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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA


CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

DIONÍSIO SMITH NUNES


JONAS SILVA DE ANDRADE
MARCELO RIBEIRO BAZÍLIO

SIMULAÇÃO DE REDE METROPOLITANA ÓPTICA


UTILIZANDO OPNET: UM ESTUDO DE CASO

Belém/PA
2005
2

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA
CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

DIONÍSIO SMITH NUNES


JONAS SILVA DE ANDRADE
MARCELO RIBEIRO BAZÍLIO

SIMULAÇÃO DE REDE METROPOLITANA ÓPTICA


UTILIZANDO OPNET: UM ESTUDO DE CASO

Trabalho de conclusão de curso apresentado


como parte dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Bacharel em Ciência da
Computação, ao CCET(Centro de Ciências
Exatas e Tecnológicas).

Orientador: Prof. M.Sc. Afonso J. F. Cardoso.

Belém/PA
2005
3

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA
CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

DIONÍSIO SMITH NUNES


JONAS SILVA DE ANDRADE
MARCELO RIBEIRO BAZÍLIO

SIMULAÇÃO DE REDE METROPOLITANA ÓPTICA


UTILIZANDO OPNET: UM ESTUDO DE CASO

Trabalho de conclusão de curso apresentado


como parte dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Bacharel em Ciência da
Computação, ao CCET(Centro de Ciências
Exatas e Tecnológicas).

Orientador: Prof. M.Sc. Afonso J. F. Cardoso.

Data da defesa: ___/____/______

Conceito: ___________________

Banca Examinadora

Prof. M.Sc. Afonso Jorge Ferreira Cardoso


Depto. Informática/UNAMA – Orientador

Prof. M.Sc. Ananias Pereira Neto


Depto. Informática/UNAMA – Membro

Prof. Dra. Thienne Mesquita Johnson


Depto. Informática/UNAMA – Membro
4

AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, a Deus, por tudo que me proporcionou nesta caminhada, em busca
desta conquista e aos professores do curso de Ciência da Computação, por terem
compartilhado com todos nós seus conhecimentos, contribuindo assim para nossa formação
profissional e, especialmente, aos meus pais e amigos, por terem sempre me apoiado em tudo.
Dionísio Smith Nunes

Agradeço a Deus, meus amigos e familiares por me darem apoio incondicional durante estes
quatro anos de caminhada e aos professores, em geral, por terem nos ensinado a transpor estes
desafios.
Jonas Silva de Andrade

Agradeço a Deus, aos meus pais e amigos por terem me acompanhado nessa caminhada de
altos e baixos, dando-me a oportunidade de poder chegar aonde cheguei ao longo desses anos,
porque com certeza sempre estivemos juntos em diversas dificuldades e que agora, espero
retribuir com meu esforço profissional.
Marcelo Ribeiro Bazílio
5

Dedicamos este trabalho aos nossos familiares


e amigos, por terem ao longo dessa caminhada,
nos dado apoio e incentivo, permitindo-nos
chegar aonde chegamos.
6

“Não tenha medo dos Homens, Nós somos os


Homens”

Albert Einstein.
vii7

RESUMO

A necessidade de instalação de Redes de Alta Velocidade, nas regiões Metropolitanas, é cada


vez maior. Na região Metropolitana de Belém, por exemplo, está sendo instalado a
METROBEL, que tem por objetivo interligar diversas Instituições de Pesquisa e Ensino, tanto
Públicas quanto Privadas.
Este trabalho apresenta um Estudo de Caso, baseado na estrutura proposta para a
METROBEL. O objetivo é verificar que tipo de tecnologia de rede, que utiliza a Fibra Óptica,
demonstra melhor desempenho. Para tanto, optou-se pelas tecnologias FDDI e ATM. A
escolha foi feita considerando que já existem Redes Metropolitanas que usam tais soluções e
que estão disponíveis no Simulador usado: O OPNET Modeler, versão acadêmica.

PALAVRAS-CHAVE: Redes, Redes Ópticas, Redes Metropolitanas, METROBEL, Fibra


Óptica, OPNET, FDDI, ATM.
viii8

ABSTRACT

The installation of Networks High Speed, in Metropolitan Regions, is becoming a big


necessity. In Metropolitan Region of Belém City, for example, is being installed the
METROBEL, which have for objective to interconnect various Institutions of Research and
Education, being Publics and Private Institutions.
That project presents a Study of Case, based on the structure proposed for METROBEL. The
objective is to verify what kind of technology that uses Optic Fiber demonstrates better
performance. To attend that project was choice the technologies FDDI and ATM. The choice
was made considering that already exists Networks Metropolitans which uses such solutions
and that are available in the used Simulator: OPNET Modeler, Academic Version.

KEYWORDS: Network, Optical Networks, Metropolitan Network, METROBEL, Optical


Fiber, OPNET, FDDI, ATM.
ix9

LISTA FIGURAS

FIGURA 2.1 - Gráfico de Custo/Benefício para a METROBEL.................................. 19


FIGURA 2.2 - A estrutura de uma Fibra Óptica............................................................ 20
FIGURA 2.3 - Implantação de Fibra Óptica em Postes de Energia.............................. 20
FIGURA 2.4 - Fibra Multimodo (A) e Monomodo (B)................................................ 21
FIGURA 2.5 - Funcionamento de uma rede Orientada à Conexão............................... 23
FIGURA 2.6 - Arquitetura X.25.................................................................................... 24
FIGURA 2.7 - Arquitetura Frame Relay....................................................................... 25
FIGURA 2.8 - Arquitetura ATM................................................................................... 27
FIGURA 2.9 - Redes FDDI com dois Anéis Alternativos............................................ 28
FIGURA 2.10 - Redes FDDI usando um anel alternativo em (a), em (b) falha em um
dos anéis e o outro assumindo, em (c) os dois anéis falham devido
um ponto que já sinaliza a falha, (d) o restabelecimento do anel no
ponto onde ocorreu a falha.................................................................... 29
FIGURA 2.11 - Exemplo de multiplexação num Sistema WDM................................... 29
FIGURA 2.12 - Exemplo de transmissão num Sistema WDM....................................... 31

FIGURA 3.1 - Exemplo de redes Multiprotocoladas.................................................... 34


FIGURA 3.2 - Tela inicial do Simulador OPNET......................................................... 36
FIGURA 3.3 - Exemplo de um Nó composto............................................................... 37
FIGURA 3.4 - Formato de um pacote configurado no Editor de Formato de Pacote... 38

FIGURA 4.1 - Rede METROBEL: topologia, Instituições de Pesquisa e Ensino........ 41


FIGURA 4.2 - Distância(estimada ≅) entre pontos participantes da rede..................... 42
FIGURA 4.3 - Cenário nº 01 – Localização no Mapa da Rede METROBEL.............. 42
FIGURA 4.4 - Cenário nº 02 – pontos da Rede Metropolitana..................................... 43
FIGURA 4.5 - Cenário nº 03 – Subrede de um dos Campus(UFPA)............................ 43
FIGURA 4.6 - Paleta de Ferramentas configurada para a tecnologia ATM.................. 44
FIGURA 4.7 - Exemplo de Edição de Atributos de um Objeto no OPNET................. 45
FIGURA 4.8 - Tempo Médio de Resposta da Aplicação FTP para FDDI.................... 48
FIGURA 4.9 - Tráfego médio dos enlaces entre as subredes FDDI.............................. 49
FIGURA 4.10 - Delay médio para a FDDI Metropolitana.............................................. 50
x
10

FIGURA 4.11 - Tempo Médio de resposta da Aplicação FTP para ATM...................... 51


FIGURA 4.12 - Tráfego médio dos enlaces entre as subredes ATM.............................. 51
FIGURA 4.13 - Delay médio para a rede ATM Metropolitana....................................... 52
FIGURA 4.14 - Configuração dos Parâmetros Comuns às duas Simulações................. 53
FIGURA 4.15 - Configuração das Aplicações para um Nó Cliente ou Servidor............ 54
FIGURA 4.16 - Configuração do Perfil de Clientes e Servidores................................... 54
FIGURA 4.17 - Comparação de resultados do tempo médio de resposta das
aplicações FTPs para as duas tecnologias............................................. 55
FIGURA 4.18 - Comparação de Tráfego médio entre as duas Tecnologias................... 56
xi

LISTA DE TABELAS

TABELA 2.1- Tabela de Iniciativas de Projetos de redes Metropolitanos.............................. 18

TABELA 4.1- Arquitetura usada na rede FDDI...................................................................... 46


TABELA 4.2- Relatório Geral da Simulação FDDI................................................................ 48
TABELA 4.3- Arquitetura usada na rede ATM ...................................................................... 47
TABELA 4.4- Relatório Geral da Simulação ATM ................................................................ 50
xii
12

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

AAL ATM Adaptation Layer


ATM Asynchronous Transfer Mode
BER Bit Error Rate
CEFET Centro Federal de Educação Tecnológica
CELPA Companhia Elétrica do Estado d Pará
CESUPA Centro de Ensino Superior do Pará
CWDM Coarse Wave Division Multiplexing
DWDM Dense Wavelength Division Multiplexing
EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EMBRATEL Empresa Brasileira de Telecomunicações
FDDI Fiber Distributide Data Interface
FFDT FDDI Full Duplex Tecnology
FRADs Frame-Relay Access Devices
FTP File Tranfer Protocol
HTTP Hypper Text Tranfer Protocol
ICI Interface Control Information
IEEE Institute of Eletrical and Eletronics Engineer
LAN Local Area Network
LAPB Link Access Procedure/Protocol Balanced
LLC Logical Link control
MAC Medium Access Control
MAN Metropolitan Area Network
MCT Ministério de Ciência e Tecnologia
METROBEL Rede Metropolitana de Belém
MPEG Museu Paraense Emílio Goeldi
MPLS Multi Protocol Label Switching
OPNET Optimizing Network Engineering Tools
OSI Open System Interconection
PDF Probability Dense Function
REDECOMEP Redes Comunitárias Metropoitanas de Educação e Pesquisa
REMAV Rede Metropolitana de Alta Velocidade
xiii
13

