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SÉ OE.. SOCI-"L:ESCOL "- NACIO~Ai.. OE E~Gl::V'"'At».«

CURSO DE PROJETO E EXECUÇÃO DE BARRAGENS DE CONCRETO

UNIDADE I

DURA3ILIDADE DOS CONCRETOS


Permeabilidade
Corrosão . EletrolÍtic~

EXPOSITOR: Prof. Francisco de A~sis BasÍlio


Presidente do Co~selho Técnico d~
Associação Brasile ira de Cir.snto
Port.l a•d

Trabalho apresentado por ocasião das


XIV jornadas Sul- Americanas de Enee-
rih aria Estrutural e IV SimpÓsio Pan ~
• -Americano de '
Es tru·tura s •
' Buenos Ait~s , 26 - 31/1 0/1970 .

Rep rodução de Publicação da As socia-


ção Bras ileira .de Cimen-t o ?ortlu.nd.

COORDENADOR: PROF. FLAVIO ?HGUEZ DE MELLO DA .ESCOLA


DE .ENGEi·mARIA DA UFRJ
. e LUIZ CJ}RLOS
DO S SAlffOS, j)A E!"~GERI'O
'INTRODUÇÃO

A durabilidade das construções de concreto é fator difícil de ser


·avaliado e normalmente não é considerado com precisão. . É comum,
quando muito, pensar que a construção tem du ração ilimitada.

Ora, são Jlluilas as construções, por exemplo, de edifícios, cuja


vida úti l não passa de 20 a 30 anos, findos os quais são destruídas
para dar lugar a novas construções, embora pudessem ser uti liz.adas
por tempo maior.

Por outro lado, existem obras como barragens, llincis, portos de


mar, que devem durar normalmente niais de um século.

Os engenhl'iros projctistas, construtores e tccnologistas, respon-


sáveis pela obra, nem sempre se p reocupam objcti va mente pela ava-
liação, mesmo aproxili1ada, do tempo em que a . ohra vai prestar ser-
viço, mas, em muitos casos, interessam-se cm conhecer as 'causas que
podem reduzir a vida útil das ob r<~s c os meios de C\'Ítar a sua inutili-
zação prematura.

São muitíssimas as causas que podem contribuir ·rara a d iminui-


\'50 da vida ú!il das couslruções, porém, como se ver.i adi:llltc, se se
der atênção à permL•;tiJilidadc c à corrosão clclroli ticà, tl'r-se-á escla-
recido muito dlJ que pode ocqrrer l:m relação à destruição do concreto
c as precauções a s~: rem tomadas.
·----- --- ·- --. -... -·· -- -- -- - --·

SINOPSE

A durabilidade de est ruturas de concre to su


jeitas ~ açio de ~ E uas aer~ssivas normais , ou
seja , a ácua do mar e de subs olo , depen de de
mui tos fatô re..; de maior ou menor i mportân cia.

O autor· passa em rçvista alr;uns .dos f atôres


mais im;>ortantes e se det é m no exu. ne da perme-
abi lidade dos concretos e do mecanisn1o da cor-
rosão eletrolÍt ica das armaduras do concre to
armado · ou -prot.: nd i d o . Desenvo lve ) parale la me ~

te , considDra ç ões tecnolÓ~icas necessárias à


~edaç~o de especific açõe s para a doGa~em dos
concretos e pr·ecau~] Õ es a S•: !rem tor:~adas ,
CAPíTULO I
CONSIDERAÇõES GERAIS

A durabilidade dos -concretos comuns, execu- a quantidade de água que pode penetrar no inte-
tados em estruturas razoàvelmentc protegidas e rior do concreto é bastante gr:111dc, pois o coefi-
não sujeitas a águas agressivas normais, não cau- ciente de permeabilidade fica abaixo de I x J0- 1 •
sam preocupação. 2 . 1 . I Águas agressivas - A água, pene-
Por outro lado, há muitos agentes agressivos trando no concrdo permeável, pode reagir com
que podem produzir a deterioração rápida do con- produtos da hidratação do cimento; cm alguns ca-
creto, que nessl'S casos deve ser devidamente pro- sos, de modo desfavorável. Seguem considerações
tegido (1), <=>. sôbre alguns dêsses casos:
Os problemas de durabilidade do concreto
merecem um exame cm profundidade, tendo em vis- â~uas com sulfato de sódio e magnésio - O
ta assegurar o màxin1o de durabilidade, no caso sulfato de sódio reage do seguinte modo:
de estruturas ck concreto sujeitas ils Itguas agres-
sivas normais, como sejam a .:ígua do mar, as a) em primeiro luga r tem-se uma rcação
águas de subsolo, certos tipos de esgotos, etc. envolvendo o Na~ SO, c o Ca(OH): pro-
As obras de concreto armado ou protendido·, veniente da hidratação do cimento port-
land: (a1'· :~a)
sem sofrer acithmtcs, podem apresentar-se:
com fissuras - de luz normalmente inferior Ca (OH)~ + Na:SO •. IOH ~ O ~
a 0,3 mm, proveniente de efeitos de rctração
e de tensões induzidas da armadura. ~ Ca SO• . 2H:O + 2Na(OH)
sem fissuras. b) O sulfato de cálcio formado vai então
reagir com o aluminato hidratado da
seguinte forma:
1. Peças de concreto com fissuras
C3A. t2H~O + 3(CaSO•. 2H~O) +
As peças de concreto com fissuras provenien-
tes de tensões induzidas da armadura decorrem + 13H~O -; C3 A.3CaS0,.31H 2 0
<lc questões ligadas ao cálculo estrutural, que fo-
gem ao objetivo do presente trabalho. dando origem ao sulfo-alurninato de cál-
Quanto às fissu ras provenie ntes dos efeitos de cio hidratado com 31 mol0culas de água
rctraçiio, serão examinadas no capítulo 11. (sal de Candlot), ou seja, com enorme
aumento de volume.

2. Peças de concreto sem fissuras O sulfato de magnésio reage como a seguir:

O concre to, neste caso, apresenta-se com boa a) em primeiro lugar o sulfato de magnésio
homogencidat.le c adcnsamcnto, e as situações que reage com sílica tos hidratados
se podem apresentar com mais freqüênci a, quanto
à ação de águas agressivas, são as seguintes: C3S2. aq + MgSO ~. 7 H20 -~ CaSO.•.
2Hz0 + Mg(OH)2 + Si02.aq.
2. I Peças executadas de concreto permeável
b) O su lfato de cálcio hidratado formado
São peças como, J)Or <'xemplo, sapa tas de fun- reage com o alu minato do cimento, do
dação, certos muros de arrimo, etc., executadas mesmo modo já assinalado acima, dando
de concrct9 com fator a/c > 0,65. Nesse caso, origem ao sal de Candlot.

-3-
Verifica-se, pois, que, quando se pode temer Essa modalidade de ação química dá origem
a for111aç;io dest~l de Candlot, cm concretos pcr- a es truturas ele concreto armado, cuja armadura,
tncávcis, deve-se uti lizar, na fabricação desses con- no fim de prazo mais ou menos longo, desaparece,
cretos, um cimento portland de reduzido leor de ficando o vazio com a sua forma. Tal situação ocor-
a luminatos; são os ci nmntos portla nd ditos resis- reu cm ponte que existiu na Av. Delfim Moreira,
tentes ou de mode rada resistência aos sulfatos, c perto elo j ardim de Alah, no Rio de janeiro.
. .
que estão cspcci ficados nos Estados U nidos
(ASTM C- 150/68 - Tipos 11 e V) c em muitos Convém assinalar, dentro dessa mesma linha
países da Europa. de cor,lsitlcrações, que a ferrugem que possa
existi r inicialmente nas armaduras desapare-
As condições para a formação do sal de Can- ce, uma vez scj<t colocado o concreto. Com
<llot não são frcqliente mcntc t>ncont radas cm nos- cfci to, a hidratação do concreto dá origem a
so País c p;u-ccc não haver exemplo concludente um meio fork mcnle alcalino com pl-1 > 12,0,
de obr.1 nwri titn :t, no Brasil, onde se tenha verifi- devido à lihcr:tçãtl de c.11 por hidratação elo
c:-tdn 1.11 ocorrência. cimento portland, c processa-se então ,, se-.
guíntc rcaçiio química:
2. 1 . 2 Oxidnçiin dn nrmndum - As peças
de concrctc> pcrmeftvcl, quando pc)Ssucm arm.:ldt tra,
prolcndida pu não, podem sofrer oxidaç.'io, o que
!'>c d;'t scgun<.lo a rcaçã9: · d:11tdo orige m ao ferrito de c:Hcío, pú branco l'S-
táve l.
2. I . 3 Dissolttçtín da rol - Os concretos
pLTnH.::'tvcis, quatHitl sujcilns a cntr:tda c saída de
Fe( Ofl) ~ é o hidróxido férrico ou ferrugem. ;'t gua, cm vol utnc aprcci;ivc.:l, estão suje itos a per-
der up1 .1 parte d.1 ca l proveniente da hid r:ttaç;i.,, du
Para que a rca.,:ão se processe é preciso, pois, cimento, que é Jc v:~da dissolvida n:t água que sa i
a prl·sc nç.1 simultânea de itgu:t c oxig-ênio. A ar- elo concreto. Essa s ilu:~ ç.'io pode •>Corrl'r na zona
madura, estando protegida por certa c~pcssura de de inflt1t:ncia de ma rés cm obras marit im.1s, cnt
rnncrcto, não está cm conta to com o <tr ( oxigênio) n.'Sl'rvatórios d'ftgu<t, muros <ll' -arrimo (com len-
c, <tssim. o oxigênio, c:tpaz ele ent r:tr cm cont<tto çol d'água clcv:tdo), etc.
COIII a él rllt:tdura C ataCá- la, l' 0 que poderia p~ nC­
trar no concreto, a preendido pela água cm q ue a Os efeitos dessa d issolução s:io vários; mas
l·strulur:t estiv~sse mergulhada. A água, em boas têm importância sobretudo os ~~gu111tcs:
cc~ndiçõcs de acraçiio, pode apreende'r cêrca d~
O,G I tk oxigénio por I 00 I de flgua. Considerando :t) a cal r~ mov ida dá origem a 11111 aumento no
qttc I g de krro ncccssita.0,43 g de oxigénio par;, volume <.lc vazios do concreh>, o qu~' acarreta
nxitlar-sc, srguc~sc que são nccess;irios cêrca de aumento da permeabilidade (aceleração do
50 I de ilguá, ci rculando cm conlato com o ferro, processo com o ttmpo) e diminuição da resis-
p:tra produzir a oxid.1ção de I g de ferro, ou seja, tência à compressão;
de.: um prisma de I cm~ de superfície e 1,39 mm de
espessura, c isto sob a protcção de 2 cm, 3 cm ou · h) diminuição de potencial alcalino, com uma rc -
S cm de concreto . Quan to tempo será necessário
(!ução crescente do pH, o que traz co n ~cq ii ên­
para que, por cc ntí metro quadrado, penet rem 50 cías rrcjudiciaís quanto à resistência .·a ação
litros d~ água renovada, de modo a carrear o oxi..,_ cletrolítica, como será visto no Cat)itulo I II.
gênio ncccssítrio à oxidação da armadura?
Mesmo nos concretos permeáveis com o coe- 2.2 P eças executadas de concreto imperme.ável
tic:ic.:nte de pcnneabilidadc I X tO-•, o tempo se-
.-i:l d:1 ordem de J'OO a 150 anos, em zonas de in- Neste caso .(fator a/c < 0,5) a água, agres-
siva ou não, penetra apenas 0,5 a I cm de profun-.
fluência de ·mar(•s, cm que pode ocorrer um pe- didade no concreto, dependendo da pressão e da
(jllcno gradiente hiddulico que possa assegurar a nat ureza do concreto.
circulação da água. Em outras regiões é pràti-
Em virtude da não penetração de água nos
ca mcnte impossível a oxidação. Se o concreto fôr · concretos convenientemente dosados, todos os efei-
impermeável, nem cm zonas de influência de marés tos de ág uas agressivas citados anteriormente são
a oxidação pode ocorrer nor!Jtalmentc. evitados, localizando-se tais efeitos apenas . nos
É. preciso não confundir com outro fenômeno poucos mi limetros superficiais, porém num con-
que pode ocorrer. Com efeito, a ferrugem pode so- creto cujo fluxo de água é rcduzidissimo. Entre-
frer uma redução, de acôrdo com a seguinte equa- ta nto, o exame das causas que influem na permea-
ção<• "· 1 ~) : Fe(OH)a + l /2Hz ~ · Fc (OH) 2 + bilidade dos concretos é tarefa bastante CO!llplexa
e será abordada em outro capitulo. '
HzO. dando origem ao hidróxido ferroso, inco-
lor e fracamente st~lúvcl. O hidrogénio ai presen-
te ()ecorre, entretanto, de ação eletrolítica, que 2. 3 Ação eletrolítica - Peças de concreto
será examinada mais adiante; sujeitas à ação ·ác águas portadoras de íoils CJ, .3

