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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
FUNDAÇÃO CECIERJ /Consórcio CEDERJ / UAB
Curso de Licenciatura em Pedagogia – Modalidade EAD
Avaliação Presencial 1 (AP1) – 2020.1

Disciplina: Educação de Jovens e Adultos


Coordenadora: Professora Andrea Fernandes
Aluno(a): Jacqueline Dias da Silva dos Santos

Matrícula: 19112080046 Polo: Três Rios

Questão 1: (valor: até 2,0 pontos)


Na aula 6 você conheceu e estudou o Parecer CNE/CEB nº 11/2000, que estabelece as Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos.
1.1 – Assinale a opção que indica as três funções da EJA definidas pelo Parecer.
( ) qualificadora, equalizadora e permanente
( ) reparadora, igualitária e equalizadora
( ) reparadora, restauradora e qualificadora
( x ) reparadora, qualificadora e equalizadora

1.2 – Explique cada uma dessas funções.


R: A função reparadora consiste em assegurar o direito civil de jovens e adultos, permitindo que
estes tenham direito à escola, um ensino de qualidade e sejam reconhecidos de forma igualitária
tanto no âmbito educacional, quanto no social. A função qualificadora, por sua vez, permite a
qualificação para a vida do trabalho, para a vida social. É uma função permanente, pois proporciona
igualmente a todos a atualização de conhecimento ao longo da vida, também expresso na cidadania.
Sobrepõe a exigência do mercado de trabalho, se caracterizando pela constante formação e
aprendizado no âmbito escolar ou fora dele, abrindo espaços para experiências socioculturais. A
função equalizadora, no entanto, busca fornecer a igualdade de condições tanto no âmbito
profissional como na vida, como princípio constitucional legítimo da isonomia. Se relaciona a
igualdade de oportunidades na vida social, no mercado de trabalho e em diversos âmbitos
participativos da sociedade.

Referências: Parecer CNE/CEB nº 11/2000. Disponível em:


http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/pceb011_00.pdf . Acesso em 14 de abril de 2020.

Questão 2: (valor: até 2,0 pontos)


A modalidade educação de jovens e adultos se destina às pessoas que não podem acessar a escola
na idade considerada adequada para cursar a educação básica (até os 17 anos). A partir dessa
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afirmação, defina o público que compõe as salas de aula da EJA. Para elaborar sua resposta,
considere as possíveis diversidades que compõem os estudantes da EJA.
R: O público que compõe a EJA é muito amplo e diverso. Apesar de o imaginário social se voltar
para o fato de que a EJA se destina ao público de terceira idade, a realidade é bem diferente e é
fruto de diversas transformações sociais. É muito complexo explicitar de forma exata qual o público
que compõe as turmas da EJA, pois deve-se considerar muitos fatores que devem ser levados em
conta. Contudo, um aspecto normativo ao qual a EJA se insere diz respeito a idade mínima de
ingresso nessa modalidade, que é de 15 anos para o ensino fundamental e 18 anos para o ensino
médio, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais e se aplica a estudantes que, por
diversos motivos ligados à sua história de vida, não conseguiram se manter na idade escolar correta
ou interromperam seus estudos precocemente, antes da conclusão. Cabe ressaltar que a EJA abrange
instituições do setor público e do privado, presenciais e EAD, contendo diversidades intrínsecas às
mesmas.

Referências:

Material didático – Aulas 1 a 10.

Questão 3: (valor: até 1,0 pontos)


Destaque as medidas educacionais do Estado Novo e as analise a partir do enfoque da educação de
adultos.

R: O período compreendido entre 1937 e 1945, o Estado Novo de Getúlio, mesmo sendo
caracterizado como período ditatorial foi muito importante na criação de medidas voltadas para a
educação de jovens e adultos. Dentre as medidas criadas nesse período estão o Fundo Nacional do
Ensino Primário que cobria o ensino supletivo. A consequência dessa medida foi a ampliação de
oferta de cursos para esse público específico. Ainda no período do citado foram decretadas reformas
no ensino, denominadas Reformas Campanema que consistiam em normatizar o sistema
educacional, estruturando Ensino Industrial, Comercial, Secundário, Primário, Normal e Agrícola
(surgimento do SENAI em 1942 e do SENAC em 1946). Caracterizada pela abrangência inédita na
área educacional, as reformas mencionadas proporcionaram a jovens e adultos de baixa
escolaridade a oportunidade de estudarem e se qualificarem para o mercado de trabalho.
Referências: Material didático da disciplina – Aula 3 – Página 37 e 38.

