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ACOPLAMENTO ACÚSTICO

1) Características, comportamento e propagação de ondas ultrassônicas.

Chamamos de infra-som, a faixa de freqüência de até 20 Hz e de som audível a faixa de 20 Hz


a 20000 Hz. Acima desta freqüência define-se o ultra-som.

Como sabemos toda substância é constituída por partículas. Imaginemos que esta substância
seja composta de pequenas partículas de matéria, as quais estão interligadas por forças
elásticas, podendo se mover em relação às suas posições de equilíbrio (fig. 7.1).

FIG. 7-1: ENTERLIGAÇÃO DAS FORÇAS ELÁSTICAS NA MATÉRIA

Quando uma partícula é impulsionada, ela começa a vibrar e passa sua energia para as
partículas adjacentes. Deste modo, a energia se propaga de uma partícula para as outras
partículas da substância. O número de vibrações na unidade de tempo (freqüência) nos informa
se e gerado infra-som, som audível ou ultrassom.
É importante salientar que as partículas do meio em que se propaga a energia não caminham
junto com a onda e sim executam um movimento de vibração ao longo de um eixo orientado.

Dependendo do modo de vibração distinguimos três tipos básicos de ondas ultra-sônicas: ondas
longitudinais, ondas transversais e ondas superficiais.

a)Onda longitudinal (ou de compressão):

Aquela na qual as partículas do meio vibram na mesma direção da propagação da onda (fig. 7.2).

FIG. 7-2: ONDA LONGITUDINAL


Em distâncias iguais existem compressões de planos de partículas e entre eles, encontram-se
“zonas diluídas”. As distâncias entre duas zonas de compressão determinam o comprimento de

onda () de uma onda longitudinal.


As zonas de compressão e de diluição movem-se através do corpo de prova com uma certa
velocidade VL que é a velocidade da onda longitudinal. Esta velocidade do som é uma constante
do material, isto é, difere de acordo com o material no qual a onda é propagada. Por tanto, a
velocidade do som pode ser considerada constante em um material totalmente homogêneo.
Para o aço, alumínio, água e ar, as velocidades das ondas longitudinais, são:
A freqüência (f) indica o numero de vibrações por segundo efetuado por cada partícula. A
correlação matemática dos três elementos definidos é: V  f . 
L
Como a velocidade do som e uma constante do material, a escolha de uma certa freqüência
determinará o comprimento da onda ultra-sônica.
A velocidade de propagação do som de uma onda longitudinal, pode ser calculada pela seguinte
relação:
E . (1  )
VL 
 . (1  ) . (1  2)

Onde: E = módulo de elasticidade de Young (N/m2)


 = constante de Poisson
 =densidade do material (kg/m3)

b) Onda transversal (ou de cisalhamento):

É aquela na qual as partículas do meio vibram na direção perpendicular ao de propagação (fig.


7.3). Neste caso, observamos que os planos de partículas mantém-se na mesma distância um
do outro, movendo-se apenas verticalmente. Desde que, existe um movimento de cisalhamento
entre os planos, as ondas transversais são também denominadas “ondas de cisalhamento”.

FIG. 7-3: ONDA TRANSVERSAL

Nos líquidos e gases, estas ondas não podem-se propagar devido a incapacidade dos ruídos de
suportar forças de corte ou cisalhamento. A velocidade transversal do som também é uma
constante do material:

Da mesma forma anterior, a velocidade de propagação de uma onda transversal pode ser
calculada em função das características físicas de um material:

E G
VT  
2 .  . (1  ) 

Onde: G = módulo de cisalhamento (N/m 2)


c) Ondas superficiais:

São assim chamadas, pela característica de se propagar na superfície dos materiais. As ondas
superficiais são do tipo secundário (o modo de vibração é uma combinação do modo de vibração
longitudinal e transversal), e se dividem em 3 classes:

-Ondas de Raleigh
-Ondas de Love
-Ondas de Lamb

Delas, as mais importantes são as Ondas de Raleigh, as quais apresentam um movimento


elíptico e se propagam exclusivamente na superfície de um sólido, cuja espessura seja maior
que o comprimento de onda (fig. 7.4).

FIG. 7-4: ONDA SUPERFICIAL DE RALEIGH

A velocidade de propagação das ondas de Raleigh é aproximadamente 10% inferior a velocidade


de uma onda transversal, considerando o mesmo material de ensaio, e pode ser calculada pela
seguinte relação empírica:

(0,87  1,12 )
VS  . VT
1 

As Ondas de Love propagam-se na superfície do material, sem componente normal. Apresentam


um movimento paralelo à superfície, e transversal em relação à direção de propagação do feixe
( fig. 7.5). Sua aplicação restringe-se à inspeção de camadas finas de materiais que recobrem
outros materiais ( por exemplo, chapas galvanizadas ou com eletrodeposição).