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ou out ros, con forme as condições. de cxpo5ição, mente cnmo tendo sofrido a ação de sulfatos com
pudem ficar sujeitas à formação de regiões, com a fo rmação cll' sa l de Cand lot.
apreciável concentração daqueles íons. O caminho normal para icll'nt ificaçiio da ver-
Essas regiões passam a funcionar como semi- dadei ra causa, isto é, SI:! houve ou não formação
pilhas c a apresentar, com o tempo, uma fôrça ele- ele sal de Candlot. seria a realização de ensaios
Iro-motriz, que pode atingir alguns volts (positi- qnc comprovassem ou não a presença de cristais
vos ou negativos) c, dependendo da naturt•za do de sulfo-aluminato de cálcio hidratado no concreto
concreto, pode dar origem a u111a corrl:'ntc clétrica que descolou.
que, em presença de um clctrnlito, normahnent<.> Cl , e sse ensaio, cntrl•tanto, não é fácil de ser fei-
pode decompor a água. to c, até bem pouco tempo, só por meios da ctifra-
No cátodo, em conta to com a sulução, pro- ção ele Raios X é que se poderin ter uma indicação;
cessa-se, em condi~·C:h:s favorávl'is .. a Sl'guintc rta- a tualmcntc, com a . microscopia por reflexão, cm
ção: · .1111ostras devid.1mcnte polidas, é possível essa idl'n-
tificação.
Em nntitas 11hras marítim.1s, cuidadosanten-
As hiclróxilas formadas reagem com o fc+ ++ ; tc inspecionadas llL'Sies últimos :.?0 anos cm nosso
ol'orrt•ndo nova rcação: Pa is, encontrou-se cvídên('ia de ação l'il'troliti('a
co mo causa principal de detcriora<;ão.
f c+ ++ + 3(0 H) ~ Fc(OH):.
(~nodo) (cátodo}
CONCLUSÃO
O fe rro é então removido elas zonas anód icas ·Em face elo exposto, verifica-se que as prin-
( portanto, por corrosão) c ckpositado nos cátodos
cipais prcocup:tçõcs elos tccnolor~ isr:ts do concreto
soh a fo rm.1 dl' fe rrugem, com for te aumento de
c dos cngcnhcims projctistas, quanto aos meios a
volu me.
serem empregados, de modo a assc~urar a dura-
A fcrnt~l'll l , ttl'SSe caso, forma-se a p<Htir da bilidade ncccss;í ria das estruturas dt• conc rdl) ar-
hidróxila, mas não decorre de oxidação, o que dá lll<tdo ou protcnclido, se situam principé1 1111Ciltt• Clll
margtnl a certa con fusão l'nlrc técnicos na aprc- rela\·ão a
('iação do fcni\nli.'no.
A forma~·iw d~: fl·rntg('lll dl·vida à ação cle- permeabilidade do concreto
trolítica pode dar, como cons~·qii~ncia, a ruptur.1 corrosão clctro lí tica
d11 concreto, ficMtclo as armaduras expostas.

O concreto que sl' solta, dcvidt) à causa aci- esses dois assuntos serão tratados a seguir,
ma apontada, é muitas v0zt·s con s idcr:~do t•rrada- l'lll 111aior dctalltl·.

-5 -
'-b
\..,

"
CA Pí TULO II
PJl~RMEABI LIDADE DO CONCRETO

lNTRODUÇÃO lo adiante, de modo mais completo, para efeit o


de, finalmente, se fixarem as especificações para
Em obras de concreto de certa responsabili- execução mais rconômica c garantida.
dade :wjcitt~ s à ação de tl~ ua soh pressão ou á~ u as
agressivas, o conneto deve ser dosado de modo .z z, '
'
a tornar-se o mais impermeável possível, pois o ao, .
mccanis111o de agressão ao concreto <6 > ou às <tr- I.
li . .
maduras de concreto annado ou protendido <•> de-
pende d<1 penetração da água, agressiva 011 não, "· .
•1té, pelo menos, ce rta profundidade.
~ o/_c =0.80
A durabilidade dessas obras depende da exe- '
" lf ·

cução de um concreto com as características de im-


pt> rmeabilidadc convenientes, além de obediência
às normas construtivas, com o recobrimento ele ar-
maduras, correto adcnsamento e perfeita cura. São
nunu!rosos os trabalhos publicados que tratam
dessa questão, dentre os quais existe um Bolet im
Informativo da Associação Brasileira de Cimento
J>ortlaml, sob o título "Conl'rl.'lns lmpenne:1veis",
de f ácil consulta. o.
••
rOAOf DO C.:llff'O DC PAOVA 11/IJ t \ léi O 0 0 CN5410, CM OIAS
..
Nesse boi<:t im se reproduz o resul tado de pl's-
t •IJ:. I
quis:ts que mostr:~ m como a prrmeabilidadc varia
com o fa tnr a/c dos concrl'los. Na fig. I vl'-st·
qul' ,i n1edid:1 que se diminui o fator ajc, a pt• r- I. Permeabilidade dos concretoa
mc<thil idade também decresce, de modo a cvidt•n-
ciar que nas conctiçõcs elo ensaio (pressão hirlros- i\ pl'rmeah ilidadc de urn concreto pode ser
t:ítica dt' 14 kg/cm', corpo de prov.1 cilíndrico ck <lprt·cíacla pelo l'X<unc da " estrut ura" do conrreto,
0 15 cm X 2.5 cm) pr;itit·allll'lllc t\ pernw:~hili ­ tltlt' (• constitui dn de agregado - pedra c ttrl'ia -
<ladt· 1: nu la par.1 ll lll f;~tn r a. jc < 0,50. v que, l·o1110 se s:thc, são materiais pétrcos de alta
rl'sistência c dt· alia impermeabilidade. Porém,
,\ questão apresentada da forma acima pa- .1h~m do agregado, cxiste ainda a pasta de cimen-
rece bastante sin1ples e, como já f oi assinalado, to, ou scj<t, ci llll'll to c água . A permeabilidade
para obras comuns, nem semp re é necessário exa- tk um concreto se faz normalmente através:
minar em maiores detalhes os problemas relacio-
nados com a permeabilidade dos concretos. da pasta própriamente dita
Em obras especiais, porém, como grandes da rl'gião de conta to en tre a pasta c o a g rc-
barragens de concreto ou grandes estruturas que ~a d o.
envolvam despesas vultosas e que, como conse-
qiiencia, devam ter sua vida útil normalmen tt• Então, se se quiser examinar em detalhe co-
prevista para muitos decênios, cada característi- é que se consegue fazer um concreto bastante
lllll
ca elo concreto deve ser examinada, como ser:l vis- impermeável, tlcvc-se analisar o comportamento
das pastas de cimento sob a ação da água e, so-
Confe•·~n·· la pt·onuncladu no :Sindi cuto dos EngennclrO~
bretudo, das argamassas, no que diz respeito ao
,. Arqultl'lns do F.stn!lo da Gunnnbnrn. em 20 de ngOsl o di' contato entre o agregado graúdo c a argamassa
1970. ou entre o agregado c a p<tsta.

- 7-
'

C r f'ecln1ento dn t.•riN:tn f~ d<~ eiU.,ntu d•• c•l• ldu h iclru t u nn Hlf (H~rfi ­
ri o d <• u n1 l:'r :-.o d•· c inwn l u ( X li.r,no u ri!;'innll.

l. . Pasta de cimento Dur alllL' mui t•> tempo, imagi n ou-::;~: que a
L'sl rutura d.1 pasta fi1SSc consti t u ída dt: lllicru-
l.I Estr utura da pasta hidratada - cr ist<tis (Fig. 2) " '' 1' · .-.,.. J , de dimensões suhmi-
cruscúp i c<~s, l~ de um gd envolvendo essn fase cris-
O têrmo "pasta frL•sra" design;r .1 rnistur;t l.1 lina. E:siL' gel er a considerad o cnnto scndn
lk L'Íil trnl tl c água ; o voh u11e de "pasta fresca" (· r o n::; liluíd• l de 11111 lltalcrial amorft l u •·· m>. En-
igual no volullH' absoluto do cina.:n to (igual ao tn· t~ n lo , 1wsq uisas. rdat ivame11 tc r-cccnh:s mos-
pl>so vl\zcs o volume L'spccí fico) mais o volume tril r.1111 q ue o gel l<tllrbbu (.· substância crista li-
de água da pasta. " Pasta endurecida" é um só- n.1. constituindo, pois, 11111 llll'ÍO descontínuo.
lido poroso composto de cimen to hidra tado, ci-
mento anidro c poros. Os poro s, q ue se r<io l'OII - I >cvido ;r êsSL' cor ICei lo ruais moderno da
sidcrados, são os espa«iOS que podem SL'r ocupa- co nst ituição da pasta , co nstat a- se 1'11 Uio que a
dos por água (quando um espécime está sêcn, l'lc past.1 possui descontinuidades microscúpica::;, 01 1
pode absorver uma qua ntidade de água igual :1 sej a. poros ou canétl k ulos por onde pode p assar
!'lo ~·.;. , mais ou menos, do Sl'll própr io volume). a {rgua c o gel com descon tinuidadL'S s uhmicros-
Então, define-se como porosidade da pasta o cs- cúpic<ts, isto é, poros ou canaliculos exis tentes
pa~·o. para a flg ua L'Va por ávcl , nda COnt ido. den tro ela própria estrutura do gel. ( Tims tll ese nre
As pastas de cimL·nfo têm, cm vol uiiiL', .1s /lu· tw o r/asses of pores i11 llardcllecl paste: gd
porn:ntagens de água, cm cond ições non11<tis, J'orrs and copiflnry pores < ~ r .~>) - Fig. 3.
confom te Q uadro I. O L'St udo da estr utura íntima de urna paslil
l oi objcto de pesqu isas muito rxh.:nsas le vadas
Q UA URO I Co m p os i<;>\o da pn,;(u fr(~sca .1 l'ÍL·ito, entre out ros, por T. C. Powcrs, c, entre
ns tr<thalltos 111ais sérios sôhrc o assu nto, cncon-
!-'ato•· a / c % água tr am- SL' os en fe i xados nuru.1 pesquisa mais longa.
<'111 pêso t'l11 \ 'Oi umc puhlirad.'l pl'ia Por tl<trtd Cement Associ:t tion <">.

0,25 44 O GEL
0.30 4R,!>
0,1 0 55.5 - t\ p <HIL' :;<)lida do gel deve ser consti tuí-
0,50 62 dJ , l'lll gra ndc par h:, por um si l i ca to da cons-
0,60 65,2
0,70 (i8,5 t i t ui~·f't o apwximada <h>:{ Ca0.2Si 0 ; . JH.O. Pelo
rul-lndn BET. por a h s<~r~·ão de g.1SL'S ( norrna llltl·ll-

