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FICHAMENTO – A ESCOLA COMUM INCLUSIVA

O texto busca mostrar a interface entre o direito de todos à educação e o direito à


diferença, ou seja, trata da linha tênue traçada entre ambos e de como esse direito vai
perpassando todas as transformações que a escola precisa fazer para se tornar um ambiente
educacional inclusivo.

PARTE I

1. SOBRE IDENTIDADE E DIFERENÇA NAS ESCOLAS

Os sistemas educacionais constituem-se na divisão entre alunos normais e alunos


especiais, mostrando-se abalados com a proposta inclusiva da educação. Isso acontece pois
são criados espaços educacionais distintos para seus alunos, a partir de uma identidade
específica, e estão organizados pedagogicamente para manter essa separação, por meio da
definição de atribuições de seus professores, currículos, programas, avaliações e promoções
distintas para cada um desses espaços.
A ideia de inclusão é mais do que somente garantir o acesso à entrada de alunos
chamados especiais nas instituições de ensino, é eliminar obstáculos que limitam a
aprendizagem e a participação dos mesmos no processo educativo. É por meio da
representação que a diferença e a identidade passam a existir.

2. ESCOLA DOS DIFERENTES OU ESCOLA DAS DIFERENÇAS?

A existência de escolas comuns — que atendem alunos que são igualados por uma
falsa noção de normalidade — e de escolas especiais — que são voltadas para alunos que
supostamente não se encaixam nesse primeiro grupo — é resultado de medidas excludentes.
Essas escolas podem ser classificadas como escolas das diferenças por não se alinharem aos
propósitos de uma escola para todos.
Quando se abstrai a diferença para se chegar ao aluno, a inclusão perde seu sentido.
Conceber e tratá-los igualmente esconde suas reais especificações. Porém, enfatizar suas
diferenças pode excluí-los do mesmo modo. A diferença fica evidente nas escolas dos
diferentes, que tanto podem ser escolas especiais como escolas comuns, quando ambas se
restringem a receber apenas alguns alunos, ou seja, aqueles que correspondem às suas
exigências.

3. A ESCOLA COMUM NA PERSPECTIVA INCLUSIVA

Na perspectiva inclusiva, a escola comum precisa reconhecer as diferenças dos alunos


diante do processo educativo e adota novas práticas pedagógicas para permitir a participação e
o progresso de todos.
Essa revisão pedagógica exige determinação dos que estão envolvidos nas escolas e
em todos os níveis de atuação, como professores, gestores, pais e também outros profissionais
que compõem a rede educacional.

3.1 MUDANÇAS NA ESCOLA

O texto mostra que são válidos todos os esforços para a mudança nas escolas. Porém,
os desafios são muito maiores, pois envolvem decisões em todos os âmbitos da vida escolar,
trata-se de tudo que está instituído, ou seja, leis, documentos e todas as demais normas do
sistema. A escola não é uma estrutura pronta e acabada, ela é a construção de todos que fazem
parte deste processo.
Portanto, “é ingenuidade pensar que situações isoladas são suficientes para definir a
inclusão como opção de todos os membros da escola e configurar o perfil da instituição. Não
se desconsideram aqui os esforços de pessoas bem intencionadas, mas é preciso ficar claro
que os desafios das mudanças devem ser assumidos e decididos pelo coletivo escolar” (p.10).

