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Estatuto da Cidade e o

Plano Diretor 2
1. OBJETIVOS
• Compreender os objetivos do Planejamento Urbano.
• Compreender as diretrizes contidas em um Plano Diretor,
atentando para a importância desse instrumento para o
Planejamento Urbano.
• Identificar os principais pontos trazidos pela Lei n.
10.257/2001, o Estatuto da Cidade, para o Planejamento
Urbano.

2. CONTEÚDOS
• Planejamento Urbano.
• Plano Diretor.
• Estatuto da Cidade.

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações
a seguir:
1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referência
de Conteúdo; busque outras informações em sites con-
fiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresentadas
ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na moda-
32 © Planejamento Urbano

lidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determi-


nante para o seu crescimento intelectual.
2) Busque identificar os principais conceitos apresentados
relativos ao Estatuto da Cidade e ao Plano Diretor.
3) Faça a leitura do texto da Lei n. 10.257/2001, especial-
mente dos artigos mencionados no Conteúdo Básico de
Referência.
4) Não deixe de recorrer aos materiais complementares
descritos nos Conteúdos Digitais Integradores.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Vamos iniciar nossa segunda unidade de estudo, você está
preparado?
A Constituição Brasileira de 1988 inovou a política admi-
nistrativa ao atribuir aos Municípios um papel de destaque, não
somente como unidade político-administrativa autônoma, mas
igualmente como instrumento fundamental na implementação de
uma justiça distributiva.
Ela ainda destacou a importância da política urbana, seja
como meio de garantir a função social da propriedade ou, mera-
mente, reorganizar o espaço geográfico das cidades, garantindo
uma melhor qualidade de vida.
Contudo, é evidente que os Municípios brasileiros se mos-
tram desestruturados e incapazes de incluir social e economica-
mente de forma conveniente todo o contingente populacional a
que eles se destinam.
Assim, faz-se necessária uma reforma urbana, com o obje-
tivo de absorver de maneira adequada essa população excluída,
contando, inclusive, com uma gestão democrática nesse processo.
Diante desse cenário, surge a Lei n. 10.257, de 10 de julho de
2001, denominada “Estatuto da Cidade”, que vem regulamentar as
determinações constitucionais referentes à política urbana, conti-
das nos artigos 182 e 183 da Carta Magna.
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O Estatuto da Cidade instrumentaliza os Municípios com o


objetivo de garantir o desenvolvimento pleno das funções sociais
da cidade e da propriedade urbana. Tendo em vista essa impor-
tância de reestruturação do uso da propriedade urbana, torna-se
o objetivo central de tal ordenamento a regularização fundiária e
urbanização de áreas ocupadas por populações de baixa renda.
Nesse sentido, cabe, também, ressaltar a importante função
do Plano Diretor, instrumento básico de política de desenvolvi-
mento urbano, confeccionado a partir de uma gestão democráti-
ca, aprovado por lei municipal e integrado ao Plano Plurianual, às
diretrizes orçamentárias e ao orçamento anual.
Finalmente, o Estatuto da Cidade visa o estabelecimento de
uma nova cultura política com a participação de todos os agentes
e atores responsáveis pelo desenvolvimento da cidade.

5. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA


O Conteúdo Básico de Referência apresenta de forma sucinta
os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão inte-
gral é necessário o aprofundamento pelo estudo dos Conteúdos
Digitais Integradores.

5.1. PLANEJAMENTO URBANO


Na visão de Silva (2006, p. 89), “o planejamento, em geral, é
um processo técnico instrumentado para transformar a realidade
existente no sentido de objetivos previamente estabelecidos”. Ain-
da, Mukai (2002, p. 94) nos traz:
Em um sentido amplo, planejamento é um método de aplicação,
contínuo e permanente, destinado a resolver, racionalmente, os
problemas que afetam uma sociedade situada em determinado es-
paço, em determinada época, através de uma previsão ordenada
capaz de antecipar suas ulteriores consequências.

