientes, também considerando os recursos prioritários para
os povos indígenas envolvidos na conservação de recursos naturais dentro e fora das TIs.
Estas espécies serão priorizadas na segunda atividade, promovendo a formação de hortos de
germoplasma in situ nas áreas a serem restauradas. Mesmo não sendo um objetivo,
16
Espécies que desempenham papel chave para a recuperação ou manutenção das funções e da
estrutura de ecossistemas naturais.
17
Espécies importantes para a segurança alimentar e cultura material das comunidades indígenas.
18
Ambientes estratégicos para a sustentabilidade das comunidades indígenas.

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indiretamente, na segunda atividade serão formados hortos de germoplasma, pois as áreas a


serem restauradas terão espécies com características genéticas (genotípica/fenotípica) que
podem servir como fonte de propágulos e banco genético.

A segunda ação tem por finalidade identificar e selecionar os ambientes prioritários e


estratégicos para a restauração ambiental. Os ambientes selecionados devem ser
georreferenciados e integrados ao BD previsto no projeto “Monitoramento Territorial”.

Nas duas oficinas é necessário conhecer e caracterizar os tipos de ambientes segundo o


sistema local de classificação, bem como listar, localizar e caracterizar os recursos naturais
segundo as prioridades locais. Os resultados da atividade “Levantamento participativo dos
19
recursos e ambientes prioritários ” do projeto “Monitoramento Territorial” fornecerão
informações complementares às duas oficinas previstas no presente projeto.

As oficinas deverão ser realizadas por consultor técnico especialista em realizar diagnósticos
participativos, com o apoio do profissional pleno de cada TI. As ações de recuperação de
recursos prioritários serão realizadas na atividade de restauração de áreas degradadas e
matas ciliares, descrita a seguir.

Restauração de áreas degradadas e de matas ciliares

Esta atividade tem por finalidade capacitar e instrumentalizar as populações indígenas para
que se alcancem parte dos objetivos específicos, dando especial atenção à conservação de
populações mínimas viáveis de espécies chave e/ou prioritárias para as comunidades
indígenas e à conservação de recursos naturais importantes para a cultura material que se
encontram pouco disponíveis ou ameaçados.

A atividade compreende ações em oficinas temáticas e ações em campo. Nos primeiros 5


anos de execução do PBA-CI/PMX, esta será uma atividade piloto, experimental e
demonstrativa, que acontecerá nas aldeias que já indicaram possuir áreas a serem
restauradas.

Todas as ações previstas dentro desta atividade possuem oficinas de cunho preparatório e
capacitador, exceto a ação “Salvamento e aproveitamento da flora ameaçada”. Nas oficinas
deve-se buscar:

i) a preparação dos indígenas para esta nova atividade;

ii) a apresentação das técnicas em sistemas florestais e agroflorestais;

iii) o entendimento dos conhecimentos tradicionais e dos novos conhecimentos técnicos;

19
Os resultados desta atividade poderão indicar os tipos de ambientes onde ocorrem estas populações,
bem como a sua localização nas TIs e a época em que os recursos importantes florescem e frutificam.

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iv) a formação de grupos que implementarão as ações e;

v) especialmente, a “instrumentalização” para a organização e fornecimento de material de


propagação, produção de mudas, preparo das áreas, implantação e manutenção dos plantios.

Vale lembrar que o sucesso desta atividade está vinculado à apropriação dos objetivos e das
técnicas pela comunidade indígena e à presença de uma equipe técnica que acompanhe às
operações de campo para as devidas orientações e readequação dos sistemas de restauração
ambiental. As ações deverão ser realizadas por um consultor pleno em restauração de áreas
degradadas e que tenha experiência com comunidades indígenas, com o apoio do profissional
pleno de cada TI.

Para facilitar o registro e a transferência de informações e também como o produto final, o


responsável por esta atividade deverá preparar um “Guia de Restauração Ecológica”,
considerando as especificidades de cada TI, que contenha pelo menos: 1) a descrição e a
caracterização da vegetação; 2) a dinâmica e os grupos ecológicos sucessionais; 3) a estrutura
de formação e estratificação; 4) as relações tróficas e a importância para a fauna; 5) as
espécies chave e prioritárias para a recuperação de ambientes e; 8) as áreas selecionadas e
os modelos de restauração florestal. Este guia deve ser composto a partir dos dados
sistematizados nas oficinas específicas realtivas às atividades.

O desenvolvimento desta atividade na linha do tempo considera a identificação do


conhecimento tradicional, a apropriação das técnicas pelos indígenas e a implementação e o
manejo sustentável dos sistemas de restauração ambiental. As ações são:

Identificação das estratégias de plantio, manejo e restauração ambiental

Para a identificação das estratégias de restauração ambiental disponíveis e viáveis às


populações indígenas, o entendimento dos processos de regeneração natural ou sucessão
ecológica em ambientes alterados é o passo inicial a ser dado. Tradicionalmente, para o uso
agrícola (roças e pastagens) de solos florestais, as técnicas de abertura de áreas utilizam-se
da derrubada e queima. Após sucessivos plantios e colheitas, geralmente as roças vão sendo
abandonadas e a regeneração natural de espécies agrícolas e florestais entra em ação,
formando as capoeiras, ou juquiras, que são a fase inicial do desenvolvimento florestal. Assim,
o foco inicial desta ação é caracterizar de maneiras qualitativa e quantitativa as espécies nas
capoeiras em suas diferentes fases (inicial, intermediária e avançada). A partir deste
conhecimento e das particularidades sociais (métodos de preparo da área, plantio e manejo) e
locais (tipos de solo e ambientes), deverão ser estabelecidos os “modelos” de restauração.
Para esta ação será necessária uma oficina específica de aproximadamente 12 dias (72h) com
a participação de aproximadamente 15 indígenas.

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Coleta de material de propagação e produção de mudas

Para a produção de mudas e a implantação dos modelos de restauração, uma parte das
sementes e do material de propagação vegetativa deverá ser fornecido por um grupo facilitador
a ser capacitado ou formado em cada aldeia. Este grupo deverá estar sincronizado com o
grupo de produção de sementes do “Programa Atividades Produtivas”. Muito provavelmente,
uma parte do material para a implantação dos modelos de restauração será de espécies
agrícolas, como a mandioca e a banana, o que justifica a formação de um grupo facilitador que
organize e forneça as estacas, sementes, manivas, plântulas ou brotos para a semeadura
direta ou para a produção de mudas. A estratégia para a formação deste grupo facilitador
deverá considerar as peculiaridades de cada comunidade indígena. Nos povos de família
linguística Jê, a formação de grupos pode funcionar bem, porém entre os da família Tupi-
guarani talvez seja melhor organizar os grupos por família. Também se deve procurar
mobilizar os gêneros e diferentes faixas etárias conforme a organização interna de cada
comunidade. Por exemplo, as mulheres podem ser responsáveis pela coleta e os jovens
controlam o que chega da floresta.

