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Vivemos num mundo hedonista, onde a busca por prazer pauta a vida de muitas

pessoas. Essa busca, muitas vezes, se direciona para vícios como bebidas, cigarros,
drogas, prostituição. À medida que a população cresce, aumentam também os
problemas provenientes de vícios, como câncer, sida, violência, fome e
desemprego. Estudos apontam que cerca de um terço dos brasileiros adultos tem
algum tipo de vício, o que se torna também um problema de saúde pública.
Segundo psiquiatras, entre 10% e 15% dos adultos desenvolvem algum tipo de
dependência em relação ao álcool e às drogas. Somando os fumantes, esse índice
sobe para 30%. A dependência de drogas também deixa um rastro de
autodestruição, com consequências desastrosas para o corpo e para a mente.

A pior consequência dos vícios é que eles aprisionam as pessoas. Normalmente,


pessoas viciadas perdem o estímulo para a vida e começam a entrar numa
degradação moral que, quase sempre, as leva à depressão e a perdas como dinheiro,
amigos, família, emprego, saúde e, finalmente, perda da alma.

Não obstante o esforço de cientistas para novas descobertas que levem à cura, a
dependência química já é considerada uma doença, pela Organização Mundial de
Saúde (OMS). Isso prova que um viciado não é fraco, mas doente. No entanto,
levando-se em consideração que o corpo é templo do Espírito Santo, quem é
viciado é também um pecador, porque está se autodestruindo. O vício é a arma
usada por satanás para escravizar o ser humano.

Sabemos que não é fácil abandonar um vício. No entanto, há uma saída para quem
é viciado. Não importa se o vício é uma doença ou fraqueza de caráter. Muitos têm
tentado, não conseguem e, muitas vezes, se sentem desanimados. Além da ajuda
médica, é preciso buscar a ajuda espiritual, cuja solução está em Jesus. Só Ele pode
oferecer a oportunidade de um novo recomeço, de uma nova história.

A série americana “This Is Us“, transmitida pela NBC, acompanha a história


da amorosa família Pearson, que embora muito unida, não escapa aos
dramas que o vício pode causar. Jack Pearson é o modelo de marido e pai
presente e carinhoso, mas não conseguiu fugir da sombra de seu próprio pai
alcoólatra. Seus filhos, Kevin, Kate e Randall, acompanharam a luta dele
contra o álcool, e embora sofressem vendo as crises do pai, também
trilharam sua própria jornada ao lado do vício: bebida, comida e trabalho,
respectivamente.

O que a ficção nos conta acerca do tema é comprovado pela ciência. Além
dos fatores externos, sabe-se que a genética tem muita influência na
herança dos vícios. A Universidade de Fudan, em Xangai, China,
divulgou uma pesquisa com roedores em que relata a propensão genética às
drogas, por exemplo.  Os cientistas observaram que os animais cujos pais
tiveram contato com a cocaína eram os mais propensos a ter o vício.
Nos seres humanos, isso ocorre em cerca de 20%  das pessoas com esse
histórico.

Em seu site, o Dr. Dráuzio Varella também explica: “O alcoolismo tende a


ocorrer com mais frequência em certas famílias, entre gêmeos idênticos
(univitelinos), e mesmo em filhos biológicos de pais alcoólicos adotados por
famílias de pessoas que não bebem.”

O que é “vício”?
Quando falamos em vício, a primeira coisa que vem à cabeça é o álcool e as
drogas. Porém, o que muita gente esquece é que o vício não se limita
somente a isso, mas a uma série de fatores que fazem desse problema algo
muito mais profundo do que pensamos.

A palavra vício tem origem do latim “vitium” e significa “falha ou defeito“.


Para o dicionário Aurélio, a definição de vício é: Tornar mau, pior,
corrompido ou estragado; alterar para enganar; corromper-se, perverter-se,
depravar-se. Já para a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma
doença física e psicoemocional.

No entanto, a psicologia vai mais à fundo e investiga não só as


consequências, mas também as motivações, origens e características do vício
e de seus dependentes. A área também entende o vício como um mecanismo
de fuga emocional que visa a obtenção de prazer e extinção da dor. 
O que caracteriza um vício?