-~-

lt• tti l rog(·nin}, p<'Hie-st• dck n nin :tr :1 supcrf it'it· U gd rc<tl corrigido do hidróxido de cá l cio
t'!'JWl' i fica t1.1 pa rte súlid;t do ~t'l c l'llControu-SL' lt•tn dt•Jisid:tdc ,...._ 2,ó5 g/cm•.
para aquela superfície c(·rca de 700 111" por Cl'n-
timctro t:úbico de sólido. Esta superfície espe-
cífica rqiiiv:t lc .~ de <:sfcr<ts com Ró Â de diiiml'- 2.2 A resistência da paata
lr<l. Os p.,r.,s tln gt•l tl\111 ditlll' ll~til's dil ord\'111
dl' 15 Ã. U 111 dado gd de cimento deve possuir rcsis-
l~ncia característica, mas a resistênci a da est ru-
tura por ~k forut.1 da. isto t\ a pasta como um to-
do, vai depr llth:r da quantidade de gel que se
forml' no espaço que lhe é destinado. êssc "fa-
tor de concent ração" podl' ser avaliado do seguin-
te modo <s 1' · " ' • 11 >:
- A hidratação de I cm 3 d e cimento port-
land produ z cêrca de 2,06 cm 3 de gel e mais os
n111stituinles não-gel. Então, se a é o coe ficiente
de hidratação, isto t-, a fração do cimento que se
hidratou. o volume de gel produz ido ser á
2,0() n•..a onde c é o pÍ'.m do cimento c l' c - o
' "''IIIU'
rspecifiro d o cimento ( cm''/ g).
- O voluml' de espaço disponível para o
gel se formar é a sorna do vol ume elo espaço cheio
dt· água, originalmen te presente, .,. (antes das
n::tções), mais o espaço tornado livre pela hi-
dratação do cimen to cv,n.
- Então a relaç ão gel/espaço X é dada
pela :-;cguíntc ex pressão:

l'Sp:t~<2_ disponiwl 2,06 Cl',-a


X = (I)
volllllll' tlc gel CI' .,a + '''•
- Um CÍIIll'llto di.' r~so específico y = 3,14
g.'nn" ll•m tllll vohtmc cspl·cifico
Fi.:-. 3 - )hult•lu s lnlpltflc·ndcJ d u ee~trut uru du p 1Uttn
~ ....rundu 1'. (". t•uwcr,.. ( : - t'tn·tdndf'1t c.'RpllnrPH.
v,. = O,J 19 crn"/g c t'lltiio:
3 . 14
2,0G X v c<• 2,06 X 0,319 a
As propricctacl cs fí sicas, que serão examina- X
wo
- - --
Wo
-
das, são do ge l nominal, que compreende o gd V,rr + 0,319 cr +
n•al c o hidróx ido de cfllcio associado a êlc. A c c
dcnsi dad~ do gel nominal é ....- 2, 15 gjcm\ Stta
porosidade é de cêr ca ele 2fi '''r , c seu coeficicnll· 0,657 lf
(2)
dl' per llll'abilidadc à ftgua (• ....- 2 X JQ - 1 • cm jseg, 0,3 19 rr +~
inkrinr, portanto, ft dl' mui tas rochas naltrr<tis, c
l'OIIltl Sl' pnde ver no Qundm 11 <~ ''· 17 >.
- St• IHHIVl'r na pasta 11111 volume de nr A,
;t fórmula trans fonn:1-sc em:
QUAUHO 11
0,657 ('(
(J)
Pcrmenhilidn- Relnçiio n / c de umn 0,31!l cr+
<d• + A
Esp~t' i<' dn pasto. comp/a((lm<'ll· c
de da rocha,
l'O<'hll te cm·nda com u
K <'m /scr::
mesmo K.
1\ fig. 4 <.· tllll exemplo d<1 relação entre a
rL'Sistênda à compressão c a rdaç~o geljcspaço.
Bo.snllo do·n~o 3,45 X JO-" 0, 38 Os ponto:-; rcprescn Iam resistências de argamas-
Oior llo 1,15 X 10-, 0,42 sas, cm c. p . l:ltbicos de 2" de aresta, d e 3 difc-
Mâr·mon.: 3,34 X 10- •" 0,48 l'l'IIIL'S fatôrcs água/ d tlll'nto, c que foram ensaia-
Mãnnon: 8,05 X lO-•• O,GG
Gr·an ito 7,48 X 10- " ' 0,70 dos de 7 dias :t té 2 anos. Quando a resistência
Arenílo duro 1,72 X ]Q- !• 0.71 (· expressa cnt funçã o da rclac;ão gclfespac;o, não
Granito 2,18 X lO-·• 0,71 .:· nen·ssário indicar a itlatle do ensaio. A fun-
~·iio ajust<tua, ao exemplo consider ado, st'rá :
I? = J4.000 X" no r dn qul: U,4, ClHII\.'~a a aparccl'r tu na p•H\<to
não llidra i<HI<t por causa de uma irnpossihilidadt·
donde se pode concluir que " a rcsis tenda á com- risica, pois o fa tor de concentração não pode
pressão é proporciona l ao cubo da concentração tisicanwnte ser suprrior a I.
de gel, ou seja, ao geljespaço".<a P. n , v P. 8. . • M•• .
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2 1"/11011 A/C (<nl volume)

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Relaçãõ gel/ espaco (X) dt· hi drnt ne i\n .

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l~ci\ o 1:'~1/f'spt~<> pRrn nrgnrouos•l\ df' c imento ~ nrf' ia
t. • n>~l~t~n<'ill 1\ comprl'SSI\(1 1'11l Jl" Í I' X - rf'lôl\';"tu ·1 . 3 Permeabilidade da pasta
g"nl/ '"'JlRCC>.
A per meabi lidade à úgua, da pasta, depende
Seguem-se agora alguns dados numéricl)s: de dois fatôrcs : <• ''· ••l :

- O coeficiente de hidratação X, como i· d:t per nH:ahilidade atr:tvés do prúprio gel;


natural, varia com o tempo, c vários pesquisado- da permeabilidade :tlravés dos seus capi lares.
res o estudaram <~<I • <• 6 1 c encontraram dados d a
seguinte ordem : a 3 meses - 0 ,86; a I ano - Do ponto de vista prfltico, a permeabilidade
0,93 , completando-se a hidratação (a = I) th • deve ser considerada como dependendo somente
fim de 6 a 7 anos, se as condições forem fatto- da porosidade capilar, pois o coeficiente de per-
níl'eis. tncabil idadc do gel é excessivame nte baixo.
Por ou tro: lado, a melhor situação para hi-
\lratação de uma pasta se dá para a rcla!,'ão
lll!ADUo III - Pt•rmeubilithule da pustu u./c - O,UIJ
gel/espaço próxima a I. - SUIII'rrít•Í(• l.'!lJ)CCÍficu. \Vngn t'r III:HI ('111"/~.
Na expressão (2), tomando X ... I c n I, --- - -- ·
tem-se Idade Poro-
P<'rmeuhiti!ludc
cm sld nd.. (;lll/s<.'g X ]QI~
K
_ _ ...:
0,657 Wg
dins %
1-
0,319 + --7- c
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67
63
1. 150.000. 000
36.300 .000
1,15 X 10 -3
3,63 X 10 -5
2 60 2 . 050.000 2,05 X 10 -H
= 0,657 - 0,3 I9 - 0,338 3 57 191.000 1,9 X 10 -1

uu seja, o fa to r a/c mínimo, c que conduz às "5 I


7
55
53
52
23 .000
5. 900
1.380
2,3 X 10 - 8
5,9 X 10-0
1,38 X 1()-11
melhores condições de hidratação da pasta , é da 12 51 19,5 X 10-11
195
ordem de 0,34. Na fi g. 5 vê-se que numa pilsta 21 4!! II 46 4,6 X lO -11
100 ~~ hidratada (a = I ). se o fato r a;c fíir llll'- -- -- ...- - · --·
- 10 -
.. Dt•w -sc <:on:;iderar inici alnn:nk ;1 illlportiln- l'l'SSiiVil 11 L';l rl'l'f~illl ll' ll l o (<llllllCIItO de dt:forma-
<:ia da cura, pois a diminuição da penneahi l icladl' c;ào), o 111'uncro c t•xtensão dos desco lamentos au-
da pasta com a cur:~ c o tempo tk hidratação l' uH·n tava.
t·nornlc, cumn se pode ver lhl Quadro III: a pasta " Bon<.l craL·ks incrcasc in lcn~ht, width and
l'<msitkrad.1 lll'Sie l'nsnio, ()U:lndo fresca, km 11111 tllllltlll'r witlt i nt:rl·:1siug strain in l>ot h éls<:cnding-
l'lldidenlt• til' pcrnwal>i lidadt• dL· I , 15 X I o-·' and descending hranchl'S of l he strcss-strain cur-
cmjsc~. O fat o r ajc da pasta era 0,645 cm pêso. ve ". (lu P.21•l.
t\p1is 24 dias <lc c ma . o cndiric nll' de penlll·a-
() número de fissuras aum~.• nta aprcciàvcl-
hilidade deSl'L'II para 4,6 X I o-·· nn j:;c~. A po-
llll'nk, inclusive na ar gamassa, quando as ten-
rosidade da pasta desceu de 67 ~( a 48 ~'f.
sücs alcançam de 70'/r a 90lfi do valor da tcn-
sãcl de ruptura.

2 .4 Aderência da paata e argamaua ao A adcrl!ncia das pastas ao awegado detcr -


agregado graúdo tninada experimental111ente mos tra variações dl'
v.1lorcs ml'dios de :
Os L'nsaios relacionados co111 a medida da
51 ' f para o c'lrl'nito duro ;
pcnliL'abilidadc desaf iam o engenho dos pesqui-
sadores, dada a sua complexidade, c são p oucos fi()'~ para o gr anito;
os trabal hos que tra tam das ca racterí sticas de per-
75 ~~ para o arenito duro tk: Nova York
meabilidade ua interface agregado- pasta ou agre-
gado graí1do- argamassa. cm relação à resistência à tração da pasta pura
As pesquisas cm andamento <" P . . 208 > sõhrc c para o mesmo f alor a/c ( tr P. •n>.
:1 formação de micr o-fissuras, quando as tensões Já a aderência entre a argamassa c o agre-
solicitan tes se aproximam das tensões <le rupt u- gado graúdo apresentou, em ensaios, valores mé-
ra , vieram contribuir para um melhor conhl'ci- d ios hl·m n1cnorcs, da ordem d~::
l m'nl o da questão.
Numa dessas pcsquisas<u> foram moldados 37'f p;Ha o ucnito duro ;
<:orpm; de prova cilíndricos de concreto c, a Sl'-
44 ,3~f par<~ o J.!ríln i to;
guir, depois de fi c1 7 llll'Se:; de maturação, os
corpos d1.· prova, segundo técnica especial, fo - GU,2V,. para o areni to duro de Nova Yor k
ram ser rados c as superfíci es obtidas, polidas c oh- relação à re:;istênci a à !ração da ;1rgamassa de
l' IJJ
servadas :w microscópio; o resultado pode-se wr mesmo falor a/c <n ~ •• 3 >.
na fi~. Íl.
As ex periências mostram, pois, que o ponto
111ais fraco, em relação à resis tência a esforços
mecânicos no concre to, situa-se na interface en-
Ire o agrcRado graúdo e a pasta ou a ar~amassa .
Em relação à permeabilidade, a maior a tenção
deve ser dada, a fim <le se assegurar melhor ade-
rência entre agregado c pasta ou argamassa. Daí
a imrwrtância de assegurar o melhor cohrimenlo
do agreRaclo graúdo com pasta durante o prepa-
ro do concreto.

3. Concreto e permeabilidade

Passl·mos a considerar algumas questões l i-


gadas ;I hidratação das pastas de cimento e que
10111 importância no estudo da pcrmcahi lidadc dos
nutcrctos.

3. I Retração por perda de água


l-'lf . U - lllal rlbulcilo cle ~~~~co ln nu•nl o• do njl'r e&"n clu
&rACido .. m corpo do prova de conc relu que nllo rol Uma delas refere-se ao fen ômeno ele rei ra -
•·nrrt>gr1110 (O!I dl"l<'o l nmentoo .. atil u em l r a('ns 11''"""'""1. ção por perda de água, que é devida, sobretudo,
ao fato de os concretos comuns, para poderem
SL'r c1deiiS:ldOS COIIVelliCllfCIIlellfC, mCSmO quan-
Verificou-se que, mesmo em corpos de pm- do se usam vibradores, necessitarem um excesso
va tuJo submetidos a carregamento, no caso fo- de água, água essa q ue, logo após o adensamen-
calizado cm que o f ator ajc foi 0,64 em pêso, exis- to, sobe cm maior ou menor quantidade para a su-
tiam vários descolamentos, todos, entretanto, l'll- perfície, dando ori gem a formação do que se cha-
tre o ;tgTL·gado c a past:t. A medida que se pru- ma "nata" sôbrc a superfície concreto. Porém, se

- 11 -
n

csla água sob~.:, ela o faz at ravb; de canaliculus ; •Jto d~· l'11111i1111idadt.: 11:1 massa do .concn: to. l'or-
0sst·s c.1 nal ículos deixam, então, passar a água, 1111 , tan to. tuna dirl'friz a st•r respei tad;! . quando se cle-
ml'lhor, êsses ran alículos drt•nam a i1gua que t·sttja st:ja ln 11111 concrl'lo d1: baixa pcr meal>i lidade c
sobrando no interior dD concreto. A itgua L' k - llaixa l'l'tração, consiste em diminuir a quantidade
vada pnra cinw, devido ao peso do próprio con- tk úgun por melro et'1hico de concreto, responsâ-
l'reto fresco. Uma vt·z endurecido o conneto, vt•l pel<1 r<:trac;ão , como st~ podt.: ver no grá fico
l'sscs cann liculos con tinuam cheios de água. Com ex traído do "Manual de Concreto" 110 •·· ••> do
o correr do tempo, c clcpcndcndo das condiçôcs Hureau of R<'clamafíml, f ig. 7, cm que se verifica
de tempera tura c umidade amb ien te, êsses cana- que com o aumento da quan tidade de água ele
lículos podem ficar vazios. Quanto aos canalí- amassanten to, cm litros por metro cúbicos, quan-
culos do 1-{l'l, es tes estão sempre cheios de ftgua, do pass:t. por exemplo, de 150 para 170 l i tros,
;'1gua essa em est ado di ferente do estado da á~ua a retração passa aproxi madamente de 4/10 de
livre exi stente nos canais formados por ocasião milíml'lros por metro a 5/10 ele lltilimctros por
d.1 rdrnção. III ti ro.