Para a produção de mudas recomenda-se a preparação e o funcionamento de um “Viveiro da


natureza”, como já tem sido realizado em outras áreas indígenas, como na TI Ashaninka do rio
Amônia e no PIX. O Viveiro da natureza deve consistir em: uso de sombreamento natural de
árvores e de recursos de estrutura encontrados no próprio local; a proximidade a ambientes
com água; a facilidade de obtenção de substrato para enchimento dos saquinhos de mudas; a
quebra de dormência de sementes utilizando recursos e técnicas locais e na facilidade de
escoamento ou disponibilidade das mudas. Importante é que na produção de mudas deve-se
dar ênfase às espécies chave dos ambientes e as prioritárias para as comunidades.

Nesta ação, caso necessário, podem ser formados dois grupos de atores, um para a coleta de
sementes e de material de propagação vegetativa e outro para a produção de mudas, que
devem trabalhar em total sincronia para que não ocorram esforços em vão, por exemplo, a
perda de material de propagação vegetal. O grupo responsável por esta ação deve também
estar sincronizado com o grupo responsável pela ação seguinte, pois deverão fornecer as
sementes e o material de propagação vegetativa em quantidade e qualidade necessárias para
a restauração das áreas selecionadas. Para esta ação estão prevista oficinas específicas de
duração de 6 dias (36h) e com a participação de 10 indígenas.

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Salvamento e aproveitamento da flora ameaçada

Esta terceira ação visa planejar e executar as campanhas de salvamento e aproveitamento da


flora ameaçada, considerando e complementando a ação anterior. Ou seja, a outra parte do
material de propagação vegetal para suprir os viveiros e para a restauração ambiental poderá
ser proveniente do resgate de espécies ameaçadas nas áreas a serem desmatadas para a
implantação da UHE BM. Sempre lembrando que o alvo são as espécies chave, prioritárias
para a recuperação dos ambientes, de importância cultural ou econômica. Para tanto, devem
ser planejadas e executadas campanhas de campo para a coleta de material de propagação
vegetativa durante as operações que antecedem o desmatamento dos canteiros de obras, da
abertura dos canais de derivação e das áreas dos reservatórios de água.

Para o planejamento e a execução da atividade, em conjunto com os grupos de coletores, deve


ser realizada uma visita prévia às áreas a serem desmatadas para definição da estratégia de
execução e recuperação das espécies. Após a visita prévia, já para a campanha de campo,
deve-se definir o que vai ser coletado, onde vai ser plantado e o que se pretende fazer com o
material coletado. Em cada TI envolvida, esta ação deverá ser desenvolvida em 20 dias
(120h), considerando as etapas descritas acima, com a participação de aproximadamente 8
indígenas.

Preparo das áreas e implantação dos modelos de restauração ambiental

A preparação das áreas para restauração pode ser efetuada de duas maneiras, empregando a
técnica tradicional de limpeza de área, que normalmente utiliza fogo, ou a técnica tradicional
adaptada, sem o uso do fogo. A implantação dos modelos de restauração deve ser realizada
considerando o calendário de cultivo agrícola e deve priorizar, de acordo com o proposto pelos
índios, o uso de sementes e estacas, manivas, brotos, plântulas, raízes ou tubérculos. O
processo de planejamento pode ser realizado em uma oficina especifica de 2 dias (12h). O
período de preparo e implantação do modelo de restauração para um hectare de área varia
conforme o número de participantes e o grau de dificuldade de preparação da área. Para fins
de cálculo, no planejamento foi estipulado um total de 12 dias de oficina (72h) em campo para
o preparo e a implantação de um hectare de área restaurada, com a participação de 10
indígenas. Um grupo de atores para esta ação deverá ser formado e instrumentalizado.
Novamente, a estratégia para a formação do grupo deverá considerar as peculiaridades de
cada aldeia indígena.

A partir do 5º ano de execução do PBA-CI/PMX esta ação deverá ser ampliada em todas as TIs
envolvidas nesta atividade. Além disso, caso os impactos a serem gerados pelo empreendedor
impliquem em mais áreas degradadas, esta atividade deve ser expandida para as demais TIs
que quiserem aderir ao projeto.

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Manejo sustentável das áreas restauradas

O manejo sustentável das áreas restauradas deve ser implementado com vistas às novas
formas de uso e ocupação do solo, ao papel do manejo agrícola no enriquecimento das
capoeiras e à manutenção da matéria orgânica nas áreas restauradas. O emprego do manejo
sustentável deverá servir de base para comparação com as técnicas tradicionais de manejo
das roças. Um grupo de atores para esta ação deverá ser formado e instrumentalizado. Nesta
ação deverá ser realizado o monitoramento qualitativo e quantitativo das áreas restauradas
durante o manejo sustentável, o qual deve integrar os relatórios de andamento. Este
monitoramento consiste em avaliar e analisar as mudanças dos atributos socioambientais
relevantes para os indígenas, como a produção de materiais de consumo (alimento e cultura
material e imaterial), atração da fauna, entre outros. Por aldeia deverão ser realizadas três
oficinas, 1/ano nos últimos 3 anos (vide cronograma), sendo estimados 6 dias (72h) por oficina
para o manejo sustentável das áreas restauradas, com a participação de aproximadamente 10
indígenas.

Incentivo à recomposição de matas ciliares fora das TIs

A “busca de formas, junto a outros atores locais, ao incentivo à recomposição da mata ciliar
dos rios e igarapés tributários do rio Bacajá” é apontada no quadro 7-1 do documento 6365-
EIA-G90-001c da Leme Engenharia Ltda. como particularidade para o componente indígena.
Assim, a ação de restauração de matas ciliares fora das TIs deverá ter como foco a bacia
hidrográfica do rio Bacajá, inicialmente dando prioridade às cabeceiras dos tributários da
margem direita. Já a partir do 5 ano esta ação deve ser ampliada para outras regiões críticas,
bem como para as regiões das TIs Apyterewa, Cachoeira Seca, Araweté/Igarapé Ipixuna e
Arara e AI Juruna do Km 17. Em princípio, esta é uma ação “meio” que buscará apoiar, com
suporte técnico no estabelecimento de parcerias, as ações “fim” de restauração de matas
ciliares na região de abrangência do PBA-CI/PMX. Esta ação deverá ser desenvolvida pelo
profissional sênior do projeto “Planejamento Territorial e Gestão Socioambiental
Compartilhada” responsável pela articulação política com o entorno e por um consultor pleno
especialista em restauração de áreas degradadas e extensão rural.