O limite entre um hábito e o vício está nas consequências que eles


causam na vida da pessoa. O vício afasta o indivíduo de sua essência e faz
com que foque mais na obtenção do prazer através da dependência do que
na vida que antes levava, nem que isso signifique se afastar de amigos e
familiares, mentir, se prejudicar no trabalho e mudar completamente o curso
de suas ações, objetivos e sonhos. 

Tipos de vício
Vício em álcool
Mais de 2 milhões de pessoas sofrem com o alcoolismo no Brasil e 3.3 milhões morrem todo
ano decorrente desse vício. Os homens são os mais suscetíveis, num total de 70% dos casos,
enquanto as mulheres correspondem a 30%.
Mas, afinal, o que é alcoolismo? Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, alcoolismo, ou
ainda, etilismo, como também é conhecido,”é caracterizado pela vontade incontrolável de
beber, falta de controle ao tentar parar a ingestão, tolerância ao álcool (doses cada vez
maiores para sentir os efeitos da bebida) e dependência física, que se manifesta com sintomas
físicos e psíquicos nas situações de abstinência alcoólica”.

O que leva uma pessoa a beber?

Alguns problemas emocionais como ansiedade, angústia e insegurança


podem ser grandes facilitadores para alguém começar a beber. Além disso,
ter fácil acesso ao álcool e a própria genética, como já explicamos
anteriormente, aumentam as chances de dependência ao álcool.  Uma das
portas de entrada também pode ser a vontade de socializar, fazer amigos e
ser aceito num grupo, já que alguns dos efeitos do álcool são a euforia e a
desinibição.

Sintomas de Alcoolismo

O alcoólatra muitas vezes não tem consciência de que é mesmo dependente


da bebida. Porém, existem alguns elementos que facilitam as pessoas ao
redor, ou mesmo o dependente, a como identificar um alcoólatra. Dentre
alguns sinais estão a falta de controle sobre o uso e  tolerância cada
vez maior à bebida. 
A abstinência, ou seja, quando o dependente interrompe a ingestão da
bebida, seja por vontade própria ou por falta dela no momento, causa
alguns sintomas físicos e mentais, como:

  tremores nos lábios;


 tremores nas mãos e pés;
 náuseas e vômitos;
 suor excessivo;
 ansiedade e irritação;
 confusão mental.

Essas são algumas consequências do alcoolismo. Mas, não são só os


efeitos físicos e mentais que trazem estragos à vida das pessoas. Os danos
nos relacionamentos pessoais e profissionais levam muitos alcoólatras
à depressão e outras doenças.

Doenças causadas pelo álcool

 hepatite ou cirrose hepática;


 depressão;
 impotência ou infertilidade;
 gastrite;
 infarto;
 trombose;
 anorexia alcoólica;
 demência;
 câncer.

Tratamento do alcoolismo

O tratamento para o alcoólatra deve, primeiro, ser um passo dado por ele


mesmo. O dependente deve querer largar o vício. Em seguida, ele ou a
família devem procurar um psicólogo ou psiquiatra, que entrará com o
tratamento adequado. 
Por ser uma doença crônica, o alcoolismo não tem cura, porém é possível
ter uma vida saudável e se afastar para sempre do vício!  Como ajudar um
alcoólatra? Com apoio familiar, desintoxicação sob supervisão médica
e a reabilitação, o indivíduo tem plenas chances de ter uma vida norma. 

Vício em tecnologia

A era da tecnologia criou um novo vício. Mais e mais pessoas tornam os


aparelhos celulares, tablets, videogames, etc, extensões de seus corpos.
2018 foi o ano em que a Organização Mundial da Saúde incluiu o vício em
videogame na sua lista oficial de doenças. Essa informação gerou muita
controvérsia pois diversos pesquisadores acharam drástica a medida tomada
pela organização.

A Universidade Estadual de São Francisco, na Califórnia (EUA),


realizou um estudo no qual se constatou que o vício em smartphones, por
exemplo, forma conexões neurológicas parecidas com as de viciados em
opiáceos.