Aqui, cahc f azer u m p r i meiro parêntese: a Um outro efeito de i mpor tância bastante gr an-
:'tgua q ue existe nos canalicuiDs da p asta, n :~ s re- de rela<:iona-se tamh(·m com a ascenção da água
~iões cm que haj a temper aturas abaixo <I e zero, devida à rc tra<;ão por perda de água, pois os ca-
conl-{ela-se com aumento dt• volume, dando ori- naliculos qut• rerllli ll' lll a passagem do líquido p<lril
gl'lll a for h:s pressôcs qm: podt'lll ocasionar a a superfície podem encon trar o agregado graúdo
ruptura do concreto. Porém, nos países em que no caminho; neste caso, a á~ua sobe pel os cana-
não haja congelamento, o efei to desta água (• lículos até o awe~odo e de110i.<> se espraia sol> êle,
to talmente diverso, como se ver á a seguir. prol'ocondo o desmlamenlo do liJ!.rl'J!.ado da pasta
0 /1 (lf~OIIWSSO .

- O número de canalículos formados na De modo gera l , nos concretos t•m qut.: haja
pasta fresca depende da quantidade de água na t•xcesso de ;ígu;t (excesso de f1gua por metro cilbico
pasta, que varia com o seu fator água/cimento de concreto ) , um número bastante grande de pe-
(ver Quadr o 1) . Todavia, par tt• dêsses canalículos dras cons ti tu i ntes do agrt·gado graúdo tem a sua
deixam de ser contínuos e ficam obturados pela parte i nkrior pràticanwnte descolada da pasta
i nvasão do gel, devido ao avanço da hidra tação. ou da argamassa devido àquela água, que i mpede
For mam-se, então, poros cap ilares 111 ~'· H). "Para <1 aderência d a pasta ao agregado. Isto significa
mda cimenfn flá 11111 falor njc máximo acima do que !>e cria no concreto uma dircção p r ivilegi ada
rtuaf a compll'la 11idralação mio produz bastante <ID ca1ninhamento, no sentido hori zontal, da água
gl'l. para Mnquear todos os capilares ( da ordem provcnit·ntc do exk r ior, porque a água que se in-
de O,ô a 0,7) '" 1'· ·17 >. "Pastas contendo capilares fi l tra atrav(·s tlu concreto quando enconlr<l uma
l'tiii/Íiluos nrio de1•em sa fll'rlllifidas c•m concrrfos snlu<;ão de conlinuidade, ex istente na parte inferior
usados ondt• se necessitam concretos de menor pe- do agrq~il d u graúdo, ev identemente cami nha mais
nl'lraçcio possi11el de água". <" •·· •">. r:'tpidamenle por aí , dnndo, pois, or igem a um coc-
Esta diversidade se relaciona principalmen- ficienk de pernw:tbilidadc ma ior quando ocor rem
le com a per meabilidade. A experi ência most ra tais descolamentos. Verifica-se, então, que, cru
que os concretos têm coeficientes de permeabili- re lação à pcrnwahilidade do concreto, u m dos fa-
dade diferentes, conforme se trate de uma pt'r- tos que têm i mportância é a ader ência entre a pasta
mcabili dade medida no senti do ver tical ou de uma ou argamassa c o agrej.{ado. I sto denota que, quan-
pl'rllll'ahi lid<Hil' medida no sentido horizontal em to merH•r fô r a superfície de conta to en tre pasta c
relação il dircção da moldagem c adensamcnto, ;1gregado, menor ser á a probahilid adc de per cola-
porquanto, no sentido vertical , além de fenômenos ,·ão através dessa superfície de con tato. Esta con-
capilarl'S, aparecem mig rações de {tgua dl'cor- cl usão nos leva a uma outra dirctri z, com r elação
rcntes norm a I mente de variações de tempera tu- à dosagem dos c<mcre tos em que se deseja menor
r a, á~ua t•ssa que tem cami nho mais fácil alra- permeab ilidade: Concretos de baixa permeabili-
v0s dos canalículos que possam existi r c fprma- dade dePem ser feitos com misturas de agregado
dos por tll':Jsi.'io d a Ol'orrência da rei ração pM graúdo e miúdo de• suprrficie I'Sf1l'rífica conl'e-
pt.:rda de !tgua. Em compensação, na dir eção ho- ni e111ellll'llle red uzida.
r izontal a penneahilidade é nor mahnL'nic• klstan- Clll'!{<IIIIOS então a um problema, que i: rela-
te mais baixa. Verifica-se en tão que, para a ob- tivantenle nôvo na tecnologia do concreto, c cuja
tenção de um concr eto impermeável, tc111 impor- aplicação na dosagl'm dos concre tos está sendo
léincia bastante grande os eft.:itos tle rctrnção. u tilizad:t cm a l ~uns sctorcs, porém com uma ver -
Esta impor tância não se rdaciona sômen tc l'OIIt d adeira i i H.I i ca~·ão, q uando se necessi ta fazer um
a for mação dos canal ículos que dão origem a 11111 concreto imper meável. T rata-se de um método
caminho dt.: menor rt.:sistêucia à passa~em da de dosélgcm de concre to estudado por Singh 1' 3 ''·
{t~ua, III<IS porque os efeitos tle ret ração, quando " '" 1 e hoje jft conr 011lros seguidores. O princípio
passam de cer to li mite, podem dar or igt.:m a fis - do m(·tndo, como j:i IDi assina lado anll's, depende
suras, fi ssuras essas que, evidentcmt.:n te, d;l o da dell·rmin:tção da superfície específica dD agrc-
111~1 r gem a passagem de ;'t gua , não por pL•nne:t hi- g:tdll <JIIl' vai entrar na dosa!{l'lll do concreto . .A
lidadL·, 111.1s por percolação através <h: 11111.1 solu- dl'll'nn i naç.'io da superfkit> l'specífi(.'a do agregado

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LIT ROS DE AGU A POR METRO CÚBICO DE CONCRE TO

I ' III'·

~ ki t:t da nwsma mandr:t com que se faz .1 tktl·r- d(·sscs finos. isto L'. da forma d1Ís grãos c de suas
min<ll;:i.o da sur~.·rfiric l'spcciiira de um cimcn t,, JH•lpric dad~.·s l'rn n:lação à :'1~ua, nu scja, de suas ·
pelo princípio do pcrmdimctro, :tpl'lt.1S, em wz pr,,pricdalk·s d1.• molhagem.
~.k 11111 aparelho de l31ainc, co 1no se usa pa ra dc-
Em rl'lí1ção à pasta; (• sabido, coJllo foi dito
ll.'rlltilla\·ão da superfiri.: cspccifica do cimento, que a permcahilid;Hk dt· um concrl'-
i nicialmcnr~.·.
são usados pt• rnti.•âmctros de maior di;imctro, mas
que. dcrllr1J d.1 rncsma k i de J<arman, pcrrnih: n to tkpcmk da pl'rllll':thilidade da pasta l' da adc-
d l• tcrmina ~·ão <lél superfície cspccific:t da mistur:t
r(·m:ia da pastil :to :tgre~ado; sendo, portanto. ;1
dl' <lgreg:tdv miildo c a~rcg:tdn g r:rúdo. O m01o- past:t o dcrncnh) ·n1:1is vulrw r;'1vd do concretn, ela
do, dito de Vafl>tll', h:tsl' Í:t-sl' cm valores ml-dios deve ser dosada til' manl·ira a tllrnit-la .1 mais
:tv:tliados p:tr.1 a supt•rfici.: esp~.·cifica dos agrcg:t- i fllfll' (//I l'lÍ l'l'l I !OS SÍI'I' I.
dllS. En1 s~.·gurHio lugar, tll·vc-se procurar fazer
nmcreto que lenha o menor J•olumc de pasto
11111
1Jor mdro níhico. pois, quanto llll'nor o vohum.:
3. 2 In fl uên cia da fração fina da_ areia
dt; pasta, lliCtlnrl'S os caminhos para que a água
Outro as perto tk imporlâm.: ia ruui lo grand1· possa l'fctiv<HIIl'llle 11l'llclrc1r através do concreto.
dliSilgl'lll doS l'OilCTciUS impcrmcÚV\.'ÍS (' a an;\-
llil Chegamos, c11tào, a outra dirctriz, relacio-
JÍSl' tk influênci:t dos finos dél an•ia (l'). As nor- nada com 11 dusagcm dos cnncr~.·to s impl'riiH~:'tvcis,
mas para as obras corrente:; n.Jo se referem cru isto é, ''os concretos impcmiClÍl'<'is clet·em ser f ei-
nlllito detalhc :to prol>lcnta dos finos, .c gcralmen- tos com o menor \'Oiumr possível de pnsta por lllli-
h.: limita a valores bastante baixos a porcentagem cladr de volume tlc Cll!lcrclo ". O ra, o volume de
atl!llissivd do:; finos passando nas peneiras de p<tst:-t dcpen<lé <lo vo lume de vazios do agregado,
rq:tlhas de 0,15 c 0,075 mnt. En tn:lanto, os con- purqltl' não se pode reduzi r arbi tràriamcntc êssc
cretos impcrmcAvcis dcvcm possuir certa qu.:tnl i- voh11tH' de pasta sem correr o risco de criar vazios
dade de finos, maior do que cnt concrdos para no interior do concreto, vazios êsses que evidcntc-
usos corren tcs. A tlcterminação do teor ele finos mcnll: são altamente filvoro'1vcis à pcnnl·ahil idack
que deve ser usado depende, inclusive, da natureza da [Igua.