RNP Rede Nacional de Pesquisa


SDH/SONET Synchronous Digital Hierarchy/ Synchronous Optical Network
TCP/IP Tranfer Control Protocol/Internet Protocol
UEPA Universidade Estadual do Pará
UFPA Universidade Federal do Pará
UFRA Universidade Federal Rural da Amazônia
UNAMA Universidade da Amazônia
VoIP Voz Sobre IP
WAN World Area Network
WDM Wavelength Division Multiplexing
SUMÁRIO

RESUMO..................................................................................................................................vii
ABSTRACT............................................................................................................................viii
LISTA DE FIGURAS................................................................................................................ix
LISTA DE TABELAS...............................................................................................................xi
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS..............................................................................xii
1 - INTRODUÇÃO...................................................................................................................16
2 - REDES ÓPTICAS...............................................................................................................18
2.1 - Histórico e Motivação ................................................................................................ 18
2.2 - A Fibra Óptica............................................................................................................ 20
2.3 - Análise e evolução das Redes Ópticas. ...................................................................... 22
2.3.1 - Redes X.25 ...................................................................................................... 24
2.3.2 - Redes Frame Relay ......................................................................................... 25
2.3.3 - Redes ATM(Asynchronous Transfer Mode) ................................................... 26
2.3.4 - Redes FDDI(Fiber Distributed Data Interface).............................................. 27
2.3.5 - Redes WDM (Wavelength Division Multiplexing) ......................................... 29
2.3.5.1 - Características do WDM...................................................................30
3 - SIMULAÇÃO DE REDES..................................................................................................32
3.1 - O Processo de simulação............................................................................................ 32
3.2 - Tipos de Software para Simulação............................................................................. 32
3.2.1 - Linguagens gerais de simulação..................................................................... 32
3.2.3 - Linguagens de simulação orientadas às redes de comunicações.................... 33
3.3 - Desafios e características desejáveis na simulação .................................................... 33
3.4 - Modelamento de Redes para a Escolha de um Simulador ......................................... 34
3.5 - Introdução ao OPNET Modeler ............................................................................... 35
3.5.1 - Ambiente de Simulação do OPNET Modeler............................................... 35
3.5.2 - O Editor de Projeto.......................................................................................... 36
3.5.3 - O Editor de Nós.............................................................................................. 36
3.5.4 - O Editor de modelos de Processos .................................................................. 37
3.5.5 - O Editor de Modelo de Links .......................................................................... 37
3.5.6 - O Editor de Path.............................................................................................. 37
3.5.7 - O Editor de Formato de Pacote ....................................................................... 38
3.5.8 - O ICI Editor..................................................................................................... 38
15

3.5.9 - O Editor de Curva de Modulação.................................................................... 38


3.5.10 - O PDF Editor................................................................................................. 38
3.5.11 - O Editor de Estatística................................................................................... 39
3.5.12 - Simulador de Seqüências .............................................................................. 39
3.5.13 - O Editor de Filtros......................................................................................... 39
4 - ESTUDO DE CASO............................................................................................................40
4.1 - Introdução.................................................................................................................... 40
4.2 - Coleta de Dados...........................................................................................................40
4.3 - A Simulação.................................................................................................................41
4.3.1 - O primeiro passo...................................................................................... ........41
4.3.2 - O Segundo Passo..............................................................................................42
4.3.3 - O Terceiro Passo..............................................................................................45
4.3.4 - O Quarto Passo.................................................................................................46
a) Definição de Nós para as tecnologia FDDI e ATM.....................................46
b) Coleta de estatística para as tecnologias FDDI e ATM...............................47
4.3.5 - O Quinto passo.................................................................................................51
5 - CONCLUSÕES...................................................................................................................57
REFERÊNCIAS........................................................................................................................57
CAPÍTULO I 16

1 – INTRODUÇÃO

O projeto, desenvolvimento e implantação de redes de computadores, em áreas de


abrangências significativas (Redes Metropolitanas), conhecidas como MAN(Metropolitan
Area Network), é uma tarefa complexa, pelas múltiplas variáveis físicas e lógicas (topologia,
cabos, protocolos, enlaces, etc.) existentes e pelas distintas características, especificações e
padronizações. Quando elas se cruzam, num conjunto, para atingir um objetivo comum,
mostram um determinado desempenho, que pode não corresponder às expectativas.
Hoje, com o avanço das tecnologias na área de redes de computadores, o projeto
de um modelo do mundo real, caminha cada vez mais para se tornar uma tarefa simples. Para
tanto, pode-se utilizar ferramentas, como por exemplo, os simuladores de redes. Esses
simuladores dão suporte a praticamente todos os protótipos de rede e possibilitam a criação de
um ambiente lógico, controlado, com adequações de projeto, antes que seja implantado. Dessa
forma, é possível testar, antecipadamente, o desempenho da rede, assim como, calcular seu
custo / benefício [MEN03].
Este trabalho apresenta a simulação de uma rede metropolitana baseada em
algumas características da METROBEL(Rede Metropolitana de Belém), que se propõe
interligar diversas Instituições de Pesquisa e Ensino, localizadas na cidade de Belém, Estado
do Pará, através de uma rede de alta velocidade [ABL05]. A simulação verifica o
comportamento no ambiente de simulação de uma rede com cabeamento óptico, comparando
duas tecnologias: FDDI(Fiber Distributed Data Interface) e ATM(Asynchronous Transfer
Mode).
As informações utilizadas na simulação, foram obtidas em documentos formais
[ABE05], com técnicos da UFPA(Universidade Federal do Pará) responsáveis pelo projeto e
implantação da rede METROBEL, assim como observações in loco. A simulação foi
realizada em um microcomputador Athlon XP 2000, de 1.67 GHz, com Windows XP e 256 mb
de memória. O software utilizado foi o OPNET IT Guru Academic Edition 9.1 Trial.
O trabalho está estruturado em 5 capítulos. No capítulo 2 são descritas as
características de redes cabeadas para regiões metropolitanas, assim como um breve histórico
sobre a evolução da tecnologia e dos padrões adotados pelo IEEE(Institute of Electrical and
Eletronics Engineers ) dos Estados Unidos. O capítulo 3 descreve o processo de simulação de
redes de computadores e apresenta o simulador adotado neste trabalho: o OPNET(Optimizing
Network Engineering Tools), em sua versão acadêmica. No capítulo 4 é apresentado o estudo
CAPÍTULO I 17

de caso (METROBEL), baseado na área metropolitana de Belém, o ambiente de simulação


para comparação das tecnologias: FDDI e ATM e os resultados obtidos. Finalmente, no
capítulo 5, é apresentada a análise conclusiva do trabalho.
CAPÍTULO II 18

2 - REDES ÓPTICAS

2.1 - Histórico e Motivação

Hoje, com o rápido crescimento na demanda de tráfego de informações em Redes


de Computadores, é necessário fazer expansões para que todos os serviços requeridos sejam
atendidos, pois técnicas de transmissão, integração crescente de recursos multimídia, de
aplicações avançadas e com cargas de peso e responsabilidades elevadas, estão sendo
implementadas e realmente implantadas com um percentual de desempenho progressivo, com
Custo/Benefício significativo [GOM05].
Acompanhando o ciclo evolutivo das redes de computadores, dando-se ênfase às
tecnologias que mais caracterizam esta evolução, pode-se traçar um gráfico em que se verifica
dentro de um período o quão grande será o retorno (Custo/Benefício), por exemplo, para uma
REDECOMEP (Redes Comunitárias Metropolitanas de Educação e Pesquisa), que através de
recursos federais, investiram e ainda investem maciçamente, para que o futuro seja bastante
promissor.
Os investimentos nas tecnologias de redes de informações em longas distâncias
para uma posterior implantação, começaram a ter melhor infra-estrutura na década de 90,
mais precisamente em 1997. Os investidores começaram a entender o caráter social e benéfico
com os avanços de integração, velocidade e segurança trariam para as Comunidades de
Pesquisa e Conhecimento, que de fato, usufruindo destes recursos, satisfazem prioritariamente
as produções científicas, e podemos Identificar na Tabela 2.1 alguns destes investimentos.

Tabela 2.1 - Tabela de Iniciativas de projetos de redes Metropolitanos

1997 – REMAVs 14 consórcios de redes metropolitanas


Infra-estrutura óptica baseada em tecnologias
2002 – Projeto Giga DWDM/CWDM para uso em experimentos de alta
velocidade
2004 – Rede METROBEL Infra-estrutura óptica metropolitana para Belém

Observando os investimentos para redes metropolitanas, pode-se constatar que


esses começam a ser melhor usados, favorecendo o acesso em alta velocidade para as
comunidades de instituições, por meio de uma infra-estrutura própria, dedicada de cabos de
fibra óptica. Para Belém, a implantação destas redes permitirá a ampla utilização de recursos
CAPÍTULO II 19

mais sofisticados de comunicação, incluindo os audiovisuais, além de telefonia e


comunicação entre computadores, inclusive de alto desempenho, como mostra a figura 2.1.