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Nesse sentido, devemos entender o planejamento como um


instrumento destinado a uma ação transformadora de uma reali-
dade. Para tal, os planos devem contemplar causas complexas no
tempo e no espaço, articulando argumentos fáticos e técnicos com
o objetivo de possibilitar, de forma incisiva, uma intervenção na
realidade, tendo por fim a resolução de problemas comuns e uma
melhor adequação das relações econômicas e sociais.
Para tal, deve-se afirmar esse caráter de integralidade do
planejamento, uma vez que as medidas que serão implementadas
deverão pautar-se numa abrangente análise dos fatores econômi-
cos, sociais e físicos envolvidos.
Essa complexidade do planejamento abrange, ainda, a coor-
denação das etapas de produção abstrata do plano e sua execução,
demandando uma integração dos órgãos técnicos e executivos do
Poder Público.
No caso específico do Planejamento Urbano, essa coorde-
nação não deverá ser observada apenas no âmbito municipal da
administração, mas deve se estender, inclusive, no plano vertical,
pois os planos municipais deverão atender às diretrizes traçadas
pelos Estados e pela União, por força de nossa Constituição Fede-
ral.
Em face da diretriz trazida pelo artigo 48, IV da Constituição
Federal, os planos adquirem, de fato, natureza de lei, sendo deter-
minantes para o setor público e indicativos para o setor privado.
Sobre isso, Silva (2006, p. 95) relata que:
O planejamento urbanístico não é um simples fenômeno técnico,
mas um verdadeiro processo de criação de normas jurídicas, que
ocorre em duas fases: uma preparatória, que se manifesta em pla-
nos gerais normativos; e outra vinculante, que se realiza mediante
planos de atuação concreta, de natureza executiva.

Nesse sentido, o plano urbanístico, sob o aspecto legal, pode


ser entendido como um procedimento jurídico dinâmico, tendo,
ao mesmo tempo, característica normativa e afirmativa, ou seja, a
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atividade planejadora, com base nas diretrizes técnicas então insti-


tuídas, promove a atuação urbanística concreta (AMORIM, 2012).
Ainda de acordo com o autor e como dito anteriormente,
a Constituição Federal de 1988 atribuiu grande força normativa
ao Planejamento Urbano. Além disso, consolidou uma Política Ur-
bana Nacional, com ênfase à integração das ações entre os entes
políticos e, ao mesmo tempo, reconhecendo a complexidade da
atividade urbanística na busca pelo bem estar social e na garantia
da função social da cidade.
Nesse sentido, a Constituição Federal, ao vislumbrar os eixos
primordiais para uma eficaz atuação transformadora do urbanis-
mo, qual sejam, os aspectos econômicos, sociais e físicos, articu-
lou uma estrutura de poderes e atribuições entre os entes federa-
tivos com vista a consolidar uma política urbana integrada a nível
nacional (AMORIM, 2012).
Promoveu-se, dessa maneira, a institucionalização de um
sistema de Planejamento Urbano no Brasil, estabelecendo, para
isso, uma tipologia dos planos urbanísticos, instituindo competên-
cias determinadas a cada ente, de acordo com suas finalidades
político-normativas (AMORIM, 2012).
A Constituição Federal, nos ditames dos artigos 21, IX e XX;
24, I e §1°; 30, VIII e 182, implementa o sistema de Planejamen-
to Urbano no Brasil, prevendo a seguinte tipologia de planos ur-
banísticos (AMORIM, 2012, p. 121):
Planos Federais:
- Nacionais: instituem as diretrizes gerais do desenvolvimento ur-
bano;
- Macroregionais: planos pontuais destinados à promoção do de-
senvolvimento de determinadas regiões, cuja execução, via de reg-
ra, é de responsabilidade de superintendências;
- Setoriais: ordenação territorial especial (planos específico: viário,
proteção do meio ambiente, transportes etc.);
Planos Estaduais:

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- Gerais: limitam-se à ordenação do território estadual, observadas


as diretrizes gerais;
- Setoriais: planos específicos (viário, transportes, etc);
Planos Municipais:
- Gerais: plano diretor;
- Parcial: objetiva a ordenação territorial, consubstanciando-se em
planos de zoneamento, controle e uso do solo;
- Especiais: previsão de instituição de distritos industriais, reformu-
lação do traçado urbano, etc.

As leituras indicadas no Tópico 6.1., tratam do Planeja-


mento Urbano. Neste momento, você deve realizar essas leitu-
ras para aprofundar o tema abordado.