·- B -
..
3 .l. I Umnulomclria descontínua - Os 111e de pasta , o cmprêgo de aditivus quase sc:lllprl:
ccHlt"n: tos i111pcrmeilvcis devem ser, pois, concrc- se torna imp...:riltivo, porquanto a pasta th.: cimen-
los compaci<'S, pon~ m com llH:nor vohuHc de· pasta to funciona como p lastici zante c a redução de St'll
possível. Para se atingir a êssc re sultado, é pre- volume a reta il consistêilcia do concre to. Se rl..'-
ciso que Sl: faça dosagem do concreto de maneira duzirmos in tcncionillmcnte o volume ela pasta , o
tal que o :tgreg<ldo l' lllJ1rcgado .1presentc o menor com:rl'lo pilssa a ficar flspcro c, para evitar essa
voluml' dl' vazios, que, por sua vez, vão ser pos le- nspcrc za, temos, então, de lançar i11ão de aditivos
rionucnll' enchidos com a pasta. Chegamos, en- plasticizantes c, cvcnt uahnente, de certa quanti-
tão, :1 um problema 11111ito discutido, relacionado dadl: de cinza volante o u ferra diatom::ícca, com
com as gran uiOillL'trias clitas contínuas c com as fin.11i dadcs tamh(·nl plasticizantes, mas, ao mesmo
dcscontí nu:-~ s . tempo, exercendo tlllla função de colmalação de
As gr:tuulomt>frias dcscout ínuas apresentam pequenos v:tzios. Quanto a pinturas ele protcção
nonnalmentL' 111isturas de agrl'g.1dos de menor vo- exte rna, siio indicadas principéllmcntc para pro-
ltum: de vazios. Entretanto, os concretos rcsul- duzirelll :llllllcnto ele i1npennc:abilidade durnn/('
tauks, ·pa r<l que sl·ja 11 1 efl:tivamc utc utili zados, de ·t/111 prazo r('iotil'amcnll' curto, t'razo i!sst• 1/ecessâ-
llliHhl a co uduzir, por ;HiensamL'n l o, a un1 concre- r io o tf/11~ os concrC' f os atinjnm o mtiximo dt• resis -
lt~ncia e o mcíximo de impermrohilidadC'.
1<• l'•>lllpacto, apr<.:Sl:ntalll tlificuld:ldcs 11111i.to maio-
n·s tio ()lll' <HIIH~· ks feitos com grauulomctrb con- Co11111 j<'l vi1uos. a pcrme.1bilidadc dos concre -
tiJlllél, isto porqu\' :1 granululnctria ckscontinuél tos v.1 i dilninnin<lo à ntecfid:t que o tcmp•> passa,
ai:arrd<i, por ch:finic;;in, maior falta de llomogcnei- i:-;to at(· 11111 ann 011 11111 nno l' 111cio, th: modo qw:
d:ltk· dos llléllt·ri:l is l'lllllpont•nks do concrdn. Ncs- 11ft valllagt'lll, l:Jll certas obr,1s sujeitas a <igua s
s:t~ condic;iics, a prohahilid.1t1e de segrcga(;ão dos .1gres!'ivas, dr se usa r lllila pintura que produz a
m:lll'I'Í:liS l'OillJ1011t' llleS d<> l'Oilt'rclo é lllllilo gran- 11111:1 colnlétlaç :i o provisóriil par .1 !!il r ,1111 ir maior
tk. <) IIS<' dt• concreto L'O ill gr:ll111lomet ri,1 dcsccm- ÍlliJ1L·rml':thilidacJto. Essas pinturils siio ele düis ti-
tillll<l nhriga a rrcc.1u ~·ões especiais para evitar pos : a) pint11 ras que c:xerccm él wlmata~·ão su-
a St'gr\.'gnç iio do concrl'fo, c:wsando usualmen k perficialmente; h) pinlméls que exercem él colma-
'' t• mpr~·go de aditivos c ·adcns:tnll'nto cuid:ldosa- ta~·;io pela renctrilÇiiu dc..' suhstàncias química~ no
lllt'lltc c)hst·rv:tdo t..' l'0111prov.1do. interior tio concreto, as quais, às vl-zes, reagl'lll
JliiStcriomwntr com os c0mpon<.'ntcs de hid rataçiiu
do cilnL·nto. dando origl'lll a composto:; cap:tZL'S
3. 3 Conclusões .
de produzi'r a vedação dos j1CCJtll'IHJS p oros c:<is-
tl'n!cs na !'llpcdícil· do concreto.
Com as Wllsidcr:tc;õrs kitas até agura , po-
dt:-SL' então chcgnr a um rcsumü sôlm.: o que dev...: No segundo tipo estão, cnl rt' ou tras, as pin-
ser l eito para a olHençiio de tan concreto impcr- tur:ls feitas .com base cm solução úc silicato ou
mdvel. t: preciso que se a dote, primeiro, u111a pasta· flu or -siiicato dl: súdio, silil'atn ~SS\.' que, absor-
impt·rmc:ivcl, isto é:, que se adofe o fa! or água;'ci- vidcl 1:'111 solll\'iio pL• Io cnncrt•to c cm rcação bas-
lllt'llto geralmente in[crior a 0,5; segundo, a lllcnor tante lcnt.1, dá ori~cm a compost•>S mais estélveis
{trea de mntato pasta-agregado, 011 S('j <l, a menor
t· capazes dc r{'duzir os cfl•i tos da pc:rmeabilidaJ<.>.
supcrfiric t•spccificn do agreg:1do total; terceiro,
Exi~;t e , como pi nturas cxk rna~;, 11111.1 sl'r i~ Ú<.! ver-
O llll:llor V\!lUlllC tk r asta, O CJIIC eqiiiv;!le a dizer
o menor volume de vazios do agrq~ado gralldo. niZL'S, sem falar na resina epoxy, de alta cfici ên-
com o emprC:·go eventual da granulometria des<::on- da, porém de preço elevado, normalmente não j us-
tínua. tificável para a fin alidade que st• tem cm mira.
O estudo de aditivos e pinturas é bastante
3.4 Aditivos e pinturas complexo.
As considerações rcsumidas constituem ir.di-
Quer pa ra usu da gra1:ulumc·tria tkscontí- ca~·ão de ordem gera l, visto que 11111 c xa 1~1c mais
lllt<'l, quer para usu de CullCrl.'ltl de pcqucnu volu- dc:talhado comportaria um trabalho à parte.

- 14 -
..
CAPíTlJLf) I I I
MECANISMO DA COR.ROSÃO ELETROLITICA DA~

ARMADURAS DI~ CONCRfi~TO ARMAI)()


Estudos modernos

I. INTRODUÇÃO criçücs acima citadas, aprese nt avam sinais de de-


terioração cm prazo anormalmente reduzido.
As ~strutu r tl s de t:oncrcto ann:~tlo são nalu-
rahllcntc protegidas contra agentes agressivos nor- De park dos responsáveis pela fiscaliza~·ão
mais, devido às características de resistência, que c constru~· ão de obras 111:1rilimas, passou-se :1
o concrl'lo, bem dosado c hcm executado, aprl·- L' Xcrccr lllll contrúlc absorvente sôl.>rc o teor de ah l -
senta àqueles agentes, assegurando, dêssl.! nJOdtl, minatos do cimen to empregado. tenwnclo-sc a for-
a protcc;ão lll'C'Cssíi ria às armaduras. m,1ção dt• sul fo -a huni na tos.
Em obras lllilfí timas l' cm meio n~n:ssivo 1k lnin· I !142 L' I 945, inspl'Ciunaram-sc numc-
um modo ~l· r al, a execução dl' estruturas <k l'Pn- rtlsas ohr:t" nt ari timas t..·xcculadas na Baía de Gua-
crclo c concreto armado tem llll'recido atenção l'S- llilhar;t, 11 n [(ceife, cm Sal v~dor ele. ( fig. S c 9 ) .
Jll'Cia l <k S\.'liS n•sponsiivt..•is ao <•lélhorarcm ~SjWl' i ­
fic,,~·iies mais ri gorosas para o projeto c p<~r ;t o
COilCTI.!IO Clllprq~ado.
Constitui, <1ssim, prc•cauçãn dl' uso genl'r;ili-
zadn no projeto:

J' 1'l'V\'f ll l 'llhrillll'IIIO d;ts ;tnll;ldlll'éiS t't> IJI 11 III Í-


IIillhl tk !) t'111;

ClliJHl'g:tr gl'r<l lmcnk t'Í ll ll'llt o porll.nnd Ctllll


C':, A < I O ~r ;

11s:1r agregadns duráveis;

dosar o concreto com cuidado de prl'fcrên-


cia em pêso, e com fator a/c .( 0.60, de mo-
do a asseg urar sua impermea bilidade <t1);

procctkr a <Hicnsamcn to cu idadoso, garan ti n-


do a cura necessária.

As estruturas executadas con1 estrita obedirn-


r i<.t a essa uricntação passar am a comportar-se pcr-
fL'IIamcnte, com grande durabilid:~dc c pouca dcs-
rx·sa de conse rvação.
Entretanto, algu111as obras, mesmo executa-
das com r azmívcl contrô lc. co111 a<loção das pn·s-

Con terênclu. t•t!all:tada na Oivl~ã o T~cnlru Espedll llzudu


ele E s t ruturas do C lube d e F:njlenhnrln. d o IUo de Jntw lro. t 'iJC'. K - l'nntf' d i' At rnçiio nu l't aln tll\ llicn, Ilh a tl o
t•m 22 d~ nllt·ll ti<' Hl64. (tun•rnut1C)r, (:untulhn ru .

-15 -
.\ 1:1pidl·/ l' Íllkii SÍd:Hk do ;lt;llJ IIl' Vl·rÍ IÍCid"
1'111 duas t~hr:ls. ali:'1s <h: JWt)IIL' na importânciél, .1s
punl\·s lil· :11 r :1c1~· iw CIII l'onta d' Areia c na Canta-
rL·ira, ;unhas l'lll Niterúi, foi um k ni" IH'IHl qlll:
C:l i!Stlll ~r ;11uil· impn·ssnn.
I'CtJssrgui ram os estudos c as ohscrvaç<ics,
sem gra lldl' progresso.
Em I !JfiO, o h1g." 1\-\. O. Pctrocokino puhlic.1
confcn!n<:ia ,,,,, apresentando ilSpt·ctos da corro-
são cldro li tic:\ das armaduras do concreto, mos-
trando a l 'II!HIIIt' varit•dadc tlc fenômenos <lifcren-
ks que podL'III ocorrer como a dissolução, corro-
são L' oxid ação. dL'fll'lldentlo das con tli ~·ôes do meio
lJll:lllto à cnuct·nt r<lção salin<l c !t·mperatur<l, do
1-'i.:-. 9 - l'untt" eh· AtrM~·t1n dtut hn rcnH :-\'lt••rõi, pi I c do rH l', fin almente, da inte nsidade c tensão
t:-t. llln d1• .lnnf'iru. da s cu m :nlt·s cl(•l ricas presentes.
Jú t'lll I \.)57, nos Estados Unidos, <I pareceu
11111 int eressa nte tr<JI>alho do Departamento de Es-
Observou -se, então, que, sobretudo na Baía tradas tlc Rotlilgc m do Estado da Califórnia P·•>,
de Guauabara, algumas obra:; apresentavam de- sM>rl' os problemas de agregação sofri dos pela es-
feitos visíveis, porém decorrentes de um JHOccs- trutura de concreto armado da ponte S. Matco-
sn lJlll' evoluía do seguin h: modo : - H ayward ( figs. I O c ll ) . Essa ponte foi cuns-
truidél em 192H pela Companh ia da Ponte St. Ma-
a) aparecimen to de trincas longitudinais no con- tco- Haywar<l c foi aberta ao tráfego c m 3 de março
creto, visivelmente, sôhre ar madura th: n~·1>; de 1929. O comprimt·n!o total, incluindo acessos,
(· tiL' 18,71 k 111 , st'IHin (k- l I ,33 km a pon te prú-
h) tksco la mento do ren>h rimcnto de t'OIH.:re to, p rinmL·ntc tlit:l .
deixando apa rente a armadura, que se apn·-
scnt;~va nnrm:thlll'llll' oxidada c, muitas V\~­ O t rt•cho dl' cnnrrt·to com põe-se de I054 vãos
zes, corroida . <k 9, 14 111 cad a 11111 c 1 I fi v ii os de I 0,1)7 m. Há 11111
vão nwtfllico sôhrc o canal de navegação.
O concreto descolado aprl·scntav.1- Se com as- A ponte possu i estacas ele fun dação pré-mol-
perto p<'rfl•it,1mt•ntc normal , st•m sinais dl' forrn:t -
dad,"ls de concn:to, com vigas de apoio si'lbre as cs-
~· ão de sulfo-ahllllÍililhlS de dllrio.
t;ll':ts, IIJOidad<ls no local , c 1.1bulciro de concrt·to
A idéia que se tinhél nalJuda época é ck que pr(·-mnldado e111 duas faixas si métricas, cada 11111:1
sc tratava dt• uxidac,:ão das armaduras, por l'fcit<• com du<Js vigas.
químico devido à ação química da água sôbre ' '
.1rmadura.
Como resultado dessas ohserva~,·õcs, foi apre-
sentado, t'lll 19 45, à Divisão Té-cnica Espcciéllizél-
da de Est ruturas do Cluhl' de Engenharia , traba-
lho sôbrc o "Ataque a es truturas de concn•to t'lll
i\gu.1 do 111.1r".

~-

J•'IK. 10 - t :,.lrrmhllult•N di'Hiru fd l\" du• r •l rl hu' ..'1.:. ll - 1\ r,.u u•ulf' n dt·lorlorn~ilO nvnn \'u ll u
t•c•n\ r.. r ru rccluucln clt\ ~/A"-
n\o.str-Rnclo JOCJ ' • 11111 ,;rnu tf114' r• rndu1.lu Cl des:rulumf'ntn d(' uma
de perdu 1111 ot•('tl o. c·ufl!'!.lth•r(l\'1'1 JICir(.•J)n cJu t.• x trcJuld nde d u vig-a .