140.000
120.000 Serviços Telecom. Alugados:
100.000 256Kbps = R$ 20 mil/ano
1.0 Mbps = R$ 42 mil/ano
80.000
Investimentos em Infra
80.000 estrutura Própria:
R$ 1.1 milhões / 5 anos
60.000 R$ 120 mil / ano (manutenção)
40.000 ≅ R$ 11.3 mil para 1Gbps!!
20.000

FIGURA 2.1 - Gráfico de Custo/Benefício para a METROBEL

Desde março de 2004, houve um bom progresso para a implantação, e já começa a


ser executado o projeto METROBEL, nome dado a implantação da rede metropolitana
proposta para Belém. O projeto está sendo viabilizado com o apoio dado ao projeto pelo
MCT(Ministério de Ciência e Tecnologia), que o designou como Ação Transversal,
destinando recursos no valor de R$ 1,13 milhões, oriundos dos Fundos Setoriais de Energia e
de Petróleo e Gás Natural. Estes recursos foram destinados ao atendimento de oito(08)
entidades públicas de educação e pesquisa, na cidade de Belém. Participam da futura rede
metropolitana três universidades privadas, que complementarão os gastos com recursos
próprios, o que permitirá estender a rede para incluir várias entidades públicas adicionais, que
não foram contempladas no projeto financiado pelo MCT.
A infra-estrutura de cabos ópticos, desta rede, está sendo instalada nos postes que
sustentam a rede de cabos elétricos da CELPA(Companhia Elétrica do Estado do Pará), que
também será usuária da rede. A infra-estrutura de cabos ópticos totalizará 50 km nos
municípios de Belém e Ananindeua [GOM05].
Um dos objetivos da METROBEL é permitir que cada instituição participante
possa usar a rede para comunicação interna, aproveitando o acesso provido a seus diferentes
campi na área metropolitana em velocidades de 100 ou 1000 Mbps (1Gbps), inicialmente.
O apoio do MCT à iniciativa, em Belém, foi anunciado, em agosto de 2004, onde
despertou muito interesse na comunidade nacional de educação superior e pesquisa. Diversas
CAPÍTULO II 20

iniciativas semelhantes estão sendo estudadas em outras cidades, notadamente em Natal e


Manaus, utilizando Fibra Óptica como meio de transmissão de dados primordial.

2.2 – A Fibra Óptica

É estruturada com material dielétrico (sílica ou plástico), e arquitetada sob uma


longa estrutura cilíndrica, flexível e transparente, de dimensões microscópicas comparadas a
um fio de cabelo e estruturada como mostra a figura 2.2 [PIN02].
Cobertura da Fibra
Reforço Metálico

Camada Plástica

Fibra Óptica
Fibras Camada Refletora
da luz que viaja
pela Fibra
FIGURA 2.2 - A estrutura de uma Fibra Óptica

A composição da fibra óptica tem para oferecer uma propagação de energia


luminosa não susceptível à interferência eletromagnética. Para casos de redes metropolitanas
ela torna-se meio de transmissão indispensável [PIN02].
A Figura 2.3 mostra o início das obras na UFPA para constituir a rede
metropolitana, sendo implantada através de cabos ópticos, que combina fatores como:

FIGURA 2.3 - Implantação de Fibra Óptica em Postes de Energia


CAPÍTULO II 21

- Baixas perdas de transmissão: diminui o número de repetidores1.


- Alta capacidade de transmissão: aumenta a quantidade de informação
durante a transmissão.
- Imunidade à interferência e isolação elétrica: os dados não são corrompidos
durante a transmissão.
- Segurança do sinal: a fibra não irradia de forma significativa a luz propagada,
dando um alto grau de segurança à informação transportada.
Levando-se em consideração alguns aspectos como largura de banda, baixa
atenuação e pequena dispersão de pulsos emitidos, nota-se que apesar de ser uma tecnologia
cara por quilômetro implantado (aproximadamente R$ 25.000,00/Km especificado no projeto
METROBEL), com esses parâmetros, ela se torna a longo prazo uma melhor solução na
análise do custo/benefício.
Contudo, é necessário observar alguns pontos considerados críticos:
- Fragilidade da fibra óptica sem encapsulamento.
- Acopladores tipo T com perdas muito grandes.
- Falta de padronização dos componentes Ópticos.
A capacidade de transmissão (banda passante) de uma fibra óptica é função do seu
comprimento, da sua geometria e do seu perfil de índices de refração (n). Existem duas
classes principais de fibras: monomodo e multimodo (figura 2.4)[PIN02].

(a) Multimodo

(b) Monomodo

FIGURA 2.4 - Fibra Multimodo (a) e Monomodo (b)

1
é um dispositivo responsável por ampliar o tamanho máximo do cabeamento da rede. Ele funciona como um
amplificador de sinais, regenerando os sinais recebidos e transmitindo esses sinais para outro segmento da rede.
CAPÍTULO II 22

A fibra multimodo possui vários modos de propagação e de acordo com o perfil


da variação de índices de refração da casca, com relação ao núcleo, classificam-se em : índice
degrau e índice gradual. O Diâmetro da fibra é muito elevado (entre50 e 80 mícrons) e o sinal
luminoso sofre reflexões, limitando o alcance do sinal a cerca de 2 Km. Devido a isso, as
fibras ópticas multimodo são utilizadas em redes locais ou de Campus [PIN02].
A monomodo em contrapartida, possui dimensões inferiores com relação a fibra
multimodo, variando em torno de no máximo 10 mícrons, permitindo uma propagação da
onda sem reflexão. A distância é claramente mais elevada e as larguras de banda
disponibilizadas por este tipo de fibra são ilimitadas. E nas redes Metropolitanas, são
componentes indispensáveis, pois a conexão dos backbones2 (utilizando fibras ) são feitas
com este tipo de fibra [PIN02][SIL00].
A energia da fibra óptica propaga-se como sendo campos superpostos chamados
de modos de propagação. A maneira com que a luz é lançada na fibra óptica influencia muito
na posterior distribuição da luz em seu interior. Este efeito é preponderantemente sentido em
fibras multimodo, pois sabe-se que a potência óptica acoplada distribui-se entre os modos
excitados na fibra. No caso de fibras monomodo, parte da luz é acoplada através do modo
fundamental (ou axial) e a outra parte é radiada.
Para fibras multimodo se todo o seu núcleo é iluminado, então todos os modos
guiados são excitados, inclusive alguns modos de baixa ordem (pouco sensíveis). A
intensidade de cada modo varia ao longo da fibra pelo efeito de atenuação e do fenômeno de
transferência de energia entre os modos. A distribuição de energia no final da fibra depende
fundamentalmente das condições de injeção de luz no início.
Existem algumas características de transmissão em fibras ópticas que influenciam
fortemente no desempenho das fibras com o meio de transmissão. Na escolha do tipo de fibra
óptica, para o estudo de caso deste trabalho (FDDI e ATM) devem ser analisados fatores
como: atenuação, dispersão e efeitos não lineares, pois eles são fundamentais para bom
desempenho do sistema[MEN03].

2.3 – Análise e evolução das Redes Ópticas.

Hoje, os avanços da Fibra Óptica já tiram as dúvidas sobre a melhor rede para
casos específicos (Redes metropolitanas, por exemplo), e os melhores desempenhos, pois

2
é uma linha ou um conjunto de linhas com a qual uma rede local se conecta a uma rede maior.
CAPÍTULO II 23

quando se houve falar em capacidade de transmissão, atraso de transmissão e taxa de erro, não
se deve ter dúvida das reduções em percentuais de insatisfação quando se usa fibra óptica
[SIL00].
Analisando as redes de longa distância e tendo como pioneira a rede de telefonia
no início da década de 70, usando comutação por circuito3, nota-se as vantagens relacionadas
aos atrasos nas comunicações, dando assim uma idealização para as transmissões de voz.
Verificou-se contudo, que não eram adequadas para transmissão de dados, trazendo em si
características de tráfego indesejadas (tráfego em rajadas), tornando a utilização do meio não
otimizada [SIL00].
Para resolver este problema, vieram as redes de comutação por pacote na mesma
década, onde os dados enviados de um terminal A para um terminal B, através de um meio,
incluem mecanismos de comutação e roteamento (denominada de rede orientada a conexão),
onde o caminho usado será sempre o mesmo (circuito virtual). O caminho fica “preso” à
conexão que está em uso, mesmo que nenhum dado esteja sendo transmitido em um
determinado momento. Este só será “liberado” quando a conexão é terminada.
Neste tipo de rede, a comunicação se mantém entre os dois computadores até ser
desligada ou “cair” a conexão. Os roteadores4 permitem várias conexões, como se observa na
Figura 2.5. Assim, a conexão de A com B só está ocupando um dos canais, restando outras
conexões [SIL00][TOR01].

Roteador 4 Roteador 5

Roteador 1

(A)
Roteador 2 Roteador 3

(B)

FIGURA 2.5 - Funcionamento de uma rede Orientada à Conexão

3
é a técnica apropriada para sistemas de comunicações que apresentam tráfego constante (por exemplo, a
comunicação de voz), necessitando de uma conexão dedicada para a transferência de informações contínuas.
4
é um equipamento responsável pela interligação das redes locais entre si e redes remotas em tempo integral.
CAPÍTULO II 24

A análise das redes orientadas à conexão é fator importante para se entender a


finalidade e os benefícios trazidos para os projetos de redes de computadores com fibra
óptica.
2.3.1 – Redes X.25

O padrão X.25 surgiu em 1976 e dominou claramente as comunicações


WAN(World Area Network) durante muitos anos. As redes X.25 usam a técnica de comutação
de pacotes com circuitos virtuais, definindo-se em 3 níveis: Nível de Rede , Link de Dados e
Físico do modelo OSI (Open System Interconection) – Modelo de 7 camadas proposto como
Padrão Internacional, como mostra a figura abaixo.

OSI - Correspondências do
modelo OSI e o modelo
7 OSI
Aplicação
X.25 nas respectivas
camadas.
6 Apresentação Rede – realiza
comutação, roteamento,
5 Sessão controle de erro e fluxo
fim-a-fim.
4 Transporte Enlace (Link de Dados) –
X.25 garante a transmissão
3 Rede Nível de Pacote (X.25) confiável sobre a camada
de rede.
2 Link de dados Nível de Link (LAPB) Física – realiza a
codificação/decodificaçã
1 Física Nível Físico (X.21) o e função de timing.

FIGURA 2.6 - Arquitetura X.25

Estas redes de comutação por pacote orientado à conexão garantem a transmissão


e a entrega de dados por canais disponíveis nos circuitos virtuais estabelecidos,
assemelhando-se com o sistema telefônico [TOR01]. Esta garantia vem da confiança do uso
de um protocolo (X.25) orientado à conexão propondo que, por exemplo, os sistemas de
telefonia e TV por assinatura (TV digital), façam parte de um mesmo sistema de rede.
A maior dificuldade enfrentada para este tipo de rede é a largura de banda
(velocidade de transmissão) para essas aplicações, pois o protocolo X.25 trabalha a, no
máximo, 64 Kbps [TOR01].
Com o surgimento da Fibra Óptica, este tipo de rede perdeu força, pois os
mecanismos de controle de erro e fluxo nas camadas de rede não faziam mais sentido. A
capacidade de transmissão e as baixas taxas de erro da fibra traziam estatísticas em que
CAPÍTULO II 25

quando se mediam as taxas de erro verificava-se nos BER(Bit Error Rate) uma ordem de
10-2, o que requeria uma nova tecnologia para transição.