FIG. 7-5: ONDA SUPERFICIAL DE LOVE

Quando a espessura do material é comparável (igual ou aproximadamente igual) ao


comprimento de onda, temos as Ondas de Lamb, sendo que elas se classificam em ondas
simétricas e ondas assimétricas (fig. 7.6).
CHAPAS FINAS

FIG. 7-6: ONDA SUPERFICIAL DE LAMB

O ensaio ultra-sônico de materiais com ondas superficiais é utilizado com severas restrições,
pois somente são detectados defeitos superficiais e nestes casos, existem métodos de ensaios
não destrutivos mais simples (como por exemplo líquidos penetrantes, partículas magnéticas e
correntes parasitas), que em geral são de custo e complexidade inferior ao ensaio ultra- sônico.

d) Incidência Normal:

Uma característica fundamental da propagação ondulatória é que, quando o som, no caso,


atravessa vários meios de densidades diferentes, a freqüência de emissão não se modifica. Por
exemplo: se você está no quarto em sua casa e alguém na sala está ouvindo musica num
aparelho de som, as notas musicais que você ouve são as mesmas que são produzidas pelo
aparelho, ou seja, que o som ao propagar-se pelo ar e as paredes da casa, não modifica a
freqüência. Para cada mudança de meio (densidade), dizemos que corresponde a uma interface.
Portanto, um meio qualquer com várias interfaces será sempre um meio descontinuo.

Definimos a impedância acústica (Z) de um material como sendo o produto entre a densidade do
meio pela velocidade de propagação da onda, ou seja:

Z  . V
A tabela 7.1 apresenta os valôres de densidade, velocidades longitudinal e transversal e
impedância acústica de alguns meios.

Tabela 2. Densidade, Velocidades de Propagação e Impedância Acústica de alguns Materiais.

Densidade Veloc. Longit. Veloc. Transv. Impedância Acústica


Material VL VT (Z)
(kg/m3) (m/s) (m/s) (kg/m2 . s)

Aço 7.700 5.900 3.230 45 .106

o 1.000 1.480 xxxxxx 1,5 .106


Água ( 20 C)

Alumínio 2.700 6.300 3.130 17 .106

Ar 1,2 330 xxxxxx 0,0004 .106

Borrachas 900 1.480 xxxxxx 1,3 .106

Cádmio 8.600 2.780 1.500 24 .106

Chumbo 11.400 2.160 700 25 .106

Cobre 8.900 4.700 2.260 42 .106

Estanho 7.300 3.320 1.670 24 .106

Ferro Fundido 7.220 5.600 3.200 40 .106

Glicerina 1.260 1.920 xxxxxx 2,4 .106

Latão 8.100 3.830 2.050 31 .106

Magnésio 1.700 5.700 3.170 9,7 .106

Níquel 8.800 5.800 3.080 51 .106

Óleo (SAE 20/30) 950 1.250 xxxxxx 1,2 .106

Ouro 19.300 3.240 1.200 63 .106

Plexiglass 1.180 2.730 1.430 3,2 .106

Porcelana 2.500 5.660 3.420 14 .106

Prata 10.500 3.600 1.590 38 .106

Quartzo 2.600 5.570 3.520 14 .106

Titânio 4.540 6.240 3.210 28 .106

Zinco 7.100 4.170 2.410 30 .106


Consideremos agora, uma onda longitudinal se propagando em um meio 1 e incidindo
perpendicularmente em uma interface caracterizada pelo meio 2 (fig. 7.7).

ONDA TRANSMITIDA FIG. 7.7: INCIDÊNCIA NORMAL

Para cada interface que o feixe acústico encontre, haverá sempre uma porcentagem que se
transmite ao outro meio e uma porcentagem que reflete, sendo que, as quantidades transmitida
B e refletidas dependem das velocidades dos meios e das suas densidades.

Definimos os coeficientes de transmissão ou permeabilidade (T) e de reflexão (R)


matematicamente através das relações:

Ir It
R T
Ii Ii

onde Ii, Ir e It são as intensidades (energia por unidade de tempo e por unidade de área) das
ondas incidentes, refletida e transmitida, respectivamente. Como as intensidades das ondas
sônicas são difíceis de se calcular, precisamos relacionar os coeficientes R e T em função
das características acústicas dos meios 1 e 2. As relações matemáticas abaixo, derivadas das
anteriores, possibilitam o cálculo destes coeficientes:

( Z1  Z 2 ) 2 4 . Z1 . Z 2
R T
( Z1  Z 2 ) 2
( Z1  Z 2 ) 2

onde Z1 e Z2 são as impedâncias acústicas dos meios que formam a interface.