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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE

JANEIRO
CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
FUNDAÇÃO CECIERJ /Consórcio CEDERJ / UAB
Curso de Licenciatura em Pedagogia – Modalidade EAD
Avaliação a Distância (AD1) – 2020.1

Disciplina: Educação e Trabalho


Coordenadora(o): Prof. Dr. Carlos Soares Barbosa
Aluno(a): Jacqueline Dias da Silva dos Santos
Matr.:19112080046
Polo: Três Rios

Questão 1:
Assim como a educação, o trabalho é atividade essencialmente humana, pois só os seres humanos
(dotados da racionalidade) são capazes de executá-lo. É por meio do trabalho, da ação transforma-
dora sobre a natureza e não de simples adaptação a ela, que os seres humanos produzem /reprodu-
zem a sua existência. Com base no texto de Demerval Saviani (aula1), responda:

a) Trabalho é a mesma coisa que emprego? Por quê? (1 ponto)


R: Trabalho e emprego não são a mesma coisa. Apesar de se ligarem a algo comum, são conceitos
construídos em contextos históricos e sociais distintos. Enquanto trabalho se refere a
transformação da natureza pelo homem, o emprego por sua vez, tem um cunho mais burocrático
consolida-se na relação estável e duradoura entre quem organiza o trabalho e quem o realiza.

b) Em que momento histórico a unidade existente entre trabalho e educação foi rompida? (1
ponto)

R: A ruptura da unidade existente entre educação e trabalho é contemporânea ao surgimento da


apropriação privada da terra que separa também a unidade existente entre as comunidades
primitivas. Assim, surgem as divisões de classe que se configuram essencialmente em
proprietários e não-proprietários que, entrelaçados ao avanço da produção, culminam na
Revolução Industrial e no modo de produção capitalista tal como se apresenta atualmente.

c) Quais as consequências desse rompimento para a educação? (1 ponto)

R: As consequências do rompimento entre educação e trabalho não foram positivas. Assim como
ocorreu uma divisão no trabalho, ocorreu também uma divisão na educação que passou a existir
em modalidades distintas de acordo com a classe pertencente. Assim, tem-se a educação para a
classe proprietária para os donos das terrras e dos meios de produção e a educação para a classe
não- proprietária, voltada para os escravos e serviçais. Surgiram assim, os primeiros sinais da
desigualdade social.
d) É possível encontrar resquícios dessas consequencias na sociedade brasileira atual?
Justifique sua resposta fornecendo um ou mais exemplos. (2 pontos)

R: Sim. É possível verificar as consequências da ruptura entre educação e trabalho na sociedade


brasileira atual. Uma delas é que mesmo com a universalização da educação, as desigualdades no
acesso ao ensino de qualidade são cada vez maiores e sempre influenciados por fatores econômicos.
Outra questão é a precarização do trabalho docente que impacta diretamente as relações
estabelecidas no trabalho e na educação.

Questão 2:

2) Sbardelotto e Nascimento (2008), autoras do texto da aula 2, retratam as principais ideias


defendidas pelo pensador italiano Antonio Gramsci, sobretudo a concepção de escola que
defendia para os trabalhadores. Com base nas referidas autores, responda:

A) Quais as críticas feitas por Gramsci ao sistema educacional de sua época?


R: Gramsci tecia críticas ao sistema escolar italiano pela abordagem de conteúdos de cunho
elitista e burguês que segregavam e excluíam proletários e subalternos. Além disso, as escolas
tinham característica autoritária peculiar ao contexto fascista vivido na Itália. Gramsci criticava
duramente a divisão entre a escola clássica e a escola profissional que se destinavam às classes
dominantes e aos intelectuais, respectivamente. Para ele, a escola nesse sentido, perpetuava as
divisões de classes e as desigualdades entre as mesmas sob um discurso alienante, disfarçado de
democrático.

B) Quais as características da escola/formação defendida por Gramsci?

R: Gramsci defendia uma escola que proporcionasse condições igualitárias para os cidadãos
independente de sua classe. Para isso utilizou os termos “comum, única e e desinteressada” para
denominar uma proosta de escola simples, com oportunidade de acesso a todos, não hierarquizada
de acordo com as classes mais ou menos favorecidas e que preparem de forma igualitária todos os
indivíduos às mesmas oportunidades profissionais. O termo “desinteressada” também defendido
na perspectiva gramsciana se relaciona a uma concepção de educação a qual se valorize o passado
cultural do educando, permitindo a este assimilação e o conhecimento consciente de sua história e
a consciência de si mesmo. A chamada “escola única” ou “unitária” de Gramsci com as
características mencionadas, ainda contava com uma organização prática e estrutural que consistia
na ampliação de prédios, do material específico e do corpo docente. Nesse sentido estrutural ele
também defendia a pouca quantidade de alunos para cada professor, bibliotecas, salas para
trabalhos, seminários, dormitórios e refeitórios.