5.2. PLANO DIRETOR

De acordo com a definição constitucional do artigo 182, §1°


e do Estatudo da Cidade, artigo 40, o Plano Diretor é o “instrumen-
to básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana”.
Inclui-se, aqui, a observação da definição dos requisitos,
para que a propriedade urbana cumpra sua função, sob pena de
consequências legais, deverão ser expressas nesse documento ju-
rídico chamado Plano Diretor (artigo 182, §2°, combinado com o
artigo 39 da Lei n. 10.257/2001).
Meireles (2003, p. 518) define o Plano Diretor como “o com-
plexo de normas legais e diretrizes técnicas para o desenvolvi-
mento global e constante do Município, sob os aspectos físico,
econômico e administrativo desejado pela comunidade local”.
Ainda, nesse sentido, de acordo com CEPAM (1999, p. 238),
o Plano Diretor:
Seria um plano que, a partir de um diagnóstico científico da reali-
dade física, social, econômica, política e administrativa da cidade,
do município e de sua região, apresentaria um conjunto de propos-
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tas para o futuro desenvolvimento socioeconômico e futura orga-


nização espacial dos usos do solo urbano, das redes de infraestru-
tura e de elementos fundamentais da estrutura urbana, para a
cidade e para o município, propostas estas definições para curto,
médio e longos prazos, e aprovados por lei municipal.

Tendo em vista a característica dinâmica das normas urba-


nísticas já explicitadas, cumpre observar que o Plano Diretor, igual-
mente, não poderá ser estático, não se limitando a construir um
projeto de grande porte que tenha como conteúdo apenas norma-
tizações referentes a obras e serviços públicos.
Ao contrário, deve o Plano Diretor apresentar um caráter
dinâmico, adaptando-se às novas demandas, às inovações socio-
econômicas e físico-territoriais, de maneira a sempre preservar
a atualidade e eficácia das medidas programadas. Nesse sentido,
Amorim (2012, p. 126):
Sendo dinâmico o plano, mas sendo uma lei, sua eficácia distancia-
-se da realidade com o passar do tempo. Imprescindível, pois, que
seja atualizado, atentando à nova realidade, ou seja, às mudanças
operadas na realidade empírica. Esta altera-se frequentemente e
muda o interesse de cada micro-realidade. Logo, é necessário que
o plano diretor acompanhe tais alterações. Por isso é que a lei na-
cional determina que seja revista a lei que o instituir, pelo menos a
cada dez anos.

Outra característica do Plano Diretor é a sua integralidade,


devendo ser contemplados aspectos referentes ao desenvolvimen-
to em si – habitação, produção e recreação –, ao plano econômico,
ao plano social e administrativo (AMORIM, 2012).
De acordo com o §1° do artigo 40 da Lei n. 10.257/01, o
Plano Diretor direcionará a lógica do planejamento municipal, que
deverá ser observada, inclusive, pelo plano plurianual, pelas dir-
etrizes orçamentárias e pelo orçamento anual.
Nota-se, contudo, que a característica de integralidade não é
incompatível com a independência de outros planos urbanísticos
específicos, como os planos de expansão urbana ou de reurbaniza-
ção (AMORIM, 2012).

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Ainda, o Plano Diretor é instrumento necessário à realização


dos objetivos da Política Urbana previstos na Constituição Federal,
conforme já vimos nos Conteúdos Introdutórios, quais sejam a fun-
ção social da cidade e a função social da propriedade urbana.
Portanto, o Plano Diretor deverá ser baseado na ideia de
cidades sustentáveis, refletindo na preocupação com a integrali-
dade dos aspectos econômicos e sociais, com o bem estar coletivo
e com o meio ambiente. Dessa maneira, o foco principal deve ser
a pessoa humana, garantindo-lhe uma vida saudável e produtiva,
atendendo aos direitos à terra urbana, à moradia, ao saneamento
básico, à infraestrutura urbana, ao transporte e demais serviços
públicos, ao trabalho, ao lazer e ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado. Nesse sentido, Amorim (2012, p. 127) afirma que:
A incorporação da função social das cidades como preceito que
deve balizar a política de desenvolvimento urbano, à luz do desen-
volvimento sustentável, aponta para a possibilidade de superarmos
o marco da crítica e da denúncia do quadro de desigualdade social,
e passarmos para a construção de uma nova ética urbana, em que
os valores ambientais e culturais se sobreponham no estabeleci-
mento de novas cláusulas dos contratos sociais originários de no-
vos paradigmas da gestão pública, mediante práticas de cidadania
que reconheçam e incorporem os setores da sociedade excluídos
de seus direitos e necessidades básicas.