-16 -
•• Em sctcllll.>ro de 195 I . a porr !c ft,j compraria ·sohrc a anuéldurn - oxid.1Ç'fao ·da mmai.lur<l.
r '-·lo Estadl) da Califórui.1 1wr 6 milllôes de dú- I) pela pt•nctrJção da água através do con-
;arcs, pass:111do o Departamento de Estradas de creto, por p-.!rmcahili dade;
Rodagem a fazer sua cnnscrv<t~·.'io, que consistia
c111 removc1 as partes Llctcrioradas, limpar com 2) pcl<l rendração díl ftgu a pelas trincas
j:tto de areia c teconstituir o cnncrctn com o con- q11e ::;e formem no concreto.
cretv projetado (s/1()/cre/r).
h) apih meCiinica
A ponte est;l sujeita a rc ginll' de .pedágio. sen-
do de muito in lcrêssc a rc duç;io das despesas tiL' devido à ac;ão da onda - erosão cllJ concrc!l)
cunscrvaçãü a li mites coJnpatívci!> com a rent,1bi- na zona i n flucnciada;
lidadc mínima da inversão.
d~·vido à oscilação do nível da á[!ua (maré)
Pr,1Cedcram-se então él eStudos basl<lll te ex-
- dissolução da cal, Cl>lll numento do volu-
tenSOS para dctermin<lr éiS vcrdath:iras célu~as das
me de vazios c redução dn resistência.
dl'lcrioraçõcs, tendo L'lll vista cnrrigi-las· dcfiniti-
, ..:t,n<:nte ..
c) nçcio físict>-cf uímiw -conjtl!,;ad.'l do roncrl'lo e
É inlen.:ssantc notar que o Eng." M. D . Pe- da armadura. provocando oxidação c corro-
tro<.:okino lll'nhuma rder0nci:t fa z a11 trabalho de. s<io clrtrolitit:a da 'última.
p1.:sq11isa ·rc<llizado na Cal i fórnia.
Os efeitos dns ;u;iks químka ~· mt•ci\ nit::J d.1
.'\ apreciação cm conjunto d0sses dois exce- :·tgua do mar têm sido estudados por _m uitos pc•-
lentes trabalhos pennitl' 11111 conh~..·ciJncntn mais . quisadores, sendo 1111111crosa a hibliugrafia stilHl'
.pn·<:iso da in flu0ncia (k h:nômcnos clctroquímicos · o assunto, 111\:S!Il\1 l'lll nosso P<lís •'·· ~1).
11.:1 durabilid<lde das estruturas marítimas til' cnn-
r\ :tpn:ciaçãn mai~ .rondusira da a~o·ão iis:-
ndo <lrmado. l'U-(jiiÍ JIIÍC:l da água dn mar, rl'Spllns<lVl' l pela cur-
Tni~ fenômenos são conhccidus há muito . rosãn dns armaduras ~:111 cstnllurns de concrett' :>r-
tl· mpo . rorém o mecanismo <la corrosàu c oxwa- nlado, n;in tem .:tpMl'l:ido nas pul>lica~,·ões tl;Cnicas
<;ào dl• armaduras n.'ío ll'lll sido ('xpo~to aos t•ng-c- :'t disposi<;ào dos cngenhl'Íros t·spt'l'i,1lbtas cm es-
nhl'iros civis de modo daro ,. convt•nicute. tru turas. Entretanto. i1 corrm;;in do:;. metais t' dol
Ent11:tan tv , é indispenSéÍ\·el 11111 con hcL·i r JJ~:J!­ :11,:\l, . cm particul.1r, ll'lll wn~tittlÍtlq gr.1nck prt·n-
t•' •> mais predso pnssive l do que IJCorrt• quanto l'liJ'<1Ç.:\•J d;r t;·cnica t' nilll'\'rnsís:;itu<~:; são os esttJ-
:l•r :llaque cktrolitic,> das estrutura<; de t'OIICrct.l d•IS !L'•'•riL·os t' as p~.· squis.1s rd.1cionad.1s com o as-
~unto, 111:1~ tendo t'lll vista. snhn·lltd<J, a anftlisl' ti<~
élrlll.:tdo. ll'lldn e111 \'ista .1 elnhora,· iio de cs p~.·ci fi­
,,,,·(j~s qn\' pt•rmii = lin illlpt•clir rnt reduzir S\'ll ~ dtil-.' \bi lidadl' l' ml'ios dl' pn11L'Ç:io C•>IIHl. por t·xem-
•leitos. p lo, <lol' cascos dos navios, ck · l'St ru tur:ts nw1:i-
lic:1s pr•'1XilltU ao mar, cll. Sii•1 l.'Stllllus d<·sti na-
Os f~ni•IIH:II•lS CJll:.! t•ntrant cm togo sào, l'll- dus ;\ aprc(i;t~·ào l' manUSl.'Íll de CJIIÍIIIÍCilS c fisí -
rrl'l:tnlt•. 11111ito éomplt•xos , dL· nat11n·za quintil:;t, l'fi-CJUÍilliCllS n· ~ puns:í\'l'is pt•la Ctllltposiçàn quí-
fisit.:;t I.' físico-química. A lllll engenheiro civil se- mica dus açus ·usad<~s n<HJUL'i:\s es tru tu ras. L' dos
ria ll•l f iiJ,1IIIIt'llll' pt•JH)Sf! ,1bnrdar tal assunto t', por qu ímicos respons:'tvt• is pcl<l fahrica<;ão eh.: tintas L'
l:sse IIH>tivo. foi rctar(lada n nprcSl'lltação dns con- ·outros produ tos dcslinadns ;i sua pro tl.'ção.
sidt•r<JÇÚl'S tratadns adiante, na esrcrança de (jlll'
algut'lll 111.1is qll."llificado o fizesse. l-1:'1, t•ntrt'1.1Jl- ·o proble-ma do cngenln.:iro ~.:struturista l ' dP
t.,, rertos aspn~tos d;t qm:st<io qut· dl·vent n1cn·n·r tecrwlogista -do Cnlll'rl'll> é hcm di icrl'nll', porque
ai r n,·ão imt·di;tt a dos tl'CIIologist as <k ct)IJC:JTio, a est r utura de Ct>JKn•to nnu:tdn é exerut:tda 1111
cnn1o, por cxempl•>. a rcsistiridaclc 1'/arica elo cofi- c:lllkiro sob su:1 respo11s.1hilid.1dc, L' os quintiros
ar/o r sua refanío com a corm.w io clt'lrolilicu. l'Xcn'l'lll 11111<1 hlllt;ão junto às f:'tllrkas dt• cinwn !u.
1\s cstrutur;:s maríti111:1s de roiKI'l'to armado IIH!Ítll dista11 tl.' da IL'Cnicn de <: xccu~·:to de cstrn-
dl..'\'t' lll ser proj~:l<l : las l' l'Xl'l'IJI,1das· lcv;~ndo (·m turas m:1rítím:ts.
Corllt;t sua condição especial tk iiL·arl'lll pcrm:tnt•n- Fl·lizmcntc, nos últilllOS :ltHJS l~m aparecido
ll' ou ;dtern:td:Jmelltl' ~·m <.:ont;tlo com a ;'wua do .1l~l l iiStr:thalllf)s quL· pcrmítc·tn cotnprccns5o, com
111.1r. ou seja, num llll'io com C<IJ'.1Cicrísti~,1s tk 111<tis cl:trcza, do mt·cnni!>llh> d:t corrosão dctroli-
<Jgn·ssividaÚe definidas pela ll;ttllrrza e r onn'll- tica elo concre to.
l r,,~· ;i " dus l'll·Jllcnlos quí111icos que nrk se en-
'.'Olllf'illll.
/\ a~ão dél água do mar sô hr~· as cstrutt'!r:ts 2. CONSIDERAÇõES PRELIMINARES
dt· conrrclo armado pode ser considér<lda doJ se-
guinte llludo, para fa cilidade de cxposiçãi> : É natural ten ham os técnicos ~:spccin l izadu:;
l 'lll est r uturas noções um tanto vagns sôbrc ques-
a) açêlu quimiw l ôcs ligadas à química c, em particular, à cieiro-
química; algumas ckssas JH>~·fJL·s são il1rlispensá-
sôbrc o concrdo - fonn:tçào de sulfo-al umi- Vl'ÍS à. compreensão ela questão r m estudo c Sl'r i\o
11<110 ; apreciadas a seguir.

-17 -
Z. I Noção de semipilha c pilha A 111cdida da í . c .m . (: feita , ncss~ s rasos, tnt
r eferência a 11111 elél rodo pttdrãu i111pol<lrizável, de
A colocacà<) de Ulll<l lâmina tk n1ctal numa ltidrog0nio, por exemplo. ~~-, 1'· ' ''J, (l'l(•troclo de sul-
solução de unt sa l do n wsn10 mel:tl (por exempl•l, fato de co bn: dá cliferl.!nÇíl de 0,057 V mais ncg<~ -
zim:o cm sulfMo d~ únco) fo n11 ;1 11111:1 scmipilha, 1ÍV/l ) .
pois h<i o aparc<:im~·nto tk tllll<l fúrça clctromotri"z
dqwndtntc d.1 natu rcz;, dn IIH: I i tl, d;t tOIH:CIIIra-
\'i'ío d.1 solução . ~· d <~ 1 c111p~rnt m<l ( Qun<lro I). ?. . 2 Micro e maçropilhas reais

J\~: pilhas aci111a descr il:~s podcnt ap<~rcc~·r l ' lll


Qllt\J>UO I cstrufuríls reais, c111 extensão variável.

;\ f l'ln is nnódico" Em escala microscúpic:~ , a mdalurgia nos


•nnstr:t que os tlt c t;~is in<lus rri,1is sc111prc cun t0m
I l'lllÍ S!<iiO dC' l'lc\C' Il'Oil~) (:i itnpur<:zas <! adições. Em conse<jii0nci;t, na super-
fície <k 11111 metal lllc rgulh a<lu nu1H il solução for-
F<!++ + 0,1-l v 111ar- s~-;', 11111 il quantidé\dé de micropilllas, rcsultan-
Fc++ + + 0,0•15 \ '
Zn + 0,74; v ll'S ck· pl'qu~·nos ;l thldllg vizinhos de cátodos de
AI + l ,'/ v 111 :tinr n u 11ll:11nr i111port<111ci:t. P~l a 111cd id:J direla
1111 imlircl:t <1.1 f.1rc do 111Ciill considerado , cons-
:lll'l ais t"atóllil·o~
l:t la-s~o· a fmma\·;\o d..: zonas r.1lt'>dil.';ts c a11údicas
Cu 0,34 v dl· 111:1ior 011 llll'lt o r ~· xren s;h1 . Uma pi lh:~ grande
J\g - O,tiO v Sl·ria rt'Sidt<tnll.' di) t'nlrrC·go ck 11111 l'l'hit<· ck hron zl'
ttnin dt> dit;ts d1.1 p;1s ~k <IÇO illwrs;-ts l)li, entãn. 11111:1
;~ clut ma dl' aço pa~s.tndo st'>hrc fn r~nns ;.rgilosns
A j mt,·ão d..: duas Sl'lllipi lhas, l'OIII o ~·•llpr(·­
ú n1idos e silhrl' lt'rrl·nos :trt•nnsos hctli arl·j:~dos.
g'> d<> Zn c Cu. por ~· Xt' lllplo>, d;i origem ,, tllllél
pi lh .1. pl'la pu;;si b ilid:Hk tk fmn1!l\'à11 de uma cor- f:'nlt c as ;nnus u11Ódints c caládicas a c orrc•tt-
n:nlt' t•i(otril'<l. qul' ir{! d~1 Zn pilr:t Cu I "·'~> ·•-•>. En- 1<' t'/arica sc~uircí os linfi(IS de {c;rç11 do camp'' .
lrc lilnlo. V. lt Evans 111ostrou que. se l'<llocar111ns cf,:rricn, <> quaf se drst•m·nll'l' no interior dn sofu-
llllllla cuba, Ctllll tun;: s~· p;Ha<:<io <k placa porn:-:1. ('IÍc> segundo /rés ,/imt'IIStics ,. oht•cfaendo ás cqun-
duas p l.tras do nh::\!llO uJ.:t:tl, tnn:t <k cad.1 lad••. Çtics clt• Laplacr '"" 1'· ''"'). Em tudo. é q(t~stão é\
iiiiU'S ,IS na llit.'SIIlil Sllhl\' i\o, J''>ré lll COiio a in!r,)d ll- sl'l' lc\'ada cn1 Clllll:t. as d i 111~·nsC>l'S r C:'Iativ~s dos
~· .'i o d e hi•lhas til' IIXigl·ni•J t·m t•'• ni•J di' un,,, ~k i <J!-, ,'innd• Js, d1>::i r:\todos l' d•> 5l' ll :t i.1SIIIt11L'IliO.
ni:tr-sc-:l 11111 c:'lt.>dn tll'S '-l' l't>t11p<lrliml'lll<l L' u1 11
;':lh>dn no outro \fi( . 1:!). \'cr iiicou c> m~SIIIt) fi - :\ corr~·nk ck;tri r<t i guc :• ~: for111;1
:>er{l 11 = Ri,
si!" q111: um<t pl<tl';1 :n\'1;\lic<t n-rtira!, lllC'q.!ulh a-
d;~ L' lll 111111 solt:ÇTI•l. ( anl'•dicél 11a p.lf'll' in icri· H·.
Sl'IHI, , /~
.,
= :·s-,
I . . .. I d
l.'lll l.JIIl' f' c :t rt•ststn·l< é\ c cIo Cir
.
-

me nos :trc_i atia. l' c:1 tód Íl' :1 n:t parll• stqwrior. nn dl' cuito ~111 ohms.cm. Valor('S cnnl!lll~ dt• r cm
maior é: .1 difus.'í1l d•l nxi~eJtin ( ~~ 1' · ' ' ' " ' · o llms . cm :

cobre 1,8 X JO - ~ ;

~14000 , CÁTODO krro .= 1,2 >< JO-~;


/
' - OXtGÊNIO .ígu:t do tnar 0,2;
"· concreto s0co IQ-~<~'>.