Com medo dos efeitos que o vício em jogos online estava causando aos
jovens, a Coreia do Sul adotou um toque de recolher para menores de 16
anos, em 2011. A medida não funcionou, afinal, os jovens encontraram
outras coisas para fazerem de madrugada além de jogar.

O vício em internet e em redes sociais assusta. A empresa de


marketing Digital Clarity fez um levantamento em que  16% admitem
gastar mas de 15 horas por dia na internet.

Mas por que estamos tão viciados?


Assim como muitas outras dependências, o vício em games, internet, e tecnologias em geral pode
estar associado à baixa autoestima, depressão e mal-estar. Além disso, a conexão às redes sociais
permite uma satisfação pessoal com o ego.

Eduardo Guedes, pesquisador e membro do Instituto Delete – primeiro núcleo do Brasil


especializado em “desintoxicação digital” na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comenta
esse vício em entrevista concedida à BBC: “Falar de si gera um prazer equivalente a se alimentar,
ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão falando de si nas redes sociais,
com feedback instantâneo. Em uma conversa normal, em 30% do tempo normalmente se fala sobre
si”.

Consequências
Segundo a Universidade da Coreia, em Seul, na Coreia do Sul,  adolescentes viciados em tecnologias
como videogames, jogos online, internet e redes sociais, têm maior propensão para sofrerem
com depressão, ansiedade, insônia e impulsividade. A dependência também provoca alterações no
balanço químico no cérebro.

Outros vícios

1 em cada 5 pessoas no mundo fuma cigarros. Essa é a estimativa da


OMS, que também complementa que a dependência da substância mata 7
milhões de pessoas por ano.

O tabagismo é um dos vícios mais comuns e banalizados do mundo. Apesar


de ser legalizado, o cigarro é uma droga e pode causar diversas doenças.

Consumir alimentos compulsivamente também é vício, e é considerado um


transtorno, de acordo com a OMS. Comer rapidamente, em grandes
quantidades e até sentir-se cheio é um dos sinais do transtorno de
compulsão alimentar periódica. Ás vezes, o paciente prefere fazer suas
refeições sozinho por vergonha e culpa e também costuma comer mesmo
sem estar com apetite.

Confira aqui os vícios mais comuns existentes:

 drogas ilícitas;
 trabalho;
 jogos de azar;
 pornografia;
 sexo;
 medicamentos;
 entre outros.

Como se livrar de um vício?


Como tratamos anteriormente, o vício é um mecanismo de fuga em que o
indivíduo passa a depender dos prazeres que sente ao consumi-lo. Ou seja,
não necessariamente é o álcool ou as drogas que vai destruir a vida de
alguém. A internet, o sexo, a pornografia, o trabalho…tudo em excesso
prejudica e faz mal à saúde mental. Todo o vício é corrosivo.

Tratamento psicológico

Seja o vício em álcool e drogas ou vício em internet e trabalho, existem


maneiras de controlá-los. O caminho mais recomendado é a procura de um
psicólogo ou psiquiatra. Esse profissional, além de investigar as origens do
problema, também irá traçar técnicas para que a dependência emocional
termine. Essa dependência emocional é atrelada ao que o indivíduo sente
quando consome a fonte de seu vício. Alguns alegam sentir-se mais
confiantes, interessantes e sociáveis quando em contato com o álcool,
drogas, etc.

É preciso desassociar a ideia positiva que o vício traz, e para isso, o psicólogo
usará de muitos métodos para conseguir atingir esse objetivo. Além disso,
irá tratar os efeitos causados pela dependência, como a depressão,
ansiedade, baixa autoestima, dentre outras consequências psicológicas que o
vício acarreta.

Grupos de apoio como o Alcoólicos Anônimos (AA) também é um passo


importante e muito procurado por quem sofre com o alcoolismo, por
exemplo. O importante é o dependente admitir para si mesmo e para os
outros que tem um problema e que quer ser curado. Se você enfrenta algum
tipo de vício, não lute sozinho. Procure ajuda!

Pr. Jorge Linhares


www.getsemani.com.br

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