3.2 O PROJETO POLITICO PEDAGÓGICO, AUTÔNOMO E GESTÃO


DEMOCRÁTICA

O Projeto Político Pedagógico (PPP) é um documento escolar amparado por lei e,


como o próprio nome sugere, é político e é pedagógico. A autora foi a pedagoga Maria
Terezinha da Consolação Teixeira dos Santos.
“Sua atuação é nomear ações a serem executadas; deliberar atividades e projetos a
serem desenvolvidos pela escola para delimitar o seu rumo. Está expresso na LDBEN – Lei n°
9.394/96, que em seu artigo 12, define, entre as atribuições de uma escola, a tarefa de elaborar
e executar sua proposta pedagógica, deixando claro que ela precisa fundamentalmente saber o
que quer e colocar em execução esse querer, não ficando apenas nas promessas ou nas
intenções expostas no papel” (p.11).
Na prática, esse documento estipula quais são os objetivos da instituição e o que a
escola em todas as dimensões deve fazer para alcançá-la. O PPP deve conter a proposta
curricular e qual será a metodologia adotada. Essa proposta deve trazer ainda as diretrizes
adotadas para a avaliação da aprendizagem.
Além disso, deve nortear sobre a formação dos professores; como a equipe docente vai
se organizar para cumprir a proposta curricular e também um plano para o desenvolvimento e
capacitação da equipe. Ele é necessário para que haja o cumprimento do currículo e a
estruturação do corpo docente, para um suporte administrativo bem organizado.
O salto da “escola dos diferentes” para a “escola das diferenças” demanda
conhecimento, determinação e decisão. E muitas dessas decisões estão diretamente
relacionadas com as mudanças que se alinham aos propósitos da inclusão.
É verdade que muitas vezes outros caminhos são seguidos e que impedem a demanda
da inclusão. As mudanças não ocorrem pela mera adoção de práticas diferentes de ensinar.
Elas dependem da elaboração dos professores, o saber da experiência, subjetivo e adquirido
nas ocasiões em que há entendimento.
Segundo a autora do Projeto, a formação de turmas tidas como homogêneas é um dos
argumentos de defesa dos professores, gestores e especialistas em favor da qualidade do
ensino, que precisa ser refutado, porque se trata de uma ilusão que compromete o ensino e
exclui alunos.
Ao contrário do que se pensa e se faz, as práticas escolares inclusivas não implicam
em ensino adaptado para alguns alunos, mais sim um ensino diferente para todos, em que os
alunos tenham condições de aprender segundo suas próprias capacidades, sem discriminação
e adaptações.

PARTE II

1. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE

O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é um serviço de educação especial


que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, para a eliminação
de barreiras para a plena participação dos alunos considerando suas necessidades específicas.
Ele foi criado para atender o público-alvo da educação especial, que são as crianças com
deficiências, transtornos globais do desenvolvimento; altas habilidades e superdotação.
É um serviço de apoio à sala de aula comum, para oferecer meios e modos que efetive
o real aprendizado dos estudantes. Ao ser realizado na própria escola, possibilita que suas
necessidades educacionais possam ser atendidas e discutidas no dia a dia da escola.

2. ARTICULAÇÃO ENTRE ESCOLA COMUM E EDUCAÇÃO ESPECIAL: AÇÕES


E RESPONSABILIDADES COMPARTILHADAS

Os professores comuns e os professores da educação especial precisam verificar quais


são as barreiras que influenciam a aprendizagem e, em conjunto, elaborar uma estratégia de
trabalho na sala de aula. Ao compartilhar suas experiências em um trabalho interdisciplinar e
colaborativo, esses profissionais caminharão para o alcance de objetivos específicos.

2.1 O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO E O AEE

O Projeto Político Pedagógico (PPP) deve contemplar o AEE como uma das
dimensões da escola das diferenças. Nesse sentido, é preciso planejar, organizar, executar e
acompanhar os objetivos, as metas e as ações traçadas, em articulação com as demais
propostas da escola comum. No PPP, também devem ser previstos a organização e os recursos
para o AEE, como por exemplo, sala de recursos multifuncionais, aquisição de equipamentos
entre outros.
No caso de inexistência de uma sala como citada, o PPP deve prever o atendimento
dos alunos em outra escola mais próxima no contraturno do horário escolar, e no caso isso
aconteça, deve ser acordado com a família do aluno e se necessário a provisão de transporte.
Na operacionalização do processo, cabe à gestão zelar para que o AEE não seja
descaracterizado de suas funções e para que os alunos não sejam categorizados, discriminados
e excluídos do processo avaliativo utilizado pela escola.
O PPP define os fundamentos da estrutura escolar e deve ser coerente com os
propósitos de uma educação que acolhe as diferenças e, sendo assim, não poderá manter seu
caráter excludente e próprio das escolas das diferenças.