Uma r elação c :t
do campo clc-
i111portant~
lrko = F põ, cm que 8 (· ã densidade da corrente.
i
õ = - , c111 amperes por ccntimetrc1 quadrado,
s
por exemplo.

Fig. 12
2. 3 Lei de Faraday

Sabe-sl' que. quand o uma corrente elctrica de


Pode-Sl', enfim, niar pilhas ·pl·la modificaç;\o i•1tcnsidade i deixa u!n metal de pêso atómico A
da concenrr<t\·ão do l'letrólito nos dois compar ti- c valência 'I· c penetra numa soluçiio condutora,
carrega consigo um pêso de metal dado pela cx-
mentos separados por pl:~ca porosa ou, então, com prt!ssão:
a nH?Slll:l concentração, mas fazendo um dos elé-
trodos rcCL'lll'r tc11sõ~s lllt'cânicas ( fll'xão, COI li- p A
ii gramas
pressão ou tração) <~: ''· ~ 1n) nF

- 18-
sendo F expresso em faradays t 96;1~,0 cínllomhs) . As S1lluções sàll neutras para rH = 27,7,
, •• 1n 1,.
O ampên..'-hora va i•! 3600 coulombs. passam a rl'dufMos para valt1res mcn o r~s do rH ·~
nxidnntrs para valores elo rH superiores a 27,7.
Lembrando qw~ 11111 ano tem 3, 15 X tO - : se-
gundos c I O anos. por tanto, 3,15 x I Q< segun-
dos, ve-St! que uma fraca corren te de lmA (miliam- 3 ·. CORROSÃO DAS ARMADURAS DAS
pere ) pode dissolver I O cm 3 dE.' ferro em lO anos; ESTRUTURAS MARíTIMAS DE
se o ml'lal estiver sob a forma de f~rrugem I /2 CONCRETO ARMADO
Fe! O,H,O hidratada, pode ser carn•ado um vo-
lume de I00 cnr' {:~ a•. u:o). A· deteri oração das pcçéls de concreto arma-
do por ação cletroliliCél vai depcndl' r da prc~ençJ
de uma fonte de cktricid:tck, d:t possibilidaclc da
2. 4 Resist ividade do concreto passagem da corrente clétrit'<l t', finalmt•nlc, dos
fenômenos de l'letrólise, qut.: possam ocorrer com
A resistência ofcn.:cid<1 à passagl'lll da corrl.'n- o aço da armadura.
lé clétr ica llt>S com.:rci•>S passou <I ' llll'recer espc-
. ci<1l all'IH;ão dos kcnologistas, depois qul' se lt>r- 3. I Fonte de energia elétrica
nar am pall'n!cs os eh.: ilos danosos da cnrrosão clc-
l rolit i c:~ . . · J\s estruturas m;tritimas d~· concreto armado
Expl'ri0ncias n:a li zada~ na C<1lifórn ia mos tra-
podt'lll fic:tr sujeitas ;\ p:tssagl'lll ele corrt.:H t•.· et.:·-
trica provcnienll', nu de pi lll:ts gal vânicas tnrm:t-
ram que a n'sistividadc vmia invcrsamcnll' cn1n a d:t s na própria estrutura 011 ti\> sistema de distri-
pt)rccntag'ern de umidade ele satu raç~hl. Ensaios . huiçiío tk energia clt•trica, (kvich> a fugas.
' n·a li zéldO~ pt·nnitiraln traç<H as curvas do gr.ifico.
q;11· C'\'ilknriam a vélri<H;ão dõl rcsistividadc . As pilhas, conforauc j:\ foi visto, podem ser ori-
ginadas pl'las dikrt•uças dl' conccn traç.'io s:tlina
Em J'II.'SCJuisil!' Jtovadas él deito n.1 E!Írupil, \'t'-· d;~s snh1ções t•xistcnll.'S no interior dõls peças :1.:
ri ficara m-:;t· as S<'gui nlcs n·sistividadcs : concreto. Assim, 11J zona de influl'nci:J das man's.
Jlll lllil t'staca de ront'rt·to ;tnn.1do mer~u lhélda en1
:í~11a do mar. J cnnct·ntra,·.í ,l tk Na('l ser;\ hl'm
con~rcto fr<'sco I0.000 \~. .:111 ;nai.>r dn l)lll' L'lll oulra.s z•mas; :1 f .c .111. re ft•r id<l
nlllCr<'h> i O dias 50.000 n. rn1 ao l'lêt rndo tk hiclrog~·nio .1pre.;nitara valores pn-
sitivos n11 nt·g:ui\·ns t'tllre u111,1 zo:1.1 c nntr:t.
l'oncrcto I 00 dia!> I 00.000 O . Clll
,\ fiiJ'I'OSlÍtl dr• fuf>IIÍ•t('CÍO c{(• ll('O l 'llft'l'rtldn
lc•m sidn rrgis/ra,fa Olllfl/0111('1/(c' no /itcrafum tá-
· ,\ :tdiç~n dt• :!0', d~· Na C/ hai .xa muito a r~·­ nica. Foi r•sta/l<'lt'citlo CJIII' t/11111 dos ccw.w 1s dr tal
sisti\·idadl'. rnrrosiio seio as rariaçrics Jltlll/11(/is. ao lo11go da
/ubulaçcio, das ronrcnlmçcics dr S(liS 011 outros
COIII/Ulslos ioni~~ci,·l'is do solo. rJIIl' funciona corn o
7 - O pH e o rH .u m df'frólil n. "(\;lulas" di' ro1rrosâo d<~slc fil'o.
-·' cl wnuufos c,:/u/as de 1'11/ll'l'ltl ruçrlo di{t•rr•flcial, siio
i\ arn1ad11r<l dt· ,,~·n 1111111<1 cstrut m il · d~.: rnu- tnfl:·iidcmdas ele mainr ÍI/IJ'orlríncia na corroscl o do
crcto armadol, 110 t'Sludo da corros;io, (· .11acada <ln 1/('0 nn SI . .i\lulco-/Ja)' ll 'llrd flridgc. Dift·rcnças
cn t1 <1r cm contato l'llm solu~·ão s.1lina de maior dL· l'Oill'Cillf,1Çiio 110 l'Oilt'rl'to Úlll iC[O, <'il' lrulíticn.
fl li lllCIIOr COIIC'Cnlr<t,·;io, ljlll.' deVl' ~t·r idtntificad:l stin tkv idéls ;, distrihui(ilo n.íu uniforllll' ~~~· s;1is
por ~u:ts C<lrilck•rístiras principai~, ·dL'n trL· as qu:ti!> 111arinltns qu..: pt·m·ttar,11ll no roncre to..: à distrihui -
se <ll'slacn1n as de .1citkz t' as de nx id:tt,'iío. ~·ão lksigua l de :'1g u:t ahsur\'id.1 < ~ • ''· ~'·>.

A esc<1la de l'l('itll'i( i.: llll'dida pt•ln pi l, dcú- I\ conct•ntr,1t; flu. ('III íons C/, encontrada 1111
nido como o log;aritnw do inwrso da ColllCentraç;in CIIIICI'Cto da rdcrid<l ponte. foi :l scguin I L': O. I or r
elos íons de hidrngC•nio na Sllhu;fw. Qu;ando se km o n<ts vigas. 0.30'; nas <'s lat·as l' 0.04 na face infl'-
rior da l:tjc, l'lllburél se <:IKOnlr:tsse 0,50'; junto
pH = 7 a :;oluç?io t' lll' lltril, tornando-se ;'tcida
;1 scções muito cnrroida:; ~~~ ''· ", 1 •
pélra pH < 7 l' alcalina para pi I > 7.
Nil pt·sqtiisa rC'ali zada p:11 <1 ddcrminil r as
Norru:tl lm.•nk, :JS sl)fuções aquos:ts t•xistcnll's
causas d:t corrosfio n:t Pont(' S. t\\ ~tco, procl'-
no interior de 111n co nCrl·tu ele Ci1uentn são forte- dcu-sc à dcl crmiiHIÇ<io in /oro das difcrt'nç<ls de
mente nlcalinas, podendt) :tp rcsc ntar pH supL·rior potcnci:tl, kndo :;ido cncunlracl,1s zonas ck~ 0 ,3 V
<l 12. l', 111CSIIlO, de 0,4 V {~::fi.~, • ~n ) .

Para lllll nwstno pH, ent re tanto, pudem as


soluções ser lllais •>U menus oxidantes c, por isso. ] . I . I Corrf'nles pomsifas - Pesquisas rca-
em fisico-quimica introc1t1zi.u-se 1n11 nôvo f ator dc- lizatlas pt'lo lu st itu!CJ ele· Pcsqnisas · Fl.' a ovi<lrias.
· 'IOIItinado úx ido/rcdução c dcsi!!lléldu por di I" '· do Jar)ão (!r."· '"0 >, mostri\rélrn que, senclo técnica

·-· 19 -
e ecoflômiwmcnle !ltficíl de sr e1•ilarem lôdas as ,\ s llgur<l~ .1 4 c 1;1 111os tram qu~ ii n:::.ist ivi-
perdas de i'/ellicidadc pelos tri l/tus das /NroJ•ia." , l:tdc de 60.000 olu11s. un í: assegurada nas nrga-
eletrificadas, algumo fuga de cor rente 1; ineJ•ilti- lll<ISSils quc p •>SSltant ahson;5o inicrinr a cêrca d~:
''el ( fig. J:l ) . ô :t 7r~ . Cnmn n nrgrrmns.<w. Tirc/iniuiamcntl', com -·
flrl'flldC ârra d e .50( ( do pho elo concr eto, se-
• gue- se CfliC' , se n ronrrclo conltnclo sais em disso-
/uçcio fi(Ío li Per mais de J a 3 ~Í ~ ( ele umidade.
í: : :n~ ·· a rorrosâo SNÚ rclo rdoda 0 11 possiJ•elmente elimi-
, I I'·:~·~
_,'
. ~ ..~~;~·~ I I
nado<"~ P . 37 e a ~ ).
_ _ _/ J / ' ,' , , ·. ' ,. ,.~,. ot co• •tJIIrt
,.,. ·-.
• pO ·'f~A
.
JO. !'"( 0 JIIIUhl

\ \ t"Uf.t .t • t.( C(U llll tt .

\ f t f r 1 (.l<U tt õ lC tÓ OU U lf Ar.t• U
~~ ~ -----~~~~ ~~J. -
1 aoono

. ; .
r-+------1---r--+---~- ~--4--4
!
J_. .. --- f--
i
[m llH.'d id as dirc1<1s ren li z.1d.1s pdo n:krido
Insti tuto, for:1111 L'Jil'on tradas no solo, c m T óquio . .?
l,
. ..I
dilc n~ n ças de p o tt·ncial média-;, l'lll 24 hor as. d:t
orck m de I O V, t'\'t'llllla l mentl.' a tingindo até 24 V. : l OOO> 1------1\-- _.,._
'

Consideran do l'SSils h.:nsüt·s L' a rt·sistiv idadc


~ \. '
---T-
~ ~ I
d·• so lo 1: du c,liii.'!Tio, pode-se l.'lli.'On tr ar nté 5 V 4 01'.(1,) 1---- -;

~-· ~--
·- -·~t- :-. -:l·'~:;;j;-~-~
rnt re o concn::o t' as annad urns de peças de con-
crehl armado l'nlcr rn das ("'' 1'· """l.
. _[ . . ' --- ·-
1.::111 II<JSSu :>:\is I.'IJtl:'.I.'\1111; -S<: fug:1 t i\: Clll'I'L'n-
tC c:létril'a prow.nie ntl' dos trillws di.' li nh as de
lJOntll' , dando o: it;clll a CO;Tl'IIII.:S que p ( rCIJJ'I'\' 1':1111
dezcu:is (!(- qui lt\ml'lro!; <tl(av(·s tk Ci:W'llizaçcit·s
>MOO,- - -- - _ .. _ !_ -.. I -!----·-. -.;-·-==-:d
o,. Oi \'UI('~N C.A AJ !;.;.a.U~ !; -l S(CA ('t t 'T"''" ·
mt'lá!icas.
1-~iJ;'. 1 l - O !'Í•·ho {)(\ fu t o r tl,;ua/dul t' lliu n u '"!'ti~t h·i d utl,•
Uma d:.s estrut mas mant11nas de concrd n th, nrJ:'n l nat( ~l\ (>('JU \';\rins p u rt•PnhtJ':'f'fh ~ ' .- n ntid a d t•
armado já as~ iua l adas c que a prcscnt.1 ril m sinais
de co r ro s;lc' de trolít io. situava-se l?m Nitcrói, jun-
tcJ à csta<;."to das barcas, a poucos mctn1s das linh.1s
de hondl' sujeitas a perdas de !'letr icidade, certa-
nwn te táq ·imp11rta nfl>s quanto :'Is medidas em
Tóquio.