Questão 4: (valor: até 1,5 pontos)


Na primeira metade da década de 1960, o contexto da educação popular e da educação para pessoas
adultas é marcado pelo desenvolvimento de movimentos de educação popular. Esses movimentos,
em sua grande maioria, foram extintos pelo início do governo militar instalado em 1964.
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4.1 – Assinale a única resposta que indica um desses movimentos de educação popular
desenvolvidos no período mencionado no enunciado desta questão:
( x ) Campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler
( ) Movimento Brasileiro de Educação
( ) Brasil Alfabetizado
( ) MOVA

4.2 – Caracterize a opção que representa os movimentos de educação popular do período citado.
R:
A Campanha “De pé no chão também se aprende a ler” foi implantada na cidade de Natal no dia 23
de fevereiro de 1961. Integrante do Movimento de Educação Popular, a referida Campanha fazia
parte de um conjunto de ações que almejavam a erradicação do analfabetismo. O idealizador e
candidato a prefeito de Natal Djalma Maranhão organizou todo o processo através de Comitês
Nacionalistas. Em 1960, com um trabalho de conscientização política levou a população às urnas
que, de forma consciente o elegeu. Dentre as ações do movimento de oito fases, a Campanha foi a
segunda e construiu escolas sem paredes, cobertas de palhas de coqueiro e chão de terra batida,
semelhantes às casas dos natalenses. Foram construídos pavilhões nos bairros periféricos e não se
exigia uniforme nem o uso de sapato. Após várias conquistas na educação e mais de vinte mil
crianças alfabetizadas em Natal, a Campanha foi bruscamente interrompida pelo Golpe Militar de
1964.
Referências:

MARANHÃO, Alexandre de Albuquerque. “50 anos da campanha ‘De pé no chão também se


aprende a ler’”. Rio Grande do Norte, 24/02/2011.

Disponível em: https://vermelho.org.br/2011/02/24/50-anos-da-campanha-de-pe-no-chao-tambem-


se-aprende-a-ler/. Acesso em 14 de abril de 2020.

Questão 5: (valor: até 2,0 pontos)


Na década de 1970, a lei nº 5692 reformou o ensino básico e dedicou um capítulo ao ensino
supletivo. Considere o que você estudou nesta disciplina e disserte sobre as contribuições dessa lei
para a educação para pessoas adultas, explicitando seus principais aspectos.

R: A Lei nº 5692 de 1971 através do artigo 24, além de reformar o ensino básico destinava a
ampliar a escolaridade por meio de cursos e exames de qualificação profissional. Cabe ressaltar que
o período caracterizado pela ditadura, objetivava uma formação voltada para o tecnicismo. Como
contribuição, permitia ao aluno escolher um curso dentre muitos disponíveis e obtinha o certificado
ao fim do 2º grau. Em contrapartida, a formação mais humanizada e mais ampla do indivíduo
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ficaram em segundo plano, dando espaço a uma forma de “profissionalização compulsória”.


Contudo, com as mudanças na estrutura do ensino, muitas escolas e profissionais compartilhavam a
falta estrutura física e capacitação para atender a demanda. A separação social imposta pelo
profissionalizante, dividia a classes menos favorecidas que sonhavam ingressar na universidade,
pois a preparação para o vestibular se tornou falha de forma mais aguda nas escolas públicas.

Referências:

Material didático – Aula 4 – Página 50 e 51.

Site consultado: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/03/03/reforma-do-ensino-


medio-fracassou-na-ditadura . Acesso em 14 de abril de 2020.

Questão 6: (valor: até 1,5 pontos)


Cite e caracterize a ação política pública nacional para a educação de pessoas adultas, criada a partir
da extinção do MOBRAL.

R: Com a extinção do MOBRAL em 1985, o governo do então presidente José Sarney criou a
Fundação Educar, que reformulou os programas educacionais destinados às quatro primeiras séries
do Ensino Fundamental e atuou como suporte técnico e financeiro às iniciativas públicas
governamentais e da sociedade civil. De forma distinta ao MOBRAL, a Educar ao fomentar a
execução de programas de alfabetização e de educação básica destinados a jovens e adultos, atuou
de forma direta e descentralizada e estabeleceu convênios com secretarias estaduais e municipais de
Educação e com instituições privadas ou comunitárias, abrangendo um público maior de
beneficiados em pouco tempo. Além de se pautar em uma metodologia diversificada, não
reprodutora mecânica da leitura e da escrita que atendia aos apelos críticos de uma nova educação,
o Educar representou o primeiro passo para mudança, porém foi instinto em 1990 com a posse de
Fernando Collor de Mello na presidência.

Referências:

Material didático – Aula 4 – página 51 e 52.