2.3.2 – Redes Frame Relay

Como o X.25, o Frame Relay trabalha com o processo de comutação fazendo com
que as duas tecnologias se pareçam muito. A diferença é que o Frame Relay não é orientado a
conexão, portanto o processo de entrega de dados não é garantida como ocorre nas redes X.25
[TOR01].
O cenário das redes Frame Relay baseia-se na existência de dois planos: o de
Controle e o de Usuário. No plano de controle, são exercidas as funções de sinalização out-of-
band, isto é, não há compartilhamento de banda de transmissão entre o tráfego de sinalização
e dados, utilizando-se canais separados para esses fins [TOR01].
Este trabalha nas camadas de 1 a 3 do modelo OSI como mostra a Figura abaixo.
OSI - Correspondências do
7 Aplicação modelo OSI e o modelo
Frame Relay nas
6 Apresentação respectivas camadas.
A diferença entre X.25 e
5 Sessão Frame Relay é a
velocidade, pois como
4 Transporte esta não confirma pacotes
entre destino e origem,
3 Rede Nível de Pacote (X.25) alcança níveis de
Frame Relay velocidade satisfatórios.
2 Link de dados Nível de Link (LAPB) E quando um roteador
Frame Relay encontra um
1 Física Nível Físico pacote danificado ele
simplesmente o descarta.
FIGURA 2.7 - Arquitetura Frame Relay

Neste cenário a fase de sinalização é empregada somente antes da transmissão do


dado pelo meio físico, pois sendo o mesmo baseado em fibra óptica as taxas de erros seriam
quase nulas.
Quando um dado chega a um roteador o esquema de armazená-lo antes de
repassá-lo também não existe neste tipo de rede, como ocorria nas redes X.25, recaindo mais
uma vez no aspecto de velocidade (largura de banda das redes Frame Relay) [TOR01].
O Frame Relay foi criado em uma época em que linhas digitais já estavam
disponíveis, onde a taxa de erros é muito baixa e, portanto, retransmissões de pacotes perdidos
ou com erros não são freqüentes quanto em linhas analógicas. A interligação deste tipo de
CAPÍTULO II 26

rede é tipicamente usando-se canais T1 (de 1,544 Mbps, padrão usados nos Estados Unidos)
ou E1 (de 2Mbps, padrão usado na Europa e no Brasil). É possível também canais T1 e E1
fracionários (isto é, usando taxas menores que as taxas máximas, pagando-se menos pelo
serviço. Estes canais podem ser alugados das empresas que oferecem redes públicas como a
Embratel.
As redes Frame Relay foram concebidas para suportar aplicações de dados, mais
especificamente, para suportar a interconexão de redes locais de modo mais eficiente que as
redes X.25. posteriormente, com a utilização dos FRADs(Frame Relay Access Devices)
passou a ser possível empregá-las para transportar também voz e vídeo [TOR01].

2.3.3 – Redes ATM (Asynchronous Transfer Mode)

Funcionam com o mesmo princípio de redes X.25: são redes comutadas


orientadas à conexão. A grande diferença são as taxas de transferência obtidas pelo ATM, que
variam entre 25 e 622 Mbps, existindo sistemas operando na casa dos Gbps. Comparando-se
com os valores dos 64 Kbps e com os 2 Mbps das redes X.25 e Frame Relay respectivamente
[SOA95][ABL99].
Nesse tipo de rede, são especificados três planos: Controle, Usuário e
Gerenciamento. De modo semelhante às redes Frame Relay, no plano de controle é efetuada a
sinalização out-of-band. Neste caso, contudo é introduzido o conceito de Metasinalização, ou
seja, os canais de sinalização são alocados dinamicamente[SOA95]. Neste plano, são
empregadas também, as três camadas, de rede, enlace e física, com o roteamento dos circuitos
virtuais sendo efetuado na camada de rede. No plano de usuário, as funções da camada de
enlace são realizadas por duas subcamadas a ATM e a AAL (ATM Adaption Layer). Na
subcamada ATM são realizadas as funções de comutação de células e controle de
congestionamento. Na camada física são implementadas as funções de detecção e correção de
erro de bit de cabeçalho e de delineamento de célula.
Verificando-se na integra a técnica de redes ATM, a mesma não é orientada à
conexão, já que não possue mecanismos de confirmação de recebimento de dados
(acknowledge), similarmente ao que ocorre no Frame Relay. Por outro lado, as redes ATM se
baseiam na transmissão de dados via fibras ópticas, onde taxa de erro é praticamente
inexistente. Como a mesma transmite dados por luz, a interferência eletromagnética (como
ruídos) não corrompem os dados que estão sendo transmitidos. É por esse motivo que apesar
de não haver confirmação do recebimento dos pacotes ATM, as redes ATM são classificadas
CAPÍTULO II 27

como sendo redes orientadas à conexão. A arquitetura do protocolo ATM é mostrada na


figura 2.8 [TOR02].

Protocolos
TCP/IP, Frame Relay, Etc..

Driver da placa de rede

Camadas de Adaptação

Transporte de Células Placa de Rede ATM


Física

FIGURA 2.8 - Arquitetura ATM

Da transição de comutação por circuito para a técnica de comutação por pacote, as


variantes formas de melhoria para a transferência de dados e o acesso a diferente tipos de
redes através de roteadores específicos, a fibra óptica era usada puramente como meio de
transmissão em substituição ao cabo de cobre. Todas as funções de amplificação/repetição,
comutação e roteamento eram realizadas eletronicamente. A tecnologia predominante de rede
física era o SDH/SONET(Synchronous Digital Hierarchy)/Sinchronous Optical NETwork) e a
taxa de transmissão máxima obtida atingiu 40 Gbps. Em uma Segunda geração das redes
ópticas, objetivando o aumento da capacidade de transmissão da fibra óptica, passou-se a ter
redes totalmente ópticas, baseadas na multiplexação do comprimento de onda do sinal óptico,
nas redes WDM(Wavelength Division Multiplexing). Neste caso tem-se taxa de transmissão
da ordem de dezenas de Tbps(Terabits por segundo) [PIN02].

2.3.4 – Redes FDDI – (Fiber Distributed Data Interface)

A fibra óptica para redes FDDI utilizam um método de acesso do tipo Token-
Passing, e suportam taxas de transferência de até 100Mbps (100 mil bits por segundo)
[SOU01].
Este tipo de rede utiliza especificações LLC(Logical Link Control) - IEEE 802.2.
As novidades ficam por conta das subcamadas em nível MAC(Medium Access Control) e
Físico. Consequentemente, um sistema operacional utiliza FDDI exatamente da mesma
CAPÍTULO II 28

maneira como seria no 802.3 Ethernet ou 802.5 Token Ring. Em 1987 as primeiras interfaces
FDDI começaram a aparecer no mercado, e sua aplicação vem aumentando na medida em que
os preços de interfaces e fibras óticas vem caindo de preço.
Uma rede FDDI pode ter um máximo de 500 estações. Existem dois tipos de fibra
ótica que podem ser usados para interconectar estações: Monomodo e Multimodo. Quando é
utilizada fibra monomodo as estações podem chegar a 60 quilômetros de distância. Com
fibras multimodo as estações não podem ultrapassar 2 km de distância [SOU01].
O FDDI é veloz e confiável pois usa uma topologia de duplo anel chamados
counter-rotating rings, com estações duplamente conectadas à rede através desses anéis com
tráfego de dados em sentidos opostos (cada anel transmite em um sentido). O anel primário é
usado para transmissão de dados e o anel secundário provê um caminho de dados alternativo
no caso de uma falha no anel primário [SOU01], como mostra na figura 2.9.

A
B

B
A

FIGURA 2.9 - Redes FDDI com dois Anéis Alternativos

Uma extensão do FDDI, chamada FDDI-2, suporta a transmissão de voz e vídeo


assim como dados. Uma outra variação do FDDI, chamada FDDI Full Duplex Technology
(FFDT) usa a mesma infra-estrutura de rede, mas pode suportar transferência de dados de até
200Mbps.
A detecção e a recuperação de falhas é um fator importante no uso da tecnologia
FDDI, pois no caso de uma das estações que fazem parte do anel implantado falhar, rompendo
a fibra, a mesma tem capacidade de se reconfigurar de modo a criar um anel excluindo a
máquina problemática[SOU01].
A mesma ainda apresenta um processo de detecção de falhas – chamado de
beaconing . Quando uma máquina percebe que houve uma interrupção no anel, ela emite um
sinal sonoro que facilita a recuperação do problema em sua identificação, e esse efeito é em
CAPÍTULO II 29

seqüência, envolve todo o sistema, permitindo a reconfiguração do anel, como mostra a figura
2.10.

Link Alternativo Link Ativado

Link Ativo Link interrompido

(a) (b)

. Perda Total em um
ponto da Rede

Links
Desabilitados
Link Reativado

(c) (d)

FIGURA 2.10 - Redes FDDI usando um anel alternativo em (a), em (b) falha em um dos anéis e o outro
assumindo, em (c) os dois anéis falham devido um ponto que já sinaliza a falha (d) o restabelecimento do anel no
ponto onde ocorreu a falha [TOR02]

2.3.5 – Redes WDM (Wavelength Division Multiplexing)

Usando Multiplexação por Comprimento de Onda, isto dará uma capacidade de


transmissão do tipo em que vários “feixes de laser virtuais” dentro de uma única fibra óptica.
Com isto, a transmissão é multiplexada, numa combinação disponível devido os dispositivos
de rede funcionarem em suas portas de E/S(Entrada/Saída), como prismas onde quando se
incide luz no mesmo, a luz é dividida em várias faixas [TAN94].