3.2 Resist ividade do concreto

Foram n·a li zadrlS ensaios visando ca ractcri-


z:tr a va riação <lc rcsistivi<lade tio concrt:to, por
me io de corpos dl' prova de or~onwssa, nos qu<tis
se fa zia variar o fator água/ cimento c o teor de
sal dissolvido n.1 !1gua de amassamcnto (:J 1' · "" • 3 ;1.
Os resultados reprcseut:tdos nas figs . .14 c
15 mostram que, tan to o fator ajc quanto a con- .
ccntração. têm fll(!llúS influência sôbrc a rcsistivi-
·Jadc da a rgamassa., do que a porcentage m de
água .lbsorvida.
Na ponte de St. Matco, fmam determ inadas
as resistívídadcs do concreto cm numt'rosos pon-
tos, e cons tatado que os concretos de rcsistividades
. superiores a 60.000 ohms. cm não apresentavam
trincas, ou seja, que, nesses casos, o potencial clé-
frico que possa e xistir dá or igem a corrente de tão Fig. Jll - O e feit o d ns sAis ma r inho• s()bre " re ~ls th·ldade
baixa intensidade, que se torna inócua (fig. 16) d i\ tus-aanassn <'Ont •·ârlns p or<'ent at:t:n" · d o umlt!n de (con-
(23 ' ' · 31 ) s id e rados em m édl" todo~ os f a t õ rc a á~u a/clmento) .

-20 -
tssés 'dados concordam com pesquisa mlcla- d t• va n os centímetros, embutid a~ num corpo d e
da n a Associação B r asileira de Ci mento Portlancl, prova rl'lirado da ponte SI. i\\a teo, quando o con-
. stihn: CMrosão dl! armaduras dt~ cstrulliras de con- creto estava sêco .1o .. a.r. Quando o concreto foi
trêtt• protenclido. umedeciclo, a corren te elevou-se a IO micro-am-
peres <t• p . : 3 >.

3 . 3 . I Oxidaçcín c disso!uçtio - Na a rma-


dur a de uma peça de concreto armado, en1 pre-
sença da <'•gua c cm meio mui to alcal ino, podem
üCOrrcr ( ~:''· ,: r.> as scguin k s siluaçÔl' S: .

a) se a armadura esfiver cnfcrmj ada no momen-


·- ' -1. to da colocação na obra, f i~nd perfeiUt lllcn te
o•
o li mpa !lcpois <le algum tempo, :tpós o endu-
o reci mento do concre to, cm conseqüência d.1
absorção dos óxi dos ft' rrosc>s pelo l igante . É
que ,em 111cin lllllito alc:t l ino, t'J ll p rl"iCn~·a d<t
·l,--.1__ , ~ cal hidr:t tada .•1 ferruge m Sl' transforilla Clll
ferrite> dl' c:ílcic), que é um sal hranco < ~~ ''· ~ 2'·> .

n~. IG - l 'o te n e lnl tl e n w in t'éluln cm r un cii o da re -


2 Fc {Of-Jl ~ + Ca ( OH ) :.....,) (Fc O, ) ~ .Ca + 4 H~O
ft•rru gem l'nl ft•r•·lt o d o! t ll lr lo
tt h. ti\'llhulo do COn(' r c tu.

h) · nas rt•gi\it•s cat úd ic~s h;í rcd uc;iin da ferrugêm


3.3 Ele trólise d as armaduras
Fr(Ofl ) ., + . Jt2 H2 -; F, (011 )e + 11.0
A Sl'(' uintc êXpi.Tiência ll lllStr<l a impo rt ~ n -· h ltlr (·.~ t clo rrorroso

"'
ci.:t do :tssunlo ( : J 10 • 3 '~ . Foram feitos corpos de c r>lll a fn r mnç:ín eh~ un1 hidróxido fc rn•so fra -
pro r a de ar~OIIWSSO COI/I 4 '' X. ..J" X -J ~~t , fi OS quais ca nH'Illl' snlúvd c i ncoltJr. ·
f oram insrlidos dois l'léln •dos de aço de ~~i" x ?.'
Sl'J•arodos I'Or :?" dr d i.~lcinria . A ar~:a,lta.~ sn cnt!- A o xida t;ilo qu ími(:t de) i:.:~ ro c xi g~ :t p rt:SC'nÇ.1
linllo dr r /Ori'(OS , de 0~ ; ,
p !l r(l'fl ( clg t'IIS l'l?ritÍl'l'ÍS !.ÍJnul t:lnca tk' uJnidadc c ('xigC·nin, prnccss .1 t l do - ~c
0, 10 ~(, 0,25 ',n e O,fiO ~L E ntre os dêlrodus fêz-s1· d :t Sl'gu intc h>r lli:J (:• r•. 3 " ' ' :
passar r urr l' tlfr continua ronstnntc dr 0,5 \', 2F c
JOV . Os ,.,,,..tlios / M ilJII /C'ilos com (lfg ruJIIIS.Wt ele ..J Fe + ,'J 0 ~ + fJ 11, 0 --) ' 4 Fc ( OH),
f1 mt·ses, c os resultad os { ow 111 os sr guin ! l's:
hlclt·n xh lo:- r,<,.,.;.,.,

q ue <l;í origt'lll ao hid r(.xido f(·rrico ou fer n tg,·Jn .


Qll:\ I> RO 11 - H••sist1'ncll\ I' III ohms.
l\ ('Orro:;fto r o xid.:t,;ft •> déls ;~r~11 :t dmas :>l '
~(, I'I Orf'l O o,:. " 2 \' lO v
. JHn( l'SS:llll sob.1 ação da corrente t.•l(·trica, da sê-
0,60 4.500 (5·1> 550 (l l) 300 ( 4 ) g uin lc form;t (f ig. 17):
O,:l5 12.000 1.700 <1 Bl 410 ('!)
0 ,10 n.ooo 1.800 3~0 ( t\)
0,0 GS.OOO 2.000 2SO (4}
X01'A: Os nú m r ros cnl rr Jl:ll'ênl csrs inrll c;, m os d lns,
t ind os Q~ <l tu tl~ o s <·orpos d e Jlf O\',t nunpl't'am -sc.

Procu rou - se, co111 í:stc C'HSa in , reproduzir con-


diçôes reais de t k !rl>lisr de ~.· o n crdo snb a .1Ç<io
de co rrrnk d e in kns idadcs va ri:'1vt is l' l 'Jll Sr ) l ll -
~·õrs <lc r onccn l raç ti t•s di vc rs <~ s.
() IJs rn•ou-s r o IIJ>tln ' cinll' ll f o de â~ua ronlen-
do COII If'O.<;los d1• f N ro nu superficir d o w nar lo F ig. 17
Jllnlo ao clarodo rmótlico, tws CMfl t>::; de pro l'(!
contendo clorl'ios l'lll soluçtio <"·' 1' · :·~> .
No c{tl odo, mcrgul llad•> 11 <1 sol w;.'ío, proces-
T ambé·111 foi l:xccul aclo um corpo ele p ruva
sa- se a S\.'guin te rcâção :
tcn<.lo, numa 11H:t.1de, a concentração de 0, 105(. C/
(', na outra, de O ,G O ~ i Cl c veri f icou-se a pn ss<~gc m 2 H"O + 2 (' - ~ l-J 2 + 2 ( 0 /·f) -
ele corrente qu:~ ndo os clétroclos foram l igados. O
l'l(:trodo co rresponde nte à maior concentração, tuw - com a formaçã o de hidróxilas, que entram (' Jll cem-
do, npn:sentou-sc com corrosão. tal o com íous Fe• ++ . processando-se nova n~ação
Constatou-se ta mhé·m um f lt1xo de· corrente
de 0,7 m icr o-amper es entre d ll<tS ua rras afast a<las

·-21 -~
Então, n corrnsâo ocorre no ânodo fll!/a rc- Zo n.J 13·- de disso l ução do Fe sem ferrugem .
liWt.;lio de íons Fc, e a nxidaçâo se dô 110 câtodo Sais de ferro de côr branca. Insuficiência de: 0, .
pell/ deposiçlío de (O ri) - , dando origem ao J!idr ó-
xido f(!rrico <2 71'· ~ 7 r,>. Zona C - corrosão com ·ferru gem.
Note-se que ns ions Fe difundem-se mais r à- Zona D -corrosão com form<lçãu de ferri tos.
pidanwntc que os ions (01/). Zona E ·- - poss i bi l idt~dc de oxi dação gene-
J\ rcação cldrolítica torna-se mui to mais in- ralizada.
knsa se houver presença de oxigênio, pois ocorre Zona F - possibilidade de oxidação rápida.
n St•gtl in te:
Zona G - pi1ssivação provável.
2 l!oO + Oz + 4 e- -? tJ ( 011)
A passivação do fe rro cm estruturas maríli-
Ncs f ~C<lso, tanto a corrosão uo finod o con1o a ox i- uws de concreto armado se daria quand•J se ti-
daç.in no c:'ttotlo auml'nt:lm dt~ muito. vesse:
J\ p.1ssagcm dt' uma rorrC'nte cléirica pode 2 pi1 + r!I ~ 48
dar tHif~enl a uuw ilç,'ío eletrolítica, ()UC pode ser
;q>rcci;-tda esqut·m;'ttirameult: pela figura 16 <n P.
, .~ ,.)

4. CONCLUSÃO
Ne!'S:l l ígur:1, t'm :~hscissa, lt;í 11111.1 esc:da pl-1
caracter ística da sdhl~·ão ~xis tcntc nos pt>n>s l ' O concreto lwm dosado c bem executado <lS-
vazios do concreto. E de se observar que os con- sq~ura prolcçãl) dicicnlc às arlll:ldtrr:ts das cstru-
creto:-; .1pn.:sent<lm pi-I acima de 12. Porém, nas zo- tur:ls de com:rl'to :1r mado.
nas d.: i nilu~ncii'l dt• marés, c d ado o podt•r disso l-
P<Hicnt, cntrctanlo, ocorrei· cm estr uturas su-
..t'n lc d a :ígua thl mar, pode haver uma remoção
jcii:Js :1 ccrt:ls fonnas de ;1guJs agrt•ssivas, como
dl' CaO elo count•tu, que conduz, ao longo do
em estruturas marí timas de roncrcto Mmado, k-
l\' lllpo, a u ma r~dlt l,'<io dJquc:k pl-1.
nômcuos ck tro-quí micos hastautc COill plt•xos c dl'
Na figur:l I~ :lCh.llli- Sl' assinakcdns zou:ts d~itos vari<ivcis.
ddinídi'ls por retas inclinadas, v:.!ri{t\'Cis com o rH,
l':~ra o kcnolo g i:st~ thl Ct)ncrcto importa to-
:p:c, por su« \Tz , tlcpl' l HI~ da difert•nça de pc. t~n ­
lllilr C<lllht•cinkn rn dC' que::
l i;d ~.:x i s tcnk'. ;n\·dida por 1110io <k um d(otro<io
de hidrog~·n i o c rt'prescJttada cm nr<knadas.
o wncrclo pode ser dus~do de modo a ter
alta rcsistividadc clétrit:a ;
l Mt/CAl.Otrirl. ~A nJ~\;.t'!r,,

.•I
( H


1 -
par.1 resistivicl<l ,!es superiores a GO.OOO n r~n.
ns correntes são tão baixas que não llawrá
.. _.
perigo de atingirem i nlcnsidadcs dano~<~:',
mesmo que se formem diferenças de polen-
1,"2' .. ci:JI elétrico.

Seria de alto inlerêssc o p rosseguimento dos


0,6 . estudo:; q ue apresentamos à atençã<' dos cspecia-
M- li st:~s, incl usive du ponto de vista prft tico, pela cx-
. o.' perimclitação, no sentido de ser fixado método de
G,l '
dosagem que perll!ita reduzir, com segurança, a
absorção de itgua.
o
. o.: .
..o.• - REFERtNCIAS BIBUOCRAFICAS
· 0,0 ..
1. ASSOCIAC .\0 Brasilei ra de Cimento Po•·lla nd - Etel- ·
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Nl'ssa figura disti nguem-se as seguinh:s zo- rosi\o · eletrollllca das nr madurns de concreto armado:
nas de possível ação elctrol i tica: estudos modcrnoa. Sii•> Pnu lo, ADCP, 196'1.
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