Você está na página 1de 5

ISA 620 - Usar o Trabalho de Um Perito

NORMA INTERNACIONAL DE AUDITORIA 620

USAR O TRABALHO DE UM PERITO

(Eficaz para auditorias de demonstrações financeiras para os períodos que comecem em ou após 15 de
Junho de 2005) ¨

ÍNDICE

Parágrafo

Introdução 1-5

Determinação da Necessidade de Utilizar o Trabalho de um Perito 6-7

Competência e Objectividade do Perito 8 - 10

Âmbito do Trabalho do Perito 11

Avaliação do Trabalho do Perito 12 - 15

Referência a um Perito no Relatório do Auditor 16 - 17

A Norma Internacional de Auditoria (ISA) 620, “Usar o Trabalho de um Perito” deve ser lida no contexto
do “Prefácio às Normas Internacionais de Controlo de Qualidade, de Auditoria, de Exame Simplificado,
de Outras Garantias de Fiabilidade e de Serviços Relacionados”, que estabelece a aplicação e autoridade
das ISAs.

Introdução

1. A finalidade desta Norma Internacional de Auditoria (ISA) é a de estabelecer normas e dar


orientação na utilização do trabalho de um perito como prova de auditoria.

2. Quando usar o trabalho executado por um perito, o auditor deve obter prova de auditoria
apropriada suficiente de que tal trabalho é adequado para as finalidades da auditoria.

3. "Perito" significa uma pessoa ou firma que possui habilitações especiais, conhecimentos e
experiência num determinado campo que não seja a contabilidade e a auditoria.

4. A formação e experiência do auditor dão a possibilidade ao auditor de ficar conhecedor acerca


das matérias dos negócios em geral, mas não se espera que o auditor tenha a perícia de uma pessoa
treinada ou qualificada para se comprometer na prática de outra profissão ou ocupação, tal como um
actuário ou engenheiro.
5. Um perito pode ser:

(a) Contratado pela entidade;

(b) Contratado pelo auditor;

(c) Empregado pela entidade; ou

(d) Empregado pelo auditor.

Quando o auditor usa o trabalho de um perito empregado firma de auditoria, o auditor estará em
condições de confiar nos sistemas da firma para recrutar e treinar que determinam as capacidades e
competência desse perito, como explicado na ISA 220, "Controlo de Qualidade para Auditorias de
Informação Financeira Histórica” em vez de necessitar de as avaliar para cada trabalho de auditoria.

Determinação da Necessidade de Utilizar o Trabalho de um Perito

6. Ao obter conhecimento da entidade e ao executar procedimentos adicionais em resposta a


riscos avaliados, o auditor pode necessitar de obter, juntamente com a entidade ou de forma
independente, prova de auditoria na forma de relatórios, opiniões, valorizações e declarações de um
perito. Entre os exemplos incluem-se:

• Valorizações de certos tipos de activos, por exemplo, terrenos e edifícios, instalações e


equipamentos, obras de arte e pedras preciosas.

• Determinação de quantidades ou de condições físicas de activos, por exemplo, minérios


armazenados em pilhas, jazidas de minério e reservas petrolíferas, e a vida útil remanescente de
instalações e equipamentos.

• Determinação de quantias usando técnicas ou métodos especializados, por exemplo, uma


valorização actuarial.

• A medição de trabalho realizado e a ser realizado nos contratos em curso.

• Pareceres jurídicos respeitantes a interpretações de acordos, estatutos e regulamentos.

7. Ao determinar a necessidade de usar o trabalho de um perito, o auditor tomará em


consideração:

(a) Os conhecimentos e experiência anterior da equipa de trabalho quanto à matéria que está a ser
considerada;

(b) O risco de distorção material baseado na natureza, complexidade e materialidade da matéria


que está a ser considerada; e

(c) A quantidade e qualidade de outra prova de auditoria que se espera ser obtida.

Competência e Objectividade do Perito


8. Quando planear usar o trabalho de um perito, o auditor deve avaliar a competência profissional
do perito. Isto envolverá que tome em consideração:

(a) A certificação profissional ou o licenciamento por, ou a inscrição como membro em uma


organização profissional apropriada;

(b) A experiência e reputação no campo em que o auditor está procurando prova de auditoria.

9. O auditor externo deve avaliar a objectividade do perito.

10. O risco de a objectividade de um perito vir a ser diminuída aumenta quando o perito:

(a) É empregado pela entidade; ou

(b) Está relacionado de qualquer outra maneira com a entidade, por exemplo, por ser dela
financeiramente dependente ou por ter um investimento na entidade.