Com o objetivo de assegurar a efetividade do Plano Diretor e


manter instrumentos de participação popular, o Estatuto da Cida-
de traz como requisito essencial para a aprovação do plano a parti-
cipação da comunidade do município. Tal afirmativa pode ser vista
no §4° do artigo 40, que traz que tal participação será garantida no
processo de elaboração e na fiscalização de sua implementação,
devendo os Poderes Legislativo e Executivos garantir (AMORIM,
2012, p. 127):

I – a promoção de audiências públicas e debates com a participação


da população e de associações representativas dos vários segmen-
tos da comunidade;
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II – a publicidade quanto aos documentos e informações produzi-


dos;
III – o acesso de qualquer interessado aos documentos e informa-
ções produzidos.

O Plano Diretor deverá ser aprovado por Lei Ordinária Mu-


nicipal. Após realizados os estudos técnicos pelos órgãos de plane-
jamento do Município e traçados os objetivos, o projeto do Plano
Diretor será submetido à Câmara Municipal. Além disso, o con-
teúdo mínimo do Plano Diretor deverá envolver:
• A delimitação das áreas urbanas onde poderá ser apli-
cado o parcelamento, edificação ou utilização compul-
sórios, considerando a existência de infraestrutura e de
demanda para utilização.
• As disposições referentes aos instrumentos elencados no
Estatuto da Cidade: direito de perempção, outorga onero-
sa do direito de construir, operações urbanas e consorcia-
das e transferência do direito de construir.
• Sistema de compartilhamento e controle.

As leituras indicadas no Tópico 6.2., tratam do Plano Dire-


tor. Neste momento, você deve realizar essas leituras para apro-
fundar o tema abordado.

5.3. ESTATUTO DA CIDADE

O Estatuto da Cidade tem o objetivo de estabelecer normas


de ordem pública e de interesse social que regulam o uso da pro-
priedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-
-estar dos cidadãos, assim como o equilíbrio ambiental (AMORIM,
2012, p. 133).
O Estatuto da Cidade disponibiliza ao Poder Público um conjunto de
instrumentos tendentes a conferir efetividade na intervenção – e
não somente na fiscalização e normatização – do uso, da ocupação

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e rentabilidade das terras urbanas, tendo por base, sempre, a fun-


ção social da cidade e da propriedade.

Nesse sentido, vejamos algumas das diretrizes gerais trazidas


no artigo 2° da Lei n° 10.257/01. O Estatuto da Cidade prevê que
na atividade do Planejamento Urbano se deve atentar para a or-
denação e controle do uso do solo. Tal ordenação deve orientar-se
no sentido de evitar a utilização inadequada dos imóveis urbanos,
os usos inconvenientes, o parcelamento e a edificação excessivos,
a instalação de empreendimentos geradores de tráfego, sem es-
trutura para tal e, finalmente, a retenção especulativa de imóveis
urbanos (artigo 2°, VI).
Ainda, o Planejamento Urbano deve buscar a integração en-
tre as atividades urbanas e rurais, com o objetivo de possibilitar
o desenvolvimento socioeconômico do Município (artigo 2°, VII).
Deve-se, ainda, adotar padrões de produção e consumo de
bens e serviços de expansão urbana, compatibilizando-os com a
proteção ambiental e também social do Município (artigo 2°, VIII).
Nesse sentido, constatamos duas partes distintas que caracterizam
o Estatuto da Cidade: a distributividade e a redistributividade. Se-
gundo Bassul (2005, p. 133):
A feição distributiva estaria relacionada à democratização de di-
reitos e a universalização de condições básicas de acesso a bens e
serviços urbanos, sob a responsabilidade direta, indireta ou com-
partilhada do poder público. Como exemplos do perfil distributivis-
ta, temos os instrumentos relacionados à regularização fundiária, a
transferência do direito de construir e do direito de superfície.
Já o perfil redistributivo relaciona-se à possibilidade de captação e
redistribuição tendente a promover a redução das desigualdades
sociais e parcelas de mais-valias fundiárias urbanas que, produzidas
(ou proporcionadas) em decorrência de ações (ou decisões) públi-
cas, tenham sido (ou possam vir a ser) injustamente apropriadas.
São caracterizados pela redistributividade os instrumentos do par-
celamento, edificação e utilização compulsórios, o IPTU progressi-
vo, a desapropriação, o direito de perempção entre outros.
© U2 - Estatuto da Cidade e o Plano Diretor 41