Prisma
FIGURA 2.11 - Exemplo de multiplexação num Sistema WDM
CAPÍTULO II 30

Em um receptor ou transmissor, um filtro é usado para selecionar apenas um dos


comprimentos de onda que chegam ou saem, permitindo assim a passagem de um único sinal
e o estabelecimento da conexão entre fonte e destino.
Esta tecnologia WDM complementa a tecnologia Time Division
Multiplexing(TDM), que é o intercalamento de bits de vários sinais de baixa velocidade em
um único canal óptico de alta velocidade. O princípio do WDM é essencialmente o mesmo da
multiplexação por divisão de freqüência (FDM), onde vários sinais são transmitidos usando
diferentes portadoras, ocupando partes que não se sobrepõem no espectro de freqüências.
Nas fibras com esse sistema, o número de canais ópticos multiplexados, ficam
limitados apenas pela precisão dos componentes ópticos utilizados. Atualmente, a utilização
da tecnologia WDM permite a transmissão de sinais com taxas de 400Gbps até 1Tbps
[TAN94].
A grande vantagem associada ao WDM é a possibilidade de modular o aumento
da capacidade de transmissão de acordo com a necessidade de tráfego. A principal razão para
o uso destes sistemas é a economia. Eles permitem uma melhor relação entre custos
operacionais e bits transmitidos. Alguns autores, em análise destas condições, mostram que,
para distâncias abaixo de 50 Km, a solução multifibrada é menos dispendiosa, mas para
distâncias acima de 50 Km, o custo da solução WDM é melhor que da solução de alta
velocidade eletrônica [TAN94].

2.3.5.1 – Características do WDM

Sistemas WDM de acordo com a necessidade e situação possuem:


- Flexibilidade de capacidade: são as migrações, onde por exemplo 622 Mbps
podem mudar para 2,5 Gbps, e seguir para 10 Gbps e podem ser feitas sem a necessidade de
se trocar os dispositivos como amplificadores e multiplexadores (que estão associados a
potência e combinação, respectivamente da fibra).
- Permite crescimento gradual de capacidade: um sistema WDM pode ser
planejado para um pequeno número de canais e expandido posteriormente. A introdução de
mais canais pode ser feita simplesmente adicionando novos equipamentos terminais.
- Reutilização dos equipamentos terminais e da fibra: permitindo o
crescimento da capacidade mantendo os mesmos equipamentos terminais e a mesma fibra.
CAPÍTULO II 31

- Atendimento de demanda inesperada: Os sistemas WDM podem solucionar


este problema, economizando tempo na expansão da rede.
O uso do WDM em redes Metropolitanas, por alguns autores [PIN02], é uma
aplicação que combina o melhor gráfico de custo/benefício, pois as distâncias de 300 Km,
neste tipo de rede, pois os regeneradores ópticos(multiplexadores, amplificadores, etc.) são
reduzidos.
Embora a corrente demanda por tecnologia WDM seja em redes de transporte de
longo alcance, a tendência é uma aproximação a usuários finais, penetrando gradualmente em
redes metropolitanas e em redes de acesso. Muitas empresas têm investido em transporte de
voz e outras mídias contínuas (como vídeo também), empregando e coexistindo com
tecnologias como o ATM [PIN02][TAN94].
Com relação às estruturas físicas, as compatibilidades estão com os dispositivos
SONET, encapsulando IP (ou células ATM carregando pacotes IP), que também podem usar
SONET.

Transmissor Receptor

Multiplexador Demultiplexador

FIGURA 2.12 - Exemplo de transmissão num Sistema WDM


CAPÍTULO III 32

3 - SIMULAÇÃO DE REDES

A seguir faz-se um breve relato sobre o processo de simulação de redes e o


simulador usado neste trabalho.

3.1 – O Processo de simulação

Os principais trabalhos relacionados à simulação de redes, abordam os tipos e as


principais características desejáveis de software de simulação, os principais desafios de
desenvolvimento, as técnicas de simulação utilizadas, o modelamento de redes gerais e as
precauções que devem ser tomadas no início da simulação de qualquer tipo de Rede de
Computadores.
O processo de simulação tem por objetivo projetar um modelo do mundo real, e
sobre este modelo realizar experimentos com o propósito de entender o comportamento de um
sistema e avaliar diversas estratégias de operação [ALB99]. Os simuladores de redes auxiliam
o desenvolvimento de aplicações avançadas à medida que propiciam um ambiente controlado
e simplificado, onde versões de protocolos desejados podem ser escritas, avaliadas ou
editadas antes que uma implementação final seja realizada.
Dentre as soluções disponíveis para auxiliar na execução de tarefas, no que diz
respeito à simulação computacional, e que são inúmeras para casos específicos, existem
parâmetros que estrategicamente devem se ligar às flexibilidades trazidas pelo mesmo,
quando da sua escolha, a observação desses parâmetros é importante para que o problema
estudado na simulação, traga uma demanda de eficiência para o caso e não se torne inviável,
trazendo dificuldades estruturais após a opção (escolha) por um simulador específico.

3.2 – Tipos de Software para Simulação

Segundo [LAW94], existem três tipos principais de software de simulação de


redes de comunicações: linguagens gerais de simulação, simuladores orientados às redes de
comunicações e linguagens de simulação orientadas às redes de comunicações.
3.2.1 – Linguagens gerais de simulação
3.2.1 – Linguagens gerais de simulação

Podem em princípio ser utilizadas para simular qualquer sistema. Porém, algumas
destas linguagens incluem conjuntos de modelos especialmente desenvolvidos para a
CAPÍTULO III 33

simulação de redes de comunicações. Sua maior vantagem é que o software possibilita


simular qualquer tipo de rede de comunicação, independente da sua complexidade e das suas
singularidades. Entretanto, nem sempre é possível atingir o grau de detalhamento desejado
quando se utiliza este tipo de ferramenta. Exemplos destes tipos de software são : BONeS
Designer, MODSIM III e Parsec, [ALB99].

3.2.2 – Simuladores orientados às redes de comunicações

São softwares que permitem simular apenas uma classe específica de redes de
comunicações. Dentre as vantagens deste tipo de simuladores estão a facilidade de uso e a
redução do tempo e da complexidade de desenvolvimento de modelos. Porém, é importante
observar que nem todos os softwares deste tipo permitem o desenvolvimento de novos
modelos. Os exemplos deste tipo de simuladores são: NIST , QUARTS-II, GLASS,
[ALB99][SIL99].

3.2.3 – Linguagens de simulação orientadas às redes de comunicações

Como o próprio nome já diz, são direcionadas especificamente para a simulação


de redes de comunicação. Dentre as vantagens deste tipo de software pode-se destacar a
facilidade e a flexibilidade de desenvolvimento de modelos. Exemplos deste tipo de
simuladores são: OPNET Modeler e COMNET III [ALB99].

3.3 – Desafios e características desejáveis na simulação

Um software de simulação, conforme [ALB99], deve possibilitar a simulação de


grandes redes hierárquicas, uma vez que é uma exigência primordial de Protocolos de
Roteamento Hierárquicos, ou seja, a topologia é particionada logicamente em um número de
domínios separados, cada um executando sua própria instância do protocolo de roteamento
voltados para redes globais, como por exemplo, o protocolo TCP/IP - (Transfer Control
Protocol / Internet Protocol) e permitir o estudo de problemas tais como: escalabilidade e
estabilidade de protocolos de roteamento e perda de pacotes nos principais roteadores da rede.
Outro fator importante destes tipos de software de redes é possibilitar a simulação
de redes multiprotocoladas, uma vez que as tecnologias exigem, como mostra a figura 3.1.
CAPÍTULO III 34

FIGURA 3.1 - Exemplo de redes Multiprotocoladas [PIN02]

Primordialmente, um software de simulação também deve prever a simulação de


eventos raros [ALB99], tais como probabilidade de perdas de pacotes e probabilidade de
atraso excessivo de transporte de células, uma vez que estes eventos são importantes medidas
de desempenho em redes em geral.
Finalmente, um software de simulação deve possibilitar a simulação por longas
escalas de tempo, a fim de permitir a estimação precisa de probabilidades de ocorrência de
eventos e de evitar a interpretação incorreta de estados de longa duração, originários de por
alguns aspectos adversos em redes para casos específicos. Portanto produzir um software de
simulação é tarefa pouco simples, pois o jogo de importâncias relacionadas à simulação, como
os pré-requisitos que devem ser atendidos, dependeram bastante da sua complexidade.

3.4– Modelamento de redes para a escolha de um simulador

O modelamento é o processo de construir modelos de sistemas reais para um


determinado ambiente de simulação, de forma que estes modelos representem o mais fiel
possível o funcionamento desses sistemas diante de um certo conjunto de situações [ABL99].
Dentro de um contexto específico, por exemplo, o modelamento de redes Metropolitanas, a
tarefa começa a se tornar bastante difícil, uma vez que são necessários não apenas o
conhecimento de ambiente de simulação para o qual os modelos estão sendo desenvolvidos,
mas também o conhecimento de toda a teoria sobre Redes Metropolitanas, dos detalhes dos
componentes a serem modelados e dos resultados a serem obtidos.
Um dos aspectos importantes deste contexto é saber diferenciar a simulação da
emulação, pois emulação é quando se desenvolve com o objetivo de imitar completamente um
protótipo ou uma função original, representando na totalidade os detalhes envolvidos. Em
contra partida, simulação é obter resultados estatísticos que descrevam a operação destas
redes ou funções [ABL99].
CAPÍTULO III 35

Em termos gerais, quando modelamos uma rede qualquer e esperamos obter


estatísticas num ponto da rede (uma estação de trabalho, um link e outros), ou a estatística
atingida no modelamento como um todo, deve-se otimizar a relação entre precisão atingida
no modelamento e o custo computacional requerido para simular os modelos desenvolvidos.
O importante é não sobrecarregar a simulação com a execução de funções insignificantes com
termos de resultados para os problemas que estão sendo estudados [ALB99].
Com todas as especificações e características mostradas no decorrer do capítulo de
simulação, as propriedades pesquisadas até aqui deverão ter um propósito significativo para a
escolha de um simulador que perfaça as expectativas para a simulação.