Se o auditor estiver preocupado com a competência ou objectividade do perito o auditor necessita de


debater quaisquer reservas com a gerência e considerar se pode ou não ser obtida prova de auditoria
apropriada suficiente com respeito ao trabalho do perito. O auditor pode precisar de empreender
procedimentos de auditoria adicionais ou de procurar prova de auditoria a partir de outro perito (depois
de tomar em conta os factores constantes do parágrafo 7).

Âmbito do Trabalho do Perito

11. O auditor deve obter prova de auditoria apropriada suficiente de que o âmbito do trabalho do
perito é adequado para as finalidades de auditoria. A prova de auditoria pode ser obtida através de uma
revisão dos termos de referência que estão muitas vezes estabelecidos em instruções escritas da
entidade para o perito. Tais instruções para o perito podem cobrir matérias tais como:

• Os objectivos e o âmbito do trabalho do perito

• Um esboço geral quanto às matérias específicas que o auditor espera que o relatório do perito
cubra.

• O uso pretendido pelo auditor do trabalho do perito, incluindo a possível comunicação a


terceiros da identidade do perito bem como da extensão do seu envolvimento.

• A extensão do acesso do perito aos registos e ficheiros apropriados.

• A clarificação do relacionamento do perito com a entidade, se for caso disso.

• A confidencialidade da informação da entidade.

• Informações respeitantes aos pressupostos e métodos que se pretende sejam usados pelo
perito e a sua consistência com aqueles que foram usados em períodos anteriores.
No caso destas matérias não ficarem claramente estabelecidas em instruções escritas para o perito, o
auditor pode precisar de comunicar com o perito directamente para obter prova de auditoria a este
respeito. Ao obter o conhecimento da entidade, o auditor também toma em consideração a inclusão do
perito durante o debate com a equipa de trabalho sobre a susceptibilidade das demonstrações
financeiras da entidade a distorção material.

Avaliação do Trabalho do Perito

12. O auditor deve avaliar a apropriação do trabalho do perito como prova de auditoria com
respeito à asserção de demonstração financeira que está a ser considerada. Isto envolverá a avaliação
sobre se a substância das conclusões do perito está devidamente reflectida nas demonstrações
financeiras ou se suporta as asserções das demonstrações financeiras, bem como a consideração de:

• Dados fonte usados;

• Pressupostos e métodos usados e a sua consistência com períodos anteriores; e

• Resultados do trabalho do perito à luz do conhecimento geral do auditor do negócio e dos


resultados de outros procedimentos de auditoria.

13. Quando considerar se o perito usou dados fonte que sejam apropriados nas circunstâncias, o
auditor tomará em consideração os procedimentos seguintes:

(a) Fazer indagações com respeito a quaisquer procedimentos empreendidos pelo perito para
estabelecer se os dados fonte são relevantes e fiáveis.

(b) Rever ou testar os dados usados pelo perito.

14. A apropriação e a razoabilidade dos pressupostos e métodos usados e a sua aplicação são da
responsabilidade do perito. O auditor não tem a mesma perícia, e, por conseguinte, não pode pôr em
causa sempre os pressupostos e os métodos do perito. Porém, o auditor necessitará de obter um
conhecimento dos pressupostos e dos métodos usados e de considerar se eles são apropriados e
razoáveis, baseados no conhecimento pelo auditor do negócio e dos resultados de outros
procedimentos de auditoria.

15. Se os resultados do trabalho do perito não proporcionam prova de auditoria apropriada


suficiente ou se os resultados não são consistentes com outra prova de auditoria, o auditor deve
resolver o assunto. Isto pode envolver debates com a entidade e o perito, a aplicação de procedimentos
adicionais, incluindo possivelmente a contratação de um outro perito, ou a modificação do relatório do
auditor.

Referência a um Perito no Relatório do Auditor

16. Quando emitir um relatório de auditoria não modificado, o auditor não se deve referir ao
trabalho de um perito. Tal referência podia ser mal entendida como uma qualificação da opinião do
auditor ou uma divisão de responsabilidades, o que nenhuma delas se pretende.
17. Se, como resultado do trabalho de um perito, o auditor decidir emitir um relatório de auditoria
modificado, nalgumas circunstâncias pode ser apropriado, ao explicar a natureza da modificação, referir-
se a ou descrever o trabalho do perito (incluindo a identidade do perito e a extensão do envolvimento
do perito). Nestas circunstâncias, o auditor obterá a permissão do perito antes de fazer tal referência. Se
for recusada a permissão e o auditor crer que a referência é necessária, o auditor pode necessitar de
procurar aconselhamento jurídico.

Você também pode gostar