O desenvolvimento desta ação foi planejado em etapas. Na primeira etapa, o projeto


“Monitoramento Territorial” elenca áreas prioritárias – microbacias críticas – para a restauração
de APPs da margem direita do rio Bacajá e realiza um levantamento das propriedades que
possuem APPs a serem restauradas. Na seqüência, o profissional sênior levanta o contexto
regional – ZEE, planos municipais de meio ambiente, ações locais, como o “Pacto Municipal
pela Redução do Desmatamento”, possíveis parcerias com instituições locais, como FVPP, Y
IKATU XINGU/ISA e IPAM. Isto, tendo como foco determinar os caminhos a serem percorridos

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para a restauração florestal nos municípios de São Félix do Xingu e Anapu, que englobam as
propriedades rurais com passivo de APPs.

Na segunda etapa, o consultor técnico especialista, junto com o profissional sênior, elabora a
proposta técnica a ser apresentada aos proprietários rurais com passivos de APPs. Esta
proposta deve conter as áreas prioritárias para a restauração, as formas de restauração, os
possíveis incentivos (fiscais, financeiros, etc) e as possibilidades de parcerias para a
restauração.

Na terceira etapa, o profissional sênior apresenta aos proprietários rurais, via reunião em
sindicatos, cooperativas e associações ou em conversas pessoais, a proposta técnica. Os
proprietários rurais que aceitarem participar recebem a visita do consultor especialista, que
deverá validar em campo as áreas elencadas para a restauração e os métodos de restauração
a serem empregados, conforme Resolução CONAMA no 429.

Na quarta etapa, o consultor especialista elabora um projeto executivo, que contenha uma
estratégia com inicio, meio e fim, contemplando: as áreas possíveis de serem restauradas, as
fontes de sementes e mudas, os modelos de restauração disponíveis e viáveis, as
responsabilidades dos proprietários rurais e dos parceiros, os custos e o cronograma de
implantação, as linhas de crédito públicas (BNDES e Banco do Brasil) e os incentivos verdes
para a regularização ambiental das propriedades rurais.

Na última etapa, o profissional sênior apresenta o projeto aos proprietários e instituições


públicas e privadas, buscando estabelecer as parcerias necessárias para a implementação do
projeto de restauração das matas ciliares das cabeceiras do rio Bacajá e viabilizando a
restauração das APPs. Por fim, o consultor especialista dá orientação técnica para a
implantação dos modelos de restauração nas propriedades rurais aderentes ao projeto.

Controle de incêndios

O fogo é a principal técnica utilizada pelos povos indígenas para o manejo agrícola, no cultivo
de seus alimentos. A prática de derrubar e queimar é a forma pela qual preparam as novas
áreas de plantio. Com a queima, há uma forte mineralização de toda a biomassa florestal, que
se torna prontamente disponível aos cultivos mais exigentes. Muitas vezes o fogo pode tomar
dimensões inesperadas, trazendo prejuízos para os ambientes, principalmente quando
adentram nas áreas de florestas ou de capoeiras em regeneração. Em alguns casos, estas
capoeiras acabam sendo reutilizadas para o cultivo agrícola em tempo menor do que o
necessário para a recuperação de sua fertilidade. Além disto, estas áreas em regeneração
acabam sendo muitas vezes queimadas por acidentes ou até mesmo de maneira intencional,
limitando ainda mais a disponibilidade de terras férteis nas áreas próximas destas
comunidades. Isto pode colocar em risco muitas das variedades de plantas mais exigentes em

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solos férteis, principalmente o milho, as favas, a banana ou amendoins, dependendo de cada


povo.

Este tem sido um dos principais problemas em algumas TIs, visto que as estruturas físicas
edificadas na maioria das aldeias acabam fixando estas populações por um maior tempo nas
proximidades, rompendo um ciclo de restauração de recursos antes estabelecido.

Para os Arara da VGX as capoeiras antigas também são reutilizadas, mas somente quando
atingem estágios mais avançados de regeneração. Segundo dados no EIA do AHE BM
Volume 35 Tomo 3,“as capoeiras quando estão muito novas não pegam fogo direito, tem muito
capim e ramas, ainda são fracas para plantio é preciso que fiquem mais velhas para queimar
direito” (ARARA, 200920).

A região onde se insere o Empreendimento e a TI Arara caracteriza-se como uma região de


inúmeros conflitos, ou seja, trata-se de uma região em constante pressão. As derrubadas e
queimadas em APPs, tem resultado em alguns desentendimentos na TI. Além disto, os Arara
referem-se aos colonos e fazendeiros como os responsáveis pelos prejuízos causados a caça.

Alguns impactos foram previstos nas TIs desta região. Segundo dados no EIA do AHE BM
Volume 35 Tomo 2, o fogo tem trazido problemas em outras TIs da região do Médio Xingu,
principalmente quando este é decorrente das roças vizinhas à TI (VIEIRA et al., 2009 a). Na TI
Trincheira Bacajá, conforme o EIA do AHE BM Volume 35 Tomo 5, o Empreendimento
acarretará impactos negativos sobre as aves; devido ao aumento de queimadas e de
desmatamentos (GIANNINI et al., 2009).

Na TI Cachoeira Seca, dados no EIA do AHE BM Volume 35 Tomo 6, afirmam que a presença
de grandes vias de acesso, como a Transamazônica (BR-230), tem contribuído para muitas
das queimadas. Cerca de 85% ocorrem a menos de 25km das estradas e é na faixa de
aproximadamente 100km a partir destas que se concentra a maior parte das derrubadas
(MULLER et al. 2009).

Os conflitos na TI Paquiçamba e seu entorno relacionam-se principalmente ao sobre-uso dos


recursos naturais da VGX, segundo no EIA do AHE BM Volume 35 Tomo 2. No trecho utilizado
mais intensamente pelos índios, os colonos vizinhos costumam atear fogo na vegetação,
prevendo a renovação dos pastos, sendo que muitas vezes o fogo acaba atingindo áreas
dentro da TI (VIEIRA et al., 2009 a).