Verifica-se, claramente, neste último, a tentativa de impedir


a reprodução espacial da configuração socioeconômica da popu-
lação, que se reflete na concentração fundiária e na distribuição
desigual dos serviços e investimentos públicos.
Ainda, observando os instrumentos da Política Urbana, ex-
postos no Estatuto da Cidade, podemos considerá-los componen-
tes de três distintos conjuntos, de acordo com Amorim (2012, p.
138):
I – instrumentos destinados ao combate da especulação imobiliária
dissociada dos objetivos do bem-estar coletivo e do cumprimento
das funções sociais da cidade (art. 4°, V, a, e V, i e m).
II – procedimentos de regularização fundiária de áreas ilegalmente
ocupadas (art. 4°, V, g, h, j e q);
III – garantia da participação direta dos cidadãos nos processos de-
cisórios destinados a determinar o modo, a oportunidade e a inten-
sidade da intervenção do Poder Público no espaço urbano.

Nesse último sentido, podemos destacar as Audiências Pú-


blicas, Plebiscitos, Referendos e a obrigatoriedade da implementa-
ção de orçamentos participativos.

As leituras indicadas no Tópico 6.3., tratam do Estatuto da


Cidade. Neste momento, você deve realizar essas leituras para
aprofundar o tema abordado.

Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––––––


Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.
• Para assistir ao vídeo, pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone
Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível
de seu curso (Pós-graduação), a categoria (Disciplinar) e o vídeo
(Planejamento Urbano – Complementar 2).
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

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6. CONTEÚDOS DIGITAIS INTEGRADORES


Os Conteúdos Digitais Integradores são a condição necessá-
ria e indispensável para você compreender integralmente os con-
teúdos apresentados nesta unidade.

6.1. PLANEJAMENTO URBANO

O texto traz comentários pertinentes sobre cada artigo da


Lei n. 10.257/2001, o Estatuto da Cidade e seus instrumentos. Re-
comenda-se a leitura dos artigos 1º a 4º e seus respectivos comen-
tários, referentes às diretrizes gerais da Política Urbana.
• BARROS, A. M. F. B.; CARVALHO, C. S.; MONTANDON,
D. T. O estatuto da cidade comentado. Disponível em:
<http://www.cidades.gov.br/index.php/planejamento-
-urbano/729-biblioteca.html>. Acesso em: 29 jan. 2014.
A obra indicada a seguir trata de diversos aspectos do Plane-
jamento Urbano, desde aspectos introdutórios como destaque
para os conceitos iniciais tratados nesta obra, até a análise do Pla-
no Diretor e dos instrumentos de Política Urbana, dando destaque
ao parcelamento, uso e ocupação do solo urbano.
O Capítulo 1 trata de aspectos do Planejamento Urbano, o
qual ganhou especial destaque no Brasil depois da aprovação da
Constituição Federal de 1988, quando o Município obteve auto-
nomia administrativa. Trata, ainda, o conceito de Planejamento
Urbano e sua importância, bem como suas etapas.
O Capítulo 3 trata do Plano Diretor, instrumento de Política
Urbana, e sua importância para o cenário do Planejamento Urba-
no. O autor trata das diretrizes gerais bem como dos instrumentos,
finalizando com os procedimentos para a elaboração e implanta-
ção do Plano Diretor.
• DUARTE, F. Planejamento urbano. Curitiba: Ibpex, 2007.
Capítulos 1 e 3. (Biblioteca Digital Pearson).
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6.2. PLANO DIRETOR

O vídeo indicado a seguir trata do instrumento do Plano Di-


retor e quais os temas que devem ser por ele abordados, atentan-
do para a sua importância na atividade do Planejamento Urbano.
• YOUTUBE. Veja como funciona o plano diretor de uma
cidade. Disponível em: <http://www.youtube.com/
watch?v=mdbAIIJixYA>. Acesso em: 29 jan. 2014.

6.3. ESTATUTO DA CIDADE

O vídeo indicado a seguir trata do conceito de Estatuto da Ci-


dade e sua importância para a atividade do Planejamento Urbano
de forma integrada.
• YOUTUBE. Estatuto da cidade. Disponível em: <http://
www.youtube.com/watch?v=d2PSZZYghrY>. Acesso em:
29 jan. 2014.

7. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em
responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos
estudados para sanar as suas dúvidas.
1) (FCC – 2011 – INFRAERO – Arquiteto) A lei denominada Estatuto da Cidade
estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da
propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar
dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental. Segundo tal Estatuto, o
Plano Diretor é obrigatório para cidades com mais de:
a) 30 mil habitantes.
b) 20 mil habitantes.
c) 40 mil habitantes.
d) 50 mil habitantes.
e) 60 mil habitantes.