3.5 – OPNET Modeler

Diante do que foi pesquisado anteriormente, a escolha e utilização do software de


simulação, para o estudo de caso no próximo capítulo, faz-se necessário. Portanto, analisando-
se um conjunto de parâmetros, verificou-se que a ferramenta de simulação OPNET Modeler
[OPN03], propõe uma condição lógica, aproximando-se ao máximo dos objetivos da
pesquisa proposta.

3.5.1 – Ambiente de Simulação do OPNET Modeler

O programa OPNET é o bloco básico de um simulador de ambientes de rede. Esse


programa apresenta grande flexibilidade de implementação em vários níveis das camadas
básicas de redes. Possibilita simular várias configurações, ambientes e tecnologias de redes
[MEN03a].
O melhor aproveitamento da ferramenta torna-se primordial quando o usuário do
OPNET tem uma grande noção do que se pretende simular, assim como o conhecimento da
tecnologia aplicada e do ambiente em que serão efetuadas as simulações desejadas, pois o
mesmo apresenta interfaces gráficas para a edição de um projeto, que será previamente
configurado para a edição dos dispositivos de rede, para o projeto em que deseja-se trabalhar.
Optou-se por sua edição OPNET IT Guru Academic Edition 9.1 Trial, mostrada
na figura 3.2, disponibilizada para trabalhos acadêmicos, usando como plataforma o sistema
operacional Windows XP. Na análise dos recursos propostos pelo simulador em termos de
redes ópticas, que é objeto de estudo primordial neste trabalho, o simulador oferece
ferramentas com os requisitos necessários para a realização do projeto.
CAPÍTULO III 36

FIGURA 3.2 - Tela inicial do Simulador OPNET

O OPNET subdivide-se basicamente em diversos Editores que são: Editor de


Projeto, Editor de Nós, Editor de modelos de Processos, Editor de Modelo de Links, Editor de
Path, Editor de Formato de Pacote, ICI (Interface Control Information) Editor, Editor de
Curva de Modulação, PDF Editor, Editor de Estatística, Seqüência de Simulação e Editor de
Filtros.

3.5.2 - Editor de projeto

Representa o estágio principal para a criação e simulação de uma rede. A partir


deste editor é possível criar um modelo de rede utilizando as bibliotecas de módulos
existentes, escolher as estatísticas sobre a rede que devem ser analisadas, rodar a simulação e
analisar os resultados. Também é possível criar todos os recursos necessários para simular
uma rede específica, utilizando os editores auxiliares.

3.5.3 - Editor de nós

É utilizado para definir o comportamento de cada objeto da rede. Este


comportamento é definido utilizando diferentes módulos, onde cada um modela algum
aspecto interno do comportamento do nó, como por exemplo, criação e armazenagem de
dados. Os módulos são conectados através de packet streams(feixe de pacotes) ou statistics
wires(ligações para estatísticas). Um simples objeto da rede, normalmente é composto por
vários módulos que definem seu comportamento, exibido na figura 3.3.
CAPÍTULO III 37

FIGURA 3.3 - Exemplo de um Nó composto

3.5.4 - Editor de modelos de processos

É utilizado para criar modelos de processos que controlam a funcionalidade das


camadas mais baixas dos modelos de nó criados no Editor de Nós. Os modelos de processos
são representados por um número finito de máquinas de estado e linhas que representam as
transições entre os estados. As operações relacionadas a cada estado ou transições são
descritas em blocos utilizando a linguagem de programação C++.

3.5.5 - Editor de modelo de links

É utilizado para criar novos objetos do tipo “link” (dispositivos utilizados para
conectar os nós). Cada novo tipo de link pode ter diferentes interface para definir atributos e
diferentes tipos de representação. Pode-se definir comentários e palavras-chaves para cada
link para enfatizar sua aplicação.

3.5.6 - Editor de Path

Permite criar novos objetos que definem uma rota de tráfego (path). Qualquer
modelo de protocolo que utiliza conexões lógicas ou circuitos virtuais (MPLS, ATM,
FRAME RELAY, etc.) pode utilizar um objeto PATH para rotear o tráfego.
CAPÍTULO III 38

3.5.7 - Editor de formato de pacote

É utilizado para definir a estrutura interna de pacotes, como configuração dos


campos. O formato de um pacote contém um ou mais campos. O tamanho da caixa é
proporcional ao número de bits que compõe o campo, especificado através do atributo FIELD
SIZE, ilustrado na figura 3.4 abaixo.

Endereço de Origem Endereço de Destino


(32 bits) (32 bits)
Dado
(64 bits)

FIGURA 3.4 - Formato de um pacote configurado no Editor de Formato de Pacote

3.5.8 - ICI Editor

Permite definir a estrutura interna dos ICIs (Interface Control Information). Os


ICIs são utilizados para formalizar interrupções nas comunicações entre processos.

3.5.9 - Editor de curva de modulação

Permite criar funções de modulação para caracterizar a vulnerabilidade de um


esquema de codificação de dados e modulação na presença de ruído. Essas funções de
modulação são gráficos que mostram a probabilidade de erro de bit pela relação entre Energia
de Bit e Densidade Espectral de Ruído (Eb/No).

3.5.10 - PDF editor

Defini a probabilidade sobre uma faixa de possíveis resultados. Uma Função


Densidade de Probabilidade (PDF) pode ser utilizada para modelar o tempo de chegada de
pacotes ou a probabilidade de transmissão de erros.
CAPÍTULO III 39

3.5.11 - Editor de estatística

Utilizado para especificar as estatísticas a serem coletadas durante a simulação.


Embora isto possa ser feito no PROJECT EDITOR, o PROBE EDITOR pode ser utilizado
para configurar características adicionais para cada PROBE (ponta de coleta). Existem
diversos tipos diferentes de estatísticas que podem ser coletadas utilizando diferentes tipos de
PROBES, incluindo estatísticas globais, de link, nó, atributo, etc.

3.5.12 - Simulador de seqüências

Embora simulações simultâneas possam ser realizadas no Editor de Projeto, o


Simulador de Seqüências permite especificar parâmetros de simulação adicionais, que possam
ser necessários. A seqüência de simulação é definida através de ícones que possuem atributos
responsáveis pelas características de simulação.

3.5.13 – Editor de filtros

No editor de filtros, Embora o OPNET possua um número considerável de filtros,


este editor permite que novos filtros sejam criados a partir da combinação de outros modelos
de filtros existentes.
CAPÍTULO IV 40

4 - ESTUDO DE CASO

A seguir, é apresentado o objeto de estudo deste trabalho.

4.1 – Introdução

O estudo de caso se refere à simulação de uma rede metropolitana cujo principal


objetivo é definir qual a tecnologia que mais se adequa às características pretendidas para a
METROBEL (Rede metropolitana de alta velocidade de Belém ).
Optou-se por testar duas tecnologias: FDDI e ATM. Apesar da existência de
tecnologias mais avançadas como as redes WDM/DWDM/CWDM, não foi possível incluí-las
porque a versão do simulador escolhido, OPNET, não as contempla na versão acadêmica
usada.
Entretanto, o fato de não incluir redes WDM/DWDM/CWDM, não diminui a
importância do presente trabalho, haja vista a utilização em grande escala, das tecnologias
FDDI e ATM, em redes ópticas metropolitanas.

4.2 – Coleta de Dados

Inicialmente buscou-se ter em mãos os dados referentes ao tráfego gerado pelos


usuários, a topologia da rede, quantos pontos participarão inicialmente do projeto
METROBEL, quais as tecnologias de rede que estarão envolvidas no processo, as distâncias
estimadas entre um ponto e outro para formação do enlace físico da rede proposta e adequar
todos esses dados aos requisitos da pesquisa, para que se pudesse iniciar a simulação.
No gráfico que ilustra os pontos que irão participar da rede METROBEL,
observa-se 24 instituições de Pesquisa e Ensino compondo o grande anel metropolitano,
objetivo este que será atendido não em uma única etapa, mas sim será interligado os pontos
que estão desde o inicio das negociações e foram beneficiados ou investiram no projeto.
Alguns pontos ainda não estão definidos realmente como membros participantes do projeto
inicial definidos em reuniões de licitação do projeto, mas que são fortes candidatos a virem
beneficiar-se com a implantação da rede.
CAPÍTULO IV 41

Como se pode observar na Figura 4.1, a Rede METROBEL propõe uma


topologia em anel, interligado 24 Instituições de Pesquisa e Ensino.

FIGURA 4.1 - Rede Metrobel: Topologia, Instituições de Pesquisa e Ensino [GON05]

4.3 – A simulação

A seguir, descreve-se a simulação passo-a-passo.