Outros impactos também estão relacionados à TI Paquiçamba, ocasionados pela UHE BM.
Com a diminuição das águas das grotas, a floresta das áreas de inundação ficará mais seca, o
que poderá deixá-la mais suscetível a incêndios, o que atualmente não ocorre dentro da TI.
Em 2008, foram realizados sobrevôos no entorno da TI, onde puderam ser observadas áreas

20
Entrevista com Fernando Passos Arara (PATRICIO et al., 2009).

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desmatadas e queimadas para a formação de pastos e abertura de estradas (VIEIRA et al.,


2009a). Ainda para o coordenador do EIA da TI Paquiçamba, quando uma floresta é
devastada e sofre com queimadas, e não passa por processos produtivos ligados à agricultura,
a maioria de suas matrizes e sementes morrem, o que torna mais lenta a sua recuperação.

Algumas soluções também foram identificadas no EIABM Volume 35 - Tomo 2. No “Programa


de Proteção Ambiental e Fiscalização dos Limites”, foi sugerido, entre várias ações, a criação
de uma Brigada de Incêndio (VIEIRA et al., 2009).

Na Área Juruna do km 17, há exemplos diferenciados na prática produtiva. No EIA da AHE BM


Volume 35 - Tomo 4, uma experiência conduzida por um dos moradores, Sr. Virgilio,
demonstra que nem sempre o fogo empregado com uma técnica de plantio: […] “em uma
pequena porção de terra, que utiliza conceitos dos SAFs, evitando o uso do fogo e
diversificando o cultivo de espécies bianuais e permanentes em um sistema parecido com o
processo de formação de uma floresta, com ênfase nas espécies apreciadas para o consumo
ou uso direto da comunidade” (VIEIRA et al., 2009b).

A atividade de controle do fogo considera ações preventivas, com a finalidade de sensibilizar


as comunidades indígenas das TIs, de modo a construir planos de manejo locais. Estes
deverão procurar resgatar as técnicas tradicionais de manejo do fogo, além dos cuidados que
as famílias deverão ter durante suas atividades diárias, principalmente no período de seca.
Esta estratégia de prevenção também inclui acordos, que deverão ser pactuados entre os
membros das comunidades, além de estabelecer regras comuns entre outras aldeias, ou até
mesmo entre TIs. A segunda ação prevê capacitar e instrumentalizar as comunidades
indígenas para a o combate aos incêndios.

Os focos de origem dos incêndios muitas vezes se localizam fora das TIs, mas afetam recursos
utilizados pelos indígenas. Um exemplo disso são as queimadas sem controle realizadas por
pescadores nas ilhas da região da VGX, segundo informações obtidas junto aos
representantes indígenas nas reuniões preparatórias do PBA-CI/PMX.

As TIs a serem contempladas com esta atividade são Paquiçamba, Arara da VGX e Apyterewa,
com posterior expansão para as TIs Arara, Trincheira Bacajá e Cachoeira Seca. As ações
deverão ser realizadas por um consultor pleno, especialista em conservação da natureza e que
tenha experiência com comunidades indígenas, com o apoio do profissional pleno de cada TI.

Sensibilização e estabelecimento de acordos comunitários

Esta ação em formato de oficina temática com aproximadamente 4 dias de duração (32h) visa
minimizar os danos causados pelo uso do fogo e pode ser realizada com a aldeia toda,
mostrando mapas de focos de calor, levantando com eles os prejuízos causados pelo fogo sem
controle e elaborando acordos comunitários de prevenção do fogo que devem ser seguidos. É

265
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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importante destacar que muitos dos acidentes relacionados às queimadas são originados por
descuidos dos moradores das TIs, principalmente durante a queimada das roças, na coleta de
mel na floresta ou nas batidas de timbó, em lagoas, beira de rios ou ilhas. Muitas vezes isto
também pode ocorrer em decorrência da falta de consciência de determinadas pessoas, que,
por vezes, acabam provocando incêndios de modo intencional.

O primeiro passo será identificar as ocorrências de incêndios nas TIs, recapitulando as causas
e consequências. Em seguida será importante resgatar as técnicas conhecidas para a
prevenção de incêndios, como a forma de proceder as queimadas de roça, as épocas mais
críticas do ano, bem como os demais aspectos em torno desta questão.

Um ano após o estabelecimento dos acordos comunitários de prevenção do fogo deve ser feita
uma avaliação sobre o que tem funcionado ou não, revisando e adequando acordos novos,
reconhecimento de causas e consequências.

Formação de brigadas indígenas

Nesta ação deverão ser formadas e instrumentalizadas brigadas de incêndio, por meio de
capacitação técnica e fornecimento de kit básico contendo EPIs como botas, luvas e óculos
protetores – e equipamentos de combate – como bomba costal, motobomba, rastelo, machado,
motosserra, abafador, foice. A formação da brigada de incêndio deverá ser realizada para um
grupo mínimo de 14 pessoas a ser indicado pela comunidade. Para a capacitação da brigada
de incêndio devem ser ministrados uma oficina, de 3 a 5 dias (18 a 30h) no período antes da
seca e um treinamento em campo durante a seca.

O Coordenador do PGTI buscará parcerias para a formação das brigadas indígenas, tanto na
capacitação técnica quanto no fornecimento de equipamentos. Entre as possíveis instituições
parceiras estão o PrevFogo/IBAMA, o Corpo de Bombeiros da região, a empresa Guarany e as
ONGs FVPP e IPAM, que coordenam ações relacionadas ao manejo do fogo. Estas
instituições são consagradas quanto ao controle de incêndio e vêm atuando e estabelecendo
parcerias para combate a incêndios florestais.

6.4.3.4 Legislação específica

Resolução CONAMA no 429, de 28 de fevereiro de 2011 - Dispõe sobre a metodologia


de recuperação das Áreas de Preservação Permanente - APPs.

Lei nº 7.754 de 14 de abril de 1989 – Estabelece medidas para proteção das florestas
existentes nas nascentes dos rios e dá outras providências.