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2) (ESAF – 2005 – MPOG – Analista de Planejamento e Orçamento) É correto


afirmar que o “Estatuto da Cidade” (Lei n.º 10257/01), que regulamenta os
artigos 182 e 183 da Constituição Federal/88, prevê:
a) Uma nova forma de usucapião especial coletivo que permite aos possui-
dores, em área urbana superior a 250 m2, mediante alguns requisitos, a
aquisição da propriedade, com título concedido pelo Poder Público Mu-
nicipal, sendo obrigatória a intervenção do Ministério Público no respec-
tivo procedimento administrativo.
b) O direito de preempção que confere ao Poder Público do Estado ou do
Distrito Federal a preferência para aquisição de imóvel urbano objeto de
alienação não onerosa entre particulares, será regulamentado por de-
creto, baseado no plano diretor, que delimitará as áreas e as condições
em que este direito poderá ser exercido.
c) Que o direito de construir somente poderá ser exercido dentro do coefi-
ciente de aproveitamento básico adotado no plano diretor.
d) Que a elaboração do Estudo de Impacto de Vizinhança substitui o Estu-
do Prévio de Impacto Ambiental, para instalação de empreendimentos e
atividades que a lei municipal definirá.
e) Que o plano diretor é obrigatório para as cidades com mais de vinte mil
habitantes; integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urba-
nas; integrantes de áreas de especial interesse turístico; entre outras.
3) Com relação ao Planejamento Urbano, está incorreto:
a) Devemos entendê-lo como um instrumento com o objetivo
transformador de uma realidade, onde os planos contemplam causas
complexas, articulando argumentos técnicos, buscando uma intervenção
na realidade do município.
b) O Planejamento Urbano é atividade de caráter integral, uma vez que
as medidas a serem implementadas devem se basear numa análise
abrangente dos fatores econômicos, sociais e físicos envolvidos.
c) A complexidade da atividade do Planejamento Urbano abrange também
a coordenação das etapas de produção do plano, bem como sua
execução, demandando uma integração dos órgãos técnicos e executivos
do Poder Público.
d) A coordenação da produção e da execução das atividades do
Planejamento Urbano cabem ao âmbito municipal da administração, não
podendo, contudo, estender-se no plano vertical – estadual e federal –,
uma vez que estão previstas características específicas da Administração
Pública Municipal.
e) nenhuma das alternativas.

Gabarito
Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au-
toavaliativas propostas:
© U2 - Estatuto da Cidade e o Plano Diretor 45

1) b

2) e

3) d

8. CONSIDERAÇÕES
Chegamos ao final da segunda unidade, na qual você teve
a oportunidade de compreender a importância do Plano Diretor
como instrumento de Planejamento Urbano, previsto na Política
Nacional Urbana, regulamentada pela Lei n. 10.257/2001. Foram
apresentadas as diretrizes gerais trazidas pela referida legislação,
que mostraram-se traçadas a nível nacional, permitindo, por um
lado, o controle público sobre o processo de expansão urbana e,
por outro, a previsão de investimentos destinados à melhoria dos
serviços públicos, além da valorização imobiliária.

9. E-REFERÊNCIA
BRASIL. Presidência da República. Lei n°. 10.257, de 10 de julho de 2001. Disponível em:<
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm>. Acesso em: 2 maio
2014.

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AMORIM, V. A. J. Direito urbanístico: legislação urbanística e estatuto da cidade. São
Paulo: Baraúna, 2012.
BASSUL, J. R. Estatuto da cidade: quem ganhou? Quem perdeu? Brasília: Senado Federal,
Subsecretaria de Edições Técnicas, 2005.
CEPAM – Fundação Prefeito Faria Lima. O município no século XXI: Cenários e Perspectivas.
São Paulo: Hamburg Gráfica e Editora, 1999.
DI SARNO, D. C. L. Elementos de direito urbanístico. Barueri: Manole, 2004. (Biblioteca
Digital Pearson).
DUARTE, F. Planejamento urbano. Curitiba: ibpex, 2007. ( Biblioteca Digital Pearson).
MEIRELLES, H. L. Direito municipal brasileiro. 13. ed. São Paulo: Malheiros, 2003.
MUKAI, T. Direito urbano-ambiental brasileiro. São Paulo: Dialética, 2002.
SILVA, J. A. Direito urbanístico brasileiro. 4. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.

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