2.1.1 A ORGANIZAÇÃO E A OFERTA DO AEE


A organização e a oferta do AEE devem ser pensadas de acordo com as peculiaridades
de cada aluno, pois eles podem necessitar de atendimentos diferenciados tendo a mesma
deficiência. Ou seja, não existe um roteiro a ser seguido. É preciso olhar para a
individualidade e a história de vida de cada aluno, que terá um tipo de recurso utilizado e um
plano de ação que garanta a sua participação.
Dessa maneira, “o primeiro passo para se planejar o atendimento não é saber as
causas, diagnósticos, prognósticos da suposta deficiência do aluno. Antes da deficiência, vem
a pessoa, o aluno, com sua história de vida, sua individualidade, seus desejos e diferenças (p.
22). Os professores vão escolher os apoios mais adequados. Esse atendimento tem funções
próprias do ensino especial que são substituem o ensino comum.
Nessa perspectiva, cabe ao professor uma série de atribuições, pois ele deixa de ser um
especialista de determina área para fazer o atendimento educacional especializado aos alunos.
No decorrer da elaboração e desenvolvimento dos planos de atendimento para cada aluno, o
professor de AEE se apropria de novos conteúdos e recursos que ampliam seu conhecimento
para atuação na sala de recursos multifuncionais. O desenvolvimento de todos os processos de
ensino deve contar com a participação da família e da própria comunidade onde a escola está
inserida.

2.1.2 A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O AEE

A atuação de professores no AEE acontece por meio de uma formação específica, que
atenda aos objetivos da educação especial na perspectiva da educação inclusiva, em cursos de
formação continuada, de aperfeiçoamento ou especialização, indicados para esta formação.
Surgem também metodologias ativas de aprendizagem, quando se refere a
flexibilidade diante das questões que surgirão e dos conhecimentos que se construirão durante
o desenvolvimento dos trabalhos.
Essas propostas colocam o aprendiz como protagonista do processo de ensino e agrega
valor educativo aos conteúdos de formação. Os conteúdos não se tornam a finalidade, mas
sim os meios de ensino.
A aprendizagem colaborativa em Redes – ACP é outra metodologia composta de
trabalhos individuais e coletivos, que prepara o professor para perceber a singularidade de
cada caso e sua atuação à frente deles.

PARTE III
1. SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS

As salas de recursos multifuncionais são espaços onde são realizados os atendimentos


educacionais especializados nas escolas de educação básica. Para atender aos alunos da
educação especial em um turno contrário à escolarização, esses locais são organizados com
mobiliários, materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e equipamentos
específicos.
Com o objetivo de contribuir com o fortalecimento do processo de inclusão
educacional, foi instituído o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais,
que podem ser de dois tipos: a sala Tipo I é constituída de todo o aparato descrito acima e a
sala Tipo II é acrescida de recursos específicos para alunos com cegueira.

1.1 CONHECENDO ALGUNS RECURSOS ACESSÍVEIS

Neste capítulo, são indicados alguns dos recursos acessíveis, tais como: jogo cara a
cara; maquete da planta baixa; máquina braile; jogo da velha e dominó; teclado com colmeia,
entre outros, mostrando a forma que se consegue alcançar cada aluno no seu
desenvolvimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para finalizar, conclui-se que “a garantia de acesso, participação e aprendizagem de


todos os alunos nas escolas contribui para a construção de uma nova cultura de valorização
das diferenças” (p.37).
Apesar de a caminhada ser longa, com muitos desafios em todas as escalas de
atendimento a esse público, ações para essa consolidação estão sendo feitas com firmeza e
envolvimento de todos que estão se empenhando para que as escolas se tornem ambientes
educacionais de fato inclusivos.

REFERÊNCIA

ROPOLI, Edilene Aparecida et.al. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a


escola comum inclusiva. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial.
Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010.