266
PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
_____________________________________________________________________________________________

6.4.3.5 Atividades a serem desenvolvidas

Atividade: Conservação de recursos naturais chave, prioritários ou estratégicos


Responsáveis pelas ações Interface com
outros
Prazo/etapa do
Ações Metas Indicadores Público Alvo Equipe Técnica Programas
Empreendimento Parceiros
(empreendedor) e/ou Projetos
do PMX e PBA
Início: etapa de
Indígenas indicados construção. Continuar 1 consultor pleno
12 Oficinas realizadas.
Identificação e pelas TIs Paquiçamba, nas etapas de especialista em Todos os
espécies-chave 12 relatórios das
seleção de Arara da VGX, enchimento e diagnósticos projetos do
selecionadas em oficinas.
espécies chave e Cachoeira Seca, operação. com PGTI;
6 TIs. 12 TIs com indígenas
prioritárias. Apyterewa e Xipaya e comunidades PAP
capacitados.
AI Juruna do Km 17. Início: 2º semestre do indígenas.
Ano 1.
12 Oficinas realizadas
Indígenas indicados 1 consultor pleno
Identificação e 6 relatórios Etapas de construção,
pelas TIs Paquiçamba, especialista em
seleção de 18ha de áreas consolidando os enchimento e Todos os
Arara da VGX, diagnósticos
ambientes selecionadas em resultados das oficinas operação. projetos do
Cachoeira Seca, com
prioritários e 6 TIs. por TI PGTI.
Apyterewa, Xipaya e comunidades
estratégicos. 12 TIs com indígenas 2º semestre do Ano 1.
AI Juruna do Km 17. indígenas.
capacitados.

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Atividade: Restauração de áreas degradadas e de matas ciliares


Responsáveis pelas ações Interface
com outros
Prazo/etapa do Programas
Ações Metas Indicadores Público Alvo Equipe Técnica
Empreendimento Parceiros e/ou Projetos
(empreendedor)
do PMX e
PBA
Indígenas indicados Etapas de 1 consultor
Identificação das Caracterização das
12 Oficinas realizadas. pelas TIs Paquiçamba, construção, Pleno
estratégias de espécies nas enchimento e Todos os
12 relatórios das oficinas. Arara da VGX, especialista em
plantio, manejo e capoeiras; Processos operação. projetos do
12 TIs com indígenas Cachoeira Seca, restauração de
restauração de regeneração PGTI.
capacitados. Apyterewa, Xipaya e 2º semestre dos áreas
ambiental. reconhecidos.
Juruna do Km 17. Anos 1 e 2. degradadas.
Grupos de coletores Indígenas indicados Etapas de 1 consultor
Coleta de e viveiristas 12 oficinas realizadas construção,
pelas TIs Paquiçamba, Pleno
material de formados; 12 grupos de coletores e enchimento e
Arara da VGX, especialista em
propagação e viveiristas formados. operação PAP.
Mudas produzidas Cachoeira Seca, produção de
produção de 12 TIs com indígenas
em quantidade Apyterewa, Xipaya e Início: 2º semestre sementes e
mudas. capacitados.
suficiente. AI Juruna do Km 17. dos Anos 2 a 5. mudas.
Etapas de
Indígenas construção,
Salvamento e 1 consultor pleno
indicados pelas TIs enchimento e
aproveitamento Espécies ameaçadas 3 campanhas de campo especialista em
Paquiçamba, Arara da operação. PSA.
da flora resgatadas. realizadas. restauração de
VGX e Trincheira
ameaçada Início: 1º semestre áreas degradas.
Bacajá
do Ano 2.
Áreas Etapas de
Preparo das Indígenas
georreferenciadas; 12 Oficinas realizadas. construção, 1 consultor pleno
áreas e indicados pelas TIs
18ha preparados e 12 grupos de especialista em Todos os
implantação dos Paquiçamba, Arara da enchimento e
implantados; restauradores formados. restauração de projetos do
modelos de VGX, Cachoeira Seca, operação.
Modelos de 12 TIs com indígenas áreas PGTI.
restauração Apyterewa, Xipaya e Início: 1º semestre
restauração capacitados. degradadas.
ambiental. AI Juruna do Km 17. dos Anos 3, 4 e 5
implantados.

268
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Indígenas indicados Etapas de 1 consultor


12 Oficinas realizadas.
Manejo pelas TIs Paquiçamba, construção, Pleno
12 grupos de enchimento e
sustentável das 18ha de área com Arara da VGX, especialista em
manejadores formados. operação. PAP.
áreas manejo sustentável. Cachoeira Seca, restauração de
12 TIs com indígenas
restauradas. Apyterewa, Xipaya e Início: 2º semestre áreas
capacitados.
AI Juruna do Km 17. dos Anos 3, 4 e 5. degradadas.
Campanha “Y
Ikatu Xingu”;
Proposta técnica de
1 consultor ISA; FVPP;
restauração das
Etapas de Pleno IPAM; UFPA;
Parcerias cabeceiras do rio Bacajá
Incentivo à construção, especialista em prefeituras e Todos os
elaborada; Instituições e atores
recomposição de estabelecidas. enchimento e restauração de secretarias do projetos do
Memória das reuniões e dos setores público,
matas ciliares Áreas identificadas e conversas com operação. áreas meio ambiente PGTI,
privado e ONGs.
fora das TIs. georreferenciadas. instituições e atores degradadas, dos municípios PC.
Início: Anos 3 a 5. políticas públicas abrangidos;
locais, regionais e
e extensão rural sindicatos dos
nacionais.
proprietários
rurais.

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Atividade: Controle de incêndios


Responsáveis pelas ações Interface com
Equipe outros
Prazo/etapa do
Ações Metas Indicadores Público Alvo Técnica Programas
Empreendimento Parceiros
(empreen- e/ou Projetos
dedor) do PMX e PBA
Etapas de construção,
Projeto
Comunidades Comunidade indígena das enchimento e
Sensibilização e 12 Oficinas Planejamento
sensibilizadas e TIs Paquiçamba, Arara da operação. Profissional
estabelecimento realizadas. Territorial e
acordos comunitários VGX, Arara, Cachoeira Início: 1º e 2º pleno de cada
de acordos 6 acordos em Gestão
estabelecidos em 6 Seca e Trincheira Bacajá e semestre do Ano 2 e TI.
comunitários. andamento. Socioambiental
TIs. AI Juruna do Km 17. 2º semestre dos Anos Compartilhada
3 e 4.
Parcerias Instituições e empresas Etapas de construção, 1 consultor PrevFogo /
Parceria firmada com estabelecidas. especializadas. enchimento e Pleno IBAMA; Corpo
Formação de PrevFogo/ IBAMA ou 12 Oficinas Comunidade indígena das operação. especialista em de Todos os
brigadas empresa Guarany. realizadas. TIs Paquiçamba, Arara da conservação Bombeiros; projetos do
indígenas. Grupos de brigadistas Relatório de VGX, Arara, Cachoeira Início: 2º semestre do da natureza e FVPP; IPAM; PGTI.
formados em 6 TIs. evolução dos Seca e Trincheira Bacajá e Ano 2 e 1º e 2º combate de empresa
incêndios. AI Juruna do Km 17. semestre do Ano 3. incêndios. Guarany; ISA.