4.3.1 – O primeiro passo

Primeiramente foi realizada uma revisão bibliográfica para o levantamento de


dados relacionados com o anel topológico já existente, para poder desenvolver uma proposta
definindo as distâncias (em quilômetros) entre as entidades que serão beneficiadas. Portanto a
pesquisa de campo realizada na UFPA (Universidade Federal do Pará), onde fica o Backbone
conectado à RNP (Rede Nacional de Pesquisa), utilizando link da EMBRATEL, identificou-se
os pontos que constituirão realmente o anel preliminar da rede metropolitana, já que nem
todos os centros de pesquisa investiram ou mesmo foram beneficiados por fundos
disponibilizados pelo MCT até a data de sua licitação. Portanto os centros de pesquisas
participantes, Figura 4.2 são respectivamente: UFPA, UFRA, MPEG(Campus Perimetral),
EMBRAPA, UEPA(Campus Almirante Barroso), CEFET, UNAMA(Campus Alcindo
Cacela), CESUPA(Campus José Malcher) e MPEG(Parque Zoobotânico).
CAPÍTULO IV 42

• Novo Anel Proposto


• Pontos Participantes

FIGURA 4.2 - Distância (estimada ≅) entre pontos participantes da Rede

4.3.2 – O segundo passo

Daqui em diante, tendo-se os dados explicitados pelas condições propostas no passo


anterior, foi criada a simulação (usando o OPNET Modeler) com os parâmetros aproximados
colhidos no ambiente real em que será implementada a rede metropolitana.
No Editor de Projeto do simulador são configurados:
• Três tipos de cenários contendo uma hierarquia de rede e suas subredes
mostrados nas figuras 4.3, 4.4 e 4.5:

Objeto que
caracteriza uma
Subrede
“CABEADA”

FIGURA 4.3 - Cenário nº 01 - Localização no Mapa da rede METROBEL


CAPÍTULO IV 43

FIGURA 4.4 - Cenário nº 02 – Pontos da Rede Metropolitana

FIGURA 4.5 - Cenário nº 03 - Subrede de um dos Campus (UFPA)

Vale ressaltar que os cenários são configurados e dispõem de uma escala que pode
ser auto configurada ou pré-ajustada, que foi editada para ter aproximadamente 32 Km², e se
subdividir em espaços de 1Km²
CAPÍTULO IV 44

• Uma Paleta de Ferramentas específica para cada tipo de tecnologia usada:

FIGURA 4.6 - Paleta de Ferramentas configurada para a tecnologia ATM

Observando-se a Figura 4.6, identifica-se facilmente os dispositivos e qual tecnologia


a Paleta propõe para ser usada no cenário do Projeto em Edição.
• Os Atributos para cada tipo de Objeto selecionado é disposto no Cenário:
Como o simulador OPNET demonstra graficamente os dispositivos físicos de
forma a expressar o real ambiente de uma rede, seja ela hierarquicamente LAN(Local Area
Network), MAN(Metropolitan Area Network) ou WAN(World Area Network), podemos
também caracterizá-los editando as suas propriedades(Atributos), que são aspectos comuns
em ambientes de Softwares Orientados a Objetos5.
A real necessidade de se ter a edição dos objetos dispostos no projeto, é para que
no decorrer da simulação, as estatísticas geradas sejam comparadas nos diferentes cenários:
objetos (alterando-se em muitos dos casos apenas os atributos de um cenário duplicado),
tempos de execução de simulação e outros. A edição de um atribudo para um determinado nó
é ilustrado na figura 4.7.

5
Usam a abstração de software que pode representar algo real ou virtual denotando um objeto.
CAPÍTULO IV 45

FIGURA 4.7 - Exemplo de Edição de Atributos de um Objeto no OPNET

4.3.3 – O Terceiro Passo

Embora já se tenha um padrão definido para o ambiente de simulação, ainda não


se é possível iniciá-la. Antes disso, torna-se necessário verificar quais estatísticas(criteriosas)
deve-se ter para se realizar uma simulação comparativa, sem com isso sobrecarregar os
recursos computacionais.
No caso desta simulação, é importante configurar-se dois cenários, um para cada
tecnologia em estudo(FDDI, ATM), duplicando-os em alguns aspectos que precisam ser
semelhantes como: localização das subredes(distância entre um nó e outro), aplicações ou
serviços de usuários (todos as aplicações cliente-servidor têm que ser iguais), número de nós
(mesmo número de clientes, servidores, roteadores e switch), o mesmo direito(profile) a todos
os clientes(estações de trabalho) e o mesmo tempo de simulação(11minutos e 40 segundos,
neste caso) para que se tenha uma comparação aproximada entre as tecnologias.
No levantamento estatístico é definido o tempo de resposta de aplicações
FTP(File Transfer Protocol) que serão testadas num ambiente que é considerado de alta
velocidade(redes usando fibra óptica), portanto as aplicações FTPs nos Clientes(estações de
CAPÍTULO IV 46

trabalho) e nos Servidores ganharam perfil pesado(heavy), ou seja, na configuração dos


Profiles(perfil de objetos no OPNET Modeler), o tráfego de dados é para aplicações que
consomem bastante os recursos de cargas(bits/segundo) nos objetos das redes, como também,
foi testada a ocupação dos enlaces (em cada ponto de rede para os respectivos cenários das
tecnologias distintas) e os atrasos(delay) ocorridos nas transmissões.
Com estas análises, é possível a obtenção de uma base de dados gráficos que
possibilite a verificação do impacto de implantação de uma proposta de Rede Óptica para a
METROBEL.

4.3.5 – O Quarto Passo

Como foram definidas as estatísticas que interessam, neste passo foi feita a
verificação do desempenho da rede para cada tecnologia, especificando-se os nós utilizados
(links, servidores, estações de trabalho e roteadores) e coletando os seus respectivos gráficos.

a) Definição de Nós para as tecnologias FDDI e ATM

Na tabela que segue, especifica-se a arquitetura usada para a construção do


ambiente lógico de rede metropolitana proposta na tecnologia FDDI.

Tabela 4.1 - Arquitetura usada na rede FDDI

TIPO DE NÓ DESCRIÇÃO COMPATIBILIDADE


Link, FDDI simples para Somente com dispositivos
conectar dois nós com FDDI.
topologia anel a 100 Mbps.

Roteador ASEND_GRF1600 FDDI., ATM e outros


O FDDI_Server representa uma
Estação com aplicações de Somente com dispositivos
Servidor usando o protocolo FDDI
TCP/IP e UDP/IP com conexões
à 100 Mbps.
O FDDI_wkstn é uma Estação com
perfil de Cliente-Servidor usando o
protocolo TCP/IP e UDP/IP com
conexões à 100 Mbps. Configurada
Somente com dispositivos
para aplicações de tráfego de FDDI
arquivos pesados FTP(Heavy).
CAPÍTULO IV 47

É importante observar que os dispositivos de redes usados, possuem


especificações, padronizações e até mesmo marcas propostas como referências básicas para a
construção de uma rede específica, como é o caso do Roteador proposto na rede FDDI, onde
possui marca ASCEND e trabalha não só com redes FDDI, como também ATM e outras.
Na tabela 4.3, especifica-se a arquitetura usada para a construção do ambiente
lógico de rede metropolitana proposta na tecnologia ATM.

Tabela 4.3 - Arquitetura usada na rede ATM

TIPO DE NÓ DESCRIÇÃO COMPATIBILIDADE


Link, ATM_SONET duplo Com dispositivos ATM e
(full duplex) para conectar que possuam
nós com topologia anel a disponibilidade de
aproximadamente 600 Mbps. conexão SONET.

Roteador FORE_SISTEMS Somente com dispositivos


ATM_SONET_OC12
O ATM_Server representa
uma Estação com aplicações Com dispositivos
de Servidor usando o ATM_SONET_OC12 e
protocolo TCP/IP e UDP/IP também expansível até
com conexões de 600 Mbps a ATM_SONET_OC48.
2.5 Gbps.
O ATM_wkstn representa uma
Estação com perfil de de Cliente- Com dispositivos
Servidor usando o protocolo
TCP/IP e UDP/IP com conexões à
ATM_SONET_OC12 e
600 Mbps. E configurada para também expansível até
aplicações de tráfego de arquivos ATM_SONET_OC48
pesados FTP(Heavy).

b) Coleta de estatísticas para as tecnologias FDDI e ATM

Inicialmente obtém-se o relatório geral da simulação, tabela 4.2, finalizada num


tempo imposto para a coleta de dados (700 segundos) da rede FDDI. É de suma importância
verificar-se algumas conversões de unidades de tempo feitas para especificar melhor os
resultados de simulação e as estatísticas coletadas (expressas em segundos e milessegundos)
CAPÍTULO IV 48

Tabela 4.2 - Relatório Geral da Simulação FDDI

Nº Total de Velocidade Média em Tempo de Observação Nº de


Eventos
Eventos/Segundo da Simulação Entradas
processados
501.107 64.784e/s 8s 2.257

Este relatório ilustra algumas características prevista no momento que se roda a


simulação (no Simulador de Seqüências) e antes foi definido que o valor mínimo de eventos
por estatística é 100, além de se estipular também um valor para a geração de números
aleatórios, que no caso foi escolhido o padrão proposto pelo simulador (o valor 128).
Enquanto a simulação é executada, aparece uma caixa de diálogo mostrando o
progresso da simulação que dependerá do processamento e da quantidade de memória
disponível no computador em que se rodou a simulação. Depois de 1 milhão de eventos, o
simulador estima um tempo para que a simulação seja finalizada.
Após a estatística geral de simulação, inicia-se a coleta de estatística específica
para a simulação da Rede FDDI. Através da Figura 4.8 percebe-se que o tempo médio de
resposta da aplicação FTP (heavy) para uma estatística Global é de aproximadamente 2,1
segundos.

FIGURA 4.8 - Tempo Médio de Resposta da Aplicação FTP Para FDDI


Todos os gráficos possuem os eixos (x) e (y) com as seguintes descrições:
- Eixo (x) → : é o tempo estipulado para rodar a simulação configurado em
minutos (11m e 40s).
- Eixo (y) ↑ : é o tempo de observação da simulação configurado em segundos ou
taxas de dados podendo ser: pacotes/segundo, bytes/segundo, bits/segundo e outros.
CAPÍTULO IV 49

No OPNET, o gráfico de tráfego médio gerado, já especifica que para os enlaces


entre as subredes (qualquer que seja, como por exemplo UFPA→ UFRA), evidenciam um
tráfego médio para a rede FDDI (em pacostes/segundo) de aproximadamente 1.6 p/s, ou seja,
na Figura 4.9 ilustrada, o OPNET já calculou para todos os enlaces e mostra, em quantos
pacotes por segundo poderão qualquer dos links ficar congestionados.

FIGURA 4.9 - Tráfego médio dos enlaces entre as subredes FDDI


Assim como numa rodovia, links de rede, usados para acesso à informações,
também sofrem com o uso(utilização) simultâneo num mesmo horário. Normalmente entre
uma faixa de horário, há uma maior freqüência de usuários, causando um congestionamento
de acesso nesse link, que é denominado com o nome de Tráfego [SOA95].
O tráfego mostrado neste trabalho foi configurado de maneira que não se
considerou um fluxo de maior utilização em horários diferentes, pois apesar do OPNET
dispor desta função(denominada Trafic Background), neste trabalho considera-se que as
utilizações dos links são iguais (ambiente ideal) em todo o tempo estipulado para a simulação,
restando assim somente saber em qual tecnologia foi melhor resolvido.
Através da Figura 4.10 percebe-se que o tempo médio de atraso(Delay) da rede
metropolitana FDDI proposta é de aproximadamente 0,100ms(milessegundos).