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6.4.3.6 Elementos de Custo

Elementos de custo
Atividade: Conservação de recursos naturais chave, prioritários ou estratégicos
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviços de terceiros Constru-ção
Civil
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 12 kits de material de apoio/limpeza – R$150,00x12
- 12 kits de material de escritório – R$300,00x12
- 12 kits de material de pesca – R$400,00x12
- alimentos das comunidades para 72 dias e 15 pessoas/dia
Identificação e seleção
- alimentos da cidade para 72 dias e 15 pessoas/dia
de espécies chave e
72 dias em área de um consultor Serviços de Terceiros:
prioritárias.
pleno especialista em diagnósticos - 66 diárias de pescador (na AI Juruna do Km 17 não tem rio piscoso)
participativos com comunidades - 72 diárias de cozinheira
Identificação e seleção
indígenas. Deslocamentos e Transportes:
de ambientes prioritários
Trecho aéreo: - 2 aéreo SP/Altamira/SP
e estratégicos.
Frete terrestre: - Altamira/AI Juruna do Km 17/Altamira
Trecho fluvial:
- 2 x Altamira/TI Paquiçamba/Arara da VGX/Altamira
2 x Altamira/TI Apyterewa/Altamira
2 x Altamira/Ti Cachoeira Seca/Xipaya/Altamira

271
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Elmentos de custo
Atividade: Restauração de áreas degradadas e matas ciliares
Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviços de terceiros Construção
Civil
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 12 kits de material de apoio/limpeza – R$150,00x12
- 12 kits de material de escritório – R$300,00x12
- 12 kits de material de pesca – R$400,00x12
- alimentos das comunidades para 144 dias e 15 pessoas/dia
144 dias em área de um - alimentos da cidade para 144 dias e 15 pessoas/dia
Identificação das
consultor Pleno especialista Serviços de Terceiros:
estratégias de
em restauração de áreas - 132 diárias de pescador
plantio, manejo e
degradadas e que tenha - 144 diárias de cozinheira
restauração
experiência com Deslocamentos e Transportes:
ambiental.
comunidades indígenas. Trecho aéreo: - 3 x SP/Altamira/SP
Frete terrestre: - Altamira – AI Juruna do Km 17
Trecho fluvial:
- Altamira – TIs Paquiçamba e Arara da VGX
- Altamira – TI Apyterewa
- Altamira – TIs Cachoeira Seca e Xipaya
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 12 kits de material de coleta de sementes que contenha pelo menos:
3 tesouras de poda, 3 facões (16” – 530mm), 1 podão de 9m, 3 mochilas de 40l, 3
EPIs (calçados, luvas, roupas), 3 peneiras, 2 lonas de 3mx3m, 5 tambores de 20l
216 dias em área (3 etapas próprios para armazenamento de sementes beneficiadas
de 72 dias cada) de um - 12 kits para produção de mudas que contenha pelo menos:
Coleta de material 1 caixa d‟água de 310l, 2 regadores, 3000 saquinhos de mudas de 1l, 4 baldes de 12l
consultor Pleno especialista
de propagação e - 1 kit de material de apoio/limpeza – R$150,00
em produção de sementes
produção de - 1 kit de material de pesca – R$400,00
e mudas e que tenha
mudas. - alimentos das comunidades para 216 dias e 10 pessoas/dia
experiência com
comunidades indígenas. - alimentos da cidade para 216 dias e 10 pessoas/dia
Serviços de Terceiros:
- 198 diárias de pescador
- 216 diárias de cozinheira

272
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Deslocamentos e Transportes:
Trecho aéreo: - 3 x SP/Altamira/SP
Trecho fluvial:
- 3 x Altamira – TIs Paquiçamba e Arara da VGX
- 3 x Altamira – TI Apyterewa
- 3 x Altamira – TIs Cachoeira Seca e Xipaya
Frete terrestre: - 3 x Altamira – AI Juruna do Km 17
Frete fluvial:
- 3 x Altamira – TIs Paquiçamba e Arara da VGX
- 3 x Altamira – TI Apyterewa
- 3 x Altamira – TIs Cachoeira Seca e Xipaya
Materiais de Consumo e Equipamentos:
Obs.: Utilizar equipamentos da ação anterior
- alimentos das comunidades para 40 dias e 8 pessoas/dia
- alimentos da cidade para 40 dias e 8 pessoas/dia
60 dias em área de um
Serviços de Terceiros:
consultor pleno especialista
Salvamento e - 60 diárias de pescador
em produção de
aproveitamento da - 60 diárias de cozinheira
sementes/mudas e que
flora ameaçada. Deslocamentos e Transportes:
tenha experiência com
comunidades indígenas. Trecho aéreo: - SP/Altamira/SP
Trecho fluvial:
- Altamira – TIs Paquiçamba, Arara da VGX e Trincheira Bacajá
2 x TIs Paquiçamba, Arara da VGX e Trincheira Bacajá – áreas a serem desmatadas
para os canteiros de obras, canais de derivação e áreas de alagamento da barragem.

273
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Atividade: Restauração de áreas degradadas e matas ciliares (cont)


Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviços de terceiros Construção
Civil
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 12 kits de material para preparo de áreas e implantação dos modelos de
restauração que contenha pelo menos:
10 enxadas, 5 cavadeiras, 5 enxadetes, 10 facões de 20” (630mm), 5 foices, 10
limas chata, 2 machados, 10 EPIs (calçados, luvas, roupas)
- 3 motosserras de pequeno porte para corte de galhos e pequenas árvores, 3
limas de motosserra, 3 correntes para motosserra, 30l de combustível (gasolina e
óleo dois tempos) – Obs.: este material ficará sob responsabilidade do
coordenador do projeto, para uso durante as operações de preparo, implantação
216 dias em área (3 etapas de e manejo das áreas.
Preparo das áreas e 72 dias cada) de um consultor - 1 kit de material de apoio/limpeza – R$150,00
implantação dos Pleno especialista em - 1 kit de material de pesca – R$400,00
modelos de restauração de áreas - alimentos das comunidades para 216 dias e 15 pessoas por dia
restauração degradadas e que tenha - alimentos da cidade para 216 dias e 15 pessoas/dia
ambiental. experiência com comunidades Serviços de Terceiros:
indígenas. - 198 diárias de pescador
- 216 diárias de cozinheira
Deslocamentos e Transportes:
Trecho aéreo: - 3 x SP/Altamira/SP
Trecho fluvial:
- 3 x Altamira – TIs Paquiçamba e Arara da VGX
- 3 x Altamira – TI Apyterewa
- 3 x Altamira – TIs Cachoeira Seca e Xipaya
Frete terrestre:
- 3 x Altamira – AI Juruna do Km 17
Materiais de Consumo e Equipamentos:
216 dias em área (3 etapas de
Obs.: Utilizar equipamentos da ação anterior
72 dias cada) de um consultor
- 12 kits de material de apoio/limpeza – R$150,00x12
Manejo sustentável Pleno especialista em
- 12 kits de material de pesca – R$400,00x12
das áreas restauração de áreas
- alimentos das comunidades para 216 dias e 15 pessoas/dia
restauradas. degradadas e que tenha
- alimentos da cidade para 216 dias e 15 pessoas/dia
experiência com comunidades
indígenas.

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Serviços de Terceiros:
- 198 diárias de pescador
- 216 diárias de cozinheira
Deslocamentos e Transportes:
Trecho aéreo: - 3 x SP/Altamira/SP
Trecho fluvial:
- 3 x Altamira – TIs Paquiçamba e Arara da VGX
- 3 x Altamira – TI Apyterewa
- 3 x Altamira – TIs Cachoeira Seca e Xipaya
Frete terrestre:
- 3 x Altamira – AI Juruna do Km 17
180 dias (3 etapas na região
Incentivo à Deslocamentos e Transportes:
do entorno das TIs) de um
recomposição de Trecho aéreo: - 3 x SP/Altamira/SP
consultor Pleno especialista
matas ciliares fora Frete terrestre:
em restauração de áreas
das TIs. - 3 x 4.000km
degradadas e extensão rural.

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Atividade: Controle de incêndios


Ação Recursos humanos Recursos Materiais/Serviços de terceiros Construção
Civil
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- alimentos das comunidades para 60 dias e 30 pessoas/dia
Sensibilização e
Profissional de referência de cada - alimentos da cidade para 60 dias e 30 pessoas/dia
estabelecimento de acordos
comunidade. Serviços de Terceiros:
comunitários.
- 60 diárias de pescador (2 pescadores)
- 60 diárias de cozinheira (2 cozinheiras)
Materiais de Consumo e Equipamentos:
- 15 kits de material de apoio/limpeza – R$150,00x15
- 15 kits de material de pesca – R$400,00x15
- alimentos das comunidades para 150 dias e 10 pessoas/dia
- alimentos da cidade para 150 dias e 10 pessoas/dia
Serviços de Terceiros:
150 dias em área (4 etapas) de um
- 150 diárias de pescador
Formação de brigadas consultor pleno especialista em
- 150 diárias de cozinheira
indígenas. conservação da natureza e combate
Deslocamentos e Transportes:
de incêndios.
Trecho aéreo: - 4 aéreos SP/Altamira/SP
Trecho fluvial:
- 2 x Altamira – TIs Paquiçamba e Arara da VGX
- 2 x Altamira – TI Apyterewa
- 2 x Altamira – TIs Arara, Cachoeira Seca
- 2 x Altamira – TI Trincheira Bacajá

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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6.4.3.7 Cronograma

As atividades foram planejadas para serem executadas a partir do 2º semestre do 1º ano de implementação do PMX (Ano 1), com intensificação
a partir do 1º semestre do 3º ano, para não sobrecarregar as comunidades indígenas na fase inicial de 0-2 anos.

As atividades de restauração de áreas degradadas e matas ciliares e controle de incêndios deverão ser estendidas por toda a fase de operação
da UHE BM. O calendário sazonal indígena (social, cultural e ambiental) deve ser rigorosamente respeitado.

Segue o cronograma de execução.

Projeto Conservação Territorial


Ano/Semestre
Atividades e ações Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano XX
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
Conservação de recursos naturais chave, prioritários ou estratégicos
Identificação e seleção de espécies chave e prioritárias
Identificação e seleção de ambientes prioritários e estratégicos
Restauração de áreas degradadas e de matas ciliares
Identificação das estratégias de plantio, manejo e restauração ambiental
Coleta de material de propagação e produção de mudas
Salvamento e aproveitamento da flora ameaçada
Preparo das áreas e implantação dos modelos de restauração ambiental
Manejo sustentável das áreas restauradas
Incentivo à recomposição de matas ciliares fora das TIs
Controle de incêndios
Sensibilização e estabelecimento de acordos comunitários
Formação de brigadas indígenas

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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6.5. Responsáveis Técnicos pela Elaboração

Juliana de Paula Silva


Geógrafa, Mestre em Geografia Física

Lauro Rodrigues Nogueira Junior


Engenheiro Agrônomo, Mestre em Ciências Florestais, Doutor em Recursos Florestais

Mario Braga de Góes Vasconcellos


Cientista Social, Pós Graduando em Gestão Ambiental

Marcus Vinicius Chamon Schmidt


Engenheiro Florestal, Mestre em Ciências da Engenharia Ambiental

Renata Barros Marcondes de Faria


Bióloga, Mestre em Ciências Ambientais

Sara Cristófaro
Pedagoga, Mestre em Serviço Social

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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7. PROGRAMA DE EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

7.1. Introdução

A educação escolar indígena, como é atualmente entendida no Brasil, passou a ser prioridade
das ações indigenistas principalmente a partir dos anos 80, quando as escolas indígenas
começam a ser estruturadas com outros objetivos, que não os de civilizar e/ou catequizar tais
comunidades.

Nos anos 90, após a Constituição Federal de 1988 (CF), que garantiu aos povos indígenas a
possibilidade de que as escolas indígenas pudessem utilizar processos próprios de
aprendizagem e suas línguas maternas, muitas organizações governamentais e não
governamentais esboçaram e trabalharam para aprovar uma legislação voltada à
implementação de escolas indígenas específicas e diferenciadas. Assim, começaram a surgir
inúmeras experiências em educação escolar indígena buscando implementar uma relação de
respeito às organizações sócio-políticas e econômicas dos povos indígenas, preconizada então
na CF. Essas experiências alternativas, porém, não conseguiram se firmar como políticas
públicas e, cada vez mais, as escolas indígenas passaram a ser escolas públicas comuns,
sejam estas municipais ou estaduais. Assim, em geral, estas escolas, situadas em TIs, vão até
4ª série, ou 5º ano, ou seja, têm somente a primeira parte do ensino Fundamental e funcionam
de maneira muito parecida com as escolas dos não indígenas.