FIGURA 4.10 - Delay médio para a rede FDDI metropolitana


CAPÍTULO IV 50

O relatório geral da simulação finalizada para a Rede ATM é verificado na Tabela


que segue:

Tabela 4.4 - Relatório Geral da Simulação ATM


Nº Total de Velocidade Média em Tempo de Observação Nº de
Eventos
Eventos/Segundo da Simulação Entradas
processados
7.151.779 99.330 e/s 72s 1.152

Através da Figura 4.11 percebe-se que o tempo médio de resposta da aplicação


FTP (heavy) para uma estatística Global é de aproximadamente 1,1 segundos.

FIGURA 4.11 - Tempo Médio de Resposta da Aplicação FTP para ATM

A Figura 4.12 ilustra o tráfego médio da rede ATM para os mesmos enlaces
propostos na rede FDDI:

FIGURA 4.12 - Tráfego médio dos enlaces entre as subredes ATM


CAPÍTULO IV

51

Para a tecnologia ATM evidencia-se um tráfego médio de aproximadamente 0.78


pacotes/segundo .
Para a Rede ATM, o atraso médio (Delay) será especificado através de sua
Camada de Adaptação AAL5, que é a camada que oferece serviços desejados pelas camadas
superiores em comparação com o modelo OSI.
Na Figura 4.13 percebe-se que o tempo médio de atraso(Delay) da rede
metropolitana ATM é de aproximadamente 0,39 ms(milessegundos).

FIGURA 4.13 - Delay médio para a rede ATM Metropolitana

4.3.5 – O Quinto Passo

Agora, para a conclusão da proposta de trabalho será feito a comparação dos


gráficos para as duas tecnologias analisadas no passo anterior.
Lembrando-se que para a comparação das estatísticas as simulações que geraram
os resultados distintos , tiveram como base parâmetros comuns para os dois cenários, que são:
- Duração em segundos (700 segundos): define o tempo de atividade da rede
que será monitorado para recolher as estatísticas.
- Valor mínimo por Estatística (100 eventos): define o número mínimo de
eventos por estatística.
- SEED (128): semente para geração de números aleatórios, neste caso foi aceito
o padrão do simulador.
- Atualização de Intervalo de Eventos (100.000 eventos): a cada 100.000
eventos a simulação é atualizada.
CAPÍTULO IV 52

Estes parâmetros são especificados em uma janela, quando se vai rodar a


simulação como mostra a figura 4.14.

FIGURA 4.14 - Configuração dos Parâmetros Comuns às duas Simulações

Para as comparações também será necessário definir alguns requisitos importantes


configurados no simulador.
No terceiro passo foram citadas as estatísticas que se deveria coletar. No
OPNET, essas estatísticas são definidas a partir do objeto Application Definition, que já
possui oito aplicações padrões que são: transferência de arquivos, acesso a banco de dados, e-
mail, HTTP(Hypper Text Tranfer Protocol), VoIP(Voz Sobre IP), impressão, Telnet e
videoconferência. Essas aplicações ainda podem ser configuradas para possuir tráfego pesado
(heavy) ou leve (light).
Nas simulações de redes de computadores, podem existir diversas aplicações que
poderão gerar diferentes tipos de tráfegos. Caso tenha-se interesse em apenas uma aplicação
em específico, não é necessário configurar o objeto que disponibiliza os serviços de
aplicações aos nós do tipo cliente-servidor, mas como para a rede em questão é importante
uma visão geral de algumas das aplicações testadas na rede, foi configurado o objeto
Application Definition com uma disponibilidade de serviço que abrangeu todas as
necessidades impostas pela rede que se desejou simular (Rede Metropolitana de Belém –
METROBEL), mostrada na figura 4.15.
CAPÍTULO IV 53

Perfil METROBEL

FIGURA 4.15 - Configuração das Aplicações para um Nó Cliente ou Servidor

A partir das configurações de aplicação, todos os nós cliente e servidor receberam


o perfil denominado “Perfil METROBEL”, que é configurado através do objeto Profile, como
podemos ver na figura 4.16.

Perfil METROBEL

Aplicação de Banco de Dados;


E-mail;
Transferência de Arquivo Pesado(FTP);
Acesso Remoto (Telnet Session);
Impressão de Arquivos;
Vídeo Conferência leve.

FIGURA 4.16 - Configuração do Perfil de Clientes e Servidores


CAPÍTULO IV
54

Definido as aplicações e os perfis, que foram usados podemos agora comparar o


tempo médio de resposta das aplicações FTPs(Heavy) que foram impostos às duas
tecnologias.
O OPNET já possue uma opção que compara as estatísticas em um único gráfico,
como podemos observar na figuraa 4.17 baixo.0

FIGURA 4.17 - Comparação de resultados do tempo médio de resposta das aplicações


FTPs para as duas tecnologias

Como podemos observar no gráfico comparativo, a aplicação que demora maior


tempo para responder é a aplicação FTP do cenário onde configurou-se a rede FDDI, onde a
variação entre as duas Redes é igual a 1(um) segundo.
Apesar de serem usadas fibras ópticas com capacidade de taxas de transmissão
(FDDI = 100Mbps e ATM-SONET-OC12 = 600Mbps) diferentes, foram estipulados tráfegos
de dados com a mesma taxa de transmissão, ficando as duas tecnologias com limite de
100Mbps, que está nos objetivos iniciais da proposta da rede METROBEL.
Uma comparação importante que se pode observar, é o grau de expansividade e
adaptação da tecnologia que se usa na rede em que se vai simular, pois de acordo com
[ABL99]], este fator também tem que ser levado em consideração, onde redes modernas
deverão ser aquelas capazes de sofrer atualizações de demandas de tráfego, largura de banda,
protocolos e outras, sem com isso ser necessário a substituição de todos os dispositivos físicos
da rede.
CAPÍTULO IV 55

Também não se pode deixar de observar as possibilidades de se configurar


ambientes em que se possa usar tecnologias distintas, pois podemos citar o desempenho da
rede FDDI local (em um dos pontos, por exemplo na UFPA) que na simulação, só a nível de
curiosidade, pois o objetivo é mostrar a performance dos enlaces entre os centros de pesquisa,
apresentou um desempenho equiparado ao da rede ATM local, para o mesmo ponto.
Para o gráfico comparativo de tráfego médio nos ambientes FDDI e ATM,
verifica-se que na rede FDDI os links entre os centros de pesquisa e ensino, posuem tráfego
mais expressivo(maior) na escala gráfica. Portanto, os congestionamentos nas redes ATM são
melhor resolvidos, ao contrário da rede FDDI, como mostra a figura 4.18, especifica o
tráfego médio de todos os enlaces propostos nas duas redes.

FIGURA 4.18 - Comparação de Tráfego médio entre as duas Tecnologias

No aspecto evolutivo de todos os dispositivos de rede da atualidade, se cobra


muito as soluções em que os atrasos sejam os mínimos possíveis. A figura do gráfico
comparativo destes atrasos na rede em questão, não pode ser expressado pelo OPNET, devido
a rede FDDI e a ATM não possuírem características semelhantes neste aspecto, pois enquanto
para um estatística global a rede FDDI trabalha com conceito de atraso de pacotes por
segundos, comum a vários tipos de redes, o protocolo ATM trabalha com o conceito de célula
já explicado em capítulos anteriores e é denotado pela camada de adaptação AAL5, portanto,
somente pode-se ressaltar em comparação que a tecnologia ATM apresentou com sua
tecnologia, um atraso médio para uma estatística global menor que na rede FDDI.
CAPÍTULO V 57

CONCLUSÕES

Entre as inúmeras variáveis físicas e lógicas(links, protocolos, servidores,


roteadores, etc.) reunidas para formar um projeto de rede, que se enquadre nas necessidades
dos usuários, existem as diferentes formas de tratar a execução das mesmas tarefas. Isso causa
um grande número de propostas e modelos, onde os respectivos desempenhos devem ser
tratados de acordo com a complexidade requerida para a evolução da rede em todos os
aspectos, principalmente aspecto custo/benefício.
Este trabalho mostrou que a tecnologia FDDI é nos aspectos considerados, uma
tecnologia restrita, servindo a um tipo de necessidade que não é de redes de abrangência
geográfica significativa(MANs), onde sede espaço para outras tecnologias mais avançadas.
Por outro lado, neste trabalho, a tecnologia ATM mostrou que é uma das
tecnologias que serve de opção em substituição à FDDI. Não obstante, é importante ressaltar
que uma implementação interessante seria utilizar a tecnologia DWDM, pois sabe-se que
estudos sobre redes metropolitanas mostram que a utilização de soluções, que trabalham com
multiplexação de comprimento de onda, apresentam um excelente desempenho.
Neste trabalho não foi possível comparar DWDM, FDDI e ATM, pois apesar do
simulador possuir links ópticos que satisfazem a taxa de dados apropriada para redes DWDM
(SONET OC-48, OC-192 e outros), verificou-se que os dispositivos físicos (roteadores,
switchs, hubs, etc.) não possuem multiplexadores compatíveis com a versão Trial do OPNET,
adotado neste projeto. Portanto era necessário importar um módulo específico com
ferramentas DWDM, mas também não foi possível, pois o mesmo não se encontra para uma
versão acadêmica free.
58

REFERÊNCIAS

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http://www.mc21.fee.unicamp.br/alberti/sbt99.pdf (jun. 1999).

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/products_user_guide_list/ccmigration_09186a00804ae99e.pdf (2005).

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Instituições participantes, oferencendo Infra-estrutura de alta
capacidade e melhor qualidade. REDECOMEP. Disponível por
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[MEN03a] MENDES, Luciano Leonel. Tutorial Básico. Laboratório de Pós Graduação –


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Networks. IEEE communications Magazine, Maio 1998.

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[TOR01] TORRES, Gabriel. Redes de Computadores – Curso Completo. São Paulo,


SP.: Axcel Books, 1ª ed., 688p, 2001.