Situação atual da educação escolar na região de Altamira

A educação escolar indígena na região caracteriza-se, como no restante do país, pela oferta do
ensino Fundamental pelos municípios, e o ensino Médio pela Secretaria de Educação do
Estado do Pará (SEDUC-PA), através da Coordenadoria de Educação Indígena. A
municipalização das escolas indígenas de ensino Fundamental dessa região teve início em
2002. Durante este processo, por questões históricas locais, quase todas as escolas indígenas
da região (ao todo 16) ficaram sob jurisdição do município de Altamira; e apenas 2 escolas
estão sob jurisdição dos demais municípios - Vitória do Xingu e Senador José Porfírio.

Na Secretaria Municipal de Educação de Altamira (SEMEC) existe uma Coordenadoria de


Educação Indígena (CEI), responsável pela implementação das políticas de educação indígena
nas 16 escolas da primeira fase do ensino Fundamental. Os alunos que completam os anos
iniciais do ensino Fundamental e que quiserem seguir os estudos, possuem apenas 2 opções:
refazer o último ano para não deixar a escola ou ir para a cidade a fim de completar os
estudos. Não existem ainda professores indígenas formados, sendo que estes estão em
formação através de um curso que está sendo realizado pela SEDUC-PA em parceria com a

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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UFPA (Universidade Federal do Pará). Na opinião dos responsáveis pela coordenação de


educação indígena existe uma necessidade urgente de formar os professores indígenas para
que comecem a implementar as políticas de educação escolar específicas.

Os professores dessas 18 escolas são não indígenas, concursados ou contratados pela


SEMEC. São responsáveis pela distribuição do material escolar e didático, pela manutenção
do espaço físico da escola, assim como da merenda oferecida. Em escolas com mais de 25
alunos, existe um monitor que auxilia o professor em suas tarefas.

O material didático das escolas são os mesmos das escolas não indígenas, com exceção
apenas das escolas Xikrin e Kararaô, que têm algum material bilíngüe, provavelmente
elaborado por missionários evangélicos que trabalham em colaboração com a SEMEC. Para
suprir a necessidade de oferecimento das séries finais do ensino Fundamental, a SEMEC
planeja implantar, a partir deste ano de 2011, o ensino modular, com um calendário escolar
diferenciado por etapas letivas. Além desta iniciativa, em 2009, foram criadas turmas de
Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 6 das escolas indígenas (algumas com atividades no
período noturno e outras no período diurno). O mesmo professor é designado para o ensino
para as turmas regulares e do EJA e, a partir dos 14 anos, os alunos podem freqüentar este
curso, sendo que a alfabetização leva 2 anos e faz parte do Programa Brasil Alfabetizado. O
EJA é composto de 4 etapas, com a duração de 1 ano cada uma. Os alunos da região
concluíram, até o momento, apenas a primeira etapa.

É importante ressaltar que a SEMEC atende exclusivamente as escolas das TIs. Desta
maneira, os índios de Altamira buscam as escolas da cidade e os diretores destas levam o
problema para a CEI/SEMEC.

A SEMEC desenvolve um planejamento de avaliação e acompanhamento do ensino nas


aldeias, o qual se dá através de visitas pedagógicas às escolas, através das 3 rotas (rios Iriri,
Bacajá e Xingu). A CEI tem como meta realizar mensalmente tais visitas, mas não as cumpre
devido a dificuldades em relação ao transporte.

O ensino Médio, como se afirmou anteriormente, é de responsabilidade da SEDUC-PA,


representada na região pela 10ª Unidade Regional de Educação (URE), em Altamira.

Na região ainda não existe o ensino Médio indígena regular, mas apenas o curso do magistério
indígena, que teve início em 2009 e é realizado por etapas, sendo que os alunos já concluíram
a etapa de nivelamento do ensino Fundamental e são ao todo, 133 alunos, que se dividem em
4 grupos, de acordo com suas etnias. Os alunos irão cursar o 1º ano do ensino Médio na
próxima etapa, prevista para 2011, com uma duração de 15 dias.

Os maiores problemas relatados pela SEMEC em relação à educação indígena foram a


necessidade de uma equipe de profissionais que possam elaborar materiais didáticos

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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diferenciados, assim como a necessidade de transporte permanente para que as visitas


pedagógicas possam ser realizadas visando a avaliação e também possíveis intervenções
durante o ano letivo.

A infraestrutura das escolas também foi mencionada como um problema a ser resolvido com
urgência, sendo que há uma lista elaborada pelos professores de cada escola, elencando a
necessidade de reparos nas construções. Por fim, a alimentação é também objeto de
preocupação. Além destes problemas específicos da região,verifica-se uma questão comum
ao quadro da educação indígena no Brasil referente ao calendário. São problemas que advêm
desta questão quanto às relações administrativas entre as escolas e as secretarias, além de
motivar tensões nas comunidades, pois não há respeito às atividades e especificidades de
cada povo indígena.

Estas são informações relacionadas às escolas atendidas por Altamira. Além destas, há 2
escolas com estudantes indígenas sob responsabilidade de outros municípios, sendo uma na
AI Juruna do Km 17, administrada pelo município de Vitória do Xingu, que atualmente
encontra-se fechada, sendo seus alunos transportados diariamente para uma escola rural no
ramal 20; não há qualquer atendimento diferenciado a estes alunos e sequer o reconhecimento
de que são alunos indígenas. A segunda é a escola da TI Arara da VGX, administrada pelo
município de Senador José Porfírio e criada para atender aos moradores ribeirinhos da região;
trata-se de uma escola agrícola e desse modo, também não segue orientação de educação
diferenciada indígena. É importante ressaltar que há a expectativa, de parte das comunidades
indígenas que não são atendidas pela cidade de Altamira, de passarem para a jurisdição desta,
almejando o reconhecimento como indígenas e o atendimento diferenciado às suas populações
na área de educação.

A Tabela 12, apresentada a seguir, descreve a situação das escolas indígenas da região do
Médio Rio Xingu.

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PBA DO COMPONENTE INDÍGENA DA UHE BELO MONTE- PROGRAMA MÉDIO XINGU
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Tabela 12: Situação das escolas indígenas do Médio Rio Xingu


número alunos no
de magistéri
população/ número de Construção professo o se sim,
Terra Indígena município "rota" povos aldeias escolas situação do prédio? 2010*